sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Pintura de Werner Tübke




Frase de fim-de-semana, por Jorge



É terrível desperdiçar uma cabeça



Lema da UNCF - United Negro College Fund (organização de apoio a estudantes americanos negros






um livro sobre a deficiente construção da União Europeia


A União Europeia está a tornar-se num estado enorme, de difícil classificação em termos de direito público. Assemelha-se mais a um estado feudal ou à Arábia Saudita do que a uma democracia, no conceito em que a temos em múltiplos países europeus. Hans Peter-Martin (1) refere-se a esta questão na introdução do seu novo livro “Die Europafalle” (A armadilha da Europa).

É um livro que ilustra bem a natureza desta estrutura de poder, muitas vezes escondida atrás de grandes doses de propaganda.



“Confrontados com a estrutura europeia e com os seus Estados membros, todos os pais fundadores da democracia ocidental deviam sentir-se traídos. Em Bruxelas e Estrasburgo o desconforto aumenta. Mas em vez de enfrentar o desafio da construção defeituosa da União Europeia, preferem escondê-lo.


O lema é: a propaganda, em vez de uma reforma fundamental. Esta foi a opção tomada pela sueca Margot Wallström, Comissária responsável pela Comunicação. Nas eleições europeias de Junho de 2009, numa carta pessoal, enviou um aviso a Hans-Gert Pöttering, presidente do Parlamento Europeu: "A legitimidade do parlamento e de toda a União Europeia está em risco. A receita seria: uma ofensiva de mediática como nunca se viu.


E escreveu "Através de nossos contactos, pedimos a rádios e televisões para transmitirem uma programação mais sobre a UE e as questões europeias" (2). As representações na Comissão Europeia dos Estados-Membros devem desenvolver as suas " operações de comunicação em conformidade. " O orçamento para este efeito é de 17 milhões de euros. No final de sua carta, o vice-presidente da Comissão Europeia Presidente tranquiliza: "Como você pode ver, as operações previstas são importantes."
No procedimento do concurso para os programas sobre a EU, é particularmente solicitado que os canais os candidatos revelem não só os nomes mas “as funções e as competências linguísticas dos seus funcionários, em especial dos jornalistas", e também a sua linha editorial e que se comprometam a transmitir os programas europeus regularmente e em horário nobre. " (3). Quando este projecto foi lançado no Outono de 2008, o" Frankfurter Allgemeine Zeitung "publicou nas suas páginas culturais um artigo intitulado" A UE compra cobertura”. O subtítulo era: "Simplesmente incrível: A União Europeia paga para falarem dela favoravelmente (4).
No entanto, não se foi sensível a essas críticas, em Bruxelas. Muito pelo contrário. O Parlamento Europeu votou no seu orçamento oficial, acrescido do montante da proposta Wallström, 11,3 milhões de euros para uma "campanha de informação e comunicação" sobre as eleições de 2009. Mas até o final de 2008 ascendeu a mais que o dobro em 23.3 milhões de euros .(5). A realização dessas operações e o seu financiamento foram da responsabilidade dos Estados-Membros. Da mesma forma, os orçamentos dos grupos parlamentares "para o trabalho de informação sobre eleições para o PE tiveram um aumento de mais de 11% para 56,7 milhões de euros (6).
O truque foi o seguinte: estes aumentos assentaram em transferências orçamentais decididas no Orçamento a pedido do Presidente, e não em sessão plenária. Assim, quase ninguém percebeu. Tudo isso fez parte de uma nova estratégia de propaganda subtil destinada a dotar a UE de uma imagem mais favorável do que estava a ser oferecida pela realidade política. Assim, de acordo com um embaixador já há muito na UE "alguns meios de comunicação, incluindo o Financial Times, passaram a ter acesso privilegiado à Comissão e foram favorecidos no lançamento por antecipação de informações relativas à publicação de relatórios, como é normal em Bruxelas (7)
Obtiveram-se somas consideráveis ao somar todo o dinheiro gasto em propaganda na Europa. Além do custo dos patrocínios de eventos culturais que promovessem o espírito europeu, das inumeráveis cerimónias envolvendo os políticos da UE. Para 2008 acabaram por ser2,4 biliões os euros dos contribuintes gastos para tratar a imagem da União Europeia - mais do que gasta consigo a Coca-Cola em todo mundo! (8)".


(1) Hans Peter-Martin é jornalista austríaco e revelou diversas irregularidades nas estruturas da UE
(2) Carta de Margot Wallström, Hans-Gert Pöttering, 1/12/08.
(3) Focus, 29/9/08.

(4) Frankfurter Allgemeine Zeitung, 30/9/08, p. 42.
(5) Hans-Gert Pöttering, Pedido de transferência de dotações C30 Böge, presidente da Comissão dos Orçamentos, 27/11/08, n º 320.219.
(6) Hans-Gert Pöttering, Pedido de transferência de dotações C31, para Böge, presidente da Comissão dos Orçamentos, 24/11/08.
(7) Gregor Woschnagg, in: Behind the Scene der EU, Viena, 2007, p. 69.
(8) Despacho do CCA da Von Open Europe CCA em 26/12/08.



Como referi, esta é uma passagem do livro "Die Europafalle. Das ende von Demokratie und Wohlstand" (A Armadilha da Europa. Fim da Democracia e da prosperidade). ISBN 978-3-492-04671-8, pgs. 23 e seguintes.



quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Confissões...de um artigo de Jorge Cadima

Pelo «Gulag» democrático-ocidental passou Khalid Shaikh Mohammed, que vai agora a julgamento nos EUA, acusado de ser o responsável primeiro do 11 de Setembro (mas não era o Bin Laden?). Segundo o New York Times (15.11.09) «foi submetido 183 vezes à técnica de quase afogamento chamada 'waterboarding'». O jornal afirma que ele também se diz responsável «por uma série de conspirações» como «tentativas de assassinato do Presidente Bill Clinton, do Papa João Paulo II e as bombas de 1993 no World Trade Center». Mais um afogamento simulado e confessaria também ser responsável pelo aquecimento global e o sumiço de D.Sebastião em Alcácer-Quibir. Mas atente-se na vida do acusado: paquistanês, criado no Kuwait e diplomado por uma universidade americana viajou, após os estudos «para o Paquistão e o Afeganistão, a fim de se juntar aos combatentes mujahedines que, nessa altura, recebiam milhões de dólares da CIA para lutar contra as tropas soviéticas» (NYT, 15.11.09). Afeganistão hoje ocupado e onde «segundo responsáveis da NATO […] um terço dos polícias afegãos são toxicodependentes» (Sunday Times, 8.11.09). Admirável mundo novo que a «queda do Muro» pariu!


Ler artigo completo aqui.

Frase de meio da semana, por Jorge



"Se quer esquecer todas as outras preocupações, use sapatos apertados"



provérbio inglês



terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Plano inclinado: um bom começo...


Acompanhei, como muitos, certamente, as duas primeiras emissões do novo programa da SIC-Notícias, em que Mário Crespo coordena intervenções de um fiscalista, ex-ministro e gestor e de dois professores universitários com experiências diferenciadas mas com capacidade para se exprimirem para além das respectivas especialidades.

Medina Carreira, Nuno Crato e João Duque têm sido claros, didácticos e, mais do que grandes conclusões, apresentam pistas.

O programa Plano Inclinado tem alguns aspectos promissores:

- enquanto oportunidade de esclarecimento sereno e descodificado da baralhação de siglas e frases feitas, parecendo-me ser acessível à generalidade dos portugueses;

- recorrer a dados estatísticos, nus e crus, sobre as questões fundamentais para quem quer esclarecer e não baralhar como fazem alguns manipuladores de estatísticas;

- não resvalar para o nacional-optimismo com que governantes e comentadores afectos disfarçam o plano que, de facto, se inclina;

- desmistificar algumas constatações adquiridas, em jeito de contrabando, como boas;

- abrir o leque de participantes em novas soluções governativas a todos os partidos com solução governamental;

Tem, para já algumas desvantagens:

- um peso excessivo das interessantes e oportunas intervenções de Medina Carreira, a quem reverencialmente se tem permitido o abuso de tempo;

- uma limitação na definição de outros paradigmas para a economia;

- uma única proposta concreta para outra política, a de limpar o aparelho do Estado do pessoal lá metido pelo PS e PSD que revelaram incapacidade em várias vertentes para governarem que, sendo compreensível no seu alcance, carece também de definição de outras políticas, como questão prévia , sendo certo que estas não poderão ser levadas à prática por quem nos tem desgovernado nestes mais de trinta anos.

Vamos acompanhar para poder avaliar melhor e poder contrapropôr ou juntar outros elementos de política alternativa.

Recolocar o regime jurídico da CP que o PS alterou para facilitar a privatização



Tal como tinha assumido na campanha eleitoral, o PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto-Lei que revoga o Decreto com que o Governo, em Junho de 2009, decidiu aprovar um novo regime jurídico para a empresa que separa para privatização o transporte de mercadorias e abriu a porta à privatização das linhas urbanas ferroviárias. A proposta do PCP recoploca o regime jurídico anteriormente em vigor.


No entanto, o Governo não se limita a dividir a empresa em unidades de negócio, mas vai ao ponto de admitir que as mesmas podem vir a ser subconcessionadas pela CP a empresas privadas. É a mesma orientação que já foi aplicada nos serviços postais e nos CTT ao longo dos últimos anos, com os desastrosos resultados para as populações que se conhece.
A “contratualização” do serviço público de transporte chega a ser prevista na perspectiva da segmentação regional do país, dividindo o território em várias partes – como se pode constatar da alínea c) do número 3 do artigo 6.º – colocando a possibilidade de atribuição “a la carte” do serviço público de transporte. Adianta-se ainda a perspectiva em que o Governo insiste (prosseguindo a de anteriores Governos PS, PSD e CDS-PP) das “parcerias e acordos” com municípios e outras entidades «para a exploração de serviços de transporte ferroviário, designadamente através da criação de entidades jurídicas autónomas» (artigo 8.º).


Estas opções foram levadas à prática na Linha do Tua, também com os resultados que estão à vista.


Os resultados da política de entrega do serviço público aos interesses privados estão à vista, em concreto, no negócio da concessão à Fertagus do transporte ferroviário Lisboa/Setúbal: o Estado está a pagar demais, os utentes estão a pagar demais, e o serviço de transporte que está a ser prestado está muito longe de corresponder às necessidades das populações da Área Metropolitana de Lisboa.


Ao contrário do que o referido decreto-lei impõe, só com uma gestão pública integrada se pode garantir que o sistema ferroviário tenha uma dinâmica consistente, com complementaridades, interfaces adequados e segurança. Só assim o sistema ferroviário poderá desempenhar o seu papel estruturante e estratégico para a economia nacional, para as populações e para o país e contribuir para o desenvolvimento integrado, harmonioso, sustentado e solidário do nosso País, para a correcta gestão dos recursos públicos, para a defesa do emprego e da produção nacional. Com este Decreto-Lei, o Governo faz exactamente o contrário, pelo que entendemos que a Assembleia da República tem o imperativo dever de o revogar.


Verifica-se que o decreto-lei em causa, com todas as implicações que trouxe para o transporte ferroviário enquanto serviço público, e para a CP enquanto operador público nacional do caminho-de-ferro, surgiu num momento que só por si representaria evidentes dificuldades ao nível da sua apreciação e debate.


Conferência sobre a Imprensa Operária e Associativa na Voz do Operário, no próximo sábado

No âmbito das comemorações do 130º aniversário da Voz do Operário, realiza-se nas suas instalações uma conferência sobre a imprensa operária e associativa, que decorre durante todo o dia de sábado.
A importância da Voz do Operário, os temas anunciados serem abordados e os oradores que o farão, que constam no programa são garantia do interesse desta iniciativa. Apareça.

A iminência de uma 3ª guerra mundial - 3/ As "revoluções coloridas, quem as pagou e os riscos de guerra

As “revoluções coloridas” que os EUA desenharam e realizaram na Europa Oriental, exploraram, com intervenções cirúrgicas, baseadas na contra-informação, tácticas de guerrilha e subversão urbanas, e aliciamento de personalidades carismáticas em diversos meios, formação política de quadros para a direcção de grupos, descontentamentos sociais de envergaduras muito diferentes, redução das capacidades de defesa dos partidos no poder por condutas burocráticas, em que a relação partido/povo se foi perdendo em detrimento do partido/estado, deixando a maioria da população com poucas referências e crédito para o regresso a formas de capitalismo puro e duro.

E que, pelas suas consequências, gerou novos descontentamentos, em sentido contrário em que hoje é valorizado o que se perdeu com a perda do socialismo, tal como tem sido referido por diversos estudos de opinião como um recente da Pew Global.

Foi muito importante a acção de apoio, coordenada através da CIA e de embaixadas, de ONGs, bem, como de think tanks, que hoje continuam a existir e a desenvolver actividades semelhantes noutros pontos, das quais alguns clubes nacionais como o Otpor na Sérvia, a coligação para a Democracia e os Direitos Humanos e o Kelkel no Quirguistão, People PowerDemocracy, na Ucrânia, o grupo de Saakashvili, na Geórgia, etc.

O financiamento e outros meios, como a criação de canais de TV, de rádio e jornais e revistas vinham através do National Endowment for Democracy (NED), criada pelo Congresso, a United States Agency for International Development (USAID), Freedom House, o National Democratic Institute do Partido Democrático, o International Republican Institute do Partido Republicano, a Eurasian Foundation ligada ao Departamento de Estado, Rádio Europa Livre e Rádio Liberdade ou por bilionários como Georges Soros, no caso da Geórgia.

As fórmulas seguidas nestes e noutras repúblicas da Ásia Central da antiga União Soviética, foram muito semelhantes. Uma observação atenta dos noticiários dessas alturas revela-o, sem necessidade de grandes estudos.

Estas alterações, todas ocorridas nas fronteiras da Rússia, criaram situações altamente desestabilizadoras propícias à eclosão de provocações com componentes militares. Por um lado, a tentativa de retirar a Rússia do seu comércio de petróleo com o ocidente, a pirataria do gás russo feito pela Ucrânia, por outro as provocações contra repúblicas autónomas por parte de Saaskashvili, da Geórgia que originou um grande massacre a que respondeu uma intervenção russa e a declaração de independência dessas repúblicas, acções terroristas de origem “islâmica” em várias repúblicas da Federação Russa, e ainda a in stalação de bases militares e a campanha contra o carácter “ditatorial das lideranças de Putin e Medvedev, criaram uma zona altamente instável, onde se continuam a verificar movimentos contraditórios, donde pode ser despoletada uma nova guerra.

Contrariar a corrente dominante imposta por alguns media, concertados e com grandes audiências à escala global, será difícil. Admitimos. Mas é seguramente o único que pode evitar o desfigurar da História contemporânea. E o único caminho honroso para quem se reclama da esquerda, seja ele ou não comunista.

Para não alongar este post, remetia os nossos caros leitores para sites onde estas questões estão devidamente fundamentadas. Sites com origem insuspeita de estarem ligados a simpatias de esquerda.


O combate contra Milosevic, no Washington Post de 11/12/2000 e no New York Times de 26/11/2000.

A revolta na Geórgia no Globe and Mail, de 23 e 24/11/2003.

A questão da Ucrânia e do petróleo no Guardian de 26/11/2004.

O golpe de estado “pós moderno” na Ucrânia na mesma edição do Guardian e a sua cobertura televisiva no ocidente na edição do dia seguinte, no mesmo jornal em 13/5/2005.

O apoio financeiro norte-americano e de outras origens nos acontecimentos da Ucrânia, na Associated Press em 11/12/2004, no Guardian de 7/12/2004 e no Globe and Mail de 15/4/2007.

A preparação da revolta no Quirguistão no New York Times de 30/3/2005 e no Wall Street Journal de 25/2/200

Os EUA, a mitologia do “power people” e os movimentos “pró-democracia” no Guardian de 1/4/2005

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Ir à ópera em Pequim, com estacionamento da bicicleta em subterrâneo...








Autor Paul Andreu.

Cobertura de vidro (permite ver o interior pelo transeunte) e titânio (não permite a visão). Dimensões do edifício (pérola barroca na água, segundo o autor. Dimensões 212 x 149 x 46 m. No meio de um lago artificial e com acesso por túnel. 21 níveis, 3 salas (ópera, concertos, teatro) e espaços de exposições. 52 elevadores. Inaugurado em Agosto de 2007, tem capacidade para 6500 pessoas. Tem estacionamento subterrâneo para 1000 carros e 1400 bicicletas.Custo 325 milhões de dólares.Há dias ouvia um entrevistado snob na RTP dizendo que os chineses eram um povo sujo…

domingo, 15 de Novembro de 2009

Provérbio


sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge




"A Terra não está a morrer. Está a ser morta, e as pessoas que a matam têm nomes e moradas"


Utah Phillips (sindicalista, anarquista, poeta e cantor popular do Utah, EUA - 1935-2008)

Cuidado com as cabeças...

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Se você tiver umas massas, experimente visitar a ilha St. Martin (St. Maarten, em holandês), nas Caraíbas ali para os lados de Porto Rico.

Como irá de avião, ao aterrar experimente a sensação de ir acabar com a vida dos banhistas (ou com a sua). Depois, a banhos distraia-se a fazer fotos a aviões que nunca viu sobrevoarem tão perto a sua cabeça...
O aeroporto tem cerca de 1200 metros de cumprimento (ver localização no mapa) e a ilha 87 km2, dividida por uma administração francesa e outra holandesa.

Vox populi


Cinco bancos ganham 5 milhões por dia. O Silva Lopes, que acha que os salários não devem aumentar, recebeu 400 mil do Montepio e já é administrador da EDP Renováveis. O Godinho terá corrompido com 500 mil uns competentes decisores de adjudicações de empreitadas. Eu tive um aumento de 4 euros/mês na pensão. Com toda esta malta a sacar, pode ser que a polícia não se meta comigo se começar a vender uma frutinha nas esquinas...

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

A iminência de uma 3ª guerra mundial - 2/ O fim da URSS, o desencadear de novas estratégias imperialistas e uma sucessão de guerras e conflitos

Depois do fim da URSS em 2001, os EUA e a NATO definiram e executaram objectivos e acções, de onde se destacam o cerco à Rússia e à China para impedir o surgimento de novas superpotencias que pusessem em risco o domínio imperial dos EUA, nomeadamente no grande continente euro-asiático (Eurásia) que seria garantido pelo domínio hegemónico nos planos militares, políticos e informativos, e que garantiria o domínio financeiro internacional e uma nova ordem mundial.

