sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Nunca conhecemos o que é demais
até conhecermos o que é mais do que é demais"

Billie Holiday 
cantora de jazz americana, 1915-1959

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A queda na pobreza dos EUA, de Paul Craig Roberts (*)




Os Estados Unidos entraram em colapso economicamente, socialmente, politicamente, legalmente, constitucionalmente, ambientalmente e moralmente. O país que hoje existe não é nem mesmo uma sombra do país em que nasci. Neste artigo tratarei do colapso económico da América. Em artigos seguintes tratarei de outros aspectos do colapso americano.

Economicamente, a América desceu para dentro da pobreza. Como diz Peter Edelman , "O salário baixo para o trabalho já é pandemia".

Na América da "liberdade e democracia" de hoje, "a única super-potência do mundo", um quarto da força de trabalho tem empregos que pagam menos de 22.000 dólares por ano), a linha de pobreza para uma família de quatro pessoas. Algumas destas pessoas mal pagas são jovens licenciados em faculdades, sobrecarregados com empréstimos para a educação, que partilham a habitação com três ou quatro outros na mesma situação desesperada. Outras delas são pais solteiros com problemas médicos ou desempregadas.

Outros podem ser doutorados e ensinarem em universidades como professores adjuntos por 10.000 dólares por ano ou menos. A educação ainda é apregoada como o caminho para sair da pobreza, mas torna-se cada vez mais um caminho para a entrada na pobreza ou para o alistamento nos serviços militares.

Edelman, que estuda esta questões, informa que 20,5 milhões de americanos têm rendimentos de menos de 9.500 dólares por ano, o qual é a metade da definição de pobreza para uma família de três pessoas.

Há seis milhões de americanos cujo único rendimento é o do auxílio alimentar 
(food stamps). Isso significa que há seis milhões de americanos que vivem nas ruas ou em casas de parentes ou amigos. Republicanos cruéis continuam a combater o estado previdência (welfare), mas Edelman afirma que "basicamente o estado previdência já se foi".

Na minha opinião como economista, a linha oficial de pobreza está há muito ultrapassada. A perspectiva de três pessoas a viverem com 19.000 dólares por ano é descabelada. Considerando os preços da renda de casa, electricidade, água, pão e refeições ligeiras, uma pessoa não pode viver nos EUA com 6.333,33 dólares por ano. Na Tailândia, talvez, até o dólar entrar em colapso, isso possa acontecer, mas não nos EUA.

Como Dan Ariely (Duke University) e Mike Norton (Harvard University) mostraram empiricamente, 40% da população, os 40% menos ricos, possuem 0,3%, isto é, três décimos de um por cento, da riqueza pessoal da América. Quem possui os outros 99,7%?

Os 20% do topo têm 84% da riqueza do país. Aqueles americanos no terceiro e quartos quintis – essencialmente a classe média da América – têm apenas 15,7% da riqueza da nação. Uma distribuição tão desigual do rendimento é sem precedentes no mundo economicamente desenvolvido.

No meu tempo, confrontado com tal disparidade na distribuição do rendimento e da riqueza, uma disparidade que obviamente coloca um problema dramático para a politica económica, estabilidade política e a macro gestão da economia, os democratas teriam exigido correcções e os republicanos teriam concordado com relutância.

Mas não hoje. Ambos os partidos se prostituíram por dinheiro.

Os republicanos acreditam que o sofrimento dos americanos pobres não está a inspirar os ricos suficientemente. Paul Ryan e Mitt Romney comprometeram-se a abolir todo programa que trate de necessidades que os republicanos ridicularizam como "comedores inúteis" 
("useless eaters"). 

Os "comedores inúteis" são os trabalhadores pobres e a antiga classe média cujos empregos foram deslocalizados de modo a que executivos pudessem receber muitos milhões de dólares de pagamento pelo desempenho e os seus accionistas pudessem ganhar milhões de dólares sobre ganhos de capital. Enquanto um punhado de executivos desfruta iates e garotas Playboy, dezenas de milhões de americanos mal conseguem sobreviver.

Na propaganda política, os "comedores inúteis" não são meramente um fardo para a sociedade e os ricos. Eles são sanguessugas que forçam contribuintes honestos a pagarem pelas suas muitas horas de lazer confortável a desfrutar a vida, assistir a eventos desportivos e pescar trutas em rios, enquanto sacam seu abastecimento na mercearia ou vendem seus corpos ao MacDonald mais próximo.

A concentração de riqueza e poder nos EUA de hoje vai muito além de qualquer coisa que os meus professores de ciência económica pudessem imaginar na década de 60.
Em quatro das melhores universidades do mundo que frequentei, a opinião [predominante] era que a competição no mercado livre impediria grandes disparidades na distribuição do rendimento e da riqueza. Como vim a aprender, esta crença era baseada numa ideologia – não na realidade. (sublinhado do editor)

O Congresso, ao actuar com base nesta crença errada da perfeição do mercado livre, desregulamentou a economia dos EUA a fim de criar um mercado livre. A consequência imediata foi o recurso a toda acção que anteriormente era ilegal para monopolizar, cometer fraudes financeiras e outras, destruir a base produtiva dos rendimentos do consumidor americano e redireccionar rendimento e riqueza para os um por cento.

A "democrática" administração Clinton, tal como as administrações Bush e Obama, foi subornada pela ideologia do mercado livre. A administração Clinton, vendida ao Big Money, aboliu a Ajuda a Famílias com Crianças Dependentes. Mas esta liquidação de americanos lutadores não foi suficiente para satisfazer o Partido Republicano. Mitt Romney e Paul Ryan querem cortar ou abolir todos os programas que amenizem a situação de americanos atingidos pela crise e que os impeça de caírem na fome e ficarem sem casa.

Os Republicanos afirmam que a única razão para a existência de americanos carentes é o governo utilizar dinheiro dos contribuintes para subsidiar os que não querem trabalhar. Tal como os republicanos vêem isto, enquanto nós trabalhadores esforçados sacrificamos nosso lazer e tempo com nossas famílias, a ralé do estado previdência desfruta o lazer que os nossos dólares fiscais lhes proporcionam.

Esta crença vesga, de presidentes de corporações que maximizam os seus rendimentos deslocalizando empregos classe média de milhões de americanos, deixou cidadãos na pobreza e cidades, municípios, estados e o governo federal sem uma base fiscal, o que resulta em bancarrotas ao nível estadual e local bem como défices orçamentais maciços ao nível federal que ameaçam o valor do dólar e o seu papel como divisa de reserva.

A destruição económica da América beneficiou os mega-ricos com muitos milhares de milhões de dólares com os quais desfrutam a vida e o seu séquito de acompanhamentos caros sempre que queiram. Enquanto isso, longe da Riviera francesa, o Ministério do Interior 
(Homeland Security) está a acumular munições suficientes que cheguem para manter os americanos pauperizados sob controle.

26/Agosto/2012

[*] Ex-secretário do Tesouro dos EUA e antigo editor associado do Wall Street Journal. 

