Integrada nas comemorações do 90º Aniversário da Seara Nova, realiza-se no dia 3 de Março, com início às 15 horas, na Sala Veneza do Hotel Roma (A. de Roma, nº33, em Lisboa) uma Conferência/Debate, sob o título Leituras da Crise, que terá como oradores convidados os Professores Doutor António J. Avelãs Nunes, da Universidade de Coimbra e Doutor João Ferreira do Amaral, da Universidade Técnica de Lisboa.
Seguramente não deixarão de ser abordadas questões como a crise geral da sociedade capitalista e a sua expressão no âmbito da União Europeia, a financeirização e as orientações neoliberais, a crise do euro e o erro da adesão de Portugal à moeda única, o ultimato da troika e a grave degradação da vida portuguesa, as medidas de austeridade e a insensibilidade social do governo.
Às intervenções dos Professores Ferreira do Amaral e Avelãs Nunes, seguir-se-á um período de debate, no qual todos os participantes poderão dar as suas opiniões ou solicitar esclarecimentos sobre as complexas e graves questões com que os portugueses estão confrontados.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
"Se os povos da Europa não se levantarem, os bancos trarão o fascismo de volta.", segundo Mikis Theodorakis
No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da Troika, em que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e em que a Europa prossegue nos resgates financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos para combaterem e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço
de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…). Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados ".parceiros europeus" será ".o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses "parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar, "não poderemos sobreviver … a única solução é levantarmo-nos e combatermos".
Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço
de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…). Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".
Frase de fim-de-semana por Jorge
"Que a tua vida seja um travão para parar a engrenagem"
título do video da ClassWarFilms sobre a história dos EUA (2012)
título do video da ClassWarFilms sobre a história dos EUA (2012)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
José Afonso para sempre
José Afonso foi dos portugueses que se libertou da lei da morte e pode dizer-se que ele é um elemento da nossa identidade.
Mal amado por alguns, perseguido pelo fascismo, foi desde cedo um homem do seu povo.
O significado da sua música e da influência que teve na música e na sociedade portuguesas são fundamentais para compreender gerações, com formações diferentes mas com elementos comuns, identitários ao nível do carácter, da música de raiz popular, de inconformismo e do valor da liberdade.
Conheci o José Afonso em convívios do movimento estudantil em 69, 70 e 71, na margem sul em fogos de campo do movimento campista em 1972, no 3º Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro em 1973, em cuja manifestação participou, no convívio do final de 1973 organizado pela CDE no Clube Atlético de Alvalade e depois do 25 de Abril na organização de múltiplos concertos integrados em campanhas políticas. Quando morreu, participava com cerca de vinte outros camaradas num curso de formação da escola do Partido. Interrompemos as aulas e assistimos todos, depois, na TV ao impressionante funeral realizado em Setúbal.
Mal amado por alguns, perseguido pelo fascismo, foi desde cedo um homem do seu povo.
O significado da sua música e da influência que teve na música e na sociedade portuguesas são fundamentais para compreender gerações, com formações diferentes mas com elementos comuns, identitários ao nível do carácter, da música de raiz popular, de inconformismo e do valor da liberdade.
Conheci o José Afonso em convívios do movimento estudantil em 69, 70 e 71, na margem sul em fogos de campo do movimento campista em 1972, no 3º Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro em 1973, em cuja manifestação participou, no convívio do final de 1973 organizado pela CDE no Clube Atlético de Alvalade e depois do 25 de Abril na organização de múltiplos concertos integrados em campanhas políticas. Quando morreu, participava com cerca de vinte outros camaradas num curso de formação da escola do Partido. Interrompemos as aulas e assistimos todos, depois, na TV ao impressionante funeral realizado em Setúbal.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Michel Chossudovsky ao jornal "i". “Estamos num cenário de terceira guerra mundial. E todos vão perder”
Jornal I -. Será Israel capaz de atacar Irão sem o apoio dos EUA?
M. Chossudovsky - Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irão tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irão terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irão.
Veja entrevista na íntegra aqui.
M. Chossudovsky - Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irão tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irão terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irão.
Veja entrevista na íntegra aqui.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Erótico é quando se usa uma pena,
pornográfico é quando se usa a galinha toda".
Isabel Allende (escritora chilena, 1942)
Segundo o Jorge neste caso até se
pode falar de uma "cena pernográfica"
Delírio e Tormento, por Barbara Hannigan com a Orquestra Gulbenkian
Tivemos a oportunidade de assistir a um concerto invulgar e admirável.
Invulgar por assistirmos ao desempenho de uma maestrina que é, simultâneamente soprano nalgumas das peças interpretadas, 3 áreas de Mozart, a "Djamila Boupachà" (a solo), de Luigi Nono e os "Mistérios do Macabro", de György Ligeti.
O concerto abriu com o entusiasmo da abertura da ópera "La gazza ladra" de Rossini, para dar lugar à agitação e esperança das áreas, continuando pelo concerto de homenagem à tradição folclórica romena, "Concert Românesc"e concluindo com a "Polka do ,circo: para um jovem elefante".
Invulgar por assistirmos ao desempenho de uma maestrina que é, simultâneamente soprano nalgumas das peças interpretadas, 3 áreas de Mozart, a "Djamila Boupachà" (a solo), de Luigi Nono e os "Mistérios do Macabro", de György Ligeti.
O concerto abriu com o entusiasmo da abertura da ópera "La gazza ladra" de Rossini, para dar lugar à agitação e esperança das áreas, continuando pelo concerto de homenagem à tradição folclórica romena, "Concert Românesc"e concluindo com a "Polka do ,circo: para um jovem elefante". Na segunda parte Barbara cantou de forma admirável, a "Djamila Boupachà", de L. Nono, que homenageia uma resistente anti-colonial argelina, a solo, e sem instrumentos. Seguiu-se um concerto de oito cordas a interpretar o Prelúdio e Scherzo, op.11, de Chostakovitch, que contem uma parte negra. No final uma parte da orquestra, interpreta com a voz de Barbara, os "Mistérios do Macabro", uma peça desvairada sob a forma de humor negro.
O concerto não agradou a toda a gente, Ao nosso lado, um conjunto de senhoras que tinham vindo desfilar os seus visons, abstinham-se de palmas e o cavalheiro que as acompanhava, disse a propósito de L. Nono, talvez por ter sido comunista, "Ah! Este ao menos já morreu"...
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
O caos que o capitalismo garante, obtendo também uma redução da democracia
Na última das suas cronicas das quartas-feiras no J. de Negócios, Octávio Teixeira abordou estes temas de forma esclarecedora.
