Meus caros, aqui ficam algumas sugestões de leitura, umas em português do Brasil com deficientes traduções pontuais, outras em francês, uma em inglês.
O que está por detrás dos acordos dos EUA e Irão?
http://www.voltairenet.org/article187248.HTML
As divisões no mundo árabe a passarem pelas mulheres?
http://www.voltairenet.org/article187187.HTML
A balcanização da Ucrânia
http://www.voltairenet.org/article187247.HTML
O yuan a caminho de rivalizar com o dólar
http://www.voltairenet.org/article187222.HTML
As armas económicas na Ucrânia
http://www.voltairenet.org/article182770.HTML
Afinal, o que quer a troika?
http://www.voltairenet.org/article178125.HTML
4 milhões de mortos desde 1990 no Afeganistão, Paquistão e Iraque
http://www.voltairenet.org/article187295.HTML
Coligação à bomba contra revolução no Iémen
http://www.voltairenet.org/article187161.HTML
EUA rompem compromisso: projecto anti-míssil continua apesar do acordo EUA/ Irão
http://francais.rt.com/lemonde/1653-projet-bouclier-antimissile-europe-continue
Porque não evacuam os EUA os seus cidadãos que estão no Iémen?
http://francais.rt.com/lemonde/1657-pourquoi-etats-unis-nevacuent-ils
Os BRICS e a ficção da desdolarização
http://www.globalresearch.ca/brics-and-the-fiction-of-de-dollarization/5441301
sábado, 11 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Governo grego leiloa no ebay carros de luxo adquiridos por antigos governos
Alguns dos 700 carros que se encontravam ao serviço dos ministérios gregos eram utilizados pelas viúvas de antigos ministros.
Chocado por lhe ter sido atribuído um abono de 525 euros aquando da sua ida à cimeira de Bruxelas, Alexis Tsipras juntou à sua lista de poupanças a extinção das compensações pelas viagens ao estrangeiro.
Segundo avança o semanário grego Proto Thema, uma grande parte da frota de carros de luxo herdados do anterior executivo da Nova Democracia e Pasok vai ser leiloada no Ebay.
Entre as viaturas encontra-se um BMW topo de gama cujo preço comercial ascende a 750 mil euros. O automóvel foi adquirido pelo executivo de Papandreou e continuou ao serviço de outro líder do PASOK, o ex-vice primeiro ministro Evangelos Venizelos.
Em 2010, o governo de Papandreou mantinha 44 mil veículos do Estado, com um custo anual de 320 milhões de euros. Conforme adiantou recentemente o primeiro-ministro Alexis Tsipras, 700 viaturas encontravam-se atualmente ao serviço dos ministérios, estando não só a ser utilizadas por ministros como também por secretários-gerais, administradores universitários, altos funcionários dos serviços policiais, e até mesmo pelas esposas dos ministros falecidos.
A par de ter decidido viajar em classe turística nas deslocações aéreas, poupando mais dinheiro aos cofres públicos, o governo Syriza acrescentará à sua lista de medidas de redução de custos a extinção das compensações pelas viagens ao estrangeiro.
O Proto Thema relata que Tsipras ficou chocado ao ser surpreendido com um abono de 525 euros quando regressou da cimeira de Bruxelas.
Chocado por lhe ter sido atribuído um abono de 525 euros aquando da sua ida à cimeira de Bruxelas, Alexis Tsipras juntou à sua lista de poupanças a extinção das compensações pelas viagens ao estrangeiro.
Segundo avança o semanário grego Proto Thema, uma grande parte da frota de carros de luxo herdados do anterior executivo da Nova Democracia e Pasok vai ser leiloada no Ebay.
Entre as viaturas encontra-se um BMW topo de gama cujo preço comercial ascende a 750 mil euros. O automóvel foi adquirido pelo executivo de Papandreou e continuou ao serviço de outro líder do PASOK, o ex-vice primeiro ministro Evangelos Venizelos.
Em 2010, o governo de Papandreou mantinha 44 mil veículos do Estado, com um custo anual de 320 milhões de euros. Conforme adiantou recentemente o primeiro-ministro Alexis Tsipras, 700 viaturas encontravam-se atualmente ao serviço dos ministérios, estando não só a ser utilizadas por ministros como também por secretários-gerais, administradores universitários, altos funcionários dos serviços policiais, e até mesmo pelas esposas dos ministros falecidos.
A par de ter decidido viajar em classe turística nas deslocações aéreas, poupando mais dinheiro aos cofres públicos, o governo Syriza acrescentará à sua lista de medidas de redução de custos a extinção das compensações pelas viagens ao estrangeiro.
O Proto Thema relata que Tsipras ficou chocado ao ser surpreendido com um abono de 525 euros quando regressou da cimeira de Bruxelas.
terça-feira, 7 de abril de 2015
O regresso de Guerra Junqueiro
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
A justiça ao arbítrio da Política,
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896.
