sábado, 22 de agosto de 2009

Cáucaso: a guerra que está a ser e a 3ª Guerra Mundial que ainda pode ser...


Para aqueles que estão interessados em tornear os falsos argumentos dos EUA para manterem uma influência directa e indirecta, armada, de atentados, de organização de protestos ao longo do Cáucaso, na sequência do que já tinha sucedido com o desmembrar sangrento da ex-Jugoslávia, aconselhamos esta análise de Rick Rozoff, colaborador habitual da Global Research.
O autor comerça por revisitar declarações de Mathew Bryza que foi um dos principais homens dos EUA no Cáucaso do Sul, bacia do Mar Cáspio e Ásia Central, nos últimos doze anos.
De 1997-1998, foi assessor para a coordenação pelo embaixador americano Richard Morningstar dos esforços para os interesses energéticos dos EUA na região do Cáucaso e na Ásia Central, bem como no sudeste da Europa, nomeadamente na Grécia e Turquia. Morningstar foi nomeado pela administração Clinton como primeiro Conselheiro Especial do Presidente e Secretário de Estado para a Assistência aos Novos Estados Independentes da antiga União Soviética em 1995 e, em seguida, Conselheiro Especial do Presidente e do Secretário de Estado da Bacia do Cáspio para a Diplomacia Energética em 1998 e foi um dos principais arquitectos da estratégia dos EUA, no Trans-Cáspio, executando o plano energético do Mar Cáspio que atravessa o sul do Cáucaso para a Europa.
Um dos projetos em que participou foi o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan [BTC] - "o pipeline mais político de todo o mundo" - que liga o Azerbaijão à Turquia através da Geórgia e do Mar Mediterrâneo. A Estratégia Energética Trans-Cáspio e Trans-Eurasiáticas foi desenhada na década de 1990.Em 1998 Bryza Morningstar foi o responsável dos interesses energéticos do Mar Cáspio, Vice-Conselheiro Especial do Presidente e Secretário de Estado para a diplomacia nergética na Bacia do Cáspio. Permaneceu até março de 2001 nessas funções, e trabalhou no desenvolvimento do que são agora os planos da União Europeia para contornar a Rússia e o Irão e alcançar uma posição dominante sobre a entrega dos fornecimentos de energia à Europa.
Mais tarde, a partir de 1999-2001,Morningstar tornou-se Embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia e neste mês de Abril foi nomeado enviado especial do Secretário de Estado Estados Unidos para Energia Eurasiática, uma posição comparável à que ele havia ocupado onze anos antes. Em 2005, a administração George W. Bush nomeou Bryza Subsecretário adjunto de Estado dos Assuntos Europeus e Eurasiáticos sob a direcção de Condoleezza Rice, um cargo que ocupa até hoje, embora ele possa vir a ser nomeado em breve Embaixador no Azerbaijão, a nação que, de uma forma mais vital, liga os interesses geoestratégicos num arco que começa na região dos Balcãs, atravessa o Cáucaso até ao Mar Cáspio e, em seguida, segue para a Ásia Central e do Sul.
Em Junho passado Bryza fez um discurso apelando, em Washington DC, a maior vigor na parceria estratégica EUA-Turquia, e reflectiu sobre mais de uma década de trabalho no avanço americano na energia, objectivos políticos e militares ao longo do flanco sul da antiga União Soviética. Nesta sua comunicação, fez a primeira referência aos acontecimentos ocorridos na década de 1990:"Os Presidentes Azeri, Heydar Aliyev e cazaque, Nursultan Nazarbayev, congratularam-se com investidores internacionais que ajudariam a desenvolver as reservas de petróleo mamute e de gás da bacia do Cáspio. O então presidente turco Süleyman Demirel trabalhou com estes líderes, e com o presidente georgiano Eduard Shevardnadze, para desenvolver um conceito de Great Silk Road revitalizada, na versão de um corredor de gasodutos Leste-Oeste de petróleo e gás natural . "O nosso objectivo foi o de ajudar os jovens Estados independentes dessas regiões (do Cáucaso e da Ásia Central) a assegurar a sua soberania e liberdade, ligando-os à Europa, aos mercados mundiais, e a instituições euro-atlânticas através do corredor a ser estabelecido pelos gasodutos BTC e SCP (gasodutos de gás natural do Sul do Cáucaso) .... O Cáucaso e a Ásia Central foram agrupados com a Turquia, e a administração desses países vistos como "parceiros cruciais na ligação com os mercados europeus e mundiais, e com instituições de segurança euro-atlântica". A "cooperação energética no final da década de 1990 foi uma pedra angular da parceria estratégica EUA-Turquia, resultando num sucesso" de primeira fase "desenvolvimento do Cáspio ancorado pelo BTC/SCP em relação ao petróleo e ao gás.
