quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Christian Tetzlaff e as sonatas e partitas para violino a solo, de Bach

Não é frequente assistir a um espectáculo como este.
Por um lado um grande violinista que, ao contrário de outros que entendem dever acrescentar algo à partitura, deixar-lhe a sua marca, para garantir alguma novidade, procura decifrar as intenções originais do compositor e convencer o público, não endeusando o músico em relação à obra.
Por outro lado por se tratar da interpretação do Integral das Sonatas e Partitas para Violino de Bach (1720) a solo, peças de grande dificuldade técnica que confere ao violino um carácter autónomo sem apoio de outros suportes harmónicos paralelos como o cravo ou as formações de cordas. E que um dos maiores violinistas (talvez Pisendel) terá confidenciado a Bach "nada mais ter houvido de tão adequado para a aprendizagem de um bom violinista; nada de melhor que pudesse aconsaelhar a alguém ansioso poor aprender, que os referidos solos para violino sem baixo".
O grande Auditório da Gulbenkian ontem estava cheio, de pessoas e de entusiasmo

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve Geral é um êxito de luta e de coragem

Os dados a meio do dia transmitidos pelo movimento sindical, a atitude de aceitação, apesar das consequências, de muitos utentes de serviços encerrados, configuram um êxito da luta de hoje.
Para aqueles que julgam este êxito apenas pela suspensão das medidas que têm vindo a ser tomadas contra os trabalhadores e a população em geral, importa que saibam (eles sabem mas não o dizem...) que aos executantes desta política foi dado um cartão vermelho muito forte, que muita gente venceu o medo a que também ajuda uma crescente precarização do emprego, que ganharam consciência para uma participação mais activa para a alternativa

Atenção ao risco de confronto no Mar Amarelo, envolvendo as duas Coreias e os EUA!

Recordemos que na Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, morreram 3,5 milhões de pessoas. Dum lado a Coreia do Norte, do outro a Coreia do Sul e os EUA.
Os acontecimentos que rodearam os exercícios navais da Coreia do Sul a 12km da costa da Coreia do Norte, de há dois dias são graves e têm antecedentes. Têm por detrás mais de meio século de conflitos, provocações e tentativas de as converter numa "retaliação maior" contra a Coreia do Norte.

Silenciando tal facto, há dois dias "o governo sul-coreano reconheceu que estava a realizar exercícios navais na zona, garantindo que os seus tiros foram realizados para ocidente e não para norte, sem ter atingido o país vizinho."
À margem da declaração de Seul, importa sublinhar que a "zona" tem fronteiras entre os dois países que a Coreia do Norte nunca aceitou porque, como muitas outras coisas, a guerra de 1950/53 acabou sem um tratado de paz e, portanto, várias disputas mantêm-se vivas.
Aquilo que um dos países declara ser a sua fronteira com o outro não é reconhecida por ele. E é nesse espaço que o Sul faz exercícios navais como se as coordenadas dos disparos fossem aceites como boas por ambos os países...O mapa ao lado permite verificar a proximidade desta ilha(número 3) de Yeonpyeong (12 km) com a costa da Coreia do Norte, distância bem menor do que a separa da costa da Coreia do Sul. A ilha está preparada para ser um rastilho de iniciativas militares e já o foi em 1999 e 2002.
A Coreia do Norte acusou entretanto a iniciativa de disparos à Coreia do Sul.
No dia a seguir à NATO ter decidido alargar o seu campo de acção a novos horizontes...
A coisa começa a clarificar-se mais...
Duas grandes potências estão particularmente atentas. A China apela a atitudes que reduzam a preocupação com a situação. não apoia nem condena a Coreia do Norte. Os EUA e a troika europeia, sua aliada na NATO (Alemanha, França e Inglaterra), acusam a Coreia do Norte da atitude beligerante, apoiam-na. Os EUA, ontem consideravam "demasiado cedo" mobilizar para uma "resposta" os seus 28 mil homens na Coreia. Hoje já anunciam para domingo novas manobras navais na zona com forças norte-americanas e da Coreia do Sul.
A coisa continua a clarificar-se perigosamente...

Nota final - Sendo altamente improvável que na nossa comunicação social as posições norte-coreanas sejam referidas de forma imparcial, será útil acompanharmos a restante informação com os despachos da respectiva agência  noticiosa.

domingo, 21 de novembro de 2010

Joaquim Gomes, 1917-2010

Decorreu hoje o funeral e a cremação de Joaquim Gomes, um do dirigentes históricos do PCP, que deu toda a sua vida à  luta dos trabalhadores pelos seus direitos, à luta pela democracia e pelo socialismo.
Aos 6 anos já era operário aprendiz da Marinha Grande, onde nasceu em 1917. Participou activamente em lutas dos vidreiros e viria a ser preso na sequência  das acções que conduziram à importante insurreiçãoo no 18 de Janeiro de 1934.
Passou à clandestinidade em 1955, tendo sido três vezes preso. Participou na fuga de Peniche com Álvaro Cunhal e outros dirigentes do Partido.Foi membro do Comité Central do PCP entre 1957 e 1996. E da Comissão Política e Secretariado.
A sua vida está cheia de episódios importantes e de exemplos de heroísmo no quadro da luta colectiva dos comunistas portugueses.
A nossa solidariedade com a sua companheira, Maria da Piedade Gomes

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NATO: não há lugar para falsas expectativas

As expectativas criadas por alguns de que uma NATO em regime de parcerias, for falta de dinheiro dos EUA, iria levar a uma regionalização das suas políticas, ou a uma maior responsabilização dos "parceiros" carecem de crédito. A NATO vai ser uma organização militar, com crescente intervenção noutras áreas, com um comando dos mesmos interesses estratégicos, a que os parceiros se obrigarão para ficarem "protegidos"...
As expectativas de que a NATO retire do Afeganistão está remetida para um limiar muito indefinido. O que se pretende é que a situação se mantenha mas mais apoiada por outros países.
As expectativas quanto a uma consideração diferente para com a Rússia é ilusória. A NATO mantém a aproximação das fronteiras da Rússia, mantém grande investimento de actividades de inteligência em antigos territórios integrantes da URSS, com o objectivo de interferir no papel da Rússia no comércio de petróleo, quer a Rússia no Afeganistão, não para combater o narcotráfico mas para dar apoio militar às tropas afegãs que  "justifique" o terrorismo talibã contra o povo russo. O alinhamento da Rússia em certos compromissos com a NATO seria profundamente negativa e perigosa.
As expectativas de que a NATO deixe de ser o polícia do mundo, como referiram Amado e Sócrates, é um desejo não inocentemente pífio. É óbvio que desta cimeira os EUA, a Inglaterra, a Alemanha e a França querem legitimar a intervenção da aliança em qualquer ponto do mundo e o mapa das próximas prováveis é já bem conhecida.
Só não vê quem não quer.
Na intervenção de abertura, Sócrates foi banal. E mentiu quando disse que transmitia a alegria do povo português com a presença dos participantes neste areópago de guerra.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O argumento do mais forte é sempre o melhor"


La Fontaine (Fables I, 10 - Le loup et l'agneau)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Depois do Afeganistão, o Iémen?

