domingo, 17 de junho de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Der Mensch ist gut, 
nur die Leute sind schlecht"
"O ser humano é bom, só que as pessoas
não prestam"
Karl Valentin 
(autor e ator satírico alemão, 1882-1948)


Com uma anotação do Jorge:
A sátira é um exagero e um levar ao extremo que são sempre indigestos para o pensamento normalizado.
Não se tratando propriamente de um "pensamento", mas de uma "charge" que põe em causa o idealismo humanista ingénuo, é óbvio que a afirmação é intratável em termos rigorosos, registo que não deve ser o da sua leitura.
O humor e a caricatura têm um nível próprio de decifração. O sentido que possam fazer exclui serem levados para o nível da seriedade (serem tomados a sério).

sábado, 16 de junho de 2012

Brad Meldhau no CCB, por Jorge

Um  piano-jazz com invulgar arcaboiço sinfónico, o deste pianista americano, autêntica máquina de fabricar música!

Por entre dispensáveis tiques da influência keith-jarrettiana, mas com uma impecável fidelidade ao sabor dos blues e um delicado intimismo no poético desfiar de suaves baladas, conseguiu ele por vezes fazer erguerem-se autênticos edifícios sonoros de ressonâncias ravelianas ou rachmaninoffianas que inundaram o espaço do grande auditório com a fúria de tsunamis polifónicos lembrando a imponência dos corais para órgão bachianos, tudo isto sustentado numa rede de engenhosas complexidades rítmicas talvez bartokianas que os melhores ouvidos terão sabido descodificar, que não eu.
Maravilhoso! (quase sempre)

Grande música.
Grande músico.

A sorte (ou acerto) de quem na passada noite esteve no CCB...


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Governo maquiavélico...


O ministro da Economia promete baixar a Taxa Social Única às empresas que contratem jovens com o salário mínimo social mas esse abaixamento será menor se os jovens forem aumentados...
Isto é, o governo quer baixar os salários nas empresas, agora que é mail fácil despedir com indemnizações muito mais reduzidas...
Talvez nem Maquiavel se lembrasse desta...

Terrorismo informativo da RTP: dois casos de hoje...




Síria :pela 100ª vez as mesmas imagens de video que continuam a não ser identificadas mas são acompanhadas por expressões como “O genocídio do regime, cujos dirigentes têm que ser levados ao Tribunal Penal Institucional...”. E que, com alta probabilidade são de mortes provocadas por a
Para dar a imagem de “guerra civil” são apresentadas imagens captadas pelos mercenários em acções contra a população e contra o exército sírio: atentados na rua, explosões de instalações militares, contra tanques e camiões militares. Nada sobre populares que apoiem os “rebeldes”.
Para falar metem Hillary Clinton e um porta-voz francês mas alguma vez meteram os dirigentes sírios a falar, extractos dos canais de TV sírias públicas e privadas, devidamente legendados?

Grécia: a corrida aos bancos para levantar poupanças é apresentado como consequência duma eventual vitória de esquerda no domingo e não como receio do comportamento dos bancos que lá, como noutros países, foram os responsáveis pela dimensão dos problemas e que continuam a ser sorvedouros da fatia de leão dos recursos dos Estados...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

NATO está a preparar uma manipulação em larga escala para conquistar a Síria, por Thierry Meyssan





Em poucos dias, talvez já na sexta-feira, 15 de Junho ao meio dia, os sírios que quiserem assistir aos seus canais nacionais deixarão de o poder e verão nos seus ecrans programas de televisão criados pela CIA. Imagens de estúdio sobre massacres serão atribuídos ao governo, manifestações públicas, ministros e generais apresentando a sua demissão, o Presidente al-Assad fugindo de avião, e os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades, e um novo governo a instalar-se no palácio presidencial.

Esta operação, conduzido directamente de Washington por Ben Rhodes, vice-Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e permitir um golpe de Estado. A NATO, que torneará assim o veto duplo da Rússia e da China, para ter sucesso e conquistar a Síria sem ter de atacá-la “ilegalmente”. Seja qual for a opinião sobre os acontecimentos actuais na Síria, um golpe acabaria com toda a esperança de democratização.

A Liga Árabe deu indicações ao Arabsat e aos operadores de satélites Nilesat para pararem a retransmissão dos meios de comunicação sírios, públicas e privadas (Síria TV, Al-Ekbariya, Ad-Dunya, Ham TV etc.). Já houve um precedente, quando a Liga usou a censura da televisão líbia para impedir os líderes da Líbia de comunicarem com seu povo. Não existe rede hertziana na Síria, onde os televisores são exclusivamente de satélite. 
Mas este corte não vai deixar as telas pretas.
Na verdade, esta decisão é apenas a ponta de um iceberg. Consta que várias reuniões internacionais foram realizadas esta semana para coordenar a operação de intoxicação. As duas primeiros, técnicas, realizadas em Doha (Qatar), a terceira política, realizada em Riade (Arábia Saudita).