Estes objectivos e acções não são propaganda dos adversários. Estão claramente definidos em documentos-guia classificados, que foram sendo revelados, com toda a crueza da linguagem.


Na definição desses objectivos destacaram-se, por exemplo:


“The Defense Planning Guidance” (“New World Order”), do sub-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, de 1992, e comentado por Patrick E. Taylor no New York Times de 8 de Março do mesmo ano.

“PNAC, Rebuilding America´s Defenses. Project for a New American Century”, de Setembro de 2000 (ver particularmente as páginas 6, 8, 9, 14 e outras)

“The Grand Chessboard: American Primacy and its Geoestrategic Imperatives”, de Zbigniew Brzezinski, Basic Books, 1997 (ver em particular as páginas 30, 31, ,40, 41, 55, 124, 148, 198 e xiv).

“Joint Vision 2020: Full Spectrum Dominance”, do Pentágono, de 2000.

Comentado, por exemplo, pela economista Ellen Meiksins Wood em Empire of Capital”, Verso, 2003 (ver especialmente páginas 144, 157 e 160)


Quanto às acções, coerentes com os objectivos estratégicos neles definidos, deram-se e mantêm-se hoje a decorrer.

Naturalmente que encontram oposição e, para o imperialismo, não são o mesmo que passear despreocupadamente na 5ª Avenida.


O longo desmembrar da ex-Jugoslávia, com o cúmulo do reconhecimento da independência do Kosovo nas mãos do UÇK, grupo terrorista de narcotraficantes apoiado na Máfia Albanesa, os bombardeamentos de Belgrado (a que pude assistir…), o reforço militar e de capacidade de intervenção da NATO, “fora da lógica” para que tinha sido criada, o “novo Pearl Harbour”, que um desses documentos evidenciava como um sacrifício que os EUA teriam que fazer para bem desses objectivos estratégicos, e que se viria a chamar “11 de Setembro” (pese embora os detractores de tal "teoria da conspiração"...), a NATO a, pela primeira vez, invadir um grande país, o Afeganistão, para aí se manter, depois numa segunda guerra ainda a decorrer, a guerra no Iraque e o reacender da política de guerra fria, especialmente contra a Rússia e a China, são muitos acontecimentos trágicos, de enorme gravidade.


Qualquer “pró-ocidental”, de pensamento independente, não se deixará de interrogar sobre a coerência da sua sucessão para uma estratégia de expansão imperial e sobre a invocada razão do terrorismo e fundamentalismo islâmicos invocados, a propósito de tais acções, como defesa contra tais “ameaças”. …


(a continuar)

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Uma fotografia, comentário de Manuel Augusto Araújo

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Ao ver este magnifico video sobre a estetização da violência, que também comporta a sua banalização fui buscar este magnifico texto escrito porBenjamin em 1936!

Fiat ars-pereat mundus,(1) diz o fascismo e, como Marinetti reconhece,espera que a guerra forneça a satisfação artística da percepção dos sentidosalterados pela técnica. Isto é, evidentemente, a consumação da l'art pour l'art.
A humanidade que, outrora, com Homero, era objecto de contemplação para os deuses do Olimpo, é agora objecto de autocontemplação. A sua auto-alienação atingiu um grau tal que lhe permite assistir à sua própria destruição, como um prazer estético de primeiro plano. É isto que se passa com a estética da política, praticada pelo fascismo. O comunismo responde-lhe com a politização da arte.

Walter Benjamin, in A obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica

(1) Que a arte se realize, mesmo que o mundo deva perecer

http://video.bugun.com.tr/bugunPlayer.swf?file=dagilfilm.flv

A iminência de uma 3ª guerra mundial – 1/ Introdução

No dia 16 de Outubro passado, Andrew Gavin Marshall, expressou no Global Research a ideia de que do declínio e colapso do império americano aumentou drasticamente o risco de que o seu fim ocorra de forma violenta, com uma nova guerra mundial

O autor socorre-se do paralelismo com a decadência das grandes potências europeias que originou as 1ª e 2ª guerras mundiais, com a grande depressão pelo meio, e lembrando que o império norte-americano, que começou a dar os seus primeiros passo quando entrou na 1ª guerra só no seu final e saiu da 2ª como império consolidado e “protector” da Europa parcialmente destruída.


Já outros autores a esta questão se têm referido, ao testemunharem a decadência do novo império que tem dominado o sistema monetário internacional e a economia política à escala global. (a continuar)

Frase de meio da semana, por Jorge



"Os cisnes pertencem à mesma família dos patos, mas são cisnes."



provérbio turco

Crítica - Máquina de Somar, de Ana Campos

De Joshua Schmidt; libretto de Jason Loewith e Joshua Schmidt, baseado na peça Adding Machine de Elmer Rice; tradução Ana Zanatti; encenação de Fernanda Lapa; direcção musical de João Paulo Soares; com Henrique Feist, Luís Madureira, Luísa Brandão, Joana Manuel, Luís Gaspar, Andreia Ventura, Bruno Cochat, Joana Campelo, Sérgio Lucas e os músicos Francisco Cardoso, Daniel Hewson, João Paulo Soares. Sala principal do Teatro da Trindade, Lisboa, de 17 de Outubro a 24 de Novembro.

Está a passar estranhamente despercebida este muito surpreendente espectáculo de Fernanda Lapa. Herdeiro do musical, embora como a própria encenadora afirma sobre o espectáculo, tenha com ele apenas breves pontos de contacto, Máquina de Somar é uma transposição para o Portugal dos anos 20...30 do drama imaginado por Elmer Rice na América dos anos 20 de um homem, o Sr. Zero, que, ao fim de 25 anos de trabalho dedicado como contabilista, quando sonha ser promovido, é despedido e substituído por uma máquina de somar. O Sr. Zero não aceita este final para a sua vida e muda o curso da história.
O espectáculo, que consegue momentos de grande beleza plástica graças aos cenários e figurinos de António Lagarto, articula com mestria a transposição das canções para o diálogo. As vozes dos intérpretes impressionam, bem como a inusitada narrativa que consegue momentos verdadeiramente hilariantes, quando o Sr. Zero canta, por exemplo, o seu apreço por ovos com salsichas. A este lado caricatural alia-se uma actual e mais profunda crítica à sociedade contemporânea onde a economia trucida o trabalho de uma vida e defrauda o reconhecimento esperado.

O desenlace da história, contudo, quebra a qualidade mantida até então caindo no ridículo desconcertante e pouco oportuno. Considero, ainda assim, extraordinariamente necessária esta procura de um teatro que alie o espectáculo a uma forte reflexão sobre a sociedade em que vivemos e o curso que lhe estamos a dar.Há qualquer coisa de brechtiano aqui.
Como afirmei no início o espectáculo merece, sem qualquer dúvida, maior visibilidade junto do público e da crítica. Não é todos os dias que se montam produções desta qualidade e envergadura.


PS - Com o agradecimento a Ana Campos, em proponho.blogspot.com

homenagem a uma pequena gigante, por J







Foi esta noite no Centro Cívico de Carnaxide (na Isaltinolândia), a propósito dos 60 anos de carreira da Mª João Pires (60 anos!)

Normal o extraordinário da presença de dois outros grandes (mas não tanto):
- António Vitorino de Almeida
- Carlos do Carmo (cada vez mais "Charles of the Charm")

que fecharam em conjunto com um improviso magnífico do superlativo "Fado do Campo Grande" em dó sustenido menor (Vitorino de Almeida e letra do Ary), o fado dos fados!

A Mª João Pires é um ser de outro mundo, é preciso vê-la. Julgava por uma vez não ter que tocar piano... Tocou apenas 1 minuto, como agradecimento ao Armando Caldas, o organizador. Foi 1 minuto de paraíso...

Apontamento sobre um contraste interessante:
1) na mensagem do Saramago: "Mª João Pires teve o azar de nascer em Portugal, etc."
2) nas últimas palavras do C.Carmo: "Orgulho-me de ter nascido no país onde nasceu Mª João Pires".
Dois pontos de vista tão diferentes, não é?
Qual deles escolhem?

J.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Contra o muro de Gaza

Abdullah Abu Rahma, coordenador do Comité Popular Contra o Muro afirmou ontem:

“Hoje assinalam-se 20 anos sobre a queda do muro de Berlim. Por isso realizamos hoje em toda a Palestina para que seja destruído o Muro de Gaza. A campanha chama-se “Vamos para Jerusalém”, com o objectivo de chegar a Jerusalém, a Cidade Santa, que é importante para o povo palestiniano, que está impedido de nela entrar. Iniciamos assim as nossas actividades, que fazemos para expressar que queremos a nossa terra e recusamos este muro de tortura e humilhação."

O virtuosismo de Sasha

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92 anos de uma lição para a história de sufragistas norte-americanas





No próximo dia 15 passam 92 anos sobre a Noite do Terror em frente à Casa Branca. Dias depois de iniciada a revolução russa, onde as mulheres passaram a ter direito de voto.
A sua luta neste dia e nos seguintes foi determinante para três anos depois, o presidente Wilson ser obrigado a reconhecer esse direito nos EUA.
Foram muitas as mulheres que nesse dia se concentraram em frente à Casa Branca, fazendo piquetes e ostentando cartazes onde se exigia o direito de voto (primeira foto).
De entre elas, 33 foram presas (segunda foto), com a acusação falsa de terem impedido a circulação, e ao final desse dia algumas quase tinham perdido a vida. Quarenta guardas armados de bastões espancaram-nas violentamente. Lucy Barns foi presa às grades, com as mãos amarradas acima da cabeça. Dora Lewis (terceira foto)foi empurrada para uma cela onde lhe partiram a cabeça contra uma cama de ferro tendo-a espancado depois ao frio.
Mas todas foram agarradas e arrastadas pelos guardas que as espancaram, asfixiaram, torceram e pontapearam.
Nas semanas seguintes a água para as prisioneiras era entregue em baldes abertos e a alimentação, descorada, estava sempre infestada de vermes...
Quando uma das líderes do moivmento, Alice Paul (quarta foto), começou uma greve da fome, ataram-na a uma cadeira e forçaram-lhe a ingestão de água por um tubo até vomitar. Continuaram a torturá-la com isto durante semanas até que a imprensa denunciou o caso.
Neste ano de 2009 também passam oitenta anos sobre a conquista do direito do voto no Canadá.

sábado, 7 de Novembro de 2009

92 anos sobre a Revolução Russa

Passam hoje 92 anos sobre a Revolução de Outubro.

Se antes desse conjunto de actos revolucionários, várias revoluções não sucedidas expressaram a vontade dos trabalhadores e de outras camadas da população de construírem uma nova vida para o ser humano que ultrapassasse a condição a que o capitalismo os tinha votado, e mesmo com um peso numérico mais expressivo do operariado, sem dúvida que a Revolução de Outubro marcou uma época histórica, que em muitos aspectos se mantém, pelo pioneirismo da sua vitória e da capacidade de construir uma nova sociedade, pelas suas realizações e repercussão universal.


O campo socialista europeu alargou-se depois da 2ª guerra com transformações em países onde as camadas dirigentes tinham sido apoiantes de Hitler mas onde havia também uma forte influência comunista que foi o tronco dos movimentos de resistência. Sob o seu impacto formaram-se partidos comunistas em quase todo o mundo com esse ou outros nomes que assumiram, com o apoio dos seus povos, o poder. Na China, na Coreia, em Cuba, no Vietname, no Laos e Cambodja.

O seu apoio foi fundamental para o êxito dos movimentos nacionais libertadores em antigas colónias (apoio militar, formação política e científica de quadros, apoio económico) dos anos 50 aos anos 70 de século passado.

A presença destes países e do movimento dos não alinhados deu à ONU e aos seus organismos específicos (FAO, UNESCO; UNICEF, OMS, etc.) um peso importante na regulação de conflitos, na contenção da natureza agressiva do imperialismo, em importantes tratados internacionais, e no acorrer às principais carências dos países do terceiro mundo, em ascensão libertadora, vítimas do colonialismo, da pilhagem de matérias primas, dos garrotes de dívidas e vinculação dos programas do BM e FMI à ingerência política interna nos seus processos nacionais.


O movimento sindical de muitos países bem como outros movimentos sociais beneficiaram do exemplo das conquistas sociais, económicas e culturais nos então países socialistas como factor de pressão e de realismo para com as suas próprias ambicionadas conquistas.


URSS e EUA, mas também outros países de ambos os lados, desenvolveram uma competição pacífica em várias áreas (no espaço, no desporto, na cultura, etc.).


Mas o campo socialista foi-se exaurindo devido à corrida aos armamentos (necessária enquanto factor de dissuasão) e a alguns aspectos desta competição, ao apoio a fundo perdido aos movimentos revolucionários e de libertação em todo o mundo, subestimou a concorrência do ocidente capitalista na qualidade, acesso e preços de bens de consumo quer de primeira necessidade quer de outros que conferiam estatutos valorizados aos cidadãos. Para além de, no plano político, se terem burocratizado, confundindo Partido e Estado, adiando um maior alargamento da democracia poilítica interna, e contribuindo para a degenerescência de quadros que nos anos 90 se tornaram dos mais empenhados capitalistas e contra-revolucionários. Incluindo alguns dos seus mais destacados dirigentes, como Gorbatchev ou Chevardenaze.


Com o campo socialista o mundo deixou de ser unipolar, para bem de cada país e de conjuntos de países poderem ter um aceso menos condicionado ao desenvolvimento.


Propaganda e espionagem existiam obviamente de ambos os lados mas importa distinguir quem apoiou contra-revoluções e massacres contra forças progressistas, quem lançou a

bomba atómica contra o seu semelhante, quem desenvolveu armas convencionais e químicas e preparou agressões na base de vírus e bactérias, quem cobriu o planeta de bases militares, quem ainda no século XX foi o campeão das invasões e tentativas de invasão de tantos países e da condução de guerras de agressão e pilhagem, quem se aliou com o diabo em tantas circunstâncias em nome do anticomunismo. O que nestes campos se fez, em resposta, no campo socialista, não rivaliza nem de perto nem de longe com a intencionalidade e os níveis atingidos pelos EUA e pela NATO, sua criação do pós-guerra para liquidar a Rússia, operação que hoje se mantém, com outras características.

Os avanços em quase todas as áreas dos países que integraram o campo socialista realizaram-se num tempo histórico bem mais curto que o capitalismo e tiveram uma larga amplitude democratica assumida como questão de princípio. O seu exemplo foi muito importante para os êxitos de trabalhadores nos países capitalistas e ajudou a criar uma relação menos desiquilibrada entre trabalho e capital.


O papel da URSS no curso da 2ª guerra mundial foi não só importante mas, de facto, decisivo.

Hitler foi apoiado desde o início pelo capital alemão para acabar com o comunismo. Algumas grandes multinacionais americanas apoiaram-no com esse objectivo. Os governos de França e Inglaterra bem como o de vários países que faziam fronteira com a URSS apoiavam este objectivo de Hitler, com um comportamento semelhante ao que tinham tido para impedir a vitória da revolução russa. Os americanos tardaram a entrar na guerra e só o fizeram quando se pronunciava a derrota fascista a leste. Os bombardeamentos selváticos de Hiroshima, Nagasaki, de Dresden e outras cidades alemãs não eram militarmente necessários e foram uma aposta contra a progressão da Rússia na Europa e na Manchúria.


A derrocada do socialismo no leste, a que se costuma associar simplificadamente “a queda do muro”, teve efeitos desastrosos interna e externamente, apesar do apoio ou indiferença com que muitos habitantes destes países enfrentaram esta transformação na ausência de vanguardas políticas respeitadas e mobilizadoras para que eles se libertassem dos erros sem caírem no retrocesso histórico do regresso ao capitalismo que, de forma selvática fez sucumbir direitos adquiridos fundamentais dos cidadãos.


Sobre isso muito se tem escrito e não me alongaria agora nessa matéria.


A Revolução de Outubro foi interrompida mas a sua gesta e as suas realizações, a sua memória na humanidade e a persdonalidade, vida e obra de Lenine, têm uma força muito importante num mundo que quer romper os efeitos da globalização capitalista, e vai abrindo caminho com novos processos de carácter revolucionário, para emancipações sociais, económicas, políticas e culturais, bem como novas centralidades e equilíbrios (não isentos de contradições).

Por tudo isso, uma vez mais e sempre, VIVA A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO!

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Omnia quae scripsi mihi videtur ut palea"
"Tudo o que escrevi me parece palha"


Tomás de Aquino (próximo da morte, em 1274)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Cartoon de Monjinho

in Avante!

Crónica do Rodrigo - Borregando, borregando, se irão vitimizando


Andava eu ainda embalado pelo luque de diálogo do nosso primeiro, não é que ontem dois destacados socialistas dizem, a propósito destes novos casos de corrupção, que não deviam os deputados, que vocês elegeram há umas semanas, andarem ligeiros e porem-se "à pressão" a aprovar a criminalização do enriquecimento ilícito, grande frase a que prefiro o vais de cana se andaste a roubar, para não se pensar que era para esta cena do Vara, dos Penedos e do Godinho, e eu aí comecei a pensar que, como estão para aparecer outras cenas destas, a gente até alargava o prazo de vigência das oportunidades de negócios de outros craques empreendedores lá para as calendas, sem risco de aprovações à pressão lhes estragarem o planeamento do gamanço, dando saudável continuidade à rejeição pelo ps duma proposta dos comunas na defunta legislatura que andava a torná-los inseguros e a desfocar os seus capitais de risco até porque muitos já sabem que a judite lhes anda morder as canelas e como as nossas reservas de ouro estão em risco era bom continuar com o toque do midas com que a bófia em boa hora tem batizado estas cenas, como a do apito dourado, do outlet que também devia ser dourado, agora as empresas douradas do Godinho que boa falta nos farão se as reservas forem à vida com algum novo borregar como aquele do Lacão ter estalado a laca ou o verniz a propósito da avaliação dos profs que é para ficar como está, ao que o Assis, deputado-bombeiro, acudiu mas já se estava no rescaldo do incêndio, e que a malta da oposição estava era a meter-se numa querela jurídico-constitucional, os nomes que estes tipos arranjam para me atrapalharem a semântica, pondo-os logo de aviso que o governo ia usar todos os truques, que ele chamou de técnica jurídica, para responder às estocadas e proclamar, urbiétórbi, que estavam a querer vitimizá-lo e que até se iam deixar vitimizar uma, duas, muitas vezes até que os ceguinhos dos portugueses se arrependessem de lhes terem tirado a maioria absoluta, que o Zé Miguel Júdice ontem, no TVI24 curruburou, está certo ó edite?, não é que o magano está feito com o nosso primeiro para desgosto do psd, bom, e com esta me vou antes que me vitimizem a mim, e...passem bem pessoal da pesada. Inté!

