Com um a sessão em que participaram cerca de 130 antigos dirigentes, colaboradores e trabalhadores da AEIST, do período que vai dos anos 50 ao 25 de Abril, assinalou-se no IST essa data.
Saliento aqui alguns traços das intervenções.
De António Serra, director do IST e de Ramoa Ribeiro, reitor da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), veio o reconhecimento de que a acção dos presentes e outros que não puderem estar deu um contributo importante para a conquista da liberdade , incluindo pela formação política dos alunos que vinham da Academia Militar e que parte deles tiveram papel importante na Revolução do 25 de Abril.
Mas António Serra também criticou políticas governamentais e que o IST irá ser posto à prova apesar de ser a escola que mais contribui com receitas próprias para as receitas totais da escola (cerca de 60%) e anunciou que o IST iria fazer uma evocação de todos os seus estudantes vítimas da repressão durante a ditadura bem como dos professores que foram expulsos e impedidos de ensinar no IST por motivos políticos.
Do ainda presidente da Associação Ivan Nunes - já houve eleição e o futuro presidente, também presente, ainda irá tomar posse - para salientar as diferenças entre a AEIST de então e de hoje mas que continuará a ser representante dos estudantes, com sérios problemas e que se irão agravar nos próximos meses e a exigir uma atitude reivindicativa face à direcção da escola e do novo governo.
De Fernando Valdez, representante da comissão organizadora dos encontros anuais de antigos dirigentes, colaboradores e trabalhadores da AEIST do período já referido, para fazer um historial da sua acção desde 2002.
De Lurdes Nery, antiga trabalhadora, que salientou a solidariedade existente entre os trabalhadores da AEIST e os seus dirigentes.
O professor Bernard Herold, o mais antigo dirigente da AEIST que se conhece, deu conta do seu papel como delegado de curso e presidente da Junta dos Delegados e das iniciativas que tomou para no plano legislativo ser considerada a existência em todas as escolas de associações dos estudantes, não tuteladas pela Mocidade Portuguesa, a que o governo de Salazar viria a responder nos anos 50 com o célelebre decreto 40900 que provocou a revolta entre os estudantes.
Foi uma sessão emotiva, nada formal, que terminou com o almoço habitual nas instalações da AEIST (cantina hoje gerida pelos serviços da UTL).
Agradeço a foto cedida pelo Jorge Vasconcelos.
domingo, 29 de maio de 2011
Os "nossos banqueiros"...
Respeitáveis não são, apesar de, pela função, terem adquirido um estatuto de intocáveis.
Os grandes responsáveis pelas afirmações dos políticos de direita que “vivemos muito acima das nossas possibilidades” que resultaram, não de uma consciente atitude de muitos consumidores, mas das descabeladas campanhas de há uns anos atrás para atrair à aquisição de crédito para os mais variados fins.
Os que cortam o crédito às PMEs porque lhes não dói o tecido produtivo nem a recessão.
Os que operam com o nosso dinheiro em negócios que são pouco colectados.
Os que jogam com os spreads de forma cartelizada,como cartelizadamente se pronunciam em mometos políticos importantes.
Além, do mais, estes donos de um poder fáctico que não foi sufragado pelos portugueses, que reduz ainda mais a margem própria de decisão dos cidadãos, são, como já foi referido, de uma espantosa incoerência para sacudirem a água do capote. Foi o caso das suas posições sobre o recurso ao FMI
Fernando Ulrich (BPI):
29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade"
26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI"
31 Março - "Por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI?"
Carlos Santos Ferreira (BCP):
12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI"
2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI"Ricardo Salgado (BES):
25 Janeiro - "Não recomendo o FMI para Portugal"
29 Março - "Portugal pode evitar o FMI"
5 de Abril - "É urgente pedir apoio...já!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"A maioria não tem o direito de impor a sua estupidez à minoria"
Georges Wolinski (autor de BD francês, 1934-)
Georges Wolinski (autor de BD francês, 1934-)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Não se sabe o que eles verdadeiramente querem?
O dia das eleições aproxima-se mas os lideres dos partidos da troika que se entendeu com a outra troika fugiram ao tratamento da questão do compromisso, ao esclarecimento dos portugueses das consequências para todos nós desse compromisso.Em branco ficou também o entender como cada um iria enfrentar tais ou, pelo menos algumas, dessas consequências.
A questão central foi posta fora de cena, a não ser num arremedo baralhado sobre o taxa social única, em que uns quiseram agradar aos patrões e outros foram buscar as subidas de impostos que todos os três têm em mente guardadas a sete chaves, que soltarão mais à frente quando estiverem instalados no governo.
O que assinaram com a troika é tremendamente grave. O agravamento da situação dos portugueses será drástico.
Ainda vamos a tempo de melhorar as condições de luta nesse quadro, se o preconceito anticomunista ou o falsear das utilidades dos votos derem lugar a uma opção pela CDU.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
NATO ao Tribunal Penal Internacional
Para os que deram corpo a esta instituição supranacional destinada a ser arma de agressão dos EUA e seus mais próximos aliados importaria fazerem uma reflexão.
No total, mais de 200 civis já morreram em resultado dos bombardeamentos da Aliança Atlântica. Em cerca de dez dias foram, mais de vinte. O número de feridos conta-se às centenas, informou o governo da Líbia, que, paradoxalmente, soube que o Tribunal Penal Internacional está a avaliar pedidos de captura relativos a Muahmar Kahdafi, a um dos filhos do presidente e ao chefe da secreta por crimes contra civis.
Nesta guerra, mais uma vez não declarada, para a conquista do petróleo líbio por algumas potências europeias e os EUA vale tudo. Matar civis, bombardear Kadhafi, em nome da "protecção de civis", reconhecer um governo rebelde, apoiado por eles. Ontem ouvi Ana Gomes, ex-MRPP, actual eurodeputada do PS, a justificar na Antena Um, da forma mais cínica e descabelada a agressão. A miséria a que desceram os argumentos pretensamente políticos!...
