terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Jorge Sampaio e Carlos Brito


Não foi a primeira nem será a última vez que Jorge Sampaio diz coisas menos acertadas.
Lamentar-se que comunistas (a nossa direcção que fale por ela, eu por mim falo) não estiveram no jantar dos oitenta anos de Carlos Brito é uma reacção sua. Já que somos mal agradecidos e ficaria bem um qualquer gesto de apreço pelo homenageado é entrar num campo sinuoso das exclusões desejadas por Jorge Sampaio.
Jorge Sampaio não se dignou participar em actos e homenagens a outras pessoas da esquerda.
Nem será para mim muito importante nesta questão que Sampaio tenha mandado um funcionário entregar a meu pai a Ordem da Liberdade nas vésperas da sua morte em vez de lá ter ido ele como PR fazê-lo. Jorge Sampaio também não foi às homenagens a outros com projecção obtida pela mediatização das funções. Parecendo-me a mim lamentável que ao fim de todos estes anos, as suas atitudes descambem na defesa do “centrão” (ou arco da governabilidade ou alternância, blá, blá, blá) e em pronunciamentos de cátedra quando já todos o fizeram.
Fê-lo por Carlos Brito ter sido dirigente e militante do PCP e o ter deixado de ser. Porque Brito teve uma confrontação aguda com o PCP. Por poder ter contribuído para diminuir a consideração pelo PCP de alguns sectores.

Carlos Brito teve um percurso de combatente que não é apagável pelas acções que realizou desde que saiu do PCP. Mesmo por quem não gostasse dele por características pessoais. É natural que aos comunistas, mais velhos ou mais jovens, que, no dia a dia, procuram dar de si , o melhor de acordo com as suas possibilidades, para a luta do seu partido, não lhes tenha agradado o comportamento posterior de Brito.
E, portanto, tudo isto é natural e democrático. Anti-natural e anti-democrático seria serem eles obrigados a estar onde não querem.
Eu falo com Carlos Brito quando me cruzo com ele. Não vou a actos em que pressinto que coisas desse género possam estar preparadas. Fui convidado e decidi não ir. Tal como falo com outras pessoas que lá terão estado, que considero e estimo, e de quem, aliás, tenho reproduzido alguns textos de sua autoria aqui no meu blogue. 

8 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Muito bem,camarada António Abreu.
Também falo por mim e concordo com tudo o que escreveste.

Um abraço.

Jose Rodrigues disse...

Muito bem observado.A questão de fundo é outra e Jorge Sampaio sabe bem onde se/nos querem meter.Fizemos Congresso,temos programa e é por aí que vamos.Duvido da genuinidade de certas "homenagens"...

Abraço

Rogério Pereira disse...

Diria mais ou menos isso, se tivesse esse teu nível de relações... :))

vítor dias disse...

Nem mais.

Anónimo disse...

NEM MAIS !
ANDREIA
BJO

Luis Blanch disse...

O António A já nos vem habituando às suas atitudes
que se têm pautado pela objectividade das análises que faz , repudiando qualquer
estreiteza sectária.
Continue. Um abraço do L. Blanch

Margarida Pino disse...

Tenho pensado alguma coisa sobre esta homenagem a Carlos Brito. Digo "alguma coisa" pois todas estas homenagens a ex-camaradas se prestam a muitas interpretações quase todas contra nós (PCP) o que é fácil de deduzir porquê. Que por vezes nos custa a não participação na festa não digo que não. Lutamos juntos muitas vezes e os momentos vividos não se apagam com facilidade. Uma coisa é certa eu não iria. A razão deste-a tu, António, no teu post. Abraços.

Unknown disse...

Eu fui ao jantar e aceitei fazer parte da comissão promotora, deixando claro, desde logo, que o fazia apenas pelo seu corajoso e militante combate contra o fascismo. Quis, desse modo, contribuir para que a memória do fascismo e da Resistência não se apague. Quis homenagear CB, pelo seu passado. Outros companheiros desses difíceis anos deviam, em minha opinião, ter estado lá exactamente pela mesma razão. Mas, cada vez mais,constato que alguns passam uma esponja pelo passado, que o que lá vai, lá vai, e que o importante é o "agora". Custou-me vê-los ausentes, sabendo-os tantas vezes ao lado daqueles que durante décadas de fascismo levaram uma vidinha tranquila e dos que "traíram" camaradas na polícia...Um beijinho com muita amizade e um grande abraço, António.
Helena Pato