segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O financiamento da banca e a eventual saída do euro, por Eugénio Rosa
(excerto de estudo a que pode ter acesso no site abaixo referido)
Contrariamente àqueles que, parafraseando Fernando Ulrich (gestor de um banco –BPI- em que 97,1% das participações qualificadas já são controladas por grupos económicos estrangeiros), afirmam que a banca pode aguentar mais, uma análise da situação atual da banca portuguesa revela que, como consequência da má gestão, de que a politica de crédito já referida é uma prova clara, e da descapitalização realizada ao longo dos anos pelos banqueiros perante a passividade do BdP e dos sucessivos governos, associada à crise, os problemas estruturais da banca agravaram-se e vão aumentar com a crise e a consequente subida do incumprimento e com a retração do crédito (o negócio
dos bancos). Basta recordar que o incumprimento a nível de empréstimos a empresas disparou (entre
Dez.2010 e Nov.2012, com a politica do governo PSD/CDS e da “troika”, a taxa de incumprimento a
nível de empresas aumentou de 4,4% para 10,8%, ou seja, em 145%); que as imparidades na banca
(desvalorização de ativos), entre Dez.2010 e Set.2012, passaram de 13.545 milhões € para 15.153
milhões €; e, para além disto, a maior parte do crédito à habitação é de longo prazo a taxas de juro
(inclui “spread”) inferiores a 2%, quando os bancos estão a pagar, para se financiarem, em muitos casos
taxas superiores.
O caso do BANIF, em que o governo decidiu recapitalizar com 1.100 milhões € de
fundos públicos (99% do seu capital atual), correndo o risco, como sucedeu no BPN, de os perder, é a “ponta do iceberg” da má gestão que é urgente exigir responsabilidades e o Estado passar a controlar os maiores bancos, mesmo nacionalizá-los, e não apenas a financiá-los à custa dos contribuintes.
Neste contexto, a saída do euro terá efeitos importantes no sistema bancário português que tem graves
problemas estruturais, nomeadamente a nível do crédito concedido e, também, aos seus devedores, entre os
quais se encontram centenas de milhares de famílias que obtiveram crédito à banca, cujas taxas de juros
poderiam disparar. Se juntarmos a isto, os problemas que se colocarão relativamente aos depósitos bancários de particulares (152.799 milhões € em Dez.2011), onde estão incluídas as pequenas poupanças de centenas de milhares de portugueses, cujo poder de compra é necessário garantir (os detentores dos grandes depósitos vão procurar transferir para o estrangeiro), fica-se com uma ideia, ainda não total, dos problemas que poderá acarretar a saída do euro, que não se resumem apenas à desvalorização do escudo e à subida de preços com alguns referem, que terão de ser estudados com profundidade e atempadamente, para não se ser confrontado com uma situação que não se previu.
É certo que o Estado pode ser o garante do poder de compra desses milhares de pequenas poupanças, assim como de taxas de juro bonificadas às famílias, para
evitar que o sistema financeiro e as famílias entrem em colapso, mas o certo é que a divida publica e a massa
monetária disparariam, contribuindo para o aumento da inflação a que se juntaria os efeitos da desvalorização do escudo (30%?) necessária para aumentar a competitividade das exportações, o que faria subir ainda mais os preços o que teria um efeito corrosivo sobre salários e pensões (ex.). Haveria ainda o problema da divida externa que, com o governo PSD/CDS e com “troika”, já aumentou mais de 40.000 milhões €, e para a pagar,pelo menos a legitima, o país teria de ter divisas e a única fonte seriam as exportações e o endividamento externo.
Obter o apoio da U.E. na divida externa seria uma condição fundamental para se poder sair do euro de uma forma controlada. São problemas como estes que terão de ser estudados com profundidade e de uma forma muito objetiva, não tomando os desejos pela realidade, para que se possa enfrentar, de uma formacontrolada, a opção de saída do euro que se colocará se a atual politica de austeridade, que está a atirar o país para uma espiral recessiva, continuar.
Eugénio Rosa ,
edr2@netcabo.pt , 7.1.2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Frase de fim-de-semana por Jorge
Chavez, confirmado presidente da Venezuela!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
FMI propõe golpe de Estado em Portugal
Lendo a notícia do Jornal de Negócios, na ausência de uma divulgação do relatório do FMI que o governo a esta hora já devia ter feito, o que o FMI propõe ao governo português, e por encomenda deste, é um verdadeiro golpe de Estado.As medidas avançadas são praticamente todas inconstitucionais. Se o governo vai usar este "contributo do FMI" para corresponder à tal necessidade de 4 mil milhões de contos está a propor-se ser o executor deste golpe de Estado forjado no Conselho de Ministros. A Constituição é suspensa e o cilindro compressor de Passos Coelho prepara-se para arrasar as condições de vida dos trabalhadores e da chamada classe média.
Os portugueses não ficarão impávidos a assistir a este crime!
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
A questão da moeda única e respostas que Portugal deve equacionar, por Carlos Carvalhas
(publicado no DN de 29/12/2012)
Comecemos
então por lembrar que na altura da adesão à moeda única houve
quem afirmasse que o euro era uma moeda que tenderia a valorizar-se,
que a cotação do escudo que fixámos na entrada nos era
desfavorável e que este quadro iria criar graves dificuldades à
economia portuguesa.
Afirmou-se
também, que o montante do Orçamento Comunitário era ridículo para
efectuar uma compensadora redistribuição e ainda mais ridículo se
tornou depois do “alargamento” a outros países.
A
resposta a estes argumentos foi a da sobranceria, da negação pura e
simples , ou a repetição de slogans e de princípios vazios de
conteúdo que enfeitavam os discursos de circunstância: o
«nivelamento por cima» em relação aos direitos sociais; o
princípio da «coesão económica e social»; o princípio da
solidariedade; a afirmação de que iríamos participar num mercado
com dezenas de milhões de cidadãos com estabilidade cambial.
Os
dados são conhecidos. Desde que o euro entrou em efectiva circulação
até hoje o crescimento médio do nosso país foi nulo - dez anos
perdidos - o investimento caiu a pique, muito do nosso aparelho
produtivo e industrial foi destruído, alienou-se a nossa soberania e
a dependência atingiu níveis inaceitáveis.
Criou-se
a ilusão nos sucessivos governos desde a adesão ao euro que
Portugal iria progredir com uma economia centrada essencialmente nos
serviços, na financeirização da economia, no investimento
estrangeiro e nas verbas dos diversos fundos europeus.
O
que se verificou foi o crescente endividamento do país, primeiro
privado, depois público e a acentuação do domínio do capital
estrangeiro facilitado pelas privatizações, de tal modo que
actualmente a saída líquida do país dos lucros e dividendos das
empresas dominadas pelo estrangeiro já quase atinge as
transferências líquidas que vêm da União Europeia. Esta é uma
questão que só por si exigiria uma profunda reflexão.
Hoje
são cada vez mais as vozes e os estudos a afirmar que o euro forte
que serviu sobretudo à Alemanha não foi um factor de crescimento
para o nosso país.
Associado
ao Euro avançou-se com o PEC, plano dito de estabilidade e de
crescimento que impôs regras arbitrárias sem ter em conta a
situação específica e as estruturas económicas de cada um dos
países, o que veio a criar grandes tensões.
Em
2003, tivemos uma crise e uma demonstração que as regras na UE são
para aplicar desde que não atinjam os interesses centrais do
directório das grandes potências. A Comissão questionou na altura
os países com défices excessivos. Como quem estava em causa era a
Alemanha e a França, o Presidente da Comissão, Romano Prodi
reconheceu então, que as regras eram estúpidas mas não deu nenhum
passo para as alterar ou eliminar. Hoje, com o novo Tratado da União
Europeia estamos perante regras não menos estúpidas que, como já
foi afirmado, reforçam as tendências centrífugas e a travagem
económica que se materializará para muitos numa «austeridade
perpétua»!
Ao
prosseguir-se uma política monetária e cambial não conforme à
diversidade das estruturas na UEM; ao prosseguir-se com a política
do Banco Central Europeu (BCE) de não financiamento aos Estados, nem
se preocupar com o emprego e crescimento económico, está a criar-se
uma situação insustentável para muitos países.
