A referência das aspirações dos mais ou menos jovens, nascidos antes ou depois da Revolução, ao 25 de Abril adquire uma multiplicidade de sentidos.
O período revolucionário foi muito curto. A identificação do poder com parte importante da população portuguesa realizando mudanças históricas durou pouco tempo.
Mas o que ficou nas consciências de quem o viveu e se manteve como referencial de aspirações de novas gerações, renovando-se sempre como orientação a prosseguir, foi a conquista das liberdades, a libertação dos presos políticos, o fim da repressão e do fascismo, um povo unido em torno de ideais e realizações, a liberdade sindical, a valorização dos trabalhadores, das suas condições de trabalho e de qualidade de vida, o fim das guerras coloniais, a grande empatia entre o povo e os militares revolucionários (MFA).
São valores que sobrevivem às tentativas de fazer esquecer a história.
E que em dias de ingerência externa, no que resta da nossa soberania, se tornam mais fortes para dar força a alternativas políticas que acabem com o mais do mesmo, com as inevitabilidades e com a sujeição dos partidos políticos que têm ocupado o poder, que uma vez mais nos convidam à genuflexão e a maiores desigualdades
No dia 25 estaremos na rua e voltaremos a estar no 1º de Maio.
De novo se verificará quem manteve apurado o sentido da história e o isolamento dos que o têm tentado riscar da memória e das aspirações.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
A rosa socialista na lapela do FMI
Apontado como candidato do PS nas futuras eleições francesas, Dominique Strauss-Kahn (o senhor DSK) foi eleito director-geral do FMI em 2007.
É um dos socialistas franceses que passaram a fazer parte de organismos internacionais, vinculados à estratégia dos EUA.
Não terá passado desapercebido que há dias, quando o FMI chegava a Portugal, ele se tenha mostrado dorido com a globalização geradora de tantas assimetrias e alertanmdo que as "ajudas" do FMI deviam contemplar também o relançamento da actividade económica.
Trata-se de um homem educado e culto.
No entanto é, desde há muito, um homem estreitamente ligado aos EUA, como revelou Thierry Meyssan na voltaire.net.org há cerca de dois anos.
É um dos socialistas franceses que passaram a fazer parte de organismos internacionais, vinculados à estratégia dos EUA.
Não terá passado desapercebido que há dias, quando o FMI chegava a Portugal, ele se tenha mostrado dorido com a globalização geradora de tantas assimetrias e alertanmdo que as "ajudas" do FMI deviam contemplar também o relançamento da actividade económica.
Trata-se de um homem educado e culto.
No entanto é, desde há muito, um homem estreitamente ligado aos EUA, como revelou Thierry Meyssan na voltaire.net.org há cerca de dois anos.
Por detrás da democracia norte-americana, o "estado profundo"...
O Professor Peter Dale Scott traça a história do "Estado profundo" dos Estados Unidos, ou seja, a estrutura secreta que conduz a política externa e de defesa para além da aparência democrática. Este estudo é uma oportunidade para destacar o grupo que organizou os atentados de 11 de Setembro e que se financia através do mundo no tráfico de drogas. Este livro de referência já é hoje recomendado em academias militares e diplomáticas.Peter Dale Scott
em entrevista em 5 de Abril para a voltairenet.org
A China e os objectivos da NATO em relação à Líbia
A razão pela qual as forças da OTAN, lideradas pelos EUA, estão decididas a projetar uma mudança de regime na Líbia está agora a tornar-se clara. Enquanto jornalistas especializados e analistas políticos ainda discutem sobre se os grupos rebeldes da Líbia estão realmente a ser apoiados e dirigidos pelos EUA, o Reino Unido e os serviços secretos de Israel, os objectivos da política ocidental para com a Líbia estão a ser completamente ignorados. Basta ler os briefings estratégicos nos documentos AFRICOM EUA para compreender o que se joga na Líbia: o controle de recursos valiosos e o afastamento da China do Norte de África (por causa do petróleo).
Quando os EUA formaram o AFRICOM, em 2007, 49 países assinaram a Carta militar dos EUA para África, mas um país recusou-se a fazê-lo: a Líbia. Este acto tão "traiçoeiro" do líder líbio Moummar Kadafi as sementes para um futuro conflito em 2011 estavam lançadas à terra.
NATO: Reduzida a uma mera força de segurança privada para oeste interesses corporativos. Segundo o ex-funcionário do gabinete de Reagan Dr. Paul Craig Roberts, a situação com Kadafi é muito diferente de outros recentes protestos no mundo árabe. "Porque é que a NATO está lá?" Esta tornou-se a verdadeira questão, diz Roberts, que teme que este envolvimento de risco, decorrente da influência norte-americana, possa levar ao ponto de ruptura catastrófica na Líbia.
Paul Craig Roberts
8 de Abril de 2011 na Global Research
Bancos centrais de outros países financiam a expansão militar norte-americana no mundo
Grandes quantidades de excedentes de dólares estão a ser derramados no resto do mundo.Os bancos centrais têm reciclado estes afluxos de dólares com a compra de títulos do Tesouro dos EUA, que servem para financiar o défice do orçamento federal dos EUA. Subjacente a este processo está o carácter militar do défice de pagamentos dos EUA e do défice do orçamento federal interno. Por mais estranho que possa parecer, e irracional como seria num sistema mais lógico da diplomacia mundial, a "inundação de dólares" é o que as finanças dos Estados Unidos estão a construir. Ela força os bancos centrais estrangeiros a suportar os custos do império militar da América em expansão : uma tributação "eficaz, sem representação"...
Michael Hudson
13 Abril 2011, na Global Research
Michael Hudson
13 Abril 2011, na Global Research
sábado, 16 de abril de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"A música não se pode explicar, explica-se com música."
Jordi Savall (músico e compositor catalão, 1941-),
JN 11/10/09
terça-feira, 12 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Os crimes da NATO na Líbia, o governo que apoia integrado pela Al Qaeda e as mentiras da imprensa
1. A propósito da utilização contra a Líbia de mísseis de cruseiro com urânio empobrecido, o Professor Massimo Zucchetti, professor da Universidade de Turim em instalações nucleares, refere na voltaire net.org que o apoio militar da NATO aos revoltosos de Benghazi contra o ditador de Trípoli está a ser feito contra as populações civis. Em média, um em cada dez mísseis descontrola-se e cai aleatoriamente na zona alvo. Todos os mísseis, quer os que têm uma cabeça revestida de urânio empobrecido quer os que têm apenas os seus estabilizadores de urânio empobrecido, poluem a área. Assim, este supostamente bombardeio "humanitário" matará nos próximos anos milhares de civis com cancro.Segundo o autor é importante, recolher dados e estudos - e há muitos - quanto aos efeitos sobre o homem e o ambiente das "novas guerras". Que concluirão que as armas modernas, de modo nenhum “cirúrgicas”, produzem danos inaceitáveis, particularmente a partir da primeira chamada guerra “humanitária” em 1991.
2. O responsável pela rede noticiosa onde este trabalho foi publicado há alguns dias, Thierry Meyssan diz que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. As operações militares na Líbia e a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que serve como base jurídica à actual intervenção, confirma a regra. Ela foi apresentada ao público como uma necessidade para proteger civis, vítimas da repressão indiscriminada do Coronel Kadhafi. Mas na realidade encobrem objectivos imperialistas clássicos.
Os invocados “crimes contra a humanidade”, invocados pelas potências que atacam a Líbia para insinuarem um julgamento de Kadhafi no Tribunal Penal Internacional, não se baseia em evidências comprováveis desde o início do conflito armado. Os ataques contra civis não adquiriram dimensão expressiva de parte a parte. As cidades por onde o conflito passou estão quase sem ninguém e os que nelas se mantêm não são combatentes. Procuram continuar a sua vida. Estes circulam em pick-ups com anti-aéreas e metralhadoras pesadasHá, de facto, muitos mortos em combate das forças militares a Kadhafi e de militares que passaram a apoiar os rebeldes. A obtenção de armamento ligeiro e pesado por estes nos quartéis do exército líbio de que se apoderaram, passou a conferir-lhes, de facto, mesmo que com reduzido grau de organização e atitudes aventureiras, o estatuto de combatentes.
