quarta-feira, 19 de junho de 2013

Super-Lua na próxima noite de 23 de Junho

A chamada "lua super" irá ocorrer em 23 de Junho de 2013. 
Uma super lua - chamada "lua cheia perigeu" pelos astrónomos - descreve a aproximação da lua à Terra para um determinado mês. Em Junho de super lua estará mais próximo o encontro da Lua com a Terra neste ano.  Em 23 de Junho, o tempo de lua cheia terá lugar dentro de uma hora do tempo de perigeu. Assim, a 23 de Junho a lua cheia vai parecer maior do que noutros meses.
Algumas das mensagens que circulam tendem a exagerar o tamanho que irá aparecer. É claro que não aparecerá brilhante roxa ou azul, como é sugerido por algumas imagens que circulam. No entanto, o 23 de Junho é uma grande oportunidade para ver e fotografar a lua em todo seu esplendor. Aqueles que procuram informações mais detalhadas sobre a Junho de super lua devem ler artigo em profundidade de earthsky aqui . 
Apaixonados de todo o mundo, aproveitem para renovar votos, serem fotografados num beijo com a lua em fundo e inspirarem-se para novos poemas.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O caos no sistema de informação das unidades de saúde. Profissionais e cidadãos “à beira dum ataque de nervos”






Se dúvidas existissem acerca da capacidade do Ministério da Saúde e seus departamentos para as tarefas de desenho, atualização e manutenção das várias aplicações que constituem o Sistema de Informação das Unidades de Cuidados de Saúde Primários, as últimas semanas afastaram todas as dúvidas referentes ao pior dos cenários que qualquer observador avisado já previa há muito.
O caos instalou-se na maioria das unidades e, precisamente, nos aspetos mais sensíveis do atendimento aos cidadãos – acesso aos ficheiros clínicos e registos dos médicos (SAM), ao sistema de apoio à prática de enfermagem (SAPE) e ao módulo de prescrição de medicamentos.


Em todo o país, o panorama caracteriza-se por uma assinalável e comprometedora lentidão no acesso e desempenho das várias aplicações, principalmente quanto à prescrição de medicamentos e MCDT, erros técnicos de escrita, sucessivos e frequentes bloqueios do sistema obrigando a reiniciá-lo, desmultiplicação da maioria das receitas admitindo apenas um medicamento em cada uma, levando assim a um consumo irracional de papel (e tonner) para cada consulta.
Contudo, na área da ARS do Norte o problema agravou-se de forma muito preocupante.
O projeto autónomo desta ARS de concentrar num único data center regional toda a informação dispersa pelos múltiplos servidores existentes nos centros de saúde da região sem que para tal tivessem sido previstos os possíveis imponderáveis e tomadas todas as medidas de segurança que uma decisão como esta aconselhava, ocasionou um completo caos nos serviços onde, para além das perturbações decorrentes da lentidão do sistema, se verifica, em muitas unidades, a impossibilidade de acesso à ficha clínica dos utentes e, quantas vezes, ao desaparecimento de informação relevante.
Trata-se duma situação gravíssima que coloca os médicos a trabalhar em situação de risco, uma vez que tais bloqueios podem comprometer o acesso a informação relevante e, desta forma, a própria segurança dos cidadãos. Já para não falarmos sobre o permanente e prolongado stress a que todos os profissionais estão a ser expostos.
Acontece que a ARS do Norte é uma grande empresa, que tem como missão garantir à população da Região Norte o acesso à prestação de cuidados de saúde, e que envolve a responsabilidade pela gestão dum orçamento de funcionamento superior a mil e duzentos milhões de euros (2012).
Alguma grande empresa com um “volume de negócios” deste nível avançaria para uma operação de manutenção da sua base de dados com semelhante leviandade? Sem se debruçar sobre os cenários possíveis e planos alternativos para minimizar os riscos (prejuízos)? Alguma grande empresa poderia dar-se ao luxo de semelhante desperdício?
E que atitude tomam os seus dirigentes perante semelhante descalabro?
Até agora nem uma palavra de informação, justificação, pedido de desculpas, agradecimento aos seus profissionais médicos e de outras profissões, pela forma quase heroica como diariamente dão a cara e procuram minimizar, à custa dum enorme esforço, os constrangimentos com que a administração os contempla.
Afinal, é a imagem do SNS e a qualidade dos serviços prestados que estão em causa. Uma preocupação dos seus profissionais que, pelos vistos, não é acompanhada pela administração.
Apenas dá respostas aos jornalistas dizendo que o problema estaria resolvido até ao final da semana que terminou no dia 14. Não cumpriram.
A FNAM, através dos três sindicatos que a constituem, alerta os médicos que devem estar atentos às eventuais condições de insegurança no desempenho do seu trabalho, e que reportem por escrito todas as limitações e situações de eventual conflitualidade aos Presidentes dos Conselhos Clínicos e da Saúde e Diretores Executivos dos ACES.
As USF e UCSP deverão ainda fazer uma análise cuidada dos eventuais reflexos que estes constrangimentos poderão ter nas metas contratualizadas e, caso tal se verifique, exigir fundamentadamente uma revisão das mesmas e da Carta de Compromisso assinada para o corrente ano.
Como sempre os gabinetes jurídicos dos nossos sindicatos estarão à disposição dos associados.

Coimbra, 18 de Junho de 2013
A Comissão Executiva da FNAM





segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sermão do Bom Ladrão

"Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas.
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."

