terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti:a incompetência dos EUA e da ONU


A notícia de que a força norte-americana no Haiti distribui bens de primeira necessidade deitando-os de helicóptero é a demonstração do completo falhanço em alguns aspectos dessa força.

É incompreensível que a força militar com maior preparação não tenha, no terreno, por si só ou em coordenação com outros, que sempre deveria ter feito, montado um esquema de segurança adequado a este tipo de situações, bem conhecidas no âmbito da protecção civil. E de imediato por ser previsível que a pungente necessidade de água, comida e roupa, para além dos medicamentos, levaria a movimentos de pilhagens, agressões, desesperos diversos, característicos destas situações e que qualquer fora de intervenção conhece ou devia conhecer.... Não tendo criado essa segurança lá onde estava a população e as principais consequências do sismo, todo o apoio com estes géneros começou a perder eficácia.

Naturalmente que desconto já o exagero resultante da generalização mediática deste tipo de problemas, que, por necessidades comerciais de audiências levam muito jornalistas a optar por tal atitude. Mesmo podendo ser poucas as situações, se esta segurança não for feita já para garantir a assistência a dimensão da catástrofe poderá conhecer novas vertentes.

O povo do Haiti precisa de nós.

Vários países estão a operar no terreno, com grande eficácia, desde o day after na assistência médica, por exemplo. De repente as coisas complicam-se.

São os EUA a quererem ser os únicos a mandar no único aeroporto, com critérios mais que discutíveis nas permissões de entradas e saídas, afectando a intervenção eficaz de outros países (França, AMI portuguesa, etc). e a não criarem as condições de enquadramento seguro do apoio quando são eles quem mais condições têm até pela formação de "ajuda humanitária" em teatros de guerra que tem criado.
Não nos podemos esquecer a realidade em que já viviam com metade da população a viver à custa de remessas de emigrantes. Deste povo que realizou a primeira grande revolução social quando quatrocentos mil escravos se revoltaram contra os vinte mil brancos que os escravizavam na apanha do café e da cana-do-açúcar. Mas que sofreu com o colonialismo e o imperialismo posteriores, atingindo um grau de pobreza extrema.

E importa estar atento às tentações da administração americana, como referia ontem Naomi Klein ao "Democracy Now":
"Devemos ter muito claro que esta tragédia - que é em parte natural e em parte não - não deve, em nenhuma circunstância, ser usada para: primeiro, endividar ainda mais o Haiti, e segundo, impor políticas impopulares a favor das nossas corporações. Isto não é teoria da conspiração. Tem-no feito repetidamente", disse.
Também no seu site (naomiklein.org), Naomi denuncia que a Heritage Foundation, "uma das principais exploradoras dos desastres para impulsionar políticas impopulares a favor das grandes empresas norte-americanas", já está a fazer campanha para que a resposta dos EUA ao terramoto no Haiti deva servir para aplicar "reformas" na economia e no governo do país e também para "melhorar a imagem dos Estados Unidos na região".
Os EUA têm uma responsabilidade moral muito grave na sobre população da capital, que ofereceu mais vítimas, como aconteceu noutras cidade. Já a partir de 1957 com o início da ditadura terrorista de Papa Doc, que depois se seguiu com o filho Baby Doc até ao fim do regime com a revolução de 1986, os EUA pressionaram um"apoio" que se traduziu no abandono do campo e a pressão demográfica sobre as cidades em cujas imediações se não criaram as condições produtivas alternativas para uma elevação das condições de vida e da actividade económica. Mas, entretanto, as riquezas do país continuaram a ser pilhadas.

Atribuir agora à "populaça" e à pilhagem" (como o estão a fazer as grandes cadeias de TV norte-americanas) o curso dos acontecimentos bem como despejar apoio das alturas são um estilo que não apaga da nossa memória a responsabilidade do império.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um herói da classe operária

Joe Hill é o nome abreviado de um trabalhador sueco que emigrou para os EUA no último quartel do séc. XIX, onde se tornou dirigente do sindicato Industrial Workers of the World (IWW).

Era ao mesmo tempo cantor e intérprete de canções.

Depois de várias perseguições foi vitima de um processo que levou ao seu fuzilamento no estado do Utah em 1915. As suas cinzas foram enviadas em envelopes para todos os locais de implantação do sindicato e atiradas ao vento, simultaneamente, no dia 1 de Maio de 1916.