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A vergonha dos muros...Festejar? O quê?

O muro de Berlim deixou de existir há 20 anos






Mas o dos EUA com o México existe há 15





o de Israel com a Cisjordânia passados 7 anos ainda lá está







O de Marrocos com o Sahara Ocidental há 30 anos...





E tantos outros mesmo mais pequenos
(este na aldeia de Ostrovany, na
Eslováquia a isolar um grupo de ciganos)

Frase de meio da semana, por Jorge


"A vida é uma doença mortal transmitida por via sexual"


Distímico anónimo

A importância de Vara...

O presidente do Banco de Portugal considerou que a suspensão de funções pedida por Armando Vara tinha sido um acto importante. De idêntica declaração de João Berardo se poderá dizer o mesmo, apesar de não estar associado à responsabilidade institucional do primeiro. Ou ainda de Faria de Oliveira da CGD...

O gesto é natural, é a única saída ou haveria outra eticamente mais aceitável? Ainda por cima quando não foi por iniciativa própria, como decorre limpidamente das notícias e declarações destes dias!...

Muita coisa nesta vida é importante…Mas esta declaração tem uma leitura valorativa que a uma pessoa como o Dr. Vítor Constâncio não pode ignorar e, portanto, legitima que pensemos que é um contributo de simpatia para a pessoa de Armando Vara sobre a qual caem sérios indícios de envolvimento num esquema tentacular de vários protagonistas obterem favorecimentos de empresas a partir de pessoas conhecidas que desempenham funções nelas onde adjudicam altos valores de empreitadas, bens e serviços.


Mas, em que reside a importância atribuída? No facto de ter tido a confiança do governo para ser nomeado administrador vice-presidente do BCP e isso ser importante para não estragar ainda mais a imagem de uma instituição já lesada por um perfil de banqueiros que, pelos vistos, está no top de desempenhos? No facto de Armando Vara deixar, assim, de receber o meio milhão de contos que recebia por ano, dando um importante exemplo de desapego por bens materiais?


Para as pessoas em geral o que se está a passar é uma vergonha. É algo que tem que ser atalhado com medidas efectivas e céleres de combate à corrupção. O abrigo da punição, obtido por jogos de influência e disponibilidade de pagamentos de elevados honorários a advogados que permitem enviar para as calendas os resultados destes processos, contraria o que devia ser exemplar. Protege e promove este tipos de comportamentos.


E se a corrupção vale a pena mais imunes e tentados ficam outros seguidores de tais comportamentos, que adquirem laivos de heroicidade, premiando o xico-espertismo e o crime. Porque aos que não têm esses meios de defesa e de protelamento de riscos não falha o rigor da justiça.

Sem violar a presunção da inocência - o preceito de que suspeita e arguição não são a mesma coisa que culpa provada - tais atestados públicos de sinal positivo aos eventuais prevaricadores de colarinho branco estão a modelar perigosos padrões de comportamento que já hoje perpassam a sociedade.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Até amanhã, Carlos Grilo

Faleceu com 64 anos, Carlos Grilo, militante e dirigente do PCP.

O seu funeral realizou-se hoje para o Cemitério dos Olivais, onde o seu corpo foi cremado.

Participou activamente na luta antifascista, nomeadamente nas campanhas da Oposição Democrática de 1969 e 1973 através da CDE (Comissão Democrática Eleitoral). Como empregado bancário, integrou o grupo de activistas sindicais que, em 1968, dinamizou o processo de eleições para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, que viria a culminar com a eleição da primeira Direcção representativa dos trabalhadores. Dinamizou e participou activamente em reuniões de associados e integrou Grupos de Trabalho da Contratação e da Informação do Sindicato.

Em 1973, no local de trabalho foi eleito delegado sindical e, em 1974, eleito para a Comissão Sindical na sua empresa.
Aderiu ao Partido Comunista Português no processo da Revolução de Abril, em Maio de 1974 , integrando a célula do Partido no Banco Totta&Açores.

Em 1975 foi chamado ao Organismo de Direcção do Sector dos Bancários.

Carlos Grilo era Funcionário do Partido desde 1977. Foi membro do Comité Local de Lisboa. Desde 1984 integrava a Direcção da Organização Regional de Lisboa e, durante vários anos, os respectivos organismos executivos. Entre outras tarefas, assumiu, com grande dedicação e empenhamento, a responsabilidade pelas organizações dos Sectores dos Seguros, Bancários, Transportes, pelo Sector Sindical e pelo Sector Intelectual, ao qual se mantinha ligado no âmbito das suas tarefas no Secretariado da DORL.

Foi membro do Comité Central entre 1983 e 2008.

Um grande abraço para a sua companheira, Marília Villaverde Cabral.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

De Franz Kafka, espectáculos integrados no Ano de Darwin, no Trindade

A Economia!


Acordos sobre as Honduras vão concretizar-se?





Activistas da Frente Nacional contra o Golpe de Estado nas Honduras, estão desde hoje em vigília permanente em frente ao edifício do Congresso para exigir que seja aprovada a recondução do presidente legítimo Manuel Zelaya. Os acordos assinados na 4ª feira entre as duas parte remetem para este órgão legislativo a decisão, com prévia consulta ao Supremo Tribunal de Justiça.

Os acordos são leoninos a favor dos golpistas. A resistência hondurenha está desanimada com eles e há riscos em torno da sua aplicação.

As organizações populares que integram a Frente têm denunciado as práticas dilatórias que os parlamentares estão a usar, invocando sobrecarga de agendas (!!!) para arrastar a deliberação. Zelaya também denunciou poder estar a haver jogo escuro do golpista Micheletti por detrás desses acordos, com o aparecimento ontem de um deputado a falar num acordo secreto das partes com os EUA, que Zelaya nega existir.


O acordo prevê ainda que se forme até à próxima 5ª feira um governo de unidade e reconciliação nacional.

"Terra" de Mariza encheu o Coliseu de entusiasmo e boa música


Foi um bom espectáculo, esta "Terra".

Por ali ouviram-se novas e velhas canções com diferentes arranjos. À voz soberba, profissional e internacional de Mariza somaram-se grandes intervenções dos músicos em palco. Pena foi não serem publicados num folheto todos os seus nomes (citaram-se os da gravação do novo trabalho "Terra") porque quer no que respeita ao acompanhamento quer nas intervenções instrumentais foram notáveis. A guitarrada portuguesa num tropel que embriagou e o solo de bateria que nos deixou quase estarrecidos foram momentos muito altos.
A partir da 4ª e 5ª canção, depois de tomar o pulso ao público que se estava a ambientar, público e Mariza foram um só. Presos um do outro.
Como se sabe, e como fica cantado no Tasco da Mouraria, de Paulo Abreu Lima e Rui Veloso neste trabalho Marina canta o fado, nasceu na Mouraria, onde na taberna do pai ele era cantado pela noite dentro, depois dela ter o seu momento também antes de se deitar.
Mas Mariza juntou ao fado nos seus espectáculos as músicas, os sons e os rimos de países, por onde tem andado em tournée há sete anos. Da morna ao flamenco, do jazz à canção clássica, passando pelo folclore, tudo confluiu num resultado harmonioso que o público foi acolhendo em crescendo.

"...além de levar a minha música, fui tendo contactos com culturas e estéticas diferentes. Fui ouvindo e entendendo. Fui assimilando até chegar aqui, a este ponto que é, neste momento, a minha verdade. Ora, se eu fui sempre verdadeira com o público e comigo próprio, não havia razão para que este disco não desse conta da evolução que eu fui sofrendo, como cantora e como pessoa."

Arrepiaram a interpretação de "Recurso", "Poesia" e "Minh'Alma".
O som esteve impecável e a cenografia simples mas eficazmente servida pela luz.

Valeu bem a pena...

Um colóquio interessante sobre as "eleições" de 1969

Realizou-se no passado sábado, na FCSH da U. Nova, um interessante colóquio sobre as “eleições” de 1969, com base em trabalhos de 6 investigadores, cinco do Instituto de História Contemporânea e um outro de Coimbra, bem como de Fernando Rosas, que teve a vantagem, de juntar investigadores jovens que não eram nascidos nesse período e outras pessoas que tinham participado dos acontecimentos, objecto do seu estudo.

O colóquio terminou com uma mesa redonda coordenada por António Reis.

Houve debate e muita informação ali trazida por estes, por José Manuel Tengarrinha, Jorge Sampaio, Joana Lopes (todos de diferentes sensibilidades presentes na CDE), Pedro Coelho (CEUD) e Magalhães e Silva (Comissão Eleitoral Monárquica). Outros participantes, como eu próprio e o Vítor Dias (CDE) contribuíram com as suas reflexões e experiências da época.

Retive, sem com isso pretender resumir-lhes o pensamento, algumas considerações:

José Tengarrinha assinalou que o carácter democrático da CDE também se expressou na orientação, imposta, por um crescente desejo de participação dos activistas, de criar uma vasta rede de comissões de freguesia, concelhias e distritais, do seu carácter electivo bem como o das designação dos candidatos e pela forma participada de construir o programa eleitoral. Isto teve reflexos na preparação e documentos saídos do III Congresso da Oposição Democrática de Abril de 1973 bem como no funcionamento do movimento dos capitães e elaboração do Programa do MFA.

E referiu que os termos da Plataforma de S. Pedro de Moel são um compromisso em várias questões em que não havia convergência entre comunistas e socialistas, como no caso da guerra colonial.

Fernando Rosas defendeu que o marcelismo foi uma efectiva tentativa de liberalização do regime e não pode ser caracterizada como uma fraude. Marcelo rodeia-se de quadros jovens e tecnocratas e apoiou-se em grupos económicos como a CUF para conseguir salvar o regime. Mas, não resultou por causa do papel central da guerra colonial, em que o regime continuou a investir, matando a liberalização.

A abertura do regime contemplou as revisão dos CCTs, a existência de árbitros, a não homologação prévia das direcções dos sindicatos, a extensão da segurança social aos rurais e a ADSE, enquanto mantinha a guerra para ter uma solução política no quadro de uma autonomia branca, uma descompressão da imprensa.

A esquerda radical não participou nas campanhas da oposição. O próprio Fernando Rosas, então na EDE, fora a uma única reunião da CDE com o Arnaldo Matos mas não me lembro nem como, nem porquê,


Jorge Sampaio avançou que a CDE teve um funcionamento democrático, permitiu o debate ideológico, e na construção de um programa com a participação das bases, traduzindo-se numa experiência de cooperação e de relações criadas que muito contribuíram para o meu envolvimento na criação em 1989 de uma coligação de esquerda para a CML.

Recordou a reunião, em que participou, nesse ano, nos arredores de Paris com Cunhal, comunistas, outros socialistas independentes (autodesignação que ironizou...), católicos progressistas, MAR e FPLN e que consagrou a convergência na CDE.

Referiu que aconteceu em 1969 foi premonitório do que iria acontecer depois de 1974.

Magalhães e Silva, que integrava a lista de candidatos monárquicos, referiu que a sua lista representava pequena parte dos monárquicos, que, em geral, eram conservadores e apoiantes do regime. Valorizou o papel de Barrilaro Ruas e de Rolão Preto, parecendo sintetizar o seu pensamento com a frase “A monarquia nasceu na História e morreu na História.” O investigador Edmundo Alves corroborou estas afirmações, fazendo um estudo mais desenvolvido da intervenção monárquica ao longo da resistência.

Joana Lopes disse que os católicos progressistas estavam na CDE e também na CEUD. Em 68 duas questões foram a gota de água para a radicalização do movimento dos católicos progressistas: o que aconteceu com o Padre Felicidade Alves e a demissão colectiva da direcção do Seminário dos Olivais com o Padre Abílio Tavares Cardoso.

Participavam nas bases da CDE mas tinham intervenções autónomas. Foram, instrumentos importantes dessa intervenção os documentos gedoc, Direito à Informação e a Cooperativa Pragma (Tengarrinha lembraria o papel de boletins paroquiais, cerca de oitocentos, publicados em todo o país apenas sujeito à censura eclesiástica e não à do regime, particularmente quanto à guerra colonial).

Quando da reunião em casa de Zenha que confirmou a ruptura da CEUD com a CDE, o Tengarrinha e o Cardia fizeram tudo para evitar a ruptura (Pedro Coelho confirmou que os socialistas preferiam autonomizar-se e não diluir-se noutros).

António Abreu afirmou que Mário Soares e Marcelo Caetano precisaram um do outro para dar crédito à liberalização e ajudar a libertar os socialistas da companhia dos comunistas.

Para ele, os esquerdistas facilitaram a operação de liberalização ao dizerem que o fascismo tinha caído e que agora tudo se limitava à luta anti-capitalista, menosprezando a luta contra a repressão e a conquista das liberdades democráticas. Tiveram, por isso, uma intervenção perniciosa e não contaram, nada nem para a democratização interna da estrutura da oposição nem para o seu programa. O carácter pernicioso não foi subscrito pelo investigador Miguel Cardina que tinha desenvolvido, a partir da criação da FAP, uma intervenção da extrema esquerda que criticava o PCP por só intervir nas campanhas eleitorais e defendia o abstencionistas, a luta anti-capitalista e o recurso à violência.

Abreu disse que os sinais de abertura de Marcelo Caetano não foram oferecidos de mão beijada mas resultaram da pressão das lutas dos trabalhadores e de sindicatos com direcções de confiança dos trabalhadores.

Vítor Dias disse que, sem ilusões os comunistas aproveitaram sempre qualquer abertura política a que o fascismo era obrigado, para abrir a porta metendo um dedo, depois a mão e até o corpo todo.

Citando o livro de Lino Carvalho sobre estas “eleições, confirmou que a lista de candidatos e a comissão política da CDE reflectiam a convergência política realizada, a participação das bases nos respectivos processos electivos. Não confundir o conceito gramsciano de hegemonia com o carácter de esmagamento ou hegemonia imposta – que não existia – na CDE.

Sobre a invocada questão da disputa das hegemonias entre comunistas e socialistas se referiu o investigador João Madeira, sublinhando que, além disso, o PCP prevenira em Abril para a eventualidade de, no decurso doas discussões para uma lista unitária, os socialistas anteciparem a apresentação de uma lista. Este investigador fez ainda referência à reunião do CC publicada no Avante de Setembro de 1969.

Manuel Loff, a partir dos resultados eleitorais, distrito a distrito em 1969 e da afluência registada nos votos contados ao longo dos anos, constatou que quanto mais a oposição participava nos actos eleitorais, menor era o número de votos expressos, certamente porque uma maior fiscalização impedia as grandes chapeladas possíveis quando os agentes do regime estavam sozinhos.

Pedro Coelho afirmou que não percebia porque em 69 não houve unidade. A orientação interna da ASP e do PS era para os socialistas se meterem pouco nas coisas unitárias para poderem verificar o que valiam sozinhos. Mas os resultados de 1969 da CEUD foram desastrosos. Também a investigadora Susana Martins desenvolveu esta postura, referindo que, com Mário Soares, o sector político que influenciava sentia a necessidade de ultrapassar a hegemonia de veneráveis republicanos para ter uma organização à escala nacional que potenciasse a sua influência política.




sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Como vivi as "eleições" de 1969

A oportunidade de recuperar memória histórica e a reflexão feita na altura e posteriormente sobre o ano de 1969 e, particularmente, o período “eleitoral” ocorrido durante vários meses, tem a ver com a passagem de 40 anos sobre esse importante período político e as mossas que fez no regime fascista, que fingiu uma “liberalização”. Perdoem-me, antes do mais a extensão do depoimento. E já agora as gralhas que ao longo de duas versões não consegui eliminar.


1. Onde estava no dia 26 de Outubro de 1969, dia das “eleições”?

Na sede da CDE em Lisboa, depois de nos dias anteriores ter andado a distribuir por muitos lados (caixas de correio, empresas e organismos do Estado), as listas e boletins de voto da candidatura da CDE, para que quem fosse votar pudesse contar com outros suportes além dos da Acção Nacional Popular (ex-União Nacional).

Foi um dia longo, com notícias de irregularidades diversas. Eu estava integrado numa comissão de jovens activistas da CDE que faziam de tudo um pouco. A noite terminou com os resultados eleitorais esperados e com vivas a vários deles em que a CDE, apesar da grande chapelada, tivera resultados significativos, particularmente nas cinturas industriais de Lisboa e Setúbal. Porque, apesar de se saber que estávamos numa fraude, tinham-se gerado entusiasmos. Mas, peguemos nas questões por outra ponta.

2. 1969: um ano cheio, a começar no IST mas com outras facetas
Estava a tirar o 3º ano do curso de Engenharia Industrial no IST, de que era delegado de curso eleito pelos meus colegas. Estava envolvido no trabalho da direcção da Associação de Estudantes do IST, presidida por Mariano Gago, e de que fui vice-presidente. Os anos de 68 e 69 foram de grandes lutas também no IST.

Namorava e dava aulas para custear as minhas despesas. Andava a frequentar o campismo com outros colegas meus, parte dos quais também estavam na CDE, a convite do saudoso camarada Joaquim Campino, então presidente da FPCCC.

