quinta-feira, 29 de julho de 2010

Recordando Luís Corvalán


Reproduzo aqui o que o Avante escreveu aquando da sua morte há alguns dias.

Faleceu no passado dia 21 de Julho, aos 94 anos de idade, o ex-secretário-geral do Partido Comunista do Chile (PCC), Luis Corvalán Lepe. Nascido em Setembro de 1916 na cidade de Tomé, Corvalán trabalhou primeiro como professor primário e depois como jornalista nos periódicos comunistas Frente Popular e El Siglo.

Em 1932 ingressa nas fileiras do Partido Comunista e em 1947 conhece a sua primeira prisão na sequência da ilegalização do PCC, passando pelos campos de concentração de Pitrufquén e Pisagua.

Em 1950 é eleito para o Comité Central do Partido, órgão no qual se manteve até à data da sua morte. Em 1958 foi eleito secretário-geral do PCC, cargo que ocupou até 1989, quando foi substituído por Volodia Teitelboim, igualmente falecido recentemente.

Senador da República em dois mandatos, entre 1961 e 1973, colaborou intensamente com o presidente Salvador Allende. Depois do golpe militar fascista de Augusto Pinochet foi perseguido e, finalmente, detido e torturado nos cárceres da ilha Dawson, de Ritoque e de Três Alamos. Ainda na prisão, foi galardoado com o prémio Lénine para a Paz, em 1973.

Fruto de uma intensa campanha internacional e da acção diplomática da URSS, Corvalán foi libertado, em 1976, junto com outros 200 prisioneiros políticos chilenos, tendo-se exilado posteriormente na URSS.

Luis Corvalán deixa publicadas obras como «Ricardo Fonseca – Combatente exemplar» (1971), «Santiago-Moscovo-Santiago», «Uma vida de combate» (1997), «O governo de Salvador Allende» (2003) ou «Os comunistas e a democracia». À data da sua morte estava a terminar um livro de memórias.

No passado dia 6 de Junho, Luis Corvalán recebeu no Teatro Normandie, por altura do aniversário do PCC, a medalha Luis Emilio Recabaren, máxima distinção atribuída pelo Partido.

O corpo de Corvalán foi a enterrar sábado, 24, no cemitério geral da capital do Chile, Santiago.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ainda o Plano de Pormenor da Baixa Pombalina


Este Plano está em discussão pública até 15 de Setembro. Merecendo uma análise de técnicos ligados a este tipo de actividade, carece de um intervenção mais ampla, atendendo a valores que são caros aos actuais e futuros residentes e à população em geral e que não merecerão a mesma consideração por parte de alguns dos promotores dos processos de reabilitação que esta zona histórica poderá atrair.

Creio que todos deveriam ter em conta que há valores patrimoniais, cérceas, existência de equipamentos escolares, de saúde e outros centros sociais, novas condições de habitação e de vida colectiva e parqueamento que têm que ser equacionadas em conjunto porque nenhuma delas é independente das outras no que respeita à convergência de objectivos.

Nota-se após uma rápida leitura do regulamento que não estão contempladas questões básicas, que a legislação impõe, como a falta de uma Carta do Património que contivesse o conjunto dos elementos a preservar, mesmo que se prevejam recomendações técnicas que poderão não ter carácter obrigatório, a Carta de Equipamentos Escolares que, numa zona completamente consolidada, mas com algumas adaptações de usos contemplasse as escolas básicas e outras necessárias, o mesmo se dizendo uma Carta de Equipamentos Desportivos, uma Carta de Equipamentos Sociais e de uma Carta de Equipamentos Culturais. Ou a falta de uma paleta de cores. Ou ainda a falta de um plano

Por outro lado as peças desenhadas têm apenas carácter indicativo (não vinculativo), o que deixa indefinido o que se irá permitir em matéria de cérceas.

O emparcelamento tem um tratamento contraditório em dois artigos (11º 9., 23º 7.). Não estão definidos índices que balizem a volumetria e tipologias de alterações de fogos. Não estão previstas compensações (indemnizações) por eliminação de pisos, de actividades de vão de escadas.

Finalmente, não existe um plano de circulação viária e pedonal, de interfaces e de silos.
O repovoamento pode ser comprometido na medida em que nada se impede que a ocupação total dos vários pisos possa ser de comércio, serviços e escritórios. As alterações dos pisos térreos não deveriam pôr em causa vãos com moldura de cantaria originais e arcarias e abóbadas. A permissão da construção de estacionamento enterrado deveria apenas ser permitida em casos características e estruturas dos séculos XVIII e XIX.