No total, mais de 200 civis já morreram em resultado dos bombardeamentos da Aliança Atlântica. Em cerca de dez dias foram, mais de vinte. O número de feridos conta-se às centenas, informou o governo da Líbia, que, paradoxalmente, soube que o Tribunal Penal Internacional está a avaliar pedidos de captura relativos a Muahmar Kahdafi, a um dos filhos do presidente e ao chefe da secreta por crimes contra civis.
Nesta guerra, mais uma vez não declarada, para a conquista do petróleo líbio por algumas potências europeias e os EUA vale tudo. Matar civis, bombardear Kadhafi, em nome da "protecção de civis", reconhecer um governo rebelde, apoiado por eles. Ontem ouvi Ana Gomes, ex-MRPP, actual eurodeputada do PS, a justificar na Antena Um, da forma mais cínica e descabelada a agressão. A miséria a que desceram os argumentos pretensamente políticos!...
terça-feira, 24 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Nunca se mente tanto como a seguir a uma caçada,
durante a guerra ou antes de umas eleições"
Otto von Bismarck
(1º chanceler do Império Alemão, 1815-1898)
durante a guerra ou antes de umas eleições"
Otto von Bismarck
(1º chanceler do Império Alemão, 1815-1898)
sábado, 14 de maio de 2011
Criselefantino
Criselefantino (do grego χρυσός chrysos, "ouro", y ελεφάντινος elephantinos, "marfim") é a designação dada a um tipo de imagens de culto que teve grande prestígio na Grécia antiga.
Este termo «criselefantino» usa-se também para designar um tipo de escultura en miniatura comum na Art Nouveau dos finais do séc. XIX. Neste caso refere-se a estatuetas com a pele representada en marfim, e as roupas e outros detalhes feitos com outros materiais como o ouro, bronze, mármore, prata ou ónix.
Frase de fim-de-semana, por Jorge
- É isto que se sabe: é consôlo, é desgôsto,
é desgôsto, é consôlo - é da casca, é do miôlo..."
João Guimarães Rosa
(Corpo de Baile, 1ª ed. 1956)
Sondagens...
As sondagens vão formatando as opções de voto de quem entendeu desta vez não contribuir para mais do mesmo. São um instrumento técnico com base mais ou menos científica. Por isso têm valor. Mas a sua repetição dentro dum mesmo modelo de variações contribui para que muitos pensem que votar diferente não contribui para alterar as perspectivas eleitorais que de há muito foram enunciadas pelos partidos deste "regime" e pelos grandes grupos económicos através dos seus midia e comentadores.É certo que isso não retira responsabilidades a quem devia clarificar e consensualizar nas massas a possibilidade de uma alternativa de ruptura com o tal "regime" que se desacreditou com políticas e comportamentos. Mas esta sucessão de sondagens que vai atrair as atenções para a não significante questão de saber se é PS ou PSD que vai ter mais votos, vai ter um papel relevante no condicionamento das opiniões...
Fica a rua e muito, muito esclarecimento que não encontrará eco significativo na comunicação social, para combater a praga do "situacionismo"...
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Frase de fim-de semana, por Jorge
"... ter sempre as almas alerta a cismarem na trombeta
do Dia do Juízo, o último, que há-de ser talvez o
primeiro e único em Portugal quanto a juízo."
Camilo Castelo Branco (Maria da Fonte, 1884)
do Dia do Juízo, o último, que há-de ser talvez o
primeiro e único em Portugal quanto a juízo."
Camilo Castelo Branco (Maria da Fonte, 1884)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
NATO assassina familiares de Kadhafi e Obama anuncia ter matado Bin Laden
1. A morte, em bombardeamento da NATO, de um filho e netos de Kadhafi, não foi um erro mas um acto premeditado. Kadhafi e a sua família passaram a ser, abertamente, pessoas a liquidar pela NATO.
Importaria que o governo português, membro da NATO, se pronunciasse sobre isso e se apoiou esta acção, se ela se integra na concepção adoptada por si de defesa dos direitos humanos. Como se verificou, a aprovação anterior pelo Conselho de Segurança de uma resolução que permitia a intervenção por razões humanitárias de poupar vidas a cidadãos civis apanhados pela guerra civil, tornou-se "elástica" no seu âmito efectivo.
Agora só falta a invasão propriamente dita, depois de ter ficado claro que os revoltosos de Bengazi se arriscavam a perder a guerra civil, apesar de diversos apoios que lhes chegavam do exterior.
Mas ainda há um espaço para a pressão internacional da opinião pública para que a guerra civil termine e se estabeleçam negociações de paz, que os dirigentes do grupo que assumiu a representatividade da revolta e os seus mais activos apoiantes internacionais (EUA, Inglaterra e França) têm recusado.
De facto, para estes, a invasão já começou de facto.
Primeiro com a criação, em nome do Conselho Nacional de Transição, de composição imposta pelas potências ocidentais, do Banco Central da Líbia, de facto organizado pelo HSBC, para canalizar os "descongelados" fundos de investimento líbio no estrangeiro, para os pôr ao serviço dos EUA, Inglaterra e França e os retirar das instituições financeiras africanas, criadas pela União Africana, criadas com apoio líbio, que afundará esses países, impedindo assim a promissora independência financeira de África.
Em segundo lugar pela criação de uma Companhia de Petróleo da Líbia, em nome do tal Conselho, para subtrair o petróleo líbio a um sistema de licenças gerido de acordo com os interesses líbios, para criar um outro afunilado para os interesses dos EUA, Inglaterra e França ou de alguns que têm declarado o seu apoio a esta intervenção militar e de pirataria aos fundos e petróleo.
Intervenções humanitárias? Defesa dos Direitos Humanos? Mais Democracia?
Ainda há quem acredite nisso?
