terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A esquerda e o poder (1)


Prevenindo
que não contribuo para alguns peditórios …

Há dias fui convidado para colaborar num painel do Le Monde Diplomatique sobre “A Esquerda e o Poder”. Do convite tive o entendimento, que esperava que fosse comum ao dos outros intervenientes, que não se trataria de dar para o peditório que se vai arrastando penosamente das agregações, reorganizações e reconfigurações das várias componentes da esquerda, para se travestirem de “coisas” que permitissem o acesso ao poder…Já não tenho paciência para tais conversas, não por idade mas por experiência política. Não vejo grandes problemas à esquerda do PS a não ser que alguém ande a necessitar de afagar o ego e de se pôr em bicos de pés para engordar ou fazer filhos em casa alheia. Vejo problemas, isso sim, no PS que, em virtude da política que realiza e do comportamento ético de quem senta à sua mesa, terá quem já deve estar a encomendar a alma ao criador, que não estará muito virado para conceder ao seu partido a reencarnação, tanto mais imerecida quanto é certo que, há várias dezenas de anos, nem para convergências quanto mais para entendimentos, se dispôs, antes preferindo, mesmo com maiorias relativas, insistir burocrática, enfadonha e displicentemente, em governar sozinho, subsidiário de um refinado sentido de classe clientelar.
Não me parece ajuizado insistir em convites para uma dança por parecem ser para pisar calos alheios e desculpabilizar o PS, resumindo o bailarico ao papel de “pressão de esquerda” ao PS, como o comprova a obscuridade dos objectivos políticos a curto e médio prazo de alguns. Hão-de convir os leitores que três décadas destes peditórios os tornaram insuportáveis, pedindo tolerância que vos foi creditada nesta quadra festiva que acaba de passar, para me absolverem porque esta crítica à política direita do PS não é litigância de má fé… (continua)

2 comentários:

Carlos Duarte disse...

Problema factualmente velho mas recorrente.
Os socialistas chateiam-se! Mas chateado e irritado fico eu com a realidade: O PS sempre que foi governo, fez avançar as politicas liberais e de favorecimento do capital, como ninguém.
A realidade aí está a comprová-lo.

anamar disse...

Sentida e compreensivlmente gostei desta 1ª parte de uma estória de sedução!
Aguarda-se continuaçao!