A instalação de elevadores e extractores de fumo terá que conciliar-se com condições de salubridade nas divisões de habitação que têm janelas abertas para eles.

A utilização de painéis solares deve não apenas obedecer a considerações de custo benefício mas atender à imagem das coberturas da Baixa proporcionada por um vasto conjunto de miradouros que lhe conferem uma imagem identitária muito forte.
A consideração de novas edificações no quarteirão Campo das Cebolas/ Rua da Alfândega/ Av. Infante D. Henrique/ R. do Instituto Virgílio Machado, apesar de abrangido pelo Plano de Pormenor, não ter regras leva ao receio de aventuras incompatíveis com a zona.
São algumas opiniões que aqui ficam e que são partilhadas por muitos dos que trabalham na CML.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O mapa não é o terreno"


Alfred Korzybski (filósofo e cientista polaco-americano, 1879–1950)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Se alguém se engana com seu ar sisudo...


Desculpai-me lá uns dias afastado da net sem aviso prévio.
Lá onde estive, respirando bem e com um bom silêncio, só interrompido por andorinhas e melros mais os carrilhões das duas igrejas que dão horas com 10 minutos de diferença, não vi as pessoas a falarem da revisão constitucional que poderá (ou não) ocorrer na actual legislatura.

Mas vi o Jorge Miranda dizer que as revisões constitucionais já ocorridas não contribuíram para melhores dias do nosso país.

Vi ainda as malfeitorias que a proposta do PSD contem, nomeadamente na maior liberalização de despedimentos e nos pagamentos de serviços na Saúde e Educação tendentes a favorecer o sector privado nestas áreas onde tem sobrevivido, com excepções, de comportamentos saprófitos, de convenções, em que o estado contrata funções mas perde capacidade de monitorização em nome de "emagrecimentos" do Estado, tão reivindicado por tais beneficiários.

Vi ainda, dias antes, o Passos Coelho dizer que não viabiliza o Orçamento de 2011.
Pondo de lado como irrelevantes, algumas frescuras infantis do neo-liberalismo, o que se está preparando, como noutras revisões anteriores, é que o PSD descarrega a parafernália de malfeitorias, o PS reage como dama impoluta e imaculada noutros assédios, e os dois, depois de grande gritaria, vão juntar os trapinhos mais à frente. Assim tem sido. Assim continuará a ser porque tudo está previsto nos respectivos códigos genéticos e na experiência desta democracia, onde liberdade atrás de liberdade, direito atrás de direito, lhe vão retirando o conteúdo concreto.

O CDS lá vai fazendo de conta, a ver a melhor altura para saltar para o trem matrimonial.
À esquerda reside a capacidade de luta contra tais projectos, esperando-se que muitas outras pessoas se oponham a estes recuos que são de civilização...
Finalmente, não me parece de descartar a hipótese de toda esta barulheira contribuir também, neste momento, para distrair as atenções para os concretos e imediatos despedimentos, novas fases de precarização e outras mal feitorias que o governo vai fazendo, que têm o acordo ou decorrem de acordos com o PSD.

domingo, 11 de julho de 2010

O neo-liberalismo existe?



O neo-liberalismo existe? É um derivado do liberalismo anterior? É um fantasma criado pela esquerda?


Esta corrente teórica, formalizemo-la ou não com esta designação, e as respectivas práticas resultam do soçobrar do socialismo no leste europeu e da lógica à solta de mais e mais lucros dos grandes grupos.


Com todas as reservas, que os próprios comunistas assinalaram antes e depois desta ocorrência a aspectos da democracia nessas sociedades e algumas políticas destes países, o exemplo que vinha deles, foi durante décadas o maior travão a uma maior exploração dos trabalhadores do “mundo ocidental”.


Os movimentos dos trabalhadores nos outros países atingiram vitórias que resultaram da sua força organizada e experiência política mas também do peso que os países socialistas tinham adquirido nas relações internacionais e na percepção geral de que certas conquistas eram possíveis.


António Vilarigues referiu no Público do passado dia 9 uma parte das conquistas obtidas pelos trabalhadores no mundo capitalismo por força do exemplo que vinha do lado de “lá”…Apreender essas conquistas e situá-las num tempo concreto é essencial para fazer história. O “Estado-Providência”, como alguns lhe chamam, atribuindo-o a desenvolvimentos exclusivos do keynesianismo, não pode ignorar este pilar da sua génese. Aliás, os trabalhadores, em todo o mundo, passaram, a partir da queda do socialismo no leste europeu, a ter a noção, na sua perda de direitos e liberdades, na sua maior exploração e no alargamento da pobreza.


