sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ó Vítor, explica lá isso do BCE...




QUE É O BCE?


- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?


- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.

E É MUITO, ESSE DINHEIRO?


- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

ENTÃO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS ?


- Não, não pode.

PORQUÊ?!


- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?


- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO, ENTÃO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.


- Pois.

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÃO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?


- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

AGORA NÃO PERCEBI!!...


- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!


- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.


As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?


- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?


- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...


- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?


- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?


- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E ONDE O FORAM BUSCAR?


- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?


- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?


 Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

Frase de fim-de-semana,por Jorge


"É melhor um cordeiro com pele de lobo do que 

um lobo com pele de cordeiro.
Obama parece um homem decente

 e é precisamente esse o problema."

Julian Assange
fundador da Wikileaks e perseguido pelo governo 

de Obama pela revelação de informação 
comprometedora da política externa dos EUA

"Sombra", de George Krause, 1964


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Passos, porque trazes Merkl? Nós não abdicamos da nossa soberania...

Vamos receber Angela Merkl com serenidade mas de maneira que ela ouça bem que quem manda em Portugal são os portugueses.
Se devemos muito dinheiro hoje, à política do PS, PSD e CDS ao longo destes anos tal se deve. Não esquecemos que as "preocupações" dos dias de hoje foram antecedidas de políticas de liquidação da nossa infraestrutura produtiva. E que a Alemanha foi parte muito interessada nisso para poder alargar os seus mercados. Se hoje outros nos emprestam dinheiro para nos "resgatarem", quem o faz não perde com isso. Bem pelo contrário...Merkl não pode, por isso, ver  países como o nosso como despesistas não cumpridores  e terá que aceitar que as condições dos empréstimos (prazos e juro) terão que ser alterados para nos permitir investir no relançamento da economia.
Mas o governo está surdo e dominado por uma conduta de destruição. O OE 2013 não está, de longe, à altura de criarmos o nosso próprio "músculo"...
E ainda o não tem aprovado já está a falar em cortar em 2014 mais 4 mil milhões de euros, quando o que acordou com a troika foi um corte de mil milhões, embrulhando isso com a refundação, reestruturação ou revisitação do Estado social e pondo os seus gabinetes de comunicação a dar dicas a órgãos de comunicação social sobre casos concretos de excelência na privatização dessas funções sociais.
Fazendo tudo isto contra a Constituição e negando ser necessário alterá-la para realizar tais actos de selvajaria social por decisões aprovadas por esta maioria...
É intolerável que este governo se mantenha em funções. Ele terá que ser demitido

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mata e deixa morrer, por Naomi Wolf


Numa estranha mas adequada coincidência, o Presidente Barack Obama e o seu adversário republicano, Mitt Romney, realizaram o seu debate final – que se centrou na política externa – exactamente no mesmo dia em que o novo filme de James Bond, Skyfall, teve a sua estreia mundial em Londres. Apesar de 007, que comemora este ano o seu 50.º aniversário, ser uma marca mundial de origem britânica, a sua influência sobre o espírito político norte-americano – e esta influência sobre Bond – é óbvia.
Na verdade, a mais recente produção é uma parceria anglo-americana e o herói violento de acção de operações especiais que Bond tem corporizado, reflecte os pressupostos dos EUA sobre a política externa e o Estado de Direito. O debate presidencial apenas reforçou o enredo dominante em tempo real: assassinar pessoas (inclusive cidadãos norte-americanos) unicamente por ordem do presidente, outrora considerado um crime de guerra, transformou-se numa série de aplausos.
(...)
Durante 50 anos, James Bond e a sua “licença para matar” apoiaram a justiça imponente além dos limites da lei. Mas ele é imaginário, bem como as suas vítimas. A violação da lei nacional e internacional por parte dos EUA – e os corpos de inocentes ceifados por drones ou espiões – são muito reais.
Ver na íntegra aqui

domingo, 4 de novembro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Nem sequer uma vez se vive"


Karl Kraus
escritor satírico austríaco
1874-1936

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

sábado, 27 de outubro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Nada é tão constante como a mudança"

Heráclito de Éfeso
filósofo grego, 535-475 AC

Um orçamento para desgraçar o país


Tal como Octávio Teixeira referiu,  há semanas atrás no J. Negócios taxar em 0,8% do património em acções, participações e outros títulos renderia ao Estado 2.800 milhões de euros, tanto quanto o Governo quer espoliar aos rendimentos em IRS.
E nem repitam à exaustão que estas e outras formas de taxar mais o capital afastaria o investimento...Os capitalistas investem com o dinheiro dos bancos e nem está provado que não haja outros recursos a crédito no estrangeiro a não ser junto das instâncias financeiras responsáveis por esta e outras crises, que se mantêm agarradas ao osso para nos chuparem até ao tutano.
Nem venha o governo também  dizer que não há outras formas de obter receitas sem o terrorismo social ue enforma a proposta de Orçamento para 2012. E isto nem falando de redução de despesas que podia ser aumentadas, cancelando em nome do interesse do para os contratos de PPPs mas auto-estradas e hospitais.
Ainda ontem na Antena Um, João Ferreira do Amaral, referia que "há margem para se cortar nas despesas que tem menos impacto na actividade económica e para aumentar outras despesas". Ferreira do Amaral pede cortes nos consumos intermédios e uma aposta em despesas que permitam criar emprego, porque o Estado ganha muito por cada pessoa que se empregue.
Mas, apesar do FMI ter confessado que os efeitos do programa de austeridade com Portugal terem implicado uma recessão duas ou três vezes superiores ao previsto, o governo faz um orçamento pautado por um agravamento do IRS tanto maior quanto menor a base tributável, um agravamento do imposto para os recibos verdes com um alargamento ainda da base tributável.
Este orçamento, a ser aprovado, iria provocar a desgraça em 1913! E Nem se diga que sofremos agora para daqui a dois anos retomarmos o crescimento que possa contribuir para pagamentos de empréstimos e respectivos juros, aliviando a carga fiscal e a pressão sobre as prestações sociais...Suprema mentira! A recuperação do nosso e de outros países sujeitos a tais tratamentos ser infelizmente mais longa, talvez em dezenas de anos.
O percurso desta União Europeia, a incrível entrada para o euro, aceitando-o como moeda forte a que nunca poderíamos corresponder, a crescente federalização que, face à derrapagem na Europa, se desenha como um projecto crescentemente antidemocrático e à revelia dos povos, são questões que terão que ser rejeitadas, sob pena da Alemanha nos conduzir para o abismo.

