quarta-feira, 2 de outubro de 2013

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

«A BARCA DO INFERNO», de José Pacheco Pereira, 28 Setembro 2013


 Depois de amanhã, voltamos ao Portugal da troika. Vai começar o discurso puro e duro da violência social

Amanhã vota-se nas eleições autárquicas. Apesar do enjoo que suscitam no pedantismo nacional e no engraçadismo que substituiu o debate público, foram e são particularmente interessantes. São-no pelo seu significado nacional e local, são-no pela imensa participação cívica, pelo que revelam de tendências mais profundas da vida político-partidária, com a emergência de “independentes” fortes, mas são-no acima de tudo porque mostram um fugaz retorno da política e da democracia ao país da “emergência financeira”. Durante um mês, não fomos “intervencionados”, seja por escapismo irrealista, seja por liberdade, a política soltou-se. Não é por acaso que os partidários do “estado de excepção financeira” as tratam tão mal, como à democracia.
Estas eleições foram eleições livres da troika, para a asneira e para a coisa boa, capazes de ainda manter algum espaço saudável em que o garrote vil das “inevitabilidades” não entra. Foram eleições em que o PSD e o CDS prometeram pontes e calçadas, túneis e aquedutos, livros gratuitos e medicamentos para todos, óscares de Hollywood e prémios internacionais de arquitectura, ou seja, foram eleições que ocorreram nos bons e velhos idos do esbanjamento no seu máximo esplendor. Sócrates devia sentir-se em casa, no meio dos cartazes autárquicos, Passos Coelho devia pintar a cara de preto por não conseguir convencer os seus dos méritos de empobrecer. Mas, bem pelo contrário, andou nas arruadas soterrado por círculos e círculos de guarda-costas e polícias. Estranho, não é?
Depois de amanhã, voltamos ao Portugal da troika, em pleno pós-”crise Portas”, com o fantasma da instabilidade que o “irrevogável” fez sair da lâmpada e que não volta outra vez para lá, a habitar os escritórios assépticos da Moody”s e da Fitch. O Governo está paralisado, diria eu mais uma vez, se não fosse esse o estado mais habitual. Se os portugueses soubessem como são os Conselhos de Ministros, como todo o trabalho orçamental está bloqueado pelas resistências de ministros e pela espera das decisões da troika, percebiam muito do que é o estado do país. A coisa está tão negra e tão confusa, tão desesperançada, que nem o ministro da propaganda Maduro está com força anímica para inventar mentiras eficazes.
O último produto do laboratório orwelliano governamental para responder às decisões do Tribunal Constitucional é contraditório e pífio. Por um lado, diz Portas, o essencial da “reforma laboral” passou no Tribunal Constitucional (os feriados e os dias de férias…), e o menos importante (os despedimentos sem regras, estão mesmo a ver a irrelevância…) chumbou. E logo a seguir, dito pelo mesmo, o mantra ameaçador da perplexidade dos mercados face às decisões do Tribunal. Não percebo por que razão tendo tido o Governo vencimento de causa constitucional no que era mais importante, cai o Carmo e Trindade da Comissão, do BCE e do FMI, pela parte que era menos importante… Já nem sequer se preocupam em elaborar mentiras com algum nexo.
Mas o essencial do enorme impasse em que está a governação reside na conjugação da tempestade perfeita: a “crise Portas” deitou fora a “credibilidade” de Gaspar, e é natural que assim seja porque Portas saiu “irrevogavelmente” por considerar que a política de austeridade estava esgotada e queria mostrar resultados na “economia” e pôr a troika na rua. Está-se mesmo a ver como é que esses “sinais” são lidos pelos “mercados”, até pela sua inconsequência. Portas é o directo responsável pela crise dos juros portugueses e anda por aí em campanha eleitoral a falar de “recuperação económica”. Se houver segundo resgate, como muito provavelmente haverá, de forma aberta ou encapotada, agradeçam-lhe num lugar de honra. Não é o único, bem pelo contrário, mas foi de todos aquele que mais mal fez ao país, pela futilidade da sua vaidade e do seu gigantesco ego.
O menosprezo do Presidente pelos factores políticos da crise, que levou a manter em funções o “navio-fantasma” do governo da diarquia Passos-Portas, apoiado pela opinião publicada que assume o discurso da “inevitabilidade”, pela imprensa económica e peloestablishment financeiro, assente na fraqueza de Seguro, impediu que a solução, arriscada, imperfeita, e com custos, das eleições antecipadas pudesse alterar os dados da questão e permitir mais espaço de manobra política. Conheço muita gente que nem queria ouvir falar de eleições e hoje começa a perceber que elas permitiriam alterar os dados políticos, que o actual impasse não permite.
Por tudo isto, depois de amanhã vamos acordar na antecâmara do Inferno. Pensam que estou a exagerar? Na verdade, nestes dois anos, a realidade tem sido sempre pior do que a minha mais perversa imaginação, porque as coisas são como são, tão simples como isto. E são más. A partir de amanhã, haja convulsão mansa no PSD, ou forte no PS, acabarão por milagre as pontes, túneis e medicamentos gratuitos, que ninguém fará, nem pode fazer, e vai começar o discurso puro e duro da violência social contra quem tem salários minimamente decentes, quem tem emprego no Estado, quem recebe prestações sociais, quem precisa de serviços de saúde, quem quer educar os seus filhos na universida
de, quem quer viver uma vida minimamente decente, quem quer suportar uma pequena empresa, quem paga, com todas as dificuldades, a sua renda, o seu empréstimo.

