segunda-feira, 17 de novembro de 2008

José Barata-Moura, sobre Marx


No último dia do Colóquio Internacional Karl Marx, que terminou ontem na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, José Barata-Moura elogiou a iniciativa que reuniu 150 investigadores nacionais e estrangeiros ao longo de três dias, notando que ela permitiu ler, debater e analisar o pensamento de Marx, "que continua a não ser bem conhecido ou a ser apenas conhecido por clichés que o deitam abaixo ou que o louvam". "Espero que a prática do estudo se enraíze e se desenvolva", disse ao PÚBLICO o ex-reitor da Universidade de Lisboa, no final da sua comunicação sobre "materialismo e dialéctica".Na concorrida "lição" de Barata-Moura, professor da Faculdade de Letras, o orador lembrou uma frase de Marx, confidenciada a um amigo em 1843, na qual o filósofo alemão explicava que não era a sua intenção "antecipar dogmaticamente o mundo". "Queremos encontrar, a partir da crítica do mundo velho, o mundo novo", citou. Ao longo de 30 minutos, Barata-Moura "esmagou" a assistência com uma intervenção que sustentou o contraste entre Marx e o idealismo hegeliano. "Os campeões da ideologia, contra os quais Marx e Engels investem, não se convertem em objecto de reparo por serem os produtores de representações da consciência social. São atacados por considerarem o mundo dominado por ideias e por encararem as ideias como princípios determinantes, susceptíveis de revelar o mistério do mundo." Marx rejeita esta "autonomização das ideias em relação à materialidade do viver", uma vez que, explicou, "a consciência é o ser consciente" e "o ser dos homens é o seu processo de vida real".A elevada afluência de público nos três dias do colóquio acabou por exceder as expectativas dos organizadores, notou o historiador Fernando Rosas, membro da comissão organizadora. Esta adesão reflectiu, afinal, aquilo que se pode encontrar na imprensa mundial, onde a análise das teorias marxistas está na ordem do dia. Mesmo em publicações insuspeitas como o jornal The Financial Times e as revistas Standpoint e The Spectator - foi nesta última, aliás, que o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, escreveu, em Setembro último, um artigo de opinião no qual defendeu que Marx tinha razão, ainda que "parcial", sobre o capitalismo. Numa altura em que os livreiros alemães afirmam ter vendido mais obras de Marx nos últimos dois meses do que nos últimos dois anos.

(extraído da notícia de hoje do Publico)

domingo, 16 de novembro de 2008

"E se...Obama não fosse do Partido Democrático?", por Fernando S. Marques


Caros amigos,
Recebi, por várias vias, um lindíssimo texto de Mia Couto (mais um) chamado "E se Obama fosse africano?" que aqui vai para os que ainda não o leram.
Mas apeteceu-me, numa vontade avassaladora, escrever também um texto chamado "E se Obama não fosse do Partido Democrático?"
Trata-se apenas de acrescentar uma reflexão mais. Sobre a mitigada democracia americana. Particularmente para os que descobriram, agora, virtudes, onde, antes, só havia defeitos. E, também, para os que apenas acedem à informação vendida, nos intervalos da publicidade, por noticiários pré-formatados, por comentadores que repetem banalidades, por gente que precisa dessas actividades para sobreviver financeira ou politicamente.
Aqui vai.
...
E SE OBAMA NÃO FOSSE DO PARTIDO DEMOCRÁTICO?
Também chorei na noite eleitoral. Por muitas razões, uma das quais por ter sentido a vitória de Obama como um pouco minha também. Fiz o que pude para ajudar.
Mas...
... a vida política americana é dominada por dois partidos e, tudo o resto, é chamado de "independente". Em todos os discursos dos políticos americanos (o próprio Obama), de jornalistas e comentadores, de gente bem ou mal pensante, o que se ouve é "Democratas, Republicanos e Independentes", ou "Republicanos, Democratas e Independentes", ou mais simplesmente "Republicanos e Democratas".
Se Obama não fosse do Partido Democrático, seria "independente", mesmo que estivesse filiado noutro partido. E, para além disso...
... Não teria falado na Convenção de 2004, a convite de Kerry, fazendo uma brilhante intervenção transmitida em directo pelos principais canais da televisão.
... Não teria sido eleito para o Senado de Illinois.
... Os seus livros talvez não tivessem sido publicados e, se o fossem, não teriam a aceitação que tiveram.
... Seria um entre milhares de activistas pelos direitos cívicos que ninguém conhece.
... Ainda estaria a pagar o empréstimo que lhe foi concedido para tirar o curso em Harvard.
... Dificilmente viria a ser candidato a qualquer coisa, a menos que se inscrevesse num dos muitos Partidos que existem nos EUA. Existem muitos Partidos nos EUA! Alguém sabe?
... Se conseguisse ser candidato a Presidente dos EUA não teria acesso aos meios de comunicação social, como aconteceu com mais de uma dúzia de candidatos (de outros Partidos) de que a maior parte das pessoas desconhece a existência.
... Quando se contassem os votos, deixaria positivamente de existir, porque, como quase toda a gente sabe só havia dois candidatos; tudo o resto não tinha interesse, nem jornalístico, nem cultural, nem social.
...
Talvez estejam a ler com surpresa o que escrevo. No entanto, os que melhor me conhecem não estranharão.
Fez-se História ao eleger Obama.
Mas é bom que se tenha consciência das circunstâncias da História.
É bom, também, que não se considere esse acontecimento como um fim em si próprio, mas como uma etapa mais do processo histórico.
Será bom que a esperança que Obama despertou dê frutos e não estiole. Estarei presente. Mas...
O mundo aguarda. Os abutres também.
...
Um grande abraço,
fernando

Pintura de Graça Morais


G20: não mais que um G8 alargado, com a mesma liderança, e com mandatários de Obama…


Na Cimeira do G-20 sobre os Mercados Financeiros e a Economia Global, os líderes desses países concordaram com um plano de acção imediata e medidas de médio prazo no tratamento da situação financeira e económica internacional.
As tarefas incluem o reforço da transparência e da responsabilização, reforçando uma boa regulação, promovendo a integridade dos mercados financeiros, reforçando a cooperação internacional e promovendo a reforma das instituições financeiras internacionais.

