domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um dia grande na Gulbenkian, em que destaco o filme sobre a ópera "Elektra"

Ontem, para assinalar os 50 anos da Fundação e a realização de obras profundas de renovação num investimento que é o maior desde a construção do CAM, segundo Santos Silva, a Gulbenkian ofereceu um programa cheio de interesse durante a tarde e a noite. Mas com a exigência de levantar os bilhetes às 10 h da manhã (!!), o que provocou no hall e foyer uma enchente que se desdobrava em múltiplos prolongamentos serpenteantes de mais de um milhar de pessoas...
Participámos com amigos nossos em alguns deles que aqui referirei.

Elektra


Tragédia num acto de Richard Strauss, e com libreto de Hugo von Hofmannsthal, a partir de Sófocles, apresentada em filme realizado, sobre a ópera realizada pela Ópera de Paris e Coro Gulbenkian, por Stéphane Metge
No interior do palácio real de Micenas, algum tempo depois da Guerra de Tróia, o rei Agamemnon morre, assassinado pela mulher e o seu amante, e a sua filha Elektra assume sucessivos comportamentos de vingança. Estes passam pelo assassinato de ambos, Clitemnestra e Egisto, às mãos de Orestes, irmão de Elektra. 
Clisótemis, irmã de ambos recusa-se a participar nestes actos sanguinários mas acaba por cantar com  a irmã, com sentimentos contraditórios, terminando Elektra por se entregar a uma desenfreada dança  ritual até à sua morte.
Uma grande ópera. Uma boa realização para o cinema.
Pena foi não terem sido fornecidos aos visitantes os nomes dos protagonistas que tiveram boas interpretações, em particular a cantora que encarna Elektra

Orquestra XXI

Interpretando muito bem  a sinfonia nº 1, em Ré maior, de Gustav Mahler

Orquestra Gulbenkian

Dirigida por Joana Carneiro, interpretou, em forma bastante razoável, o Assim falou Zaratustra", de Richard Strauss (tema de "2001 Odisseia no Espaço") e a Sinfonia Fantástica de Berlioz.


Vem cantar Gershwin com o Coro Gulbenkian

Era um desafio de memória ao cantar de algumas das mais belas canções de Gershwin.
Só foi conseguido em parte porque quem distribui as letras esqueceu-se que estavamos com a sala às escuras e não as podiamos ler apesar de alguns as manterem na memória.
Sucederam-se o cântico à liberdade Summertime, I got rythm, She's wonderful, Somebody loves me, Oh! I can't sit down ou It ain't necessalily so.
Entretanto uma lâmpada explodia por efeito de água numa infiltração (logo a seguir ao final das obras?).

O cansaço já nos tinha chegado e não vimos pela enésima vez o filme "2001 Odisseia no Espaço".

O governo continua a afunda o País e a sacrificar os portugueses. Há que o derrubar!

Já não é a primeira vez que o governo consegue repescar um aspecto de uma questão mais complexa para gritar por sinais positivos da sua governação.
Há dias foi a estimativa rápida do 4º trimestre do ano passado. Segundo o INE, nesse trimestre o PIB cresceu 1,6% comparativamente com trimestre homólogo de 2012 e ao fim de 11 trimestres consecutivos de variações homólogas negativas. E que a recessão se tinha atenuado. Houve até quem reparasse que teria sido na EU o que cresceu mais. Vã glória!...Quando o que importa ressaltar foram esses 11 anos consecutivos de perdas nunca antes verificados. Quando se chega ao fundo não se pode descer mais…
E importa referir que 2013 foi mais um ano de recessão, com queda do PIB de 1,4 %, quando o país nunca tinha estado em recessão consecutiva durante três anos. A isso correspondeu a destruição de riqueza produzida de cerca de nove mil milhões de euros, a uma destruição de mais de323 mil empregos, à subida da taxa de desemprego real de cerca de 24% com cerca de 1,4 milhões de desempregados e a uma emigração forçada de mais de 200 mil portugueses.
Importa ter em atenção que a queda do PIB previsto para 2013 é 40% inferior prevista no Orçamento de Estado para 2013!!
O governo pretende a destruição do sistema de protecção social, de ataque aos serviços públicos essenciais às populações, de desinvestimento que terá como consequência o arrastamento da situação de degradação económica e social do País para garantir aos grandes grupos económicos e financeiros, aos agiotas, aos especuladores uma substancial renda à custa da ruína do País.
Também a recente venda de dívida a 5% (mais do que é praticado com outros países europeus) tem mais objectivos eleitorais e vai empurrar para a frente os juros que crescem, para não falar da dívida que hoje é impagável.
Por tudo isto urge a demissão do governo e a convocação de eleições antecipadas.
Mas também porque a democracia está a ser reduzida constantemente

Muitos portugueses nas próximas eleições terão que repensar os votos que deram aos partidos do governo, evitando quaisquer coacções e exercendo uma corajosa nova opção dos votos na CDU, indispensáveis à ruptura com a política de direita e à construção de uma política patriótica e de esquerda, que assegure um desenvolvimento soberano e independente do País, de acordo com os interesses dos trabalhadores e do povo.
Mas até lá há que continuar a luta para derrubar o governo!



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Rumo alternativo para Portugal nas relações com a Europa


Na sessão de apresentação da candidatura  da CDU às próximas eleições para o Parlamento Europeu, João Ferreira, o cabeça de lista afirmou


(...) Afirmaremos e lutaremos, nas instituições e fora delas, por um rumo alternativo!
Um rumo alternativo:
- Que recupere o comando político e democrático do processo de desenvolvimento, com a subordinação do poder económico ao poder político e a afirmação do Estado como estrutura determinante e referencial na economia;
- Que recupere para os Estados instrumentos de política económica, monetária, orçamental e cambial;
- Que tem na propriedade e gestão públicas de sectores estratégicos da economia uma condição para criar riqueza e distribuir de forma socialmente justa a riqueza criada;
- Que salvaguarde e reforce os serviços públicos; rejeitando e revertendo os processos de liberalização e privatização em curso ou já concluídos;
- Que reforce os direitos dos trabalhadores, incluindo o direito à contratação colectiva e a uma reforma digna;
- Que implemente medidas de combate à pobreza e à exclusão social;
- Que promova a convergência no progresso das normas sociais e ambientais, com a institucionalização do princípio da não-regressão;
Que promova o desenvolvimento económico e o progresso social no quadro de uma relação sustentável e harmoniosa entre o homem e a Natureza;
- Que rejeite o militarismo e a guerra e promova a solução pacífica dos conflitos e o respeito pelo direito internacional.
(...)

