sábado, 6 de Fevereiro de 2010

A crise da política do governo, ontem na baixa de Lisboa

Eram dezenas de milhares os trabalhadores da administrção central e local. E não faltaram os "meus miúdos" do pelouro da juventude da CML de há 15 anos atrás. Como eles cresceram...






















sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge



“Die Anatomie ist das Schicksal"

"A anatomia é o destino"



Sigmund Freud (Studienausgabe 5)


quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Exposição do PCP sobre a “Revolução Republicana na História da Luta do Povo Português”



O PCP inaugurou uma exposição, no Porto, sobre a «Revolução Republicana de 1910 na História da Luta do Povo Português». Albano Nunes, do Secretário do CC do PCP, apresentou a primeira de um conjunto de iniciativas que o PCP vai promover com o objectivo de contribuir para um melhor conhecimento do que foi e do que representou esta revolução. Para o PCP é uma oportunidade para aprofundar o conhecimento da história contemporânea do nosso povo (...) e tirar lições para a luta do presente.»


Ver aqui a interessante intervenção de Albano Nunes.

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

A República, segundo Mário Soares, na RTP

Chega-nos a notícia de que está em preparação uma série televisiva que passará
na RTP em Outubro, por altura da comemoração do 100º aniversário da
proclamação da República - série que, em oito episódios de 50 minutos cada,
se propõe falar-nos de «cem anos de política portuguesa, entre 1910 e 2010».
Ora aí está uma excelente ideia!

A notícia prossegue, informando que esses cem anos chegar-nos-ão «através do olhar privilegiado de Mário Soares», que é «a personagem principal» da série
e que nos «vai contar as suas memórias».
Ora aí está como se estraga uma excelente ideia!

A notícia diz, também, que «o testemunho de Mário Soares será, depois,
cruzado e confrontado com os testemunhos de outras personagens» pertencentes«a todos os quadrantes políticos».
Lendo os nomes dessas «outras personagens» constata-se que estão lá «todos
os quadrantes políticos»... menos o dos comunistas...
Ora aí está no que uma excelente ideia pode dar!

Quem está a realizar a série é um cineasta sobrinho de Mário Soares, de seu
nome Mário Barroso - apoiado numa «equipa ecléctica de oito intelectuais»,
ou seja: também pertencentes «a todos os quadrantes políticos».
Lendo os nomes dos oito eclécticos constata-se que nenhum deles é comunista
- nem pouco mais ou menos...
Ora aí está a ideia!...

Posto isto, está-se mesmo a ver o que aí vem: é uma série portuguesa,
concerteza, é concerteza uma série portuguesa...
(texto de António Almeida...imagem de bandeira negra)

Organizações Não-governamentais ou instrumentos das multinacionais?



O jornalista Julien Teil, em recente artigo, aborda a questão dos numerosos programas de solidariedade internacional sustentados por organizações inter-governamentais e a sua relação com ONGs e comunicação social. Alguns deles parecem não representar os valores e ideais que reivindicam. Existem entre eles relações. O autor aborda o conceito nascido nos anos 90 e um programa de solidariedade que está a decorrer.

Nele são analisadas as relações que se estabelecem para permitir discernir a perspectiva em que se empenham.

Apesar das claras divergências entre a “sociedade civil” e as empresas privadas transnacionais, as ONGs alinham mais com os Estados e as empresas privadas do que serem independentes ou contra-poderes, como quiseram criar algumas ideias, hoje já muito “carecas”. As ONGs (muitas delas) entraram em deriva e passaram a representar progressivamente a defesa de interesses alheios à democracia. A ideia que também vai fazendo o seu caminho de um governo mundial a que as ONGs estariam, associadas é uma perspectiva ainda pior e contraditório com o próprio conceito de democracia.

Cooperação petrolífera sem guerra



O ano que passou foi marcante no que respeita à “guerra da energia”. Sucessivos acontecimentos provaram a capacidade de países produtores da Eurásia fazerem entre si acordos com que os EUA nada têm a ver. Com impacto, portanto, na descentralização de iniciativas que favoreçam desenvolvimentos regionais. É a razão a falar mais alto que a guerra que tem assolado o Iraque, o Afeganistão, e que pode afectar o Iémen, determinada pelos esforços “ocidentais” de dominarem a produção, a distribuição e os preços do petróleo, muito longe dos seus próprios territórios.

Em Janeiro foi inaugurado o gasoduto que liga o norte do Irão, na bacia do Mar Cáspio com às jazidas petrolíferas do Turquemenistão. Em Dezembro a abertura de um novo oleoduto que junta as novas jazidas da Sibéria à China e aos novos mercados asiáticos do Pacífico, com um orçamento de 22 biliões de dólares. E ainda em Dezembro a inauguração do gasoduto chinês e do terminal petrolífero junto ao porto de Nakhodka na Sibéria Oriental.

Como poderá ler mais desenvolvidamente neste artigo, poderá assim ficar aberto um caminho de harmonização de interesses em conflito entre China, Rússia e Irão com vista a uma cooperação pacífica vantajosa para toda a Eurásia.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Voos na zona em tempo real


Clicar no endereço e aparecem no mapa todas os aviões em voo na região. Podemos escolher diversos tipos de mapas e se clicarmos sobre o avião temos varias informações sobre o voo, como por exemplo origem, destino, o tipo de avião, a companhia, http://www.navpt.com/.com/

Mário Crespo saneado do JN após intervenção do governo


O Jornal de Notícias não publica hoje a habitual crónica de Mário Crespo.

O texto de opinião aborda um encontro, onde Crespo foi referido por membros do Governo como um «problema» que tinha de ter «solução».

Leia a crónica não publicada aqui.

Menos Estado?


A direita fala menos no Estado a mais. Lá terá as suas razões. Talvez até ganhe com isso.

Teixeira dos Santos não gostou de alguns palpites de empresas de rating mas logo corrigiu o que poderia ter sido um lapsus linguae que colocasse no centro das atenções a forma como o seu e outros governos alimentam lógicas de que estas empresas são apenas uma parte e que carecem de um Estado a funcionar à sua maneira.

Vejamos.

O Estado despoja-se de gabinetes de estudo, de quadros com saber fazer de apoio às decisões políticas. E recorre a outsorcings (estudos, consultorias, etc.) cujas encomendas de trabalho são tanto menos avaliadas pelo Estado quanto este se vai despojando de meios e competências para o fazer.

Outsorcings esses que por sua vez vivem à custa do Estado mas, ao mesmo tempo, orientam as conclusões dos seus trabalhos ora por interesses privados associados às matérias em análise ora por interesses de quadros do Estado que aí pressionam opções que favorecem interesses privados aos quais estão vinculados de forma mais ou menos explícita.

Naturalmente que todas as irregularidades de decisões que acarretam despesas significativas do Estado, já detectadas pelo Tribunal de Contas, a imprensa e a opinião pública (passe o termo) e outras por detectar foram precedidas de estudos de "entidades credíveis" (que quando diferentes interesses privados concorrem até são capazes de fazer estudos de conclusões contrárias...). O próprio governo recorrer a agências de rating para pressionar movimentos de opinião quer "fundamentem" as suas políticas. Os ratings relativos a escolas e hospitais são frequentemente baseados em amostras enviesadas, não representativas, não permitindo comparabilidades globais ou parciais, analisam resultados pontuais despidos de contextos. É um fartar vilanagem. Mas às vezes algumas multinacionais de rating têm interesses mais altos a servir e lá vêm os nossos ministros a espirrar sem porem em causa todo um sistema que está instalado para lhes servir os propósitos.

O Estado funciona como plataforma: compra opinião de interesses privados que produzem o esboço de decisões de novas despesas que sirvam interesses privados associados aos anteriores. Pescadinha de rabo na boca com muita gente a comer, incluindo alguns operadores de plataformas que uns tempos mais tarde, pelo know-how adquirido na trafulhice, até são cooptados para administrações de empresas que se habituaram a favorecer. Mais um pagamento...

Quem diz aqui, diz em instâncias internacionais. Temo-nos referido a organismos como a OMS ou o IPCC da ONU. Ambos os organismos compram pareceres em outsorcings, dando-lhes mesmo às vezes assento em órgãos de preparação de decisões. Conclusões conhecemo-las. Os disparates no aquecimento global como contenção ao desenvolvimento do 3º mundo, servido já uma série de grupos de trabalho, de reflexão, etc., associados a estudos para que esses estados apresentem projectos de utilização dos seus créditos de carbono que disponibilizam. Ou as fraudes de que a OMS tem aceite ser elemento de credibilização promovidas pelas multinacionais farmacêuticas, como está a acontecer com a gripe A. Ou as grandes multinacionais de rating que não souberam prever a crise financeira internacional, antes chegaram sempre a meter nos primeiros escalões as opções que geraram essa crise.


Enfim, menos Estado para quê?

E concluímos: para sacrificar os trabalhadores da administração pública, nos seus salários, nos seus direitos, nas suas carreiras.

Por essas e por outras lá estaremos na 6ª feira na manifestação da administração pública.

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge




"O cinema é uma invenção sem futuro"



Louis Lumière (1896)

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Francisco Silva diz que o «Ocidente» devia ser modesto e educar os filhos com verdade

"...Acredito que qualquer destes dois bem interessantes livros poderá vir a ser, mais cedo que tarde, publicado em português…e em Portugal. Sobretudo o primeiro dos dois. Com efeito, o primeiro destes livros, escrito por um Gavin Menzies já famoso pela divulgação da precedência chinesa nas navegações «globais» sobre os europeus, e nomeadamente sobre os portugueses, desenvolve agora um tema ainda talvez mais arriscado: o do modo como os conhecimentos científico/científico&tecnológico transmitidos pelos chineses, em particular na Itália, imediatamente pré-renascentista, serviu de ignição para o arranque da Renascença. O segundo livro foi escrito, como se referiu, por Ehsan Massod e versa outro tema, não direi arriscado, mas que a intelligentsia e os poderes do Ocidente se esforçaram, ao longo dos tempos, por minorar, senão rasurar das memórias: a história brilhante da ciência no Islão, nomeadamente até bem dentro do século XVI, até à fase nova quando o Ocidente, liderado pelos portugueses, começou a estender os seus tentáculos por tudo o que era Mundo, incluído pela grande mancha geográfica islâmica - ou, dito na típica maneira de quem chegou a terra de ninguém, nos tempos em que os portugueses foram cognitivamente acrescentando novos mundos ao Mundo e em que as pegadas ocidentais nesses novos mundos se foram sucessivamente afirmando..." (ver texto integral no Avante! de hoje)

Das pampas nos chega um recado da presidente argentina: Carne de porco é melhor que Viagra



A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, recomendou na quarta-feira o consumo de porco como alternativa ao Viagra, contando que passou um fim-de-semana romântico com o seu marido e antecessor, Néstor Kirchner, depois de um churrasco com essa carne.

«Acabam de me dizer algo que eu não sabia: comer porco melhora a vida sexual (...). Eu diria que é muito melhor comer um pedaço de porco grelhado do que tomar Viagra», disse Cristina a suinicultores. Contou ainda que recentemente comeu porco e «as coisas correram muito bem naquele fim-de-semana, então pode bem ser verdade.»

Os argentinos têm o maior consumo per capita de carne bovina, mas o governo tem tentado promover a carne suína como alternativa nos últimos anos, para diversificar o mercado. «Tentar não custa nada, então vamos lá», disse Cristina Kirchner no discurso, transmitido pela TV.

(diário digital, hoje)

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Ainda o Avatar...



Diz o Público que este se candidata a se um recorde de bilheteira, na senda do Titanic. James Cameron trabalhou para isso e R. Murdoch, apesar de avesso à mensagem do filme, vai gostar do resultado do filme em maravedis...O conteúdo é uma antevisão dos destinos a que capitalismo e imperialismo podem levar o planeta, na sobre-exploração de riquezas n aturais e consequências no ambiente, e o risco que isso constituiria para seres de outros planetas, alvos dos apetites dos dirigentes terráqueos. Esta situação dá a pista a um dos seus operacionais para se transformar e aproximar dos na’vi para resistir ao invasor. Já o disse algures, o filme parece-me demasiado longo.

A direita, os apoiantes incondicionais da administração norte-americana e alguns sectores da Igreja Católica, consideram o filme como um discurso de Chávez ou uma catilinária de Chomsky…

As crianças não verem este filme é ambição censória de outros, ceguinhos que parecem estar à consideração de que os na’vi somos nós próprios que aqui lutamos contra este sistema injusto. É isto e não a remissão para seres extraterrestres do nosso futuro que assusta alguns pretensos psicólogos infantis…

Descontraído retoque



Hoje tive o privilégio de ir sentado no Metro. Em frente a mim, uma senhora de uns trinta anos puxa por dois estojos, afasta os cabelos e entrega-se a uma actividade meticulosa de melhoria do visual. Ele eram tintas, batons e pós (me desculpem os entendidos se a nomenclatura não é a mais adequada), pincéis e uma espátula (?). Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas, as pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela, indiferente, nem nos olhou. Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas e pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela indiferente, nem nos olhou.


ula (?). Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas e pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela indiferente, nem nos olhou.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

No "Entrecopos" hoje


A minha filha mais nova, a Inês, fez hoje anos e lá fomos, não cantando e rindo como os outros de má memória, mas rumando a um restaurante de boa memória, o Entrecopos, ali na Rua de Entrecampos, na banda do Campo Pequeno, hoje irremediavelmente cortada.

O Mário tem ali local de boa comida e bebida numa razoável relação qualidade-preço.

Apetitosas são as entradas de saladas de polvo e ovas, as perninhas de polvo panadas, os enchidos.Que marcham todas a ritmo acelerado.

Os pratos são de boa qualidade, sem requintes mas frescos e com sabor autêntico. Variam entre os 8,5 e os 14 euros. Os doces são razoáveis e a preços aceitáveis entre 2,5 e 5,5 euros, o mesmo se dizendo das frutas entre 1,5 e 3,5 euros.

