quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Egipto: a aproximação de um ponto crítico

A próxima 6ª f, amanhã, está apontada como a de uma nova grande prova de força do protesto popular.
O vice-presidente Omar Suleiman, chefe das secretas egípcias, há dias nomeado para esta nova função por Mubarak é um homem que se entendeu particularmente bem com a CIA dos EUA e a Mossad de Israel, para que o Egício contribuísse para a estratégia de ambos.
É por isso um homem poderoso e bem aceite por ambas as administrações destes países para garantir "mudanças controladas" que poderiam deixar o país na mesma. Quer os EUA quer Israel receiam qualquer outra solução. Do apoio inicial de ambos a Mubarak poderão agora ir até aí: ser a estrutura da ditadura a conduzir o processo que se segue.
Mas não é isso que o povo egípcio pretende.
Por isso as forças repressivas montaram ontem uma provocação, a partir de elementos seus, que mataram vários manifestasntes anti-Mubarak, nas barbas da polícia que só interviu quando esses elementos foram escorraçados da Praça da Libertação, para os protegerem, criando uma zona tampão. Toda a gente pôde ver através da CNN o linchamento por esse bando de alguns populares que exibiram num viaduto como exemplos... A ausência no terreno de estruturas do Estado de apoio a pessoas agredidas é ilustrativo da natureza do regime.
Esta provocação tem por objectivos criar receios, "justificar" novas intervenções policiais e do exército contra a oposição ao regime, criar a idéia de que há dois campos.
Omar Suleimam fez saber que irá falar em breve. É evidente que o que vai dizer não corresponderá às exigências dos manifestantes.
No plano internacional os grandes media fizeram circular outros motivos de medo. O eventual encerramento do Canal do Suez com os correspondentes efeitos negativos sobre o comércio mundial. E a subida do preço do petróleo numa base especulativa face a esse "receio"...Mas, são os manifestantes que poderão ou terão interesse nesse desenvolvimento? Claro que não.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Egipto: para além do entusiasmo

A pressão popular no Egito é o único factor que pode gerar mudanças políticas que vão ao encontro das suas reivindicações e preocupações.
Por isso vai faltando o tempo para que uma sua expressão orgânica representativa apresente o respectivo programa político, automizando-o das ingerências externas que estâo a ser feitas pelos EUA sobre a estrutura dirigente egípcio, e militar onde dispõe também de grandes fidelidades, para encontrar uma solução.
As duas forças oprganizadas que parecem ter hoje maior expressão no seio do movimento da revolta são a fraternidade Islamita e a Igreja Copta (Cristã). Não sendo organizações "extremistas" ou "terroristas", se se tornarem força maioritária na sociedade, romperão com o servilismo em relação a Israel, criando a este uma forte dor de cabeça, depois de vários regimes árabes ao longo de anos terem vindo a ser captados pelos EUA para esta posição.
No dia de hoje um grupo de "apoiantes do regime" agrediu os manifestantes e é de esperar que esta actividade organizada se mantenha até como forma de justificar a intervenção militar.
Obama mandou para o Cairo um conhecido especialista de guerra suja, Frank G. Wisner que, junto de Mubarak e do seu vice das secretas e comandos militares, preparará as saídas à americana: ser favorável às democracias que gerem "boas escolhas" (dirigentes servis) e opor-se aos povos que "façam más escolhas" (independentes). Isto quer dizer que os EUA estão preparados para dar cobertura a um banho de sangue.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A revolução egípcia e a Dra. Ana Gomes

Habituado aos desaires dialéticos da eurodeputada do PS, não me surpreendi com a tirada desta na Antena Um enquanto tomava café.
Dizia a senhora qualquer coisa como a Irmandade Muçulmana egípcia estar organizada e poder acontecer como o PCP no PREC que quiz avançar com a revolução mas que teve que ir a votos, não lhe tendo sido permitido prolongar o PREC. O mesmo se deverá passar no Egipto com os islamitas, não devendo deixar-se que vão tomando conta das estruturas do Estado. Esta flexibilidade intelectual que lhe está nos genes desde que em 75 andava atrás dos "sociais-fascistas", servindo de braço rasteiro da contra-revolução é natural que a leve a dizer hoje este e outros disparates.
Das declarações de apoio aos protestos retiro que o que é importante para a senhora é que não haja um período revolucionário mas se calhar eleições já amanhã com a mesma estrutura do Estado, com um governo de torcionários sem Mubarak, sem que as correntes políticas clandestinas ou debilitadas pela repressão pudessem actuar livremente, com as mesmas estruturas de corrupção e nepotismo, os mesmos comandos no exército e forças militarizadas, sem uma informação livre que não apenas a das rerdesd sociais.
Dito por outras palavras, a eurodeputada não quer a revolução.
Enquanto escrevo estas palavras não posso deixar de me emocionar com as imagens da Al-Jazeera da Praça Tahrir que vejo ao mesmo tempo.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"A visão é o tacto sem contacto"

Michel Serres (filósofo francês, 1930-)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O liberal Obama quer garantir a liderança mundial

Começaria antes do discurso de Obama por me referir a um disparate numa manchete do Publico de ontem que o trata como "um presidente de esquerda".
A comparação entre designações e posicionamentos políticos dos EUA com os da Europa carecem de  fundamento que tal designação não respeita. Considerar que nos EUA o Partido Democrata é de "esquerda" e que o Republicano  é de direita revela enorme falta de cultura política.
Primeiro porque as reais comparações, a serem feitas, deveriam equiparar o Partido Democrata aos Liberais e o Republicano a partidos Ultra Conservadores. Por outro porque o sistema eleitoral norte-americano só permite que estes dois partidos disputem os confrontos finais, sendo as esquerdas remetidas para fases anteriores do processo, por muito expressivas que sejam as suas demonstrações públicas e também porque grande parte dos eleitores, particularmente os mais deserdados, deixou de acreditar nesse sistema e remete-se  para o abstencionismo, o que não sendo bom, revela um grande handicap na base democrática do sistema norte- americano.
A alternativa a Bush começou a desenhar-se há anos através de várias grandes campanhas. Lembro aqui apenas as prolongadas séries de TV centradas num Presidente negro ou numa  Presidenta branca que encaixavam nos esquemas dos detentores do poder económico: Obama, com um passado de ligação com a CIA, e advogado de peso e Hillary, representante duma das famílias desse poder económico.