2. A anunciada morte de Bin Laden, numa troca de tiros no Paquistão, levanta outro tipo de questões.
Primeiro, porquê agora? Porque Obama quer criar um fervor nacional que o ajude na recandidatura e o leve a obter apoio popular a novas frentes de guerra, nomeadamente em África. O seu desaparecimento físico já poderia ter ocorrido noutras alturas. Bin Laden era um homem ligado aos serviços de informação norte-americanos. A mitologia em torno dele serviu para encobrir a verdadeira autoria do 11 de Setembro de 2011 em Nova Iorque, surgido no momento em que os EUA preparavam o seu avanço para o Médio Oriente e para África e precisavam de "legitimar" isso como medidas para combater o terrorismo.
Segundo, porque foi o corpo de Bin Laden atirado ao mar? Quase certamente para desaparecer a evidência do corpo da "informação", deixando campo largo para fotomontagens que poderiam ser feitas há nove anos ou daqui a outros tantos.
Termino deixando uma referência a um artigo de Michel Chossudovsky, hoje publicado no Global Research.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
FMI: estamos todos obrigados? Não, há outros caminhos
O recurso a um outro tipo de comemoração institucional do 25 de Abril contribuiu para alimentar grandes equívocos sobre o nosso futuro próximo e as responsabilidades de cada um..
O apelo dos quatro Presidentes da República, eleitos pelos portugueses depois do 25 de Abril, foi convergentemente claro.
Há que nos unirmos em torno do combate em relação à crise, disseram eles. Sem se esquecerem de acrescentar que esse "combate" era a concordância com o que saísse das negociações do governo com a troika, ou seja com o FMI, a CE, e o BCE.
Nenhuma hipótese alternativa de "combate" foi colocada, mesmo por Jorge Sampaio que, enfatizando o que já dissera antes de que havia outras coisas além do deficite, se limitou a referir o que o secretário-geral do FMI também diz por outras palavras. FMI que muito boa gente anda a dizer que já não é o "papão" de outrora, numa negação cega e sectária do que aconteceu recentemente com a Grécia e a Irlanda, exactamente com a mesma troika...
Na transmissão da cerimónia pela RTP-1, a jornalista de serviço, com ar triunfal rematou "agora todos os partidos estão obrigados a convergir...". Se o PCP e o BE não aceitaram participar nas reuniões "faz de conta" com a troika, logo Mário Soares disse que "ficam de fora, não contam"...O mesmo Soares que, sendo o único dos quatro com cravo ao peito, certamente em nome da "convergência" fez duas diatribes anticomunistas. Lembrei-de da canção do José Barata-Moura "cravo vermelho ao peito, a todos fica bem,, sobretudo dá jeito...".
A troika vem impor-nos, para nos emprestar dinheiro, e depois o recolher com juros confortáveis, uma série de medidas anti-sociais de peso. E procura a unanimidade...Compreende-se mas é um passe muito manhoso, convenhamos, este de pôr todos, de repente, de acordo com o que tem sido o núcleo duro das políticas do PS, PSD e CDS desde há35 anos...
O apelo dos quatro Presidentes da República, eleitos pelos portugueses depois do 25 de Abril, foi convergentemente claro.
Há que nos unirmos em torno do combate em relação à crise, disseram eles. Sem se esquecerem de acrescentar que esse "combate" era a concordância com o que saísse das negociações do governo com a troika, ou seja com o FMI, a CE, e o BCE.
Nenhuma hipótese alternativa de "combate" foi colocada, mesmo por Jorge Sampaio que, enfatizando o que já dissera antes de que havia outras coisas além do deficite, se limitou a referir o que o secretário-geral do FMI também diz por outras palavras. FMI que muito boa gente anda a dizer que já não é o "papão" de outrora, numa negação cega e sectária do que aconteceu recentemente com a Grécia e a Irlanda, exactamente com a mesma troika...
Na transmissão da cerimónia pela RTP-1, a jornalista de serviço, com ar triunfal rematou "agora todos os partidos estão obrigados a convergir...". Se o PCP e o BE não aceitaram participar nas reuniões "faz de conta" com a troika, logo Mário Soares disse que "ficam de fora, não contam"...O mesmo Soares que, sendo o único dos quatro com cravo ao peito, certamente em nome da "convergência" fez duas diatribes anticomunistas. Lembrei-de da canção do José Barata-Moura "cravo vermelho ao peito, a todos fica bem,, sobretudo dá jeito...".
A troika vem impor-nos, para nos emprestar dinheiro, e depois o recolher com juros confortáveis, uma série de medidas anti-sociais de peso. E procura a unanimidade...Compreende-se mas é um passe muito manhoso, convenhamos, este de pôr todos, de repente, de acordo com o que tem sido o núcleo duro das políticas do PS, PSD e CDS desde há35 anos...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo..."
Sophia de Mello Breyner Andresen
O dia inicial inteiro e limpo..."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sempre!...
A referência das aspirações dos mais ou menos jovens, nascidos antes ou depois da Revolução, ao 25 de Abril adquire uma multiplicidade de sentidos.
O período revolucionário foi muito curto. A identificação do poder com parte importante da população portuguesa realizando mudanças históricas durou pouco tempo.
Mas o que ficou nas consciências de quem o viveu e se manteve como referencial de aspirações de novas gerações, renovando-se sempre como orientação a prosseguir, foi a conquista das liberdades, a libertação dos presos políticos, o fim da repressão e do fascismo, um povo unido em torno de ideais e realizações, a liberdade sindical, a valorização dos trabalhadores, das suas condições de trabalho e de qualidade de vida, o fim das guerras coloniais, a grande empatia entre o povo e os militares revolucionários (MFA).
São valores que sobrevivem às tentativas de fazer esquecer a história.
E que em dias de ingerência externa, no que resta da nossa soberania, se tornam mais fortes para dar força a alternativas políticas que acabem com o mais do mesmo, com as inevitabilidades e com a sujeição dos partidos políticos que têm ocupado o poder, que uma vez mais nos convidam à genuflexão e a maiores desigualdades
No dia 25 estaremos na rua e voltaremos a estar no 1º de Maio.
De novo se verificará quem manteve apurado o sentido da história e o isolamento dos que o têm tentado riscar da memória e das aspirações.