Padre António Vieira

domingo, 16 de junho de 2013

Nicolau Santos, Carta aberta às novas gerações [ontem no Expresso/Economia

O discurso do Governo está a produzir o inevitável: colocar novos contra velhos, desempregados contra empregados, trabalhadores no ativo contra reformados, recibos verdes contra trabalhadores com contrato sem termo, trabalhadores do sector privado contra funcionários públicos. É um caminho perigosíssimo que assenta em mentiras atuais e falácias históricas.

É, por isso, fundamental que alguém desmonte algumas mentiras que são dadas como adquiridas pela nova geração (que tem menos de 35 anos e tem entre os seus defensores o meu brilhante amigo Henrique Raposo¹).

1ª mentira
— Não é verdade que a geração anterior tenha vivido muito melhor do que a atual. Pelo contrário, a infância e a juventude da generalidade da atual classe média que anda na casa dos 50 teve menos bens materiais e culturais do que a atual. Convém lembrar que em 1974 mais de metade do país não tinha esgotos, nem água canalizada, nem energia. Que muitos meninos iam para a escola descalços (como lembrou Miguel Sousa Tavares numa recente entrevista). Que a percentagem de analfabetismo era de 35%.

Que os mancebos tinham de cumprir serviço militar em cenários de combate. Que havia censura de palavras ditas e escritas, de livros, de filmes, de discos. Que ninguém viajava metade do que hoje já viajou a nova geração. Que toda a gente andava de transportes públicos e fazia biscates ou acumulava dois empregos para ter dinheiro até ao fim do mês. Que não havia Serviço Nacional de Saúde e apenas começava a existir um incipiente sistema de segurança social. Que Portugal era mais o norte de África do que um país europeu. E que o país era tão pobre que obrigou a sucessivas vagas de imigração, nos anos 50 para a América Latina, nos anos 6o para França (para fugir à pobreza), nos anos 70 para a Europa para fugir à guerra.

2ª mentira — Não é verdade que seja a nova geração que esteja a pagar sozinha a fatura desta crise. Toda, repito, toda a sociedade está a pagar a fatura desta crise. Os reformados têm sido severamente atingidos. Os funcionários públicos tem sido maltratados, vilipendiados e sofrido tratos de polé nas suas carreiras e nos seus rendimentos. Há milhares de empresas que têm fechado as portas e mais de 900 mil trabalhadores do sector privado que estão no desemprego. Os salários e direitos dos trabalhadores por conta de outrem tem sido reduzidos de forma drástica. É verdade que há 40% de desemprego jovem. Mas há muitíssima gente com mais de 50 anos que vive hoje amedrontada, de forma bastante mais precária, angustiada com o futuro, com medo de ficar sem rendimentos, de não ter acesso a medicamentos ou cuidados médicos — e que a última coisa que fará é deixar de apoiar até onde puder a nova geração.

3ª mentira — Não é verdade que a nova geração esteja a pagar as chorudas reformas da velha geração. A generalidade dos reformados descontaram toda a vida, na base de regras definidas pelos sucessivos governos, para ter uma reforma na velhice. É verdade que há quem não tenha descontado e é verdade que houve grupos sociais que retiraram para si benefícios indevidos. Mas para a generalidade das pessoas não está nessa situação.

sábado, 15 de junho de 2013

Na volta do correio...

Olha filho, estou triste mas posso estar melhor quando a carta aí chegar. Mas a semana foi péssima...

Lá por fora Obama diz ter recebido "provas irrefutáveis"  (certamente como as armas de destruição maciça de Saddan Hussein), de uso pelos sírios de gás sarim contra os mercenários pagos, para poder ocupar mais um país, no Irão foi eleito um candidato presidencial com pensamento bem diferente (pelos vistos mais democratas que os EUA onde só chegam à final ambas as caras  da mesma moeda e o big brother se torna realidade). Os talibans criados e remunerados  pelos EUA e seus aliados põem a ferro e fogo vários países da região. A revolta na Turquia e a repressão revela-nos a mentira que foi a "democratização" do regime turco pelas potências ocidentais para o integrar na UE. O encerramento da televisão pública na Grécia revela objectivos menos conhecidos dos planos de ajustamento impostos pela "troika".
Entre nós, o Ministro da Educação e o 1º Ministro mostraram as garras com os professores, para ameaçar
em, com alterações das leis que já violaram ou vão violar. Os professores responderam-lhes à altura com uma das maiores manifestações de sempre, da ordem dos 100 mil participantes,com uma convergência invejável de sindicatos e federações. Mas o governo vai obrigar os estudantes a irem a exames, e passarem por uma situação que não lhes vai ser positiva porque o tal governo decidiu não criar data alternativa. O Paulinho "das feiras" rumou pela centésima vez à feira de Santarém, com a sua colega do CDS comprando uns queijinhos  e chegando ao ridículo de invocar os múltiplos êxitos (?) da sua diplomacia económica e defender Cavaco por ter  falado da agricultura, com o desarrincanço de hipocrisia do "então agora é proibido falar da agricultura?", esquecendo que Cavaco foi o coveiro da nossa agricultura à arreata dos interesses da UE...E que dizer da não atribuição do subsídio  no período de férias aos trabalhadores da Função Pública e reformados? Mera crueldade porque o governo tem dinheiro mas não quer...

Um táxi de Lisboa...