Em seu tributo foram feitos muitos poemas e canções. Uma delas, conhecida apenas por Joe Hill foi cantada por Paul Robson, Pete Seeger, Joan Baez, os Dubliners e outros. Apresentamos aqui a interpretação de Billy Bragg sobre a letra de Phil Ochs.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge





"O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão de conhecimento"


Stephen Hawking (físico)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Comentários a propósito da discussão do Orçamento



Nos últimos dias, a propósito do Orçamento de Estado, tenho registado a frequência com que se fala particularmente de


1. Vai haver acordo com a “oposição” (entenda-se PSD),

2. PS e PSD têm a mesma estrutura ideológica e política e

3. As empresas têm dificuldades e não se safam? Paciência…Ou ainda os salários deveriam ser reduzidos e não só “congelados” ainda por cima tendo sido aumentados há pouco tempo…

4. A quem compete governar é ao governo…


Os comentários que me suscitam são


  1. O PS prepara-se para fazer entendimento à direita que, seguramente, se não vai traduzir apenas em propostas aceites para ficarem no texto da lei mas também por baixo da mesa.

  2. A actual estrutura ideológica e política é a mesma hoje e, no caso do PS, por vezes com posições mais à direita que as do PSD. Mas nem sempre foi assim tão evidente. Ambos se deslocaram à direita desde a sua formação inicial. A contra-revolução de 75 juntou-os e foi Sá Carneiro quem se aconchegou a Soares. O bloco central confirmou as perspectivas promissoras da partilha inicial do aparelho do estado e das principais políticas. A partir daí alternaram-se no governo mas continuaram a fazer o mesmo, com resultados semelhantes, e com muitos, muitos mesmo, acordos tácitos aos mais diversos níveis.

  3. A preocupação com o (s) défice (s) todos a têm mas se as medidas para lhes fazer frente forem tomadas fora de uma dinâmica de crescimento, matam (em termos económicos e sociais) e o que se mata não se recupera.

Mais do que insistir nestas teclas, importa ir buscar outras formas de conter o défice orçamental.

No caso das pequenas e médias empresas, reduzindo a taxa nominal do IRC mas agravando em termos equivalentes os lucros das grandes empresas com lucros superiores a determinados valores e acabando com o Pagamento Especial por Conta e o IVA a 30 dias, atendendo, por um lado, ao grande papel que estas empresas têm na criação de bens transaccionáveis (e não só), na maior dificuldade relativa na obtenção de crédito e nas condições de fornecimentos. Ou ainda taxar efectivamente as mais-valias bolsistas.

No caso das prestações sociais fazendo subir as pensões e reformas mais baixas que acompanhem a subida do salário mínimo e na administração pública obter a recuperação da perda real de salário ao longo dos anos que os mais recentes aumentos não recuperaram significativamente.

Os comunistas apresentaram ao PS propostas concretas com estes objectivos.


  1. É claro que quem governa é o governo mas o resultado das eleições de Setembro clarificou que era à esquerda que o sentido de entendimentos se deveria fazer. Não só a identidade das posições com o PSD não permitiam dar outro entendimento tanto mais que o PSD foi-se abaixo…E isso quer dizer, como muitos observadores, que não os “economistas do regime” têm salientado ser necessário, a saber, a melhor distribuição da riqueza criada, maior equidade fiscal, mais criteriosa utilização dos recursos públicos de maneira a potenciarem o crescimento económico, acabando com os favores a clientelas…

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

OMS sob suspeita: Conselho da Europa decide inquérito


O Correio da Manhã de hoje traz para a 1ª página uma matéria que há muito tenho vindo a tratar no meu blog: poder ter a indústria farmacêutica, através dos lobbies que tem junto da Organização Mundial de Saúde (OMS), criado uma onda de pânico com a gripe H1N1, para obter lucros de milhares de milhões de euros e arriscando usar vacinas não suficientemente testadas para serem utilizadas com segurança pelos pacientes.

O Conselho da Europa decidiu há dias proceder a um inquérito proposto pelo presidente da sua Comissão de Saúde, o alemão Wolfgang Wodarg, ele próprio epidemiologista, que a Comissão acolheu por unanimidade.

Wodarg aponta o dedo à OMS, onde, segundo ele, existe um grupo de pessoas estreitamente ligados à indústria farmacêutica. E afirma que o inquérito deverá fazer luz sobre tudo o que tornou possível toda a operação de intoxicação da opinião pública, quem decidiu, baseado em que provas científicas e como se terá verificado, no concreto, a influência da indústria farmacêutica nas decisões como a declaração não fundamentada de pandemia pela OMS, baseada em elementos muito insuficientes e com alteração dos critérios até aí em vigôr na definição de pandemia ou a indicação de usar vacinas já registadas de empresas privadas, que novas vacinas tinham que ser rapidamente produzidas porque as populações não teriam tido tempo para gerar anticorpos, o que também se revelou não ser verdadeiro.

Citou o caso das empresas Novartis, Glaxo e Baxter, entre outras, e referiu que, se em alguns países os respectivos institutos puseram reservas a este processo, noutros isso não aconteceu.

As consequências foram, os elevadíssimos gastos financeiros de muitos países, com vacinas, que poderiam ter resultado, como é feito todos os anos, do acrescentar às vacinas da gripe sazonal de partículas virais específicas do novo vírus.