O que nos vai ser dito, com toda a brutalidade, é que os nossos credores entendem que ainda não estamos suficientemente pobres para o seu critério do que deve ser Portugal. Apenas isto: vocês ganham muito mais do que deviam, não podem ser despedidos à vontade, têm mais saúde e educação do que deveriam ter, trabalham muito menos do que deviam, vivem num paraíso à custa do dinheiro que vos emprestamos e, por isso, se não mudam a bem mudam a mal. Isto será dito pelos mandantes. E isto vai ser repetido pelos mandados da troika, sob a forma de não há “alternativa” senão fazer o que eles querem. Haver há, mas nunca ninguém as quer discutir, quer quanto à saída do euro, quer quanto à distribuição desigual dos sacrifícios, de modo a deixar em paz os mecânicos de automóveis e as cabeleireiras e olhar para os que se “esquecem” de declarar milhões de euros, mas isso não se discute.
Por que é que, dois anos depois de duros sacrifícios, estamos pior do que à data do memorando, por que é que nenhum objectivo do memorando foi atingido, por que é que o Governo falhou todos os valores do défice e da dívida, porque é que o desespero é hoje maior, a impotência mais raivosa, o espaço de manobra menor, isso ninguém nos explicará do lado do poder. Vai haver um enorme atirar de culpas, à troika, do PSD ao CDS ao PS, à ingovernabilidade atávica dos portugueses, aos sindicatos comunistas, aos juízes conservadores do Tribunal Constitucional, e o ar ficará denso de palavras de raiva e impotência. Mas “vamos no bom caminho”, dirá o demónio de serviço à barca do Inferno. Depois de amanhã ouviremos essas palavras.»

A casita clara, de c. 1916, de Amadeo de Souza-Cardoso


sábado, 28 de setembro de 2013

As premonições de Natália Correia



"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis.
 Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".


Natália Correia

Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993


Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.

Frase de fim-de-semama, por Jorge

"Democracy is a device that ensures 
we shall be governed no better than we deserve."
"A democracia é um sistema que garante 
não se ser mais bem governado do que se merece"

George Bernard Shaw
(nobel da literatura irlandês, 1856-1950)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Domingo o voto é na CDU


LISBOA

LOURES

ALMADA
ODIVELAS
SINTRA




AMADORA

AZAMBUJA

VILA FRANCA DE XIRA

LOURINHÃ

CASCAIS





sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Repensar o 11 de Setembro

No passado dia 11 de Setembro reuniram-se em Times Square centenas de activistas do movimento "Repensar o 11 de Setembro" que mantêm em aberto a questão da origem das explosões e derrocadas em Nova Iorque. Metade dos nova-iorquinos têm sérias ou muito sérias dúvidas sobre as justificações oficiais. A maior parte das pessoas ignoram que uma terceira torre implodiu, tal como as "duas gémeas", e tal como elas, com todas as caracteriísticas de uma derrocada controlada como se faz a alguns prédios que as autarquias ou outros proprietártios pretendem demolir, e a que já assistimos em Portugal em Tróia ou no Bairro dos Aleixos.
Este movimento, baseado  num largo grupo de engenheiros e arquitectos de todo o mundo, tem um abaixo assinado a correr e a que poderá aceder neste site
http://rethink911.org/news/rethink911-events-in-new-york-city-september-2013/

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Grandes fotógrafos, grandes imagens, por Jorge

Gabriele Basilico - estética do todo: a fotografia de arquitetura e de paisagem
A luz é sempre amiga
GB

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Frase de fim-de-semana, por Jorge











"That's clear! That's clear? Dark's clear!"
"Claro! Claro? Escuro, claro!"
final da ópera multimédia 
A Laugh to Cry de Miguel Azguime,


estreada no recente 30º Festival de Almada

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Numa factura da EDP de 116 euros só 34 corresponderam ao que, de facto, consumimos...