A “ajuda humanitária” que as forças francesas estão a realizar são um apoio a uma das partes da guerra civil. Os bombardeamentos ingleses, franceses e americanos a alvos do exército líbio são a mesma coisa. A conformidade destes actos com a resolução do Coselho de Segurança em que a Rússia e a China deixaram a porta aberta para a situação actual é mais que questionável.
O que está em curso é uma agressão bárbara à Líbia dos colonialistas ávidos de petróleo.
Os dois pesos e duas medidas com que tratam diferentes situações de países onde também existem revoltas populares (não armadas) como no Bahrein, no Iémen.
Se o objetivo era proteger as populações civis, a zona de exclusão aérea deveriater sido limitada aos territórios insurgentes (como havia sido feito com o Curdistão do Iraque). Mas o que está a acontecer é a balcanização da Líbia. E um retalhar de África também, já visível no Sudão e na Costa do Marfim.
3. Os responsáveis políticos desertores do campo de Kadhafi têm altas responsabilidades mas são eles que as potências atacantes impuseram como “governo alternativo” em Benghazi, não permitindo que outras correntes árabes anti-imperialistas e os comunistas assumam responsabilidades no seio da rebelião. Com eles estão antigos chefes militares líbios e responsáveis do LIFG.
De entre os combatentes, uns são desertores do exército líbio outros paramilitares do LIFG (Lybian Islamic Fighting Group), ligado à Al Qaeda, cuja rede funciona há anos como instrumento das intervenções dos EUA e da NATO, desde a intervenção soviética no Afganistão. Ligado à CIA e ao MI6 britânico, o LIFG tem um historial de acção na Líbia que passou pela tentativa de assassinato de Kadhafi em 1996. E a Al Qaeda, depois da guerra do Afganistão, apoiou o exército muçulmano bósnio, o exército de libertação do Kosovo apoiados activamente pelos EUA e a NATO.
O ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Moussa Koussa, que há dias “desertou” era, por um lado responsável pelos serviços secretos líbios, responsável pelos crimes de que o “ocidente” acusa Kadhafi e, simultâneamente, há cerca de dez anos agente duplo recrutado pelo MI6. Apoiante da Al Qaeda, de entre outras facções do governo líbio, viabilizou a formação operacional do LIFG que, por sua vez, negociou com os ingleses a “fuga” de Moussa Koussa. A partir de 2009, com a formação de militares líbios em luta anti-terrorista pela CIA, a CIA penetrouo aparelho de estado líbio.4. A intervenção de regimes autoritários árabes como a Arábia Saudita ou o Qatar contra a vaga de revoltas populares no norte de África deu-se combatendo os revoltosos e apoiando “alternativas” saídas dos regimes contestados no sentido de lhes fazer perder o carácter revolucionário que poderia alastrar também dentro das suas próprias fronteiras.
5. Se não tivesse havido intervenção estrangeira na Líbia, Kadhafi já teria derrotado a sublevação na Cirenaica. Com ela, mantida neste nível, a situação ficará num impasse, arrastando-se o número de mortos. Se essa intervenção aumentar qualitativamente, em violação clara da resolução da ONU, as forças de Kadhafi poderão ser derrotadas.
Talvez isso justifique a recusa por parte do “governo” apoiado pela NATO da proposta feita pelos filhos de Kadhafi hoje para um cessar fogo e conversações para um governo de unidade nacional.
Governo esse apoiado e integrado pela estrutura líbia da rede da Al Qaeda...
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"O homem pode fazer o que quer, mas não pode querer o que quer"
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão, 1788-1860)
Arthur Schopenhauer (filósofo alemão, 1788-1860)
quarta-feira, 30 de março de 2011
A crise portuguesa e a política de austeridade, por Paul Krugman
Não é a primeira vez que o Nobel da Economia exprime a sua discordância quanto a políticas de combate ao déficite que não resultem do relançamento da economia.
No jornal "i", do passado dia 26, volta à questão, referenciando o caso de Portugal. Aqui fica um pequeno excerto
"Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão."
No jornal "i", do passado dia 26, volta à questão, referenciando o caso de Portugal. Aqui fica um pequeno excerto
"Cortar no défice com desemprego alto é um erro. Mas se os investidores desconfiam que estão perante uma república das bananas em que os políticos não enfrentam os problemas estruturais, deixam de comprar dívida e o défice dispara com os juros
O governo de Portugal caiu a pretexto de uma disputa relacionada com o programa de austeridade. Os juros da dívida pública irlandesa acabam de ultrapassar os 10% pela primeira vez. Já o governo do Reino Unido reviu em baixa as perspectivas económicas e em alta as previsões do défice.
Que têm em comum todos estes acontecimentos? Todos são provas de que a redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão."
terça-feira, 29 de março de 2011
Passam agora 58 anos sobre a execução de Julius e Ethel Rosenberg nos EUA
"Um júri reunido em Nova Iorque, EUA, deu Ethel e Julius Rosenberg como culpados do crime despionagem a favor da União Soviética, a quem teriam passado informação sensível sobre a bomba atómica americana. A sentença de morte dos Rosenberg seria proferida a 5 de Abril do mesmo ano. Documentos provenientes dos arquivos russos indicam que Julius tinha, de facto, ligações aos comunistas, mas a dúvida subsiste até hoje relativamente a Ethel. Ambos negaram o seu envolvimento em operações de espionagem. Este caso foi o detonador de um período de grande intolerância nos EUA, nos anos 1950, liderado pelo senador Joseph McCarthy e a sua Comissão de Investigação das Actividades Antiamericanas, popularmente conhecido como “caça às bruxas”. O processo gerou uma onda de protestos e acusações internacionais de anti-semitismo (os réus eram judeus americanos), com tomadas de posição a favor do casal da parte de Jean-Paul Sartre, Albert Einstein, Dashiel Hammett, Jean Cocteau, Diego Rivera, Frida Kahlo, Pablo Picasso, Fritz Lang, Bertold Brecht e outros intelectuais e artistas. O Papa Pio XII apelou a Eisenhower para os poupar, mas o Presidente dos EUA recusou-se a exercer o seu direito de indulto. Os Rosenberg foram executados ao pôr do sol de 19 de Junho de 1953, na Prisão de Sing Sing, Nova Iorque. Foram os primeiros civis a serem executados por espionagem." [Público de hoje].
Os dois filhos de Rosenberg, Robert e Michael levaram anos a tentarem provar a inocência dos seus pais. Depois da execução dos pais foram colocados num orfanato e nenhum familiar teve coragem para os adoptar até que acabaram adoptados pelo músico Abel Meeropol e mulher. Do músico adoptaram o apelido. Foi ele quem escreveu o hino clássico contra o racismo e os linchamentos de negros, "Strange Fruit", popularizado pela cantora Billie Holiday (ver caixa ao lado).
Os filhos escreveram o livro "Somos os seus filhos: o legado de Ethel e Julius Rosenberg (1975) e Robert escreveu em 2003 um outro "Uma execução na família: um dia na vida de um filho". Robert fundou em 1990 uma instituição de apoio aos filhos de activistas políticos perseguidos. A filha de Robert, Ivy dirigiu em 2004 um documentário sobre os avós "Heir to an execution", apresentado no Sundance Film Festival.
Os filhos de Ethel e Julius acreditam que "fosse qual fosse a informação que os seus pais tivessem passado aos russos, ela seria no máximo no supérflua. O caso estava cheio de intuitos persecutórios num comportamento judicial impróprio. A mãe estava convencida da debilidade das provas para enculparem o marido. E não mereciam a pena de morte".
sexta-feira, 25 de março de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Quando se declara guerra,
a primeira baixa é a da verdade"
Arthur Ponsonby (político, escritor
e activista social britânico, 1871-1946)
a primeira baixa é a da verdade"
Arthur Ponsonby (político, escritor
e activista social britânico, 1871-1946)
sábado, 19 de março de 2011
Sarkozy e Obama começam nova guerra de agressão
A formidável capacidade de espionagem nesta zona por parte dos EUA e antigas potências coloniais europeias, bem como de Israel, do Egipto, Arábia Saudita e Emiratos, não conseguiram divulgar durante estas semanas informações e imagens validáveis sobre genocídios da parte governamental nem sobre a verdade das operações realizadas que tornaram Benghazi a zona rebelde por excelência.