O período revolucionário foi muito curto. A identificação do poder com parte importante da população portuguesa realizando mudanças históricas durou pouco tempo.
Mas o que ficou nas consciências de quem o viveu e se manteve como referencial de aspirações de novas gerações, renovando-se sempre como orientação a prosseguir, foi a conquista das liberdades, a libertação dos presos políticos, o fim da repressão e do fascismo, um povo unido em torno de ideais e realizações, a liberdade sindical, a valorização dos trabalhadores, das suas condições de trabalho e de qualidade de vida, o fim das guerras coloniais, a grande empatia entre o povo e os militares revolucionários (MFA).
São valores que sobrevivem às tentativas de fazer esquecer a história.
E que em dias de ingerência externa, no que resta da nossa soberania, se tornam mais fortes para dar força a alternativas políticas que acabem com o mais do mesmo, com as inevitabilidades e com a sujeição dos partidos políticos que têm ocupado o poder, que uma vez mais nos convidam à genuflexão e a maiores desigualdades
No dia 25 estaremos na rua e voltaremos a estar no 1º de Maio.
De novo se verificará quem manteve apurado o sentido da história e o isolamento dos que o têm tentado riscar da memória e das aspirações.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
A rosa socialista na lapela do FMI
Apontado como candidato do PS nas futuras eleições francesas, Dominique Strauss-Kahn (o senhor DSK) foi eleito director-geral do FMI em 2007.
É um dos socialistas franceses que passaram a fazer parte de organismos internacionais, vinculados à estratégia dos EUA.
Não terá passado desapercebido que há dias, quando o FMI chegava a Portugal, ele se tenha mostrado dorido com a globalização geradora de tantas assimetrias e alertanmdo que as "ajudas" do FMI deviam contemplar também o relançamento da actividade económica.
Trata-se de um homem educado e culto.
No entanto é, desde há muito, um homem estreitamente ligado aos EUA, como revelou Thierry Meyssan na voltaire.net.org há cerca de dois anos.
É um dos socialistas franceses que passaram a fazer parte de organismos internacionais, vinculados à estratégia dos EUA.
Não terá passado desapercebido que há dias, quando o FMI chegava a Portugal, ele se tenha mostrado dorido com a globalização geradora de tantas assimetrias e alertanmdo que as "ajudas" do FMI deviam contemplar também o relançamento da actividade económica.
Trata-se de um homem educado e culto.
No entanto é, desde há muito, um homem estreitamente ligado aos EUA, como revelou Thierry Meyssan na voltaire.net.org há cerca de dois anos.
Por detrás da democracia norte-americana, o "estado profundo"...
O Professor Peter Dale Scott traça a história do "Estado profundo" dos Estados Unidos, ou seja, a estrutura secreta que conduz a política externa e de defesa para além da aparência democrática. Este estudo é uma oportunidade para destacar o grupo que organizou os atentados de 11 de Setembro e que se financia através do mundo no tráfico de drogas. Este livro de referência já é hoje recomendado em academias militares e diplomáticas.Peter Dale Scott
em entrevista em 5 de Abril para a voltairenet.org
A China e os objectivos da NATO em relação à Líbia
A razão pela qual as forças da OTAN, lideradas pelos EUA, estão decididas a projetar uma mudança de regime na Líbia está agora a tornar-se clara. Enquanto jornalistas especializados e analistas políticos ainda discutem sobre se os grupos rebeldes da Líbia estão realmente a ser apoiados e dirigidos pelos EUA, o Reino Unido e os serviços secretos de Israel, os objectivos da política ocidental para com a Líbia estão a ser completamente ignorados. Basta ler os briefings estratégicos nos documentos AFRICOM EUA para compreender o que se joga na Líbia: o controle de recursos valiosos e o afastamento da China do Norte de África (por causa do petróleo).
Quando os EUA formaram o AFRICOM, em 2007, 49 países assinaram a Carta militar dos EUA para África, mas um país recusou-se a fazê-lo: a Líbia. Este acto tão "traiçoeiro" do líder líbio Moummar Kadafi as sementes para um futuro conflito em 2011 estavam lançadas à terra.
NATO: Reduzida a uma mera força de segurança privada para oeste interesses corporativos. Segundo o ex-funcionário do gabinete de Reagan Dr. Paul Craig Roberts, a situação com Kadafi é muito diferente de outros recentes protestos no mundo árabe. "Porque é que a NATO está lá?" Esta tornou-se a verdadeira questão, diz Roberts, que teme que este envolvimento de risco, decorrente da influência norte-americana, possa levar ao ponto de ruptura catastrófica na Líbia.
Paul Craig Roberts
8 de Abril de 2011 na Global Research
Bancos centrais de outros países financiam a expansão militar norte-americana no mundo
Grandes quantidades de excedentes de dólares estão a ser derramados no resto do mundo.Os bancos centrais têm reciclado estes afluxos de dólares com a compra de títulos do Tesouro dos EUA, que servem para financiar o défice do orçamento federal dos EUA. Subjacente a este processo está o carácter militar do défice de pagamentos dos EUA e do défice do orçamento federal interno. Por mais estranho que possa parecer, e irracional como seria num sistema mais lógico da diplomacia mundial, a "inundação de dólares" é o que as finanças dos Estados Unidos estão a construir. Ela força os bancos centrais estrangeiros a suportar os custos do império militar da América em expansão : uma tributação "eficaz, sem representação"...
Michael Hudson
13 Abril 2011, na Global Research
Michael Hudson
13 Abril 2011, na Global Research
sábado, 16 de abril de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"A música não se pode explicar, explica-se com música."