Este táxi é um «personagem» histórico da cidade de Lisboa. Foi até, vedeta de um filme, no qual o seu condutor de então, Augusto Macedo, conquistou, aos 93 anos, o prémio de melhor actor amador atribuído no Festival de Pescara de 1996.
O carro é um Oldsmobile Cabriolet, modelo XT 303, fabricado em 1928 pela General Motors. Desta série apenas três viaturas vieram para a Europa e as outras duas há muito que o tempo as levou.
O motor e a grande maioria das peças continuam a ser as de origem, com excepção dos pneus, que forma trocados pelos de um Chandler ainda mais antigo, de 1923. O carro, de caixa aberta, apresenta um motor de 6 cilindros, com 2745 cm3 de cilindrada e 11 cavalos de potência.


O velho AB-61-86 sobreviveu, sem nunca ter sofrido um acidente, ao seu proprietário, falecido em Janeiro de 1997, precisamente no dia em que estreava três salas de Lisboa o filme que interpretava para o realizador alemão Wolf Gaudlitz. Nesse ano, em que caducava a sua carta de condução, Augusto Macedo era o mais antigo taxista do mundo ainda no activo.
O filme de Gaudlitz, intitulado Táxi Lisboa, não obedece propriamente a um guião rígido, antes conta historietas e encontros com amigos de quatro cantos do mundo com os quais co
nviveram Augusto Macedo e o seu Oldsmobile.
Nesse filme, referindo-se à provecta idade tanto do táxi como do seu condutor, o escritor Virgílio Ferreira, comentaria, a brincar com as letras da matrícula do carro: «não sei quem será mais velho. O AB da chapa deve indicar que á Antes de Babilónia...».


Os primeiros táxis surgiram em Lisboa no ano de 1907 e rapidamente se implantaram. Eram apenas quatro e instalaram-se no Rossio. Apesar de pequenos e com quatro lugares apertados, batiam em velocidade as velhas tipóias puxadas a cavalo e acabaram por se impor.
Augusto Macedo, natural de uma pequena aldeia do centro do País, veio para Lisboa, em 1916, para começar a trabalhar, aos 12 anos, numa padaria de que era sócio um seu irmão mais velho. Aos 24 anos, com dinheiro que pediu emprestado, comprou o carro que nunca mais abandonaria e a que dedicou toda a sua vida.
Não lhe era imaginável trocá-lo por qualquer outro e por isso, nos anos 60, recusou indignadamente uma proposta da General Motors, que lhe oferecia um carro novo em troca do AB, que passaria a integrar a colecção da companhia.


Augusto Macedo percorreu ao volante do seu Oldsmobile mais de 2 milhões de quilómetros pelas ruas de Lisboa e nas Linhas de Cascais e de Sintra. Constituiu uma clientela fiel, quer nacional quer estrangeira, com a qual criou fortes laços de amizade. Chegou a transportar três gerações da mesma família. Os seus clientes estrangeiros reservavam as viagens muito antes de se deslocarem a Lisboa. 
Em 1998 a Associação Turismo de Lisboa adquiriu o velho táxi de «antes da Babilónia», assegurando a sua conservação na cidade e a sua utilização para fins de promoção turística. Preserva-se assim uma autêntica lenda de Lisboa que, mantendo o espírito do seu anterior proprietário, continuará a acolher os visitantes e a percorrer as ruas da cidade

Na luta dos professores a dignidade de um povo

Foram muitos os milhares de professores que se manifestaram esta tarde entre o M. do Pombal e o Rossio contra o projecto de mobilidade especial e o alargamento do horário de trabalho de 35 para 40 horas semanais.

Sendo, segundo os sindicatos uma das maiores manifestações de professores de sempre, podendo ter atingido cerca de 100 mil participantes, esta manifestação foi organizada por todos os sindicatos do sector num raro momento de convergência na acção contra os aspectos referidos

quarta-feira, 12 de junho de 2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre a situação na Turquia

Terça 4 de Junho de 2013
O Partido Comunista Português condena a brutal repressão do Governo turco contra as manifestações populares que se têm realizado, exige o fim imediato da repressão e solidariza-se com a luta do povo, dos comunistas e de outras forças progressistas turcas em prol dos direitos e liberdades, da democracia, de profundas transformações sociais e económicas de sentido progressista, de uma política externa soberana e anti-imperialista.


Kemal Okuyan, do Partido Comunista da Turquia: o país vive um levante popular

tradução seguinte em brasileiro da entrevista em 8 de Junho

Turquia - PCPE - "Isto é um levante do povo. O povo está cansado", afirma membro do Partido Comunista da Turquia (TKP).

