segunda-feira, 2 de julho de 2012

Entrar e sair do euro


No final de Janeiro deste ano, em entrevista ao jornal Público, o Nobel da Economia, Paul Krugman considerava ser "bastante óbvio que [aderir ao euro] foi um erro para a Grécia e eu diria que também para Portugal". Sem euro, argumenta, haveria hoje "menos carros nas ruas, mas mais pessoas com trabalho".
O economista considera que a impossibilidade presente de, tal como no passado, desvalorizar o escudo para ganhar competitividade encarcerou Portugal "numa prisão terrível". "Por causa do euro, Portugal tem muito poucas opções, muito pouco espaço de manobra. E sair do euro, nesta fase, é um passo extremo que não está em cima da mesa", afirmou, notando contudo que "se nada mais funcionar, sair o do euro torna-se numa opção real". Para Krugman "a Grécia está rapidamente a chegar a esse ponto, mas Portugal não."
Vendo sinais positivos na evolução das exportações e na estagnação dos salários na indústria, Paul Krugman referia então que os portugueses "vão ter de viver com estas condições muito difíceis e tentar mitigar o sofrimento. Ou então, em alternativa, dar um passo mais radical." E esse passo radical pode chegar já em 2013: Se "daqui a um ano, o crescimento da economia fica abaixo do que está previsto no memorando de ajustamento e o défice fica acima, aí, se a troika pedir mais medidas de austeridade, Portugal tem de dizer que não."

Quem hoje defende na UE a saída do euro deste ou daquele país, como aconteceu com a Grécia, tem e vista
aliviar-se de países que já sugou até ao tutano e fazê-los pagar bem no momento da saída. E isto é perfeitamente inaceitável.
Uma coisa era estarmos antes da entrada no Euro, outra coisa é a situação em que hoje estamos para pensarmos, de imediato dele saír.
Hoje teríamos que nos acautelarmos com a banca e com a fuga de capitais e isso depende muito do tipo de governo que viermos a ter nessa altura.
No futuro teremos que ter uma moeda valorizada de acordo com a situação económica convcreta do país.
E uma negociação para a saída que garanta uma série de condições que nos penalize ainda mais...

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo, mas se bem percebo o raciocínio, a última frase deveria ser:

«E uma negociação para a saída que garanta uma série de condições que NÃO nos penalize ainda mais...»

Edgar Carneiro disse...

Perante o provável fim do euro e a implosão da UE, cada vez menor parece ser o espaço entre a renegociação da dívida e a negociação da saída. Este governo tenta aproveitar o tempo que lhe resta para se desforrar do 25 de Abril e aprofundar a exploração, no entanto, por este caminho, na minha opinião, mesmo que não queira (o que me levanta algumas dúvidas), também está a contribuir para apressar uma destas decisãões.