sábado, 21 de junho de 2014

Já com saudade vimos partir ontem Jaime Gralheiro


O falecimento de Jaime Gralheiro, homem de múltiplas frentes de actividade e de um intenso combate pela liberdade e defesa do 25 de Abril nas nossas vidas, é uma notícia triste.
Gostaria de o voltar a ter visto.
À família enlutada envio daqui as minhas condolências.

JAIME Gaspar GRALHEIRO, advogado, dramaturgo, escritor, encenador e político, nasceu em Macieira, freguesia de Sul do concelho de S. Pedro do Sul, no dia 07/07/193...0. Depois de estudar no Colégio de Lamego e no de João de Deus, no Porto, rumou para Coimbra onde se licenciou em Direito.
Em Coimbra fez parte da TUNA, do ORFEON e ajudou a fundar o CITAC.
Após se ter licenciado fez o estágio à advocacia em Viseu, tendo montado escritório em S. Pedro do Sul, onde exerceu essa profissão desde 1958 a 2011, acabando por ter intervenções forenses, mais ou menos, por todo o país
Foi Delegado da Ordem dos Advogados desde o início da década de 70 até ao final da de 90, tendo intervindo em todos os Congressos dos Advogados Portugueses, Assembleias Nacionais e outras realizações plenárias da classe.


Como jurista escreveu “Comentário à (s) Lei (s) dos Baldios” e “Comentário à Nova Lei dos Baldios”, para além de ter escrito artigos técnicos em revistas da especialidade.
Como dramaturgo escreveu várias peças teatrais.


Ao lado da sua atividade profissional e artística, desenvolveu uma aguerrida atividade política, tendo, antes do 25 de Abril de 1974, participado, desde 1961, em todas as chamadas “campanhas eleitorais”, pela Oposição Democrática” até 1973.
Participou também no 2º e 3º Congresso Republicano e Democrático de Aveiro, tendo, no 3º em 1973, dirigido a secção “Desenvolvimento Regional”.
Depois do 25 de Abril de 1974, foi Presidente da 1ª Comissão Administrativa da Câmara de Pedro do Sul, de onde foi afastado no “Verão Quente de 75”.
Encabeçou a candidatura do MDP/CDE, à Assembleia Constituinte, pelo distrito da Guarda em 1975.
Em 1979  inscreveu-se como militante do PCP
A partir deste ano e até aos anos de 90, passou a ser candidato (normalmente cabeça de lista) pela FEPU; APU e CDU (coligações do PCP com outra forças de Esquerda) nas várias eleições legislativas, pelo distrito de Viseu.
Pela mesma força política concorreu, várias vezes, às eleições autárquicas, em S. Pedro do Sul, tendo sido eleito em 1978, altura em que lhe foi recusado o “pelouro” da Cultura, tendo-lhe, acintosamente, sido atribuído o pelouro das “Feiras e Mercados”. Demitiu-se e passou para a AM.
Foi sempre eleito (desde 1978 até aos meados dos anos 90) pela mesma força política para a Assembleia Municipal.
Jaime Gralheiro é uma referência de todos os democratas e da região onde viveu.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"A good example is far better
 than a good precept."
"O bom exemplo é
muito melhor que uma boa doutrina."

