quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Manda a Alemanha...

A reunião de ontem dos dirigentes europeus foi orientada pela vontade da Alemanha.
A redução da dívida grega faz os estados canalizarem para a banca dinheiro que, como noutras alturas, servirá para cobrir dívida pública grega de que não será ressarcida, dando cobertura às operações especulativas que a banca decidiu fazer. E é claro, quem vai pagar são os contribuintes.
Resta saber o que vai a banca fazer com esse dinheiro...Vai emprestá-lo para investimentos que relancem as economias e o emprego? A que juros? Quem vai monitorizar essas aplicações?
De crescimento e emprego continua a falar-se pouco também no nosso país. A proposta do Orçamento do Estado para 2012 é disso bom exemplo. Mas, para além de consagrar as mal feitorias que têm vindo a ser anunciadas aos bochechos, ultrapassando as próprias orientações do memorando da troika, neste orçamento estão claramente inflaccionadas as perspectivas de receitas em relação às despesas, o que deixa antever lá para meados do próximo ano que novas medidas de austeridade serão lançadas.
Este curso previsível do governo de direita encontrará pela frente a luta organizada dos portugueses a todos os níveis da sociedade e a greve geral de 24 de Novembro é um momento importante dessa luta que continuará.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Das guerras do ópio às guerras do petróleo

Com a guerra contra a Líbia, perfilou-se numa nova divisão do trabalho no âmbito do imperialismo. As grandes potências coloniais tradicionais, como a Inglaterra e a França, valendo-se do decisivo apoio político e militar de Washington, centram-se no Médio Oriente e na África, ao passo que os Estados Unidos deslocam cada vez mais seu dispositivo militar para a Ásia. E assim voltamos à China. Depois de haver deixado para trás o século de humilhações que começou com as guerras do ópio, os dirigentes comunistas sabem que seria insensato e criminoso faltar pela segunda vez ao encontro com a revolução tecnológica e militar: enquanto liberta centenas de milhões de chineses da miséria e da fome a que os havia condenado o colonialismo, o poderoso desenvolvimento económico do grande país asiático é também uma medida de defesa contra a agressividade permanente do imperialismo. Aqueles que, inclusive na "esquerda", se põem a reboque de Washington e Bruxelas na tarefa de difamação sistemática dos dirigentes chineses demonstram que não se preocupam nem com a melhoria das condições de vida das massas populares nem com a causa da paz e da democracia nas relações internacionais.
O filósofo italiano chega a esta conclusão numa peça publicada pela resistir.info.



Moluscos espirituais..., por J

Basta chover um pouco, logo invadem as paredes da casa.


Vêm das ervas em volta, onde invisíveis não há muito tempo nasceram, e, ainda milimétricos, deslizam pela superfície húmida subindo sempre.
Chegados em cima, não tendo já como trepar, vão-se juntando na sanca do telhado, de onde não mais saem.

Porquê esta tentação suicida de trocarem o mundo fértil cá de baixo pelas alturas estéreis onde não há nada?
Seita da espiral

Moluscos espirituais...
Seita do parafuso

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Depois de meses de "silêncio ensurdecedor", alguns criticam agora a NATO...

Há uns meses atrás alguns dos que hoje condenam a agressão da NATO estavam calados.
Nenhuma reflexão séria foi feita  no sentido de questionar a legitimidade e a prevista brutalidade da invasão.
Como aqui referimos então, tratava-se de um "silêncio ensurdecedor".
Contar-se-ão pelos dedos os que exprimiram essas dúvidas tal como os comunistas portugueses o fizeram,não confundindo essa atitude com um apoio à política de Kadhafi.
Foi necessário pintar um monstro que justificasse tudo quando as verdadeiras razões da intervenção eram por demais conhecidas.
O despotismo de Kadhafi, que variou ao longo do regime, as arbitrariedades, a falta de democracia, os crimes que lhe são imputados, a própria justificação da revolta de Benghazi como reacção popular à perseguição do regime, terão que ser mais bem identificados por parte dos que justificaram a agressão. Não nego à partida nada disso mas não aceito sem provas a contundência das acusações. Designá-lo por facínora ou déspota terá que ser calibrado com a consideração que se tem por idênticos comportamentos de Bush, Obama, Sarkozy, ou Berlusconi. Porque esta barragem de certezas "justificou" algo que a partir da segunda metade do século passado estava adquirido na consciência universal como inaceitável: a invasão militar de um país para apoiar uma parte da sua população que se opunha a um regime mas que não tinha quaisquer tipo de condições para o derrubar...
Espera-se agora que uma atenção mais crítica, despida do seguidismo em relação às campanhas de outros a que muitos dos nossos fazedores de opinião fazem o frete.
Espera-se essa atenção porque o combóio está em marcha e novos casos estão em preparação.

domingo, 23 de outubro de 2011

Plantena..., por J

Ena, que grande palmeira!...

qual quê, não passa de uma palermeira...

(antena da Telecabo na Praia da Luz)

J

sábado, 22 de outubro de 2011

Obama e a conquista de África: "O que importa não é tanto a cor da tua pele mas o poder que serves e os milhões que trais..." (Frantz Fanon)

Na sequência do que aconteceu na Líbia, Obama irá enviar nos próximos meses tropas para se juntarem a grupos já criados por si no Uganda, Sudão do Sul (cuja independência foi por si animada), para o Congo e para a República Centro-Africana.


Com estas anexações às suas intenções, os EUA pretendem instalar em Africa uma NATO regional, a AFRICOM. Para ela Dick Cheney previa já nos anos 90, no seu Plano Estratégico de Defesa, a alocação de 60 mil militares de forças especiais, incluindo esquadrões da morte, que já operam em 75 países e assim chegariam aos 120 (longe ficariam os impérios romano, otomano, etc, etc, etc.). Até agora, Obama via os países africanos a oporem-se a este projecto. Mas parece que está disposto a, como Hitler, ir atacando aqui e ali para o fazer "aprovar"...

