sábado, 6 de Fevereiro de 2010
A crise da política do governo, ontem na baixa de Lisboa
sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Exposição do PCP sobre a “Revolução Republicana na História da Luta do Povo Português”

O PCP inaugurou uma exposição, no Porto, sobre a «Revolução Republicana de 1910 na História da Luta do Povo Português». Albano Nunes, do Secretário do CC do PCP, apresentou a primeira de um conjunto de iniciativas que o PCP vai promover com o objectivo de contribuir para um melhor conhecimento do que foi e do que representou esta revolução. Para o PCP é uma oportunidade para aprofundar o conhecimento da história contemporânea do nosso povo (...) e tirar lições para a luta do presente.»
Ver aqui a interessante intervenção de Albano Nunes.
quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
A República, segundo Mário Soares, na RTP
Chega-nos a notícia de que está em preparação uma série televisiva que passarána RTP em Outubro, por altura da comemoração do 100º aniversário da
proclamação da República - série que, em oito episódios de 50 minutos cada,
se propõe falar-nos de «cem anos de política portuguesa, entre 1910 e 2010».
Ora aí está uma excelente ideia!
A notícia prossegue, informando que esses cem anos chegar-nos-ão «através do olhar privilegiado de Mário Soares», que é «a personagem principal» da série
e que nos «vai contar as suas memórias». Ora aí está como se estraga uma excelente ideia!
A notícia diz, também, que «o testemunho de Mário Soares será, depois,
cruzado e confrontado com os testemunhos de outras personagens» pertencentes«a todos os quadrantes políticos».
Lendo os nomes dessas «outras personagens» constata-se que estão lá «todos
os quadrantes políticos»... menos o dos comunistas...
Ora aí está no que uma excelente ideia pode dar!
Quem está a realizar a série é um cineasta sobrinho de Mário Soares, de seu
nome Mário Barroso - apoiado numa «equipa ecléctica de oito intelectuais»,
ou seja: também pertencentes «a todos os quadrantes políticos».
Lendo os nomes dos oito eclécticos constata-se que nenhum deles é comunista
- nem pouco mais ou menos...
Ora aí está a ideia!...
Posto isto, está-se mesmo a ver o que aí vem: é uma série portuguesa,
concerteza, é concerteza uma série portuguesa...
Organizações Não-governamentais ou instrumentos das multinacionais?

O jornalista Julien Teil, em recente artigo, aborda a questão dos numerosos programas de solidariedade internacional sustentados por organizações inter-governamentais e a sua relação com ONGs e comunicação social. Alguns deles parecem não representar os valores e ideais que reivindicam. Existem entre eles relações. O autor aborda o conceito nascido nos anos 90 e um programa de solidariedade que está a decorrer.
Nele são analisadas as relações que se estabelecem para permitir discernir a perspectiva em que se empenham.
Apesar das claras divergências entre a “sociedade civil” e as empresas privadas transnacionais, as ONGs alinham mais com os Estados e as empresas privadas do que serem independentes ou contra-poderes, como quiseram criar algumas ideias, hoje já muito “carecas”. As ONGs (muitas delas) entraram em deriva e passaram a representar progressivamente a defesa de interesses alheios à democracia. A ideia que também vai fazendo o seu caminho de um governo mundial a que as ONGs estariam, associadas é uma perspectiva ainda pior e contraditório com o próprio conceito de democracia.
Cooperação petrolífera sem guerra

O ano que passou foi marcante no que respeita à “guerra da energia”. Sucessivos acontecimentos provaram a capacidade de países produtores da Eurásia fazerem entre si acordos com que os EUA nada têm a ver. Com impacto, portanto, na descentralização de iniciativas que favoreçam desenvolvimentos regionais. É a razão a falar mais alto que a guerra que tem assolado o Iraque, o Afeganistão, e que pode afectar o Iémen, determinada pelos esforços “ocidentais” de dominarem a produção, a distribuição e os preços do petróleo, muito longe dos seus próprios territórios.
Em Janeiro foi inaugurado o gasoduto que liga o norte do Irão, na bacia do Mar Cáspio com às jazidas petrolíferas do Turquemenistão. Em Dezembro a abertura de um novo oleoduto que junta as novas jazidas da Sibéria à China e aos novos mercados asiáticos do Pacífico, com um orçamento de 22 biliões de dólares. E ainda em Dezembro a inauguração do gasoduto chinês e do terminal petrolífero junto ao porto de Nakhodka na Sibéria Oriental.
Como poderá ler mais desenvolvidamente neste artigo, poderá assim ficar aberto um caminho de harmonização de interesses em conflito entre China, Rússia e Irão com vista a uma cooperação pacífica vantajosa para toda a Eurásia.
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Voos na zona em tempo real

Mário Crespo saneado do JN após intervenção do governo

Menos Estado?

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010
Francisco Silva diz que o «Ocidente» devia ser modesto e educar os filhos com verdade
"...Acredito que qualquer destes dois bem interessantes livros poderá vir a ser, mais cedo que tarde, publicado em português…e Das pampas nos chega um recado da presidente argentina: Carne de porco é melhor que Viagra

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, recomendou na quarta-feira o consumo de porco como alternativa ao Viagra, contando que passou um fim-de-semana romântico com o seu marido e antecessor, Néstor Kirchner, depois de um churrasco com essa carne.
«Acabam de me dizer algo que eu não sabia: comer porco melhora a vida sexual (...). Eu diria que é muito melhor comer um pedaço de porco grelhado do que tomar Viagra», disse Cristina a suinicultores. Contou ainda que recentemente comeu porco e «as coisas correram muito bem naquele fim-de-semana, então pode bem ser verdade.»
Os argentinos têm o maior consumo per capita de carne bovina, mas o governo tem tentado promover a carne suína como alternativa nos últimos anos, para diversificar o mercado. «Tentar não custa nada, então vamos lá», disse Cristina Kirchner no discurso, transmitido pela TV.
(diário digital, hoje)
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
Ainda o Avatar...
Diz o Público que este se candidata a se um recorde de bilheteira, na senda do Titanic. James Cameron trabalhou para isso e R. Murdoch, apesar de avesso à mensagem do filme, vai gostar do resultado do filme em maravedis...O conteúdo é uma antevisão dos destinos a que capitalismo e imperialismo podem levar o planeta, na sobre-exploração de riquezas n aturais e consequências no ambiente, e o risco que isso constituiria para seres de outros planetas, alvos dos apetites dos dirigentes terráqueos. Esta situação dá a pista a um dos seus operacionais para se transformar e aproximar dos na’vi para resistir ao invasor. Já o disse algures, o filme parece-me demasiado longo.
A direita, os apoiantes incondicionais da administração norte-americana e alguns sectores da Igreja Católica, consideram o filme como um discurso de Chávez ou uma catilinária de Chomsky…
As crianças não verem este filme é ambição censória de outros, ceguinhos que parecem estar à consideração de que os na’vi somos nós próprios que aqui lutamos contra este sistema injusto. É isto e não a remissão para seres extraterrestres do nosso futuro que assusta alguns pretensos psicólogos infantis…
Descontraído retoque

Hoje tive o privilégio de ir sentado no Metro. Em frente a mim, uma senhora de uns trinta anos puxa por dois estojos, afasta os cabelos e entrega-se a uma actividade meticulosa de melhoria do visual. Ele eram tintas, batons e pós (me desculpem os entendidos se a nomenclatura não é a mais adequada), pincéis e uma espátula (?). Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas, as pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela, indiferente, nem nos olhou. Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas e pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela indiferente, nem nos olhou.
ula (?). Foi a testa, as rosácias, as sobrancelhas e pestanas, os lábios e a ponta do nariz. Retoque de sucesso! A vizinhança sorria com o à vontade. Ela indiferente, nem nos olhou.
domingo, 24 de Janeiro de 2010
No "Entrecopos" hoje

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
Vox populi

Manuela Ferreira Leite e Portas correm para ver quem vai primeiro à entrevista com Sócrates. É uma cena comovedora, bem ilustrativa do sentido de estado e de responsabilidade dos nossos abençoados governantes e convidados para o banquete... Benditos os filhos desta pátria que tantos exemplos têm dado ao mundo. Agora, sim, durmo descansado, et pluribus unum.
quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010
6 A 27 FEV / 13 MAR

Sábados às 17h30
Entrada 5 euros
M/6
As palavras e a música preenchem cinco tardes no Jardim de Inverno. Recordam-se cinco poetas através da sua cumplicidade com os actores que os lêem.
6 FEV
ALBERTO DE LACERDA POR
JOÃO ABOIM piano
Música W.A. Mozart
13 FEV
LUIZA NETO JORGE POR LUIS MIGUEL CINTRA
JOÃO
Música Jorge Peixinho
20 FEV
MARIO CESARINY POR GRAÇA LOBO
OLGA PRATTS piano
Música Fernando Lopes Graça
27 FEV
SOPHIA DE MELLO BREYNER POR BEATRIZ BATARDA
BERNARDO SASSETTI piano
Música Bernardo Sassetti
13 MAR
HERBERTO HELDER POR MARIA JOÃO LUIS
IRENE LIMA violoncelo
Música J.S.Bach
quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010
“Poesia para a alma”, de Dulce Antunes