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere declarou ontem que " a situação de segurança na Alemanha se tornou mais séria". E isto em resultado de avisos feitos por um "país parceiro", que o ministro se recusou a identificar perante os jornalistas  Disse que os iindícios seriam "dois pacotes de explosivos", interceptados num envio do Iémen para os EUA, um dos quais via Colónia, na Alemanha"

Estes indícios vêm somar-se a outras alusões feitas ao Iémen nos últimos tempos como sede de um ramo da Al-Qaeda que, tal como a sua casa mãe tem na origem um destacado quadro, Anwar al-Awlaki, que manteve relações com a CIA.
O Primeiro Ministro do Iémen declarou recentemente que este grupo não teve origem no seu país mas tudo indica que os EUA já terão uma agenda própria para tratar desta questão.
Não escapará a niguém que o domínio do Golfo Arábico é relevante para controlar todos os transportes marítimos de diferentes potências, incluindo a China.

Será que uma futura intervenção no Iémen está contemplada no alargamento do conceito estratégico da NATO?
Para mais informação sobre esta questão carregue aqui.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ainda a cimeira da NATO

Alguns dos defensores incondicionais da NATO querem iludir questões fundamentais com alguns paliativos duvidosos.
O novo conceito estratégico, elaborado por Madeleine Albright e aprovado pelo Secretário-Geral da NATO, decorre de alterações na cena internacional como as derrapagens dos EUA, um enorme novo papel das "economias emergentes",  reconstituição de organizações regionais, e novos e recauchutados terrorismos. Mas a NATO adopta a atitude de tutelar forças regionais mais que deixar para essas instituições regionais a tutela da NATO. Quer mais forças e meios mas manter o comando centralizados nas mãos dos EUA, Inglaterra e Alemanha. Quer legitimar nesta cimeira a sua intervenção em cenários de guerra que crie ou envolver-se noutros.
A Rússia poderá aceitar nos países da NATO uma modalidade de escudo anti-míssil mas que não comprometa os meios que detém de dissuasão nuclear. E não aceita que a NATO identifique como novo inimigo o Irão.  Por outro lado os últimos anos têm sido de revoluções "coloridas", apoiadas pelo EUA no leste europeu, atracção desses países para a NATO para fazer encostar esta à Rússia. Colocando a Rússia de pé atrás quanto às intenções de acordos com a NATO.
O invocado fim da Guerra Fria é um mito. Com configurações actualizadas os "outros" nessa guerra não são hoje Cuba, Irão, Síria, Coreia do Norte, Myanmar, Venezuela, Bolívia, etc? Quanto ao desejo expresso por alguns dos nossos governantes de que a NATO deixe de ser o polícia do mundo, a ver vamos. Até hoje não o deixou de ser.
Um dos actuais membros da NATO é a Turquia. Tal como a Rússia não quer ver identificados "novos inimigos" que iria comprometer a credibilidade que a Turquia diz procurar ter no conjunto dos países islâmicos. E quer controlar o escudo anti-míssil que lhe venha a ser instalado no seu território.
A NATO foi derrotada no Afeganistão. Mas vai deixar muitas dezenas de milhares de operacionais neste país e no Iraque. Que quererá ver apoiados por efectivos e meios de outros paísess da NATO.

Portanto, os consensos poderão não chegar a ser tão plenos como se quer. E mesmo que alguns sejam, muitos países não participarão neles e continuarão a vêr as suas matérias-primas pilhadas, as ingerências externas serem aumentadas e muitos direitos humanos negados.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Que quer Merkl da União Europeia?

A chanceler alemã Angela Merkl tem nas últimas semanas produzido declarações de exigência a membros da UE,  de efeitos aparentemente contraditórios.
Nestas atyiytudfes tem sido acompanhada por Sarkozy.
Por um lado, chamando a atenção para a necessidade de um euro forte para a sobrevivência da própria União Europeia. Mas, por outro, tergiversando sobre os apoios a alguns países, lançando ameaças contra quem não cumpra os objectivos dos deficites orçamentais e ameaçando esses de perderem direitos enquanto seus membros.
Este tipo de declarações dão "argumentos" aos "mercados financeiros" (isto é, a grandes bancos alemães e franceses...) para especularem com os juros praticados em relação a alguns deles que, fazem entrar nesta espiral dos "aflitos" novos países, como a Itália.
Que quer, pois a Alemanha? Parece que reduzir o âmbito da União Europeia aos países mais ricos, depois de ter dado cabo da capacidade produtiva própria desses países, de lhes ter conquistado os respectivos mercados e de eles não verem como vai ser depois das ajudas acabarem...Mas tornam-se ameaça para o euro as falências da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, que, separados uns dos outros enfrentam as condições de Bruxelas e dos mercados,, que com situações e problemas diferentes enfrentam os mesmos riscos.
A UE caminha para o fim ou vai consagrar ainda mais o afastamento das velocidades dos seus membros? O que fica claro já é que Barroso e as duas novas figuras liderantes da UE não falam pela Europa . Quem o faz é Merkl...E Merkl lá foi dizendo que "se o euro falhar, a Europa falhará".
Esta entrada para a então CEE já foi muito má devido ao impacto que teve na sua produção própria. O que se perspectiva é ainda pior.

domingo, 14 de novembro de 2010

A dança das cadeiras

Mais uma fase da hipocrisia está em curso há alguns dias, depois da já passada guerra de alecrim e manjerona do OE.
Que governo nos deve governar com efeitos positivos para a saída da crise?
Ele é um governo com todos os partidos representados na AR. Mas também, pode ser do "arco constitucional" (nome em tempos atribuído a coligações PS/PSD/CDS) ou só do centrão PS/PSD.
Notável é que se discuta já se é com ou sem  Sócrates. Mas que tem que ser já, tem. Com ministros dos PS a disponiblilizarem cadeiras para personalidades de partidos da direita.
Mas será que estas cabecinhas ainda não deram pelo esgotamento destas fórmulas? Que iriam fazer de novo uns ou outros com mais este ou aquele à mistura ?
Ná, o brainstorming saiu pífio.
Têm que ir todos para uma acção de formação para se convencerem que o problema não é de caras, nem do fatinho. É de política. E que as caras e os fatinhos vêm em segundo lugar.
O PS, o PSD e o CDS, tanto quanto os conhecemos até agora, esgotaram as fórmulas, decalcaram-se uns aos outros, não acrescentam valor nem idéias.