Mas, voltemos ao discurso de ontem na Câmara dos Representantes (discurso do Estado da União).
O tom geral reflecte um braço estendido aos republicanos ("governação partilhada") depois da derrota "democrata" nas intercalares e a preocupação que a sociedade norte-americana manifesta com o declínio dos EUA no mundo, em curso há vários anos.
Quanto ao seu conteúdo ele dirige-se, no essencial para reforço de investimentos que possam garantir a hegemonia dos EUA no mundo. Nos EUA, onde a crise financeira mundial, Obama está-se nas tintas para o combate ao deficite colossal como o que impõe a outros países- Os que lhe têm estado a subsidiar a crise à custa dos sacrifícios das rrespectivas populações, particularmente os trabalhadores. O que interessa é não ser ultrapassado pela China ou mesmo pela Índia, o que implica um reforço na capacidade comercial mas também deixar cair as consignas sociais que foram o grande motor do "Yes, we can".
O optimismo quanto ao futuro das guerras em que se manteve envolvido, com novos compromissos, não tem correspondência com a realidade. O  apoio à revolta na Tunísia (1) deixa antever novas intromissões na política interna desse país, da Argélia ou do Egipto (regimes que até agora apoiava e tinha condicionados pela intervenção do FMI), para tomar o partido da revolta mas garantir, com alterações cosméticas, os grupos dirigentes, os alinhamentos geo-estratégicos e um alinhamento com o que tem feito no Líbano  e na Palestina, em articulação com Israel.
Este discurso da União tenta um relançamento de uma imagem perdida. Obama já não significa hoje o que muitos norte-americanos quiseram ver nele. E a paragem do declínio é muito difícil. Não falou de paz mas a guerra está latente como uma fuga para a frente.

(1)A propósito ainda da Tunísia e do papel dos EUA, recomendo ainda a leitura de um artigo de Thierry Meyssan e de um apelo de Hassan Nashrallah.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cavaco: a vitória de um homem amargo em quem apenas 1 em cada 4 portugueses votou hoje

Os discursos de há pouco de Cavaco Silva reflectem o quão aquém das expectativas lhe saíram os resultados: abstenção record que fez com que só um português em  cada quatro tenho votado nele.
Sem lhe retirar a legitimidade da eleição, isso retira-lhe autoridade para desenvolver o projecto da direita. Mas irá tentar fazê-lo.
Cavaco não discutiu nada nas presidenciais, quando se defende de que os outros candidatos o tenham insultado. Mesmo nestes discursos não explicita o que são os seus projectos para a Educação e Saúde que trata de forma redonda que tropeça nas respectivas garantias constitucionais.
Cavaco no que respeita às suas " linhas de acção" omitiu a Constituição e isso legitima a leitura entre linhas que cada um de nós é obrigado a fazer desse discurso redondo.
Se é certo que uma campanha eleitoral não pode ser totalmente substituída por "campanhas negras", a Cavaco era exigido que esclarecesse alguns actos, que de forma pertinente, questionaram a sua imagem de cidadão acima de todas as suspeitas. Não o fez e o que piora a situação é que hoje, em vez de saudar democraticamente os seus adversários, Cavaco usou um ataque soez, generalizado, que ainda continuou com o convite à comunicação social para denunciar as fontes informativas dos jornais sobre esses temas.
As centenas de pessoas que o vitoriaram no CCB foram uma fraca expressão de qualquer entusiasmo visível pela sua eleição.
São umas eleições de que Cavaco se não pode vitoriar muito. Mas que confirmam preocupações do que pode vir aí na tal colaboração institucional onde poderá ir mais longe do que foi na cumplicidade e apoio das malfeitorias do governo de Sócrates.
O dia amanhã continua a ser de luta para os que querem uma ruptura real com a situação a que a direita e o PS conduziram o país.

O povo tunisino não aceita compromissos com aqueles que derrubou

1. Dias após a formação do governo provisório e depois de vários golpes de teatro para não deixar confundir este governo com o prolongamento do partido derrubado, estudantes, sindicalistas, camponeses continuam a manifestar-se em todo o país. A polícia, aparentemente, não tem usado a violência. Porém, a não participação no governo de comunistas, movimento sindical e islamitas, não parece deixar lugar para dúvidas quanto a quem ainda se mantem no poder aí ficar.
Hoje, milhares, confluindo de diversos pontos juntaram-se para exigir a queda do governo provisório.

2. Uma inicial aparente unanimidade das grandes potências que disputam a influência na Tunísia (EUA, França, Bélgica e, por arrastamentoo, a UE) em caracterizar o governo derrubado como ditadura, não pode ser encarado como um divórcio da situação reinante. Se o governo é caracterizado como ditadura, como sublinhou Michel Chossudovsky, importa reter que a sua margem de manobra para ter uma política económica independente dos programas do FMI e Banco Mundial, e da Wall Street. não existe. Ben Ali aceitou ser a marioneta que no governo dava corpo aos programas  de elevação dos preços dos alimentos, que outros decidiam por si.
Quando o lider da independência Burguiba quiz romper com esses condicionalismos foi de imediato derrubado por um golpe liderado por militares e Ben Ali. Que passaram a gerir um programa económico neo-liberal gerador da corrupção no Estado e do aumrento daas desigualdades e da pobreza. Depois do golpe de estado de 1987, as estruturas nacionalistas do Estado herdadas da independência foram transformadas em correias de transmissão do neo-liberalismo.