Sublinharia uma questão. A da expressão da revolta no decurso de lutas contra aspectos tão graves como os que estão contemplados no acordo com a troika (verdadeiro pacto de agressão). De uma forma concentrada, no decurso do ano que há pouco decorreu, os trabalhadores portugueses vão ser espoliados em termos remuneratórios e de direitos, como o referiu o novo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.
A força do movimento sindical unitário e a confiança que nele depositam os trabalhadores têm garantido um enquadramento dos protestos, conjurando esboços de provocações, que alguns movimentos marginais ou provocadores infiltrados por sectores da própria polícia que depois os confronta. Os obectivos têm sido claros: por um lado, tentar obter imagens que depois seriam o "rosto" dos protestos, silenciando as grandes manifestações e "justificando" intervenções repressivas que serviriam de base a novas agressões à democracia, por outro, reduzir a base social dos protestos criando novos factores de medo e de insegurança e de aceitação de mais atentados à democracia.
Importa que fique claro que quem está a "atear o fogo social" não são os sindicatos nem as vítimas de tais pactos, mas sim o governo que está a aprofundar um processo desencadeado pelo PS.
Os sindicatos cumprem o seu papel de defesa dos interesses dos trabalhadores.
O governo afronta os interesses dos trabalhadores e do país, criando o confronto social e procurando reacções descontroladas.
Neste processo o governo pode sair derrotado e da convergência de lutas em vários países europeus poderá resultar uma mudança da União Europeia.
Sublinharia uma questão. A da expressão da revolta no decurso de lutas contra aspectos tão graves como os que estão contemplados no acordo com a troika (verdadeiro pacto de agressão). De uma forma concentrada, no decurso do ano que há pouco decorreu, os trabalhadores portugueses vão ser espoliados em termos remuneratórios e de direitos, como o referiu o novo secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.
A força do movimento sindical unitário e a confiança que nele depositam os trabalhadores têm garantido um enquadramento dos protestos, conjurando esboços de provocações, que alguns movimentos marginais ou provocadores infiltrados por sectores da própria polícia que depois os confronta. Os obectivos têm sido claros: por um lado, tentar obter imagens que depois seriam o "rosto" dos protestos, silenciando as grandes manifestações e "justificando" intervenções repressivas que serviriam de base a novas agressões à democracia, por outro, reduzir a base social dos protestos criando novos factores de medo e de insegurança e de aceitação de mais atentados à democracia.
Importa que fique claro que quem está a "atear o fogo social" não são os sindicatos nem as vítimas de tais pactos, mas sim o governo que está a aprofundar um processo desencadeado pelo PS.
Os sindicatos cumprem o seu papel de defesa dos interesses dos trabalhadores.
O governo afronta os interesses dos trabalhadores e do país, criando o confronto social e procurando reacções descontroladas.
Neste processo o governo pode sair derrotado e da convergência de lutas em vários países europeus poderá resultar uma mudança da União Europeia.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
"Throw down your heart" e as origens africanas do banjo
"Throw Down Your Heart" corresponde à viagem por África de Béla Fleck e seu banjo para explorar as pouco conhecidas raízes africanas do banjo e gravar um álbum. A viagem levou-o ao Uganda, Tanzânia, Gâmbia e Mali, e permitiu vislumbrar a beleza e complexidade da África. Com o seu banjo, Béla transcendeu as barreiras de língua e cultura, e encontrou um terreno comum e relações que forjaram músicos de origens muito diferentes.
http://youtu.be/WDCxaQhhL0A
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Ninguém é mais escravo do que quem,
J.W.Goethe (escritor alemão,
poeta, dramaturgo, etc.,
e ministro de Estado
em Weimar por uma década, 1749-1832)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Fotografia homenageia Orlando Ribeiro na Reitoria da Cidade Universitária
O Jorge aqui nos deixa um convite para a a exposição de fotografia de homenagem a Orlando Ribeiro, a decorrer no átrio da reitoria da Cidade Universitária.
São 60 e tal fotografias do próprio e de outros 30 fotógrafos em "diálogo" com as suas.
Segundo o Jorge. uma exposição muito boa e com direito a um bom catálogo!
http://www.igespar.pt/pt/agenda/9/2262/
São 60 e tal fotografias do próprio e de outros 30 fotógrafos em "diálogo" com as suas.
Segundo o Jorge. uma exposição muito boa e com direito a um bom catálogo!
http://www.igespar.pt/pt/agenda/9/2262/
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
está também farto de o vencer"
Helen Keller (cega e surda desde os 19 meses, escritora
e grande ativista política e social americana, 1880-1968)
Declaração do eurodeputado do PCP, João Ferreira, sobre o Conselho Europeu de 2ª f passada
Sente-se nesta União Europeia o ambiente funesto, a irracionalidade e a desorientação que sempre antecedem o desmoronar de impérios. É cada vez mais claro que os trabalhadores e os povos da Europa nada podem esperar destas reuniões. Nada que se pareça com soluções verdadeiras para uma crise cada vez mais grave.
Deste Conselho Europeu nem uma só palavra sai sobre as intoleráveis e crescentes desigualdades sociais, sobre as assimetrias de desenvolvimento entre países, sobre os paraísos fiscais, sobre a livre e desregulada circulação de capitais que viabiliza a especulação, a agiotagem e a predação de recursos nacionais.
O que sai desta reunião é um autêntico golpe constitucional. Querem impor e generalizar as políticas contidas nos programas do FMI e da UE - cujos resultados catastróficos estão à vista na Grécia, em Portugal ou na Irlanda. Querem torná-las eternas (assim pensam, sem saberem como se enganam...). Em pleno século XXI, querem impedir o direito dos povos decidirem livremente o seu caminho, transformando países soberanos em autênticos protectorados.
Este é um caminho sem outra saída que não o desastre.
As lutas sociais, que se multiplicam pela Europa, são o caminho mais seguro para o evitarmos. E para abrirmos um horizonte de esperança e confiança num futuro melhor.
.
Deste Conselho Europeu nem uma só palavra sai sobre as intoleráveis e crescentes desigualdades sociais, sobre as assimetrias de desenvolvimento entre países, sobre os paraísos fiscais, sobre a livre e desregulada circulação de capitais que viabiliza a especulação, a agiotagem e a predação de recursos nacionais.