A
chamada crise do euro desencadeou várias reflexões e teses sobre o
futuro desta moeda: a saída do euro da Grécia e de outros países;
a saída da Alemanha (vozes ligadas ao grande patronato alemão,
investigadores – Lordon - etc.); a criação de dois euros, um para
os países da periferia outro para os países do norte; a eliminação
do euro retomando cada país a sua moeda nacional, criando-se uma
moeda comum; e a continuação do euro como está, com a ilusão de
que o avanço do federalismo superará a crise!
A
continuarem as principais regras e linhas da política económica e
financeira na União Europeia, Portugal não tem futuro, não sairá
do marasmo e da estagnação. Qualquer crescimento que venha a ter
depois da grave recessão por que passa será sempre tão
insuficiente que não dará para recuperar o emprego e pagar a dívida
que é um garrote sobre a nossa economia.
A
diminuição das taxas de juro e o alargamento dos prazos –
renegociação da dívida – incluindo a anulação de parte é uma
questão fundamental seja
qual for o cenário que venhamos a ter pela frente.
A
manutenção das políticas ditas de austeridade, contraindo cada vez
mais o mercado interno e o investimento, cria uma dinâmica em que a
quebra das receitas tende a superar o corte nas despesas, não
reduzindo sequer o défice orçamental. Por sua vez a estratégia de
resposta à crise centrada apenas nas exportações, com as
tentativas de ganhos de competitividade assentes na desvalorização
dos salários - desvalorização interna - está condenada ao
fracasso como aliás até o FMI o afirma e demonstra.
Seja
qual for o cenário que venhamos a ter pela frente a
resposta aos nossos principais problemas passa pelo aumento da
produção, pela defesa e valorização do aparelho produtivo, pela
reindustrialização do país e pela melhoria da distribuição do
Rendimento Nacional.
O
Ministro da Economia descobriu recentemente a necessidade de
reindustrializar o país.
Mas
a reindustrialização do país não rima com a política do euro
forte, com as privatizações, deslocalizações e o crédito caro e
restritivo.
Apesar
dos leilões de longo prazo promovidos pelo BCE, continua a haver
cortes ao financiamento às empresas .
Recentemente
– na cerimónia de entrega de prémios à exportação e
internacionalização – foi afirmado que as taxas e verbas do BCE
não se transmitem directamente à economia. Segundo a imprensa, o
presidente do BES deu como exemplo o seu banco, que teve de
reembolsar compromissos com entidades internacionais cujo valor foi o
dobro da verba que obteve do Banco Central Europeu!
O
endividamento da banca ao estrangeiro é incontornável. Mas o seu
desendividamento e a superação das suas “imparidades”não pode
ser feito à custa da economia e dos contribuintes em benefício dos
banqueiros e dos grandes accionistas. Estima-se que as “imparidades”
- prejuízos futuros - no crédito imobiliário atingirão os 20 mil
milhões de euros .Compare-se com o corte dos 4 mil milhões que o
governo quer fazer à custa do chamado Estado Social!
É absolutamente
necessário que a banca financie a economia e dê primazia às
actividades produtivas e serviços de valor acrescentado e não às
actividades especulativas. O Estado tem meios para o conseguir desde
que não se subordine ao poder económico...
Estas
algumas reflexões e propostas, no espaço que me foi concedido tendo
por matriz uma União Europeia dita de nações livres, iguais e
soberanas, mas de facto comandada pelos interesses da Alemanha e do
do Directório das grandes potências em que a proclamada
solidariedade não passa de um sublime exercício de hipocrisia
domingo, 6 de janeiro de 2013
Bashar-al-Assad propõe soluções para o conflito na Síria
Tal
como foi referido ontem neste blogue, a situação na Síria parece
estar a sofrer uma inversão, com os “rebeldes” a perder posições
e apoios, a deixarem de ter apoios da população incluindo a
palestiniana onde a influência da Al-Qaeda pesou, e com
Bashar-al-Assad a retomar a iniciativa política interna e externa,
procurando manter o apoio da oposição na política externa e na
política económica. Como exemplo, abaixo referimos um encontro do
governo sírio com o Partido Comunista da Síria.
O
próprio ambiente de abordagem deste conflito por muitos media
internacionais sofreu uma inflexão que se reflectiu já na imprensa
portuguesa.
Nas
reações internacionais só o criticismo de Londres e da União
Europeia se mantém (a Inglaterra, a França e não só esperavam
sentar-se à mesa de uma Síria que tivesse soçobrado).
Segundo
o Sol, o Presidente sírio Basharal-Assad propôs hoje a realização
de uma conferência de reconciliação nacional e um referendo a uma
nova constituição para pôr termo à guerra civil. O líder acusou
ainda os rebeles armados de serem «inimigos de Deus» e «marionetas
do Ocidente».
As
declarações foram feitas num discurso transmitido em directo pela
televisão estatal e pelos canais internacionais - o primeiro desde
Junho.
Assad defendeu que a solução para a crise síria, entretanto degenerada numa guerra que já matou mais de 60.000 pessoas, passa pelo fim do fornecimento de armas a «grupos terroristas» por parte de potências estrangeiras, que seria correspondido pelo fim das operações do exército. O regime iria depois convidar partidos e personalidades para uma conferência nacional que redigirá uma constituição posteriormente submetida a referendo. A medida abriria portas à convocação de eleições para um novo Governo.
O Presidente sírio aproveitou para lançar duras críticas à oposição armada, pondo em causa a noção de uma revolução em marcha no país. «Uma revolução necessita de pensadores e de uma ideia, necessita de liderança. Quem é o líder desta revolução?», questionou.
Para Assad, a rebelião é comandada por forças estrangeiras e Damasco tem o direito de «combater o terrorismo».
«Estamos agora num estado de guerra em todos os sentidos da palavra. Esta guerra atinge a Síria através de um punhado de sírios e uma mão cheia de estrangeiros. Precisamos por isso de defender a nossa nação», declarou.
«A Síria é forte e a Síria continuará a ser soberana», prometeu.
Sobre a possibilidade de um exílio sugerido pela imprensa internacional, Assad reiterou a vontade de permanecer no país. Já em Novembro tinha dito à televisão russa que irá «morrer na Síria». E foi precisamente para a Rússia, a China e o Irão que Assad proferiu palavras de apreço.
Assad defendeu que a solução para a crise síria, entretanto degenerada numa guerra que já matou mais de 60.000 pessoas, passa pelo fim do fornecimento de armas a «grupos terroristas» por parte de potências estrangeiras, que seria correspondido pelo fim das operações do exército. O regime iria depois convidar partidos e personalidades para uma conferência nacional que redigirá uma constituição posteriormente submetida a referendo. A medida abriria portas à convocação de eleições para um novo Governo.
O Presidente sírio aproveitou para lançar duras críticas à oposição armada, pondo em causa a noção de uma revolução em marcha no país. «Uma revolução necessita de pensadores e de uma ideia, necessita de liderança. Quem é o líder desta revolução?», questionou.
Para Assad, a rebelião é comandada por forças estrangeiras e Damasco tem o direito de «combater o terrorismo».
«Estamos agora num estado de guerra em todos os sentidos da palavra. Esta guerra atinge a Síria através de um punhado de sírios e uma mão cheia de estrangeiros. Precisamos por isso de defender a nossa nação», declarou.
«A Síria é forte e a Síria continuará a ser soberana», prometeu.
Sobre a possibilidade de um exílio sugerido pela imprensa internacional, Assad reiterou a vontade de permanecer no país. Já em Novembro tinha dito à televisão russa que irá «morrer na Síria». E foi precisamente para a Rússia, a China e o Irão que Assad proferiu palavras de apreço.
Numa
primeira reacção da oposição citada pelas agências noticiosas,
um representante da Coligação Nacional Síria acusou Assad de
apresentar uma «retórica vazia» e sublinhou que o Presidente «não
se demitiu, um requisito fundamental para o início de qualquer
negociação».
![]() |
| Ammar Bagdash, secretário-geral do PCS |
Governo sírio reuniu-se com o Partido Comunista
Segundo o jornal "Vermelho", dos comunistas brasileiros,o primeiro-ministro sírio, Wael al-Halaki, reuniu-se nesta quinta-feira (3) com Ammar Bagdash, secretário-geral do Partido Comunista Sírio, com quem dialogou sobre a importância de manter laços estreitos entre o governo e os partidos e organizações políticas.