Descriminação
Taxa
Importância
CUSTO EFECTIVO DA ELECTRICIDADE CONSUMIDA

34,00
Taxa RDP e RTP
7%
6.80
Harmonização Tarifária dos Açores e da Madeira
3%
1,60
Rendas por passagem de cabos de alta tensão para Municípios e Autarquias.
10%
5,40
Compensar de Operadores - EDP, Tejo Energia e Turbo Gás
30%
16,10
Investimento em energias renováveis
50%
26,70
Custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência e da ERSE
7%
3,70
Soma

94,30
IVA
23%
21,70
Total

116,00












domingo, 8 de setembro de 2013

A guerra do gás


1
O gás representa mais de um quarto do consumo energético da Europa e a tendência é para aumentar rapidamente. A visualização, neste caso dos gasodutos, explica muitas das guerras e tensões no Médio Oriente. O continente europeu importa 50% do gás que consome, sendo a Rússia, a Argélia e o Qatar os principais fornecedores. Um quarto desse gás vem da Rússia, através de uma única empresa: Gazprom.
2
Para contornar a passagem actual do gás pela Ucrânia, a Bielorússia e a Polónia, a Rússia decidiu criar dois gasodutos, a norte o "North Stream" e a sul o "South Stream", como podemos observar, a vermelho, no mapa seguinte: O "North Stream" é um projecto caro, dado que deverá passar por baixo do mar Báltico para atingir directamente a Alemanha. Este projecto é financiado a 51% pela Gazprom, mas também pela Alemanha, através da E. On e BASF com 20% cada. O "South Stream" deverá atravessar a Bulgária, a Hungria e a Sérvia e transportar 63 mil milhões de m3 de gás por ano. A Servia, aliado histórico da Rússia irá ter um papel determinante, com a construção de um depósito de 300 milhões de m3 de gás para eventuais falhas de abastecimento. Este projecto é co-financiado pela italiana ENI.
3
Este último projecto é um concorrente directo, como podemos ver do projecto europeu de "Nabucco", a vermelho no mapa seguinte: O gás proveniente do Azerbaijão deveria chegar até à Hungria, onde depois, seria distribuído na Europa ocidental. No entanto, o consorcio Shah Deniz, do Azerbaijão, optou recentemente por um projecto alternativo: o "Trans-Adriatic Pipeline" (TAP), no mapa seguinte a laranja. O projecto TAP tem a vantagem de ter uma extensão com menos 400 km de que o gasoduto de Nabucco. De qualquer maneira, apesar de concurente do projecto russo, TAP ou Nabucco terá um custo duas
4
vezes superior ao de "South Stream" e só estará concluído em 2018 contra 2015 para o russo. Existe um outro projecto de abastecimento europeu com o gás proveniente do Qatar, terceira maior reserva do mundo, este deverá ser encaminhado através do sul do Iraque, da Jordânia e da Síria para chegar à Turquia. Aliás, a Turquia já tem essa parte do gasoduto pronta. A Síria é um obstáculo a esse projecto, compreende-se melhor a participação activa da Turquia e da Jordânia na queda do presidente Sírio. Existe, finalmente, um projecto para abastecer a Europa com gás proveniente do Irão com um gasoduto que atravessa o Iraque e a Síria, onde sairia em direcção aos vários países europeus: o "Islamic Gas Pipeline":
5
O projecto de um eixo Irão-Iraque-Síria não é bem visto pelos americanos e seus aliados europeus, mas não prejudica o projecto russo e pelo contrario compete com os projectos americanos e europeus. Este facto explica, em parte, a instabilidade criada pelos Estados Unidos na Síria, que tem neste quadro uma importância estratégica fundamental.

(publicado no blog Octopus)

Repensar o 11 de Setembro. Uma reflexão de técnicos americanos e de outros pa'isesé

Rethink911.org logoSEPTEMBER 4, 2013
ReThink911 Billboard Towers Over Times Square
Forward the Image Far and Wide


NYC’s committed supporters came ready on September 3rd to hand
 out brochures and educate the public immediately upon the heralded
 installation of the gigantic billboard overlooking Times Square.
 At least one million people will see this 54’ x 46’ billboard each day
 throughout the month of September, bringing unprecedented
 attention to the destruction of World Trade Center Building 7. 
We in the ReThink911 campaign would like to thank everyone
 who donated and worked so hard to bring this billboard to Times Square.
Please help us spread the impact of this powerful image
far beyond Times Square by sharing the above photo in any or all of the following ways:
1. (Preferred) Post the image to a social network by:

• Clicking this link to open the image
http://ReThink911.org/ReThink911-Times-Square.jpg
• Saving the image to your computer.
• Uploading it to Facebook, Twitter, 
Pinterest, Google+ or any of your favorite social media sites, 
and tag it with the www.ReThink911.org web address
 (and the #ReThink911 hashtag for Twitter.)
2. Share the link to this article on Facebook and Twitter and with 
all of your email contacts:http://rethink911.org/news/times-square
-billboard-is-here-make-this-historic-image-go-viral/
3. Upload the image to your website and write about it.
Thank you for giving this critically important campaign your all.
Together we can get the entire world talking about the third tower that fell on 9/11.