O que sai desta reunião é um autêntico golpe constitucional. Querem impor e generalizar as políticas contidas nos programas do FMI e da UE - cujos resultados catastróficos estão à vista na Grécia, em Portugal ou na Irlanda. Querem torná-las eternas (assim pensam, sem saberem como se enganam...). Em pleno século XXI, querem impedir o direito dos povos decidirem livremente o seu caminho, transformando países soberanos em autênticos protectorados.
Este é um caminho sem outra saída que não o desastre.
As lutas sociais, que se multiplicam pela Europa, são o caminho mais seguro para o evitarmos. E para abrirmos um horizonte de esperança e confiança num futuro melhor.
.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Mentiras e contra-informação sobre a situação na Síria
Os media portugueses, sem meios próprios para apresentarem a sua própria informação, retransmitem a "informação" dos grandes media internacionais, completamente alinhados, com o objectivo dos EUA e NATO, com o apoio do secretário-geral da ONU, de fazerem na Síria o que fizeram na Líbia, ao arrepio das mais elementares regras de não ingerência.
A tentativa de responsabilizar a Síria pela morte de em jornalista francês que, de facto, dava cobertura a uma intervenção de militares franceses falhada, o regresso precipitado pela Liga Árabe, da sua comissão de inquérito, de que não publicou o relatório porque uma das constantações feitas nele era a de que não havia nenhuma revolta popular nem militares revoltosos na Síria, mas sim mercenários wahhabitas, associados. aos actos de terrorismo praticados por desconhecidos, são apenas dois exemplos recentes dessa manipulação.
O que se pretende é criar as condições de aceitação pela opinião pública do aprofundamento da agressão e da participação nela de militares e armamentos.
A opinião pública portuguesa deve estar atenta aos objectivos de exercícios militares das FA portuguesas realizadas nos últimos dias (F-16, helicópteros, etc.) e explicitamente apresentados como se insrirem na "necessidade" deste tipo de intervenções.
A tentativa de responsabilizar a Síria pela morte de em jornalista francês que, de facto, dava cobertura a uma intervenção de militares franceses falhada, o regresso precipitado pela Liga Árabe, da sua comissão de inquérito, de que não publicou o relatório porque uma das constantações feitas nele era a de que não havia nenhuma revolta popular nem militares revoltosos na Síria, mas sim mercenários wahhabitas, associados. aos actos de terrorismo praticados por desconhecidos, são apenas dois exemplos recentes dessa manipulação.
O que se pretende é criar as condições de aceitação pela opinião pública do aprofundamento da agressão e da participação nela de militares e armamentos.
A opinião pública portuguesa deve estar atenta aos objectivos de exercícios militares das FA portuguesas realizadas nos últimos dias (F-16, helicópteros, etc.) e explicitamente apresentados como se insrirem na "necessidade" deste tipo de intervenções.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
"Lumumba", de Raoul Peck
O Instituto Francês em Portugal está a apresentar um ciclo de cinema, Cinemas do Mundo.
Ontem foi projectado "Lumumba", filme que tem por fundo a independência do então Congo belga, a primeira eleição de um Primeiro-Ministro que estava então na cadeia, Patrice Lumumba, a conspiração contra ele por parte da CIA, do governo belga e de fantoches congoleses.
Golpe que termina com a prisão de Lumumba e de dois seus ministros que foram fusilados, sendo Lumumba esquartejado depois disso por dois conspiradores brancos que lhe dissolveram os pedaços do corpo em ácido sulfúrico, para desaparecer e não poder ser alvo de homenagens populares.
É um belo filme, a que pode aceder no Youtube em 9 partes.
Se quiser ver outros filmes do ciclo consulte o site do IFP
http://www.ifp-lisboa.com/
Ontem foi projectado "Lumumba", filme que tem por fundo a independência do então Congo belga, a primeira eleição de um Primeiro-Ministro que estava então na cadeia, Patrice Lumumba, a conspiração contra ele por parte da CIA, do governo belga e de fantoches congoleses.
Golpe que termina com a prisão de Lumumba e de dois seus ministros que foram fusilados, sendo Lumumba esquartejado depois disso por dois conspiradores brancos que lhe dissolveram os pedaços do corpo em ácido sulfúrico, para desaparecer e não poder ser alvo de homenagens populares.
É um belo filme, a que pode aceder no Youtube em 9 partes.
Se quiser ver outros filmes do ciclo consulte o site do IFP
http://www.ifp-lisboa.com/
sábado, 28 de janeiro de 2012
Um fim de tarde com a música de Thomas Adès
Ontem foi um dia de encontro com o compositor e maestro Thomas Adès, dirigindo a Orquestra Gulbenkian.
A primeira parte foi dedicada a duas das suas melhores obras: Asyla e Polaris: Viagem para Orquestra.
Asyla tem uma conotação semântica com local de refúgio e também de santuário ou local de acolhimento de doentes mentais e essa múltipla interpretação está presente nos seus 4 andamentos.
Já Polaris se refere a um sistema estrelar múltiplo, imagem astronómica que inspirou o autor em "idéias melódicas e o fluxo musical derivam e evoluem a partir de uma série com propriedades magnéticas" (do programado concerto), com a criação de "um mecanismo musical no qual um conjunto de doze notas é apresentado gradualmente, mas regressando persistentemente a uma nota âncora como se estivesse magnetizado". (Puilip Jones, 2010).
A primeira parte foi dedicada a duas das suas melhores obras: Asyla e Polaris: Viagem para Orquestra.
Asyla tem uma conotação semântica com local de refúgio e também de santuário ou local de acolhimento de doentes mentais e essa múltipla interpretação está presente nos seus 4 andamentos.
Já Polaris se refere a um sistema estrelar múltiplo, imagem astronómica que inspirou o autor em "idéias melódicas e o fluxo musical derivam e evoluem a partir de uma série com propriedades magnéticas" (do programado concerto), com a criação de "um mecanismo musical no qual um conjunto de doze notas é apresentado gradualmente, mas regressando persistentemente a uma nota âncora como se estivesse magnetizado". (Puilip Jones, 2010).
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Nos Estados Unidos, [...] a relação entre economia e política é quase caricatural:
os ricos utilizam o seu dinheiro para adquirirem mais poder e o poder para ganharem mais dinheiro"
Atlas da Globalização - Le Monde Diplomatique (2003)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Soneto quase inédito, de José Régio
Soneto quase inédito
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969.
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,
Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.