"Estabelecer este tipo de comunicação e colaboração sustenta os esforços para enfrentar a feroz agressão de países hostis que pretendem quebrar a nossa resistência e impor-nos os seus ditames", assegurou Al-Halaki.
Considerou, além disso, que o povo sírio nunca será derrotado e sairá vitorioso graças à sua firme vontade para desafiar qualquer complot inimigo.
Al-Halaki sublinhou o papel dos partidos agrupados na Frente Nacional Progressista, com os quais - disse - se trabalha para sair desta crise o mais rapidamente possível. A Frente Progressista Nacional (FPN) é constituída por uma coligação de 8 partidos políticos, a Federação dos Sindicatos da Síria (FSS) e a União Geral de Camponeses (UGC).
Por sua vez, Bagdash elogiou as medidas económicas adotadas pelo governo, qualificando-as como "prudentes" para assegurar as necessidades de uma vida digna para os cidadãos, e da mesma forma, sublinhou a valentia das forças armadas no preservar a segurança e a estabilidade da nação.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Na Síria, o ELS continua a brilhar como uma estrela morta, por Thierry Meyssan
- Agora que a imprensa anuncia uma vez mais que estão iminentes a "queda de Bashar-al Assad" e a "sua fuga", a realidade no terreno inverteu-se completamente. Se de facto o caos se estendeu ao território, As "zonas libertadas" derreteram-se como neve ao sol. Privado de pontos de apoio o ELS já não tem perspectivas de futuro. Washington e Moscovo preparam-se para tocar para o fim da partida.
![]() |
| Combatentes do ELS em vias de extinção |
A
contagem regressiva já começou. Assim
que a nova administração Obama será confirmada pelo Senado, irá
apresentar um plano de paz para a Síria ao Conselho de Segurança.
Em termos jurídicos embora o presidente Obama seja o seu próprio sucessor, com a sua
administração apenas tem competências para gerir os assuntos
correntes e não pode tomar a iniciativa importante. Politicamente,
Obama não reagiu quando, em plena campanha eleitoral, alguns de seus
colegas fizeram fracassar o acordo de Genebra. Mas procedeu à
limpeza geral após o anúncio de sua reeleição. Como
esperado, o general David Petraeus, o arquitecto da guerra na Síria,
caiu na armadilha que lhe foi montada e foi forçado a renunciar.
Como esperado, os padrões da NATO e dos anti-mísseis Bouclier.
Contrários a um acordo com a Rússia, têm estado sob investigação
por corrupção e forçados ao silêncio. Como esperado, a
secretária de Estado Hillary Clinton foi posta fora de jogo, o
método escolhido para a eliminar não deixou de causar surpresa:
um grave acidente de saúde que a levou ao estado de coma .
Do
lado das Nações Unidas, as coisas avançaram. O departamento
de operações de manutenção da paz assinou um memorando com a
Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), em Setembro.
Observou no Cazaquistão em Outubro manobras simulando uma
implantação "capacetes
azuis” na
Síria. Em Dezembro, reuniu os representantes militares dos membros
permanentes do Conselho de Segurança para apresentar os termos como
a implantação poderia ocorrer. Embora contrários a esta
solução, os franceses e os britânicos curvaram-se à vontade dos
norte-americanos.
Entretanto,
a França tentou usar o representante especial dos Secretários-Gerais
da Liga Árabe na ONU, Lakhdar Brahimi, para alterar o plano de paz
de Genebra com base nas reservas que tinha emitido em 30 de Junho.
Este acabou cuidadosamente se abster de tomar uma posição, apenas
transmitindo mensagens entre as várias partes envolvidas no
conflito.
É
que no terreno, o governo sírio está em uma posição forte.
A situação militar foi invertida. Os próprios franceses
deixaram de evocar as "zonas
libertadas "que
aspiravam a governar através de um mandato das Nações Unidas.
Estas áreas foram diminuindo, e onde persistem,
eles
estão nas mãos de
Salafitas
pouco recomendáveis. As tropas do “Exército de Libertação
Sírio” (ELS) (Contras, como os designa adiante o autor – NT)
receberam para abandonarem as suas posições e para se reagruparem
em torno da capital para um
ataque final. Os Contras estavam à espera de poderem revoltar
os refugiados palestinianos, na sua maioria sunitas, contra o regime
pluri-confessional tal como Hariri no Líbano tentou levantar os
palestinianos sunitas de Nahr el-Bared contra o Hezbollah xiita. Tal
como no Líbano este projecto falhou porque os palestinianos sabem
muito bem quem são os seus amigos, que realmente lutam pela
libertação de sua terra. Em concreto, na recente guerra de de
oito dias de Israel contra Gaza, foram as armas iranianas e sírias
que fizeram a diferença, enquanto as monarquias do Golfo não
mexeram um dedo.
Alguns
elementos do Hamas, fiéis a Khaled Meshaal, financiado pelo Qatar,
abriram as portas do campo de Yarmouk a algumas centenas de
combatentes da Frente de Apoio aos Lutadores do Levante (ramo
sírio-libanês da Al-Qaeda), também ligados ao Qatar. Estes
lutaram principalmente contra homens da FPLP-CG. O governo
sírio pediu via SMS aos 180 000 residentes do campo para sair o mais
rapidamente possível e ofereceu-lhes alojamento temporário em
hotéis, escolas e ginásios em Damasco. Alguns preferiram
reagrupar-se no Líbano. No dia seguinte, o exército sírio árabe
atacou o acampamento com armas pesadas e assumiu o seu controle.
Quatorze organizações palestiniana as de seguida, assinaram um
acordo declarando o acampamento "zona
neutra".
Os combatentes do ELS retiraram em boa ordem e retomaram a sua guerra
contra a Síria nas imediações, enquanto os civis voltaram às
suas casas. Eles encontraram um campo devastado, onde escolas e
hospitais foram sistematicamente danificados.
Em
termos estratégicos, a guerra já acabou: o ELS perdeu apoio popular
de que beneficiou durante algum tempo, e não tem nenhuma chance de
vencer. Os europeus ainda acham que podem mudar o regime,
subornando oficiais e causando um golpe de Estado, mas eles sabem que
não serão capazes de vencer com o ELS. Os Contra continuam a
chegar, mas o fluxo de dinheiro e armas secou Grande parte do
apoio internacional parou embora ainda não se vejam as
consequências no campo de batalha , tal como uma estrela que pode
continuar a brilhar por muito tempo após sua morte.
Os
Estados Unidos decidiram claramente virar a página e sacrificar o
ELS. Dão instruções disparatadas que acabam por enviar os
Contras para a morte. Milhares foram mortos no mês passado
(Novembro- NT). Simultaneamente em Washington, o Conselho
Nacional de Inteligência
anunciou cinicamente que "o jiadismo
internacional
"vai desaparecer em breve. Outros aliados dos Estados
Unidos devem agora refletir se as novas notícias não implicam que
eles os sacrifiquem. também.
(tradução de AA)
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"(...) a realidade nublosa em que o globalismo se encontra, com os centros de poder legais superados por centros de poder sem cobertura legal, (...) caso dos centros que comandam o movimento fInanceiro mundial, submetendo os povos a um credo de mercado, que substitui o valor das coisas pelo preço das coisas (...)"
Adriano Moreira
no Público de 2 jan pp.
Baptista-Bastos, in Apesar de tudo cá estamos
E a ideia de uma Europa da solidariedade e da unidade na diversidade da sua extraordinária cultura, dissolveu-se com a emergência de um capitalismo finalmente à vontade para pôr as garras de fora. Este processo é longo e larvar, que atinge a sua expressão mais hedionda com a implosão dos países de Leste. Mas houve "experiências" anteriores, sobretudo em numerosos países da América Latina, onde as teorias económicas de Milton Friedman foram aplicadas, a ferro e fogo. Basta lembrarmo-nos do Chile, mas também da Argentina, do Brasil, do Uruguai, nos quais os golpes de Estado, apoiados pelos Estados Unidos, e estruturados por "especialistas" da CIA, constituíram uma sangueira sem nome.