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Great music is inexhaustible. 
In music, like in life, there are no limits."
"A grande música é inesgotável. 
Na música como na vida não há limites."
Claudio Abbado 
maestro italiano, 1933-2014

Governo facilita despedimentos por extinção do posto de trabalho

Ao redefinir e ordenar estes critérios, o governo dá mais um contributo para aumentar o desemprego.
Coloca em lugar mais destacado a pior avaliação do desempenho, acenando com o conhecimento dos critérios para essa avaliação, quando é certo que esta avaliação será sempre arbitrária e imposta pela entidade patronal. Seguem-se com importância decrescente as menores habilitações académicas e profissionais, a maior onerosidade da manutenção do vínculo laboral, a menor experiência na função e a menor antiguidade na empresa.
Resumindo, o patronato vê facilitado este tipo de despedimento que  já tinha sido aprovado no Código Laboral, paga menos, ficando claro que na empresa são os interesses do patronato que contam e não a estabilidade laboral, mesmo a baixos níveis de direitos e de remuneração.
O presidente da CIP considerou negativo não se ter mexido nas horas extraordinárias... Quer mais.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Em Sotchi a realidade bate as mentiras


Cerimónia inaugural
Desde que há alguns meses se começou ouvir falar destes Jogos Olímpicos de Inverno, encarregaram-se os media ocidentais de criar na opinião pública um clima de receio de atentados terroristas. Que expectativas desportivas, que atletas e países mais bem posicionados para acederem aos lugares mais destacados, que modalidades estão presentes foram coisas que nos foram omitidas, em benefício de mais uma campanha contra a Rússia.
A secessão falhada da Chechénia, apoiada pelos EUA e Inglaterra, pelo Paquistão e a Arábia Saudita, teve como operacionais membros da Al-Qaeda e terroristas chechenos, com uma já longa lista de crimes cometidos.
Não deixa de ser significtivo que ali, a dois passos, os "protestos" na Ucrânia, liderados pela extrema-direita, causem uma situação de insegurança junto à fronteira com a Rússia, como já referimos aqui anteriormente. E que por ali passem  oleodutos e gasodutos.russos para abastecer países ocidentais.

O desejo de todos nós é que os Jogos Olímpicos de Inverno continuem a correr bem como até aqui e que a "informação" deixe cair as aspas e possampos sabercomo eytão a decorrer as realizações desportivas de Sotchi.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Adelino Gomes e "O tempo de Mr Gates II"

Colaboro como professor e organizador de ciclos de conferências na UNISBEN (Universidade Intergeracional de Benfica) sobre temas relacionados com a História e a Contemporaneidade.
É uma escola muito especial.
Associação de Cultura e Artes de Lisboa –foi criada por um grupo de pessoas que achavam existir uma lacuna em relação à cultura, na freguesia de Benfica. Desta Associação, criada em 17 de Maio de 2006, nasceu a Universidade Intergeracional de Benfica – UNISBEN - que é frequentada por 700 Alunos em cada Ano Lectivo. 

A Unisben - Universidade Intergeracional de Benfica, é uma instituição de âmbito social e educativo, não-governamental e sem fins lucrativos, que nasceu com o propósito de combater a solidão e proporcionar aos seniores momentos de aprendizagem e lazer. 

Hoje é também frequentada por alunos mais novos que ali actualizam também conhecimentos.

Actividades como o Fado, o Teatro, a Tuna, o Coro, os Cavaquinhos, danças e cantares têm ensaios e actuações no exterior. São praticamente cem as disciplinas ali ministradas. As inscrições são muito acessíveis e permitem múltiplas escolhas.

Na passada 3ª f , no ciclo de conferências que coordeno sobre "Os dias de hoje, século XXI, o jornalista Adelino Gomes trouxe-nos uma importante reflexão " O tempo de Mr. Gates II. Poder e fragilidades dos media tradicionais". que nos levou à eventual inversão de posições entre quem comunica e quem recebe, a capacidade de controlo resultante das redes sociais.


Seguem-se, sempre às 3ªs feiras das 15 às 17 h, na sede na UNISBEN na R. Dr. José Batista de Sousa, perto do Fontenova, em Benfica as seguintes conferências: dia 11/2, "Cuidados de Saúde", pelo médico Silva Santos, dia 18/2 "Viabilidade da Segurança Social", pela investigadora Raquel Varela; 25/2 "Tráfico e Exploração Sexual de Mulheres", pela Dra. Inês Fontinha, directora do "Ninho"; 11/3, "O estado da Democracia", pelo deputado António Filipe; 25/3 e 1/4, "Desporto e Espectáculo", pelo ginasta Rogério Mota;22/4 e 29/4, "Cultura e redes culturais", por Aida Tavares, gestora e adjunta da direcção artística do Teatro S. Luiz. 6/5 "Ciência e Tecnologia", pelo investigador Frederico Carvalho; 13/5 "Habitação e Reabilitação", pelo Engº Fernando Sequeira, anterior administrador da EPUL; 20/5 "Globalização da Informação e Comunicação", pelo investigador Francisco Silva", consultor internacional; 27/5 "A droga e os seus circuitos", pelo médico João Goulão, presidente do Observatório Europeu da Droga e Coordenador nacional da Luta contra a Droga; 3/6 "O pensamento dominante", por Manuel Duarte, filósofo, 10/6 "Avaliação dos impactos das redes sociais. Intervenção e condicionamentos", por Vítor Dias, publicista; 17/6 "Estratégias globais e regionais das grandes potências; 1/7 "A crise do capitalismo e novos paradigmas", por António Abreu, engenheiro.

Anteriormente realizaram-se: 29/10 "Perspectivas vindas do século XX", por António Abreu, engenheiro; 5/11 "Segurança alimentar num contexto global", por Luciano Gonçalves, engenheiro técnico agrário; 12 e 19/11 "Financeirização da Economia", por Coutinho Duarte, economista; 3/12 "Corrupção", por António Filipe, deputado; 10/12 "A Criminalidade enquanto condicionante da segurança do cidadão", por Bernardo Colaço, juiz; 10/12 "O estado da justiça", por Fausto Leite, advogado; 21/1 "Educação" por Rui Namorado Rosa, professor universitário; "O mundo das radiações (os riscos do tabaco)", por Mariana Vaz das Neves, engenheira química, investigadora do ITN e consultora da EURATOM.

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"A fome não é um dever constitucional"
Adriano Moreira - político, professor
n. 1922, em entrevista recente

Um Secretário de Estado patético numa declaração contraditória

Pedro Lomba. Conheço-o das páginas do Público onde escrevia umas crónicas desinteressantes. Foi para Secretário Estado e ninguém o conhece. Será que a declaração pública feita hoje foi para dizer que existe? Se foi, foi muito mal. O jornalista que o entrevistou desfeiteou-o completamente. O debate que se seguiu em antena aberta crucificou-o.



O homem quer reequilibrar o saldo migratório que há muito está negativo com a atracção de cérebros portugueses espalhados pelo mundo cuja emigração foi estimulada pelo célebre convite feito há tempos pelo Primeiro-Ministro.

Estas intenções patéticas são contraditadas pelos cortes as bolsas de doutoramento e pelos grandes cortes às universidades, pela falta de oferta de trabalho qualificado pelas empresas e por todas os outros aspectos da estratégia deste governo de acelerar a polarização em dois extremos da distribuição de rendimentos: cada vez mais ricos com maior riqueza e cada vez mais pobres com menores rendimentos, com a pulverização da chamada "classe média", com a falta de crescimento económico, não apenas direccionadas para as exportações - não vai ser só por isso que reduziremos significativamente os nossos déficites, que em grande parte são devidos à estadia no euro e na UE e à especulação financeira de bancos internacionais que beneficiam da austeridade -  mas essencialmente para as necessidades de alargamento do mercado interno, criação de mais riqueza e dinheiro a circular,

Ó Pedro! Ó Lomba! - como diria o Castrim - sabes em que governo que estás? A fazer a política que faz e em que tu colaboras?
Como não deves ser nenhum "bééé-tecla 3", além de patético, estás a ser hipócrita e mentiroso!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Governo dificulta mais o acesso à Justiça