![]() |
| José Régio e o seu burro, por Hermínio Felizardo |
sábado, 21 de janeiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"Informação não é conhecimento,
conhecimento não é sabedoria
e sabedoria não é clarividência"
Arthur C. Clarke
(autor futurista, 1917-2008)
As bojardas de Cavaco Silva
As declarações de Cavaco Silva relativas às suas pensões são uma afronta à nossa inteligência e às dificuldades em que vive boa parte da população portuguesa. Dizendo que recebe 1300 euros de pensões mais qualquer coisa que não quantificou e que isso não lhe chega para as despesas, depois de ter prescindido do vencimento de Presidente da República, é algo que escapa ao entendimento de toda a gente....
Em primeiro lugar porque não é esse o valor de pensões que recebe.
Em segundo porque omite o património edificado e financeiro de que dispõe.
E em terceiro lugar porque não referiu a que tipo de despesas a que se refere, sendo altamente improvável que esteja a falar de alimentação, vestuário, transportes, despesas de saúde e educação, habitação principal, que são as despesas que afligem a generalidade das pessoas.
Terá encargos com outras habitações que a generalidade dos portugueses não tem. E certamento os tem por decisão sustentada nos próprios recursos ou em préstimos que terá contraído para esse fim.
O Presidente da República é uma figura ímpar no nosso sistema político. O respeito para com essa figura, apesar das diferenças de opções políticas, não tem sido quebrada. Mas com esta declaração dá um tiro no pé, mas dos grandes!
Em primeiro lugar porque não é esse o valor de pensões que recebe.
Em segundo porque omite o património edificado e financeiro de que dispõe.
E em terceiro lugar porque não referiu a que tipo de despesas a que se refere, sendo altamente improvável que esteja a falar de alimentação, vestuário, transportes, despesas de saúde e educação, habitação principal, que são as despesas que afligem a generalidade das pessoas.
Terá encargos com outras habitações que a generalidade dos portugueses não tem. E certamento os tem por decisão sustentada nos próprios recursos ou em préstimos que terá contraído para esse fim.
O Presidente da República é uma figura ímpar no nosso sistema político. O respeito para com essa figura, apesar das diferenças de opções políticas, não tem sido quebrada. Mas com esta declaração dá um tiro no pé, mas dos grandes!
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
"Pacto de agressão", por Octávio Teixeira
É hoje formalmente assinado um alcunhado acordo de concertação social entre o Governo, o patronato e a UGT. Alcunhado porque um acordo, para o ser, implica que haja uma conciliação entre os interesses das partes contratantes, coisa que manifesta e declaradamente não existe neste caso. O próprio secretário-geral da UGT não teve pejo em declarar que é um "acordo fortemente negativo para os trabalhadores". O que só pode significar que aquela central sindical abdicou de defender os interesses dos trabalhadores, cedendo em toda a linha às pretensões do governo e do patronato. Os trabalhadores nada ganham com o que foi acordado, perdem tudo: mais dias de trabalho não remunerado, aumento do banco de horas gerido pelo patronato, imposição unilateral do patronato do gozo de férias nas pontes, menores indemnizações por despedimento, menos protecção no emprego com o alargamento das possibilidades de despedimento, redução das remunerações no âmbito das horas extraordinárias e pela via da acumulação temporária de salários com parte do subsídio de desemprego porque conduz à oferta de salários mais baixos.
O Governo tem o despudor de declarar que isso "reforça a competitividade da economia". Asneira, se o dissesse com seriedade. Do que se trata é de uma aposta governativa e patronal no modelo dos baixos salários - que está na base da crónica baixa produtividade da nossa economia - do trabalho sem direitos, da precariedade no emprego e do empobrecimento dos trabalhadores. O que é reforçado são os lucros e a exploração.
O dia de hoje ficará registado como a data de um pacto de agressão sem precedentes aos trabalhadores portugueses, perpetrado pelo Governo e pelo patronato com o prestimoso colaboracionismo da UGT atraiçoando os trabalhadores.
Economista e ex-deputado do PCP
Opinião publicada hoje no Jornal de Negócios Selecção de foto AA
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Até dia 29, Frida Kahlo no Museu da Cidade
Exposição patente de 4 de Novembro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade.
A Casa da América Latina trouxe a Lisboa uma selecção de 257 fotografias das 6.500 que compõem o acervo da Casa Azul/Museu Frida Kahlo numa exposição intitulada “Frida Kahlo - As Suas Fotografias”. Esta é a primeira apresentação internacional da exposição que pôde ser visitada desde 4 de Novembro de 2011 até 29 de Janeiro de 2012, no Pavilhão Preto do Museu da Cidade (Campo Grande, 245).
Esta exposição que mostra uma série de fotografias que pertenciam ao acervo pessoal da artista, na sua maioria desconhecidas, divide-se em seis núcleos: Os Pais: Guillermo e Matilde; A Casa Azul; O Corpo Acidentado; Os Amores de Frida; A Fotografia e a Luta Política. Não se pretende apresentar uma cronologia da vida e obra de Frida Kahlo, mas antes, mostrar pedaços da sua história pessoal e da sua intimidade, de um país e de uma época, permitindo também descobrir novas facetas de uma personalidade complexa e enigmática do século XX.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Congresso Internacional Marx em Maio
Nos próximos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2012, realizar-se-á, no anfiteatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Congresso Internacional Marx em Maio, perspectivas para o séc.XXI, organizado pelo Grupo de Estudos Marxistas. Congresso multidisciplinar, incluindo participantes das áreas da Filosofia, da História e da Economia, mas também das Ciências naturais, das Artes plásticas, da Política e do mundo sindical, o seu fio condutor será a actualidade e fertilidade do pensamento marxista enquanto instrumento fundamental de análise crítica. Num contexto de crise generalizada, pautada pela desconsideração do papel da racionalidade, da teoria e da cultura como elementos fundamentais de transformação, individual e colectiva, o Congresso Marx em Maio procurará contribuir para o aprofundamento de problemáticas centrais dos nossos dias e para o estímulo de um pensamento científico guiado por uma racionalidade crítica e dialéctica. A lista dos participantes, assim como o título das comunicações estão disponíveis em http://marxemmaio.wordpress.com/
Para mais informações, contactar :
grupodeestudosmarxistas@gmail.com
domingo, 15 de janeiro de 2012
Concerto de Ars Antiqua de Paris, dia 20, às 20.30 h, na Igreja de S. Luis dos Franceses
Ars Antiqua de Paris
A embaixada de França apresenta um concerto excepcional de Ars Antiqua de Paris na Igreja São Luís dos franceses:
ARS ANTIQUA DE PARIS
Fundado em 1965, o Ars Antiqua de Paris que explora um repertório da Idade Média à Renascença, tem-se apresentado nos mais importantes festivais, com digressões regulares pela Europa, E.U.A., Canadá, Extremo-Oriente, África e América do Sul. Em Abril e Maio de 2010, fez uma digressão de 23 concertos através da Colômbia, Venezuela, Chile e Perú. Em Valparaíso, o Círulo de Críticos de Arte do Chile, consideraram o concerto do Ensemble Ars Antiqua de Paris como o Melhor Concerto Internacional em 2010. O Prémio foi entregue em Abril de 2011.