Palavras como esta, de Junqueiro e outros grandes escritores,do final do séc. XIX e viragem do séc. XX, são belos nacos de prosa onde sempre encontramos actualidades desconcertantes. As referências à burguesia e ao "sistema" político de então são certeiras mas maltratado é o povo por vezes injustamente.
domingo, 5 de abril de 2015
No dia em que decidi morrer
Ou, para ser mais preciso, na
noite.
Morfeu travestiu-se de piranha e dou com ela em cima
do peito, ar guloso e óculos que lhe davam um ar mais sociável.
- Vamos comer-te. Disse, sem
qualquer intencionalidade erótica.
- Vais quê?
- Vamos…
E apontou-me para outros membros
da sua tribo, de cores irisadas que me cobriam o corpo. É uma decisão que já te
ultrapassou. E deitou-me para dentro da banheira…
- Até vais poupar nos serviços do
cangalheiro e do cemitério…
- Obrigado mas há muito decidi ser
cremado e as minhas cinzas largadas ali para o Cabo da Roca…
- Poeta até ao fim! Não te agrada
ser transfigurado em nós, que seremos comidas por uns quaisquer outros peixarrões, e
estes por pinguins, que farão as delícias a umas orcas de sonoridades estranhas
e, por aí fora? Até conhecerias novos lugares…
- Mas este ainda não é o meu tempo…Há tanta coisa por fazer…
- Não te sobrevalorizes. Os
cavacos, coelhos, portas e luísas já estão na apanha de tomate. Outros na
cadeia. Até o Espírito Santo lá está. As tribos da minha família trataram disso
Os netanyhaus, hollandes e obamas, os príncipes sauditas e os grupos
terroristas que criaram, dos talibans ao estado islâmico, agora com os ramos
africanos da Al-Qaeda, estão na reeducação de adultos da Cúria Romana, sob a
monitorização firme do Papa Francisco. O fmi, o banco mundial e o bce passaram
a ser dirigidos pelos países mais pequenos…
- Mas preciso de consultar a
família!!! E os amigos, caramba. Chega de pressas!
Outra das bichas lá me trouxe um
nokia. Com todos falei. Amargurados e chateados, ficaram de beicinho. Que isso
não se faz de pé para a mão - ambos, aliás, partes do corpo onde as piranhas já estavam ferradas sem
vontade de perderem o seu naco. Tentaram rever a inevitabilidade da coisa. Não
faltaram os cenários alternativos. A todos convenci.
- Agora vou para outra.
Reencontramo-nos lá em cima. Ou ainda cá por baixo. Não deixem de olhar bem nos
olhos dos animai. Posso estar transfigurado neles.
Virei-me para a piranha
que registara tudo no tablet.
- Estou pronto, mas tenho direito a uma última vontade.
- Será cumprida, assim manda a deontologia das tribos dos
characidae. Que mandas?
- Quero assistir a tudo mas para isso deixem para último
lugar os olhos, o cérebro e o coração. E tu ficas nomeada Directora-Geral da
Degustação.
- Obrigada. Registarei tudo para memória futura. Boa viagem!
Foram rápidas. Quando do lugar do corpo restava um adormecimento
insensível, e já me tinham levado os
olhos e o negro se instalara, vi uma luz lá ao fundo e o ouvido, que se fora, registou o som dos saltos altos da vizinha de cima. Procedi a
apalpações várias e tudo estava no sítio.
Quando tentei contar o sonho ao pequeno almoço, levei uma
corrida em osso.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Quando não sabes para onde hás-de ir,
lembra-te de onde vens"
Roberto Rossellini
realizador italiano,
1906-1977,
citado pelo filho
Renzo em entrevista
ao Público, em 30 março p.p.
lembra-te de onde vens"
Roberto Rossellini
realizador italiano,
1906-1977,
citado pelo filho
Renzo em entrevista
ao Público, em 30 março p.p.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Chegou a época da banha-da-cobra! Só compra quem gostar de ser enganado!
A alguns meses das eleições legislativas, Cavaco e Passos Coelho,
e outro pessoal político e comentadores já fora de prazo, entregam-se a sucessivas orações, que fazem
relembrar o oásis de outros tempos, confrontando com ilusões as realidades do
dia-a-dia.
A banha da cobra dos dias de hoje já não se vende como na imagem aqui ao lado, adaptada da foto original de Joshua Benoliel, de 1910, pelo blog 77 colinas. Hoje fala nos prime-times dotelejornais dos 3 canais de TV, com passadeiras, telepontos e demais parafernália.
Uma das larachas é a da redução do desemprego para valores da ordem
dos 13% (“Bem melhores do que países como a Espanha”
Relativamente apenas ao período do 2º trimestre do ano passado, a CGTP-IN referia “O desemprego continua
num nível inaceitavelmente elevado. O INE dá conta que a taxa de desemprego oficial foi de 13,9% no 2ºtrimestre. No entanto, este valor não traduz a realidade do desemprego em Portugal, registando-se também
um número considerável de trabalhadores sub-empregados.O número de trabalhadores impedidos de participar total ou parcialmente na produção do país é superior a 1
milhão e 260 mil pessoas. Além dos 729 mil desempregados considerados pelo INE como desempregados, há
ainda 257 mil inactivos disponíveis que não procuram emprego (os desencorajados) e 252 mil sub-empregados
que trabalham menos tempo do que desejariam. A estes há que juntar ainda os inactivos à procura de emprego
mas não imediatamente disponíveis para trabalhar (28 mil).