Dwight Moody 
pregador americano, 1837-1899


"Proclamação ou chamem-lhe o que quiserem", de José Goulão



Chamaram-lhe “proclamação” por ser a palavra mais neutra possível na circunstância, mas não deviam ter vergonha em chamar-lhe coroação, entronização, o que quer que seja.
Os mentores do regime espanhol, com as cabeças guiadas pelos fantasmas, temores e interesses que levaram Franco a fuzilar a república em 1936, tentaram agora despir a monarquia dos principais ademanes e parafernália, mas ela não deixou de ser monarquia, e não é por ter havido beija-mão que ela ali ficou reafirmada, por necessidade mínima de sobrevivência, na “proclamação” de um novo rei.
Não poderia haver melhor coligação histórica para este mediavelismo revivalista do que a formada pela casa real dos Bourbon, atulhada em corrupção, faustos repugnantes, gastos insultuosos, e por um governo de Rajoy, assente no culto neofranquista de uma nação, uma religião, uma família, uma economia de prebendas para os poucos escolhidos e de austeridade, miséria e desemprego rampantes para a multidão dos restantes. O desinteresse do povo nas ruas e pela vacuidade do discurso filipino tentará agora ser compensado, à escala ibérica e global, pela indústria propagandística cor-de-rosa como aplicação refinada das recomendações goebbelianas para substituir a infelicidade própria pela ficção da felicidade dos escolhidos de Deus.
Não é porque o cardeal não depositou a coroa na cabeça do rei que a Monarquia passou a ser outra coisa; o cadeirão trono poderá ser pós-moderno mas é trono; a Constituição está lá mas o rei é, por definição, a imagem de Deus para os seus súbditos enquanto o chefe do governo e os seus ministros juram perante ele e os símbolos de uma religião única, acto que automaticamente transforma milhões de pessoas em cidadãos incumpridores de requisitos para serem filhos do mesmo Estado.
A Monarquia é Deus, Pátria, Família – Deus único, Pátria una, família “normal” – não é assim que se define? Eis a Espanha de hoje, enquanto a realidade pujante e criativa dos seus povos a nega e renega pela ordem natural das coisas e pelo progresso dos tempos e ideias.
É por temor a esta ordem natural das coisas, ao progresso dos tempos e ideias que as monarquias, tal como as repúblicas de novo tipo, monárquicas e autocráticas, se reformulam e mimetizam para garantir que o essencial do poder do dinheiro e das suas versões divinas fiquem de pedra e cal, imutáveis, mesmo que em redor tudo pareça mudar e avançar.
O rei como incarnação de Deus para unidade da Pátria é a definição da Monarquia imóvel e imutável, a expressão limite do fundamentalismo religioso como expressão do Estado, seja na Arábia Saudita ou em Espanha, ainda que os meios para atingir os fins sejam diferentes nas aparências.
Em Espanha, além de ser instrumento da austeridade, da miséria e desigualdade crescentes, a Monarquia é a arma sob a ameaça da qual se obrigam a manter unas uma Pátria e uma Nação que não existem. Como ficará demonstrado."




in http://www.jornalistassemfronteiras.com/


sexta-feira, 20 de junho de 2014

É agora que o prendem?

Um dos donos de Portugal, cujo poder tentacular punha e dispunha de peças no governo e outras instituições.
Artífice de  projectos internacionais contra a economia e os trabalhadores.
Sobre ele impendem acusações de  burlas em proveito próprio e de amigos com pesadas perdas para o Estado Português.
Impõe-se a recuperação dos recursos roubados, importantes para políticas sociais e a defesa do Estado Social contra os quais combateu nestes vinte anos.
Não seria admissível que este indivíduo se  mantivesse em liberdade a aguardar julgamento, enquanto se completam as investigações sobre eventuais crimes a que a imprensa se tem referido.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Uma noite no Hot Clube, por Jorge

Emocionado. É sempre assim, mais a mais quando me acho sozinho, quando eles tocam apenas para mim, como e o caso. Não levei comigo ninguém nem ninguém se deu ao trabalho de me levar, pelo que sei muito bem do que estou a falar.
Estou a escrever para mim próprio, é evidente e a lembrar-me daqueles “putos” todos a tocarem tão bem, tão maravilhosamente orquestrados e dirigidos pelo Pedro Moreira, felizes que estavam, de estar a tocar com e para o Benny Golson. O Benny Golson é um Senhor já crescido, embora ainda não tenha completado oitenta e seis anos, que compôs eternos temas míticos e toca sax tenor quase tão bem e à vontade como quando tinha trinta ou quarenta. Nos intervalos dos temas chega-se ao micro e conta histórias. Histórias de vida, histórias de alguns dos seus temas, histórias musicais, por assim dizer – muito bem contadas, de um humor suave, algumas delas cheias de ternura, como a da morte do Clifford Brown, aos vinte e oito anos (“o que teria ele para nos dar se não tivesse desaparecido” – afirma, às tantas, interrompendo-se) tudo naquela voz musical bem modulada e bem timbrada que a gente negra tem a felicidade e a facilidade de possuir.
“These guys play so good”, sorriria ele, às tantas, absolutamente feliz e convicto. Aliás durante alguns magníficos solos de trompete e sax de componentes da orquestra, notava-se-lhe o prazer e a percepção daquilo que ouvia, aos tais “putos”
Não vale a pena continuar a palavrear nem a gastar muito mais consoantes e vogais. Quem lá esteve, “voluntário”, saberia do que estou a falar, ou a tentar dizer. Quem lá esteve, arrastado por outrem ou pela curiosidade, saíu de lá de certeza mais rico, mesmo sem de tal suspeitar.
E quem lá não esteve não faz ideia sequer do que tento atabalhoar por estas linhas abaixo, é impossível fazer chegar às pessoas coisas destas, emoções e prazeres destes. Vou já calar-me.
“Whisper not”, “Killer Joe”, “Blues March” entre vários outros e finalmente “I remember Clifford” em quinteto, onde o João Moreira haveria de brilhar a grande altura, a contracenar com o Benny Golson. Uma noite eficaz e preenchente, a permitir e a relembrar que vale a pena estar vivo.