Isto no que respeita às questões sociais porque os reflexos foram também enormes na globalização com os aumentos de desigualdades que produziu, na criação de novas guerras de agressão sem a contraposição de uma outra força político-militar, no mercantilismo e redução de níveis de qualidade que atingiram a educação, a saúde, a segurança social e a criação e fruição culturais.

O "menos Estado" é uma reivindicação hipócrita. O que se quer é um Estado a fazer e a gastar recursos como os grupos económicos querem. Se eles não ligassem ao Estado e o quisessem "mínimo" não se candidatavam a nenhum órgão da administração central e local. Aqui o que lhes interessa é retirar parte de serviços universais, como a educação e a saúde, e também a segurança social, com maior capacidade de gerarem lucros numa óptica de gestão privada, do âmbito

da gestão pública, única forma de lhes garantir a universalidade e a gratuitidade. Como se não fosse para isso que todos pagamos impostos e descontamos ao longo da vida...

As designações são importantes para designar certos fenómenos. Mas importa ter em conta que este é o capitalismo que existe, no ponto onde o fizeram chegar as suas locomotivas. Qualquer rejeição semântica por parte dos partidos que têm governado Portugal nos últimos trinta e quatro anos é um mero acto de hipocrisia eleitoralista.

domingo, 4 de julho de 2010

Hegemonia imperial ou mundo multipolar?


Há dias referi aqui a opinião de A. G. Marshall e a nova oprdem mundial sobre o despertar político global.

Essa opinião baseia-se numa influência das massas organizadas contra as elites.

Há, no entanto, outros autores que, agora já se referindo às relações entre estados, afirmam existirem já um conjunto de potências, a saber, o Brasil, a Rússia, a India, a China e a Turquia (em discussão com os outros por estes dias para integrar o grupo), que estão a construir já esse mundo multi-polar e que isso está, por exemplo, a condicionar as sanções ao Irão.

Mas essa multipolaridade não limita totalmente a margem de manobra dos EUA que, depois do falhanço das negociações dos EUA com o Irão, e o êxito das conduzidas pela Turquia e o Brasil, com outra capacidade de diálogo que não a posporrência americana.

Para este conjunto de potências existem, é claro interesses próprios no assumir deste papel geo-político. A Turquia tem ambições de ser interlocutor de peso no Médio Oriente, e estará a afastar-se de uma diluição na União Europeia, parceiro estratégico menor dos EUA. a China e a Rússia apostam na estabilidade interna do Irão, atendendo às fortes relações comerciais entre eles, ao fornecimento de gás do Irão à China, e de armamento.


Mas nem tudo é positivo.

Israel vive às conta dos EUA e aprofunda o seu carácter racista provocador. Isolado do resto do mundo dispõe de muitas ogivas nucleares para resistir ao que parece inevitável: o seu afundamento. O que poderá vir dali?

Os EUA ocuparam o Iraque e nem tão cedo sairão do Afeganistão.

A instalação do escudo anti-míssel norte-americano na Polónia é passo importante, tentado há décadas, de aniquilar as defesas russas se esta for confrontada com um ataque de mísseis.


Mas, por outro lado, na América Latina constitui-se um entendimento entre países que reduz o papel da esclerosada OEA.

Em África um esforço de afirmação própria no cenário internacional tem tido um papel positivo, apesar de muitas contradições.

A tentativa da Síria e Venezuela recriartem um movimento do tipo dos não alinhados e outros contactos bilaterais entre vários países revestem-se de interesse objectivo.

Até agora os EUA só cooperavam com estruturas regionais de vários países se a pudesse tutelar. Não é claro que possa continuar a ter em todo o lado esse papel. A sua crise é profunda e o resto do mundo tem pago isso.
Mas a redução constada da sua influência poderá gerar enormes aventuras contra a Humanidade.

O reequilíbrio entre estados não dispensará uma participação activa das massas bem apoiadas em organizações que as representem e as faça aceder ao poder.

Generais e coroneis...


Às vezes não resisto ao masoquismo e fico-me a ver na RTP-2 o "Olhar o Mundo", de Márcia Rodrigues.

A jornalista é uma compulsiva casadoira dos interesses da UE e da NATO, situação de facto que a transcende mas que gosta de glosar para não ficarem más interpretações sobre este ou aquele incidente como foi agora a substituição de um general por outro no comando da guerra no Afganistão, ou algumas vozes na UE a protestarem contra "esta guerra que é dos americanos"

Para tal socorreu-se de um coronel português, que já lá cumprira uma missão, o coronel Duarte Costa.