A antiguidade da reforma de Mouzinho da Silveira, mesmo com a actualizações que ao longo de décadas foram introduzidas, merecia uma verdadeira reforma que respeitasse quer as exigências técnico-jurídicas, quer a necessidade de uma crescente diversificação das áreas do Direito mas também uma relação com comunidades locais que, pela sua presença melhorada, contribuisse para o combate à desertificação, a um mais fácil acesso à justiça, contenção do empobrecimento das populações e confluísse para o reforço da coesão nacional e a cidadania.
A decisão do Governo de hoje, por proposta da ministra Paula Teixeira da Cruz, vai ao encontro de algumas destas necessidades, mas é muito determinada pelas pressões da troika e contribui para novas dificuldades no acesso à justiça, já muito dificultada pelas distâncias, despesas de transporte, despesas com advogados, adiamentos sucessivos de audiências, iliteracia de ainda uma parte importante da nossa população... É pois uma má decisão que importará rever.
A decisão de hoje vai dificulltar mais a vida de comunidades que já perderam Centros de Saúde, repartições das Finanças, estações dos CTT, e agora perdem a presença do único órgão de soberania que restava, a que acrescem cortes significativos em salários e reformas, mais desemprego ou emprego precário de baixos custos, peso crescente das despesas com medicamentos nos orçamenos familiares, elevação de taxas moderadoras, acréscimo dos custos de transportes e reduções de carreiras etc. Esta decisão contribui para o distanciamento das instituições e o peso que isso tem tido no estado de espírito das populações, no afastamento de quaisquer perspectivas de desenvolvimento, no isolamento das populações, na desertifica e perda de coesão nacional e de soberania.


O anunciado aumento da eficácia e celeridade da justiça, a capacidade restante às muitas "secções de proximidade (entrega de requerimentos, consulta de processos, realização de alguns actos judiciais por determinação do juiz ausente, o reforço com 140 juízes (para onde?) dos 300 da bolsa que tem funcionado
para a realização de julgamentos locais, serão questões que irão ser testadas pelas populações ao longo do tempo.
Mas a luta continuará contra tais malfeitorias.

Não  vou entrar na questão, mal-tratada pelos media, do que fecha, do que fica, das condições em que fica.
Reter-me-ei apenas a que falta de obras em alguns tribunais se resolve realizando-as.
Não está nada claro que nova possibilidades vai ter a rede informática em rede de suporte ao sistema. Só as 32 novas comarcas vão ficar em rede? E o resto do sistema, tribunais e "secções de proximidade"? E estes terão condições de video-conferência e os computadores, digitalização e impressoras a funcionar? Quem vai pagar aos utentes o acréscimo de despesas com transportes?

Enfim, por aqui fiquemos, para já.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A palavra aos comunistas ucranianos


Silenciado nas suas posiições sobre os conflitos internos no País, o Partido Comunista da Ucrânia dirigiu uma carta aberta a todos os ucranianos e à comunidade internacional
Nela avança com propostas que referimos abaixo mas caracterizando a situação
nas seguintes palavras



Queridos Camaradas

A Ucrânia entrou para a lista dos países afectados pelas "revoluções coloridas" . Ocorreu uma sucessão chocante massacres , vandalismos , motins e ataques a prédios do governo apareceram Das primeiras páginas dos meios de comunicação ocidentais .

Como parte dos confrontos incontáveis ​​centenas de manifestantes e forças de segurança ficaram gravemente feridos ,  levando à morte de vários manifestantes. Não se pode esquecer os sequestros em massa e violência política pelos elementos mais radicais .

Os recentes acontecimentos dissiparam o mito de que há na oposição na capital ucraniana entre um "regime criminoso " e " pacíficos dos Democratas Europeus. "

Na realidade , esses eventos vêm da luta entre clãs oligárquicos pelo poder na Ucrânia, e para o cargo presidencial em particular. Os acontecimentos actuais são um golpe.

Isto é confirmado pelas recentes acções da "oposição " que cria instituições paralelas de poder, e falando em nome das pessoas envolvidas em ações anti- constitucionais que alimentam o conflito na Ucrânia , forçando as autoridades a ir mais longe na repressão.

Atenção especial deve ser dada à crescente atividade de forças políticas neo- nazis e ultra- nacionalistas que fizeram a escolha de violência e ilegalidade , que causou o confronto e confrontos .

Estas organizações incluem , em particular " Spilna správa " ( Causa Comum ) , " Trizub " ( Trident), " UNA-UNSO ", " Lei do Setor ", " Svoboda ", etc .




O partido " Svoboda " ocupa um papel especial na escalada do conflito como um partido parlamentar no poder em algumas áreas do oeste - tem uma oportunidade real de continuar a sua política de subversão contra a ordem constitucional na Ucrânia.

Todas estas organizações estão unidos ideologicamente e seguir o exemplo de guerrilheiros ucranianos do nacional-socialismo alemão - Bandera e Shukhevych - repetindo os seus slogans.

Por exemplo, um slogan se tornou muito popular hoje em dia: "Glória à Ucrânia, Glória aos heróis !" foi de colaboradores ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial, quando os habitantes   pacíficos polacos e ucranianos  eram massacrados na Ucrânia Ocidental.

O Partido Comunista da Ucrânia informou o mundo comunista , os trabalhadores e os movimentos de esquerda de vários actos de vandalismo , como quando os neo- nazis destruíram as estátuas de Lenin e os monumentos da era soviética, mas actua agora com vandalismo contra monumentos erguidos em homenagem aos heróis da luta contra o fascismo.

Ao mesmo tempo , está-se a tornar cada vez mais claro que a Ucrânia caiu em numa espiral de violência . Com o apoio da oposição por parte das potências ocidentais , incluindo alguns políticos da Europa Ocidental , que estão a alimentar de forma mais clara o conflito na Ucrânia.

Em paralelo , o Departamento de Estado dos EUA tem apelado repetidamente às autoridades ucranianas para negociar com a oposição, retirar as tropas de policiamento nas ruas de Kiev e permitir que a "oposição "  ocupe os prédios do governo , quando comentava as últimas leis "2anti-democráticos e ditatoriais " aprovadas pelo Parlamento ucraniano.

No entanto , essas leis combinam perfeitamente com os padrões das democracias ocidentais, são semelhantes à legislação em vigor nos Estados Unidos e na União Europeia .

Por exemplo, de acordo com as novas leis , as organizações públicas ucranianos financiadas do exterior, e tendo contribuído para a intensificação do conflito, terão de ser registados como agentes estrangeiros . Na lei dos EUA, este é o caso desde 1930. O parlamento ucraniano acaba inspirado na experiência americana .

Leis que proíbem manifestantes pacíficos de esconder seus rostos como existem na Europa .

Assim, a Alemanha criminalizou o uso de capacetes cobrindo o rosto, o uso de escudos durante as manifestações . Na França, os mesmos crimes são puníveis com 3 anos de prisão e uma multa de € 45.000.

Essa proibição está em vigor nos Estados Unidos , Canadá e outros países. Violar as leis sobre protestos pacíficos na Inglaterra equivale a uma penalidade de £ 5.000 e até dez anos de prisão nos Estados Unidos como na Inglaterra .

Nos Estados Unidos , bater ou agredir um policia pode levar de 3 a 10 anos de prisão. Na França, o bloqueio da rodovia , por qualquer motivo é proibido.

De alguma forma, os políticos ocidentais que expressam indignação e preocupação com a situação na Ucrânia , contra o " endurecimento " da legislação ucraniana - não se quer  lembrar desses factos .

Nestas circunstâncias , o Partido Comunista da Ucrânia acredita que a responsabilidade pela violência reside a ambos os líderes ucranianos , cujas ações forçaram o povo ucraniano a envolver-se em manifestações de massa , como líderes das chamadas organizações de "oposição" militantes nacionalistas de extrema-direita e políticos estrangeiros que empurram as pessoas para a " radicalização dos acontecimentos " e a " lutar até o fim" .



