sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Depois do equívoco do Natal, ele prepara o recolhimento de fim-de-ano


O Primeiro-Ministro desta vez falou de pé, como observador atento reparou, mas não prescindiu do teleponto, apesar do ar anémico que este lhe confere, porque o Natal não se compadece com improvisos.

Ainda não foi desta que o assessor de imagem o vestiu à maneira. A ele não enfiam o barrete. Esse é um exclusivo que para si reclama.

Ninguém lhe pediu a homilia laica mas ele entrou na casa dos que não tiveram Natal. E que deixaram o televisor ligado para substituir o calor humano e os sorrisos das crianças que foram mobilizados para os sacrifícios impostos para "equilibrar as contas públicas". O desequilíbrio entrou fundo nas famílias que lhe devolveram nas botas da chaminé de S.Bento as malfeitorias do ano que passou e que prometem continuar com um novo Código de Trabalho.

Sócrates de Pai Natal é um equívoco do casting natalício. Quer no papel do simpático velhote das renas que este ano viu reduzidas as horas de trabalho quer no Presépio onde nem a contínua recriação artística ao longo dos séculos criou personagens deste perfil.

Para o tempo de antena da passagem de ano sugerimos-lhe que vá passar a noite com os imaginativos banqueiros, gestores de contas e de fundos e de empresas de rating, num resort off-shore e fale só para eles. Fica a sugestão para os canais televisivos lhe respeitarem o silêncio do recolhimento para não estragar mais a alegria que nos resta nem o juízo depois de nos ter revelado a hercúlea tarefa de baixar as tajas de juro que, ao contrário das opiniões contrárias que exprimira antes, terá sido sua (!!!) ...e não do Banco Central Europeu!
Depois dos avales dos milhares de milhões que concedeu a tais ínclitos empreendedores de produtos tóxicos, resultantes dos sacrifícios dos outros, desejamos que em tal recolhimento, o nosso Primeiro deles recolha o contributo para a entrajuda que nos pediu para o ano difícil de 2009.

1 comentário:

Patricia disse...

No Ano Novo não é o Socrates,é o Cavaco.