Mulheres, coragem! Há que criminalizar a não aceitação por patrões das trabalhadoras que querem ter filhos

A mulher é uma vítima maior do patronato que quer lucros a todo o custo, cilindrando os direitos laborais e outras prerrogativas das mulheres incluindo o direito a férias por gravidez, parto e acompanhamento  inicial dos bebés.
Hoje o presidente de uma comissão que vai entregar propostas ao governo sobre como aumentar a natalidade revelou (e podia ter revelado outras coisas) que há empresas onde os patrões obrigam as mulheres contratadas a assinarem um compromisso em como não terão filhos nos cinco anos seguintes!

Criminalizar actos deste tipo será uma forma importante de combater estes comportamentos anti-sociais de parte do patronato.
Mas importa que tal comportamento então criminoso seja provado. E esse patronato consegue, por diversos meios, inviabilizar a denúncia do seu comportamento. A trabalhadora receia que, mesmo ganhando um processo contra o prevaricador, este far-lhe-á depois a vida negra e recorrerá a outros meios para a despedir. Todo o processo de facilitação do despedimento está em curso há anos e é sempre possível empurrar a trabalhadora para uma situação "abrangida" por algumas dessas possibilidades.

A Inspecção do Trabalho tem que ter um papel mais activo em defesa dos direitos que restam aos trabalhadores. As comunidades em, que se inserem essas empresas, deverão encarar novas formas de intervenção nestes casos, denunciando o malfeitor, divulgando em folhetos a sua cara e os factos, estimulando os párocos a denunciar estes casos no púlpito e a terem uma pressão sobre os referidos patrões.
Enfim, importa equacionar uma série de medidas que garantam maior eficácia a este combate.

Ataques da policia francesa contra trabalhadores ferroviários em greve

A aplicação de uma futura lei do transporte ferroviário na França, foi criticada por centenas de manifestantes que se tentaram aproximar do edifício-sede do Parlamento francês, de forma pacífica, com bandeiras sindicais e dispararam foguetes; em apoio à greve actual no sector..

De facto, na terça-feira foi cumprida a primeira semana da greve dos trabalhadores ferroviários franceses, enquanto se espera um debate sobre o projecto de lei que regula o sector na câmara baixa do Parlamento.
A carga olicial
Este projecto de lei prevê a penhora do operador ferroviário SNCF, a rede francesa Rail (RFF), numa aliança que abriria a porta à concorrência. Os trabalhadores temem que a reforma signifique menos empregos e menos segurança no emprego.
Por sua parte, o Governo francês alega que a reforma é necessária para criar uma estrutura de transporte ferroviário mais forte, num momento em que a nação e outros países da Europa estão a preparar-se para uma liberalização dos transportes ferroviários em larga escala nos próximos anos.
Apesar das ameaças de greve prolongada pelas centrais sindicais, o secretário dos Transportes, Frédéric Cuvillier, anunciou que o governo do presidente François Hollande "está disposto a ir até o fim" com a reforma .
O governo francês pretende aprovar o projecto de reforma ferroviária, cujo principal objectivo é estabilizar a enorme dívida que a indústria tem, por cerca de 59000 milhões dólares, além de preparar a sua abertura total à concorrência.
adaptado de teleSUR-HispanTV-Telemetro/oja-MARL

sábado, 14 de junho de 2014

Estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade


1- A estratégia da diversão

Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e da mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.

A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.

"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais" (extraído de "Armas silenciosas para guerras tranquilas" )

2- Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é denominado "problema-reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia do esbatimento

Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.




4- A estratégia do diferimento

Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e económica foram aceites pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.

5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas

A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro ("os dias euro"). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante. Por que?

"Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )

6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão

Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curtocircuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos...


7- Manter o público na ignorância e no disparate

Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.

"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )

8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade

Encorajar o público a considerar "fixe" o facto de ser idiota, vulgar e inculto...

9- Substituir a revolta pela culpabilidade

Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!...


10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios

No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.
   
© syti.net, 2002

O original encontra-se em http://perso.wanadoo.fr/metasystems/Manipulations.html .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Frase de fim de semana, por Jorge


"A vitória sem travar batalha é a melhor"
Sun Tzu
general e estratega chinês, 544-496 AC
em A Arte da Guerra

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Governo dispara sobre o TC e, depois, sobre os portugueses

O anúncio pela Ministra das Finanças de que Portugal não podia receber a última tranche do grande em préstimo e que, por isso, ia proceder a novos cortes na Função Pública, é uma canalhice que os portugueses não vão engolir.
O responsável por tudo isto é o governo que insistiu em 3 anos consecutivos, fazer orçamentos que já sabia que iriam ser chumbados. Ao manter esta guerrilha contra o TC, o governo talvez queira precipitar uma revisão constitucional que "encaixe" à força a nossa Constituição nas exigências do Tratado Orçamental e Fiscal, feito à surrelfa das soberanias...
O governo joga um jogo cada vez mais perigoso, em que põe o funcionamento das instituições numa situação de anormalidade.
E a UE, tal como está, vai sofrer fortes rombos.

