sábado, 7 de novembro de 2009

92 anos sobre a Revolução Russa

Passam hoje 92 anos sobre a Revolução de Outubro.

Se antes desse conjunto de actos revolucionários, várias revoluções não sucedidas expressaram a vontade dos trabalhadores e de outras camadas da população de construírem uma nova vida para o ser humano que ultrapassasse a condição a que o capitalismo os tinha votado, e mesmo com um peso numérico mais expressivo do operariado, sem dúvida que a Revolução de Outubro marcou uma época histórica, que em muitos aspectos se mantém, pelo pioneirismo da sua vitória e da capacidade de construir uma nova sociedade, pelas suas realizações e repercussão universal.


O campo socialista europeu alargou-se depois da 2ª guerra com transformações em países onde as camadas dirigentes tinham sido apoiantes de Hitler mas onde havia também uma forte influência comunista que foi o tronco dos movimentos de resistência. Sob o seu impacto formaram-se partidos comunistas em quase todo o mundo com esse ou outros nomes que assumiram, com o apoio dos seus povos, o poder. Na China, na Coreia, em Cuba, no Vietname, no Laos e Cambodja.

O seu apoio foi fundamental para o êxito dos movimentos nacionais libertadores em antigas colónias (apoio militar, formação política e científica de quadros, apoio económico) dos anos 50 aos anos 70 de século passado.

A presença destes países e do movimento dos não alinhados deu à ONU e aos seus organismos específicos (FAO, UNESCO; UNICEF, OMS, etc.) um peso importante na regulação de conflitos, na contenção da natureza agressiva do imperialismo, em importantes tratados internacionais, e no acorrer às principais carências dos países do terceiro mundo, em ascensão libertadora, vítimas do colonialismo, da pilhagem de matérias primas, dos garrotes de dívidas e vinculação dos programas do BM e FMI à ingerência política interna nos seus processos nacionais.


O movimento sindical de muitos países bem como outros movimentos sociais beneficiaram do exemplo das conquistas sociais, económicas e culturais nos então países socialistas como factor de pressão e de realismo para com as suas próprias ambicionadas conquistas.


URSS e EUA, mas também outros países de ambos os lados, desenvolveram uma competição pacífica em várias áreas (no espaço, no desporto, na cultura, etc.).


Mas o campo socialista foi-se exaurindo devido à corrida aos armamentos (necessária enquanto factor de dissuasão) e a alguns aspectos desta competição, ao apoio a fundo perdido aos movimentos revolucionários e de libertação em todo o mundo, subestimou a concorrência do ocidente capitalista na qualidade, acesso e preços de bens de consumo quer de primeira necessidade quer de outros que conferiam estatutos valorizados aos cidadãos. Para além de, no plano político, se terem burocratizado, confundindo Partido e Estado, adiando um maior alargamento da democracia poilítica interna, e contribuindo para a degenerescência de quadros que nos anos 90 se tornaram dos mais empenhados capitalistas e contra-revolucionários. Incluindo alguns dos seus mais destacados dirigentes, como Gorbatchev ou Chevardenaze.


Com o campo socialista o mundo deixou de ser unipolar, para bem de cada país e de conjuntos de países poderem ter um aceso menos condicionado ao desenvolvimento.


Propaganda e espionagem existiam obviamente de ambos os lados mas importa distinguir quem apoiou contra-revoluções e massacres contra forças progressistas, quem lançou a

bomba atómica contra o seu semelhante, quem desenvolveu armas convencionais e químicas e preparou agressões na base de vírus e bactérias, quem cobriu o planeta de bases militares, quem ainda no século XX foi o campeão das invasões e tentativas de invasão de tantos países e da condução de guerras de agressão e pilhagem, quem se aliou com o diabo em tantas circunstâncias em nome do anticomunismo. O que nestes campos se fez, em resposta, no campo socialista, não rivaliza nem de perto nem de longe com a intencionalidade e os níveis atingidos pelos EUA e pela NATO, sua criação do pós-guerra para liquidar a Rússia, operação que hoje se mantém, com outras características.