3. Quando a Ministra dos Negócios estrangeiros francesa há dias referiu, a propósito de uma suposta necessidade de Argélia e Tunísia coordenarem esforços policiais para impedir "atentados às liberdades" (eufemismo parta designar a revolução), procurava já tirar proveito de acções de elementos provocadores que serviços secretos destes países terão conseguido infiltrar nas manifestações.

Mahler, a 9ª sinfonia, um grande maestro e uma grande orquestra

Tive ontem a oportunidade, com alguns amigos, de assistir a um grande concerto. A 9ª sinfonia de Mahler pela Orquestra Filarmónica de Los Angeles, dirigida pelo maestro venezuelano Gustavo Dudamel.
Foi elevado o nível alcançado pela direcção da orquestra. Dudamel é um dos maestros saídos da experiência de formação musical única de José António Abreu, que continua a beneficiar milhares de jovens venezuelanos. Passou a maestro principal da Orquestra Sinfónica Juvenil Simon Bolívar, em que se mantem, mas espalha hoje esse sistema de ensino (el sistema) na cidade de Los Angeles onde trabalha com jovens de bairros pobres.
Foi este jovem, de 28 anos, que vimos ontem dirigir uma das mais importantes orquestras do mundo, a Orquestra Sinfónica de Los Angeles, com um notável grupo de músicos, com destaque para as cordas.
E a 9ª Sinfonia de Mahler é a maior sinfonia deste autor que nos transmite, com grande emoção, as transformações operadas na música pós-romântica pelo autor. Só estreada um ano depois da sua morte, a sinfonia de 4 andamentos - dois adagios e dois outros rápidos sarcasmos - torneou a "fatalidade das nonas sinfonias" que noutros autores assinalaram a sua decadência criativa. Não a tendo numerado, e chamando-lhe "A canção da Terra", ela reflecte um estado de espírito de decadência física, a despedida da vida, mas também a esperança nos destinos da humanidade, os ambientes da amizade e do amor, das danças camponesas, a complexa vida urbana e respectivos códigos de comportamento.
O andamento final é, para um confidente do autor, "a tristeza da despedida da vida e a visão da vida celestial" (Bruno Walter).
Com sala cheia, e um grande calor, o trabalho foi saudado com sucessivas ovações.
Uma noite que se não esquece!...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Passam 50 anos sobre o assassinato de Patrice Lumumba

A divisão da República Democrática do Congo foi engendrada nos anos sessenta do século passado pelos governos dos EUA e da França, apoiados no futuro ditador Mobutu, que trabalhava para a CIA e para os serviços secretos belgas, que ainda em 1989 era recebido na Casa Branca como um campeão da Liberdade.
As dificuldades da RDC hoje reflectem as grandes manobras desses dias conturbados. Para trás ficaram, mais de 5 milhões de mortos e as tensões persistem nos dias de hoje para dificultar a normalização da vida neste país.
Num processo de independência em que os belgas procuraram ter um  papel de controlo para assegurar os seus interesses no futuro, o Movimento Nacional Congolês, liderado por Lumumba obtem  90% da votação. Apesar das tentativas para impedir a sua tomada de posse como Primeiro-Ministro, Lumumba forma governo e tornou-se de facto o pai da independência do Congo ex-Belga. Tinha um projecto de natureza socialista para o seu país, não alinhado nem com os EUA nem com a URSS.  e coabitou com um Presidente, Joseph Kasawubvu, general, que era um homem do americanos e dos belgas e dominava a tropa.
A partir daí, EUA, França e Bélgica entram na sabotagem aberta. O Katanga, província mineira rica em Cobre e Cobalto, por sua influência, declara a secessão. Militares provocam chacinas entre a população. As forças da ONU não ajudam a restabelecer a autoridade.
Mobutu manda prender Lumumba, o governo e outros dirigentes do MNC. A cena da sua prisão e transporte numa carrinha de caixa aberta corre mundo, que assiste estupefacto às agressões da tropa contra o primeiro Primeiro-Ministro, lider de uma independência africana, a ser eleito esmagadoramente pelo seu povo. Levados para o Katanga são torturados de forma brutal, depois fusilados e os seus corpos dissolvidos em ácido sulfúrico para que os seus restos não pudessem ser redescobertos pelo seu povo.
Sobre estes factos há muita informação disponível. Eu recordei alguns elementos neste site.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sobre a revolução tunisina

1. Por estas horas espera-se o anúncio de um governo provisório que prepare futuras eleições livres.
A sua composição dará uma idéia do grau de compromisso entre algumas forças de mudança, o Exército e o partido do poder.
Os polos em que assenta hoje o poder são o povo e o Exército mas a relação não é clara.
O movimento sindical (UGT) acompanhou os protestos. O mesmo o fizeram outras forças políticas da oposição, com destaque da Comissão pelas Liberdades e Direitos Humanos, o Partido Comunista Operário Tunisino e o movimento Ennahdha, islamita moderado.
Quem terá presidido às negociações foi o ex-primeiro-ministro Ghanoushi, figura da ditadura, que após a fuga há dois dias do ditador Ben Ali e da sua mulher - que se locupletou com 1,5 toneladas de barras de ouro!... - . foi nomeado Presidente interino.
Hoje manifestações populares pela ilegalização do partido do poder, RCD (Reagrupamento Constitucional Democrático), membro de pleno direito da Internacional Socialista, fundado pelo anterior presidente Bourguiba, foram reprimidas pela força.
O Exército recusou-se a participar na repressão às manifestações das duas últimas semanas. Mas o general Ammar poderá vir a desempenhar papel importante nos próximos tempos. Essa tarefa repressiva coube à guarda presidencial, responsável por muitos dos mortos, e à Polícia. O Exército ontem perseguiu a guarda presidencial e alguns responsáveis da ditadura foram presos.

