segunda-feira, 4 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"O passado nunca está morto,
nem sequer passado"
William Faulkner
escritor americano
prémio Nobel, 1897-1962)
nem sequer passado"
William Faulkner
escritor americano
prémio Nobel, 1897-1962)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Com os comunistas continuar Portugal
De quem vai depender o nosso futuro?
De nós próprios como noutras alturas muito graves da nossa história.
Estamos dependentes? Estamos e muito. Mas isso não altera a nossa responsabilidade de principais interessados em acabar com o garrote.
A entrada para a CEE, depois para a UE, uma série tratados cada vez mais limitadores da nossa soberania começaram com Soares, continuaram com Cavaco Silva, acentuaram-se com Sócrates e com Passos Coelho.
Chegámos a esta desgraça.
Há muita revolta e também medo.
A nossa luta, a luta com os comunistas, como noutras alturas, mas particularmente agora, é o factor determinante para conter coisas piores, para abrir janelas, para fazer recuar os medos dos mais debilitados. É o que nos resta, é o que está nas nossas mãos.
Sair à rua por cada objectivo concreto, unirmo-nos em manifestações cada vez maiores será um factor que se impõe ao nosso inimigo e adversários como factor que têm que contar, como consolidação de forças para passos seguintes.

A casta que saqueou o país
Os comunistas foram, dos únicos que previram o estado a que chegámos quando os dirigentes do PS, PSD e CDS nos alcunhavam de velhos do Restelo, de nacionalistas, de eurocépticos.
Sucessivos dirigentes desses 3 partidos, antes alcunhados de "arco constitucional" e agora de "arco da governabilidade" conduziram-nos a esta desgraça.
Só eles poderiam governar.
Todos os meios foram utilizados para manter na opinião pública tais idéias como inevitáveis enquanto saqueavam o país e os trabalhadores.
Tais dirigentes, banqueiros, grandes grupos económicos, organismos que deviam ser independentes mas que se conformaram e agiram numa lógica partidária, apoiaram os governos que foram suas mariontetas, sucessivos tratados limitadores das nossas liberdades, da nossa activiodade produtiva, e envolvimentos internacionais que comprometeram a nossa soberania e os nossos interesses.
Esta casta sacou e está a sacar do Estado dinheiro através de negócios, alguns dos quais criminosos. A dança de cadeiras entre governos e administrações deste tipo de empresas e outras do Estado atingiu níveis de regabofe. A corrupção, o nepotismo, o tráfico de influências atingiram níveis muito elevados, com este sugar dos meios do Estado, que quando é incriminado dispõe de advogados de grandes escritórios para gastar milhões nas suas defesas e atingirem mesmo as prescrições dos processos. Enquanto quem rouba para acudir a carências familiares é sumàriamente condenado.
Esta casta conspurcou a dignidade do sentido de termos como política, partidos e a própria democracia,
E criou a habituação ou mesmo aceitação destes comportamentos criminosos e a admiração dos autores desses crimes, com uma cobertura mediática populista. "Se todos vão ao tacho porque não vou eu também?", fazendo subir em espiral alguns comportamentos...
Enquanto quem trabalha ou está refomado (excepção feita aos ricaços que alcançam sempre regimes de favôr) vê os salários e pensões cortados, os direitos sociais a desaparecer, na voragem que é canalizada para a banca comercial para esta continuar a não cumprir as suas obrigações para com a economia.
A opção pelos comunistas
As nossas opções, quer na democracia participativa do dia-a-dia, quer no voto que determina a composição partidária das instituições democráticas , vão ter que ser ajustadas. E todos os portugueses sentem que isso é necessário.
A inércia de votar em quem nos dê mais "segurança" teve como consequência a inseguraça generalizada provocada nestes 36 anos.
Não vamos permitir "mais do mesmo".
É uma responsabilidade que cada um de nós tem, particularmente em relação à nossa família, filhos e netos, aos idosos de quem cuidamos.
O Partido Comunista Portuguêm foi o único partido nacional que não esteve no governo
neste período. Os medos e preconceitos ainda resistem depois destes 36 anos? Sim, ainda persiste preconceito.
Mas os portugueses conhecem os comunistas,
Juntemo-nos todos às suas lutas.
Conhecem o seu contributo decisivo na luta, para conter a "casta" e as suas políticas contra quem trabalha. O seu trabalho em prol de todos, a alegria das suas festas e de uma juventude combativa, a seriedade, a honestidade, o espírito de serviço público, determinação e capacidade de realização.
É tempo de acabar com esses preconceitos.
Os comunistas devem assumir responsabilidades governativas no país que nos previna dessa casta, sustentados no apoio popular e nas suas lutas e reivindicações.
Com eles o povo é quem mais ordena.
Já não temos muito tempo. Façamos a opção com a acção dos comunistas e de muitos portugueses que com eles partilham, comportamentos éticos, valores, a vontade de relançar a economia e diminuir o desemprego.
Que políticas se impõem?
A casta quer o contrário mas a grande maioria dos portugueses não quer políticas como as destes 36 anos que acabaram em desastre.
.Na situação em que estamos, impõe-se a renegociação do pacto acordado com a troika pelo PS, PSD e CDS, em montantes, juros e prazos.
A banca que tem sido um sorvedouro dos nossos recursos terá que ser nacionalizada, sob pena de continuar a não cumprir as suas obrigações para com a economia e poder até pôr em risco os depósitos dos clientes.
Devem ser revalorizados os salários e pensões para aumentar a procura e dinamizar a economia.
As privatizações devem ser suspensas e recuperada a direcção pública de empresas estratégicas para o desenvolvimento.
Com os comunistas, continuar Portugal
Muitos receiam o fim do euro e da União Europeia. São ameaças brandidas com intenção de chantagem sobre países e povos que queiram acabar com o garrote. Mas se para aí a casta europeia levar as coisas, assumiremos as nossas responsabilidades, livres das casta de cá.
Garantindo recursos de investimento não explorados. Trabalhando para o regresso à agricultura, às pescas, a alguma indústria estratégica para o crescimento da economia interna. Em força! Gerar, enfim, recursos próprios para a nossa sobrevivência e para ir pagando dívida, em vez de continuar a recorrer a empréstimos para pagar outros empréstimos, que nos agravam a dívida. Temos que produzir e criar riqueza.
Com respeito pelos compromissos eleitorais, com transparência e sinceridade, com diálogo, novos métodos nas relações com os trabalhadores , a satisfação de questões básicas, um apoio popular esclarecido porque participante e conhecedor do estado do país, das suas dificuldades mas também das suas realizações e potencialidades, não deixaremos cair Portugal. E numa constante atitude patriótica, participada por todos, incluindo os jovens que devem ter acessos a recursos de vida independente, nós faremos crescer Portugal, recuperaremos a dignidade da política como algo que emana do povo, garantiremos uma maior harmonia nas relações de poder a todos os níveis da sociedade.
Com os comunistas criaremos maior confiança do povo no seu país e nos seus interlocutores, um sentimento de pertença e um novo patrotismo.
A tarefa vai ser árdua. Para anos porque a destruição foi devastadora.
Nota final - Este texto não é, não devia nem poderia ser um texto do meu Partido, com as responsabilidades que daí decorrem.
É uma reflexão pessoal, tendo em conta a sua orientação geral e muitas experiências de testemunhos e vontades que vou partilhando com muitos dos nossos conterrâneos que não têm uma intervenção política activa.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
"Boneca de luxo", de Truman Capote
É a segunda vez que leio este livro.
O livro de Truman Capote, de 1951, foi editado em Portugal pela Dom Quixote e mais tarde pela Colecção Mil Folhas. É uma história da relação de afectos limitada entre um escritor que procura o seu caminho e uma estrela feminina que vive, com inocência aparente, num mundo do jet-set e de contacto com o crime organizado, para onde foi catapultada aos 14 anos, vivendo da existência de um conjunto de admiradores ricos que lhe pagam essa vida de boémia pelo prazer que lhes dá aos olhos.