Os avanços em quase todas as áreas dos países que integraram o campo socialista realizaram-se num tempo histórico bem mais curto que o capitalismo e tiveram uma larga amplitude democratica assumida como questão de princípio. O seu exemplo foi muito importante para os êxitos de trabalhadores nos países capitalistas e ajudou a criar uma relação menos desiquilibrada entre trabalho e capital.


O papel da URSS no curso da 2ª guerra mundial foi não só importante mas, de facto, decisivo.

Hitler foi apoiado desde o início pelo capital alemão para acabar com o comunismo. Algumas grandes multinacionais americanas apoiaram-no com esse objectivo. Os governos de França e Inglaterra bem como o de vários países que faziam fronteira com a URSS apoiavam este objectivo de Hitler, com um comportamento semelhante ao que tinham tido para impedir a vitória da revolução russa. Os americanos tardaram a entrar na guerra e só o fizeram quando se pronunciava a derrota fascista a leste. Os bombardeamentos selváticos de Hiroshima, Nagasaki, de Dresden e outras cidades alemãs não eram militarmente necessários e foram uma aposta contra a progressão da Rússia na Europa e na Manchúria.


A derrocada do socialismo no leste, a que se costuma associar simplificadamente “a queda do muro”, teve efeitos desastrosos interna e externamente, apesar do apoio ou indiferença com que muitos habitantes destes países enfrentaram esta transformação na ausência de vanguardas políticas respeitadas e mobilizadoras para que eles se libertassem dos erros sem caírem no retrocesso histórico do regresso ao capitalismo que, de forma selvática fez sucumbir direitos adquiridos fundamentais dos cidadãos.


Sobre isso muito se tem escrito e não me alongaria agora nessa matéria.


A Revolução de Outubro foi interrompida mas a sua gesta e as suas realizações, a sua memória na humanidade e a persdonalidade, vida e obra de Lenine, têm uma força muito importante num mundo que quer romper os efeitos da globalização capitalista, e vai abrindo caminho com novos processos de carácter revolucionário, para emancipações sociais, económicas, políticas e culturais, bem como novas centralidades e equilíbrios (não isentos de contradições).

Por tudo isso, uma vez mais e sempre, VIVA A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO!

10 comentários:

Armando disse...

Só que o campo socialista nem era socialista, nem popular, nem democrático. Talvez a leitura do 'Da natureza da URSS' e da 'Autocritique' de Edgar Morin o aajude a compreender melhor a inviabilidade histórica do 'socialismo real'. Não vale a pena culpar Gorbaatchov, que não teve culpa nenhuma. O mal estava no sistema e nos dirigentes que traíram os princípios subjacentes à tentativa de criar uma nova formação económica e social viável e livre da exploração do homem plo homem.
Socialistas 'de esquerda' e comunistas necessitam de fazer um grande esforço de comprensão do que não funcionou porque não podia funcionar e de fazer uma profundaq e autêntica autocrítica.
Tenho muita pena, por mim e pelos meus, que o socialismo não tenha ainda sido possível.
Cumprimentos
A. Cerqueira

antónio abreu disse...
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António Abreu disse...

Com Morin já não prosseguimos esse objectivo do socialismo. A impossibilidade histórica não existe. Invoca-se em nome de convicções que se deixaram de ter. A possibilidade resulta do trabalho num quadro complexo mas perceptível, onde existem muitas interacções e interdependências. Certas formas de socialismo que conhecemos soçobraram, por factores externos e internos Referi-me a alguns deles num post anterior sobre o Muro. Aqueles com quem ombreio não tinham dantes nem têm agora um projecto com contornos equivalentes, aprenderam também pela negativa, e desde esses acontecimentos do final dos anos oitenta,não deixaram de reflectir nem pararam para balanço. Fizeram um congresso para avaliar esses acontecimentos e incorporaram essa reflexão no seu projecto político. A riqueza da nossa história, que hoje se continua a fazer, não era compaginável com operações de cosmética como mudaça de nomes e símbolos ou com acasalamentos diluidores de identidades. E os portugueses têm mostrado que apoiam essas suas posições de princípio e sentem o conforto de o terem a seu lado nos bons e nos maus dias.

isaflores disse...

Ainda ha tanto por desbravar sobre este tema.
Mas gostei de o ler
:))

Armando disse...