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2012/08/24/americas-descent-poverty-paul-craig-roberts/

"O meu hidrovião com propulsor", auto-retrato de Jacques-Henri Lartigue quando tinha dez anos

Um achado do Jorge da série "grandes fotógrafos-grandes imagens" (foto tirada em 1904).

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Em memória de Rachel Corrie, pela Palestina


Ontem um tribunal israelita considerou que o assassinato de Rachel Corrie, cidadã norte-americana, praticado por um buldozer do exército israelita em 2003 tinha sido um acid
ente e ilibou de responsabilidades o Estado de Israel.
A acção tinha sido interposta pelos pais de Corrie que, ao longo destes 9 anos gastaram centenas de milhar de euros em deslocações para Israel, sem apoio da administração norte-americana.
Nesse dia de 2003 Rachel, de megafone em punho, encabeçava uma pequena manifestação de outros defensores da causa palestiniana, que queria impedir o buldozer de continuar a destruir casas de palestinianos na faixa de Gaza. O buldozer (retroscavadora) passou-lhe por cima, esmagando-a.


Como é habitual a comunicação social portuguesa (e não só) nada disse para que fique a idéia de que o crime não existiu...Triste liberdade de informação que todos os directores dos vários media tanto reclamam. Inquisidores dos tempos de hoje?

Jovem que cooperou nos raptos e torturas do Exército Sírio Livre


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Uma jovem síria de 22 anos admitiu numa televisão nacional ter colaborado com os grupos terroristas armados na cidade de Duma, na província de Damasco, e de ter sido cúmplice no rapto de mulheres e em torturas a que eram sujeitas durante o interrogatório antes de serem mortas.

As confissões de Sabah Othman foram emitidas no passado fim de semana pela televisão síria. 
Lamentavelmente não conseguimos aceder a estes canais sírios e depejam-nos nas nossas televisões mentiras sobre o regime sírio, omitindo denúncias graves como estas.
No início de seu depoimento, ela disse que estava casada desde os 14 anos e ter sido abandonada pelo marido, três anos depois.
Conheceu um certo Ala'a Mahfoud, de Harasta, que declarou querer casar com ela. Este indivíduo pô-la em contato com dois membros do grupo Loua'a al Islam, ligados ao “Exército Livre da Síria" (ASL).
O líder do grupo, Zahran Alloush, envolveu Sabah Othman, nos interrogatórios de mulheres raptadas, . Ela explicou diante as cameras que o seu papel era o de bater nos presos que se recusavam a responder durante o interrogatório, com a ajuda de uma outra mulher.
Também revelou que, após as entrevistas, os membros da ASL "  degolavam as mulheres sequestradas e deitavam os seus corpos sem vida para perto de um matadouro  . Sabah Othman lembra-se perfeitamente das mulheres que interrogouou. A primeira foi Samira Assaf, mãe de quatro filhos. Bem como outras vítimas, Samira Assaf foi assassinada e seu corpo foi deitado junto ao matadouro onde os cães a comeram.
Othman disse que os terroristas tinham gravado tudo em vídeo. Dunya Omar, a segunda mulher, foi atingida por uma bala na cabeça e o seu corpo foi abandonado perto de um esgoto. Outra mulher sequestrada, Fadya Daher, foi violada e torturada durante dias pelo líder do grupo antes de ser assassinada.
A jovem cúmplice dos terroristas, disse que os membros da al-Islam Loua'a adoptaram uma imagem de pessoas muito religiosas diante das outras pessoas mas drogavam-se e depois raptavam as mulheres sem remorso.
No final da sua declaração, Othman Sabah alertou as jovens que colaboram com os terroristas para o perigo a que estão expostos. Referiu que, para além do caso de mulheres raptadas, muitas outras mulheres foram assassinados para as impedir de revelar os crimes da ASL.

sábado, 25 de agosto de 2012

1º de Maio de 1974 na Avenida dos Aliados, no Porto


Já referi, noutro lugar, esta minha experiência. Saído de uma clandestinidade, que foi breve, conversava com outro dos presentes antes do comício começar.

Ele, um burguês, claramente originário da lavoura, com o chapéu de feltro na nuca, a corrente do relógio saída de um bolso do colete e uns brutos anéis nos dedos, pousando-me a mão no ombro disse "Meu amigo, o que está a ver é tudo pessoal de Gaia...".
A foto é do repórter, meu amigo, Sérgio Valente.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Amor é o que acontece a um homem 
e uma mulher que não se conhecem"

W. Somerset Maugham 
escritor inglês, 1874–1965

O PCP e o processo de privatização da RTP



1- Independentemente das propostas e cenários concretos em presença, o processo de privatização da RTP é inaceitável e conduzirá, a ir por diante, à destruição desta empresa e do serviço público de rádio e televisão a que está obrigada a prestar.
2- Como PCP há muito vem denunciando, a RTP tem sido alvo de uma campanha de desprestígio por um lado, e de afundamento financeiro por outro, que é inseparável do objectivo - há muito reivindicado pelo grande capital - da sua privatização. Esta estratégia, profusamente usada por diferentes Governos em diversas empresas públicas, procurando posteriormente desbaratá-las ao grande capital, constitui um ataque aos direitos do povo português e aos interesses nacionais que se insere no Pacto de Agressão que está em curso: o direito a um serviço público de qualidade, o direito a uma informação livre, rigorosa e pluralista, o direito à defesa da língua e da cultura portuguesas para a qual a televisão pública é um instrumento insubstituível.
3- Face ao argumento da dívida da RTP, recorrentemente invocado por aqueles que visam a destruição da empresa, é preciso recordar que a RTP é uma das estações públicas de televisão mais baratas no plano europeu - designadamente nos custos operacionais que suporta - e que a dívida que entretanto acumulou, é essencialmente fruto do sub-financiamento crónico imposto por sucessivos governos, bem como erradas opções de gestão que é preciso rejeitar e inverter.
4- Estamos, por isso, perante um golpe brutal no serviço público com um profundo empobrecimento cultural e informativo, um ataque à língua e à cultura portuguesas, aos trabalhadores da RTP e do sector da comunicação social e da cultura, e que por isso é também um ataque ao país, à soberania nacional e ao regime democrático.
5- Para o PCP, não há serviço público sem propriedade pública, como não há "cadernos de encargos" que garantam o que são, e devem ser, obrigações do Estado português. Trata-se de garantir o direito do povo português à informação que respeite o pluralismo político e ideológico e não uma informação refém dos grandes grupos económicos nacionais e internacionais. Pelo que o rumo que se exige é o da melhoria do serviço e da qualidade prestados e não o seu desmembramento, descaracterização e degradação.
6- O PCP expressa ainda a sua solidariedade com os trabalhadores da RTP, vítimas de opções erradas ao longo dos anos e cujos postos de trabalho e direitos se encontram ainda mais ameaçados com o avanço deste processo.
7- Mais que esclarecimentos sobre esta ou outras propostas difundidas pelo Governo, o que o PCP e a democracia exigem é que se interrompa este processo de privatização da RTP. A oposição e luta dos trabalhadores e da população, conseguiu no passado travar outras tentativas de privatização do serviço público de televisão e rádio, o reforço e ampliação dessa luta, serão agora determinantes para travar esta nova ofensiva.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A trampa do Borges