Comunistas analisam criticamente o OE e defendem convergência na luta para derrotar o governo


Cada dia que passa o governo do PSD/CDS-PP tal como a sua política estão cada vez mais cada vez mais desacreditados, e já não há no seio do povo alguém que admita que, com tal governo e tal política, o país consiga encontrar uma solução para os seus problemas.
Toda a perspectiva de futuro que se apresenta com este governo de Passos e Portas e a sua política é a do contínuo afundamento do país e da incessante degradação das condições de vida e de trabalho dos portugueses.
Este é um governo que todos sentem que está a mais, como a mais está a sua política formatada nas receitas do Memorando/Pacto de Agressão que PS/PSD/CDS assinaram com a troika estrangeira – esse colete de forças que ata de pés e mãos o país, o sufoca e depaupera – e do qual urge libertarmo-nos.
Não é por acaso que aqueles que impuseram o Pacto de Agressão – os banqueiros – face ao isolamento do governo e à perspectiva da sua derrota, já manobram para manter o rumo da sua política e do seu Pacto com outros protagonistas, e criar a ilusão de mudança, acelerando a rotação porque sabem que esta política queima mais e mais rápido. Falam pela boca do banqueiro Ulrich da possibilidade de eleições para Maio do próximo ano, dando seis meses de prazo a este governo para limpar o terreno com a sua política de terra queimada e em agitada fuga em frente.
na íntegra em

sábado, 20 de outubro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness."

"Consideramos estas verdades auto-evidentes, que todos os homens são criados como iguais, que são dotados pelo criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura de felicidade."
in Declaração da independência dos Estados Unidos da América (1776)

domingo, 14 de outubro de 2012

Em S. Bento foi assim e Aquilino Ribeiro Machado lá estaria


Foram milhares os trabalhadores que, vindos nas marchas há dias iniciadas em Braga e em Faro, se juntaram na P. Figueira e rumaram a S. Bento para expressar o seu protesto em frente à Assembleia da República.
A luta vai continuar, o governo começa a não ter condições para governar.

A proposta de OE que o Governo apresentará à Assembleia já reflectirá o impacto destas lutas mas será um mau orçamento baseado num aumento muito grave da carga fiscal,  aumentos de IMI enormes,que afectarão particularmente os que menos ganham ou que auferem subsídios vitais para a sua sobrevivência,, ou para equilibrar orçamentos impossíveis, inviabilizados por todos os lados.
Estou certo que se Aquilino Ribeiro Machado ainda fosse vivo, e tivesse saúde para isso, teria marchado ao nosso lado. Aquilino foi um dos socialistas com que trabalhei de perto, que apesar das naturais diferenças de opinião, sabiam as consequências do nome socialista, sabiam de que lado, em termos de alianças, deveriam estar, e que, certamente, teria colocado reservas à inaceitável proposta de ontem de Jorge Sampaio, em querer reeditar um bloco central sob a égide de Cavaco e sabendo que os últimos anos revelaram que não será daí que virão salvações "nacionais".

Com os seus inconfundíveis casacos e boné de tweed, teria estado uma vez mais com os trabalhadores.
Aquilino prosseguiria um combate que teve o seu primeiro ponto alto como primeiro presidente da câmara de Lisboa a ser democraticamente eleito após a Revolução de Abril, cargo que exerceu entre 1977 e 1980. Aquilino Ribeiro Machado, co-fundador e militante do PS, foi o primeiro presidente da câmara de Lisboa a ser  eleito após a Revolução de Abril. Filho do escritor Aquilino Ribeiro e neto de Bernardino Machado, último Presidente da I República, Aquilino Ribeiro Machado, nasceu na Ile de France, Paris, e foi engenheiro de profissão, co-fundador do Partido Socialista e deputado. 
A CGTP-IN prestou-lhe homenagem bem como a Nuno Grande, outro grande democrata, que nos deixaria ao mesmo tempo..

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"What do I think of Western civilization?
 I think it would be a very good idea."

"O que penso eu da civilização ocidental?
 Penso que seria uma ideia muito boa."

Mahatma Gandhi
fundador do estado Indiano e criador da
desobediência civil não-violenta, 1869-1948

Na UE, as grandes manobras,...Agora o Nobel da Paz

De Oslo se soube que a União Europeia fora galardoada com o Nobel da Paz (!).
De imediato os federalistas do costume e o 1º Ministro rejubilaram! Como se não estivéssemos à beira dum ataque sem precedentes ao bolso dos portugueses pela via fiscal que vão, uma vez mais agravar as condições de vida dos portugueses, particularmente os de mais baixos rendimentos~mas também os trabalhadores e a "classe média"...
Por momentos esqueceu-se a informação de ontem do FMI que as previsões na recessão dos pacotes de austeridade tinham sido sub-avaliados.
Europa de Paz esta que cooperou no retalhar da ex-Jugoslávia, na criação de um narco-estado no Kosovo, e que bombardeou os Balcãs? Que interveio para destruir a Líbia? Que se prepara para se pôr ao lado da Turquia na escalada contra a Síria, depois da intervenção que tem tido ou apoiado na tentativa de destruição da Síria? Que promove o empobrecimento de grande parte dos europeus, promove o desemprego e faz alastrar a miséria?
É esta paz que os ricaços de Oslo, patrocinadores do prémio Nobel querem premiar?
E Passos Coelho quer acelerar as consequências do desastre promovido pelo sistema financeiro para aprofundar a União Europeia, institucionalizando o controlo bancário supra-nacional e uma política bancária comum?
Nem o FMI nem Passos Coelho nem outros dirigentes europeus aprenderam nada e insistem no mesmo.
Terão que ser os povos e não as visitinhas de Seguro ao belicista Hollande que têm condições para mudar o que se impõe!

"O porto da Trafaria", de Nikias Skapinakis, 1955


sábado, 6 de outubro de 2012

Edifício de Frank Gehry, em Praga


Álvaro Perdigão, serigrafia sem título, 1989


Taberna da Casa dos Peixes, Luis Pavão, 1979


Apareça, acompanhe, esclareça


Presidente do Chipre rejeita resgate semelhante ao aplicado à Grécia


O presidente de Chipre, Demetris Christofias, rejeitou esta quarta-feira a aplicação no país de um pacote de resgate semelhante ao da Grécia, argumentando que falharam as políticas de cortes salariais e vendas de ativos estatais.