2. A Tunísia era até agora o grande aliado dos EUA e de Israel no Magreb. Se recuarmos umas semanas atrás não encontraremos nos media ocidentais muitas referências à Tunísia como ditadura...Mas nos últimos dias a Wikileaks desencantou um telegrama em que os EUA teriam reservas  em relação ao regime...
Os regimes árabes da região, particularmente o Egipto de Mubarak, sentem-se ameaçados (curiosamente o partido de Mubartak também é da Internacional Socialista...). A revolução tunisina pode ser um rastilho em situações semelhantes noutros países.
As causas da revolta popular, que adquiriu novo fôlego após a imolação pelo fogo de um jovem desempregado, têm a vêr com o grande agravamento das condições sociais (preços dos bens essenciais, desemprego, despedimentos, pobreza e assimetrias sociais) e políticas (ditadura, corrupção a partir do poder). Não só a Tunísia tem este quadro de situações...Na Argélia, ali ao lado, já ontem se registou outra imolação e o governo francês logo instigou a uma cooperação policial dos dois países para conter a revolta e não a deixar pôr em causa as liberdades...

3. A revolução popular foi a responsável directa e única da queda do regime. Apesar de proptagonizada essencialmente por jovens e estudantes, teve um largo apoio social que poderá restringir-se se as situações de carência alimentar e de serviços forem agravadas com a especulação e distúrbios a que os apoiantes do regime deposto já se entregaram.
O PCP apoiou a revolta e as forças revolucionárias tunisinas.

4. Uma atitude de simpatia e apoio internacional à revolta tunisina será muito importante nos próximos dias em que forças diversas se movimentarão para lhe esvaziar as motivações.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Quis custodiet ipsos custodes?"

"Quem guarda os guardas?"

Juvenal (poeta romano, fins séc.I - inícios séc. II)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Francisco Lopes: o voto necessário para a mudança

Palavras sábias de um sábio

(...) Estou convicto de que só existe um caminho para eliminar esses grandes males, nomeadamente com a criação de uma economia socialista, acompanhada de um sistema educativo que fosse orientado por objectivos sociais. Nessa economia, os meios de produção seriam propriedade social e utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que ajustasse a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho por todos os que estivessem hablitados a trabalhar e garantiria condições de vida para cada homem, cada mulher e cada criança. A educação do indivíduo, para além de desenvolver as suas capacidades, desenvonver-lhe-ia o sentido de responsabilidade para com o seu semelhante em vez da glorificar o poder e o sucesso da sociedade como acontece nos nossos dias.

(depoimento de Einstein no lançamento da revista New Monthly, em 1 de Maio de 1949, que pode ser lido na íntegra aqui .

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cavaco revela arrogância e falta de respeito


A atitude que Cavaco Silva tem tomado nesta questão do BPN constitui séria prevenção para todos aqueles que, em nome de uma suposta seriedade do candidato, estiveram até agora inclinados em vir a votar nele no dia 23.

Cavaco Silva, ao lançar no debate eleitoral o caso BPN, por razões diferentes das que agora estão a ser alvo de atenções, conseguiu até agora paralizar o debate sobre como cada candidato encara o desempenho das funções presidenciais.

Isso é particularmente grave estando nós com a crise em que causas internas e externas nos fizeram submergir.

E elemento adicional de desmotivação eleitoral.

Importa que esses motivos de desmotivação se transformem em atitude de revolta em apoio de uma ruptura efectiva com as políticas que geraram esta situação e com os protagonistas e comportamentos que ela gerou.

De há uns tempos a esta parte quem conduz as estratégias eleitorais de alguns partidos passou a encarar como interessante que alguma zona de falta de honestidade dos candidatos, possa ser um trunfo eleitoral.

A impunidade com que alguns políticos e gestores se escapam às malhas da lei, o insuficiente combate ao crime organizado leva para muita gente desesperada por razões de sobrevivência e para outros carentes de formações incluindo de valores, que se foram, não por acaso, degradando no sistema de ensino.

Cavaco comprou acções a um preço de favor e vendeu-as depois com um lucro de 140% . Coisa que não terá sido generalizada a outras pessoas que detinham acções. O silêncio público dos seus esclarecimentos de então,. foram recuperados quando questionou opções da nova admonistração.
Dizer dos seus críticos hoje o que tem dito é esclarecedor da difícil convivência com a transparência e com a ética que se impõe num debate eleitoral.
Cavaco Silva acumula tiques autoritários.

O jornal Expresso apaga da História de Portugal o fascismo e o 25 de Abril

Foi com algum interesse, resultante de iniciativas anteriores, que me entreguei, desde Outubro passado, a coleccionar os 10 volumes de uma história de Portugal, escrita por Ana Oom, revista pela Associação de Professores de história, ilustrado por Sandra Serra, acompanhados por igual número de CDs , com letra e música de Inês Pupo e Gonçalo Pratas, em que Bárbara Guimarães narra estórias desta História.

Mas do 9º para o 10º volume ocorre uma situação bizarra. Da República salta-se para a adesão ao Mercado Comum. O último livro chama-se mesmo "Chegou o euro"!
Esta História feita a "pensar nos mais novos", segundo o Expresso, omite pura e simplesmente os 48 anos de fascismo, o 25 de Abril´, o período revolucionário.

Até agora o Expresso ainda não esclareceu as motivações desta opção editorial.
"E esta, hem?", diria certamente o nosso saudoso Fernando Peça...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"São estes os meus princípios, e se não lhe agradam... bem, tenho outros"


Groucho Marx (humorista americano, 1890-1977)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Nas cores e nos rostos de Malangatana, sempre!

Comparabilidade de dados estatísticos comprometida?

As razões invocadas para deixar de obter pelo método anterior dados do INE relativos ao desemprego, para os passar a recolher por entrevista telefónica, abre campo a uma das maiores trafulhicies que, a ter continuidade noutras formas e noutras áreas de actividade, fará perder a comparabilidade entre dados  cujas bases são essenciais para trabalhos de investigação, de projecto e outros e fazer perder a credibilidade dos estudiosos para além de poder constituir factor de mentira à opinião pública. Para além de impedir a monitorização de desempenhos com esse álibi.
É bom que o governo esclareça o país sobre o que pensa fazer para não comermos mais gato por lebre...