Depois deste período, o Vieira Lopes (hoje na Confederação do Comércio) convidou-me a integrar uma lista para a AEIST, como forma de me defender um pouco mais da PIDE/DGS. É um registo que guardo do trabalho com outros, esquerdistas, que travavam um combate comum mas também contra a nossa influência, que se viria a alargar no IST dois anos depois até ao 25 de Abril.
Depois de um período de quatro anos, a ausência de contactos com o PCP desde 1965, fizera-me aproximar de alguns esquerdistas de diversas formações, por neles reconhecer, à data, lutadores convictos com quem me identificava na acção e, por vezes, também nas ideias. Entretanto em 69 saiu da cadeia o saudoso José Bernardino, que me (re) recrutou e me pôs em contacto com a estrutura clandestina do Partido. O Zé saíra do IST para a clandestinidade. Saiu da cadeia para prosseguir o curso de engenharia. Enquanto esteve no IST o Bernardino teve apoio nos estudos por parte do Danilo de Matos, irmão do Arnaldo, com quem então convivi, antes de se tornar no “grande educador da classe operária”. O Bernardino, é claro, voltou à clandestinidade. A passagem temporária pela vida normal dos camaradas que tinham estado presos quando estavam clandestinos, era, em geral, seguida do regresso à clandestinidade.
O meu primeiro “controleiro” foi o escritor Mário de Carvalho, então estudante da Faculdade de Direito de Lisboa.

3. CDE, CEUD e a unidade democrática

Foi neste ambiente que também colaborei na CDE, como activista de base, depois da fase do recenseamento em que a oposição reclamou de inúmeras irregularidades. O meu irmão Luís tinha muito trabalho lá, ligado ao sector editorial, quer ao sector criativo com Ary dos Santos, Adriano Correia de Oliveira e outros ligados à Espiral, mas não só, e ao sector da reprodução com o Ladislau Gouveia.

Aí, contrariando à leitura oportunista que Mário Soares e a Acção Socialista (AS) faziam da “primavera” marcelista, e presos a concepções ultrapassadas de funcionamento organizativo da oposição, a situação desta mudava.
Por força da luta dos trabalhadores e da luta estudantil bem como de um renovado activismo de sectores católicos e correntes socialistas independentes à esquerda da AS, se reforçou uma unidade combativa mais consequente, apesar de algum debate interno com um sector que viria a originar o MES (Jorge Sampaio, Vítor Wengorovius e outros companheiros, que, por sua vez, tinham averbado uma experiência política importante no movimento estudantil e como advogados de presos políticos e de estudantes perseguidos, como também aconteceu comigo).
A opção de ida às urnas, com a chapelada generalizada e a desproporção de meios técnicos e logísticos em relação à União Nacional, permitiu esclarecer aqueles que tinham dúvidas sobre Marcelo, alguns dos quais quase estavam a querer transformar as oposição num tampão sobre o movimento de resistência antifascista em benefício do ditador que, supostamente, precisaria de uma “ajudinha” para vencer os “ultras”…
Não foi essa a primeira vez em que alguns defenderam que fosse legalizada uma oposição sem os comunistas. A seguir ao 25 de Abril de 1974, alguns também se dispunham a isso, ombreando com Spínola…

A opção da Acção Socialista por candidaturas suas, com a sigla CEUD, acabou por vingar em alguns distritos sem qualquer tipo de êxito relativo. Em Lisboa, por exemplo, a CEUD teve 4% e a CDE 15%.

Não me detenho, agora mais sobre esta questão. O José Manuel Tengarrinha, em entrevista que deu à Seara Nova em 2005 desenvolve os aspectos políticos mais relevantes.
Também é obrigatório consultar o dirigente do PCP que à data, tinha contactos com ele e que continua entre nós - Pedro Ramos de Almeida.

4. A repressão da “liberalização” no decurso deste período político

Não se pode avaliar a atitude de Marcelo como “liberalizante” por ter feito regressar Mário Soares do seu exílio de 4 estrelas em S. Tomé. Para conferir, por intermédio de contactos que manteve com quadros superiores do regime, maior consistência à farsa, e aceitando uma legalização da Acção Socialista em detrimento dos comunistas e outras correntes de opinião que tinham a maior influência na oposição.
Quem ainda hoje teoriza que Marcelo queria uma liberalização e estava convicto dessa necessidade em articulação com alguns grandes capitalistas que se queriam “libertar” do corporativismo, dos condicionamentos económicos, mantem uma ficção de baixa qualidade não sustentada - não nos desabafos ou iniciativas sem resultados mas da apreciação dos acontecimentos imediatamente posteriores.
Esta atitude de cooperação com a “primavera marcelista” de Soares e da AS não resultou da evolução própria do seu pensamento político. Muita gente na altura alimentava grandes expectativas de alguma “descompressão” mas não a aproveitava para percorrer ambições pessoais. Outros, que acabariam por vir para a oposição, emprestaram alguma cientificidade à abertura à investigação social de faculdades e outros organismos, ou participaram mesmo na Câmara Corporativa e organismos anexos.

Muitas prisões de militantes comunistas e de outras correntes políticas de idade mais recente, trabalhadores estudantes de um ano que foi de todas as lutas estudantis de norte a sul, não só com epicentro em Coimbra e com alguma influência do Maio de 68, dois assassinatos, de Ribeiro Santos, do MRPP e de Daniel, estudante português de Teologia da Universidade de Lovaina, a introdução de uma nova polícia de choque tipo anti motim e dos gorilas nas faculdades, foram questões que tiveram grande impacto nesse ano e que ajudaram a isolar o regime fascista que estava a ter dificuldades crescentes com a guerra colonial.
Permitam que refira um episódio comigo passado.
No 5 de Outubro deste ano, para além da romagem ao cemitério do Alto de S. João, onde também houvera pancada séria, realizou-se uma outra na estátua de António José de Almeida, nas traseiras do IST. Muita gente. A polícia de choque do Maltez Soares (oficial do exército feroz, com ligações a contrabandistas e a negócios de proxenetismo na Madeira e menino querido de Marcelo Caetano) formava fileiras com metralhadoras. Outros agentes da PSP mais convencionais integravam o grupo repressivo. O Maltez trazia o seu capacete com viseira ,que foi utilizando em múltiplas ocasiões até ao 25 de Abril. Cantou-se o hino nacional. A polícia carregou e espancou muitos dos presentes. Um dos mais atingidos foi Vasco da Gama Fernandes, um socialista de fibra que nestas alturas não ficava atrás dos outros. O meu irmão Luís agarrou-o. Ao meu pai partiram o braço com a coronha de uma metralhadora. Um grupo de jovens, em que me incluía, decidiu responder e atirou-se a um PSP pouco blindado. O homem apanhou, ficou sem a arma, o cassetete e o boné.
O Maltez espumava no estribo do nívea (ou carocha) da PSP, como gostava de fazer. Concentrou-se em mim (já a Clara Pinto Correia um dia escreveu que nestas confusões ela e outros estudantes me procuravam pela estatura…) “Agarrem aquele!”. Fui preso e logo ali espancado e enfiado dentro do nívea onde continuei a apanhar. O meu pai e o meu irmão enfiaram-se num carro e vieram atrás de mim mas, em frente ao liceu Filipa de Lencastre, um grupo de polícias de choque cortou-lhes o caminho e prendeu-os. Fui levado para a esquadra do Arco Cego onde entrei aos empurrões. Aí fui espancado durante algum tempo por uma meia dúzia de polícias de choque. Tive um ligeiro desmaio, recuperei e continuaram. Estive uns minutos sem ver. O sangue escorria. Fiquei cheio de nódoas negras e a cuspir sangue no resto do dia. Entretanto chegavam outros presos, os meus familiares, o Frederico Carvalho, a Eugénia Varela Gomes.
A concentração das atenções do Maltez em mim ficou a dever-se à necessidade de escolherem quem fosse responsabilizado pela cena do polícia desarmado. Mas de arma não falavam talvez para não pôr em cheque o agente que se vira privado das suas “razões”.
Não ficaram por aí. Eu e os outros fomos levados para os calaboiços do governo civil e daí só eu fui levado a interrogatório na sala do comando. Conduzido pelo então subchefe Manteigas e por outra besta. Ligações ao Partido, quem me recrutou, onde pusera os haveres do agente, etc., foram os motes. Como não respondia, espancavam-me a murro e a pontapé intervaladamente com novas tentativas para me porem a falar. Como não levaram nada, lá fizeram um auto de declarações, depois de lhes ter dito que só prestaria algumas declarações na presença do meu advogado, Dr. Vasconcelos de Abreu (que nesse ano era candidato e depois do 25 de Abril foi vereador da CML pelo CDS…). Como não meteram esta referência no auto, não assinei. Aí levei novamente, a sério. Voltei aos calabouços de rastos com o meu pai aos gritos.
Os candidatos da CDE tinham-se posto em campo para exigir a nossa libertação, que conseguiram. Ao sairmos, lá estavam o Tengarrinha, o Pereira de Moura e o Lindley Cintra e outros companheiros. Ah!, o sabor da solidariedade e da camaradagem...
Este foi um episódio. Mas 1969 está cheio, como disse, de muitos outros que envolveram tanta gente. O arrepio das concepções e interesses pessoais de Mário Soares que os socialistas fizeram de 1969 a 1973 resulta destes factos e de um efectivo envolvimento de muitos socialistas nas causas da oposição democrática.

4. Do movimento estudantil para a CDE. Duas sedes e muito movimento…

Foi neste ambiente que também colaborei na CDE, como activista de base e sem puxar os pergaminhos de dirigente estudanil. Como referi atrás, meu irmão Luís tinha muito trabalho lá, ligado ao sectorial editorial, quer ao sector criativo com Ary dos Santos e outros ligados à Espiral (mas não só) quer à reprodução com o Ladislau Gouveia, irmão do saudoso José Gouveia, que integrava a lista de candidatos da CDE por Loures.
Antes estivera na pequena sede da rua do Calado, ali à Penha de França (ver foto publicada na imprensa de então). A sede era pequena para suportar tanta actividade. Muita gente lá entrava que nunca estivera ligado à oposição semi-legal.
Dali, passamos a contar também com a sede do Campo Pequeno, ligada a uma vila que ainda existia há poucos anos, depois da sede ter sido destruída e dado lugar a escritórios. Era uma vivenda, com boas condições de trabalho. Dois pisos, um recuado para aparelho técnico que, por estar exposto (a PIDE fez várias investidas) levou a optar por várias outras tipografias. Lembro-me, por exemplo, da Gestetner perto da Av. do Brasil, e de outras em Alfama, na Rua do Alecrim e ainda outra no Bairro Alto. Mas também se recorria a escritórios de advogados do movimento para processar os stenceis electrónicos (Lopes de Almeida, Jorge Sampaio, Henrique Vareda, Vasconcelos Abreu, entre outros).
O ambiente na sede do Campo Pequeno também fervilhava de trabalho, de entradas e saídas, de múltiplas reuniões, de propaganda onde se notava as mãos de Ary dos Santos e de outros bons publicitários militantes (ver aqui alguns dos cartazes).

De Ary recordo nesse período de uma cena curiosa relacionada com o seu estilo muito próprio. Nos jardins do Campo Pequeno, a caminho da cervejaria, então existente na outra esquina do Campo Pequeno com a Av. da República, onde acabávamos as noitadas de trabalho, a zona estava recheada de pides e o Ary passou por um grupo de três e agachou-se como se estivesse a dar milho às galinhas (“pides, pides, pides…” dizia ele e gozávamos todos…).

A sede teve uma segurança nocturna a partir do momento em que a PIDE e legionários a quiseram vandalizar. Eram trabalhadores da Sorefame, da Carris, da CP, que me lembre. E também muitos jovens, estudantes e trabalhadores. O Nicolau Breyner, com um corpinho que metia respeito, fazia a ronda com dois enormes cães (também ele já foi candidato do CDS...). Para vencer o sono, cantava-se. Por lá passaram nessas noites o Adriano Correia de Oliveira, o José Manuel Osório, o Lopes de Almeida, bom advogado e bom guitarra, o Rui Mingas.

5. Ary dos Santos e o SARL
Do muito que gostaria de contar, meto mais esta.
Os comícios e sessões da CDE eram acompanhados pela polícia que impunha a sua presença. E acabavam mal com esta a intervir por os oradores não se cingirem ao que eles aceitavam. A guerra colonial, como o Tengarrinha refere, vinha no final das sessões pela sua própria boca e...as sessões acabavam.... Mas às vezes...
No Teatro Vasco Santana a sala está repleta. Candidatos na mesa serão os oradores. Mas eis que Ary avança com o seu conhecido poema "SARL". Di-lo, como calculamos. a subir da sua baixa estatura à estatura de um gigante. O Maltez Soares manda encerrar a sessão. O Ary sai do palco, dirige-se a ele e continua a dizer o poema em voz alta porque o som tinha sido cortado. O Maltez recua e grita "Se não saem, atiro para aí uma granada!...". Acabou por atirar a polícia de choque contra as pessoas à saída.

6. Uma oposição em mudança

Alguns teorizadores, que não viveram estes acontecimentos, e que se alimentam de opiniões de terceiros seleccionados a dedo e expurgados de alguma simpatia comunista, inventaram que algumas mudanças de cariz democrático no seio do próprio movimento CDE se teriam devido a correntes recém-chegadas à unidade democrática, contrariando a tutela comunista.... Isso não corresponde minimamente à verdade, com todo o respeito por estes últimos, importantes companheiros de uma luta comum e que contribuíram para recompor a diversidade política, tanto mais importante quanto Mário Soares decidira sair com a AS em importantes distritos.

O José Manuel Tengarrinha aborda também esta questão na citada entrevista. Relembrarei que, até então, um elemento que afectava a democracia interna do movimento. A questão da relação entre personalidades dirigentes e as bases do movimento.
Em 1969 esta questão, por iniciativa dos comunistas, começa a resolver-se através da criação da estrutura do movimento: comissões de freguesia, concelhias e distritais, comissões socioprofissionais por sectores de actividade e por grandes empresas. Por amplas discussões nas bases de ideias e documentos da estrutura dirigente que, também por isso, recolhe outra admiração e apoio. As guinadas ao nível dirigente passaram a carecer de compreensão e aceitação das bases.
Personalidades como Pereira de Moura, Tengarrinha ou Lindley Cintra inserem o seu reconhecido prestígio num trabalho que é colectivo e não lhes caem os parentes na lama... Personalidades como Mário Soares não tinham formação cultural e política para reproduzirem esta relação dialéctica. Mesmo quando Soares, muitos anos antes, representou o movimento juvenil na comissão central do MUD e criticou algumas das limitações desta, o que esteve em causa não foi essa relação dialéctica com o movimento, que não exercitou, mas a ambição pessoal de vir a ser um dia o grande dirigente da oposição.
Mário Soares não tinha qualidades nem estrutura intelectual para isso e falhou. Acabou por cumprir outros papéis.

Depois de 69, quase imediatamente e até o novo período "eleitoral" de 1973, as ilusões com Marcelo deixaram de ter peso significativo e durante esses quatro anos forjou-se no plano legal, semi-legal e clandestino essa nova forma de conceber o movimento de oposição: da base ao topo. Com grande representatividade regional e profissional, com uma representação de diferentes formas de expressão profissional, combinada com uma representação equilibrada de diferentes sensibilidades políticas que representavam formas de intervenção próprias. Nesses quatro anos deram-se saltos qualitativos notáveis: dos trabalhadores, criação da Intersindical, lutas estudantis e de variados meios culturais, no combate à guerra colonial. Na solidariedade com os presos políticos e com os movimentos de libertação e a criação do movimento democrático de mulheres. A criação do movimento dos capitães... Ao contrário do que alguns ousaram teorizar depois da revolução, esta não caiu do céu aos trambolhões...

Frase de fim-de-semana, por Jorge





"a preocupação maior tem sido afastar os cidadãos de intervirem no seu funcionamento".(a propósito da construção da Europa)



V.Magalhães Godinho
(in JL 23/10/2009)

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Melhor crer do que lêr?, de Vasco Graça Moura, hoje no DN

Com a devida vénia ao autor e ao jornal, transcrevo o que hoje publicaram, que reflecte a independência de pensamento e desassombro do poeta.


"Há um bom par de anos, escrevi num artigo intitulado "Contra Deus" (Egoísta, Outubro de 2001) que "o Jeová da Bíblia é um ser caprichoso e muitas vezes iniquamente absurdo. O Deus dos Católicos (já agora, e por razões óbvias, é-me mais difícil falar do austero Deus dos protestantes…) é um ser em que o princípio da crueldade é transferido para a paixão de Cristo e que, no que respeita ao sem sentido do sofrimento do mundo, transpõe para uma dimensão escatológica a correcção de todas as injustiças e a abolição desse sofrimento. Em minha opinião, é preciso realmente ter muita fé para se acreditar e para se esperar que seja assim. Sem contar que se trata, no ensinamento eclesial ao longo de séculos e séculos, de um ser castrador e profundamente misógino, obstinado contra o que em nome dele se estigmatizava como 'pecado da carne', e redutor da filosofia (e portanto do próprio pensamento) à condição de serva da teologia (philosophia ancilla theologiae). A cultura, que para os Gregos era antropocêntrica, tende a tornar-se teocêntrica e cristocêntrica a partir dos primórdios do Cristianismo.A lógica passou a ser substituída pela aceitação passiva dos chamados mistérios da fé. Deus, e não o homem, passa a ser a medida dogmática de todas as coisas. O Cristianismo instaurou uma cultura do arrependimento, na expectativa da misericórdia de um Deus cujos desígnios são imprescrutáveis."O Deus do Velho Testamento é um ser intolerante, insatisfeito e vingativo. A terribilità da voz dos profetas tem qualquer coisa de deriva totalitária, existindo para o anúncio reiterado da catástrofe, se à rigidez da norma divina não for sacrificado, sem dó nem piedade, tudo e mais alguma coisa. A Bíblia é um texto compósito, de múltipla autoria, com passagens que podem ser extremamente interessantes e outras que são uma maçada insuportável, e também só um crente muito crente é que pode pretender ver no texto uma unidade que a Bíblia não tem e dar tantas voltas ao torno da interpretação que acabe por ler nela o que ela não diz. A esta minha opinião pode, evidentemente, ser contraposta qualquer outra. Por isso mesmo é que há liberdade de pensamento e de expressão. O que me espanta é que nenhum dos que saltaram a protestar indignados contra Saramago se sinta chocado com a adesão irreflectida e infundamentada da maioria dos crentes à sua própria crença, muito embora o credo quia absurdum não seja propriamente um paradigma idóneo de lógica formal ou comportamental. De resto, a Igreja Católica, receosa das iniciativas heterodoxas de interpretação dos textos sagrados e cedo feroz repressora da tolerância erasmiana, procurou evitar que a generalidade dos crentes lesse a Bíblia. Para quem duvide, aqui fica este extracto do Catalogo dos livros que se prohibem nestes Regnos & Senhorios de Portugal, de 1581: "Quanto às trasladações do testamento velho, somente se poderão conceder aos varões doctos & pios, por parecer do Bispo, com condição de que se use delas como de declarações da trasladação Vulgata, & não como texto sagrado. Mas as trasladações do testamento novo, feitas por Autores de primeira classe deste catálogo [i. e., constantes do Index], a ninguém se concedam: porque sói da tal ligação resultar aos Lectores pouco proveito, & muito perigo."É por isso que num Portugal de matriz católica há pouca tradição de leitura directa dos textos bíblicos, que não foram interiorizados pelas consciências como na Europa luterana. Os clérigos reservaram-se o exclusivo das quatro modalidades da interpretação dos textos sagrados, histórica, alegórica, tropológica e anagógica, de modo a que o sentido literal pudesse ser ultrapassado, ou mesmo escamoteado em sede figurada ou mística, sem dificuldades de maior. O comum dos mortais não precisava de se preocupar muito com os textos, apesar de, muito antes, Gregório Magno e depois Isidoro de Sevilha terem insistido na importância da lectio divina (sobre a qual, e no tocante à Alta Idade Média, José Mattoso escreveu páginas interessantíssimas). No entanto, para o autor das Etimologias: melius est orare quam legere… Será? "

domingo, 25 de Outubro de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

O fosso entre ricos e pobres aumenta em Portugal


Na lista dos países com maior fosso entre ricos e pobres Portugal vem em 5º lugar. A classificação é feita pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Do ponto de vista da desigualdade só Hong Kong (1º), Singapura (2º), EUA (3º) e Israel (4º) estão em situação pior do que Portugal. O coeficiente de Gini que o PNUD atribuiu a Portugal foi de 38,5 (numa escala em que zero representa a igualdade absoluta e 100 a desigualdade absoluta). O PNUD afirma que os 10% mais pobres da população portuguêsa detêm apenas 2% do rendimento nacional, ao passo que os 10% mais ricos detêm 29,8% do mesmo. A notícia está em Yahoo Finance.
Pelo seu lado, Eugénio Rosa confirmou esta constatação através de um estudo publicado no resistir.info, de que transcrevemos apenas o resumo.