É uma atitude alinhada com a política de ingerência interna noutros países, cujas administrações, democratas ou republicanas realizaram paulatinamente desde o final da 2ª guerra mundial.

Em todas estas situações foram usadas cìnicamente expressões como "propósitos humanitários", "intervenções humanitárias", "segurança nacional dos Estados Unidos".

Não vamos aqui descrever todas essas situações de massacres, limpezas étnicas, eliminação de comunistas e outros combatentes pela liberdade para reforçar as ditaduras de gente como Mobutu, Pinochet, Suharto, Museveni.

É sabido que nas motivações da intervenção da NATO na Líbia, ocupava lugar destacado o afastar a China do petróleo líbio, a que os países da NATO já tinham acesso.

Nas últimas décadas, tal como o investigador John Pilger refere, "A África tem sido um caso de sucesso da China. Lá para onde os americanos levaram drones, desestabilização, os Chineses levaram estradas, pontes, barragens e a compra do fuel, de que era o principal o principal cliente internacional.

O início da actividade dos "rebeldes" apoiados pela NATO e o suposto "fabrico" pelos lideres líbiosde uma plano genocida para Benghazi, levaram os Chineses a retirar da Líbia cerca de 30 mil trabalhadores. A França decidiu então oferecer o apoio total e permanente ao TNC "em troca" (foi o termo usado") de 35% da produção de petróleo líbio...

Pilger, relembrando a ironia de Frantz Fanon, no Black Skin, aplicando-a a Obama, presidente americano "filho de África": "O que importa não é tanto a cor da tua pele mas o poder que serves e os milhões que trais..."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

Ivo Andric junto a uma ponte no Drina
"Não tiro conclusão dos factos, mas os factos vejo-os"

Ivo Andrić (Nobel da literatura jugoslavo, 1892-1975)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Outro "libertador" da Líbia, anterior a Obama

A imagem da ignomínia

Se se confirmar que Kadhafi foi capturado e morto pela soldadesca que trabalha para a NATO e/ou por bombardeamentos desta, estamos perante um facto que coroa todo um processo de recolonização da Líbia, feita a ferro e fogo, onde terão sido cometidos crimes de dimensão ainda agora não possível de imaginar.

A CNN, como canal das tropas de choque, acompanhou esse assalto final..., e captou imagem de Kadhafi, já morto, com a cabeça levantada do chão, exibido como troféu de guerra, numa atitude que viola todos os códigos deontológicos e comportamentos humanitários que os combatentes mortos em combate merecem.

Chegou a dizer-se que fora morto a fugir...Quem conhecia Kadhafi sabia que ele morreria em combate em Syrte, sua terra natal, onde nasceu numa comunidade nómada ligada aos beduínos.

Militar de formação, comandou a revolta militar de 1969, que depôs o Rei Ídris, que tinha entregue a exploração do petróleo aos norte-americanos sem que o povo líbio disso beneficiasse. As reacções não se fizeram esperar por parte do imperialismo e o coronel erigiu um sistema, segundo ele distinto do socialismo e do capitalismo, que funcionava na base de assembleias populares, num país diferente de tantos outros já que o Estado praticamente não existia, existindo sim diferentes comunidades ou tribos, de diferentes clãs. A criação de um estado moderno fez-se sem eliminar esta realidade. A Líbia tornou-se um país que se destacava de outros países africanos, pelo PIB, pelo leque reduzido de desigualdades sociais, pela emancipação da mulher, pelo nível cultural e pela aplicação dos recursos da exploração do petróleo na elevação geral das condições de vida dos líbios.

Kadhafi tornou-se neste processo um revolucionário respeitado em todo o mundo, apesar de opções aventureiras que lhe foram atribuídas. E apesar de, internamente, ter mão de ferro para com a esquerda, nomeadamente quando se abriu à exploração do petróleo por potências ocidentais, as mesmas que viriam a, no seio da NATO, executar o plano de conquista posterior da Líbia.

Gostaria de deixar um aviso aos que me leiam:
seguir a cartilha da condenação unânime de Kadhafi, agora derrotado pelo trabalho conjunto dos EUA e da sua Al-Qaeda, é dar luz verde à recolonização de África.

E uma reflexão:
apoiar a execução de Kadhafi não é compaginável com a postura liberal dos que se limitariam a dar palmadinhas no rabo a Obama para exorcizar os crimes contra a Humanidade que tem cometido.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O futuro dos movimentos informais

O movimento "Occupy Wall Sreet" teve o apoio explícito de Obama, Georges Soros, Warren Buffett, Ben Bernanke e Al Gore e no seu seio discute-se se aos "maus banqueiros" se estão a opôr os "bons investidores". A tentativa de "empalmanço" de um movimento rebelde, que estava a ser um sério desafio à estrutura do poder, por alguns ideólogos penetrados, está em curso. Mas o facto de já ter existido até agora foi positivo.


Os repentinos apoios dos grandes media e comentadores aos movimentos "sem compromissos", "livres", "inorgânicos", que se esgotam em climaxes seguidos de depressões, é motivo de reflexão para que o futuro destes movimentos, não seja o de apoiantes críticos ao neo-liberalismo liberal ou social-democrata. E desempenhem um papel próprio, distintivo numa confluência com outros sectores mais organizados que desfaça acordos de troikas, defenda outras condições de vida e a recuperação de direitos, garanta o crescimento económico, garanta continuidade das soberanias, já muito mitigadas, e ponha em causa os fundamentos desta União Europeia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Desfile de indignação e protesto contra o pacto de agressão, 3ª f, 18.30 h, no Chiado

O economista Eugénio Rosa avançou que Passos Coelho anunciou mais austeridade só para os trabalhadores pelo que se pode ver
em


- mais 7000 milhões € de riqueza para os patrões,

- corte de 1.682 milhões € no rendimento dos pensionistas;

- corte de 952 milhões € aos trabalhadores da função publica;