O serviço público de TV foi concebido como uma reserva de intervenção que seria uma "compensação" à trampa que aí viria com as privadas. A trampa veio com os respectivos patrões a reservarem em cada uma nichos fortuitos de alguma qualidade e alguns pluralismos para segurarem alguma audiência que não suporta alguns cheiros.
A RTP foi querendo competir com as privadas, baixando o nível para satisfazer os cheiros de que alguns patrocinadores gostam. E, com vínculo ao Estado, foi levada pelos seus responsáveis a assumirem os ciclos de manipulação crescente ao serviço dos governos, do bloco central e do anti-comunismo.
As audiências são criadas pelos grupos económicos. As pessoas não optam pelo que é mau culturalmente. Engolem diariamente publicidade e tiques de outros condicionadores de opinião e gostos. Num processo semelhante ao que leva à expressão de opções eleitorais.
O respeito pelas preferências das pessoas é um direito a ser garantido. Tal como deve ser garantido o direito das tais "minorias" que gostam da cultura que não dá caroço, mantendo o canal 2. Se assim não fosse, os manuais escolares passariam a ser substituídos pela VIP e a Hola, a Metropolitan e a Playboy. Os cursos universitários seriam cancelados pois não são essenciais com a formação rápida, hoje possível.
O facto dos patrões da RTP terem produzido, várias vezes, trampa adicional é da responsabilidade dos governos desde 1976 que não se conformaram com as responsabilidades de serviço público por ser necessário gerar muito caroço, para os administradores serem devidamente compensados dos seus esforços na sanita...
O Borges foi à RTP porque seria mau ser o Relvas...Então que fosse o 1º Ministro!
Quereis um povo submisso, conformado com a falta de direitos, dai-lhes trampa, senhores, dai-lhes trampa. Direitos das minorias para poderem disputar as maiorias é que não vale...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O inefável Borges esteve esta noite na TVI

Vi há pouco na TVI António Borges. Que diz que não é do governo. Não. Integra a equipa de executivos em que troika e governo confiam porque executam a sua política sem beliscar os interesses da banca e dos grandes grupos que nos dominam.
Com ar de catedrático que a jornalista não beliscou o verniz, ele reinou.
.
AB sustentou uma concessão de parte da actividade da RTP...Isto é, levar o privado a carne e ficar a RTP com os ossos e sem a RTP-2, que é "para acabar". Afinal os interessados querem que o Estado depois defina a política "para o que resta", incluindo despedimentos, sim que os compradores escolherão a dedo quem levam. Insistiu na hipótese não demonstrada de que os privados gerem melhor que o Estado... Não é arriscado adivinhar a programação que fariam...Entravam na contra-programação com os outros canais privados, contribuindo ainda mais para o abaixamento da qualidade e a submissão ao que as audiências querem (violência gratuita, muito sexo sem erotismo, ausência do país real contribuindo ainda mais para o isolamento do interior, abandono de preocupações culturais e da sua componente interna,etc, etc...).
A conclusão só pode ser uma: a RTP não deve ser concessionada ou privatizada. Deve poder ter um espaço próprio, distinto dos critérios das televisões privadas, respeito pelos telespectadores e pelos trabalhadores da empresa.

AB defendeu a privatização da TAP à qual vai superintender para dizer que com ela o Estado não vai encaixar, vai eliminar passivos (vai?). De lado quer ele quer a jornalista deixaram de fora as consequências económicas para as opções de relações externas para o país ou a relação com as regiões autónomas, enfim tudo o que pode constituir o interesse estratégico do país e a relação de pertença do nosso povo.
Conclusão: a TAP não deve ser privatizada.

AB ainda se meteu nas PPPs para se concluir que não se vai acabar com elas mas renegociar as que houver condições para isso, podendo-se arrastar ainda por mais tempo o deslizamento dos compromissos com o Estado, não se referindo a redução das rendas aos privados nem uma partilha de riscos mais favorável para o Estado.

Quanto à situação do país, defendeu o pacto de agressão da troika, agravado e a jornalista não conseguiu fazê-lo dizer que defende a saída da Grécia da zona euro.



Um sol de recordações, um sol de esperança...


Hoje como ontem


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Estudo de um investigador português torna mais eficaz redução do tumor e dos efeitos secundários da quimioterapia



Um investigador português descobriu uma forma de tornar a quimioterapia mais eficaz no combate ao cancro, e de minimizar os seus efeitos secundários, segundo um estudo publicado na revista Cancer Cell.

Uma equipa de investigadores da VIB/KULeuven (Leuven, Bélgica), liderada pelo português Rodrigo Leite de Oliveira, confirmou que o bloqueio de uma enzima (PHD2) normaliza o fluxo sanguíneo ao tumor e, consequentemente, melhora a resposta à quimioterapia.

O Science Daily dá-nos conta de mais um passo para uma melhor saúde na 3ª idade.


Cientistas norte-americanos relataram que o resveratrol, a chamada "molécula milagre" encontrada no vinho tinto, pode ajudar a melhorar a mobilidade e evitar risco de quedas. A descoberta, que se acredita ser a primeira de seu tipo, foi apresentado no próprio dia 19 de agosto a cerca de 14.000 cientistas e outros profissionais reunidos no 244º Encontro Nacional e Exposição da American Chemical Society.
Ver notícia na íntegra em
http://www.sciencedaily.com/releases/2012/08/120819153459.htm

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Música fora de portas

O Jorge viu o
Quinteto de Sopros da Metropolitana
ontem na Mãe d'Água.
Nos próximos domingos,
actuarão com o mesmo programa (excelente).
Sugere-nos que apareçamos.
Ver aqui:
http://www.artistas-espectaculos.com/progcultural/fr/quinteto+de+sopros+da+metropolitana.htm

sábado, 18 de agosto de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A enorme proporção dos culpados acaba sempre
por destruir nos não culpados o sentido da culpa"

Georges Bernanos 
escritor francês, 1888-1948

Caricaturas de António na nova estação de metro Aeroporto






sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pussy quê?


Se aqui em Lisboa, na Sé, três mascaradas interrompessem as preces dos crentes que lá estavam e fossem para o altar-mor fazer aquela macacada, contra Igreja Católica e insultando Cavaco Silva,

Se essas mascaradas fossem filhas de pessoas ricas havendo uma já que recebeu propostas para posar nua para a Playboy,

Que diriam alguns jornalistas defensores dos direitos humanos se elas fossem julgadas? Que vivíamos num país fascista?

O jazz jázz'enraìzzou nas mazzas, pelo Jorge, que lá esteve...