Baptista-Bastos
in Jornal de Negócios
Baptista-Bastos
in Jornal de Negócios
Risco imoral
Carlos
Saraiva não paga.
Grupo Eusébios não paga.
Edifer não paga.
MonteAdriano
não paga.
Hagen não paga.
Sheik Al Jaber não paga.
Grandes clientes do BPN não pagam.
Até Vítor Baía não paga.
O
Sporting qualquer dia não paga.
Efromovich preparava-se para não pagar...
No último ano, o Estado financiou em
6,5 mil milhões de
euros o BCP, o Banif, o BPI e a CGD.
Pedro Guerreiro (J. Negócios)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Logo no primeiro dia do ano: canalhices e pós de perlimpimpim
O Ministério das Finanças foi taxativo: as adaptações dos comerciantes ao novo regime de facturação tem que ser aplicado sob pena de pesadas coimas. Ao governo pouco importa saber se os comerciantes têm condições para fazer os respectivos investimentos, pouco importa que eles se somem à quebra de actividade resultante da quebra de rendimentos dos portugueses e da elevação do IVA
O ministro dos Assuntos Sociais, no dia em que entram em vigor novos cortes sociais, novos cortes de rendimentos, entendeu sublinhar, como grande notícia do dia, a passagem das pensões mais baixas de 246 para 256 euros (10 euros mensais!!!)

O Presidente da República fez o seu discurso de Ano Novo para nos dizer das suas apreensões e discordâncias, para depois justificar a promulgação do Orçamento do Estado, faltando à verdade quando se justificou com o país não poder ficar sem Orçamento...Pode, porque outras soluções seriam melhores do que este OE que vai afundar o país. A uma grande apreciação de factos que ninguém hoje consegue negar, seguiu-se o deserto sobre a sua intervenção futura...
Apesar deste cavaquear, o porta-voz do PS colou-se ao discurso do PR, afirmando que ele decretou o "isolamento de Passos Coelho", entrando numa via tortuosa de intrigalhada que deixa muito a desejar quanto à sua vocação "de esquerda"...
O ministro dos Assuntos Sociais, no dia em que entram em vigor novos cortes sociais, novos cortes de rendimentos, entendeu sublinhar, como grande notícia do dia, a passagem das pensões mais baixas de 246 para 256 euros (10 euros mensais!!!)

O Presidente da República fez o seu discurso de Ano Novo para nos dizer das suas apreensões e discordâncias, para depois justificar a promulgação do Orçamento do Estado, faltando à verdade quando se justificou com o país não poder ficar sem Orçamento...Pode, porque outras soluções seriam melhores do que este OE que vai afundar o país. A uma grande apreciação de factos que ninguém hoje consegue negar, seguiu-se o deserto sobre a sua intervenção futura...
Apesar deste cavaquear, o porta-voz do PS colou-se ao discurso do PR, afirmando que ele decretou o "isolamento de Passos Coelho", entrando numa via tortuosa de intrigalhada que deixa muito a desejar quanto à sua vocação "de esquerda"...
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
Sr. Dr. Leal Costa, digníssimo Secretário de Estado da Saúde
O apelo de V. Exa. para os seus governados de que devem recorrer mais à prevenção das doenças e não recorrer tanto aos serviços de saúde é um apelo patriótico!
Puz-me de pé e quase fiz continência, só lamentando não ter uma bandeira nacional à mão.
Presumo, Vossa Eminência, que terá já garantido os recursos para essa prevenção. Nós pela nossa parte estamos já a considerar comer só carninha do lombo sem gordura, peixe fresco, verduras frescas. E já tínhamos tomado outras medidas como comer pouco. Pensamos dar um ramo de flores a todos os que ainda não entraram em depressão, convencendo-os que os efeitos da falta trabalho e de comer para os filhos foi da sua responsabilidade por terem gasto muito no passado, mas que o desemprego é um mundo para novas oportunidades e há muitas misericórdias e outras instituições que ganharam nome com os nossos donativos prontas a dar de comer a todos, com olhares bondosos como o da D. Isabel Jonet.
Quanto à contenção ao recurso aos serviços de saúde, estamos a encarar outras medidas. Qualquer dor no braço esquerdo e no coração deve ser tratado em casa com massagens. As cataratas serão tratadas domesticamente com solução a 50% de lixívia e vinagre, aproveitando os conta-gotas que já deixarem de servir para as infecções nasais que passarão a ser tratadas com água oxigenada por funil. Os diabéticos ficarão em casa a cumprir dieta sem açucares e farinácios, dispensando o recurso a hospitais. Assim comássim acabarão por morrer. O cancro, que só alguns dizem ser curável, será tolerado rogando a intervenção do Espírito Santo. Alzheimer, Parkinson tornam as pessoas mais sérias e o seu gingar nas ruas distrai a tristeza dos outros. As fracturas expostas serão tratadas com cola-tudo e os serviços de endireitas. Deixaremos de desperdiçar os meios complementares de dignóstico (MCDTs), como RX, RMs, TACs, devendo V. Exa gastar algum dinheiro com a distribuição de kits para análises e a formação em massa de adivinhos, astrólogos, videntes, que certamente sairão mais em conta que os MCDTs. Certamente o aumento de óbitos compensará a redução dos nascimentos e atingiremos um ponto óptimo de sustentabilidade do país e do SNS revisitado, adaptando a redução das populações à redução da nossa produção, a que V. Exas se têm encarregue de alma e coração.
Desta feita V. Exa poupará o suficiente para continuar a meter no buraco do BPN, consultores do Estado e outras necessidades prioritárias.
Que seria de nós sem o vosso génio e confiança? Sóis providenciais! Por isso enviamos a V. Exas o protesto da nossa consideração.
A Bem da Nação!
Puz-me de pé e quase fiz continência, só lamentando não ter uma bandeira nacional à mão.
Presumo, Vossa Eminência, que terá já garantido os recursos para essa prevenção. Nós pela nossa parte estamos já a considerar comer só carninha do lombo sem gordura, peixe fresco, verduras frescas. E já tínhamos tomado outras medidas como comer pouco. Pensamos dar um ramo de flores a todos os que ainda não entraram em depressão, convencendo-os que os efeitos da falta trabalho e de comer para os filhos foi da sua responsabilidade por terem gasto muito no passado, mas que o desemprego é um mundo para novas oportunidades e há muitas misericórdias e outras instituições que ganharam nome com os nossos donativos prontas a dar de comer a todos, com olhares bondosos como o da D. Isabel Jonet.
Quanto à contenção ao recurso aos serviços de saúde, estamos a encarar outras medidas. Qualquer dor no braço esquerdo e no coração deve ser tratado em casa com massagens. As cataratas serão tratadas domesticamente com solução a 50% de lixívia e vinagre, aproveitando os conta-gotas que já deixarem de servir para as infecções nasais que passarão a ser tratadas com água oxigenada por funil. Os diabéticos ficarão em casa a cumprir dieta sem açucares e farinácios, dispensando o recurso a hospitais. Assim comássim acabarão por morrer. O cancro, que só alguns dizem ser curável, será tolerado rogando a intervenção do Espírito Santo. Alzheimer, Parkinson tornam as pessoas mais sérias e o seu gingar nas ruas distrai a tristeza dos outros. As fracturas expostas serão tratadas com cola-tudo e os serviços de endireitas. Deixaremos de desperdiçar os meios complementares de dignóstico (MCDTs), como RX, RMs, TACs, devendo V. Exa gastar algum dinheiro com a distribuição de kits para análises e a formação em massa de adivinhos, astrólogos, videntes, que certamente sairão mais em conta que os MCDTs. Certamente o aumento de óbitos compensará a redução dos nascimentos e atingiremos um ponto óptimo de sustentabilidade do país e do SNS revisitado, adaptando a redução das populações à redução da nossa produção, a que V. Exas se têm encarregue de alma e coração.
Desta feita V. Exa poupará o suficiente para continuar a meter no buraco do BPN, consultores do Estado e outras necessidades prioritárias.
Que seria de nós sem o vosso génio e confiança? Sóis providenciais! Por isso enviamos a V. Exas o protesto da nossa consideração.