Editor Chefe do diário Sol e membro do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia (TKP), Kemal Okuyan, respondeu várias perguntas sobre a luta do parque Gezi, que resultou em um grande avanço. Com suas respostas, Okuyan esclareceu uma série de questões debatidas recentemente, tais como "para onde ruma a Turquia?", "existe uma conjuntura revolucionária?" ou "os recentes acontecimentos são a 'primavera' turca?".
Um movimento social desta magnitude era esperado?
Historicamente, os grandes movimentos sociais são, em geral, movimentos que não podem ser previstos. Se fosse possível prever os limites de algo, os atores envolvidos se preparariam para isso, contribuindo negativa ou positivamente, e buscariam controlar os resultados. Quando isto ocorre, uma sombra de ficção cobre o movimento. O avanço, que pode desequilibrar a balança de poder existente, não pode acontecer e, como consequência, não nasce um grande movimento social. Ninguém pode estimar as dimensões do que estamos vivendo agora. O governo não podia. A oposição majoritária tampouco, nem menos a esquerda. Sim, existiam alguns indícios, existem aqueles que foram capazes de entender que os acontecimentos chegariam a um ponto crítico, mas ninguém foi capaz de prever o que está ocorrendo agora. Isto é importante. O clima político e ideológico da Turquia hoje é diferente daquele vivido há 4 ou 5 dias. Não é completamente diferente ao de então, mas sim, alcançou um nível que não pode ser subestimado.
O que existe por atrás da prevalência e da profundidade do movimento?
De forma direta, nua, é o ápice, um nível incrível, inclusive de ódio, contra o governo do AKP e, especialmente, contra Erdogan. Pensávamos ter consciência disto, mas esquecemos de algo. Este ódio contra Erdogan se consolidou, se acumulou, uma vez que Erdogan aumenta sua arrogância, solidifica sua impunidade. Por outro lado, todo o mundo desvalorizava este ódio, dado que não se utilizava ou parecia que não ter uso. Porém, o ódio não é um sentimento que se pode subestimar. No caso de encontrar um canal, sairá à luz. Tayyip Erdogan não pode estar orgulhoso de si mesmo. Converteu-se em um foco de atenção como poucos na História.
E isto é tão simples, em outras palavras, que pode ser resumido na ira contra Erdogan?
Claro que não, mas é preciso levar em conta. Por exemplo, se não existisse uma figura tão dominante como a dele, digamos que fosse Abdullah Gül que encabeçasse o AKP, o nível da reação teria sido mais normal. Porém, tampouco isto pode ser entendido como se não existissem elementos ideológicos. Erdogan é um catalisador e tem um efeito multiplicador. Já o movimento tem como objetivo ajustar contas ante os elementos fundamentais da mentalidade em que se baseia o AKP. Com exceção da base de classe, a reação e o colaboracionismo são sua base ideológica e Erdogan se colocou no centro. O Primeiro Ministro disse "Isto não é sobre as árvores". Não posso acreditar que tenha dito isto. Até certo ponto, não se trata das árvores ou do parque Gezi. Isto foi a gota que transbordou o copo. Ele não se dá conta do nível de ira e ódio que criou.
A característica dominante do AKP é estar a favor do mercado. Onde está a falta de conexão aqui?
Bem, realmente não podemos fugir do assunto dizendo simplesmente que esta é uma reação da classe média. Se a reação da classe média chegou a este nível na Turquia, deveríamos começar a pensar em outras coisas. Concordo, existe um caráter de classe média nisto, porém existe uma importante mobilização nos bairros operários, particularmente em Istambul e Ancara. Não podemos esquecer o que sabemos e falar improvisadamente. Dessa maneira, cometeremos erros. Em primeiro lugar, o impacto político e ideológico, tanto em termos de ideologia burguesa como socialista, tem que superar o obstáculo da classe média. É preciso considerar a questão da luta pela hegemonia. Se todo o mundo
rotular este amplo terreno como quiser, será um grande erro. A esquerda esteve durante anos observando este campo e analisando-o como "turcos brancos". O rigor ideológico é importante, igualmente a sensibilidade de classe. Porém, necessitamos evitar a simplificação. Em segundo lugar, está a estrutura da classe trabalhadora na Turquia. Existem limites à organização no centro de trabalho de um movimento operário de massas, que é instável, que se move e, por vezes, têm de enfrentar o desemprego. É hora de olhar o centro de trabalho com uma nova lógica. Transferimos a classe trabalhadora para uma estrutura sindical, mas os sindicatos não possuem uma base sólida. Todo o país se levantou, porém os sindicatos não estão aí. Não existe ferramenta que possa ativar a classe trabalhadora como dirigente, como força dominante! Em incidentes anteriores, esse objetivo foi alcançado mediante estruturas políticas, obtendo absolutos êxitos. Dezenas de milhares de pessoas que eram rotuladas como "classe média", reivindicaram demandas que se baseiam em um eixo anticapitalista. A razão é que a maioria destas pessoas são pessoas cujo trabalho é explorado.
O movimento é inocente ou possui planos "mais profundos"?