Lançamento, sábado, 23, das 16.30 às 19 h, na livraria “Enfants terribles” (cinema King). Apresentação de Ana Andrade.
terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Haiti:a incompetência dos EUA e da ONU
.jpg)
Também no seu site (naomiklein.org), Naomi denuncia que a Heritage Foundation, "uma das principais exploradoras dos desastres para impulsionar políticas impopulares a favor das grandes empresas norte-americanas", já está a fazer campanha para que a resposta dos EUA ao terramoto no Haiti deva servir para aplicar "reformas" na economia e no governo do país e também para "melhorar a imagem dos Estados Unidos na região".
sábado, 16 de Janeiro de 2010
Um herói da classe operária
Joe Hill é o nome abreviado de um trabalhador sueco que emigrou para os EUA no último quartel do séc. XIX, onde se tornou dirigente do sindicato Industrial Workers of the World (IWW). Era ao mesmo tempo cantor e intérprete de canções.
Depois de várias perseguições foi vitima de um processo que levou ao seu fuzilamento no estado do Utah em 1915. As suas cinzas foram enviadas em envelopes para todos os locais de implantação do sindicato e atiradas ao vento, simultaneamente, no dia 1 de Maio de 1916.
Em seu tributo foram feitos muitos poemas e canções. Uma delas, conhecida apenas por Joe Hill foi cantada por Paul Robson, Pete Seeger, Joan Baez, os Dubliners e outros. Apresentamos aqui a interpretação de Billy Bragg sobre a letra de Phil Ochs.
sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão de conhecimento"
Stephen Hawking (físico)
quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Comentários a propósito da discussão do Orçamento

Nos últimos dias, a propósito do Orçamento de Estado, tenho registado a frequência com que se fala particularmente de
1. Vai haver acordo com a “oposição” (entenda-se PSD),
2. PS e PSD têm a mesma estrutura ideológica e política e
3. As empresas têm dificuldades e não se safam? Paciência…Ou ainda os salários deveriam ser reduzidos e não só “congelados” ainda por cima tendo sido aumentados há pouco tempo…
Os comentários que me suscitam são
- O PS prepara-se para fazer entendimento à direita que, seguramente, se não vai traduzir apenas em propostas aceites para ficarem no texto da lei mas também por baixo da mesa.
- A actual estrutura ideológica e política é a mesma hoje e, no caso do PS, por vezes com posições mais à direita que as do PSD. Mas nem sempre foi assim tão evidente. Ambos se deslocaram à direita desde a sua formação inicial. A contra-revolução de 75 juntou-os e foi Sá Carneiro quem se aconchegou a Soares. O bloco central confirmou as perspectivas promissoras da partilha inicial do aparelho do estado e das principais políticas. A partir daí alternaram-se no governo mas continuaram a fazer o mesmo, com resultados semelhantes, e com muitos, muitos mesmo, acordos tácitos aos mais diversos níveis.
- A preocupação com o (s) défice (s) todos a têm mas se as medidas para lhes fazer frente forem tomadas fora de uma dinâmica de crescimento, matam (em termos económicos e sociais) e o que se mata não se recupera.
Mais do que insistir nestas teclas, importa ir buscar outras formas de conter o défice orçamental.
No caso das pequenas e médias empresas, reduzindo a taxa nominal do IRC mas agravando em termos equivalentes os lucros das grandes empresas com lucros superiores a determinados valores e acabando com o Pagamento Especial por Conta e o IVA a 30 dias, atendendo, por um lado, ao grande papel que estas empresas têm na criação de bens transaccionáveis (e não só), na maior dificuldade relativa na obtenção de crédito e nas condições de fornecimentos. Ou ainda taxar efectivamente as mais-valias bolsistas.
No caso das prestações sociais fazendo subir as pensões e reformas mais baixas que acompanhem a subida do salário mínimo e na administração pública obter a recuperação da perda real de salário ao longo dos anos que os mais recentes aumentos não recuperaram significativamente.
Os comunistas apresentaram ao PS propostas concretas com estes objectivos.
- É claro que quem governa é o governo mas o resultado das eleições de Setembro clarificou que era à esquerda que o sentido de entendimentos se deveria fazer. Não só a identidade das posições com o PSD não permitiam dar outro entendimento tanto mais que o PSD foi-se abaixo…E isso quer dizer, como muitos observadores, que não os “economistas do regime” têm salientado ser necessário, a saber, a melhor distribuição da riqueza criada, maior equidade fiscal, mais criteriosa utilização dos recursos públicos de maneira a potenciarem o crescimento económico, acabando com os favores a clientelas…
quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010
terça-feira, 12 de Janeiro de 2010
OMS sob suspeita: Conselho da Europa decide inquérito

segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Quando da Conferência de Copenhaga não havia consenso científico na ONU, segundo Thierry Meyssan
Sem que isso signifique a minha adesão total ao ponto de vista de Thierry Meyssan sobre os assuntos trazidos à cimeira de Copenhaga, entendo que é positivo equacionarmos as questões que coloca ao considerar que, ao contrário do que possa parecer, o que então esteve em debate não foi de natureza ambiental mas sim de ordem financeira associado ao relançamento do capitalismo anglo-saxónico. Neste primeiro artigo, de uma série que anuncia na voltairenet.org, Meyssan salienta o desprezo inicial pelo facto de não existir na ONU um consenso científico que não podia existir.
domingo, 10 de Janeiro de 2010
Faleceu Aida Gonçalves

Manipulação de manchetes no "Publico"
Hoje o Publico apresenta uma reportagem interessante sobre as condições de trabalho de 44 médicos cubanos em Portugal, como médic os de família em quatro distritos. Aconselhamos aliás a sua leitura. Mas quem faz a manchete e o lead na primeira pagem inverte completamente o que se retira do trabalho "Salários dos médicos cubanos são um mistério...a embaixada de Cuba diz que nada pode dizer sobre o assunto...". Mas na página 10 o mistério desfaz-se e na pagina 11, uma bela passagem da conversa com o jornalista do embaixador cubanoEduardo Lerner.
Apresenta também uma peça sobre a Taça das Nações Africanas onde o atentado dos dissidentes da FLEC (FLEC/PM) contra a delegação do Togo é tratado de forma satisfatória. Não o caracteriza como terrorista e acabaram por escolher para manchete "Angola queria mostrar-se ao mundo mas já perdeu a aposta"
Bem prega S. Marçal...

Segundo Marçal Grilo (administrador da Gulbenkian e da Partex Oil and Gas, ex-ministro da Educação, homem do sistema, apoiante das políticas de há uns trinta anos para cá, socialista, hoje no Público)
“ Os pais querem para os seus filhos uma escola mais exigente, porque sabem que nos dias de hoje não basta passar de ano e ter boas notas. É preciso saber, é preciso saber muito, é preciso saber pensar, é necessário ser responsável, ter iniciativa e, sobretudo, capacidade para lidar com a mudança.”
Segundo o INE (citado por Ana Cristina Pereira também no Público)
- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.
- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.
- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.
- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.
- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.
- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.
- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.
- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.
- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.
- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).
sábado, 9 de Janeiro de 2010
Frase de fim-de-semana, por Jorge

“Todos sabemos coisas que cremos que os outros não sabem”
Oscar Fate (jornalista, personagem de "2666" de Roberto Bolaño)
quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Militão Ribeiro morreu há 60 anos

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
Interesses privados põem em cheque credibilidade de organismos internacionais
1. Dois casos recentes, do ano que se passou mas cujos efeitos se prolongam, são elucidativos do que afirmamos, com a característica comum de terem fortes efeitos nos comportamentos dos estados e das populações à escala planetária.Foram eles os casos da pandemia da gripe A, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as estimativas de aquecimento global, por parte do Painel Internacional sobre as Mudanças Climáticas (IPCC).
2. No primeiro caso, na OMS passaram a ter papel decisivo a nível consultivo “musculado” personagens como o virologista holandês Albert Osterhaus, há pouco acusado de corrupção.
A OMS passou a fundamentar as suas posições públicas em relatórios de consultores como o Grupo Estratégico Consultivo de Peritos (SAGE e Grupo de Peritos de Consultoria Estratégica) integrado pelo personagem que, por sua vez, era também presidente do grupo de trabalho europeu sobre a gripe European Scientific Working Group on Influenza (ESWI). Este último é o pivot central entre a OMS em Genebra, o Instituto Robert Koch de Berlim e a Universidade de Connecticut nos EUA e é financiado por fabricantes e distribuidores de vacinas contra o vírus H1N1, como a Baxter Vaccins, a GlaxoSmithKlein, a MedImmune, a Sanofi Pasteur e outros, como a Novartis, que produz a vacina e a Hofmann-La Roche, distribuidora do Tamiflu.
Subfinanciados pelas grandes potências, organismos como a OMS recorreram a parcerias público-privadas para aumentarem os fundos disponíveis, neste caso destinado a bolsas e ajudas financeiras, credibilizando consultores que estão ligados à produção de vacinas e que, depois, impõem declarações favoráveis aos seus interesses como aconteceu em Junho passado quando a directora-geral da OMS, Sra. Margaret Chan, ao declarar a urgência endémica da gripeH1N1 credibilizou prognósticos catastróficos de milhões de mortos que geraram uma corrida dos estados e dos cidadãos a vacinas, gerando elevadíssimos lucros aos seus fabricantes (
Importa que se diga, para encurtar um maior desenvolvimento, que este mesmo Albert Osterhaus tem já uma longa carreira nos pânicos criados e que se não traduziram em nada que não fosse mais lucros para a indústria farmacêutica. Foram os anteriores casos do SRAS (sindroma respiratório agudo severo), em 2003 e da gripe das aves (H5N1) em 2005.
3. O outro caso ocorreu nas vésperas da recente cimeira de Copenhaga e a ele nos referimos aqui já em posts dos passados dias 2 e 4 de Dezembro.
Correu mundo a notícia, mas quem se lembra já dela?
A Climatic Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, falsificou dados fornecidos ao IPCC (International Panel on Climate Change), organismo de escasso valor científico próprio que, por sua vez, toma como boas para as previsões de alterações climáticas as previsões de modelos de escassa credibilidade.
Neste caso, a fraude levou à denúncia pelo New York Times, secundada por muitos investigadores que não beneficiam, directa e indirectamente, das prestações de serviços obtidas junto de organismos públicos por organismos que funcionam a partir de universidades a que vão buscar credibilidade para produzirem os seus “estudos” que depois fundamentam as decisões políticas.
Com isto não quero negar, até porque não tenho competência para isso, a afirmação que a emissão de gases com efeito de estufa não estejam hoje a fazer perigar mais do que aconteceu em situações históricas passadas as condições de vida na Terra. E, pela mesma razão, não me filio em qualquer uma das correntes, uma que diz que sim, que isso está a acontecer e a outra que diz que sempre houve alterações climáticas e que não há dados que provem que a intervenção humana esteja a provocá-la, atribuindo à primeira o carácter de propagandista e provocadora de pânicos que geram comportamentos que beneficiam importantes interesses económicos do “lobbie ambiental”.
4. Estes factores de descrédito de instituições que, no passado, se situavam acima de qualquer suspeita, aumentam a insegurança e é um fenómeno que tem que ser cuidado a todos os níveis.
Para blog, a prosa já está muito longa. Por aqui me fico, então.
segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
A lista negra de Obama e o próximo alvo