Rapariga com brinco de pérola, de Jan Vermeer Van Delft

sábado, 1 de janeiro de 2011

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"É muito difícil prever, especialmente acerca do futuro"


Niels Bohr (físico dinamarquês, 1885-1962)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

PT, Estado e RTP, escondem que parte da campanha solidária com os madeirenses foi desviada...

É triste, mas é bom saber...

Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de Euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado era de 2 milhões e 880 mil?
Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000 € ?
POIS É....

A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.

Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 + IVA. São 0,72 no total.
O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50.
Assim oferecemos 0,50 a quem carece, mas cobram-nos 0,72, mais 0,22 ou seja 30 %.
Quem fica com esta diferença?

1º - a PT com 0,10 (17 %) isto é a diferença dos 50 para os 60.
2º - o Estado 0,12 (20 %) referente ao IVA sobre 0,60.

Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.

A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado já atingiu
os 2.000.000 de euros.
Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44 % ou seja mais 880.000 euros divididosentre a PT (400.000 para a ajuda dos salários dos administradores)e o Estado (480.000 para ajuda ao reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).
A PT cobra comissão de quase 20 % num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!

ISTO É UMA TOTAL FALTA DE VERGONHA!!!
ISTO É UM ASQUEROSO ESBULHO À BOLSA E AO ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE
DO POVO PORTUGUÊS!!!
NÃO COLABORE NESTAS CAMPANHAS, CASO NÃO SEJA ESCLARECIDO CABALMENTE
QUE OS"DONATIVOS" ESTÃO ISENTOS DE IMPOSTOS E DE TAXAS OU COMISSÕES,
BEM COMO NÃO CONTRIBUEM (SEM RETORNO SOLIDÁRIO) PARA O AUMENTO DOS
NEGÓCIOS DOS GANANCIOSOS GESTORES...

DENUNCIE!

Presidente sem peito, candidato sem jeito...

O debate de ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre confirmou alguns traços revelados por Cavaco no de debate com Francisco Lopes que, definitivamene aconselham a sua não reeleição.


Em alguns aspectos, Alegre não esteve à altura de uma resposta categórica e estruturada ao candidato da direita.
Não querendo pronunciar-se sobre matérias delicadas remeteu o interlocutor para o "site da PR" e a todos os que o viam revelou com isso grande desconsideração.
A questão das relações internacionais e do seu papel, no que à crise financeira respeita, Cavaco revelou um low-profile subserviente e temeroso. Ele é candidato e não expressou indignação pela operação especulativa que os "mercados financeiros" (uns 4 bancos norte-americanos que têm nome) e as suas empresas de rating têm feito, em articulação de interesses dos EUA, da Alemanha e da França, contra os países mais periféricos como o nosso.
Quanto ao Estado Social, num misto de confusionismo e de vontade de silenciar as políticas concretas que defende quanto à educação, saúde e segurança social, Cavaco reumiu-o às IPSS, misericórdias e outras entidades particulares, remontando a centenas de anos atrás.
Não se pronunciou sobre a escola pública de qualidade nem sobre a sobrevivência do SNS que sabemos na sua cabeça, como nas dos dirigentes do PSD e CDS, serem de desconsiderar face à oferta da iniciativa privada, empobrecendo os recursos para os respectivos serviços públicos.
Sobre as situações delicadas para o povo português e os reais projectos de direita, Cavaco nada disse, refugiou-se atrás do pano.
Defendeu como grande atitude o seu acordo com índustriais de hotelaria de as sobras das refeições serem distribuídas a quem tem fome, esquecendo-se de referir em que condições de segurança alimentar isso poderá ser feito.
Enfim, Cavaco definitivamente não. Contribuir para mais apoio à campanha de Francisco Lopes, isso sim, como forma de dar força a uma mudança radical de políticas.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ainda o "aquecimento global" que se não vislumbra...

O que se segue é um pouco longo, na medida em que remete para outro artigo que aconselho vivamente. Por isso pede-se a vossa paciência.
Trata-se de retomar várias questões, já aqui abordadas várias vezes há uns meses, a propósito dos aquecimentos globais, Conferência de Copenhaga, energias alternativas.
Não para trazer elementos novos mas para vos remeter para a leitura de um artigo publicado por Demétrio Alves no resistir.info. há dias.

A teoria do aquecimento global, promovida por acção do homem, não está provada. Não tem credibilidade, em termos científicos, que se pudesse atribuir a uma só causa - a emissão de CO2, ainda por cima não poluente - um processo para que tantos outros factores contribuem, em termos ainda hoje imprevisíveis.
A "descarbonização da economia", objectivo em que de forma tão demagógica quanto irresponsável se envolveram socialistas, sociais-democratas, ecologistas feitos à pressa e outras boas almas não é, porém, isento de interesses motores. Não só Al Gore como também outros fazedores de opinião entre nós e lá fora, com um apoio acrítico e sensacionalista da generalidade dos media, estão ligados a negócios de energias alternativas, que mobilizaram preocupações numa monumental operação de marketing, que criasse mercado para as suas "inovações", e que obtiveram, como entre nós, apoios que todos nós pagamos (ver, por exemplo, uma das componentes do preço da factura da EDP...).
O fracasso da Conferência de Copenhaga reflecte a resistência de muitos países em reduzirem as suas emissões de CO2, nos termos desejados pelos EUA e UE, porque partiram para o crescimento económico mais tarde, depois de colonizações diversas, ou porque aspiram adquirir projecção regional ou mundial de que EUA e UE desejariam ser os únicos protagonistas. As teses dos "aquecedores" esfriaram com a falsificação de dados de um departamento universitário que trabalhava para o IPCC da ONU e a desconfiança generalizada que isso provocou, aliada ao facto de serem previsões de modelos computorizados e não previsões baseadas em dados reais e a que a honestidade e o rigor de muitos cientistas sempre questionou os pressupostos de tais teses, não se deixando vender.
Para além das falcatruas e negociatas que este processo proporcionou, o centrar da atenção das questões ambientais nas emissões de CO2, desfocou a atenção e recursos, da desertificação, das ameaças à biodiversidade, do acesso à água, para não falar já de outras questões como a fome, a iliteracia ou as desigualdades.
As energias renováveis não apresentam perspectivas de crescerem a ponto de substituirem a energia de origem fóssil.  O movimento de opinião pelas renováveis facilitou a privatização de empresas energéticas em todo o mundo, com o argumento que seriam "amigas do ambiente", "limpas" e "mais baratas", o que está por demonstrar. Como exemplo, as consequências ambientais e económicas de produzir bio-combustíveis foi muito negativa, em termos de erosão de recursos naturais e de fortes investimentos iniciais sem garantias de retorno, o impacto ambiental das eólicas é muito forte. Demétrio Alves discute isto no artigo.


