domingo, 4 de maio de 2014

Mãe, lembras-te?


A minha mãe foi como muitas outras mães mas era a nossa.

Nem eu nem os meus dois irmãos a podemos esquecer. 

O meu pai educou-nos mas tinha a exigência da actividade partidária e profissional para o sustento da família, bem como um grande entusiasmo por ambas, exemplos que nos foram muito importantes para o resto da vida.

Foi ela quem, apesar da sua reduzida formação escolar, mas com a escola da sua vida, nos ajudou mais a definir quem viríamos a ser.

Desde logo com a coragem com que enfrentava a PIDE nos assaltos de madrugada a casa quando nos vinham tirar o pai.

O carinho, as reprimendas, os conselhos que nos dava ou as ajudas que nos pedia fizeram-nos crescer bem e preparar-nos para a vida.

Mãe, lembras-te como nas vésperas de Natal, nos reuníamos na cozinha à volta do fogão, de onde iam saindo cuscurões e filhoses, e nos distribuías os restos dos fritos como a mãe pássaro vai distribuindo no ninho alimento aos seus filhotes?

Hoje não estás connosco. Nem ele. 

Mas, como todos os dias, lembramo-nos muito de ti, mãe-coragem.


7 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não é mãe quem quer, mas quem sabe ser
e tem tanto de saber, esse querer

anamar disse...

Bela homenagem á tua Mãe, António.

O teu pai ainda conheci.

Abracinho :)

Mar Arável disse...

No espelho das águas

tudo é mais claro

Helena disse...

(...)
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


Carlos Drummond de Andrade, em 'Lição de Coisas'

Anónimo disse...

Linda homenagem.
Mariana

Judite Castro disse...

:)

Maria João disse...

Tão lindo!

:)***