A imprensa de hoje revela a lista de países que Obama considera, para efeitos de recepção de passageiros deles oriundos, estes devem ter bagagem e o corpo perscrutado nas fronteiras
Afeganistão, Argélia, Arábia Saudita, Cuba, Iémen (que está na mira para ser o próximo alvo, Irão, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Síria, Somália e Sudão.
Parafraseando um comentário de um leitor no Público “... (a propósito do 11 de Setembro) porque até à data nem sequer nenhum tribunal norte-americano se debruçou sobre o assunto. Aliás, Obama, está há um ano no poder e nem sequer ainda determinou um inquérito independente sobre os acontecimentos desse dia. E lembro que nesse dia todos os voos alegadamente afectados eram voos domésticos. E todos os passageiros que os media culparam eram cidadãos residentes nos USA e todos aprenderam a pilotar em escolas norte-americanas”.
Acrescento eu que Obama ainda não fez tentativas para apagar fundamentadamente a impressão causada em muitos de nós que o 11 de Setembro poderá ter sido uma fuga para a frente para justificar novas guerras de agressão que lhe permitissem ultrapassar as suas próprias fraquezas.
domingo, 3 de Janeiro de 2010
50 anos atrás, a fuga de Peniche

Álvaro Cunhal
Carlos Costa
Francisco Martins Rodrigues
Francisco Miguel
Guilherme da Costa Carvalho
Jaime Serra
Joaquim Gomes
José Carlos
Pedro Soares
Rogério de Carvalho
O mistério do íbis-sagrado, por Jorge
1º andamentoDei com ele inesperadamente na primeira volta de bicicleta do ano, junto à ribeira de Almádena que aqui passa. Não se assustou, foi-se apenas afastando calmamente, de modo que pude ainda apanhá-lo in extremis com o zoom no máximo. Que excitação, uma coisa tão rara!
O que terá acontecido a esta ave, outrora tão considerada e adorada no Egipto, para vir parar a este modesto Barão? e ainda por cima junto à ETAR, local tão pouco apropriado para aves sagradas?
Explicação trágica: no trajecto migratório através do Mediterrâneo oriental, vindo da Europa Central a caminho das zonas quentes de África onde passar o inverno, foi colhida pelos temporais e arrastada pelos ventos até à Península Ibérica, onde exausta e longe do bando aguarda o triste fim que a espera com os frios que se aproximam.
Explicação mais prosaica e desdramatizada: terá fugido do zoo de Barão, lá em cima, a 500m e nem voar sabe...
Mistério? qual mistério, "o único mistério é haver quem pense no mistério" (Alberto Caeiro) :)
2ºandamento
Barão (de S. João) é a aldeia perto de onde tenho a casa. A poucas centenas de metros, fica o chamado "Zoo de Lagos", um parque zoológico "ecológico" sem grades, nem gaiolas, com macacos, patos, cegonhas, tartarugas, etc., construído há cerca de dez anos e muito visitado por escolas e turistas. É daí que talvez possa ter escapado o íbis-sagrado que encontrei a passear. Aves deste tipo são mantidas em cativeiro cortando-se-lhes as penas (remígias?) que lhes permitem voar. Se entretanto crescem um bocadinho, já podem dar para esvoaçar...
À primeira vista, custa a acreditar dar numa qualquer curva de um caminho algarvio com uma ave destas tão mítica, toda ela hieroglifos, faraós e cabeças de Tot, cujo habitat é o longínquo Nilo. De facto, tal como se demonstra pelos bandos de papagaios amazónicos que hoje vemos no Parque Eduardo VII, descendentes de algum solto ou fugitivo casal, ou pela quantidade de pássaros exóticos como o bico-de-lacre (americano) ou o bispo-de-coroa-amarela (africano) esvoaçando alegremente pelos campos de Alcochete, o mundo é tão aldeia global para os animais como para os humanos, com os seus moldavos, turquemenos ou uigures surgindo fora do "habitat" por onde menos se espera. Também os íbis-sagrados foram "introduzidos" na Europa central e tão bem se deram que por lá ficaram, esquecendo-se mesmo da chatice da migração, à imagem das neo-portuguesíssimas cegonhas sem as quais já a EDP nem consegue ter postes de alta tensão.
Isto hoje em dia, quando damos nos menús com "costeletas de crocodilo" ou o fado até é acompanhado a castiço contra-baixo, o que é que nos há-de ainda fazer espantar?
3º andamento
Podemos todos estar descansados, afinal o íbis-sagrado é bem algarvio!
Nascido e criado aqui em Barão no "Zoo de Lagos", cresceram-lhe as asas mais do que o previsto e gosta de ir "dar as suas voltas" (ipsis verbis tratador), mas regressa sempre a casa (ai não!...).
Não passa de um íbis-profano... tudo o que consegue enxergar como nilo é a lagoa da etar!
Já é difícil darmos com mistérios dos antigos... o mundo está a ficar tão corriqueiro!
sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010
Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Tiro fotografias para ver como o mundo fica nas fotografias"
Garry Winogrand (fotógrafo nova-iorquino, 1928-1984)
quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Os meus votos

Quase todos os meios de comunicação social aproveitaram para os seus balanços de 2009.
Em geral, as suas apreciações sobre os acontecimentos esbatem as responsabilidades do que de muito mau aconteceu. Quer no país quer no plano internacional.
O capitalismo revelou uma vez mais as suas taras, a desconsideração pelo ser humano. Em muitos países considerados livres, como o nosso, e que se arrogam em dar lições de democracia aos outros, o conteúdo da democracia vivida esvaziou-se e dela quase só ficou o envólucro e o seu sentido é preocupante no que respeita ao que a humanidade arrisca.
"Um profeta", um grande filme

O último dia do ano para uma estreia em sala não permitiu que ela acontecesse com mais espectadores. Foi pena. Mas um grande filme aí fica para ser visto nas próximas semanas por quem, como eu, não o tivesse visto no Festival do Estoril.
“Um profeta”, de Jacques Audiard, um realizador francês que ainda não conhecia, apresentava credenciais promissoras.
Foi um êxito no encerramento do Festival do Estoril deste ano. Trazia o prémio do Júri do Festival de Cannes deste ano, mais o prémio para melhor filme estrangeiro da associação de críticos norte-americano e está nomeado para o Óscar do melhor filme estrangeiro, mais recentemente recebeu o prémio Louis-Delluc, de melhor filme francês do ano e lidera com seis nomeações os candidatos ao prémio do Melhor filme Europeu
Na minha modesta opinião é um grande filme, a não perder de todo.
É um filme violento mas humano. Um jovem delinquente francês de origem árabe que cumpre pena, tece o seu próprio percurso criminoso através dos contactos que mantém com diferentes grupos organizados da cadeia e das saídas diárias que a lei lhe permite, depois de um percurso dependente como protegido de um chefe criminoso corso, também preso.
Un son para Portinari, de Nicolas Guillén

la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneón.
Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son.
Sueña y fulgura.
Un hombre de mano dura,
hecho de sangre y pintura,
grita en la tela.
Sueña y fulgura,
su sangre de mano dura,
sueña y fulgura,
como tallado en candela;
sueña y fulgura,
como una estrella en la altura,
sueña y fulgura,
como una chispa que vuela...
sueña y fulgura.
Así con su mano dura,
hecho de sangre y pintura,
sobre la tela,
sueña y fulgura,
un hombre de mano dura.
Portinari lo desvela
y el roto pecho le cura.
Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son!
Para Cándido Portinari
la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneon
quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
O Nobel da Paz quer abrir no fim do ano nova frente de guerra, agora no Iémen ?