Estamos convencidos da justeza das iniciativas dos comunistas para um referendo na Ucrânia , cuja implementação seria eliminar as bases de protestos populares e permitir que o povo ucraniano decida o seu próprio destino.

O Partido Comunista da Ucrânia declara a necessidade de acabar com o uso da força , para garantir a não-interferência nos assuntos ucranianos por potências estrangeiras e seus representantes , incluindo a uma mesa de negociação.

Ao mesmo tempo , todas estas tentativas de criar estruturas paralelas  não constitucionais só pode reforçar a oposição e criar uma ameaça real da escalada do conflito se transformar numa guerra civil .

Parte da população apoia o governo ,  outra a auto-proclamada "oposição" , e isso só vai levar ao  inevitável da Ucrânia.


Nestas circunstâncias , o Partido Comunista da Ucrânia apresenta as segvuintes propostas concretas para resolver a situação:

- Convocar um referendo para decidir sobre a política económica externa da Ucrânia em termos de integração regional;

- Adoptar políticas de reformas , que eliminem a instituição presidencial e estabeleça uma república parlamentar , aumentando significativamente os direitos das comunidades locais;

- Aprovar uma nova lei eleitoral , fazendo regressar a representação proporcional para a eleição de deputados da Ucrânia;



- Aprovar a reforma judicial e introduzir a eleição dos juízes .

Aproveitamos esta oportunidade , para vos pedir que contribuam para a reconciliação na sociedade ucraniana por todos os meios possíveis para que sejam apoiadas estas nossas propostas e a fim de garantir a maior cobertura noticiosa possível da situação política actual na Ucrânia.
Pedimos que condenem as actividades extremistas, propaganda do fascismo , o nacionalismo e o neonazismo na Ucrânia , bem como a ingerência estrangeira nos assuntos internos da Ucrânia e qualquer escalada na violência que possa vir a ocorrer.

Para mais informação ligar para


Jean-Marie Chauvier, Euromaïdan ou a batalha da Ucrânia , 25/Janeiro/2014; 
Ucrânia: "que posição"? , 13/Dezembro/2013, publicado pela revistaPolítica (Bruxelas);  
e reproduzido em www.globalresearch.ca, que tem outras peças sobre a Ucrânia; 
OUN e a Alemanha nazi: referências, ver Le Monde Diplomatique , Agosto/2007 ;

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Jornais de outros países

Se quiseres lêr jornais de outros países, clica  no link

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Os combates dos nossos dias

Ontem as manifestações contra o governo voltaram às ruas de Lisboa e do Porto. Depois do início do ano já protestos localizados  ocorreram numa série de situações, a mais recente na Associação Nacional de Freguesias contra Poiares Maduro, que com Relvas criaram verdadeiras aberrações nas fusões das freguesias. Não as compensando pelo acréscimo de responsabilidade que resulta de a passarem a terem de acorrer a territórios superiores aos de muitos municípios
O mesmo Poiares Maduro revela que, com a concessão de exploração da RTP, acelerada para ainda cair no mandato deste governo se não for demitido entretanto, as taxas de TV mais caras são para pagar despedimentos na empresa!

Há cortes em salários e pensões que vão ser adiados para depois das eleições europeias para depois serem aplicados rectractivamente de um só golpe...
O governo, para tornear chumbos do Tribunal Constitucional, vai dar prioridade na definição para o patronato que o grande critério para os despedimentos dos trabalhadores passe a ser a avaliação do seu desempenho...
A luta vai continuar. É certo que há quem tenha momentos de descrença, expressando alguns que isto "já lá não vai com manifestações nem com eleições" por o governo ainda não ter sido derrubado. Essa descrença não pode ser um guia para a negação do combate.
Temos que levantar de novo vontades e fazer surgir outras. Todos os sectores incluindo os militares e militarizados, as polícias vão assumindo uma consciência de que tal estado de coisas não pode continuar e poderão expressá-lo colectivamente de diversas formas.
Importa não deixar nenhum companheiro para trás. Isso ajudará a que consigamos derrubar este governo no mais curto prazo de tempo.

Tanbém no plano internacional  factos há que prendem a nossa atenção.
Na Ucrânia a extrema direita, ao som de slogans nazis, pôs o centro da cidade de Kiev num caos. Queimou, partiu, fez barricadas e incendiou pneus, partiu para o combate contra as forças policiais. Em nenhum país do mundo isto seria tolerado. A administração está bloqueada e o país não avança. Mas o governo português vê auspiciantes sinais na fractura do país que isto está a provocar, mesmo que as recentes decisões da Fed norte-americana vão abalar a Europa. Quererão os actuais membros do euro ou da Eurpa sem euro espoliar a Ucrânia?  Os EUA e a UE apoiam esta revolta, abertamente, sem pingo de vergonha. Se isto ocorresse entre eles já tudo teria voltado à normalidade, com cargas policiais, remoção de entulho e limpeza de zonas emblemáticas das suas cidades. O que está em jogo também é a captação da Ucrânia para a UE e a NATO, país que forma longa fronteira terreste e marítima com a Rússia. A NATO e os EUA nunca esconderam que os seus próximos golpes serão contra a Rússia e a China.
Não me referirei a outros temas internacionais.
Basta que neste caso não nos deixemos embalar pela persistência dos media internacionais e correspondentes mais papistas que o Papa nem pelas dúvidas que possam merecer algumas atitudes da Rússia em se querer proteger nem de Ianukovitch que se fosse odiado pelo seu povo há muito teria caído.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A Bailarina de Miró

‘A Bailarina II’ surgiu em 1925 e viajou o mundo para mostrar seu talento. Dança, rodopia e se faz presente assim como a lua que insiste em iluminá-la. Misteriosa, até mesmo o cantor e compositor Oswaldo Montenegro apaixonou-se por ela presenteando-a com uma canção. O coração estava sempre tranqüilo, mas aquecido como o fogo que contornava todo aquele azul. Seus gestos delicados deixavam marcas que se espalhavam como pequenos pontos mágicos pelo ar.

"Não jogue com as estatísticas, fale da realidade"!...



Hoje na AR, Jerónimo de Sousa desmentiu Passos Coelho quando denunciou, face a uma suposta diminuição do desemprego, que durante o período de funcionamento deste governo perderam-se cerca de 300 mil postos de trabalho em termos líquidos (diferença entre os postos de trabalho destruídos e os efectivamente criados). E que não foram contabilizados os que emigraram (estimativa de cerca de 2500 mil) e deixaram, por isso, de figurar na lista de desempregados. Importa ter ainda em conta. que a maior parte do novo emprego criado é de remunerações cerca de 25 a 30% menores que os correspondentes destruídos.


Frase de fim-de-semana


"There is always an easy solution 
to every human problem 
-- neat, plausible, and wrong."
"Há sempre uma solução fácil
para cada problema humano
- hábil, plausível e errada"

H.L.Mencken 
jornalista e crítico social americano, 
1880-1956

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Com respeito às palavras, de Hélia Correia

Com um beijinho para a Hélia Correia, tomo a liberdade de transcrever um artigo seu recente

      17.01.2014

I

Não tenho competência para escrever sobre os eventos da realidade. Começa a falha pelo léxico: nem sei se o termo “evento” pode usar-se aqui. Não aprendi o bom vocabulário. E quanto à organização para o discurso, saber onde ele começa e como acaba, mais o que pelo meio se vai pondo, tão pouco faço a mais pequena ideia. 