Resposta a A. Abreu (Parte 1/3)

Um dos defeitos do materialismo vulgar, amiúde ilegitimamente autodesignado por ‘marxista’, é não se submeter ao critério da praxis e recusar, na sua prática, que ele próprio está sujeito à universalidade da dialéctica. Tornou-se assim numa mescla de materialismo mecaniscista, de idealismo objectivo e, não raras vezes, de idealismo subjectivo, aliado a uma metodologia e prática escolásticas.

Para ele não há lugar à verificação da correspondência das representações mentais com a realidade objectiva (vide Engels no “Ludwig Fuerbach e o fim da filosofia clássica alemã” e a célebre frase sobre a prova do pudim, e mais modernamente Adam Schaff na obra sobre a Verdade). Os ‘marxistas’ vulgares transformaram o médodo científico de análise social de Marx e Engels num sistema filosófico finalista, o marxismo-leninismo, numa teleologia anti-marxista, por sua vez transformada numa religião ateia, o comunismo científico, ideologia oficial não só da defunta URSS, cujo desaparecimento é a prova irrefutável da inexequíbilidade dos modelos antipopulares, anti-sociais soviético, das democracias pretensamente populares, chinesa, albanesa, coreana, etc.

Nos países capitalistas os defensores de modelos semelhantes, tendo ou não realizado tímidas reflexões e modestíssimas autocríticas, foram atirados para o último lugar das preferências sociais ou no pódio parlamentar, e tornaram-se irrelevantes e descartáveis.

Tinham desprezado a dialecticidade da realidade, ignorado voluntariamente que as ‘coisas’, a realidade, os objectos do conhecimento se transformam por acção interna e externa, se afirmam, desenvolvem e entram em decadência, se transformam finalmente no seu contrário, dando lugar a novos objectos. Pretensos ‘marxistas’ que não aplicaram a si próprios a análise marxista. Meteram a cabeça na areia, embrenharam-se no labirinto ou, se quizer, na caverna de Platão. A ‘verdade’ que afirmavam intuir era/é uma imagem deformada, autista, nebulosa, raquítica da realidade externa: como compreender a realidade exterior à caverna permanecendo encafuado na gruta de uma visão esquemática, não vivendo na larga e complexa sociedade e nela não interagindo, discutindo, não confrontando ideias e experiências mas antes rodeado-se do pequeno círculo de correlegionários sujeitos à abominação dos centralismos ‘democráticos’, isto é à ditadura totalitária da ideologia imposta de cima por alguns iluminados.

A. Cerqueira

Armando disse...

Resposta a A. Abreu (Parte 2/3)

Transformaram o seu ‘socialismo real’, o seu ‘comunismo’ e os seus agentes numa paródia, numa fraude, no seu contrário, num anti-socialismo despótico e opressor, anti-libertador, numa realidade parcialmente retrógrada, na exploração e opressão da larga maioria de cidadãos/trabalhadores/militantes por uma clique dentre a cúpula do comité central. Nunca reflectiram sobre o que estaria/estava mal na própria Revolução de Outubro e na implementação do sistema, por que motivo a população e os trabalhadores eram desafectos ao regime (ou ao partido) votando com os pés, consoante as realidades nacionais. Não aprenderam nada com a Primavera de Praga, primeira tentativa do ‘regime’ de auto-reformar-se. Quando Jaruzewlski deu o seu golpe de Estado já era tarde, a sociedade rejeitava o regime. Gorbatchev tentou desesperadamente, era ainda uma segunda tentativa, mas ou não soube, ou não teve ‘sorte’ ou já não havia margem de manobra. Dubcek e a sua equipa e Gorbi eram bem intencionados. Respeitemo-los pois tentarem honestamente construir um socialismo socialista, de rosto humano e respeitador dos intreresses e liberdade dos trabalhadores.