As decisões da cimeira de ontem da Casa Branca, convocada por Bush, reflectem intenções a serem eventualmente concretizadas nos próximos meses, até a sua reavaliação em nova cimeira em Abril. A cimeira incorporou países que não participam dos G8 para satisfazer, em termos de imagem, reivindicações de maior equidade feita por outros países, sem que os EUA percam a sua liderança, e abriram perspectivas para desbloquear alguns impasses na negociações relativas ao comércio mundial. Os países mais pequenos e em desenvolvimento têm, com fundadas razões, duvidado da representatividade indirecta nestas reuniões que poderiam advir da presença de diversas economias emergentes.

Os dirigentes de alguns países "ocidentais" estão fragilizados junto das opiniões públicas nacionais que os vêem como co-responsáveis, com Bush, da crise financeira internacional e que entendem que para dear a crise, não se pode ficar pelas recapitalizações feitas à custa do erário público e pelas garantias do Estado ao sector bancário e pretender-se alguma independência dos EUA, o abandono do domínio do dólar, na alteração completa das lideranças e políticas do Banco Mundial e FMI, na exigência aos EUA e Europa que resolvam os seus problemas internos e travem as suas recessões, evitando o contágio pernicioso para o crescimento dos países emergentes. Os efeitos da falta de créditos e de contensão de riscos da rfecessão nos países mais ricos, atingirão as exportações dos países em vias de desenvolvimento e poderão trazer um novo ciclo da sua pauperização.
Os chamados países desenvolvidos, face à reclamação de uma maior participação das economias emergentes nos centros de decisão e de um muiltilateralimo, têm respondido que se esses países querem ter mais poder devem pagar mais...Como se não estivessem já hoje a pagar excessivamente pelos desmandos no sistema financeiro, centrados nos EUA. E revelando a clara intenção de não corrigirem muito as causas da crise e de porem o resto do mundo a pagar as suas asneiras…

Muitos governos adoptaram uma postura crítica em relação à política norte-americana, como Sarkozy e mesmo Sócrates, mas o que agora se viu foi a reverência de canalizar para as suas instituições bancárias fortunas dos contribuintes para estas manterem uma relação desigual com os países em vias de desenvolvimento com os quais quer os EUA quer a UE andam a tentar acordos laterais que preejudicam o peso regional dessas economias e o seu poder nacional conjunto. Ontem Morales já referia esta questão.

Uma solução para esta crise só pode ser alcançada através de um processo de "desarmamento financeiro", tal como inicialmente formulado por John Maynard Keynes, que contesta veementemente a hegemonia das instituições financeiras da Wall Street, incluindo o seu controle sobre a política monetária.
Retomando a carta aberta a que aqui já fizemos referência noutro local, da iniciativa de Paul Davidson e Henry Liu (1):


“O Inverno de 2008-2009 provará ser do descontentamento económico global que marca a rejeição da ideologia de que mercados financeiros globais não regulamentados promovem a inovação, a eficiência do mercado, o crescimento sem restrições e a prosperidade sem fim ao mesmo tempo que reduzem o risco através da sua difusão por todo o sistema. Durante mais de três décadas a corrente dominante de economistas neoliberais pregou, e os reguladores aceitaram, o mito da eficiência dos mercados não regulamentados, ignorando a lição crítica proporcionada pela análise de John Maynard Keynes da interelação dos mercados financeiros e do sistema de pagamentos internacional.Aqueles que não aprenderem as lições da história estão destinados a repetir as suas tragédias. Os economistas neoliberais nas últimas três décadas negaram a possibilidade de uma repetição da Grande Depressão à escala mundial após o colapso da bolha especulativa criada pelos mercados financeiros sem restrições dos EUA dos "Frenéticos anos 20". Enganaram-se a si próprios ao pensar que a falsa prosperidade construída sobre a dívida poderia ser sustentável com a complacência monetária. Agora a história está a repetir-se, desta vez com o vírus novo e mais letal que infestou os mercados financeiros globais desregulamentados: a "inovadora" titularização de dívidas, as finanças estruturadas e as operações bancárias independentes inundadas com o excesso de liquidez libertado por bancos centrais acomodatícios. Uma estrutura maciça de riqueza fantasma foi construída sobre a areia movediça da manipulação da dívida. Esta bolha da dívida implodiu finalmente em Julho de 2007 e agora está a ameaçar deitar abaixo todo o sistema financeiro global e a provocar um colapso económico a menos que uma liderança política esclarecida adopte medidas correctivas à escala global. O problema das hipotecas sub-prime dos EUA, que começou em 2007, redundou, como era de esperar, num pântano que provocou a quebra dos mercados financeiros interligados e que ameaçou a viabilidade de instituições financeiras à escala mundial, pelo contágio propagado à velocidade electrónica através de um antiquado e disfuncional sistema internacional de pagamentos.Para deter o colapso financeiro global, pode-se aprender muito com a visão de Keynes de como o sistema internacional de pagamentos deveria funcionar para permitir a cada país promover uma política de pleno emprego sem ter de temer problemas da balança de pagamentos ou permitir que incidentes financeiros infectem o sistema bancário interno e os sistemas financeiros não-bancários.
Uma outra Grande Depressão pode ser evitada se os líderes mundiais reconsiderarem o sistema analítico de John Maynard Keynes que contribuiu para a era dourada do primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial. Os signatários e outros há muito advogam uma nova arquitectura financeira internacional baseada numa versão actualizada para o século XXI do Plano Keynes originalmente proposta em Bretton Woods no ano de 1944.
Esta nova arquitectura financeira internacional tem como objectivo criar (a) um novo regime monetário global que opere sem ~uma divisa hegemónica, (b) um relacionamentodo comércio global que apoie o desenvolvimento interno em vez de o atrasar e (c) um clima económico global que promova incentivos para que cada país promova o pleno emprego e aumente os salários da sua força de trabalho.”