Eu, quando tenho de falar com alguém do género bancário ou fiscalista, aviso logo que sou das “Humanidades”, isto é, completamente ignorante. E peço caridade lexical, paciência: essas virtudes superiores. Nunca se fica muito esclarecido, mas trata-se de não incomodar. Um resto de amor-próprio determina que escapemos depressa do cenário. A humilhação chama pela maldade e eu resplandeço quando ocasionalmente alguém me diz uma palavra cara que posso decifrar rapidamente, emudecendo o interlocutor: “Sei o que significa, vem do grego”, disparo. E já não é uma conversa. É uma espécie mitigada de motim. O anedotário da revolução francesa regista que os motins não causam dano, são como uma pequena bebedeira. Não vale a pena perder tempo com motins. Não vale, aliás, a pena perder tempo. Estrebuchamos no vazio e alguém ri.

Parece, às vezes, que o cenário da ficção científica assentou no planeta actual: que criaturas mais ou menos humanóides nos conquistaram pelo interior e desapoderaram-nos de tudo, esperança, dignidade e alegria. Vimos tanto clamor nas praças gregas, cólera e fogo com nenhuma consequência. É como se entre os protestantes e o poder não houvesse trajecto, não houvesse natureza contínua. Duvido até que conseguissem procriar se a carne de uns e de outros se encontrasse. Respiram ares diferentes e não faz sentido algum que certa retórica da esquerda os desafie a que experimentem a pobreza, a que tentem viver com o salário que destinaram para os indefesos. Provavelmente viveriam bem porque não se alimentam como nós. Nem dormem como nós. Talvez nem morram. A verdade é que pouco pensamento nós conseguimos produzir sobre eles. A desumanidade é um mistério.

II

Vejo como anda gente a reclamar que se dê espaço à imaginação. É uma herança daquele Maio de 68 que a queria no poder e fez com isso uma bonita frase. Aliás, não houve muito muito mais que herdar. Mas enquanto os filósofos confiam nos benefícios do receituário, longe deles e do fumo dos Gauloises está à espera a serpente,latet anguis. Os Le Pen crescem sem filosofia. E a imaginação, que faz? Distrai. Melhor será dizer que nos engana. A alegoria cibernética que eu acima explorei trouxe um sorriso a este texto enquanto texto. E mais além não vai. Fornece uma dinâmica de jogo e entretém vagamente até cansar.

Sim, porque é de cansaço que se trata. De exaustão, no sentido de não termos nem uma gota que nos dessedente. Eu tenho o pensamento habituado à escrita metafórica e aqui estou a criar uma imagem enganosa. Se procurar um modo de dizer exacto, brutal, limpo, em que a palavra perca os seus ademanes de palácio, não acharei em “exaustão” o termo certo. Ninguém caminhou tanto que se sinta quase a morrer por desidratação. No “país de poetas”, caímos automaticamente numa coloração vocabular que muito raramente dá bons textos. De tão familiar, não a estranhamos. Até deixamos que trabalhe contra nós.

Por que aceitamos que se fale, por exemplo, nas “gorduras do Estado”? O Estado não tem metabolismo. Tem excesso de despesas, muitas delas em mordomias e em disparates.Um Estado não “emagrece”: corta nos gastos, e a escolha para os cortes tem critérios, e os critérios não se aplicam ao acaso. Aquilo que se chama ideologia, a moldura mental com que um comum destino se interpreta e planeia, decide a escolha. E escolhe-se cortar naquilo que é empecilho ao projecto, no que se quer extinguir ou, pelo menos, fazer partir para onde não se torne visível. Com a metáfora sobre o corpo obeso dá-se a volta ao assunto, transformando-o em algo humanizado e censurável. Fica fora do alcance da razão — nos labirintos do imaginário, naquilo que culturalmente assimilámos a ponto de esquecer — a simpatia pela causa. Dentro de nós, a ideia do descuido, da glutonice, da preguiça, enfim, do Sul, facilmente coabita com a ideia de punição e de dieta rigorosa. Tomar medidas para emagrecer é justo e bom. Se implica sacrifícios, são sacrifícios de ginásio, desses que conferem certa estética ao suor. Só um bulímico se recusa a entender e a estimar um regime que assegura saúde e elegância a quem o siga. Alcança longe, a manha da metáfora. 

É necessário estarmos prevenidos contra os efeitos destas redacções. Há, no deslize para as figuras de compêndio, quase um tropismo, uma procura de consolo. Isso empobrece a agudeza do olhar. Sei que aquilo que eu disse muita vez — “Hoje o nosso inimigo não tem rosto”, para significar que é mais difícil reconhecê-lo, assinalá-lo e confrontá-lo, não é só uma frase retórica e inútil — partilha essa tendência viciante para a baixa literatura que nos dá a ilusão de intervir pela palavra. O que a expressão “sem rosto” cria é uma distância e, mais que uma distância, uma abstracção. Junta-se aos nossos medos ficcionais. Começámos com o Feiticeiro de Oz, vamos ao Orwell e a lição que retiramos é que, no fim, acaba tudo bem, os livros fecham-se e as crianças vão para a mesa. Bettelheim explicou que serventia têm estes entrechos. Um adulto já não beneficia com semelhante kit de aprendizagem. Corre o risco de hipnose. Vai pelo sonho. Estou convencida de que sonhar leva a que a musculatura se atrofie.

Temos que chegue de pequena literatura. Os governantes descobriram o filão e desataram a usar sem pejo os melhores truques da Academia. Metaforizam desalmadamente e é com muito sucesso que recorrem aos artifícios da prosopopeia, como novos Pessoas ou Camões. O que é o Bojador ao pé de um Estado pejado de gorduras, de mercados que são como velhos senhores que não tomaram a valeriana e atiram os criados escada abaixo nos maus humores da indigestão? Que mulher fabulosa é essa Europa a quem nós temos simplesmente de agradar sem compreender bem os seus caprichos? A Rainha de Copas da Alice, que tanto atormentou a minha infância porque gritava “Cortem-lhe a cabeça!” sem que se vislumbrasse uma razão, grita outra vez. Mudou apenas de idioma. Eles declaram: “Ela quer”, “ela ameaça”, “ela não anda nada satisfeita” e a cada um desses avisos nós levamos os dedos ao pescoço, com receio de que a cabeça já não esteja lá.

Quanto a enredos, tecem-nos com brilho, sobre modelos de novecentos. Por que tenho pensado ultimamente no Conde de Monte-Cristo quando leio os jornais? Porque vemos enredo semelhante, com o injustiçado que enriquece e acaba por ser dono do destino daqueles que o maltrataram. Edmond Dantès agora é angolano. Naturalmente, há um pedido de desculpas, uma genuflexão, talvez. The end?

Eles, os novéis cultores da ficção, vão-se referindo muito à “narrativa”. Por “narrativa” hão-de querer dizer o encadeamento temporal das acções. Mas vão mais longe ao conseguirem sugerir a malignidade da intriga, a vontade de drama que é aquilo que enche o texto de pathos e produz no leitor surtos de acidez moral. Conhecem bem o ofício: não se deixam manietar pelas questões da lógica, da verosimilhança ou da coerência. Mentem com toda a glória, porque não? Não é toda a grande obra uma mentira? É só preciso que quem mente minta bem. Minta na sua glória de poeta. Os governantes mentem com virtude.