A fotografia subjectiva de Otto Steinert (1915-1978)

Otto Steinert foi um influente professor alemão  no campo da fotografia. A sua primeira carreira foi a de médico, em que se formou em1939, no mesmo ano em que, sozinho, aprendeu  a fotografia. 
Depois de servir como oficial médico na guerra, e  como assistente médico durante 2 anos, tornou-se  fotógrafo. Passou a ensinar fotografia e também foi um dos fundadores de um grupo de fotos, Foto-Form . 
Em 1951, organizou a primeira de três exposições sob o título de fotografia subjectiva, em que explorou o potencial criativo de técnicas, tais como exposições longas, fora de foco, imagens e outros dispositivos técnicos. 
Tornou-se num dos mais influentes professores de fotografia na Alemanha, e ensinou alguns dos principais fotógrafos alemães da geração seguinte.



Observação: agradeço ao leitor anónomi que me chamou a atenção para erros no texto numa versão anterior

terça-feira, 10 de junho de 2014

Jerónimo de Sousa pede intervenção de Cavaco e eleições antecipadas

O secretário-geral do PCP afirmou hoje, em Santarém, que o Presidente da República "não pode assistir 
passivamente" ao "conflito institucional" que opõe o Governo ao Tribunal Constitucional, devendo convocar 
eleições antecipadas.

"O Presidente da República não pode assistir passivamente ao desenvolvimento desta situação de claro
 confronto e conflito institucional, porque isso, em correspondência com o juramento que fez de cumprir e fazer 
cumprir a Constituição, do nosso ponto vista, era motivo para a demissão deste Governo e a convocação de 
eleições antecipadas", afirmou Jerónimo de Sousa, durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura, que 
decorre em Santarém até domingo.

O líder comunista lamentou "mais um ataque descabelado" do PSD aos juízes do Tribunal Constitucional, "com
 ameaças sancionatórias", numa referência à entrevista da dirigente social-democrata Teresa Leal Coelho hoje
 ao Público.
Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fascistas comandam forças militares e militarizadas da Ucrânia

"A fim de melhorar a motivação" (sim, essas são as palavras exatas) e de acordo com a promessa eleitoral do oligarca  Poroshenko, Mikhail Koval, ministro (melhor, o membro da Junta) da Defesa anunciou que o regime Kiev está a aumentar o salário para seus combatentes que perseguem os antifascistas e população pró-russa como "terroristas", a 20.000 hrivnyi um mês, o que corresponde a cerca de 1.700 dólares, o que, para a Ucrânia, é como ouro (embora sangrento). No país, os salários médios são cerca de 100 dólares ou mais por mês, e os soldados recrutados eram pagos a metade desse valor.
Este "reforço" de motivação para matar e morrer por oligarcas, bandidos Banderistas e a NATO está de acordo com o carácter e a mentalidade dos oligarcas.
Presumo que os custos deste aumento (incrível para a Ucrânia devastada pelos mesmos oligarcas) deve ser pago pelos mesmos empréstimos do FMI e outros créditos ocidentais. Por outras palavras, o FMI e os banqueiros ocidentais estão agora financiar abertamente uma guerra contra a Rússia e contra milhões de pessoas na Ucrânia. Escusado será dizer que os milhares de milhões não pagos pelo gás russo têm sido utilizados não só para os milhares de milhões de dólares em riqueza para os oligarcas anti-russos e pró-fascistas na Ucrânia (como no passado), mas agora também, como tem sido afirmado repetidamente pelos representantes do governo (junta), para "exterminar todos os terroristas", armados, desarmados, ou se montarem uma barricada ou estarem sentados numa escola ou numa ambulância.

A diferença entre a junta actual com o seu novo "presidente" Poroshenko como sua figura formal e os governos oligárquicos ucranianos anteriores é a decisão estratégica da NATO e dos oligarcas de darem o comando e controle de todas as forças de segurança por militantes fascistas,  liderados pelo Sector Direito (anteriormente apoiado apenas por 1% da população), enquanto o lançamento de uma guerra contra qualquer um que não aceite essa nova ditadura fascista e sua campanha assassina.