Uma boa grelha, peixe variado a peso e encomendas prévias de leitão à Bairrada, cabrito em forno de lenha, massa de cherne e lampreia (na época respectiva) oferecem uma boa variedade de opções.

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010

Vox populi



Manuela Ferreira Leite e Portas correm para ver quem vai primeiro à entrevista com Sócrates. É uma cena comovedora, bem ilustrativa do sentido de estado e de responsabilidade dos nossos abençoados governantes e convidados para o banquete... Benditos os filhos desta pátria que tantos exemplos têm dado ao mundo. Agora, sim, durmo descansado, et pluribus unum.

Frase de fim-de-semana, por Jorge




“Deus abençoe o ateísmo”



Pat Condell (escritor e crítico inglês contemporâneo)

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

6 A 27 FEV / 13 MAR



Sábados às 17h30

Entrada 5 euros

M/6

As palavras e a música preenchem cinco tardes no Jardim de Inverno. Recordam-se cinco poetas através da sua cumplicidade com os actores que os lêem.


6 FEV
ALBERTO DE LACERDA POR JORGE SILVA MELO
JOÃO ABOIM piano

Música W.A. Mozart

13 FEV

LUIZA NETO JORGE POR LUIS MIGUEL CINTRA
JOÃO PAULO SANTOS
piano

Música Jorge Peixinho

20 FEV

MARIO CESARINY POR GRAÇA LOBO

OLGA PRATTS piano
Música Fernando Lopes Graça

27 FEV

SOPHIA DE MELLO BREYNER POR BEATRIZ BATARDA
BERNARDO SASSETTI
piano

Música Bernardo Sassetti

13 MAR

HERBERTO HELDER POR MARIA JOÃO LUIS
IRENE LIMA
violoncelo
Música J.S.Bach

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

“Poesia para a alma”, de Dulce Antunes






Lançamento, sábado, 23, das 16.30 às 19 h, na livraria “Enfants terribles” (cinema King). Apresentação de Ana Andrade.

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Haiti:a incompetência dos EUA e da ONU


A notícia de que a força norte-americana no Haiti distribui bens de primeira necessidade deitando-os de helicóptero é a demonstração do completo falhanço em alguns aspectos dessa força.

É incompreensível que a força militar com maior preparação não tenha, no terreno, por si só ou em coordenação com outros, que sempre deveria ter feito, montado um esquema de segurança adequado a este tipo de situações, bem conhecidas no âmbito da protecção civil. E de imediato por ser previsível que a pungente necessidade de água, comida e roupa, para além dos medicamentos, levaria a movimentos de pilhagens, agressões, desesperos diversos, característicos destas situações e que qualquer fora de intervenção conhece ou devia conhecer.... Não tendo criado essa segurança lá onde estava a população e as principais consequências do sismo, todo o apoio com estes géneros começou a perder eficácia.

Naturalmente que desconto já o exagero resultante da generalização mediática deste tipo de problemas, que, por necessidades comerciais de audiências levam muito jornalistas a optar por tal atitude. Mesmo podendo ser poucas as situações, se esta segurança não for feita já para garantir a assistência a dimensão da catástrofe poderá conhecer novas vertentes.

O povo do Haiti precisa de nós.

Vários países estão a operar no terreno, com grande eficácia, desde o day after na assistência médica, por exemplo. De repente as coisas complicam-se.

São os EUA a quererem ser os únicos a mandar no único aeroporto, com critérios mais que discutíveis nas permissões de entradas e saídas, afectando a intervenção eficaz de outros países (França, AMI portuguesa, etc). e a não criarem as condições de enquadramento seguro do apoio quando são eles quem mais condições têm até pela formação de "ajuda humanitária" em teatros de guerra que tem criado.
Não nos podemos esquecer a realidade em que já viviam com metade da população a viver à custa de remessas de emigrantes. Deste povo que realizou a primeira grande revolução social quando quatrocentos mil escravos se revoltaram contra os vinte mil brancos que os escravizavam na apanha do café e da cana-do-açúcar. Mas que sofreu com o colonialismo e o imperialismo posteriores, atingindo um grau de pobreza extrema.

E importa estar atento às tentações da administração americana, como referia ontem Naomi Klein ao "Democracy Now":
"Devemos ter muito claro que esta tragédia - que é em parte natural e em parte não - não deve, em nenhuma circunstância, ser usada para: primeiro, endividar ainda mais o Haiti, e segundo, impor políticas impopulares a favor das nossas corporações. Isto não é teoria da conspiração. Tem-no feito repetidamente", disse.
Também no seu site (naomiklein.org), Naomi denuncia que a Heritage Foundation, "uma das principais exploradoras dos desastres para impulsionar políticas impopulares a favor das grandes empresas norte-americanas", já está a fazer campanha para que a resposta dos EUA ao terramoto no Haiti deva servir para aplicar "reformas" na economia e no governo do país e também para "melhorar a imagem dos Estados Unidos na região".
Os EUA têm uma responsabilidade moral muito grave na sobre população da capital, que ofereceu mais vítimas, como aconteceu noutras cidade. Já a partir de 1957 com o início da ditadura terrorista de Papa Doc, que depois se seguiu com o filho Baby Doc até ao fim do regime com a revolução de 1986, os EUA pressionaram um"apoio" que se traduziu no abandono do campo e a pressão demográfica sobre as cidades em cujas imediações se não criaram as condições produtivas alternativas para uma elevação das condições de vida e da actividade económica. Mas, entretanto, as riquezas do país continuaram a ser pilhadas.

Atribuir agora à "populaça" e à pilhagem" (como o estão a fazer as grandes cadeias de TV norte-americanas) o curso dos acontecimentos bem como despejar apoio das alturas são um estilo que não apaga da nossa memória a responsabilidade do império.

sábado, 16 de Janeiro de 2010

Um herói da classe operária

Joe Hill é o nome abreviado de um trabalhador sueco que emigrou para os EUA no último quartel do séc. XIX, onde se tornou dirigente do sindicato Industrial Workers of the World (IWW).

Era ao mesmo tempo cantor e intérprete de canções.

Depois de várias perseguições foi vitima de um processo que levou ao seu fuzilamento no estado do Utah em 1915. As suas cinzas foram enviadas em envelopes para todos os locais de implantação do sindicato e atiradas ao vento, simultaneamente, no dia 1 de Maio de 1916.

Em seu tributo foram feitos muitos poemas e canções. Uma delas, conhecida apenas por Joe Hill foi cantada por Paul Robson, Pete Seeger, Joan Baez, os Dubliners e outros. Apresentamos aqui a interpretação de Billy Bragg sobre a letra de Phil Ochs.

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge





"O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão de conhecimento"


Stephen Hawking (físico)

quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Comentários a propósito da discussão do Orçamento



Nos últimos dias, a propósito do Orçamento de Estado, tenho registado a frequência com que se fala particularmente de


1. Vai haver acordo com a “oposição” (entenda-se PSD),

2. PS e PSD têm a mesma estrutura ideológica e política e

3. As empresas têm dificuldades e não se safam? Paciência…Ou ainda os salários deveriam ser reduzidos e não só “congelados” ainda por cima tendo sido aumentados há pouco tempo…

4. A quem compete governar é ao governo…


Os comentários que me suscitam são


  1. O PS prepara-se para fazer entendimento à direita que, seguramente, se não vai traduzir apenas em propostas aceites para ficarem no texto da lei mas também por baixo da mesa.

  2. A actual estrutura ideológica e política é a mesma hoje e, no caso do PS, por vezes com posições mais à direita que as do PSD. Mas nem sempre foi assim tão evidente. Ambos se deslocaram à direita desde a sua formação inicial. A contra-revolução de 75 juntou-os e foi Sá Carneiro quem se aconchegou a Soares. O bloco central confirmou as perspectivas promissoras da partilha inicial do aparelho do estado e das principais políticas. A partir daí alternaram-se no governo mas continuaram a fazer o mesmo, com resultados semelhantes, e com muitos, muitos mesmo, acordos tácitos aos mais diversos níveis.

  3. A preocupação com o (s) défice (s) todos a têm mas se as medidas para lhes fazer frente forem tomadas fora de uma dinâmica de crescimento, matam (em termos económicos e sociais) e o que se mata não se recupera.

Mais do que insistir nestas teclas, importa ir buscar outras formas de conter o défice orçamental.

No caso das pequenas e médias empresas, reduzindo a taxa nominal do IRC mas agravando em termos equivalentes os lucros das grandes empresas com lucros superiores a determinados valores e acabando com o Pagamento Especial por Conta e o IVA a 30 dias, atendendo, por um lado, ao grande papel que estas empresas têm na criação de bens transaccionáveis (e não só), na maior dificuldade relativa na obtenção de crédito e nas condições de fornecimentos. Ou ainda taxar efectivamente as mais-valias bolsistas.

No caso das prestações sociais fazendo subir as pensões e reformas mais baixas que acompanhem a subida do salário mínimo e na administração pública obter a recuperação da perda real de salário ao longo dos anos que os mais recentes aumentos não recuperaram significativamente.

Os comunistas apresentaram ao PS propostas concretas com estes objectivos.


  1. É claro que quem governa é o governo mas o resultado das eleições de Setembro clarificou que era à esquerda que o sentido de entendimentos se deveria fazer. Não só a identidade das posições com o PSD não permitiam dar outro entendimento tanto mais que o PSD foi-se abaixo…E isso quer dizer, como muitos observadores, que não os “economistas do regime” têm salientado ser necessário, a saber, a melhor distribuição da riqueza criada, maior equidade fiscal, mais criteriosa utilização dos recursos públicos de maneira a potenciarem o crescimento económico, acabando com os favores a clientelas…

quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Haiti - anos e anos de sofrimento




terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

OMS sob suspeita: Conselho da Europa decide inquérito


O Correio da Manhã de hoje traz para a 1ª página uma matéria que há muito tenho vindo a tratar no meu blog: poder ter a indústria farmacêutica, através dos lobbies que tem junto da Organização Mundial de Saúde (OMS), criado uma onda de pânico com a gripe H1N1, para obter lucros de milhares de milhões de euros e arriscando usar vacinas não suficientemente testadas para serem utilizadas com segurança pelos pacientes.

O Conselho da Europa decidiu há dias proceder a um inquérito proposto pelo presidente da sua Comissão de Saúde, o alemão Wolfgang Wodarg, ele próprio epidemiologista, que a Comissão acolheu por unanimidade.

Wodarg aponta o dedo à OMS, onde, segundo ele, existe um grupo de pessoas estreitamente ligados à indústria farmacêutica. E afirma que o inquérito deverá fazer luz sobre tudo o que tornou possível toda a operação de intoxicação da opinião pública, quem decidiu, baseado em que provas científicas e como se terá verificado, no concreto, a influência da indústria farmacêutica nas decisões como a declaração não fundamentada de pandemia pela OMS, baseada em elementos muito insuficientes e com alteração dos critérios até aí em vigôr na definição de pandemia ou a indicação de usar vacinas já registadas de empresas privadas, que novas vacinas tinham que ser rapidamente produzidas porque as populações não teriam tido tempo para gerar anticorpos, o que também se revelou não ser verdadeiro.

Citou o caso das empresas Novartis, Glaxo e Baxter, entre outras, e referiu que, se em alguns países os respectivos institutos puseram reservas a este processo, noutros isso não aconteceu.

As consequências foram, os elevadíssimos gastos financeiros de muitos países, com vacinas, que poderiam ter resultado, como é feito todos os anos, do acrescentar às vacinas da gripe sazonal de partículas virais específicas do novo vírus.

O conselheiro e epidemiologista sublinhou que as vacinas foram produzidas muito rapidamente, tendo alguns dos seus adjuvantes sido insuficientemente testados. Acusou em particular a Novartis de de ter produzido a vacina Obta flu em bio-reactor a partir de células cancerosas sem obter a garantia de que as proteínas presentes não produzissem tumores nas pessoas vacinadas.

Se o inquérito confirmar a influência abusiva da indústria farmacêutica, Wodarg defende que os estados possam romper com ela contratos desastrosos e os doentes afectados serem indemnizados.

Wolfgang Wodarg coloca à consideração colectiva a seguinte questão: "Devemos continuar a deixar a produção de vacinas e a sua sequência a organizações cujo objectivo é obter o maior lucro possível? Ou, pelo contrário, devemos considerar que estes são, por excelência, processos a serem controlados e postos em prática pelos estados?
Por isso defende que se acabem com as patentes das vacinas, isto é que se acabe com a possibilidade do monopólio da sua produção por um grande grupo.

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Quando da Conferência de Copenhaga não havia consenso científico na ONU, segundo Thierry Meyssan

Sem que isso signifique a minha adesão total ao ponto de vista de Thierry Meyssan sobre os assuntos trazidos à cimeira de Copenhaga, entendo que é positivo equacionarmos as questões que coloca ao considerar que, ao contrário do que possa parecer, o que então esteve em debate não foi de natureza ambiental mas sim de ordem financeira associado ao relançamento do capitalismo anglo-saxónico.

Neste primeiro artigo, de uma série que anuncia na voltairenet.org, Meyssan salienta o desprezo inicial pelo facto de não existir na ONU um consenso científico que não podia existir.

domingo, 10 de Janeiro de 2010

Faleceu Aida Gonçalves


D. Aida Gonçalves, como lhe chamavam muitos amigos, faleceu.

A sua vida está indissoluvelmente ligado ao marido, o general Vasco Gonçalves, falecido há poucos anos.

Era um casal feliz e a luta de Vasco Gonçalves trouxe-lhes novas alegrias, com o 25 de Abril. Vasco Gonçalves desempenhou nele um papel central, colocando-se como a mais alta patente entre os militares que ousaram interpretar a vontade do seu povo e desencadearam, com risco das suas vidas, a revolta militar que, entrelaçada com a dinâmica popular, gerou uma verdadeira revolução. Das mais belas páginas da nossa História, em que Vasco Gonçalves se tornou um dos maiores vultos dela.

