quarta-feira, 9 de maio de 2012

A esquerda, a austeridade e a União Europeia


Não só os resultados eleitorais na Grécia e na França, mas sobretudo o confronto cada vez maior entre a desumanidade dos pactos de agressão e a sua rejeição pelas populações de uma série de países, que estão na origem desses resultados, está a mudar quadros políticos. A crise muito alargada do capitalismo também.

Difícil seria conceber que este descontentamento levasse partidos dos "arcos governativos" a recauchutarem-se, mantendo formulas de austeridade renegociadas e da União Europeia na mesma, ou remetendo estas fórmulas para movimentos, como tubos de escape que impeçam as rupturas necessárias.

Nalguns países já em marcha, noutros em preparação, alguns destes movimentos serão de saudar como forma de dar corpo ao descontentamento mas transportam esse risco. Estejamos atentos ao que os seus dirigentes, atraídos para a "área do poder", farão.

Por aqui Mário Soares já deu o sinal para o PS ou para outras formas de federação de descontentamentos. Não se coibindo de propor que se rasgue o pacto da troika, depois de ter sido seu apoiante, contando com algum esquecimento de cabeças que acham que ele foi (é) um dos grandes obreiros da adesão à CEE, da contra-revolução e do esvaziamento da democracia.

Penso, meus amigos, que não podemos perder este encontro com a História, deixando arrastar na podridão um capitalismo que se esgotou e que é um cancro cada vez mais grave para a democracia política, cultural, social e económica.

Não insistam em tiros no pé nem na confusão entre sectarimo e integridade quando se referem aos comunistas.

O tempo é de acção (de acções) e não de criação de novas ilusões.

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