Poema sobre a recusa, de Maria Teresa Horta

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Frase de fim de semana, por Jorge

"All progress is experimental."
"Todo o progresso é experimental"

John Jay Chapman 
escritor americano, 1862-1933

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Parar o golpe e demitir o Governo

Desde o Primeiro-Ministro, ao banqueiro (!) Fernando Ulrich, passando pelo desbregado Nuno Melo, vai-se definindo e crescendo de tom uma verdadeira tentativa de golpe de Estado que pretende eliminar ou condicionar gravemente as funções únicas e constitucionalmente consagradas do Tribunal Constitucional, nomeadamente no zelar pela conformidade constitucional sobre actos do governo.

Assim se vai afectando o equilíbrio e independência do nosso sistema de poderes, e fazendo entrar o país numa situação de anormal funcionamento das instituições que já devia ter suscitado uma intervenção do Presidente da República para retomar a normalidade e fazer cumprir a Constituição ao Governo, bancos e grupos económicos que espreitam a oportunidade para consolidar a tentativa de golpe.

O Governo e figuras do bloco de direita no poder não estão de acordo com deliberações deste em resposta a pedidos que lhe foram feitos, invocando a eventual inconstitucionalidade suscitada por partidos políticos.
Ao longo de 3 orçamentos do Estado, este governo foi insistindo em disposições inconstitucionais relativas nomeadamente a salários, pensões e subsídios anuais chumbadas pelo TC. E o PR não viu nisso razão para promover a fiscalização prévia destas questões pelo TC.

E agora, Passos Coelho quer uma nova composição dos 13 membros do TC para este passar a ser "mais cordato" e "facilitar" a acção governativa. e decide de medidas substitutivas. Esquecendo-se, além de mais, que 10 dos seus 13 membros são eleitos pela AR num acordo pelo bloco central, para garantir a maioria de 2/3 que essa eleição requer.

Face a este comportamento sedicioso, esta é mais uma razão que se  junta a uma longa série de malfeitorias contra os portugueses, para  o Governo ser demitido.
Se Cavaco Silva não demitir o governo está a cooperar no anormal funcionamento das instituições e a permitir que este cancro se alastre e fira de morte a democracia de Abril.

sábado, 31 de maio de 2014

É urgente demitir este governo e dar a palavra ao povo!

Nas eleições que se deram no passado dia 25, apesar de não serem legislativas, ficou claro que a actual maioria só a é em S. Bento. De facto não representa já a vontade popular.

A este facto, somam-se decisões governamentais que, sistemàticamente, são inconstitucionais. Prossegue orientações da troika que acarretam mais desemprego, cortes em salários e pensões, aumentos de impostos, falta de investimento interno, crescimento contínuo da dívida, apesar de todos os cortes de despesas sociais e económicas justificadas com a consolidação orçamental. Restringe os rendimentos dos que menos têm e não recorre a cortes na despesa decorrente de PPPs, SWAPs e noutros gastos desadequados. Não aumenta a receita taxando actividades especulativas e as rendas escandalosas de alguns prestadores de serviços públicos. Corta nas funções sociais do Estado, provocando situações graves na Educação pública, no Sistema Nacional da Saúde. Corta nos apoios à Cultura com consequências delicadas na produção e fruição culturais, na actividade de instituições importantes e nas colectividades populares.

Os partidos do "arco da governação" foram castigados aqui e noutros países europeus, onde cresceu também a rejeição das políticas comunitárias e a vontade de recuperar soberanias perdidas. Esta União Europeia está comprometida e não se pode invocar a necessidade de "respeitar compromissos", de facto assumidos nas costas do nosso povo.

A reacção anunciada de Passos Coelho a decisões do Tribunal Constitucional de ontem que, uma vez mais, lhe foram desfavoráveis, deixa antever novas medidas anti-sociais.
Mas a votação de dia 25 foi clara, apesar da desfocagem causada por questões internas do Partido Socialista, que Passos Coelho aproveitou para sair fininho da maior derrota eleitoral da direita no nosso país.
Este governo tem que ser demitido.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"You may not control all the events 
that happen
 to you, but you can decide 
not to be reduced by them."

"Podes não controlar todos os acontecimentos
que te sucedem,
mas podes decidir que eles não te subjuguem"

Maya Angelou 
escritora, poetisa e
activista norte- americana, 1928-2014

sexta-feira, 23 de maio de 2014

No domingo, o voto é na CDU

Não houve debate eleitoral entre os partidos ditos do "arco da governação". E o que diriam seria para eles comprometedor pois teriam que falar do Tratado Orçamental e do "resgate" da troika e das "saídas" deste, matérias em que têm opiniões idênticas ou semelhantes.
Ficaram pelas trocas de insultos e outras matérias tiradas de cartolas que nada têm a ver com as questões referidas.
PSD/CDS em 3 anos, a pretexto de reduzir a dívida, cortou nos direitos sociais e laborais. Mas fizeram aumentar a dívida para valores muito mais graves.
A CDU apresentou propostas sobre essas questões, outros partidos fizeram o mesmo.
Naturalmente a campanha eleitoral para as europeias tem os mesmos temas que terá a futura campanha para as legislativas, preferencialmente antecipadas porque PSD/CDS irão ter uma queda acentuada dos votos e cessará a correlação de forças entre diferentes partidos. Nas legislativas, òbviamente que o tema central será as consequências do plano de resgate e o estado arrasador em que, em 3 anos deixou o País.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Saída limpa ou…