A vida de um revolucionário fica sujeita a múltiplos efeitos das contra-revoluções quando estas são vitoriosas. Vasco Gonçalves sofreu as maiores campanhas que o quiseram atingir como revolucionário, como pessoa e como figura histórica. Umas vergonha que enxotará os seus autores para o caixote do lixo da História...Adivinhamos-lhe o sofrimento mesmo quando dirigia palavras de estímulo à resistência popular contra a política de direita. A D. Aida lá esteve. Sempre. Também num lugar de combate.

Para ela a nossa homenagem e para os seus filhos a nossa gratidão.

O corpo de Aida Gonçalves está numa capela da paróquia de Santa Joana Princesa. O funeral sai amanhã para o Cemitério do Alto S. João onde será cremado às 11.45 h.

Manipulação de manchetes no "Publico"

As chefias e direcções de jornais têm um longo traquejo em aproveitar-se de reportagens e outros trabalhos dos seus jornalistas para introduzirem nas manchetes distorções dos factos no sentido de os manipular para corresponder a orientações editoriais de confronto em que estão empenhadas em nome de insondáveis solidariedades.

Hoje o Publico apresenta uma reportagem interessante sobre as condições de trabalho de 44 médicos cubanos em Portugal, como médic os de família em quatro distritos. Aconselhamos aliás a sua leitura. Mas quem faz a manchete e o lead na primeira pagem inverte completamente o que se retira do trabalho "Salários dos médicos cubanos são um mistério...a embaixada de Cuba diz que nada pode dizer sobre o assunto...". Mas na página 10 o mistério desfaz-se e na pagina 11, uma bela passagem da conversa com o jornalista do embaixador cubanoEduardo Lerner.

Apresenta também uma peça sobre a Taça das Nações Africanas onde o atentado dos dissidentes da FLEC (FLEC/PM) contra a delegação do Togo é tratado de forma satisfatória. Não o caracteriza como terrorista e acabaram por escolher para manchete "Angola queria mostrar-se ao mundo mas já perdeu a aposta"

Bem prega S. Marçal...





Segundo Marçal Grilo (administrador da Gulbenkian e da Partex Oil and Gas, ex-ministro da Educação, homem do sistema, apoiante das políticas de há uns trinta anos para cá, socialista, hoje no Público)

“ Os pais querem para os seus filhos uma escola mais exigente, porque sabem que nos dias de hoje não basta passar de ano e ter boas notas. É preciso saber, é preciso saber muito, é preciso saber pensar, é necessário ser responsável, ter iniciativa e, sobretudo, capacidade para lidar com a mudança.”


Segundo o INE (citado por Ana Cristina Pereira também no Público)

- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.

- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.

- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.

- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.

- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.

- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.

- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).

sábado, 9 de Janeiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge



“Todos sabemos coisas que cremos que os outros não sabem”



Oscar Fate (jornalista, personagem de "2666" de Roberto Bolaño)

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Militão Ribeiro morreu há 60 anos


Passam 60 anos sobre a morte do dirigente comunista Militão Ribeiro, ocorrida em resultado de torturas desumanas nas prisões fascistas, incluindo na do Tarrafal. O Avante! assinala hoje a data com um texto de Gustavo Carneiro, que cita o testemunho de Dias Coelho e do próprio Militão Ribeiro.

A evocação dos que caíram como Militão Ribeiro é um acto de respeito com a História e com as vicissitudes dos que - homens e mulheres - deram as suas vidas a uma luta que visou sempre a conquista da liberdade e o fim da exploração dos trabalhadores.

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Interesses privados põem em cheque credibilidade de organismos internacionais

1. Dois casos recentes, do ano que se passou mas cujos efeitos se prolongam, são elucidativos do que afirmamos, com a característica comum de terem fortes efeitos nos comportamentos dos estados e das populações à escala planetária.

Foram eles os casos da pandemia da gripe A, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as estimativas de aquecimento global, por parte do Painel Internacional sobre as Mudanças Climáticas (IPCC).


2. No primeiro caso, na OMS passaram a ter papel decisivo a nível consultivo “musculado” personagens como o virologista holandês Albert Osterhaus, há pouco acusado de corrupção.

A OMS passou a fundamentar as suas posições públicas em relatórios de consultores como o Grupo Estratégico Consultivo de Peritos (SAGE e Grupo de Peritos de Consultoria Estratégica) integrado pelo personagem que, por sua vez, era também presidente do grupo de trabalho europeu sobre a gripe European Scientific Working Group on Influenza (ESWI). Este último é o pivot central entre a OMS em Genebra, o Instituto Robert Koch de Berlim e a Universidade de Connecticut nos EUA e é financiado por fabricantes e distribuidores de vacinas contra o vírus H1N1, como a Baxter Vaccins, a GlaxoSmithKlein, a MedImmune, a Sanofi Pasteur e outros, como a Novartis, que produz a vacina e a Hofmann-La Roche, distribuidora do Tamiflu.


Subfinanciados pelas grandes potências, organismos como a OMS recorreram a parcerias público-privadas para aumentarem os fundos disponíveis, neste caso destinado a bolsas e ajudas financeiras, credibilizando consultores que estão ligados à produção de vacinas e que, depois, impõem declarações favoráveis aos seus interesses como aconteceu em Junho passado quando a directora-geral da OMS, Sra. Margaret Chan, ao declarar a urgência endémica da gripeH1N1 credibilizou prognósticos catastróficos de milhões de mortos que geraram uma corrida dos estados e dos cidadãos a vacinas, gerando elevadíssimos lucros aos seus fabricantes (7,5 a 10 mil milhões de dólares segundo o JP Morgan). E com a agravante da OMS ter alterado para o efeito os critérios que definiam até aí as pandemias.


Importa que se diga, para encurtar um maior desenvolvimento, que este mesmo Albert Osterhaus tem já uma longa carreira nos pânicos criados e que se não traduziram em nada que não fosse mais lucros para a indústria farmacêutica. Foram os anteriores casos do SRAS (sindroma respiratório agudo severo), em 2003 e da gripe das aves (H5N1) em 2005.


3. O outro caso ocorreu nas vésperas da recente cimeira de Copenhaga e a ele nos referimos aqui já em posts dos passados dias 2 e 4 de Dezembro.

Correu mundo a notícia, mas quem se lembra já dela?

A Climatic Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, falsificou dados fornecidos ao IPCC (International Panel on Climate Change), organismo de escasso valor científico próprio que, por sua vez, toma como boas para as previsões de alterações climáticas as previsões de modelos de escassa credibilidade.


Neste caso, a fraude levou à denúncia pelo New York Times, secundada por muitos investigadores que não beneficiam, directa e indirectamente, das prestações de serviços obtidas junto de organismos públicos por organismos que funcionam a partir de universidades a que vão buscar credibilidade para produzirem os seus “estudos” que depois fundamentam as decisões políticas.


Com isto não quero negar, até porque não tenho competência para isso, a afirmação que a emissão de gases com efeito de estufa não estejam hoje a fazer perigar mais do que aconteceu em situações históricas passadas as condições de vida na Terra. E, pela mesma razão, não me filio em qualquer uma das correntes, uma que diz que sim, que isso está a acontecer e a outra que diz que sempre houve alterações climáticas e que não há dados que provem que a intervenção humana esteja a provocá-la, atribuindo à primeira o carácter de propagandista e provocadora de pânicos que geram comportamentos que beneficiam importantes interesses económicos do “lobbie ambiental”.


4. Estes factores de descrédito de instituições que, no passado, se situavam acima de qualquer suspeita, aumentam a insegurança e é um fenómeno que tem que ser cuidado a todos os níveis.


Para blog, a prosa já está muito longa. Por aqui me fico, então.

segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

A lista negra de Obama e o próximo alvo




A imprensa de hoje revela a lista de países que Obama considera, para efeitos de recepção de passageiros deles oriundos, estes devem ter bagagem e o corpo perscrutado nas fronteiras


Afeganistão, Argélia, Arábia Saudita, Cuba, Iémen (que está na mira para ser o próximo alvo, Irão, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Síria, Somália e Sudão.


Parafraseando um comentário de um leitor no Público “... (a propósito do 11 de Setembro) porque até à data nem sequer nenhum tribunal norte-americano se debruçou sobre o assunto. Aliás, Obama, está há um ano no poder e nem sequer ainda determinou um inquérito independente sobre os acontecimentos desse dia. E lembro que nesse dia todos os voos alegadamente afectados eram voos domésticos. E todos os passageiros que os media culparam eram cidadãos residentes nos USA e todos aprenderam a pilotar em escolas norte-americanas”.

Acrescento eu que Obama ainda não fez tentativas para apagar fundamentadamente a impressão causada em muitos de nós que o 11 de Setembro poderá ter sido uma fuga para a frente para justificar novas guerras de agressão que lhe permitissem ultrapassar as suas próprias fraquezas.

domingo, 3 de Janeiro de 2010

50 anos atrás, a fuga de Peniche



Álvaro Cunhal

Carlos Costa

Francisco Martins Rodrigues

Francisco Miguel

Guilherme da Costa Carvalho

Jaime Serra

Joaquim Gomes

José Carlos

Pedro Soares

Rogério de Carvalho

O mistério do íbis-sagrado, por Jorge

1º andamento

Dei com ele inesperadamente na primeira volta de bicicleta do ano, junto à ribeira de Almádena que aqui passa. Não se assustou, foi-se apenas afastando calmamente, de modo que pude ainda apanhá-lo in extremis com o zoom no máximo. Que excitação, uma coisa tão rara!
O que terá acontecido a esta ave, outrora tão considerada e adorada no Egipto, para vir parar a este modesto Barão? e ainda por cima junto à ETAR, local tão pouco apropriado para aves sagradas?

Explicação trágica: no trajecto migratório através do Mediterrâneo oriental, vindo da Europa Central a caminho das zonas quentes de África onde passar o inverno, foi colhida pelos temporais e arrastada pelos ventos até à Península Ibérica, onde exausta e longe do bando aguarda o triste fim que a espera com os frios que se aproximam.

Explicação mais prosaica e desdramatizada: terá fugido do zoo de Barão, lá em cima, a 500m e nem voar sabe...

Mistério? qual mistério, "o único mistério é haver quem pense no mistério" (Alberto Caeiro) :)


2ºandamento


Barão (de S. João) é a aldeia perto de onde tenho a casa. A poucas centenas de metros, fica o chamado "Zoo de Lagos", um parque zoológico "ecológico" sem grades, nem gaiolas, com macacos, patos, cegonhas, tartarugas, etc., construído há cerca de dez anos e muito visitado por escolas e turistas. É daí que talvez possa ter escapado o íbis-sagrado que encontrei a passear. Aves deste tipo são mantidas em cativeiro cortando-se-lhes as penas (remígias?) que lhes permitem voar. Se entretanto crescem um bocadinho, já podem dar para esvoaçar...

À primeira vista, custa a acreditar dar numa qualquer curva de um caminho algarvio com uma ave destas tão mítica, toda ela hieroglifos, faraós e cabeças de Tot, cujo habitat é o longínquo Nilo. De facto, tal como se demonstra pelos bandos de papagaios amazónicos que hoje vemos no Parque Eduardo VII, descendentes de algum solto ou fugitivo casal, ou pela quantidade de pássaros exóticos como o bico-de-lacre (americano) ou o bispo-de-coroa-amarela (africano) esvoaçando alegremente pelos campos de Alcochete, o mundo é tão aldeia global para os animais como para os humanos, com os seus moldavos, turquemenos ou uigures surgindo fora do "habitat" por onde menos se espera. Também os íbis-sagrados foram "introduzidos" na Europa central e tão bem se deram que por lá ficaram, esquecendo-se mesmo da chatice da migração, à imagem das neo-portuguesíssimas cegonhas sem as quais já a EDP nem consegue ter postes de alta tensão.

Isto hoje em dia, quando damos nos menús com "costeletas de crocodilo" ou o fado até é acompanhado a castiço contra-baixo, o que é que nos há-de ainda fazer espantar?

3º andamento

Podemos todos estar descansados, afinal o íbis-sagrado é bem algarvio!
Nascido e criado aqui em Barão no "Zoo de Lagos", cresceram-lhe as asas mais do que o previsto e gosta de ir "dar as suas voltas" (ipsis verbis tratador), mas regressa sempre a casa (ai não!...).
Não passa de um íbis-profano... tudo o que consegue enxergar como nilo é a lagoa da etar!
Já é difícil darmos com mistérios dos antigos... o mundo está a ficar tão corriqueiro!

sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Imagens através da chuva, por migana






Frase de fim-de-semana, por Jorge




"Tiro fotografias para ver como o mundo fica nas fotografias"



Garry Winogrand (fotógrafo nova-iorquino, 1928-1984)


quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Os meus votos



Quase todos os meios de comunicação social aproveitaram para os seus balanços de 2009.


Em geral, as suas apreciações sobre os acontecimentos esbatem as responsabilidades do que de muito mau aconteceu. Quer no país quer no plano internacional.


O capitalismo revelou uma vez mais as suas taras, a desconsideração pelo ser humano. Em muitos países considerados livres, como o nosso, e que se arrogam em dar lições de democracia aos outros, o conteúdo da democracia vivida esvaziou-se e dela quase só ficou o envólucro e o seu sentido é preocupante no que respeita ao que a humanidade arrisca.
Esquecer 2009? Nem pensar! Porque este ano contem imensas aprendizagens que superam as limitações da leitura dos manuais e também teve esperanças e manifestações de vontade de a superar. Por aí queremos ir. E vamos.

"Um profeta", um grande filme


O último dia do ano para uma estreia em sala não permitiu que ela acontecesse com mais espectadores. Foi pena. Mas um grande filme aí fica para ser visto nas próximas semanas por quem, como eu, não o tivesse visto no Festival do Estoril.


“Um profeta”, de Jacques Audiard, um realizador francês que ainda não conhecia, apresentava credenciais promissoras.