E, no entanto, as pessoas não apenas clamam contra o prodigio criativo como até se declaram indignadas. Por causa da palavra “indignação” é que me pus a rabiscar o texto. Porque é uma palavra extraordinária. Deu a volta por dentro de si mesma para contrariar o seu significado. E tratou disso logo que nasceu, não houve aqui evolução semântica. No rigor do latim, que julgaríamos incontornável, vemos surgir uma palavra derivada pela prefixação do in negativo, que transforma um conceito no oposto. “Indignado” é o que é tornado indigno. E eis, porém, que a palavra não se aceita a ela própria, empreende uma singular rebelião. Nega a humilhação que cai sobre ela. O indignado, dizendo-se indignado, renega a sua condição, rebela-se. Vejam o quanto esta palavra é poderosa. Como deitou ao chão a sua origem. Como tomou nas mãos a sua vida.

Isto pode parecer prosa de exaltação, mas não passa de simples constatação linguística. Provavelmente precisamos disto. Enquanto os outros fazem literatura e a temática Dickens encontra no país uma oportunidade para se impor, tornemos nós ao simples, ao sensato, ao denso e intenso uso das palavras. Com o abuso do estilo, fomos deixando para trás a frescura das origens, a fisicalidade da palavra, ela que é parte do real e nele se inscreve. Sei que o caminho para a abstracção foi útil e foi bom porque nos fez aceder, por exemplo, aos conceitos. Mas, mutatis mutandis, assim como Hölderlin teve certo desígnio ao traduzir Antígona, também eu gostaria de repor a primeira energia da linguagem, recordando a nudez inicial. Falemos de “catarse” — que se aplica à gritaria das manifestações. Serve a catarse para energizar? Não serve. Uma catarse é má medida. Uma catarse era concretamente vómito de ressaca. O alívio de estômago a seguir a uma bebedeira. Era deitar para fora e ficar limpo. Transposta para a lição do teatro, assim durou, implicando sempre uma transformação. É isso o que se quer saindo à rua? Que a vivência nos lave do mal-estar? Falar não deve aliviar do mal. Pelo contrário, deve torná-lo inteligível e discutível. Torná-lo, a bem dizer, manipulável. Um material exterior e que, com esforço, consigamos dobrar. Nós precisamos tanto de catarses como de sonhos. Temos de levar outra intenção para as ruas.

O que é manifestar? É dar a ver. Dar a ver com as mãos. Não necessariamente mãos em festa — a etimologia é duvidosa. Provavelmente mãos conflituantes. Há com certeza uma finalidade para juntar num desfile a multidão, mas nós não somos já gente de ritos, não somos gente de re-ligação. Temos de inaugurar tudo novamente, a começar pelas frases de incentivo, pois as que ouvimos, de tão velhas, tão usadas, perderam o vigor. Estão transformadas em ladainhas de beatitude. Aliás, as mais das vezes não serviam como motores de mobilização, fracas de rima, rastejantes de sentido. Mas enquanto se caminhou a passo forte, enquanto, a velocidades várias, se manteve uma leitura histórica das coisas, uma certeza de alma potenciava aquele vocabulário esmaecido.

Se hoje as pessoas continuam a marchar é porque, à força de repetição, os sapatos estão enfeitiçados. Não é de dança, mas de espasmo, o movimento. O grito que invectiva já não faz estremecer o seu destinatário. O seu destinatário olha para “aquilo”, chama-lhe “aquilo”, e vai à sua vida. Mostra um grande talento para apoucar. Nós que talento revelamos? O da fé? O da brava teimosia? Repetimos os nossos argumentos… “até à náusea”: assim acaba a frase que herdámos da retórica latina. Não é possível refazer a língua? É, sim.

A nova poesia portuguesa já deitou as metáforas ao lixo. Está cheia de real e de um real sujeito a um olhar e a uma oficina que lhe conferem, numa mesma nota, estranheza e ressonância familiar. E há jovens cientistas muito atentos ao uso não utilitário da palavra, mais atentos, direi, do que muitos literatos. Eu tive o privilégio de falar, para uma sala de lotação superesgotada, sobre a pouca importância do enredo nos textos. Isso interessou-os extraordinariamente. Num mundo apoquentado por gravatas, eu vejo os meus amigos estudantes e doutorandos de Cultura Clássica, em não pequeno número, dispostos a cruzarem experiências e saberes como se tudo começasse agora e a Antiguidade nos tocasse. Se deles não vier o apetrecho que nos ensine a ver, e a ouvir, e a clamar com outro assomo de energia, se aplicarmos ao “hoje” o alfabeto que aplicámos ao “ontem”, nada lemos.

III

A nitidez que existia nas velhas ditaduras, os claramente vistos Bem e Mal, a ausência de dúvida nas causas, os perigos a que o corpo se arriscava, alimentavam plenamente a alma. Não era porque o inimigo tinha um rosto que a resistência se tornava articulada com a própria vida, como uma moral. Não tinham rosto os espiões da PIDE. Havia nomes, sim. Mas também temos nomes agora. A diferença é que o novo poder não ameaça directamente com prisão e com tortura. Por um reflexo quase biológico, a violência, o assassinato, o corte da estrutura vital cria mais vida. Era esse o princípio que levava uma revolução a triunfar.

O grande golpe é o que se dirige à alma. O meu sentido de “alma” é o que vem da anima latina, claro está, a instilação da vida que nos torna activos e pensantes. Qualquer torcionário aprende cedo que a alma não se tira com a faca mas com manobras de desorientação e de abatimento. O sopro anímico extingue-se depressa, bem mais depressa que o bater do coração, e sem sujar. “Desanimados”: eis a nossa condição. Bem mais difícil de remediar do que a de meros “oprimidos”, pela diferença que existe entre ter ânimo e não ter. 

O ânimo requer o alerta dos sentidos. Não por caso, entre os soldados na batalha, alma era sinónimo de coragem. É de coragem que necessitamos, da coragem de ver e rejeitar. Não vamos pelo sonho. Assistimos, tempos atrás, a uma breve ardência, quando se encheram praças a Oriente — chamou-se a isso a Primavera Árabe — e o mundo pareceu fácil de abraçar. Víamos o real? Não, não o víamos. E, no entanto, ele move-se sem nós. Move-se sem parar. Quando acordamos, não temos senão cinza nos cabelos. Há um gesto possível? Há um gesto. Pelo menos, sacudi-la. Pelo menos, neutralizar a fábula, desmascarar os efabuladores. Ainda não conhecemos os seus rostos. Somente os rostos dos pequenos servos. Conhecemos, porém, os artifícios.

Por que usam a palavra “austeridade”? Porque há nela uma certa ressonância de coisa justa, de atitude respeitável. Alexandre Herculano foi austero. Sóbrio, frugal, um tanto seco na expressão, honesto, incorruptível — isso mesmo. A austeridade é um estádio a que se chega num percurso moral muito esforçado. É um modo de vida, uma atitude pela qual alguém opta, numa escolha inteiramente pessoal, quando recusa render-se ao luxuoso e ao supérfluo. Classificar alguém de “austero” significa que lhe atribuímos qualidades pouco usuais no cidadão vulgar. Ouvimos a palavra e logo o nosso dicionário subconsciente nos assinala que é para respeitar, acatar e temer. Se há uma “austeridade” que castiga é porque andámos na dissipação. Pressupõe-se que nós baixemos a cabeça sob o pecado que a palavra implica. Na verdade, não há “austeridade” aqui. Há alguém empurrado para a miséria. É um processo involuntário, imposto por uma força superior, neste sentido de que não pode desobedecer-se. E imposto, no sentido, também, da inocência. Estamos a pagar o quê, porquê? Em que momento é que prevaricámos? Foi a comprar mais um televisor, foi a escolhermos uma sala com lareira? Nós aprendemos, no devido tempo, que não podemos alegar ignorância da lei se a violámos, mas havia uma lei contra o conforto? Havia alguma lei que proibisse os filhos de viverem como tinham vivido os patrões dos seus pais? Devo dizer aqui que o consumismo me desperta uma viva repugnância, que admiro e sigo, porque quero, a vida “austera”. Mas, porque eu ando de transportes públicos, entenderei que a compra de um automóvel deve entregar o cidadão ao agiota? Estou a falar de pequeninas coisas, de minúsculas coisas que não chegam para lançar uma pessoa no inferno. O grande gasto, o gasto vil, onde se oculta? 