O desemprego de longa duração atinge mais de 490 mil desempregados, mais de 67% do total, isto num
contexto em que a protecção no desemprego abrange menos de metade do desemprego oficial, agravando-se
no caso dos jovens, especialmente entre os menores de 25 anos que apenas têm acesso às prestações em menos
de 10% dos casos.
Há ainda que ter em conta que milhares de portugueses continuam a sair do país anualmente (67 milhares em
idade activa desde o 2º trimestre de 2013), havendo outros que passaram à inactividade (a população activa
diminuiu mais de 47 milhares.
Em conclusão, a realidade do desemprego em Portugal vai continuar a apresentar ou não uma
taxa real próxima dos 23%, mantendo o nosso país com níveis de desemprego dos mais elevados de entre
os países da UE quer da Zona Eur?. Acresce, também, que o desemprego jovem se mantém muito elevado e
que a maioria dos desempregados não tem acesso a qualquer prestação de desemprego”.
Outra das larachas diz respeito ao valor intrínseco da austeridade,
que nos terá feito salvar dos deficites incomportáveis do passado, e que uma mudança de política confrontaria os
portugueses com um” retrocesso naquilo que os portugueses ganharam com a
austeridade” (ao lado mais um vendedor, desta vez em Alcântara em 1955, apanhado pelo Eduardo Gajeiro na Ajuda).trabalho a situações de quase escravatura. Se viram preços de bens e serviços aumentados. Se tiveram que
optar, em certas camadas, entre tomar medicamentos ou comer. Se deixaram de ter dinheiro para pagar taxas
moderadoras e por para se ser isento disso se atingir níveis de indigência. Se deixaram de ter dinheiro para se
deslocarem no país e nos meios urbanos. Se os filhos deixaram de procriar e passaram a entregar mais os
netos aos avós para poderem corresponder a horários de trabalho mais longos e desencontrados. Se
banqueiros-ladrões fizeram esfumar as suas poupanças e não lhas querem devolver.
Outra laracha, enfim, é que o país se pode tornar em breve numdos países mais competitivos do mundo. (na foto ao lado vasilhameatravés de uma PPP da Presidência da República com a Real
Companhia das Argilas)
O que quer Passos Coelho dizer com isto?
O governo vai aplicar parte do
saco dos milhares de milhões que a Ministra das Finanças tem no cofre como
investimento produtivo e contribuir para a redução de importações que encarecem
nos mercados a produção nacional, nomeadamente nas indústrias transformadoras?
Que o governo vai suscitar com o
apoio do Estado novos modelos de organização e gestão empresariais? Que vai melhorar
a qualificação dos trabalhadores com contratos de trabalho estáveis, melhorando
os seus rendimentos para um maior empenhamento nesse objectivo? Que o Governo
vai desagravar empresas de impostos e custos de energia?Melhorar a competitividade, sim, se o governo a quisesse de facto fazer sem ser à custa de trabalho escravo.
Mas há que não cair no ridículo de termos condições “para sermos um dos países do mundo mais
competitivos”…Vamos ver o que vai acontecer à nossa agro-pecuária agora com a liberalização do mercado do leite no espaço da União, se não vamos absorver a produção leiteira alemã e nórdica através das grandes
superfícies que ainda usarão isso para pagar pior nos contratos que fizerem com os nossos produtores.
PS - Cavaco Silva é o Presidente da República de todos os portugueses? É que parece ser o presidente do PSD, com a agravante que uma boa parte do povo laranja já não se deixa embalar com tais larachas...
quarta-feira, 1 de abril de 2015
A longa migração das toutinegras
Segundo a "Science Daily", a toutinegra das murtas ou listrada, pássaro que pesa cerca de 12 gramas (!), faz todos os anos a migração da América do Norte para a América do Sul voando sem parar sobre o Oceano Atlântico durante dois a três dias, segundo um estudo de 2013.Há mais de 50 anos, que os cientistas tentam confirmar essa façanha. Uma equipa internacional de biólogos, que publicaram na terça-feira os resultados do seu trabalho na revista científica britânica «Biology Letters», está convencida de ter encontrado «provas irrefutáveis».
«Esta é uma das mais longas viagens diretas sobre a água feitas por um pássaro cantor (entre nós aves canoras)», afirma um dos autores do estudo, o investigador Bill DeLuca, num comunicado divulgado pela Universidade de Massachusetts em Amherst.Esta ave habita geralmente nas florestas boreais do Canadá e dos Estados Unidos entre a primavera e o outono. Depois, parte para as Grandes Antilhas ou para a costa norte da América do Sul para o seu período de hibernação.