- rendimentos do capital continuam a ser poupados aos sacrifícios

Dia 15 em Roma

domingo, 16 de outubro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Acredito que com o tempo acabaremos
Auto-retrato de J. L. Borges
por merecer não ter governos"


Jorge Luis Borges
(prólogo a El informe de Brodie, 1970)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Wall Street

O movimento de "ocupação da Wall Street" ou "nós somos 99%" atingiu, não inesperadamente, dimensões que levaram Obama a dizer que o compreendia, estando em curso influências no sentido de o empalmar e retirar o carácter contra o sistema que hoje é muito vasto nos EUA por força do efeito cruzado - até por estarem interligadas - da crise financeira e desemprego e das guerras que Obama insiste em manter em várias frentes enquanto as prepara em novas frentes.
Esta tentativa de controlo e de reabsorção pelo sistema não são novos na História contemporânea, como os acontecimentos na Tunísia e Egipto mostram para não ir mais longe e falar, por exemplo, do Maio de 68 em França.
Neste caso será difícil isso acontecer para já. O apoio popular contra a repressão selvagem da polícia contra centenas de jovens e a adesão ao movimento, de forma crescente, de sindicatos e outras instituições, augura para dia 15 uma poderosa manifestação. A situação interna dos EUA vacila e isso é um sinal estimulante para todos os que combatem os efeitos da globalização imperialista e os riscos à insegurança que isso está a provocar em todo o mundo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quartetos de Cordas de Chostakovitch, na Gulbenkian, pelo Quarteto Borodin

O Quarteto de Borodin leva 65 anos de existência, dedicada a vários compositores, particularmente Dmitri Chostakovich, que com ele trabalhou durante anos.
O Quarteto está a apresentar em cinco dias a integral dos 15 concertos para cordas deste genial compositor russo.
Tivemos a oportunidade de assitir hoje ao segundo concerto e ficamos maravilhados. Aproveite e tente obter bilhetes para amanhã ou para 12, 16 ou 17.
Na separata do Publico dedicado à temporada a decorrer na FCG, Teresa Cascudo hipertrofia os problemas que Chostakovitch defrontou com o poder soviético antes e depois da guerra insistindo numa tese que é a de contrapor as sinfonias aos quartetos, contrapondo duas realidades como se o autor tivesse tido uma vida dupla: beneficiar da execução de sinfonias que colheram grande apoio popular para lhe ser possível o intimismo da música de câmara. É uma visão grosseira da obra de Chostakovitch que, nem nesta separata nem no programa (texto sem autoria identificada) ,tem uma apreciação do conjunto da obra do autor.
Saldo muito positivo.
Insisto: vão ver e ouvir

Costa, anos 60, por Jorge

Fotografias antigas da Costa, boas memórias para quem a conheceu nesses tempos.


Com a Rua dos Pescadores ao fundo
Agora,...ainda se vê um bocado. Tapem o resto
Uma delas mostra a entrada da praia em frente da Rua dos Pescadores que pode servir de comparação com aquela enviada há dias com ela toda emparedada. Naquela altura (anos 60), o edifício mais alto era o Hotel Praia do Sol, que ainda lá está, mas agora encafuado, e o resto eram vivendas baixas que deixavam ver o mar inteiro quando se começava a descer para a praia. Hoje vemos betão.

Adeus meninice, adeus barquilhos, adeus Jota Anaquim, adeus Daniel da "bola nova", adeus "Dragão Vermelho" e "Paraíso", adeus paraíso... :)
Pensa!
Ainda não é proíbido.



Adaptação de Creativity

domingo, 9 de outubro de 2011

Mário Alberto

Deixou-nos mas ainda ouvimos as suas risadas, depois de uma seta enviada a algum não merecedor da sua consideração.
Foi o último residente do Parque Mayer, depois de ter recusado um realojamento da CML, que, no entanto esta oferecera, com outras condições, a outros grandes artistas mais côr-de-rosa. A suas opções iam para o vermelho...
Mário Alberto era um bom artista, como cenógrafo deixou obra e muitas amizades. Mas também desenhou figurinos, escreveu textos e dirigiu montagens. Foi um dos fundadores dos Teatros Adoque e A Barraca
Conversador, animava todas as mesas e não desprendíamos os olhos dele, das suas expressões críticas, das suas risadas.
Um abraço, Mário. Um dia lá nos encontraremos numa tertúlia.

sábado, 8 de outubro de 2011

O movimento de protesto nos EUA


Segundo dados recolhidos de orgãos de comunicação social como a Telesur, a Press TV ou a PSL news, estarão na origem do crescente movimento de contestação nos EUA:

• Mais de 40 milhões de norte-americanos encontram-se desempregados e é o próprio presidente da Reserva Federal, Ben Bernake, quem admite que o número de desempregados há mais de 6 meses é muito preocupante.

• 41 por cento do total dos empregos são classificados como de baixos rendimentos.

• O salário médio nos EUA tem vindo a cair progressivamente desde 2006. Quando os trabalhadores a tempo parcial são incluídos, o cenário piora com uma queda no rendimento médio na ordem dos 28 por cento face ao valor real praticado em 1970.

•15 executivos de grandes empresas financeiras e imobiliárias dos EUA arrecadaram, cada um, mais de 100 milhões de dólares em compensações e dividendos em 2010.

• No ano passado, um gestor numa empresa ganhava em média 343 vezes mais do que um trabalhador.
Metade dos norte-americanos mais pobres dispõem de apenas 2,5 por cento da riqueza.

•Um terço das famílias jovens com filhos são pobres.

•A pobreza nos EUA atinge níveis recorde. Em 2010, 15,1 por cento da população ou 46,2 milhões de pessoas eram consideradas pobres, o valor mais alto desde que se iniciou a recolha estatística. Outros 8,6 milhões de pessoas só se mantêm acima do limiar da pobreza devido ao recebimento de prestações sociais, isto considerando que, de acordo com os estritos padrões oficiais, uma família de quatro pessoas com um rendimento anual de 22 351 dólares (cerca de 15 mil euros/ano, ou seja, 1250 euros/mês) não é considerada pobre.