Foi um êxito no encerramento do Festival do Estoril deste ano. Trazia o prémio do Júri do Festival de Cannes deste ano, mais o prémio para melhor filme estrangeiro da associação de críticos norte-americano e está nomeado para o Óscar do melhor filme estrangeiro, mais recentemente recebeu o prémio Louis-Delluc, de melhor filme francês do ano e lidera com seis nomeações os candidatos ao prémio do Melhor filme Europeu


Na minha modesta opinião é um grande filme, a não perder de todo.


É um filme violento mas humano. Um jovem delinquente francês de origem árabe que cumpre pena, tece o seu próprio percurso criminoso através dos contactos que mantém com diferentes grupos organizados da cadeia e das saídas diárias que a lei lhe permite, depois de um percurso dependente como protegido de um chefe criminoso corso, também preso.

Un son para Portinari, de Nicolas Guillén





Para Cándido Portinari
la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneón.

Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son.

Sueña y fulgura.
Un hombre de mano dura,
hecho de sangre y pintura,
grita en la tela.
Sueña y fulgura,
su sangre de mano dura,
sueña y fulgura,
como tallado en candela;
sueña y fulgura,
como una estrella en la altura,
sueña y fulgura,
como una chispa que vuela...
sueña y fulgura.

Así con su mano dura,
hecho de sangre y pintura,
sobre la tela,
sueña y fulgura,
un hombre de mano dura.
Portinari lo desvela
y el roto pecho le cura.

Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son!

Para Cándido Portinari
la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneon
Esta canção, composta por Daniel Viglietti, foi interpretada por cantores comno Inti Illimani e Mercedes Sosa

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

"Chorinho", de Cândido Portinari




O Nobel da Paz quer abrir no fim do ano nova frente de guerra, agora no Iémen ?


É tudo esquisito quando os EUA invocam razões para "retaliações" contra actos ou tentativas de actos terrorismo.

A manipulação do "terrorismo" e de extremismos e fanatismos, e o surgimento "oportuno" de actos com base nos quais o império decadente tem procurado justificar a ocupação de novos territórios no quadro de objectivos geo-estratégicos, tem muitos anos. Não vamos aqui desenrolar os factos invocados, as retaliações e as consequências que tiveram para a sobrevivência e justificação do domínio deste e de outros impérios.

Creio que todos, se o quisemos, pudemos aprender com a História.

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Três cones vulcânicos na Indonésia, foto de Fernando Peres Rodrigues




domingo, 27 de Dezembro de 2009

Sugestões de leitura na net



O ruir do "campo socialista" : Implosão ou terceira guerra mundial? , por Domenico Losurdo


A limpeza dos ficheiros pelo IEFP, por Eugénio Rosa


Falência e Colapso Fiscal : A crise económica global ter um ponto de viragem na Primavera de 2010


Espanha: a política salarial em tempo de crise, por Ignacio Alvarez Peralta


Em 2010, novo ponto de viragem da crise sistémica global: O nó corrediço dos défices públicos começa a estrangular estados e sistemas sociais


sábado, 26 de Dezembro de 2009

Paraguai: saúde pública passa a ser gratuita



O governo do Paraguai anunciou no dia de Natal que os serviços médicos de saúde pública passarão a ser completamente gratuitos em todos os centros de saúde do Estado. Mas que os pacientes ainda terão que pagar se precisam de algo que os centros de saúde público não possam ainda fornecer.
Segundo o governo, esta medida permitirá aos paraguaios pouparem mais de 60 milhões de dólares em 2010.

Manuel Guedes nasceu há 100 anos


Comunista firme e convicto, Manuel Guedes, cujo centenário se comemora, foi um dos destacados construtores do PCP. Membro da Organização Revolucionária da Armada, foi um dos protagonistas da reorganização e passou quase duas décadas na prisão. Durante a Guerra de Espanha, foi preso com Pires Jorge em Cáceres, quando os fascistas tomaram a cidade e arriscou o fuzilamento.
Falecido em 1983, o seu exemplo e a firmeza das suas convicções permanecem hoje como um motivo de orgulho para todos os comunistas.

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Natal de quê? De quem? / Daqueles que o não têm?" etc.


Jorge de Sena (in "Exorcismos")

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Com um dos presépios de Grão Vasco, um Feliz Natal para os caminheiros e cantigueiros da net

O amolador

A flauta do amolador era um dos sinais da manhã e o café com leite um outro a entrar-nos nas narinas e a minha mãe “Meninos são horas…” para logo voltar à janela e chamar “Sr. Manuel, já aí vou” e num repente saíam guardas - chuva, tachos, uma tesoura e algumas facas, ficando nós a olhar da janela a mestria do amolador que fazia soltar faíscas mágicas das peças que resistiam a ir para o lixo e que voltavam como novas até que dia perguntei à minha mãe o que era a vizinha ter a língua afiada, antevendo-a debruçada na roda a retocar as formas da referida, ao que ela me sossegou, remetendo a matéria para o foro do carácter, coisa de que o meu pai já nos tinha começado a falar, e assim ficou intacta a nossa consideração por aquele homem que do velho fazia novo, enquanto tocava a flauta, se fazia anunciar e ainda tinha tempo para um piropo às sopeiras alvoraçadas, terminando com o sonoro rematar "Dona Regina, o material está pronto e em condições e são dois mil reis".


quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga (conclusão)


5. Copenhaga fracassou.
A Bolívia propõe-se organizar
conferência anterior à do México

O presidente Evo Morales rejeitou hoje a acusação da Inglaterra de que tinham sido a Bolívia, China e a Venezuela a comprometerem os resultados da cimeira de Copenhaga.

Anunciou, por outro lado uma conferência mundial de movimentos sociais para 2010 a realizar na Bolívia no próximo mês de Abril, que de certa maneira substitua o fracasso de Copenhaga na preparação da Conferência que também no ano de 2010 se realizará no México.

Esta iniciativa pode dar a voz a esses movimentos e aos países em desenvolvimento que lhes foi negada em Copenhaga.

O fracasso de Copenhaga era previsível. Os EUA não querem comprometer-se com metas minimamente significativas e procuram comprometer os países em vías de desenvolvimento em acordos que os impedissem de prosseguir essa via. Desde as vésperas da Conferência tentaram atrair países emergentes e com a União Europeia para, com um documento-fantasma que ora aparecia ora desaparecia, imporem aos restantes países esses acordos. Não o conseguiram e, de facto, nessa resistência à manobra, a Bolívia, Venezuela e China destacaram-se.

Foi uma pesada derrota dos que, como Obama, pensam pelas cabeças das principais empresas responsáveis pelas emissões com efeito de estufa. Mas foi também um desfazer de expectativas por parte de muitos países e movimentos. Há que continuar a luta.

"Escrever o sol", de Júlio Pereira

video

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Postal de Natal extragaláctico do J.



Festiva imagem da maior e mais prolífica maternidade estelar da nossa vizinhança galáctica!

O enorme grupo R136 de jovens estrelas acabadinhas de nascer (pouquíssimos milhões de anos de vida) pertence à nebulosa Doradus da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa.

Muitas das estrelas azuis na foto são das maiores estrelas conhecidas e várias delas têm mais de 100 vezes a massa do nosso Sol. Muitas vão desaparecer como supernovas dentro de breves milhões de anos. É a vida...

Felizmente, contudo, estrelas é coisa que não nos vai faltar!

J

domingo, 20 de Dezembro de 2009

As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga




4. E as guerras, que contributo dão para o aquecimento global?

Em artigo de 2007, o professor Michael Klare, escrevia que sessenta litros de petróleo é quanto um soldado americano no Iraque e no Afeganistão consome em média diariamente - quer directamente, através do uso de veículos blindados, tanques, camiões e helicópteros, ou indirectamente, nos ataques aéreos. Se multiplicarmos este valor por 162.000 soldados no Iraque, no Afeganistão, 24.000 e 30.000 na região circundante (incluindo marines a bordo dos navios de guerra no Golfo Pérsico) chegamos então a cerca de 12,2 milhões de litros de petróleo, com as correspondentes emissões de dióxido de carbono, que ésãoa factura de petróleo por dia, durante operações de combate dos EUA na zona de guerra no Médio Oriente.


Por outro lado, em 2008, Oil Change International publicou um relatório mostrando que:

  • A guerra é responsável por pelo menos 141 milhões de toneladas de desde Março de 2003. Para colocar isto em perspectiva, o CO2 libertado pela guerra, até à data equivale a emissões de 25 milhões de novos carros que fossem postos a circular este ano nos EUA.

  • Entre Março de 2003 e Outubro de 2007, o militares dos EUA no Iraque compraram mais de 15 mil milhões de litros de combustível a partir da agência responsável pela obtenção e fornecim ento de produtos petrolíferos para o Departamento de Defesa. A queima destes combustível produziu directamente quase 39 milhões de toneladas de CO2.

  • As emissões resultantes da guerra do Iraque até ao momento são quase duas vezes e meia maiores do que as que seriam evitadas entre 2009 e 2016 na Califórnia para implementar as normas de emissão automática propostas pelo estado mas que a Administração Bush recusou.
  • Se a guerra fosse classificada como um país em termos de emissões anuais, iria apresentar valores de emissões de CO2 superiores às de 139 países, correspondentes a 60% do total de países.

O relatório também observou que as emissões associadas com a guerra no Iraque pura e simplesmente não são declaradas. As emissões produzidas pelos militares no exterior não são incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa por todas as nações industrializadas, incluindo os Estados Unidos, no relatório sobre a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. E o seu valor é enorme.


A escalada da guerra no Afeganistão levará, naturalmente, a um grande aumento também nas emissões de gases com efeito de estufa.

O PS procura o conflito institucional


A declaração de Sérgio Sousa Pinto contra o Presidente da República é uma provocação. Pelos seus termos e pelo seu conteúdo. Na forma aproximou-se de uma birra dum puto malcriado. No conteúdo pretendeu coarctar o PR de emitir uma opinião sobre a prioridade relativa de um tema controverso como prioridade da acção governativa, que eu também questiono (apesar de concordar com a resolução sobre o casamento homossexual) quando defrontamos questões muito mais graves a que o governo não quer responder, apesar de o país esperar medidas para suster a insegurança social e económica. Para poder dizer mais à frente que o não deixam governar.


José Sócrates, ao suspender depois uma reunião semanal com o PR e ao não desautorizar o puto Sérgio manifestamente está a percorrer um caminho perigoso. Sócrates recusa-se a aceitar os resultados eleitorais das legislativas e a derrota sofrida não encaixa na configuração que foi tecendo do seu ideário, de identidade progressivamente perdida para uma "coisa" cuja natureza democrática está apenas muito disfarçada.

sábado, 19 de Dezembro de 2009

Faça as suas compras dia 23. Solidarize-se com os trabalhadores das grandes superfícies, em greve dia 24. Diga não à escravatura moderna!



No passado dia 14 reuniram-se dirigentes, delegados e outros activistas sindicais das empresas da grande distribuição, donde saiu a convocação de uma greve para dia 24

Da resolução que aprovaram, ressalto o seguinte:

“…Na segunda está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na terça vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas em regime de adaptabilidade ou para o banco de horas, conforme opção da empresa, mais 4 horas, até à 1 hora da manhã, e vão 12 horas de trabalho …
Na terça, no final do dia, simplesmente, dizem-lhe que na quarta vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas no regime de adaptabilidade ou para o banco de horas mais 4 até à 1 hora da manhã, e vão mais 12 ....
Na quinta está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na sexta vens fazer mais 4 horas antes das 12, entras às 8 e depois fazes o teu horário normal das 12 às 21 horas, e vão mais 12 horas de trabalho ....
Na sexta o chefe diz-lhe: sábado vens fazer mais 2 horas antes das 12, entras às 10, segue-se o teu horário normal das 12 às 21 horas, e a seguir, porque é sábado as vendas aumentam, precisamos muito de ti cá, fazes mais 2 das 21 às 23 horas, e vão mais 12....
No sábado dizem-lhe, simplesmente, amanhã domingo vens às 10 horas e trabalhas até às 23 horas, e vão mais 12 horas de trabalho.
No conjunto trabalhou 60 horas na semana, espectacularmente, foi respeitado o horário fixo, os 2 dias de descanso e os 5 de trabalho e ainda as 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho impostas pela lei.

Este exemplo pode ser aplicado a quaisquer horários, com ligeiras adaptações, semanas e semanas a fio … E assim sucessivamente, semana após semana, até adoecer ou se despedir porque não aguenta mais os problemas familiares, ou então junta-se aos outros colegas e pára o trabalho até o abuso terminar e a empresa respeitar a saúde, a vida, a família e a dignidade de todos os trabalhadores.

Nas lojas com menor amplitude de abertura, em vez de 2 passam a precisar apenas de 1 trabalhador para fazer todo o horário da secção ou sector.
Para evitar esta experiência muito traumática, que alguns já provaram e sabem ser insuportável, recusamos negociar estas desumanas barbaridades, contrárias à saúde, à vida, à família e à dignidade dos trabalhadores, que têm em vista aumentar o imenso poder unilateral das empresas e seus representantes nos locais de trabalho, a obtenção de trabalho gratuito para reduzir custos, diminuir o emprego e aumentar lucros.

Recusamos também aumentar ainda mais a precariedade, com motivos para contratar a termo e em alternativa exigimos a reposição da legalidade, ou seja a passagem a efectivos dos trabalhadores contratados a termo a ocupar postos de trabalho permanentes.

De igual modo exigimos um aumento salarial que actualize os baixos salários praticados na grande distribuição, a maioria ao nível ou próximo do salário mínimo nacional, apesar do desmesurado crescimento e lucros dos grupos e empresas da grande distribuição. “

Algumas das melhores fotos da "Time" em 2009




























Manifestação em Londonderry. Morte de marine no Afganistão. Execução no Iemen. Peregrinação em Meca. Colhida em Espanha. Fesfile nos EUA. Banho numa catarata do Nepal. Prisão com gás paralisante numa manifestação em Paris. Erupção no Etna.