Largo do Intendente Pina Manique (se ele sonhasse!)
ontem à tarde
Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal
"A Arte da Big Band"

uma enchente!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Do Pontal, mentiras, promessas fantasiosas

De "peito para a frente", o 1º Ministro prometeu, na festa do PSD no Pontal, com protestos como pano de fundo, ser ele que dará as más notícias aos portugueses...Porém o que produziu foram afirmações fantasiosas para o ano de 2013.
Disse ele que 2013 será o ano "da inversão da actividade económica" para dizer, logo de seguida, que "2013 será o ano de estabilização económica e preparação recuperação" (presume-se que lá mais para a frente...). E que " estamos mais próximos de vencer e voltar uma das páginas mais negras da nossa pátria".
Mesmo as fantasias merecem algum grau de coerência e de conciliação com a língua pátria...
Quem não gostaria que tais promessas se realizassem bem como o "oásis" do outro? Particularmente os injustiçados com este pacto de agressão...
Passos Coelho não tem quaisquer bases para fazer tais afirmações. Nem é com  o inscrever o limite para o deficite na Constituição - que outros países já deixaram cair - que se possa contribuir para isso. Até os militantes presentes na festa entre 4 paredes não aqueceram com tal futurologia.
A realidade é bem diferente. A recessão no nosso país continua a acentuar-se, agora com a queda do PIB no segundo trimestre em 1,2% em relação ao anterior semestre em que a queda  em relação anterior tinha sido de 0,1%.
A própria zona euro  entrou em recessão mesmo que a França e a Alemanha ainda tenham subidas de 0,3 % no PIB mas com uma evolução anterior até aqui que indica que as variações negativas estão quase a chegar para elas também. Portugal não é parte do Brasil ou da China. Foi metido à força nesta zona euro que entrou em recessão.
A recessão entre nós acentuar-se-á com a redução do mercado interno por via do empobrecimento forçado dos portugueses e com a queda do investimento, que o FMI estima em 12%. E até a almofada das exportações está a reduzir-se.
Todos os índices contradizem o Primeiro-Ministro.
O desemprego atingiu o valor recorde de 15%.. O emprego assalariado caiu 5% desde que se iniciou a aplicação do tratado da troika. As inscrições no ensino superior reduziram-se em 5% relativamente ao ano lectivo passado e os estudantes deste grau de ensino declaram-se maioritariamente dispostos a emigrar. Os salários em atraso aumentaram 16% no 1º semestre relativamente a período homólogo do ano passado. As rendas de casa decorrentes de contratos entre 66 e 90 vão subir 3,3%. E por aí fora...
Para se ser Primeiro-Ministro é necessário governar com o seu povo. Passos Coelho não tem essa opção ideológica. Tudo fez para satisfazer a banca e os grandes grupos económicos...Mas, além disso, continuar a mentir aos portugueses

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Hoje há notícias!...


PUBLICO 14 de AGOSTO

  • "Vitor Gaspar é um excelente Ministro das Finanças...públicas"                                         João Salgueiro, um dos banqueiros e políticos que mais responsabilidades teve na recuperação capitalista posterior à Revolução, é entrevistado, misturando linhas de coerência com as políticas que aqui nos fizeram chegar com evidências dos ensinamentos em sentido contrário no percurso já feito. A estas figuras dá-se-lhes em alguns meios o título de "grande senhor"...
  • "Advogado do Estado queixou-se de falta de informação do governo" (os submarinos do Portas")                                                                                                                                           É mais uma acha para uma fogueira que ainda não começou a arder. Ou se quiserem mais uns volts para uma ventoínha que ainda não começou a rodar e que vai deixar muita m... em alguns actuais e ex-governantes do CDS, do PSD e do PS. Denunciado há uns 8 anos pela primeira vez, mas que teve um processo cujo procurador arquivou porque "grande parte dos elementos referentes ao concurso público de aquisição dos submarinos não se encontrar arquivada nos respectivos serviços, desconhecendo-se qual o destino que foi dado à maioria da documentação". Agora o jurista que coordenava a equipa de apoio jurídico do Ministério da Defesa aos procedimentos do concurso diz que  não recebeu durante mais de dois meses informação das condições de pagamento do consórcio alemão.  Uma fonte do CDS disse que isto eram old news (notícias velhas). Como se a evidente corrupção, até agora só julgada (a activa) para a parte alemã  tivesse prescrito para a parte portuguesa (a passiva que recebeu luvas). Responsáveis da pasta entre 2004 e a actualidade continuam a refugiar-se que o Ministério Público não pediu o que disse  faltar e chegam a provocar (mas o que é que falta?). Queriam uma saída à outlet de Alcochete? 
  • "Grécia vende hoje dívida no mercado para se aguentar à tona até Setembro"                            Numa altura em que a Alemanha e a França se financiam a taxas de juro negativas a Grécia vai tentar vender ao preço da uva mijona dívida de curto prazo para não afundar. Isto depois de o governo do bloco central de Atenas continuar a cortar nos direitos dos trabalhadores. A Itália, depois da Espanha, admite não cumprir a meta do déficite  acordado coma troika. Por cá  continuam ministros e dirigentes do PSD e CDS  a encherem-nos da credibilidade (junto dos mercados financeiros claro porque a credibilidade interna há muito que está perdida), do regresso aos mercados para o ano que seria o início da recuperação. Mas os números e as previsões de estudos de organismos privados e públicos  são catastróficos para o país. Que restará a Passos Coelho dizer hoje na festa à porta fechada, do Pontal?
  • "Jornais egípcios crêem que os Irmãos Muçulmanos tomaram o poder"                                         Num ápice o presidente eleito, Mohamed Morsi, demitiu as chefias militares e recuperou poderes e de que tinha sido usurpado.   O regime disputa agora a liderança religiosa e ideológica do sunismo com a Arábia Saudita. A notícia simplifica o que se passou. Voltaremos ao assunto numa peça própria.  
  • " O prédio que simboliza a vida moderna lisboeta foi classificado"                                                     É uma boa notícia nos 90 anos do seu autor, o Arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que o desenhou com Bartolomeu Costa Cabra. Associado a habitação esta verdadeira varanda de uma parte de Lisboa e do Tejo deveria ser mais visitada e fruída toda a paisagem que nos faz alcançar (início da Duarte Pacheco junto a uma bomba de gasolina e de um bairro em que se integra).
  • "Badajoz 1936, o genocídio franquista passou às portas do Alentejo"                                              As centenas de execuções de combatentes republicanos em Badajoz é-nos recordada. Nela fica claro o papel do fascismo português e de Salazar no genocídio. A manchete talvez devesse ter sido "Salazar colaborou no genocídio de Badajoz em 1936". Mas há por aí umas almas que n os querem vender o Salazar humano e amado".
  • "Jogos Olímpicos, o dinheiro ajuda a comprar medalhas".                                                           Artigo com interesse que tratarei em peça própria.    