Fiquei banzado com o corte de cabelo West Point, as medalhas ostentadas pelo entrevistado e pela densidade da linguagem operacional carregadinha de "counter-insurgences" e "comprehensible approaches" e de outras designações como tais para ficarmos esmagados com a sua suposta sapiência.

Esclarecimentos sobre a guerra, as razões do seu prolongamento há tantos anos, ficaram para outra oportunidade. Mas ficámos a saber que "partilhamos com os EUA" uma série de pricípios morais e éticos, que esta guerra "temos que a ganhar", que se deve valorizar para passar da hostilidade à indiferença das populações o tratarmos bem as crianças e partilharmos hospitais de campanha com elas, que a guerra vai durar muito tempo e é necessária a solidariedade de todos (?).
Olha que bem...

sábado, 3 de julho de 2010

D. Januário Torgal Ferreira: um bispo certo no tempo

Em entrevista ao jornal "i", no passado dia 26, D. Januário analisa aspectos da realidade portuguesa, em coerência com um pensamento que tem elaborado, em contacto com a realidade do seu país.

Viver até aos mil anos...



Ontem num colóquio na Universidade do Poto, o director da fundação Strategies for Engineered Negligible Senescence fez passar a mensagem, por alguns jornalistas para isso vocacionados, de que é possível travar o envelhecimento e de que os humanos podem chegar aos mil anos. Para ele a medicina regenerativa tem pés para andar se se investir na investigação e pesquisa e a biologia experimentativa necessita de desenvolver métodos para o uso de células estaminais, terapias limpas e engenharia de tecidos, podendo contar já hoje com parte da tecnologia necessária.
Este investimento é prioritário? Não, penso eu. O mundo tem que investir mais no combate à fome, às doenças, na criação de sociedades menos desiguais, mais respeitadoras do trabalho e de direitos, no fim das agressões e das guerras imperialistas.
A Ciência e a Técnica deslumbram-nos nas imensas potencialidades que abrem para o desenvolvimento humano, para a melhoria das condições de vida. Por isso é chocante que a tal progresso da C&T não corresponda esse desenvolvimento humano e o usufruto generalizado das liberdades a que só pequenas minorias têm acesso.Fica de parte a questão de saber o que faríamos com um mundo povoado de seres humanos milenários, que coexistiriam com o crescimento contínuo de novas gerações e as restrições absurdas que o capitalismo coloca à auto-suficiência alimentar...Exportaríamos os excedentes populacionais para a Lua e outros planetas? Criaríamos vários níveis subterrâneos de novas sociedades?Ou só se está querer satisfazer mais um pequeno nicho do mercado dos que acham que não viveram bastante?
Nota final -.A foto não é de um homem milenar mas do autor desta visão, Audrey de Grey.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O despertar político global e a nova ordem mundial, de Andrew Gavin Marshall



Andrew Gavin Marshall que, com Michel Chossudovski, publicou há dias"A crise económica global - a grande depressão do séc. XXI", apresenta agora na Global Research uma série de 3 artigos a que chamou "A Revolução Tecnológica e o futuro da Liberdade".


Neste primeiro artigo, do passado dia 24, Marshall propõe-nos observar a situação contraditória decorrente dessa revolução: por um lado a humanidade nunca esteve tão atenta às questões do poder, da exploração, do imperialismo e da dominação mas, por outro lado, nunca as elites transnacionais globais estiveram tão capazes de imporem um sistema verdadeiramente global de despotismo científico e opressão política. O autor confessa estar cheio de esperança mas pressionado pela urgência. Para ele, em toda a história humana nunca o potencial e a repercussão das acções humanas foi tão monumental como nos nossos dias.
Sustenta que os indivíduos têm o despertar global ao seu alcance no que respeita aos acontecimentos mas também quanto a si próprios.
A população do mundo nunca foi tão grande e as élites, hoje mais que no passado, procuram dominar populações que cada vez mais estão conscientes das desigualdades, da guerra, da pobreza, da exploração, do desrespeito, do imperialismo e da dominação. Por isso, nesta condição humana histórica e única , trabalham para instalar o caos organizado das crises económicas, a guerra e a rápida institucionalização de uma ditadura baseada na ciência.
O autor remata, dizendo que a nossa esperança é o medo dessas elites e o nosso medo é a única esperança delas.
Pode encontrar aqui o artigo na íntegra.