Não, não nos pedem a “austeridade”. Eles exigem a pobreza e as suas consequências. Não, não fizemos mal. O que fizemos foi por fraqueza de desprevenidos ante a perversidade dos banqueiros. Não nos aliciavam com empréstimos? A bruxa má não estava a oferecer maçãs? Ficaremos agora deitados no caixão, narcolépticos, à espera de algum príncipe? 

Vamos de história em história, adormentados.

Uma palavra envenenada estraga o mundo. Basta atentarmos em “democracia”, palavra vinda de tão longe, trabalhada, moldada, experimentada tanta vez. Parece ter sofrido uma anquilose, uma patologia da velhice que a transformou numa entidade rígida. E o conceito que lhe corresponde imobiliza, prende, como num propósito de teia. Diz-se: o eleitor votou em liberdade. E essa liberdade manietou-o. Mais não pode fazer do que esperar pelo próximo processo eleitoral. E censuramos os abstinentes que nos respondem que “não vale a pena” — quando os factos lhes dão toda a razão. Porque a democracia está disforme, ainda que insistamos em louvá-la.

Se olharmos sem a ilusão veremos quão irreconhecível se tornou. Veremos como finda o seu processo ali onde devia ter início. Melhor dizendo: finda o que, em rigor, é perene. A palavra “escrutínio” significa, para nós, simplesmente, a contagem dos votos. Mas escrutínio não é apenas isso: é vigilância. É observação continuada, é um exame de comportamentos. Por alguma razão os ingleses, experientes neste assunto, ainda aplicam a expressão under scrutiny aos governantes. O sustentáculo da democracia está na possibilidade e na probabilidade de cada cidadão vir a ser eleito e, uma vez eleito, prestar contas. Essa é a superioridade da República e a sua beleza. O voto é só um expediente técnico que o espaçamento temporal vicia. 


Como se leva isso à prática não sei. Mas sei como se leva ao pensamento. E sei que o pensamento é o que faz levantar a cabeça. Estamos num tempo novo, rodeados por luz e escuridão para as quais não temos nem mapa nem farol. Temos modelos tão inspiradores como remotos. Certo é que a palavra é a obra do humano e a palavra não cessa de existir. Com palavras se fazem os fascismos, e Magnas Cartas e as Constituições. Cultivá-las, estudá-las, não nos salva talvez. Mas dignifica-nos. E se podemos aprender algo com o passado, antes de o perdermos completamente de vista, é que a dignidade se conquista e que a indignação a isso ajuda.

Peete Seeger








Pete Seeger foi um cantor norte-americano que me (nos) acompanhou toda a vida e que esteve presente em muitas das nossas lutas.
Os portugueses que puderam viram-no ao vivo em 1983 num Pavilhão dos Desportos cheio e entusiasta. Mas foram muitos mais os que o conheceram nos discos, nos convívios de combate. Não foi possível acertar datas para ele estar na Festa do Avante!
Autor de "If I had a hammer", e divulgador da música popular de raiz norte-americana, foi o grande responsável de da expansão no seu país da música folk. Popularizou também, adaptando-o a símbolo de luta, um gospel de outro autor, "We shall overcome", bem como cantou com frequência canções de luta de outros países.
Ele esteve presente em todas as grandes lutas e causas. Contra os nazis e o McCarthismo, que o perseguiu, contra a utilização da energia nuclear e a defesa do ambiente, esteve ao lado de Luther King e foi activista dos direitos cívicos dos negros norte-americanos e contra a guerra conduzida pelo seu país no Vietname, Laos e Cambodja, contra o bloqueio a Cuba, e mais recentemente contra as intervenções em vários países árabes.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Vamos recuperar o que nos foi roubado e demitir o governo

A Ministra das Finanças procedeu ontem a mais uma ginástica na apresentação da receita de 2013, incluindo nelas o elevado aumento de impostos ou os resultados do desagravamento fiscal.
Disse 5% de dívida tal como poderia dizer 6%. Mas enfim, a jigajoga é necessária porque o programa de "assistência" vai concluir-se em Março e o governo até quer a troika fora...Como se o programa cautelar que têm vindo a preparar com ela não arrastasse a nossa perda de soberania...

Mas também disse que a austeridade vai continuar e que as coisas não voltarão nunca a ser o que foram. Isto é baixa o déficite e pioram as condições de vida! Só que aqui a determinação do governo vai encontrar a luta dos trabalhadores e dos portugueses em geral que querem recuperar o que lhes foi roubado (salários, pensões, direitos, funções sociais do Estado mais debilitadas sob o apetite dos privados, etc.).
Nada disse a Senhora Ministra sobre o saque maior já contido no Orçamento de Estado, ainda sob a tutela definitiva do Tribunal Constitucional, onde não sei eu com que receitas imaginativas a Senhora nos vais dizer daqui a um ano a mesma coisa  mais um bodo temporário resultante da "almofada eleitoral" que quer obter.
Todo o país está contra o governo excepto os grandes grupos económicos, a banca, e alguns patrões que padecem da incontinência de se manter à mesa do orçamento. Por isso vamos lutar contra  e provocar a demissão do governo neste ano corrente.
Vamos todos, para já participar no dia nacional de luta da CGTP-IN.

Strella do Dia | En Lixboa, Sobre lo Mar - Quinta Estampida Real


Fundado na alvorada do presente milénio, os Strella do dia têm vindo a desenvolver um trabalho pioneiro relacionado com a pesquisa e interpretação musical na vertente da recriação histórica, mais precisamente com a época Medieval.
Ao longo de mais de 10 anos de existência, e com uma presença assídua nos maiores festivais de recriação histórica não só em Portugal como no estrangeiro, o grupo Português Strella do Dia, é actualmente uma referência a nível Europeu. 

Com a utilização de instrumentos como a gaita-de-foles, tarota, gralla, chalumeau, corno, timbalão, darbuka, bendir, crótalos, alaúde árabe, baglama, harpa e as flautas, a música torna-se plena em metamorfoses.
O repertório é retirado de documentação musical sobrevivente tais como: Cantigas de Santa Maria, Llibre Vermell de Montserrat, a compilação Carmina Burana, repertório tradicional e danças medievais como as "estampidas", "ductias", "saltarellos", entre outros.