“As desigualdades e a exploração aumentaram muito em Portugal nos últimos anos. Mostrar isso, utilizando apenas dados oficiais, é o objectivo deste estudo. Desta forma procura-se contribuir para chamar a atenção para uma realidade preocupante que não poderá ser nem ignorada nem esquecida pelo governo "Sócrates 2". De acordo com dados do Banco de Portugal, do INE e do Eurostat a percentagem que as remunerações, quer incluindo as contribuições sociais quer sem contribuições sociais, representam da riqueza criada, ou seja, do PIB diminuiu muito após o 25 de Abril. Assim, em 1975, ano em que a situação foi mais favorável para os trabalhadores, as remunerações "liquidas", ou seja, sem contribuições sociais mas antes do pagamento do IRS, representaram 59% do PIB, enquanto este ano (2009) prevê-se que representem apenas 34,1% do PIB, ou seja, menos 42,2% do que a percentagem de 1975 (em pontos percentuais, menos 24,9 pontos). Se os trabalhadores recebessem em 2009 um valor correspondente à mesma percentagem do PIB que receberam em 1975, receberiam em 2009 mais 40.860 milhões de euros de salários (Quadro I). Este valor dá uma ideia clara das consequências para os trabalhadores do agravamento da desigualdade na repartição da riqueza criada anualmente que se verificou depois de 1975.

Numa sociedade capitalista como é a nossa, o grau de exploração dos trabalhadores é medido pela taxa de mais valia ou taxa de exploração. As estatísticas em Portugal assim como as União Europeia não são elaboradas de molde a se poder calcular com precisão a taxa de mais valia, pois isso poria em causa o próprio sistema capitalista.
No entanto mesmo com as limitações existentes pode-se utilizar os dados oficiais para calcular uma taxa que dá uma ideia clara do aumento da exploração em Portugal nos últimos anos. E o valor que se obtém para essa taxa é de 46,3% em 1975 e de 100,6% em 2009. Portanto, a dimensão da exploração dos trabalhadores em Portugal mais que duplicou entre 1975 e 2009. De acordo com um estudo recente divulgado pela OCDE, Portugal é um dos países onde é maior a desigualdade na distribuição do rendimento. É precisamente no nosso País onde o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, é mais elevado (0,385). A média nos países da OCDE é de 0,311 (Gráfico I). Depois de Portugal, na OCDE apenas existem dois países: Turquia e México.

A pobreza está também a atingir milhares de trabalhadores com emprego devido aos baixos salários que auferem. No fim de 2008, 139,5 mil trabalhadores por conta de outrem recebiam um salário liquido médio mensal inferior a 310 euros por mês, e os que recebiam salários até 600 euros correspondiam a 40,9% do total de trabalhadores por conta de outrem (Quadro II). Uma camada numerosa da população muito afectada pela desigualdade na repartição do rendimento são os reformados. Em Julho de 2009, a pensão média de velhice de 1.843.375 reformados era apenas de 384,72 euros por mês, e 981.181 mulheres recebiam da Segurança Social uma pensão média de velhice ainda mais baixa (292,10 euros), portanto um valor muito inferior ao limiar pobreza (354,28€/mês-14 meses). Em relação aos reformados por invalidez a situação é ainda mais grave. A pensão media dos 300.173 pensionistas por invalidez paga pela Segurança Social era, em Julho de 2009, de apenas 321,25 euros. E o valor das pensões auferidas pelas mulheres (em média 281,10€ por mês) correspondia apenas a 77,8% das do homem. Mas existem distritos em que as percentagens são ainda inferiores, como sucede com Lisboa (69,4%) e Setúbal (64,4%) – (Quadros III e IV). Se a análise for feita por escalões de pensões conclui-se que 79% dos pensionistas de velhice e de invalidez recebem uma pensão inferior a 407 euros (Quadro V) Alterar a profunda desigualdade que existe na distribuição do rendimento e da riqueza em Portugal é uma obrigação do próximo governo. E isto até porque a desigualdade existente é uma das causas da fragilidade actual do tecido social e económico do país, e do atraso de Portugal. E como refere a própria OCDE, "a única forma sustentável de reduzir a desigualdade é travar o desfasamento de salários e rendimentos de capital que lhe está subjacente" (Crescimento Desigual? Distribuição do Rendimento e Pobreza nos Países da OCDE, pág.3, 2009).

Para além de uma politica salarial justa que o governo de "Sócrates I" sempre recusou é necessário também alterar um conjunto de leis que estão também a contribuir para agravar as desigualdades: leis fiscais que protegem os rendimentos do capital mas penalizam os rendimentos do trabalho; lei do subsidio de desemprego que exclui centenas de milhares de desempregados do acesso ao subsidio de desemprego; leis da segurança social que reduzem o valor das pensões dos trabalhadores que se reformam e que também impedem a melhoria mesmo das pensões mais baixas dos que já estão reformados; Código do Trabalho, Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, Lei 12-A/2008, que estão a determinar a desregulamentação das relações de trabalho, dando todo o poder às entidades empregadoras e reduzindo drasticamente os direitos de quem trabalha; etc.”

sábado, 24 de Outubro de 2009

Saramago em diálogo promovido pelo Expresso: eu não sou intolerante, sou radical

video

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



Se as leis de Nuremberga fossem aplicadas, então todos os presidentes norte-americanos posteriores à guerra seriam eforcados



Noam Chomsky (artigo de 1990)

Três Cantos: um concerto memorável



Foi um concerto memorável este “Três Cantos”.


Revisitação a trabalhos dos três autores, com arranjos muito bem feitos, que prenderam uma sala cheia, milhares de pessoas, numa tensão poética e musical e num grande entusiasmo, em que só o som não esteve à altura.


Três dos principais autores de novos cantares e músicas, ainda anteriores ao 25 de Abril e com grande presença nele, que nos têm acompanhado, realizaram ao fim de 40 anos aquilo que afirmaram ser um seu desejo de há muito.


Servidos por um naipe de vinte e dois músicos e coro de qualidade, cerca de trinta canções das suas vidas foram cantadas pelo seu autor ou os outros dois companheiros, alternando intervenções individuais e colectivas, a três vozes e poemas, com um inédito “Faz parte…o renascer das ousadias” e uma nova versão de “ Não Saber o que se Espera”, de José Afonso.


Todos os três diferentes, como sabemos, apesar dos muitos pontos de contacto, renasceram um a um em cada um dos outros, mantendo a sua identidade individual ao longo de três horas de espectáculo


A fnac vai fazer deste espectáculo gravado, um CD e um DVD, em edição especial limitada, que se adivinha, passe a publicidade, um êxito de Natal, com a promessa de estar nas lojas na semana entre 7 e 13 de Dezembro. Com promoção desde hoje até à edição.


Um livro de 40 páginas, 2 CDs e 2 DVDs custarão 29,95 euros (ou 26,95 em, pré- venda.


Só os 2 CDs, em edição normal, custarão 19,95 (ou 17,95 em pré-venda).


quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Declaração de candidato presidencial ucraniano

Vladimir Litvin, presidente da Rada Suprema da Ucrânia (equivalente à nossa Assembleia da República) e candidato às próximas eleições presidenciais de 17 de Janeiro próximo, negou hoje categoricamente a utilidade da integração da Ucrânia na NATO e que o país deve mudar radicalmente de política externa.

Esta declaração constitui a confirmação de um revés para os círculos mais duros da NATO e da administração americana e o seu projecto de envolvimento da Ucrânia e da Geórgia. Mas não eliminam o receio mundial com os planos de investida contra a Rússia dos EUA e grandes potências europeias.


Litvin é presidente do Partido Popular e defendeu que o seu partido irá desenvolver o máximo de esforços para conciliar uma importante cintura de segurança com a manutenção de relações de vizinhança com os estados vizinhos, e para que o seu país não seja uma muleta a estruturas como a NATO como aconteceu depois da chegada ao poder de Viktor Iushenko.

De novo o desatino

Confesso que não me apetecia escrever sobre o Saramago. A atitude recente em relação às autárquicas de Lisboa não me caiu nada bem e preparava-me para uma quarentena de citações. Tenho o direito a ficar chateado.
Mas o desatino, a propósito de uma obra sua, voltou. Com toda a força do disparate.

Saramago decidiu promover o seu novo livro Caim com referências à Bíblia e ao Deus que ela nos configura. Ninguém de bom senso, nos dias de hoje, pode negar que as impressões que a Bíblia transmite a quem a leia, no seu isolamento e sem recorrer a um "conversor" teológico, é a que o autor refere. E fá-lo porque isso tem a vêr com o que o leitor deste novo livro nele vai encontrar.

Porta-vozes da Igreja, responsáveis da nossa comunidade judaica, até um deputadozito se atiraram a Saramago como gato a bofe. Guardai a vossa ira para a condição humana que se forja em torno de vós! Se o não fizerdes e gastarem o vosso tempo como algumas velhas gaiteiras não há Deus que vos valha e muito mal o estarão a servir!...E até desconfio que vos peçam credenciais quando rumarem ao reino dos céus...Vade retro, pois.

Já alguém disse que as vozes se levantaram sem que tivessem lido Caim. E leram a Bíblia?
PS - Em aditamento, aqui reproduzo comentário feito a um post do F. Penim Redondo sobre a matéria no dote.com.

"Saramago é criticável como qualquer comum dos mortais. Mas o tipo de crítica para com ele não colhe. Quer pela não leitura do seu livro, que poucos terão feito até agora e desde domingo, quer pela não aceitação de que a Bíblia contem, de facto, elementos suficientes para fomentar o ateísmo, como qualquer outro livro antigo que não sofra nas mensagens adequações teológicas aos dias de hoje. Sem iso não é assimilável àquilo que a Igreja apresenta hoje como sua doutrina.
Com tudo isto não subscrevo a exploração mediático-comercial característica de cada um dos seus últimos livros pelo próprio. Sobre isto penso que, sim, Saramago é indiscutivelmente passível de crítica."

...os que por obras valorosas...

Trancoso, para muitos de nós, está associado a imagens como a da feira ancestral, o Bandarra, as portas da vila, o Magriço ou este frade que ficou célebre na história como grande garanhão e povoador do reino, rezando dele a seguinte sentença proferida em 17 de Março de 1487 contra o prior de Trancoso, cujos autos estarão (não confirmei…) arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7.

“Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade
de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens
e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos,
esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e
mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi
arguido e que ele mesmo não contrariou,
sendo acusado de :

- ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;
- de cinco irmãs teve dezoito filhas;
- de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
- de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
- de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
- dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas,
- da própria mãe teve dois filhos.


Total: duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino

e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e quatro
mulheres".


"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".



A antiga residência deste padre. Actualmente é o Restaurante Típico " O Museu " junto à igreja matriz de Santa Maria de Guimarães.



Apareça por lá e relembre a história.

Frase de meio da semana, por Jorge



Quando alguns burros correm, chega sempre um deles em primeiro lugar



provérbio do Irão



terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Os tiques do regime


António Vitorino é um exemplo exemplar de transparência no regime PS.

Os trejeitos faciais são elucidativos. Experimente ouvi-lo sem som. Quase adivinharia o que diz ou pelo menos as imagens sobrepostas que nos vêem à memória de Maquiavel, de Eurico Nogueira, de Mussolini, de Marcelo, de Pinto da Costa e de menino Zequinha, quase dispensariam a sua integral tradução em linguagem gestual.

Depois o que diz. Bom...Que governar em minoria é um jogo de xadrez, que se tem que ser rígido, firme com a oposição,...

Ah! E também achou natural meter-se na vida interna do PSD, definido os dois caminhos que este teria pela frente e qual deles o PS preferiria, que o PSD se deveria definir ideològicamente, definindo o que o PS preferiria para não se confundir com ele (não nos esqueçamos que AV é um dos musts da deriva neoliberal do PS).

E até disse...que o PS não deveria falar com os partidos, mas saltar-lhe por cima e ir falar com o povo. Provàvelmente às manifestações de agricultores, de professores, de agentes das forças de segurança, de trabalhadores de empresas encerradas. Sabe-se lá se para apanhar com qualquer coisa que ele pudesse invocar como xeque-mate na operação de vitimização que irá construindo.

Das maleitas da república, nada disse, das mézinhas para as ditas disse nada. Nem nesta terra vive gente com quem gaste o latim.
Enfim, ideólogo, estratega, senador, comentador, redactor-chefe de programas eleitorais. Ó, sim senhor, não será um homem grande mas um grande homem poderá vir a ser.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

"Bailarinos", pintura de Fernando Botero


Debate nos 100 anos da publicação por Lenine de "Materialismo e Empiriocriticismo"

O contexto da publicação original

Em Outubro de 1908 Lenine, então no exílio, dava por concluída a sua obra "Materialismo e Empiriocriticismo". Notas críticas sobre uma filosofia reaccionária, ia discutir a validade, que alguns filósofos estavam a questionar a validade do conhecimento pelos homens dos fenómenos naturais, armando a burguesia de uma teoria para os seus combates com a classe operária que aspirava à conquista do poder. Lenine nessa conjuntura afirmava que «A tarefa imediata nestes tempos difíceis é criar algo capaz de livrar os homens das “salvações” e dos intelectuais “desalentados”.»

A obra de Lenine «Materialismo e Empiriocriticismo» foi publicada em Maio de 1909, assinalando-se este ano o seu centésimo aniversário.
No final do século XIX e início do século XX, uma série de variantes do positivismo desenvolveu-se por todo o continente europeu, com certas características próprias em cada país (positivismo moderno, positivismo crítico, empirismo crítico, empirismo lógico, etc.). A obra «Materialismo e Empiriocriticismo» centrou a sua crítica nesse movimento na Rússia, nos «machistas» russos - seguidores de Ernest Mach, físico e filósofo austríaco.

No começo do século XX, a Física «moderna», que iniciava então a extraordinária exploração do infinitamente pequeno, abalava a velha noção de «matéria», de natureza.
Os filósofos e «epistemólogos» aproximavam a «matéria» das impressões sensíveis ou sensações móveis, em vez de a supor, como até então, de uma objectividade independente das sensações; atribuíam-lhe qualidades de mobilidade, de relatividade, conferiam-lhe, por assim dizer, uma «existência» apenas fenoménica. A matéria – diziam, com Mach e seus adeptos – não é mais que as sensações que no-la revelam, não tem existência fora de nós. Entre o objecto, a coisa, e o sujeito, o «eu» pensante, há uma terceira ordem, uma terceira forma de existência, em última análise a única real e concreta, dada na e pela impressão sensível enquanto fenómeno, sem que haja alguma coisa a acrescentar-lhe ou a retirar-lhe. Entre o materialismo e o espiritualismo ou idealismo, há uma terceira via…

Este ataque ao materialismo em nome da Física «mais moderna» tinha consequências no campo das ciências sociais e históricas. Era portanto necessário reconsiderar, aprofundar o materialismo em função das recentes grandes descobertas sobre a matéria.

A teoria do conhecimento

Lenine, nesta obra, analisa portanto esta pretensa «crise da ciência» ou «crise da física moderna».
De uma forma aprofundada, Lenine defende, na sua obra, que:

1.º - Há coisas que existem independentemente da nossa consciência, independentemente das nossas sensações, fora de nós.

2.º - Não existe e não pode existir diferença alguma de princípio entre o fenómeno e a coisa em si. A única diferença efectiva é a que existe entre o que é conhecido e o que ainda não é.

3.º - Sobre a teoria do conhecimento, como em todos os outros campos da ciência, deve-se raciocinar sempre dialecticamente, isto é, nunca supor invariável e já feito o nosso conhecimento, mas analisar o processo pelo qual o conhecimento nasce da ignorância ou graças ao qual o conhecimento vago e incompleto se torna conhecimento mais adequado.

Embora escrito há mais de cem anos, este texto mantém uma extraordinária actualidade, não obstante os avanços no conhecimento científico no campo da Física terem rectificado alguns dos seus postulados, como seria expectável.
Numa altura em que, novamente, perante as dificuldades de interpretação de novos conhecimentos científicos, proliferam outras concepções obscurantistas, é de todo o interesse debater, com dois especialistas nas áreas da Física e da Filosofia, a validade do conhecimento pelo homem dos fenómenos naturais.