• 700 mil norte-americanos são sem-abrigo, número que não está incluído nas estatísticas da pobreza, as quais também não cotejam os dados com o custo de vida real para cada cidade.

•Em 2010, pelo menos 45 mil pessoas morreram nos EUA por incapacidade de acesso a assistência médica.

• A máquina de guerra imperialista absorve anualmente 700 mil milhões de dólares, a maior cifra na história do país. No auge da Guerra do Vietname, o orçamento da Defesa gastou naquele conflito 390 mil milhões. As Nações Unidas estimam em 200 mil milhões de dólares o custo anual dos programas que permitiriam alimentar famintos de todo o planeta.

in "Avante!"

Frase de fim-de-semana

"Tenta outra vez, falha outra vez, falha melhor"

Samuel Beckett
irlandês,prémio nobel da literatura ,
1906-1989) in Worstward Ho!.




Da violência

Governo, dirigentes da polícia e media decidiram criar uma onda de discussão sobre a prevenção e combate à "violência social". À sua maneira, Mário Soares, com créditos de muitos anos na prestidigitação da mesma, já estava nessa onda há muitos meses, a propósito da crise do capitalismo.

Comecemos por entender que nem de toda a violência eles falam.

Não falam da violência do desemprego e da falta de meios de sobrevivencia. Que, em si mesmos, retiram qualquer conteúdo ao facto de se dizer que o "nosso país tem liberdades" ou que vivemos em "regime democrático". Que liberdades restam a estes nossos concidadãos? Ir votar porque "é muito importante"? Resta a liberdade de lutar para recuperar liberdades perdidas, se o desespero, a falta de esperança, as depressões ainda lhe não retiraram a força anímica.
Para isso tem contribuído a luta política e sindical. Que não lutam por causas perdidas já que é a condição humana que os move.

Comer mal ou não comer, não poder mandar os filhos à escola, ficar em casa para não revelar situações de carência, perder a casa por não poder pagar ao banco, retirarem-lhe apoios sociais, que só uma minoria usaria indevidamente, confrontar-se com os aumentos de transportes e de taxas moderadoras, não poderem recorrer à justiça devido aos custos crescentes dela e à impossibilidade de se servirem de práticas dilatórias que só os ricos podem pagar, serem desapossados dos meios de realização e fruição culturais.

E ainda terem sido vítimas de terem sido atraídos para todo os tipos de créditos e de facilidades em os obter. E ainda terem de ouvir, em jeito de acusação, de "terem vivido acima das suas possibilidades" pelos reguladores da actividade bancária ou, em jeito de ameaça, de serem vítimas da violência policial quando crescem os protestos sociais e a polícia não tem recursos para cumprir com a sua tarefa básica que é a segurança dos cidadãos...

Estas são, sim, as causas perdidas dos predadores, dos grandes ladrões, das criaturas saprófitas do carácter social do Estado.

Quem vive sujeito a tais violências é livre?
O regime em que vive é democrático? E não pode e deve procurar alternativas para si, para os seus e para todos nós?

Quem é violento é ou não, ainda, quem o quer convencer que não há alternativas?

A violência de que falam é a que ameaçam exercer. Não porque se vislumbre argumentos da realidade para a ela recorrer. Fazem-no como ameaça. Para criar medo. Para funcionar como intimidação contra o espírito de revolta que cresce e continuará a crescer porque novas medidas graves decorrerão neste e no ano que se segue. O recurso à violência do poder poria em causa, a prazo, a sua própria existência. Não esperem que este povo se dobre. Ele vai resistir.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Ao fim e ao cabo, todos os museus são interessantes,
até mesmo quando não são"

Elliott Erwitt (fotógrafo franco-americano, 1928-)



 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cinecoa - um arranque promissor

O 1º Festival Internacional de Cinema de Foz Côa (CINECOA) começa hoje e termina no próximo dia 2.

Segundo os organizadores, a primeira edição do festival é uma verdadeira celebração do vasto território que é o Douro Superior, com a exibição de mais de 20 filmes, 10 dos quais rodados na região.

CINECOA destina-se a ser uma manifestação cinematográfica de projecção internacional e concentrará este ano a sua programação em filmes portugueses de grande qualidade, dos primórdios do cinema aos nossos dias.

Manoel de Oliveira e António Reis juntam-se assim a outras figuras incontornáveis da literatura portuguesa, como Miguel Torga, Teixeira de Pascoaes e Guerra Junqueiro que sublimemente invocaram este território mágico e inspirador, e que aqui queremos homenagear através da exibição das suas obras.

No futuro, um dos principais intuitos do festival é promover encontros com protagonistas reconhecidos de várias áreas: cineastas, músicos, escritores, arquitectos, historiadores – e abrir a discussão sobre temáticas que digam respeito à criação artística e às políticas culturais, como pólos de reflexão, desenvolvimento e aprendizagem.

Várias personalidades marcarão presença na primeira edição do CINECOA: a actriz Ludivine Sagnier e o cineasta e argumentista Jacques Fieschi a quem oferecemos cartas brancas para a escolha de filmes; o pianista Bernardo Sassetti e a cantora Filipa Pais que interpretarão música ao vivo durante a projecção do clássico português Maria do Mar de Leitão de Barros.