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

E, depois de Londres, os Jogos Olímpicos do Rio 2016

É para essa cidade, que uns apelidam de “carioca” e outros de “maravilhosa”, que os olhos se viram agora. Com 6,3 milhões de habitantes na sua área metropolitana, o Rio promete mudanças, mas não se vai transformar no paraíso, diz o prefeito, Eduardo Paes, que no domingo recebeu a bandeira olímpica, com os cinco anéis, das mãos do presidente do Comité Olímpico Internacional, Jacques Rogge – e que por sua vez tinha recebido o estandarte do "mayor" londrino, Boris Johnson. “Não é que a gente vá ser perfeita no fim dos Jogos de 2016”, avisa Eduardo Paes, em declarações reproduzidas pela BBC. “O Brasil tem muito caminho pela frente, o Rio também, mas a cidade será mais justa, mais igualitária, e mais integrada após os Jogos”, prometeu.
Como a repórter do PÚBLICO, Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro, relatou, as ligações entre o aeroporto, a Barra da Tijuca e áreas mais pobres da Zona Oeste serão melhoradas com o projecto BRT, quatro linhas de autocarros rápidos em faixas exclusivas, alguns já a funcionar. Numa cidade em que o trânsito ficou caótico e os transportes públicos são maus ou ausentes, a questão da mobilidade é o principal desafio dos Jogos, dizem os organizadores, e deve ser um dos maiores legados. "A BRT são 150 km de vias que vão impactar a vida dos cariocas", resumiu Maria Silvia, a "superexecutiva" captada para a Empresa Olímpica Municipal. Espera-se que depois de 2016 o uso de transporte público passe de 20% para 60%. Entretanto, as ciclovias devem crescer de 300 para 450 km.

A questão do legado coloca-se sempre quando se planeia – ou quando termina – uma grande competição internacional. Portugal ainda hoje olha para os estádios e demais infra-estruturas feitas a propósito do Campeonato Europeu de Futebol 2004; no Rio, é dado como certo que o Parque Olímpico será transformado, após 2016, num centro de treino de alta competição. "Todas as instalações já têm legado futuro", garantiu o director do comité local de organização dos Jogos de 2016, Leonardo Gryner. Incluindo o campo das competições de golfe, que passará a ser o primeiro público do Brasil.

E como estão as coisas? "Estamos no progresso total do projecto", resumiu Gryner, há uma semana: o Rio está a cumprir os prazos para 2016 e os grandes investimentos feitos vão transformar a cidade para além dos Jogos (transportes públicos, infra-estruturas, áreas verdes, rede hoteleira, recuperação de zonas históricas, criação de novos bairros).Antes dos Jogos, o Brasil será anfitrião do Campeonato do Mundo de futebol em 2014, altura em que algumas das ideias e projectos da organização brasileira enfrentarão um período de testes que poderão dar indicações úteis para 2016.

Todas as empresas estão em dificuldades?



Tem-se procurado fazer passar junto da opinião publica a mensagem que todas as empresas estão a enfrentar grandes dificuldades devido à crise. Procura-se fazer passar a ideia mesmo de que todas estão a ter prejuízos, e que a situação de todas é semelhante. E é com base nesta ideia que se espalhou, nomeadamente através dos media, sem qualquer estudo rigoroso que o governo, patrões e "troika" têm procurado justificar as medidas que têm sido tomadas contra os trabalhadores, pensionistas e outras camadas desfavorecidas da população portuguesa (congelamento do salário mínimo nacional, redução do pagamento das horas extraordinárias para metade, transformação de dias deferias e de feriados em dias de trabalho gratuito , redução significativa das indemnizações por despedimento, substituição dos trabalhadores despedidos por trabalhadores a receber salários muito mais baixos,  subsidiação pela Segurança Social de uma parte dos salários que deviam ser pagos pelas empresas, congelamento das pensões incluindo uma parte das minimas, confisco do subsidio de ferias e Natal, etc.)

Ora isso não corresponde à verdade, pois existem empresas, nomeadamente as grandes empresas,  que estão a aumentar escandalosamente os seus lucros em plena crise,  como mostro no estudo que envio utilizando apenas dados oficiais divulgados já este ano pelo INE na sua publicação  "Evolução do Sector Empresarial no periodo 2004-2010" em Portugal.

Espero que este estudo possa ser útil

Com consideração

Eugénio Rosa
Economista

Veja este e outros estudos de Eugénio Rosa em 
www.eugeniorosa.com

sábado, 11 de agosto de 2012

Poema de Neruda de 1953 dedicado a Cunhal e outros camaradas presos

     






















LA LÁMPARA MARINA

PORTUGAL,

 vuelve al mar, a tus navíos,

 Portugal, vuelve al hombre, al marinero

vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,

a tu razón libre en el viento,

de nuevo

a la luz matutina

del clavel y la espuma.

Muéstranos tu tesoro,

tus hombres, tus mujeres.

No escondas más tu rostro

de embarcación valiente

puesta en las avanzadas del Océano.

Portugal, navegante,

descubridor de islas,

inventor de pimientas,

descubre el nuevo hombre,

as islas asombradas,

descubre el archipiélago en el tiempo.

La súbita

aparición

del pan

sobre la mesa,

la aurora,

tú, descúbrela,

descubridor de auroras.



Cómo es esto?



Cómo puedes negarte

al cielo de la luz tú, que mostraste

caminos a los ciegos?



Tú, dulce y férreo y viejo,

angosto y ancho padre

del horizonte, cómo

puedes cerrar la puerta

a los nuevos racimos

y al viento con estrellas del Oriente?



Proa de Europa, busca

en la corriente

las olas ancestrales,

la marítima barba

de Camoens.

Rompe

las telarañas

que cubren tu fragante arboladura,

y entonces

a nosostros os hijos de tus hijos,

aquellos para quienes

descubriste la arena

hasta entonces oscura

de la geografía deslumbrante,

muéstra-nos que tú puedes

atravesar de nuevo

el nuevo mar escuro

y descubrir al hombre que ha nacido

en las islas más grandes de la tierra.

Navega, Portugal, la hora

llegó, levanta

tu estatura de proa

y entre las islas y los hombres vuelve

a ser camino.

En esta edad agrega

tu luz, vuelve a ser lámpara:



aprenderás de nuevo a ser estrella.



Pablo Neruda, Las uvas y el viento, 1954








These Boots Are Made for Walkin'

Nancy, aqui já sem botas
You keep saying you got something for me
Something you call love but confess
You've been a'messin' where you shouldn't 've been a'messin'
And now someone else is getting all your best
Well, these boots are made for walking, and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you

You keep lyin' when you oughta be truthin'
You keep losing when you oughta not bet
You keep samin' when you oughta be a'changin'
What's right is right but you ain't been right yet
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you

You keep playing where you shouldn't be playing
And you keep thinking that you'll never get burnt (HAH)
Well, I've just found me a brand new box of matches (YEAH)
And what he knows you ain't had time to learn
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
One of these days these boots are gonna walk all over you

[SPOKEN]

Are you ready, boots?
Start walkin'

Para que serve?, por Jorge

 "A maior esfera 'multimédia' do mundo!" 
(Antena 1)
Aldeia dos Capuchos,
Costa da Caparica
- Nisto, somos mesmo bons!
- Para que serve?
- Ahn?...