Se a invasão do Iraque teve como pretexto uma enorme mentira, nada está a ficar diferente no ataque à Líbia.
Berlusconi já prometeu juntar-se aos agressores, o que arrastará ainda mais esta agressão pela lama da ignomínia.Acabei agora de ouvir na SIC -Notícias o general Loureiro dos Santos justificar o injustificável.
Mentiu quando afirmou que esta intervenção estava a ocorrer de acordo com a recente resolução das Nações Unidas.
De facto a criação de um corredor aéreo livre da intervenção de aviões líbios não parece ter por estes sido violado. Os alvos dos ataques franceses e norte-americanos foram objectivos militares que nada têm a vêr com isso.
Não consta também da resolução das Nações Unidas que os combates no âmbito da guerra civil entre líbios permitam atacar uma das partes com esses ataques ~mas permitam ao Qatar e Emiratos Árabes Unidos armar os revoltosos com novo equipamento militar e sabe-se lá com mais quê!...Onde estão esses fervorosos repórteres das causas justas???. E isto é tanto mais vergonhoso quanto os aliados dos EUA como a Arábia Saudita e esses emiratos estejam a intervir no Bahrein para esmagar a revolta ocorrida noutros países árabes, sem que ONU, NATO ou UE dediquem a isso qualquer atenção...
quinta-feira, 17 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Geração à rasca e os "professores" comentaristas
Depois do êxito assinalável da manif de ontem, foi tempo de as estações de TV, e não só, recrutarem uma série de "professores universitários" para pôrem a leitura do acontecimento nos devidos sítios.
Para uns, o movimento tem agora de intermediar-se com o poder através dos partidos, deixando a rua. Para outros a criação de mais emprego jovem tem que resultar da maior facilitação de despedimentos dos mais velhos. Para outros ainda foi um anacronismo terem-se gritado slogans associados com o 25 de Abril.
Resumindo, tais professores não tiveram nas manifs de sábado o laboratório que confirmasse as suas teses, forjadas na ausência de qualquer investigação, cujos beneficiários são o poder e a grande manjedoura que alimenta com a perda de condições de vida dos portugueses.
"Poesia" do cinema
Neste domingo cinzentão fizemos uma boa opção. Rumámos ao King e vimos "Poesia", filme sul-coreano de Lee Chang-dong, tendo como protagonista Yun Jung-hee , grande e bela actriz, que já não filmava há quinze anos.
O regresso do interesse de infância pela poesia leva-a a um curso de formação e a uma tertúlia de poetas iniciados, pouco antes de conhecer o diagnóstico da doença de Alzheimer. A relação disso com a angústia por um crime perpretado pelo neto e outros colegas de escola e os cuidados prestados a um doente acamado, sua forma de subsistência, constituem a trama do filme, onde o sentido de honra está presente.
Da perda da memória de palavras e de descobrir o lado belo das coisas vai registando sentimentos que a levam a construir uma poesia.
Lee Chang-dong disse numa entrevista "O que me atrai é o ser humano. Carrascos ou vítimas, nós nunca somos só uma coisa. A natureza humana é complexa e, como artista, tenho a impressão de que minha função é iluminá-la. Filmo para conhecer o outro e a mim mesmo."
O entrevistador insistiu na definição de ‘morte em vida’, a propósito da doença. Chang-dong disse-lhe que a ligação da personagem com as palavras - poesia - faz parte de um movimento íntimo. "Dando novo sentido às palavras, ela busca preservá-las, e o que representam, do esquecimento."
Dias depois de termos assistido à entrega dos óscares com critérios alheios a quaisquer considerações artísticas, é bom reconciliarmo-nos com o bom cinema.
O regresso do interesse de infância pela poesia leva-a a um curso de formação e a uma tertúlia de poetas iniciados, pouco antes de conhecer o diagnóstico da doença de Alzheimer. A relação disso com a angústia por um crime perpretado pelo neto e outros colegas de escola e os cuidados prestados a um doente acamado, sua forma de subsistência, constituem a trama do filme, onde o sentido de honra está presente.
Da perda da memória de palavras e de descobrir o lado belo das coisas vai registando sentimentos que a levam a construir uma poesia.
Lee Chang-dong disse numa entrevista "O que me atrai é o ser humano. Carrascos ou vítimas, nós nunca somos só uma coisa. A natureza humana é complexa e, como artista, tenho a impressão de que minha função é iluminá-la. Filmo para conhecer o outro e a mim mesmo."
O entrevistador insistiu na definição de ‘morte em vida’, a propósito da doença. Chang-dong disse-lhe que a ligação da personagem com as palavras - poesia - faz parte de um movimento íntimo. "Dando novo sentido às palavras, ela busca preservá-las, e o que representam, do esquecimento."
Dias depois de termos assistido à entrega dos óscares com critérios alheios a quaisquer considerações artísticas, é bom reconciliarmo-nos com o bom cinema.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Líbia: o que se segue?
1. A guerra civil iniciada na semana passada na região Cirenáica com a liquidação pelos revoltosos das forças pró-Kadhafi e a captura de grandes arsenais de armamento, tem logo desde o início este como traço distintivo dos processos ocorridos na Tunísia, no Egipto ou noutros países da região.
Destes acontecimentos a informação certificável é quase inexistente. Fala-se em centenas de mortos mas sem uma maior precisão.
2. Michel Chossudovsky publicou nos últimos dias dois artigos na Global Research, que dirige e que o resistir.info publicou em português.
Neles o autor refere que "As implicações geopolíticas e económicas de uma intervenção militar EUA-NATO contra a Líbia são de grande alcance.
A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA.
Destes acontecimentos a informação certificável é quase inexistente. Fala-se em centenas de mortos mas sem uma maior precisão.A fuga de muitos milhares de pessoas destas regiões afectadas pelo combate para países vizinhos causa uma perigosa situação humanitária, nas fronteiras africanas mas também uma pressão sobre a Itália e a França que, com tonalidades diferentes, descobriram agora o carácter do regime anti-popular de Kadhafi...
Sarkozy é o mais belicoso e que veícula no teatro europeu a estratégia e os objectivos de Washington que, por sua vez tem Londres atrelada. Para ele, a Europa e a NATO deviam abrir o corredor aéreo para impedir Kadhafi de dar combate à progressão armada dos revoltosos, a Líbia deveria ser bombardeada, os revoltosos serem abastecidos de novos armamentos, e deveria haver uma intervenção da NATO imediata na Líbia bem como o reconhecimento do Conselho Nacional Líbio como única autoridade do país.2. Michel Chossudovsky publicou nos últimos dias dois artigos na Global Research, que dirige e que o resistir.info publicou em português.
Neles o autor refere que "As implicações geopolíticas e económicas de uma intervenção militar EUA-NATO contra a Líbia são de grande alcance.
A Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo, com aproximadamente 3,5% das reservas globais de petróleo, mais do dobro daquelas dos EUA.
A "Operação Líbia" faz parte de uma agenda militar mais vasta no Médio Oriente e na Ásia Central, a qual consiste e ganhar controle e propriedade corporativa sobre mais de 60 por cento da reservas mundiais de petróleo e gás natural, incluindo as rotas de oleodutos e gasodutos.
Países muçulmanos incluindo a Arábia Saudita, Iraque, Irão, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Iémen, Líbia, Egipto, Nigéria, Argélia, Cazaquistão, Azerbaijão, Malásia, Indonésia, Brunei possuem de 66,2 a 75,9 por cento do total das reservas de petróleo, conforme a fonte a metodologia da estimativa". (Ver Michel Chossudovsky, The "Demonization" of Muslims and the Battle for Oil, Global Research, January 4, 2007) .
3. Não são os direitos humanos mas o petróleo que movem os EUA, Inglaterra e França. Nem é a democracia...Alguém sabe de onde surgiu este Conselho Nacional Líbio? Que métodos electivos o legitimam?
Hoje a UE irá debater as propostas da França e definir-se em relação à intervenção no território líbio.
Vejamos então até que ponto querem ou podem ir.
terça-feira, 8 de março de 2011
Propostas da CGTP-IN para uma ruptura que concretize a mudança necessária – crescimento económico e justiça social
A CGTP-IN publicou há dias um breve estudo sobre a degradação das condições económicas e sociais em Portugal, cuja leitura sugerimos como instrumento de esclarecimento na luta que travamos conmtra a política deste governo.
