domingo, 24 de junho de 2012

Ainda sobre o golpe no Paraguai


As reacções ao golpe

Depois do anúncio da destituição do Presidente, na 6ª f à noite, vários milhares de pessoas reuniram-se na Praça principal da capital do Paraguai para protestar.
Algumas defrontaram-se com as forças de segurança, que utilizou gás lacrimogéneo e jactos de água.
Seguiu-se um período em que as ruas ficaram desertas e o comércio fechado, com as pessoas fechadas em casa com medo de uma extensão deste golpe de estado por outros meios.
A imprensa nacional trata este processo como sombrio e que deixou o Paraguai isolado.
A presidente do Brasil, Dilma, condenou a destituição e chamou o seu embaixador para informações. O mesmo fizeram, com traços ligeiramente distintos uns dos os outros o Chile, o Peru, O Equador, a Costa Rica, o México, a Venezuela e Cuba.

O Partido Comunista Português tornou pública no dia 22 a sua posição”
O PCP repudia com veemência a tentativa em curso de consumação de um golpe de estado no Paraguai, por via da abertura pelo Parlamento em Assunção de um processo sumário de impugnação visando a destituição do Presidente democraticamente eleito, Fernando Lugo.
A tentativa de golpe de estado promovida pelos partidos da direita paraguaia e demais sectores reaccionários afectos aos grandes interesses latifundiários e económicos deste país sul-americano – as mesmas forças que no passado protagonizaram a mais longa ditadura na América Latina – visa a interrupção e liquidação do processo democrático e popular no Paraguai. Tal como nas Honduras em 2009, o presente “golpe institucional” insere-se na agenda subversiva e revanchista do imperialismo conduzida pelos EUA na região.
O PCP junta a sua voz a todos quantos, nomeadamente na América Latina, exigem o respeito pela vontade popular e expressa a sua solidariedade com os comunistas, os democratas e o povo paraguaio.”
Não se conhece posição do PS, PSD ou CDS.
A UE declarou-se “preocupada” sem explicitar com quê e que “vai contactar todas as partes para que a democracia seja respeitada. Os EUA aconselharam “calma”.


As dificuldades de 4 anos de governo


Em 2008
Em 2008 Fernando Lugo com o o apoio de uma frente de esquerda, que incluía o PC Paraguaio e outras formações representativas dos trabalhadores e camponeses decidiu propor ao Partido Liberal um entendimento para afastar do poder o Partido Colorado, representante grandes proprietários e agrários.
Em 2012
Isso foi conseguido mas a coligação vencedora tinha no seu seio esquerda e direita – esta com apoio largo no Congresso e Senado, contando com os membros dos partidos Liberal e Colorado.
Mas quem foi eleito presidente foi Fernando Lugo, ficando como vice-presidente o dirigente do Partido Liberal, Federico Franco, que agora usurpou o cargo.
A insatisfação com uma governação muito influenciada pela direita e uma nova margem de manobra da embaixadora dos EUA, levou a que inclusivamente o Partido Comunista lhe retirasse o seu apoio, o que alguns sectores de esquerda entenderam como um factor de isolamento de Lugo que facilitaria o golpe. Nas vésperas do golpe o PC renovou o seu apoio a Lugo.

A TV pública

O canal público de televisão foi criado por Lugo após a sua eleição, num ambiente televisivo dominado por canais privados.
Uma das primeiras medidas do “actual presidente” foi demitir o seu director que recusou orientações para deixarem de ser transmitidos os protestos populares contra o golpe que, com esta
máscara legal da destituição se assemelha ao que se passou nas Honduras.

O que ganham os EUA com o golpe?


Garantem que o Paraguai não ajudará à entrada da Venezuela no Mercosul;


- Obtêm novas vantagens para os negócios agro-alimentares que assim lhe vêem garantida a “segurança jurídica”, isto é que os investimentos não correm riscos que poderiam correr com Lugo, a esquerda e os sem-terra e


- Controlam parte do aquífero guarani (a maior bacia subterrânea de água doce no mundo)que é partilhada com outros países latino-americanos; 


- Recuperam uma base militar enorme que estava “adormecida”, que
compensaria a que perderam no Equador, eque será ponto de apoio e reabastecimento à deslocação de forças especiais, dando outra solidez ao renascimento da 4ª esquadra dos EUA, “responsável pelo Atlântico Sul”..

3 comentários:

Rogério Pereira disse...

Bom trabalho, meu caro.

Helena disse...

Muito informativo!
Acho que se alguma coisa de útil e importante podemos fazer, esta é seguramente uma delas: dar a conhecer o outro lado da História, desmontando a mentira feita verdade que nos rodeia, que nos é imposta.

Judite Castro disse...

Obrigada pela informação. Estava a fazer falta