Frase de fim-de-semana, por Jorge






"Theres is nothing so practical as a good theory"
"Não há nada tão prático como uma boa teoria"

Kurt Lewin
psicólogo germano-americano, 1890-1947

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Denúncia, o silêncio e a infâmia

A revelação de Manuela Ferreira Leite, em programa televisivo na 5ª feira à noite, foi seguida
por um silêncio quase sepulcral. Nenhum dos jornais que se auto-proclamam como "referência"
mencionou o assunto. A excepção honrosa foi o jornal i .
Pela boca da ex-ministra das Finanças e antiga dirigente do PSD ficou-se a saber que: 1) o
governo P.Coelho-P.Portas fez uma reserva oculta de 533 milhões no Orçamento de Estado de
2014; 2) que tal reserva daria para cobrir folgadamente as consequências do chumbo no
Tribunal Constitucional – "ainda sobrariam 200 milhões", disse ela; 3) que portanto a sanha
persecutória do governo contra os reformados, com cortes drásticos nas pensões, não tem
qualquer razão de ser; 4) que desconhece a que se destina o enorme "fundo de maneio" de
533 milhões à disposição da actual ministra das Finanças – "no meu tempo este fundo era
apenas de 150 milhões", disse Ferreira Leite.
Verifica-se assim que a infâmia do governo Coelho-Portas é ainda maior do que se pensava.
Há recursos orçamentais vultosos que são sonegados, reservados a finalidades desconhecidas
do público. E, apesar disso, o governo pratica uma nova e brutal punção sobre os magros rendimentos dos pensionista

sábado, 18 de janeiro de 2014

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Na prática, a teoria é outra"
boutade popular brasileira
cit. Onésimo T. Almeida
universitário e ensaísta açoreano,
n. 1946 no último JL


Carta de Marisa Moura à Administração a Carris

Exmos. Senhores José Manuel Silva Rodrigues, Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes, Joaquim José Zeferino e Maria Adelina Rocha

Chamo-me Marisa Sofia Duarte Moura e sou a contribuinte nº 215860101 da República Portuguesa.
Venho por este meio colocar-vos, a cada um de vós, algumas perguntas:
Sabia que o aumento do seu vencimento e dos seus colegas, num total extra de 32 mil euros, fixado pela comissão de vencimentos numa altura em que a empresa apresenta prejuízos de 42,3 milhões e um buraco de 776,6 milhões de euros, representa um crime previsto na lei sob a figura de gestão danosa?
Terá o senhor(a) a mínima noção de que há mais de 700 mil pessoas desempregadas em Portugal neste momento por causa de gente como o senhor(a) que, sem qualquer moral, se pavoneia num dos automóveis de luxo que neste momento custam 4.500 euros por mês a todos os contribuintes?
A dívida do país está acima dos 150 mil milhões de euros, o que significa que eu estou endividada em 15 mil euros.
Paguei em impostos no ano passado 10 mil euros. Não chega nem para a minha parte da dívida colectiva.
É com pessoas como o senhor(a) a esbanjar desta forma o meu dinheiro, os impostos dos contribuintes não vão chegar nunca para pagar o que realmente devem pagar:
O bem-estar colectivo.
A sua cara está publicada no site da empresa.

Todos os portugueses sabem, portanto, quem é.
Hoje, quando parar num semáforo vermelho, conseguirá enfrentar o olhar do condutor ao lado estando o senhor(a) ao volante de uma viatura paga com dinheiro que a sua empresa não tem e que é paga às custas da fome de milhares de pessoas, velhos, adultos, jovens e crianças?
Para o senhor auferir do seu vencimento, agora aumentado ilegalmente, e demais regalias, há 900 mil pessoas a trabalhar (inclusive em empresas estatais como a "sua") sem sequer terem direito a Baixa se ficarem doentes, porque trabalham a recibos verdes.
Alguma vez pensou nisso?
Acha genuinamente que o trabalho que desempenha tem de ser tamanhamente bem remunerado ao ponto de se sobrepor às mais elementares necessidades de outros seres humanos?
Despeço-me sem grande consideração, mas com alguma pena da sua pessoa e com esperança que consiga reactivar alguns genes da espécie humana que terá com certeza perdido algures no decorrer da sua vida.

Marisa Moura

Nos 30 anos da sua morte


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Os deputados do PCP

"Sou deputado do PCP na Madeira. Os deputados do PCP nunca foram beneficiados pelo exercício das funções que lhes foram atribuídas. Nem do salário de deputado beneficiaram ou beneficiam. No meu caso, entre 1996-99, recebi o valor equivalente ao salário mínimo e a partir de 1999, já como coordenador regional do PCP, passei a receber o correspondente ao salário dos funcionários do partido. Por aquela razão, hoje recebo cerca de 700 euros. Os meus deveres de militante justificam que os valores recebidos do ordenado mensal pago pela Assembleia, retirados os 700 euros, sejam entregues ao PCP para apoio à actividade política. Assim tem sido comigo, como com o Leonel Nunes que apenas beneficiou do equivalente ao salário de recepcionista do hotel Reid`s. Assim foi com os deputados do PCP que nos substituíram, a Isabel Cardoso e o Rui Nepomuceno.
As subvenções da Assembleia nunca foram tocadas por nenhum dos deputados, foram comprovadamente utilizadas pelo PCP na actividade político-parlamentar.
É, portanto, inaceitável que se faça crer, agora que o Tribunal de Contas julga a aplicação de subvenções parlamentares, que "é tudo farinha do mesmo saco". Não é justo confundir as situações em que os deputados em nada e nunca foram beneficiados e em que as subvenções foram aplicadas em actividade parlamentar, se bem que não circunscritas a assessorias técnicas, com os casos de desvios das subvenções para benefício pessoal ou para actos sem qualquer ligação parlamentar."

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

sábado, 11 de janeiro de 2014

René Aubry, Seduction, do album Ne m'oublie pas (2013)


A radicalização do mostrengo exige uma resposta à altura!

À hora a que escrevo, o CDS/PP prepara-se para passar de partido dos reformados a partido do roubo aos reformados. Tal não espanta pois Paulo Portas não prima pela coerência. Diz uma coisa e a sua contrária, de acordo com as suas conveniências de não desistir de partilhar a mesa.
É seu pensamento, não explicitado, que a sobrevivência do CDS/PP e a sua ao leme da coisa passa por
procurar listas conjuntas com o PSD em próximas eleições para disfarçar o previsível trambolhão eleitoral, e
por se manter no poder para daí alguns "dinheiritos" continuarem acessíveis e garantidas as oportunidades para uns boys terem uns "lugarzitos".
Apesar de algumas oposições internas se manifestarem, esta necessidade de continuar a respirar será assegurada por tais balões de oxigénio, e a "vitória" será esmagadora.

O governo vende os Estaleiros a amigos, garantindo prèviamente que não serão estes a pagar as indemnizações mas todos nós incluindo os trabalhadores que irão ser despedidos.
O alargamento para baixo dos limiares das reformas para aplicação da chamada "contribuição especial de solidariedade é um golpe violento. Os lucros das grandes empresas e as grandes fortunas não sofrem tais golpes. A reforma do Estado que se está a processar é tirar aos que menos têm para dar aos que mais têm. Cresce o número de pobres e igualmente o número dos muitos ricos. Um dos sentidos da "reforma" é este.
Mas o plano de financiamento da troika de lá e da de cá foi acompanhado pela exigência de mais
privatizações, da liquidação das funções sociais que o Estado garante por obrigação constitucional, obrigando o País - já que os seus governantes não se têm importado disso - a viver sob regime de protectorado que se somou à perda enorme de soberania que têm garantido a favor da UE, leia-se Alemanha. E depois rejubilam afirmando que esse plano vai acabar em Maio e que depois nos veremos livres da troika de lá...Essa é uma grande mentira que encobre a preparação de um plano de resgate onde as coisas aainda poderão fiar mais fino, isto é, mais dolosamente para os trabalhadores e para o País.
Continuar a luta pela queda deste governo impõe-se-nos como dever moral e patriótico.

Por isso deveremos mobilizar o máximo de pessoas para a Jornada de Luta que a CGTP-IN marcou para 1 de Fev ereiro