Portugal não pode continuar refém de um modelo assente em exclusivo nas exportações, que faz tábua rasa do peso das importações e do contributo da procura interna para a dinamização económica.
Para tal, para além de medidas que privilegiem e defendam, no quadro de excepcionalidade que vivemos, a produção nacional direccionada para o mercado externo, mas também interno, o aumento dos salários e das pensões, ou seja, o aumento do poder de compra da generalidade da população é fundamental do ponto de vista económico, com um alcance em termos de justiça social que se exige.
Para a CGTP-IN a promoção do emprego, o combate à precariedade e ao desemprego, à exclusão social e à redução de prestações sociais, têm de estar no centro das políticas implementadas e não pode ficar dependente de conjunturas, nem muito menos do comportamento da procura externa.
O aumento das receitas fiscais, por via do combate à fraude e evasão, o fim dos paraísos fiscais, uma maior justiça e progressividade dos impostos num quadro de colocar a pagar mais quem mais pode, no caso concreto os grandes grupos económicos e financeiros, são elementos que permitirão aliviar as famílias dos cortes salariais e do aumento de preços que se perspectivam para 2011.
Portugal não pode continuar refém de um modelo assente em exclusivo nas exportações, que faz tábua rasa do peso das importações e do contributo da procura interna para a dinamização económica.
Para a CGTP-IN é essencial que as exportações sejam consideradas num quadro de complementaridades, que a substituição de importações por produção nacional seja uma realidade, com a procura interna a desempenhar um papel determinante no relançamento económico.
Para tal, para além de medidas que privilegiem e defendam, no quadro de excepcionalidade que vivemos, a produção nacional direccionada para o mercado externo, mas também interno, o aumento dos salários e das pensões, ou seja, o aumento do poder de compra da generalidade da população é fundamental do ponto de vista económico, com um alcance em termos de justiça social que se exige. Para a CGTP-IN a promoção do emprego, o combate à precariedade e ao desemprego, à exclusão social e à redução de prestações sociais, têm de estar no centro das políticas implementadas e não pode ficar dependente de conjunturas, nem muito menos do comportamento da procura externa.
domingo, 6 de março de 2011
Os 90 anos do PCP e a bílis do (a) editorialista do Público
Hoje na 1ª pagina, de forma pouco destacada, remetia-se o leitor para 2 páginas interiores onde um conjunto de jovens foi perguntado pela jornalista sobre as causas da sua atracção pelo PCP, no momento em que este partido completa 90 anos da sua existência.
A peça era oportuna pelo aniversário mas também pela indesmentível constatação que qualquer pessoa mìnimamente atenta fará sobre a grande componente juvenil, aguerrida e portadora de uma grande simpatia, que existe na vida do PCP.Fiquei, naturalmente satisfeito.
Não é todos os dias que falar de forma objectiva sobre o PCP se pode encontrar na generalidade dos media. E é consabido que, de entre os partidos com assento parlamentar, o PCP é aquele que mais maltratado é pelo evitar dos factos e o optar por clichés rançosos.
Estava eu ainda nesta reflexão quando tropecei no editorial aparachik.
Retenho as seguintes expressões sobre o PCP: "Militar no PCP é uma questão de crença", " o PCP que Alvaro Cunhal preservou em embaciadas "paredes de vidro", "Jerónimo de Sousa mantém o (PCP) no rumo antigo sem o mínimo desvio, que lhe seria fatal", "O PCP chega aos 90 anos sem que seja possível atribuir-lhe uma idade real", "pertence a uma época que já quase desapareceu, "Milhares vão-no mantendo vivo contra todas asv evidências da história", "o comunismo que deu nome ao PCP no mundo real só produziu inomináveis tragédias" e "isso só ajuda a acentuar o seu anacronismo". Em matéria de citações por aqui me fico porque o textinho pràticamente se esgota nisto.
Alguma pessoa escreve isto sem estar a fazer o frete a alguém? Que compensação espera o (a) autor (a) desta prosa por tanta bilis derramada?
Seria bem mais interessante tentar compreender o que são as convicções e porque as têm aqueles que militam no PCP, arriscando emprego, carreiras, rejeitando mordomias e corrupção intelectual e económica. É desta massa que o país precisa para sair do buraco para o qual os "democratas" o mandaram. E não só no PCP - entendamo-nos - existem tais pessoas.
Seria interessante ler "O Partido com paredes de vidro" para discernir sobre onde andam os "embaciamentos".
Seria interessante reflectir sobre o destino que tiveram, ao longo destes quase quarenta anos, todas as invocadas fatalidades, anacronismos e mortes anunciadas do PCP. E porque é que isso decorreu de aqui estarem comunistas, com pés bem assentes nesta terra, a ombrear e a dar força aos que mais explorados são e potencialmente mais importantes serão na "ruptura" necessária com um estado de coisas que nos asfixia, nos subalterniza, nos faz a vida num inferno e o nos quer tirar o futuro.
Seria interessante reflectir sobre a leitura que o PCP (e não só) fez sobre a derrota de muitas experiências socialistas, como isso é coerente com a linha política e programática do PCP ao longo dos anos, como o PCP defende as liberdades e a democracia, aponta propostas não só ousadas como realistas e susceptíveis de serem aceites por muitos outros, incluindo filiados noutros partidos.
Seria interessante não esquecer que as tragédias em Portugal envolvendo comunistas são as que eles (e outros) sofreram nas prisões, no ceifar de vidas, nas perseguições e torturas.
A quem escreveu esta prosa, recomendo a utilização da bílis naquilo para que ela existe.
Sob o anonimato escapou à crítica directa mas francamente não sei se vale a pena falar mais de si, múmia borolenta que ainda faz ressoar palavras ininteligíveis neste tempo a que você deixou de pertencer.
Himalaias: os glaciares afectados por mudanças climáticas ou por coberturas de escombros?
Criou-se uma controvérsia sobre o estado actual e futuro da evolução dos glaciares do Himalaia após as declarações erradas no quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), consultor da ONU que ficou desacreditado com a manipulação de dados sobre os efeitos de alterações climáticas. Três cientistas dão o seu contributo para esta discussão na edição deste mês da revista "Nature Geoscience Alert".
Diferentes taxas de recuo e a escassez de dados de balanço da massa glacial tornam difícil desenvolver um quadro coerente dos impactos regionais de mudanças climáticas. Neste artigo, os autores dão conta de alguns dados relativos a 2000-2008 nas maiores montanhas do Himalaia que indicam fortes variações espaciais no comportamento do glaciar que devidas à topografia e clima. Mais de 65% dos glaciares inflenciados pelas monções que observaram estão a recuar, mas os glaciares cobertos de escombros com estagnação de baixo gradiente de regiões terminais têm frentes estáveis. Os glaciares cobertos de detritos são comuns no robusto Himalaya central, mas estão quase ausentes nas paisagens suaves no planalto tibetano, onde as taxas de recuo são maiores. Em contrapartida, mais de 50% dos glaciares observados na região influenciada pelos ventos de Karakoram, no Himalaia do noroeste estão ou a avançar ou estáveis.
O estudo dos autores mostra que não há uma resposta uniforme dos glaciares do Himalaia às alterações climáticas e sublinha a importância das coberturas de detritos para a compreensão de recuo dos glaciares, um efeito que até agora tem sido negligenciado nas previsões futuras de disponibilidade da água availability e dos níveis globais do mar.
sexta-feira, 4 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Líbia: EUA avançam
Devido ao seu próprio isolamento e devido à acção coordenada de várias potências estrangeiras e da Al-Jazeera
O que daí irá resultar é mais problemático.
Não se vislumbra um enquadramento político da revolta popular por pessoas que se tenham mantido no país em vez de ir tratar da sua vidinha para o estrangeiro. Os revoltosos revelam alguma desorientação de objectivos. Se uns defendem a vitória com uma componente militar própria, outros reclamam a intervenção militar dos EUA e da UE, o que constituiria um desastre a somar ao desastre por enquanto humanitário e que envolve líbios e trabalhadores imigrantes e criam imigrações de difícil resolução no Egipto, Tunísia e Itália.
A guerra civil não está formalizada mas já decorre. Com meios mais modernos por parte de Kadhafi ou mais obsoletos como os dos revoltosos que os capturaram após a eliminação física dos militares apoiantes do regime, na sequência de acções não espontâneas mas planeadas e organizadas na região Cirenáica.