Provocadores da polícia nas manifestações pacíficas a propósito da cimeira dos G20 em Toronto



As polícias de todo o mundo já incorporaram há muito no seu arsenal contra manifestantes o recurso a provocadores, que se confundem com manifestantes, para realizarem actos violentos. Contra lojas comerciais e outros estabelecimentos, contra carros civis e da polícia, recorrendo a diversos meios como matracas e cocktails molotov.
Os grandes órgãos de informação limitam-se a passar as imagens desses actos e, em termos editoriais, a identificarem isso com a acção dos manifestantes para lhes retirar credibilidade e para lhes reduzir o apoio popular.
Em países mesmo com fortes organizações de esquerda, políticas e sindicais, a neutralização desses grupos é por vezes difícil.

Já noutras vezes, como no Quebec, os provocadores usaram mesmo botas da polícia, como pode ver aqui, aqui e aqui.
Desta vez, em Toronto, o mesmo aconteceu, com "anarquistas", musculados, revelando preparação militar.
O grupo auto-entitula-se "black bloc".
Uma notícia de conjunto sobre estas questões pode ser vista aqui.

O Nobel da Economia, norte-americano, Joseph Stiglitz, citado no Público de hoje


"Nos Estados Unidos entregámos à banca 700 mil milhões de dólares. Se tivéssemos investido apenas uma fracção dessa quantia na criação de um novo banco teríamos financiado todos os empréstimos necessários”, explicou Joseph Stiglitz em declarações ao jornal “Independent”. Na realidade, adiantou, teria sido possível atingir esse objectivo com muito menos.

Para o Nobel da Economia, o problema dos Estados Unidos é que o estímulo fiscal não foi o que era necessário. Depois dos ataques dos mercados financeiros à Grécia e a Espanha, o consenso aponta para a poupança por parte dos governos, critica Stiglitz que compara a situação actual com a dos Estados Unidos durante a presidência de Herbert Hoover.

Os governos, como o britânico, não só se negam a estimular a economia, como também se dedicam a cortar no gasto, como fez Hoover em 1929. “Hoover acreditava que quando se entra em recessão, aumenta os défices, pelo que optou por cortes e isto é precisamente o que querem agora os estúpidos mercados financeiros que nos colocaram na situação em que estamos”, disse o prémio Nobel.

Segundo Stiglitz, é o clássico erro de confundir a economia de uma família com a de uma nação. “Se uma família não pode pagar as suas dívidas é-lhe recomendado que gaste menos. Mas numa economia nacional, se se corta o gasto, a actividade económica cai, nada se inverte, aumenta o gasto com o desemprego e acabasse sem dinheiro para pagar as dívidas”, disse.

A resposta à crise, defende Stiglitz, não é reduzir o gasto público mas redefini-lo reduzindo, por exemplo, a verba que é gasta na guerra do Afeganistão e aumentando o investimento em áreas como a investigação e o desenvolvimento.

sábado, 26 de junho de 2010

Carlos Pato, 60 anos sobre o seu assassinato pela PIDE no Forte de Caxias


Estes 60 anos foram hoje assinalados nas instalações do Ateneu Vilafranquense, de que Carlos Pato foi presidente entre 1945 e 1949, em que participei, e por uma romagem à sua campa por iniciativa da Comissão Concelhia do PCP.

A sua morte ocorreu, no reduto norte da cadeia, na sequência de falta de assistência médica por parte da PIDE, depois de treze meses de brutais tratamentos físicos, incluindo 111 horas de "estátua" (ao preso não era permitido sentar-se nem encostar-se). Carlos Pato tinha então 29 anos. O Director da Cadeia pretendeu ocultar o facto da família, o que não conseguiu pelo que , quando a PIDE levou o corpo em funeral para o cemitério de Vila Franca de Xira, uma multidão impôs um passo lento ao desfile.
Carlos Pato era irmão de Octávio Pato que, à data da sua morte, estava na clandestinidade.

Bancário, atleta em vários clubes de Vila Franca, Carlos Pato viria a acompanhar os passos de Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, no movimento neo-realista mas só teve condições de escrever um livro, "Alguns contos", que viriam a ser publicados depois da sua morte. Participou com outros camaradas e simpatizantes do Partido nos "Passeios culturais do Tejo".

sexta-feira, 25 de junho de 2010

João Ferro


Faleceu João Ferro, jornalista, de 72 anos.

Militante do PCP, trabalhou em Moscovo, antes do 25 de Abril, depois na agência soviética Novosti em Lisboa, acabando por ser um dos jornalistas da criação da SIC onde trabalhou até ao fim da vida.

