terça-feira, 15 de julho de 2014

BRICS lançam-se na criação de uma arquitectura de tipo novo "Crescimento inclusivo, soluções sustentáveis"

No dia a seguir à  Copa do Mundo no Brasil, teve início a 6ª Cimeira do BRICS (sigla do grupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Fortaleza e Brasília foram as cidades anfitriãs do encontro,  realizado em 14, 15 e 16 de Julho, para assentar, finalmente, uma arquitectura financeira de novo tipo, com o slogan: “Crescimento inclusivo e soluções sustentáveis.
Ariel Noyola Rodriguez,  do Observatório Económico da América Latina do Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade Nacional Autônoma do México salienta que esta é uma maneira diversa das iniciativas de regionalização financeira asiática e sul-americana, os BRICS, ao não comporem um espaço geográfico comum, ao mesmo tempo em que estão menos sujeitos a sofrer simultâneamente as turbulências financeiras, incrementarem a efectividade dos seus nstrumentos defensivos.
Um fundo de estabilização monetária denominado Acordo de Reservas de Contingência (CRA, do inglês “Contingent Reserve Arrangement”) e um banco de desenvolvimento chamado Banco BRICS exercerão funções de mecanismo multilateral de apoio às balanças de pagamentos e fundo de financiamento ao investimento.
De facto, o BRICS distanciar-se-á do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, instituições edificadas há sete décadas, na órbita do Departamento do Tesouro norte-americano . No meio da crise, ambas as iniciativas abrem espaços de cooperação financeira frente à volatilidade do dólar e criam alternativas de financiamento para países em situação crítica, sem ter que se submeter às medidas de austeridade impostas através de programas de ajustamento estrutural e reconversão económica.

Como consequência da crescente desaceleração económica mundial, tornou-se mais complicado para os países do BRICS alcançar taxas de crescimento acima dos 5%. A queda sustentada do preço das matérias primas para uso industrial derivada da menor procura do continente asiático e o retorno de capitais de curto prazo para Wall Street tiveram impacto negativo sobre o comércio exterior e os tipos de câmbio.

À excepção da ligeira apreciação do yen chinês, as moedas dos países do BRICS perderam desde 8,8 (caso das rúpias indianas) a 16 (caso dos rands sul-africanos) pontos percentuais frente ao dólar entre maio de 2013 e Junho deste ano. Neste sentido, o CRA BRICS – dotado de um montante de  100 mil milhões  de dólares, anunciado em Março de 2013, com participação dada China em 41 mil mihões; do Brasil, Índia e Rússia, em  18 mil milhões cada um; e da África do Sul, com 5 mil milhões –  reduzirá substancialmente a volatilidade cambial sobre os fluxos de comércio e investimento entre os membros do bloco.





Os cépticos argumentam que o CRA terá importância secundária e exercerá apenas funções complementares às do FMI. Mas não têm em conta que, em contraste com a iniciativa Chiang Mai, por exemplo (integrada pela China, Japão, Coreia do Sul e 10 economias da Associação de Nações do Sudeste Asiático, Asean), o CRA BRICS poderá prescindir do aval do FMI para realizar os seus empréstimos, garantindo maior autonomia política frente a Washington. A guerra de divisas das economias centrais contra as economias da periferia capitalista exige a sua execução rápida.

Por outro lado, o Banco BRICS despertou muitas expectativas. O Banco, que iniciará operações com um capital de 50 mil milhões de dólares(com participações de  10 mil milhões e 40 mil milhões em garantias de cada um dos países), terá possibilidades para se ampliar em dois anos para 100 mil milhões e, em cinco anos, para 200 mil milhões. Também contará com a capacidade de financiamento de até 350 mil milhões para projectos de infraestruturas, educação, saúde, ciência e tecnologia, meio-ambiente, entre outros.

Ainda assim, para o caso da América do Sul, os efeitos em médio prazo apresentam um carácter dual. Nem tudo é tão atraente nos mercados de crédito. Por um lado, o Banco BRICS poderia contribuir para a redução dos custos de financiamento e fortalecer a função contra cíclica da Corporação Andina de Fomento (CAF), através do aumento de créditos em momentos de crise e, assim, descartar os empréstimos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Por outro lado, entretanto, disponibilizando crédito, o Banco do BRICS entrará em competição com outras entidades financeiras de influência considerável na região, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, do Brasil), a CAF e os bancos chineses com maior número de garantias (Banco de Desenvolvimento da China e Banco Exim da China). É inverossímil que as instituições financeiras mencionadas façam suas ofertas de crédito convergirem de modo complementar sem afectar as suas carteiras de credores.

Nos BRICS há diferentes opiniões, segundo A. N. Rodriguez. A elite chinesa pretendeu realizar a participação maioritária erente da proposta russa de estabelecer participações por aliquotas) e converter Xangai na sede do organismo (ao invés da opinião de Nova Deli, Moscovo ou Joanesburgo). No caso de os empréstimos do Banco BRICS se denominarem yenshinesa avançará em sua internacionalização e afiançará gradualmente a sua posição como meio de pagamento e moeda de reserva em detrimento de outras divisas. 