Para obter mais detalhes sobre a sua trajetória de migração, os investigadores instalaram geolocalizadores miniaturas, com um peso de 0,5 gramas, em 40 aves desta espécie entre Maio e Agosto de 2013. Vinte partiram de Vermont e outras 20 da Nova Escócia.
Graças aos dados recolhidos de cinco aves capturadas durante o seu regresso à América do Norte, os cientistas descobriram que estas aves percorrem entre 2.270 e 2.770 milhas num voo que dura entre 2,5 dias e três dias, até às grandes Antilhas, Cuba e Porto Rico, chegando mesmo ao norte da Venezuela e Colômbia.
Outras aves, mais robustas optam por migrações ao longo da costa, embora mais longas que as toutinegras, que preferem encurtar o percurso atravessando o Atlântico.
«Foi incrível poderrecuperar estes pássaros, porque a viagem migratória em si é quase impossível, afirma Bill DeLuca.
O investigador Ryan Norris, da Universidade de de Guelph, no Canadá, refere, por seu turno, que "não há dúvida de que a toutinegra listrada realiza uma das migrações mais ousadas na Terra".
segunda-feira, 30 de março de 2015
Naquela noite dormi no Mar, José João Louro
Naquela noite dormi no Mar
Num 1 de Janeiro em Vila Nova de Milfontes (Odemira, Portugal) recordei-me de um leitão que comi no Cuando Cubango em 1982 em Angola. Era um leitão preto selvagem. Tivemos todos de correr para apanhar o porco. Corria como um cabrito selvagem .A guerra contra os sul-africanos fez uma estranha pausa. Os FAPLA foram passar o Natal a Casa , Os UNITA foram passar o Natal a Casa , Os racistas sul-africanos tinham ido passar o Natal a CASA . O VILAVERDE foi passar o Natal a Casa. Parecia o Natal da "Guerra do Solnado ".
Tinha ficado com os médicos e militares cubanos ,com dois engenheiros polacos que reparavam tanques em Menongue .
E de repente seria o 1 de Janeiro e os cooperantes cubanos queriam fazer a sua festa. Então corremos todos atrás dum porco preto. . Selvagem que não se deixava apanhar. Passava debaixo das minhas pernas ,de todas as pernas ,corria como um cabrito selvagem. Mas os cubanos riam como no basebol e tentavam apanhar o porco como uma bola em movimento. E de repente uma médica cubana como se fosse uma campeã de cem metros ,uma mulher belíssima de pernas longas e mãos largas mas suaves pareceu voar e conquistou o porco preto para o seu colo.
Era a pausa da Guerra ,havia uma cascata de gargalhadas.
No dia seguinte fomos assar o porco e fizemos a festa de Cuba com a alegria de Cuba ,com cantos e danças revolucionárias. Comemos um imenso bolo que era a Ilha de Cuba. Rimos .Chorámos. Naquela noite dormi no colo daquela belíssima médica de mãos de seda ,ternas. Naquela noite dormi no Mar.
Todos os dias morriam dos dois lados.. Angolanos dos dois lados .Muitos heróis cubanos. Sul Africanos dos dois Lados .
No dia seguinte fomos para Vissati . Centenas de pessoas saíram das matas para se entregarem ás FAPLAS . Enganadas por Savimbi queriam regressar .Não eram humanos eram esculturas de Giacometti , pinturas de Portinari , OSSOS de Pedro Costa ,esguias ,longas, riscos , SOMBRAS.
Os médicos cubanos amparavam as crianças com medo que morressem. Alguns morriam só com as papas de milho que os FAPLA lhes davam. Como se viver fosse demais..
A bela médica agora chorava. Lágrimas corriam-lhe pelos olhos. Os médicos cubanos todos choravam.
São como nós pensei. Loucos no Amor , Boémios na Festa. .E choram na guerra.
Lembrei-me disto em Milfontes em 1 de Janeiro. Juntei os patacos que me sobraram da reforma e fui comprar um Leitão para oferecer aos 2 médicos cubanos da Vila, Lembras-te Humberto Lopes ?. Para a sua Festa de 1 de Janeiro.
Depois corri para o Mar com o BE. Um Mar Azul me acariciava terno.
José João Louro
Num 1 de Janeiro em Vila Nova de Milfontes (Odemira, Portugal) recordei-me de um leitão que comi no Cuando Cubango em 1982 em Angola. Era um leitão preto selvagem. Tivemos todos de correr para apanhar o porco. Corria como um cabrito selvagem .A guerra contra os sul-africanos fez uma estranha pausa. Os FAPLA foram passar o Natal a Casa , Os UNITA foram passar o Natal a Casa , Os racistas sul-africanos tinham ido passar o Natal a CASA . O VILAVERDE foi passar o Natal a Casa. Parecia o Natal da "Guerra do Solnado ".
Tinha ficado com os médicos e militares cubanos ,com dois engenheiros polacos que reparavam tanques em Menongue .