"Grandes fotógrafos, grandes imagens", por Jorge












Stanley Kubrick 
antes do cinema, a fotografia! ...e a ponta de génio já visível

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Frase de fim-de semana, por Jorge










"US has become an orwellian state"
"Os EUA tornaram-se um estado orwelliano"
Oliver Stone, realizador e veterano de guerra
 americano, n.1946, em entrevista de dez. 2012

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

As bestas desbregaram

A comunicação social anunciou hoje que o FMI vai propôr novas reduções salariais em Portugal.
E diz que essa medida se baseou em parte num estudo feito por um responsável do Banco de Portugal a pedido (Do FMI ? Para dar ao FMI? Para o FMI saber o que fora feito?").
E baseando isso na "teoria" que  a ". redução de salários faz reduzir o desemprego".
Mas não sabemos que é precisamenteo contrário? Que o empobrecimento reduz o mercado interno e, consequentemente, faz aumentar o desemprepgo.
Desculpem-me um desabafo, que de todo não corresponde ao meu estilo de comunicar.
Não podemos continuar a ser coiceados por estas bestas!!! Saltemos-lhe para o lombo e fechemo-los nas respectivas sedes partidárias

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Este Estado, apesar da Constituição, está a ter uma ideologia capitalista e neo-liberal (2)

A primeira parte deste artigo, publicado há dias, abordou a ideologia neo-liberal do Estado e a sua relação com a Constituição.
Importa agora dizer que há 5 anos não foi nenhum factor económico intrínseco que deu origem à crise dos créditos de alto risco  mas sim os grandes bancos de investimento .- que passaram a "mandar" no país com
os grandes grupos económicos - que organizaram os fundos especulativos e os "hedge funds".
Mas foram os Estados que com recursos públicos, endividando-se através dos orçamentos do Estado, acorreram a isso, atendendo aos níveis de desemprego, aumento dos déficites em relação PIB e da dívida pública com emissões de títulos. Este aumento de títulos e o seu valor, em mercado, elevaram-se e perigosamente, sem colidir com o investimento privado, e sem gerarem qualquer crescimento económico. Desta forma os mercados geram nesta situação uma nova bolha especulativa  com  implicações na dívida de cada país.
O papel do Estado diminui ou vê passar tudo isto. A economia real, o desemprego , as funções sociais do Estado sofrem com esta atitude dos mercados e dos Estados.
Para além  da devastação no mundo do trabalho à escala planetária. Mesmo que se considerasse a presente crise apenas financeira, o que é certo é que nenhumas medidas foram tomadas nesse plano nos primeiros tempos da crise. Os especuladores concentraram-se em cada estado individualmente, As agências de rating não tiveram nenhum papel na prevenção de riscos, ante apostaram na desestabilização de economias sem excepção.
Em regime democrático era natural serem os Estados a regular os mercados. Porém, agora são os mercados a regularem os governos (encontrando formas específicas para regularem o sentido de voto dos cidadãos).
Esta é outra forma de reduzir a democracia que, com a integração europeia, o euro e outros aspectos do neo-liberalismo já a reduziram substancialmente.

"Yes, we can"... por isso se preparam para bombardear a Síria

A ONU tem uma equipa de inspectores a investigar o que se terá passado nos locais onde foram utilizadas bombas químicas e onde se registaram um número elevado de mortos. O uso de armas químicas foi proibido internacionalmente.
Porém os dirigentes norte-americanos, ingleses, alemães, e franceses (sempre os mesmos) já antecipam que vão efectuar os bombardeamentos.
Para o efeito conta também com os mercenários que ao longo destes meses têm entrado pelas fronteiras de países como o Líbano e que foram designados por "rebeldes" e que, só muito depois da expressão das ambições dos EUA, apareceram  no terreno, reclamaram armas ao Ocidente, que prontamente lhe chegaram pelas vias do tráfico de armas.
Ajudem a conjurar este crime que mais uma vez os EUA querem perpretar,. depois do Iraque.
A região onde a Síria se insere contem várias áreas desérticas e semi-desérticas mas também a vivacidade dos rios Jordão, Tigre e Eufrates. Aí se acumula uma fabulosa história e cultura, de uma incomparável herança arquitectónica, legada à Humanidade por milhares de anos onde de construiu a civilização, o berço da nossa civilização.


domingo, 25 de agosto de 2013

Grandes fotógrafos, grandes imagens, por Jorge

"representar a realidade"
ou seja, a fotografia assumidamente encenada

sábado, 24 de agosto de 2013

Regressão nos direitos das mulheres afegãs


Vendida como noiva aos 12 anos, Sahar Gul vivia numa casa de terror. Os parentes do seu marido  mantiveram-na presa na cave, espacavam-na com canos de ferro quente e deixavam-na passar fome. Quando ela se recusou a prostituir-se para conseguir dinheiro para eles, os seus torturadores arrancaram-lhe as unhas.

A sentença dos seus agressores foi reduzida a apenas 1 ano de prisão e eles estão livres novamente! Pior ainda: a Câmara dos Deputados de seu país, o Afeganistão,  aprovou uma lei que proíbe que membros da família dos agressores testemunhem a violência em um tribunal. Isso fará com que inúmeras crianças e mulheres jamais consigam Justiça para seus casos.