Para lá da consolidação de um mundo multipolar, o CRA e o Banco BRICS representam as sementes de uma arquitetura financeira que emerge em uma etapa da crise cheia de contradições, mas também caracterizada pela cooperação e pela rivalidade financeira.

É natural que a generalidade da mídia internacional e nacionailtenham silenciado este importante facto histórico do século XXI. O interesse jornalístico dos governos e patrões da mídia não passam por aqui.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Yan Shillin, escultor chinês (1969)

na Feira da Arte Contemporânea de Pequim

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"De tous ceux qui n'ont rien à dire, 
les plus agréables sont ceux qui se taisent."
"De todos os que não têm nada para dizer,
os mais agradáveis são aqueles que ficam calados"

Michel Gérard Joseph Colucci
conhecido por Coluche (comediante francês, 1944-1986)

Trabalhadores dizem não à política laboral do governo

Ontem no Largo do Corpo Santo a caminho de S.Bento

O governo deve contribuir para acabar com a agressão de Israel ao povo palestiniano


Com pretexto no rapto e morte de 3 jovens israelitas, que todas as organizações palestinianas repudiam, o governo de Israel desencadeou uma agressão na faixa de Gaza. 
Por bombardeamentos, mesmo em zonas civis, que já terão morto cerca de cem pessoas, muitos deles crianças e mulheres, a agressão pode  ser continuada numa invasão militar do território por centenas de tanques israelitas que, para o efeito, já estão concentrados nas fronteiras.
Há que deter a agressão.
O governo português, como tantos outros, tem-se calado perante mais este massacre contra o povo da Palestina ocupada. Cabe-nos a todos pressionar o governo para que tome posição contra os crimes de guerra de Israel e contra o terror imposto pelas forças de ocupação.

CONCENTRAÇÃO SEGUNDA-FEIRA 14 de Julho, ÀS 18 

HORAS

NO ROSSIO, EM LISBOA

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Russos em Bagdad, Obama com o terrorismo islâmico, Charles Hussain, em Beirute, pelos Repórteres Sem Fronteiras

Os sinais de que meios militares russos e iranianos estão a ser utilizados no apoio ao exército iraquiano para combater a ofensiva dos fundamentalistas do Exército Islâmico, que acaba de criar um “califado” nas regiões sob seu controlo, confirma que os Estados Unidos e Israel estão por detrás do processo do desmembramento do Iraque.



“Depois dos discursos iniciais de que tudo estava em aberto, o que se observa é uma complacência absoluta dos Estados Unidos perante o que aqueles a quem chama ‘os mais ferozes terroristas islâmicos’ fazem no Iraque”, afirma Husseini Farag, professor universitário em Beirute, embora com origem egípcia. “Isto só pode dizer uma coisa: cumplicidade”, denunciou.

Nos meios diplomáticos e militares de Beirute sucedem-se informações sobre o envio de pilotos russos para operar com aparelhos Sukhoi-25, SU-25, de ataque ao solo, que terão sido entregues no fim de Junho na base de Al-Muthanna, nos arredores de Bagdade. Pelo menos foi assim que o assunto foi apresentado na televisão iraquiana, ao mostrar os aparelhos supostamente enviados por Moscovo.
Não há no Iraque pilotos com capacidade para operar com os mais modernos aviões de guerra da série Sukhoi, admitindo-se que também pilotos e aviões iranianos deste tipo possam vir a ter utilizados.
Os objectivos destas movimentações é bombardear as regiões ocupadas militarmente pelo Exército Islâmico, grupo sunita que controla regiões do Nordeste da Síria e as áreas sunitas do Iraque e que declarou um “califado” onde exerce o seu domínio.


No início da ofensiva do então Exército Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) os Estados Unidos ameaçaram responder em defesa do governo iraquiano, de índole sobretudo xiita, mas a única das “opções em aberto” do presidente Obama que se cumpriu foi o envio de 800 marines para defender as instalações norte-americanas em Bagdade, que incluem a mais faraónica embaixada do mundo.


De acordo com informações que circulam em Beirute, os pilotos russos não participarão em combates, terão como missão treinar militares iraquianos para utilizar os citados aviões.


A Arábia Saudita vê-se  agora “entre dois fogos”, comenta um diplomata francês em Beirute, que pediu o anonimato. “São conhecidos os atritos entre Washington e Riade porque a monarquia saudita não confia no modo como o Pentágono vem controlando o Exército Islâmico”, afirma. “É um facto que a Arábia Saudita não está contra um desmantelamento do Iraque desde que isso não lhe provoque problemas internos. Agora com os russos e os arqui-inimigos iranianos apoiando o governo de Bagdade, os sauditas estão verdadeiramente intranquilos”, revelou o diplomata francês. 
As autoridades sauditas terão feito sentir a sua insatisfação ao ministro russo Seguei Lavrov, que esteve recentemente em Riade, mas este, segundo se diz na capital libanesa, terá ripostado que para evitar situações como aquela que existe no Iraque teria sido melhor não encorajar o terrorismo islâmico a instaurar a guerra civil na Síria.