Mais informações: http://arsantiqua.free.fr/
Os músicos:

JOSEPH SAGE é um contra-tenor, com uma extensão vocal de três oitavas o que lhe permite abordar um vasto repertório. Joseph Sage criou, na Opéra Comique de Paris e em muitos festivais (incluindo o de Avignon, as óperas contemporâneas "Orden" Addio Garibaldi" e "Le diable dans la bouteille".
THIERRY MEUNIER trabalhou com Javier Hinoosa a interpretação da guitarra, do alaúde e da música antiga, na École Normale de Paris e na Schola Cantorum de Paris. Para além disso frequentou vários cursos de alaúde com Paul O'Dette. Apresentou-se em numerosos concertos a solo, duo ou ensemble, em França e no estrangeiro e em publicções editadas nas Éditions Musique Transatlantiques (Paris) e Heinrichsofen's Verlag (Willemshaven).
CHRISTINE LOOSFELT : Medalha de Ouro para flauta de bísel, Medalha de Ouro de História da Música, Primeiro Prémio de Música Barroca dos Conservatórios Nacionais de França, Christine Loosfel toca regularmente em França e no estrangeiro. Com o Ensemble Cappriccio Stravagante foi Diapasão de Ouro e editou nas Edições Mardaga, uma obra dedicada ao tratado de Ganassi, "La Fontegara". A flautista lecciona também flauta de bísel no Conservatório Nacional de Calais.
O programa:
Musique au temps de Saint Louis
Musique française du XIVème et XVème siècle
L'Âge d'or de la Musique espagnole (XVIème siècle)
Intervalo
Shakespeare et la Musique élisabéthaine (XVIème siècle)
Igreja Saint Louis des Français, Rua das Portas de São Antão- Lisboa
A embaixada de França apresenta um concerto excepcional de Ars Antiqua de Paris na Igreja São Luís dos franceses:
ARS ANTIQUA DE PARIS
Fundado em 1965, o Ars Antiqua de Paris que explora um repertório da Idade Média à Renascença, tem-se apresentado nos mais importantes festivais, com digressões regulares pela Europa, E.U.A., Canadá, Extremo-Oriente, África e América do Sul. Em Abril e Maio de 2010, fez uma digressão de 23 concertos através da Colômbia, Venezuela, Chile e Perú. Em Valparaíso, o Círulo de Críticos de Arte do Chile, consideraram o concerto do Ensemble Ars Antiqua de Paris como o Melhor Concerto Internacional em 2010. O Prémio foi entregue em Abril de 2011.
Mais informações: http://arsantiqua.free.fr/
Os músicos:

JOSEPH SAGE é um contra-tenor, com uma extensão vocal de três oitavas o que lhe permite abordar um vasto repertório. Joseph Sage criou, na Opéra Comique de Paris e em muitos festivais (incluindo o de Avignon, as óperas contemporâneas "Orden" Addio Garibaldi" e "Le diable dans la bouteille".
THIERRY MEUNIER trabalhou com Javier Hinoosa a interpretação da guitarra, do alaúde e da música antiga, na École Normale de Paris e na Schola Cantorum de Paris. Para além disso frequentou vários cursos de alaúde com Paul O'Dette. Apresentou-se em numerosos concertos a solo, duo ou ensemble, em França e no estrangeiro e em publicções editadas nas Éditions Musique Transatlantiques (Paris) e Heinrichsofen's Verlag (Willemshaven).
CHRISTINE LOOSFELT : Medalha de Ouro para flauta de bísel, Medalha de Ouro de História da Música, Primeiro Prémio de Música Barroca dos Conservatórios Nacionais de França, Christine Loosfel toca regularmente em França e no estrangeiro. Com o Ensemble Cappriccio Stravagante foi Diapasão de Ouro e editou nas Edições Mardaga, uma obra dedicada ao tratado de Ganassi, "La Fontegara". A flautista lecciona também flauta de bísel no Conservatório Nacional de Calais.
O programa:
Musique au temps de Saint Louis
Musique française du XIVème et XVème siècle
L'Âge d'or de la Musique espagnole (XVIème siècle)
Intervalo
Shakespeare et la Musique élisabéthaine (XVIème siècle)
Musique française du XVIème et du XVIIème siècle
Onde?
sábado, 14 de janeiro de 2012
EUA e Israel, com apoio "ocidental", provocam o Irão e a Síria
O assassinato por um sniper de um jornalista francês, que realizava uma visita enquadrado por autoridades sírias, e o assassinato de um dos responsáveis do programa nuclear para fins pacíficos do Irão (já é o quarto cientista deste programa assassinado) dão conta da escalada da provocação para mais guerras de agressão, que há muito se preparam.Enquanto isto se passava tinha-se reacendido a campanha mediática contra ambos os países numa atitude de descomunal desrespeito pela inteligência das pessoas.
Para além das reservas que muitos de nós terão em relação aos regimes de ambos os países, importa que não nos deixemos enredar neste coro de críticas para a agressão passar.
Deste meu pequeno ponto de intervenção vos dirijo a todos, meus amigos, que de uma forma ou de outra, nos cruzámos nos caminhos da vida, para não deixarmos que se repita a situação anterior da Líbia.
A política e os seus efeitos desclassifica os seus autores
O governo não pára. As mal-feitorias sucedem-se.O carácter anti-social das decisões que toma não resiste às fantasias das embalagens diáfanas com que as apresenta.
As previsões de melhoria da crise que sustentam a "austeridade" não se baseiam em dados objectivos. Há muitas condicionantes e imponderáveis que lhe escapam a ele e aos outros governos europeus.
As medidas da troika e suas sucedâneas querem tão só empobrecer os portugueses para os situar a um nível de condições que facilitariam maior sobre-exploração futura.
Quando comecei a escrever estas linhas sobre a falta de "fundamento" da política de austeridade do governo não sabia, não esperava que mais uma desclassificação do país por outra agência de rating norte-americana estava para ontem. Isso só serviu para ilustrar o que aqui tinha referido.
Num àparte não deixarei de referir que esta forma de nos designar como "lixo", humilhante, não é muito diferente da cultura da soldadesca norte-americana, que há dias urinava sobre cadáveres de combatentes afegãos.