Contra o medo e pela Paz todos à rua dia 20

Numa altura em, que a NATO já devia estar extinta, cessada que foi a invocada razão para sua existência no quadro da guerra fria, os EUA procuram, com o apoio dos seus principais aliados europeus, criar as condições institucionais para uma outra forma de sair da crise, de todo condenável: envolver os outros países da aliança na ameaça e uso da força militar para garantir a continuidade e novas explorações de recursos, o controlo dos mercados, o domínio de várias zonas do mundo e o desrespeito das soberanias nacionais bem, como o garantir dos meios para aumentar novos armamentos, o número de bases militares e o estacionamento de exércitos permane«ntes num conjunto mais vasto de áreas, articulados com mercenários recrutados pela aliança.
Para os que confrontados com esta realidade nos dizem estarmos possuídos pela "teoria da conspiração", sugiro alguma leitura sobre a construção de impérios em épocas mais ou menos passadas.
Pela sua parte, o governo português já assegurou na proposta de OE para 2011 um aumento das dotações para intervenções de tropa portuguesa noutros cenários, enquanto nele reduzem as verbas, em termos globais, para a população beneficiar de outras condições de segurança no seu dia-a-dia, por aqui.
Em estreita articulação com os sistemas de informação do governo, a generalidade dos órgãos de comunicação social associam a manifestação de protesto pacífica a actos de vandalismo (imagens de outros países de grupos exteriores às manifestações, rearmamento das forças policiais, treinos  destas para defrontarem manifestações).
O novo conceito estratégico da NATO vai estar  no centro das atenções. É uma autêntica declaração de guerra aos povos do mundo. A "legalização" da intervenção em várias zonas e a simplificação dos "pretextos" para elas se darem com novos actos criminosos e a proliferação de armas nucleares por países da Aliança.,
A agressão que mais rapidamente se perfilam são contra o Irão e a Síria, como apoio de Israel.
Mas os EUA estão dificuldades com esse novo conceito estratégico entre os já membros da aliança para não falar já dos casos da Turquia e Rússia, candidatos. Entres eles o novo escudo anti míssil a implantar nos países da aliança há sérios problemas de concepção (sendo considerado como defesa é um sistema que visa anular a capacidade de reacção a um ataque de mísseis , sendo  de facto, um instrumento de ataque contra os que ficam desprotegidos).

Independentemente das contradições de alguns dos parceiros desta discussão a opinião pública deve dar um sinal da sua força, até para contrariar o medo que estão a fazer recair sobre os potenciais manifestantes.
DIA 20, TODOS À RUA CONTRA A CIMEIRA DA NATO!

sábado, 13 de novembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A realidade é uma ilusão provocada pela falta de álcool"


personagem do filme “Isto é o amor” de Matthias Glasner (Alemanha, 2009)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Eleições em Mianmar

Obama, que levou para o seu périplo no Sudeste Asiático, o objectivo de conseguir o isolamento de Mianmar (antiga Birmânia), com as actuais eleições a decorrer e que ele decidiu não considerar democráticas, parece ter fracassado.
A maioria dos países não aceitaram ingerências internas, como os EUA e a Inglaterra realizaram neste período de forma descarada. Optaram por considerar positiva a realização destas eleições e esperar que elas permitam uma maior abertura do regime.
O PSDU, com manifestas simpatias pelo militares que ocupavam o poder, terá obtido cerca de 80% dos votos, contra os restantes partidos, com destaque para a FDN, o maior deles que se afastou das posições radicais de Aung San Suun Kyi, à beira de ver terminado o período de prisão domiciliar, em que tem estado e que o poder actual tinha confirmado em libertar depois das eleições (próximo dia 13) quando atingido o limite da pena que sofrera.
A FDN e um outro partido reconheceram a derrota.
O LND que ainda se revê em Aung Kyi, tentou boicotar as eleições. Ao mesmo tempo que assim procediam, a guerrilha autonómica da União Nacional Karen desencadeou acções militares. Ontem centenas de guerrilheiros seus atacaram forças regulares do Exército de Mianmar, com elevado número de baixas de ambos os lados e para a população civil que fugiu da zona de TPP para a Tailândia, tendo este país proposto o regresso dos cerca de 10 mil aldeões a Mianmar.
As fontes de informação próprias de Mianmar estão bloqueadas pelas agências internacionais que se têm limitado a espalhar a interpretação de Washington, e uma imagem  de Aung San Suu Kyi que já não corresponde à relidade de há anos atrás. Os seus apoiantes dividiram-se com o seu radicalismo e carácter impositivo e os habitantes não lhe perdoaram o apoio às sanções que os afectaram a eles e não ao regime.

domingo, 7 de novembro de 2010

A actualidade de um escrito de Guerra Junqueiro, de 1896

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,

fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,

aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,

sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,

pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;

um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde

está, nem para onde vai;

um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,

e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que

 um lampejo misterioso da alma nacional,

reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,

não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,

sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,

descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,

capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,

da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam,

entre a indiferença geral,

escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;

este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,

tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,

torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,

incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido,

análogos nas palavras, idênticos nos actos,

 iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,

e não se malgando e fundindo, apesar disso,

pela razão que alguém deu no parlamento

 de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

"Pátria", Guerra Junqueiro, 1896.

Os berros e esgares do Público

A reportagem do Publico de hoje sobre a visita de Hu Jintao é azeda. Referindo-se aos cerca de trezentos cidadãos chineses, que vivem e trabalham em Lisboa, ali presentes por convite da Associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chineses, que saudavam o presidente chinês, a jornalista diz "E por segundos há berros como se o líder ...da China fosse uma estrela rock", e sobre Hu Jintao e a mulher refere "O casal presidencial está solene, especado em frente à pedra (túmulo de Camões), apenas uns esgares rápidos da senhora Liu".


Falando de uma outra manifestação crítica à visita que refere ter trinta pessoas já os berros e os esgares não são referidos. Tão só o lamento de não lhe terem deixado aproximar-de Hu . A repórter quando Obama vier à cimeira da NATO em, Lisboa, fará o mesmo se tal proximidade também não fôr permitida a um grupo de amigos de Cuba reivindicando a libertação dos cinco presos políticos cubanos que há mais de 12 anos estão detidos nos EUA?

O que acham?

sábado, 6 de novembro de 2010

Hu Jintao em Portugal

A chegada de Hu Jintao a Portugal vai desenvolver as relações entre os dois países, numa perspectiva que, não apenas por razões conjunturais, interessa ao nosso país.
Depois de a UE se ter revelado incapaz para interferir na agiotagem bancária, o BCE continua a financiar os agiotas a juros insignificantes que, depois, são multiplicados entre 4 a 5 vezes quando emprestados a empresas e aos Estados, e não reage perante a desvalorização do dólar anunciadas nos últimos dias para ser desencadeada em 2011 pelos EUA, com prejuízo para as empresas europeias.
É do interesse político e comercial da China comprar a dívida portuguesa associando-lhe a entrada no capital do BCP para melhorar posições em África e cá, na plataforma logística do porto de Sines nas vésperas da duplicação da largura do Canal do Panamá para maior capacidade de atravessamento de navios contentores. A China quer importar vinho  português e os acordos que irão ser amanhã assinados poderão ter outros interesses para Portugal, na linha de negócios anteriores  com investimentos na China da Cimpor, da farmacêutica Ovione e da Airemármores na exploração do calcáreo.
A China entra em termos significativos na Europa e defende-se da desvalorização futura do dólar, aplicando os dólares que tem.
São os mercados capitalistas a funcionar entre os EUA, a UE e a China, e não é o agitar de alguns velhos temas anti-chineses que os irão deter.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Há mais filosofia numa garrafa de vinho que em todos os livros"


Louis Pasteur (cientista, 1822-1895)

domingo, 31 de outubro de 2010

Recomeçar

Tal como noutros países a crise financeira internacional levou a que o estado português injectasse liquidez nos bancos portugueses, incluindo a que desapareceu no buraco fundo do BPN. Quem pagou? Nós todos. Quem usufruiu? Os do costume.
Em Portugal as consequências foram mais graves. Por deliberada política dos grupos dominantes de há 34 anos a esta parte, particularmente depois da entrada para o Mercado Comum, a indústria, a agricultura e a pesca foram vítimas de uma premeditada morte lenta, até com incentivos "europeus" para o efeito. Os fundos europeus tiveram escasso efeito na adaptação da economia a uma situação de invasão do nosso mercado e de acrescidas dificuldades na concorrência em mercados externos.
Quem ignora isto nas análises conjunturais, na recuperação para a ribalta dos antigos e novos responsáveis de tais orientações, nas "inevitabilidades" actuais para as aprofundar, presta um péssimo serviço ao país. E ainda "nos" (excepção feita aos "eles") enxameia de moscas que nos querem obrigar a fazer uma vida mais modesta, com argumentos e até receituários práticos...