Jordi Savall (músico e compositor catalão, 1941-),
JN 11/10/09
terça-feira, 12 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Os crimes da NATO na Líbia, o governo que apoia integrado pela Al Qaeda e as mentiras da imprensa
1. A propósito da utilização contra a Líbia de mísseis de cruseiro com urânio empobrecido, o Professor Massimo Zucchetti, professor da Universidade de Turim em instalações nucleares, refere na voltaire net.org que o apoio militar da NATO aos revoltosos de Benghazi contra o ditador de Trípoli está a ser feito contra as populações civis. Em média, um em cada dez mísseis descontrola-se e cai aleatoriamente na zona alvo. Todos os mísseis, quer os que têm uma cabeça revestida de urânio empobrecido quer os que têm apenas os seus estabilizadores de urânio empobrecido, poluem a área. Assim, este supostamente bombardeio "humanitário" matará nos próximos anos milhares de civis com cancro.Segundo o autor é importante, recolher dados e estudos - e há muitos - quanto aos efeitos sobre o homem e o ambiente das "novas guerras". Que concluirão que as armas modernas, de modo nenhum “cirúrgicas”, produzem danos inaceitáveis, particularmente a partir da primeira chamada guerra “humanitária” em 1991.
2. O responsável pela rede noticiosa onde este trabalho foi publicado há alguns dias, Thierry Meyssan diz que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. As operações militares na Líbia e a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que serve como base jurídica à actual intervenção, confirma a regra. Ela foi apresentada ao público como uma necessidade para proteger civis, vítimas da repressão indiscriminada do Coronel Kadhafi. Mas na realidade encobrem objectivos imperialistas clássicos.
Os invocados “crimes contra a humanidade”, invocados pelas potências que atacam a Líbia para insinuarem um julgamento de Kadhafi no Tribunal Penal Internacional, não se baseia em evidências comprováveis desde o início do conflito armado. Os ataques contra civis não adquiriram dimensão expressiva de parte a parte. As cidades por onde o conflito passou estão quase sem ninguém e os que nelas se mantêm não são combatentes. Procuram continuar a sua vida. Estes circulam em pick-ups com anti-aéreas e metralhadoras pesadasHá, de facto, muitos mortos em combate das forças militares a Kadhafi e de militares que passaram a apoiar os rebeldes. A obtenção de armamento ligeiro e pesado por estes nos quartéis do exército líbio de que se apoderaram, passou a conferir-lhes, de facto, mesmo que com reduzido grau de organização e atitudes aventureiras, o estatuto de combatentes.
A “ajuda humanitária” que as forças francesas estão a realizar são um apoio a uma das partes da guerra civil. Os bombardeamentos ingleses, franceses e americanos a alvos do exército líbio são a mesma coisa. A conformidade destes actos com a resolução do Coselho de Segurança em que a Rússia e a China deixaram a porta aberta para a situação actual é mais que questionável.
O que está em curso é uma agressão bárbara à Líbia dos colonialistas ávidos de petróleo.
Os dois pesos e duas medidas com que tratam diferentes situações de países onde também existem revoltas populares (não armadas) como no Bahrein, no Iémen.
Se o objetivo era proteger as populações civis, a zona de exclusão aérea deveriater sido limitada aos territórios insurgentes (como havia sido feito com o Curdistão do Iraque). Mas o que está a acontecer é a balcanização da Líbia. E um retalhar de África também, já visível no Sudão e na Costa do Marfim.
3. Os responsáveis políticos desertores do campo de Kadhafi têm altas responsabilidades mas são eles que as potências atacantes impuseram como “governo alternativo” em Benghazi, não permitindo que outras correntes árabes anti-imperialistas e os comunistas assumam responsabilidades no seio da rebelião. Com eles estão antigos chefes militares líbios e responsáveis do LIFG.
De entre os combatentes, uns são desertores do exército líbio outros paramilitares do LIFG (Lybian Islamic Fighting Group), ligado à Al Qaeda, cuja rede funciona há anos como instrumento das intervenções dos EUA e da NATO, desde a intervenção soviética no Afganistão. Ligado à CIA e ao MI6 britânico, o LIFG tem um historial de acção na Líbia que passou pela tentativa de assassinato de Kadhafi em 1996. E a Al Qaeda, depois da guerra do Afganistão, apoiou o exército muçulmano bósnio, o exército de libertação do Kosovo apoiados activamente pelos EUA e a NATO.
O ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Moussa Koussa, que há dias “desertou” era, por um lado responsável pelos serviços secretos líbios, responsável pelos crimes de que o “ocidente” acusa Kadhafi e, simultâneamente, há cerca de dez anos agente duplo recrutado pelo MI6. Apoiante da Al Qaeda, de entre outras facções do governo líbio, viabilizou a formação operacional do LIFG que, por sua vez, negociou com os ingleses a “fuga” de Moussa Koussa. A partir de 2009, com a formação de militares líbios em luta anti-terrorista pela CIA, a CIA penetrouo aparelho de estado líbio.4. A intervenção de regimes autoritários árabes como a Arábia Saudita ou o Qatar contra a vaga de revoltas populares no norte de África deu-se combatendo os revoltosos e apoiando “alternativas” saídas dos regimes contestados no sentido de lhes fazer perder o carácter revolucionário que poderia alastrar também dentro das suas próprias fronteiras.
5. Se não tivesse havido intervenção estrangeira na Líbia, Kadhafi já teria derrotado a sublevação na Cirenaica. Com ela, mantida neste nível, a situação ficará num impasse, arrastando-se o número de mortos. Se essa intervenção aumentar qualitativamente, em violação clara da resolução da ONU, as forças de Kadhafi poderão ser derrotadas.
Talvez isso justifique a recusa por parte do “governo” apoiado pela NATO da proposta feita pelos filhos de Kadhafi hoje para um cessar fogo e conversações para um governo de unidade nacional.
Governo esse apoiado e integrado pela estrutura líbia da rede da Al Qaeda...
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer"
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão, 1788-1860)
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão, 1788-1860)
quarta-feira, 30 de março de 2011
A crise portuguesa e a política de austeridade, por Paul Krugman
Não é a primeira vez que o Nobel da Economia exprime a sua discordância quanto a políticas de combate ao déficite que não resultem do relançamento da economia.