Na foto, locomotiva paralisada pela neve nos EUA.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

''Perdoa aos teus inimigos, que os deixas baralhados''


(Igreja Baptista de Donelson View - Nashville - EUA)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Natividade, de Piero della Francesca

Cavaco confrontado com as suas responsabilidades

No debate de ontem entre Francisco Lopes e Cavaco Silva, este não quis responder às responsabilidades que Francisco Lopes lhe apontou como responsável do estado a que o país foi levado.
Refugiou-se na "moderação", na rejeição da "retórica" (objectivos políticos diferentes dos seus), no não querer "ser irresponsável perante os mercados", nas medidas sociais que tomou como primeiro-ministro.
Francisco Lopes confrontou-o, porém, com a responsabilidade que tem na viabilização das mais recentes medidas anti-sociais saídas dum arranjinho entre PS e PSD. Sobre Oliveira e Costa e Dias Loureiro nada disse.
Cavaco Silva, a um mês das eleições, continua a usar as funções presidenciais para obter votos.
Alguma separação de águas entre Cavaco candidato e Cacaco PR, para quem se reclama de grande isenção e carácter, há muito que deveria ter sido resolvida e objecto de comunicação aos portugueses.
Que a sua candidatura diga que não fará cartazes nem excessos de propaganda, encontra aqui a sua razão de ser. Afinal em matéria de carácter, estamos conversados...
Importa registar, para além da camaradagem de ideais e de Partido que com ele partilho, que Francisco Lopes com esta atitude está a contribuir para o que deve ser uma campanha eleitoral viva, esclarecedora, expressando de forma única os anseios e perspectivas dos trabalhadores e dos que estão a ser vítimas desta política de direita que, com PS ou PSD, continuaria a ter o beneplácito de  Belém, em caso de reeleição.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Incerto é o futuro da humanidade, pois é dela que depende"


Henri Bergson (filósofo, 1859-1941)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Wikileaks: questões por esclarecer

Na generalidade, as reacções de pessoas de esquerda às revelações contidas nos documentos difundidos pela Wikileaks, têm sido positivas.
De qualquer modo, importa estar atento às motivações enunciadas pelo próprio no início deste processo e o reduzido número de grandes meios de comunicação com quem a Wikileaks tem vindo a estabelecer parcerias para "trabalhar" a informação recebida - todos eles comprometidos com a desinformação sistemática que tem vindo a criar grande insatisfação em muita gente, curiosamente os que mais entusiastas parecem ser no apoio à Wikileaks.
No mundo em que vivemos sobem as paradas da contra-informação, a conspiração anti-ética e até o desejo de vir a controlar esse grande espaço de liberdade que se revelou ser a internet.
Para a mentira e a conspiração serem seguras e atingirem profundidade naturalmente que algumas verdades têm que ser reveladas. Estará a Wikileaks para a liberdade de informação como Obama esteve para o Yes, we can?
São ou não duas grandes operações para recuperar o descontentamento a favôr de um relançamento imperial de liberdades condicionadas.
Não estou certo disto mas sugiro outras abordagens como as de Michel Chossudovski e F. William Engdahl.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um grito nos EUA: dizer não à América das corporações!

Há muitas coisas importantes que não podem mais ser ignoradas, afastadas ou escondidas.
O movimento da verdade já começou e deve continuar a chegar às pessoas para a livrar de idéias criadas por elites do poder não eleitas.

Temos de colocar os interesses do povo acima dos interesses das corporações. ".O governo deve ser desincorporado".

É importante lêr a peça "O trilião...", lembrarmo-nos do BPN, mas também aceder a outra informação deste blog.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Espionagem financeira

Do BCP, o maior banco privado português, continuam a brotar surpresas.
Depois das façanhas de Jardim Gonçalves e do singular caso de Armando Vara, é agora o actual presidente da instituição bancária, Carlos Santosa Ferreira, que é referido nos casos que a Wikileaks divulgou.

Carlos Santos Ferreira, a confirmar-se a autenticidade de telegramas da embaixada dos EUA em Lisboa, terá proposto que o "seu" banco pudesse tornear eventuais represálias norte-americanas da relação do BCP com o Irão, oferecendo, como contrapartida, os seus serviços como espião dos States nas áreas financeiras iranianas.
É um papel repugnante, tanto mais que quebraria o sigilo bancário, que os banqueiros tanto dizem defender para credibilizar as suas operações.

Regista-se.

Quantas não serão as idênticas melindrosas funções que outros vips portugueses (?) terão contratado com os "nossos aliados"?

Em exposição 33 estudos referentes à execução Painel cerâmico da estação do Metropolitano de Lisboa, "Sete Rios", da autoria de Júlio Resende

Painel cerâmico da estação do Metropolitano de Lisboa, "Sete Rios”

23 Out. 2010 // 10 Abr. 2011

A INTUIÇÃO ATENTA À RAZÃO

Afirmo que a pintura sempre se envolve no objectivo final de servir a causa dos espaços públicos, sentido esse que a enobrece. A sua função não se limita a “decoração” de um dado espaço mas a dotá-lo de um sentido próprio e inconfundível.