As cúpulas do G20 não puseram em causa a legitimidade dos hedge funds e dos vários instrumentos de deriva no comércio mundial. O comunicado final inclui um impreciso e desfocado empenho "numa melhor regulação dos fundos hedge e na criação de mais transparência nos títulos ligados às hipotecas como forma de travar uma deriva económica blobal." Às agências de rating, aos off-shores e aos credit default swaps foram feitas umas cócegas inconsequentes. O mesmo aconteceu com o BM e o FMI.
Como o DN hoje refere "Quem deverá ter achado que a conferência ficou aquém do desejado é o presidente russo, Evgeni Medvedev, cujas propostas não mereceram consenso. No seu discurso, o representante da Rússia defendeu a refundação do sistema financeiro internacional, com novas ideias e novas estruturas na base de princípios fixados por acordos formais a nível internacional. Uma comissão de gurus financeiros independentes e reconhecidos a nível global deveriam submeter as suas propostas concretas aos países do G-20, a instância futura de regulação económica global. O G8, agrupamento dos países mais ricos, deverá concentrar-se nos temas da segurança internacional. Finalmente, Medvedev propôs a criação de centros financeiros regionais, com a criação de mais divisas que agreguem o maior número de países em cada região"


Apesar da comunicação social portuguesa, e não só, quererem atribuir “interesse jornalístico” ao referirem que Barack Obama estava ausente desta conferência, o facto é que, quer Madeleine Albright quer Jim Leach, ex-governantes de Clinton e Bush, respectivamente, mandatados por Obama, tiveram nos dias 13, 14 e 15, encontros com ministros e outros membros destacados das delegações da Alemanha, Inglaterra, Rússia, China, India, Austrália, Japão, França, Itália, Canadá, México e Argentina bem como com o chefe de gabinete de Durã Barroso e com o próprio secretário-geral da ONU (2). O condicionamento de decisões a serem retomadas mais à frente, com o argumento de que Obama ainda não está em funções, terá sido uma forma airosa de justificar uma não correspondência com pressões de vários países emergentes, potências regionais, que não quererão ficar pelas generalidades das conclusões saídas da conferênca que continuam a conformar-se com a supremacia de Washington.
A presença nesta cimeira de representantes de Obama e de Biden reflecte, aliás, o consenso estabelecido nos EUA entre Washington e a Wall Street.
Seja qual fôr a valorização pesoal que se faça dos objectivos e intenções de Obama, e não deixando de considerar que se mantem vivo um grande movimento de esperança na mudança, não se pode ignorar que o Presidente eleito é o vértice de uma pirâmide onde estão inatalados os interesses económicos e militares que há dezenas de anos têm assegurado ou disputado uma hegemonia castradora do que de mais fundo se encontra nasa aspirações desse movimento.
E não foram sinais de estímulo ao peso autónomo desse movimento no curso da vida política que começaram a ser dados. Pelo contrário, o movimento de cadeiras realça o peso do stato quo e dos compromissos contra natura em relação a tanta esperança.

(1) Respectivamente editor do jornal Economia Pós-Keynesiana e Professor Convidado da Universidade do Missouri (Kansas City).
(2)
http://www.mlive.com/us-politics/index.ssf/2008/11/albright_and_leach_make_the_ro.html

Lemos na sema de 10 a 16 de Novembro

13/11/08, Bernardino Soares, Avante!, “O mundo ao contrário” - Para um observador desprevenido que olhasse para o que acontece em Portugal e no mundo, a sensação seria a de que estava perante um mundo ao contrário.


11/11/08, Eduardo Catroga, Diário Económico, A crise financeira e as consequências para Portugal/A crise financeira global implica a redefinição de prioridades para a economia portuguesa – “O que é que a crise financeira global significa para a economia portuguesa? Essencialmente três coisas: (i) um retrocesso no fraco processo de retoma económica em curso, depois da recessão de 2003; (ii) maiores dificuldades de captação de poupança externa longa; (iii) necessidade de redefinição das prioridades para os próximos anos na afectação dos recursos”

10/11/08, Paul Davidson e Henry C. K. liu, “Carta aberta para os dirigentes mundiais que vão estar presentes na cimeira da Casa Branca de 15 de Novembro sobre os mercados financeiros e a economia global” - Pode evitar-se outra Grande Depressão se os dirigentes mundiais reconsiderarem o sistema analítico de John Maynard Keynes que contribuiu para a era dourada do primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial. Os signatários e outros há muito defendem uma nova arquitectura financeira internacional que parta de uma versão actualizada para o século XXI do Plano Keynes, originalmente proposta em Bretton Woods no ano de 1944.

Pintura de Rogério Ribeiro




Registos de 10 a 16 de Novembro


13/11/08, Carlos Gonçalves, “Nem com paciência de ostra”, Avante! – As posições de Alegre nesta legislatura são paradigma do oportunismo e da gestão de imagem de pseudo-dissidência com a política de Sócrates.

11/11/08, João Miguel Tavares, D. Notícias – No meu caso, chamem-me sentimental, mas não consigo deixar de me comover com as lágrimas do reverendo Jesse Jackson e com a alegria de milhões de pessoas que há menos de meio século estavam privadas dos direitos mais básicos e que hoje têm o prazer de ver um negro tomar conta da Sala Oval. E logo da forma como o conseguiu: vindo do nada, sem dinheiro, nem família, nem estrutura, recusando o queixume, superando o velho discurso sobre a raça, evitando entrar nos habituais jogos de golpes baixos e construindo a mais extraordinária campanha de que há memória, apenas com a força da sua disciplina, da sua equipa e do seu talento. Meus caros amigos, meu caro Pedro Mexia, caro João Miranda, vocês que me desculpem: se uma pessoa não se entusiasma com isto, com o que é que se há-de entusiasmar?