A primeira reunião teve a participação de oficiais de guerra psicológica "embedded" em alguns canais por satélite, incluindo a Al-Arabiya, Al Jazeera, BBC, CNN, Fox, France 24, TV Futura, MTV. Sabemos que desde 1998 os oficiais da "Unidade do Exército dos EUA de operações psicológicas” (PSYOP), foram incorporados na redacção da CNN, e que depois esta prática foi estendida pela NATO a outras estaçõesestratégicas. Prepararam com antecedência informações falsas, de acordo com o "story tellings” (contar histórias) desenvolvido pela equipe de Ben Rhodes na Casa Branca. Foi desenvolvido um procedimento de validação cruzada, devendo cada mídia publicar as mentiras dos outros para tornar credíveis. Os participantes também decidiram não só comandar as cadeias da CIA para a Síria e Líbano (Barada, Future TV, MTV, Notícias Médio, Síria Shaab, Síria Alghad), mas também cerca de quarenta canais de obediência wahhabita que que apelarão ao massacre sectário ao grito de "cristãos em Beirute, os alauítas para o túmulo! "

O segundo encontro reuniu engenheiros e realizadores para planear o fabrico de imagens de ficção, misturando uma parte de estúdio a céu abert e outra de imagens de sínteses no estúdio de computação gráfica. Foram construídos estúdios nas últimas semanas na Arábia Saudita para recriar os dois palácios sírios usados pela presidência da República e as principais praças de Damasco, Aleppo e Homs. Já existiam estúdios semelhantes em Doha, mas eram insuficientes.

A terceira reunião contou com a presença do general James B. Smith, o embaixador dos Estados Unidos, um representante do Reino Unido, e o príncipe Bandar Bin Sultan (como o presidente George W. Bush designou um filho adotivo, a tal ponto que a imprensa dos EUA o trata por "Bandar Bush" ).Nsta foram coordenados os meios de comunicação e deo"Exército sírio livre", cujo grosso da força de trabalho são mercenários do príncipe Bandar.

A operação preparada há meses foi precipitada pelo Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos depois de o presidente Putin ter avisado a Casa Branca que a Rússia que se iria opor pela força a qualquer intervenção militar ilegal da NATO na Síria.

Ela tem dois objectivos: Por um lado difundir falsas informações e, por outro, censurar qualquer tentativa de resposta.

O apagamento dos satélites para as televisões não é um facto novo. Sob a pressão de Israel, os EUA e a UE silenciaram sucessivamente canais libaneses, palestinianos, iraquianos, libaneses e iranianos.

A difusão de notícias falsas já foi feita noutras alturas. Mas na última década foram transpostos quatro passos fundamentais na arte da propaganda
  • Em 1944, um a estação de música pop, a Rádio Livre das Mil Colinas deu um sinal para o genocídio no Ruanda fazendo o apelo para "A morte de todos os cafards!".
  • Em 2001, a NATO utilizou os mídia para impôr uma interpretação dos atentados do 11 de Setembro e para justificar os ataques ao Iraque. Nessa época, foi Ben Rhodes quem foi indigitado pela administração Bush para redigir o relatório da comissão Kean/Hamilton sobre os atentados.
  • Em 2002, a CIA utilizou cinco canais, a Televen, a Globovision, a Medidiano a ValeTV, para fazer crer que grandiosas manifestações tinham obrigado o presidente eleito da Venezuela, Hugo Chavez, a se demitir, quando acabava de ser vítima de um golpe militar.
  • Em 2011, a França fazia de facto de gabinete do ministério da informação do Conselho Nacional Libanês. Na batalha de Tripoli, a NATO produziu em estúdio e difundiu através da Al-Jazeera e da Al-Arabiya, a imagem de rebeldes líbios a entrarem na praça central da capital, quando ainda estavam longe da cidade, de maneira a que os habitantes, convencidos que a guerra fora perdida, cessaram toda a resistência.
Mas, para além disto os media não se contentam já em apoiar a guerra. Fazem-na.
Esta atitude viola os princípios-base do direito internacional, a começar pelo Artº. 19 da Declaração Universal dos Direitos do homem, relativa ao facto "de receber e difundir, sem limites de fronteiras, as informações e as idéias por qualquer meio de expressão, seja ele qual fôr".
E, além disso, viola as resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas, adoptadas depois da 2ª Guerra Mundial, para impedir as guerras. As resoluções 110, 381 e 819 proíbem "os obstáculos à livre troca de informações e de idéias" (no caso concreto o silenciamento das cadeias sírias) e "a propaganda  tendente a provocar ou encorajar qualquer ameaça à paz, acabar com a paz, ou qualquer outro acto de agressão". Em direito a propaganda da guerra.


domingo, 10 de junho de 2012

Relembrar Lino de Carvalho nos 8 anos da sua morte



 "...É uma refinada mentira a afirmação, como fez o PS no folheto de propaganda do euro, que a moeda única vai criar postos de trabalho. A moeda única vai, pelo contrário, criar mais desemprego, e ser factor de pressão e chantagem sobre os trabalhadores para um emprego de menor qualidade e mais precário..."

"...A Europa está a ser construída contra os trabalhadores e contra o emprego. A moeda única está a ser preparada sacrificando-se o bem-estar, a estabilidade e as garantias de quem trabalha. Não foi isto, não é isto que foi, que é, prometido aos povos..."

Interpelação do PCP ao governo sobre a moeda única
19 de Março de 1997

19 de Maio em Frankfurt: o que os media não mostraram

Parte dos polícias enviados para conter uma manifestação anti-capitalista, tiraram os capacetes e juntaram-se à manif. E esta, hem?

Os dois discursos do Dia de Portugal.