De João Ferro guardo a memória de um bom conversador, culto e informado, sensível e atencioso, solícito mas profundamente só.
Tinha agora uma tertúlia de amigos onde animava as conversas.
Foram dezenas de anos de camaradagem militante que ficam dentro de nós nesta partida.
Em nossa casa, foram horas a fio - uma das quais com a filha russa que vivia com a mãe em Espanha - em que nos prendíamos nos seus relatos sobre a história da Rússia, da Revolução bolchevique e da URSS.
Ontem e hoje muitos amigos se despediram dele. Adeus João.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O senso comum não é assim tão comum"
Voltaire

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O grande abafador


Queixam-se muitos realizadores de cinema portugueses que õ Sr. Antunes João, da ZON é o grande "abafador" do cinema português. Fazem-no recorrendo à imagem da almofada que abafa.

O que me suscita uma outra imagem, a do abafador dos berlindes, e da sensação que sentia quando os meus bilas, ao saltitar entre as três covinhas, eram expropriados por um de nós, que se queria destacar do bando recorrendo a algumas regras semelhantes às do mercado. Não do Chile, onde nos íamos abastecer, mas duma coisa invisível em que se tornou a troca de animais na terra da minha mãe. Uns tinham muitas cores. Outros tinham uma particularidade que constituía para nós, aprendizes da vida, um selo de garantia que permitia o "abafar". Outros ainda eram, pura e simplesmente, fora do vulgar, o que obrigava a um esforço litigante que só tinha eficácia definitiva se puxássemos de um "papa-mundo" para defender o nosso património, ganho com o sacrifício de súplicas aos nossos pais mas recompensado quando na tabacaria, no caso o Ti Manel, abria os sacos e nos oferecia uma vista maravilhosa de cores e brilhos.

Vem isto não totalmente a propósito, de um texto publicado hoje no Público por um conjunto significativo de bons realizadores portugueses.

Queixam-se eles, e o que vemos nas salas de cinema, parece comprová-lo, que a concentração nas mãos da Lusomundo/PT/ZON, da propriedade do "essencial do património do cinema português contemporâneo e antigo", fazendo-o desaparecer das salas. Depois de terem ido a festivais, sido estreados em,Portugal e , editados em DVDs, mostrados em eventos diversos noutros países ou passados nos canais de TV. E de que o FICA (Fundo de Investimento do Cinema) apesar de só deter 3o% do capital domina o jogo todo destre Fundo para impôr produções pimba...
Queixam-se ainda que membros do governo e a Direcção do Instituto de Cinema e Audiovisual, têm conhecimento deste processo mas não querem dificultar a vida ao referido grupo.
Queixam-se finalmente de que o mesmo grupo viabiliza a invasão de produtos norte-americanos de baixa-qualidade e inviabiliza a intervenção de outros distribuidores, nomeadamente do cinema independente.

Para que o abafador não fique na sombra, aqui o apresentamos, apesar de algumas perplexidades que tal olhar nos suscita.

Segundo a ZON, "Desde 2003 é gestor global dos Canais Lusomundo e responsável pela totalidade das operações da Lusomundo Audiovisuais, nomeadamente nas vertentes de distribuição de cinema e Home Vídeo Durante a sua actividade profissional tem sido responsável pela selecção, aquisição e programação de uma grande variedade de obras, nomeadamente filmes, documentários, animação, séries."

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pintura de Almada Negreiros




A Mafalda e o desemprego


“Um pacto para o emprego ou o para desemprego?”, de Eugénio Rosa





Numa altura em que se fala num Pacto para o Emprego, Eugénio Rosa, com base num estudo do Governo sobre "Emprego, contratação colectiva de trabalho e protecção da mobilidade profissional em Portugal", desmonta a perspectiva de emprego prometida nos PEC 1 e PEC 2.
Como é que se pode falar num "Pacto para o Emprego" quando, para além da situação que os próprios dados de um estudo do Ministério do Trabalho revelam, se aprova um "PEC1" e um "PEC2" que contém medidas que vão inevitavelmente determinar um menor crescimento económico (e o Banco de Portugal já tinha previsto que em 2010 seria apenas de 0,4%) e uma maior destruição de emprego e, consequentemente, o aumento rápido do desemprego que os dados do INE, do Eurostat, e mais recentemente da OCDE mostram que é uma situação cada vez mais insustentável (recorde-se que, perante a fraqueza do governo de Sócrates, a Comissão Europeia veio exigir novos cortes no défice em 2011 no montante de 2.500 milhões € o que se for aceite, torna a situação ainda mais insustentável)? Como é que se pode falar de "Pacto para o Emprego" quando se prevê a perpetuação das baixas qualificações em Portugal, e quando os salários reais diminuem e afastam-se cada vez mais dos salários médios da UE? Como é que se pode falar seriamente de um "Pacto para o emprego" quando se impõe a caducidade administrativa de um número crescente de Contratos Colectivos de Trabalho deixando de fora da protecção da contratação colectiva milhares de trabalhadores? Como é que se pode falar em Pacto para o Emprego, o patronato apoiado no poder dado pelas leis aprovadas pelo governo do PSD/CDS e pelo governo de Sócrates impõem salários contratuais que se afastam cada vez mais dos salários reais? São estas as questões que se deixam aqui para reflexão.