Os museus e o património cultural não estão à venda! Concentração em frente à Fábrica do Inglês, em Silves  18 de Julho de 2014, pelas 11 horas




Está em curso o processo de desmantelamento para venda dos equipamentos da
chamada “Fábrica do Inglês”, em Silves. Neste espaço, classificado como “património
de interesse municipal”, está sedeado o Museu da Cortiça, considerado em 2001 como
“Melhor Museu Europeu” na categoria de património industrial.


Os novos proprietários do edifício da Fábrica do Inglês (a Caixa Geral de Depósitos) e
do espólio do Museu da Cortiça (o Grupo Nogueira) são fiéis depositários de um
património de contornos únicos e de grande significado histórico/cultural em Portugal,
mas também afetivo, para a própria cidade de Silves.
As condições de conservação do edifício, fechado há vários anos, e agora ainda mais
degradado pela remoção sem precauções de equipamentos leiloados, assim como do
espaço onde se conserva a coleção museal, obrigam, por razões de interesse público,
ao rápido esclarecimento por parte dos novos proprietários do destino que pretendem
dar a estes valores culturais.
A cidade de Silves quer saber, o país quer saber, todos aqueles que se preocupam com
a herança histórica e cultural guardada pelos nossos museus querem saber.
A Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI), com o apoio das Comissões
Nacionais Portuguesas do ICOMOS e do ICOM, vêm convocar todos os cidadãos que
prezam a memória e a decência para uma concentração de informação e repúdio a ter
lugar no dia 18 de Julho de 2014, pelas 11 horas, junto à entrada principal da Fábrica
do Inglês, em Silves.
Na ocasião será lida a moção aprovada durante a Jornada de Arqueologia Industrial
recentemente realizada no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, a qual se
constituirá em petição em defesa dos valores patrimoniais e museológicos em causa.
É tempo para dizer “basta!”. A nossa memória não está a venda

Mais uma vez posto em causa o dólar como moeda única nos pagamentos internacionais

Segundo o jornalista Michael Stothard, do Finantial Times, no passado dia 7, o banco francês BNP Paribas comprou páginas de publicidade na imprensa norte-americana para apresentar "desculpas" e assumir responsabilidades, depois de ter sido multado pelas autoridades dos EUA em 8,9 mil milhões de dólares (67,5 mil milhões de euros) por ter ajudado países como Cuba, o Irão e o Sudão defenderem-se dos embargos impostos pelos EUA. Entre a publicidade comprada estão páginas inteiras no The New York Times e Wall Street Journal. "Esta semana, o BNP Paribas chegou a acordo com as autoridades norte-americanas relativamente a transacções com países que estão submetidas a sanções pelos EUA", escreveu o director-geral, Jean-Laurent Bonnafé. "Sempre procurámos manter um nível elevado em termos de comportamento, o que não conseguimos. Lamentamos profundamente", acrescentou Bonnafé. De forma subserviente o director geral declarou que "Os erros que vieram a público nunca deveriam ter ocorrido no BNP Paribas". O banqueiro disse ainda que o banco "tinha tirado as lições" e que "as pessoas envolvidas foram punidas ou saíram do grupo".

Segundo Stothard, esta questão suscitou  que os meios políticos e empresariais  da França  se insurgissem contra a hegemonia do dólar nas transações internacionais. 
Michel Sapin, o ministro das Finanças francês, apelou  para um "reequilíbrio" das moedas utilizadas nos pagamentos globais, dizendo que o caso BNP Paribas "nos deve fazer perceber a necessidade de usar uma diversidade de moedas."
Em entrevista ao Financial Times, à margem de uma conferência de economia do fim de semana "Eu acho que um reequilíbrio é possível, e necessário, não apenas com o euro mas também com as grandes moedas dos países emergentes" que são cada vez mais responsáveis pelo comércio global. "
Christophe de Margerie, presidente-executivo da Total, maior empresa da França, por capitalização do mercado, disse que não via nenhuma razão para o petróleo  ser comprado em dólares,  mesmo que o preço de referência em dólares permaneça..
"O preço do barril de petróleo é cotado em dólares", disse. "Uma refinaria pode aplicar esse preço e utilizando a taxa de câmbio euro-dólar num determinado dia, e acordar fazer o pagamento em euros."
Um dirigente executivo de um grupo industrial, o CAC 40, disse que apoiou a iniciativ do Sr. Sapin.
"Empresas como as nossas estão num beco sem saída porque nós vendemos um lote em dólares mas podemos não querer estar sujeitos a todas as regras e regulamentos dos Estados Unidos", disse.
O alvoroço sobre a multa ao BNP quebrou o ambiente normalmente calmo das conferências de economistas em Aix-en-Provence. E sublinhou  um novo ponto de atrito nas relações transatlânticas.
Os meios oficiais  franceses vieram dar um forte apoio ao maior banco do país, o BNP, argumentando que ele não tinha quebrado as regras europeias, o que levou a um debate sobre ter sido vítima de decisões judiciais  dos EUA que pretendem aplicar-se a outros países.
Sr. Sapin disse que iria levantar a necessidade de uma alternativa mais forte para o dólar com outros ministros das Finanças da zona do euro, quando se reunirem em Bruxelas na próxima segunda-feira, recusando-se antes disso a entrar em detalhes sobre que passos práticos podem surgir.
Mais da metade dos empréstimos transfronteiriços e depósitos são transacionados em dólares (num estudo recente, o dólar era utilizado em 87 por cento de todas as relações comerciais). Apesar dos esforços para diversificar as moedas, muitos bancos centrais dizem que eles ainda não vêem outra alternativa real para a segurança e a liquidez do mercado de Tesouro dos EUA, e detêm mais de 60 por cento de suas reservas em dólares.
Um alto funcionário francês lançou dúvidas sobre a capacidade do governo para estimular a continuação da utilização do euro no comércio internacional: "No fim das contas, é difícil saber o que pode realmente fazer. O mercado realmente decide essas coisas. "
O Sr. Sapin no domingo reiterou comentários feitos na semana passada que o governo francês estava disposto a vender alguns dos € 100 mil milhões de participações empresariais, exercendo mais uma "gestão activa" sustentada.
Não quis comentar sobre a escala ou ritmo do objectivo de vendas, mas disse que o dinheiro será usado "para reduzir a dívida, para ajudar a financiar a nossa economia, a transição na política da energia e na habitação."