A Bem da Nação!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Um sonho sonhado a sós
não passa de um sonho;
o sonho que todos sonharmos
será real"
Yoko Ono
artista e activista japonesa
pela paz
1933
não passa de um sonho;
o sonho que todos sonharmos
será real"
Yoko Ono
artista e activista japonesa
pela paz
1933
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
As minhas desculpas, mas não só...
Nicolau Santos do Expresso, jornalista que merece o nosso crédito, terá sido enganado por Artur Batista da Silva, que se lhe declarou como coordenador de um observatório da ONU que afinal não existe. Importa o jornalista procurar aprofundar como lhe deu credibilidade porque "a coerência do discurso" duma pessoa não basta para sentar um desconhecido em mesas de entrevistas e mesas-redondas.
Eu também foi um dos que propagou as entrevistas que o Expresso, a SIC, a RTP e Antena Um, fizeram com o personagem. E daí o pedido de desculpas aos meus leitores por essa propagação.
Durante o fim-de-semana procurei por tudo o que eram sites nacionais e da ONU, junto de amigos economistas, descobrir a pista do homem. E os resultados foram nulos. E não se tratava de o pôr em causa. Mas de descobrir o estudo/relatório do tal observatório a que se referia nas entrevistas e por outro ter acesso a outros trabalhos dele para me viabilizarem um desenvolvimento do tema aqui.
Dito isto importa dizer também que o que o personagem disse é verdade. Pela minha parte apenas ressalvo, por não ter elementos que o confirmem, o valor dos empréstimos contraídos pelo Estado português correspondentes às contrapartidas nacionais,para poderem ser executados programas com apoio de Bruxelas, e para o qual o personagem reclamava uma redução maior das taxas de juro na dívida.
Alguns remoques de conhecidos e anónimos me chegaram por isso. São pessoas de direita convictas da justeza da política de desastre do governo de Passos Coelho.
A eles só posso recomendar que estejam mais atentos à credibilidade de alguns "analistas" e "comentadores" que se esfarrapam em disparates para nos esmagar com a "justeza" das políticas neo-liberais
sábado, 22 de dezembro de 2012
Mário de Carvalho "Avé Portugal mendigo. Senhora da Linha em maré de pobres"
1.
A esmola. O próprio vocábulo hoje incomoda. Tem travos de aviltamento, atraso e rebaixo. No século XXI, há quem queira voltar à prática infamante da esmola! As saudades da Idade-Média tardam ao esconjuro. Mas o lastro da miséria não é aura que eleve aos céus. É chumbo que arrasta para as regiões inferiores, onde, segundo as mitologias, se arde.
Vem-me primeiro à ideia o orador Rufino de «Os Maias». É o meu espírito faceto. Mas eu não consigo ser sempre faceto. A memória não deixa. Acode-me o mal-estar de miúdo quando um padre me levou num grupo a distribuir embrulhos por tugúrios de Alfama. Para que os meninos do liceu soubessem como vivia a pobreza, explicou. Eu não precisava que me lembrassem como vivia a pobreza. Sabia e sabia bem. Tinha brincado com miúdos rotos e descalços que usavam carrinhos feitos de arame como agora em África. Tinha entrado em casas de chão batido em que não havia nem uma cadeira. Tinha visto os pedintes chegarem aos grupos, esfarrapados, longas barbas, bornal ao ombro, por entre os arremessos dos cães, e ficarem depois às sobras debaixo dum chaparro. Tinha espreitado a guarda a cavalo, de chapéu colonial, a patrulhar os campos e a assegurar-se de que tudo estava em ordem: «Assine aí, lavradora!». Tudo estava em ordem. A ordem da miséria e da degradação. A ordem natural das coisas. Pobres sempre haveria. Porque sim. À cautela, aquelas «Mauser» em bandoleira eram garantes.
Isto vem, claro, a propósito da doutora Maria Isabel Jonet. E começou a ser escrito após uma senhora deputada ter entrado em guincharia num programa de televisão conduzido por uma daquelas figuras curvadas que nos vêm abrir uma porta rangente, de candelabro na mão, olho torvo e beiçola descaída, quando o nosso carro sem gasolina parou numa charneca desértica, entre nevoeiros, sem haver mais que uma mansão decrépita.
A deputada estridulou acusações contra «campanhas» e destemperou insultos. Mal defendida ficou a ré Isabel. Mal vista a parlamentar. Diminuídos todos. Suscitado este texto.
2.
Eu até nem desgosto especialmente da Doutora Jonet. E não se trata de nenhuma simpatia atávica pelos simples. Acho que é mais defeito meu: uma dificuldade em antipatizar, da natureza daquelas portas perras que, por mais que se tente, não fecham. Aliás, nomeio a pessoa apenas para que não interpretem a omissão como pejorativa.
A actividade caridosa dos ricos também não me causa, em si, especial contrariedade. Cuidar dos outros nunca fez mal a ninguém. Enquanto certa gente se entretém com a caridade não está a fazer coisas piores: intrigas, festarolas, ostentações, frioleiras, chazinhos. E, em certos casos, malfeitorias.
Vou passar de alto as últimas declarações da respeitável senhora. Dizem-me que se tem desdobrado em entrevistas. E mais insinuam: que não se trata de uma bem organizada manobra de influências, abusando de subalternidades nos jornais, mas de coisa pior: vontade pérfida, por parte da imprensa, de a surpreender, mais uma vez, em inconveniências. Eu nunca entraria nem num jogo, nem noutro. De maneira que recorro à minha memória, que é fraca, pedindo desde logo que me corrijam, se estiver equivocado:
-- Aqui há tempos, a um propósito que tinha a ver com a entreajuda na família, afirmou convictamente que os filhos deviam ajudar «a cortar a relva»;
- Noutra ocasião, referindo-se aos jovens dos seus relacionamentos disse, por palavras suas, que esses eram as «elites» que iriam estar à frente deste país.
-- Na véspera das últimas eleições legislativas (em pleno período de reflexão) convidada pelo espertíssimo Doutor Rebelo de Sousa que a olhava com o amarotado deleite de quem acaba de fazer batota na «vermelhinha», a senhora debitou, item a item, dogma a dogma, todo (mas todo) o papagueio da cartilha que tem vindo a desgraçar este país.
A «relva» ainda passa. É a consequência de se viver num mundo fechado. Mas sendo uma pessoa tão viajada… Não interessa. Já conheci gente que andou pelos sítios mais desvairados e não viu nada. Pode ir-se e voltar-se da Conchinchina setenta vezes sem sair de intramuros.
O considerar que certo tipo de jovens está destinado a governar é uma concepção classista, capciosa, e até ofensiva para a esmagadora maioria da juventude. Mas temos de reconhecer que há falhas de educação que nos acompanham toda a vida. O saisons, o chateaux…
Já fazer propaganda em dias de defeso é muito mais grave. Mas creio que podemos atribuir as culpas a quem a convidou para aquele programa, naquela precisa noite, sabendo de antemão que a senhora não poderia deixar de dizer as inanidades que lhe estão na massa do sangue. Com tal habilidade e torsão de manobra não admira que o Professor Rebelo de Sousa acabe, tanta vez, por se rasteirar a si próprio.
Surpreende-me é que as pessoas que, outro dia, se indignaram com a questão dos bifes e das torneiras (parece ter havido, entretanto, outra pérola sobre a temperatura do dueto solidariedade/caridade) não deram nem pelo corte da relva, nem pela vocação oligárquica, nem pela violação encapotada da lei eleitoral. Não se tratou de uma mera impertinência de uma senhora num tropeço de infelicidade. Por trás há um pensamento. Uma ideologia. E há muita gente (se calhar muitos dos vociferantes) que tem consentido nessa ideologia que faz passar por «normal» uma concepção do mundo arcaizante.
3.
No país em que eu nasci, quem mandava eram os ricos que encarregavam das tarefas sujas uns professores de Coimbra e uns militares que por sua vez comandavam legiões de desgraçados. Durante gerações, houve pessoas, em número mínimo, que beneficiaram duma vida remansosa dentro dum circuito fechado e protegido. A sua insensibilidade social era completa. Nem se apercebiam de que em volta havia pobre gente maltratada, humilhada, presa, espancada. Se lhe chegassem rumores (através das criadas, por exemplo) considerariam que era natural. O imperfeito mundo funcionava assim mesmo, éramos «um país pobre», resignassem-se. E até encontravam uma especificidade nacional justificativa do nosso fascismo doméstico. Era desumano? Paciência. Havia oratórios, terços, missas, e em calhando cilícios e bodos aos pobres. A desumanidade redimia-se nos ritos.
