quinta-feira, 28 de março de 2013

Façam o mundo melhor, ouviram? Não me obriguem a voltar cá! - Mário Sacramento, nos 44 anos da sua morte


Mário Sacramento nasceu em Ílhavo, arredores de Aveiro, filho de Rita de Morais Sarmento e de seu marido Artur Rasoilo Sacramento. Realizou os seu estudos secundários no Liceu de Aveiro, onde foi um activista estudantil, razão pela qual chegou a estar preso. Matriculou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, mas apenas concluiu os seus estudos depois de ter frequentado as escolas médicas do Porto e de Lisboa (onde se licenciou em 1946). Obteve em Paris uma especialização em gastrenterologia (1961).
Desde muito cedo colaborou em diversos periódicos entre os quais O Diabo, o Sol NascenteVértice e o Diário de Lisboa.
Observador interessado do panorama literário português, Mário Sacramento publicou diversos ensaios sobre a obra de escritores como Eça de QueirozMoniz BarretoCesário VerdeFernando Namora e Fernando Pessoa. A qualidade dos seus ensaios granjeou-lhe a admiração da intelectualidade portuguesa do tempo.
Ainda estudante, Mário Sacramento integrou-se na tradição do republicanismo democrático português, aderindo ao movimento de resistência democrática ao regime fascista. Militava no Partido Comunista Português
Foi membro da comissão central da organização de juventude do Movimento de Unidade Democrática (o MUD Juvenil), o único movimento oposicionista tolerado pelo regime, no qual se congregavam a todas as correntes da oposição democrática. Nessas funções ganhou grande notoriedade, transformando-se numas das figuras de referência da resistência.
A sua actividade de crítica literária guindou-o ao papel de principal teorizador do movimento neo-realista em Portugal. Participou em múltiplas conferências sobre literatura e publicou uma extensa obra de crítica e de análise literária, que inclui ensaios marcantes, entre os quais Eça de Queirós, uma Estética da Ironia (1945, Prémio Oliveira Martins),Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda (1959), Fernando Namora, a Obra e o Homem (1967) e Há uma Estética Neo-Realista? (1968).
Foi secretário-geral, e principal obreiro, da comissão promotora do Primeiro Congresso Republicano, um fórum da oposição democrática que se reuniu em Aveiro no ano de 1957 e liderou a organização do Segundo Congresso Republicano, também realizado em Aveiro, embora tenha falecido pouco antes da sua realização em 1969. Uma parte importante da sua obra de ensaio literário está reunida nos três volumes, parcialmente póstumos, de Ensaios de Domingo (1959, 1974 e 1990).
Uma parte importante do seu pensamento político e filosófico está reunido no volume Frátria, Diálogo com os Católicos (1971), obra que reuniu os artigos que escreveu entre 1967 e 1969 sobre o papel dos católicos e do movimento eclesial na evolução política portuguesa.
Mário Sacramento foi por cinco vezes detido pela PIDE, a polícia política do salazarismo, a primeira das quais em 1938, quando era membro da associação de estudantes do Liceu de Aveiro, e a última em 1962.
Mário Sacramento é lembrado numa das mais importantes artérias da cidade de Aveiro, sendo ainda patrono de um dos principais estabelecimentos de ensino daquela cidade.
Na foto seguinte, homenagem em Ilhavo (Aveiro), promovida pelo PCP, estando na mesa Armando Gouveia, Óscar Lopes, Denis Jacinto, Joaquim Namorado, Cecília Sacramento, José Bernardino, Nelson Ribeiro, João Sarabando e Carlos Lopes. 

2 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Eu tenho a carta-testamento de Mário Sacramento.

Um grande abraço para ti.

Antonio Carvalho disse...

Atenção! Naveguei por aqui...