sábado, 19 de junho de 2010

Não esqueceremos


Neste mês de Março ocorreram simultâneamente dois factos de consequências complexas para o nosso país.

Por um lado, entrou em vigôr um dos maiores graves pacotes anti-sociais realizadas ao longo da nossa democracia. Por outro, a reclamação de "Mais Europa" traz no bojo mais alienação do que resta da democracia para instâncias supranacionais, não eleitas que, sob o comando de personagens como o presidente do Banco Central Europeu e em articulação com os EUA, configuram um governo mundial.

Quando alguns comentaristas dizem que os crimes sociais cometidos foram de acolhimento unânime e que "não havia alternativa, "esquecem" as grandes manifestações ocorridas em Portugal, Grécia e Espanha e em outros pontos do mundo. Esquecem a repulsa que tais medidas provocaram em camadas intermédias e na generalidade da população, o medo que domina muita gente por causa do seu futuro.

Algumas boas consciências ou se fixaram na discussão deste ou daquela questão parcelar, ou encheram-nos os ouvidos com frases que surrupiaram ao descontentamento social como rupturas, novos paradigmas, novas trajectórias. Descodificada a semântica,as medidas foram contra os trabalhadores. Nada sobre o crescimento económico. Nada sobre a estabilidade social. E nada sobre a soberania. Os portugueses não vão esquecer.

É certo que esse medo poderá gerar recuos mas essa insensibilidade, ditada por interesses de classe cada vez mais estreitos, irá originar uma queda mais estrondosa desta política.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras"
José Saramago

Os teus livros e as tuas reflexões são elemento essencial do nosso futuro colectivo


Era um adeus esperado nos últimos tempos, apesar de ter criado quase até ao último dia. Fica como um dos maiores escritores da nossa História. Foi um grande escritor do povo mas também um crítico do seu tempo, deixando inúmeras pistas para o futuro colectivo numa altura em que tanta falta faz reconstruir um projecto e um país vítimas da voragem dos predadores das pessoas e das suas identidades.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quirguistão: pequeno país mas de alta importância estratégica


1. O Quirguistão é um país quase totalmente montanhoso e sujeito a graves terramotos. O país fica na junção de dois grandes sistemas montanhosos da Ásia Central, o Tien Shan e o Pamir, que compreendem uma série de cadeias de montanhas, que vão do leste para o oeste. Mais da metade do território da república situa-se numa elevação de aproximadamente 2.500 metros (cerca de 8.202 pés). Geleiras e neves perpétuas abrangem mais de 3% do total do território.

A composição étnica é no total da população de 4,7 milhões (2000), sendo quirguizes 52%, russos 22%, uzbeques 13%, ucranianos 2,5%, alemães 2,4%, tártaros 1,6%, outros 6,5% (1996).

A nacionalidade é kirguiz, o kirguiz é a língua oficial, seguida pela Rússia. No que respeita à religião prosseguida: islamismo 70% (sunitas), cristianismo 5,7% (ortodoxos russos), outras 24,3% (dados de 1997).

Os principais partidos são o Comunista Quirguiz e o Social-Democrata da Quirguízia. E o legislativo é bicameral, com uma Assembleia Legislativa de 35 membros e a Assembleia do Povo com 70 membros. Ambos eleitos por voto directo para mandatos de cinco anos. A constituição actual está em vigor desde 1993.


2. Tal como outros países da Ásia Central, ex-soviéticos, depois do colapso da URSS, adaptou pouco a sua estrutura e composição política.


O presidente Askar Akayev foi deposto por um golpe organizado pelos EUA, em 2005, assim que se concretizou um compromisso de apoio financeiro por parte da China, potência interessada em alargar a sua influência regional.