A acção decorre em Nova Iorque entre 1943 e 1944.
Já clássico da literatura norte-americana, este pequeno livro parece reflectir a própria maneira de estar na vida de Capote.
E deu origem a um filme de Blake Edwards, "Breakfast at Tiffany's", com a incomparável Audrey Hepburn. Ficou mal servido na edição da Colecão Mil Folhas com o título "Boneca de luxo"
O livro de Truman Capote, de 1951, foi editado em Portugal pela Dom Quixote e mais tarde pela Colecção Mil Folhas. É uma história da relação de afectos limitada entre um escritor que procura o seu caminho e uma estrela feminina que vive, com inocência aparente, num mundo do jet-set e de contacto com o crime organizado, para onde foi catapultada aos 14 anos, vivendo da existência de um conjunto de admiradores ricos que lhe pagam essa vida de boémia pelo prazer que lhes dá aos olhos.
A acção decorre em Nova Iorque entre 1943 e 1944.
Já clássico da literatura norte-americana, este pequeno livro parece reflectir a própria maneira de estar na vida de Capote.
E deu origem a um filme de Blake Edwards, "Breakfast at Tiffany's", com a incomparável Audrey Hepburn. Ficou mal servido na edição da Colecão Mil Folhas com o título "Boneca de luxo"
Na coluna da direita tem uma passagem deste filme
quarta-feira, 30 de maio de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
"A ameaça", de Ken Follett
De vez em quando volto ao policial, ao suspense que nos faz ler sem parar, partilhando com o autor a suspeitas e questões a esclarecer.
Aconselho.
Ken Follett é um dos maiores neste género que sempre se renova na originalidade dos temas e nas dinâmicas narrativas. E neste caso introduz o roubo de um virus mais mortal que o Ébola de uma grande empresa farmacêutica na Escócia, tema já tratado à exaustão em filmes de TV norte-americanos, em geral de baixa qualidade.
A família do presidente da empresa aparece no enredo, ligada de diferentes formas à trama.Aconselho.
domingo, 27 de maio de 2012
A "caserna dos zés"
Acordo com as galinhas. A vida nos corredores só se anima mais tarde com as rotações de enfermeiros, auxiliares e médicos. Começo as caminhadas do dia - são quatro que no conjunto perfazem os 4 km. Antes disso uns copos de água para adiar a fome. Acabo e tomo o meu pequeno almoço no quarto às sete. O pequeno almoço a sério só virá pelas nove. Até lá, leio,vejo notícias na net e vou ao duche.
Antes das nove já os meus companheiros do internamento de cardiologia se sentam à volta da mesa das refeições e as conversas e a boa disposição vão-se soltando. Nenhum de nós está ali por boas razões mas isso não se nota.
O quarto em frente ao meu é a "caserna dos zés": em quatro camas três são zés. Eles assim o alcunharam. Também lá está o Ilídio, do Porto, que erradamente não foi enviado para S. João. Não tem família e assim os amigos não o vêm visitar. Depois temos o José Gerreiro, alentejano, conterrâneo da minha mãe, de S. dasMartinho das Amoreiras (Odemira). É o mais bem diposto. Um outro Zé é do Zambujal e um outro de Alcobaça. Doutro quarto junta-se ao grupo o António, também do concelho de Loures, o campeão dos aparelhos colocados em apoio do coração. Há quatro anos que caminha para Santa Maria. Toda a gente de Cardiologia o conhece e acarinha. Todos os restantes são gente de vida de trabalho com muitas estórias, na maior parte sobre outros temas que não a saúde (aqui o grupo tem um extenso rol de operaçõe ao coração., próteses, pacemakers, by-passes e cateterismos qe acaba por dar motivo de conversa...).
Uma boa parte do dia é passada com eles.
Mas a hora mais esperada é a da visita da minha mulher, a Isabel, o grande pilar da nossa família, a mulher e o amor da minha vida.
A forma como somos tratados por todo o pessoal é de cinco estrelas e isso ajuda muito ao estado de espírito. Nenhum dos internados está acabrunhado e todos falam na vida a seguir. E arrasam a políitica deste e de anteriores governos...Agora vou ver o telejornal-.
Antes das nove já os meus companheiros do internamento de cardiologia se sentam à volta da mesa das refeições e as conversas e a boa disposição vão-se soltando. Nenhum de nós está ali por boas razões mas isso não se nota.
O quarto em frente ao meu é a "caserna dos zés": em quatro camas três são zés. Eles assim o alcunharam. Também lá está o Ilídio, do Porto, que erradamente não foi enviado para S. João. Não tem família e assim os amigos não o vêm visitar. Depois temos o José Gerreiro, alentejano, conterrâneo da minha mãe, de S. dasMartinho das Amoreiras (Odemira). É o mais bem diposto. Um outro Zé é do Zambujal e um outro de Alcobaça. Doutro quarto junta-se ao grupo o António, também do concelho de Loures, o campeão dos aparelhos colocados em apoio do coração. Há quatro anos que caminha para Santa Maria. Toda a gente de Cardiologia o conhece e acarinha. Todos os restantes são gente de vida de trabalho com muitas estórias, na maior parte sobre outros temas que não a saúde (aqui o grupo tem um extenso rol de operaçõe ao coração., próteses, pacemakers, by-passes e cateterismos qe acaba por dar motivo de conversa...).
Uma boa parte do dia é passada com eles.
Mas a hora mais esperada é a da visita da minha mulher, a Isabel, o grande pilar da nossa família, a mulher e o amor da minha vida.
A forma como somos tratados por todo o pessoal é de cinco estrelas e isso ajuda muito ao estado de espírito. Nenhum dos internados está acabrunhado e todos falam na vida a seguir. E arrasam a políitica deste e de anteriores governos...Agora vou ver o telejornal-.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Pinote
Era 5ª feira e a lota estava preparada para receber o pescado.
Foram doze os barcos que partiram, doze os que regressaram. Nem sempre era assim.
O "Amor de mãe" abriu as redes na praia e o peixe saltava. Era a cavala, que pouco se vendia, a não ser as de maior porte.
A canalha pulava com sacos de plástico e empurrões a disputar as cavalas desprezadas.
Alguns eram verdadeiros heróis da faina quando corriam para a mãe, esganiçados à espera dum louvor
"Ó mãe, temos peixe para hoje e para congelar. Achas que chega?"
Respondia-lhe ela "Ai queres a medalha? Assim também eu! Quem deu ao litro foi o Zé da Chica mais os seus homens. Mas deixa lá ver isso."
E separava-os em sacos mais pequenos. Estas cozem-se ou escalam-se no fogareiro. Estas aqui dão para uma caldeirada mas temos que ir à sardinha.
Olha, Pinote, esses aí são tão pequenos que só mesmo para farinha. Tens que os dar para o avô".
"Mas falta a sardinha. Vai lá vêr se convences o Zé".
O gaiato não se fez esperar. Correu e agarrou-se às grandes botas do Zé. A mãe via-o gesticular com o pescador, a quem ela tinha dado de mamar por insuficiência dos peitos da D. Josefa. Mulher do bairro, como eles, aspirou a outros caminhos para o filho. Mas o Zé seguira a inclinação dos outros miúdos e entregou-se ao mar e ao pescado. Depois de grande discussão em que ouvia "Diz lá à tua mãe que se quer sardinha paga-a. Por esta passa, toma lá..." O Pinote levantou a camisa e fechou a sardinha nela como se um saco fosse. O Zé entregou-se a outras tarefas e a levar o peixe de tractor para a lota. E já o Pinote enchia um saco de plástico caído com uma segunda dose, desta vez roubada.