Saída porca?
A data formal de encerramento do programa assinado pela Troika foi durante 

muito tempo motivo de mentira aos portugueses por parte do Governo e do 

Presidente da República.


Criaram perspectivas de menor sofrimento mas agora que a data passou, 

ambos mais Juncker e outros Brussels-made-men, deixaram claro que a 

austeridade é para continuar e que ninguém sonhe com abrandamentos.


PSD e CDS não deixam margem para dúvida e da parte do PS não vemos 

perspectivas de alterações estruturais desta política. O aprofundamento do 

federalismo já consagrado no Tratado de Lisboa parece ser a perspectiva dos 

três. Dar novos passos rumo ao abismo é o lamentável estado a que 

chegaram e para onde nos querem levar.

Está nas nossas mãos não o permitir, com uma grande votação na CDU e com a derrota da direita.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Governo ameaça de novo os portugueses

O anunciado guião para a Reforma do Estado fala numa inversão da trajectória de agravamento do IRS...desde que não comprometa a consolidação das contas públicas.
Dá mais um passo na descapitalização da Segurança Social com a definição de um plafonamento das contribuições para rendimentos mais elevados, no sentido de desviar os respectivos descontos para fundos privados a partir do momento em que o PIB atinja os 2% de crescimento, passo pífio para já atendendo a que ninguém prevê quando tal crescimento poderá ocorrer.
Ficamos a saber que aguarda um estudo para definir o limite das prestações sociais que podem ser recebidas por uma só pessoa (...em prejuízo de quem?).
Estes desideratos (é isto a Reforma do Estado?) são campanha eleitoral como duas outras peças que o governo prepara para a semana final. Por um lado a realização em 17 de Maio de um Conselho de Ministros Extraordinário para aprovar o documento de estratégia de médio prazo. E, por outro, a realização em Lisboa no dia das eleições de uma conferência abrilhantada por distintos troikistas europeus que apoiam o governo, cuja ilegitimidade a Comissão Nacional de Eleições estará a apreciar, a pedido do PCP e do BE.


Na AR, hoje o 1º Ministro ameaçou o Tribunal Constitucional e os portugueses de que se for declarada a inconstitucionalidade nos cortes nas pensões, o governo aumentará os impostos.
Na mesma linha de confrontação com o regime democrático, o governo vai levar à Concertação Social mais uma alteração ao Código de Trabalho, eliminando remunerações complementares como os prémios de assiduidade, o pagamento acrescido pelo trabalho nocturno e o subsídio de isenção do horário de trabalho nas situações em que caduquem as convenções colectivas, para o trabalhador receber apenas o "salário-base". Ainda na mesma linha vem a intenção de encurtar as vigências dos contratos de trabalho.
Razão teve a CGTP-IN ao considerar tais intenções um "golpe de Estado" e ao reiterar que a discussão sobre o aumento do salário mínimo não pode ser aceite ficando atrelado a este ou outro tipo de malfeitorias.

Notas sobre o DEO, José Alberto Lourenço


1.    O Documento de Estratégia Orçamental (DEO) 2014-2018, apresentado no final do passado mês de Abril constitui um dos documentos orçamentais mais pobres que algum governo produziu nos últimos tempos. As próximas eleições europeias condicionam claramente aquilo que o Governo diz neste documento e pode mesmo dizer-se que mais do que um Documento de Estratégia Orçamental (DEO) estamos perante um Documento de Estratégia Eleitoral (DEE).

    Percebe-se pela leitura do documento que apesar do Governo estimar um crescimento real do PIB ininterrupto, que varia entre os 1,2% no corrente ano e os 1,8% em 2017 e 2018, as políticas de austeridades são para continuar. Melhor dizendo o Governo irá continuar a atacar os salários e direitos dos trabalhadores nos próximos anos, em especial os trabalhadores da Administração Pública vão ser afectados com um corte nas despesas com pessoal de quase 1 300 milhões de euros entre 2013 e 2018, o que forçosamente significará uma de duas coisas – ou uma redução considerável do nº de trabalhadores ou uma redução salarial – com consequências óbvias na qualidade dos serviços públicos e na contínua degradação das condições de vida de milhares e milhares de funcionários públicos. Ao mesmo tempo que continuará com os cortes nos vários ministérios com especial enfase na educação e na saúde.