De repente (surpresa para eles) caiu-lhes uma revolução em cima, transtornou-lhe os planos, estremeceu-lhes as carreiras, desmarcou-lhes as festas. O que se chama, na sabedoria popular «uma patada no formigueiro».
Nunca perdoaram esses momentos – fugazes - de perturbação das pequenas vidas. Não tardariam, eles e seus descendentes, a ser repostos nos lugares de antes (em circunstâncias e conluios que não importa agora rever) mas num quadro jurídico e institucional diverso: a democracia. Essa incomodidade áspera, própria de intelectuais irrealistas, operários transviados e outros lunáticos, mostrava-se demasiado imponente para se derrubar de golpe? Dissimulasse-se. Corroesse-se por dentro. Desviassem-se os recursos do Estado. Praticasse-se uma permanente cleptofilia. E, dentada a dentada, sangria a sangria, desgaste a desgaste, chegou o momento que julgaram oportuno para rasgarem as fantasias e voltarem aos plenos poderes de antes, a coberto dos seus criados. A vingança serve-se fria. Há um nome francês que se usa no caso: «revanche».
É deste movimento que a doutora Maria Isabel Jonet tem sido uma porta-voz, no seu estilo muito próprio. E só agora muita gente nota. Porque vinha tudo no embalo duma quotidiana propaganda que dia a dia, linha a linha, imagem a imagem, inculcava nos espíritos o acatamento dum mundo de diferenças e de desigualdades. O mundo em que a doutora Jonet – e outras pessoas do mesmo entendimento – se sentem realizadas.
Quando por todo o lado se apregoa – com grande favor jornalístico – a ideia de que o Engº Zulmiro não deve pagar o mesmo nos transportes que um reformado pobre, quando se dispõem contrapartidas distintas, conforme os escalões, nos cuidados de saúde, quando se estabelecem diferenças de tratamento ao sabor dos rendimentos declarados não é a justiça que estão a praticar. Muito ao contrário. É a normalização e a institucionalização das desigualdades. É um desenho do mundo em que a pobreza (a dos outros) se aceita como fatalidade. A restauração do despenhado mundo dos pobres, como eu o conheci.
Os ricos já têm o poder económico neste país. Asseguraram, através dos seus valetes, o poder político; ainda querem mais: exercer o poder pessoal, sobre as vidas de cada um, usando, ou sendo transmissários, do instrumento da esmola. É a imposição da desigualdade como ordem natural das coisas, como uma grelha implacável cravada na sociedade portuguesa. A esmola, neste quadro, faz lembrar o cajado do guardador de rebanhos. Pobres para serem mandados, distribuídos, orquestrados, mordidos, concentrados, castigados, benzidos.
E isso é bem diferente de praticar a caridade, nas falhas e interstícios do chamado Estado social. Não há aqui expressão de amor ao próximo. Não se trata dos casos (meritórios) em que se descarregam consciências, sem que uma mão saiba o que faz a outra. É, ao contrário, uma fórmula institucional de violência. Esse mal, sistémico e obsidiante, não se deixa compensar com os maquinismos do bem-fazer de uma indústria caridosa. Por um lado fabricam-se pobres, através dum sistema social iníquo. Por outro lado, esmolam-se os pobres que se criaram. É repulsivo? É, sim, e estão em campo as mesmas famílias (descendentes ou afins) praticantes dos bodos dos tempos do fascismo.
4.
Falemos agora de decência. É um conceito que não tem que ver com o sapatinho de vela no verão, o esgoleiramento da camisinha branca ao fim-de-semana, os gestos miúdos do chazinho ou a mãozinha no volante do Porshe, nem com os objectos «de marca» que irmanam paradoxalmente os extremos do espectro social. Vadios de cima e vadios de baixo (Eça confrontava-os no Chiado) entusiasmam-se pelos mesmos efeitos. Apuradas as razões, hão-de encontrar-se num subterrâneo fio de ligação, mais ou menos disfarçado: frivolidade iletrada. Aos de cima, chamou a doutora Isabel Jonet «elite», por manifesto equívoco. Como se no país não existissem cientistas, arquitectos, engenheiros, artistas, professores, médicos, advogados, e tudo tivesse que rasar-se pela bitola de alguns economistas, banqueiros, «gestores» e ociosos.
Um dos preceitos estruturantes que escora o nosso ordenamento jurídico e funda a confiança nos comportamentos eticamente regulados vem do direito romano e das ancestrais práticas de boa-fé e exprime-se no brocardo: «pacta sunt servanda», ou seja, os compromissos são para se cumprirem. E sobre isto não há expedientes de contabilistas, não há casuísticas habilidosas, não há reservas mentais, não há passes de futebolista atendíveis. Há uma obrigação? Cumpra-se.
Mas a plutocracia que tem mandado nos destinos dos portugueses transportou para o Estado os seus pequenos hábitos de manobrismo, de expedientes, habilidades, truques, quando não de falcatrua, que retiraram à entidade a sua natureza de «pessoa de Bem». Ser «de bem» é uma noção que está fora do alcance de quem apenas acha meritórios o lucro e as negociatas. Coisa abstracta e «intelectual», própria de «otários» para utilizar a linguagem das cadeias que acaba por não ser muito diferente, numa perspectiva de extremos tangenciais
É assim que vemos governantes a colocarem o Estado Português na situação de violar os compromissos tomados para com os seus trabalhadores e aposentados. A ignorar prazos contratuais. A incumprir as promessas juradas perante o seu eleitorado. A fazer negaças às própria constituição. De modo tão flagrante e provocatório que lhes fez perder a legitimidade formal que detinham à partida.
Ora quem se coloca fora da lei está a pedir um tratamento fora da lei. Mas eles não estão apenas a pedir pedradas. Estão a pedir o confisco dos seus relvados, dos seus automóveis, das suas casas, das suas piscinas, dos seus valores mobiliários, dos seus quadros, dos seus cavalos, das suas jóias e luxos e a supressão de todas as mordomias. Não que isso seja economicamente relevante. Mas significa a reposição de um mínimo de decoro.
Ser-lhes-á então tarde para perceber que numa situação de ruptura a própria polícia mudará de campo. Certos jornalistas descobrirão escrúpulos éticos insuspeitados. Economistas e contabilistas virão dizer que foram mal interpretados e nunca proferiram aquelas coisas. Irromperão múltiplos vira-casacas e desertores da tirania de mercado, dispostos a pisar a livralhada de Milton Friedman e a cuspir no retrato emoldurado da Senhora Thatcher.
E lá terão as pessoas de bom senso de arriscar a reputação e a pele para evitar que se maltratem umas dúzias de plutocratas amedrontados e seus serviçais de fatinho, rojados pelo chão, de folha de cálculo à mostra.
Observatório da ONU arrasa governo português, a sua política, o memorando assinado com troika e Bruxelas
O Expresso publica hoje uma entrevista com Artur Batista Silva, coordenador deste observatório da ONU, para a qual chamo a atenção dos meus leitores.
Os resultados vão ser "catastróficos" se não mudar radicalmente a atual política. O aviso parte do economista Artur Batista da Silva, com base no relatório do Observatório Económico e Social das Nações Unidas.
Este observatório entregou um relatório ao governo de Pedro Passos Coelho a alertar para o que irá vai acontecer em Portugal, caso não haja uma mudança de rumo.
Prevê que com este Orçamento, as condições de vida vão agravar-se de tal forma, que em 2014 os portugueses vão ficar na mesma situação dos gregos.
O alerta, diz o economista Artur Batista Silva, já foi entregue ao governo português.
Os indicadores antecipam um cenário em que as condições económicas e sociais dos portugueses em 2014 serão iguais às dos gregos em 2013.
O relatório propõe um conjunto de termos para a da dívida
Prevê que com este Orçamento, as condições de vida vão agravar-se de tal forma, que em 2014 os portugueses vão ficar na mesma situação dos gregos.
O alerta, diz o economista Artur Batista Silva, já foi entregue ao governo português.
Os indicadores antecipam um cenário em que as condições económicas e sociais dos portugueses em 2014 serão iguais às dos gregos em 2013.