Ala que se faz tarde, pareciam dizer as pernas correndo, num equilíbrio difícil, para o pé da mãe.
A tarde já caíra e o Pinote de sacos às costas seguia ao lado da mãe mas com um ar triunfante. Passou pela Bela, ex.namorada que se convencera com as falinhas mansas de um betinho, e atirou-lhe à cara "O que achas? O teu Francisquinho era capaz disto?".
Jantaram e o Pinote contou histórias fantásticas ao pai até cair no seu colo.
Foram doze os barcos que partiram, doze os que regressaram. Nem sempre era assim.
O "Amor de mãe" abriu as redes na praia e o peixe saltava. Era a cavala, que pouco se vendia, a não ser as de maior porte.
A canalha pulava com sacos de plástico e empurrões a disputar as cavalas desprezadas.
Alguns eram verdadeiros heróis da faina quando corriam para a mãe, esganiçados à espera dum louvor
"Ó mãe, temos peixe para hoje e para congelar. Achas que chega?"
Respondia-lhe ela "Ai queres a medalha? Assim também eu! Quem deu ao litro foi o Zé da Chica mais os seus homens. Mas deixa lá ver isso."
E separava-os em sacos mais pequenos. Estas cozem-se ou escalam-se no fogareiro. Estas aqui dão para uma caldeirada mas temos que ir à sardinha.
Olha, Pinote, esses aí são tão pequenos que só mesmo para farinha. Tens que os dar para o avô".
"Mas falta a sardinha. Vai lá vêr se convences o Zé".
O gaiato não se fez esperar. Correu e agarrou-se às grandes botas do Zé. A mãe via-o gesticular com o pescador, a quem ela tinha dado de mamar por insuficiência dos peitos da D. Josefa. Mulher do bairro, como eles, aspirou a outros caminhos para o filho. Mas o Zé seguira a inclinação dos outros miúdos e entregou-se ao mar e ao pescado. Depois de grande discussão em que ouvia "Diz lá à tua mãe que se quer sardinha paga-a. Por esta passa, toma lá..." O Pinote levantou a camisa e fechou a sardinha nela como se um saco fosse. O Zé entregou-se a outras tarefas e a levar o peixe de tractor para a lota. E já o Pinote enchia um saco de plástico caído com uma segunda dose, desta vez roubada.
Ala que se faz tarde, pareciam dizer as pernas correndo, num equilíbrio difícil, para o pé da mãe.
A tarde já caíra e o Pinote de sacos às costas seguia ao lado da mãe mas com um ar triunfante. Passou pela Bela, ex.namorada que se convencera com as falinhas mansas de um betinho, e atirou-lhe à cara "O que achas? O teu Francisquinho era capaz disto?".
Jantaram e o Pinote contou histórias fantásticas ao pai até cair no seu colo.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Timor-Leste: dez anos de independência e algumas memórias
A passagem dos 10 anos da independência de Timor-Leste recorda-me a viagem que lá fiz em Maio de 2000, integrando uma delegação de todos os partidos da CML que aí foi proceder à inauguração de uma série de equipamentos construídos com a solidariedade de todos os trabalhadores da CML.
"A única transparência que existe aqui é a da corrupção que é evidente para todos".
Aí revi Mari Alkatiri,dirigente da Fretilin, o maior partido timorense, o dirigente que me pareceu ser o mais qualificado para a situação do novo país. Viria a ser 1º Ministro mas os entendimentos de Xanana e Horta com sectores ligados a interesses estrangeiros que visavam a produção de petróleo provocaram divisões que geraram novos e graves conflitos
Ficam aqui palavras dev Alkatiri ditas ao Público e RTP-1 e editadas no dia de hoje.
"Não há uma linha estratégica para o país e para o combate à pobreza"
"Dez anos depois o país continua sem azimute. Vive numa solução de facilitismo com base no dinheiro fácil do petróleo e sem um plano claro de desenvolvimento"
" Em vez de se semear o dinheiro do petróleo, está-se a enterrar o dinheiro em projectos megalómanos feitos por estrangeiros que levam o dinheiro para fora do país"
"Por cada dólar investido, 70 cêntimos vão para fora. Dos 30 cêntimos que ficam, só beneficiam 20% da população. E os pobres ficam cada vez mais pobres"
| Delegação CML com cooperantes e GNR |
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| No heliporto das montanhas e entregando mochilas a estudantes fruto solidariedade da J. Freguesia de Carnide |
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| Com o administrador até à independência, Sérgio Vieira de Mello |
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| Na inauguração dos equipamentos |
sábado, 19 de maio de 2012
Os polvos
Nas últimas dezenas de anos a banca suíça, aparentemente fechada aos olhos do mundo, teve os olhos bem postos neste.
Tudo o que foram fortunas para fugirem aos controlos nacionais, para serem lavadas provenientes de actividades criminosas, para fugirem aos impostos, para serem passadas em off-shores, lá caíram. Os gestores de contas ou de fortunas deram um aspecto mais personalizado e sedutor na relação com os depositantes. Muitos deles passaram a trabalhar autònomamente criando este tipo de empresas das quais uma foi agora desmantelada pelas autoridades portuguesas, aparentemente por denúncia de Duarte Lima.
Os portugueses que estão a ser vítimas da agressão da austeridade gostarão de saber o nome dos cerca de cem homens de "negócios" e "políticos" que eram clientes da Akoyes. E importa não esquecer que esta não é seguramente a única estrutura deste tipo que por aí funciona
Tudo o que foram fortunas para fugirem aos controlos nacionais, para serem lavadas provenientes de actividades criminosas, para fugirem aos impostos, para serem passadas em off-shores, lá caíram. Os gestores de contas ou de fortunas deram um aspecto mais personalizado e sedutor na relação com os depositantes. Muitos deles passaram a trabalhar autònomamente criando este tipo de empresas das quais uma foi agora desmantelada pelas autoridades portuguesas, aparentemente por denúncia de Duarte Lima.
Os portugueses que estão a ser vítimas da agressão da austeridade gostarão de saber o nome dos cerca de cem homens de "negócios" e "políticos" que eram clientes da Akoyes. E importa não esquecer que esta não é seguramente a única estrutura deste tipo que por aí funciona
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Pravda fez 100 anos de vida
Jornal do Partido Comunista da Federação Russa, o Pravda, assinalou o seu centenário com manifestações culturais e políticas
Frase de fim-de-semana, por Jorge
um mundo sem capitalistas é necessário."
Federação Sindical Mundial
(na saudação do 1º de Maio deste ano)
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Para que ninguém esqueça que houve um Primeiro-Ministro em Portugal que, com convicção, foi capaz de dizer isto
"Estar desempregado não pode ser um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma. Tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida. Tem de representar uma livre escolha, uma mobilidade da própria sociedade."
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Municipalização das escolas, o golpe da Guiné-Bissau e mais um manifesto
1. O PSD da Câmara de Sintra quer anexar as competências no que respeita à gestão do pessoal não docente e à construção e reparação de escolas básicas e secundárias e admite que a municipalização da educação até este grau de ensino é um objectivo. Nada diz sobre contrapartidas nem revela como é isto compaginável com a debilidade financeira da maioria dos municípios ou com o que se passa com a Lei dos Compromissos. Os sindicatos da função pública naturalmente receiam o que se passará com o pessoal não docente, sujeitos a mais de trezentas tutelas diferentes, tantas quantos os municípios.
2. Os golpistas da Guiné-Bissau estão para ficar? Era o que faltava que os presidente da república e o 1º ministro, eleitos democràticamente num quadro constitucional definido, não retomassem funções, ficando a solução nas mãos dos golpistas militares e civis, como Kumba Ialá. Para que a Guiné- Bissau continuasse a ser um narco-estado de que esses títeres continuariam a ser os grandes beneficiados.