Dois sinais




Com poucos dias de diferença, dois sinais, de ambos os lados do Atlântico, deram-nos a dimensão das causas e a determinação de quem, por elas se bate.


As vitórias de Aminatou Haidar e de Evo Morales, que têm o ânimo dos seus povos por detrás, foram esses sinais palpáveis e dramáticos de que vale a pena lutar, de que os opressores têm muitas vezes que recuar, de que a solidariedade não é uma palavra vã.


Morales, em sucessivas consultas populares, por vezes exigindo muita coragem nas ruas, e enfrentado sucessivas tentativas de golpe com o apoio dos EUA, está determinado num outro caminho para o seu país e o seu povo, mais livre, mais justo e maios fraternmo. Aminatou ganhou com a sua greve da fome uma nova projecção planetária do povo sahauri e da sua determinação na independência dum território ocupado ilegalmente pelo exército marroquino.


Este foi, desta vez, um mar de confiança.

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge





Todos os carrascos que vi na minha vida eram pessoas evoluídas,sensatas, de grande intelecto


Fiódor Dostoievski em "Cadernos da Casa Morta"

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Leiam. Não pasmem. Indaguem. Pasmem.




Poema aos homens constipados , de Lobo Antunes


Pachos na testa, terço na mão,

Uma botija, chá de limão,

Zaragatoas, vinho com mel,

Três aspirinas, creme na pele

Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,

Cala os miúdos, fecha a janela,

Não quero canja, nem a salada,

Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,

Já vejo a morte nunca te minto,

Já vejo o inferno, chamas, diabos,

Anjos estranhos, cornos e rabos,

Vejo demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças

Choros de coruja, risos de grilo

Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,

Põe-me a Santinha à cabeceira,

Compõe-me a colcha,

Fala ao prior,

Pousa o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, passa a chamada,

Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,

Não te levantes que fico só,

Aqui sozinho a apodrecer,

Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Os calceteiros



Está frio

Mas, depois de uns dias de aguaceiros,

Vibra uma imensa claridade crua.

De cócoras, em linha, os calceteiros,

Com lentidão, terrosos e grosseiros,

Calçam de lado a lado a longa rua.


Cesário Verde

O arrefecimento global exige uma outra conferência, crónica do Rodrigo


Vamos ficar todos abaixo de zero dizem os meteorologistas renegados dos gases com efeito de estufa, que se calhar não têm gases e por isso é que andam a tramar os ecologistas-caviar que se mudaram, para Copenhaga e andam a fazer as danças para parar as chuvas por causa dos tsunamis e para que os ursos não andem a pairar em pequenos blocos de gelo, uns, porque outros andam a queimar automóveis e a puxar pelos gases da polícia porque acham que estão muito abaixo da sua quota e ainda lhes sobram uns créditos para meterem no mercado do carbono, bom, importa que vos diga que o meu patrão anda a querer mandar-me para um gulag qualquer porque ando a estragar o consenso nacional-ecologista e a desenterrar alfarrábios que dizem que há muitos milhares de anos temos aquecimentos e arrefecimentos e que nem por isso ficamos esturricados nem passamos a andar a quatro pelos montes mas eu ameacei-o de que o que ele queria era continuar a receber as "emissões" em papel para alegrar a festa e a impedir o desenvolvimento do terceiro-mundo e ele aí, que se reclama de esquerda, lá pensou, pensou em termos de custo/benefício e disse-me que está bem mas que puxasse as temperaturas dos termómetros uns dois graus acima para não perder a face e eu pensei cá para os meus botões que ele tinha perdido a vergonha, isso sim, bom malta até à próxima e não se queimem nem se deixem extinguir como os dinossauros que tinham descompressões anais ricas em metano, que era o gás de efeito de estufa deles, e que diz-se que diz-se que foi por isso que se lixaram como os peles vermelhas que, ao contrário do que se diz, não foram mortos pelos Bills mas porque apanhavam muito sol, mas deixa lá que eu um dia ainda vou perceber alguma coisa disto.

Presidente do Chile será eleito na 2ª volta. Comunistas regressam à Câmara 36 anos depois...





O candidato conservador, Sebastián Piñera, foi o mais votado na 1ª volta das eleições presidenciais, com 44,0% dos votos, seguido por Eduardo Frei, candidato apresentado pelos partidos da Concertación (apoiantes do actual governo social-democrata de Michelle Bachelet, que terminou o seu segundo mandato com forte apoio popular), com 29,6 %. Seguiram-se o independente ex-apoiante do governo Marco Henriques-Ominami, com 20,1 % e Jorge Arrate, de esquerda, apoiado pelos partidos comunista e socialista, com 6,2%.
Frei e a Concertación dão como adquirida uma vitória na 2ª volta, esperando que as candidaturas independente e comunista apelem ao voto em si. Mas isso não está claro. O Chile arrisca a ter na presidência gente afecta ao antigo ditador Pinochet.
Jorge Arrate introduziu nesta 1ª volta alguns temas relevantes que Frei é chamado a partilhar. São elas a convocação de uma Assembleia para elaborar um nova constituição democrática, o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, a renacionalização da indústria mineira e do cobre, em particular, fim das privatizações, reforma da Educação que contenha o processo da sua privatização e a gratuitidade da Saúde e Educação, incluindo a universitária.
A derrota da Concertación era esperada, e o candidato da direita beneficiou do descontentamento popular. Desde o fim da ditadura de Pinochet os partidos que a integravam, quando no governo, não tomaram medidas para inverter o curso económico e social que tinham herdado nem foram suficientemente firmes contra Washington.

Nesta eleição renovaram-se também 38 lugares do Senado e foi eleita a totalidade da Câmara dos Deputados.
Os comunistas e seus aliados mais próximos tiveram uma importante votação e romperam com o acesso que lhe estava vedado ao Parlamento. Não estavam no Parlamento desde há 36 anos, quando do golpe de Pinochet. O Presidente e o Secretário-Geral do Partido, respectivamente Guillermo Teillier e Lautaro Carmona foram dois dos três novos deputados eleitos.

domingo, 13 de Dezembro de 2009

"Entre deux", de Júlio Pomar




sábado, 12 de Dezembro de 2009

Cartoon de Monginho


in Avante!

Sugestões de leitura na net

Luis Carlos Molion – O reduzido papel das emissões de CO2 nas alterações climáticas de um período que é de arrefecimento e não de aquecimento global

Eugénio Rosa - O governo pretende premiar anualmente os patrões que pagam apenas o SMN com 26,6 milhões de euros da Segurança Social

Olga Chetverikova – O aquecimento global catastrófico, lavagem ecológica ao cérebro e governo mundial

R. Warren Anderson and Dan GainorR. Warren Anderson and Dan Gainor - Ao longo de um século os jornalistas previram períodos de arrefecimento e aquecimento global

Francisco Silva - Afinal estamos ou não a sofrer as maldades do dióxido de carbono que produzimos

François Houtart – Os agro-combustíveis são um escândalo nos países do Sul e não são boa solução para o clima

Mahdi Darius Nazemroaya – Planos para redesenhar o Médio Oriente:o projecto de um Novo Médio Oriente


Albano Nunes – A escalada militar no Afeganistão
Denis Netcheporuk - A Ucrânia vinte anos depois

Domenico Losurdo - Um primeiro balanço dos anos Lenine e Estaline

Declaração Final do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, em Dehli, Novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Nós, ainda ontem éramos rapazes, ó velhos!"



Camilo Castelo Branco("Novelas do Minho")

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

A justificação da guerra



“A guerra é a continuação da política por outros meios” (Carl von Clausewitz)




"Dizer que a guerra é por vezes necessária não é apelar ao cinismo, é reconhecer as imperfeições do Homem e os limites da razão" (Barack Obama)



Contribuições para uma abordagem marxista da Ética, de Manuel Dias Duarte



Aceitando-se que a Ética é um produto da sociedade de classes, não havendo portanto princípios ou valores éticos eternos, uma questão se impõe: existirá uma ética marxista ou apenas uma abordagem marxista da Ética?


É com esta questão que abre Manuel Dias Duarte um trabalho publicado no site do Sector Intelectual do PCP, para concluir no final:



“Um ano antes de morrer, era muito clara a oposição de Marx a todas as


tentativas utópicas de redigir códigos de conduta futuros válidos para uma qualquer “cidade do sol”. A propósito das normas e valores ideais que necessariamente haveriam de dar forma às relações entre homens e mulheres vindouras, vivendo já em comunismo, escrevia Engels, em 1884, falando por ele e pelo amigo:



“Assim, aquilo que hoje em dia podemos presumir acerca do regime [Ordnung] das relações sexuais após o iminente varrimento da produção capitalista é, sobretudo, de carácter negativo, limitando-se quase só àquilo que vai desaparecer. Mas o que é que haverá de novo? Isso decidir-se-á


quando tiver crescido uma nova geração: uma geração de homens que nunca na sua vida tenham chegado à situação de comprar a entrega de uma mulher por dinheiro ou outros meios sociais de poder, e uma geração de mulheres que nunca tenham chegado à situação nem de se entregar a um homem por quaisquer outras considerações para além de um real amor nem de recusar a entrega ao homem amado por medo das consequências económicas. Quando estas pessoas existirem, não darão a mínima importância àquilo que hoje se acha que elas deveriam fazer; construirão as suas próprias normas de conduta (Praxis) e a opinião pública para julgar a praxis de cada um – ponto final” (Friedrich Engels, A origem da família, da propriedade privada e do estado, Lisboa, Edições Avante!, 2002, pág. 104).



A postura de Marx e Engels, ao longo de todas as suas obras, aponta sem dúvida


para a conclusão de que, na sua geração, não era possível constituir-se uma ética


marxista, mas apenas proceder a uma crítica permanente e combativa de todas as propostas éticas…sem moral e, em particular, da ética burguesa e capitalista.

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Ora então, vamos lá…

O ambiente mediático, informativo e de análise, com que convivemos está a contribuir para uma perda de referências éticas, uma habituação à inevitabilidade de um país sem saída dominada por corruptos, eventualmente ao descrédito quanto à possibilidade de mudanças que, eleição após eleição, têm reconduzido nos órgãos de poder maiorias do “centro” do espectro político, com resultados que se mantêm, agravados – é certo – mais recentemente pelo agravamento da crise interna.

Repartir as responsabilidades nos governos destes 33 anos é importante para que se não perca a memória da política e dos seus protagonistas. Tal como é importante, nesta conjuntura, não isentar, em nome disso, os governos de José Sócrates que assumiram, particulares responsabilidades no desbaratar de esperanças, na pioria da qualidade da vida e do usufruto dos direitos, no embaciamento do que se exige que seja transparente, no show-off e no faz de conta, no autoritarismo sem a autoridade que foi perdendo, no confronto social e incapacidade de perceber e discutir o que dizem os portugueses. Enfim, não estendamos mais o rol sob pena de contribuir para agravar depressões que se sentem em muitos que foram mulheres e homens sérios, que souberam educar, trabalhar com olhos também no país.


O país não vai morrer. E já passamos por sebastianismos bastantes para não ir por aí. Há condições para outras vias se abrirem, no respeito da vontade colectiva e do funcionamento democrático no seio da sociedade. Se soubermos derrubar os muros que nos quiseram criar dentro das nossas cabeças e reinventarmos em cada dia que passa a solidariedade, a camaradagem, o respeito pelos trabalhadores e pela tão necessária riqueza que lhe sai das mãos, o papel central do trabalho na recuperação do país, então estaremos num caminho mais acertado.

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Síndroma adormecido do queijo limiano



A viabilização do Orçamento rectificativo por Paulo Portas não é uma pirueta inesperada.

Quando ficou claro que este orçamento confirma a fraude e a evasão fical como revelou Eugénio Rosa.


O dirigente do CDS/PP joga em vários carrinhos.


Joga na captação de votos, combatendo com declarações tonitruantes usando os temas políticos que lhe são alheios e que repudiaria se entrasse de novo para o governo como abundantemente ficou provado por anteriores passagens por outros governos.


Joga como partido” responsável” quando, agora uma vez mais, manda o discurso distintivo às urtigas e viabiliza o dito orçamento, sem dúvida à espera de mais lugares à mesa.


Quanto ao PSD, vamos a ver, como diria o cego.


E, como diria o meu avô, isto é gente de apetite…


O Público e Copenhaga: “aposta simples” e exorcização de esqueletos ou mercantilização do ambiente?

No Público de hoje, Rui Tavares desanca quem se recusa a ir na onda do internacional-porreirismo com que a União Europeia e os EUA apresentam a Cimeira de Copenhaga e quem esboça alternativas às soluções dominantes, apadrinhadas pela União Europeia.

Mais do que o blá, blá, blá pseudo-ambiental, da “resposta simples”, importaria que RT se pronunciasse sobre questões como:


- Considera-se cientista suficiente para duvidar da base científica dos muitos milhares de cientistas que contestam a importância relativa dada ao factor humano nas alterações climáticas ?E concorda com o "encerramento" desta discussão que Al Gore quer é, do ponto de vista da Ciência, uma posição avisada?


- Que avaliação faz sobre outros factores que influenciam as alterações climáticas (actividade solar, guerras e radiações nucleares, detritos industriais de alta capacidade de contaminação, etc.) para considerar que o factor humano (obviamente está a falar das emissões industriais de gases que influenciam o efeito de estufa, provocadas pela actividade económica) é decisivo para elas?


- Na sua classificação dos “cépticos” (adaptação não pouco inocente dos “euro-cépticos”) porque não incluiu os que apesar de recusarem a “convergência” delineada pela presidência dinamarquesa - num documento de facto preparada com os Estados Unidos e o Reino Unido - admitem, no entanto, o contributo das emissões gasosas para alterações climáticas, apresentaram soluções diferentes das dos países mais poderosos? Não considera essa sua atitude maniqueísta?

- Acha que estes e outros "cépticos" estão a fazer o jeito às teses anti-aquecimento global de Bush e Cheney?