O relatório propõe um conjunto de termos para a da dívida
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Passos Coelho voltou a mentir na AR
O Primeiro-Ministro apresentou-se no debate de hoje na AR, com um discurso que, mais uma vez, nada tinha a ver com o país real. De novo o discurso de estar no bom caminho, a lançar sementes para o futuro.
Quando Heloísa Apolónia, dos Verdes, o confrontou com as declarações ali proferidas de que 2013 seria o ano em que se iria preparar o relançamento em 2014 e que há um ano tinha dito que 2012 seria a preparação do relançamento em 2013, Passos Coelho reagiu irado dizendo que nunca tinhas dito isso...
Mas o telejornal da RTP-1 de hoje mostrou a tal declaração que afinal ele tinha feito em Janeiro deste ano, ali, na própria AR...
Protestou contra a deputada como se estivesse a defender a honra ofendida. Afinal não tinha honra e só a mentira, no momento o defendeu...
Mas como pode Passos Coelho atrever-se a fazer tais previsões? O Governo não sabe que, para 2013, fez aprovar um Orçamento de Estado cheio de medidas que impedem o relançamento e reduzem ainda mais o mercado interno, que vão reduzir as receitas de impostos cobrados pela inactividade a que vai reduzir as MPMEs e outras empresas, com a degradação da Segurança Social que não receberá descontos do trabalho mas vai ter que pagar mais subsídios?
O governo não tem a noção do Estado em que está o euro, os outros países europeus, com dificuldades internas crescentes, para poder contar daí com qualquer coisa?
Quando Heloísa Apolónia, dos Verdes, o confrontou com as declarações ali proferidas de que 2013 seria o ano em que se iria preparar o relançamento em 2014 e que há um ano tinha dito que 2012 seria a preparação do relançamento em 2013, Passos Coelho reagiu irado dizendo que nunca tinhas dito isso...
Mas o telejornal da RTP-1 de hoje mostrou a tal declaração que afinal ele tinha feito em Janeiro deste ano, ali, na própria AR...
Protestou contra a deputada como se estivesse a defender a honra ofendida. Afinal não tinha honra e só a mentira, no momento o defendeu...
Mas como pode Passos Coelho atrever-se a fazer tais previsões? O Governo não sabe que, para 2013, fez aprovar um Orçamento de Estado cheio de medidas que impedem o relançamento e reduzem ainda mais o mercado interno, que vão reduzir as receitas de impostos cobrados pela inactividade a que vai reduzir as MPMEs e outras empresas, com a degradação da Segurança Social que não receberá descontos do trabalho mas vai ter que pagar mais subsídios?
O governo não tem a noção do Estado em que está o euro, os outros países europeus, com dificuldades internas crescentes, para poder contar daí com qualquer coisa?
Protesto contra fabricantes de armas nos EUA
O vice-Presidente da National Rifle Association (NRA), viu interrompida, hoje, uma sua conferência de imprensa por uma jovem cujo cartaz acusava a NRA pela responsabilidade do assassinato colectivo de crianças estudantes, professores e outro pessoal da escola.
Nesta conferência de imprensa o CEO desta Associação, que é o lobbie dos direitos do armamento, defendia a existência de guardas armados em todas as escolas (!!!).
Nesta conferência de imprensa o CEO desta Associação, que é o lobbie dos direitos do armamento, defendia a existência de guardas armados em todas as escolas (!!!).
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Nebulosa diferente
Uma imagem divulgada hoje pela NASA mostra a nebulosa NGC 5189 fotografada pelo
telescópio Hubble. Esta nebulosa planetária está a 3 mil anos luz da terra e vista pelo
telescópio tem uma forma invulgar de "S", o que tem intrigado os cientistas.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Lopes Graça nasceu há 106 anos
Se fosse vivo, o maestro Fernando Lopes-Graça faria hoje 106 anos.
Não repetiremos, neste momento, palavras sobre o imenso significado que teve a obra de Graça para a música e para os os cantares das populações e dos trabalhadores portugueses.
Só o evocamos, lembrando que a sua obra está viva e pode ser fruída por todos.
Não repetiremos, neste momento, palavras sobre o imenso significado que teve a obra de Graça para a música e para os os cantares das populações e dos trabalhadores portugueses.
Só o evocamos, lembrando que a sua obra está viva e pode ser fruída por todos.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Vasco Pulido Valente: um homem com problemas
Na sua crónica de hoje no Publico, VPV zurze a esquerda como não fazendo "a menor idéia do que está a falar...rematando "isto não admira numa facção que nunca se distinguiu pelo estudo, pela honestidade ou pela inteligência".
Não conheço o que VPV estudou, mas o que escreve não revela honestidade nem prima pela inteligência e pelo respeito pelos outros.
VPV deve ter muitos problemas...
Não conheço o que VPV estudou, mas o que escreve não revela honestidade nem prima pela inteligência e pelo respeito pelos outros.
VPV deve ter muitos problemas...
EUA: violência num país violento
O massacre numa escola primária no estado de Connecticut é um horror perante o qual se não pode ficar indiferente.
Estão em curso investigações minuciosas que ainda não permitiram o resgate das crianças pelos familiares, condolências e pesares, o levantamento de muitos porquês.
A repetição destes casos nos EUA e também nalguns países europeus, aqui com menor frequência, mas todos muito democráticos e defensores dos direitos humanos, não se verificam na Líbia, na Palestina, no Irão, na Síria, na Somália, em Cuba, na China, no leste europeu, na Venezuela e em muitos outros países que nos foram apresentados como ameaças tenebrosas. Países onde também existem loucos, autistas, pessoas imprevisíveis...
Nos EUA a aquisição de armas em muitos estados é livre, incluindo armas de guerra. Mas esta é uma faceta de uma realidade mais vasta. Os EUA cultivam a violência. Os medos incutidos, os jogos de guerra de computador, as séries televisivas de super-heróis, a formação militar e policial, os interesses das indústrias militares, a ignorância muito vasta sobre outros países e civilizações e o direito que muitos norte-americanos acreditam ter de, para defender os seus interesses, invadir outros países, massacrar os seus semelhantes são outros aspectos de uma sociedade que cultiva a violência. Está isto nos genes dos cidadãos norte-americanos? Não! É a política de sucessivas administrações, do Pentágono, da NATO que dirigem.
Mais do que nos perdermos na procura de respostas diferentes, atentemos a estas realidades, que não
podem ser menosprezadas ou etiquetadas como "teorias da conspiração"...
Estão em curso investigações minuciosas que ainda não permitiram o resgate das crianças pelos familiares, condolências e pesares, o levantamento de muitos porquês.
A repetição destes casos nos EUA e também nalguns países europeus, aqui com menor frequência, mas todos muito democráticos e defensores dos direitos humanos, não se verificam na Líbia, na Palestina, no Irão, na Síria, na Somália, em Cuba, na China, no leste europeu, na Venezuela e em muitos outros países que nos foram apresentados como ameaças tenebrosas. Países onde também existem loucos, autistas, pessoas imprevisíveis...
Nos EUA a aquisição de armas em muitos estados é livre, incluindo armas de guerra. Mas esta é uma faceta de uma realidade mais vasta. Os EUA cultivam a violência. Os medos incutidos, os jogos de guerra de computador, as séries televisivas de super-heróis, a formação militar e policial, os interesses das indústrias militares, a ignorância muito vasta sobre outros países e civilizações e o direito que muitos norte-americanos acreditam ter de, para defender os seus interesses, invadir outros países, massacrar os seus semelhantes são outros aspectos de uma sociedade que cultiva a violência. Está isto nos genes dos cidadãos norte-americanos? Não! É a política de sucessivas administrações, do Pentágono, da NATO que dirigem.
Mais do que nos perdermos na procura de respostas diferentes, atentemos a estas realidades, que não
podem ser menosprezadas ou etiquetadas como "teorias da conspiração"...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
"Nos bastidores dos telejornais - RTP1, SIC e TVI", de Adelino Gomes
É um livro de conteúdo inédito em Portugal.