Ouvi os dois discursos do Dia de Portugal e não direi que fiquei perplexo porque o desempenho cívico de ambos os oradores é bem diferente.
De António Nóvoa se poderá dizer que foi  único que esteve à atura das suas responsabilidades. Uma intervenção objectiva que abordou os nossos problemas as causas e delineou caminhos que rompam com a política do governo.
De Cavaco Silva retive a resposta à pobreza com a caridade, em jeito de modelo estrutural para responder aos problemas sociais. O apelo ao consenso do bloco central de interesses e ao abandono dos protestos em benefício da aceitação pelos trabalhadores das agressões de que estão a ser vítimas. Poderia um Presidente da República responsável dar a entender que iria vetar o Código do Trabalho que abre a porta à escravatura. E ainda tem uns dias para pensar nisso, sem qualquer expectativa da nossa parte de que o faça. De resto insistiu na credibilidade perante a comunidade internacional que resultaria da aceitação passiva pelos portugueses da política de desastre que se mantém. Enfim um discurso de costas para os portugueses...

Maria Keil 1914-2012

Os lisboetas conhecem Maria Keil. Não era uma grande figura pública. Não tinha os favores dos media.. Era tão simplesmente uma das nossas maiores artistas plásticas de sempre.
Algumas das suas obras são de arte pública. As mais conhecidas em estações de metropolitano. Mas também  no espaço urbano ou na ilustração de muitos livros, parte dos quais também escreveu.
A sua primeira intervenção mais importante ocorreu no pavilhão português da Exposição Internacional de Paris de 1937, de que era responsável o marido, o arquitecto Francisco Keil do Amaral ao nível da montagem e decoração.
Maria Keil  militava no PCP.
O velório inicia-se dentro de instantes nas capelas da Igreja S. João de Deus, na Praça e Londres e o funeral segue amanhã às 15 h para o cemitério da Apelação, no concelho de Loures.
Mural na Avenida Infante Santo, em Lisboa


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Um pateta erudito é mais pateta que um pateta ignorante"

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido por Molière, em
Les Femmes Savantes



Síria: o massacre da verdade (do blogue de José Goulão)

       

A foto que aqui se reproduz foi publicada pelo site da BBC como ilustrando o massacre de Houla cometido alegadamente pelo exército sírio. No entanto foi captada em 27 de Março de 2003 no sul do Iraque pelo fotógrafo Marco di Lauro. Dá que pensar…

O massacre de Houla, atribuído sem reservas pela comunicação social de grande dimensão e pelos governos dos países ocidentais ao exército sírio, parece ainda ter muito por explicar, como sabem diplomatas da ONU conhecedores dos meandros em que se movem alguns observadores enviados pelos serviços do secretário geral das Nações Unidas.

A BBC, com todo o prestígio que lhe é atribuído, também sem reservas, publicou no seu site esta foto das vítimas do massacre de Houla com a legenda de que teria sido facultada por “um activista” mas cuja autenticidade não poderia ser verificada.
O fotógrafo italiano Marco de Lauro teve menos dúvidas sobre a autenticidade da foto e do “activista”: a foto é de sua autoria e foi tirada em 27 de Março de 2003 no Iraque, ao sul de Bagdad, poucos dias depois de iniciada a invasão norte-americana do país. Foi o que Di Lauro, fotógrafo da agência Getty Images, explicou ao diário britânico The Telegraph
Com base nas informações que têm vindo a lume sobre sucessivos “massacres” alegadamente cometidos pelas autoridades sírias os governos dos países da união Europeia, entre os quais Portugal, estão a expulsar ou a retirar credenciais aos embaixadores da Síria, considerando assim o regime como único responsável pela violência – que o próprio secretário geral da ONU já qualifica como “guerra civil”. A Administração Obama afirma, na sequência destes acontecimentos, que o passo que se segue tem que ser a substituição do regime de Damasco – embora sem expor a metodologia para concretizar o objectivo.
Meios de comunicação com menor dimensão, menor penetração, ou simplesmente abafados, têm dado informações mais completas. Explicam que esquadrões da morte treinados na Turquia e no Kosovo com apoio norte-americano, constituído por mercenários fundamentalistas islâmicos, estão a ser infiltrados em zonas sírias através das fronteiras turcas e libanesa para manterem a desestabilização no país e impedirem o funcionamento do cessar fogo.
Os massacres de cidadãos inocentes, entre os quais dezenas de crianças, estão a ser cometidos em coincidência com a visita dos observadores da ONU com a missão de analisarem a concretização do chamado Plano Annan. Coincidem também com a data prevista para iniciar a aplicação da segunda fase do plano, as negociações políticas entre Damasco e a oposição, na qual o regime se tem mostrado muito mais interessado do que a oposição, pelo menos os grupos de índole islamita apoiados pela Turquia, Qatar, Arábia Saudita, Estados Unidos e União Europeia.
O mundo não tem dúvidas sobre a realidade que é o carácter violento e autoritário do regime da família Assad; o recurso a fotos como esta levanta, porém, outras questões, como a da manipulação e a falsificação da informação em torno da realidade que se vive na Síria. E também sobre o carácter das “fontes” privilegiadas, sejam elas “activistas”, blogues patrocinados por serviços secretos ocidentais e organizações ditas de direitos humanos surgidas de um momento para o outro.
Este não é o primeiro caso de manipulação de fotos e vídeos. Nos últimos tempos da guerra contra a Líbia, a mesma BBC publicou imagens de manifestações anti-Khaddafi em Tripoli que correspondiam a uma manifestação muito anterior realizada na Índia e que tinha a ver com assuntos indianos; e foi demonstrado que o primeiro vídeo divulgado pela Al-Jazeera sobre os festejos resultantes da queda de Khaddafi foram anteriores à própria realidade e fabricados numa encenação montada no Qatar em que foi simulada (com erros crassos) uma praça de Tripoli.
A pergunta de fundo é: se a realidade é a que se diz e se explica com tanta convicção que razão leva a que se fabriquem as supostas provas do que se afirma?