Espera-se que isto contribua para que, entre o grupo dirigente desta democracia mitigada, possa sair algum sobressalto quanto ao alinhamento incondicional com as guerras que os EUA e Israel, com apoio da França e dos EUA, têm desencadeado no Médio Oriente e que se preparam para continuar contra o Irão e a Síria, num quadro que prepara uma 3ª guerra em que a China seria a principal visada...Tudo pelo humanitário interesse pelo petróleo e outras matérias primas.
Esta desclassificação da Standard & Poors no quadro europeu vai dificultar ainda mais o pagamento das dívidas e juros de empréstimos anteriores, pelo factor desconfiança que acentua nos mercados de eventuais compradores de dívida quer pelo aumento das taxas de juro que o Fundo de Equilíbrio Financeiro vai pagar e que repercutirá nos empréstimos à banca portuguesa.
Esta situação, aliada à quebra da produção própria, exige uma reconsideração global das condições dos empréstimos anteriores e do papel das instituições comunitárias para que a perspectiva de pagamento portuguesa da dívida não equivalha à transformação de portugueses e outros povos em escravos da Alemanha, num nível muito baixo de pobreza e sem o mínimo de soberania.
É significativo que Merkl já hoje tenha dito que esta revisão em baixa da S&P reflecte a falta de confiança dos investidores quando talvez devesse ter dito que é a desclassificação que induz essa falta de confiança...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
"25 de Abril em Portugal: verdade ou mentira", por Fernando Sequeira, professor universitário
Sobre o 25 de Abril em Portugal tecem-se os mais contraditórios comentários. E agora mais do que seria de esperar, dado que já decorreram quase 40 anos sobre a Revolução dos Cravos. Parece existir a pretensão de justificar as dificuldades recentes com os acontecimentos revolucionários de então: a Revolução teria originado um ´catastrófico declínio da actividade económica’, e conduzido o País ‘à beira do caos, a um ‘passo do desastre’, etc. No entanto houve opiniões de eminentes professores do MIT que reconheceram que no início de 1976 a economia portuguesa estava ‘surpreendentemente saudável’, com resultados não muito diferentes dos do resto da Europa.
A evolução do produto interno bruto
Na tentativa de entendermos o que terá originado tão diversas opiniões, comecemos por analisar o gráfico que se segue. No eixo da abcissas indicam-se as datas, os anos que decorrem entre 1960 a 2010, e no eixo das ordenadas os logaritmos na base 10 dos correspondentes produtos internos brutos a preços constantes em Portugal (retirados da PORDATA) . Neste gráfico o produto interno bruto de cada ano em euros é dado pela potência de base 10 e expoente igual à ordenada do ponto correspondente a esse ano, e a taxa de crescimento anual pela inclinação da recta tangente ao gráfico nesse ponto. 1

A inclinação da recta traçada no gráfico corresponde a uma taxa anual igual à taxa média de crescimento do produto interno bruto entre os anos de 1960 e 1980. Como se observa no gráfico a taxa anual de crescimento do produto interno bruto manteve-se praticamente constante e a um valor bastante elevado durante este período, não tendo esse valor sofrido qualquer alteração sensível devida aos acontecimentos revolucionários de 1974-75 2. Os professores do MIT tinham razão, e se essa taxa se tivesse mantido depois de 1980, a produção em 2010 seria superior a 2 vezes e meia a que realmente existia nessa data: corresponderia à diferença entre um país rico e um país pobre 3.
O valor constante da taxa de crescimento desde 1960 a 1980 não significa que o aparelho produtivo do País não tivesse sofrido profundas alterações (recordam-se as nacionalizações, a Reforma Agrária, etc.) e que a distribuição da riqueza acumulada fosse a mesma: muito provavelmente o aumento da produção antes do 25 de Abril terá servido de sustento à guerra colonial e ao enriquecimento de alguns; com a Revolução contribuiu para o desenvolvimento de Estado Social Português, uma das grandes Conquistas da Revolução; acompanhando este desenvolvimento, aumentou o consumo, aumentaram os salários e de uma forma geral, o rendimento nacional.
O 25 de Novembro e a Contra-Revolução
O golpe de 25 de Novembro de 1975 porém, abriu novas perspectivas à contra-revolução, que pouco a pouco foi conseguindo travar o passo à Revolução, pondo em causa todas as Conquistas alcançadas: as Nacionalizações, a Reforma Agrária, o desenvolvimento económico, a universalidade dos direitos à Educação, à Saúde, enfim o próprio Estado Social, etc. E quem sabe a própria Independência Nacional.
A Contra-Revolução e a estagnação da economia
Com a Contra-Revolução, em poucos anos a estagnação económica, tornou-se um facto consumado, para durar (ver gráfico referente aos anos 1980-85 e anos consequentes); apenas foi interrompida nos períodos de 1986-90 e de 1996-2000 (ver o mesmo gráfico na parte referente a estes períodos). Mas convém referir o seguinte: o primeiro correspondeu á entrada de Portugal nas Comunidades Europeias e durante esse período foi preservado o princípio da coesão económica social com fundos comunitários, que foram usados para, em certo sentido, impor a Portugal o abandono dos seus recursos naturais, das suas actividades produtivas, portanto das linhas de desenvolvimento que vinha trilhando; comparando o gráfico nos dois períodos e posteriormente, pode-se observar os efeitos da nova política económica imposta pela Europa; esses efeitos são evidentes a partir de 2000, tendo o euro, não só encontrado mas também contribuído para a estagnação da economia portugue sa.
A estagnação económica tornou-se numa porta aberta para o endividamento do País. Se o crescimento económico tivesse aumentadoao ritmo dos anos que se seguiram à Revolução, no ano 2010 a produção poderia ter sido cerca de duas vezes e meia a que realmente se verificou nesse ano. O endividamento foi consequência não do consumo excessivo, mas da paralisação da economia, e do seu enfeudamento à Europa. Mas as classes dominantes em Portugal parece não se terem preocupado com essa paralisação, seguindo na senda da Europa, ao procurar manter os seus lucros através de uma maior exploração da classe trabalhadora (ver gráfico seguinte).