Trata-se de relatar ao leitor ,que nunca a isso teve acesso, como se editam os telejornais. E de como, em cima da hora, com critérios jornalísticos e editoriais definidos (o autor reconhece diferentes apreciações sobre a possibilidade de autonomia do jornalista, sobre a possibilidade de uma atitude moral e deontológica), a decisão editorial é tomada em função da guerra das audiências entre os telejornais (da noite) da RTP-1, SIC e TVI. É uma decisão rectificada no decurso da própria emissão, em função do que é apresentado pelos concorrentes. Diria o autor "todas diferentes, todas iguais".
A investigação que, como dizia José Alberto Carvalho na sessão de apresentação do livro, confere a este também o carácter de uma reportagem (que poderia dar um bom filme, digo eu), prolongou-se por quatro anos (2007-2010). Adelino Gomes disse aos responsáveis de cada canal aquilo a que queria assistir, ver e conversar, e isso teve resposta positiva de todos.
Para além do trabalho de campo, o autor reflecte na introdução sobre modelo de propaganda e limites da autonomia jornalística, sobre o trabalho de investigação realizado e sobre o futuro do jornalismo com a internet e as redes sociais.
Aconselho vivamente a sua leitura. A edição é da Tinta da China (www.tinta da china.pt) e o preço do editor é de 15,90 euros.
Ainda vai a tempo de adquirir uma interessante prenda de Natal para si e para os seus amigos
Trata-se de relatar ao leitor ,que nunca a isso teve acesso, como se editam os telejornais. E de como, em cima da hora, com critérios jornalísticos e editoriais definidos (o autor reconhece diferentes apreciações sobre a possibilidade de autonomia do jornalista, sobre a possibilidade de uma atitude moral e deontológica), a decisão editorial é tomada em função da guerra das audiências entre os telejornais (da noite) da RTP-1, SIC e TVI. É uma decisão rectificada no decurso da própria emissão, em função do que é apresentado pelos concorrentes. Diria o autor "todas diferentes, todas iguais".
A investigação que, como dizia José Alberto Carvalho na sessão de apresentação do livro, confere a este também o carácter de uma reportagem (que poderia dar um bom filme, digo eu), prolongou-se por quatro anos (2007-2010). Adelino Gomes disse aos responsáveis de cada canal aquilo a que queria assistir, ver e conversar, e isso teve resposta positiva de todos.
Para além do trabalho de campo, o autor reflecte na introdução sobre modelo de propaganda e limites da autonomia jornalística, sobre o trabalho de investigação realizado e sobre o futuro do jornalismo com a internet e as redes sociais.
Aconselho vivamente a sua leitura. A edição é da Tinta da China (www.tinta da china.pt) e o preço do editor é de 15,90 euros.
Ainda vai a tempo de adquirir uma interessante prenda de Natal para si e para os seus amigos
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"A ignorância permite-nos
uma larga gama de possibilidades"
George Elliot
escritora inglesa da era vitoriana
1819-1880
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O lugar dos bandidos é na cadeia!
O Público e a TVI divulgaram hoje dois casos exemplares de como o dinheiro público é subtraído aos portugueses para favorecer interesses ilegais.
E depois digam-nos que não há dinheiro...
Um caso foi o divulgado pela TVI. O grupo de colégios privados GPS com um presidente e quadros responsáveis que saltaram das cadeiras do poder onde favoreceram esses interesses antes de saírem para hoje serem encontrados na empresa que gere esses empresas. Quase todos, incluindo um actual deputado, ligados ao PS. Os colégios foram construídos nas imediações de escolas públicas de onde o Ministério não aceitou um certo número de turmas para as entregar a esses "privados" e assim justificar contratos de associação destes com o Estado, o que é o mesmo que dizer que esses "privados" passaram a funcionar com o nosso dinheiro. Trabalhando para os rankings com a recusa de alunos menos classificados, obrigando os professores a "corrigir" a sua notas para atingir esse objectivo, recusando para esse efeito também alunos com necessidades educativas especiais. Colégios onde os professores eram tratados de forma ilegal, estendendo os seus horários de trabalho e impondo-lhes tarefas não lectivas, onde os professores são despedidos por dá cá aquela palha. Colégios que recebiam as verbas em contratos de associação, só as aplicavam na remuneração de professores e não de material técnico indispensável e exigível, mas onde dsirectores apresentavam (num caso mais de dez!!!) viaturas de gama alta,onde as inspecções eram conhecidas de antemão que se iam realizar , etc, etc, etc.
O outro, divulgado pelo Público foi o da ONG CPPC fundada por Passos Coelho para obter financiamentos para projectos de cooperação que interessavam à Tecnoforma e a que esta estava proíbida de aceder. Nesta ONG terão participado Angelo Correia e Marques Mendes, mesmo declarando não saberem o que a CPPC fazia, Vasco Rato e Frausto da Silva, todos do PSD, e um PS, Fernando Sousa, director do Acção Socialista. Projectos de cooperação não teve e os 137 mil euros recebidos do FSE destinaram-se ao combate à pobreza cá...., estando o CPPC sediado nas instalações amplas que Tecnoforma tem em Almada. Do que fez sabe-seque a Tecnoforma remunerou e cedeu carros a dirigentes do CPPC. À custa da CPPC Passos Coelho fez deslocações aéreas mas n in guém parece descobrir os processos da CPPC nem o Instituto de Gestão do FSE tem dados de como foram aplicados os 137 mil contos.
A Tecnoforma é uma empresa já conhecida por, com novo dono e Miguel Relvas como Secretário de EStado ter aumentado bastante o seu volume de negócios, incluindo pela realização das candidaturas de muitas instituições ao programa Foral, da responsabilidadev de Relvas que também tutelava o FSE...
E depois digam-nos que não há dinheiro...
Um caso foi o divulgado pela TVI. O grupo de colégios privados GPS com um presidente e quadros responsáveis que saltaram das cadeiras do poder onde favoreceram esses interesses antes de saírem para hoje serem encontrados na empresa que gere esses empresas. Quase todos, incluindo um actual deputado, ligados ao PS. Os colégios foram construídos nas imediações de escolas públicas de onde o Ministério não aceitou um certo número de turmas para as entregar a esses "privados" e assim justificar contratos de associação destes com o Estado, o que é o mesmo que dizer que esses "privados" passaram a funcionar com o nosso dinheiro. Trabalhando para os rankings com a recusa de alunos menos classificados, obrigando os professores a "corrigir" a sua notas para atingir esse objectivo, recusando para esse efeito também alunos com necessidades educativas especiais. Colégios onde os professores eram tratados de forma ilegal, estendendo os seus horários de trabalho e impondo-lhes tarefas não lectivas, onde os professores são despedidos por dá cá aquela palha. Colégios que recebiam as verbas em contratos de associação, só as aplicavam na remuneração de professores e não de material técnico indispensável e exigível, mas onde dsirectores apresentavam (num caso mais de dez!!!) viaturas de gama alta,onde as inspecções eram conhecidas de antemão que se iam realizar , etc, etc, etc.
O outro, divulgado pelo Público foi o da ONG CPPC fundada por Passos Coelho para obter financiamentos para projectos de cooperação que interessavam à Tecnoforma e a que esta estava proíbida de aceder. Nesta ONG terão participado Angelo Correia e Marques Mendes, mesmo declarando não saberem o que a CPPC fazia, Vasco Rato e Frausto da Silva, todos do PSD, e um PS, Fernando Sousa, director do Acção Socialista. Projectos de cooperação não teve e os 137 mil euros recebidos do FSE destinaram-se ao combate à pobreza cá...., estando o CPPC sediado nas instalações amplas que Tecnoforma tem em Almada. Do que fez sabe-seque a Tecnoforma remunerou e cedeu carros a dirigentes do CPPC. À custa da CPPC Passos Coelho fez deslocações aéreas mas n in guém parece descobrir os processos da CPPC nem o Instituto de Gestão do FSE tem dados de como foram aplicados os 137 mil contos.
A Tecnoforma é uma empresa já conhecida por, com novo dono e Miguel Relvas como Secretário de EStado ter aumentado bastante o seu volume de negócios, incluindo pela realização das candidaturas de muitas instituições ao programa Foral, da responsabilidadev de Relvas que também tutelava o FSE...
Subscrever:
Mensagens (Atom)












.jpg)







.jpg)