A imensa tragédia das experiências pretensamente comunistas pós-Revolução de Outubro, para além dos crimes inomináveis das execuções massivas, dos processos de Moscovo, Praga e outros, dos gulagues soviéticos e chineses, da chacina de Katyn, da crassa ignorância e irresponsabilidada na gestão da economia e da sociedade e das fomes e epidemias, da ignomínia que foi o Pacto Germano-Soviético e a entreega de militantes comunistas aos nazis, acompanharam a traição dos dirigentes auto-proclamados comunistas aos próprios ideais comunistas, e estão na origem da inviabilidade e fracasso da experiência. A traição foi aliás replicada por outros partidos moldados pela elite e pelos apparatchik estalinistas ou maoistas, que sermpre se mantiveram calados e não fizearam ondas quanto ao relatório de Krutchev. Foram esses que abandonaram traiçoeiramente as convicções que fraudulentamente aparentavam defender (ou nunca partilharam verdadeiramente), os ideais quer do socialismo quer do comunismo. Não é possível manter coerência e honestidade ombreando com tal gente. Um aforismo popular português declara que antes só que mal acompanhado. A tragédia da experiência soviética, complexo conjunto de múltiplas tragédias sectoriais, foi a traição de dirigentes e homens do aparelho (mas não só, aventureiros e oportunistas também) aos ideais do socialismo e do comunismo e sua realização.

A. Cerqueira

Armando disse...

Resposta a A. Abreu (Parte 3/3)

O socialismo foi até agora impossível. Não considero socialismo as fraudes capitalistas sociais-democratas nem os projectos de socialismo de PCs que defendem explicitamente o pequeno capital, e por isso um estrato da burguesia. O socialismo é ainda actualmente impossível: não há nem condições objectivas nem condições subjsctivas para a sua eclosão. Daí a impossibilidadcde histórica. Ninguém sabe verdadeiramente como “criá-lo” ou instaurá-lo. O novo sistema terá de nascer do interior desta formação social e económica. Marx ensinava isso a respeito do ‘nascimento’ do capitalismo. Não poderá ser criado por alguns iluminados com régua e compasso. Tendo de ser pré-concebido antes de ser vertido na realidade, não poderá ser uma violentação da realidade por uma criação ideológica de quaisquer apparatchik. Tem de nascer quase ‘naturalmente’ por acção social e económica, compatibilizar propriedade social dos meios de produção, com democracia (direitos humanos, Estado de direito, iniciativa e criatividade sociais e económicas, produtividade e rentabilidade, inovação e tecnologia social e economicamente úteis e rentáveis, formaçãao cultural e moral tando individuais como colectivas, etc. Creio que o socialismoserá viável futuramente, tendo a designação que tiver, surgindo quando surgir, sendo provavelmente substituído posteriormente por outra formação.

Esta é em parte a minha posição. Posso discutí-la sem condições prévias com homens livres que pensem pela própria cabeça, sem aceitar limitações, imposições ou ridículos argumentos de autoridade. Autoridade moral de quem? Que provas reais deram? Quantas chapadas, etc. levaram (se alguma) no 3º andar da António Maria Cardoso? Apodreceram em isolamento em algum Reduto? Que coerência tiveram no respeito pelos interesses, direitos, liberdade e pensamento dos outros cidadãos? Respeitaram-nos sem jamais lhes imporem o seu querer e ideias? Porém, para defender o socialismo (ou a formação social seguinte) é necessário sê-lo, ter lutado e sofrido por ele quando lutar e sofrer é/era doloroso no espírito e no corpo e a liberdade própria terminava na fronteira da alheia.

Céptico por formação (Sérgio, Engels, Politzer, etc.) e conformação não me referi todavia ao caso português. O António Abreu leu-me mal. Não tenho realmente notícia de que a sociedade portuguesa tenha registado uma profunda, ampla, pública e muito participada reflexão e autocrítica de qualquer partido português sobre estes temas e os possíveis erros práticos e teóricos que tenha cometido. Haverá talvez registo de alguma fraude teórica seja de algum ‘socialismo’ dito democrático e em liberdade subrepticiamente imposto pela clique médio-burguesa e capitalista dirigente ou de outro ‘socialismo’ snob de sectores preocupados com a despenalização das drogas leves e as temáticas lésbico-homossexuais, que realmente não fazem o meu género. Todavia se de outra/s tiver notícia, não deixe de me comunicar as coordenadas bibliográficas.

Cumprimentos.

A. Cerqueira

António Abreu disse...