Alguns dos meios de comunicação "oficiais" dizem que estão sendo mobilizadas forças malévolas, com o intuito de um levante organizado. Se este fosse o caso, o resultado seria diferente. Podem ficar tranquilos. Isto é simplesmente uma explosão de ira. Os atores políticos que compartilham este ódio foram, obviamente, capazes de se conectarem facilmente com esta ira geral e se colocaram a frente das áreas onde já havia conexão ou nas quais estavam organizados. Porém, isto não deveria tampouco ser exagerado. Os caçadores de conspirações deveriam buscar em outra esfera, exatamente entre eles mesmos. Está muito claro que existe uma intenção de modificar, de determinar as políticas de Tayyip Erdogan. Os EUA por várias razões e a seita de Fethullah Gülen por outras razões. Tanto na política exterior quanto interna, querem fazer com que Erdogan volte a ser controlável. Erdogan é alguém que
não assume as coisas facilmente. Não pode manter-se coerente. Em parte, conseguiu no que se refere ao assunto de Reyhanli, mas não foi suficiente. No tema do parque Gezi, os EUA, o grande capital e a seita de Gülen, ao deixá-lo sem defesa e vulnerável, mostraram o resultado sobre o assunto de Reyhanli. Não estou certo de que tenha captado a mensagem. Na semana passada, o nome de Sarigül era apontado como candidato à prefeitura de Istambul (Sangül é prefeito de um distrito de Istambul, um socialdemocrata com fortes vínculos com alguns setores capitalistas). A nova relação entre o CHP (principal partido da oposição) e a seita de Gülen é menciona insistentemente nas "redes sociais". Se juntarmos tudo isso...
É possível utilizar a analogia da "primavera turca"?
A referência à "primavera turca" nos meios imperialistas é uma mensagem a Erdogan. No fundo, estão contentes com Erdogan e não planejam substituí-lo, mas também querem lembrá-lo de seus limites. Após os recentes acontecimentos, as políticas de Erdogan sobre a Síria e o Iraque precisam mudar. Acredito que sua aventura presidencial também terminou. Uma possibilidade é que a relação entre Erdogan e a seita de Gülen comece a melhorar e se estabeleça uma consolidação política e ideológica contra a reação social que vem emergindo. É possível que se unam. Claro que isto levará tempo. Por outro lado, a ira contra Erdogan pode durar mais e pode afetar a seita de Gülen. Isto criaria interessantes resultados.
Esse é o significado histórico dos acontecimentos?
Absolutamente não. Ninguém deveria falar mal deste movimento. Este é um levante popular. O povo está cansado. Aqueles que subestimam a oposição à Erdogan e ao AKP deveriam começar a reconsiderar sua percepção. Aqueles que pensam que haverá paz e democratização com Erdogan deveriam fazer o mesmo. Todos os seus planos fracassaram. Não escutem essas análises. Isto é um movimento social. Algumas forças políticas tentam utilizar este movimento para intimidar o governo, não para buscar um novo futuro. Porém, isto não parará aqui. Os recentes acontecimentos ajudam o movimento organizado do povo. Deixaram Erdogan sem apoio porque, de outra forma, atrairiam a ira contra si mesmos. Têm muito cuidado. Utilizam alguns truques como, por exemplo, a desenfreada brutalidade policial.
A esquerda turca estava preparada?
Sempre é controverso o significado de "a esquerda" na Turquia. Alguns grupos de esquerda não têm nenhuma preocupação política. Existem outros que não estão interessados no que desenham os acontecimentos. Não quero falar muito sobre eles. As forças políticas com preocupações políticas sérias não estavam preparadas para dirigir tais acontecimentos. Porém, este movimento não é alheio à esquerda. Como disse, em muitas localidades a esquerda organizada conduziu o povo.
Existem alguns que não estão contentes com a intervenção da esquerda. Não estão cômodos com as identidades políticas, bandeiras ou cartazes de partidos.
Isto não é surpreendente, considerando a espontaneidade do movimento. Por outro lado, na maioria dos espaços as pessoas pedem a coordenação de uma organização. Se levarmos em conta a envergadura dos acontecimentos, a contribuição direta da esquerda organizada é limitada, porém a determinação do povo depende das forças de esquerda. Também existe um ego intelectual que é alérgico à ideia da esquerda organizada. Querem monopolizar este cenário. Não o levamos a sério. Temos intelectuais honestos que resistem contra este governo. A esquerda deveria apoiá-los e não àqueles que são hostis às políticas de esquerda e à ideia de algum tipo de organização política.
Existem dois elementos deste movimento: fãs de futebol e álcool...
A participação de fãs de futebol injeta energia ao movimento. No entanto, isto não deve ser analisado
junto com outros fatores. Esta energia tem causado alguns problas. O insulto às manifestações políticas, que não foi o caso da Turquia, pode exemplificar estes problemas. Eu mesmo observei isto. As nossas simpatizantes mulheres, que criticam alguns de nossos textos ou artigos jornalísticos por ter um "discurso masculino", proferiam palavras sexistas. Isto, no entanto, pode explicar-se pela amplitude da raiva, porém o movimento socialista deveria impor sua própria cultura. No assunto do álcool também... Desde que Erdogan tratou de proibir as bebidas alcoólicas, o álcool se converteu em um assunto de liberdades. Porém, isto deveria politizar-se. Não se pode lutar contra a opressão levando garrafas de cerveja nas mãos. Por isso, penso que a decisão do TKP de não permitir a ingestão de bebidas alcoólicas nas manifestações é muito importante.
Como podemos definir estes incidentes? Trata-se de uma crise revolucionária?
Não. Claramente é uma explosão de uma grande energia social. É poderoso em amplitude e efeito, porém existem alguns critérios marxistas que definem uma situação como crise revolucionária, e estamos muito longe dela. Ao menos por agora...