A Contra-Revolução e a Crise do capitalismo
Encontrando-se o País fortemente endividado, a dívida foi aproveitada pelos governos PS, PSD e CDS para contrair um empréstimo a juros agiotas e em condições draconianas. Com o argumento da necessidade de o País cumprir ‘as suas obrigações’, isto é de pagar esse empréstimo e os correspondentes juros, impuseram ainda, com o apoio do grande capital e o desemprego em massa da classe trabalhadora, uma política que lhes permitia atacar o que restava da Revolução de Abril: a resistência dos trabalhadores e o Estado Social com todos os direitos inerentes: trabalho, saúde, educação…
* Nota final - explicação matemática do primeiro gráfico:
1.Para as curvas logarítmicas traçadas no primeiro gráfico, utilizei a tabela do PIB a preços constantes, construída com dados do INE-BP, base 2006, Fonte PORDATA, actualizada em Junho de 2011.
2 A substituição do valor inicial do PIB escolhido como base (no caso presente foi o de 2006) na construção da tabela a preços constantes, bem como da unidade monetária utilizada, escudos, dólares, euros ou marcos (no documento utilizei ‘mil euros’ como unidade monetária), não alteram a forma da curva logarítmica, apenas originam translações do gráfico paralelas ao eixo das ordenadas, mantendo as direcções das tangentes ou das rectas que unem dois quaisquer dos pontos (do gráfico). As taxas de crescimento do PIB são invariantes para as multiplicações por constantes, daí não me ter preocupado a fornecer dados inúteis, e muito menos a levantar outros problemas. As curvas logarítmicas são deslocadas para cima ou para baixo na direcção do eixo das ordenadas, sem alterar a sua forma; apenas se somam ou subtraem constantes aos valores do gráfico.
3.Pode dizer-se que a forma da curva logarítmica caracteriza bem a evolução do PIB, é independente do valor da base e da moeda escolhidas, mas tem uma pequena ‘nuance’: as variações bruscas da taxa de crescimento, se de curta duração e sem reflexos futuros, como sucedeu em 1974, ficam esbatidas no gráfico; as que perduram, mesmo lentas que sejam (como a que se estendeu no período 1980-2010) reflectem-se com o devido realce.
4. O valor médio da taxa de crescimento do PIB em cada intervalo de tempo é proporcional à inclinação da recta que une os pontos do gráfico referentes ás extremidades desse intervalo (a constante de proporcionalidade é o logaritmo neperiano de 10 de base ; ver nota 2 de rodapé no artigo ). Através do gráfico pode observar-se que em quase nenhum intervalo de tempo posterior a 1980 a taxa de crescimento atingiu a média com que vinha do período anterior, incluindo o período revolucionário. Referimos o intervalo 1985-1990, mas a seu respeito tecemos alguns comentários no documento.
5.Para se ter uma ideia dos efeitos da perda do ritmo de crescimento da produção que existiu no período 1980-2010, podem comparar-se os valores do PIB dados na recta do gráfico com os da curva que representa o processo evolutivo que se verificou em Portugal; estes valores tomados no ano de 2010, por exemplo. O quociente desses valores do PIB é aproximadamente igual a 2,5 (ver nota 3 de rodapé). A recta representa a evolução do PIB a taxa de crescimento constante igual à taxa média anterior a 1980 (ver nota 1 de rodapé).



A evolução do produto interno bruto
Na tentativa de entendermos o que terá originado tão diversas opiniões, comecemos por analisar o gráfico que se segue. No eixo da abcissas indicam-se as datas, os anos que decorrem entre 1960 a 2010, e no eixo das ordenadas os logaritmos na base 10 dos correspondentes produtos internos brutos a preços constantes em Portugal (retirados da PORDATA) . Neste gráfico o produto interno bruto de cada ano em euros é dado pela potência de base 10 e expoente igual à ordenada do ponto correspondente a esse ano, e a taxa de crescimento anual pela inclinação da recta tangente ao gráfico nesse ponto. 1
A inclinação da recta traçada no gráfico corresponde a uma taxa anual igual à taxa média de crescimento do produto interno bruto entre os anos de 1960 e 1980. Como se observa no gráfico a taxa anual de crescimento do produto interno bruto manteve-se praticamente constante e a um valor bastante elevado durante este período, não tendo esse valor sofrido qualquer alteração sensível devida aos acontecimentos revolucionários de 1974-75 2. Os professores do MIT tinham razão, e se essa taxa se tivesse mantido depois de 1980, a produção em 2010 seria superior a 2 vezes e meia a que realmente existia nessa data: corresponderia à diferença entre um país rico e um país pobre 3.
O valor constante da taxa de crescimento desde 1960 a 1980 não significa que o aparelho produtivo do País não tivesse sofrido profundas alterações (recordam-se as nacionalizações, a Reforma Agrária, etc.) e que a distribuição da riqueza acumulada fosse a mesma: muito provavelmente o aumento da produção antes do 25 de Abril terá servido de sustento à guerra colonial e ao enriquecimento de alguns; com a Revolução contribuiu para o desenvolvimento de Estado Social Português, uma das grandes Conquistas da Revolução; acompanhando este desenvolvimento, aumentou o consumo, aumentaram os salários e de uma forma geral, o rendimento nacional.
O 25 de Novembro e a Contra-Revolução
O golpe de 25 de Novembro de 1975 porém, abriu novas perspectivas à contra-revolução, que pouco a pouco foi conseguindo travar o passo à Revolução, pondo em causa todas as Conquistas alcançadas: as Nacionalizações, a Reforma Agrária, o desenvolvimento económico, a universalidade dos direitos à Educação, à Saúde, enfim o próprio Estado Social, etc. E quem sabe a própria Independência Nacional.
A Contra-Revolução e a estagnação da economia
Com a Contra-Revolução, em poucos anos a estagnação económica, tornou-se um facto consumado, para durar (ver gráfico referente aos anos 1980-85 e anos consequentes); apenas foi interrompida nos períodos de 1986-90 e de 1996-2000 (ver o mesmo gráfico na parte referente a estes períodos). Mas convém referir o seguinte: o primeiro correspondeu á entrada de Portugal nas Comunidades Europeias e durante esse período foi preservado o princípio da coesão económica social com fundos comunitários, que foram usados para, em certo sentido, impor a Portugal o abandono dos seus recursos naturais, das suas actividades produtivas, portanto das linhas de desenvolvimento que vinha trilhando; comparando o gráfico nos dois períodos e posteriormente, pode-se observar os efeitos da nova política económica imposta pela Europa; esses efeitos são evidentes a partir de 2000, tendo o euro, não só encontrado mas também contribuído para a estagnação da economia portugue sa.