A sua natureza de estação foi respeitada no confuso espaço interior no qual se dão os cruzamentos direccionais de linhas.

O objectivo da estação de que sou autor, foi de tornar esse espaço animado como uma continuidade do clima exterior.

Dada a proximidade do Jardim Zoológico, entendi natural que a vida animal e vegetal servissem de motivação no tratamento das paredes e dos pavimentos. Os estudos foram feitos à exaustão mas a execução foi de um grande improviso respeitando o princípio que nenhum sinal é repetível!…

Os azulejos foram realizados na Fábrica Viúva Lamego em Sintra, onde sempre encontrei o melhor ambiente de trabalho e colaboração.


Júlio Resende, Outubro 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Inside the job, um documentário assustador

O documentário norte-americano "Inside Job" é de não perder.

Feito e comentado por pessoas que ainda acreditam na possibilidade de reformar o poder financeiro, apesar de uma irritante deficiência no contraste de cor da inserção de caracteres da tradução, e de não ser uma obra de ficção mas um documentário com um ritmo rápido, difícil d...e seguir pela especialização terminológica do tema, é de aproveitar para o vêr nos poucos (?) dias que lhe restarão de exibição.

A administração de Obama fica comprometida com práticas e pessoas que reconduziu em funções-chave, de entre os responsáveis da crise financeira que vinha dos anteriores presidentes. E que exportou para outros continentes.

O esquema de Ponzi, o esquema das hipotecas e da venda sucessiva de dívidas de empréstimos de risco, através de empresas que os reguladores oficiais e as agências de rating atribuíam óptima saúde para atrair novos investidores nas vésperas de de irem à falência, dá uma idéia do tipo de pessoas que, com o empenhamento até ao pescoço das sucessivas administrações republicanas e democrata, continua hoje a ter o poder financeiro nos EUA.

Preocupante é verificar que é com este tipo de escroques, envolvidos noutro tipo de actividades ilícitas e criminosas, os EUA querem continuar a mandar no mundo!!!...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"


Stephen Biko (activista anti-apartheid, torturado e assassinado pela polícia sul-africana, 1946-1977)

domingo, 5 de dezembro de 2010

China e Rússia retiram o dólar das relações comerciais entre ambos os países

A reunião desta semana em S. Petersburgo entre os primeiros-ministros russo e chinês configura uma prática que poderá ser seguida nas relações comerciais entre outros países, para protegerem as respectivas economias dos riscos das infecções virulentas do dólar como aconteceu no início da presente crise financeira internacional.
Ambos os países passarão a usar as suas moedas nacionais nas relações comerciais entre ambos.

Nesta reunião consolidou-se um novo clima de cooperação entre ambos os países, iniciado em 2009, com a assinatura de importantes acordos, de tal forma que Wei diria, no final, que a China e a Rússia nunca serão inimigas e que, no seu processo de modernização a China ajudará a Rússia a recuperar o papel de grande potência.

De entre os acordos firmados terão especial importância os da área da energia que contempla nomeadamente, o reforço da capacidade do nuclear na China e na venda pela Rússia à China de gás mais barato do que é vendido a países europeus, este na sequência do acordo assinado anteriormente por Medvedev e Hu Jintao de construção de um pipe-line trans-fronteiriço que unirá o principal produtor ao principal consumidor de gás.

Sobre isto, ver entre  outros o China Daily.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Só vês o que estás preparado para ver"


George Tice (fotógrafo americano, 1938-)

Charley e Violeta no seu barco, Jersey, N.Y., 1979

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O micróbio e o ET

Ao contrário do que alguns media e utilizadores de redes sociais sensacionalistas previam, a NASA ontem não apresentou ao mundo um ET. Mas, o que não é menos importante, deu conta de novas condições para a existência de vida num ambiente particular no nosso planeta.


Bem dizia uma vizinha minha que ETs já não são novidade porque os temos no governo e noutros sítios...

De facto a NASA apresentou o fundamental de uma descoberta científica feita por uma equipa de investigadores por ela financiados, liderados por Felisa Wolf-Simon. E que os autores já tinham publicado em abstract na revista Science, aguardando-se que seja dentro de dias publicado na íntegra o trabalho na revista, para permitir então um comentário mais fundamentado.

As formas conhecidas de vida são, na sua maior parte, constituídas pelos seguintes elementos químicos: Carbono (C), Azoto (N), Oxigénio (O), Hidrogénio (H), Enxofre (S) e Fósforo (P). A sua entrada na composição dos ácidos nucleicos, proteínas e lípidos verifica-se na generalidade da matéria viva.
No entanto nunca a atítude científica deu como fatalidade que a bioquímica sae esgotaria nesses elementos.
Este trabalho alarga esse número ao Arsénio (As) que, apesar de ser tóxico e venenoso para muita matéria viva, apresenta características químicas semelhante ao Fósforo, estando por isso situada na mesma coluna da tabela de Mendeleiev.

A equipa utilizou um ambiente particular na Califórnia onde um lago, o Mono tem elevada salinidade e alcalinidade e altos teores de Arsénio, resultante do isolamento do lago há mais de meio século da sua fonte de água fresca. Captou nas lamas do lago um micróbio, da estirpe GFAJ-1, que integra a família das bactérias conhecidas por Gamaproteobactérias. O fósforo é um elemento central da molécula que transporta a energia para asa células, o trifsfato de adenosina,e dos lípidos que formam a membrana das células.
A cientista disse que sabia que alguns micróbios podem respirar arsénio mas que o que agora tinham descoberto era que este micróbio constroi partes de si à margem do Arsénio Estes micróbios foram, feitos crescer num ambiente fraco em Fósforo mas com um teor reforçado de Arsénio e os micróbios continuavam a crescer (ver segunda foto). Na primeira foto está o crescimento feito em Fósforo.