Longe vai o tempo em que antes da "libertação" pelos talibans, em regime socialista, as mulheres deram um salto em frente na sua igualdade, desenvolvimento cultural e responsabilidades sociais. Depois dos talibans vieram os americanos e agora reina neste grande país uma situação indiscritível...

Frase de fim-de-semana, por Jorge

  1. "I do not understand the squeamishness 
  2. about the use of gas. (...)
 I am strongly in favour of using poisonous gas 
against uncivilised tribes."
"Não percebo os escrúpulos sobre o uso de gás. (...) 
Sou fortemente a favor do uso de gás venenoso 
contra tribos não-civilizadas"
 
Winston Churchill
 
como presidente do Air Council 
(minuta do War Office de 12 maio 1919)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Este Estado, apesar da Constituição, está a ter uma ideologia capitalista e neo-liberal (1)

Ouvimos muita gente de direita a reclamar de uma definição que conferiria ao texto constitucional um carácter "ideológico" que passo a citar:



…“A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português 
de defender a independência nacional, de garantir os direitos
fundamentais dos cidadãos, de estabelecer
 os princípios basilares da democracia
 de assegurar o primado do Estado de Direito democrático 
e de abrir caminho para uma sociedade socialista,
 no respeito da vontade do povo português, tendo em vista
 a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno”(Artº4º).

Mas o que aconteceu na condução das políticas e na acção do Estado, após o início dos governos do arco da governação em  1776  (primeiro só PS, depois em 78 com o  CDS, depois alargado ao PPM,  que  já após depois do assassinato de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa em Dezembro de 1980, mudaria o 1º Ministro de Sá Carneiro para Pinto Balsemão, para estar hoje  nas mãos do bando do Paulo e do Portas), foi algo que confrontou as novas realidades saídas da Revolução e expressas na Constituição.
Ao longo deste período e até hoje ocorreram a liquidação da Reforma Agrária e do poder operário nas grandes empresas, as reprivatizações reconduziriam à alienação para o capital estrangeiro. Mário Soares orgulhou-se em assinar a adesão à CEE em 1986 mas o que anda a dizer não se compagina com essa responsabilidade dum homem que tendo uma formação cultural "à vol d'oiseau" teria um instinto que sempre pareceu mais apurado. Foi deslocado rendimento dos trabalhadores e camadas médias. Por imposição da CEE.  Que também levou ao abandono dos campos e das pescas. Tudo afectando os nossos equilíbrios com outros países da CEE. O Quadro Comunitário de Apoio serve amigos e não vê executada parte por não cumprimento  da componente devida por Portugal...As condições de crédito e a construção civil foram decisivos para dar mais poder à banca e formalizar ainda mais uma aliança com os empresários mais ricos de Portugal. 
A criação da União Europeia, pelo T. de Maastricht em 1993, e o seu aprofundamento com a criação de euro, em 1999, em que boa parte dos países, como Portugal, entrou com uma economia mais débil que os outros, adoptando uma moeda "cara" para que não tinha condições, serviu de pretexto para os PECs e o "resgate elaborado pela troika pròpriamente dita e pela troika cá da casa. Que deu origem à mais grave ofensiva contra direitos, remunerações e condições de vida dos trabalhadores e de classes intermédias de que há memória. Já então o neo-liberalismo se tinha espalhado como óleo nos bancos, governos, administrações de empresas públicas, certas chefias e quadros de apoio dos governos. O keynesianismo dera lugar ao neo-liberalismo. Isto não é  ideologia? Então o que é ideologia???. 

(em próximo post referirei a ideologia e o seu papel na situação financeira)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Urbano Tavares Rodrigues: um escritor que não calaram

De férias, só hoje tive acesso um computador para deixar breves palavras sobre um Homem com quem tive o privilégio de partilhar a luta clandestina, semi-legal e em liberdade.

Já disseram muita coisa sobre o Urbano nestes dias.Quase todas certas. Ser comunista, convicto, coexistiu nele com uma grande capacidade de conviver com pessoas com outros ideais e  a capacidade de analisar outras escritas e outros escritores.Com uma grande serenidade não gastava palavras, indo directamente à  ideia clara para o debate. Respeitava os outros, com grande delicadeza e humanidade, mas era clara a expressão das idéias e propostas distintivas da sua condição de  militante comunista, de uma enraízada formação marxista.
Foi o seu não compromisso com a direita ou o "arco do poder"  que fez com que diversos poderes não tivessem premiado o Escritor em vida.
A .leitura da sua abundante produção literária ajuda-nos, com tratamento particular para as desigualdades e as relações de amor tão presentes presente na obra, que o leitor que o não conheceu
poderá conhecer o Escritor e o Homem.