Das forças de Kadhafi já partiram propostas de negociações que não foram aceites pelos revoltosos que têm defendido que a eliminação física dos apoiantes de Kadhafi e do próprio é a única solução que encaram.
Não por acaso o agitar de uma eventual intervenção do Tribunal Penal Internacional já foi lançada e membros de ONGs andam no terreno a entrevistar pessoas para criar bases de dados para esse fim.
Entretanto, apesar de unanimidades no Conselho de Segurança das Nações Unidas, é cada vez mais nítida a linguagem de guerra de Obama/H. Clinton, com reservas tímidas de alguns países europeus que vão ser chamados, via NATO e UE, a afinar o alinhamento com Washington. Para alguns analistas, os EUA e a UE já terão chegado a acordo para garantir na Líbia um controlo militar com um governo e uma força militar que lhes sejam afectos e que colaborem com uma intervenção militar internacional.
A Liga Árabe, em que 13 dos seus 22 países já foram atingidos pelas ondas de choque originadas há uns meses no Egipto, excluiu a Líbia de seu membro. Nenhuma das outras ditaduras da região, em geral aliadas dos EUA, sofreram a mesma decisão.
A entrada de navios de guerra hoje no Mar Vermelho através do Canal do Suez é ilustrativo dos objectivos de Washington. O representante do Pentágono não poderia ter sido hoje mais esclarecedor: "Estamos a reposicionar as forças para facilitar a flexibilidade uma vez que se tomem as decisões"...
Na zona os EUA têm um razoável número de bases, nomeadamente no sul de Itália e na Sicília, a cerca de uma hora de voo da Líbia
A intenção de dominar a situação interna na Líbia deve-se ao facto de que os EUA não faziam, até agora parte da exploração do petróleo líbio. Esta tem sido feita pela BP, Shell, Total,. BASF, Statoil, Repsol e outras multinacionais europeias. A Europa, Rússia e a China têm sido beneficiadas com isso. Agora não se sabe, havendo já quem veja nestes acontecimentos também uma acha para o confronto anunciado entre os EUA e a China. Do petróleo líbio, 85% tem-se destinado à Europa, onde a Itália é o principal importador (com 37% do mercado europeu, onde também pesam a Alemanha, a França e a China).
A Alemanha está bem alinhada com os objectivos da NATO em África. Está a construir em Adis-Abeba um edifício monumental destinado a sede de futuros entendimentos entre a União Africana e a NATO no que respeita à extensão da NATO a este continente.
A saída do país em massa de técnicos e operários especializados da indústria petrolífera estão, para já, a causar problemas gravíssimos na sua exploração e refinação. Em poucos dias, dos boatos passou-se a este êxodo. A especulação na subida dos preços é agora acompanhada pela perda progressiva dos bens que constituíram nas últimas dezenas de anos a alavanca ao desenvolvimento interno e a um razoável nível de vida se comparados com outros regimes árabes: o petróleo e o gás.
A cadeia de TV Al Jazeera, pertença do emir do Qatar e do seu governo, tem dado o seu apoio aos revoltosos, projectando figuras desconhecidas que são dirigentes da Frente Nacional de Salvação da Líbia, há dezenas de anos financiada pela CIA e pela Arábia Saudita.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
mas na prática há".
Jan L. A. van de Snepscheut
(cientista de computadores holandês, 1953-1994)
NATO prepara-se para intervir na Líbia
Desde ontem que estão a ser dados passos pela NATO no sentido de garantir uma intervenção na Líbia com os mais diversos pretextos, nomeadamente a possibilidade de um conflito interno. O secretário-geral convocou uma cimeira e os media já começaram a comentar essa possibilidade.
O imperialismo deixa cair a linguagem dos direitos humanos. Depois de uma barragem informativa com características diferentes das que tem ocorrido com alguns dos outros países, a palavra de ordem neste casoreorientou-se.
A revolta que decorre em várias zonas da Líbia tem muitos pontos de contacto com as do Egipto, Tunísia, Bahrein e outros países.
Mas tem diferenças significativas.
Kadhafi nacionalizou o petróleo em 1969, na sequência do derrube do rei Idris, uma marioneta do imperialismo. A Líbia tem uma população muito pequena e a riqueza produzida com o petróleo per capita é muito superior à de outros países produtores. Os países ocidentais que antes dispunham de um acesso discriminatório a esta riqueza viram-na transformar-se em factor de desenvolvimento do país e de uma significativa elevação das condições de vida da sua população. Se bem que grandes potências estejam hoje com posições fortes na indústria petrolífera.
Incluída pelos EUA na lista negra , a Líbia viu o seu teritório ser bombardeado pelos norte-americanos em 1986 e mortas dezenas de pessoas entre as quais uma filha de Kadhafi.
Kadhafi que fora durante dezenas de anos aliado dos povos vítimas do imperialismo, começou a partir sde 2003 a abrir a economia à banca internacional e aceitou os "ajustamentos estruturais" do FMI que se traduziram em privatizações de empresas públicas, a um acréscimo da corrupção a partir dessas actividades e chegou a cortar os subsídios à alimentação e gasóleo que tanto pesam na população, organizada em tribos.
A revolta tem a sua sede, não por acaso, na zona de Benghazi, de grande produção de petróleo, dos pipelines deste e de gás, de refinarias e portos de exportação.
A actividade especulativa em torno do preço do petróleo, com pretexto nos actuais acontecimentos, e os boatos sobre as quebras das remessas, prenuncia justificações para uma intervenção norte-americana. Apoiada também na insegurança que a Frente Nacional para a Salvação da Líbia, criada, treinada e financiada pela CIA, há muitos anos tem provocado. Com os EUA a milhares de quilómetros, esta situação está a gerar um surto de refugiados para vários países europeus. E é a partir de Benghazi, que os media dizem liberto de Kadhafi, que este surto é maior.
Importa não esquecer que o Estado líbio difere do da generalidade dos países. Organizado por tribos e famílias, com um mínimo contacto entre elas e uma estrutura comum administrativa e de segurança, reflecte um equilíbrio de tribos, harmonizada pela gestão dos bens naturais em prol delas.
O aparelho repressivo de Kadhafi não é diferente e é mesmo inferior ao que existe no Bahrein, no Kuwait ou na Arábia Saudita. Mas o tratamento de "direitos humanos" de Obama a estes não se aplica porque têm bases norte-americanas e dirigentes fantoches, que fazem o que os EUA querem.
Quando em Benghazi se arvoram bandeiras da monarquia e cartazes a reclamar o petróleo para o ocidente, tudo fica mais claro.
Apoiando as reivindicações justas do povo líbio por democracia e melhores condições económicas, não devemos, porém, meter a situação ali vivida no mesmo saco que as outras. E importa sublinhar particularmente a necessidade de conjurar uma intervenção imperialista que toma por "direitos humanos" os seus direitos a ocupar parte da Líbia e a controlar gás e petróleo.
O imperialismo deixa cair a linguagem dos direitos humanos. Depois de uma barragem informativa com características diferentes das que tem ocorrido com alguns dos outros países, a palavra de ordem neste casoreorientou-se.
A revolta que decorre em várias zonas da Líbia tem muitos pontos de contacto com as do Egipto, Tunísia, Bahrein e outros países.
Mas tem diferenças significativas.
Kadhafi nacionalizou o petróleo em 1969, na sequência do derrube do rei Idris, uma marioneta do imperialismo. A Líbia tem uma população muito pequena e a riqueza produzida com o petróleo per capita é muito superior à de outros países produtores. Os países ocidentais que antes dispunham de um acesso discriminatório a esta riqueza viram-na transformar-se em factor de desenvolvimento do país e de uma significativa elevação das condições de vida da sua população. Se bem que grandes potências estejam hoje com posições fortes na indústria petrolífera.
Incluída pelos EUA na lista negra , a Líbia viu o seu teritório ser bombardeado pelos norte-americanos em 1986 e mortas dezenas de pessoas entre as quais uma filha de Kadhafi.