A ideia de partida para o festival é clara: permitir a todos os públicos um contacto directo com as mais diversificadas cinematografias do mundo e promover o cinema e o seu património no âmbito contemporâneo.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A degradação das funções sociais do Estado e das remunerações da administração pública

Em mais um estudo sobre questões socio-económicas do nosso país, Eugénio Rosa sustenta que

"Entre 2000 e 2011, o poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública diminuiu entre -8% (para os trabalhadores com remunerações até 1500€) e -15,5% (para os trabalhadores com remunerações superiores a 1500€ ). E para os anos de 2012 e 2013 é intenção deste governo manter o corte e o congelamento das remunerações, o que determinará, se tal intenção se concretizar, uma nova e significativa redução nas condições de vida destes trabalhadores, até porque é previsível que a inflação dispare com o aumento significativo dos impostos.
  O congelamento das remunerações dos trabalhadores da Administração Pública no período 2011-2013 determinará que estes trabalhadores recebam menos 1028 milhões € de remunerações como consta do "Documento de Estratégia Orçamental 2011-2015" do governo. Por outro lado, o corte feito pelo governo de Sócrates nas remunerações dos trabalhadores da Função Pública em 2011, que o governo de Passos Coelho pretende manter, determinou uma redução nas retribuições dos trabalhadores da Função Pública em 1.190 milhões € (se incluir as empresas públicas são mais 242,5 milhões €) como consta da pág. 48 do próprio Relatório do Orçamento do Estado de 2011.

Enquanto isto sucedeu na Administração Pública, no sector privado, em idêntico período (2000-2011), o poder de compra das remunerações, de acordo com os dados oficiais, aumentou cerca de 8%. Portanto, a desigualdade de tratamento é clara. "

Para concluir que:
"O ataque às condições de vida de todos os trabalhadores portugueses no período 2000-2011 foi muito grande em Portugal, mas os trabalhadores da Administração Pública têm sido o alvo preferencial da fúria dos ataques do governo, precisamente por estarem em serviços públicos essenciais à população que os sucessivos governos, e nomeadamente o do PSD/CDS, pretendem reduzir drasticamente, para não dizer mesmo destruir pelo menos uma parte importante deles, para assim também criar oportunidades de negócio aos privados, nomeadamente aos grupos económicos da saúde (José de Mello, grupo Espírito Santo, etc) e a outros."

O autor baseia-se nos dados oficiais para obter as variações do poder de compra em 2000-2011, para remunerações inferiores a 1500€, que na administração pública são -8,0% e no sector privado+8% .
Fazendo o mesmo para a variação do poder compra 2000-2011, para remunerações superiores a 1500€, que são, respectivamente, -15,5% para a administração pública e +8% para o sector privado.
O autor retira à variação das remunerações nominais na Administração Pública e à variação das remunerações nominais no sector privado, o IPC (Indice Preços Consumidor), obtendo os valores atrás referidos.
Eugénio Rosa refere que este aspecto da degradação dos salários reais nos serviços que garantem as funções sociais são um aspecto do ataque mais geral a estas, afirmando que "quase 2 milhões de portugueses vivem em situação de pobreza e 2,7 milhões só ainda não estão porque recebem prestações sociais que o governo está a cortar ".

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Primeiro a comida, depois a moral"

Ditado alemão

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A NATO e a Al-Qaeda arrasam a Líbia

1  . A "rebelião"que, na Líbia, levou a Al-Qaeda ao poder, prossegue a destruição do país apoiada nos permanentes bombardeamentos da NATO, nas acções da inteligência dos 3 principais agressores envolvidos (EUA,  Inglaterra e França) e no apoio logístico e de homens do Qatar ,este dispondo do canal Al-Jazeera. Obama  já garantiu  que a pemanência da NATO no terreno não dispõe de limites previstos..
A resistência à ocupação total do país prossegue e Obama já anunciou que a NATO permanecerá na Líbia sem limite previsto.O silêncio informativo instalou-se e é de recear que, na sequência do bombardeamento da NATO, que matou há dias mais de quatrocentas pessoas numa zona residencial da cidade onde nasceu Kadhafi, possam estar a prosseguir massacres nas zonas de resistência.

2.  Em mais de seis meses, os agressores da NATO e da Al-Qaeda arrasaram conquistas sociais fundamentais num país que, sendo de África, atingira elevados padrões de vida.
Com um elevado PIB per capita de 16502 dólares (Portugal com 23000), este estava a crescer na ordem dos 2% ao ano. Em 30 anos a mortalidade infantil passou de 70/1000  para 17/1'000 e a esperança de vida de 61 para 75 anos (fonte UNESCO e FAO) . Com 6,4 milhões de habitantes, a Líbia tinha há 2 anos um crescimento populacional de 2%, sendo a população dos 0-14 anos de 22%, apresentava uma fertilidade (nascimentos por mulher) de 2.6%.
A situação está caótica e estes e outros índices vão regredir com a entrada das empresas estrangeiras, as condições dos empréstimos, etc. A Líbia levará muito tempo, mesmo livrando-se dos agressores externos, a recuperar as condições de vida e a posição que já teve.
Se estiver interessado em aceder a dados da Líbia antes da agressão sobre a saúde, a educação, o sistema de controlo de preços,  carregue aqui, aqui e aqui. Com os países ocupantes e a Al-Qaeda tudo isto se vai desmoronar.

3.  Agora os países "doadores" do G8 e os países credores (com as unhas bem fincadas no petróleo líbio) vão reconstruir o que destruíram. Com o reconhecimento do CNT pelo FMI e o Banco Mundial, a Líbia pagará um preço muito elevado pela "salvação" que a NATO lhe fez cair dos céus...
Antes da agressão a Líbia não tinha dívidas. Financiava países africanos e outros agora seus agressores
Agora foram-lhe já confiscados 100 dos 150 mil milhões de dólares depositados nestes e noutros países. Esse dinheiro vai ser utilizado agora para a "reconstrução" , feita por grandes empresas dos países agressores e os G8 emprestarão muito dinheiro para endividar o futuro.

domingo, 18 de setembro de 2011

Meu amor, já amanhece

O entardecer era um momento mágico daquele dia de verão. Tu lias e eu parara  para ver a mutação de cores no horizonte. Toquei-te e, de mão dada, ficamos suspensos no olhar e na orla vermelha do Sol que que fugia como areia entre os dedos das mãos. Tudo pareceu ficar um pouco sem jeito, como se se procurasse um novo equilíbrio.