Tradução para o português: Partido Comunista Brasileiro (PCB).

domingo, 9 de junho de 2013

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"O problema com as citações na internet é que 
toda a gente tem uma [versão] 
e a maior parte delas estão erradas." 

Mark Twain
citação tirada da internet

sábado, 8 de junho de 2013

Avenida Alvaro Cunhal

Hoje de manhã,  António Costa e Jerónimo de Sousa inauguraram a nova Avenida Alvaro Cunhal, atribuída pela Comissão de Toponímia após deliberação unânime da CML quando do falecimento do dirigente comunista. Nesta altura, o Presidente da CML fez uma declaração aos presentes na cerimónia e à comunicação social, de ue destaco a transmissão da Antena 1

Apelo de António Costa a "convergência" na inauguração da Avenida Álvaro Cunhal

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, apelou hoje à "convergência no essencial", na cerimónia de inauguração da Avenida Álvaro Cunhal, na freguesia lisboeta do Lumiar, durante a qual foi tocada "A Internacional".

O autarca socialista considerou que o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal acontece num tempo difícil, que "exige a nossa intervenção e não a nossa indiferença, a nossa ação e não a nossa submissão, a nossa convergência no essencial e não a nossa divisão no acessório. Precisamos de ideias, de causas, de esperança e de confiança no futuro", afirmou.

"Penso que o melhor tributo que podemos prestar a Álvaro Cunhal é olhar para aquilo que na sua vida e na sua luta nos pode inspirar, unir e mobilizar. Falo no seu exemplo de seriedade pessoal, da coragem na adversidade, da audácia na ação, da capacidade de resistir e de persistir, da clareza nos propósitos e objetivos, da firmeza e da tenacidade na luta", acrescentou.

Segundo António Costa, "qualquer que seja o juízo que se tenha" das ideias e do legado político de Álvaro Cunhal, "ninguém lhe pode negar a entrega total e pessoalmente desinteressada àquilo em que acreditava, a coerência firme e inflexível, a militância constante e determinada, a fidelidade e a devoção aos seus princípios ideológicos e políticos".

"Ao atribuir o nome de Álvaro Cunhal a uma avenida da nossa cidade, a Câmara Municipal de Lisboa cumpre a sua responsabilidade institucional na construção de uma memória coletiva aberta, plural, tolerante e atualizada", defendeu, acrescentando mais tarde que o líder histórico do PCP "era uma figura imprescindível no espaço público da cidade de Lisboa".

Questionado pelos jornalistas sobre se tinha feito um apelo a uma convergência da esquerda, António Costa riu-se e escusou-se a desenvolver o assunto.

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Imagens das ruas floridas no Corpo de Deus em Vouzela

Na rua principal
Na R. de S. Frei Gil
Procissão passando na ponte "romana",
em frente à casa da nossa família
Junto à casa da nossa família
A caminho da Igreja Matriz

sábado, 1 de junho de 2013

Frase de fim-de-semana, por Jorge

"Há dois tipos de pessoas no mundo, 
os que querem saber e os que querem acreditar"

Friedrich Nietzsche 

filósofo, poeta, compositor e filólogo alemão 
- 1844/1900)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

As BIG FOUR empregam 700.000 especialistas na fuga ao fisco

(a partir do artigo publicado por Walter Wullenweber na Stern em 15de Março passado)

Na Alemanha, nas últimas décadas, o número de funcionários das autoridades tributárias (Finanças), mal pagos, diminuiu 5%. Em contrapartida o número de especialistas em otimização fiscal (leia-se fuga legal aos impostos) aumentou 30% e o número de advogados fiscalistas (outro tipo de especialistas na fuga ao fisco) aumentou 60% e são altamente remunerados.
Mesmo que mais nada dissesse bem se percebe para que lado têm andado as coisas.


Há 4 grandes empresas que detêm o grosso da atividade de fuga aos fisco, uma atividade essencial ao mundo da alta finança internacional. São conhecidas pelas BIG FOUR: a Deloitte, a PriceWaterHouseCoopers, a Ernst & Young e a KPMG.
Deloitte
Têm ao seu serviço 700 mil especialistas, trabalham em 150 países e faturam 76,5 mil milhões de euros por ano.

Só no minúsculo Chipre têm ou tinham 2.500 especialistas. São seus clientes as maiores multinacionais. Por exemplo a Deloitte tem a Vodafone ou a Microsoft, a Ernst & Young tem, p.ex. a Google, a Aple, a Amazon, a Coca Cola. 
A fonte é um estudo do alemão Walter Wullenweber que o publicou, em 15 de Março deste ano, na revista Stern, um estudo em parte reproduzido no Courrier Internacional, origem destes dados.
Nesse estudo diz-se que as Finanças de países como a Grécia, Chipre, Portugal ou Irlanda são incapazes de cobrar impostos às grandes fortunas. Mas o exemplo poderia, se este alemão quisesse, alargar-se à Alemanha. De facto um pouco adiante ele refere que na Alemanha desde 1960 os impostos sobre salários, consumos energéticos ou sob a forma de IVA, isto é os que atingem a população em geral, quase duplicou e os impostos sobre lucros, isto é sobre o capital e portanto sobre as grandes fortunas, caíram 75% . É obra!
Todas estas situações parecem paradoxais mas “esmiuçando” percebe-se que não o são assim tanto.
Os estados e os governos querem cobrar o máximo de impostos ou pelo menos todos os impostos que a lei estipula mas…nada se perceberá ou ganhará coerência se não se perceber que a função dos estados e dos governos é disputada e influenciada por forças contraditórias. Por um lado, pelo mundo do trabalho, por forças democráticas, por grande parte do eleitorado e por outro pelo mundo do capital, pelos bancos, gestores de fundos e fortunas, o mundo financeiro em geral. Mas os campos não são perfeitamente delimitados. Os altos salários estão em geral do lado do capital e o pequeno capital está, frequentemente, do lado do trabalho. E quem detém a maior parte da influência, e frequentemente o controlo dos governos salta à vista. 
Aquele exército de 700.000 funcionários da fuga ao fisco e os mil e um paraísos fiscais convivem em perfeita harmonia com os governos e os Estados porque nestes prevalecem os interesses do capital e, em particular, do capital financeiro.
Do ponto de vista ético esta situação é, para os que não conhecem bem as leis que regem a sociedade, profundamente desmoralizadora e obriga a olhar para os governos, especialmente os dos mais fortes países ou para as organizações internacionais, EUA, Alemanha Japão, UE, ONU, etc como entidades profundamente hipócritas, cúmplices dos multimilionários quando não da ilegalidade e do crime.
Todos sabemos que as BIG FOUR e quejandas só existem porque os parlamentos e os governos que fazem as leis fazem-nas frequentemente sob o controlo dos juristas especializados na fuga ao fisco, funcionários daquelas empresas ou de sociedades de advogados especializados no mesmo objeto.