A guerra do Iraque foi parte dos anteriores planos geopoliticos.
"Hoje, estamos a concentrar a atenção no próximo passo do desenvolvimento do Cáspio, olhando a bacia do Mar Cáspio e do Iraque para ajudar a reduzir a dependência da Europa de uma única empresa russa, a Gazprom, que fornece 25 por cento de todo o gás consumido na Europa. "A nossa meta é desenvolver um corredor meridional da infra-estrutura energética para o transporte de petróleo e gás do Cáspio e Iraque para a Turquia e Europa.Os gasodutos de gás natural Nabucco Turquia-Grécia-Itália (TGI) são elementos importantes do Corredor Sul. "O potencial de gás do Turquemenistão e do Iraque pode fornecer a volumes adicionais cruciais,para além dos previstos no Azerbaijão,para dar corpo ao Corredor Sul. Washington e Ancara estão a trabalhar em conjunto com Bagdah para ajudar o Iraque a desenvolver as suas próprias grandes reservas de gás natural tanto para consumo interno como para exportação para a Turquia e UE. ".
Este é apenas o enquadramento do autor neste artigo.
A guerra energética contra a Rússia teve novos desenvolvimentos que passaram por toda a desestabilização da zona, impedindo todos estes países de cooperarem pacìficamente em benefício do controlo pelos EUA de todo este processo, afastando a Rússia do papel que historicamente tem desempenhado nessa cooperação onde entra, naturalmente, com os seus próprios interesses.
A sequência dos atentados dos últimos dias na região comprova dramaticamente estas previsões de uma disputa que não recua perante nenhum meio.
Como já aqui referimos muitas ONGs, financiadas pelo Congresso dos EUA têm desempenhado um papel subversivo e de sabotagem assinalável como é o caso da Comissão Americana para a Paz na Chechénia que, tem evidentemente o seu âmbito alargado e passou a designar-se por Comité Americano para a paz no Cáucaso. Está claramente definido como seu objectivo"O Comité Americano para a Paz na região do Cáucaso (ACPC), a Freedom House, é dedicada ao controlo da segurança e da situação dos direitos humanos (sempre os tais direitos humanos invocados por quem promove guerras étnicas para desestabilizar...) no Norte do Cáucaso, fornecendo recursos de informação e peritos na sua análise (geralmente designados de forma menos delicada por agentes da CIA....). A ACPC actua na Chechénia, Inguchétia, Daguestão, Ossétia do Norte, Kabardino -Balkaria, Karachayevo-Cherkessia e Adygeya, bem como nas regiões da Abcásia e da Ossétia do Sul, na Geórgia". A Abcásia e Ossétia do Sul são, naturalmente, no sul do Cáucaso, e não na Geórgia, excepto nas mentes das pessoas ansiosas para expulsar a Rússia do Cáucaso, do Norte e do Sul, e que de forma transparente, foram incluídas como alvos para o desenhar de um maior império americano que cerque, enfraqueça e finalmente desmantele a Federação Russa.
A liderança política russa foi reservada se não cúmplice ao longo da década passada, quando os EUA e a NATO atacaram e invadiram o Afeganistão para criar bases militares em toda a Ásia Central e do Sul, invadiram o Iraque em 2003, assistiram à deposição de governos da Jugoslávia, Geórgia, Adjaria , Quirguistão e Ucrânia para pôr a Rússia em desvantagem e impulsionar planos de a afastar do mercado europeu da energia. Moscovo já reagiu obtendo acordos de fornecimento de gás e petróleo com a Turquia nas últimas semanas.
Mas a intensificação da desestabilização nas suas repúblicas do sul e a sua transformação em novos Kosovos é mais do que Moscovo pode permitir.