Nota de AA 

1. O que os media nos têm transmitido sobre o ataque à Síria:

- Omite a versão do governo sírio, remetendo-a para curtas e insignificantes citações off. Pelo 
contrário a "oposição" tem sempre porta-vozes, bem vestidinhos produzindo declarações ao 
vivo algures em países da NATO;
- As imagens confusas, como tivessem sido colhidas por repórteres em fuga, de "massacres" 
não são identificáveis e não podem constituir suporte para quaisquer declarações;
- As chamadas forças de oposição, como é sabido, estão a actuar na Síria com mercenários e 
material militar de países da NATO e com apoio em serviços secretos - únicos capazes de 
realizar alguns dos atentados que mais vítimas produzem, mas nas "notícias" tudo aparece 
embrulhado como se a responsabilidade fosse do regime. 

2. A posição de Putin de estar de acordo com o afastamento de Assad irá facilitar, na minha opinião, uma sucessão de acontecimentos que poderá desembocar numa tragédia semelhante à da Líbia.


sábado, 2 de junho de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O passado nunca está morto,
nem sequer passado"


William Faulkner
escritor americano
prémio Nobel, 1897-1962)







sexta-feira, 1 de junho de 2012

Com os comunistas continuar Portugal


De quem vai depender o nosso futuro?


De nós próprios como noutras alturas muito graves da nossa história.

Estamos dependentes? Estamos e muito. Mas isso não altera a nossa responsabilidade de principais interessados em acabar com o garrote.

A entrada para a CEE, depois para a UE, uma série tratados cada vez mais limitadores da nossa soberania começaram com Soares, continuaram com Cavaco Silva, acentuaram-se com Sócrates e com Passos Coelho.

Chegámos a esta desgraça.

Há muita revolta e também medo.

A nossa luta, a luta com os comunistas, como noutras alturas, mas particularmente agora, é o factor determinante para conter coisas piores, para abrir janelas, para fazer recuar os medos dos mais debilitados. É o que nos resta, é o que está nas nossas mãos.

Sair à rua por cada objectivo concreto, unirmo-nos em manifestações cada vez maiores será um factor que se impõe ao nosso inimigo e adversários como factor que têm que contar, como consolidação de forças para passos seguintes.


A casta que saqueou o país

Os comunistas foram, dos únicos que previram o estado a que chegámos quando os dirigentes do PS, PSD e CDS nos alcunhavam de velhos do Restelo, de nacionalistas, de eurocépticos.

Sucessivos dirigentes desses 3 partidos, antes alcunhados de "arco constitucional" e agora de "arco da governabilidade" conduziram-nos a esta desgraça.

Só eles poderiam governar.

Todos os meios foram utilizados para manter na opinião pública tais idéias como inevitáveis enquanto saqueavam o país e os trabalhadores.

Tais dirigentes, banqueiros, grandes grupos económicos, organismos que deviam ser independentes mas que se conformaram e agiram numa lógica partidária, apoiaram os governos que foram suas mariontetas, sucessivos tratados limitadores das nossas liberdades, da nossa activiodade produtiva, e envolvimentos internacionais que comprometeram a nossa soberania e os nossos interesses.

Esta casta sacou e está a sacar do Estado dinheiro através de negócios, alguns dos quais criminosos. A dança de cadeiras entre governos e administrações deste tipo de empresas e outras do Estado atingiu níveis de regabofe. A corrupção, o nepotismo, o tráfico de influências atingiram níveis muito elevados, com este sugar dos meios do Estado, que quando é incriminado dispõe de advogados de grandes escritórios para gastar milhões nas suas defesas e atingirem mesmo as prescrições dos processos. Enquanto quem rouba para acudir a carências familiares é sumàriamente condenado.

Esta casta conspurcou a dignidade do sentido de termos como política, partidos e a própria democracia,

E criou a habituação ou mesmo aceitação destes comportamentos criminosos e a admiração dos autores desses crimes, com uma cobertura mediática populista. "Se todos vão ao tacho porque não vou eu também?", fazendo subir em espiral alguns comportamentos...

Enquanto quem trabalha ou está refomado (excepção feita aos ricaços que alcançam sempre regimes de favôr) vê os salários e pensões cortados, os direitos sociais a desaparecer, na voragem que é canalizada para a banca comercial para esta continuar a não cumprir as suas obrigações para com a economia.


A opção pelos comunistas

As nossas opções, quer na democracia participativa do dia-a-dia, quer no voto que determina a composição partidária das instituições democráticas , vão ter que ser ajustadas. E todos os portugueses sentem que isso é necessário.

A inércia de votar em quem nos dê mais "segurança" teve como consequência a inseguraça generalizada provocada nestes 36 anos.