A estagnação económica tornou-se numa porta aberta para o endividamento do País. Se o crescimento económico tivesse aumentadoao ritmo dos anos que se seguiram à Revolução, no ano 2010 a produção poderia ter sido cerca de duas vezes e meia a que realmente se verificou nesse ano. O endividamento foi consequência não do consumo excessivo, mas da paralisação da economia, e do seu enfeudamento à Europa. Mas as classes dominantes em Portugal parece não se terem preocupado com essa paralisação, seguindo na senda da Europa, ao procurar manter os seus lucros através de uma maior exploração da classe trabalhadora (ver gráfico seguinte).
A Contra-Revolução e a Crise do capitalismo
Encontrando-se o País fortemente endividado, a dívida foi aproveitada pelos governos PS, PSD e CDS para contrair um empréstimo a juros agiotas e em condições draconianas. Com o argumento da necessidade de o País cumprir ‘as suas obrigações’, isto é de pagar esse empréstimo e os correspondentes juros, impuseram ainda, com o apoio do grande capital e o desemprego em massa da classe trabalhadora, uma política que lhes permitia atacar o que restava da Revolução de Abril: a resistência dos trabalhadores e o Estado Social com todos os direitos inerentes: trabalho, saúde, educação…
* Nota final - explicação matemática do primeiro gráfico:
1.Para as curvas logarítmicas traçadas no primeiro gráfico, utilizei a tabela do PIB a preços constantes, construída com dados do INE-BP, base 2006, Fonte PORDATA, actualizada em Junho de 2011.
2 A substituição do valor inicial do PIB escolhido como base (no caso presente foi o de 2006) na construção da tabela a preços constantes, bem como da unidade monetária utilizada, escudos, dólares, euros ou marcos (no documento utilizei ‘mil euros’ como unidade monetária), não alteram a forma da curva logarítmica, apenas originam translações do gráfico paralelas ao eixo das ordenadas, mantendo as direcções das tangentes ou das rectas que unem dois quaisquer dos pontos (do gráfico). As taxas de crescimento do PIB são invariantes para as multiplicações por constantes, daí não me ter preocupado a fornecer dados inúteis, e muito menos a levantar outros problemas. As curvas logarítmicas são deslocadas para cima ou para baixo na direcção do eixo das ordenadas, sem alterar a sua forma; apenas se somam ou subtraem constantes aos valores do gráfico.
3.Pode dizer-se que a forma da curva logarítmica caracteriza bem a evolução do PIB, é independente do valor da base e da moeda escolhidas, mas tem uma pequena ‘nuance’: as variações bruscas da taxa de crescimento, se de curta duração e sem reflexos futuros, como sucedeu em 1974, ficam esbatidas no gráfico; as que perduram, mesmo lentas que sejam (como a que se estendeu no período 1980-2010) reflectem-se com o devido realce.
4. O valor médio da taxa de crescimento do PIB em cada intervalo de tempo é proporcional à inclinação da recta que une os pontos do gráfico referentes ás extremidades desse intervalo (a constante de proporcionalidade é o logaritmo neperiano de 10 de base ; ver nota 2 de rodapé no artigo ). Através do gráfico pode observar-se que em quase nenhum intervalo de tempo posterior a 1980 a taxa de crescimento atingiu a média com que vinha do período anterior, incluindo o período revolucionário. Referimos o intervalo 1985-1990, mas a seu respeito tecemos alguns comentários no documento.
5.Para se ter uma ideia dos efeitos da perda do ritmo de crescimento da produção que existiu no período 1980-2010, podem comparar-se os valores do PIB dados na recta do gráfico com os da curva que representa o processo evolutivo que se verificou em Portugal; estes valores tomados no ano de 2010, por exemplo. O quociente desses valores do PIB é aproximadamente igual a 2,5 (ver nota 3 de rodapé). A recta representa a evolução do PIB a taxa de crescimento constante igual à taxa média anterior a 1980 (ver nota 1 de rodapé).
sábado, 7 de janeiro de 2012
Frase de fim-de-semana, por Jorge
"o destino do homem não está inscrito em parte alguma"
Jacques Monod (prémio nobel da medicina francês, 1910-1976)
Jacques Monod (prémio nobel da medicina francês, 1910-1976)
Os dedos do piano do nosso imaginário
Se há homens que contribuíram para o prazer da música, com sentidos elevados, Pedro Osório foi um deles. Dos que entregaram toda a vida a isso. Ele tem os dedos no piano do nosso imaginário.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Oratórias de fim de ano
Na sua oratória natalícia, o Primeiro-Ministro insistiu nos "compromissos a honrar" e nos "objectivos orçamentais e financeiros para cumprir". Isto é, no continuar a pedir emprestado, para pagar os juros e anteriores empréstimos , não havendo receitas da actividade produtiva bastante pela anemia crónica em que a meteram e estando-se em regime de empobrecimento que quebra os magros poderes aquisitivos...
O Presidente da República, com nuances para inglês ver, seguiu-lhe os passos.
Não advogando que se não cumpram compromissos adquiridos (embora uma parte deles sejam fruto de pura agiotagem à solta nesta União Europeia) , importa que o PM e PR se não esqueçam de coisas como:
O Presidente da República, com nuances para inglês ver, seguiu-lhe os passos.
Não advogando que se não cumpram compromissos adquiridos (embora uma parte deles sejam fruto de pura agiotagem à solta nesta União Europeia) , importa que o PM e PR se não esqueçam de coisas como:
- Não terem sido os portugueses agora chamados a pagar com língua de palmo quem deu cobertura à financiarização da economia nem quem criou produtos tóxicos na banca nem na imposição do crédito generalizado em que valeu tudo. Que tudo partiu de grandes brancos norte-americanos em 2007 que contagiaram a generalidade dos sistemas bancários com eles feitos. Insistir na tecla de que vivemos acima das nossas possibilidades (quem viveu?) só deveria servir para que os resultados fossem pagos pelos autores destas políticas, incluindo com prisão;
- À crise das dívidas soberanas, disso resultantes, responderam FMI, UE e BCE com medidas recessivas nos países mais fragilizados, impondo a troco de uma austeridade que funcione como garantia, "resgates", melhor dizendo super-empréstimos a taxas elevadas do que os países credores obtêm nos mercados. E tanto maior quanto se reduzem a despesa pública, a procura, as receitas fiscais;
- Esta prática de "sugar até ao tutano" os países mais débeis como Portugal, traz como outra face da moeda, a impossibilidade destes pagarem as dívidas e continuarem a pagar as importações dos parceiros mais fortes;
- Esta situação teria imposto que, há muito, a renegociação da dívida em valores especulativos, prazos de garrote que permitissem à economia respirar, relançá-la e combater a recessão e deflação;
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