11/11/08, Ferreira Fernandes, D. Notícias - É um fenómeno idêntico, nas sociedades pobres, à subida da venda de pão originada pela subida do seu preço. Compram-se mais bens inferiores, porque já não se tem acesso a bens mais caros. Mais pão, quando menos salame; mais bâton porque se gasta menos com roupa. Não se vê corações, mas quem vê caras pode ver depressões.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Estamos a resistir melhor que os outros à recessão?


A (ainda!) tentativa de iludir o que nos espera, dizendo que a estagnação (0,0% de crescimento) prova que estamos a resistir à recessão de quem está nos -0,1% é ridículo, oferece pouca confiança no que o governo possa estar a fazer. O apoio às empresas decorrentes da liquidez para o crédito que foi paga por todos nós e a substituição de exportações condenadas ao fracasso nesta conjuntura por outras de maior valor acrescentado pode não chegar. Outro tipo de medidas têm que ser encaradas para fomentar a procura interna e apostar na competitividade das exportações. O nível dos rendimentos disponíveis, tendo já descontado do produto interno os pagamentos ao exterior é, de facto, o que poderá determinar uma mais lenta redução das condições de vida e um alargamento do mercado interno, já que os nossos pricipais importadores estão ou vão entrar em recessão
Quem brinca, atribuindo diferenças qualitativas a crescimentos de +0,1, 0,0 ou -0,1, faz figura de fanfarrão quando se sabe que, infelizmente os pés são e barro.
Algum pudor seria prudente, a não ser que se prefira aumentar o descrédito acrescido posterior.

Cartoon de Al-Azar

De um amigo, do outro lado do mar


Caros amigos,
1
Na noite das eleições costumamos ouvir os discursos de sempre.
Uns cumprimentam os vencedores, esquecendo os nomes que lhes chamaram.
Outros cumprimentam os vencidos e dizem-se representantes de todos.
Os mesmos todos que tecem loas à democracia.
Os jornalistas (quase todos) ajudam à festa.
E preparam-se para partir para outra porque esta já não tem "interesse jornalístico".
2
Dos cinquenta Estados Americanos só há 8 com mais população do que Portugal: California (mais de 36 milhões), Texas (>23), New York (>19), Florida (>18), Illinois e Pennsylvania (>12), Ohio (>11) e Michigan (>10).
Portugal seria, em número de habitantes, o nono Estado.
Agora imaginem que, passados nove dias das Eleições Presidenciais em Portugal, ainda não se soubesse quem era o futuro Presidente.
Aconteceu em 2000, entre Gore e Bush, no meio das trapalhadas das eleições na Florida.
Está a acontecer de novo, em 2008, no Estado de Missouri, onde ainda não se sabe quem ganhou!
Pelos vistos ninguém se incomoda. Não tem interesse jornalístico...
3
Missouri tem, segundo o último censo, 5 878 415 habitantes. Pouco mais de metade de Portugal. Como não estão contados todos os votos e há dúvidas nos que foram contados, não se sabe quem ganhou! Neste momento, McCain tem mais 4 990 votos do que Obama. Em pouco mais de 2 milhões e oitocentos mil votos contados...
Se isto se passasse em Portugal o que se diria!
Por aqui, aguarda-se a contagem e recontagem e o anúncio do vencedor...
4
O mais grave de tudo isto é que se provou, uma vez mais, que o sistema eleitoral americano não está preparado para resultados equilibrados. A margem de erro do sistema é superior a pequenas diferenças no número de votos. Se Obama não tem ganho claramente na Florida, no Ohio, na Virgínia, em Nevada, no Colorado, em New Mexico, na Pennsylvania, etc, estaríamos de dedo na boca à espera dos resultados.
Acham que é normal?
Aqui é!
5
Mas há mais. No dia 4 de Novembro houve eleições para alguns lugares no Senado, para alguns lugares na House of Representatives (câmara baixa do Congresso), para Sheriffs, para os mais diversos cargos e ainda para referendos às Constituições de vários Estados.
Um dos assuntos referendados era o da proibição de casamentos entre homossexuais, por exemplo.
6
Na Georgia paira um mistério. Parece que terão desaparecido votos! Nada se sabe.
Mas, meus amigos, depois de haver filas para votar, durante semanas, em que os eleitores esperavam mais de 4 ou 5 horas (havendo casos de esperas superiores a 8 horas!), parece que o número de votantes terá sido mais ou menos o mesmo de há 4 anos atrás!
Essa mesma Georgia onde se ergue, orgulhosa, à beira da auto-estrada principal que a atravessa, uma enorme bandeira dos Estados do Sul, racistas, do tempo da Guerra Civil...
7
Na Georgia há já, no entanto, uma certeza. No dia 2 de Dezembro vai haver eleições novamente, desta vez para eleger um senador. É que, segundo as leis eleitorais deste Estado, para que um candidato seja eleito tem de ter mais de metade dos votos entrados nas urnas. Como o candidato do Partido Republicano não o conseguiu, haverá uma segunda volta.
Adivinhem quem anda pela Georgia a fazer campanha eleitoral...
McCain, Romney, Giuliani, Huckaby e montes de outras ilustres personalidades do Partido Republicano...
Andam de cabeça perdida...
A equipa de Obama está em força na Georgia, a fazer o trabalho de sapa que andámos, pelo país todo, a fazer durante dois anos.
Essa mesma Georgia onde se ergue, orgulhosa, à beira da auto-estrada principal que a atravessa, uma enorme bandeira dos Estados do Sul, racistas, do tempo da Guerra Civil...
Não é engano. Fui eu que repeti a frase. Vocês podem não compreender, mas eu vi, com os meus próprios olhos, a enorme bandeira desafiadora!
8
No Alaska a história é outra.
Foi anunciada a vitória do candidato Republicano ao Senado (aliás, o mais antigo Senador Republicano). Tinha uma vantagem de uns milhares de votos. Mas faltava contar dezenas de milhares de votos...
Eram votos que davam uma maioria a Obama e ao candidato do Partido Democrático e que, a partir de certa altura, deixaram de ser contados.
Por força do controlo democrático houve que recomeçar a contar votos.
Ontem foi anunciado que faltava contar ainda 35 mil votos e que o candidato do Partido Democrático estava com mais 3 votos que o velho Republicano.
Continuamos a aguardar!
9
Aliás há outra história dentro desta história.
O tal velho senador Republicano tem um processo às costas por corrupção e, mesmo que seja eleito, será expulso do Senado!
Se perder as eleições (parece que é o que vai acontecer) o assunto fica arrumado.
Mas se ganhasse e fosse expulso do Senado teria de ser substituído. A mais forte candidata ao lugar seria uma senhora que está em bicos dos pés para o conseguir, depois de afirmar que o cargo de Governadora do Alaska é o melhor emprego do mundo!
Sarah Palin, claro! A Sarah do Alaska, como ela gosta de se chamar!!!
10
Em Minnesota a história é, ainda, outra.
Passa-se o mesmo que na Florida 2000! Há recontagem de votos.
Ontem dizia-se que se saberá o resultado final antes do Natal! Deste ano, penso eu...
O candidato do Partido Democrático está a 205 votos da vitória (votaram mais de 2 milhões e 800 mil pessoas). Ele tem 1 211 359 votos, enquanto o candidato do Partido Republicano tem 1 211 565 e um terceiro candidato tem 437 389.
11
A parte interessante deste romance eleitoral para o Senado é que, se os candidatos do Partido Democrático ganharem estas 3 eleições, passará a haver uma maioria qualificada no Senado (60 Senadores do Partido Democrático e 40 do Partido Republicano). Esta correlação de forças impedirá o Partido Republicano de travar processos legislativos que exijam uma maioria de 2/3 dos votos no Senado!
Aqui está, talvez, uma das explicações para tanta trafulhice...
...
12
Por hoje é tudo.
A conversa vai longa e a crise não deixa de se aprofundar.
As previsões da OCDE e do FMI para as economias americana e europeia são dramáticas.
Teremos um próximo ano de recessão.
Sem fim à vista.
E há ainda muita gente que insiste em meter a cabeça na areia e esperar que a tempestade passe. O mais grave é que algumas destas avestruzes estão nos poleiros dos poderes...
...
Um abraço,
fernando