Não vamos permitir "mais do mesmo".

É uma responsabilidade que cada um de nós tem, particularmente em relação à nossa família, filhos e netos, aos idosos de quem cuidamos.


O Partido Comunista Portuguêm foi o único partido nacional que não esteve no governo
neste período. Os medos e preconceitos ainda resistem depois destes 36 anos? Sim, ainda persiste preconceito.

Mas os portugueses conhecem os comunistas,
Juntemo-nos todos às suas lutas.

Conhecem o seu contributo decisivo na luta, para conter a "casta" e as suas políticas contra quem trabalha. O seu trabalho em prol de todos, a alegria das suas festas e de uma juventude combativa, a seriedade, a honestidade, o espírito de serviço público, determinação e capacidade de realização.

É tempo de acabar com esses preconceitos.
Os comunistas devem assumir responsabilidades governativas no país que nos previna dessa casta, sustentados no apoio popular e nas suas lutas e reivindicações.

Com eles o povo é quem mais ordena.

Já não temos muito tempo. Façamos a opção com a acção dos comunistas e de muitos portugueses que com eles partilham, comportamentos éticos, valores, a vontade de relançar a economia e diminuir o desemprego.


Que políticas se impõem?

A casta quer o contrário mas a grande maioria dos portugueses não quer políticas como as destes 36 anos que acabaram em desastre.

.Na situação em que estamos, impõe-se a renegociação do pacto acordado com a troika pelo PS, PSD e CDS, em montantes, juros e prazos.

A banca que tem sido um sorvedouro dos nossos recursos terá que ser nacionalizada, sob pena de continuar a não cumprir as suas obrigações para com a economia e poder até pôr em risco os depósitos dos clientes.

Devem ser revalorizados os salários e pensões para aumentar a procura e dinamizar a economia.

As privatizações devem ser suspensas e recuperada a direcção pública de empresas estratégicas para o desenvolvimento.


Com os comunistas, continuar Portugal

Muitos receiam o fim do euro e da União Europeia. São ameaças brandidas com intenção de chantagem sobre países e povos que queiram acabar com o garrote. Mas se para aí a casta europeia levar as coisas, assumiremos as nossas responsabilidades, livres das casta de cá.

Garantindo recursos de investimento não explorados. Trabalhando para o regresso à agricultura, às pescas, a alguma indústria estratégica para o crescimento da economia interna. Em força! Gerar, enfim, recursos próprios para a nossa sobrevivência e para ir pagando dívida, em vez de continuar a recorrer a empréstimos para pagar outros empréstimos, que nos agravam a dívida. Temos que produzir e criar riqueza.

Com respeito pelos compromissos eleitorais, com transparência e sinceridade, com diálogo, novos métodos nas relações com os trabalhadores , a satisfação de questões básicas, um apoio popular esclarecido porque participante e conhecedor do estado do país, das suas dificuldades mas também das suas realizações e potencialidades, não deixaremos cair Portugal.  E numa constante atitude patriótica, participada por todos, incluindo os jovens que devem ter acessos a recursos de vida independente, nós faremos crescer Portugal, recuperaremos a dignidade da política como algo que emana do povo, garantiremos uma maior harmonia nas relações de poder a todos os níveis da sociedade.

Com os comunistas criaremos maior confiança do povo no seu país e nos seus interlocutores, um sentimento de pertença e um novo patrotismo.

A tarefa vai ser árdua. Para anos porque a destruição foi devastadora.



Nota final - Este texto não é, não devia nem poderia ser um texto do meu Partido, com as responsabilidades que daí decorrem.
É uma reflexão pessoal, tendo em conta a sua orientação geral e muitas experiências de testemunhos e vontades que vou partilhando com muitos dos nossos conterrâneos que não têm uma intervenção política activa.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Boneca de luxo", de Truman Capote

É a segunda vez que leio este livro.
O livro de Truman Capote, de 1951, foi editado em Portugal pela Dom Quixote e mais tarde pela Colecção Mil Folhas. É uma história da relação de afectos limitada entre um escritor que procura o seu caminho e uma estrela feminina que vive, com inocência aparente, num mundo do jet-set e de contacto com o crime organizado, para onde foi catapultada aos 14 anos, vivendo da existência de um conjunto de admiradores ricos que lhe pagam essa vida de boémia pelo prazer que lhes dá aos olhos.


A acção decorre em Nova Iorque entre 1943 e 1944.

Já clássico da literatura norte-americana, este pequeno livro parece reflectir a própria maneira de estar na vida de Capote.

E deu origem a um filme de Blake Edwards, "Breakfast at Tiffany's", com a incomparável Audrey Hepburn. Ficou mal servido na edição da Colecão Mil Folhas com o título "Boneca de luxo"

Na coluna da direita tem uma passagem deste filme

quarta-feira, 30 de maio de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

"A ameaça", de Ken Follett

Acabei de lêr "A ameaça" de Ken Follett.
De vez em quando volto ao policial, ao suspense que nos faz ler sem parar, partilhando com o autor a suspeitas e questões a esclarecer.
Ken Follett é um dos maiores neste género que sempre se renova  na originalidade dos temas e nas dinâmicas narrativas. E neste caso introduz o roubo de um virus mais mortal que o Ébola de uma grande empresa farmacêutica na Escócia, tema já tratado à exaustão em filmes de TV norte-americanos, em geral de baixa qualidade.
A família do presidente da empresa aparece no enredo, ligada de diferentes formas à trama.
Aconselho.