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Hoje há notícias!...

Mas meu caro leitor, nem todos os dias terei tempo para as trazer fresquinhas...

DN, 10 de Agosto

  • "PGR analisa história de Zita Seabra sobre espionagem do PCP"
Mário Crespo  continua o seu esforço titânico para obter de Relvas o lugar de correspondente da RTP privatizada...
Agora saiu-lhe da cabecinha que o PCP andou durante uns vinte anos a ter escutas de gabinetes de órgãos do poder a partir de artefactos que o Alexandre Alves metia nos ares condicionados da FNAC, de que os referidos órgãos de poder eram bons clientes...
Quem se não lembra ainda da história dos Marretas com o João Duque, o marreta-mor e o  Nuno Crato, que serviu para lançar este como futuro ministro?
Será que agora a Sra. Zita Seabra, que não frequenta há muito os prime-times, os debates e mesmo o jet-set, está a ser "relançada" para a próxima reestruturação governamental?
Quanto ao conteúdo da conversa da senhora, a própria referiu que não tinha dados para sustentar a questão, que deixou de a ser, pelos vistos. O Mário, com a necessidade de apresentar serviço lá acertou a agulha para os apoios da RDA ao PCP. Mas aqui tudo ficou muito obscuro. Eu até sugiro ao Mário Crespo que faça a história dos apoios em dinheiro, em equipamentos, em espionagem e acções de subversão, que PS, PSD e CDS tiveram dos seus congéneres partidos europeus com particular carinho dos EUA várias vezes expresso pelo ex-embaixador em Portugal e ex-director da CIA pelos seus "very special portuguese friends"...
  • "Investimento de 1,8 mil milhões em Alqueva não saiu do papel"
A retirada de apoios da banca e de fundos comunitários é preocupante para o futuro de de vários projectos no país, do qual o Alqueva era o mais emblemático, que tinha a ver com o renascimento da actividade agrícola que obviasse aos históricos sub-investimentos e secas e que alguns queriam ver já reduzidos a um projecto turístico de construção de hotéis, aldeamentos, campos de gole e muita, muita habitação (de que por agora ainda não levantavam muito o véu) numa vasta operação especulativa.
  • "Cascais recusa extinção da Fundação Paula Rego"
Não conheço a actividade da fundação a pontos de subscrever Capucho quando se referiu à sua eventual extinção como um acto um acto de "selvajaria talibã".
O que é essencial para os portugueses - já aqui o referi - é conhecer os critérios que levarão à extinção de umas e à não extinção de outras e qual o benefício público das suas actividades pois eram subsidiadas com o dinheiro de todos nós...
  • "Mulher de político chinês julgada em sete horas"
O conteúdo desta notícia e a sua manchete suscitam-me as seguintes perguntas: Sete horas é pouco quando os factos estão baseados em provas concretas, em testemunhos e no reconhecimento da culpa da parte dos réus? Deveria ser mais longa por se tratar da mulher de um alto dirigente do Estado e do PCC. Onde é que estão os factos que levem a concluir a grandeza do escândalo e os seus reflexos no interior do PCC?
Francamente sempre esperava que o DN desse o mesmo espaço à execução de um preso norte americano que era atrasado mental. Mas isso são critérios jnornalísticos não tão insondáveis como o Senhor...
  • "Jogos Olímpicos"
Será que a China e a Rússia estão representadas nos Jogos Olímpicos. Isso só é confimado pela consnjsulta do "medalheiro" poreque em matérias de fotos, manchetes e texto não deverão estar já que a oissão é...olímpica!

  • "Jorge Amado, o escritor que gostava de gente"
Uma peça interessante que recomendo.


Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A vida é um sonho para o sábio, 
um jogo para o parvo, 
uma comédia para o rico, 
uma tragédia para o pobre"

Sholem Aleichem
escritor ídiche, 1859-1916

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sequência de factos - e então?

1) A TROIKA sugere no "memorandum" a VENDA do Negócio da SAÚDE da CGD;
2) O Governo nomeia António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos;
3) A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos);
4) O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de . E um novo negócio: a SAÚDE (no início DESTA SEMANA);
5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este
mês (notícia de HOJE).

Hoje há notícias!...

Publico 8 de Agosto


  • "Governo não consegue vender activos que El-Assir deu como garantia ao BPN". Os activos, tóxicos da Parvalorem, deixaram o leilão deserto. O libanês, espanhol por casamento, e envolvido em grandes negócios de armamento, foi preso. Foi parceiro de Dias Loureiro nas moscambilhas do BPN que continua em liberdade e que se arrisca a receber uma comenda no próximo 10 de Junho...
  • "Portucalense mantém alunos com seguro contra o desemprego" é uma peça, assinada por um jornalista, que mais parece um folheto de publicidade enganosa da instituição. Onde está a capacidade de análise sobre material que lhe foi obviamente entregue? Haja Deus...
  • " Birmânia: o começo da transição democrática visto por Ana Gomes" apresenta-se com duas páginas e 3 grandes fotos, uma das quais abraçando ternurentamente Hillary Clinton - são fãs uma da outra. A viagem de Ana Gomes foi paga pelo partido de Obama e a prosa remete-nos para o quadro  de pensamento de Ana Gomes de se bater pela uniformidade da democracia seja onde for e de acordo com os padrões da administração norte-americana. O trabalho é pobre de material informativo que poderia ter recolhido. Mas as recepções e o turismo também cansam. Lá vai um frete de Belmiro de Azevedo para Obama. Será que o Público daria tal espaço à experiência vivida pelos dois euro-deputados comunistas quando do encontro com Fernando Lugo, presidente deposto  do Paraguai?
  • "Património de mais de 100 fundações valorizou 4,3 mil milhões de euros". A peça, assinada, tem muitas referências quantitativas em valores absolutos e percentagens e a diferentes leituras do governo e de algumas dessas fundações aos valores. Mas o que falta por parte do governo - ou se este não der da investigação jornalista é dar ao público um quadro muito simples de fazer para quem tem os dados. Nele seriam listadas todas as fundações públicas e privadas que recebem dinheiro nosso. Com a indicação de quanto receberam até hoje e se de forma constante ou variável ano após ano. Com a indicação precisa da utilidade pública (para todos) da sua actividade, as que têm estatuto de utilidade pública, Com a subtracção ao Estado dos impostos não cobrados à sombra da "utilidade pública". E com a indicação de outros benefícios. Desta maneira, o cidadão poderá saber quanto está a pagar e o que está a receber destas instituições. E poderá ficar com elementos de análise para posteriormente analisar porque é que umas vão continuar a receber apoios e outras não. Governo e media estarão interessados na transparência ou no confusionismo?
  • Porque é que dois julgamentos em Pequim e Moscovo têm tanto espaço e o jornal não faz referência à execução numa cadeia dos EUA de um cidadão atrasado mental.
  • "Primeiro-Ministro sírio deserta e diz que será um soldado da Revolução". Se não fosse o dramatismo da situação, esta era uma manchete para nos fazer sorrir. De facto os colarinhos brancos e os que se reclamam de dirigentes dos mercenários têm sido acusados de não estarem no terreno a morrer com eles, nomeadamente Após as derrotas, primeiro em Damasco e agora em Alepo.