E de repente seria o 1 de Janeiro e os cooperantes cubanos queriam fazer a sua festa. Então corremos todos atrás dum porco preto. . Selvagem que não se deixava apanhar. Passava debaixo das minhas pernas ,de todas as pernas ,corria como um cabrito selvagem. Mas os cubanos riam como no basebol e tentavam apanhar o porco como uma bola em movimento. E de repente uma médica cubana como se fosse uma campeã de cem metros ,uma mulher belíssima de pernas longas e mãos largas mas suaves pareceu voar e conquistou o porco preto para o seu colo.
Era a pausa da Guerra ,havia uma cascata de gargalhadas.
No dia seguinte fomos assar o porco e fizemos a festa de Cuba com a alegria de Cuba ,com cantos e danças revolucionárias. Comemos um imenso bolo que era a Ilha de Cuba. Rimos .Chorámos. Naquela noite dormi no colo daquela belíssima médica de mãos de seda ,ternas. Naquela noite dormi no Mar.
Todos os dias morriam dos dois lados.. Angolanos dos dois lados .Muitos heróis cubanos. Sul Africanos dos dois Lados .
No dia seguinte fomos para Vissati . Centenas de pessoas saíram das matas para se entregarem ás FAPLAS . Enganadas por Savimbi queriam regressar .Não eram humanos eram esculturas de Giacometti , pinturas de Portinari , OSSOS de Pedro Costa ,esguias ,longas, riscos , SOMBRAS.
Os médicos cubanos amparavam as crianças com medo que morressem. Alguns morriam só com as papas de milho que os FAPLA lhes davam. Como se viver fosse demais..
A bela médica agora chorava. Lágrimas corriam-lhe pelos olhos. Os médicos cubanos todos choravam.
São como nós pensei. Loucos no Amor , Boémios na Festa. .E choram na guerra.
Lembrei-me disto em Milfontes em 1 de Janeiro. Juntei os patacos que me sobraram da reforma e fui comprar um Leitão para oferecer aos 2 médicos cubanos da Vila, Lembras-te Humberto Lopes ?. Para a sua Festa de 1 de Janeiro.
Depois corri para o Mar com o BE. Um Mar Azul me acariciava terno.
José João Louro
sábado, 28 de março de 2015
Frase de fim-de-semana, por Jorge
Bispo de Beja apoia posição do PCP sobre o regadio do Alqueva

O debate sobre o tema Alqueva, desafios para a pequena
propriedade, realizado ontem de manhã pela Caritas Diocesana de Beja, decorria
sem sobressaltos, quando o bispo de Beja, D. Vitalino Dantas, pediu a palavra para
lançar um desafio ao presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas
do Alqueva (EDIA) José Pedro Salema.
Este referira-se antes
aos problemas criados pela existência na zona de regadio de cerca de 20 mil
hectares de pequena propriedade.
Surpreendido, o
auditório com uma centena de pessoas, na sua maioria ligadas a organizações de
apoio social, ouviu atentamente o bispo. D. Vitalino Dantas, nascido na região
minhota, trouxe para o debate um tema escaldante: “Há 14 anos, o PCP avançou uma proposta em quedefendia que as
parcelas no regadio do Alqueva não deveriam superar os 50 hectares”, lembrou.
Cruzam-se olhares espantados e ouve-se dizer: “Ele está a
falar de quê?”
O prelado referia-se
a um projecto de lei apresentado pelo PCP em 2001, sem sucesso, que estabelecia
“um limite de 50 hectares” para as explorações agrícolas das áreas abrangidas
pelo perímetro de rega de Alqueva.
D. Vitalino Dantas acrescenta um desejo: seria vantajoso
para a região se “os grandes proprietários arrendassem os seus latifúndios”.
Ao PÚBLICO, fundamentou a ousadia da sua proposta. A doutrina social da Igreja é clara: “A
função social da terra está em oposição ao princípio do direito absoluto que
ainda condiciona as mentalidades” e no Alentejo “há empresas agrícolas que são
associais, e criadoras de pobreza”.
Carlos Dias
P ublico/Agricultura
quarta-feira, 25 de março de 2015
Sínteses de artigos da Rede Voltaire
Limpeza étnica e cultural na Ucrânia
Andrew Korybko
Enquanto o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, acaba de propor um acordo com os líderes da República Popular de Donbas, Andrew Korybko discorre sobre as razões para a revolta: não é simplesmente uma questão de se recusar a reconhecer o governo do golpe de estado em Kiev, mas uma tentativa de afastar um projeto oficial, que implica a limpeza étnica das populações de língua russa.
Rede Voltaire
Netanyahu anuncia o fim da «solução de dois Estados»
Thierry Meyssan
Os acordos de Oslo, que Yitzhak Rabin e Yasser Arafat haviam imposto aos seus povos, foram liquidados durante a campanha eleitoral israelita. Benjamin Netanyahu mergulhou os colonos judeus num impasse, que será forçosamente fatal para o regime colonial de Telavive. Tal como a Rodésia não aguentou mais que 15 anos, os dias do Estado hebreu estão agora contados.