quarta-feira, 31 de julho de 2013


terça-feira, 30 de julho de 2013

Um governo em contra-ciclo

A maioria da AR confia no governo dela. Foi a notícia do dia.
Mas o governo fez aprovar a essa mesma maioria quanto à admninistração pública as 40 horas de trabalho, que têm sido 35, e um processo cínico de despedimento, reafirmando a intenção de executar os 4,7 mil milhões de euros.
Estas foram decisões muito graves que serão ainda objecto de muita luta.
Aa palavras com que no fim-de-semana, Passos Coelho se referiu aos trabalhadores da função pública  são um misto de desprezo e ameaça.
Ficou claro, até com a ajuda inesperada de Vitor Gaspar, que a Ministra das Finanças mentiu à Assembleia da República a propósito do conhecimento que tinha dos contratos SWAPs em curso.
O governo recauchutado começou mal. A idéia de novo ciclo, que quiz fazer passar, já se esfumou.
O governo vai deslizando até cair. Por pressão dos trabalhadores e de muitas outras pessoas que mantêm a mesma atitude de reserva e oposição.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Compromisso ou União Nacional? A política continua mas a luta também.

Não exagero quando designo por isso o que Cavaco quer fazer renascer com a convergência para a saída da crise na base dos 90% dos deputado portugueses. Numa situação de grave crise económico-social. Onde algumas manifestações autoritários se vão revelando.
O PS foi atraído para uma operação de dar vida nova a um governo moribundo que quer dispersar nele as consequências eleitorais próximas e tem a porta aberta para continuar a dialogar na base dos 90%, que Cavaco refere, mas que a crise já fez rever em baixa.

Dois novos ministros são pouco recomendáveis pelas razões já debatidas publicamente: um pelas responsabilidades que teve na SLN/BPN na altura da grande roubalheira, outra por herdar a conduta de V. Gaspar e por mentir reiteradamente sobre as SWAPs.
O terceiro, Pires de Lima, é um torcionário que despediu, da empresa que dirige, centenas de trabalhadores.

Após a posse do governo recauchutado, as declarações avulsas de ministros confirma que a política continuará a mesma e ninguém entre eles explica com que recursos o Estado vai poder desenvolver a economia e manter os compromissos do acordo com a troika, como se se pode falar de uma política de emprego quando jovens licenciados continuam a emigrar e os compromissos do tal acordo prevê centenas de milhares de novos despedimentos.
Milhares de inquilinos estão nestes dias, depois de confrontar a brutalidade de aumento das rendas,  a procurar contestar judicialmente a sua aplicação.
Diàriante os novos pobres juntam-se aos já existentes.
Ao contrário de alguns, que vêem nesta recauchutagem a vitória de uma orientação política adversa à anterior, dominada por V. Gaspar, e que criaria expectativas de deslocação da austeridade  para uma política de estímulo ao crescimento da economia e de combate ao desemprego, acho que os dados que aí estão mostram à evidência exactamente o contrário.

Mas os trabalhadores não vergam. Tal como foi a sua luta que levou ao fracasso da política anterior e não uma crispação entre duas correntes no governo, também daqui para a frente serão os trabalhadores a conter a política desacreditada desta mini-união nacional. Com reflexos no ambiente interno do governo e da Presidência da República.

Os votos da nossa direita por Mandela - Intervenção do deputado António Filipe em 18 de Julho de 2008, nos 90 anos de Nelson Mandela na Assembleia da República.

Há 
factos históricos irrefutáveis, simplesmente porque aconteceram, ainda que se lhe pretendam alterar as cores políticas ou manchar a memória pela cor da camisola de quem o lembra...

"(...) aquilo que os senhores não querem que se diga, lendo os vossos votos, é que Mandela esteve até hoje na lista de terroristas dos Estados Unidos da América. Mas isto é verdade! É público e notório - toda a gente  o sabe!
Os senhores não querem que se diga que Nelson Mandela conduziu uma luta armada contra o apartheid, mas isto é um facto histórico. Embora os senhores não o digam, é a verdade, e os senhores não podem omitir a realidade.
Os senhores não querem que se diga que, quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.*

Isto é a realidade! Está documentado!
Não querem que se diga que, em 1986, o governo português tentou sabotar, na União Europeia, as sanções contra o regime do apartheid.

Não querem que se diga que a imprensa de direita portuguesa titulava, em 1985, que: «Eanes recebeu em Belém um terrorista sul-africano». Este «terrorista» era Oliver Tambo!
São, portanto, estes embaraços que os senhores não querem que fiquem escritos num voto.
Não querem que se diga que a derrota do apartheid não se deveu a um gesto de boa vontade dos racistas sul-africanos mas à heróica luta do povo sul-africano, de Mandela e à solidariedade das forças progressistas mundiais contra aqueles que defenderam até ao fim o regime do apartheid.(...)"

*SABEM QUEM ERA O GOVERNO PORTUGUÊS EM 1987 E QUE VOTOU CONTRA? ERA O DE CAVACO SILVA!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Execração de Paulo Portas, por Mário de Carvalho

Vamos lá gastar alguma cera com esta criatura. Mais uma concessão ao efémero.
 Começo por estranhar a benevolência relativa com que ela tem sido tratada.
 Como se um instinto nato de harmonia obrigasse a atenuar a flagrância do mau gosto.
 Um querido amigo meu, a certo desabafo, sugeriu que o meu desprezo era «emocional».