- Sabe que o negociador dos EUA quando da declaração de Quioto, que os EUA não subscreveram causando toda a inconsequência dessa declaração de há 12 anos, se chamava Al Gore e que concordava com tais orientações de Clinton, então presidente?

- Quando Al Gore se lançou na campanha "contra" o aquecimento global, com um filme que continha trapaças pré-fabricadas, RT soube apontar-lhe quais eram?


- Acha que o Grupo dos 77 mais China ao reagir à declaração dinamarquesa se porta como um bando de arruaceiros e que nada têm para oferecer em alternativa? E que esse documento, depois de rejeitado, afinal não existia, era apenas um documento de trabalho, etc., etc.?


- O RT concorda ou não que os cortes das emissões gasosas têm que ser mais significativos nos países mais desenvolvidos, os maiores responsáveis pelo aquecimento que se terá verificado desde o início da industrialização?


- E que é injusto fazer idênticas exigências a outros países que nos últimos anos estão a fazer um esforço enorme para saírem do subdesenvolvimento, dos abismos das desigualdades e da fome?

- Quando Lula diz que "os países mais ricos falam muito mas fazem pouco" (alusão à grandiloquência das declarações de Obama e alguns dirigentes europeus), o RT acha que é ele que não está a ser "minimamente sério" e que o que Obama "nos tem que oferecer é muito"?


- Também está com aqueles opinion-makers dos burocratas de Bruxelas que dizem que a China e os EUA estão com metas “pouco ambiciosas”, admitindo que os ridículos 4% dos EUA podem ser comparados com a "decisão voluntária, baseada nas condições nacionais, mas com vontade de contribuir para o esforço global", da meta de Pequim de reduzir a intensidade das suas emissões até 45%?


- RT só fala nos acordos quanto às emissões de CO2. E as outras coisas que estão em cima da mesa e que terão que fazer parte de um acordo muito complexo?


- Se RT não o referiu, será que está de acordo com a mercantilização do ambiente, questão substancial da declaração da presidência dinamarquesa, que decorre da criação do comércio (mercado) de carbono que transferisse as preocupações universais na redução de gases de efeito de estufa para a gestão bolsista dos activos financeiros (fictícios…) de um novo mercado especulativo e com as consequências daí resultantes? Concorda com a presidência dinamarquesa em entregar essa gestão ao Banco Mundial? Ou acha que isto não é importante? Será também expressão de cepticismo não estar de acordo com isso?


- Outras questões em debate são as relacionadas com a “adaptação” e “mitigação”, em termos gerais, isto é, que inovações introduzir para que a redução de emissões afecte minimamente o desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. Nesta matéria RT acha que a “transferência de tecnologia” necessária deve ser feita no respeito dos direitos de patentes ou no dos princípios da ajuda e cooperação, para que não ocorram novas formas de dominação neo-colonial, e em nome da “factura histórica” que os países mais desenvolvidos devem pagar? E acha que são exageradas as verbas pedidas pelos países menos desenvolvidos para proceder a essas adaptações?



A prosa de hoje de Rui Tavares é uma espécie de exorcização beata dos esqueletos do armário. Não contribui para trocas de pontos de vista sérias.

Se querem ver o contrário, vejam, por exemplo, o contributo à discussão que os comunistas ontem apresentaram para a questão e as correspondentes políticas domésticas.

E por aqui me fico…

Ainda, e para terminar, sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim


Mantendo-se ainda algum fervor saudosista noutros sobre a queda do Muro de Berlim de há vinte anos, sabemos nós as dimensões, a nível interno de cada país e à escala internacional, das consequências de tais acontecimentos (não apenas na RDA mas no conjunto dos países do leste europeu).
Em nome do necessário rigôr histórico, será importante assumir a seriedade de uma questão que, por ser complexa, não se pode resumir à leviandade como a propaganda anti-comunista a encarou e ainda encara nem ser motivo de caricatura das posições reais dos comunistas portugueses.

Importa revisitar o que, à data, referiram sobre eles.Ou verificar como, vinte anos depois, analisam hoje esse período.

Consulte aqui essas reflexões, enquanto deixamos uma passagem da resolução do XIII Congresso do PCP, realizado meio ano depois desses acontecimentos.

“As mudanças radicais da situação política verificada noutros países socialistas da Europa resultaram de situações de profunda crise gerada por orientações e práticas que se afastaram dos objectivos, métodos e valores do ideal comunista.
Contradições entre os órgãos do poder político centralizado e o povo; entre a organização e a gestão da economia, o desenvolvimento económico e o melhoramento das condições de vida; entre a direcção do partido e o partido e entre o partido e o povo; contradições aprofundadas com o abuso do poder e situações de privilégio e de corrupção - agravaram-se ao longo dos anos e conduziram a inevitáveis rupturas, a extraordinária instabilidade e a processos descontrolados de evolução social e política cuja conclusão é ainda difícil de prever.

Os partidos comunistas no governo em diversos países da Europa de Leste - ainda mais que o PCUS - prolongaram a situação, atrasaram-se no reconhecimento da realidade e nas reformas e viragens indispensáveis na orientação do Estado e do partido, isolaram-se progressivamente, provocaram amplo descontentamento e perderam o crédito e o apoio que justamente anteshaviam alcançado como resultado da sua luta.”

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Cinema Paraíso


A RTP-2 trouxe-nos hoje à tarde este belo filme de Giuseppe Tornatore.
É um filme de amizade, de amor, de saudade, que não recorre a efeitos desnecessários para nos encher e fazer-nos saber que o iremos vêr muitas vezes na vida.


segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

A Suiça e os minaretes


A impostura global e a deformação da política energética doméstica


Não alinhando na onda generalizada dos mentores do aquecimento global e do crime das emissões de anidrido carbónico (CO2), Jorge Figueiredo dá-nos conta das suas reservas à “farsa hipócrita de Copenhaga” e à política energética do governo em artigo de ontem no resistir.info., donde citamos:


“Isso (a deformação da política energética) é visível em Portugal, onde os governos têm estimulado e subsidiado soluções irracionais do ponto de vista económico e energético com base na falácia do aquecimento global e das malfadadas emissões de CO2. Basta lembrar, por exemplo, a desgraçada política de subsídio aos biocombustíveis líquidos e agora aos veículos eléctricos (quando Portugal é importador líquido de quilowatts-hora); o não apoio às boas soluções possíveis nos transportes (como os veículos a gás natural, que podem utilizar biometano, gás natural comprimido ou gás natural liquefeito); a promoção ruinosa de energias ditas renováveis às custas dos subsídios da perequação tarifária; etc; etc. A ignorância (deliberada?) do Pico Petrolífero e a falácia do Protocolo de Quioto levam a tais aberrações. Estamos numa época em que deveria haver planeamento energético a fim de promover uma "fuga" ao petróleo, tão grande e tão rápida quanto possível. Governos clarividentes como o da Suécia já descobriram isso, o português ainda não. Mas os erros de hoje terão de ser pagos amanhã – e o preço pode ser caro.”

domingo, 6 de Dezembro de 2009

Piódão, aldeia de xisto, na Sera do Açôr


sábado, 5 de Dezembro de 2009

A propósito das alterações climática e da Conferência de Copenhaga

3. Copenhaga: o que vai e o que não vai ser discutido


3.1. Ao longo dos últimos dias a administração norte-americana viu-se forçada, em primeiro lugar, depois de uma indefinição arrastada quanto à presença na conferência de Obama, a representar-se através dele, depois a admitir que ele participaria no início da conferência e hoje que, afinal, participaria no final, quando se tomarem deliberações e ele já vir laureado com o Nobel
A estas mudanças de atitude não foram alheias as sucessivas tomadas de posição dos chamados países emergentes, onde cada um não deixou de querer puxar a brasa ao seu protagonismo, como foi o caso do Brasil, para trazer os EUA a um compromisso que não tinha assinado em Quioto.
A Conferência juntará mais de 15 mil pessoas, com delegações oficiais de 192 países, das grandes multinacionais do petróleo e da energia, e como observadores muitos organismos não governamentais com intervenção nas questões ambientais
É uma conferência, porém limitada a um único dos temas possíveis de serem abordados: a questão das emissões de carbono. Mas deixa de lado a abordagem de outros temas como os efeitos das guerras em curso, a possibilidade de uso de armas nucleares como recursos de “manutenção de paz”, os efeitos das bombas nucleares humanitárias do Pentágono, ou ainda a deliberada manipulação de dados climáticos para fins militares. Relativamente a esta última questão, importa lembrar que Spencer R. Weart, que foi até há poucos meses, e durante 38 anos, director do Centro para a História da Física do Instituto Americano de Física, escreveu em 2008 sobre os estudos que foram feitos depois da 2ª Guerra sobre as formas de modificar o clima, directa e propositadamente, e não apenas como resultado da actividade económica. Quer os EUA quer a URSS, pelo menos desenvolveram projectos e modelos de intervenção de grande envergadura. Para não dispersar o leitor para este desenvolvimento, recomendamos a leitura desse trabalho.
E, como referimos, em posts anteriores não existe, de facto, um consenso na comunidade científica quanto à relação determinante que as emissões de CO2 teriam em alterações climáticas ou que estas estejam a ocorrer de forma dramática, num só sentido, ao contrário do que aconteceu em milhões de anos com evoluções de diferentes sentidos. Em 1996, o Painel intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC em inglês) expressou a ideia de que “O balanço dos dados sugere uma influência humana visível do homem no clima global”, que muitos cientistas caracterizaram como uma conclusão abusiva. Abusiva ou não deu o mote para a Conferência de Quioto.
Para Al Gore, para a administração Bush, esta relação estaria mais que demonstrada, chegando a usar o termo “esta discussão está encerrada”. Quando para muitos, pelo contrário, agora é que a questão está a ser aberta porque os cientistas estão mais envolvidos para ultrapassarem um comportamento dos políticos que se tem caracterizado pela desprezo pela ciência, pelo recurso a catástrofes naturais para sustentarem as responsabilidades do factor humano e para substituir a formação de opinião através de recurso a métodos cientificamente validados pela repetição sistemática de slogans e propaganda, não sustentados em conclusões científicas.


3.2. Vários peritos em clima têm avançado que a redução das emissões deveria ser de 25-40% em 2020, relativamente às registadas em 1990, e de 80-95% em 2050.
Mesmo aceitando a relação das emissões de CO2 com alterações climáticas, estas são, antes de mais, um problema social resultante de alterações globais do ecossistema e os delegados em Copenhaga vão ter a responsabilidade de que os cortes de emissões de CO2 não vão constituir factor adicional de descriminação de países que precisam, comparativamente mais que os mais desenvolvidos, de se desenvolver o que, para eles, implica sempre uma maior peso das emissões per capita. Se a China é responsável por 21% do total das emissões, em valores absolutos, os EUA por 20%, a União Europeia por 13%, a Índia por 5%, não pode ser esse o único critério a pesar na distribuição das reduções a efectuar. Se fizermos esse cálculo, em termos relativos à população, per capita, os resultados dos principais emissores de CO2 serão EUA 18,7 toneladas, a UE 7,8, seguidos pela Austrália, Canadá, Arábia Saudita e Rússia, só vindo em 6º lugar a China com 4,6 e a Índia com 1,2, ainda mais atrás. …(1). Para já não falar nos restantes países em, vias de desenvolvimento. Os EUA e a UE são os grandes emissores de CO2 e terão que, por isso e pelo grau relativo de desenvolvimento em relação aos outros, que dar o exemplo.
Os EUA querem que os países emergentes que mais pesam nas emissões (China, India e Brasil), assumam nesta conferência compromissos de redução vinculativos e não voluntários mas será difícil impor este ponto de vista aos restantes países. Os EUA não assinaram a plataforma anterior de Quioto, em vigor até 2012, de impor a 37 países ricos reduções até essa data, por não se ter então exigido compromissos aos países do sul.
As reduções em relação ao ocorrido em 2005 para vigorarem a partir de 2020, que vários países têm anunciado estarem dispostos a fazer, unilateralmente, com vista a uma negociação, são EUA 17%, China 45%, Brasil 39% e a Índia ainda não se pronunciou.
O Brasil, a África do Sul, a Índia e a China deverão apresentar um projecto comum alternativo ao da presidência dinamarquesa, que acompanha a posição de Washington de metas obrigatórias.
Os países que menos responsabilidades têm nas emissões irão receber recursos financeiros e tecnológicos dos mais responsáveis por elas para a “adaptação” a alterações do clima, não tanto como cooperação, mas como forma de os compensar pela necessidade dessa adaptação, como, digamos, pagamento de uma dívida ecológica ou climática, termos que têm sido utilizados por diferentes protagonistas. Há valores desta compensação aos países menos contaminantes que têm sido avançados: 100 mil milhões de euros (de 20 a 50% dos fundos serem públicos e os restantes privados) por ano a partir de 2020. Ainda está em aberto a forma como os países mais contaminantes irão dividir este custo entre si. Ou os mecanismos de distribuição (organismo das Nações Unidas, Bancos Regionais, Banco Mundial?). Ou sob que regime de propriedade intelectual serão feitas as transferências de tecnologias porque a compensação se poderia transformar na ocupação dos mercados por tecnologia estrangeira.
Mas a proposta de Obama quanto às reduções contém um elemento preocupante: assentar no esquema absurdo de um “mercado de carbono”, no qual se basearia a possibilidade de solução para o problema do aquecimento global, quando, de facto, esse esquema iria apenas ser movido pelo lucro e especulação de alguns e arriscaria que a concentração de CO2 se não reduzisse (ver primeiro post que refere artigo de Rui Namorado Rosa). O mercado do carbono, mercado de quotas de emissões permitidas, não é um instrumento eficaz para reduzir emissões e estabilizar o peso da concentração de CO2 na atmosfera.
Como disse hoje à SIC o eurodeputado João Ferreira este mercado, já a funcionar na União Europeia, baseado num esquema europeu de transacções (ETS) está a não dar resultados porque a aquisição de licenças de emissão acaba por ser muito mais barata que a introdução de equipamentos que fizessem reduzir as emissões para não afectar muito o crescimento económico. Mas, além disso, a pretensão de gerar neste mercado activos financeiros, como mais um recurso para prolongar a vida do sistema capitalista, gera uma possível nova geração de bolhas que arrastariam a gestão do clima para o desvario.
Para não nos alongarmos, remeteremos os leitores para o segundo filme de Annie Leonard que explica os mecanismos do mercado de carbono e todos os seus inconvenientes (aproveito para vos encaminhar também para seu primeiro filme, que foi um êxito, e que, espero, alguém creditado para isso possa traduzir, atendendo a que são falados em inglês e de forma muito rápida).