Sucedeu-lhe Kurmambek Bakiyev, aliado dos americanos que concedeu aos EUA uma base militar, a pretexto da luta antiterrorista que os EUA que puseram em prática para “legitimar” o seu avanço para uma zona rica em petróleo que os acercava dos territórios da Rússia e China. No caso do Quirguistão salienta-se ainda uma importante mina de ouro descoberta do tempo da URSS (e gerida pelo Canadá, com o apoio dos EUA) e outros minerais utilizados em meios estratégicos, como o urânio e o antimónio.

A “revolução túlipa” fez entrar no país ONGs apoiadas e dirigidas pela administração americana em todo o processo de liquidação do mundo socialista.

Este presidente assumiu políticas de privatização, aumentos de preços e pauperização de importantes sectores da população e tinha prevista uma alteração constitucional que previa uma sucessão dinástica dos altos cargos e, por isso, viria a cair na sequência de uma revolta popular muito bem organizada, num processo em que os rebeldes chamaram a si a polícia e o exército, deixando o presidente deposto sem apoios para retomar o poder. Os EUA começaram por apoiar Bakiyev, mas em poucos dias acabaram por ir ao encontro dos revoltosos, que rejeitaram um outro sucessor presidencial que os EUA fizeram avançar – Eliseev.

Os revoltosos formaram, um governo provisório, dirigido pela senhora Otosenbaieva que, entretanto, obteve apoio económico dos EUA (garantindo a continuidade da sua base) e URSS mas não a intervenção militar deste pedida pelo governo provisório à Rússia.


3. Há portanto 3 grandes potências a observar a situação, que ainda não se pacificou.

Os EUA, que aspira ao império mundial, querendo alargar a sua presença e domínio em países a muitos milhares de quilómetros das suas fronteiras. A Rússia e a China que partilham preocupações sobre o “contágio” em possíveis conflitos no seu próprio território que aproveite conflitos entre etnias, sobre a segurança dos meios energéticos e sobre a aproximação dos seus territórios de bases militares norte-americanas.

A China, em particular, está interessada em manter o seu papel de liderança de uma economia regional onde tem actuado com grande eficácia e não aceitar que esta seja “tutelada pelos EUA”.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ainda o aniversário da adesão de Portugal à CEE


Com o devido respeito por todos, aquela plateia reflectia o desconforto em estarem a comemorar tal coisa, mas também alguma tristeza e chatice.

Ernâni Lopes e Mário Soares reclamaram mais Europa. Mais quê? Federalismo? Reforço do pilar europeu da NATO? Transferência de mais poderes dos Estados para a burocracia? Elaboração dos orçamentos nacionais em Bruxelas? Desregulamentação total do trabalho?

Alvaro Cunhal

Não terei a veleidade de escrever sobre Álvaro Cunhal, que evocamos, cinco anos depois da sua morte. Mas recomendo aos meus amigos que leiam o que Vitor Dias escreveu ontem no seu blog.

sábado, 12 de junho de 2010

Jovens das tribos de Omo







Parque dos Moínhos de Santana

Ali, entre as freguesias da Ajuda e do Restelo. Nesta altura pode passear, dormir, pintar, andar de baloiço, rebolar-se na relva, ir aos moínhos ou comer qualquer coisa no restaurante. Com a família e os amigos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Não conseguimos resolver problemas usando o mesmo tipo de pensamento que usámos quando os criámos"




Albert Einstein

Quatro bailarinas, de Edgar Degas





quinta-feira, 10 de junho de 2010

O mundial de África



A abertura do Mundial de futebol decorreu com um grande espectáculo no Soweto.


Este mundial constitui um marco importante para a Africa do Sul mas também para toda a África.


O mundo conhecerá melhor o país de Mandela, que hoje tem outro peso no mundo. Mundo que importa ter vários grandes centros de influência e não apenas o comando dos EUA, que, apesar da sua bancarrota, impõem, um domínio sobre grandes zonas, assente na conquista das fontes de energia e na construção de uma direcção militar única a partir dos EUA e da NATO.
Continuando o ANC a ser o partido mais votado, e de forma significativa, isso não elimina as contradições decorrentes do seu crescimento, os comportamentos corruptos, nem a violência.

As forças do apartheid procuraram nestes últimos meses tudo para criar ou passar a imagem dum país violento, não consolidado, incapaz de organizar um evento destas dimensões.

Isso não se irá verificar.

Vida e morte no Vale do Côa, por Jorge



Duas expressivas fotografias da vida quase-selvagem que ainda é possível encontrar em certas zonas do país. Uma é da vida que nasce, a outra da morte, o grande ciclo da existência de tudo...Foram tiradas por um amigo na zona de protecção especial do Vale do Côa.