A fuga aos impostos em grande escala pelas grandes empresas, bancos e sociedades é uma forma da concentração da riqueza em cada vez menos cidadãos e uma forma de contrariar a redistribuição da riqueza pelo estado social que assim fica com menos meios para a educação, para a saúde para as reformas e demais medidas sociais.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Como os trabalhadores do Metro estão nesse dia em greve em defesa dos seus interesses,
que apoiamos, sugiro que  opte pelo autocarro




terça-feira, 28 de maio de 2013

Paulo Nozolino - fotógrafo da melancolia, da decadência e do vazio - exposição até sábado na Quadrado Azul, por J.

Paulo Nozolino nasceu em Lisboa, Portugal, em 1955. Após o  estuo para pintor em Lisboa, Nozolino entrgou-se à fotografia em 1972. Em 1975,  mudou-se para Londres e estudou na London College of Printing por três anos antes de embarcar num período de viagens em todo o mundo. Ele viajou por toda a Europa, o mundo árabe, América do Norte e  do Sul e Macau. Muitas de suas fotografias foram publicadas em  livros, o mais conhecido dos quais é Penumbra (1996), uma coleção de fotos tiradas em países como a Síria, o Iémen, a Jordânia, o Egito e  Mauritânia. Muito de seu trabalho tem incidido sobre as culturas tradicionais do norte da África e do  Médio Oriente, mas


também produziu imagens urbanas que parecem uma reminiscência de Robert Frank.

Basta de austeridade, de empobrecimento e de pensamento único!

Tivemos entre nós o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, trabalhista e Ministro das Finanças da Holanda.
Precisamente numa altura em que o govereno, de costas para o país, prepar novo corte nas reformas dos reformados e apresenta um plano para a Função Pública, onde admite explicitamente o despedimento dos sewus trabalhadores - há muito pretendida de forma encapotada.
O personagem, de visual bem trabalhado e de poses preparadas para as camaras, veio dar o seu apoio à política do governo - rejeitada por vigorosos e largas tomadas de posição das populações e do movimento sindical - expressa em declarações recentes do Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças, cujo isolamento pretenderia ser aliviado, e do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cujos submarinos voltaram a vir à tona sabe-se lá por mão de quem...
O essencial da mensagem é que os portugueses continuem a aceitar plano de resgate, que se revelou de agressão contra a grande maioria da população. As flexibilizações desse plano quanto a deficites, prazos e taxas de juro foram parar à gaveta, apesar de muita gente com peso significativo na formação da opinião no país, ter criado a idéia que pudesse ocorrer a passagem do déficite de 4 para 4,5%  em 2014 após a 7ª avaliação. Dijselbloem tornou claro que qualquer flexibilização do déficite só se faria se o governo levasse até ao fim o seu papel de "bom aluno", cumprindo as conclusões desta última avaliação pela troika.
Em conferência de imprensa com o presidente do Eurogrupo, o Ministo das Finanças, com a concordância de Passos Coelho, que chegara a admitir no Parlamento essa alteração no déficite para 2014.
Concluíriamos referindo que o governo falhou todos os objectivos que colocara para fazer pagar aos trabalhadores e reformados, e excluir de tais medidas o grande capital e o mundo financeiro...

Indo ao encontro dos que em Portugal se batem contra esta política, mais uma vez, o Nobel da Economia, Paul Krugman, criticou a política imposta pelos mais fortes na Europa e pelo governo português, em concreto.
Para ele "o euro deve acabar ou algo deve ser feito para o fazer funcionar, porque aquilo a que estamos a assistir (e os portugueses a experimentar) é inaceitávelE e que Portugal está a passar por um pesadelo económico-financeiro da responsabilidade da política europeia de austeridade orçamental. E questionou-se como é possível ultrapassar problemas estruturais, que outros países têm, condenando milhares de  trabalhadores ao despedimento.
Paul Krugman num artigo do seu blogue questiona