3. Mais uma vez se está a constituir um movimento agregador de esquerda (para uma esquerda livre) talvez por mimetismo com uma situação diferente ocorrida em França. No manifesto fundador diz-se que ele "é uma iniciativa política de pessoas livres, unidas pelos ideais da esquerda e pela prática democrática. Aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido.".
Dos seus apoiantes e iniciadores da idéia está bem representado o PS, pessoas que se afastaram do PCP e independentes.
Não sei se estas pessoas "livres, unidas pelos ideais de esquerda e pela prática democrática" se consideram no universo das esquerdas as únicas que se podem reclamar desse estatuto, o que seria um maniqueísmo infantil. O nome do manifesto "Para uma esquerda livre", pressupõe que há esquerdas que o não são
Lá estão muitas pessoas que respeito e que seguramente estão lá por convicções que partilho. Mas também estão alguns habituais anti-comunistas retorcidos.
Vamos ver o que o futuro lhes reserva: se o de novo reforço para uns próximos Estados Gerais do PS ou como incubadora de outros factos políticos...
2. Os golpistas da Guiné-Bissau estão para ficar? Era o que faltava que os presidente da república e o 1º ministro, eleitos democràticamente num quadro constitucional definido, não retomassem funções, ficando a solução nas mãos dos golpistas militares e civis, como Kumba Ialá. Para que a Guiné- Bissau continuasse a ser um narco-estado de que esses títeres continuariam a ser os grandes beneficiados.
3. Mais uma vez se está a constituir um movimento agregador de esquerda (para uma esquerda livre) talvez por mimetismo com uma situação diferente ocorrida em França. No manifesto fundador diz-se que ele "é uma iniciativa política de pessoas livres, unidas pelos ideais da esquerda e pela prática democrática. Aberta a todos os cidadãos, com ou sem partido.".
Dos seus apoiantes e iniciadores da idéia está bem representado o PS, pessoas que se afastaram do PCP e independentes.
Não sei se estas pessoas "livres, unidas pelos ideais de esquerda e pela prática democrática" se consideram no universo das esquerdas as únicas que se podem reclamar desse estatuto, o que seria um maniqueísmo infantil. O nome do manifesto "Para uma esquerda livre", pressupõe que há esquerdas que o não são
Lá estão muitas pessoas que respeito e que seguramente estão lá por convicções que partilho. Mas também estão alguns habituais anti-comunistas retorcidos.
Vamos ver o que o futuro lhes reserva: se o de novo reforço para uns próximos Estados Gerais do PS ou como incubadora de outros factos políticos...
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Quem não se mexe, não sente as cadeias"
Róza Luksemburg
economista e revolucionária
germano-polaca, 1871-1919
Róza Luksemburg
economista e revolucionária
germano-polaca, 1871-1919
Wagner e Tchaikovsky ontem na Gulbenkian.
Ontem a noite transportou-nos na música de Richard Wagner pela Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro russo Kirill Petrenko.
Com boa interpretação na primeira peça, "Idílio de Siegfried" , de Wagner, e uma excelente interpretação da bela e complexa "Abertura-fantasia", de Romeu e Julieta de Tchaikovsky, a nossa atençao foi, porém especialmente atraída pela excelente cena final do 3º acto da ópera "Siegfried", de Wagner, com a soprano austríaca Anna-Katharina Behnkeda, no papel de Brünnhilde, e o tenor norte-americano Scott MacAllister, no papel de Siegfried.
Neste 3º acto, Siegfried e Brünnhilde encontram-se, depois de Siegfried ter destruído a lança de Wotan, na qual estavam inscritas as runas que regiam o Universo, acto simbólico que representava o fim do domínio dos deuses e a libertação do mundo liderado pelos homens.Ela liberta-se da condição de valquíria, semi-deusa, e passa a sentir-se mulher com os desejos resultantes de um impulso sexual novo e apaixona-se por Siegfried.
Com boa interpretação na primeira peça, "Idílio de Siegfried" , de Wagner, e uma excelente interpretação da bela e complexa "Abertura-fantasia", de Romeu e Julieta de Tchaikovsky, a nossa atençao foi, porém especialmente atraída pela excelente cena final do 3º acto da ópera "Siegfried", de Wagner, com a soprano austríaca Anna-Katharina Behnkeda, no papel de Brünnhilde, e o tenor norte-americano Scott MacAllister, no papel de Siegfried.
![]() |
| Orquestr Gulbenkian |
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A esquerda, a austeridade e a União Europeia
Não só os resultados eleitorais na Grécia e na França, mas sobretudo o confronto cada vez maior entre a desumanidade dos pactos de agressão e a sua rejeição pelas populações de uma série de países, que estão na origem desses resultados, está a mudar quadros políticos. A crise muito alargada do capitalismo também.
Difícil seria conceber que este descontentamento levasse partidos dos "arcos governativos" a recauchutarem-se, mantendo formulas de austeridade renegociadas e da União Europeia na mesma, ou remetendo estas fórmulas para movimentos, como tubos de escape que impeçam as rupturas necessárias.
Nalguns países já em marcha, noutros em preparação, alguns destes movimentos serão de saudar como forma de dar corpo ao descontentamento mas transportam esse risco. Estejamos atentos ao que os seus dirigentes, atraídos para a "área do poder", farão.
Por aqui Mário Soares já deu o sinal para o PS ou para outras formas de federação de descontentamentos. Não se coibindo de propor que se rasgue o pacto da troika, depois de ter sido seu apoiante, contando com algum esquecimento de cabeças que acham que ele foi (é) um dos grandes obreiros da adesão à CEE, da contra-revolução e do esvaziamento da democracia.
Penso, meus amigos, que não podemos perder este encontro com a História, deixando arrastar na podridão um capitalismo que se esgotou e que é um cancro cada vez mais grave para a democracia política, cultural, social e económica.
Não insistam em tiros no pé nem na confusão entre sectarimo e integridade quando se referem aos comunistas.
O tempo é de acção (de acções) e não de criação de novas ilusões.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Os principais títulos da semana na voltairenet.org
Um indisfarçável tique de classe...
O debate "Prós e Contras" de ontem na RTP foi esclarecedor a diversos títulos.
De um lado a esquerda consequente no ponto de vista da ideologia e projecto e do papel do homem e dos oprimidos como questões fundamentais: Jerónimo de Sousa e Avelãs Nunes.
Do outro uma direita "cosmopolita" com ar de "se dar bem com todos", que fala do passado como se não fosse responsável por ele, que incorpora críticas da esquerda ao pacto cozinhado com a troika, por hoje serem universalmente reconhecidas, mas sem dar um passo de como alterar de alto a baixo essa operação, que à falta de argumentos se arrasta, numa cena de geriatria imbecil, recorrendo uma vez mais(!!!) ao PREC, à morte do comunismo, bla, bla, bla, e revelando uma insensibilidade social, num mal disfarçado tique de classe: António Capucho e Rui Machete
De um lado a esquerda consequente no ponto de vista da ideologia e projecto e do papel do homem e dos oprimidos como questões fundamentais: Jerónimo de Sousa e Avelãs Nunes.
Do outro uma direita "cosmopolita" com ar de "se dar bem com todos", que fala do passado como se não fosse responsável por ele, que incorpora críticas da esquerda ao pacto cozinhado com a troika, por hoje serem universalmente reconhecidas, mas sem dar um passo de como alterar de alto a baixo essa operação, que à falta de argumentos se arrasta, numa cena de geriatria imbecil, recorrendo uma vez mais(!!!) ao PREC, à morte do comunismo, bla, bla, bla, e revelando uma insensibilidade social, num mal disfarçado tique de classe: António Capucho e Rui Machete
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ainda a Associação de Estudantes do IST

Faltavam 5 anos para o 25 de Abril.