A fusão do capital monopolista e financeiro do século passado, continuou nas últimas décadas na financiarização da economia e os bancos estão entre os grandes responsáveis pela degenerescência do seu papel essencial que deveria ser o apoio à economia. Isso está cada vez mais longe dos seus horizontes. Optaram pelo ganho rápido e os empréstimos-garrote, só parcialmente transformado em liquidez, para habitação e consumo, que se tornou a grande parte da sua actividade.
Quando o sr. Ricardo Salgado ou o Sr. Fernando Ulrich hoje nos dão tantos palpites, apetece esfregar-lhes a cara com a propaganda dos "seus" bancos desse tipo de crédito, agressiva e enganosa, que faziam há cinco anos atrás e contribuíram para os edge funds que originaram a crise financeira em que cooperaram com a banca norte-americana. Os que pagaram estas opções aventureiras foram mais uma vez os mesmos.
E à sra. Merkl apetece fazer o mesmo quando na zona euro foi a principal promotora do crédito fácil para depois vir exigir que países como Portugal sejam mais castigados financeiramente e mais afectados na quase nula margem de soberania que ainda lhes resta por causa do deficite que poria o euro instável.
Governantes e banqueiros que cooperaram, neste vasto período .nestes esquemas já deviam ter ido andando há muito. Mas agora juntam-se para caucionar previamente acordos na Assembleia da República entre o PS e PSD que vão ter sérias consequências negativas para os portugueses e para a economia.

Mais uma vez a UE andou mal. No rescaldo da primeira fase da crise o BCE continuou a fornecer liquidez barata aos operadores dos mercados, a quem os países e empresas o vão buscar entre 2 e 7 vezes mais caros,sujeitando-se a juros definidos pelos próprios agiotas.
Para que os mercados financeiros acentuem o seu carácter antidemocrático, em vez de agências de notação validadas e participadas pelos próprios visados, as agências de rating existente, no fundamental norte-americanas, vão dando indicações de risco para empréstimos, que limitam o acesso ao crédito dos países mais debilitados.

Passos Coelho é mais novo de idade mas todas estas opções erradas e injustas são a espinha dorsal do seu desempenho. Para além daquela frase preocupante de "não haver direitos adquiridos"...Ele, Sócrates e Cavaco, bem como o Soares, Carreira, o Silva mais o Lopes, mais não sei quantos instalados e comentadores à la carte são o passado. São incapazes de se associarem a políticas de recuperação do país. Mas há um país que continuará depois deles.

É preciso cuidar da economia para que ela cumpra os interesses da generalidade dos portugueses, e como forma real de reduzir os déficites. Isso implica apostar no trabalho dos trabalhadores e de muitos outros profissionais, de valorizar as suas condições de vida e de participação efectiva na condução da economia e do país.
Portugal tem condições para vencer mas precisa de novas políticas, realmente de esquerda, e de outras pessoas a realizá-las, de forma honesta. Não precisa seguramente de mais do mesmo que nos tem levado à recessão, ao empobrecimento colectivo, ao recuo de direitos ganhos no decorrer da história, à corrupção das camadas dirigentes, com reflexos em valores de terceiros, e ao afastamento dos portugueses da política para dar lugar a mais espaço aos poderes transnacionais, europeus e mundiais, à margem e copntra a democracia, que  faz o seu percurso, enquanto ressoam os tambores da guerra.

sábado, 30 de outubro de 2010

La Musette

Nos inícios do século XIX o povo de Auvergne, em França, trouxe para Paris os seus instrumentos populares e a tradição da Musette, correndo restaurantes com bandas de acordeões. Os italianos chegaram depois, com instrumentos equivalentes por eles manufacturados. Os belgas juntaram-lhe depois a guitarra. Outros povos mais pobres aí che...garam com o acordeão para melhorarem um pouco o seu rendimento familiar, percorrendo bares e restaurantes.

A idade de oiro da Musette foi a da Frente Popular até à ocupação alemã. Paris tinha então cerca de trezentos bares onde se dançavam valsas e mazurkas, polcas e o tango...A libertação deu-lhe nova força. Entre os seus intérpretes contam-se Émile Vacher, criador do género e primeiro manipulador dos botões de acordeão, ou o virtuoso Gus Viseeur, Tony Murena.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

As coisas são o único sentido oculto das coisas"


Alberto Caeiro (O Guardador de Rebanhos, 1925)



Marcelino Camacho

Faleceu nesta madrugada Marcelino Camacho, o dirigente histórico das Comissiones Obreras, que foi forjada nas suas mãos e das de muitos outros activistas sindicais na clandestinidade, em Espanha.
Militante do PCE desde 1935, a sua vida foi um exemplo de coerência num combate pela liberdade, pelo socialismo e pelo ideal comunista.
Fresador, oriundo de uma família de ferroviários, participou na Guerra Civil como técnico de transmissões do exército republicano na frente de combate.
Foram anos e anos que passou em campos de concentração, cadeias, muitas vezes doente.
A pressão interna e internacional haveriam de levar à sua libertação em 1976, depois de múltiplas acções clandestinas e semi-clandestinos, com largo apoio na sua empresa.
Para Josefa, sua companheira e restantes familiares, e para os comunistas espanhóis os nossos sentimentos de combate.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Declaração de Paulo Varela Gomes

Conheci o Paulo antes do 25 de Abril como a sua família que foi de entrega generosa
à conquista da liberdade, ao objectivo de projectar a democracia conquistada, realizando um percurso para um socialismo que teríamos de construir , não com base em modelos alheios mas com a nossa experiência e com as nossas gentes.
O capital falou mais forte, Mário Soares e o PS, deram as mãos a Carlucci e, com a direita atrás, quiseram derrotar a utopia.
As mulheres e os homens bons sofreram muito mas não pararam de lutar e passaram a novas gerações a fibra, o carácter, a utopia.
Paulo é um desses homens bons.
Na sua Declaração aqui transcrita percebe-se a condição dos que tendo valor, recusam os caminhos pouco claros de honrarias e prebendas. Não estarei de acordo com uma ou outra coisa mas é uma pedrada no charco.
Licenciado em história pela Universidade Clássica de Lisboa (1978), mestre em história da arte pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado em história da arquitectura pela Universidade de Coimbra (1999). Docente do DARQ desde 1991, professor convidado do Dep. Autónomo de Arquitectura da Universidade do Minho desde 2001, docente convidado de outras universidades portuguesas e estrangeiras. A principal área de investigação e publicação tem sido a história da arquitectura e da cultura arquitectónica portuguesa dos séculos XVII e XVIII.