«O método neo-liberal de lidar (com a crise) está falido, isso é claro da situação na Grécia», disse Christofias, que é comunista, em declarações ao canal de televisão estatal grego NET.

«A política da troika é mortal», acrescentou Christofias, referindo-se aos credores internacionais da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, que fiscalizam os resgates da Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre.

Christofias garantiu ainda que não vai aprovar a eliminação dos aumentos salariais indexados à inflação, entre outras medidas exigidas pelos credores, tais como a venda de empresas rentáveis parcialmente detidas pelo Estado.

«Nós não estamos simplesmente a rejeitar, estamos a fazer contrapropostas», disse o presidente, que considerou um «conto de fadas» a noção, no Norte da Europa, que os países do Sul da UE «são preguiçosos».

Em troca de dois resgates, a Grécia teve de aplicar rigorosos cortes no salários e nas pensões, nos últimos dois anos, que causaram o agravamento do desemprego e mantiveram a Grécia numa recessão que dura há cinco anos.

O governo grego planeia outra ronda de medidas de austeridade, no valor de dez mil milhões de euros, para o próximo ano.

Christofias está hoje em Atenas para conversações com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras.

Os representantes da troika visitaram o Chipre duas vezes, desde junho, quando o país pediu o resgate, depois de tanto o Banco do Chipre, como o Banco Popular do Chipre, terem dito que não conseguiam assegurar financiamento para garantir as necessidades de recapitalização.

A troika adiou a terceira visita, na qual se previa a assinatura do memorando, porque a UE espera ainda do governo cipriota contrapropostas de medidas de austeridade que possam servir de condições para um eventual acordo de empréstimo.

(publicado no iol 03 Out 2012)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A França vai seguir o caminho da Itália?


(excerto de um jornal francês)

Economias europeias em recessão

Tal como na Itália, a competitividade da França tem sido prejudicada pela criação do euro. Os dois países pesam na economia europeia, mantendo o segundo e o terceiro lugar do pódio. Basta dizer que se os mercados estão preocupados com o facto da Itália ser um país muito grande para cair, uma queda da França seria fatal para o euro.
A produção industrial, medida pelo índice das ordens de compra (PMI) fez uma careta em ambos os lados dos Alpes. O índice PMI é o mais baixo desde Abril de 2009. Em causa: a forte queda nas quebras de compras. Deterioração da actividade que levou a planos de despedimentos. "A carga de trabalho diminui, os fabricantes franceses continuam a reduzir os efectivos em Setembro. O emprego cai pelo sétimo mês consecutivo, a taxa de quebras no emprego também é maior do que em Agosto", disse o Le Figaro.
Além disso, o governo anunciou na semana passada que o número de desempregados ultrapassou os 3 milhões.
Na Itália, o PMI caiu pelo décimo quarto mês consecutivo. Segundo a Reuters, "a produção industrial italiana é agora 25% menor do que era há cinco anos atrás, antes da crise financeira e da crise da dívida na zona do euro."
Em ambos os países, o sector automóvel,  motor da produção industrial transalpina está ferido.
O Governo italiano, portanto, reviu em baixa as suas previsões de crescimento. A recessão deve chegar a 2,4% este ano (contra 1,2% previsto em Abril), e -0,2% em 2013 (contra 0,5% na primeira estimativa ).
Quanto à França,  é provável que um melhor expectativa quanto ao crescimento seja zero este ano e no próximo ano.



Os países afogam-se em dívidas

A dívida da França atingiu 89% do PIB, o da Itália de 123%. A "Bota" é ainda o terceiro maior emissor de dívida do mundo, depois dos Estados Unidos e do Japão. Ao lado de nossos vizinhos transalpinos fazemos figura de jogadores menores no mercado de dívida.
No final, na França e na Itália, o coração do problema é o mesmo: para estimular suficientemente o crescimento para para manter a dívida sob controle.
Porque sem crescimento, a dívida em ambos os lados dos Alpes deve continuar a crescer.
CC

O que se ignora sobre o grupo Bilderberger, por Thierry Meyssan - 1 (cont.)


(continuação de 1 - A primeira reunião)

Apesar de alguns jornalistas com imaginação terem acreditado que o grupo de Bilderberg pretendia criar um governo mundial oculto, este clube de personalidades influentes não é senão uma ferramenta de lobbing que a NATO utiliza para promover os seus próprios interesses. Isto é muito mais sério e muito mais perigoso, já que é a NATO que ambiciona converter-se num governo mundial oculto, capaz de perpetuar o status quo internacional e a influência dos Estados Unidos.
Para além disso, nas reuniões seguintes a segurança do Grupo de Bilderberg não estaria a cargo da polícia do país onde se organizaria o encontro mas sim de soldados da NATO.

Entre os 10 oradores inscritos destacaram-se então dois ex-primeiros-ministros – o francês Guy Mollet e o italiano Alcide de Gasperi –, três responsáveis do Plano Marshall, o falcão da guerra fria Paul H. Nitze e, sobretudo, um poderosíssimo financeiro, David Rockefeller.

Segundo os documentos preparatórios, uns vinte participantes estavam ao corrente do segredo. Conheciam mais ou menos em detalhe quem eram os que realmente manejaram o show e escreveram de antemão as suas intervenções. Até os menores detalhes estiveram previstos e não foi deixado lugar à mínima improvisação. Por outro lado, os demais participantes, uns cinquenta, ignoravam por completo o que se estava a tramar. Foram escolhidos para que exercessem a sua influência sobre os seus respectivos governos e sobre a opinião pública dos respectivos países. Desta forma, o seminário foi organizado para os convencer e para os levar a implicar-se na propagação das mensagens que se queriam difundir.
Em vez de abordar os grandes problemas internacionais, as intervenções analisaram a suposta estratégia ideológica dos soviéticos e explicaram o método a seguir para a contrariar no «mundo livre».

As primeiras intervenções avaliaram o “perigo” comunista. Os «comunistas conscientes» são indivíduos que pretendiam pôr a sua pátria ao serviço da União Soviética para impor ao mundo um sistema colectivista. E havia que combatê-los. Mas tratava-se de uma luta difícil já que estes «comunistas conscientes» estavam disseminados por toda a Europa dentro de uma massa de eleitores comunistas que nada sabiam dos seus “sinistros” propósitos e que os seguiam com a esperança de obter melhores condições sociais. A retórica endureceu pouco a pouco. O «mundo livre» deveria enfrentar o «complot comunista mundial», não só de forma geral mas dando também resposta a problemas concretos vinculados aos investimentos norte-americanos na Europa e à descolonização.
Finalmente, os oradores abordaram o problema principal que, segundo afirmam eles, os soviéticos estavam a explorar em seu próprio benefício. 