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
domingo, 27 de Dezembro de 2009
Sugestões de leitura na net

O ruir do "campo socialista" : Implosão ou terceira guerra mundial? , por Domenico Losurdo
A limpeza dos ficheiros pelo IEFP, por Eugénio Rosa
Falência e Colapso Fiscal : A crise económica global ter um ponto de viragem na Primavera de 2010
Espanha: a política salarial em tempo de crise, por Ignacio Alvarez Peralta
sábado, 26 de Dezembro de 2009
Paraguai: saúde pública passa a ser gratuita

O governo do Paraguai anunciou no dia de Natal que os serviços médicos de saúde pública passarão a ser completamente gratuitos em todos os centros de saúde do Estado. Mas que os pacientes ainda terão que pagar se precisam de algo que os centros de saúde público não possam ainda fornecer.
Segundo o governo, esta medida permitirá aos paraguaios pouparem mais de 60 milhões de dólares em 2010.
Manuel Guedes nasceu há 100 anos

Falecido em 1983, o seu exemplo e a firmeza das suas convicções permanecem hoje como um motivo de orgulho para todos os comunistas.
quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009
O amolador
A flauta do amolador era um dos sinais da manhã e o café com leite um outro a entrar-nos nas narinas e a minha mãe “Meninos são horas…” para logo voltar à janela e chamar “Sr. Manuel, já aí vou” e num repente saíam guardas - chuva, tachos, uma tesoura e algumas facas, ficando nós a olhar da janela a mestria do amolador que fazia soltar faíscas mágicas das peças que resistiam a ir para o lixo e que voltavam como novas até que dia perguntei à minha mãe o que era a vizinha ter a língua afiada, antevendo-a debruçada na roda a retocar as formas da referida, ao que ela me sossegou, remetendo a matéria para o foro do carácter, coisa de que o meu pai já nos tinha começado a falar, e assim ficou intacta a nossa consideração por aquele homem que do velho fazia novo, enquanto tocava a flauta, se fazia anunciar e ainda tinha tempo para um piropo às sopeiras alvoraçadas, terminando com o sonoro rematar "Dona Regina, o material está pronto e em condições e são dois mil reis".
quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga (conclusão)

O presidente Evo Morales rejeitou hoje a acusação da Inglaterra de que tinham sido a Bolívia, China e a Venezuela a comprometerem os resultados da cimeira de Copenhaga.
Anunciou, por outro lado uma conferência mundial de movimentos sociais para 2010 a realizar na Bolívia no próximo mês de Abril, que de certa maneira substitua o fracasso de Copenhaga na preparação da Conferência que também no ano de 2010 se realizará no México.
Esta iniciativa pode dar a voz a esses movimentos e aos países em desenvolvimento que lhes foi negada em Copenhaga.
O fracasso de Copenhaga era previsível. Os EUA não querem comprometer-se com metas minimamente significativas e procuram comprometer os países em vías de desenvolvimento em acordos que os impedissem de prosseguir essa via. Desde as vésperas da Conferência tentaram atrair países emergentes e com a União Europeia para, com um documento-fantasma que ora aparecia ora desaparecia, imporem aos restantes países esses acordos. Não o conseguiram e, de facto, nessa resistência à manobra, a Bolívia, Venezuela e China destacaram-se.
Foi uma pesada derrota dos que, como Obama, pensam pelas cabeças das principais empresas responsáveis pelas emissões com efeito de estufa. Mas foi também um desfazer de expectativas por parte de muitos países e movimentos. Há que continuar a luta.
terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Postal de Natal extragaláctico do J.

Festiva imagem da maior e mais prolífica maternidade estelar da nossa vizinhança galáctica!
O enorme grupo R136 de jovens estrelas acabadinhas de nascer (pouquíssimos milhões de anos de vida) pertence à nebulosa Doradus da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa.
Muitas das estrelas azuis na foto são das maiores estrelas conhecidas e várias delas têm mais de 100 vezes a massa do nosso Sol. Muitas vão desaparecer como supernovas dentro de breves milhões de anos. É a vida...
Felizmente, contudo, estrelas é coisa que não nos vai faltar!
J
domingo, 20 de Dezembro de 2009
As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga

Em artigo de 2007, o professor Michael Klare, escrevia que sessenta litros de petróleo é quanto um soldado americano no Iraque e no Afeganistão consome em média diariamente - quer directamente, através do uso de veículos blindados, tanques, camiões e helicópteros, ou indirectamente, nos ataques aéreos. Se multiplicarmos este valor por 162.000 soldados no Iraque, no Afeganistão, 24.000 e 30.000 na região circundante (incluindo marines a bordo dos navios de guerra no Golfo Pérsico) chegamos então a cerca de 12,2 milhões de litros de petróleo, com as correspondentes emissões de dióxido de carbono, que ésãoa factura de petróleo por dia, durante operações de combate dos EUA na zona de guerra no Médio Oriente. Por outro lado, em 2008, Oil Change International publicou um relatório mostrando que:
O relatório também observou que as emissões associadas com a guerra no Iraque pura e simplesmente não são declaradas. As emissões produzidas pelos militares no exterior não são incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa por todas as nações industrializadas, incluindo os Estados Unidos, no relatório sobre a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. E o seu valor é enorme. A escalada da guerra no Afeganistão levará, naturalmente, a um grande aumento também nas emissões de gases com efeito de estufa. | |
O PS procura o conflito institucional

sábado, 19 de Dezembro de 2009
Faça as suas compras dia 23. Solidarize-se com os trabalhadores das grandes superfícies, em greve dia 24. Diga não à escravatura moderna!

No passado dia 14 reuniram-se dirigentes, delegados e outros activistas sindicais das empresas da grande distribuição, donde saiu a convocação de uma greve para dia 24
Da resolução que aprovaram, ressalto o seguinte:
“…Na segunda está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na terça vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas em regime de adaptabilidade ou para o banco de horas, conforme opção da empresa, mais 4 horas, até à 1 hora da manhã, e vão 12 horas de trabalho …
Na terça, no final do dia, simplesmente, dizem-lhe que na quarta vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas no regime de adaptabilidade ou para o banco de horas mais 4 até à 1 hora da manhã, e vão mais 12 ....
Na quinta está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na sexta vens fazer mais 4 horas antes das 12, entras às 8 e depois fazes o teu horário normal das 12 às 21 horas, e vão mais 12 horas de trabalho ....
Na sexta o chefe diz-lhe: sábado vens fazer mais 2 horas antes das 12, entras às 10, segue-se o teu horário normal das 12 às 21 horas, e a seguir, porque é sábado as vendas aumentam, precisamos muito de ti cá, fazes mais 2 das 21 às 23 horas, e vão mais 12....
No sábado dizem-lhe, simplesmente, amanhã domingo vens às 10 horas e trabalhas até às 23 horas, e vão mais 12 horas de trabalho.
No conjunto trabalhou 60 horas na semana, espectacularmente, foi respeitado o horário fixo, os 2 dias de descanso e os 5 de trabalho e ainda as 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho impostas pela lei.
Este exemplo pode ser aplicado a quaisquer horários, com ligeiras adaptações, semanas e semanas a fio … E assim sucessivamente, semana após semana, até adoecer ou se despedir porque não aguenta mais os problemas familiares, ou então junta-se aos outros colegas e pára o trabalho até o abuso terminar e a empresa respeitar a saúde, a vida, a família e a dignidade de todos os trabalhadores.
Nas lojas com menor amplitude de abertura, em vez de 2 passam a precisar apenas de 1 trabalhador para fazer todo o horário da secção ou sector.
Para evitar esta experiência muito traumática, que alguns já provaram e sabem ser insuportável, recusamos negociar estas desumanas barbaridades, contrárias à saúde, à vida, à família e à dignidade dos trabalhadores, que têm em vista aumentar o imenso poder unilateral das empresas e seus representantes nos locais de trabalho, a obtenção de trabalho gratuito para reduzir custos, diminuir o emprego e aumentar lucros.
Recusamos também aumentar ainda mais a precariedade, com motivos para contratar a termo e em alternativa exigimos a reposição da legalidade, ou seja a passagem a efectivos dos trabalhadores contratados a termo a ocupar postos de trabalho permanentes.
De igual modo exigimos um aumento salarial que actualize os baixos salários praticados na grande distribuição, a maioria ao nível ou próximo do salário mínimo nacional, apesar do desmesurado crescimento e lucros dos grupos e empresas da grande distribuição. “
Dois sinais


sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Frase de fim-de-semana, por Jorge

Todos os carrascos que vi na minha vida eram pessoas evoluídas,sensatas, de grande intelecto
terça-feira, 15 de Dezembro de 2009
Poema aos homens constipados , de Lobo Antunes

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
Os calceteiros

Está frio
Mas, depois de uns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha, os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua.
Cesário Verde
O arrefecimento global exige uma outra conferência, crónica do Rodrigo
Presidente do Chile será eleito na 2ª volta. Comunistas regressam à Câmara 36 anos depois...