DECLARAÇÃO


As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.


O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador. Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:


Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.
Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.


Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.


Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por
pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.


Deste modo, declaro:


1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;

2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;


3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.


Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Baile mandado

PS, PSD e PR alternam-se nesta telenovela grotesca de umas supostas negociações para meter ou tirar mais uns pós do que há muito está acordado entre eles.

E transforma-se na grande "notícia", dias a fio até ao enjoo.
Para o PR era ideal que o tal "acordo", que tanto apoiou, fosse anunciado hoje, para amanhã, no anúncio da c...candidatura, ser mimado por tal proeza.

Bem pouco contam, porém estes actores secundários, a quem o "ponto" dos poderes fácticos a toda a hora dá dicas. Ele é a banca, eles são os organismos internacionais, ele é o Barroso que receia perder o emprego, eles são os comentaristas encartados pelo "regime".

Sobre o que decorre do mau orçamento que todos estão cozinhando só algumas notícias e comentários se lhe referem.
Dia 6 e dia 24 lá estaremos a fazer sentir a indignação dos que não entram neste "baile mandado".

sábado, 23 de outubro de 2010

Criada agência noticiosa latino-americana

Nove agências  latino-americanas de notícias decidiram, esta semana, reunir-se numa associação para construir um espaço colectivo de intercâmbio de conteúdos, experiências e formação profissional, de modo a facilitar a inserção de uma visão regional própria na agenda informativa global.

Segundo comunicado das instituições que a formaram, a União Latino-Americana de Agências de Notícias integrará conteúdos jornalísticos, com coordenação de coberturas e intercâmbios profissionais.
Integram a nova associação as agências públicas da Bolívia (ABI), Guatemala (AGN), do Equador (Andes), da Venezuela (AVN), do Brasil (EBC), Paraguai (IPP), México (Notimex), de Cuba (Prensa Latina) e da Argentina (Telam).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Encontrada na Colômbia, a maior vala comum da América Latina,corre o risco de ser eliminada pelas autoridades

Segundo o jornal Pravda, do passado dia 17, foi recentemente descoberta, na Colômbia, a maior vala comum da história contemporânea do continente latino-americano, horrenda descoberta que foi quase totalmente oculta pelos meios de comunicação na Colômbia e no mundo. A vala comum contém os restos de pelo menos 2.000 pessoas e está em La Macarena, departamento de Meta. Desde 2005, o Exército, espalhado pela zona, enterrou ali milhares de pessoas, sepultadas sem nome. Transcrevemos o que o Pravda refere.

A população da região, alertada pelas infiltrações putrefatas dos cadáveres na água potável, e afectada pelos desaparecimentos, já havia denunciado a existência da vala em várias ocasiões ao longo de 2009. Em vão, pois a não se realizaram as investigações. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos, que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em Dezembro de 2009, que se conseguiu trazer à luz este horrendo crime perpetrado pelos agentes militares de um Estado que lhes garantia impunidade.

Trata-se da maior vala comum do continente. Dois mil corpos numa vala comum é um assunto grave para o Estado colombiano, mas sua comuncação social e a mundial, cúmplices do genocídio, se encarregaram de mantê-lo quase totalmente em silêncio, quando para encontrar uma atrocidade parecida é preciso remontar às valas nazistas. Este silêncio midiático está sem dúvida vinculado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali se realizam à custa dos massacres.

A Comissão Asturiana de Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em Janeiro de 2010 (menos de um mês depois da descoberta da vala), perguntou às autoridades sobre o caso. As respostas foram preocupantes: na investigação, na procuradoria, no Ministério do Interior, na ONU, todos se tentam esquivar do assunto. E  tratam de “operar” a vala para lhe retirar importância, mas a delegação britânica constatou-a, e as próprias autoridades reconheceram a existência de pelo menos 2.000 cadáveres. Em Dezembro, “o Presidente da Câmara, aliado do governo,  também o denunciou, mas depois, as pressões oficiais tendem a fazer “diminuir suas apreciações sobre o número de corpos”.

A Delegação Asturiana denunciou a ostensiva vontade de alterar a cena do crime: “ninguém está a proteger o lugar. Ninguém está a impedir que se possam alterar as provas.Um trator pode entrar e voltar a misturar os cadáveres anónimos, a tirá-los e levá-los para outro lugar”. “Solicitamos às instituições responsáveis do Governo e do Estado colombiano que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registradas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias com a finalidade de assegurar o perímetro para prevenir a modificação da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório que ali se encontra (…) É fundamental a criação de um Centro de Identificação Forense em La Macarena com a finalidade de conseguir a individualização e plena identificação dos cadáveres ali sepultados”.

A Delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades invocaram desconhecimento, e alegaram incapacidade operativa.“Há tantas valas comuns no nosso país que…”. Trata-se do município de Argelia em Cauca: “Um ‘matadouro’ de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos de seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram entrar novamente em suas comunidades: deslocando os sobreviventes”. As vítimas sobreviventes relataram: que“havia pessoas amarradas sobre as quais eram lançados cachorros esfomeados para que os assassinassem pouco a pouco”.

Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado colombiano, combinada com a ação de policias e militares, foi o instrumento de expansão de latifúndios. O Estado colombiano desapareceu com mais de 50.000 pessoas através de seus aparelhos assumidos (policiais, militares) e do seu aparelho escondido da  Estratégia Paramilitar. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra classista contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar se inscreve nessa lógica econômica.


A ocultação de uma vala comum das dimensões da da vala de La Macarena  inscreve-se no contexto de que os negócios de multinacionais e oligarquias se baseiam nesse horror, e em que esta vala foi produto de assassinatos diretamente perpetrados pelo Exército nacional da Colômbia, o que prova ainda mais o carácter genocida do Estado colombiano no seu conjunto (para além do seu anterior presidente Uribe, cujos negócios e vínculos com o narcotráfico e os paramilitares estão mais do que comprovados).

A cumplicidade da grande imprensa é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Os povos devem romper o silêncio com que se pretende ocultar o genocídio. Urge solidariedade internacional: a Colômbia é, sem dúvida, um dos lugares do planeta no qual o horror do capitalismo se plasma da forma mais evidente, em seu paroxismo mais absoluto.

E é a Colômbia, mesmo com os actuais dirigentes, que é a grande base militar dos EUA, e seu maior aliado.

Quadras do Cancioneiro do Ribatejo, de Alves Redol

De Samora Correia
Se me vires de pau e manta,
não cuides que sou pastor:
sou da vida de Samora,
das Lezírias guardador.