Por razões culturais e históricas, os responsáveis políticos do «mundo livre» empregaram argumentos diferentes nos Estados Unidos e na Europa, argumentos que por vezes se contradiziam. O caso mais emblemático é o das purgas que organiza o senador McCarthy nos Estados Unidos. Estas seriam indispensáveis para salvar a democracia, mas o método utilizado foi visto na Europa como uma forma de totalitarismo.
A Gládio e a NATO

A mensagem final é que não haveria lugar a negociações diplomáticas nem compromissos possíveis com os «vermelhos». Havia que impedir, custasse o que custasse, que os comunistas lograssem desempenhar um papel na Europa Ocidental. Mas seria necessário actuar com astúcia. Como não se podiam prender e fuzilar, haveria que neutralizá-los com discrição, sem que os eleitores se dessem conta. Ou seja, a ideologia que se desenvolveu no encontro é a da NATO e da Gládio. Nunca se diria ali que se recorreria a fraude eleitoral nem que os indecisos seriam assassinados, mas todos os participantes admitiram que, para salvar o «mundo livre», havia que por as liberdades entre parêntesis.
Ainda que o projecto da Comunidade Europeia de Defesa (CED) viesse a fracassar 3 meses más tarde devido aos golpes que lhe assestaram tanto deputados comunistas como «nacionalistas extremistas», ou seja os gaullistas, o seu objectivo não era na realidade apoiar a criação da CED nem nenhuma outra medida política em particular mas sim divulgar uma ideologia no seio da classe dirigente e transmiti-la depois, através da dita classe, ao resto da sociedade. 
Objectivamente, os cidadãos da Europa Ocidental dispunham de cada vez mais informação sobre as liberdades que não tinham os habitantes da Europa Oriental, mas tinham cada vez menos consciência das liberdades que eles mesmos iam perdendo na Europa Ocidental.

O que se ignora sobre o grupo Bilderberger, por Thierry Meyssan - 1

A ideia de que o Grupo de Bilderberg é um embrião de governo mundial tem vindo a espalhar-se desde há muitos anos. Por ter tido acesso aos arquivos desse clube tão secreto, Thierry Meyssan assinala que essa imagem é uma pista falsa destinada a mascarar a verdadeira identidade e a real função do Grupo: o Bilderberg é uma criação da NATO. O seu objectivo é convencer os líderes e manipular através deles a opinião pública para a levar a aceitar os conceitos e as acções da Aliança Atlântica.
Desde 1954, una centena de eminentes personalidades da Europa Ocidental e da América do Norte reúnem-se anualmente – à porta fechada e sob condições de rigorosa segurança – no seio do Grupo de Bilderberg. A reunião dura 3 dias e nada se publica sobre os temas tratados.
Depois do desaparecimento da União Soviética, alguns jornalistas começaram a interessar-se pelo Grupo de Bilderberg. Vários autores viram nele o embrião de um governo mundial e das principais decisões políticas, culturais, económicas e militares da segunda metade do século XX, uma interpretação que Fidel Castro retomou. Nada permite, no entanto, confirmá-la ou desmenti-la (ver artigo a respeito sobre a Nova Ordem Mundial para ter uma ideia do que isto implica).
Com desejo de perceber o que realmente é, e o que não é o Grupo de Bilderberg, dei-me ao trabalho de buscar documentos e testemunhos. Tive acesso a todos os seus arquivos correspondentes ao período que vai desde 1954 até 1966 e a muitos documentos posteriores e pude conversar com um dos seus antigos convidados, que conheço de há muito tempo. Nenhum jornalista, nem mesmo os bem-sucedidos autores que popularizaram os actuais clichés, tiveram acesso a tantos documentos internos do Grupo de Bilberberg.
Eis aqui o que consegui descobrir e compreender.

A primeira reunião

Setenta personalidades provenientes de 12 países participam em 1954 na primeira reunião do Grupo, um seminário de 3 dias, de 29 a 31 de Maio, que se desenrolou perto de Arnhem, nos Países Baixos. Os convidados repartiram-se entre dois hotéis vizinhos mas os debates desenvolveram-se no estabelecimento principal por cujo nome ficou conhecido o Grupo.
Os convites, feitos em papel timbrado do Palácio de Soestdijk (uma das quatro residências oficiais da família real dos Países Baixos - Nota do Tradutor,) apresentam termos bastante vagos: «Teria muitíssimo prazer com a sua presença no congresso internacional, sem carácter oficial, que terá lugar nos Países Baixos em fins do mês de Maio. Este congresso visa apreciar um certo número de questões de grande importância para a civilização ocidental e tem como objectivo estimular a goodwill (em português, “boa vontade”) e o entendimento recíprocos graças à livre troca de pontos de vista». Os convites tinha a assinatura do príncipe consorte dos Países Baixos, Bernhard zur Lippe-Biesterfeld, e vinham acompanhados com várias páginas informativas de carácter administrativo sobre o transporte e o alojamento. O máximo que permitiam perceber é que haveria delegados dos Estados Unidos e de 11 Estados de Europa Ocidental e que se realizariam 6 sessões de trabalho de 3 horas cada.
Dado o passado nazi do príncipe Bernhard, que foi membro da cavalaria SS até ao seu matrimónio, em 1937, com a princesa Juliana, e o contexto do mccarthysmo daquela época, resulta evidente que as «questões de grande importância para a civilização ocidental» têm que ver com a luta contra o comunismo.
No próprio lugar do encontro, os dois presidentes da reunião – o empresário norte-americano John S. Coleman e o ministro cessante de Relações Exteriores (Negócios Estrangeiros), da Bélgica Paul van Zeeland – atenuam a dúvida dos convidados. Coleman é um militante do livre mercado enquanto que o ministro Van Zeeland é um partidário da Comunidade Europeia de Defesa. Finalmente, os participantes verão, num extremo da tribuna, Joseph Retinger, a eminência parda dos britânicos. Tudo parece, pois, indicar que as monarquias holandesa e britânica apadrinharam a realização da reunião em apoio à Comunidade Europeia de Defesa e ao modelo económico de capitalismo de mercado livre por oposição ao antiamericanismo que promoviam comunistas e gaullistas.
As aparências, no entanto, são enganadoras. Não se trata de fazer campanha a favor da CED, mas sim de mobilizar as elites a favor da guerra fria.