Kadhafi que fora durante dezenas de anos aliado dos povos vítimas do imperialismo, começou a partir sde 2003 a abrir a economia à banca internacional e aceitou os "ajustamentos estruturais" do FMI que se traduziram em privatizações de empresas públicas, a um acréscimo da corrupção a partir dessas actividades e chegou a cortar os subsídios à alimentação e gasóleo que tanto pesam na população, organizada em tribos.
A revolta tem a sua sede, não por acaso, na zona de Benghazi, de grande produção de petróleo, dos pipelines deste e de gás, de refinarias e portos de exportação.
A actividade especulativa em torno do preço do petróleo, com pretexto nos actuais acontecimentos, e os boatos sobre as quebras das remessas, prenuncia justificações para uma intervenção norte-americana. Apoiada também na insegurança que a Frente Nacional para a Salvação da Líbia, criada, treinada e financiada pela CIA, há muitos anos tem provocado. Com os EUA a milhares de quilómetros, esta situação está a gerar um surto de refugiados para vários países europeus. E é a partir de Benghazi, que os media dizem liberto de Kadhafi, que este surto é maior.
Importa não esquecer que o Estado líbio difere do da generalidade dos países. Organizado por tribos e famílias, com um mínimo contacto entre elas e uma estrutura comum administrativa e de segurança, reflecte um equilíbrio de tribos, harmonizada pela gestão dos bens naturais em prol delas.
O aparelho repressivo de Kadhafi não é diferente e é mesmo inferior ao que existe no Bahrein, no Kuwait ou na Arábia Saudita. Mas o tratamento de "direitos humanos" de Obama a estes não se aplica porque têm bases norte-americanas e dirigentes fantoches, que fazem o que os EUA querem.
Quando em Benghazi se arvoram bandeiras da monarquia e cartazes a reclamar o petróleo para o ocidente, tudo fica mais claro.
Apoiando as reivindicações justas do povo líbio por democracia e melhores condições económicas, não devemos, porém, meter a situação ali vivida no mesmo saco que as outras. E importa sublinhar particularmente a necessidade de conjurar uma intervenção imperialista que toma por "direitos humanos" os seus direitos a ocupar parte da Líbia e a controlar gás e petróleo.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Reflexão de Fidel Castro sobre os acontecimentos na Líbia
Os acontecimentos na Líbia revelam contornos diferentes de outros países africanos do norte e Nilo. Voltaremos a esta questão.
Entretanto, aqui fica uma reflexão de Fidel Castro, de que cito:
"Se podrá estar o no de acuerdo con el Gaddafi. El mundo ha sido invadido con todo tipo de noticias, empleando especialmente los medios masivos de información. Habrá que esperar el tiempo necesario para conocer con rigor cuánto hay de verdad o mentira, o una mezcla de hechos de todo tipo que, en medio del caos, se produjeron en Libia. Lo que para mí es absolutamente evidente es que al Gobierno de Estados Unidos no le preocupa en absoluto la paz en Libia, y no vacilará en dar a la OTAN la orden de invadir ese rico país, tal vez en cuestión de horas o muy breves días".
Entretanto, aqui fica uma reflexão de Fidel Castro, de que cito:
"Se podrá estar o no de acuerdo con el Gaddafi. El mundo ha sido invadido con todo tipo de noticias, empleando especialmente los medios masivos de información. Habrá que esperar el tiempo necesario para conocer con rigor cuánto hay de verdad o mentira, o una mezcla de hechos de todo tipo que, en medio del caos, se produjeron en Libia. Lo que para mí es absolutamente evidente es que al Gobierno de Estados Unidos no le preocupa en absoluto la paz en Libia, y no vacilará en dar a la OTAN la orden de invadir ese rico país, tal vez en cuestión de horas o muy breves días".
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Ridiculum acri, fortius et melius magnas plerumque secat res"
"O humor resolve melhor os grandes problemas que o azedume"
Horácio (poeta lírico e satírico romano, 65-8 aC, Sátiras I.10.14-15)
"O humor resolve melhor os grandes problemas que o azedume"
Horácio (poeta lírico e satírico romano, 65-8 aC, Sátiras I.10.14-15)
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Manipulação das estatísticas
As estatísticas são um bem inestimável para qualquer actividade. Conhecer uma sequência ao longo de anos de certos valores é muito importante para detectar causas de sucessos e insucessos e, com isso, fundamentar a necessidade de introduzir correcções ou inovações nos processos.
Não foi Sócrates quem inventou a manipulação de dados para esconder a evidência de políticas erradas nem para dificultar o discernimento de atacar as causas que provocam, efeitos negativos continuados.
Mas importa reconhecer que atingiu nisso um requinte superior ao manifestado por outros. E permitiu que a criação de certas bases de dados percam a comparabilidade de valores com outras relativas às mesmas actividades.
O caso mais recente tem sido a leitura feita sobre dados como o PIB para comparar valores anunciados com os de outros anos sem que isso tenha qualquer significado e desvalorizar comparações de evoluções negativas. Estamos ou não em recessão? Este termo tem um significado preciso. E era previsível que a ela de novo chegasse depois de nos ter batido à porta nos anos 90. As medidas de contenção do deficite tomadas em vários países, por pressão da Alemanha, e imaginação de Sócrates, desligadas de medidas sobre a economia (as exportações são importantes mas não resolvem os nossos problemas estruturais) levam a níveis de produção e desemprego de que, depois, será muito mais difícil recuperar.
Uma outra fonte de manipulação de dados tem sido o desemprego, aqui com uma abundância superior de ausências de comparabilidade para facilitar leituras diferentes dos efeitos que todos vêem na vida real.
A prevalência da importância dos dados do IEFP sobre os do INE carece de rigor. O desemprego interpretado como o número das pessoas que se registam como desempregadas no IEFP não cobre a totalidade do universo do desemprego e é uma forma mentirosa de iludir esperanças pela continuidade das mesmas políticas. O universo dos jovens desempregados e, de entre estes, os de elevadas formações académicas, muitos com vários estágios realizados em empresas, está a crescer. Que políticas é que permitem uma tal desfasagem da economia com tantos jovens sem futuro?
A mentira sistemática tem limites na sua eficácia. A verdade vem ao de cima. Se não são os governantes que a trazem, os povos fazem-na saltar e com ela os governos.
Não foi Sócrates quem inventou a manipulação de dados para esconder a evidência de políticas erradas nem para dificultar o discernimento de atacar as causas que provocam, efeitos negativos continuados.
Mas importa reconhecer que atingiu nisso um requinte superior ao manifestado por outros. E permitiu que a criação de certas bases de dados percam a comparabilidade de valores com outras relativas às mesmas actividades.
O caso mais recente tem sido a leitura feita sobre dados como o PIB para comparar valores anunciados com os de outros anos sem que isso tenha qualquer significado e desvalorizar comparações de evoluções negativas. Estamos ou não em recessão? Este termo tem um significado preciso. E era previsível que a ela de novo chegasse depois de nos ter batido à porta nos anos 90. As medidas de contenção do deficite tomadas em vários países, por pressão da Alemanha, e imaginação de Sócrates, desligadas de medidas sobre a economia (as exportações são importantes mas não resolvem os nossos problemas estruturais) levam a níveis de produção e desemprego de que, depois, será muito mais difícil recuperar.
Uma outra fonte de manipulação de dados tem sido o desemprego, aqui com uma abundância superior de ausências de comparabilidade para facilitar leituras diferentes dos efeitos que todos vêem na vida real.
A prevalência da importância dos dados do IEFP sobre os do INE carece de rigor. O desemprego interpretado como o número das pessoas que se registam como desempregadas no IEFP não cobre a totalidade do universo do desemprego e é uma forma mentirosa de iludir esperanças pela continuidade das mesmas políticas. O universo dos jovens desempregados e, de entre estes, os de elevadas formações académicas, muitos com vários estágios realizados em empresas, está a crescer. Que políticas é que permitem uma tal desfasagem da economia com tantos jovens sem futuro?
A mentira sistemática tem limites na sua eficácia. A verdade vem ao de cima. Se não são os governantes que a trazem, os povos fazem-na saltar e com ela os governos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
CGTP-IN denuncia: governo incentiva o patronato a despedir
Realizou-se no dia 11 de Fevereiro a sétima reunião da CPCS para continuar a discussão sobre o lay-off e os despedimentos/indemnizações, no âmbito da iniciativa “competitividade e emprego”.