domingo, 27 de maio de 2012

A "caserna dos zés"

Acordo com as galinhas. A vida nos corredores só se anima mais tarde com as rotações de enfermeiros, auxiliares e médicos. Começo as caminhadas do dia - são quatro que no conjunto perfazem os 4 km. Antes disso uns copos de água para adiar a fome. Acabo e tomo o meu pequeno almoço no quarto às sete. O pequeno almoço a sério só virá pelas nove. Até lá, leio,vejo notícias na net e vou ao duche.
Antes das nove já os meus companheiros do internamento de cardiologia se sentam à volta da mesa  das refeições e as conversas e a boa disposição vão-se soltando. Nenhum de nós está ali por boas razões mas isso não se nota.
O quarto em frente ao meu é a "caserna dos zés": em quatro camas três são zés. Eles assim o alcunharam. Também lá está o Ilídio, do Porto, que erradamente não foi enviado para S. João. Não tem família e assim os amigos  não o vêm visitar. Depois temos o José Gerreiro, alentejano, conterrâneo da minha mãe, de S. dasMartinho das Amoreiras (Odemira). É o mais bem diposto. Um outro Zé é do Zambujal e um outro de Alcobaça. Doutro quarto junta-se ao grupo o António, também do concelho de Loures, o campeão dos aparelhos colocados em apoio do coração. Há quatro anos que caminha para Santa Maria. Toda a gente de Cardiologia o conhece e acarinha. Todos os restantes são gente de vida de trabalho com muitas estórias, na maior parte sobre outros temas que não a saúde (aqui  o grupo tem um extenso rol de operaçõe ao coração., próteses, pacemakers, by-passes e cateterismos qe acaba por dar motivo de conversa...).
Uma boa parte do dia é passada com eles.
Mas a hora mais esperada é a da visita da minha mulher, a Isabel, o grande pilar da nossa família, a mulher e o amor da minha vida.
A forma como somos tratados por todo o pessoal é de cinco estrelas e isso ajuda muito ao estado de espírito. Nenhum dos internados está acabrunhado e todos falam na vida a seguir. E arrasam a políitica deste e de anteriores governos...Agora vou ver o telejornal-.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pinote

Era 5ª feira e a lota estava preparada para receber o pescado.


Foram doze os barcos que partiram, doze os que regressaram. Nem sempre era assim.

O "Amor de mãe" abriu as redes na praia e o peixe saltava. Era a cavala, que pouco se vendia, a não ser as de maior porte.

A canalha pulava com sacos de plástico e empurrões a disputar as cavalas desprezadas.

Alguns eram verdadeiros heróis da faina quando corriam para a mãe, esganiçados à espera dum louvor

"Ó mãe, temos peixe para hoje e para congelar. Achas que chega?"

Respondia-lhe ela "Ai queres a medalha? Assim também eu! Quem deu ao litro foi o Zé da Chica mais os seus homens. Mas deixa lá ver isso."

E separava-os em sacos mais pequenos. Estas cozem-se ou escalam-se no fogareiro. Estas aqui dão para uma caldeirada mas temos que ir à sardinha.

Olha, Pinote, esses aí são tão pequenos que só mesmo para farinha. Tens que os dar para o avô".

"Mas falta a sardinha. Vai lá vêr se convences o Zé".

O gaiato não se fez esperar. Correu e agarrou-se às grandes botas do Zé. A mãe via-o gesticular com o pescador, a quem ela tinha dado de mamar por insuficiência dos peitos da D. Josefa. Mulher do bairro, como eles, aspirou a outros caminhos para o filho. Mas o Zé seguira a inclinação dos outros miúdos e entregou-se ao mar e ao pescado. Depois de grande discussão em que ouvia "Diz lá à tua mãe que se quer sardinha paga-a. Por esta passa, toma lá..." O Pinote levantou a camisa e fechou a sardinha nela como se um saco fosse. O Zé entregou-se a outras tarefas e a levar o peixe de tractor para a lota. E já o Pinote enchia um saco de plástico caído com uma segunda dose, desta vez roubada.

Ala que se faz tarde, pareciam dizer as pernas correndo, num equilíbrio difícil, para o pé da mãe.

A tarde já caíra e o Pinote de sacos às costas seguia ao lado da mãe mas com um ar triunfante. Passou pela Bela, ex.namorada que se convencera com as falinhas mansas de um betinho, e atirou-lhe à cara "O que achas? O teu Francisquinho era capaz disto?".
Jantaram e o Pinote contou histórias fantásticas ao pai até cair no seu colo.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Recordando a recente homenagem a Adão Barata

                                    (in Avante!)

domingo, 20 de maio de 2012

Timor-Leste: dez anos de independência e algumas memórias

A passagem dos 10 anos da independência de Timor-Leste recorda-me a viagem que lá fiz em Maio de 2000, integrando uma delegação de todos os partidos da CML que aí foi proceder à inauguração de uma série de equipamentos construídos com a solidariedade de todos os trabalhadores da CML.
Aí revi  Mari Alkatiri,dirigente da Fretilin, o maior partido timorense, o dirigente que me pareceu  ser o mais qualificado para a situação do novo país. Viria a ser 1º Ministro mas os entendimentos de Xanana e Horta com sectores ligados a interesses estrangeiros que visavam a produção de petróleo provocaram divisões que geraram novos e graves conflitos
Ficam aqui  palavras dev Alkatiri ditas ao Público e RTP-1 e editadas no dia de hoje.