A personalidade escolhida para convocar os convidados foi Sua Alteza Real o príncipe Bernhard , porque a sua condição de príncipe consorte lhe outorgava um carácter de Estado, sem ser no entanto oficial. Por detrás dele escondia-se o verdadeiro promotor do encontro: uma organização intergovernamental interessada em manipular os governos de alguns dos Estados que a compunham.
Naquela altura, John S. Coleman ainda não se tinha convertido em presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, mas acabava de criar o Comité de Cidadãos por uma Política Nacional de Comércio (Citizen’s Committee for a National Trade Policy, CCNTP). Afirma que a liberdade de comércio absoluta, ou seja a renúncia a todos os direitos aduaneiros, permitiria aos aliados dos Estados Unidos aumentar a sua própria riqueza e financiar a Comunidade Europeia de Defesa, leia-se empreender o rearmamento da Alemanha e integrar o seu potencial militar na NATO.
Os documentos significativos em nosso poder demonstram, no entanto, que o CCNTP a única coisa que tinha de “cidadão” era o nome. Trata-se na realidade de uma iniciativa de Charles D. Jackson, conselheiro da Casa Branca encarregado da guerra psicológica. À cabeça da operação encontrava-se William J.Donovan, o ex-chefe da OSS (o serviço de inteligência norte-americano criado durante a Segunda Guerra Mundial), agora encarregue de criar a divisão norte-americana do novo serviço secreto da NATO, o Gládio.
Paul van Zeeland não era só o promotor da Comunidade Europeia de Defensa. Era também um político com muita experiência. No fim da ocupação nazi presidiu à Liga Independente da Cooperação Europeia (LICE) que tinha como objectivo a criação de uma união aduaneira e monetária, organização que foi instaurada pelo já mencionado Joseph Retinger.
O próprio Retinger, que funciona como secretário no encontro de Bilderberg, serviu durante a guerra nos serviços secretos ingleses (SOE) do general Colin Gubbins. No Reino Unido, Retinger, um aventureiro polaco, foi conselheiro do governo de Sikorski no exílio. Em Londres, protagonizou o microcosmo dos governos criados no exílio, o qual lhe proporcionou múltiplos contactos na Europa libertada do fascismo.
O seu amigo Sir Gubbins abandonou oficialmente os serviços secretos britânicos e o SOE foi dissolvido. Dirigia então uma pequena empresa de tapeçarias e produtos têxteis que lhe servia de «cortina». Na realidade, Gubbins estava encarregue da criação da divisão inglesa da Gládio. Depois de ter participado em todas as reuniões preparatórias do congresso de Bilderberg, esteve entre os convidados, sentado ao lado de Charles D. Jackson. Os participantes ignoravam que tinham sido de facto os serviços secretos da NATO que realmente deram origem ao encontro de Bilderberg. O príncipe Bernhard, Coleman e Van Zeeland serviram de fachada. (continua)

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Coitados dos cordeiros, quando os lobos querem ter razão"
provérbio cabinda 
Ana Paula Tavares
escritora angolana 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dizia António Aleixo...





















Há tantos burros mandando 
em homens de inteligência, 
que ás vezes fico pensando, 
se a burrice não será uma ciência. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Assim será ...


Enquanto este governo prosseguir a política anti-social justificada pela "austeridade", os trabalhadores, os portugueses reagirão assim. Ou o governo acolhe as propostas da CGTP e de outros sectores e organismos, e põe de lado as "inevitabilidades" que são evitáveis, ou o governo deixa cair o conteúdo profundamente liberal recolhido de personagens que não conhecem o povo a que pertencem (?), como Vítor Gaspar, António Borges e outras luminárias tais quais, ou o povo não lhe dará descanso.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A democracia é um dispositivo 
que garante não sermos 
governados melhor 
do que merecermos" 

G. Bernard Shaw 
dramaturgo irlandês, 
nobel da literatura com recusa do dinheiro, 
e socialista militante, 1856-1950)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

No sábado vamos travar novas medidas graves do governo contra os portugueses e o País

O recuo nas alterações à TSU não resultaram de uma súbita inclinação humanista do governo mas das reacções populares, com destaque para a manifestação de dia 15.

Porém o governo quer fazer entrar pelas traseiras agora medidas idênticas, em termos de rendimentos dos trabalhadores, que a população não tinha deixado entrar pela porta da frente. E como a CGT referia há dois dias "O Governo está a fazer um jogo de palavras para enganar os portugueses aos quais roubou os subsídios de férias e de natal de 2012.Quando fala em devolver o Governo mente, porque não vai devolver coisa nenhuma.
O que quer dizer é, simplesmente, que em 2013, pretende sonegar um subsídio, dos dois que tinha decidido retirar e o Tribunal Constitucional anulou por inconstitucionalidade.
Em circunstância alguma o Governo prevê devolver, de facto, os valores roubados aos referidos cidadãos."

Este tipo de medidas dos governo resultam das pressões dos grandes grupo económicas e grandes empresas monopolistas da prestação de prestação de serviços que recebem altas rendas e praticam "preços que degradam as condições de vida da população e as condições de sobrevivência de muitas PMEs, que são a parte mais importante das nossas empresas em termos de abastecimento do mercado interno (mas também externo), de satisfação das necessidades básicas da população, de manutenção de empregos e de meio de convívio social.
Os resultados da política do governo em termos de déficite, de emprego e de produção são um desastre. O pais está numa espiral recessiva

Como há dias aqui referimos, a CGTP apresentou propostas para a concertação social no sentido de se obterem cerca de 6 mil milhões de euros como contributo para reduzir o déficite. Essas propostas deslocavam a atenção dos salários dos trabalhadores para património e rendimentos do capital e para a redução de rendas ilegítimas. E calavam os que se refugiam no "não há alternativas" para não atingirem o capital e sim os que trabalham e os reformados e pensionistas. Octávio Teixeira referiu nestes dias que "a tributação de apenas 0,8 % do património, em acções, participações e outros títulos detidos por empresas e particulares residentes renderia 2,8 mil milhões de euros, tanto quanto se queria tirar dos trabalhadores com a TSU"
Também algumas propostas oriundas de confederações patronais vão num sentido semelhante aos que a CGTP e o PCP têm defendido. Ouvi hoje na Antena Um algumas empresas pelo presidente do PCP.