 Havia aqui uma sugestão de parcialidade política.
 Devo defender-me disso.

Na verdade, até aprecio e respeito algumas pessoas que se dizem amigas do doutor Portas.
E verifico que ele tem esta particularidade estranhíssima: todos os seus amigos são melhores que ele.

Recordo os tempos muito catitinhas de «O Independente», cheios de peripécias e partes gagas.
Costuma evocar-se - e com razão - o rasgo inovador e dinâmico do jornal.
Pouca referência se faz - e sem razão - ao lastro de frioleira e alarvidade que lhe pesava como chumbo.
Portas esteve por então envolvido numa campanhazinha muito marota e fraldiqueira contra a «meia branca».
Estas coisinhas davam-lhe muito prazer.

Em dada altura dedicou-se à política (em revogação do desdém pedante antes manifestado) e é hoje -com Jardim e Cavaco- um dos políticos de mais longo exercício.
Ainda tenho nos ouvidos os gritinhos de «ó Margarida», «ó Margarida!» com que ele pontuou uma entrevista qualquer, dada a uma jornalista que viria a ter um fim infeliz.
Toda a sua vida pública (e provavelmente a outra) é feita em permanente pose.
Tem atitudes; Olhares longamente estudados; máscaras de sisudez de Estado; esgares trabalhadíssimos; soslaios de palco amador; sorrelfas; sorrisinhos desdenhosos; trejeitinhos manhosos; «boquinhas e olhinhos»; meneios de cabeça; artifícios retóricos como o de perguntar repetidamente «sabe que...?».
Às vezes tenta o furor tribunício, mas a voz não lhe dá para tanto; experimenta a pose imperial, mas é pequenote mesmo para Napoleão.
Ainda é um homem novo.

Quando for mais velho lembrará uma deprimente figura de actor que aparece na «Roma» de Federico Fellini.
Talvez a exposição pública da política exija um certo histrionismo.
Mas então, que se seja bom actor. E não se deixe no ar esta grande vontade de pedir a devolução da entrada.
Já o vi a exaltar a «lavoura» em vezos saudosistas (menos insinceros do que parece); já o vi a ajoelhar, numa capela, com os dois joelhos, numa compunção beata; já o vi a bramir, numa cena movimentada, contra «os ciganos do rendimento mínimo»: já o vi em festarolas de aldeia, ou em obscenas rondas de lares de idosos, ou a debitar banalidades de dentadura a rebrilhar.
Já o vi a dizer (e a fazer) trinta por uma linha.

E já o vi a disparatar abertamente, quando, evitando o russo «troika» (alguém o convenceu de que a atrelagem russa era uma palavra «soviética»...) optou por «triunvirato»,  solução histórica tradicionalmente catastrófica.
Apesar de tudo, sempre é melhor que a ridícula revogação da decisão «irrevogável».
Esperava-se que ocupasse a Administração Interna, depois de ter feito histérica algazarra (ora obnubilada...) sobre a segurança.
Não.
Foi para os Negócios Estrangeiros, para se descomprometer e fazer de conta (sempre o fingimento, o obsessivo, doentio, fingimento) que era alheio às mexerufadas da famulagem financeira.
A seu tempo ressurgiria em atitude messiânica, como resgatador dos infelizes.
Sempre o calculozinho. Contas furadas.
Deixou uma nota de subserviência a manchar a diplomacia portuguesa com o caso Snowden.
Em tempo de crise política interna, a situação foi minimizada, ninguém estava a espreitar.
Mas as consequências para os interesses de Portugal (já não falo nos princípios) serão lastimáveis.
Creio que Freitas do Amaral nunca se prestaria a esse papel.

Paulo Portas não a desmentiu, neste ziguezague da sua carreira, que se espera abreviada.
Ao longo de quase vinte anos, houve a universidade Moderna, as deslealdades para com dirigentes políticos afins,
 a fotocópia de toneladas de documentos da República Portuguesa, a questão dos submarinos.
Por estes interstícios, o doutor Portas tem deslizado como enguia em sargaço. Com uma certa complacência, é preciso dizê-lo, da comunicação social.
Agora aí o temos, repescado para o governo em circunstâncias equívocas. A existência deste homem tem sido, aliás, amalgamada de equívocos.
 Dir-se-ia que não é capaz de viver de outra maneira. Há nele uma vertiginosa atracção pelo Mal.
Para usar a velha comparação americana da venda do automóvel usado, creio que se o doutor Portas tivesse um carro em bom estado para vender, não deixaria de o avariar, por puro fascínio do ludíbrio.
E sobre a personagem, fiquemos por aqui. Seria fácil (demasiado fácil) usar uma fotografia ilustrativa das milhentas disponíveis na NET.
Mas prefiro deixar-vos  com o Narciso de Caravaggio que também vem a propósito.
Para ser franco, preferia ter tido a oportunidade de dizer´algum bem, em vez de execrar.