Pintura de Cipriano Dourado

1921-1981


Os Passos levam-nos para lá?...


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Hoje há notícias!...

Passaremos a comentar notícias e opiniões expressas em vários jornais em papel e on-line.

Público  7 de Agosto

  • Os administradores da Parque escolar nomeados por Nuno Crato concordaram com opções feitas em termos contratuais que o Tribunal de Contas chumbara pelos administradores, que cessaram funções e que tinham sido nomeados por José Sócrates, em obras de beneficiação em duas escolas do Porto.  Trataram-se de "trabalhos a mais", isto é de trabalhos não considerados nos contratos feitos por concurso público, que se revelaram necessários por erros dos projectos,  novos encargos pedidos pela entidade contratante (P. Escolar)  ou outras razões. Não as conhecemos. Foram 17,3 milhões de contos destes trabalhos que, nesse valor, teriam que ser feitos por concurso público nacional e internacional. Os antigos administradores poderão ter considerado ser mais expedito recorrer à esperteza do fraccionamento da empreitada desses trabalhos para que cada uma delas fosse de valor inferior ao que a lei estipula para limites nos ajustes directos, sem procedimento público concursal. Só que esta esperteza é ilegal e o TC considerou ilegais quer as respectivas despesas quer os pagamentos, ficando os anteriores administradores sujeitos a multas que podem chegar aos 18 mil euros...(quando a despesa ilegal foi de 17,3 milhões de contos!...). É significativo que a a nova administração nomeada por Nuno Crato se tenha posto ao lado dos anteriores administradores. São os desígnios da transparência...
  • Mais de cem famílias por dia estão a entrar em incumprimento para pagar empréstimos à banca e, por isso, a banca só abre a torneira de crédito às grandes empresas. Pois. Mas não foi a banca que criou os "produtos" que, previsivelmente, iriam deixar os clientes nesta situação? E a "nossa" banca não cooperou, com conhecimento do estado português nos esquemas tóxicos estabelecidos pelos brancos norte-americanos que estiveram na origem da crise? E só dando crédito às grandes empresas vai animar uma economia que vive de uma vasta rede de médias, pequenas e micro-empresas ou vai contribuir para a queda da produção e a perda de postos de trabalho?
  • Primeiro-Ministro de Assad desertou e agora é um "soldado da Revolução". É um título épico que não esconde a vontade do desertor em se amancebar com um hipotético novo governo regime para continuar na mó de cima.

  • A morte de Chavela Vargas é, infelizmente, uma boa oportunidade de conhecermos esta voz da terra, pouco conhecida entre nós, mas que ombreia com Mercedes Sosa, da Argentina e Violeta Parra do México. Amiga de Lorca, a quem dedicou o último album, de Frida Kahlo e Diego Rivera,  ou de Almodovar. Ouçam La Llorona e outras das suas canções...
  • Com a falta de financiamento, a NASA conseguiu que o Curiosity chegasse a Marte. Boas notícias. Mas tem que se considerar à escala global

domingo, 5 de agosto de 2012

"As sementes do fado" e uma sugestão do Jorge

Uma descoberta recente da musicologia:
a "modinha", um género musical novo no início do séc.19, o primeiro a usar nas letras não o latim (música sacra), nem o italiano (ópera), nem o castelhano (villancicos), mas o português, difunde-se rapidamente nos meios urbanos e, ligando-se à dança sentimental afro-brasileira "fado", dá origem à tradicional canção popular de hoje.

Três músicos de excepção,
cada um deles do melhor na respetiva especialidade, juntam-se para mostrar como isso é bem provável.

O resultado:
um CD e um espetáculo a correr por aí
que esta noite aconteceu no Convento dos Capuchos (Almada).

Quando derem por ele(s) não percam!
Jorge

http://www.youtube.com/watch?v=m8v0e8eWXww

sábado, 4 de agosto de 2012

A quem aproveitam as matanças na Síria e as "pérolas" de um professor universitário

Segundo a FAO, 3 milhões de sírios precisam de ajuda alimentar. Mas o que lhes entra pelas fronteiras com a Turquia são tanques pesados, mísseis, obuses, para alimentar não o povo mas os mercenários que sabotam, destroem, prendem, torturam e fusilam quaisquer forças de segurança sírias. E que destroem cidades, a sua forma de vida segura, ensombrando o futuro de milhões de pessoas.
O primeiro vídeo onde se registam ao vivo tais crimes, as vítimas e os algozes veio há três dias ao conhecimento do público em geral. Antes disso, sucediam-se imagens aleatórias a suportar declarações de supostos crimes. Nas guerras, mesmo quando não declaradas como é o caso, morrem combatentes e morrem civis. Que interesse tinha o regime sírio em matar civis inocentes? Já os mercenários tinham interesse na criação de terror que, com apoio na desinformação das grandes agências, atribuísse a culpa às autoridades.

A agressão à Síria tem muitos propagandistas como Loureiro dos Santos, estratega geo-estratégico de alguns media, que há dias ilustrou as novas concepções impostas pelas forças das armas contra o direito internacional ou "professores universitários" cuja objectividade e rigor de análise deveriam questionar alguns dos inputs que lhes vêm da administração norte-americana.
É o caso hoje, no Público, de André Barrinha, professor de relações internacionais na Faculdade de Economia e investigador de CES da Universidade de Coimbra. Cito e comento algumas "pérolas" do professor.

"há um certo determinismo geográfico (Turquia e Síria partilham uma fronteira de 911 km) que tem levado a Turquia a um envolvimento activo no conflito"
Isto é o tal determinismo dá à Turquia para agredir o vizinho, independente, fazendo entrar na Síria para os mercenários, deste país e vindos do Qatar e da Arábia Saudita, muito equipamento de guerra pesado ou muito sofisticado, para além das kalashnikovs do mercado negro, mantendo no seu território uma um centro de operações (leia-se direcção da agressão). Alimentos para os líbios acossados no seu país pela agressão não existem mas aos mercenários não falta nada.


"a actuação da Turquia tem-se centrado  na dimensão humanitária do conflito, tendo para isso aberto as suas fronteiras a refugiados sírios"
Os que fugiram fizeram-no pela agressão, a sua situação alimentar e de saúde é débil mas não lhes faltam as lavagens ao cérebro feitas pelos serviços de informação dos directos agressores bem com o dos indirectos mas altamente envolvidos - a CIA e o Mossad.