Os portugueses contribuirão neste sábado para conter as medidas que o governo quer fazer entrar pela porta traseira do orçamento e que não conseguiu entrar pela porta da frente...
No sábado saímos à rua porque uma vez mais se provou que vale a pena lutar!

domingo, 23 de setembro de 2012

Exportamos o que importamos com pouco valor acrescentado...


Dia 29, não faltaremos!


CGTP propôs ontem alternativas de receitas aos cortes salariais e equivalentes contra os trabalhadores


A CGTP apresentou este sábado um pacote de medidas para o Estado arrecadar 5966 milhões de euros em receitas fiscais adicionais, em alternativa a cortes salariais ou medidas equivalentes, como a que o Governo chegou a propor para a Taxa Social Única (TSU).  
As quatro alternativas que a CGTP propõe, diz a central no documento, aumentariam as receitas fiscais, “de modo a conciliar a redução do défice e da dívida pública com o crescimento económico e com a justiça social”. E rejeitando “quaisquer cortes salariais, seja por via do aumento da Taxa Social Única (TSU) para os trabalhadores, seja por quaisquer outras medidas que incidam sobre os rendimentos do trabalho ou visem penalizar ainda mais as pensões e reformas”.

A que maior receita daria é a criação de uma taxa de 0,25% sobre as transacções financeiras. A CGTP fez as contas àquilo que o Estado aSe fosse criado mais um escalão de 33,33% no IRC para as empresas “com volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros” – e com progressividade no imposto rrecadaria com este novo imposto: com base nas transacções registadas pela CMVM em 2011 (nomeadamente transacções de acções ou transacções de dívida privada e pública), a Intersindical diz ser possível ir buscar uma receita de 2038 milhões de euros.

A este montante somam-se 1665 milhões de euros se fosse criada uma sobretaxa de 10% a aplicar sobre os dividendos distribuídos ao um “pequeno número de grandes accionistas que beneficiam de isenções e recorrem a off-shores ou países com taxas reduzidas”. A medida, diz a CGTP, incidiria “sobre os grandes accionistas” e seria aplicada de forma a os accionistas “que auferem dividendos mais baixos” não serem afectados.
A Intersindical liderada por Arménio Carlos calcula em 1099 milhões de euros a receita adicional para o Estado.

O último conjunto de medidas tem a ver com a “fixação de metas anuais” para reduzir a economia paralela para 22% e combater a fraude e a evasão fiscais, aumentando o número de inspectores e serviços técnicos de inspecção fiscal. Uma das ideias é alargar a base tributária da economia que passa a ser registada. Com isto, a CGTP aponta para uma receita extraordinária de 1162 milhões de euros.

O Conselho Permanente da Concertação Social, e antes disso o Governo, terão que apreciar as propostas da CGTP, acabarem com o discurso das inevitabilidades e agirem de acordo com a "sensibilidade renovada" resultante das manifestações de dia 15, que serão continuadas na manifestação de dia 29. 
A vitória sobre a TSU terá que prosseguir sobre outros aspectos da política de austeridade que estão  a conduzir ao empobrecimento generalizado da população e da actividade produtiva.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"L'argent, c'est la vie"
"O dinheiro é a vida"
Balzac (Le Père Goriot, 1835)

(verdade com várias leituras, uma delas trágica...)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Depois de sábado, não vale a pena fazer de conta

O milhão de portugueses que saiu às ruas no passado sábado quis mudar de política, acabar com a política de redução progressiva dos rendimentos dos portugueses.
Que comentadores, dirigentes do PSD e CDS, conselheiros do Estado tenham passado esta semana, a inventar modelações, retoques e alterações no que estava previsto para a TSU, compreende-se porque são baluartes duma política iníqua, de há um ano  imposta pela troika. Não foi para isso que estas manifestações apontaram. Nenhum deles parece por em causa o acordo inicial com a instituição, de origem não representativa da vontade dos povos europeus. Nem o curso que em dezenas de anos anteriores nos fizeram chegar a este ponto.
A todos eles se recomenda que deixem de fazer de conta que no sábado não se passou nada, que não tapem o sol com a peneira...Quem saiu à rua, voltará a sair porque esta política e este governo foram rejeitados. A CGTP convocou a todos para nova manifestação no sábado, dia 29 e todos devemos lá estar
Rejeitado foi o governo que inclui o CDS, que procura sacudir a água do capote com vista a futuros resultados eleitorais e a entendimentos hipotéticos no futuro com o PS, no renovar de enamoramentos com longa história na democracia portuguesa (vejam lá se nestes dias PS e CDS se criticam mutuamente...).

domingo, 16 de setembro de 2012

Há muita coisa a mudar...

A semana que passou trouxe o anúncio de novas medidas de austeridade que provocaram talvez a maior indignação na nossa experiência democrática.
De 6a f da semana anterior até hoje foi crescendo um protesto, transversal à sociedade portuguesa.
Aparentemente o governo ficou sózinho, nomeadamente com o quer pretendia fazer com a TSU.
As manifestações de ontem estão entre as maiores que se realizaram até hoje no nosso país. O seu significado é enorme de clareza e afirmação destemida: os portugueses já não querem mais esta política de austeridade.
Não querem só que Passos Coelho se vá embora. Querem que o governo saia mas também a mudança da política.
O CDS tem que fingir um distanciamento mas a careca é muito larga e não há capachinhos que a disfarcem.
Políticos do PS e do CDS não param há dezenas de anos de fazerem olhinhos entre si. O desdobramento de António Seguro em entrevistas acertadas com as direcções  de grandes media, pretende potenciá-lo como alternativa mas as suas declarações ignoram as responsabilidades do PS nesta situação e não garantem perspectivas de mudança. A união repentina, em torno de Seguro, dos seus principais adversários dentro do partido traz água no bico...
As manifestações de ontem foram para muitos algo espantoso que todos esperariam que chegasse ao país e estrangeiro em termos reais. Mas para o evitar um grupo de "anarcas" (???) fez o que fizeram de outras vezes: criar imagens de confronto que não existiram para no país que não esteve nelas ficasse essa imagem.- Os grandes media nacionais e estrangeiros fizerem isso mas desta vez a coisa já não lhes correu tão bem.o
Gostaria de salientar o grande espírito de responsabilidade das forças da PSP presentes, nomeadamente no largo fronteiro a S. Bento, ao resistir a esses provocadores.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Jerónimo de Sousa, domingo, na Festa do Avante!