"Não me digam que Portugal tem tido más políticas no passado e que tem profundos problemas estruturais. Claro que tem, e todos têm, mas sendo que em Portugal a situação é mais grave que em outros países, como é que faz sentido que se consiga lidar com estes problemas condenando ao desemprego um grande número de trabalhadores disponíveis?", frisa Paul Krugman em artigo hoje publicado no seu blogue, "Consciência de Um Liberal".
O antigo prémio Nobel da economia comentava no seu blogue um artigo hoje publicado no jornal Financial Times sobre as condições "profundamente deprimentes" em Portugal, centrando-se na situação de empresas familiares, que foram até agora o núcleo da economia e da sociedade do país.
Para Paul Krugman, a resposta a estes problemas "conhecidos há muitas décadas", reside numa política monetária e orçamental expansionista.
"Mas Portugal não pode fazer as coisas por conta própria, porque já não tem moeda própria. 'OK' então: ou o euro deve acabar ou algo deve ser feito para fazê-lo funcionar, porque aquilo a que estamos a assistir (e os portugueses a experimentar) é inaceitável", sublinhou.
O economista defende uma expansão "mais forte na zona do euro como um todo", "uma inflação mais elevada no núcleo europeu", tendo em mente que o Banco Central Europeu (BCE), assim como a Reserva Federal Americana, são contra taxas de juro próximas de zero.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ora leiam lá bem o que está numa factura da EDP...


É um espanto nada ser feito para alterar este tipo de contratos !!!


Como é possível que, governos anteriores, tenham celebrado este tipo de contratos …














2008
Δ 2008-2009
2009
Δ 2009-2010
2010
Δ 2010-2011
2011
Δ 2011-2012
2012
Δ 2008-2012
VAZIO
0,0614
7,98%
0,0663
11,92%
0,0742
4,85%
0,0778
7,11%
0,0833
35,67%
FORA VAZIO
0,1132
8,92%
0,1233
12,08%
0,1382
4,78%
0,1448
7,11%
0,
37,01%


% Consumo
Custo kWh
Preço (s/ IVA)
% Consumo
Custo kWh
Preço (s/ IVA)
% Consumo
Custo kWh
Preço (s/ IVA)
VAZIO
30%
0,0833
124,95
40%
0,0833
166,60
50%
0,0833
208,25
FORA VAZIO
70%
0,1551
542,85
60%
0,1551
465,30
50%
0,1551
387,75
TOTAL


667,80


631,90


596,00


% Consumo
Custo kWh
Preço (s/ IVA)

TARIFA SIMPLES (a)
100%
0,1100
550,00

TARIFA SIMPLES (b)
100%
0,1393
696,50


POR ACASO SABEM QUAL FOI VERDADEIRAMENTE O CONSUMO  DE ELETRICIDADE NUMA FACTURA QUE PAGAM DE 116,00 € ?! VEJAM A DESCRIMINAÇÃO NO QUADRO ABAIXO … E PASMEM ! 
Descriminação
Taxa
Importância
CUSTO EFECTIVO DA ELECTRICIDADE CONSUMIDA

34,00
Taxa RDP e RTP
7%
6.80
Harmonização Tarifária dos Açores e da Madeira
3%
1,60
Rendas por passagem de cabos de alta tensão para Municípios e Autarquias.
10%
5,40
Compensar de Operadores - EDP, Tejo Energia e Turbo Gás
30%
16,10
Investimento em energias renováveis
50%
26,70
Custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência e da ERSE
7%
3,70
Soma

94,30
IVA
23%
21,70
Total

116,00



Permaneçam sentados para não caírem:

- 7% de Taxa para a RDP e RTP (para que Malatos, Jorge Gabrieis, Catarinas Furtados e outras que tais possam receber 17.000 e mais €/mês);

- 3% são a harmonização tarifaria para os Açores e Madeira, ou seja, é um esforço que o país (TODOS NÓS) fazemos pela insularidade, dos madeirenses e açorianos, para que estes tenham eletricidade mais barata. Isto é, NÓS já pagamos durante 2011, 75 M€ para aqueles ilhéus terem a electricidade mais barata!
- 10% para rendas aos Municípios e Autarquias. Mas que vem a ser esta renda? Eu explico: a EDP (TODOS NÓS) pagamos aos Municípios e Autarquias uma renda sobre os terrenos, por onde passam os cabos de alta tensão. Isto é, TODOS NÓS, já pagamos durante 2011, 250 M€ aos Municípios e Autarquias por aquela renda.
- 30% para compensação aos operadores. Ou seja, TODOS NÓS, já pagamos em 2011, 750 M€ para a EDP, Tejo Energia e Turbo Gás.
- 50% para o investimento nas energias renováveis. Aqueles incentivos que o Sócrates deu para o investimento nas energias renováveis e que depois era descontado no IRS, também o pagamos. Ou seja, mais uns 1.250 M€.
- 7% de outros custos incluídos na tarifa, ou sejam 175 M€. Que custos são estes? São Custos de funcionamento da Autoridade da Concorrência, custos de funcionamento da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Eléctricos), planos de promoção do Desempenho Ambiental da responsabilidade da ESE e planos de promoção e eficiência no consumo, também da responsabilidade da ERSE.
Os prémios devidos aos administradores não sei de onde saem mas é do vosso bolso concerteza. Lembram-se do prémio anual do sr Mexia ? Foram só 3 milhões de € , claro, para além de um chorudo ordenado não sujeito a cortes de subsídios ridiculos para gozar férias e passar o Natal com a família.
Estão esclarecidos? Isto é uma vergonha. NÓS TODOS pagamos tudo !

Pagamos para os nossos compatriotas açorianos e madeirenses terem electricidade mais barata, pagamos aos Municípios e Autarquias, para além de IMI's, IRS's, IVA's em tudo que compramos e outras taxas ... somos sugados, chupados, dissecados ...

(adaptação de dados fornecidos por um amigo)