Estes debates e comentários em França reflectem contradições capitalistas que, em si mesmo, não devem ser saudadas, a não ser nos reflexos positivos que um mundo mais multipolar possa ter na contenção do domínio do imperialismo norte-americano.
Para não falar já do papel do euro, que não é uma moeda nacional mas um projecto de federalização de economias e de globalização financeira de dimensão  continental em que   alguns dos países dominam os restantes, amarrando-os a uma moeda e legislação que lhes retira a soberania para decidir, por si próprios, de acordo com os interesses dos respectivos povos e economias.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Despesas militares mundiais. Para onde caminhamos?

Segundo o SIPRI (Stokholm International Peace Research Institute) a  despesa militar mundial em 2013 apresenta como algumas das tendências verificadas
Países com maior despesa 

Os 15 estados com maior despesa
Países que duplicaram a despesa militar entre 2004 e 2013
 Este último quadro, por si só, é esclarecedor sobre as zonas do mundo onde se esperam guerras de agressão.
www.sipri.org

sábado, 5 de julho de 2014

Vejamos como vamos de salários mínimos na UE


Não o demite?, por Carlos Carvalhas


Segundo o BANCO DE PORTUGAL,

“A situação de solvabilidade do BES é sólida, tendo sido significativamente reforçada com o recente aumento de capital. O Banco de Portugal tem vindo a adotar um conjunto de ações de supervisão, traduzidas em determinações específicas dirigidas à ESFG e ao BES, para evitar riscos de contágio ao banco resultantes do ramo não-financeiro do GES”, diz o Banco de Portugal em respostas a pedidos de esclarecimento da comunicação social.
A instituição liderada por Carlos Costa sublinha que só tem responsabilidade de supervisionar a parte financeira do grupo – o EFSG e o BES -, mas que as restantes “não se encontram sujeitas à supervisão do Banco de Portugal, dado que não integram o perímetro prudencial do grupo bancário sujeito à supervisão do Banco de Portugal (ao nível da ESFG) e na medida em que não são consideradas empresas-mãe ou filiais de instituição de crédito, nos termos do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras”.
No entanto, garante o banco central, as operações realizadas entre o banco e as outras entidades do grupo “estão sujeitas ao cumprimento de limites máximos de concentração de riscos”, o que quer dizer que o Banco de Portugal está a acompanhar “o cumprimento desses limites e os impactos das operações na situação patrimonial e prudencial das instituições de crédito ou do grupo bancário”.
Perguntas ingénuas ao "ingénuo " Governador do B.P :
1-No ultimo " stress teste" feito ao BES e  ainda antes "das determinações específicas… para evitar riscos de contagio ao banco resultantes do ramo não financeiro "não foi reiterado pelo BP e seu governador que não havia problemas neste banco? Que credibilidade têm os stress Testes e as garantias dadas também agora pelo B. P. ?
2- Que determinações são essas para evitar o contágio do ramo não financeiro ao BES ? Não nos querem explicar que medidas foram tomadas e qual o seu alcance ? Será que são medidas do tipo do insolvente que para não perder o património se divorcia e passa os bens  mais valiosos para mulher sobrinhos afilhados ou para qualquer primo taxista na suíça ? Isto é são medidas que safam o BES e tramam os credores do ramo não financeiro como a Caixa Geral de Depósitos e mais tarde os contribuintes….E em relação à Caixa como se justifica tal volume de crédito a empresas de banco concorrente ? A Caixa e em particular o crédito não estão nas mãos do CDS e do PSD ?
3- Diz o "ingénuo" Governador que só tem responsabilidades de supervisão em relação á parte financeira do grupo ! …acrescentando um "no entanto" :"as operações realizadas entre o banco e as outras entidades do grupo “estão sujeitas ao cumprimento de limites máximos de concentração de riscos "  Mas depois do que há muito se sabe em relação às negociatas  do BES e EFSG como se justifica uma concepção tão restritiva do perímetro prudencial ?
4- Quando Salgado se esqueceu de declarar no IRS  pela terceira vez pequeninas somas que tinha no estrangeiro , o Governador chamou-o para opinião pública ver , mas continuou a considerá-lo idóneo para continuar como banqueiro…e  quando foi descoberto o também pequenino prejuízo , a tal "enfermidade" do contabilista ,  como lhe chamou Salgado , o governador continuou a considerar este senhor  como idóneo para ser banqueiro. Fantástico . Como prémio merece ir para o BCE tal como o Vítor Constâncio!…
5- Ultimas perguntas: o Governador do Banco de Portugal tem a função de regulador ou de Presidente da Associação portuguesa de bancos ? Não se demite ? Ninguém o demite ? 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