Frase de fim-de-semana, por Jorge


“Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos”

Thomas Jefferson
(1743-1826), autor da "Declaração de Independência" e 3º Presidente dos EUA (declaração de 1811, após recusa da renovação da carta do "First Bank of USA", banco central criado pelo Congresso em 1791)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

cartoon de monginho

in Avante!

Camaleando pragmaticamente


O camaleão não é um bicho bonito e nem a variação de cores de acordo com o contexto lhe confere a beleza que, provavelmente, só o próprio lhe discerna.
Associados ao perfil camaleónico encontramos perfis semelhantes como o do pragmatismo, do espírito cortesão, ou da genuflexão, …
Todos reflectem uma forma não muito salutar de estar bem com a vida mas camaleão é camaleão e, mesmo que só ele o reconheça, está de bem na sua pele.
Os camaleões aproveitam a capacidade de adaptação para fisgarem insectos que deglutem, mas em relação a seres de outro porte cospem veneno quando tais seres não aderem ao seu pragmatismo.
Ser camaleão é ser pragmático, mandar os princípios às urtigas, tirar proveito do centrão dos consensos defensores do stato quo, marimbar-se nas consequências dos actos de hoje na realização de paradigmas.
Mas, reconheçamo-lo, camaleão também é animal de paradigmas voláteis.
Camaleão traz na lapela o fim das ideologias, geralmente para contrabandear umas e tentar meter outras debaixo do tapete ou dentro da gaveta.
Mas também encontramos camaleões no seio das crises como a presente, rapidamente passando de responsáveis dela para seus analistas e rabiscadores de perspectivas de que não pagam direitos de autor por terem caído no domínio público e roçarem a banalidade.
O camaleão também é surfista destemido mas não de uma onda só, umas vezes velho do Restelo, outras sebastiânico, algumas até visionário, quando o crédito público e a cotação deste em maravedis convertíveis estejam garantidos.
Há camaleões que passam de acérrimos opositores de Fulano para passar a seus encumiásticos apoiantes quando garantem os pratos de lentilhas mesmo servidos a frio.
A espinha dorsal camaleónica tem sido estudada e revela uma estrutura raquítica que a aproxima dos invertebrados.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Morreu Miriam Makeba, a "Mamã Africa"

Morreu ontem com 72 anos Miriam Makeba, talvez a maior voz da Africa contemporânea.
Nascida para a música nos blues e nos rimos populares do seu país, a África do Sul, Miriam projectou-se internacionalmente depois de progredir na carreira nos EUA.
Foi sempre uma mulher de esquerda que cantou a luta dos oprimidos.
Desde então foi uma combatente contra o apartheid que teve como ponto alto o seu protagonismo no documentário de 1960 "Come back Afrika". O regime do apartheid concelou-lhe então o passaporte sul-africano.
Dos EUA foi para Londres onde conviveu e trabalhou com Harry Belafonte o actor negro norte-americano que com ela gravaria o disco "Uma noite com Belafonte e Makeba que obteria o Grammy na categoria de música folk em 1966.
O governo racista continuou a persegui-la, impedindo-a de regressar ao país e retirando-lhe a nacionalidade. Viria depois a casar-se com Stokely Carmichael, dirigente carismático dos Black Power e dos Panteras Negras. O casal continuou a ser perseguido e foi viver para a Guiné. Mas ela percorria o mundo com os seus espectáculos.
Regressou à África do Sul em 1990, depois do derrube do apartheid, foi recebida no aeroporto por Nelson Mandela e no seu país prosseguiu a sua carreira sampre ligada ao combate ao apartheid e à emancipação dos negros.
Continuava hoje a sua vida artística, solidarizando-se por causas progressistas como a do espectáculo de ontem, em que faleceu, de homenagem ao escritor Roberto Saviano, autor do livro "Gomorra", que por isso e, pelo êxito que foi a adaptação do seu livro ao cinema este ano, passou a ser ameaçado pela Mafia.

sábado, 8 de novembro de 2008

120 mil professores avaliaram negativamente a Ministra


Solidário, lá estive a vê-los passar. Desde que iniciaram o desfile até que este deixou de passar foram 3 horas!...

