
Célebre ficou a cena do seu
primeiro filme “Ter
ou não Ter” em que
contracena com Humptrey Bogart e lhe diz, como só ela saberia dizer "Quando me quiseres chamar, assobia".
Ensina-lhe a assobiar, ensina-o a fumar, era e foi até ao fim da
vida uma fumadora inveterada, ensina-lhe algumas coisas mais que acabaram
em casamento. Tornaram-se num dos casais marcantes em Holywood, época do
maccartismo e código Hayes, pela sua excelência como actores, pela sua postura
política pela sua intransigência com as faltas de carácter.
Conhecia-a, já com setenta anos, num almoço promovido pelo
Festroia e pela Câmara de Grândola, quando o Festroia trazia a Portugal um
Robert Mitchum que era um bom companheiro, um Denis Hooper tão frenético ao
vivo como na tela, um Almodovar excelente e imparável conversador. Lauren
Bacall continuava uma bela mulher a quem os anos traziam encantos que
substituam e se acrescentavam aos encantos anteriores. Era extraordinário como
mantinha as distâncias exercendo uma sedução extrema.
Alguns episódios marcaram essa sua vinda a Portugal. No referido
almoço, apreciando o belíssimo tinto alentejano que se bebia, logo encomendou
dez caixas mostrando como continuava atenta aos prazeres da vida. Contaram-me,
dou como verdadeiro, que quando descerraram placa que assinalava a sua presença
no Festival, indignou-se e recusou que ela ficasse exposta se o seu nome não
tivesse letras maiores ou iguais aos nomes de outros actores bem menores que
ela, apontava com acinte para Jane Russell. Foram fazer nova placa rapidamente,
a tempo antes de ela se ir embora. Não era um exigência de uma estrela snob.
Era uma exigência justa de uma actriz que sabia o seu valor.
Assim era e foi Lauren Bacall, do príncipio até ao fim da vida.
Uma estrela de cinema por mérito próprio que fazia parte do “star-system”
mantendo-se fora dele, uma democrata até à medula, uma mulher por inteiro que
não convivia com a mediocridade.
http://pracadobocage.wordpress.com/
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