«Quanto a mim, sou também um “procurador” em filosofia. Mais precisamente: nas presentes notas coloquei a mim próprio a tarefa de descobrir onde é que se desencaminharam as pessoas que nos oferecem, sob a aparência de marxismo, algo de incrivelmente embrulhado, confuso e reaccionário»

V. I. Lénine, “Materialismo e Empiriocriticismo”, Prefácio à Primeira Edição, p. 14
- Ed. «Avante!», Lisboa


Debate dia 10 de Novembro na Faculdade de Letras de Lisboa (entrada livre)


A Associação Iúri Gagárin promove no dia 10 de Novembro, entre as 18 e as 20 h, no Anfiteatro 3 da Faculdade de Letras de Lisboa, um debate com os professores José Croca e Eduardo Chitas, respectivamente da Faculdade de Ciências e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sobre a obra de Lenine «Materialismo e Empiriocriticismo», publicada em 1909.


O debate será moderado por José Barata-Moura, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Uma reflexão a propósito da vacinação H1N1


A monja beneditina Teresa Forcades i Vila, médica em Barcelona, emitiu, num artigo que pode encontrar aqui, as suas reflexões e propostas que são também perfilhadas por alguns sindicatos e muitos médicos e enfermeiros, a título individual, em todo o lado e também no nosso país.


Não deixando de estar atento a outros pontos de vista, aconselho vivamente esta sua leitura e refiro esta passagem.


(…) Se o envio de material contaminado fabricado pela Baxter não tivesse sido casualmente descoberto em Janeiro passado, efectivamente, ter-se-ia dado a gravíssima pandemia potencialmente causadora da morte de milhões de pessoas que alguns andam a anunciar. É inexplicável a falta de ressonância política e mediática do que aconteceu em Fevereiro no laboratório checo. Ainda mais inexplicável o grau de irresponsabilidade demonstrado pela OMS, pelos governos, pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo sem uma base real. É irresponsável e inexplicável até extremos inconcebíveis o bilionário investimento saído do erário público destinado ao fabrico milhões e milhões de doses de vacina contra uma pandemia inexistente, ao mesmo tempo que não há dinheiro suficiente para ajudar milhões de pessoas (mais de 5 milhões só nos EUA) que por causa da crise perderam o seu trabalho e a sua casa.(…)

sábado, 17 de Outubro de 2009

Decorre na Bolívia importante cimeira da ALBA


Dirigentes políticos de mais de 13 países iniciaram hoje na cidade boliviana de Cochabamba, Bolivia, a VII Cimeira da ALBA, com o objectivo de fortalecer as suas relações económicas e de integração,
A Cimeira aprovou sanções económicas e comerciais contra o regime golpista das Honduras, assinou o tratado constitutivo da moeda Sucre (sistema comercial de pagamento intraregional),e recomendou ao Conselho Político da ALBA que estude e proponha a criação de um organismo de defesa comum
Participam nesta cimeira os presidentes de Venezuela,Hugo Chávez, do Equador Rafael Correa e o primeiro vice-presidente cubano José Ramón Machado Ventura. Estão também presentes os primeiros-ministros da República Dominicana, Roosevelt Skerrit, de São Vicente e das Granadinas, Ralph Gonsalves e das Antigua e Barbados, Winston Baldwin Spencer, assim como Patricia Rodas, em representação das Honduras.
Assistem delegações do Paraguai, Uruguai, República Dominicana, Granada, Haiti e Rússia, convidadas como observadoras.

Solidariedade com os trabalhadores da Saint-Gobain Glass e da Média Capital Rádios




Num caso, o patronato pretende acabar com a antiga Covina, pondo em risco o emprego de 125 trabalhadores. Noutro caso um grupo dos media com lucros bem elevados quer despedir 11 trabalhadores.


Solidariedade com todos eles é precisa!


sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



O sonho da democracia é fazer ascender o proletário ao nível de estupidez do burguês


Gustave Flaubert (carta a George Sand, 1871)

As “farpas” na altura da formação de novo governo



O ainda ministro da Presidência, Augusto Santos Silva, defende que, pela linguagem que usa, semelhante à do Bloco de Esquerda ou do MRPP, a presidente do PSD mostra ser uma «interlocutora precária, além de fazer lembrar uma «anarquista espanhola».


Em entrevista ao semanário Sol, Santos Silva refere que «habituei-me a ver a posição da líder do PSD mas no BE ou no MRPP, que é a posição do anarquista espanhol que diz “se há um Governo, sou contra”».


Na altura de constituição de um novo governo, não faltam os responsáveis socialistas que atacam Manuela Ferreira Leite e glosam as questões internas do PSD, os “dirigentes a prazo” ostentando alguma euforia com a aparente implosão do PSD. Num estilo arruaceiro nada compaginável com o “espírito dialogante e sem preconceitos” do 1º Ministro indigitado.


Depois da primeira ronda por parte dos partidos com assento parlamentar, e não devendo isso para ele constituir qualquer surpresa, não terá recolhido promissoras perspectivas de garantir a maioria absoluta, que os portugueses lhe negaram, com o recurso à muleta de outros partidos, que já se tinham colocado fora de tal cenário.


No dar conta pública desses resultados em breve comunicação ontem, José Sócrates falou seis (!) vezes na responsabilidade que os outros partidos assumem com essa posição…Quando o que se esperaria era manifestar a disponibilidade de, sem rasgar o programa eleitoral do PS, alterar aspectos mais graves da anterior governação que estão a ter consequências nos planos da estabilidade social económica. O direito de não ser muleta de uma política com que se não concorda é inalienável e o conseguir governar sem maioria absoluta exige algum virtuosismo, que não tem tido muito acolhimento no Largo do Rato.


Voltando às “farpas”, perguntar-me-ão se venho em defesa de MFL. Claro que não. As concepções políticas nada têm a ver com as minhas e não me pronuncio, por princípio, sobre as questões internas dos outros partidos, nem tenho que ter qualquer simpatia com ela ou com qualquer um da meia dúzia de candidatos ao seu lugar, que para isso se têm vindo a perfilar há muitos meses.


Mas não fico eufórico com o desfazer de um partido que teve e tem um papel no sistema político português, independentemente de ser um sério adversário político, que não deixaria de gerar consequências perigosas se desaparecesse da circulação. Essa é uma questão interna do PSD que deve interessar fora dele.

Dez anos a construir a estação orbital internacional


Veja o faseamento desta operação aqui.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Obama vai ao prego...

"Quantos batalhões me dá pela medalha?", pergunta Obama, com a reclamação de McChrystal na mão... (Courrier International)


O Washington Post revelou que Obama decidiu enviar mais 13 mil soldados para o Afeganistão e que irá decidir nas próximas semanas se aceita ou não, a reclamação de mais 40 mil a 60 mil homens feita pelo comandante americano na região, Stanley McChrystal,

Frase de meio da semana, por Jorge



Uma galinha é apenas a forma de um ovo fazer outro ovo



Samuel Butler, escritor, 1835-1902

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

A beleza das fotos microscópicas










Da esquerda para a direita e de cima para baixo:
- Cristal de um floco de neve. Apresentam todos simetria se bem que sejam diferentes entre si
- Parecem mas não são antenas de um insecto mas sim uma planta considerada na América do Norte como erva-daninha
- Flor de agrião de genoma muito simples, que a leva a ser muito utilizada na investigação genética
- Alzheimer num peixe-zebra. A verde os neurónios, a vermelho as proteínas tau e a azul as tau doentes

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Bloquear o genoma e levar um...Nobel

A descodificação do código genético dos humanos trouxe à Ciência enormes possibilidades de estudar a origem de doenças graves que afligem a humanidade.

Cuba, detentora de um elevado nível profissional ao nível das ciências médicas tem um Centro Nacional de Genética Médica que procura dar respostas a estas questões.

No entanto, o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos em 1962, priva este organismo do acesso à tecnologia mais avançada num campo que é tão promissor, limitando significativamente o trabalho de investigação do Centro.


A Dra. Beatriz Marcheco, directora da instituição, revelou ontem ao Granma que, desde 2003, e através dos canais apropriados, têm tentado adquirir um equipamento analisador de genes, essencial para o estudo das suas variações e determinar quais destes pode levar à descoberta de um grupo de doenças que estão entre as principais causas de morte em Cuba ou que aí têm uma incidência elevada. São os casos dos cancros da mama, do cólon e da próstata, da asma, dos diabetes mellitus, de doenças isquémicas do coração e da hipertensão, para citar apenas alguns. Esta jovem cientista referiu que o analisador é fabricado pela empresa norte-americana Applied Biosystems, e classifica-a como a mais avançada tecnologia do mundo para as investigações referidas. A equipe do Centro, segundo ela, trabalha em velocidade muito alta e é capaz de identificar a predisposição genética que as pessoas podem ter de sofrer as doenças mencionadas. Isso fornece uma oportunidade para mudar de vida e tomar outras medidas preventivas destinadas a evitar o seu aparecimento.


Para a Dra. Marcheco o mais absurdo é que depois de cada tentativa para aquisição do equipamento, a resposta das agências governamentais dos EUA sempre foi o silêncio, ou seja, eles não têm argumento para explicar por que se recusam a vender-nos um produto nobre e singular, cuja função é ajudar a preservar a saúde das pessoas.

Nem sequer têm o direito de entrar no site da empresa para obter informações, sendo-lhes negado o acesso ao verem que o requerente é de Cuba, disse.

Já são horas!...



Uma opinião sobre as autárquicas de ontem


As eleições de ontem foram influenciadas pelos recentes resultados das legislativas, apesar de se continuar a registar - é certo que mais nuns partidos do que noutros - uma identidade eleitoral local decisiva em vários casos de avaliação autárquica autónoma que decidem do voto. Penso, porém, que essas especificidades se estão, indesejavelmente, a esbater.

A avaliação dos candidatos pelo que fizeram ou não nos 4 anos anteriores ainda é a chave que descodifica decisões. E neste caso importa registar que, além de bons exemplos, também temos muitos outros em que o trabalho feito pelo governo no apoio preferencial a certas autarquias se tornou a chave de vários sucessos. A consulta sistemática ao que foram os planos de trabalho, as execuções, e os compromissos de todos os ministérios revela a extensão deste comportamento, excepção feita a alguns apoios a maiorias de direita porque o PS também sabe como contar com algumas delas...

Nesse sentido, posso admitir que este ciclo eleitoral, apesar do fracasso do PS nas legislativas, se vai traduzir numa maior governamentalização das relações Administração Central versus Administração Local. Mas não só nisso.
O PS sai com maiorias que lhe permitem ser mais acutilantes na privatização de diversos serviços até agora prestados pelos municípios para os alienar para grupos que se têm constituído nessas áreas, perseguições maiores a trabalhadores municipais incómodos, não só com prateleiras, mas recorrendo ao novo Código de Trabalho e afectando-os nas progressões das respectivas carreiras, vedando-lhes o acesso a funções de chefia e reencharcando os quadros com correlegionários e amigos.

O carácter clientelar de apoiantes, de chefias ou aspirantes a tal, de familiares e de círculos de favores, de apoios empresariais à actividade política, vai acentuar-se. Só quem não conhece a realidade de algumas destas autarquias poderá dizer "Olha, lá está aquele a dizer mal!...".

Neste quadro, é de valorizar os resultados da CDU, resultante do trabalho e da intervenção da CDU e dos seus eleitos, com revezes que não resultaram, em geral, de considerações negativas sobre o trabalho mas mais de deslocações de "voto útil" entre PS e PSD e de acidentes internos com eleitos. A CDU conta com novas maiorias que expressam aspirações a outro tipo de repostas às necessidades das respectivas populações.
É uma força que resiste no interesse das populações.

domingo, 11 de Outubro de 2009

Um grande salto para a Humanidade...


sábado, 10 de Outubro de 2009

Prémio Nobel ou...pagamento por conta?


A atribuição do Prémio Nobel a Obama deixou quase toda a gente incrédula...Porquê, pergunta-se em meios de diferentes opiniões valorativas dos... nove (!!!) meses de mandato do novo presidente norte-americano. Ainda por cima a contrariar, dia após dia, as expectativas que o povo americano e o resto do mundo colocaram nele?

Como é que um Comité que se desejaria criterioso na ponderação de méritos pôde tomar tal decisão? Qual a reacção de outros laureados que tiveram vidas ou períodos de investigação e descoberta férteis terão tido perante ela?

É certo que o Nobel tem sido utilizado há anos para proceder ao premiar de agentes políticos de feitos pelo menos duvidosos, mas esta decisão extravasa tudo porque nem de feitos se pode falar. Quando muito de não feitos ou maus feitos.

É para garantir a projecção internacional da imagem de Obama que se tem vindo a empalidecer depois dos múltiplos discursos à América Latina, à África, ao mundo muçulmano, etc, etc.?

Obama precisará, segundo outros em que não acredito, de peso para se desfazer dos poderes que o manietam, para afugentar riscos de homicídio de que muito se tem falado?

Mas, se isso tivesse algum fundamento, porque se não dirige ao país, ao povo que o elegeu, que lhe depositou tantas esperanças, e lhes diz que os poderes fácticos do complexo militar-industrial, da indústria farmacêutica, dos negociantes de armas, dos lobbies anti-cubano e sionista, que tanta força têm nos EUA, não o deixam cumprir as suas promessas e estão a pressionar o caos nos EUA e no resto do mundo?

As maiores críticas a esta decisão vêm do seu próprio país.

Os que admitem algo parecido com a concordância usam a expressão "é um investimento, um estímulo para a acção futura" sobre a qual tem tergiversado.

Uma espécie de pagamento por conta...sem crédito.

Calvin, Hobbes e uma espécie de empresários


sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

Frase de fim-de-semana, por Jorge



Porque matamos as pessoas que matam pessoas para lhes mostrar que é errado matar pessoas?


Holly Near

(cantora e activista de causas sociais californiana)

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Em Lisboa, viver melhor. Com a CDU.



domingo, 4 de Outubro de 2009

Parte uma grande cantora latino-americana, uma combatente de esquerda

Depois do seu internamento no mês passado, e à medida que os dias passavam, receou-se o inevitável.
Hoje Mercedes Sosa morreu.
Da sua biografia falarão os jornais. Retenho a importância da sua influencia cultural na nueva canción da América Latina, a sua prisão, o exílio, a sua voz inconfundível.

Suster o retrocesso, votando na CDU


Falando com amigos meus, há dias, a propósito do trabalho do PS na Câmara Municipal de Loures, vi confirmadas as tendências mas também muitos casos particulares que ilustram a inversão negativa ocorrida no concelho após a perda, há anos atrás, pela CDU da maioria depois de, durante muitos anos, aí ter realizado um trabalho notável, que o destacava como um concelho que mais progredira na perspectiva de satisfação das necessidades essenciais da sua população.

Retenho apenas alguns dos episódios ilustrativos.

No que respeita à segurança, em vez de apostar no aumento dos efectivos policiais – elemento fundamental mas não único para a sua melhoria – Carlos Teixeira tem preferido, para alinhar com a política do governo, optar por “contratos locais”
E “projectos-piloto”, que puderam distrair algumas atenções mas se revelaram um fracasso local bem como a polícia municipal com funções de conferir e afagar o status ao presidente.
Depois das cheias de Sacavém de Fevereiro de 2008, a SIMTEJO, empresa inter-municipal, dirigida por um amigo e correligionário, veio em socorro da incúria do Presidente e lançou-se a construir uma espécie de “auto-estrada” para a água só que o colector para onde drena, que foi construído em 1947, continua o mesmo, com grande dificuldade de manutenção e entupimento rápido que geram ciclicamente o saltar das tampas de esgoto. Construir colectores pode não dar votos por ficarem debaixo da terra mas estas vias para dar nas vistas não resolvem…
Na Bobadela, na outra margem do Trancão, a construção de um aterro ilegal foi embargada mas depois da obra estar feita e que, no tempo de chuva, irá condicionar o caudal do rio que poderão acentuar as cheias na baixa de Sacavém.
Carlos Teixeira tem duas pavimentadoras paradas no estaleiro das oficinas mas as brigadas de operários foram praticamente extintas. Teixeira opta por conceder empreitadas a terceiros. Mas as estradas e ruas do concelho estão cheias de buracos, tendo a Rodoviária cancelado circuitos devido ao estado dos pisos.
Em Loures, depois da inauguração da Escola João Villaret, sem pavilhão escolar, aguarda-se mobiliário definitivo e não mais o alugado para Sócrates a poder inaugurar antes das eleições.
Em, Bucelas, terra de bom vinho, Carlos Teixeira colocou uma nova sinalética sobre a chamada Rota dos Vinhos de Bucelas, Carcavelos e Colares. Mas a tal rota é fictícia, ficou em águas de bacalhau, e os sinais enganam quem passa numa péssima propaganda ao vinho de qualidade…apesar de ter sido referido que a rota é financiada pela CE.
Também o trabalho de prospecção das antigas fortificações napoleónicas da Linha de Torres foi entregue a privados, impedindo os técnicos municipais de o realizarem.
Há quatro anos, pouco antes das anteriores eleições, Carlos Teixeira foi entrevistado pelo extinto Jornal de Loures prometeu que, logo depois dessas eleições, poria o PDM em discussão pública (o anterior, aprovado em 1994 já devia ter sido actualizado em 2004…), o que acabou por acontecer…quatro anos depois.
Ainda na cidade de Sacavém, a recolha do lixo está a ser paga pelos munícipes a dobrar…Os SMAS não a fazem por ser “deficitária” (apesar da população pagar o serviço, incluído nas facturas da água) e a Junta de Freguesia, de maioria PS, em vez de reclamar e inverter esta situação paga a uma empresa para o fazer, não resultando essa despesa no exercício de uma competência própria mas do afectar o destino de receitas da Junta, que os munícipes também pagam, a fins que reduzem o seu uso nas competências próprias. Pois é, para õ PS da Câmara e da Junta não serem penalizados eleitoralmente, põe o munícipe a pagar a dobrar…
Mas a melhor de todas – muitas mais aqui se poderiam contar – é o amor da família de Carlos Teixeira pelo município… A esposa é Directora do Departamento, tendo recentemente renovado o mobiliário do seu gabinete. Por isso os munícipes pagaram a módica quantia de…22 mil euros, 16 mil dos quais para se sentar numa nova secretária!
Com um outro director de departamento, por sinal também filho de vereador do PS Borges Neves.
Falar na rede familiar do presidente existente na Câmara de Loures dá para um outro posta. Mas Teixeira não se importa, defendendo o direito da família a tais prerrogativas…
No seu programa para estas eleições, a CDU refere que nos últimos 8 anos Loures perdeu a imagem de inovação e progresso de que gozava.
Os problemas sociais agravaram-se. Cresceu o desemprego, degradou-se a situação económica das famílias, aumentaram as desigualdades e a pobreza. Avolumou-se a insegurança e assistimos ao encerramento de vários serviços de Saúde sem que se tenha iniciado a construção do Hospital.
O concelho perdeu as posições cimeiras que já ocupou, quando gerido pela CDU, nos índices de bem-estar, conforto e poder de compra.
A CML abandonou a dinâmica de progresso contínuo na construção de equipamentos colectivos capazes de melhorar as condições de vida dos seus munícipes.
O território municipal tornou-se, de novo, um espaço apetecível para a especulação imobiliária, que aqui tem encontrado uma Câmara Municipal sempre pronta a colaborar com o crescimento do betão e pouco atenta à
defesa do interesse colectivo.
Infelizmente, Loures é hoje um concelho de que quando se ouve falar, é quase
sempre pelos piores motivos: insegurança, cheias ou pobreza infantil.