(...)
Os trabalhadores têm razão para manifestarem a sua indignação e a sua revolta! E tanta mais indignação e revolta quando se sabe que Passos Coelho não disse tudo acerca das medidas que estão a ser congeminadas contra os trabalhadores e contra o povo para o Orçamento que preparam para 2013.
O país precisa de travar o passo a esta política suicida e de saque aos trabalhadores e ao povo!
É preciso dizer alto ao novo esbulho do povo que está em marcha!
É preciso acabar com a farsa da equidade na distribuição dos sacrifícios!
Está na hora de pôr a pagar aqueles que têm ganho rios de dinheiro em todos estes anos, explorando os trabalhadores e o povo e arrecadando milhões com própria crise!
É tempo de dizer basta! Só a luta é o caminho! Esta é mais uma razão acrescida para fazer da jornada nacional de luta, convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 1 de Outubro uma grande jornada de repúdio e protesto!
(...)

Perante a iniludível gravidade da situação do país, a concretização de uma alternativa à política de direita não é apenas uma necessidade que se tornou urgente e inadiável para salvar o país da catástrofe iminente, mas uma possibilidade que a luta pode tornar uma realidade.
Efectiva e real possibilidade, quando em resultado da luta e da firme oposição e denúncia dos que, como o PCP, não aceitaram submeter-se aos ditames do grande capital e do seu Pacto de Agressão, assistimos ao crescente abrir de fissuras entre as forças do colaboracionismo e da sujeição ao estrangeiro e ao drástico e crescente estreitamento da base social e política de suporte do governo.
Efectiva e real possibilidade essa que ganha pujança à medida que, por força da denúncia e da luta, se assiste no seio daqueles que ainda há pouco assumiam a inevitabilidade do cumprimento do Pacto de Agressão, à tentativa de desresponsabilização e demarcação a sacudir a água do capote.

Há muito de manobra em tais tentativas, é verdade, mas elas são a prova que o que ganha força no seio da sociedade portuguesa é a recusa no prosseguimento deste caminho de ruína e que a defesa do Pacto se tornou, pelas suas consequências, insustentável, aos olhos do povo. Tal como a manifesta arrogância do governo e a sua fuga em frente, reafirmando o cumprimento do Pacto e das metas não é força, mas fraqueza que urge transformar em derrota! Derrota do governo, derrota do Pacto de Agressão, derrota da política de direita!
Efectiva e real possibilidade de dar vida à alternativa, num momento em que cada vez mais vozes e mais amplas camadas do nosso povo questionam o rumo que está a ser imposto e aspiram à mudança e à ruptura com este caminho de exploração e empobrecimento nacional.
A luta abriu novas perspectivas. A luta está a romper o cerco das inevitabilidades e o avanço da luta é agora mais decisivo para projectar a exigência da mudança e da construção da alternativa.
O avanço da luta e do alargamento da convergência de acção e iniciativa do conjunto dos sectores e da opinião democrática que assumem como condição indispensável à construção de outro rumo para o país, a ruptura com a política de direita e a recusa do Pacto de Agressão.
Há condições e é possível ir mais longe na convergência e acção comum dos sectores e personalidades democráticas na base de um diálogo sério e leal, aceitando e respeitando naturais diferenças, mas denunciando e recusando as falsas alternativas, sejam as da “austeridade inteligente” que falando de crescimento e de emprego, visam dar uma aparência diferente à mesma política, ou das que omitindo causas e responsáveis navegam nas águas da ambiguidade de objectivos e propostas, e do preconceito anti-comunista.
Há condições e é possível construir uma alternativa política e realizar uma política alternativa, dando força à mais determinada e combativa organização de resistência à política de direita – o PCP –, portador de uma política patriótica e de esquerda e sinceramente empenhado em ampliar a corrente dos que procuram uma verdadeira alternativa.
(...)
Ver na íntegra aqui.  

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Hoje, na Barraca Encontros Imaginários.


Eugénio Rosa: Segurança Social: mais 2,7 milhões dos trabalhadores e menos 2,2 milhões dos patrões



Passos Coelho no discurso que fez perante a TV, em 7.9.2013, sobre as novas medidas de austeridade para 2013 afirmou o seguinte: “O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum, como exige o Tribunal Constitucional … Foi com este propósito que o governo decidiu aumentar a contribuição (dos trabalhadores) para a Segurança Social (de 11%) para 18%, o que nos permitirá, em contrapartida descer a contribuição exigida às empresas (ou seja, aos patrões) também (de 23,75%) para 18%Isto significa que os trabalhadores do setor privado terão de contribuir para a Segurança Social com mais 2.700 milhões € (+63,6%), e os patrões de contribuir com menos 2.200 milhões € (-24,2%).

Eugénio Rosa acompanha dia-a-dia as consequências dos actos do governo
E é precisamente a isto que Passos Coelho chama descaradamente “um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum”. Constitui também uma grande mentira afirmar, como fazem Passos Coelho e os seus defensores, que a redução das contribuições patronais para a Segurança Social em 5,75 pontos percentuais vai aumentar a competitividade das empresas e criar emprego, pois tal redução nas contribuições pagas pelos patrões determina apenas uma redução nos custos das empresas que estimamos entre 1,5% e 2,46% com base num estudo que fizemos com dados de um relatório do próprio governo (ver nosso estudo 36 de 2011), portanto uma redução sem grande impacto facilmente anulada por uma variação na taxa de câmbio ou nos custos dos imputs (ex.:energia). E as empresas não criam emprego se não existir clientes com poder de compra a quem possam vender, e as medidas agora anunciadas vão reduzir ainda mais o poder de compra dos portugueses e as exportações serão insuficientes para compensar quebra.