A ministra diria depois que a manif intimidava os professores que estavam a fazer a avaliação...Quais professores? Quantos sobram? Quantos dos que estão a fazer trabalhos de avaliação estão a fazê-lo com gosto? Quantos vieram a público dizê-lo??

E continuou a mentir dizendo que os professores não queriam ser avaliados quando os seus sindicatos concordam com outro tipo de avaliação. Insistir na mentira visa obviamente isolar os professores de qualquer acolhimento junto de outros sectores da população. Esse tem sido um objectido insistentemente prosseguido. Com essa e outras, a Ministra e o seu Primeiro-Ministro têm provocado um terramoto dentro de uma Educação já com tantas dificuldades. Têm que ser parados. Foi isso que os professores lhes disseram hoje.

Um despacho de Valter Lemos...


O preâmbulo de um despacho de Valter Lemos reza assim:


“O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaraçãode Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto formativo entre os diferentes cursos de nível secundário. Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 deMarço, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial. Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 deNovembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
A existência de constrangimentos na operacionalização do regime depermeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série),de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricularefectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo doDecreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade dese proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março. Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação do percurso formativo dos alunos entre os cursos científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação,quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 deMarço, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006,de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 deJulho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio,com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunton.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º1673/2004, de 7 de Setembro.
Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º doDecreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaraçãode Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino: ...


Imagine agora, caro leitor, a quem está entregue a Educação do País...

A insatisfação dos militares


A insatisfação dos militares e as preocupações que dela possam decorrer só tem uma solução: o governo cumprir com o disposto na Lei do Associativismo Militar. Só com esquemas de diálogo reconhecidos por todos e eficientes é que se pode deixar de continuar com o jogo de máscaras tão alheio à frontalidade e lealdade que devem reger a instituição militar.

Insistir no faz-de-conta da suposta ignorância das aspirações socio-profissionais dos militares é uma das expressões do autismo também verificável na Educação e noutros sectores.

Quem semeia ventos...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Apresentação pública do 2º volume das Obras de Alvaro Cunhal, da 10, às 18 h no São Jorge


"A Turma", de Laurent Cantet (realizador) e François Bégaudeau (livro)


Não é um filme vulgar, sem desenvolvimento dramático mas denso, com um quê de documentário, cujo actor principal é simultâneamente o professor que escreveu o livro e em que os alunos, actores não profissionais, são alunos reais.

Diferentes culturas entre alunos e sensibilidades diferenciadas num corpo docente voluntarioso. Solidariedades, estratégias de aproximações e confrontos, alunos indisciplinados mas com um potencial humano assinalável

Numa escola e num bairo multi-étnico e multicultural de Paris, com problemas de conduta na sala, tão característicos também das nossas escolas, que põe à prova professores e alunos e nos fala de como desempenhar uma função docente e disciplinar com resultados e aceitação.

A Ministra da Educação deveria ver este filme e os profissionais dos ranking também. Talvez os ajudasse a evitar tanto disparate...

Vá vêr e descobre porque ganhou este filme, inesperadamente, a Palma de Ouro do Festival de Cannes e teve já um tão grande êxito de bilheteira em França. E descobrir como novas formas do cinema se insinuam na abordagem da vida de alguns microcosmos de que se tece a nossa vida colectiva.

Lemos na semana de 3 a 9 de Novembro


06/11/08, Eugénio Rosa, www.resistir.info. – Na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, depois de muito pressionado, acabou por dizer que os prejuízos acumulados no banco BPN atingem 700 milhões de euros.

Como corresponder a tão grande expectativa?


A vitória em toda a linha de Barack Obama e do Partido Democrático, esperada, os apoios que envolveu, colocam ao novo Presidente dos EUA responsabilidades a que não poderá em vários campos corresponder por ter beneficiado de votos a que correspondem diferentes e opostas perspectivas.

Na sua intervenção de vitória deu o mote sobre essas diferenças e fez algumas declarações ambivalentes.

Porém esta vitória mantem muitas expectativas que, globalmente, associam este resultado a mudanças internas e externas de efeito positivo.

um amigo na campanha de Obama - a última mensagem (por agora...)

Caros amigos,
Desta vez é a última Obama News que vos envio. Outras oportunidades aparecerão para vos comunicar o que se passa por estas bandas.
Quero agradecer a todos a paciência com que receberam as minhas notas. Quero agradecer, também, os contributos que me deram, as críticas, perguntas, comentários, esclarecimentos, opiniões. Sem vós estas Obama News não existiriam.
Comecei por enviá-las para os meus filhos, mãe e irmã. Depois incluí um reduzido número de amigos. Com os comentários que fui recebendo, fui alargando a lista. Amigos enviavam para outros amigos. Publicavam em blogs, os mais diversos. Enviavam para jornais. A comunicação tornou-se biunívoca. Foi enriquecendo.
A certa altura comecei a ter o sonho de escrever um livro sobre tudo isto. Decidi não o fazer. Pelo menos, por agora. Pretendo recolher mais dados e aprender mais, aproveitar a minha presença aqui para estudar esta história que continua a fazer-se. Talvez um dia tenha força para concretizar esse projecto.
...
Hoje, em resposta a um e-mail que um de vós me enviou, escrevi:
Vivi intensamente este ano, como sabes. Era como se a minha vida, as minhas lutas, as minhas fantasias e romantismos, os meus disparates e erros, fossem a moldura do combate cívico que ajudei a travar.Pela primeira vez, no "county" onde vivo (Pinellas County), aconteceu uma vitória do Partido Democrático. Isso deveu-se a muita coisa (um dia talvez escreva sobre isso) mas, fundamentalmente, a pessoas como eu que foram para a rua inscrever outras pessoas nos cadernos eleitorais, bater a portas, fazer telefonemas, dar 25 dólares para a campanha, oferecer uma parte da casa a quem vinha de longe para ajudar, o carro, comida, um sorriso, uma esperança. Durante a noite eleitoral várias foram as alegrias. Mas posso dizer-te que, quando vi o meu County a azul no mapa eleitoral da Florida, foram lágrimas apenas as únicas coisas que aconteceram.Como há muitos anos, apenas pelo sonho de ver o meu país viver em liberdade, me levantei por cima dos meus medos.
...
Quando houver resultados finais, estou a pensar enviar-vos um documento com algumas observações.
Por agora, ficará encerrado este ciclo.
...
Um abraço,
Fernando