Rede Voltaire | Damasco (Síria)
O Estado contra a República
Thierry Meyssan
A pedido do presidente François Hollande, o Partido Socialista Francês acaba de publicar uma Nota sobre o movimento internacional «conspiracionista». O seu objetivo: preparar uma nova legislação proibindo-o de se expressar. Nos EUA, o golpe de Estado de 11 de setembro de 2001 permitiu estabelecer um «estado de emergência permanente» (Patriot Act), e o lançamento de uma série de guerras imperiais. Progressivamente, as elites europeias têm-se alinhado com os seus homólogos do outro lado do Atlântico. Por todo o lado, os cidadãos inquietam-se por serem abandonados pelos seus Estados e colocam em questão as suas instituições. Buscando manter-se no poder as elites estão, agora, prontas a utilizar a força para amordaçar as suas oposições.
Rede Voltaire | Damasco (Síria)
A CIA ultrapassada pelo apoio dos populares ao Daesh
Thierry Meyssan
Ultrapassada pelo desenvolvimento fulgurante do Emirado Islâmico, que ela própria criou, a Agência Central de Inteligência(CIA) será reorganizada em profundidade. Mas o problema que enfrenta não tem precedentes: uma retórica que ela havia imaginado para a difusão de comunicados de reivindicação de actos terroristas, sob falsa bandeira, em contacto com uma população da qual ela ignorava até mesmo a existência, transformou-se numa poderosa ideologia. Para Thierry Meyssan, a reforma da CIA será ineficaz : tal não lhe permitirá gerir o cataclismo que ela provocou no Levante.
Rede Voltaire | Damasco (Síria)
terça-feira, 24 de março de 2015
excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961
Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstrato
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram
sábado, 21 de março de 2015
A Líbia “libertada de Kadhafi” para servir de base de treinos do Estado Islâmico (pois claro!)
Segundo o “Publico
de hoje”
Tunisinos estiveram na Líbia.Foi em
campos do autoproclamado Estado Islâmico na Líbia que os terroristas tunisinos
que mataram 22 pessoas em Tunes na quarta-feira, em nome do EI, receberam treino
militar.
Os dois homens, disse o secretário de
Estado da Segurança, Rafik Chelly, saíram clandestinamente da Tunísia e
regressaram em Dezembro do ano passado.Chelly admitiu que há, no país, varias células
jihadistas adormecidas, formadas por antigos combatentes e prontas para
entrarem em acção, realizando atentados. Yassine Labidi e Hatem Khachnaoui, os
dois terroristas que foram mortos pela polícia, explicou, fariam parte de uma
dessas células.“Sabemos que eles podem realizar operações a qualquer momento, mas temos que reunir provas para podermos realizar detenções”, disse o secretário de Estado, adiantando que estão identificados vários campos de treino do Estado Islâmico na Líbia para onde são levados jovens combatentes tunisinos. Há um em Bangazi, disse, e outro na cidade costeira de Derna, uma praça-forte jihadista na Líbia.
A influência do Estado Islâmico cresce e são cada vez mais os tunisinos que atravessam a fronteira, para se juntar ao grupo.Yassine Labidi e Hatem Khachnaoui fizeram esse caminho e, em Dezembro, fizeram o caminho inverso. A irmã de Khachnaoui — que foi detida na sua casa perto da fronteira com a Argélia, onde a actividade jihadista é cada vez maior — disse à polícia que o irmão terá estado a combater no Iraque depois de ter recebido treino na Líbia.”
Frases de fim-de-semana, por Jorge
erhöhen den Menschen bis zur Gottheit."
"Só a arte e a ciência podem elevar
"Só a arte e a ciência podem elevar
os homens ao nível dos deuses"
Ludwig van Beethoven, em carta ao seu admirador Emilie M.,
de 10 anos de idade (17 julho 1812)
"As artes fazem-nos humanos"
Manuel Gusmão (poeta comunista, n.1945)
na homenagem prestada
pel' A Voz do Operário
a 28 de fevereiro passado.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Sobre os abusos permanentes aos trabalhadores dos hipermercados CONTINENTE / por trabalhadora abusada
Os hipermercados são um lugar horrível: cínico, falso, cruel. À entrada, os consumidores limpam a sua má consciência reciclando rolhas e pilhas velhas, ou doando qualquer coisa ao sos hepatite, ao banco alimentar ou ao pirilampo mágico.
Dentro da área de consumo, cai a máscara de humanidade do hipermercado: entra-se no coração do capitalismo selvagem. O consumidor, totalmente abandonado a si próprio (é mais fácil de encontrar uma agulha num palheiro do que um funcionário que lhe saiba dar 2 ou 3 informações sobre um mesmo produto), raramente tem à disposição mercadorias que, apesar do encanto do seu embrulho, não dependam da exploração laboral, da contaminação dos ecossistemas ou de paisagens inutilmente destruídas.