"Não há uma linha estratégica para o país e para o combate à pobreza"
"Dez anos depois o país continua sem azimute. Vive numa solução de facilitismo com base no dinheiro fácil do petróleo e sem um plano claro de desenvolvimento"
" Em vez de se semear o dinheiro do petróleo, está-se a enterrar o dinheiro em projectos megalómanos feitos por estrangeiros que levam o dinheiro para fora do país"
"Por cada dólar investido, 70 cêntimos vão para fora. Dos 30 cêntimos que ficam, só beneficiam 20% da população. E os pobres ficam cada vez mais pobres"
"A única transparência que existe aqui é a da corrupção que é evidente para todos". 

Delegação CML com cooperantes e GNR


Com a mascote do batalhão no heliporto




No heliporto das montanhas e entregando
mochilas a estudantes fruto solidariedade
da J. Freguesia de Carnide



Com o administrador até à independência,
Sérgio Vieira de Mello


Na inauguração dos equipamentos

sábado, 19 de maio de 2012

Os polvos

Nas últimas dezenas de anos a banca suíça, aparentemente fechada aos olhos do mundo, teve os olhos bem postos neste.
Tudo o que foram fortunas para fugirem aos controlos nacionais, para serem lavadas provenientes de actividades criminosas, para fugirem aos impostos, para serem passadas em off-shores, lá caíram. Os gestores de contas ou de fortunas deram um aspecto mais personalizado e sedutor na relação com os depositantes. Muitos deles passaram a trabalhar autònomamente criando este tipo de empresas das quais uma foi agora desmantelada pelas autoridades portuguesas, aparentemente por denúncia de Duarte Lima.

Os portugueses que estão a ser vítimas da agressão da austeridade gostarão de saber o nome dos cerca de cem homens de "negócios" e "políticos" que eram clientes da Akoyes. E importa não esquecer que esta não é seguramente a única estrutura deste tipo que por aí funciona

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia 26, sair à rua com o PCP

Pravda fez 100 anos de vida

Jornal do Partido Comunista da Federação Russa, o Pravda, assinalou o seu centenário com manifestações culturais e políticas

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Um mundo sem trabalhadores é impossível,

um mundo sem capitalistas é necessário."



Federação Sindical Mundial
(na saudação do 1º de Maio deste ano)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Para que ninguém esqueça que houve um Primeiro-Ministro em Portugal que, com convicção, foi capaz de dizer isto

"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade."

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Paisagem


de João Hogan (1914-1988)

Municipalização das escolas, o golpe da Guiné-Bissau e mais um manifesto

1. O PSD da Câmara de Sintra quer anexar as competências no que respeita à gestão do pessoal não docente e à construção e reparação de escolas básicas e secundárias e admite que a municipalização da educação até este grau de ensino é um objectivo. Nada diz sobre contrapartidas nem revela como é isto compaginável com a debilidade financeira da maioria dos municípios ou com o que se passa com a Lei dos Compromissos. Os sindicatos da função pública naturalmente receiam o que se passará com o pessoal não docente, sujeitos a mais de trezentas tutelas diferentes, tantas quantos os municípios.

2. Os golpistas da Guiné-Bissau estão para ficar? Era o que faltava que os presidente da república e o 1º ministro, eleitos democràticamente num quadro constitucional definido, não retomassem funções, ficando a solução nas mãos dos golpistas militares e civis, como Kumba Ialá. Para que a Guiné- Bissau continuasse a ser um narco-estado de que esses títeres continuariam a ser os grandes beneficiados.

3. Mais uma vez se está a constituir um movimento agregador de esquerda (para uma esquerda livre) talvez por mimetismo com uma situação diferente ocorrida em França. No manifesto fundador diz-se que ele "é uma iniciativa política de pessoas livres, unidas pelos ideais da esquerda e pela prática democrática. Aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido.".
Dos seus apoiantes e iniciadores da idéia está bem representado o PS, pessoas que se afastaram do PCP e independentes.
Não sei se estas pessoas "livres, unidas pelos ideais de esquerda e pela prática democrática" se consideram no universo das esquerdas as únicas que se podem reclamar desse estatuto, o que seria um maniqueísmo infantil. O nome do manifesto "Para uma esquerda livre", pressupõe que há esquerdas que o não são
Lá estão muitas pessoas que respeito e que seguramente estão lá por convicções que partilho. Mas também estão alguns habituais anti-comunistas retorcidos.
Vamos ver o que o futuro lhes reserva: se o de novo reforço para uns próximos Estados Gerais do PS ou como incubadora de outros factos políticos...

A morte de Orfeu


Do pintor suíço Felix Valloton (1865-1925)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Quem não se mexe, não sente as cadeias"


Róza Luksemburg
economista e revolucionária
germano-polaca, 1871-1919

Wagner e Tchaikovsky ontem na Gulbenkian.