A questão-chave da investigação era verificar que o Arsénio, em que os micro-organismos se desenvolviam, acabava por incorporá-los.

Para que conste


Quaisquer tentativas para discutir a fuga de dividendos ao aumento de impostos como uma questão legal, que não tem que se conformar com a ética, mostra o estado de decadência democrática de quem nos desgovernou nestes 34 anos, e é responsável pelas políticas que causaram o nosso debilitamento estrutural próprio.
E que nos vitima também em consequência do impacto que sobre ele teve a crise financeira internacional de que todos estes governantes foram co-responsáveis por terem subscrito como bons os factores que a determinaram.
Por estas bandas não se vislumbra qualquer avaliação crítica desse passado, todos parecem ter aparecido em cena agora virgens, sem mácula.
E com o despudor de considerarem que aos outros se devem sacar os rendimentos mas que a eles, accionistas,  se devem livrar das tributações.
Este gesto valeu mais que quilómetros de retórica e conversa fiada sobre os valores. 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Influência rococó no azulejo do sec. XVIII

Aqui no Palácio Marquês do Pombal em Oeiras (fonte Instituto Camões)

Mais do mesmo?

1. Ontem um canal de TV fazia a seguinte pergunta a quem lhe quisesse telefonar: "Acha que vão ser necessárias novas medidas para combater o déficite?".
Como se sabe esta forma de sondagem da opinião pública é altamente representativa, não manipulável, etc, etc, pelo que os donos da comunicação social gostam tanto dela como maneira de nos ir convencendo de inevitabilidades que o não são.
O resultado era a determinada altura Sim 54% e Não 46%.
Para além da trafulhice do método, imaginemos que a pergunta era feita de forma mais compreensível, por exemplo: "Concorda com novas reduções de salários, de pensões e de reduçõres de patamares de descontos no IRS?", as mesmas pessoas, mesmo algumas das arregimentadas para darem certas respostas, talvez passassem o Sim para 5% e o Não para 95%...Alguém duvida?
Manhosos estes "jornalistas"...

2. Disse.nos ontem a Comissão Europeia que a previsão da Comissão para o défice orçamental é agravada para 4,9 por cento do PIB, um resultado que sofrerá nova deterioração para 5,1 por cento do PIB em 2012 - em vez dos 3 por cento previstos pelo Governo, o que obrigará à adopção de novas medidas de austeridade em 2012." Isto em virtude da recessão que afectará o país em virtude do Orçamento e PECs no próximo ano e no ano de 2012, eliminando as positivas previsões de evolução do PIB feitas pelo governo.
Poderá dizer-se que esta é uma visão pressionada pela Alemanha e pelos bancos dos "mercados financeiros" para reduzir ainda mais o acesso ao crédito para a economia. Sem dúvida. Mas esta tendência decorre da política de exclusivo ataque ao déficite em que estão tão empenhados Governo e PSD, isto é a entrada em recessão e na espiral de novos déficites, mais juros não compensada pelo relançºamento da economia...

Segundo o Público de hoje, fazendo a leitura dessa declaração.,"Os juros da dívida serão, aliás, segundo a Comissão, um dos principais factores que dificultarão o equilíbrio das contas públicas. Isso significa que o país entrou num círculo vicioso de aumento do endividamento para financiar o défice que continua a crescer devido aos encargos crescentes com a dívida. Bruxelas refere outros dois factores que tornarão a redução do défice mais difícil: o menor crescimento do PIB e os "ambiciosos planos de despesa" que, tudo indica, se referem à construção do TGV.

O desemprego também vai continuar a subir, para 11,1 por cento no próximo ano e 11,2 por cento em 2012, contra 10,5 por cento este ano e 9,6 por cento no ano passado. Ao invés, tanto a zona euro como a UE já atingiram este ano o pico do número de desempregados, cujo número deverá baixar dos valores de 10,1 e 9,6 por cento previstos para este ano, respectivamente, para 9,6 e 9,1 por cento em 2012".

3. Vamos continuar  esta caminhada para o abismo?  Ou reequacionamos o papel da banca? Ou apostamos no acréscimo de produção, não só para manter exportações necessárias a uma outra relação na balança de pagamentos, mas para alargar o mercado interno sem quebras no poder de compra para a manutenção de actividade do tecido produtivo e a substituição de importações - a mais segura forma de combater os deficites

domingo, 28 de novembro de 2010

O desenho nos Azulejos (Av. Infante Santo)



A perspectiva funcional do azulejo, como arte pública, iniciada nos anos 50 do sec. XX (fonte I. Camões)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Fotografo o que não quero pintar e pinto o que não posso fotografar"


Man Ray (fotógrafo, pintor e anarquista norte-americano, 1890-1976)

Trabalho temporário reduz emprego e produtividade

Estas  são conclusões a extrair do relatório anual da Comissão Europeia sobre o mercado laboral, ontem divulgado a que o Publico hoje se refere. São os efeitos de trinta anos de emprego volátil que tornou a insegurança um estado de vida para toda uma geração, com impacto no seu comportamento individual.
É evidente que o estudo não aponta alternativas mas não pode deixar de referir estes factos.

Posição do Sinn Fein sobre a intervenção do FMI na Irlanda

Considerando que esta intervenção é reveladora do fracasso das políticas capitalistas do Fianna Fáil, de centro-direita no governo e que ela vai criar uma ditadura capitalista sem fachada de democracia, o vice-presidente do Sinn Fein, Fergal Moore, referiu que «a solução dos problemas económicos actuais é a criação de uma nova Irlanda, baseada nos princípios socialistas, com todas as instituições bancárias e financeiras sob controlo social». E que «Só com a destruição do actual sistema baseado na agiotagem, no clientelismo e na demagogia da classe capitalista, será possível a construção de uma Irlanda que valorize realmente todos os seus filhos por igual. Só uma solução socialista será capaz de resolver este problema causado pelo capitalismo».