Em vez de tomar medidas para evitar a repetição de sucessivas ilegalidades cometidas por inúmeras empresas, no quadro do recurso ao lay-off, o Governo acabou por apresentar uma segunda versão que, no essencial, põe a Segurança Social a financiar as empresas duas vezes:
- Primeiro, para manter os postos de trabalho (como já hoje a lei estabelece);
- Depois, a assumir, pela via da introdução na lei, a possibilidade dos despedimentos, nestes casos, com o subsídio de desemprego a ser suportado pela Segurança Social.
Para o efeito, admite despedimentos decorridos 2 ou 4 meses após os períodos de lay-off de 6 ou mais meses.
No caso de incumprimento deste pressuposto, as empresas só teriam de reembolsar a Segurança Social relativamente aos apoios recebidos anteriormente, no que diz respeito aos trabalhadores envolvidos no despedimento.
Em suma, o Governo não só estimula como incentiva o patronato a despedir trabalhadores, depois de receber o dinheiro da Segurança Social, a pretexto da manutenção do emprego.
Esta é uma situação inadmissível. O dinheiro que o Governo diz não ter para assegurar e reforçar a protecção social de centenas de milhar de pessoas, nomeadamente desempregados, afinal não falta para dar cobertura a este tipo de negócios.
Em vez de tomar medidas para evitar a repetição de sucessivas ilegalidades cometidas por inúmeras empresas, no quadro do recurso ao lay-off, o Governo acabou por apresentar uma segunda versão que, no essencial, põe a Segurança Social a financiar as empresas duas vezes:
- Primeiro, para manter os postos de trabalho (como já hoje a lei estabelece);
- Depois, a assumir, pela via da introdução na lei, a possibilidade dos despedimentos, nestes casos, com o subsídio de desemprego a ser suportado pela Segurança Social.
Para o efeito, admite despedimentos decorridos 2 ou 4 meses após os períodos de lay-off de 6 ou mais meses.
No caso de incumprimento deste pressuposto, as empresas só teriam de reembolsar a Segurança Social relativamente aos apoios recebidos anteriormente, no que diz respeito aos trabalhadores envolvidos no despedimento.
Em suma, o Governo não só estimula como incentiva o patronato a despedir trabalhadores, depois de receber o dinheiro da Segurança Social, a pretexto da manutenção do emprego.
Esta é uma situação inadmissível. O dinheiro que o Governo diz não ter para assegurar e reforçar a protecção social de centenas de milhar de pessoas, nomeadamente desempregados, afinal não falta para dar cobertura a este tipo de negócios.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Demissão de Mubarak: uma importante vitória popular num processo que não terminou
A demissão de Mubarak, antecedida pelas declarações desde ontem de Mubarak, dos militares e agora de Omar Suleiman apresentam aspectos não coincidentes que reflectem a contínua e crescente pressão das massas populares, mas também a ingerêcia dos EUA, da Arábia Saudita, de Israel. Todos estes aflitos com uma mudança do papel do Egipto quer na consolidação de regimes semelhantes na região quer na política em relação a Israel e aos palestinianos. E os EUA a trabalharem para "soluções" que garantam da melhor forma os interesses dos EUA.
Seja qual fôr o grau de envolvimento dos militares na execução efectiva das principais reivindicações populares, nada ficará na mesma naquela região. A pressão popular irá influenciar decisões sobre as condições de vida. A capacidade de ingerência dos EUA, UE e Israel poderá ficar reduzida.
Não será um caminho fácil nem linear o desta revolução como o não é o de outra qualquer.Pablo Mainetti e o seu bandonéon
Tive oportunidade ontem de ver um concerto da Orquestra Gulbenkian, dirigida por Josep Pons.
Do programa faziam parte peças de diferentes autores: Alberto Ginastera com as suas Danças do Ballet Estancia, Astor Piazzola e o Concerto para Bandonéon e Orquestra, as Integrais de Edgar Varèse e O mar de Claude Debussy.
No caso do concerto de Piazzola, sublinharia a excelente interpretação de Pablo Mainetti que aqui deixamos, interpretando uma outra peça.
Do programa faziam parte peças de diferentes autores: Alberto Ginastera com as suas Danças do Ballet Estancia, Astor Piazzola e o Concerto para Bandonéon e Orquestra, as Integrais de Edgar Varèse e O mar de Claude Debussy.
No caso do concerto de Piazzola, sublinharia a excelente interpretação de Pablo Mainetti que aqui deixamos, interpretando uma outra peça.
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Não há experiências que cheguem para provar que estou certo, mas uma só basta para provar que estou errado"
Albert Einstein (físico, 1879-1955)
Albert Einstein (físico, 1879-1955)
Na Holanda, pois claro!
Na região de Groot-Zundert, município holandês encostado à Bélgica, onde nasceu o pintor Van Gogh, a actividade dominante é a agricultura. E nela a produção de túlipas e outras flores destaca-se pelo colorido que dá ao município
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Os comunistas egípcios e a Revolução
Quando do início das grandes manifestações no Cairo e outras cidades egípcias, o PCE tornou pública a sua posição que aqui transcrevemos:
A hora da verdade aproxima-se. A hora em que o povo egípcio imporá a queda de Mubarak e a mudança do seu regime.
O regime da opressão vive os seus últimos momentos, sobretudo depois de os seus tutores dos Estados Unidos o terem largado, na sequência da Revolução popular que cresce em todas as cidades e regiões do Egipto.
As manifestações de hoje, que reuniram milhões de cidadãos gritando a palavra-de-ordem da partida de Mubarak, garantem o fracasso de todas os esquemas montados pelo ditador e pelo seu bando para liquidar a Revolução.
O acordo entre os diferentes partidos da oposição sobre a formação de um Comité de Salvação Pública, tendo o aval das massas populares, nomeadamente dos manifestantes, é um ponto decisivo para realizar as reivindicações políticas, económicas e sociais colocadas pela Revolução.
Eis porque insistimos nas reivindicações essenciais aceites por todas as forças patrióticas representadas no Parlamente popular constituído:
1- Impor a queda de Mubarak e formar um Conselho presidencial para um período bem determinado.
2- Formar um governo de aliança que ficará encarregado da direcção do país durante este período transitório.
3- Apelar à formação de uma Assembleia Constituinte eleita que terá como tarefa preparar uma nova Constituição baseada no princípio da soberania nacional e garantindo a alternância no quadro de um Estado laico, democrático e justo.
A hora da verdade aproxima-se. A hora em que o povo egípcio imporá a queda de Mubarak e a mudança do seu regime.
O regime da opressão vive os seus últimos momentos, sobretudo depois de os seus tutores dos Estados Unidos o terem largado, na sequência da Revolução popular que cresce em todas as cidades e regiões do Egipto.
As manifestações de hoje, que reuniram milhões de cidadãos gritando a palavra-de-ordem da partida de Mubarak, garantem o fracasso de todas os esquemas montados pelo ditador e pelo seu bando para liquidar a Revolução.
O acordo entre os diferentes partidos da oposição sobre a formação de um Comité de Salvação Pública, tendo o aval das massas populares, nomeadamente dos manifestantes, é um ponto decisivo para realizar as reivindicações políticas, económicas e sociais colocadas pela Revolução.
Eis porque insistimos nas reivindicações essenciais aceites por todas as forças patrióticas representadas no Parlamente popular constituído:
1- Impor a queda de Mubarak e formar um Conselho presidencial para um período bem determinado.
2- Formar um governo de aliança que ficará encarregado da direcção do país durante este período transitório.
3- Apelar à formação de uma Assembleia Constituinte eleita que terá como tarefa preparar uma nova Constituição baseada no princípio da soberania nacional e garantindo a alternância no quadro de um Estado laico, democrático e justo.
4- Julgar os responsáveis pelos massacres que fizeram centenas de mártires e milhares de feridos, assim como os responsáveis pela corrupção que roubaram as riquezas produzidas pelo povo egípcio.
Viva a Revolução do povo egípcio.
Cairo, 1 de Fevereiro de 2011
Partido Comunista Egípcio
Pode acompanhar as posições do Partido Comunista Egípcio em http://www.cpegypt.tk/
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Egipto: população não aceita a sobrevivência do regime e hoje saiu à rua ainda com mais determinação
.