Os comunistas e seus aliados mais próximos tiveram uma importante votação e romperam com o acesso que lhe estava vedado ao Parlamento. Não estavam no Parlamento desde há 36 anos, quando do golpe de Pinochet. O Presidente e o Secretário-Geral do Partido, respectivamente Guillermo Teillier e Lautaro Carmona foram dois dos três novos deputados eleitos.domingo, 13 de Dezembro de 2009
sábado, 12 de Dezembro de 2009
Sugestões de leitura na net
Luis Carlos Molion – O reduzido papel das emissões de CO2 nas alterações climáticas de um período que é de arrefecimento e não de aquecimento globalFrancisco Silva - Afinal estamos ou não a sofrer as maldades do dióxido de carbono que produzimos
Mahdi Darius Nazemroaya – Planos para redesenhar o Médio Oriente:o projecto de um Novo Médio Oriente
Albano Nunes – A escalada militar no Afeganistão
Denis Netcheporuk - A Ucrânia vinte anos depois
Domenico Losurdo - Um primeiro balanço dos anos Lenine e Estaline
sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
A justificação da guerra

"Dizer que a guerra é por vezes necessária não é apelar ao cinismo, é reconhecer as imperfeições do Homem e os limites da razão" (Barack Obama)
Contribuições para uma abordagem marxista da Ética, de Manuel Dias Duarte

Aceitando-se que a Ética é um produto da sociedade de classes, não havendo portanto princípios ou valores éticos eternos, uma questão se impõe: existirá uma ética marxista ou apenas uma abordagem marxista da Ética?
É com esta questão que abre
“Um ano antes de morrer, era muito clara a oposição de Marx a todas as
tentativas utópicas de redigir códigos de conduta futuros válidos para uma qualquer “cidade do sol”. A propósito das normas e valores ideais que necessariamente haveriam de dar forma às relações entre homens e mulheres vindouras, vivendo já em comunismo, escrevia Engels, em 1884, falando por ele e pelo amigo:
“Assim, aquilo que hoje em dia podemos presumir acerca do regime [Ordnung] das relações sexuais após o iminente varrimento da produção capitalista é, sobretudo, de carácter negativo, limitando-se quase só àquilo que vai desaparecer. Mas o que é que haverá de novo? Isso decidir-se-á
quando tiver crescido uma nova geração: uma geração de homens que nunca na sua vida tenham chegado à situação de comprar a entrega de uma mulher por dinheiro ou outros meios sociais de poder, e uma geração de mulheres que nunca tenham chegado à situação nem de se entregar a um homem por quaisquer outras considerações para além de um real amor nem de recusar a entrega ao homem amado por medo das consequências económicas. Quando estas pessoas existirem, não darão a mínima importância àquilo que hoje se acha que elas deveriam fazer; construirão as suas próprias normas de conduta (Praxis) e a opinião pública para julgar a praxis de cada um – ponto final” (Friedrich Engels, A origem da família, da propriedade privada e do estado, Lisboa, Edições Avante!, 2002, pág. 104).
A postura de Marx e Engels, ao longo de todas as suas obras, aponta sem dúvida
para a conclusão de que, na sua geração, não era possível constituir-se uma ética
marxista, mas apenas proceder a uma crítica permanente e combativa de todas as propostas éticas…sem moral e, em particular, da ética burguesa e capitalista.
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
Ora então, vamos lá…
O ambiente mediático, informativo e de análise, com que convivemos está a contribuir para uma perda de referências éticas, uma habituação à inevitabilidade de um país sem saída dominada por corruptos, eventualmente ao descrédito quanto à possibilidade de mudanças que, eleição após eleição, têm reconduzido nos órgãos de poder maiorias do “centro” do espectro político, com resultados que se mantêm, agravados – é certo – mais recentemente pelo agravamento da crise interna. Repartir as responsabilidades nos governos destes 33 anos é importante para que se não perca a memória da política e dos seus protagonistas. Tal como é importante, nesta conjuntura, não isentar, em nome disso, os governos de José Sócrates que assumiram, particulares responsabilidades no desbaratar de esperanças, na pioria da qualidade da vida e do usufruto dos direitos, no embaciamento do que se exige que seja transparente, no show-off e no faz de conta, no autoritarismo sem a autoridade que foi perdendo, no confronto social e incapacidade de perceber e discutir o que dizem os portugueses. Enfim, não estendamos mais o rol sob pena de contribuir para agravar depressões que se sentem em muitos que foram mulheres e homens sérios, que souberam educar, trabalhar com olhos também no país.
O país não vai morrer. E já passamos por sebastianismos bastantes para não ir por aí. Há condições para outras vias se abrirem, no respeito da vontade colectiva e do funcionamento democrático no seio da sociedade. Se soubermos derrubar os muros que nos quiseram criar dentro das nossas cabeças e reinventarmos em cada dia que passa a solidariedade, a camaradagem, o respeito pelos trabalhadores e pela tão necessária riqueza que lhe sai das mãos, o papel central do trabalho na recuperação do país, então estaremos num caminho mais acertado.
quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Síndroma adormecido do queijo limiano

A viabilização do Orçamento rectificativo por Paulo Portas não é uma pirueta inesperada.
Quando ficou claro que este orçamento confirma a fraude e a evasão fical como revelou Eugénio Rosa.
O dirigente do CDS/PP joga em vários carrinhos.
Joga na captação de votos, combatendo com declarações tonitruantes usando os temas políticos que lhe são alheios e que repudiaria se entrasse de novo para o governo como abundantemente ficou provado por anteriores passagens por outros governos.
Joga como partido” responsável” quando, agora uma vez mais, manda o discurso distintivo às urtigas e viabiliza o dito orçamento, sem dúvida à espera de mais lugares à mesa.
Quanto ao PSD, vamos a ver, como diria o cego.
E, como diria o meu avô, isto é gente de apetite…
O Público e Copenhaga: “aposta simples” e exorcização de esqueletos ou mercantilização do ambiente?
Mais do que o blá, blá, blá pseudo-ambiental, da “resposta simples”, importaria que RT se pronunciasse sobre questões como:
- Considera-se cientista suficiente para duvidar da base científica dos muitos milhares de cientistas que contestam a importância relativa dada ao factor humano nas alterações climáticas ?E concorda com o "encerramento" desta discussão que Al Gore quer é, do ponto de vista da Ciência, uma posição avisada?
- Que avaliação faz sobre outros factores que influenciam as alterações climáticas (actividade solar, guerras e radiações nucleares, detritos industriais de alta capacidade de contaminação, etc.) para considerar que o factor humano (obviamente está a falar das emissões industriais de gases que influenciam o efeito de estufa, provocadas pela actividade económica) é decisivo para elas?
- Na sua classificação dos “cépticos” (adaptação não pouco inocente dos “euro-cépticos”) porque não incluiu os que apesar de recusarem a “convergência” delineada pela presidência dinamarquesa - num documento de facto preparada com os Estados Unidos e o Reino Unido - admitem, no entanto, o contributo das emissões gasosas para alterações climáticas, apresentaram soluções diferentes das dos países mais poderosos? Não considera essa sua atitude maniqueísta?
- Acha que estes e outros "cépticos" estão a fazer o jeito às teses anti-aquecimento global de Bush e Cheney?
- Sabe que o negociador dos EUA quando da declaração de Quioto, que os EUA não subscreveram causando toda a inconsequência dessa declaração de há 12 anos, se chamava Al Gore e que concordava com tais orientações de Clinton, então presidente?
- Quando Al Gore se lançou na campanha "contra" o aquecimento global, com um filme que continha trapaças pré-fabricadas, RT soube apontar-lhe quais eram?
- Acha que o Grupo dos 77 mais China ao reagir à declaração dinamarquesa se porta como um bando de arruaceiros e que nada têm para oferecer em alternativa? E que esse documento, depois de rejeitado, afinal não existia, era apenas um documento de trabalho, etc., etc.?
- O RT concorda ou não que os cortes das emissões gasosas têm que ser mais significativos nos países mais desenvolvidos, os maiores responsáveis pelo aquecimento que se terá verificado desde o início da industrialização?
- E que é injusto fazer idênticas exigências a outros países que nos últimos anos estão a fazer um esforço enorme para saírem do subdesenvolvimento, dos abismos das desigualdades e da fome?
- Quando Lula diz que "os países mais ricos falam muito mas fazem pouco" (alusão à grandiloquência das declarações de Obama e alguns dirigentes europeus), o RT acha que é ele que não está a ser "minimamente sério" e que o que Obama "nos tem que oferecer é muito"?
- Também está com aqueles opinion-makers dos burocratas de Bruxelas que dizem que a China e os EUA estão com metas “pouco ambiciosas”, admitindo que os ridículos 4% dos EUA podem ser comparados com a "decisão voluntária, baseada nas condições nacionais, mas com vontade de contribuir para o esforço global", da meta de Pequim de reduzir a intensidade das suas emissões até 45%?
- RT só fala nos acordos quanto às emissões de CO2. E as outras coisas que estão em cima da mesa e que terão que fazer parte de um acordo muito complexo?
- Se RT não o referiu, será que está de acordo com a mercantilização do ambiente, questão substancial da declaração da presidência dinamarquesa, que decorre da criação do comércio (mercado) de carbono que transferisse as preocupações universais na redução de gases de efeito de estufa para a gestão bolsista dos activos financeiros (fictícios…) de um novo mercado especulativo e com as consequências daí resultantes? Concorda com a presidência dinamarquesa em entregar essa gestão ao Banco Mundial? Ou acha que isto não é importante? Será também expressão de cepticismo não estar de acordo com isso?
- Outras questões em debate são as relacionadas com a “adaptação” e “mitigação”, em termos gerais, isto é, que inovações introduzir para que a redução de emissões afecte minimamente o desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. Nesta matéria RT acha que a “transferência de tecnologia” necessária deve ser feita no respeito dos direitos de patentes
ou no dos princípios da ajuda e cooperação, para que não ocorram novas formas de dominação neo-colonial, e em nome da “factura histórica” que os países mais desenvolvidos devem pagar? E acha que são exageradas as verbas pedidas pelos países menos desenvolvidos para proceder a essas adaptações?
A prosa de hoje de Rui Tavares é uma espécie de exorcização beata dos esqueletos do armário. Não contribui para trocas de pontos de vista sérias.
Se querem ver o contrário, vejam, por exemplo, o contributo à discussão que os comunistas ontem apresentaram para a questão e as correspondentes políticas domésticas.
E por aqui me fico…
Ainda, e para terminar, sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim

acontecimentos (não apenas na RDA mas no conjunto dos países do leste europeu).Os partidos comunistas no governo em diversos países da Europa de Leste - ainda mais que o PCUS - prolongaram a situação, atrasaram-se no reconhecimento da realidade e nas reformas e viragens indispensáveis na orientação do Estado e do partido, isolaram-se progressivamente, provocaram amplo descontentamento e perderam o crédito e o apoio que justamente anteshaviam alcançado como resultado da sua luta.”
terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Cinema Paraíso

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
A impostura global e a deformação da política energética doméstica


Não alinhando na onda generalizada dos mentores do aquecimento global e do crime das emissões de anidrido carbónico (CO2), Jorge Figueiredo dá-nos conta das suas reservas à “farsa hipócrita de Copenhaga” e à política energética do governo em artigo de ontem no resistir.info., donde citamos:
“Isso (a deformação da política energética) é visível em Portugal, onde os governos têm estimulado e subsidiado soluções irracionais do ponto de vista económico e energético com base na falácia do aquecimento global e das malfadadas emissões de CO2. Basta lembrar, por exemplo, a desgraçada política de subsídio aos biocombustíveis líquidos e agora aos veículos eléctricos (quando Portugal é importador líquido de quilowatts-hora); o não apoio às boas soluções possíveis nos transportes (como os veículos a gás natural, que podem utilizar biometano, gás natural comprimido ou gás natural liquefeito); a promoção ruinosa de energias ditas renováveis às custas dos subsídios da perequação tarifária; etc; etc. A ignorância (deliberada?) do Pico Petrolífero e a falácia do Protocolo de Quioto levam a tais aberrações. Estamos numa época em que deveria haver planeamento energético a fim de promover uma "fuga" ao petróleo, tão grande e tão rápida quanto possível. Governos clarividentes como o da Suécia já descobriram isso, o português ainda não. Mas os erros de hoje terão de ser pagos amanhã – e o preço pode ser caro.”
domingo, 6 de Dezembro de 2009
sábado, 5 de Dezembro de 2009
A propósito das alterações climática e da Conferência de Copenhaga
3. Copenhaga: o que vai e o que não vai ser discutido3.1. Ao longo dos últimos dias a administração norte-americana viu-se forçada, em primeiro lugar, depois de uma indefinição arrastada quanto à presença na conferência de Obama, a
representar-se através dele, depois a admitir que ele participaria no início da conferência e hoje que, afinal, participaria no final, quando se tomarem deliberações e ele já vir laureado com o NobelA estas mudanças de atitude não foram alheias as sucessivas tomadas de posição dos chamados países emergentes, onde cada um não deixou de querer puxar a brasa ao seu protagonismo, como foi o caso do Brasil, para trazer os EUA a um
compromisso que não tinha assinado em Quioto.A Conferência juntará mais de 15 mil pessoas, com delegações oficiais de 192 países, das grandes multinacionais do petróleo e da energia, e como observadores muitos organismos não governamentais com intervenção nas questões ambientais
É uma conferência, porém limitada a um único dos temas possíveis de serem abordados: a questão das emissões de carbono. Mas deixa de lado a abordagem de outros temas como os efeitos das guerras em curso, a possibilidade de uso de armas nucleares como recursos de “manutenção de paz”, os efeitos das bombas nucleares humanitárias do Pentágono, ou ainda a deliberada manipulação de dados climáticos para fins militares. Relativamente a esta última questão, importa lembrar que Spencer R. Weart, que foi até há poucos meses, e durante 38 anos, director do Centro para a História da Física do Instituto Americano de Física, escreveu em 2008 sobre os estudos que foram feitos depois da 2ª Guerra sobre as formas de modificar o clima, directa e propositadamente, e não apenas como resultado da actividade económica. Quer os EUA quer a URSS, pelo menos desenvolveram projectos e modelos de intervenção de grande envergadura. Para não dispersar o leitor para este desenvolvimento, recomendamos a leitura desse trabalho.
E, como referimos, em posts anteriores não existe, de facto, um consenso na comunidade científica quanto à relação determinante que as emissões de CO2 teriam em alterações climáticas ou que estas estejam a ocorrer de forma dramática, num só sentido, ao contrário do que aconteceu em milhões de anos com evoluções de diferentes sentidos. Em 1996, o Painel
intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC em inglês) expressou a ideia de que “O balanço dos dados sugere uma influência humana visível do homem no clima global”, que muitos cientistas caracterizaram como uma conclusão abusiva. Abusiva ou não deu o mote para a Conferência de Quioto.Para Al Gore, para a administração Bush, esta relação estaria mais que demonstrada, chegando a usar o termo “esta discussão está encerrada”. Quando para muitos, pelo contrário, agora é que a questão está a ser aberta porque os cientistas estão mais envolvidos para ultrapassarem um comportamento dos políticos que se tem caracterizado pela desprezo pela ciência, pelo recurso a catástrofes naturais para sustentarem as responsabilidades do factor humano e para substituir a formação de opinião através de recurso a métodos cientificamente validados pela repetição sistemática de slogans e propaganda, não sustentados em conclusões científicas.
3.2. Vários peritos em clima têm avançado que a redução das
emissões deveria ser de 25-40% em 2020, relativamente às registadas em 1990, e de 80-95% em 2050.Mesmo aceitando a relação das emissões de CO2 com alterações climáticas, estas são, antes de mais, um problema social resultante de alterações globais do ecossistema e os delegados em Copenhaga vão ter a responsabilidade de que os cortes de emissões de CO2 não vão constituir factor adicional de descriminação de países que precisam, comparativamente mais que os mais desenvolvidos, de se desenvolver o que, para eles, implica sempre uma maior peso das emissões per capita. Se a China é responsável por 21% do total das emissões, em valores absolutos, os EUA por 20%, a União Europeia por 13%, a Índia por 5%, não pode ser esse o único critério a pesar na distribuição das reduções a efectuar. Se fizermos esse cálculo, em termos relativos à população, per capita, os resultados dos principais emissores de CO2 serão EUA 18,7 toneladas, a UE 7,8, seguidos pela Austrália, Canadá, Arábia Saudita e Rússia, só vindo em 6º lugar a China com 4,6 e a Índia com 1,2, ainda mais atrás. …(1). Para já não falar nos restantes países em, vias de desenvolvimento. Os EUA e a UE são os grandes emissores de CO2 e terão que, por isso e pelo grau relativo de desenvolvimento em relação aos outros, que dar o exemplo.
Os EUA querem que os países emergentes que mais pesam nas emissões (China, India e Brasil), assumam nesta conferência compromissos de redução vinculativos e não voluntários mas será difícil impor este ponto de vista aos restantes países. Os EUA não assinaram a plataforma anterior de Quioto, em vigor até 2012, de impor a 37 países ricos reduções até essa data, por não se ter então exigido compromissos aos países do sul.
As reduções em relação ao ocorrido em 2005 para vigorarem a partir de 2020, que vários países têm anunciado estarem dispostos a fazer, unilateralmente, com vista a uma negociação, são EUA 17%, China 45%, Brasil 39% e a Índia ainda não se pronunciou.
O Brasil, a África do Sul, a Índia e a China deverão apresentar um projecto comum alternativo ao da presidência dinamarquesa, que acompanha a posição de Washington de metas obrigatórias.
Os países que menos responsabilidades têm nas emissões irão receber recursos financeiros e tecnológicos dos mais responsáveis por elas para a “adaptação” a alterações do clima, não tanto como cooperação, mas como forma de os compensar pela necessidade dessa adaptação, como, digamos, pagamento de uma dívida ecológica ou climática, termos que têm sido utilizados por diferentes protagonistas. Há valores desta compensação aos países menos contaminantes que têm sido avançados: 100 mil milhões de euros (de 20 a 50% dos fundos serem públicos e os restantes privados) por ano a partir de 2020. Ainda está em aberto a forma como os países mais contaminantes irão dividir este custo entre si. Ou os mecanismos de distribuição (organismo das Nações Unidas, Bancos Regionais, Banco Mundial?). Ou sob que regime de propriedade intelectual serão feitas as transferências de tecnologias porque a compensação se poderia transformar na ocupação dos mercados por tecnologia estrangeira.
Mas a proposta de Obama quanto às reduções contém um elemento preocupante: assentar no esquema absurdo de um “mercado de carbono”, no qual se basearia a possibilidade de solução para o problema do aquecimento global, quando, de facto, esse esquema iria apenas ser movido pelo lucro e especulação de alguns e arriscaria que a concentração de CO2 se não reduzisse (ver primeiro post que refere artigo de Rui Namorado Rosa). O mercado do carbono, mercado de quotas de emissões permitidas, não é um instrumento eficaz para reduzir emissões e estabilizar o peso da concentração de CO2 na atmosfera.
Como disse hoje à SIC o eurodeputado João Ferreira este mercado, já a funcionar na União Europeia, baseado num esquema europeu de transacções (ETS) está a não dar resultados porque a aquisição de licenças de emissão acaba por ser muito mais barata que a introdução de equipamentos que fizessem reduzir as emissões para não afectar muito o crescimento económico. Mas, além disso, a pretensão de gerar neste mercado activos financeiros, como mais um recurso para prolongar a vida do sistema capitalista, gera uma possível nova geração de bolhas que arrastariam a gestão do clima para o desvario.
Para não nos alongarmos, remeteremos os leitores para o segundo filme de Annie Leonard que explica os mecanismos do mercado de carbono e todos os seus inconvenientes (aproveito para vos encaminhar também para seu primeiro filme, que foi um êxito, e que, espero, alguém creditado para isso possa traduzir, atendendo a que são falados em inglês e de forma muito rápida).
(1) Le Monde, 30/11/09
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga.
2. A falsificalção de dados científicos revelados em vésperas da conferência
eliminação das verdadeiras leituras, ficando apenas no CRU os modelos, produzidos pelo homem, sempre de configurações e fiabilidades variáveis.
credibilidade, atribuindo-a a trocas de galhardetes entre os "cépticos" do aquecimento global e os ambientalistas "conscienciosos".
a questionar a credibilidade das intervenções de Al Gore e de outros Adivinhos e Grandes Curandeiros, que têm produzido um ruídoso tam-tam pseudo-ambiental.quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga

