quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O homem mais rico de Portugal despede...

Causou impacto na Feira, capital mundial da cortiça, e no país que a Amorim Cork Composites vá despedir 118 trabalhadores e que na mesma rua, as fábricas de rolhas daquele grupo empresarial vão despedir outros 75 trabalhadores. No conjunto são 193 os trabalhadores despedidos. A líder mundial do negócio da cortiça, que pertence ao homem mais rico de Portugal, garante que está a ser afectada pela crise que grassa por esse mundo fora…

Pergunta-se:

Que empresa é que não está a ser afectada? Quem tem de pagar por isso? Quando Amorim se tornou o homem mais rico do país, os trabalhadores que lho permitiram tornaram-se os mais bem pagos do país? Será que o risco do empresário representa mais que o trabalho para a acumulação das mais valias? E que risco é esse que quando os resultados são positivos é Amorim que os colhe e quando são negativos, partilha-os com os trabalhadores? E essa partilha é proporcional quando um fica sem uns milhões que amanhã pode recuperar em bolsa e os outros ficam sem trabalho com as bolsas de trabalho vazias? Qual a alteração dos hábitos alimentares de Amorim comparada com a fome que vai grassar em Mozelos e em Sta. Maria da Feira? Quando um senhor do PSD, de nome Relvas, nos diz na SIC-Notícias, que é inovador que Amorim “só” despeça um membro do casal quando os dois lá trabalham, que deu no homem? E que é ele que faz os investimentos quando sabemos que é ao banco que o vai buscar? Que expectativas têm os senhores Relvas deste país em relação a empresários como Amorim para defenderem aberração tamanha?
Não individualizemos o caso, que só o foi por se tratar do homem mais rico de Portugal. Se tirarmos empresários que sentem o seu trabalho como um investimento económico e socialmente útil - que os há - mas que também estão a ser afectados pela quebra das subcontratações dos grandes grupos, a generalidade dos grandes patrões e de alguns dos outros o que estão a fazer é aproveitar-se da crise para despedimentos ilegais, para aproveitarem o argumento da crise para ainda levarem mais longe a crise social, como ontem denunciou a CGTP.

A história do nosso país é fértil neste tipo de comportamentos mas isso permitiu nela identificar melhor os que aqui se enraízam e querem unir esforços para defender o país mas também os que dele vivem. Quer empresários quer os políticos que os representam no aparelho do Estado. E que, na onda das mesmas referências éticas, se envolvem nas mais diversas "trapalhadas" - nome simpático com que são tratados crimes económicos com a corrupção ou o tráfico de influências.

3 comentários:

Patricia disse...

O problema não é o Amorim,o problema é o sistema.Mas apesar do sistema a criação de impostos sobre grandes fortunas como a dele já dava margem orçamentável para apoiar muitos daqueles que ele vai despedir.

Patricia disse...

O problema não é o Amorim,o problema é o sistema.Mas apesar do sistema a criação de impostos sobre grandes fortunas como a dele já dava margem orçamentável para apoiar muitos daqueles que ele vai despedir.

Operário=Servo da Gleba disse...

-Pois somos sócios mas sem direito a receber lucros, o contrato só contempla os prejuízos.
Operário=Servo da Gleba