5 de Novembro

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Registos na semana de 27 de Outubro a 2 de Novembro

31/10/08, S. Estado Castilho dos Santos, - "Trabalhadores, serviços e dirigentes que não estejam com a reforma serão trucidados", afirmou o governante, no encerramento do Congresso Nacional da Administração Pública. Para Castilho dos Santos, os funcionários devem ter a noção de que "a reforma já não pode andar para trás", pelo que "trucidará quem não estiver com ela".

Comunicado de Imprensa n.º 054/08 – “Passados 17 meses Governo dá razão à CGTP-IN” - Passados mais de 17 meses da entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 187/2007, de 10 de Maio - Regime de Protecção Social na Invalidez e Velhice, é que o Governo respondeu à proposta da CGTP-IN para que os trabalhadores que se reformassem depois desta data, pudessem optar pela fórmula de cálculo que lhes fosse mais favorável, conforme estava previsto no regime transitório, instituído na legislação anterior, dado que não era respeitada a protecção integral dos direitos em formação, prejudicando os beneficiários em causa.

29/10/08, Baptista-Bastos, no Diário de Notícias - "Os encomiastas de um sistema económico que deixou o mundo derreado carregam um fardo pesadíssimo."

28/10/08, João Paulo Guerra no Diário Económico, - "E a mais recente notícia sobre a chacina do litoral dá mesmo conta da declaração do presidente da Câmara de Odemira a defender a construção nas falésias da Zambujeira do Mar. Depois há a teia imensa de diplomas e planos, um emaranhado que se contradiz e desdiz, que põe e contrapõe, criando de facto a confusão necessária para que a única lei aplicável seja a da selva."

27/10/08, Honório Novo, no Jornal de Notícias - "Também não basta dizer que o OE/09 combate a crise, é preciso prová-lo. Ao contrário do que estão a fazer os nossos parceiros europeus, o Governo recusa-se a utilizar a margem orçamental que tem - alargando o défice até perto dos 3% sem entrar em défice excessivo que tanto o preocupa - para mostrar que quer levar à prática políticas anticíclicas e de combate à crise. Terminar a legislatura com um investimento público inferior ao de 2005, 2006 e 2007 é a melhor forma de mostrar que não há qualquer empenho no combate à crise."

Na feira do Alvito, por anamar

Era 1 de Novembro e fomos ao encontro da Feira do Alvito. A paisagem e rebanhos, os doces, a batata doce assada, as castanhas, as nozes e as romãs, a entremeada de porco preto. E as esculturas do Sr. António Rosário Toucinho.

Lemos na semana de 27 de Outubro a 2 de Novembro

Amee Chew, “ Why It's Not a Contradiction Support Obama, Vote McKinney?” , Conterpunch, 29/10/08 - The Green Party Presidential ticket of Cynthia McKinney and Rosa Clemente brings something special and unprecedented to U.S. politics. Not only are they the first all women-of-color ticket for President and Vice President with ballot access in most states.[1] These women take racial justice seriously, and have made strides to put gender at the center of a progressive agenda. For these two, it's more than skin deep.

Paula Teixeira da Cruz, 30/10/08, Correio da Manhã, “Texto optimista” - Era uma vez... um mundo e nesse mundo… .

James Petras, “The Elections and the Responsibility of the Intellectual to Speak Truth to Power”, 30/10/08, Global Research - Twelve Reasons to Reject Obama and Support Nader/McKinney

Federico Fuentes, “Bolívia: uma aliança sem precedentes que derrotou o assalto da direita”, Global Research, 30/10/08 - Depois de três meses de intensa luta de classes, não há dúvida que a oposição de direita, apoiada pelos EUA, ao governo do Presidente EvoMorales, sofreu três importantes derrotas. A investida da direita para pôr em causa Morales, que atingiu o seu climax com o “golpe cívico” 11 e 12 de Setembro, fdoi derrotado pela acção combinada do governo e dos movimentos sociais

Bernardo Barranco V., na La Jornada (Mexico), 29/10/08, “A crise da globalzação e a religião” - La recesión y la crisis internacional financiera presentan una nueva oportunidad para revisar no solamente los modelos económico sociales de la globalización, sino sus fundamentos y tentativas civilizatorias. Las grandes religiones y sus estructuras han rechazado los soportes ontológicos de las grandes tendencias del neoliberalismo o liberalismo contemporáneo.