Meu caro Armando Cerqueira.
A argúcia do seu esgrimir acertou-me em cheio!
Graças a você fiquei a saber que eu sou um materialista vulgar, marxista ilegítimo ou teleólogo anti-marxista, religioso ateu, filósofo finalista quiçá idealista subjectivo se não mesmo escolástico, que não compreendo a realidade exterior à caverna em que permaneço encafuado na gruta de uma visão esquemática!...
Até já me estou a vêr a matar os velhinhos com uma injecção atrás da orelha, a queimar o parlamento, a substituir a esfera armilar pela foice e o martelo, a meter o marxismo-leninismop no prâmbulo do texto constitucional, etc. É fartar vilanagem!...
Graças a você fiquei a saber que é por causa de razões como esta – porque certamente o anticomunismo é também fruto da minha delirante imaginação anti-dialética – que o partido em que me orgulho de militar está no último lugar das preferências sociais e parlamentares, é irrelevante e descartável, …
Caramba, as asneiras por m2 que você é capaz de dizer!!...
Refutá-lo? Dizendo que não nos conhece ou tem alguma mala pata antiga para tanto ódio? Que você não leu o que no nosso programa, estatutos e prática corrente se depreende explicitamente sobre a base teórica da nossa linha política? Olhe, francamente não sei, não estou para lhe responder à letra, resolva lá isso e reconcilie-se com a vida…

António Abreu disse...

2/3

O relambório contra o regime soviético vem na propaganda anticomunista vulgar, um pouco mais completo do que o citou. Exigir-se-ia num debate de ideias que não se limitasse a reproduzir esses clichés serôdios. Se se centrasse em coisas como as que lhe referi no meu post que pretendeu criticar, ainda continuaria a conversa, coisa que pelo estilo que demonstrou não fará, certamente parte, das suas intenções. Mas sempre lhe direi, a propósito dos dois personagens que referiu, que não deixando de lhes reconhecer um papel histórico, não lhes reconheço bondades de intenções. E como você parece gostar de provérbios, cheio de boas intenções está o inferno cheio. E sempre lhe lembrarei que, a acção articulada entre Dubcek e Ceaucescu, na referida “primavera”, foi acompanhada pela entrada, pela primeira vez em muitos anos, da esquadra norte-americana no Mar Negro. O que não põe em causa a firme convicção que tenho de que as taras e erros que as respectivas lideranças apresentavam deviam ter sido resolvidas pelas forças da casa…
A declaração que as experiências derrotadas do socialismo no leste europeu significam que os comunistas não deviam ter estado ombro com ombro com os revolucionários desses países, faz tábua rasa dos limites que esse ombrear teve e da reflexão própria que fizemos da relação entre socialismo e democracia política, do culto da personalidade, do autoritarismo, muito antes desses acontecimentos se darem. Quanto a isto, só lhe posso recomendar que mude de óculos ou que certifique a garantia dessa coisa que paira dentro de si como se de socialismo se tratasse. A elasticidade do meu pensamento e prática políticos não será tão grande como a sua, mas, enfim, cada um tem as suas limitações…

António Abreu disse...

3/3
E cá temos a impossibilidade do socialismo declarada urbi et orbi, da revolução ser a violentação da realidade. Francamente! Essa está ao nível da outra do Sol andar à volta da Terra…O czar Nicolau lhe agradece o contributo para a sua reabilitação. E não é comunista quem incorpora no projecto o pequeno capital?...Ó homem donde é que você veio??
Depois mete ali umas chapadas da PIDE-DGS nuns termos caverniculamente ofensivos para muitos militantes e dirigentes comunistas que acompanharam os acontecimentos e tiveram a sua reflexão própria, baseada em factos e não opiniões, que sofreram o impacto tão grande dessas realidade com a sua entrega total e humanista a uma causa que se mantém, aberta a novas realidades e ensinamentos, bem longe da caverna donde você não quer sair.
Não sabe que os comunistas portugueses (dos outros que falem eles…) fizeram uma reflexão, tão profunda quanto lhes pareceu ser possível a curta distância nos acontecimentos, que sempre carecerá de novos aprofundamentos? Olhe o problema é seu. Para estudioso, de que pretende dar ares, não conhecer o XIII Congresso do PCP, é obra…Quanto ao dizer-lhe onde as coisas estão escritas, ó AC (não confundir com Antes de Cristo), mexa-se, procure, não emprenhe apenas de ouvido por obra e graça dos anticomunistas de serviço…
Pela minha parte considero encerrado