Fora do hipermercado, os produtores são barbaramente abusados pelo Continente (basta que não pertençam a uma multinacional da agroindústria), que os asfixia até à morte e, quando há um produtor que deixa de suportar as impossíveis exigências que lhe são impostas, aparece outro que definhará igualmente, até encontrar o mesmo fim. Finalmente, nas caixas do hipermercado, para servir o consumidor como escravos idênticos aos que fabricaram os artigos comprados, estamos nós.
O hipermercado está portanto no centro da miséria que se vive hoje no mundo. O consumidor, o produtor e nós temos uma missão comum: contribuir para que os homens mais ricos do planeta fiquem cada vez mais ricos – contribuir para que a riqueza se concentre como nunca antes na história. Se somos todos diariamente roubados e abusados, é por este mesmo e único motivo.
Vou-vos relatar apenas a minha banal experiência diária (sem pontos de exclamação já que o escândalo é comum a qualquer um dos tópicos que irei descrever). Espero que sirva de alguma coisa, apesar de saber que ninguém se incomodará muito com ela. Afinal, é a mesma selva que está já em todo o lado.
Dentro da área de consumo, cai a máscara de humanidade do hipermercado: entra-se no coração do capitalismo selvagem. O consumidor, totalmente abandonado a si próprio (é mais fácil de encontrar uma agulha num palheiro do que um funcionário que lhe saiba dar 2 ou 3 informações sobre um mesmo produto), raramente tem à disposição mercadorias que, apesar do encanto do seu embrulho, não dependam da exploração laboral, da contaminação dos ecossistemas ou de paisagens inutilmente destruídas.
Fora do hipermercado, os produtores são barbaramente abusados pelo Continente (basta que não pertençam a uma multinacional da agroindústria), que os asfixia até à morte e, quando há um produtor que deixa de suportar as impossíveis exigências que lhe são impostas, aparece outro que definhará igualmente, até encontrar o mesmo fim. Finalmente, nas caixas do hipermercado, para servir o consumidor como escravos idênticos aos que fabricaram os artigos comprados, estamos nós.

O hipermercado está portanto no centro da miséria que se vive hoje no mundo. O consumidor, o produtor e nós temos uma missão comum: contribuir para que os homens mais ricos do planeta fiquem cada vez mais ricos – contribuir para que a riqueza se concentre como nunca antes na história. Se somos todos diariamente roubados e abusados, é por este mesmo e único motivo.
Vou-vos relatar apenas a minha banal experiência diária (sem pontos de exclamação já que o escândalo é comum a qualquer um dos tópicos que irei descrever). Espero que sirva de alguma coisa, apesar de saber que ninguém se incomodará muito com ela. Afinal, é a mesma selva que está já em todo o lado.
1 – salário
Trabalho 20h semanais em troca de 260€ mensais, o que dá pouco mais de 3€ por hora. Que isto se possa pagar a alguém em 2015 devia ser motivo de vergonha para um país inteiro. Que seja um milionário a pagar-me esta esmola devia dar pena de prisão efetiva.
2 – precariedade
2 – precariedade
Já vou no terceiro ‘contrato’ de seis meses e ainda não passei a efetiva. Quando chegar a altura em que poderei finalmente entrar para o quadro, serei dispensada como tantas outras. A explicação para a quebra brutal na natalidade está encontrada: afinal, alguém consegue ter filhos nestas condições?
3 – trabalho não remunerado fora do horário de trabalho
Se o futuro é uma incógnita, o presente é sempre igual: todos os dias, sem exceção, trabalho horas extra grátis que me são impostas. O meu horário de saída é às 15h mas, depois dessa hora, ainda tenho para executar várias tarefas obrigatórias, que me levam entre 15 a 20 minutos diários, como arrumar os cestos das compras e os artigos que os clientes deixam ficar na caixa ou guardar o dinheiro no cofre. No quase ano e meio que levo a trabalhar no Continente, devo ter saído uns 5 dias, no total, à hora certa. E já cheguei a sair uma hora e meia depois das 15h, apesar de os meus superiores saberem muito bem que dali ainda vou para outro trabalho e de, por isso, eu ter sempre imensa pressa para não me atrasar.
4 – trabalho em dias de folga
4 – trabalho em dias de folga
Para perpetuar a falta de funcionários na loja, obriga-se aqueles que lá estão a trabalharem pelos que fazem falta, oferecendo assim todos os meses algumas horas do seu tempo de vida e de descanso ao patrão, que deste modo poupa no número de salários a pagar. Mais absurdo: num dia em que esteja de folga, posso ser convocada para ir à loja para fazer inventário. Sou obrigada a ir, apesar de estar na minha folga, e apenas posso faltar mediante justificação médica. E, como se não bastasse, até já aconteceu eu ser avisada no próprio dia da folga.