O meu amor disse à mãe
que me havia de deixar.
Agora deixo-o eu;
tome lá, váa-se gabar

De Benavente

Não m'importo ser soldado,
contanto que o batalhão
traga sempre na bandeira
bordado o teu coração

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A União Europeia vai tirando Coelhos da Cartola


A UE foi acusada de não ter feito nada para impedir a propagação da crise de origem norte-americana na zona euro.
Foi acusada  de estar a passar dinheiro à banca dos mercados financeiros (que não são uma entidade abstracta) a juros baixos que depois são inflaccionados quando ela o empresta aos Estados e iniciativa privada.
Foi acusada de aceitar impávida a actuação de agências de rating que ainda menos que a UE carecem de qualquer legitimidade democrática para interferirem nas condições de vida de cada país.

Que faz então a UE?
Manda Barroso intervir fartas vezes no tabu do PS e PSD sobre o Orçamento numa ingerência inusitada e vergonhosa
Aguarda uma proposta da Comissão para  criar novos recursos orçamentais próprios para acabar com, as contribuições nacionais. Comissão essa que delicodocemente vai dizendo que esses novos recursos não poderão penalizar fiscalmente ainda mais os cidadãos. E que recursos poderão ser?
Taxas sobre as transacções de direitos de emissão de gases  que contribuam para o efeito de estufa.
De um imposto sobre os transportes aéreos ou sobre a energia.
De um IVA ou de um IRC europeu.
Não agravam a carga fiscal em termos de percentagem, mas vão ser os consumidores que, ao fim e ao cabo, acabarão por pagar. Como despudoradamente vão dizendo alguns gestores nacionais dos aumentos de IRC previstos para o Orçamento.
Em matéria de especulação dos mercados financeiros, os ministros dos 27 limitaram-se a um titubeante acordo quanto a detalhes de um um futuro novo quadro de regulação e supervisão dos edge funds (fundos "alternativos" de forte carácter especulativo. Nada mais.
Com tal gente e tais políticas só nos vão continuar a cair em cima piores dias. E ainda teremos que suportar os rallies de Barroso para não perder o emprego.

A queda de Obama


Há meses que se espera a derrota do Partido Democrático nas eleições intercalares de 2 de Novembro.
A maioria dos norte-americanos percepcionam que as suas condições económicas estão a degradar-se. Segundo sondagem da AP um quarto dos que votaram em Obama votarão agora no partido republicano e 63e% dos que esperavam mudanças com Obama já não acredita que elas se realizarão.
A campanha que Obama está a fazer está a tentar essencialmente evitar que os eleitores democratas não vão ás urnas.
Quando da sua eleição como Presidente, as esperanças de um largo espectro social e político soltaram-se. Seria então desproporcionado, talvez, aqueles que conheciam Obama terem deitado baldes de gelo sobre essas esperanças.
Qualquer um de nós foi lendo nos jornais os graves compromissos e mal feitorias em que Obama se foi atolando.
Infelizmente para os norte-americanos e para o mundo, dia após dia, as decepções foram-se somando e tornaram-se irreversíveis. Obama vai ter o fim dos seus antecessores e perdeu credibilidade o capital de crítica que tinha em relação a eles. Se alguém hoje lhe dá crédito é para paradigmas bem contrários aos da vitória de 2008. Estou a pensar em Mário Soares, que continua a gostar de o citar, mas não só.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

França nesta 3ª f: Três milhões e meio de pessoas na rua

As manifestações de hoje em França estão a ter uma adesão semelhante à de uma semana.
Realizadas nas vésperas da decisão parlamentar sobre a passagem da idade da reforma de 60 para 62 anos, as manifestações em Paris (duas confluindo) e em dezenas de cidades francesas estão a revelar grande pujança. Sarkozy não quer ceder mas a França está contra ele.
     em Lille

Mais uma vez provocadores (infiltrados pelo poder) fizeram ontem destruições. E as televisões foram generosas em passar imagens delas, associando-as a  bandeiras da cgt.

domingo, 17 de outubro de 2010

O que eles dizem, Baptista Bastos

Na mesma ocasião em que Pedro Passos Coelho se reunia com vistoso grupo de economistas, uma das televisões quis saber o que pensam os portugueses da actual situação.

Uns murmuraram a sua atroz ignorância, outros a sua melancólica indiferença. Até que uma mulher de idade avançada, com a desconfiança pregada nos olhos e a sabedoria procedente de todas as agruras, respondeu: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher."
É o sentimento geral. A impotência associada à resignação; seja: o pior que pode acontecer a uma sociedade, abjurante das virtudes do civismo. Não é só o rotativismo de poder, disputado entre, apenas, dois partidos, que causa esta indolência moral. É a péssima qualidade intelectual dos políticos. É a clara evidência de que dividem o "bolo" entre eles, substituindo-se nas administrações, nos bancos, nas grandes empresas, aumentando os vencimentos a seu bel-prazer, auferindo-se bónus e mordomias escandalosos. Vem nos jornais. Nada do que digo ou escrevo é resultado de qualquer rancor: factos são factos.
Pedro Passos Coelho ouviu, daqueles santos sábios, o que queria ouvir. E eles também não queriam ou não sabiam dizer outra coisa. Isto anda tudo ligado, e as relações políticas, entre aparentes adversários, são grandes rábulas, alimentadas pelo embuste e pela mentira. Penso, no entanto, que o presidente do PSD devia escutar vozes dissonantes, opiniões divergentes que permitissem uma análise mais clara e acertada. Claro que não é só Passos Coelho que ouve o que deseja ouvir. Todos os outros dirigentes, Sócrates incluído, e na primeira linha, seguem a música de idêntica mazurca.
Os sábios que se reuniram com Sócrates são muitos daqueles que pertenceram a governos execráveis, culpados de tudo o que de pior nos tem acontecido. Quase todos eles detêm reformas de luxo, duas e três, e atrevem-se a debitar, para as televisões, patrióticas lições salvíficas. Uma vergonha! Um deles, com deficiências de fala e escuma aos cantos da boca, trabalhou seis meses no banco do Estado e recebe uma reforma vitalícia de três mil e seiscentos contos (moeda antiga) pelo denodado esforço desenvolvido. Cito-o com frequência por entender que o cavalheiro é o retrato típico de uma situação abominável.
Quem pode acreditar em gente deste jaez e estilo? Em gente desavergonhada que tem, escancaradas, as televisões, para dizer sempre o mesmo, ou seja: coisa alguma de importante.
Afinal, de que falaram os quase vinte sábios? Com a soberba que os caracteriza, indicaram os mesmos remédios para a superação da crise: cortes nas despesas da saúde, da educação, e da previdência; rebaixamento de salários na função pública; acaso a supressão do décimo terceiro mês; redução nas pensões, aumentos nos medicamentos. É o pacote consuetudinário sugerido por quem, de facto, não dispõe de outras ideias e soluções que não sejam as do breviário neoliberal. A OCDE, considerava "muito credível", veio rezar semelhante litania. E ai de quem a desmonte! É logo considerado comunista ou afim. Um pouco de decência não faria mal.
Observe-se os rostos desta gente. Atente-se no que dizem, prometem, formula. Não conseguem mobilizar ninguém, nem concentrar emoções ou sentimentos, exactamente porque os não possuem. No começo da revolução de Abril, o Governo lançou um alerta e um apelo: Um Dia de Trabalho para a Nação. O País aceitou o pedido e a invocação. E foi um belo momento de unidade nacional, uma acção colectiva de patriotismo e de esperança absolutamente inesquecível. E só a má-fé ou a má consciência podem distorcer o que foi um extraordinário acontecimento político e social.
As frases daquela mulher, na televisão, ressoam como uma tragédia: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher." E a verdade é que o enriquecimento surpreendentemente rápido de muitos deles; a pesporrência arrogante da esmagadora maioria desses senhoritos é mais do que desacreditante: é sórdido.
Os jornais e as revistas, de vez em quando, publicam os nomes, os rendimentos, as casas luxuosas, os iates, os carros topo de gama dos que nos exigem sacrifícios, suor, renúncia, abnegação. Exigem mas não praticam. E, se o fazem, as beliscaduras nas suas fortunas são tão delicadas, tão suaves que eles nem dão por isso. Quando se tira a um reformado o mais escasso dos cêntimos as dificuldades que daí advêm são de tal monta, e as consequências imediatas são terríveis.
Os sábios que foram dizer a Passos Coelho o que este, comovidamente, queria ouvir, não estão ao lado de quem sofre e está na mó de baixo. A indiferença nunca ocultada, a ganância jamais dissimulada, o luxo em tempo algum encoberto (bem pelo contrário) constituem eloquentes testemunhos da casta a que pertencem. Portugal continua a ser, como escreveu João de Barros, "país padrasto e pátria madrasta" - para muitos, bem entendido, e "ridente torrão de malandros" [ Filinto Elísio, "Sátiras"] para os que se ajustam.