As lutas etudantis no IST e nas 3 academias não
iriam parar e dariam um contributo
importante para a mudança revolucionária.
A AEIST era a Associação de Estudantes mais forte do país, com bons recursos próprios para apoio aos estudantes do IST e às suas lutas pela autonomia universitária, a liberdade das associações de estudantes e o combate à ditadura fascista.
No próximo sábado, dia 12, realiza-se mais um almoço anual de antigos dirigentes, empregados e colaboradores da AEIST do período entre 1956 e 1974.
Connosco estarão o Reitor, o presidente do Conselho Directivo do IST, e actuais dirigentes da AEIST.
O almoço realiza-se no restaurante do edifício de Matemática, pelas 13 h.
Franceses e gregos expressam rejeição dos pactos de agressão
Independentemente de uma leitura mais detalhada destes resultados, importa não deixar escapar o essencial.
Na França e na Grécia o voto condenou as políticas de austeridade, de recessão, de retrocesso na economia, de reduções salariais e de outros direitos, de perdas significativas na soberania.
Sabemos que os resultados eleitorais não conduzirão linearmente nesse sentido.
Num caso e noutro podem formar governo partidos que foram obreiros desta política de desastre.
Mas o abanão foi grande e as consequências não se ficarão por aqui.
Outra política é necessária como se referiu no encontro de partidos comunistas e operários cuja declaração , anterior às eleições, aqui pode ler
Na França e na Grécia o voto condenou as políticas de austeridade, de recessão, de retrocesso na economia, de reduções salariais e de outros direitos, de perdas significativas na soberania.
Sabemos que os resultados eleitorais não conduzirão linearmente nesse sentido.
Num caso e noutro podem formar governo partidos que foram obreiros desta política de desastre.
Mas o abanão foi grande e as consequências não se ficarão por aqui.
Outra política é necessária como se referiu no encontro de partidos comunistas e operários cuja declaração , anterior às eleições, aqui pode ler
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Frase de fim de semana, por Jorge
"Provam as estatísticas
que as estatísticas não provam nada"
Millôr Fernandes
jornalista e escritor brasileiro, 1923-2012
que as estatísticas não provam nada"
Millôr Fernandes
jornalista e escritor brasileiro, 1923-2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"A música não tem a ver com a verdade:
não há música mais verdadeira do que outra"
Esa-Pekka Salonen
maestro e compositor finlandês, nasc.1958
não há música mais verdadeira do que outra"
Esa-Pekka Salonen
maestro e compositor finlandês, nasc.1958
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Sempre que te vires do lado da maioria,
é altura de parar e refletir"
Mark Twain (escritor americano, 1835-1910)
é altura de parar e refletir"
Mark Twain (escritor americano, 1835-1910)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O fiasco da Síria, por Thierry Meyssan
O fiasco da Síria
Com 83 estados e organizações intergovernamentais representadas, a segunda Conferência dos «Amigos» da Síria foi um sucesso mediático. No entanto essa encenação não chegou para disfarçar o falhanço da NATO e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) na Síria, incapazes de derrubar o regime durante um ano de guerra de baixa intensidade, e hoje forçados a afastar-se face à frente russo-sino-iraniana.
Thierry Meyssan descreve essa estranha conferência diplomática onde as palavras são pronunciadas não para dizer, mas para esconder.
O presidente Bachar el-Assad deslocou-se, a 27 de Março de 2012, a Homs. Visitou o bairro de Baba Amr onde os takfiristes(1) sírios e combatentes estrangeiros tinham proclamado durante um mês um Emirado islâmico independente. Bachar assegurou aos habitantes desalojados que o Estado reconstruiria as suas casas «muito melhores do que antes», e que eles poderiam voltar a casa em breve. Milhares de pessoas, principalmente sunitas, tinham sido obrigadas a fugir para não cair sob a ditadura dos islamitas. Na sua ausência, as casas foram saqueadas e várias centenas dinamitadas pelos rebeldes, quando não foram destruídas pelos combates.
Bachar el-Assad, que continua a ser o chefe de Estado mais popular do mundo árabe, encontrou-se com habitantes de Homs, mas prescindiu do habitual banho de multidão devido à sempre possível presença de terroristas isolados.
A guerra de baixa intensidade acabou «de uma vez por todas», comentou Jihad Makdissi, porta-voz do Ministério sírio dos Negócios Estrangeiros. O país, cujas principais infra-estruturas de energia e de telecomunicações foram sabotadas, entra numa fase de reconstrução.Por seu lado, o secretário-geral da Liga Árabe e o seu homólogo da ONU nomearam um enviado especial conjunto, Kofi Annan, para negociar uma saída para a crise. Annan assumiu a responsabilidade de um plano de seis pontos, que é uma versão ligeiramente emendada da proposta russa à Liga. Obteve o acordo do presidente el-Assad sob reserva de que as suas disposições não sejam desvirtuadas do seu sentido e utilizadas para nova infiltração de armas e combatentes.
Foi neste contexto que a NATO e o CCG convocaram a segunda Conferência dos «Amigos» da Síria, para domingo, 1 de Abril, em Istambul. Participaram 83 estados e organizações intergovernamentais, sob presidência turca (2).
Tal como haviam feito no seu anterior encontro em Tunes, a 24 de Fevereiro, os participantes reafirmaram em primeiro lugar o seu apoio a «uma transição política conduzida pelos sírios para um Estado civil, democrático, pluralista, independente e livre; um Estado que respeite os direitos das pessoas quaisquer que sejam a sua etnia, religião ou sexo» (3); uma manobra de diversão vinda de estados que, entre outros, aspectos não são nem civis, nem democráticos, nem pluralistas, nem independentes, nem livres e que discriminam os seus nacionais em função da respectiva etnia, religião ou sexo como é o caso da Arábia Saudita e do Qatar.
Em seguida, os «Amigos» da Síria exprimiram o seu firme apoio ao plano de seis pontos de Kofi Annan, ao mesmo tempo que a presidência turca da Conferência propunha armar e financiar os rebeldes em violação do referido plano Annan.
Na mesma linha, a Conferência ouviu os relatórios do Conselho Nacional Sírio. Congratulou-se pela adopção formal do Pacto Nacional, e pela vontade dos membros do Conselho de trabalharem unidos, esquecendo que a última reunião do CNS acabou aos berros, com alguns a bater com a porta e com a demissão de 24 delegados curdos. Assim, a Conferência reconheceu o Conselho como «um» representante legítimo de todo o povo sírio, e como uma organização que congrega os grupos de oposição sírios.
Estas imerecidas felicitações não devem ser entendidas como traduzindo uma ignorância da situação ou uma cegueira, mas antes como um rebuçado diplomático para fazer esquecer delicadamente uma forte decepção. Com efeito, a Conferência recusou reconhecer o Conselho como «o» representante do povo sírio, ou seja como um Parlamento no exílio, que teria podido designar um Governo no exílio e reivindicar o assento sírio na ONU. Esta recusa mostra que os «Amigos» da Síria renunciaram a mudar o regime e que já não apostam no Conselho para governar. A sua função é doravante limitada à participação em campanhas mediáticas contra o seu país. Nesta perspectiva, o serviço de propaganda da Casa Branca tem necessidade de controlar a comunicação de toda a oposição síria. Por conseguinte, a Conferência exigiu passar a ter apenas um interlocutor, o Conselho, no qual todos os grupos de oposição foram instados a fundir-se.
O Centro sobre a responsabilidade síria
Encerrada esta questão da disciplina, a Conferência promoveu a criação de três novos órgãos. Em primeiro lugar, por iniciativa do departamento de Estado dos EUA, um Centro de informação foi encarregado de «recolher, juntar, analisar» todas as informações disponíveis sobre as violações dos Direitos do Homem cometidas pelas autoridades sírias tendo em vista o seu julgamento futuro por uma jurisdição internacional (4).