Mensagem de Michael Moore sobre eleições nos EUA


Monday, November 3rd, 2008


Friends,


Tomorrow.
All of us.
You, me, and everyone we know.
Eight years is enough. Eight weeks was enough.
We have a chance to redeem this country, to prove we're better than this, that which Bush has made of us.
McCain is right about one thing: Barack Obama is the most liberal senator in the United States Senate. More liberal than Ted Kennedy. When was the last time you had a chance to send the MOST liberal senator to the White House? Trust me, it won't happen again in our lifetime.
Every vote is critical -- even in hard red states like Texas and Alabama; and true blue ones like New York, California and Michigan. Tomorrow, we need to create a massive popular vote that will give Obama a stunning mandate to return this country to we, the people. Let's write one for the history books and rocket Obama into the White House.
Expect trouble tomorrow. Stand your ground. Don't let some clerk turn you away. Make noise. Call the media if they won't let you vote. Let the Obama camp know. Check out his Voter Protection Center. Know where your polling place is. Be careful inside the voting booth. The ballot still reads like a Sudoku puzzle. Be prepared for long lines. That's ok, you know how to bring the party with you! Make new friends. Plot your local revolution. The 28-year rule of Republicans (and Democrats who act like Republicans) is over. The Reagan Era dies tomorrow night. My God, I truly thought it would never end.
There are over a million of you on my list. Each of you know 5 or 10 people who may not vote. Offer to drive them to the polls. If they live across the country, call them and tell them how much it means to you that they go vote for Obama. Take your co-workers to lunch -- and to vote. Be creative. Come up with ways to convince the undecided to get their decided on and go vote. Make it fun. Lead the horse to water.
60 seats in the Senate!
30-seat increase in the House!
President Obama!
It's in your hands. The Promised Land.


Yours,Michael Moore


sábado, 1 de novembro de 2008

Simon Bolivar em órbita






O satélite Simon Bolívar foi posto em órbita anteontem a partir da República Popular da China.
Com um sinal de 1300 megahertz (MGz), o Simon Bolívar prestará serviços fiáveis desde o Sul do México até metade da Argentina e Chile, passando pela América Central e Caraíbas.
Durante os 15 anos de vida útil, o satélite servirá para concretizar projectos venezuelanos, prevendo-se que estenda aos países da região os serviços nomeadamente nas áreas da alfabetização e telemedicina.

Nas fotos, o momento de lançamento onde estiveram os presidentes Chavez e Evo Morales, a base principal do satélite em terra na base aérea Manuel Rios no Sombrero Edo e o satélite em órbita.

Os vereadores comunistas e o terminal portuário de contentores de Alcântara

Sem uma recusa imediatista do terminal de contentores em Alcântara, o PCP questiona, no entanto, os fundamentos, a estabilidade e a sustentabilidade de tal opção, do ponto de vista do interesse público (seja ele nacional, regional ou local) e a necessidade de uma alternativa de gestão não subalternizada aos interesses privados que incidem sobre a zona do domínio portuário.

Pacheco Pereira questiona as "respeitabilidades" que Sócrates confere...


Pacheco Pereira consagrou-se como um importante comentador. Mas isso não lhe confere a imunidade à crítica às suas atitudes ideológicas, que tem com todo o direito dos ainda muitos dxireitosque por cá vão resistindo à voragem do pensamento único.

No Publico de hoje Pacheco Pereira atira-se - e bem... - à centralidade do "Magalhães" exercitada pelo Primeiro Ministro na Conferência Ibero-Americana, como um qualquer vendedor.

Mas ràpidamente descarrila quando diz que a política externa deste governo dá a "estes governantes corruptos, demagogos e perigosos" "a respeitabilidade de serem, unha com carne com um país da União Europeia, cujo primeiro-ministro não se importa de andar de braço dado com eles na rua", "a caução e legitimação política dada a regimes opressivos e pouco democráticos. E vai mais longe para afirmar que Chavez gosta tanto de Sócrates porque "Ele é o seu europeu de estimação, o seu troféu na União Europeia para atirar à cara dos ianques e de gente como o Rei de Espanha que o mandou calar"...para concluir "É também este estado de legitimidade que andamos a vender, não é só o "Magalhães"...

Conclusões minhas:

PP, liberal que também não deveria anatemizar estilos pessoais, recusa a Chavez o direito de criticar numa conferência, em tom mais comedido, os insultos que Aznar lhe fez, não por acaso nas vésperas da tal conferência. Não tem uma palavra sobre este. Por ser castelhano e o outro ser índio?

PP, liberal, não apreciará que Chavez critique os ianques, talvez por ser latino-americano com muitas pedras no sapato quanto às políticas do grande vizinho do Norte e de não ter beneficiado de uma educação ocidental.

PP, liberal, diz que a linguagem de Sócrates nesta conferência ibero-americana não a utilizaria num conselho europeu porque ali "falava para índios" (PP, aqui para nós, e com algum rigor, alguns não índios como Alvaro Uribe também lá estavam...).

PP, enfim como bom liberal, em matéria de responsabilidades pela crise talvez pense que a responsabilidade por ela "anda por aí" e não reside nas práticas da administração americana e de outras que são alguns dos nossos principais "parceiros" comerciais, com quem devemos andar de braço dado com os seus dirigentes respeitáveis, democráticos e justos.

PP, liberal, talvez se devesse ter lembrado que a encenação da familiaridade de Sócrates com América Latina e de alguma linguagem desejada ser confundida como anti-imperialista, não é mais do que a tentativa de, em vésperas de ano eleitoral, o PS se confundir com a esquerda, à boleia de uma crise em cuja fase embrionária se comprometeu, como aliás se confirma no caderno de encargos que Luis Amado, excelente copywriter de outros seus colegas europeus, também hoje nos apresenta no mesmo jornal (já viu, PP, como andam todos a falar certinho e politicamente euro-corrrectos?)

Por um OE mais justo


Combater a crise exige muito mais apoio às PMEs e às famílias do que o previsto na proposta de OE 2009. O maiores grupos económicos que revelaram recentemente os seus resultados deverão contribuir para compensar esse apoio acrescido.

A proposta que o PCP fez esta semana de passar o IRC desses grupos para 30% em vez dos actuais 25% - que estão propostos ser reduzidos para 12,5% para empresas que apresentam valor colectável inferior a 12.500 euros - daria corpo a essa idéia, à de eliminar o Pagamento Especial por Conta para volumes de negócios inferiores a 2 milhões de euros, e à de alargar a dedução de encargos familiares nos passes sociais e os períodos de direito ao subsídio de desemprego, que na mesma altura, os comunistas também propuseram.