"O verdadeiro objectivo dos 'planos de resgate' foi salvar os bancos", por Harald Schumann

Há uma semana, na conferência de imprensa de rotina do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes, o ministro da Presidência, foi interpelado, em inglês, por um jornalista que se queixava do silêncio do Governo português perante as suas perguntas. A imagem passou nas televisões. Harald Schumann, editor do diário berlinense Tagesspiegel, e autor do livro A Armadilha da Globalização esteve em Portugal a filmar um documentário para o canal Arte, sobre o efeito da troika nos países intervencionados.
É o seu segundo documentário depois da crise financeira. O primeiro chamou-se “Quando a Europa salva os bancos quem paga?”. Vista por seis milhões de europeus, esta investigação de Schumann pode ter causado má impressão nos governantes portugueses. Foi, pelo menos, isso que lhe disseram, para justificar o silêncio de Carlos Moedas, Maria Luís Albuquerque e Pedro Mota Soares…
O que se passou na conferência de imprensa?
Nós estávamos há várias semanas a pedir entrevistas à ministra das Finanças e ao ministro do Emprego, e também ao coordenador do programa de ajustamento, o secretário de Estado Carlos Moedas. Mas os nossos pedidos ou eram adiados ou nem sequer recebiam resposta. Quando a equipa de filmagens chegou e iniciámos a rodagem, na semana passada, foi-nos transmitido, por porta-vozes, que os ministros e o secretário de Estado não queriam ser entrevistados para o documentário. Por isso perguntei ao ministro Marques Guedes a que se devia esta recusa peremptória de colaborar com um filme que será difundido em, pelo menos, seis países europeus. O senhor Guedes apenas disse que não lhe cabia comentar as recusas dos colegas e que devíamos continuar a tentar.
E que razões vos deram para manter a recusa?
Oficialmente, disseram-nos que os governantes não queriam participar num documentário que só será exibido em Janeiro próximo e que, até lá, muitas coisas poderiam acontecer, tornando os seus depoimentos desactualizados. Como o que queríamos deles era uma avaliação do que aconteceu ao longo do programa de ajustamento, creio que estas razões não são credíveis. Nos bastidores, mais tarde, fomos informados de que a minha “má reputação” teria sido a razão fundamental para que recusassem qualquer entrevista.
Como é que interpreta isso?
Bom, só pode querer dizer que o facto de eu ser conhecido como um jornalista crítico, independente, me causou má reputação neste Governo. Infelizmente, isso confirma o problema básico de toda a operação da 
troika de credores na crise da zona Euro: O chamado ajustamento está organizado de uma forma opaca, por vezes arbitrária ou até ilegal. Os seus responsáveis sabem-no, e pretendem evitar perguntas críticas.
O seu documentário é sobre o efeito da troika. Onde tem filmado, além de Portugal?
Até agora estivemos na Grécia e em Portugal. Na próxima semana filmaremos na sede do FMI, em Washington. Mais tarde iremos à Irlanda e ao Chipre e, é claro, a Bruxelas e a Frankfurt, para entrevistar os responsáveis da Comissão Europeia e do BCE. 
Até agora, o que vos foi possível observar?
A ideia de resolver o problema da dívida através da austeridade falhou completamente. A dívida é agora ainda mais insustentável do que era, há três anos. Os programas são, também, extremamente enviezados. Todo o fardo é assumido pelos trabalhadores e pelos contribuintes normais, enquanto as elites privilegiadas, que conseguem evadir a sua riqueza através dos 
offshores, e que são as maiores responsáveis pela crise, até conseguem lucrar com os programas de ajustamento. Por exemplo, quando conseguem comprar activos valiosos ao Estado a preços de saldo.
Essa é, até agora, a vossa principal conclusão?
O “resgate” errado, que apenas salvou os investidores estrangeiros, principalmente alemães, de perderem nos maus investimentos que fizeram, mina a confiança nas instituições democráticas dos países afectados. Os Governos e os Parlamentos desses países parecem ser apenas marionetas nas mãos de desconhecidos, e não eleitos, burocratas estrangeiros. E, ou, de investidores.
O que mais o surpreendeu na situação portuguesa?
O facto de terem tido - em proporção - a maior manifestação de todos os países em crise, mas que não teve qualquer impacto… Se, na Alemanha, 10% da população saísse à rua para protestar, o que significaria uma manifestação de 8 milhões de pessoas, nenhum Governo sobreviveria a isso intacto.
Os cidadãos alemães estão conscientes do que se passa nos países da periferia?
Infelizmente, não. De modo nenhum. A maioria dos alemães acredita realmente que o seu Governo está a “ajudar” os gregos e os portugueses com “dinheiro dos contribuintes”
.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Imaginary evils are incurable."
"Os males imaginários são incuráveis"
Marie von Ebner-Eschenbach 
escritora austriaca (1830-1916)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia de Mello Breiner