Em Damasco, as pessoas lembram-se que, há alguns anos, os Estados Unidos pensaram poder endossar ao presidente Bachar el-Assad a responsabilidade pelo assassinato do antigo primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. Na época, empenharam-se em coligir falsos testemunhos e a instalar o Tribunal especial para o Líbano. Ouviu-se então os vassalos de Washington no Médio Oriente profetizar que o presidente sírio seria levado para Haia amarrado de pés e mãos. As pessoas lembram-se também que os falsos testemunhos arranjados contra Bachar el-Assad se desfizeram no meio de escândalos de corrupção e que Washington decidiu orientar o seu dispositivo pseudo-judicial noutras direcções.
De qualquer forma este Centro terá sobretudo a tarefa de coordenar o trabalho das ONG já subvencionadas directa ou indiretamente por Washington, tal como a Amnistia Internacional, a Human Rights Watch ou a Federação Internacional dos Direitos do Homem. Para este trabalho de secretariado, o departamento de Estado desbloqueou de imediato 1,25 milhões de dólares e pôs à disposição pessoal escolhido a dedo.
O Grupo de trabalho sobre as sanções
A Conferência dotou-se de um Grupo de trabalho sobre as sanções. Trata-se oficialmente de coordenar as medidas tomadas pelos Estados Unidos, a União Europeia, a Liga Árabe, etc., para as tornar mais eficazes. Os sírios tinham respondido às sanções sublinhando que elas os fariam sofrer, mas que matariam alguns dos seus vizinhos. É por isso que o documento final especifica igualmente que o Grupo deverá garantir que as sanções não prejudiquem países terceiros, o que pode incluir a abertura de rotas comerciais alternativas.
Com efeito, a Liga Árabe foi forçada a suspender a aplicação de sanções que tinha decretado porque ameaçavam directamente a economia dos seus próprios membros. A título de exemplo, refira-se que a Jordânia se viu brutalmente privada de mais de dois terços das suas importações e teve de se privar da água potável que a Síria lhe fornecia. Numa semana, a sua economia afundou-se.
O Grupo de trabalho sobre as sanções parece portanto encarregado de resolver a quadratura do círculo. A sua primeira reunião terá lugar em Paris na segunda quinzena de Abril, ou seja antes da eleição presidencial francesa e da previsível mudança de política que daí advirá.
O Grupo de trabalho sobre o relançamento económico e o desenvolvimento da Síria
O terceiro e último órgão criado pela Conferência: o Grupo de trabalho sobre o relançamento económico e o desenvolvimento. Inicialmente esteve previsto que o Conselho Nacional Sírio formaria o primeiro governo sírio após o derrube de Bachar el-Assad. Nesta perspectiva, o CNS devia beneficiar de uma ajuda financeira considerável que lhe permitiria cativar uma população esgotada pelas sanções.
A promessa deste maná atraiu ao seio do Conselho todos os «tubarões».
Na medida em que, por um lado, já não se coloca a mudança de regime e, por outro lado, se anuncia um reforço das sanções, por que ajudar então o presidente el-Assad a relançar a economia e a desenvolver o seu país? E por que motivo este grupo de trabalho é co-presidido pelos Emirados e pela Alemanha?
A nossa hipótese, até melhor informação, é que este grupo de trabalho está encarregado de tratar do pagamento das indemnizações de guerra pela França em troca da libertação dos seus oficiais detidos na Síria. Os nossos leitores e ouvintes sabem que 19 militares franceses foram presos na Síria e que três deles foram entregues ao Chefe de Estado Maior, o almirante Edouard Guillaud, aquando da sua deslocação ao Líbano. As negociações entre as duas partes em conflito prosseguem com a intermediação dos Emirados árabes unidos. A França admite que os prisioneiros são seus nacionais, ainda que todos tenham uma dupla nacionalidade, algerina ou marroquina, mas nega que se trate de militares em missão. A França sustenta que se trata de jihadistes, que foram combater por sua própria iniciativa e voluntariamente. A Síria sublinha que o material de comunicações da NATO que eles detinham prova que actuavam sob as suas ordens. Seja como for, a França poderia pagar uma indemnização pela sua libertação, mas o montante desta é difícil de estabelecer. A Síria reclama indemnizações de guerra por milhares de mortos e infra-estruturas destruídas. A França alega que, se houve uma guerra secreta, ela não a conduziu sozinha e que portanto não pode ser considerada como a única responsável. No caso da França abrir os cordões à bolsa, recusará reconhecer publicamente o motivo desse pagamento. Por esse motivo precisa de «anonimizar» tal pagamento com o apoio do seu parceiro alemão.
Qual é a estratégia da NATO e do CCG
O balanço desta Conferência deixa entrever a nova estratégia dos Estados Unidos, e por consequência a da NATO e a do CCG.
Washington renunciou a mudar o regime sírio porque não dispõe de meios militares. Numa primeira fase, para além de o reconhecer, o secretário da Defesa León Panetta sublinhou que uma intervenção militar não faria mais do que complicar a situação no terreno e precipitaria o país numa guerra civil em vez de a evitar. Depois, o Chefe de Estado Maior, general Martin Dempsey, e o comandante do CentCom, general James Mattis, admitiram que a Força Aérea dos EUA não poderia bombardear a Síria se recebesse uma tal ordem porque o país está equipado pela Rússia com o mais eficaz sistema anti-aéreo do mundo. Por outro lado, os generais norte-americanos admitiram que continuam a exercer uma vigilância aérea e espacial da Síria, não para fornecer informação ao Exército sírio livre, mas para se assegurarem de que o país não se dota de arsenais químicos e biológicos. Por outras palavras, Washington não só renunciou a derrubar o regime pela força, como está vigilante para que tal não suceda a fim de evitar um conflito com a Rússia, a China e o Irão.
Em contrapartida, Washington arroga-se o direito de instrumentalizar o caso sírio para embaraçar Moscovo e Pequim. A criação do Centro sob a responsabilidade síria resume-se à implementação de uma nova campanha de propaganda anti-Síria, já não para abrir caminho a uma intervenção da NATO, mas para acusar a Rússia e a China de serem ditaduras solidárias com outra ditadura. E as sanções já não visam desmoralizar a burguesia e a fazê-la voltar-se contra o regime, mas a obrigar a Rússia e a China a pagar pela Síria.
É nesta perspectiva que se deve interpretar a agitação de Alain Juppé. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros sabe que as suas declarações anti-sírias são ocas, mas nada mais lhe resta do que fazê-las porque em breve deixará as suas funções, e o seu sucessor recusará assumir as consequências disso em nome da alternância política. A sua permanente incontinência verbal serve simultaneamente para alimentar o dossier que o Centro prepara sob a sua responsabilidade, e para satisfazer um lobby cujo apoio lhe será útil quando se encontrar na oposição.
A propósito, Damasco, que antecipa a derrota eleitoral de Nicolas Sarkozy, enviou um diplomata de alto nível a Paris. O diplomata encontrou um dos seus amigos, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros socialista, que lhe apresentou François Hollande. A Síria conhece perfeitamente os laços que ligam o candidato socialista a Israel e ao Qatar. Mas não duvida de que o próximo presidente francês se alinhará em primeiro lugar com a posição dos EUA e que porá cobro a todo o apoio à oposição armada.
(1) Os takfiristes são muçulmanos sectários que acreditam deter toda a verdade e pretendem eliminar os heréritos. Os seus principais chefes espirituais estão refugiados na Arábia Saudita, de onde apelam a «matar um terço dos sírios para que os outros dois terços vivam», ou seja assassinar todos os não sunitas.
(2) «Conclusões da Presidência da Segunda Conferência do Grupo de Amigos do Povo Sírio», Voltaire Network, 1 de Abril 2012.