Ontem a noite transportou-nos na música de Richard Wagner pela Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro russo Kirill Petrenko.
Com boa interpretação na primeira peça, "Idílio de Siegfried" , de Wagner, e uma excelente interpretação da bela e complexa "Abertura-fantasia", de Romeu e Julieta de Tchaikovsky, a nossa atençao foi, porém especialmente atraída pela excelente cena final do 3º acto da ópera "Siegfried", de Wagner, com a soprano austríaca Anna-Katharina Behnkeda, no papel de Brünnhilde, e o tenor norte-americano Scott MacAllister, no papel de Siegfried.
Orquestr Gulbenkian
Neste 3º acto, Siegfried e Brünnhilde encontram-se, depois de Siegfried ter destruído a lança de Wotan, na qual estavam inscritas as runas que regiam o Universo, acto simbólico que representava o fim do domínio dos deuses e a libertação do mundo liderado pelos homens.Ela liberta-se da condição de valquíria, semi-deusa, e passa a sentir-se mulher com os desejos resultantes de um impulso sexual novo e apaixona-se por Siegfried.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A esquerda, a austeridade e a União Europeia


Não só os resultados eleitorais na Grécia e na França, mas sobretudo o confronto cada vez maior entre a desumanidade dos pactos de agressão e a sua rejeição pelas populações de uma série de países, que estão na origem desses resultados, está a mudar quadros políticos. A crise muito alargada do capitalismo também.

Difícil seria conceber que este descontentamento levasse partidos dos "arcos governativos" a recauchutarem-se, mantendo formulas de austeridade renegociadas e da União Europeia na mesma, ou remetendo estas fórmulas para movimentos, como tubos de escape que impeçam as rupturas necessárias.

Nalguns países já em marcha, noutros em preparação, alguns destes movimentos serão de saudar como forma de dar corpo ao descontentamento mas transportam esse risco. Estejamos atentos ao que os seus dirigentes, atraídos para a "área do poder", farão.

Por aqui Mário Soares já deu o sinal para o PS ou para outras formas de federação de descontentamentos. Não se coibindo de propor que se rasgue o pacto da troika, depois de ter sido seu apoiante, contando com algum esquecimento de cabeças que acham que ele foi (é) um dos grandes obreiros da adesão à CEE, da contra-revolução e do esvaziamento da democracia.

Penso, meus amigos, que não podemos perder este encontro com a História, deixando arrastar na podridão um capitalismo que se esgotou e que é um cancro cada vez mais grave para a democracia política, cultural, social e económica.

Não insistam em tiros no pé nem na confusão entre sectarimo e integridade quando se referem aos comunistas.

O tempo é de acção (de acções) e não de criação de novas ilusões.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Os principais títulos da semana na voltairenet.org


A Síria, centro da guerra do gaz no Próximo Oriente
Golpe de estado do Qatar no Koweit falhado
50 milhões de rublos para quem prender Putin
O general Mood e a actual situação de segurança na Síria
A revolta dos generais israelitas contra o obscurantismo israelita
Acertos decontas no Líbano

Um indisfarçável tique de classe...

O debate "Prós e Contras" de ontem na RTP foi esclarecedor a diversos títulos.
De um lado a esquerda consequente no ponto de vista da ideologia e projecto e do papel do homem e dos oprimidos como questões fundamentais: Jerónimo de Sousa e Avelãs Nunes.

Do outro uma direita "cosmopolita" com ar de "se dar bem com todos", que fala do passado como se não fosse responsável por ele, que incorpora críticas da esquerda ao pacto cozinhado com a troika, por hoje serem universalmente reconhecidas, mas sem dar um passo de como alterar de alto a baixo essa operação, que à falta de argumentos se arrasta, numa cena de geriatria imbecil, recorrendo uma vez mais(!!!) ao PREC, à morte do comunismo, bla, bla, bla, e revelando uma insensibilidade social, num mal disfarçado tique de classe: António Capucho e Rui Machete

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ainda a Associação de Estudantes do IST


 

Faltavam 5 anos para o 25 de Abril.
As lutas etudantis no IST e nas 3 academias não
iriam parar e dariam um contributo
importante para a mudança revolucionária.

A AEIST era a Associação de Estudantes mais forte do país, com bons recursos próprios para apoio aos estudantes do IST e às suas lutas pela autonomia universitária, a liberdade das associações de estudantes e o combate à ditadura fascista.

No próximo sábado, dia 12, realiza-se mais um almoço anual de antigos dirigentes, empregados e colaboradores da AEIST do período entre 1956 e 1974.

Connosco estarão o Reitor, o presidente do Conselho Directivo do IST, e actuais dirigentes da AEIST.

O almoço realiza-se no restaurante do edifício de Matemática, pelas 13 h.

Franceses e gregos expressam rejeição dos pactos de agressão

Independentemente de uma leitura mais detalhada destes resultados, importa não deixar escapar o essencial.

Na França e na Grécia o voto condenou as políticas de austeridade, de recessão, de retrocesso na economia, de reduções salariais e de outros direitos, de perdas significativas na soberania.
Sabemos que os resultados eleitorais não conduzirão linearmente nesse sentido.
Num caso e noutro podem formar governo partidos que foram obreiros desta política de desastre.
Mas o abanão foi grande e as consequências não se ficarão por aqui.
Outra política é necessária como se referiu no encontro de partidos comunistas e operários cuja declaração , anterior às eleições, aqui pode ler

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Frase de fim de semana, por Jorge

"Provam as estatísticas
que as estatísticas não provam nada"

Millôr Fernandes 
jornalista e escritor brasileiro, 1923-2012