(1) Le Monde, 30/11/09

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Vale a pena ter um espírito aberto, mas não tão aberto que faça a razão cair"


Carl Sagan

A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga.

2. A falsificalção de dados científicos revelados em vésperas da conferência


A 3 dias da conferência, o mundo foi confrontado com revelações de falsificação de dados científicos no Climatic Research Unit (CRU), da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
Em Novembro cerca de mil mails da CRU terão sido apanhados por hackers e revelado os dados dessas falsificações que eram tendentes a reforçar a campanha mediática para a elevação do nível das preocupações com o aquecimento global. Com o acréscimo de gravidade de eliminação das verdadeiras leituras, ficando apenas no CRU os modelos, produzidos pelo homem, sempre de configurações e fiabilidades variáveis.
Esta questão está a ser objecto de inquéritos e até agora tinha sido menorizada pelos media que dava a esta informação reduzida credibilidade, atribuindo-a a trocas de galhardetes entre os "cépticos" do aquecimento global e os ambientalistas "conscienciosos".
Isto, depois das denúncias de vídeos forjados que insinuam uma imensa liquefação das gigantescos massas de gelo das zonas polares e de neves perpétuas, e da eliminação de espécies que também iria produzindo, leva a questionar a credibilidade das intervenções de Al Gore e de outros Adivinhos e Grandes Curandeiros, que têm produzido um ruídoso tam-tam pseudo-ambiental.
Não quero com isto dizer que não haja riscos de alterações climáticas de gravidade se não estudarmos os efeitos da actividade económica no clima. Nem que defenda que, ao contrário de um aquecimento global, caminhemos para um arrefecimento global. Quero tão só dizer, e isto tem muito a vêr com Cimeira de Copenhaga, que isto não é matéria em que a opinião e os palpites tenham o primado. Mas sim que temos de ter dados, muitos, fiáveis, livres das pressões de diferentes lobbies, para se poder analisar com outro rigôr os riscos e as medidas adequadas à sua superação.
Esta questão ilustra também os caminhos insondáveis que muitas organizações ambientalistas tiveram até à perda de credibilidade por terem criado chorudas oportunidades de negócio e muitos lugares em unidades governamentais, não apenas para o embelezamento do discurso oficial, mas também de grandes traficância no aoparelho dio Estado. A História se encarregará de ir revelando em que se transformaram em muitas países estruturas oficiais para a defesa do ambiente . Para já não falar da pressão de conceituados ambientalistas sobre os países em vias de desenvolvimento para conterem a sua saída dos atrasos seculares impostos pelas grandes potências que foram durante mais de um século os maiores poluídores da atmosfera e predadores de matérias primas e solos dos mwenos desenvolvidos.

A defesa do ambiente tem de livrar-se de dados científicos falsos, de análises que ignoram as diferenças entre países exploradores e explorados, entre países ricos e pobres, das tentativas de fazer dela uma distração para outros importantes riscos que a Humanidade defronta.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga


1. O "mercado do carbono" arrisca arrastar a economia real para uma crise energética global de saída desconhecida mas eventualmente dramática?


Num artigo recente publicado no “Avante!”sobre as alterações climáticas e a próxima Conferência de Copenhaga, o professor e investigador Rui Namorado Rosa deu um contributo importante para um melhor esclarecimento sobre questões que têm estado colocadas num patamar de difícil compreensão, mesmo quando são fruto de intervenções de políticos portugueses como aconteceu neste fim de semana com Cavaco Silva.

Ao mesmo tempo que aconselhamos a sua leitura integral, salientamos algumas das questões aí abordadas pelo autor.


1. A Presidência da União Europeia, evocando a autoridade do IPCC (estrutura especializada estabelecida pela ONU), previu que uma elevação de 2.ºC provocada pela elevação do teor de CO2 na atmosfera seja a perturbação máxima tolerável; e que, para que tal perturbação não seja excedida no corrente século, o «mundo industrializado» deva reduzir as respectivas emissões em 25-40 % e os «países em desenvolvimento» em 15-30%, até 2020, relativamente a 1990.

Para Namorado Rosa começa por ser “surpreendente tal grau de precisão a longo prazo em matéria tão susceptível à nossa margem de ignorância sobre o mundo natural e à nossa ainda mais limitada capacidade de previsão na esfera económico-financeira. Recordemos a sucessão de «bolhas» financeiras que têm surpreendido e abalado os mercados de valores à volta do mundo, só nos passados vinte anos, com graves repercussões económico-sociais.


2. A EU foi um dos principais impulsionadores dos compromissos de Quioto que, aliás, não cumpriu bem como os EUA que os não subscrevera.

O autor conclui que será muito pouco razoável esperar que países emergentes que têm vindo a aumentar a sua riqueza e a realizar programas para a elevação geral das condições de vida da população, e que não foram abrangidos pela plataforma de Quioto, como a China ou a Índia, possam aceitar em Copenhaga reduções grandes das emissões de CO2, para as quais não têm contribuído de forma significativa.



3. A EU aponta a constituição e alargamento de mercados de transacção de títulos de emissões de carbono, estimulados por financiamentos públicos, como objectivo fulcral a atingir com capacidade de gerar fundos financeiros e títulos transaccionáveis para operar o mercado de carbono, o que na UE é designado por «esquema europeu de transacções» (ETS), apelando ao compromisso de alocar-lhe uma parte significativa das receitas geradas pelo «esquema europeu de transacções» a um fundo para evitar a desflorestação e degradação das florestas em países em desenvolvimento. A relação entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento parece, assim, ficar assinalada pela «grande preocupação» com a utilização dos solos, quando se fala na necessidade da reflorestação mas…omite-se a sobre-exploração de solos férteis pelos países mais ricos nos países mais pobres na produção de agro-combustíveis e bens agro-alimentares para o mercado global…

Rui Namorado Rosa conclui sobre esta matéria que “o comércio do carbono visa tornar-se num esquema de geração bilionária de activos financeiros fictícios ao serviço da sobrevivência do sistema capitalista. E arrisca arrastar a economia real para uma crise energética mundial de saída desconhecida e incerta, cujas consequências são potencialmente calamitosas.


4. Para alcançar esse desígnio, projecções distantes de alterações climáticas, que não podem ser nem confirmadas nem desmentidas, têm sido frequentemente utilizadas como instrumentos intimidatórios para justificar e fazer prevalecer «metas» e «medidas» igualmente insusceptíveis de justificação bastante.

Namorado Rosa cita o caso da cruzada de Al Gore como exemplificativa dessa pressão sobre a Conferência de Copenhaga, classificando-a como encenação ardilosa que procura formatar opiniões públicas visando lucros fabulosos.


5. Rui Namorado Rosa encerra o seu trabalho salientando que o enfoque colocado no problema das alterações climáticas em termos inacessíveis à análise objectiva e à compreensão das massas é um artifício que pretende desviar as atenções e confundir as questões fundamentais do presente e do futuro da sociedade humana, é pois também um ardil ideológico.


Para já não falar – digo eu - das principais preocupações dos portugueses que em recente sondagem, hoje divulgada em Bruxelas, começam pela pobreza, seguida da falta de alimentos e de água potável, relegando as alterações climáticas para sexto lugar, depois dos conflitos armados.

Não podendo negar as influências antropogénicas sobre o ambiente à superfície da Terra e sobre certos processos que actuam e conformam o clima planetário, nem tão pouco podendo ignorar a progressiva exaustão dos combustíveis fósseis e a escassez de diversos materiais com aplicações económicas especiais, em particular nas tecnologias energéticas, importaria avaliar objectivamente as situações de risco e os factores de constrangimento. E em conformidade orientar o esforço de investigação científica e desenvolvimento tecnológico e de investimento material para a respectiva resolução ou minoração.
Porém a «racionalidade» que nos tem sido proposta e imposta é a da regulação pelo mercado, sob a superintendência política das instituições intergovernamentais ou internacionais e sob a pressão de interesses económicos que visam objectivos próprios; nesse espaço actuam as corporações empresariais elas próprias, suas associações, diversas tipologias de organizações não governamentais, e em última instância os próprios governos. Mas estes já destituídos de plena capacidade diplomática e negocial por não serem de facto os únicos ou sequer os principais agentes de formação da opinião pública e da decisão política.

Daí a relevância da acção que cabe aos partidos políticos na auscultação e na informação das massas, contrariando a maré de alienação do conhecimento e da opinião pública, assim como no debate institucional e na formação da decisão política.

Afeganistão: Nobel da Paz promove escalada na guerra...


Apesar de os assesssores de imprensa de Obama terem lançado alguns pretensos paliativos para adoçar a intervenção de Obama de ontem à noite, como a "nova atitude", o se ter iniciado o caminho para a saída em três anos e outras novas promessas diferentes das anteriores, Obama vai fazer o que uma crescente opinião norte-americana e mundial vinham advertindo: Obama aposta na guerra e em força...

Se juntarmos as muitas peças do gigantesco puzzle que é a sua visão e planeamento estratégicos, cada vez menos distintos dos de Bush, compreendemos porque Obama consumou ontem a desilusão daqueles que o fizeram Presidente pelo voto da esperança na mudança.

O sentido do "Yes, we can" inverteu-se. Em menos de um ano a administração norte-americana, agora com este presidente, revelou a sua incapacidade de assumir um outro paradigma para os EUA e a sua determinação em reforçar o paradigma do império.

Protecção ao golpe das Honduras, transformar a Colômbia numa base de agressão aos países latino-americanos, o envolvimento da CIA em operações de desestabilização da democracia em vários destes países, manter um colete agressivo em torno da Rússia e da China, a que novos atentados na Rússia vêm criar novos receios, manter a ferro e fogo o seu poder sobre as fontes de petróleo e dos circuitos do narcotráfico, como fonte de financiamento de vastas operações de desestabilização e de tráfico de armas, crítica ao sitema judicial americano por ter prendido e julgado os agentes de uma estação da CIA no seu território pelo rapto e tortura de presos de guerra, o apoio à política repressiva de Israel, etc, etc, etc.

Só um grande esforço de imaginação pode manter o crédito numa mudança com origem no novo presidente.

As decisões ontem anunciadas de reforço assinalável da presença militar dos EUA no Afeganistão e a não redução de forças no Iraque são de uma gravidade extrema. Mas Obama terá a resposta dos que querem a paz, a democracia e o desenvolvimento.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Cristina Kirchner e Patrícia Rodas comentam declaração da cimeira do Estoril




A chefe da diplomacia hondurenha agradeceu o comunicado da presidência portuguesa da Cimeira Ibero-americana onde foi condenado o golpe de Estado no seu país. A presidente argentina também se congratulou com esta documento.


A ministra dos Negócios Estrangeiros das Honduras agradeceu, esta terça-feira, o comunicado especial da presidência portuguesa da cimeira ibero-americana que considerou «inaceitáveis as graves violações dos direitos e liberdades fundamentais do povo hondurenho».

Em conferência de imprensa, Patrícia Rodas, que considerou ilegais as eleições realizadas no domingo no país, adiantou que esta é uma «importante declaração» que apoia «o processo de restauração democrática e a restituição da presidência» de Manuel Zelaya.

Patrícia Rodas entende que este acto eleitoral que deu a vitória a Porfírio Lobo levanta um «problema jurídico», dado que «o regime 'de facto' está à margem da lei» algo que faz com que a eleições realizadas estejam fora do «marco constitucional».

A presidenta argentina também se congratulou com os esforços da cimeira para aprovar uma declaração sobre as Honduras, uma vez que se pode falar de «Conhecimento e Inovação, mas se não houver democracia, não se passa de discursos vazios»(numa alusão ao conteúdo que a presidência portuguesa quiz fazer vingar quando a conjuntura impunha a condenação do golpe das Honduras e o não reconhecimento do golpe militar neste país e das eleições-fraude do passado domingo).

«O respeito pela vida democrática é na história da região da América Latina, em particular, uma história de tragédia, por isso, a defesa da democracia deve ser uma defesa sem concessões», afirmou Cristina Kirchner ao aludir à questão das Honduras.

Apesar desta declaração final da presidência da cimeira, e apesar das posição da Espanha, é provável que os aliados mais incondicionais dos EUA quer na Europa (Reino Unido, França e Alemanha) quer na América Latina (Colômbia, Costa Rica e México) venham a aceitar o resultado da eleição-fraude.

A declaração final de José Sócrates é a de um político alinhado com as posições da administração americana. Deixa antever a aceitação dos resultados dessa fraude para poder continuar "o diálogo" da repressão interna nas Honduras e na prática o consumar do golpe de Estado que afastou Zelaya do cargo para que foi eleito pelo seu povo.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

No Uruguai, com Mujica, vence a esquerda, nas Honduras, depois do golpe militar o golpe eleitoral promovido por Micheletti e Obama.

Ainda com base nas sondagens à boca das urnas, Mujica recolheu cerca de 51% dos votos e o seu opositor, cerca de 45%. Este já reconheceu a derrota e felicitou Mujica, que tinha sido o candidato mais votado com 48% na 1ª volta.


Mujica era o candidato da Frente Ampla, de esquerda, que passou 13 anos nas prisões da ditadura militar.


Nas Honduras, Zelaya rejeita a afluência às urnas anunciada por Micheletti e avança com uma eventual abstenção da ordem dos 65%. A campanha decorreu sob o signo da violência contra todos os que denunciavam a burla, muitos espancados, alguns deles desaparecidos.