(3) «Liderança política síria para a transição para um Estado civil, democrático, pluralista, independente e livre, que respeite os direitos das pessoas independentemente da sua etnia, crença ou género».
(4) «State Department on Syria Accountability Clearinghouse », Voltaire Network, 2 Abril 2012.
Tradução da responsabilidade da Redacção do Avante, que o publicou hoje.
Original em www.voltaire.org
terça-feira, 17 de abril de 2012
"A memória do saque", filme de Fernando E. Solana (na coluna da direita)
Agora que a Argentina decidiu nacionalizar a Repsol argentina e o governo espanhol faz duras ameaças contra essa decisão, importa rever este filme com calma e reflexão.
NOTA DE INTENCION:
La tragedia que nos tocó vivir con el derrumbe del gobierno liberal de De la Rúa, me impulsaron a volver a mis inicios en el cine, hace más de 40 años, cuando la búsqueda de una identidad política y cinematográfica y la resistencia ala dictadura, me llevaron a filmar "La Hora de los Hornos". Las circunstancias han cambiado y para mal: ¿Cómo fue posible que en el "granero del mundo" se padeciera hambre? El país había sido devastado por un nuevo tipo de agresión, silenciosa y sistemática, que dejaba más muertos que los del terrorismo de Estado y la guerra de Malvinas. En nombre de la globalización y el libre comercio, las recetas económicas de los organismos internacionales terminaron en el genocidio social y el vaciamiento financiero del país. La responsabilidad de los gobiernos de Menem y De la Rúa no exime al FMI, al Banco Mundial ni a sus países mandantes. Buscando beneficios extraordinarios nos impusieron planes neoracistas que suprimían derechos sociales adquiridos y condenaron a muerte por desnutrición, vejez prematura o enfermedades curables, a millones de personas. Eran crímenes de lesa humanidad en tiempos de paz.
Una vez más, la realidad me impuso recontextualizar las imágenes y componer un fresco vivo de lo que habíamos soportado durante las tres décadas que van de la dictadura de Videla a la rebelión popular del 19 y 20 de diciembre de 2001, que terminó con el gobierno de la Alianza. "Memoria del Saqueo" es mi manera de contribuir al debate que en Argentina y el mundo se está desarrollando con la certeza que frente a la globalización deshumanizada, "otro mundo es posible".
Fernando E. Solanas
CARTA A LOS ESPECTADORES:
Cientos de veces me he preguntado cómo es posible que en un país tan rico la pobreza y el hambre alcanzara tal magnitud? ¿Qué sucedió con las promesas de modernidad, trabajo y bienestar que pregonaran políticos, empresarios, economistas iluminados y sus comunicadores mediáticos, si jamás el país conoció estos aberrantes niveles de desocupación e indigencia? ¿Cómo puede entenderse la enajenación del patrimonio público para pagar la deuda, si el endeudamiento se multiplicó varias veces comprometiendo el futuro por varias generaciones? ¿Cómo fue posible en democracia tanta burla al mandato del voto , tanta degradación de las instituciones republicanas, tanta sumisión a los poderes externos, tanta impunidad, corrupción y pérdida de derechos sociales?
Responder a los interrogantes que dejó la catástrofe social o repasar los capítulos bochornosos de la historia reciente, sería imposible en los limitados márgenes de una película: hacen falta muchas más, junto a investigaciones, debates y estudios para dar cuenta de la magnitud de esa catástrofe.
Esta película nació para aportar a la memoria contra el olvido, reconstruir la historia de una de las etapas más graves de la Argentina para incitar a denunciar las causas que provocaron el vaciamiento económico y el genocidio social. "Memoria del saqueo" es también un cine libre y creativo realizado en los inciertos meses de 2002 , cuando no existían certezas sobre el futuro político del país. A treinta y cinco años de "La Hora de los Hornos", he querido retomar la historia desde las palabras y gestos de sus protagonistas y recuperar las imágenes en su contexto. Procesos e imágenes que con sus rasgos propios también han golpeado a otros países hermanos. Es una manera de contribuir a la tarea plural de una refundación democrática de la Argentina y al debate que en el mundo se desarrolla frente a la globalización deshumanizada con la certeza de que "otro mundo es posible".
Fernando Solanas / Marzo 2004
NOTA DE INTENCION:
La tragedia que nos tocó vivir con el derrumbe del gobierno liberal de De la Rúa, me impulsaron a volver a mis inicios en el cine, hace más de 40 años, cuando la búsqueda de una identidad política y cinematográfica y la resistencia ala dictadura, me llevaron a filmar "La Hora de los Hornos". Las circunstancias han cambiado y para mal: ¿Cómo fue posible que en el "granero del mundo" se padeciera hambre? El país había sido devastado por un nuevo tipo de agresión, silenciosa y sistemática, que dejaba más muertos que los del terrorismo de Estado y la guerra de Malvinas. En nombre de la globalización y el libre comercio, las recetas económicas de los organismos internacionales terminaron en el genocidio social y el vaciamiento financiero del país. La responsabilidad de los gobiernos de Menem y De la Rúa no exime al FMI, al Banco Mundial ni a sus países mandantes. Buscando beneficios extraordinarios nos impusieron planes neoracistas que suprimían derechos sociales adquiridos y condenaron a muerte por desnutrición, vejez prematura o enfermedades curables, a millones de personas. Eran crímenes de lesa humanidad en tiempos de paz.
Una vez más, la realidad me impuso recontextualizar las imágenes y componer un fresco vivo de lo que habíamos soportado durante las tres décadas que van de la dictadura de Videla a la rebelión popular del 19 y 20 de diciembre de 2001, que terminó con el gobierno de la Alianza. "Memoria del Saqueo" es mi manera de contribuir al debate que en Argentina y el mundo se está desarrollando con la certeza que frente a la globalización deshumanizada, "otro mundo es posible".
Fernando E. Solanas
CARTA A LOS ESPECTADORES:
Cientos de veces me he preguntado cómo es posible que en un país tan rico la pobreza y el hambre alcanzara tal magnitud? ¿Qué sucedió con las promesas de modernidad, trabajo y bienestar que pregonaran políticos, empresarios, economistas iluminados y sus comunicadores mediáticos, si jamás el país conoció estos aberrantes niveles de desocupación e indigencia? ¿Cómo puede entenderse la enajenación del patrimonio público para pagar la deuda, si el endeudamiento se multiplicó varias veces comprometiendo el futuro por varias generaciones? ¿Cómo fue posible en democracia tanta burla al mandato del voto , tanta degradación de las instituciones republicanas, tanta sumisión a los poderes externos, tanta impunidad, corrupción y pérdida de derechos sociales?
Responder a los interrogantes que dejó la catástrofe social o repasar los capítulos bochornosos de la historia reciente, sería imposible en los limitados márgenes de una película: hacen falta muchas más, junto a investigaciones, debates y estudios para dar cuenta de la magnitud de esa catástrofe.
Esta película nació para aportar a la memoria contra el olvido, reconstruir la historia de una de las etapas más graves de la Argentina para incitar a denunciar las causas que provocaron el vaciamiento económico y el genocidio social. "Memoria del saqueo" es también un cine libre y creativo realizado en los inciertos meses de 2002 , cuando no existían certezas sobre el futuro político del país. A treinta y cinco años de "La Hora de los Hornos", he querido retomar la historia desde las palabras y gestos de sus protagonistas y recuperar las imágenes en su contexto. Procesos e imágenes que con sus rasgos propios también han golpeado a otros países hermanos. Es una manera de contribuir a la tarea plural de una refundación democrática de la Argentina y al debate que en el mundo se desarrolla frente a la globalización deshumanizada con la certeza de que "otro mundo es posible".
Fernando Solanas / Marzo 2004
domingo, 15 de abril de 2012
Olhó amolador!