      Percebe-se que a carga fiscal que depois do enorme aumento de impostos suportados pelos trabalhadores, reformados e pensionistas atingiu os 25,4% do PIB em 2013, não irá baixar nos próximos anos, ao contrário do que o Governo afirma, mas subirá ainda mais para os 25,5% em 2018. Para isso certamente contribuirá o aumento da taxa normal do IVA de 23% para 23,2%, bem como o aumento dos impostos específicos sobre o consumo.

       Percebe-se que o Governo pretende agora transformar uma medida que dizia transitória como a Contribuição Extraordinária de Solidariedade sobre grande parte dos trabalhadores da Administração Pública e sobre parte dos reformados e pensionistas, numa medida definitiva a que chama agora contribuição de sustentabilidade.

       Percebe-se que o governo pretende compensar a redução da receita com a contribuição extraordinária de solidariedade (CES), com o aumento da taxa social única (TSU) sobre os trabalhadores de 11% para 11,2%, mantendo no entanto inalterável a contribuição do patronato para a TSU. 
 
       Percebe-se que ainda não satisfeito com as privatizações que já efectuou (EDP, REN, Caixa Saúde, Galp, ANA, CTT e Caixa Seguros) em que como reconhece arrecadou 8,5 mil milhões de euros, pretende avançar em 2014 com a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), com a última fase de privatização da REN, com a privatização da TAP, da parte dos CTT que ainda detém, com a CP carga e com as concessões dos serviços públicos de transportes de Lisboa (Metro e Carris) e do Porto (STCP e Metro).

        Uma última nota para me referir ao cenário macroeconómico apresentado em relação ao qual tenho muitas e fundadas dúvidas. Em primeiro lugar depois de nos últimos 12 anos o PIB ter estagnado em termos médios anuais, com uma taxa média anual (tma) de 0% e ter caído em 5 anos, 4 dos quais nos últimos 5 anos, não acredito que a nossa economia possa nos próximos 5 anos crescer ininterruptamente a uma tma de 1,6%. Como não acredito que as nossas exportações possam crescer neste mesmo período a uma tma de 5,3%, nem que o Investimento possa crescer a uma tma de 3,8% entre 2014 e 2018, quando nos últimos 15 anos caíu a uma tma de 3% com quebras no investimento em 10 dos últimos 15 anos. Este é sem dúvida um cenário macroeconómico eleitoralista que procura esquecer as verdadeiras razões porque o nosso país estagnou desde que aderimos ao euro. Não é possível o nosso país crescer de forma sustentada por um período mais ou menos longo sem que as verdadeiras razões que nos conduziram à actual situação sejam atacadas. Pensar o contrário é verdadeira ilusão!
CAE, 6 de Maio de 2014
José Alberto Lourenço

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Puthu Mundapum, Madura (India), de Linnaeus Trippe , em 1835



O calótipo foi um sistema fotográfico, criado por William Fox Talbot em 1836, que antecedeu a fotografia dos nossos tempos

Linnaeus Trippe foi o fotógrafo que, com este método, entre 1852 e 1860,  fotografou a India e a Birmânia (hoje Myanmar), revelando ao ocidente belos trabalhos de arquitectura de ambos os países .

Basicamente o processo consiste na exposição à luz, com o emprego de uma câmara escura, de um negativo em papel sensibilizado com nitrato de prata e ácido gálico. Posteriormente este é fixado numa solução de hipossulfito de sódio. Quando pronto e seco, positiva-se por contacto directo num papel idêntico.
Este procedimento é muito parecido com o da revelação fotográfica regular, dado que produzia uma imagem em negativo que podia ser posteriormente positivada tantas vezes como necessário.
A primeira fotografia que podia ser copiada de um negativo tinha as suas qualidades próprias: um aspecto atraente, macio e rico, parcialmente resultante das fibras de papel do qual o negativo era feito. As linhas, no entanto, não eram bem definidas, o que tornava os detalhes apagados e enevoados. O aspecto do calótipo lembra um desenho artístico a carvão e muitos fotógrafos usaram-no deliberadamente para obter um resultado pictórico, em particular em cenas da arquitetura, paisagens e naturezas-mortas.
O inventor, deve ter percebido que o calótipo se prestava a esse tipo de fotografias, pois os seus melhores trabalhos reproduzem aqueles motivos.

domingo, 4 de maio de 2014

As rosas brancas

Quando comprei uma rosa branca (que não tinha cheiro) à entrada do cemitério cortei-lhe o pé, porque era muito grande.
O pé trouxe para Lagos, fiz uma estaca, e desde 2006 que tenho tido lindas rosas na varanda.
Este ano ainda só nasceu uma, mas outras virão
É linda, charmosa e tem um perfume discreto.
A mãe continua viva!