No jornal "i", do passado dia 26, volta à questão, referenciando o caso de Portugal. Aqui fica um pequeno excerto
"Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão."
No jornal "i", do passado dia 26, volta à questão, referenciando o caso de Portugal. Aqui fica um pequeno excerto
"Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão."
terça-feira, 29 de março de 2011
Passam agora 58 anos sobre a execução de Julius e Ethel Rosenberg nos EUA
"Um júri reunido em Nova Iorque, EUA, deu Ethel e Julius Rosenberg como culpados do crime despionagem a favor da União Soviética, a quem teriam passado informação sensível sobre a bomba atómica americana. A sentença de morte dos Rosenberg seria proferida a 5 de Abril do mesmo ano. Documentos provenientes dos arquivos russos indicam que Julius tinha, de facto, ligações aos comunistas, mas a dúvida subsiste até hoje relativamente a Ethel. Ambos negaram o seu envolvimento em operações de espionagem. Este caso foi o detonador de um período de grande intolerância nos EUA, nos anos 1950, liderado pelo senador Joseph McCarthy e a sua Comissão de Investigação das Actividades Antiamericanas, popularmente conhecido como “caça às bruxas”. O processo gerou uma onda de protestos e acusações internacionais de anti-semitismo (os réus eram judeus americanos), com tomadas de posição a favor do casal da parte de Jean-Paul Sartre, Albert Einstein, Dashiel Hammett, Jean Cocteau, Diego Rivera, Frida Kahlo, Pablo Picasso, Fritz Lang, Bertold Brecht e outros intelectuais e artistas. O Papa Pio XII apelou a Eisenhower para os poupar, mas o Presidente dos EUA recusou-se a exercer o seu direito de indulto. Os Rosenberg foram executados ao pôr do sol de 19 de Junho de 1953, na Prisão de Sing Sing, Nova Iorque. Foram os primeiros civis a serem executados por espionagem." [Público de hoje].
Os dois filhos de Rosenberg, Robert e Michael levaram anos a tentarem provar a inocência dos seus pais. Depois da execução dos pais foram colocados num orfanato e nenhum familiar teve coragem para os adoptar até que acabaram adoptados pelo músico Abel Meeropol e mulher. Do músico adoptaram o apelido. Foi ele quem escreveu o hino clássico contra o racismo e os linchamentos de negros, "Strange Fruit", popularizado pela cantora Billie Holiday (ver caixa ao lado).
Os filhos escreveram o livro "Somos os seus filhos: o legado de Ethel e Julius Rosenberg (1975) e Robert escreveu em 2003 um outro "Uma execução na família: um dia na vida de um filho". Robert fundou em 1990 uma instituição de apoio aos filhos de activistas políticos perseguidos. A filha de Robert, Ivy dirigiu em 2004 um documentário sobre os avós "Heir to an execution", apresentado no Sundance Film Festival.
Os filhos de Ethel e Julius acreditam que "fosse qual fosse a informação que os seus pais tivessem passado aos russos, ela seria no máximo no supérflua. O caso estava cheio de intuitos persecutórios num comportamento judicial impróprio. A mãe estava convencida da debilidade das provas para enculparem o marido. E não mereciam a pena de morte".
sexta-feira, 25 de março de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Quando se declara guerra,
a primeira baixa é a da verdade"
Arthur Ponsonby (político, escritor
e activista social britânico, 1871-1946)
a primeira baixa é a da verdade"
Arthur Ponsonby (político, escritor
e activista social britânico, 1871-1946)
sábado, 19 de março de 2011
Sarkozy e Obama começam nova guerra de agressão
A formidável capacidade de espionagem nesta zona por parte dos EUA e antigas potências coloniais europeias, bem como de Israel, do Egipto, Arábia Saudita e Emiratos, não conseguiram divulgar durante estas semanas informações e imagens validáveis sobre genocídios da parte governamental nem sobre a verdade das operações realizadas que tornaram Benghazi a zona rebelde por excelência.
Se a invasão do Iraque teve como pretexto uma enorme mentira, nada está a ficar diferente no ataque à Líbia.
Berlusconi já prometeu juntar-se aos agressores, o que arrastará ainda mais esta agressão pela lama da ignomínia.Acabei agora de ouvir na SIC -Notícias o general Loureiro dos Santos justificar o injustificável.
Mentiu quando afirmou que esta intervenção estava a ocorrer de acordo com a recente resolução das Nações Unidas.
De facto a criação de um corredor aéreo livre da intervenção de aviões líbios não parece ter por estes sido violado. Os alvos dos ataques franceses e norte-americanos foram objectivos militares que nada têm a vêr com isso.
Não consta também da resolução das Nações Unidas que os combates no âmbito da guerra civil entre líbios permitam atacar uma das partes com esses ataques ~mas permitam ao Qatar e Emiratos Árabes Unidos armar os revoltosos com novo equipamento militar e sabe-se lá com mais quê!...Onde estão esses fervorosos repórteres das causas justas???. E isto é tanto mais vergonhoso quanto os aliados dos EUA como a Arábia Saudita e esses emiratos estejam a intervir no Bahrein para esmagar a revolta ocorrida noutros países árabes, sem que ONU, NATO ou UE dediquem a isso qualquer atenção...
quinta-feira, 17 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Geração à rasca e os "professores" comentaristas
Depois do êxito assinalável da manif de ontem, foi tempo de as estações de TV, e não só, recrutarem uma série de "professores universitários" para pôrem a leitura do acontecimento nos devidos sítios.
Para uns, o movimento tem agora de intermediar-se com o poder através dos partidos, deixando a rua. Para outros a criação de mais emprego jovem tem que resultar da maior facilitação de despedimentos dos mais velhos. Para outros ainda foi um anacronismo terem-se gritado slogans associados com o 25 de Abril.
Resumindo, tais professores não tiveram nas manifs de sábado o laboratório que confirmasse as suas teses, forjadas na ausência de qualquer investigação, cujos beneficiários são o poder e a grande manjedoura que alimenta com a perda de condições de vida dos portugueses.