"Perante este cenário , a Turquia tem vindo a reforçar (sobretudo desde final de Junho) o seu contingente militar na fronteira com a Síria"
Por ter medo de uma agressão do regime sírio? 
Ou como é evidente para quem tem dois dedos de testa para, através dos mercenários, desfazer os postos fronteiriços do lado sírio e exercer a chantagem de, estando lá, deixarem os mercenários à solta já que a Síria não os iria combater nas fronteiras, sob risco de provocações turcas que justificariam assim o acentuar das agressões da Turquia...O Sr. Professor não se lembra (veio nos media hostis à Síria...)que em Junho a Turquia fez deslocar para a fronteira centenas de camiões com mísseis?


"o conflito na Síria representa muito mais que a mera sobrevivência do regime de Bashar Al-Assad. Trata-se de uma guerra que levará ao redesenho do mapa geo-político da região e, sobretudo, à definição de novos equilíbrios do poder"
O professor lá acertou um palpite. Faltou-lhe revelar a favor e contra quem isso vai acontecer e quais os próximos passos que se dariam...

Benoliel e as varinas de Lisboa


Joshua Benoliel ( 1873- 1932) foi considerado por muitos o maior fotógrafo português do inicio do século XX.
Judeu, descendente de uma família hebraica que se instalara em Gibraltar. É considerado o criador em Portugal da reportagem fotográfica. 
Fez a cobertura jornalística dos grandes acontecimentos da sua época, acompanhando os reis D. Carlos e D. Manuel II nas suas viagens ao estrangeiro, assim como a implantação da República em 1910, as revoltas monárquicas durante a Primeira República, assim como exército português que combateu na Flandres durante a Primeira Guerra Mundial. As suas fotografias caracterizam-se pelo intimismo e humanismo com que abordava os temas.
Trabalhou para o jornal O Século e para a revista do mesmo jornal, a Ilustração Portugueza bem como para o Ocidente e Panorama, revistas da altura.



Mas nesta exposição apresentam-se imagens da colecção do Arquivo 
Municipal, da autoria de Joshua Benoliel,  que representam as 
varinas de Lisboa, tema amplamente fotografado por este autor e 
pelos fotógrafos da época. 
As varinas são fotografadas na azáfama junto ao rio, a calcorrear a 
cidade de canastra à cabeça, na lota, no mercado, manifestando-se, ou simplesmente posando 
alegremente para a 




objectiva do fotógrafo. 
A beleza e a vivacidade das varinas inspiraram pintores e escritores, sendo tema recorrente 
do Fado. 
Muitas das imagens que vamos ver foram captadas no Cais da Ribeira, permitindo confrontar 
memória visual do passado com a paisagem despida do presente.

Na morte de Horácio Rufino


Para quem conheceu Horácio Rufino, a notícia da sua morte doeu.
O funeral realizou-se hoje no cemitério de Benfica.


Conheci-o antes do 25 de Abril, no movimento associativo estudantil e no movimento democrático, particularmente em acções juvenis regionais e nacionais. O Horácio era um jovem corajoso, de grande firmeza, um dos quadros comunistas mais destacados da juventude trabalhadora, a que juntarei, sem esquecer outros, Álvaro Pato, Pedro Soares, Armando Sousa Teixeira ou o Vítor Dias, este destacado cedo para outras frentes do combate. Do blogue do Vítor retirei esta fotografia onde o Horácio Rufino está à esquerda, de camisola verde.
Do Armando Teixeira, transcrevo parte do que agora escreveu sobre ele. O Armando, que há anos publica memórias da resistência ou da guerra colonial, fazia parte comigo e como Carlos Pimenta do organismo do PCP, melhor, das suas organizações estudantis para as áreas do que foi a Universidade Técnica, com organismos em escolas "superiores" e também do então chamado "ensino médio", que incluía os Institutos Industrial e Comercial de Lisboa. Preso em 1972, e barbaramente torturado pela PIDE, o Horácio Rufino não vacilou perante o inimigo mas foi condenado e estava preso em Caxias no 25 de Abril de 1974.

"(...) É assim que recordo o Horácio "do Comercial", entusiasta e voluntarioso nas tarefas e nos objectivos, cordial e muito persistente a juntar as pontas tantas vezes hesitantes nos caminhos subterrâneos da liberdade. Naqueles finais da década de 60, em que a associação de estudantes do Industrial (a ADAIIL para quem já não se recorde!...) era um bastião revolucionário  num mar de esquerdismos inconsequentes, o Horácio Rufino vinha muitas vezes ter connosco (o Comercial não tinha associação), para uma conversa fraterna e pedagógica sobre a luta estudantil e o movimento associativo, onde travávamos uma luta luta terrível contra a repressão fascista e tremenda contra o verbalismo  e a provocação gratuita ( e muitas vezes pidesca e criminosa).
  O Horácio era então o elo mais experiente naquele mar revolto de ideias, de dúvidas, de aprendizagens muito rápidas, num dia a dia de novas responsabilidades, de angústias e de preocupações,de esforçado equilibrio na procura das orientações mais sensatas e na conjugação das diferentes sensibilidades, porque nem todos eramos comunistas ( bem poucos por sinal!). Como um irmão mais velho, o jovem alto e magro, de cabelos claros à luz das manhãs que não cantavam, mas que iniciavam mais um dia de esperança num futuro diferente e novo, que estávamos absolutamente convencidos de estar a construir, tinha sempre uma ideia ,  uma experiência para contar, uma resposta fraterna.
  Com esse sentimento de fraternidade, víamos o Horácio Rufino sucumbir ao cansaço de uma noite inteira de trabalho, (certamente de uma reunião ou de uma tarefa algures na cidade clandestina), escorregar no sofá em que se tinha sentado e adormecer profundamente,  confortado pela ideia de estar entre irmãos de combate e entre gente de confiança.
  Relativa já se sabia, em tempo de abutres e aventesmas que espiavam a soldo do regime fascista e repressivo:
  - Ó menina Fernanda! Entrou para aqui um senhor que não pertence cá à escola, pois não!?
  - Ó senhor Silva, é um novo colaborador da Associação!
  - Ah!  Eu não o conhecia!...Mas o senhor director tem de saber! - rematava no tom cínico de informador pidesco o contínuo Silva, que estava de serviço ao portão dos fundos , abrindo para a rua de São Ciro, por onde o Horácio entrara naquela manhã. Aquela abertura era uma conquista da Associação! 
  - Isso é com a direcção da associação, senhor Silva! Não tenho nada com isso! - respondia a simpática Fernandinha, empregada da secretaria, industriada sobre a situação, antes da porta da sala se fechar à chave, resguardando o descanso daquele justo. Pelo menos durante uma horita, mais também dava nas vistas.
   Horácio Rufino, que a tua memória nos inspire nas batalhas do presente e, os comuns ideais de juventude, frutifiquem num futuro certamente distante mas irrevogável."