A CDU defende que o estado de coisas que se atingiu no concelho de Loures não é uma fatalidade que não possa ser alterada, sendo urgente inverter o rumo seguido nos últimos anos, é urgente uma VIDA NOVA PARA LOURES.
A CDU quer um concelho mais equilibrado, em que a Câmara Municipal tenha políticas capazes de contribuírem para a coesão social.
O ordenamento e gestão do território, as políticas de acção social, saúde, habitação, mobilidade, segurança pública, ambiente, educação, desporto e cultura, apoio às empresas e à actividade económica podem, e devem, promover a coesão e solidariedade social, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas, objectivo que deve ser a razão primeira da política.
A CDU quer um concelho em que a opinião dos munícipes conte, um município solidário que invista nas pessoas, desenvolvido e governado para todos, capaz de valorizar o espaço público, de atrair empresas e de criar emprego.
Quer uma Câmara Municipal que tenha uma gestão municipal eficiente e acessível e com a coragem de defender os interesses do concelho em qualquer circunstância.
Para tudo isto a CDU tem propostas e construiu um Programa Eleitoral que lhes dá corpo.
O Programa Eleitoral da CDU estabelece objectivos concretos de actividade que serão, acompanhados na sua execução pelas pessoas.
O Programa que a CDU apresenta aos eleitores constitui, assim, um compromisso capaz de garantir as melhores soluções para os problemas do concelho de Loures e uma gestão democrática e participada das suas autarquias.

Para um novo internacionalismo, por Domenico Losurdo


Reflectindo sobre um novo internacionalismo, Domenico Losurdo sublinha, em artigo recentemente publicado na resistir.info, que, mesmo antes de ele ser assimilado pelos partidos e forças de esquerda, foi por eles praticado em termos que reconfiguram, nos dias de hoje, esse conceito.
Losurdo, remata a sua reflexão, concluindo:

“Encontramo-nos hoje numa situação que tem perspectivas positivas e encorajadoras:

1. sob o ímpeto da luta anti-imperialista ressurgem povos e civilizações que estavam a ser destruídas pelo colonialismo: pense-se no papel crescente dos índios na América Latina;

2. o prodigioso desenvolvimento de um país como a China quebra o monopólio tecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamam os historiadores, para quem a dada altura se abriu um abismo entre os países capitalistas avançados e o Terceiro Mundo, esta “great divergence” tende a reduzir-se;

3. A tomada de consciência da crise do capitalismo dá um novo impulso à perspectiva do socialismo para além do Terceiro Mundo, também nos países capitalistas avançados. Por outro lado vemos os países-guia do capitalismo imersos numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditados a nível internacional. Ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito de Deus e a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina de guerra e a estender a sua rede de bases militares a todas as partes do mundo.

Tudo isto não promete nada de bom. É a presença conjunta de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis a tornar urgente a construção, a nível internacional, de um novo bloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Não é uma empresa fácil, porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturais e situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo bloco histórico, que pode dar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá ser construído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistas avançados, por um lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, por outro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.”

sábado, 3 de Outubro de 2009

Irlanda: um sim, retirado à força...


A inversão do sentido de voto dos irlandeses no que respeita à aceitação do Tratado de Lisboa ficará marcado, no percurso agitado desta união europeia, como um dos mais lamentáveis condicionamentos da opinião pública.

Com o recurso a descomunais meios de propaganda e pressão, o governo irlandês, algum do grande patronato, a artilharia da burocracia de Bruxelas, e a exploração da crise económica e financeira, que particularmente atingiu a Irlanda, tudo valeu, para recuperar a visão milagreira deste Tratado, profundamente lesivo para os trabalhadores e para a democracia no espaço europeu.

Introduzir uma componente moral na inteligência artificial



Um investigador português e outro indonésio publicaram um paper no final de 2007 em que demonstraram que se pode fazer o desenho computorizado de decisões morais usando programas de lógica prospectiva, que se usam na modelação de dilemas morais na medida em que sejam capazes de um olhar prospectivo, em frente, sobre as consequências de hipotéticos julgamentos morais. Com o conhecimento dessas consequências, as regras morais utilizadas para decidir juízos morais apropriados. O raciocínio moral atinge-se através de constrangimentos a priori e preferências posteriores em modelos abdutivos estáveis, duas questões possíveis de obter numa programação lógica prospectiva.
No trabalho os dois autores modelam diferentes dilemas morais para solucionar o chamado “problema do eléctrico”, introduzido há quase cinquenta anos pelo filósofo inglês Philippa Foot e que envolve um eléctrico deslocando-se de forma descontrolada nas linhas onde estão amarradas cinco pessoas. Mas felizmente, podemos com um interruptor deslocar o eléctrico para outra via a cujas linhas está atada apenas uma pessoa. Você accionaria o interruptor? Para enfrentar este dilema os autores empregaram o princípio do efeito duplo como regra moral, e obtiveram as decisões morais adequadas.
Neste trabalho os autores partiram da constatação que a moralidade nos dias de hoje não é apenas questão de filósofos e que se tem procurado entendê-la num ponto de vista científico incluindo na com unidade da inteligência artificial onde se designa por ética da máquina, moralidade da máquina, moralidade artificial ou moralidade computacional.
Os cientistas do cognitivo, por exemplo, podem beneficiar muito da compreensão da interacção complexa de aspectos cognitivos que suportam a moralidade humana e também para obter os princípios morais que as pessoas aplicam normalmente quando defrontam dilemas. A modelação computorizada do raciocínio moral também pode ser útil em sistemas inteligentes tutorais por exemplo para ensinar a moralidade às crianças. Por outro lado, como cada vez mais se espera que os agentes artificiais sejam mais autónomos e trabalhem para nós, habilitar agentes com a capacidade de computorizar decisões morais é um requisito indispensável e, particularmente verdade quando os agentes operam em domínios onde ocorrem dilemas morais, como nos cuidados de saúde e no campo médico.
Desta forma, trabalha-se para que um dia as máquinas adquiram o sentido da moralidade, questão que não deixa de nos suscitar reflexões ou obras de arte sobre o risco de máquinas demoníacas controlarem um dia o nosso mundo e dominarem a humanidade, como aconteceu nos filmes “2001: odisseia no espaço” ou no “Terminator”.

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O contrário de uma afirmação correcta é uma afirmação falsa, mas o contrário de uma verdade profunda pode bem ser outra verdade profunda"

Niels Bohr, físico (na foto acima com A. Einstein)

China, nos 60 anos da República Popular, a continuidade magnífica de um grande país, de uma grande cultura e de tantos povos...

Os dragões de fogo de artifício com que encerrou ontem a parada depois da ode "Mãe Pátria", cantada por um coro de dezenas de milhar de cantores.

Todas as palavras arriscam a ser poucas e banais quando a China, berço de muito da nossa civilização, grande império, depois dividido, invadido e com um tratamento colonialista inqualificável, em 1949 conseguiu, contra a guerra que lhe fizeram dezenas de potências capitalistas e o Japão, hoje dá cartas em todos os tabuleiros e é requisitada para tirar o mundo de uma crise criada pela própria evolução do capitalismo.
O presidente Hu Jintao disse aos seus compatriotas para não deixarem o caminho do socialismo, afirmando que “Sessenta anos de progresso da nova China demonstrou cabalmente que só o socialismo pode salvar a China. Só uma política de reformas e de abertura pode garantir o desenvolvimento da China, do socialismo e do Marxismo”.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Onde a grandeza da natureza nos relativiza outras coisas







Considerações breves sobre a crise e a sua evolução, de Carlos Carvalhas

Neste artigo, Carlos Carvalhas, ex-secretário-geral do PCP, revela as responsabilidade de José Sócrates na gravidade da crise e o efeito da propaganda do tipo da economia portuguesa estar robusta e "outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação”.
Transcrevemos a primeira parte e remetemos o eleitor para a leitura completa no diário info.

A crise aí está a mostrar como foram erradas:

- A política do tudo à exportação, com o abandono da política da produção de bens transaccionáveis para a substituição de importações e o definhamento do mercado interno.
- A política de desindustrialização do país, com a crescente e excessiva dependência do investimento estrangeiro aumentando a vulnerabilidade e a incerteza quanto ao futuro, de que a Quimonda – que assegurava ficticiamente o nosso saldo positivo na balança tecnológica – e a Auto-Europa são exemplos.
- A política das privatizações dos empresas básicas e estratégicas e serviços públicos, que não se traduziu em benefícios para o país, antes pelo contrário. No sector financeiro por exemplo, importantes Bancos nacionais caíram em mãos estrangeiras e outros aumentaram a sua dependência. Perdeu o Orçamento de Estado, pois as receitas dos impostos sobre estas empresas diminuíram de imediato. Perdeu a economia nacional como um todo, pois o crédito – bem público – passou a ser gerido segundo os interesses particulares dos accionistas e não segundo o interesse público (1). As trafulhices no BCP, BPN e BPP – que são para já as conhecidas - evidenciam com clareza quais os desígnios da gestão privada e o pedido para a renacionalização da COSEC por parte dos exportadores, proposta já anunciada pelo governo, é a confirmação que aquela empresa nas mãos dos privados guiando-se pelos interesses particulares e de grupo não serve os interesses das exportações nacionais.
- A política de desvalorização e subalternização do investimento público; o combate ao défice com o estrangulamento da actividade económica; a submissão ao Pacto de Estabilidade e as concepções de que o mercado por si só era auto-regulador.
- A política de concentração de riqueza e da diminuição do poder aquisitivo das massas trabalhadoras e das camadas intermédias.
- O atraso com que se começou a reagir à crise, com as soberbas afirmações de que a economia portuguesa estava robusta e outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação. A primeira resposta do governo foi a de ignorar a crise com o Banco de Portugal no seu “rame rame” e em que a política orçamental esteve praticamente ausente.
- A política de gestão das nossas reservas de ouro que foram sendo vendidas nos períodos de baixas cotações com o argumento de que não eram rentáveis – o que era verdade – mas não nos períodos de crise. A displicência com que têm sido geridas as reservas de ouro e as levianas concepções que tem aparecido quanto à sua aplicação mostram por parte do Banco de Portugal e de outros “doutos” economistas do sistema, que para estes tínhamos chegado ao «fim da história » e que já não haveria mais uma crise como a que estamos a viver. Como dizia um clássico, num outro sistema o ouro até pode servir para fazer latrinas, mas no sistema vigente continua a ser um valor refúgio que deve ser gerido não de forma imobilista – boi Ápis – mas para a sua valorização e rentabilidade (2)
(...)

Notas

(1) O governo criou um grupo de contacto entre a banca e associações empresariais para avaliar as queixas dos empresários sobre gestão e concessão do crédito. “Diário Económico” 22/05/09(2) Face à incerteza da evolução do dólar a China tem vindo a comprar importantes quantidades de ouro.

Meditação, de Gerhard Richter




Belém e S. Bento entre ameaças e ligeirezas


Os recentes episódios relacionados com uma desconfiança da Presidência da República em relação a uma eventual "vigilância" sua por parte do governo e as declarações dos respectivos protagonistas, não tendo ajudado a eslarecer já o que terá que ser esclarecido, exigirá rápidamente um esclarecimento mais cabal, sob pena de deixar arrastar penosamente as relações institucionais no cenário de outros arrastões, esticões, violações e carjackings de que a democracia tem estado a ser vítima.

A "inventona" com que Sócrates arruma as suspeitas suscitadas (curiosamente um termo caro às forças reacionárias em 1974 e 1975...) e as ameaças por ele feitas depois da declaração de Cavaco ("espero não ter que voltar a...") e o m omento e a ligeireza com que Cavaco sustenta as suas desconfianças quanto ao carácter reservado das comunicações da Presidência da República, adensam um cenário há muito fragilizado das relações institucionais do Estado, banaliza-o e os portugueses lamentam o que parecem ser guerras de alecrim e manjerona, quando lhes cai em cima os efeitos de uma crise interna e internacional de que não têm responsabilidades.

Instâncias de recurso do mais alto nível descredibilizam-se em prejuízo dos cidadãos mais carentes de sinais e gestos. A nove dias do fim da campanha autárquica, Belém/S. Bento ocupam uma boa parte do espaço mediático e o Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições, parece isolado e múltiplos outros protagonistas lhe caem em cima. Analistas, comentadores, politólogos, PS e BE a ele se atiram como gato a bofe.

Há que ter em conta que não estamos num jogo de futebol em que dirigentes de clubes, de claques e comentadores desportivos costumam alinhar no "fora o árbitro". E que ainda falta algum tempo para se justificar uma pré-campanha presidencial. E digo isto sem qualquer simpatia pela acção política do actual Presidente da República, que não tenho. Mas, há limites...

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Ensinar ao patronato como aplicar as malfeitorias de Sócrates

No próximo dia 1 de Outubro, a AERLIS vai realizar uma acção de formação sobre as os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos no Novo Código do Trabalho que são favoráveis a algum patronato e um verdadeiro crime contra os trabalhadores.
Pretende este braço patronal que os patrões rapidamente se familiarizem “com a criação do contrato de trabalho intermitente e de muito curta duração, o banco de horas, os horários concentrados, a adaptabilidade grupal e a simplificação introduzida nos processos de despedimento com a supressão da fase de instrução foram algumas das medidas introduzidas no Novo Código de Trabalho. As mesmas visam permitir uma maior flexibilidade do tempo de trabalho e uma diminuição de custos para as empresas”.

Nesta sessão os participantes serão “esclarecidos” sobre quais os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos pelo Novo Código de Trabalho e como efectuar a implementação destas alterações com recurso aos sistemas de informação.

Relembre-se a propósito que no seu site (http://www.aerlis.pt/), a AERLIS se define como movimento de descentralização iniciado pela AIP, Associação Industrial Portuguesa, que resultou na criação de Associações Empresarias Regionais (AER), das quais a AERLIS representa o distrito de Lisboa com os seus 16 municípios.
Diz-se aí que o objectivo da AERLIS é criar condições para um desenvolvimento sustentado (???)do tecido económico e social (???), em consonância com os interesses das empresas (de quais???), das regiões (???) e dos municípios (???) onde se inserem.
Aí também se consagra que a missão da AERLIS se consubstancia na prestação de serviços de qualidade às Empresas da Região de Lisboa, tornando-as mais competitivas nos mercados onde operam e na representação e defesa dos seus interesses junto das diversas instâncias estatais e privadas (neste caso deve ser o inverso, isto é, a representação da defesa das políticas e decisões do governo junto das diversas instâncias privadas, não???).

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Agora as autárquicas!

Versão corrigida

Ontem à noite os meus sentimentos eram contraditórios face aos resultados eleitorais.
Satisfação por o PS ter perdido a maioria absoluta, o que resultou essencialmente por deslocação de votos de esquerda do PS para o Bloco. Satisfação pelo reforço ligeiro da CDU em votos, percentagem e deputados eleitos. Satisfação por a direita se ter mantido em minoria, perdendo margem de manobra que só lhe poderá restar se o PS a isso aceder. Satisfação pela derrota da arrogância, que só renascerá num outro contexto político com motivações provocatórias.
Insatisfação por a deslocação de votos do PS se não ter feito em termos significativos para a CDU, tendo optado por uma plataforma onde a transitoriedade das opções dão mais sentido ao protesto do que à alternativa. Por o PCP, o grande animador e organizador dos grandes movimentos de protesto contra a política do PS, não ter disso beneficiado eleitoralmente, não pelo facto em si mesmo mas pelas interrogações que isso coloca à possibilidade de ser interrompido o caminho de destruição dos dirigentes socialistas.
Quando o PS ontem proclamou vitória, tendo sido ele o único partido que baixou os resultados. Quando Sócrates disse que quem tinha sido escolhido para formar governo fora ele e não os outros, quando os seus porta-vozes insistiram que o rumo político se manteria, é de prever que entrámos numa fase de acordos explícitos com a direita ou que prepara um caminho de provocação e chantagem.
Mas Sócrates foi derrotado e a bipolarização quebrou-se. E disso tem que saber ler os sinais.
Agora, vamos às autárquicas porque estes resultados foram promissores.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


O mundo, se o puder ser, só será salvo pelos insubmissos

André Gide (Diário)

Estrangulamento financeiro da segurança social pelo CDS, PSD e PS e a tentativa de criar um mercado para fundos de pensões privados, por Eugénio Rosa



Os programas eleitorais do CDS e do PSD contêm medidas que, se forem implementadas, criarão problemas graves à Segurança Social, já que poderão pôr em causa a sua sustentabilidade financeira e mesmo o pagamento das pensões no futuro. Infelizmente no debate eleitoral, e mesmo por parte das organizações dos trabalhadores, essas medidas não mereceram qualquer posição ou intervenção, ou então passaram despercebidas.