Luis (meu irmão)

Mãe, lembras-te?


A minha mãe foi como muitas outras mães mas era a nossa.

Nem eu nem os meus dois irmãos a podemos esquecer. 

O meu pai educou-nos mas tinha a exigência da actividade partidária e profissional para o sustento da família, bem como um grande entusiasmo por ambas, exemplos que nos foram muito importantes para o resto da vida.

Foi ela quem, apesar da sua reduzida formação escolar, mas com a escola da sua vida, nos ajudou mais a definir quem viríamos a ser.

Desde logo com a coragem com que enfrentava a PIDE nos assaltos de madrugada a casa quando nos vinham tirar o pai.

O carinho, as reprimendas, os conselhos que nos dava ou as ajudas que nos pedia fizeram-nos crescer bem e preparar-nos para a vida.

Mãe, lembras-te como nas vésperas de Natal, nos reuníamos na cozinha à volta do fogão, de onde iam saindo cuscurões e filhoses, e nos distribuías os restos dos fritos como a mãe pássaro vai distribuindo no ninho alimento aos seus filhotes?

Hoje não estás connosco. Nem ele. 

Mas, como todos os dias, lembramo-nos muito de ti, mãe-coragem.


domingo, 27 de abril de 2014

O Eixo vai mesmo Mal

Que a direcção da SIC convide quem quiser para os seus programas é de sua responsabilidade de que lhe será assacada o sentido das exclusões que entenda fazer.
Agora que nenhum dos doze participantes do "Eixo do Mal" de ontem tenha sentido a necessidade de referir a ausência de um comunista já fia mais fino. A SIC, com a autonomia adequada, não deixa de ser um canal de orientação governamental mas os convidados dos programas não têm que se submeter a regras de aceitação de tais exclusões.


E as exclusões são feitas com que critério?
O PCP e a Intersindical não são responsáveis pelo ascenso da luta popular organizada nos anos anteriores em todas as frentes e sectores? Ou os comunistas não tiveram nada a vêr com a politização de militares antes do 25 de Abril? Ou não teve nada a vêr com o ascenso do movimento estudantil nesse período? Ou não participou no combate político contra a guerra colonial, incluindo a destruição de equipamento militar destinado à guerra colonial? Ou não foram os comunistas a maioria dos presos políticos, sujeitos a torturas brutais, a longas penas de prisão, e ao assassinato a frio pela PIDE?  Ou não foram os comunistas os mais destacados na criação de um movimento democrático de oposição, de grande democraticidade interna e a garantia nele de correntes políticas diferenciadas? Ou comunistas não desempenharam funções de responsabilidade no MFA antes e depois do 25 de Abril? Ou não terão sido os comunistas responsáveis inspiradores da matriz constitucional de 76? Ou não foram os comunistas que mais se bateram contra a golpada da direita reaccionária que queria impedir a aprovação da Constituição em 2 de Abril de 1976? Direita que, também projectava nesse golpe a liquidação física dos comunistas? Ou porque o PCP ou militares que se identificam com a sua orientação política não têm uma profusa produção escrita sobre este período? Ou porque não foram alvos comunistas os principais visados pela acção bombista do MDLP, ELP e Mov. Maria da Fonte, coordenados por diferentes agentes da CIA, com o apoio de outros serviços secretos, de partidos políticos portugueses (que sabemos quem foram...), de sectores e dignitários da Igreja Católica, com o apoio logístico da Espanha franquista?
Enfim, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele....

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Alvaro Cunhal e Vasco Gonçalves

Sem eles e o que ambos representavam a Revolução não seria o que foi. Conquistas e valores ficaram na vida e no coração, nas lutas dos portugueses. São elemento de solidez na nossa força anímica, nas lutas de ontem e do futuro. Nas lutas de hoje.
Eles vão connosco.


Cravos vermelhos
Bocas rubras de chama a palpitar,
Onde fostes buscar a cor, o tom,
Esse perfume doido a esvoaçar,
Esse perfume capitoso e bom?!
Sois volúpias em flor! Ó gargalhadas
Doidas de luz, ó almas feitas risos!
Donde vem essa cor, ó desvairadas,
Lindas flores d´esculturais sorrisos?!
...Bem sei vosso segredo...Um rouxinol
Que vos viu nascer, ó flores do mal
Disse-me agora: "Uma manhã, o sol,
O sol vermelho e quente como estriga
De fogo, o sol do céu de Portugal
Beijou a boca a uma rapariga..."

Florbela Espanca - Trocando olhares

quarta-feira, 23 de abril de 2014