Fui-te buscar uma água e relemos os cabeçalhos. Tudo parecia louco e inverosímil, monocórdico e falso à luz de um suposto senso comum que esmagava a dissidência. Quase parecia que as alavancas dos braços das mulheres e homens do país se transformara, sabe-se lá porquê, na alavancagem dos bancos na voragem dos mercados deste nosso descontentamento.

Amor,  querem tirar-nos a linguagem dos afectos e tornar a felicidade proscrita. Mas o nosso amor é mais forte, como fortes serão os laços dos que já se revoltam e partiremos em busca da liberdade, dos direitos e das vidas que construímos. Nos campos continuarão a lavrar-se a nossa dignidade e autonomia. Nas fábricas será produzido o que precisamos e para vender e trocar com outros. Os barcos voltarão a pescar o que é nosso e seremos mais autosuficientes.

Basta do caminho cruel, do sistema iníquo, das pretensas inevitabilidades. Vamos reencontrar-nos, nas ruas e praças da revolução.
Agora é tempo de amar e de lutar, de reconstruir as nossas raízes, de dizer o que queremos porque o podemos fazer. Já começou o amanhecer. Vem, meu amor.

sábado, 17 de setembro de 2011

RTP... O outro lado da historia

Um amigo enviou-me o que deveremos saber sobre a RTP e que a "ONGOING" não nos vai contar:


1 - Sabia que todos os países da Europa comunitária e inclusive nos
Estados Unidos têm serviços públicos de televisão, e que o modelo
misto de mercado que existe em Portugal é a regra e não a exceção?

2 - Sabia que o serviço público de televisão prestado pela RTP é não
só um dos mais baratos da Europa, é também um dos mais baratos do
mundo? Custa cerca de 15 centimos por dia, não por pessoa, mas por
contador de luz.

3 - Sabia que por esses 15 centimos são emitidos diariamente 11 canais
de televisão com programação diferenciada (RTP1, RTP2, RTPN, RTP
Memória, RTP África, RTP Internacional Asia, América,Europa,
RTPMobile, RTP Madeira, RTP Açores) 7 antenas de rádio (Antena 1,
Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional, Antena1 Madeira,
Antena1 Açores), Rádio, Televisão e Noticias na plataforma Multimédia,
(NET), com uma audiência potencial de cerca de 200 milhões de pessoas?

4 - Sabia que a RTP possui o maior e melhor arquivo audiovisual do país
e um dos melhores do seu género em todo o mundo?

5 - Sabia que os trabalhadores da RTP são dos mais produtivos do sector
televisivo europeu, recebendo menos salário liquido do que os seus
congéneres no privado e que auferindo em média 50% do que os seus
colegas europeus?

6 - Sabia que os trabalhadores da RTP não têm aumentos salariais
reais desde 2003, sendo os trabalhadores do sector estado os que mais
percentual de poder de compra perderam numa década?

7 - Sabia que a publicidade da RTP não entra para os seus cofres mas
está sim indexada ao pagamento de um empréstimo bancário a um
sindicato bancário alemão e holandês, que assumiram o passivo?

8 - Sabia que essa dívida (contraída graças ao antigo PR Cavaco Silva)
ronda os 600 milhões de euros a um spread baixíssimo, e que este
sindicato deseja renegociar o empréstimo hà anos?

9 - Sabia que no caso da RTP ficar sem publicidade o accionista Estado
teria que assumir o pagamento da dívida, mais juros por inteiro e de
imediato?

10 - Sabe quem pagará a dívida de um canal à ONGOING (se comprar a TP)
pelo governo de Passos Coelho? Você!.. e vai custar-lhe 600 milhões de
euros!"

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"... é chantagem isso de analisar as ideias políticas
de um esfomeado sem ao mesmo tempo analisar a fome dele"

Stig Dagerman (autor e jornalista sueco, 1923-1954)
in Outono Alemão (trad. J.Henriques)

domingo, 11 de setembro de 2011

Ainda o 11 de Setembro

Dez anos passados sobre o 11 de Setembro, a Humanidade  com acesso a media viu entrar-lhes em casa a dor de muitos americanos e a versão oficial dos acontecimentos.
No caso da SIC passou ainda um filme sobre o heroísmo de soldados americanos no Iraque.
Sobre estes acontecimentos e suas consequências na última década, remeto os leitores para a posição dos comunistas portugueses que, desde a primeira hora condenaram este ataque.
Não deixo de assinalar, no entanto seis factos:

- Os requintes de barbaridade que estiveram na base dos ataques e o nível de horror que provocaram em todo o mundo ainda mais por terem sido transmitidos em directo;
- As alterações graves para a paz daí decorrentes, com invasões, centenas de milhar de mortos, a que os EUA de forma directa em combate ou indirecta com diversos apoios a esses desenvolvimentos negativos;
- A coincidência destes desenvolvimentos com projectos, hoje públicos, da administração americana para a primeira parte deste século;
- A pilhagem de fontes de energia de muitos países numa lógica neo-colonial e de protectorado;
- O alinhamento de há muito dos serviços secretos norte-americanos com grupos jihadistas e a Al Qaeda, praticamente desde a sua fundação, modelando-lhes a actividade de acordo com as circunstâncias e fazendo desta aliança a principal alavanca do terrorismo internacional;
- A redução significativa ou inversão de regras de convivência internacional e de princípios da vida democrática em cada país.