O CDS apresenta uma proposta que coincide com a que Bagão Félix apresentou em 2004 quando era ministro. E essa proposta consiste em estabelecer um limite ou "plafond" (6 salários mínimos nacionais) acima do qual empresas e trabalhadores deixariam de descontar para a Segurança Social e a parte dos trabalhadores seria aplicada em fundos de pensões privados. Os trabalhadores seriam duplamente prejudicados. Em primeiro lugar, as contribuições acima desse limite que as empresas entregam agora à Segurança Social ficariam para as empresas, o que determinaria que o valor que os trabalhadores receberiam dos fundos de pensões quando se reformassem seria apenas o correspondente aos seus descontos, portanto um valor reduzido. Em segundo lugar, uma parte das poupanças dos trabalhadores seria investida em fundos pensões cujos resultados dependem da especulação bolsista, o que poria em perigo uma parte das pensões dos trabalhadores. E a Segurança Social perderia uma receita de 16.000 milhões de euros num período de 30 anos.

As propostas do PSD constantes do seu programa eleitoral são três: (1) Reduzir em dois pontos percentuais a Taxa Social Única suportada pelos empregadores até 2011; (2) Apoiar a contratação de novos trabalhadores com uma redução da Taxa Social Única em 35% e 70% , respectivamente para os trabalhadores a termo e sem termo". E a introdução, à semelhança da proposta do CDS, também de um limite ("plafond") nas contribuições para a Segurança Social. A primeira medida (redução de 2 pontos percentuais na taxa de contribuição das empresas) determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social de cerca de 750 milhões de euros por ano. Como é para vigorar em 2010 e 2011, esta medida significaria uma redução de receitas que se estima em 1.500 milhões de euros. A segunda medida – redução da taxa contributiva das empresas em 35% e em 70%, conforme o contrato for a termo ou sem termo – determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social que não deveria ser inferior a 300 milhões de euros por ano. Finalmente a ultima medida – introdução do plafonamento nas contribuições – não é possível estimar as suas consequências porque o PSD, diferentemente do CDS, não concretiza o limite contributivo.
No entanto, a introdução de qualquer limite determina uma quebra imediata de receita, porque uma parte dos "descontos" das empresas e dos trabalhadores deixariam imediatamente de ir para a Segurança Social.

Sócrates já introduziu na lei a possibilidade de implementar o "plafonamento das contribuições". Assim de acordo com o artº 58 da Lei 4/2007 aprovada pelo PS, "a lei pode ainda prever …. a aplicação de limites superiores aos valores considerados como base de incidência contributiva ou a redução das taxas contributivas dos regimes gerais". Portanto, por simples decreto ou portaria o governo poderá introduzir o chamado "plafonamento horizontal" (acima de determinado limite, por ex. 6 SMN, deixar-se-ia de descontar para a Segurança Social, e o valor dos descontos apenas dos trabalhadores seriam aplicados em fundos de pensões) ou o "plafonamento vertical" (redução da taxa contributiva paga por todos os trabalhadores, seja qual for o seu salário, e o valor assim liberto (apenas os dos trabalhadores) seria aplicado em fundos de pensões, o que determinaria uma quebra imediata das receitas para a Segurança Social, criando dificuldades financeiras a esta.
Não resta duvida que o CDS e o PSD têm assim o caminho consideravelmente facilitado para aplicar as suas propostas. O PS já lhes deu uma importante ajuda. Para além disso, Sócrates também aprovou um conjunto de medidas – redução da taxa contributiva das micro e pequenas empresas em 3 pontos percentuais; premio de 2000€ dado às empresas que contratem trabalhadores até 30 anos, etc. – que determinarão, só em 2009, uma redução de receitas para a Segurança Social em 240 milhões de euros.
No fim de Agosto de 2009, o saldo global da Segurança Social era de 628,1 milhões de euros, quando em idêntico mês de 2008 atingia 1.534 milhões de euros, ou seja, 2,4 vezes mais. Isto mostra que a crise está a ter um forte impacto na Segurança Social e que, embora estando a aguentar as graves consequências dela, o certo é que não poderá continuar a ser utilizada, como tem feito o PS e como pretendem fazer o CDS e PSD, para resolver os problemas das empresas, e mesmo para garantir os lucros de algumas empresas.
Ler este estudo na integra aqui.

CDU: o único voto útil para uma outra política

Ontem no Campo Pequeno eramos mais de 7 mil. O entusiasmo. A convicção. Não eram ainda os votos mas era a imagem daqueles em que se pode confiar para que o voto, que pode ser tão volátil, possa ter utilidade e permanecer, depois de domingo, para os devidos efeitos: uma outra política.
Sendo certo que ninguém é dono dos votos de cada um, é também certo que eles serão utilizados. Incuindo para manter quem nos quiz tourear, alterando alterando as regras da lide e que, agora, apesar de ferido na faena destes quatro anos, diz que a vai continuar a fazer mas com um olhar manso para os eleitores. Em todas as faenas há os que dão o peito mas também há os peões de brega, que nem sempre desdenham sentar-se à mesa.
Os portugueses sabem quem pegou a política pelos ditos e animou a faena. O animal já não estava em boas condições quando o soltaram. Já tinha muitas bandarilhas de esperança. Mas não estava embolado e fez tudo o que pode para se arrastar em mais uma temporada.
O inteligente teve umas entradas em falso para gáudio de algumas ganaderias velhas com uma aficción que não deixou de fazer todas as cambalhotas possíveis para se aggiornare com as regras das novas lides.
Hoje as chocas recolherão o animal e no domingo sentirá que as feridas lhe retiraram potencial de arremesso e começará a piscar os olhos para alguns camarotes.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Nalgumas noites de Lisboa


terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Liberdade, escultura de Jorge Vieira

Lula da Silva pede ao governo fantoche das Honduras que não assalte a embaixada brasileira


A carga policial sobre os hondurenhos concentrados junto à embaixada fez com que Zelaya declarasse recear pela sua vida e com que o presidente brasileiro pedisse há instantes que a embaixada não fosse invadida pela tropa.

O canal 36 viu a energia eléctrica cortada para impedir que continuasse a transmitir. A Radio Globo, a única que transmitiu directamente o regresso de Zelaya, está a ter o sei sinal sucessivamente interrompido.

Na 5ª feira aparece e no domingo... vota na CDU

Ainda sobre a síntese abiótica de hidrocarbonetos

Recebi com gosto observações de um amigo ao post que, sobre esta matéria, publiquei aqui no passado dia 20, a que respondi nos termos que podereis consultar nos respectivos comments, chamando a atenção para o interesse de que se reveste trabalho anterior do falecido cientista Thomas Gold publicado na resistir.info.
Daí resultaram tentativas de contactos com os três cientistas do trabalho que eu inicialmente tinha citado.
Goncharov, atendeu-me amavelmente e disse-me que o interesse dos três investigadores vinham de experiências e previsões teóricas anteriores (já referidas no trabalho do falecido Thomas Gold atrás referido).

Nessas experiências o metano sujeito a altas pressões e temperaturas dava origem a hidrocarbonetos mais pesados. Mas as moléculas não se podiam identificar, apresentando uma distribuição semelhante. Goncharov afirmou-me terem ultrapassado essa questão com a sua técnica de aquecimento a laser, em que puderam tratar volumes maiores e mais uniformemente, tendo verificado que o metano pode ser produzido a partir do etano e que, portanto, existe uma reversibilidade de reacções.

Retomando a questão que coloquei há dois dias, o petróleo e o gás que abastecem as nossas casas e os carros resultaram de organismos vivos que morreram, foram comprimidos, e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta da Terra. Há anos que os cientistas têm debatido se alguns destes hidrocarbonetos também poderiam ter sido criados em camadas mais profundas da Terra e sem o concurso de matéria orgânica.

Agora, pela primeira vez, os cientistas descobriram que o etano e hidrocarbonetos mais pesados podem ser sintetizados sob a pressão de condições de temperatura do manto superior da camada de terra sob a crosta e no topo do núcleo. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório de Geofísica do Instituto Carnegie, com os colegas da Rússia e da Suécia, e foi publicada, on line, em 26 de Julho passado, nas Letters da Nature Geoscience.
Legenda: Este olhar artístico do interior da Terra mostra os hidrocarbonetos a formarem-se no manto superior e a serem transportados através de falhas profundas para as profundezas da crosta da Terra. A outra imagem inserida mostra um instantâneo da reacção de dissociação do metano estudada neste trabalho.

O Metano (CH4) é o principal componente do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima na indústria petroquímica. Ambos os hidrocarbonetos, bem como outros relacionados com o combustível, se designam por hidrocarbonetos saturados, porque eles têm ligações simples e estão saturados com hidrogénio. Eles usaram uma célula de “bigorna de diamante” e uma fonte de calor laser. Submeteram em primeiro lugar o metano a pressões superiores a 20 mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar e a temperaturas que variam entre 1.300 ° F e mais de 2.240 ° F. Estas condições reproduzem as que poderão ser encontradas a 40-95 quilómetros de profundidade no interior da Terra.
O metano reagiu e formou etano, propano, butano, moléculas de hidrogénio e grafite.
Depois submeteram o etano às mesmas condições e obtiveram metano. Esta reversibilidade de reacções implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não requer matéria orgânica.
Estes cientistas excluíram catalisadores como parte do aparato experimental, mas reconhecem que os catalisadores poderão estar envolvidos no interior da Terra numa mistura de compostos.

Já não consegui obter resposta de Kutcherov que foi quem fez a declaração, não fundamentada, das promissoras perspectivas económicas, que citei no post anterior, mas que não constavam do trabalho propriamente dito, apresentado em Julho pelos três autores, parecendo ser tão só um aparte seu.

Zelaya nas Honduras: pátria, restituição ou morte!


Ontem perto da meia noite, depois de ter sido confirmadas a sua reentrada clandestina em Tegucigalpa, capital das Honduras e a sua presença na embaixada doBrasil nesta cidade, o presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de estado, dirigiu-se ao seu povo, dizendo: "A partir de agora nada nos tirará de aqui, e por isso a nossa posição é patria, restituição ou morte".


“Les habla el comandante general de las Fuerzas Armadas de Honduras que el pueblo eligió para dirigirlos y que les tendió una mano siempre. Les hago pacíficamente un llamado a la cordura, que no vaya a haber violencia en las calles. La gente que está aquí con nosotros está desarmada gritando consignas de alegría porque hoy es un día de fiesta”, afirmou Zelaya aos órgãos de comunicação na embaixada do Brasil, enquanto apelou ao povo para se aproximar da embaixada “que me ha recibido y me ha dado el apoyo en nombre del presidente Lula da Silva”. Afirmou ainda que a sua chegada pacífica às Honduras tem como objectivo iniciar um processo de diálogo nacional e internacional que, com os que participaram no golpe de estado, "hagamos un esfuerzo por Honduras y por nuestro pueblo. Yo estoy dispuesto a hacer el sacrificio que sea necesario”.


Muitos hondurenhos estão à volta da embaixada não acatando o recolher obrigatório que Micheletti voltou a decretar. Ao corte da electricidade imposto, reagiram mantendo acesas velas o os ecrans de telemóveis.

Micheletti exigiu que o Brasil lhe entregue Zelaya para ser julgado ou então lhe dê asilo político...

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

A ilha da paz, por Tomy, no Granma


Mais de um milhão em concerto pela paz, ontem em Havana

Sob o olhar firme de uma imagem de Che Guevara aplicada em ferro na fachada de um ministério, mais de um milhão de pessoas, a maioria vestida de branco, ocupou, a Praça da Revolução, em Havana, para participar num concerto pela paz.
O acontecimento foi encabeçado pelo artista colombiano Juanes - que, por isso, chegou a ser ameaçado pelos anti-castristas de Miami.
O espectáculo "Paz sem fronteiras" teve como objectivo justamente promover uma aproximação entre os Estados Unidos e Cuba.

Com mais de um milhão de participantes , o mega-concerto pela paz ontem realizado na Praça da Revolução em Havana foi um espectáculo que fará história. A iniciativa partiu de Juanes, cantor colombiano, residente na Florida, e considerado pelo US People Magazine como “a mais destacada figura do rock latino-americano na última década”. Entre outros prémios, Juanes já ganhou 17 Grammys latinos e 1 anglo-saxónico, que ontem avaliou os presentes em 1 milhão e cento e cinquenta mil, a maioria dos quais jovens.
A iniciativa foi transmitida por várias emissoras de TV dos Estados Unidos, Europa e América Latina. "Aos jovens de Miami e de todo o mundo: podemos ter diferentes pensamentos, mas, aqui, estamos pela paz. Deixemos o ódio de lado", disse Juanes, que manifestou o desejo de promover o mesmo show em Miami. E rematou "Queremos que, com o tempo, as coisas mudem e a família cubana seja apenas uma. E a melhor linguagem para chamar a atenção para isso é a da música e a da paz.”

O número de participantes surpreendeu os organizadores. A multidão - que ultrapassou a da missa ao ar livre de João Paulo II, em 1998 ( 800 mil pessoas) – e suportou desde muito cedo temperaturas de mais de 30º C para assistir ao concerto.O show foi a segunda edição deste acontecimento pela paz. O primeiro foi organizado no ano passado na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.

Ao entrar no palco, Juanes vibrou: "Não posso acreditar no que os meus olhos estão a ver, é o sonho mais bonito de paz e amor que tive depois dos meus filhos".

Desde que anunciou a intenção de promover o concerto em Cuba, Juanes suscitou a ira de muitos exilados cubanos em Miami, feudo do anticastrismo, onde Juanes mora com a sua família. Vítima da intransigência, o cantor recebeu ameaças de morte e viu os seus discos serem quebrados com golpes de martelo.

Ontem, a expectativa para o concerto era tanta que até o presidente dos EUA, Barack Obama se lhe referiu. Elogiou a iniciativa, mas respondeu que não se deveria dar uma dimensão exagerada ao efeito de espectáculos como o de ontem e da diplomacia cultural. com Cuba para a retomada das relações entre os dois países. "Não acredito que esse tipo de evento prejudique as relações Estados Unidos-Cuba", disse Obama. Já o dirigente venezuelano Hugo Chávez não poupou elogios ao evento, que qualificou de "maravilhoso".

Ontem, no Palácio de Cristal com a CDU




domingo, 20 de Setembro de 2009

O petróleo e o gás natural só resultam de fósseis animais e vegetais? Há petróleo no Beato?

A origem orgânica do petróleo e gás natural é explicada por múltiplas evidências, das quais a mais aceite hoje , é a de que, tal como no caso do carvão, eles resultariam da transformação prolongada de fósseis animais e vegetais em ambiente anóxico (sem oxigénio) depois de uma deposição inicial na superfície terrestre e no fundo dos mares e lagos, alojando-se em bacias sedimentares e sofrendo transformações suscitadas por bactérias, que, por alterações tectónicas e as falhas que estas produzem, permitissem fazer chegar à superfície diversos hidrocarbonetos
Mas que seja só por esta via que as duas preciosas fontes de energia se originam já divide investigadores.

Não vou inclinar-me para uma dessas atitudes porque não estou habilitado para isso, se bem que seja questão que há muito me suscita interesse. Nem entrar pela especulação de que esta seria uma alternativa de fonte de energia que não limitasse a prospecção a jazidas de origem fóssil. E ainda menos que não teria razão de ser o receio expresso por tantos nas últimas dezenas de anos de que teríamos que encarar o fim do fornecimento do petróleo.

Em Julho deste ano, um livro (1) dava conta de investigações realizadas no Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo que demonstravam que os fosseis animais e vegetais não eram obrigatórios nestes processos, conclusão que abriria a hipótese, que referimos atrás, de poder ser muito mais fácil encontrar estas fontes de energia e em todo o globo.

Estas investigações têm envolvido centros russos, suecos e norte-americanos que estão a contribuir para que a teoria da origem orgânica destas fontes de energia coexista com uma outra, a teoria inorgânica ou abiótica sem intervenção de matéria viva) com cada vez maior aceitação nos meios científicos.

Não as desenvolvendo agora aqui, importa reter que esta corrente dispõe também de fortes argumentos para uma não aceitação da teoria orgânica. Ao mesmo tempo que afirma não ter que se aceitar que o ciclo do carbono se restrija à superfície da crosta, sendo mais razoável aceitar que o Carbono é continuamento bombado para a superfície devido às altíssimas pressõe3s do interior da Terra.

A possibilide de sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica deu no passdado muita força à teoria dos combustíveis fósseis.
Mas agora é possível sintetizar etano (C2H6), a partir do metano (CH4) e outros hidrocarbonetos pesados num ambiente sem matéria viva, fóssil.

A utilização de uma cápsula e pressão, conhecida como bigorna de diamante (ver esquema ao lado) e uma fonte de calor a laser, os cientistas submeteram o metano a pressões mais de 20 mil vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1200º C, reproduzindo assim as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilómetros de profundidade.
No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano, demonstrando a reversibilidadfe das duas reacções.
Essas reações demonstram que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria .

A opção por esta teoria, segundo os autores, levaria a um drástico abaixamento dos preços de extracção de petróleo e gás natural e dos preços ao consumidor industrial e doméstico e à generalização a todo o mundo de novos estudos para novas captações em locais até agora não explorados.

O entusiasmo que esta perspectiva pode gerar terá que ser temperado com a necessidade de novas investigações que os autores referem, para além das implicações da reconversão de toda a tecnologia envolvida
Mas seria uma alegria que daríamos ao Raul Solnado sobre a possibilidade da descoberta que fez há uns anos: "Há petróleo no Beato!!"...
(1) "Methane-derived hydrocarbons produced under upper-mantle conditions", Anton .
Kolesnikov, Vladimir G. Kutcherov, Alexander F. Goncharov, Nature Geoscience26 July 2009Vol.: Published onlineDOI: 10.1038/ngeo591

sábado, 19 de Setembro de 2009

Trabalhadores de Saragoça contra 1700 despedimentos na Opel


Foram muiitos milhares de trabalhadores que hoje ssaíram à rua em Figueruelas (Saragoça) para impedirdespedimento de 1750 dos 7500 que a empresa tem nesta localidade.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"A dúvida cresce com o conhecimento"


Goethe ("Provérbios em prosa")

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

No adeus a Juan Almeida

Almeida fue uno de los mejores capitanes…, el compañero leal, el compañero amable, el compañero que compartía contigo, el compañero que contigo y por ti… estaba dispuesto a dar su vida.
Fidel


Nas fotos com Camilo Cienfuegos, com Che Guevara, com Fidel e Raul














Cartoon de Monginho

in Avante!

Ó Zé, não foi porreiro, pá?...