1. O "mercado do carbono" arrisca arrastar a economia real para uma crise energética global de saída desconhecida mas eventualmente dramática?
Num artigo recente publicado no “Avante!”sobre as alterações climáticas e a próxima Conferência de Copenhaga, o professor e investigador Rui Namorado Rosa deu um contributo importante para um melhor esclarecimento sobre questões que têm estado colocadas num patamar de difícil compreensão, mesmo quando são fruto de intervenções de políticos portugueses como aconteceu neste fim de semana com Cavaco Silva.
Ao mesmo tempo que aconselhamos a sua leitura integral, salientamos algumas das questões aí abordadas pelo autor.
Para Namorado Rosa começa por ser “surpreendente tal grau de precisão a longo prazo em matéria tão susceptível à nossa margem de ignorância sobre o mundo natural e à nossa ainda mais limitada capacidade de previsão na esfera económico-financeira. Recordemos a
sucessão de «bolhas» financeiras que têm surpreendido e abalado os mercados de valores à volta do mundo, só nos passados vinte anos, com graves repercussões económico-sociais.
O autor conclui que será muito pouco razoável esperar que países emergentes que têm vindo a aumentar a sua riqueza e a realizar programas para a elevação geral das condições de vida da população, e que não foram abrangidos pela plataforma de Quioto, como a China ou a Índia, possam aceitar em Copenhaga reduções grandes das emissões de CO2, para as quais não têm contribuído de forma significativa.
países mais ricos nos países mais pobres na produção de agro-combustíveis e bens agro-alimentares para o mercado global…
Rui Namorado Rosa conclui sobre esta matéria que “o comércio do carbono visa tornar-se num esquema de geração bilionária de activos financeiros fictícios ao serviço da sobrevivência do sistema capitalista. E arrisca arrastar a economia real para uma crise energética mundial de saída desconhecida e incerta, cujas consequências são potencialmente calamitosas.
4. Para alcançar esse desígnio, projecções distantes de alterações climáticas, que não podem ser nem confirmadas nem desmentidas, têm sido frequentemente utilizadas como instrumentos intimidatórios para justificar e fazer prevalecer «metas» e «medidas» igualmente insusceptíveis de justificação bastante.
Namorado Rosa cita o caso da cruzada de Al Gore como exemplificativa dessa pressão sobre a Conferência de Copenhaga, classificando-a como encenação ardilosa que procura formatar opiniões públicas visando lucros fabulosos.
5. Rui Namorado Rosa encerra o seu trabalho salientando que o enfoque colocado no problema das alterações climáticas em termos inacessíveis à análise objectiva e à compreensão das massas é um artifício que pretende desviar as atenções e confundir as questões fundamentais do presente e do futuro da sociedade humana, é pois também um ardil ideológico.
Para já não falar – digo eu - das principais preocupações dos portugueses que em recente sondagem, hoje divulgada em Bruxelas, começam pela pobreza, seguida da falta de alimentos e de água potável, relegando as alterações climáticas para sexto lugar, depois dos conflitos armados.
Não podendo negar as influências antropogénicas sobre o ambiente à superfície da Terra e sobre certos processos que actuam e conformam o clima planetário, nem tão pouco podendo ignorar a progressiva exaustão dos combustíveis fósseis e a escassez de diversos materiais com aplicações económicas especiais, em particular nas tecnologias energéticas, importaria avaliar objectivamente as situações de risco e os factores de constrangimento. E em conformidade orientar o esforço de investigação científica e desenvolvimento tecnológico e de investimento material para a respectiva resolução ou minoração.
Porém a «racionalidade» que nos tem sido proposta e imposta é a da regulação pelo mercado, sob a superintendência política das instituições intergovernamentais ou internacionais e sob a pressão de interesses económicos que visam objectivos próprios; nesse espaço actuam as corporações empresariais elas próprias, suas associações, diversas tipologias de organizações não governamentais, e em última instância os próprios governos. Mas estes já destituídos de plena capacidade diplomática e negocial por não serem de facto os únicos ou sequer os principais agentes de formação da opinião pública e da decisão política.
Daí a relevância da acção que cabe aos partidos políticos na auscultação e na informação das massas, contrariando a maré de alienação do conhecimento e da opinião pública, assim como no debate institucional e na formação da decisão política.
Afeganistão: Nobel da Paz promove escalada na guerra...

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Cristina Kirchner e Patrícia Rodas comentam declaração da cimeira do Estoril


A chefe da diplomacia hondurenha agradeceu o comunicado da presidência portuguesa da Cimeira Ibero-americana onde foi condenado o golpe de Estado no seu país. A presidente argentina também se congratulou com esta documento.
A ministra dos Negócios Estrangeiros das Honduras agradeceu, esta terça-feira, o comunicado especial da presidência portuguesa da cimeira ibero-americana que considerou «inaceitáveis as graves violações dos direitos e liberdades fundamentais do povo hondurenho».
Em conferência de imprensa, Patrícia Rodas, que considerou ilegais as eleições realizadas no domingo no país, adiantou que esta é uma «importante declaração» que apoia «o processo de restauração democrática e a restituição da presidência» de Manuel Zelaya.
Patrícia Rodas entende que este acto eleitoral que deu a vitória a Porfírio Lobo levanta um «problema jurídico», dado que «o regime 'de facto' está à margem da lei» algo que faz com que a eleições realizadas estejam fora do «marco constitucional».
A presidenta argentina também se congratulou com os esforços da cimeira para aprovar uma declaração sobre as Honduras, uma vez que se pode falar de «Conhecimento e Inovação, mas se não houver democracia, não se passa de discursos vazios»(numa alusão ao conteúdo que a presidência portuguesa quiz fazer vingar quando a conjuntura impunha a condenação do golpe das Honduras e o não reconhecimento do golpe militar neste país e das eleições-fraude do passado domingo).
«O respeito pela vida democrática é na história da região da América Latina, em particular, uma história de tragédia, por isso, a defesa da democracia deve ser uma defesa sem concessões», afirmou Cristina Kirchner ao aludir à questão das Honduras.
Apesar desta declaração final da presidência da cimeira, e apesar das posição da Espanha, é provável que os aliados mais incondicionais dos EUA quer na Europa (Reino Unido, França e Alemanha) quer na América Latina (Colômbia, Costa Rica e México) venham a aceitar o resultado da eleição-fraude.
A declaração final de José Sócrates é a de um político alinhado com as posições da administração americana. Deixa antever a aceitação dos resultados dessa fraude para poder continuar "o diálogo" da repressão interna nas Honduras e na prática o consumar do golpe de Estado que afastou Zelaya do cargo para que foi eleito pelo seu povo.
segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
No Uruguai, com Mujica, vence a esquerda, nas Honduras, depois do golpe militar o golpe eleitoral promovido por Micheletti e Obama.
Ainda com base nas sondagens à boca das urnas, Mujica recolheu cerca de 51% dos votos e o seu opositor, cerca de 45%. Este já reconheceu a derrota e felicitou Mujica, que tinha
sido o candidato mais votado com 48% na 1ª volta. Mujica era o candidato da Frente Ampla, de esquerda, que passou 13 anos nas prisões da ditadura militar.
Nas Honduras, Zelaya rejeita a afluência às urnas anunciada por Micheletti e avança com uma eventual abstenção da ordem dos 65%. A campanha decorreu sob o signo da violência contra todos os que denunciavam a burla, muitos espancados, alguns deles desaparecidos.
Eleito em uma disputa ilegítima, para governar um país isolado, Lobo, o candidato apoiado pelos golpistas, declarou que as aceitações internacionais do golpe eleitoral estão a chegar. Segundo ele, os Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Japão, Itália, Suíça, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e França "expressaram que vão aceitar o processo".
Mas a Argentina, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Guatemala e Uruguai anunciaram formalemente que não reconhecerão as eleições realizadas sob o governo golpista de Roberto Micheletti.
Carta-aberta de Michael Moore a Obama