MdC
Narciso, de Caravaggio

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Frase de fim-de semana, por Jorge

"Denken heißt überschreiten"
"Pensar chama-se superar"
Ernst Bloch
filósofo marxista alemão, 1885-1977 in
Das Prinzip Hoffnung (
O Princípio Esperança) 1954-9

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Thomas Struth - o valor do detalhe na fotografia

Fotografias que nunca mais acabam de se ver.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O pântano e o mostrengo

Que Cavaco Silva tenha ido às Selvagens no meio da crise política, provocada pela política do governo que apoia, é tanto mais estranho quanto deixou  um guião para os partidos "do arco de governação"(1) se entreterem, criando suspenses que nos mantenham ocupados para além do mercado dos jogadores de futebol. Foi gastar uma pipa de massa e não sei se o Zeinal Bava lhe cedeu de borla os serviços da PT. para se manter informado.
Que o Partido Socialista se tenha envolvido na caldeirada do compromisso para a "salvação nacional" e recusado a dialogar para um governo de esquerda porque estava a dialogar com a direita, é a coerência com um trajecto de há muitos anos apesar de se exprimirem no seu seio, de vez em quando, alguns críticos inflamados.
Que o governo careça de uma mãozinha do PS para recuperar credibilidade (?) cá e lá fora, depois de tanto ter identificado este partido com uma situação desgraçada que recebeu, é opção que não ajuda muito. Sei que os patrões da Europa não deixarão o PS deslizar para um qualquer "populismo" (2) e que isso não lhe está no código genético alterado. É degradante que o PS e os partidos do governo tenham condicionado o funcionamento da AR para permitir
Que nos media se considerem as opiniões de política alternativa da verdadeira esquerda insignificantes, é um desrespeito constitucional porque a Constituição não obriga à  austeridade de consequências particularmente graves  para os que menos têm, não identifica austeridade com falta de investimento que faça crescer a economia e o emprego, nem com despedimentos em massa nem com novos cortes que vão atingir os mesmos de sempre...A Constituição permite e a esquerda tem propostas alternativas competentes em matéria de renegociação de um memorando acordado pela troika, de canalização de recursos financeiros para a produção e para actualizações salariais e de pensões que permitam o alargamento do mercado interno, de alterar a correlação entre trabalho e capital, de redução das assimetrias sociais. Quem disser que isto não é possível, mente. Muitos do que o dizem, mentem com todos os dentes. Só pensam neles e nos seus privilégios.
Tudo isto configura um mostrengo que nos tolhe a vida.
As eleições antecipadas vão revelar-se a única solução para espantar o mostrengo e
nos fazer sair deste pântano...

(1) agrupamento de partidos que, alternando-se na governação, garantem uma política de direita e a subserviência aos ditames da União Europeia e da NATO.
(2) A expressão adquiriu nos dias de hoje uma outra significação distinta da original. Os EUA se encarregaram do acerto de agulhas para se referir a um povo que fez a revolução, fazendo emergir líderes respeitados pelas massas. Com tal designação referiu-se, entre outros, a Nasser, Nehru, Vasco Gonçalves, Castro ou Chavez.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Salvação nacional? Olhem que não...

Estão a reunir os 3 partidos que, primeiro com a política dos PECs e depois com  o memorando
com a troika, são responsáveis pela situação em que estamos.

Será possível com tais parceiros estas reuniões conduzirem a um compromisso que não mantenha a austeridade como núcleo central? Isso não é de esperar, mesmo com um alívio fiscal aqui ou ali. O PS que tem defendido as eleições antecipadas a curto prazo tem dado a entender que estas reuniões não significariam complacência com a política do PSD/CDS. Cavaco tem sobre isto opinião diferente. Quer o seu envolvimento com o "memorando" para garantir a "credibilidade" faces aos mercados...

A não "resultarem" tais reuniões qual o passo seguinte do PR? Aprova a proposta de recomposição governamental de Passos Coelho? Como está, ou alterada? Tal não garante a corrosão do governo e a tal credibibilidade face aos mercados vai por água abaixo. Aqui o governo é responsável por, no quadro da zona euro, ter afunilado as saídas neste quadro e não ter com mais força  renegociado os termos do "memorando".

É a  propósito desta questão  que para as tais reuniões Cavaco não tenha convidado para as reuniões o PCP, BE e PEV. Ele sabe que é do modelo de direita de salvação nacional que estes partidos se demarcaram nesta "solução". E porque há outros modelos de salvação nacional que garantam o pagamento da dívida, em condições renegociados, com o reforço das funções sociais do Estado e o relançamento da economia. Isto pode e deve ser feito.

Se o plano de Cavaco falhar este deveria convocar eleições antecipadas já e não se meter em governos de iniciativas presidenciais que trariam um novo golpe a democracia.