de José Cutileiro, foto de Margarida Bico

Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.



Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 29 de junho de 2014

A bandeira foi roubada ou abandonada?

«Os comunistas roubaram-nos a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã [...]. Os comunistas dizem que tudo isto [a pobreza] é algo comunista. Sim, claro, como não? Mas vinte séculos depois [da escritura do Evangelho]. Quando eles falam nós poderíamos dizer-lhes: pois sim, sois cristãos», afirmou o sumo pontífice.
Foi nestes termos que o papa Francisco se expressou numa entrevista publicada hoje no jornal italiano »Il Messaggero«, na qual aborda temas como a política, a queda da natalidade na Europa, o papel da mulher no seio da Igreja Católica ou a exploração infantil.

Aqui ninguém rouba nada a ninguém. Durante séculos a Igreja não deu a atenção suficiente que lhe advêm das Escrituras em relação à pobreza. Encarou apenas os pobres numa perspectiva caritativa que prestava, organizando a recolha de fundos em dádivas dos paroquianos sem sacrifício dos seus próprios tesouros para essa acção. Sempre esteve muito alheada, com excepções que todos conhecemos, da luta para acabar com a pobreza através do combate à exploração e à desigual repartição do rendimento nacional. 
Esta luta vem de Espártaco (que viveu um século antes de Cristo). Se a Igreja deixou cair essa bandeira outros não fizeram o mesmo mas não foram roubar nada a ninguém.Os comunistas são cristãos na Europa? ;Muitos sê-lo-ão. Mas não deixaram cair a bandeira dos ensinamentos de Deus.
O Papa Francisco teve uma entrada promissora no papado para poder reerguer essas bandeiras que não são exclusivas de ninguém

sábado, 28 de junho de 2014

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"...cada uno es como Diós le hizo, 
y aún peor muchas veces."
"...cada qual é como Deus o fez 
e muitas vezes ainda pior."

Miguel
Cervantes (pela boca de Sancho Panza)
no Don Quijote - 2ª parte, cap.IIII

terça-feira, 24 de junho de 2014

O aumento da dívida e a inutilidade dos sacrifícios, por Eugénio Rosa

Fragilização da economia portuguesa
e perda de competitividade
Um dos argumentos mais utilizados pela propaganda governamental e pelos comentadores habituais nos media é que o aumento das exportações, cujo ritmo está a diminuir de uma forma acentuada – recorde-se que, segundo o INE, no 1.º trimestre de 2014, relativamente ao trimestre homólogo de 2013, as exportações aumentaram apenas 1,7 por cento enquanto as importações cresceram seis por cento – se deve ao aumento da competitividade das empresas portuguesas e à alteração do perfil dos produtos exportados. Confrontemos estas afirmações com a realidade revelada pelas próprias estatísticas oficiais.
Falar de «milagre económico» como fez o ministro da Economia, ou de grandes «êxitos» como faz todo o Governo é tentar enganar os portugueses e manipular a opinião pública.
Ver na íntegra em

http://www.avante.pt/pt/2116/temas/130822/

Rodrigo Matos, Prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Brasil: avanços extraordinários numa década

Há mais de um ano que se desenrola nos media de grande parte do mundo uma campanha, clara, com os mesmos temas simultâneos, com vista a criar nesse universo uma visão altamente desfavorável do Brasil, da sua política, a propósito do Campeonato do Mundo de Futebol, cuja preparação se quis por em causa.
Não incluo nisto a crítica de sectores da sociedade brasileira que consideram aspectos desta política incompatíveis com a persistência de desigualdades e a incongruência de outros aspectos do que deveria ser uma política de esquerda.
Para mim é claro que essa campanha procura fazer desaparecer as conquistas do Brasil nos últimos anos, o seu posicionamento como grande potência regional crítica em relação ao imperialismo dos States, e a possibilidade de, com outros centros regionais, dar corpo a essa crítica e criar alternativas nas relações internacionais.

Deixo a propósito disto um manifesto do músico Chico Buarque de Holanda.