O imperialismo norte americano, apoiado por algumas potências europeias, coincide com grandes dificuldades para estes países ultrapassarem as suas próprias crises e, talvez não por acaso, arrastando todo o mundo para a contribuição nas despesas  inimagináveis com essas guerras, através do aprofundamento da crise e da pioria assinalável das condições de vida dos povos.
O poderio das armas parece invencível. Mas os povos continuam com a sua voz e lutarão.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Evidentemente, a verdade é que
 um bilião de falsidades contadas
 um bilião de vezes por um bilião de pessoas
não deixam de ser falsidades"

Travis Walton
(guarda florestal americano,
pretensamente raptado por um OVNI, 1953-)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A solução islandesa, por Eduardo Lucita

Na Islândia, uma sucessão de acontecimentos políticos desde 2008, impulsionados por fortes mobilizações sociais forçaram a renúncia em bloco do governo e eleições antecipadas, a convocação de dois referendos populares que levaram à votação maciça pelo não pagamento da dívida, e pela ida a tribunal e a prisão temporária de banqueiros e funcionários e a possibilidade de vir a haver uma nova Constituição.
Este economista dá-nos conta do que está em curso na Islândia (em português no resistir.info)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dez anos depois do 11 de Setembro, restam muitas perguntas por responder

1. Afirmar que os atentados perpretados nos EUA há dez anos foram obra dos serviços secretos norte-americanos para iniciar o "novo século da América" é pôr o carro à frente dos bois.
Até agora a administração norte-americana tem negado aos investigadores destes factos horrendos esclarecimentos sobre questões com que têm esbarrado nos seus trabalhos.
Com alguma despiciência os grandes centros de produção e difusão de informação têm-lhes apontado o dedo como adeptos da "teoria da conspiração".
Aos acontecimentos, Bush e agora Obama  foram buscar a "legitimidade moral" para animarem guerras de agressão nos últimos 10 anos, dando corpo a projectos de relançamento dos EUA como império global, com incursões a curto e médio prazo no Médio Oriente até ao Cáucaso e em toda a África, criando versões regionais da NATO. Este projecto, concebido na década anterior depois da profunda alteração na correlação de forças à escala mundial resultante da derrota do socialismo. Não me detenho neste ponto sobre o qual existem muitas publicações todas baseadas em documentos hoje já parcialmente acessíveis do Pentágono e do Departamento do Estado.
Não é a primeira vez na História que dirigentes, a nível restrito, mas com apoio em muitos meios operacionais, organizam e realizam actos conspiratórios de consequências trágicas.

2. Jornalistas como Jesse Richards, fundador da TVnewsLIESorg, mais do que fixarem cenários definitivos de uma conspiração, lançam questes que consideram essenciais esclarecer, ultrapassando a falta de credibilidade das conclusões do relatório oficial revelada  por todos quantos têm querido aprofundar as investigações. Entre elas estão:

1. Por que é que as agências de notícias informaramm que a torre 7 do WTC desabou quase meia hora  antes disso acontecer, mesmo que ela nessa altura não tivesse sido atingida por um avião, tendo apenas alguns andares em chamas, e não deram nenhuma indicação de que ele estava em  perigo sério?

2. Porque é que ainda acreditam no conto dos 19 sequestradores quando tantos dos sequestradores acusados tenham aparecido vivos nos dias seguintes?  E por que temos de acreditar na fábula dos 19 seqüestradores quando o FBI admitiu que não tem certeza sobre a identidade do ou dos seqüestradores ou se houve algum seqüestradores em tudo isto?

3. Por que é que a torre WTC 7 foi reconstruída, reaberta e reocupada sem a atenção da imprensa? Não seria essa uma importante vitória  americana de perseverança a revelar?

4. Por que é que as regras NORAD mudaram pela primeira vez, várias semanas antes de 11/09, tirando-lhe a responsabilidade / autoridade para abater indícios de sequestradores longe do  comando militar  NORAD para pela primeira vez na sua história, ela ser dada a um civil, Donald Rumsfeld, que depois voltou para NORAD no dia seguinte 11/09?

5. Por que é que os sequestradores que planeavam atacar NY e Washington DC foram de carro de Florida, passar tanto o DC e NY, e conduzindo todo o caminho até ao Maine e lançaram esta enorme operação de um voo de ligação de Maine a Boston, onde nos é dito que eles seqüestraram o avião? Por que é que eles não voaram para qualquer um dos aeroportos que são visíveis a partir de seus alvos, como Newark, La Guardia e JFK ... ou até mesmo alguns dos aeroportos locais mais pequenos  que lhes teria dado um caminho claro para o seu alvo fácil e permitido reduzir a quantidade de tempo que os sistemas de defesa aérea teriam para os interceptar?

6. Quem colocou as opções de venda sobre as companhias aéreas pouco antes do evento, como se soubessem que os preços das ações sobre as companhias aéreas específicas iriam perder uma enorme quantidade de valor?

7. Por que é que o serviço secreto afecto a George W. Bush,  não revelou pressa em colocar o presidente em segurança, quando era evidente que o país estava sob ataque? Se o país estava sob ataque, e eles não sabiam o alcance do ataque e localização do presidente era conhecida, como é que eles não se preocuparam em ser atacados na Flórida? Como é que agiram como se não houvesse ameaça? E por que, é que quando o nosso país estava sob ataque, não vimos o presidente Bush em ação? Se você diz que ele estava preocupado com o perturbar as crianças, você poderia  ter-lhes dito que a sua mãe estava ao telefone e que tinha que ver o que ela queria. O nosso país foi supostamente atacado e ele / eles esperaram 20 minutos antes de se mudarem...

8. Por que é que nunca o FBI incluiu Osama bin Laden nas listas dos procurados devido ao 11/09? Na verdade, sabemos hoje ... porque eles admitiram que não tinham provas da sua ligação ao acontecimento.

9. Por que é que o metal derretido fluiu sob os destroços do WTC durante meses? O combustível de avião não pode derreter metal, e é inexplicável ​​que pudesse derreter metal muito quente e mantê-lo o suficiente para permanecer derretida por um mês.
10. Como é que um passaporte de um dos sequestradores derretido na enorme bola de fogo, acabou por cair na rua?

11.Por que é que nenhuma das fotos das 80 câmeras confiscados no Pentágono foi divulgadas?
12. Por que é o avião que supostamente caiu em Shanksville se esfumou sem deixar verstígios de corpos, de bagagens, de metal, - nada! - pela primeira vez na história da aviação? No entanto, somos informados de que, embora o avião em Shanksville se tenha vaporizado, foi encontrada uma nota escrita à mão de um dos sequestradores.