"Poesia" do cinema
Neste domingo cinzentão fizemos uma boa opção. Rumámos ao King e vimos "Poesia", filme sul-coreano de Lee Chang-dong, tendo como protagonista Yun Jung-hee , grande e bela actriz, que já não filmava há quinze anos.
O regresso do interesse de infância pela poesia leva-a a um curso de formação e a uma tertúlia de poetas iniciados, pouco antes de conhecer o diagnóstico da doença de Alzheimer. A relação disso com a angústia por um crime perpretado pelo neto e outros colegas de escola e os cuidados prestados a um doente acamado, sua forma de subsistência, constituem a trama do filme, onde o sentido de honra está presente.
Da perda da memória de palavras e de descobrir o lado belo das coisas vai registando sentimentos que a levam a construir uma poesia.
Lee Chang-dong disse numa entrevista "O que me atrai é o ser humano. Carrascos ou vítimas, nós nunca somos só uma coisa. A natureza humana é complexa e, como artista, tenho a impressão de que minha função é iluminá-la. Filmo para conhecer o outro e a mim mesmo."
O entrevistador insistiu na definição de ‘morte em vida’, a propósito da doença. Chang-dong disse-lhe que a ligação da personagem com as palavras - poesia - faz parte de um movimento íntimo. "Dando novo sentido às palavras, ela busca preservá-las, e o que representam, do esquecimento."
Dias depois de termos assistido à entrega dos óscares com critérios alheios a quaisquer considerações artísticas, é bom reconciliarmo-nos com o bom cinema.
O regresso do interesse de infância pela poesia leva-a a um curso de formação e a uma tertúlia de poetas iniciados, pouco antes de conhecer o diagnóstico da doença de Alzheimer. A relação disso com a angústia por um crime perpretado pelo neto e outros colegas de escola e os cuidados prestados a um doente acamado, sua forma de subsistência, constituem a trama do filme, onde o sentido de honra está presente.
Da perda da memória de palavras e de descobrir o lado belo das coisas vai registando sentimentos que a levam a construir uma poesia.
Lee Chang-dong disse numa entrevista "O que me atrai é o ser humano. Carrascos ou vítimas, nós nunca somos só uma coisa. A natureza humana é complexa e, como artista, tenho a impressão de que minha função é iluminá-la. Filmo para conhecer o outro e a mim mesmo."
O entrevistador insistiu na definição de ‘morte em vida’, a propósito da doença. Chang-dong disse-lhe que a ligação da personagem com as palavras - poesia - faz parte de um movimento íntimo. "Dando novo sentido às palavras, ela busca preservá-las, e o que representam, do esquecimento."
Dias depois de termos assistido à entrega dos óscares com critérios alheios a quaisquer considerações artísticas, é bom reconciliarmo-nos com o bom cinema.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Líbia: o que se segue?
1. A guerra civil iniciada na semana passada na região Cirenáica com a liquidação pelos revoltosos das forças pró-Kadhafi e a captura de grandes arsenais de armamento, tem logo desde o início este como traço distintivo dos processos ocorridos na Tunísia, no Egipto ou noutros países da região.
Destes acontecimentos a informação certificável é quase inexistente. Fala-se em centenas de mortos mas sem uma maior precisão.
2. Michel Chossudovsky publicou nos últimos dias dois artigos na Global Research, que dirige e que o resistir.info publicou em português.
Neles o autor refere que "As implicações geopolíticas e económicas de uma intervenção militar EUA-NATO contra a Líbia são de grande alcance.
A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA.
Destes acontecimentos a informação certificável é quase inexistente. Fala-se em centenas de mortos mas sem uma maior precisão.A fuga de muitos milhares de pessoas destas regiões afectadas pelo combate para países vizinhos causa uma perigosa situação humanitária, nas fronteiras africanas mas também uma pressão sobre a Itália e a França que, com tonalidades diferentes, descobriram agora o carácter do regime anti-popular de Kadhafi...
Sarkozy é o mais belicoso e que veícula no teatro europeu a estratégia e os objectivos de Washington que, por sua vez tem Londres atrelada. Para ele, a Europa e a NATO deviam abrir o corredor aéreo para impedir Kadhafi de dar combate à progressão armada dos revoltosos, a Líbia deveria ser bombardeada, os revoltosos serem abastecidos de novos armamentos, e deveria haver uma intervenção da NATO imediata na Líbia bem como o reconhecimento do Conselho Nacional Líbio como única autoridade do país.2. Michel Chossudovsky publicou nos últimos dias dois artigos na Global Research, que dirige e que o resistir.info publicou em português.
Neles o autor refere que "As implicações geopolíticas e económicas de uma intervenção militar EUA-NATO contra a Líbia são de grande alcance.
A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA.
A "Operação Líbia" faz parte de uma agenda militar mais vasta no Médio Oriente e na Ásia Central, a qual consiste e ganhar controle e propriedade corporativa sobre mais de 60 por cento da reservas mundiais de petróleo e gás natural, incluindo as rotas de oleodutos e gasodutos.
Países muçulmanos incluindo a Arábia Saudita, Iraque, Irão, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Iémen, Líbia, Egipto, Nigéria, Argélia, Cazaquistão, Azerbaijão, Malásia, Indonésia, Brunei possuem de 66,2 a 75,9 por cento do total das reservas de petróleo, conforme a fonte a metodologia da estimativa". (Ver Michel Chossudovsky, The "Demonization" of Muslims and the Battle for Oil, Global Research, January 4, 2007) .
3. Não são os direitos humanos mas o petróleo que movem os EUA, Inglaterra e França. Nem é a democracia...Alguém sabe de onde surgiu este Conselho Nacional Líbio? Que métodos electivos o legitimam?
Hoje a UE irá debater as propostas da França e definir-se em relação à intervenção no território líbio.