Será que todo o Universo vem do nada?, Richard Yonck (16/5/2014)

A expansão do Universo (Fonte NASA)
Em março, uma equipe de investigadores, com base na Antárctida, anunci0u que tinha detectado ondas gravitacionais, ecos fracos desde os primeiros momentos do Big Bang. Esta descoberta tem enormes implicações para a cosmologia, o mundo da física e até mesmo a nossa compreensão do futuro do nosso universo. meu post recente sobre o projeto BICEP2 explorado alguns deles, como é que o meu próximo artigo sobre a inflação cósmica na edição de julho-agosto de O futurista .
Esses escritos levaram-me a pensar em relação as origens do nosso universo. Invariavelmente, ao explicar a evolução inicial do cosmos, uma questão particular sempre vem à tona: de onde vem a singularidade que começou o Big Bang? Por algum tempo, muitos físicos e cosmólogos têm dito que poderia ser possível que o nosso universo tivesse realmente começado a partir do nada - por tão agressivo e contraditório que isso pareça. Mas sem prova esta parece ser uma declaração de fé, impossível de provar ou refutar e, portanto, fora do alcance da verdadeira discussão científica. Desde que Popper, que já disse que a falsiabilidade é a demarcação entre o que é científico e o que não é, que parecia que este pode ser o ponto em que o método científico teria que dar lugar às histórias de origem do mito.
Ou talvez não.
No mês passado vi um artigo que pode ser tão importante para a nossa compreensão do Big Bang como foi a detecção de ondas gravitacionais. A equipe do Instituto Wuhan de Física e Matemática na China fez a primeira e rigorosa prova matemática de que o Big Bang poderia ter sido gerado espontaneamente do nada A equipe de Wuhan, liderada por Qing Yu-Cai, desenvolveu novas soluções para a equação de Wheeler-DeWitt , que procurou combinar a mecânica quântica e a relatividade geral em meados da última década do século XX.

Um mapa da radiação cósmica de fundo em microondas. (Fonte: NASA)
De acordo com o princípio da incerteza de Heisenberg, as flutuações quânticas no vácuo falso metaestável - um estado ausente do espaço, tempo ou matéria - pode dar origem a pares de partículas virtuais. Normalmente esses pares  auto-aniquilam-se quase que instantaneamente, mas se estas partículas virtuais se separarem imediatamente, eles podem evitar a aniquilação, a criação de uma verdadeira bolha de vácuo. Equações da equipe Wuhan mostram que uma tal bolha tem o potencial de se expandir exponencialmente, fazendo com que um novo universo viesse a aparecer. Tudo isso começa a partir do comportamento quântico e leva à criação de uma enorme quantidade de matéria e energia durante a fase de inflação. (Note que, como indicado neste artigo, o falso vácuo metaestável não tem "nem matéria nem espaço nem tempo", mas é uma forma de função de onda conhecida como "potencial quântico". Enquanto a maioria de nós não estaria inclinado a chamar " nada" a isso  os físicos referem-se a ele como tal.)
Esta descrição do crescimento exponencial de uma verdadeira bolha de vácuo corresponde directamente ao período de inflação cósmica resultante do Big Bang. De acordo com esta prova, a bolha até pára em expansão - ou então  pode continuar a expandir-se  a uma velocidade constante - uma vez que atinge um determinado tamanho.No entanto, esta é uma versão muito diferente da inflação proposta por Guth, Linde e outros, na medida em que não depende de campos escalares, apenas de efeitos quânticos. Ainda assim, este trabalho  encaixa-se bem com o da equipe BICEP2. Ambas as descobertas têm implicações significativas para a nossa compreensão do universo e do nosso futuro e devem resistir a um averiguação complementar.

Um mapa da radiação cósmica de fundo em microondas. (Fonte: Agência Espacial Europeia)
Dado o comportamento quântico de partículas virtuais no vácuo que propõe este trabalho, é razoável supor que isso não tenha aconteceido uma só vez, mas muitas ou potencialmente um número infinito de vezes. A idéia de uma infinidade de multiversos sendo gerados por processos semelhantes aos que deram origem ao nosso universo não é novo. Mas esta é a primeira vez que nós realmente identificamos os mecanismos que possam ter estado envolvidos. Ao discutir isso com um dos autores, Qing Yu Cai, ele disse-nos que acha que o seu trabalho "apoia o conceito de multiverso." Se este processo resultasse nas mesmas leis físicas exatas que vemos em nosso próprio universo,  continuaria a ser determinado, uma vez que de acordo com estas equações apenas condições limitadas poderiam originar uma bolha de vácuo de verdadeira expansão exponencial.
Outra idéia que fpoi discutida no passado é  se nós mesmnos poderíamos criar novos universos ou não, talvez usando algo como o Large Hadron Collider (LHC). No entanto, como Qing-yu Cai observou, "o espaço-tempo do nosso universo é um todo, não pode ser dividido em pequenas partes arbitrariamente, mesmo em LHC." Portanto, "parece impossível criar novos universos a partir de nós mesmos."
Em última análise, esta prova matemática precisa ser verificada por outros e, de preferência ser submetida a alguns testes ainda a ser determinados. No final, o trabalho pode ou não ser aceite. Isto é, apesar de tudo, a forma como o método científico funciona. Mas, se essa prova   resistir a uma análise, ela vai certamente dar-nos consideráveis ​​novas aproximações aos mecanismos que deram origem ao nosso universo. A notícia deste mês passado demonstra que o campo da cosmologia permanece fervilhante de novas idéias e descobertas que estão a ser feitas regularmente. O nosso universo e o da física na sua fundação são incrivelmente complexos e vão continuar a produzir novos conhecimentos sobre o nosso passado, presente e futuro por muito e muito tempo. Talvez até o fim dos tempos.