sábado, 16 de outubro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O importante não é o que fazem de nós,
mas o que nós próprios fazemos
do que fizeram de nós"


Jean-Paul Sartre
(Saint Genet, comédien et martyr, 1952)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Arte pública, de Alexander Calder (norte-americano, 1898-1976)

          CCB, Lisboa
Montreal, Canada


Supremo manda a Cimpor reintegrar dirigente da CGTP-IN

A dirigente da CGTP-IN Fátima Messias apresentou-se na Cimpor para trabalhar, no dia 4 de Outubro, depois do Supremo Tribunal de Justiça ter confirmado que o seu despedimento não teve justa causa. Fátima Messias, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN e dirigente da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro, tinha sido despedida pela Cimpor em 2005.  como um acto retaliatório pela actividade sindical desenvolvida pela dirigente e como medida destinada a enfraquecer a organização dos trabalhadores daquela empresa por via da intimidação.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

As lições do Equador

O golpe falhado há dias no Equador desapareceu das notícias mas é um elo mais nas cadeias das preocupações dos que receiam uma escalada intervencionista na América  Latina depois do caso das Honduras.
Agora o movimento popular fez conjurar o golpe coisa que nas Honduras não foi possível apesar da grande dinamização. Em ambos os casos os militares golpistas raptaram os presidentes eleitos pelo povo.~e se não tivesse havido também unânime condenação internacional, não se sabe o que poderia ter aconteciodo a ambos. Em ambos os casos os EUA ensaiaram uma atitude cúmplice. No caso das Honduras essa posição evoluiu para uma aparente condenação do golpe mas de facto para arrastar a situação ilegal e consagrar o golpe. Agora começaram, por dizer que se tratava de um "protesto policial"...como se ocupar aeroportos e estações de TV, raptar o presidente pudessem configurar tal coisa.
Um dos erros do governo de Correa foi ter deixado a formação da polícia e da tropa na mão de "especialistas norte-americanos" (leia-se serviços secreto). Curiosamente foi a polícia anti-droga que esteve nas primeiras linhas do golpe. Compreende-se que Chavez e outros presidentes não tenham aceite tal "colaboração" da DEA (o organismo americano de "combate" à droga com uma bem recheada lista de intervenções duvidosas), mesmo correndo com o anátema dos EUA que, por isso, são países que não apoiam a luta internacional contra a droga.
Mas  não foi só esse. Correa foi eleito à esquerda, com forte apoio popular e expectativas. Depois virou à direita e pôs em prática uma política neo-liberal, começando a comprometer o apoio popular.
Há lições a colher.
 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

As muitas caras da CIA

Os EUA dispõem há cerca de vinte e cinco anos, de um organismo - a Fundação Americana para o Desenvolvimento (FAD ou NED, em inglês) - que, tendo como objectivo expresso  "promover a democracia em todo o mundo".... De facto a sua criação foi a forma de Reagan dar a volta nos anos 80 à denúncia sistemática feita pela imprensa de infiltrações da CIA numa vasta série de organizações para a conjura política com meios de outros países com vista a alterações políticas favoráveis aos desígnios dos EUA. Aproveitando o impacto positivo em termos humanitários de muitas organizações não governamentais (ONGs, vários partidos verdes, associações de defesa dos direitos do homem, etc.), a acção privilegiada de intervenção da CIA passou a realizar-se por muitas delas. Com a vantagem adicional de, não sendo as ONGs organismos do Estado, as intervenções ficariam, em princípio, livres do ónus de ingerência estado a estado por se tratarem de organizações da chamada "sociedade civil".
O jornalista Thierry Meyssan, foi um dos que recentemente confirmou alguns factos ao longo dos anos referidos por vários outros autores.
Hoje muitas ONGs constituem um novo tipo de exército com que a inteligência norte-americana passou a poder contar.
Imbuídos de concepções puritanas desde a historicamente recente criação do seu país, muitos americanos assumem como seu dever "exportar a democracia", com concepções e restringindo-se a vertentes com que a administração americana. concorde (não pode incluir direitos dos povos ou dos trabalhadores mas desta pessoa ou daquele grupo, não abriga o fim dos armamentos, a defesa da paz e a não ingerência na vida de outros países, etc.).
A sobrevalorização por muitos norte-americanos fazem do seu "modo de vida" (apenas gozado por uma parte da população), faz escapar-lhe a natureza predadora do imperialismo, das suas forças armadas, dos seus métodos de interrogatório, de como o Estado se entrelaça com o narcotráfico e com o tráfico de armamentos. A imagem que têm do militar norte-americano é a de um anjo irrepreensível e incomodam-se com obras e arte que revelam o contrário. Os objectivos de intervenção ´são entendidos como virtuosos porque os livram do "império do mal".
Na mentalidade de muitos norte americanos e em muitos textos legislativos, a começar pela Constituição, não está clara a "soberania do povo", adquirida por outras civilizações milenares com uma longa história.
O acesso ao poder, a partir do voto individual, está na prática blindado por um complexo emaranhado de instituições e regras. Só o caso da democracia nos EUA daria para muitos congressos, seminários, obras de investigação.

É evidente que não generalizo. Visitei os EUA. Diariamente acedo a outras coisas bem diferentes desta. É um país de uma cultura fervilhante que nos contagiou. Existe um pensamento democrático em muita gente e uma produção marxista, em vários ramos, assinalável. Aí não encontramos as concepções messiânicas de combate ao "império do mal".

Porque a prosa já vai longa não deixaria de referir que as dotações financeiras para a FAD são aprovadas pelo Congresso, independentemente das que são aprovadas para a CIA e são canalizadas para outras quatro ONGs (uma virada para os sindicatos e geridas pela AFL-CIO, outra dirigida para as empresas e gerida pela Câmara do Comércio dos EUA, e outras duas dirigidas directamente para os partidos democrático e republicano, nomeadamente para as relações internacionais de ambos...

sábado, 9 de outubro de 2010

Ameaças? Que ameaças?