Vejamos então até que ponto querem ou podem ir.
terça-feira, 8 de março de 2011
Propostas da CGTP-IN para uma ruptura que concretize a mudança necessária – crescimento económico e justiça social
A CGTP-IN publicou há dias um breve estudo sobre a degradação das condições económicas e sociais em Portugal, cuja leitura sugerimos como instrumento de esclarecimento na luta que travamos conmtra a política deste governo.
Portugal não pode continuar refém de um modelo assente em exclusivo nas exportações, que faz tábua rasa do peso das importações e do contributo da procura interna para a dinamização económica.
Para tal, para além de medidas que privilegiem e defendam, no quadro de excepcionalidade que vivemos, a produção nacional direccionada para o mercado externo, mas também interno, o aumento dos salários e das pensões, ou seja, o aumento do poder de compra da generalidade da população é fundamental do ponto de vista económico, com um alcance em termos de justiça social que se exige.
Para a CGTP-IN a promoção do emprego, o combate à precariedade e ao desemprego, à exclusão social e à redução de prestações sociais, têm de estar no centro das políticas implementadas e não pode ficar dependente de conjunturas, nem muito menos do comportamento da procura externa.
O aumento das receitas fiscais, por via do combate à fraude e evasão, o fim dos paraísos fiscais, uma maior justiça e progressividade dos impostos num quadro de colocar a pagar mais quem mais pode, no caso concreto os grandes grupos económicos e financeiros, são elementos que permitirão aliviar as famílias dos cortes salariais e do aumento de preços que se perspectivam para 2011.
Portugal não pode continuar refém de um modelo assente em exclusivo nas exportações, que faz tábua rasa do peso das importações e do contributo da procura interna para a dinamização económica.
Para a CGTP-IN é essencial que as exportações sejam consideradas num quadro de complementaridades, que a substituição de importações por produção nacional seja uma realidade, com a procura interna a desempenhar um papel determinante no relançamento económico.
Para tal, para além de medidas que privilegiem e defendam, no quadro de excepcionalidade que vivemos, a produção nacional direccionada para o mercado externo, mas também interno, o aumento dos salários e das pensões, ou seja, o aumento do poder de compra da generalidade da população é fundamental do ponto de vista económico, com um alcance em termos de justiça social que se exige. Para a CGTP-IN a promoção do emprego, o combate à precariedade e ao desemprego, à exclusão social e à redução de prestações sociais, têm de estar no centro das políticas implementadas e não pode ficar dependente de conjunturas, nem muito menos do comportamento da procura externa.
domingo, 6 de março de 2011
Os 90 anos do PCP e a bílis do (a) editorialista do Público
Hoje na 1ª pagina, de forma pouco destacada, remetia-se o leitor para 2 páginas interiores onde um conjunto de jovens foi perguntado pela jornalista sobre as causas da sua atracção pelo PCP, no momento em que este partido completa 90 anos da sua existência.
A peça era oportuna pelo aniversário mas também pela indesmentível constatação que qualquer pessoa mìnimamente atenta fará sobre a grande componente juvenil, aguerrida e portadora de uma grande simpatia, que existe na vida do PCP.Fiquei, naturalmente satisfeito.
Não é todos os dias que falar de forma objectiva sobre o PCP se pode encontrar na generalidade dos media. E é consabido que, de entre os partidos com assento parlamentar, o PCP é aquele que mais maltratado é pelo evitar dos factos e o optar por clichés rançosos.
Estava eu ainda nesta reflexão quando tropecei no editorial aparachik.
Retenho as seguintes expressões sobre o PCP: "Militar no PCP é uma questão de crença", " o PCP que Alvaro Cunhal preservou em embaciadas "paredes de vidro", "Jerónimo de Sousa mantém o (PCP) no rumo antigo sem o mínimo desvio, que lhe seria fatal", "O PCP chega aos 90 anos sem que seja possível atribuir-lhe uma idade real", "pertence a uma época que já quase desapareceu, "Milhares vão-no mantendo vivo contra todas asv evidências da história", "o comunismo que deu nome ao PCP no mundo real só produziu inomináveis tragédias" e "isso só ajuda a acentuar o seu anacronismo". Em matéria de citações por aqui me fico porque o textinho pràticamente se esgota nisto.
Alguma pessoa escreve isto sem estar a fazer o frete a alguém? Que compensação espera o (a) autor (a) desta prosa por tanta bilis derramada?
Seria bem mais interessante tentar compreender o que são as convicções e porque as têm aqueles que militam no PCP, arriscando emprego, carreiras, rejeitando mordomias e corrupção intelectual e económica. É desta massa que o país precisa para sair do buraco para o qual os "democratas" o mandaram. E não só no PCP - entendamo-nos - existem tais pessoas.
Seria interessante ler "O Partido com paredes de vidro" para discernir sobre onde andam os "embaciamentos".
Seria interessante reflectir sobre o destino que tiveram, ao longo destes quase quarenta anos, todas as invocadas fatalidades, anacronismos e mortes anunciadas do PCP. E porque é que isso decorreu de aqui estarem comunistas, com pés bem assentes nesta terra, a ombrear e a dar força aos que mais explorados são e potencialmente mais importantes serão na "ruptura" necessária com um estado de coisas que nos asfixia, nos subalterniza, nos faz a vida num inferno e o nos quer tirar o futuro.
Seria interessante reflectir sobre a leitura que o PCP (e não só) fez sobre a derrota de muitas experiências socialistas, como isso é coerente com a linha política e programática do PCP ao longo dos anos, como o PCP defende as liberdades e a democracia, aponta propostas não só ousadas como realistas e susceptíveis de serem aceites por muitos outros, incluindo filiados noutros partidos.
Seria interessante não esquecer que as tragédias em Portugal envolvendo comunistas são as que eles (e outros) sofreram nas prisões, no ceifar de vidas, nas perseguições e torturas.
A quem escreveu esta prosa, recomendo a utilização da bílis naquilo para que ela existe.
Sob o anonimato escapou à crítica directa mas francamente não sei se vale a pena falar mais de si, múmia borolenta que ainda faz ressoar palavras ininteligíveis neste tempo a que você deixou de pertencer.
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