O universo surgiu do nada?, por Jorge


- Claro! - dizem os que acreditam em Deus
- Mas, pode alguma coisa surgir do nada?
- Claro, é isso a Criação!

- Sim, teve que ser mesmo a partir do nada: não havia mais nada!... - dizem os que não recorrem à ideia de Deus.
- E como foi isso possível?
- É simples: o nada é instável, oscila! Pode dar de repente qualquer coisa e o seu contrário. É assim que surgem universos, espontâneamente.
- Mas, se o nada é o zero de tudo, como é possível o universo ter matéria, estrelas, etc.?
- Continua tudo a ser zero.
- ?!
- Matéria e energia são positivos. A gravitação é negativa. Os dois valores são iguais. Total: zero!
Parte disto vem neste artigo:
o resto vem noutros sítios.

A expansão do Universo (Fonte: NASA)
Estamos quase a descobrir o segredo!  :D

domingo, 22 de junho de 2014

O Iraque à beira da divisão em três estados diferentes

Segundo o director do voltairenet.org, Thierry Meyssan, o brusco colapso do Estado iraquiano, é apresentado pela imprensa internacional como sendo a consequência do ataque do grupo terrorista EIIL. Mas, quem poderá crer que um Estado poderoso, armado e organizado por Washington, poderia sucumbir em menos de uma semana diante de um grupo jihadista, oficialmente independente de qualquer Estado? Dito de outro modo, quem poderá crer que aqueles que apoiam o EIIL na Síria condenam, com sinceridade, a sua acção no Iraque? Thierry Meyssan revela o que as cartas escondem.
Em 2006, o Estado Maior dos EUA projectaram para esta região um conjunto de medidas entre as quais a divisão do Iraque numa zona sunita, noutra xiita e uma outra curda. 
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Depois de algumas dificuldades de percurso, o plano está retomado e conduzido por operacionais jihadistas. A partição tem esse objectivo não ficando limitado às intenções do Emirado islâmico no Iraque e no Levante (EIIL ou Daesh em árabe).
Numa semana, o EIIL conquistou o que deveria tornar-se um emirado Sunita, enquanto os peshmergas (combatentes curdos) conquistaram o que deveria ser o Estado curdo independente.
O exército iraquiano, formado por Washington, deu Niníve aos primeiros e Kirkuk aos segundos. A sua própria estrutura de comando facilitou a desintegração: os oficiais superiores, tendo que recorrer ao gabinete do Primeiro-Ministro antes de mover as suas tropas, eram ao mesmo tempo privados de iniciativa de jogo e instalados como reizinhos nas suas zonas de acção. Por outro lado, era fácil ao Pentágono corromper certos oficiais para que eles incitassem os seus soldados à deserção.
Os parlamentares, convocados pelo Primeiro-ministro Nouri-Al-Maliki, também desertaram e não votaram o estado de emergência por falta de quorum, deixando o governo sem possibilidades de resposta.
O Primeiro Ministro al-Maliki procurou enfrentar e derrotar os mujhaidines, apelando ao seu Povo, aos EUA, ao Irão. Os EUA acabaram por deixar de o apoiar "moralmente" porque apoio concreto não foi visto. Vários grupos mujahidines estão em cena mas todos foram criados pela CIA com o objectivo de irem contra interesses russos como aconteceu no Afeganistão, na Bósnia Herzegovina, no Iraque, Síria e Chechénia.
O pânico que tomou conta da população iraquiana é o reflexo dos crimes cometidos pelo EIIL na Síria: degolas, em público, dos «muçulmanos renegados» e crucificação de cristãos. Segundo William Lacy Swing (antigo embaixador dos EU na África do Sul, depois nas Nações Unidas, e actual director do Gabinete das Migrações Internacionais), pelo menos 550 mil iraquianos teriam fugido diante dos jihadistas.
Estes números mostram a inépcia das estimativas ocidentais sobre o EIIL, segundo os quais ele não dispõe senão de 20 mil combatentes no total da Síria e do Iraque. A verdade é, provavelmente, três vezes superior, na ordem dos 60 mil combatentes; a diferença sendo feita exclusivamente por estrangeiros, recrutados no conjunto do mundo muçulmano e na maior parte das vezes não árabes. Esta organização tornou-se o maior exército privado do mundo, imitando no mundo moderno o papel dos condottieri da Renascença europeia.
Não sem contradições. este exército privado e mercenário é dirigido pela Turquia, a Arábia Saudita e os EUA