Mas muitas mais são as perguntas por responder como as que milhares de engenheiros e arquitectos dos EUA e de todo o mundo, a que me associei, têm feito.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Passos Coelho: do estado de negação à provocação

Passos Coelho atrapalha-se e começa a recuperar tiques de Sócrates. Agora  entrou na negação, a prometer-nos o fim da crise a curto prazo quando o seu Ministro das Finanças e as apreciações da UE e de outros  organismos vão todos em sentido contrário.
Mais grave ainda, pelos arranhões que deixa pressentir à democracia ao falar das manifestações que aí vêm contra a política do governo e de que não tolerará o governo destruições e outros comportamentos noutros países. Será que o 1º Ministro anda já a tratar de alguma coisa com as secretas para que esses comportamentos ocorram e atraiam os meios de comunicação para apresentarem dessas manifestações imagens que as distorcem? Como que é que o 1º Ministro, que caiu na bazófia, sabe de coisas que não sabemos e que não são a prática das manifestações em Portugal?

domingo, 4 de setembro de 2011

No final de uma grande e bonita Festa do Avante, o convite à resistência contra a política do governo

Horas antes do final da Festa,  Jerónimo de Sousa disse que o PCP resistirá PCP às crescentes medidas do governo PSD/CDS que sufocam as camadas populares e apelou à mobilização social para travar agravamento das condições de vida dos trabalhadores, particularmente na manifestação convocada pela CGTP para 1 de Outubro.

Num discurso que se pautou pela crítica à subordinação do governo perante a intervenção estrangeira, o secretário-geral do PCP teceu fortes críticas às medidas da troika anunciadas nos últimos meses pelo governo de coligação PSD/CDS-PP.
A subida do IVA na electricidade e gás natural, o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal com sede em IRS e o aumento do preço dos transportes foram apenas algumas das medidas que Jerónimo de Sousa condenou no discurso de encerramento da 35ª Edição da Festa do Avante.
“Disseram que não aumentariam os impostos, mas não tardaram em dar o dito por não dito, com o aumento do IVA no gás natural e na electricidade”, sublinhou Jerónimo de Sousa, referindo-se ao programa de austeridade do governo.
Aquele que o secretário-geral do PCP apelida de “programa de extorsão dos portugueses”, que se inscreve numa “declaração de guerra” aos trabalhadores e que será a “tragédia do país” é mais uma acção “dos mesmos de sempre” que estigmatiza os mais desfavorecidos, perpetua a pobreza e agrava as condições de vida dos trabalhadores.
Referindo-se ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o líder comunista disse que “o homem quando abre a boca é para anunciar mais impostos, novas injustiças e mais cortes sociais”, prometendo que o PCP apresentará novas propostas para tributar os bens e patrimónios de luxo, os dividendos e os rendimentos de capital.
Jerónimo de Sousa desvalorizou a introdução do recém-anunciado imposto extraordinário sobre os escalões mais elevados de IRS e IRC, a chamada taxa solidária, acusando o governo de estar a “tapar o sol com a peneira”, já que o próprio PCP apresentou propostas para reforçar a tributação fiscal dos mais ricos que foram contestadas antes da tomada de posse pelos partidos que agora as aprovaram.
O líder comunista criticou ainda o despedimento de 37 mil professores, os cortes de mil milhões de euros no orçamento do Sistema Nacional de Saúde, defendendo que a Saúde e a Educação deve ser “importantes funções sociais”, “direitos” e não “grandes áreas de negócios.”
Jerónimo de Sousa criticou também a actuação do governo no caso da venda do BPN ao BIC, na intercepção de comunicações de jornalistas ou na intimidação dos Magistrados.
 
A poucas horas da Festa encerrar ela constituiu um êxito assinalável e testemunha a confiança de muita gente nas posições que o PCP vem defendendo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

É verdade, sim: não há festa como esta!

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O socialismo foi o primeiro a levar o homem ao espaço,


o capitalismo foi o primeiro a levar a guerra ao espaço."



Avante! 20-4-2011



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os crimes de guerra da NATO na Líbia e a responsabilidade dos intelectuais

Em matéria de crimes de guerra na Líbia, os partidários de Kadhafi têm sido disso acusados. Mas não se encontra referência nos grandes mídia internacionais aos factos que jornalistas e mídia não acarneirados têm revelado quer quanto às consequências dos bombardeamentos da NATO, quer quanto aos massacres cometidos pelas hordas dos chamados "rebeldes", onde se destaca a Al Qaeda e uma certa marginalidade, cujas curtas declarações às cadeias de TV deixam prever actos sanguinários já cometidos e outros em preparação.


As populações essas fugiram ou fecham-se em casa. A guerra civil só é vista de uma das trincheiras. Jornalistas pouco audases entregam-se a sessões de fotografia a eles próprios e a grupos que actuam como comediantes em supostas cenas de guerra. Afastados das cenas de guerra têm estado esses jornalistas.

A NATO os seus apoiantes e os grandes mídia são autênticos criminosos de guerra. A conquista da Líbia e do seu petróleo, o novo surto colonialista na África e Médio Oriente não têm nada a ver com direitos humanos. Países com mais taras dirigentes, como os reinos sauditas, não atraem o "humanismo" dos States.

Não é a defesa do regime de Kadhafi nem do seu programático livro verde que nos move mas sim a perda de referências no que respeita a regras universais de relacionamento entre povos e estados, a passagem da convivência pacífica à agressão permanente.

Lamento que muitos intelectuais estejam remetidos para o tratamento das suas vidinhas , vergados ou cúmplices com os crimes de guerra e de civilização que estão em curso, não apenas na Líbia. Face à barbárie impõe-se não que a intelectualidade alinhe com este ou aquele partido, solução ou modelo mas sim que tenha os olhos abertos, que exerça com a responsabilidade de outros momentos da história uma atitude independente que convide à reflexão e denúncia, bens decisivos para os seus concidadãos.
 
O seu silêncio é ensurdecedor!