Durante algumas horas quem por aqui passou viu escrito "amulador", como se as mulas também se amolassem...As minhas desculpas, principalmente ao profissional que, por mão alheia, se viu enredado na confusão...
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
a crença e a sua primeira virtude foi a dúvida"
atribuída a
Carl Sagan (astrónomo, cosmologista, etc., 1934-1996)
segunda-feira, 9 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
A renegociação silenciosa da dívida irlandesa
O Le Monde de dia 3 refere que"Os irlandeses estão a começar a cansar-se do rigor que se tornou o seu dia-a-dia nos últimos anos. Em jeito de rebelião, metade dos contribuintes da pequena república decidiu não pagar o imposto de habitação cujos proprietários deveriam receber em 31 de março. Este é um sinal para o governo de Dublin a dois meses do referendo sobre o novo tratado orçamental europeu. Esta é uma das primeiras fissuras na aplicação de um programa de recuperação que até então não tinha causado grandes movimentos sociais, ao contrário do que poderia ter acontecido noutras nações periféricas da zona euro em crise ".
Parece afinal que a política de austeridade da Irlanda não é tão eficaz quanto isso...
Os últimos números conhecidos são preocupantes.
A Irlanda está novamente em recessão (queda de 0,2% do PIB no quarto trimestre de 2011), a taxa de desemprego atingiu os 15% e a dívida chega aos 108% do PIB. Não, não é um sonho. E é isto que explica a crescente tensão dos irlandeses contra o seu governo.
Mas para além de tudo isto, na completa indiferença dos mercados e dos media, a Irlanda... reestruturou a sua dívida. Muito discretamente. O que aconteceu? O país teve que pagar 3,1 mil milhões de euros. E conseguiu vir a reembolsá-los apenas... em 2025. Sim, daqui a 13 anos!!! . Foi exactamente o que a Grécia fez no mês passado e nenhum de nós esqueceu os debates, crises e cambalhotas na situação grega a que isso conduziu.
Certamente que 3,06 mil milhões, nestes tempos de crise da dívida soberana, são como um pequeno café ... mas o risco de propagação como mancha de óleo existe. Na verdade, são 31.000 milhões que o governo irlandês está a tentar reestruturar.
A União Europeia está a braços com as crises gregas, espanhola e portuguesa e não tem vontade de ver uma bomba extra para explodir em vôo sobre a aparente acalmia actual - uma pausa paga a um preço tão caro.
A UE tem em vista o referendo de 31 de maio. Os irlandeses vão pronunciar-se sobre o pacto orçamental da UE (aquele que pretende controlar os défices públicos na Europa e estabelece penalidades para os maus alunos da rigidez orçamental). Mas os precedentes não são muito tranquilizadores. Quando se trata de Europa, a Ilha Verde tem a tendência de votar contra...
Parece afinal que a política de austeridade da Irlanda não é tão eficaz quanto isso...
Os últimos números conhecidos são preocupantes.
A Irlanda está novamente em recessão (queda de 0,2% do PIB no quarto trimestre de 2011), a taxa de desemprego atingiu os 15% e a dívida chega aos 108% do PIB. Não, não é um sonho. E é isto que explica a crescente tensão dos irlandeses contra o seu governo.
Mas para além de tudo isto, na completa indiferença dos mercados e dos media, a Irlanda... reestruturou a sua dívida. Muito discretamente. O que aconteceu? O país teve que pagar 3,1 mil milhões de euros. E conseguiu vir a reembolsá-los apenas... em 2025. Sim, daqui a 13 anos!!! . Foi exactamente o que a Grécia fez no mês passado e nenhum de nós esqueceu os debates, crises e cambalhotas na situação grega a que isso conduziu.
Certamente que 3,06 mil milhões, nestes tempos de crise da dívida soberana, são como um pequeno café ... mas o risco de propagação como mancha de óleo existe. Na verdade, são 31.000 milhões que o governo irlandês está a tentar reestruturar.
A União Europeia está a braços com as crises gregas, espanhola e portuguesa e não tem vontade de ver uma bomba extra para explodir em vôo sobre a aparente acalmia actual - uma pausa paga a um preço tão caro.
A UE tem em vista o referendo de 31 de maio. Os irlandeses vão pronunciar-se sobre o pacto orçamental da UE (aquele que pretende controlar os défices públicos na Europa e estabelece penalidades para os maus alunos da rigidez orçamental). Mas os precedentes não são muito tranquilizadores. Quando se trata de Europa, a Ilha Verde tem a tendência de votar contra...
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
Agressão imperialista à Síria: a política de terror
Depois de terem sido obrigados a bater em retirada pelo exército sírio, os grupos armados responsáveis pela violência no país apostam nos atentados terroristas. Paralelamente, emergem novos elementos sobre a ingerência imperialista na Síria e a campanha de intoxicação pública realizada por meios de comunicação árabes e dos EUA com o objectivo de subverter os acontecimentos dos últimos meses no país.
O Avante! dá desenvolvimento a esta questão.
O Avante! dá desenvolvimento a esta questão.
As cenas de velhacaria de Passos e Gaspar
O episódio destes dias em que Gaspar dá o dito por não dito, por "lapso", sobre até quando vigorariam os cortes dos 13º e 14º mês da função pública e da generalidade dos reformados, revela várias coisas:
- Que membros do governo andaram a mentir aos portugueses quando disseram que seria no final de 2013;
- Que ainda agora não sabem como será em 2015;
- Que tudo está ainda mais imprevisível se prosseguir esta política assente no plano de agressão do governo e da troika no que respeita à debilidade das receitas derivadas de crescente redução do mercado interno, de um maior desemprego, mais encerramentos de empresas decorrentes nomeadamente da falta de liquidez, que a banca tem inviabilizado à generalidade das pme e micro-empresas, queda das exportações aprofundamento da recessão;
Há 25 anos, Mário Soares abria a Cavaco Silva o caminho da maioria absoluta
Ouvi hoje na Antena Um, a propósito da passagem dos 25 anos sobre a dissolução da AR em 1987, onde a direita estava em minoria, embora com governo minoritário de Cavaco. Hermínio Martinho (PRD) e Almeida Santos (PS) falarem sobre a decisão de Mário Soares.
Não ficou claro, porém, que após a dissolução, o então Presidente tinha a garantia de apoio parlamentar maioritário a um governo chefiado pelo então secretário-geral do PS, Vitor Constâncio, sem exigências de outros partidos em entrarem no governo.
Resumindo: Soares preferiu que passasse a absoluta a maioria relativa do PSD em vez de um outro governo minoritário, da iniciativa do PS, com apoio de uma outra maioria parlamentar, que passaria a minoria quando Soares achou "mais seguro" viabilizar a maioria de direita.
Se retomo este tema é para dar um pequeno contributo para que a História resista a mais um revisionismo e não por achar interessante, por completamente desadequado, a rediscussão dessa questão.
Não ficou claro, porém, que após a dissolução, o então Presidente tinha a garantia de apoio parlamentar maioritário a um governo chefiado pelo então secretário-geral do PS, Vitor Constâncio, sem exigências de outros partidos em entrarem no governo.
Resumindo: Soares preferiu que passasse a absoluta a maioria relativa do PSD em vez de um outro governo minoritário, da iniciativa do PS, com apoio de uma outra maioria parlamentar, que passaria a minoria quando Soares achou "mais seguro" viabilizar a maioria de direita.
Se retomo este tema é para dar um pequeno contributo para que a História resista a mais um revisionismo e não por achar interessante, por completamente desadequado, a rediscussão dessa questão.
Serra Pelada - foto de Sebastião Salgado
O Jorge recordou-nos uma frase de um dos grandes fotógrafos contemporâneos
“Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura”
(Sebastião Salgado)
“Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura”
(Sebastião Salgado)
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