Eleito em uma disputa ilegítima, para governar um país isolado, Lobo, o candidato apoiado pelos golpistas, declarou que as aceitações internacionais do golpe eleitoral estão a chegar. Segundo ele, os Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Japão, Itália, Suíça, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e França "expressaram que vão aceitar o processo".
Mas a Argentina, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Guatemala e Uruguai anunciaram formalemente que não reconhecerão as eleições realizadas sob o governo golpista de Roberto Micheletti.

Carta-aberta de Michael Moore a Obama






Michael Moore foi um dos mais entusiastas apoiantes de Obama quando candidato a Presidente. Como muitas outras pessoas tem expresso preocupações com o curso da sua política externa, nomeadamente quando aumenta a dimensão da intervenção dos EUA em guerras fora do seu território.



Nesta carta-aberta, a propósito das declarações que amanhã Obama fará sobre esta matéria, diz nomeadamente:


“Apenas com um só discurso, amanhã à noite, você vai transformar em cínicos desiludidos as multidões de jovens que foram a espinha dorsal da sua campanha. Você vai ensinar-lhes aquilo que eles sempre ouviram dizer – que os políticos são todos iguais. Não posso acreditar que você vai fazer aquilo que eles dizem que você fará. Por favor, diga que isso não vai acontecer”.

Mas nem todos os políticos são iguais, de facto... Por exemplo, uma outra candidata democrata, que concorreu pelo Partido Verde, Cynthia McKinney, será um dos oradores da manifestação contra estas guerras que, como já referimos, se realiza no dia 12 de Dezembro, frente à Casa Branca.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Um coro infantil no coração de um concerto


A Igreja de S. Roque encheu na tarde de domingo para assistir a um concerto que envolveu diferentes componentes: o Coro Infantil da Universidade de Lisboa, o Coro da Universidade de Lisboa, o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, o Ensemble Instrumental de nove músicos de diferentes instrumentos, e ainda os solistas Ana Paula Russo e Rui Baeta, a directora e o pianista do Coro Infantil, respectivamente Erica Mandillo e João Lucena, todos sob a direcção do Maestro José Robert.

O Coro Infantil interpretou uma série de canções de Benjamin Britten (1913-1976), que este autor viria a agrupar sob a designação Ceremony of Carols, compostas a partir de poemas medievais.

Na segunda parte, todos os coros, solistas e o Ensemble, interpretaram Mass of the Children, conjunto de cinco orações de John Ruttler (1945- ), com a particularidade de dar ao Coro Infantil uma grande centralidade no concerto.

Foi um bom concerto. Veja aqui no blog outros concertos previstos para igrejas da cidade em Dezembro.

sábado, 28 de Novembro de 2009

Ne change rien, de Pedro Costa

video

Entrar na sala sem ter lido ou ouvido algo sobre o filme pode provocar um choque inicial, a sensação de monotonia, transmitir uma vibração repetitiva.

Nem como de género de filme nem como de género de narrativa lhe podemos atribuir uma única identificação. Soube que poderá ter evoluído de um mero teledisco da artista que é a personagem central, a cantora Jeanne Balibar, amiga do realizador, para algo mais complexo, porque contem diferentes registos desde os ensaios prévios, a procura da colocação da voz na música, e depois a gravação de canções, os testes de canto lírico para operetas, a música em bares, também ela de géneros diferentes.

Essencialmente é cinema documental, a que só se poderá chamar musical pelos temas centrais terem a vêr com a música, embora crie a sensação de ficção .

Mas um bom filme, surpreendente, dum realizador já com obra feita.

É um filme a não perder.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Não lhes estraguem os rankings, crónica do Rodrigo

O meu pai anda com a mania que não é menos que os outros e quer dar-me estatuto, vai daí há dois anos, antes da matrícula, foi ver os rankings das escolas e levou-me para um grande colégio de Lisboa dos que está sempre à frente, no pódio, para me aumentar o currículo pelo que, garantidas as boas notas que trazia daquela coisa horrorosa da escola pública, e para não fazer figura de urso a estragar a média que o colégio de nome santificado tem vindo a obter, lá fui, mas comecei a ficar marado com as pressões e perseguições para estudar, obter bons resultados, se não, não me levavam a exame, o que acabou por acontecer por não ter chegado aos 18, tendo sido informado que me devia autopropor ao dito cujo, o que me deixou orgulhoso porque tinham achado que eu até o podia fazer sozinho, só que o meu pai ficou chateado porque tinha gasto um balúrdio mas só porque o colégio receava perder o lugar no ranking mandou-me às urtigas e, à minha conta, lá fiz o exame e tirei um 20 e ri-me nas barbas do padre e fui para outro colégio, também santificado, que tem um contrato com o Estado em que este (nós, segundo o meu pai) lhe paga para também formar malta do público e, como trazia o 20, lá me “aceitaram” com muitas recomendações sobre o desmazelo que lhes poderia afectar a posição no pódio do ranking que tive em boa conta mas, como tive a gripe A, tive apenas 16 nos primeiros testes e já começaram a fazer-me a folha para me porem fora, como imperativo divino para a divindade não cair do pódio, e o meu pai anda fulo porque o novo padre e as irmãs estão a fazer pior que os da “face oculta”, e eu agora entendo melhor porque é que o ensino privado está tão avançado em Portugal, porque assim os filhos dos ricos têm garantido que dos filhos dos remediados e carenciados só lá sentam o cu os que são muito bons para estarem aptos a ascender a ricos, ou alea jacta est como diria o Suetónio para o Júlio da mulher mais ou menos séria, e, se ainda assim não for lá, o meu pai já garantiu a troco de uns milhares de euros um curso faz de conta que fará de mim engenheiro para toda a obra e júris amigos dos maneis godinhos, que andam à sucata e, posto isto, passem bem que se faz tarde e o meu patrão paga o trabalho infantil a 30%.

As mãos de Fatima, por Laila Shawa (Palestina)


Palestina e Israel: a progressiva ocupação


Frase de fim-de-semana, por Jorge




"Acreditem nos que procuram a verdade, duvidem dos que a encontram"



André Gide

Vox populi


O António Mota, presidente da Mota-Engil, disse que os vigaristas não podiam ter vindo todos para Portugal... E eu concordo. Fizeram-se por cá e se foram esmerando na difícil tarefa de conferir novos paradigmas éticos para este país e de garantir as necessárias impunidades nas respectivas empreitadas. Empreendedores, pois então...

É apenas uma certa maneira de cantar, de José Gomes Ferreira


Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho

com egoísmo de fonte.

Quando sente voos na garganta,

desce ao caminho,

da solidão do seu monte,

e canta

em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária outra razão

- ou desejo de arrancar o sol do chão –

para explicar

a reforma agrária

no Alentejo.


É apenas uma certa maneira de cantar.



quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Solidariedade com Aminattou Haidar


A activista sahraui pelos direitos humanos, Aminattou Haidar, está em greve de fome no aeroporto de Lanzarote desde o passado dia 15, exigindo o seu regresso à terra-natal, o Sahara Ocidental, para aí viver em paz com os seus filhos, e de onde foi expulsa pelas autoridades marroquinas e levada para Espanha ilegalmente com a cumplicidade de Zapatero.

O seu estado de saúde está a debilitar-se progressivamente, depois das graves consequências físicas resultantes das torturas em prisões secretas marroquinas.

Ainda sobre a queda do muro (o de Berlim, entenda-se…), a propósito de um debate

Tive a oportunidade de há dias participar num debate promovido pelo Le Monde Diplomatique a propósito da edição no seu número de Novembro, Vestígios apagados da Alemanha de Leste”, do jornalista alemão Bernard Umbrecht. Os participantes eram poucos e os oradores três: João Arsénio Nunes, historiador que tem trabalhado sobre o movimento comunista, Vera San Payo de Lemos, professora universitária e dramaturga que teve contactos com os meios culturais da RDA e os mantém hoje e Reinhard Naumann, que representa desde 1996 em Portugal a Fundação Friedrich Ebert, que apoia a UGT, e que, dias antes participara numa conferência da corrente socialista da CGTP-IN, a que já fiz referência neste blog, e que tem, escrito sobre o movimento sindical português.

O artigo de Bernard Umbrecht ilustra a constatação do autor de que depois da queda do muro, se iniciou uma “guerra-fria da memória” ou damnatio memoriae destinada a apagar da história e da memória o que foi a RDA. É uma apreciação objectiva por parte de alguém que não é comunista, como muitos outros fazem (lembro-me de um artigo há dias no Publico de Elísio estanque, por exemplo).

Naumann rejeitou várias afirmações do autor, algumas das quais em termos não verdadeiros, e senti necessidade de intervir sobre alguns pontos. Estive na RDA antes e depois da queda do muro, tenho amigos lá, e somo a minha experiência pessoal à de muitas outras pessoas que a tiveram. Tenho a partir daí e com base em informação de diferentes fontes, uma opinião sustentada do que ali se passou.

Naumann sempre viveu na RFA, não foi à RDA nem antes nem depois, e veio há muitos anos para Portugal. Talvez para compensar este handicap, declarou ter sido esquerdista e militado numa organização pró-soviética (Arsénio Nunes replicou que era comunista mas nunca tinha militado numa coisa dessas…).

Insinuou que 40 anos de socialismo na RDA certamente geraram crescimento dos nazis mais do que nos 13 anos de Nacional-Socialismo. Que os habitantes de Berlim Leste queriam a Coca-Cola, o que em sentido figurado até se pode compreender no quadro de uma atracção por modas de consumo em que a RFA investiu muito na parte ocidental, isto embora se produzisse já nos anos setenta uma bebida parecida com a Pepsi-Cola. Que foi importante destruir o Palácio do Povo perto da Alexander Platz (ver foto) porque este fora construído a partir da demolição de um palácio dos kaiseres (de facto o tal palácio desactivado fora praticamente destruído nos bombardeamentos de 1945, não tinha valor intrínseco enquanto a destruição do Palácio do Povo gerou uma indignação muito forte na ex-RDA). Que o regime socialista estava podre e tinha que desaparecer e não de ser reformado.

Ficou muito irritado por eu ter dito que importaria saber as razões que levaram os dirigentes da RDA, em 1961, ter decidido construir o muro, depois da divisão em 1945 da cidade em 4 zonas de administrações americana, russa, inglesa e francesa. Que problemas de fronteira teriam ocorrido, depois da guerra-fria se ter iniciado em 1947, nesses 14 anos. Explodiu “Não posso com estes tipos que ainda querem justificar o muro”, depois de lhe ter dito que eu não concordava com a sua sobrevivência.

Arsénio Nunes fez, de forma breve, uma referência a acontecimentos anteriores para ajudar a compreender algum curso da história mais recente: a falta de uma coesão desde 1871 e a distinção das duas parcelas do território (a RDA era, mais ou menos, a mittledeutschland, território e grande influência comunista e do movimento operário) não se resolveram em três quartos de século e ajuda a compreender que a “reunificação” de 1990, de facto uma anexação, nunca tenha sido sentida até agora; a fundação do SED (partido do poder na RDA) resultou de um entendimento entre sociais-democratas de esquerda e comunistas, depois da sua divisão histórica inicial, semelhante à formação do actual Die Link; formação da RFA, não prevista nos acordos de Potsdam e Ialta, por pressão americana, a que reagiram os dirigentes da zona de administração soviética, impondo aos soviéticos, contra a vontade destes, a constituição da RDA; o apoio soviético às reformas pós-guerra neste território.


Às considerações feitas no artigo do Le Monde Diplomatique voltarei dentro de dias, a propósito do sucesso eleitoral do Die Link nas últimas eleições.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Auto-retrato de Picasso (período Azul)


segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Cartão de Boas-Festas de Johnson para Obama

publicado no site da organizção da manifestação contra as guerras dos EUA no próximo dia 12 de Dezembro, em Washington, em frente à Casa Branca

Dão-lhes o benefício de quê?


Vários dos nossos comentadores de serviço ficaram perplexos com a escolha de Herman Van Rompuy e Catherine Ashton para os cargos configurados no Tratado de Lisboa de, respectivamente, Presidente da União e Ministra dos Negócios Estrangeiros da dita.
Porquê? Porque são desconhecidos e isso não projecta a importância da UE no mundo e o Obama, o Hu Jintao, o Lula, o Singh e o Medvedev não sabem a quem telefonar. São burocratas e não políticos, mas, vamos lá a vêr, se todos vivemos disto vamos dar-lhes o benefício da dúvida...
O ideal seriam o Blair e, quem sabe, a Bruni. Talvez tivessemos mais encargos financeiros, mas o "peso" era outro.

Não nos esqueçamos, porém, que ,pelo mesmo critério, o nosso Cherne deu à sola. O Barroso que só seria conhecido pelo desvio dos móveis de nuestros hermanos, quando no PREC lá foi dar uma perninha à provocação do assalto à embaixada de Espanha, não tinha aquele olhar de águia do Filipe Gonzalez, e também para lá foi para ficar caladinho. Que para isso é que lhe pagam...Se não tinham vindo buscar o Figo. E o Sarkozy, o Brown e a Merkel não estão para aí virados. Federalismo, federalismo, Europa, Europa mas quem manda são eles.

Dia 27, jantar de sabores palestinianos


domingo, 22 de Novembro de 2009

Museu do dèzaine, por J.


Rua Augusta, antiga sede do BNU, quatro Beatles gigantes à porta (a que propósito?). No interior, totalmente devastado por obras abortadas!, o MUDE - Museu do Design e da Moda. Móveis esquisitos, sofás disparatados, alguma loiça e imensos vestidos. O design industrial quase ausente (uma Vespa, um pequeno expositor com algumas torradeiras, trituradoras, câmaras, rádios..., e é tudo).Pobre demais para tanta pretensão ("o MUDE é um museu para todas as expressões do design").
Aí vão as fotos clandestinas possíveis, à sorrelfa dos curadores e dos decoradores.
J.