Centenas de milhares de egípcios voltaram esta terça feira às ruas do Cairo e de outras cidades do país, para realizarem os maiores protestos desde o início da revolta contra o presidente Hosni Mubarak
Tem-se ainda falado muito do que 2 semanas de insurreição custaram ao país. Devia falar-se mais da situação que se arrasta, com perigos, devido à tentativa de sobrevivência do regime, para que o Egipto continue na esfera de influência dosa EUIA e a fazer os jeitos a Israel.
Centenas de milhares de egípcios voltaram esta terça feira às ruas do Cairo e de outras cidades do país, para realizarem os maiores protestos desde o início da revolta contra o presidente Hosni MubarakPara além de outro tipo de considerações que se possam fazer, uma coisa é certa: a operação conduzida pelo regime de Mubarak de desmobilizar as pessoas, de as fragmentar bem como às suas organizações, de deixar que o regime fique como único protagonista dos processos de "mudança", não resultou. Falharam o regime e os EUA e de Israel que ainda ontem afirmavam o seu apoio à continuidade de Mubarak até eleições...
E isto aconteceu depois de um início de "conversas" com algumas organizações da oposição, que não respondeu a nenhuma das suas reivindicações, depois do aumento de 15% nos salários da Função Pública e das Forças Armadas bem como das pensões de reformas, depois de o regime ter hoje anunciado a libertação de 34 presos políticos que não identificou, depois de nos últimos dias, em todo o mundo, os amigos de Washington tenham conduzido uma formidável campanha mediática contra os "perigos do fundamentalismo , contra as evidências que uma imprensa mais livre recolhe no local, que sublinha não existir nenhum "fervor islâmico" e que o cerne das reivindicações são a melhoria das condições sociais, o combate à corrupção, a queda do regime (fim do governo, dissolução do parlamento, revisão da constituição), a libertação dos presos políticos e o fim do estado de emergência
No "diálogo" participaram o Wafd, partido liberal, o Tagammu, conhecido como de esquerda e alguns activistas mais destacados, empresários e outras figuras públicas. Com a Associação Nacional para a Mudança, dirigida por Mohamed El-Baradei, o governo reuniu à parte. À parte ainda ficou a Direcção Unificada dos Jovens revolucionários revoltados, que inmclui várias organizações e o movimento de Baradei.
O que parece ser mais problemático é a situação das Forças Armadas e da polícia. Os EUA financiam o poderio militar egípcio com verbas chorudas para compensar a traição de Mubarak para com os palestinianos e o seu entendimento com Israel. Os EUA têm controlo sobre as chefias. Até agora não são evidentes fissuras internas no aparelho militar e repressivo para garantir perspectivas pacíficas.
Tem-se ainda falado muito do que 2 semanas de insurreição custaram ao país. Devia falar-se mais da situação que se arrasta, com perigos, devido à tentativa de sobrevivência do regime, para que o Egipto continue na esfera de influência dosa EUIA e a fazer os jeitos a Israel.
Centenas de professores de EVT manifestam-se na AR
Enquanto a Ministra da Educação dentro da AR informava dos cortes de despesas com os alunos e as escolas, foram centenas os professores de Educação Visual e Tecnológica que se manifestaram no exterior frente à AR. Presentes também manifestantes do SOS-Educação.
Carlos Gomes, da respectiva Associação frisou à Lusa que 7.000 docentes estão em risco de ir para o desemprego e de não voltarem a ser professores: “Vão fazer parte daquele grupo de professores que estão nas caixas de supermercados a registar produtos, enquanto os alunos vão ficar sentados a fazer desenhos. Só isso”.
O professor considerou que está a ser cometido “um verdadeiro desastre educativo”, alegando que “numa turma com 28 alunos e uma forte componente prática, um só professor é insuficiente para desenvolver um trabalho seguro e de qualidade”.
"Depois ouvimos o primeiro-ministro a falar em tecnologia. O primeiro-ministro não sabe o que é tecnologia e a ministra não conhece o programa de EVT”, acrescentou.
Recebidos pelo deputado comunista Miguel Tiago , este subiu para um palanque donde informou os manifestantes que o PCP tomou já três iniciativas no Parlamento para que sejam acauteladas reivindicações que se ouvem na rua: um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei que extingue o par pedagógico nas aulas de EVT, um projeto de resolução para reposição imediata dos dois professores e outro projeto de resolução para a estabilidade no financiamento do ensino particular e cooperativo com contratos de associação com o Estado.
“Se há contratos a mais e que não cumprem os objetivos, extingam-se esses contratos, mas nos casos em que estas escolas fazem o que o Estado devia fazer não podem alterar-se as regras a meio do jogo”, disse à agência Lusa Miguel Tiago.
“O Estado não pode acabar com o financiamento às instituições de um momento para o outro”, acrescentou.
Carlos Gomes, da respectiva Associação frisou à Lusa que 7.000 docentes estão em risco de ir para o desemprego e de não voltarem a ser professores: “Vão fazer parte daquele grupo de professores que estão nas caixas de supermercados a registar produtos, enquanto os alunos vão ficar sentados a fazer desenhos. Só isso”.
O professor considerou que está a ser cometido “um verdadeiro desastre educativo”, alegando que “numa turma com 28 alunos e uma forte componente prática, um só professor é insuficiente para desenvolver um trabalho seguro e de qualidade”.
"Depois ouvimos o primeiro-ministro a falar em tecnologia. O primeiro-ministro não sabe o que é tecnologia e a ministra não conhece o programa de EVT”, acrescentou.
Recebidos pelo deputado comunista Miguel Tiago , este subiu para um palanque donde informou os manifestantes que o PCP tomou já três iniciativas no Parlamento para que sejam acauteladas reivindicações que se ouvem na rua: um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei que extingue o par pedagógico nas aulas de EVT, um projeto de resolução para reposição imediata dos dois professores e outro projeto de resolução para a estabilidade no financiamento do ensino particular e cooperativo com contratos de associação com o Estado.
“Se há contratos a mais e que não cumprem os objetivos, extingam-se esses contratos, mas nos casos em que estas escolas fazem o que o Estado devia fazer não podem alterar-se as regras a meio do jogo”, disse à agência Lusa Miguel Tiago.
“O Estado não pode acabar com o financiamento às instituições de um momento para o outro”, acrescentou.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Seara Nova: uma revista a lêr, sempre
E o seu conteúdo é aliciante. Vejamos.
Perspectivas e Caminhos para o Desenvolvimento
Mesa redonda com João Ferreira do Amaral, Manuel Carvalho da Silva e Henrique Neto
Pobreza em Portugal e perspectivas imediatas perante a crise
Eugénio Fonseca
Por uma leitura substantiva e política da crise da Justiça
António Cluny
A Segurança Social na proposta de Orçamento do Estado para 2011
Fernando Marques
O capitalismo à procura de uma nova bandeira
Jorge Messias
Além destas peças sobre o país, este número inclui ainda outras sobre o centenário da República, temas internacionais e de economia social, uma tribuna pública, factos e documentos e um momento de poesia com um soneto quase inédito de José Régio que publicamos num próximo post.
Transportes: greves contra o roubo dos salários dos trabalhadores
Realizou-se hoje, com êxito, mais uma jornada de luta dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, que encerrou toda a actividade da empresa até às 11h30. Foi uma luta contra o roubo nos salários dos trabalhadores da empresa(desde a redução dos salários, à redução do valor-hora no trabalho extraordinário e nocturno, ao corte de diversas outras cláusulas do Acordo de Eempresa, ao congelamento dos salários, das diuturnidades e progressões).
Uma luta que se insere na semana de luta dos trabalhadores dos transportes e comunicações, que continuará já na quarta-feira com greves na Trantejo e Carris, na Quinta com greves no Sector Ferroviário e na Sexta com greves na Soflusa e empresas rodiviárias.
Uma luta que se insere na semana de luta dos trabalhadores dos transportes e comunicações, que continuará já na quarta-feira com greves na Trantejo e Carris, na Quinta com greves no Sector Ferroviário e na Sexta com greves na Soflusa e empresas rodiviárias.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Frase de fim-de-semana, por Jorge
Viva a Revolução!
"Não há excepções à regra de que toda a gente pensa que é uma excepção às regras"
Bansky (artista de rua e activista político britânico, 1975-, in Wall and Piece)
sábado, 5 de fevereiro de 2011
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