Na passada semana, o Departamento de Estado dos EUA declarou urbi et orbi que a Europa estava ameaçada de ataques terroristas de grande escala.
Não parece haver coincidência de pontos de vista com alguns países europeus. A Alemanha, um dos potenciais alvos apontados, declarou não se registar actividade anormal de suspeitos.
Esta fuga para a frente coincide com outra registada ao nível de uma reunião há dias realizada por representantes das agências de segurança norte-americana com homólogos europeus em que estes foram confrontados com a exigência de acesso aos seus computadores, a transferências bancárias e a listagens de passageiros de aviões. Algumas reservas estão a ser colocadas a estas investidas mas  Angela Merkl chegou a não pôr reservas ao projecto, no que foi contrariada por deliberação parlamentar, no seu país, em sentido contrário.
Também no Paquistão se colocam reservas a estas previsões alarmistas, associando-lhes um pendor essencialmente político sem informação nova credível. Desde o 11 de Setembro estão tropas americanas em várias bases afegãs. Se no início da colocação da tropa foi partilhada informação com o Paquistão, base de apoio decisiva para os EUA na região, agora o Tio Sam, não lhe passa cavaco. O que é tanto mais delicado quanto os novos bombardeamentos no Afeganistão feitos com aviões não tripulados e helicópteros atingem dimensões dantescas e estão a ser vistos como verdadeiros assassinatos. Esta inflexão, determinada por Obama, pode ter a ver com as eleições para o Congresso dos EUA, em meados do próximo mês, onde se espera uma vitória republicana...

Em Lisboa, no dia dos tais avisos, as várias televisões não recolheram comentários do Governo nem de responsáveis de segurança, mas do Prof. José Manuel Morais Anes, que preside ao Observatório para a Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCT). Entidade esta que não é do Estado, identifica-se como "organização da sociedade civil", anda a procurar ser reconhecida como instituição de utilidade pública  para estabelecer protocolos com Universidade para, é claro, proceder ao leccionar de terrorismos e outros casos insólitos para além de umas conferências sponsorizadas por algumas ONGs e instituições internacionais que dispõem de sacos azuis para estes e outros efeitos. Para isso contribuirá a formação seu presidente de que se destaca a antropologia das religiões, novos movimentos religiosos, ameaças do islamismo radical em África,exoterismos, maçonarias (já foi do Grande Oriente e estará na Loja Regular...).
Nos corpos gerentes deste Observatório (quem lhes dá os elementos para observar?) estão e estiveram personagens e militares da área do PS, PSD e CDS. Ah!... e quem a criou em 2005 foi Rui .
Pereira, actual Ministro da Administração Interna.
E esta, hem?

Sobre a revisão constitucional

Com a entrega na AR de uma proposta de revisão constitucional ficou aberto o processo de revisão.
Os deputados de todas as bancadas para participarem necessitam de apresentar também propostas.
Apesar da actual legislatura ter poderes de revisão constitucional se o quiserem os grupos parlamentares, o processo nesta conjuntura tem sido, em geral criticado, por razões de oportunidade política.
Porém há ainda outras razões, substanciais, para o recear devido à dinâmica que tem associada da afirmação de nova direcção do PSD de querer disputar ao PS a liderança nas mal feitorias, também por essa via.
O PS tem assim a responsabilidade de deixar ou não passar as desfigurações de direita que convergem, aliás, com aspectos da sua política no governo.

Qualquer observador minimamente objectivo, reconhecerá que o essencial de anteriores revisões constitucionais, envolvidas num grande dramatismo verbal, não correspondeu a necessidades do país e não contribuiu para resolver nenhum problema concreto dos portugueses.

A proposta que o PCP apresentou começa por,em nome da estabilidade constitucional, passar as revisões para 10 e não 5 anos decorridos sobre a anterior.
A proposta contribui, no essencial, para o reforço dos poderes da Assembleia da República face ao Governo e Parlamento Europeu. A isto voltaremos adiante.

Concertos de Arcada Fire e de Shakira em causa devido à reunião da NATO?

Ambos os concertos, previstos para o Pavilhão em, respectivamente,em 21 e 18 do mês de Novembro, correm risco de não se realizarem.
O secretário-geral da Segurança Interna, Mário Mendes, entendeu que ambos os espectáculos põem em causa a segurança da Assembleia da NATO e estão em contacto com os organizadores para que alterem datas. Os organizadores dizem que é possível conciliar as duas coisas e que há precedentes disso, caso contrário terão que pagar indemnizações milionárias.
E esta, hem?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O modo de fazer boa propaganda é
não aparentar
de modo algum estar a fazê-la"


Richard Crossman
(político britânico, 1907-1974)

domingo, 3 de outubro de 2010

Mais uma grande provocação?



Os EUA e o Reino Unido estão a espalhar por todo o mundo a ameaça de que a Al-Qaeda iria provocar uma acção terrorista de larga de escala no espaço europeu, nomeadamente na Inglaterra, França  e Alemanha.
Quem conhece as estórias do terrorismo, feito à medida dos interesses estratégicos norte-americanos e da NATO, não deixa isto de soar a forte provocação que suscite intervenções contra as liberdades públicas, num momento em que os povos do mundo se batem contra as medidas da crise internacional, provocada a partir dos EUA e contra a repulsa pela realização da cimeira da NATO em Lisboa no quadro desses interesses estratégicos.
É hora de atenção, de denúncia e de reforçar ainda mais a repúdio popular contra tais projectos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Tu indes também voltas"
falar algarvio

Para evitar o abismo...


A lista de malfeitorias apresentadas por Sócrates, quanto à redução da despesa são no essencial cortes nos salários e prestações sociais e, quanto ao aumento da receita novos impostos e redução de deduções.
É um círculo infernal, cuja lógica é repetir-se porque não se actua sobre a economia, a produção, o investimento produtivo e o emprego.
A credibilidade que aparece associada a estas medidas seria para ostentar sobre os mercados financeiros internacionais que nos vão chantageando e não face aos que trabalham que deveriam ser o ponto de partida e de chegada da actividade económica.
O medo e a chantagem actuam sobre os que calam mas não consentem reclamando um acto de coragem colectiva.
Venha, pois, a maré alta!

Com a população na rua, o golpe de Estado terá falhado no Equador

Apesar  da declaração do estado de excepção, a população tem vindo para rua apoiar o presidente Rafael Correa.
A tentativa de golpe de estado parece já estar derrotada e não se limitou a uma insubordinação/protesto da Polícia Nacional. Envolveu sectores da Força Aérea a ocupar aeroportos e o impedimento de os deputados se dirigirem ao Partlamento. A Venezuela e a Bolívia associaram a tentativa ao esforço golpista  dos EUA para reverterem a situação política ilegalmente em países com governos de esquerda vapazes de gerar outras políticas de desenvolvimento.
Alçgumas personalidades e organismos de "esquerda" criticam o governo por "ter uma atitude autoritária " cntra sectores populares que terá iludidopolícias e pessoas em benefício da direita."