Mas a estranha equidade de Passos Coelho não fica por aqui pois, no mesmo discurso, anunciou também as seguintes medidas: “A subida de 7 pontos percentuais será ainda aplicada aos funcionários públicos”, ou seja, eles terão de descontar nas remunerações que recebem mais 850 milhões € por ano para a CGA (portanto, os trabalhadores da Função Pública passarão, em 2013, a descontar 18% para a CGA mais 1,5% para a ADSE, o que soma 19,5%). E para além deste aumento de contribuições para a CGA, o “corte do segundo subsidio é mantido nos termos já definidos na lei do Orçamento do Estado para 2012, o que significa que, em 2013, os trabalhadores da Função Pública vão sofrer também um corte direto nas suas remunerações nominais que estimamos em 540 milhões € só por esta razão. E o aumento dos descontos para a Segurança Social e CGA, enquanto o PSD e CDS forem governo é para se manter. Segundo também Passos Coelho,

No caso dos pensionistas e reformados (reformados da Segurança Social e os aposentados da Função Publica), o corte dos dois subsídios permanecerá em vigor. A duração da suspensão dos subsídios, tanto no caso dos funcionários, como nos dos pensionistas e reformados, continuará a ser determinado pelo período de vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira”, ou seja, pelo menos até ao fim de 2014. Só em 2013, os reformados do setor privado sofrerão um corte nas suas pensões que estimamos em 750 milhões €, e os aposentados da Função Pública terão um corte nas suas pensões que calculamos em 700 milhões €; portanto, para empregar as palavras de Passo Coelho, governo e troika estão-se a “lixar” para as decisões do Tribunal Constitucional.

Em relação aos rendimentos da propriedade e do capital que, em 2011, segundo o INE atingiram mais de 51.961 milhões € (é igual a 78% dos ordenados e salários recebidos por todos os trabalhadores portugueses), e relativamente a 18.106 milhões € de rendimentos transferidos para o estrangeiro de aplicações feitas em Portugal por não residentes, que não pagam impostos,Passos Coelho não anunciou qualquer medida, porque se está também a “lixar” para o Tribunal. Paul Krugman, Nobel da economia, para explicar este comportamento dos governantes atuais escreveu, num livro saído em 2012, estas palavras esclarecedoras que deviam merecer uma atenção especial por parte dos portugueses já que ajudam a compreender a situação atual:

Se alguns deles terminar o mandato usufruindo de grande estima por parte do grupo de Davos (fórum mundial anual constituído pelos representantes dos grandes grupos económicos internacionais e pelos governantes dos maiores países) há uma infinita série de postos na Comissão Europeia, no FMI ou em organismos afins para os quais poderá ser elegível mesmo que seja desprezado pelos seus próprios conterrâneos. Aliás, ser desprezado seria de certa forma uma mais-valia”. E é sabido que Vitor Gaspar é o aluno preferido do ministro alemão das Finanças.
Para além disso, Krugman também refere o fenómeno que designa por “porta giratória” entre o governo e cargos bem pagos nos grupos económicos nos seguintes termos: “Esta porta já existe há muito tempo, mas o salário que se consegue obter se a indústria gostar deles é imensamente maior do que aquilo que costumava ser, e daí a necessidade de acomodar as pessoas que estão do outro lado da porta, de adotar posições que os torne num contrato atrativo após a carreira politica”(pág. 100).

(ler o estudo na íntegra , em que baseia estas afirmações, em www.eugeniorosa.com)

domingo, 9 de setembro de 2012

Uma grande Festa, uma grande resposta às agressões do governo

Quem na 6ªf à noite assistiu ao concerto da Sinfonieta de Lisboa, composta por uma série de peças de grandes músicos, ficou com um espírito diferente do dia-a-dia e preparou-se para a grande festa que hoje encerra.
O que foi impressionante, para além da adesão entusiástica de um público de todas as idades, que obrigou a um encore da Marcha Radetzki, de Johann Strauss, foi o fogo de artifício que se seguiu e a Carvalhesa, que fez acorrer ao grande terreiro ajardinado do palco milhares de pessoas que desciam a correr de todos os outros cantos da festa. Que pena não  ter fotografado tal! Impressionante...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Troika quer continuar a morder nos salários

As primeiras reacções aos propósitos da troika nesta sua governação conjunta com o governo apontam para a insistência na redução dos salários dos portugueses.
A troika não fez uma avaliação do seu próprio desempenho que levou ao aumento das dívidas (estamos hoje muito mais endividados que dantes), à redução do crédito e a mais falências, à maior facilitação dos despedimentos, à redução da receita fiscal resultante das quebras de produção e encerramentos de empresas com as faltas de crédito bancário
contracção do poder de compra e do mercado, o aumento de despesas da segurança social com a entrada de novos despedidos a quem são devidos subsídios novos. Só por estes resultados esta troika devia sentar-se no banco dos réus. O governo que foi mais longe, cortando os subsídios de férias e de Natal, que não tiveram qualquer consequência para a economia, antes se traduziram no aumento da pobreza efectiva, na redução do poder de compra, do mercado interno, da produção nacional e, enfim, em menos condições "estruturais" (aqui aplicadas em termos correctos) para combater os deficites e a crise já que a muleta das exportações corre riscos com os nossos parceiros comerciais internacionais a reduzirem importações.
Mas, não arrepiando caminho, agora insiste na redução dos salários, das indemnizações por despedimentos, no fim da contratação colectiva e portarias de extensão, na negociação contratual empresa a empresa.
Atribuir à chamada "rigidez laboral" (garantias no emprego e nos salários e outros direitos).como factor de desemprego é de uma hipocrisia gritante. O desemprego não resulta do emprego dos outros mas de encerramentos de empresas, de despedimentos colectivos. A contratação de novos trabalhadores é feita em menor número, com salários miseráveis e grande precariedade. É o regresso da tentativa de deslocar as lutas contra a exploração para eventuais lutas entre os que têm e não têm trabalho, entre mais novos mais explorados ou desempregados contra os que continuam a trabalhar tendo beneficiado da coesão de classe, do apoio do movimento sindical, de salários e direitos expressos na contratação colectiva.
A insistência do governo em prosseguir tais caminhos, indo mais longe ainda que a troika, vai encontrar pela frente, como aconteceu nos últimos meses em empresas e sectores, lutas contra a exploração de dimensão crescente.

sábado, 1 de setembro de 2012

Moreninha da travessa, de Fernando Maurício (música e imagens ao lado)


Moreninha da travessa
Que atravessa a minha rua
Apenas por culpa sua
Penas minha alma atravessa

Onde vai assim depressa
Porque atravessa a correr
Fugindo a quem a quer ver
Onde vai com tanta pressa

Por mais que diga e lhe peça
Que essa pressa diminua
Apressada continua
E o que eu digo não lhe interessa

Qualquer dia inda tropeça
Nessa pressa de fugir
Tropeça e pode cair
Veja lá não caia nessa

Mas se cair lhe aconteça
Pra se livrar de embaraços
Veja se cai nos meus braços
Moreninha da travessa

Veja se cai nos meus braços
Veja lá se cai depressa