Michael Moore foi um dos mais entusiastas apoiantes de Obama quando candidato a Presidente. Como muitas outras pessoas tem expresso preocupações com o curso da sua política externa, nomeadamente quando aumenta a dimensão da intervenção dos EUA em guerras fora do seu território.
Nesta carta-aberta, a propósito das declarações que amanhã Obama fará sobre esta matéria, diz nomeadamente:
“Apenas com um só discurso, amanhã à noite, você vai transformar em cínicos desiludidos as multidões de jovens que foram a espinha dorsal da sua campanha. Você vai ensinar-lhes aquilo que eles sempre ouviram dizer – que os políticos são todos iguais. Não posso acreditar que você vai fazer aquilo que eles dizem que você fará. Por favor, diga que isso não vai acontecer”.
Mas nem todos os políticos são iguais, de facto... Por exemplo, uma outra candidata democrata, que concorreu pelo Partido Verde, Cynthia McKinney, será um dos oradores da manifestação contra estas guerras que, como já referimos, se realiza no dia 12 de Dezembro, frente à Casa Branca.
domingo, 29 de Novembro de 2009
Um coro infantil no coração de um concerto

sábado, 28 de Novembro de 2009
Ne change rien, de Pedro Costa
Entrar na sala sem ter lido ou ouvido algo sobre o filme pode provocar um choque inicial, a sensação de monotonia, transmitir uma vibração repetitiva.
Nem como de género de filme nem como de género de narrativa lhe podemos atribuir uma única identificação. Soube que poderá ter evoluído de um mero teledisco da artista que é a personagem central, a cantora Jeanne Balibar, amiga do realizador, para algo mais complexo, porque contem diferentes registos desde os ensaios prévios, a procura da colocação da voz na música, e depois a gravação de canções, os testes de canto lírico para operetas, a música em bares, também ela de géneros diferentes.
Essencialmente é cinema documental, a que só se poderá chamar musical pelos temas centrais terem a vêr com a música, embora crie a sensação de ficção .
Mas um bom filme, surpreendente, dum realizador já com obra feita.
É um filme a não perder.
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Não lhes estraguem os rankings, crónica do Rodrigo
Vox populi

É apenas uma certa maneira de cantar, de José Gomes Ferreira

Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho com egoísmo de fonte.
Quando sente voos na garganta,
desce ao caminho,
da solidão do seu monte,
e canta
em coro com a família do vizinho.
Não me parece pois necessária outra razão
- ou desejo de arrancar o sol do chão –
para explicar
a reforma agrária
no Alentejo.
É apenas uma certa maneira de cantar.
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Solidariedade com Aminattou Haidar

A activista sahraui pelos direitos humanos, Aminattou Haidar, está em greve de fome no aeroporto de Lanzarote desde o passado dia 15, exigindo o seu regresso à
terra-natal, o Sahara Ocidental, para aí viver em paz com os seus filhos, e de onde foi expulsa pelas autoridades marroquinas e levada para Espanha ilegalmente com a cumplicidade de Zapatero.O seu estado de saúde está a debilitar-se progressivamente, depois das graves consequências físicas resultantes das torturas em prisões secretas marroquinas.
Ainda sobre a queda do muro (o de Berlim, entenda-se…), a propósito de um debate
Tive a oportunidade de há dias participar num debate promovido pelo Le Monde Diplomatique a propósito da edição no seu número de Novembro, Vestígios apagados da Alemanha de Leste”, do jornalista alemão Bernard Umbrecht. Os participantes eram poucos e os oradores três: João Arsénio Nunes, historiador que tem trabalhado sobre o movimento comunista, Vera San Payo de Lemos, professora universitária e dramaturga que teve contactos com os meios culturais da RDA e os mantém hoje e Reinhard Naumann, que representa desde 1996 em Portugal a Fundação Friedrich Ebert, que apoia a UGT, e que, dias antes participara numa conferência da corrente socialista da CGTP-IN, a que já fiz referência neste blog, e que tem, escrito sobre o movimento sindical português. O artigo de Bernard Umbrecht ilustra a constatação do autor de que depois da queda do muro, se iniciou uma “guerra-fria da memória” ou damnatio memoriae destinada a apagar da história e da memória o que foi a RDA. É uma apreciação objectiva por parte de alguém que não é comunista, como muitos outros fazem (lembro-me de um artigo há dias no Publico de Elísio estanque, por exemplo).
Naumann rejeitou várias afirmações do autor, algumas das quais em termos não verdadeiros, e senti necessidade de intervir sobre alguns pontos. Estive na RDA antes e depois da queda do muro, tenho amigos lá, e somo a minha experiência pessoal à de muitas outras pessoas que a tiveram. Tenho a partir daí e com base em informação de diferentes fontes, uma opinião sustentada do que ali se passou.
Naumann sempre viveu na RFA, não foi à RDA nem antes nem depois, e veio há muitos anos para Portugal. Talvez para compensar este handicap, declarou ter sido esquerdista e militado numa organização pró-soviética (Arsénio Nunes replicou que era comunista mas nunca tinha militado numa coisa dessas…).
Insinuou que 40 anos de socialismo na RDA certamente geraram crescimento dos nazis mais do que nos 13 anos de Nacional-Socialismo. Que os habitantes de Berlim Leste queriam a Coca-Cola, o que em sentido figurado até se pode compreender no quadro de uma atracção por modas de consumo em que a RFA investiu muito na parte ocidental, isto embora se produzisse já nos anos setenta uma bebida parecida com a Pepsi-Cola. Que foi importante destruir o Palácio do Povo perto da Alexander Platz (ver foto) porque este fora construído a partir da demolição de um palácio dos kaiseres (de facto o tal palácio desactivado fora praticamente destruído nos bombardeamentos de 1945, não tinha valor intrínseco enquanto a destruição do Palácio do Povo gerou uma indignação muito forte na ex-RDA). Que o regime socialista estava podre e tinha que desaparecer e não de ser reformado.
Ficou muito irritado por eu ter dito que importaria saber as razões que levaram os dirigentes da RDA, em 1961, ter decidido construir o muro, depois da divisão em 1945 da cidade em 4 zonas de administrações americana, russa, inglesa e francesa. Que problemas de fronteira teriam ocorrido, depois da guerra-fria se ter iniciado em 1947, nesses 14 anos. Explodiu “Não posso com estes tipos que ainda querem justificar o muro”, depois de lhe ter dito que eu não concordava com a
sua sobrevivência.
Arsénio Nunes fez, de forma breve, uma referência a acontecimentos anteriores para ajudar a compreender algum curso da história mais recente: a falta de uma coesão desde 1871 e a distinção das duas parcelas do território (a RDA era, mais ou menos, a mittledeutschland, território e grande influência comunista e do movimento operário) não se resolveram em três quartos de século e ajuda a compreender que a “reunificação” de 1990, de facto uma anexação, nunca tenha sido sentida até agora; a fundação do SED (partido do poder na RDA) resultou de um entendimento entre sociais-democratas de esquerda e comunistas, depois da sua divisão histórica inicial, semelhante à formação do actual Die Link; formação da RFA, não prevista nos acordos de Potsdam e Ialta, por pressão americana, a que reagiram os dirigentes da zona de administração soviética, impondo aos soviéticos, contra a vontade destes, a constituição da RDA; o apoio soviético às reformas pós-guerra neste território.
Às considerações feitas no artigo do Le Monde Diplomatique voltarei dentro de dias, a propósito do sucesso eleitoral do Die Link nas últimas eleições.
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Cartão de Boas-Festas de Johnson para Obama

publicado no site da organizção da manifestação contra as guerras dos EUA no próximo dia 12 de Dezembro, em Washington, em frente à Casa Branca
Dão-lhes o benefício de quê?

Vários dos nossos comentadores de serviço ficaram perplexos com a escolha de Herman Van Rompuy e Catherine Ashton para os cargos configurados no Tratado de Lisboa de, respectivamente, Presidente da União e Ministra dos Negócios Estrangeiros da dita. 

Não nos esqueçamos, porém, que ,pelo mesmo critério, o nosso Cherne deu à sola. O Barroso que só seria conhecido pelo desvio dos móveis de nuestros hermanos, quando no PREC lá foi dar uma perninha à provocação do assalto à embaixada de Espanha, não tinha aquele olhar de águia do Filipe Gonzalez, e também para lá foi para ficar caladinho. Que para isso é que lhe pagam...Se não tinham vindo buscar o Figo. E o Sarkozy, o Brown e a Merkel não estão para aí virados. Federalismo, federalismo, Europa, Europa mas quem manda são eles.domingo, 22 de Novembro de 2009
Museu do dèzaine, por J.













































,+British+Museum.jpg)