5 – cada segundo de exploração conta
5 – cada segundo de exploração conta
Neste ano e meio, cheguei uma única vez 5 minutos atrasada e a minha superior foi logo bruta e agressiva comigo, tendo-me gritado e agarrado pelo braço, apesar de supostamente haver uma tolerância para se chegar até 15 minutos atrasada. Nunca mais voltei a atrasar-me. Nem 10 segundos. (Já sair pelo menos 15 minutos mais tarde do que a hora prevista, isso é todos os dias.)
6 – formatação do corpo
Relativamente à aparência física, devemos formatá-la meticulosamente, ao gosto sexista do patrão. Na loja onde trabalho, várias colegas tiveram por isso de eliminar os seus pírcingues, apagar também a cor das unhas (lá só é admitido o vermelho) e uma até teve de mudar de penteado. O patrão quer que nos apresentemos como autênticas bonecas. Faz lembrar os escravos que eram levados para as Américas, a quem se retiravam as suas marcas corporais para serem explorados sem outra identidade que a de escravos (seres humanos transformados em mercadorias).
7 – pausa para comer/urinar/descansar é crime
7 – pausa para comer/urinar/descansar é crime
Mas o pior de tudo é mesmo o que acontece durante o tempo de trabalho. Os meus superiores querem que eu esteja as 4 horas sentada a render o máximo que é humanamente possível, por isso, dificultam ao máximo as minhas pausas – que são legais e demoraram séculos a conquistar – para ir comer qualquer coisa ou ir simplesmente à casa de banho. A única coisa que me autorizam a levar para junto de mim, no meu posto de trabalho na caixa, é uma garrafinha de água previamente selada e nada mais. De resto, o que levar para comer e beber (sumos e iogurtes líquidos não podem ir comigo para a caixa) tenho que deixar no Posto de Informações e só tenho acesso quando da caixa telefono para lá. Normalmente, no Posto, fazem que se esquecem desses pedidos, passando uma eternidade até eu finalmente conseguir ir comer. E, quando a muito custo lá consigo obter autorização para ir comer, sou pressionada para ser ultra rápida, pelo que em vez de mastigar estou mais habituada a engasgar-me. O mesmo acontece com as idas à casa de banho, sempre altamente dificultadas.
8 – gerem-nos como se fôssemos animais
Há uns tempos, uma colega sentiu-se mal quando estava na caixa, fartou-se de pedir licença para ir à casa de banho, mas foi obrigada como de costume a esperar tanto, tanto que lá se vomitou, quase em cima de um cliente.
Não se calem e denunciem todos os abusos nas redes sociais e nos blogs.
(gostava imenso de assinar, mas os 260€ do salário fazem-me tanta falta)
Não se calem e denunciem todos os abusos nas redes sociais e nos blogs.
(gostava imenso de assinar, mas os 260€ do salário fazem-me tanta falta)
AFL
Intervenção de Ângelo Veloso no Tribunal Plenário, em 1970

Sei que vou ser condenado. Sei que irei longos anos para a Cadeia de Peniche, onde se condensam alguns dos aspectos mais negros do regime, onde impera a coacção moral e física, a arbitrariedade e a prepotência, os castigos corporais e a má alimentação, onde um director psicopata e invertebrado passeia o seu sadismo.
É a 3.ª vez que estou preso.
É a 2.ª vez que sou julgado.
Revejo estes 20anos.
Revejo alguns dos melhores homens que conheci, uns mortos prematuramente, outros assassinados, outros destruídos pela violência da própria luta.
Revejo as centenas e centenas de militantes comunistas que pessoalmente conheci e que de mim sabiam apenas o que é em mim fundamental: que sou comunista.
Revejo os meus companheiros de clandestinidade, meus camaradas e meus amigos, esses homens e essas mulheres que, no sobressalto e no perigo, erguem a resistência no meu país.
Repito: sei que vou ser condenado.
Mas digo e redigo: neste tribunal, o meu lugar é aqui. Os serventuários da exploração e da tirania, esses é que são os criminosos.
Revejo estes 20anos.
Revejo alguns dos melhores homens que conheci, uns mortos prematuramente, outros assassinados, outros destruídos pela violência da própria luta.
Revejo as centenas e centenas de militantes comunistas que pessoalmente conheci e que de mim sabiam apenas o que é em mim fundamental: que sou comunista.
Revejo os meus companheiros de clandestinidade, meus camaradas e meus amigos, esses homens e essas mulheres que, no sobressalto e no perigo, erguem a resistência no meu país.
Repito: sei que vou ser condenado.
Mas digo e redigo: neste tribunal, o meu lugar é aqui. Os serventuários da exploração e da tirania, esses é que são os criminosos.
Escrito há 45 anos e lido em pleno tribunal plenário,
este discurso
do meu pai ilustra a coragem de muitos
,dizendo na cara
dos carrascos aquilo que pensava deles,
sem medo.Já atrasada nas comemorações dos 94 anos
anos do PCP, não podia
deixar de partilhar este texto,
que fala do que foi o Partido e que critica o regime
ditatorial- em tantas
coisas tão parecido com o de hoje.
(Rita Veloso)
Ver o restante no link da Rita
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