O conselheiro e epidemiologista sublinhou que as vacinas foram produzidas muito rapidamente, tendo alguns dos seus adjuvantes sido insuficientemente testados. Acusou em particular a Novartis de de ter produzido a vacina Obta flu em bio-reactor a partir de células cancerosas sem obter a garantia de que as proteínas presentes não produzissem tumores nas pessoas vacinadas.

Se o inquérito confirmar a influência abusiva da indústria farmacêutica, Wodarg defende que os estados possam romper com ela contratos desastrosos e os doentes afectados serem indemnizados.

Wolfgang Wodarg coloca à consideração colectiva a seguinte questão: "Devemos continuar a deixar a produção de vacinas e a sua sequência a organizações cujo objectivo é obter o maior lucro possível? Ou, pelo contrário, devemos considerar que estes são, por excelência, processos a serem controlados e postos em prática pelos estados?
Por isso defende que se acabem com as patentes das vacinas, isto é que se acabe com a possibilidade do monopólio da sua produção por um grande grupo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quando da Conferência de Copenhaga não havia consenso científico na ONU, segundo Thierry Meyssan

Sem que isso signifique a minha adesão total ao ponto de vista de Thierry Meyssan sobre os assuntos trazidos à cimeira de Copenhaga, entendo que é positivo equacionarmos as questões que coloca ao considerar que, ao contrário do que possa parecer, o que então esteve em debate não foi de natureza ambiental mas sim de ordem financeira associado ao relançamento do capitalismo anglo-saxónico.

Neste primeiro artigo, de uma série que anuncia na voltairenet.org, Meyssan salienta o desprezo inicial pelo facto de não existir na ONU um consenso científico que não podia existir.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Faleceu Aida Gonçalves


D. Aida Gonçalves, como lhe chamavam muitos amigos, faleceu.

A sua vida está indissoluvelmente ligado ao marido, o general Vasco Gonçalves, falecido há poucos anos.

Era um casal feliz e a luta de Vasco Gonçalves trouxe-lhes novas alegrias, com o 25 de Abril. Vasco Gonçalves desempenhou nele um papel central, colocando-se como a mais alta patente entre os militares que ousaram interpretar a vontade do seu povo e desencadearam, com risco das suas vidas, a revolta militar que, entrelaçada com a dinâmica popular, gerou uma verdadeira revolução. Das mais belas páginas da nossa História, em que Vasco Gonçalves se tornou um dos maiores vultos dela.

A vida de um revolucionário fica sujeita a múltiplos efeitos das contra-revoluções quando estas são vitoriosas. Vasco Gonçalves sofreu as maiores campanhas que o quiseram atingir como revolucionário, como pessoa e como figura histórica. Umas vergonha que enxotará os seus autores para o caixote do lixo da História...Adivinhamos-lhe o sofrimento mesmo quando dirigia palavras de estímulo à resistência popular contra a política de direita. A D. Aida lá esteve. Sempre. Também num lugar de combate.

Para ela a nossa homenagem e para os seus filhos a nossa gratidão.

O corpo de Aida Gonçalves está numa capela da paróquia de Santa Joana Princesa. O funeral sai amanhã para o Cemitério do Alto S. João onde será cremado às 11.45 h.
Nota - Apesar de tardiamente, refiro que a foto aqui publicxada é retirada do blogue f.vieira de sá, a quem agradeço.

Manipulação de manchetes no "Publico"

As chefias e direcções de jornais têm um longo traquejo em aproveitar-se de reportagens e outros trabalhos dos seus jornalistas para introduzirem nas manchetes distorções dos factos no sentido de os manipular para corresponder a orientações editoriais de confronto em que estão empenhadas em nome de insondáveis solidariedades.

Hoje o Publico apresenta uma reportagem interessante sobre as condições de trabalho de 44 médicos cubanos em Portugal, como médic os de família em quatro distritos. Aconselhamos aliás a sua leitura. Mas quem faz a manchete e o lead na primeira pagem inverte completamente o que se retira do trabalho "Salários dos médicos cubanos são um mistério...a embaixada de Cuba diz que nada pode dizer sobre o assunto...". Mas na página 10 o mistério desfaz-se e na pagina 11, uma bela passagem da conversa com o jornalista do embaixador cubanoEduardo Lerner.

Apresenta também uma peça sobre a Taça das Nações Africanas onde o atentado dos dissidentes da FLEC (FLEC/PM) contra a delegação do Togo é tratado de forma satisfatória. Não o caracteriza como terrorista e acabaram por escolher para manchete "Angola queria mostrar-se ao mundo mas já perdeu a aposta"

Bem prega S. Marçal...





Segundo Marçal Grilo (administrador da Gulbenkian e da Partex Oil and Gas, ex-ministro da Educação, homem do sistema, apoiante das políticas de há uns trinta anos para cá, socialista, hoje no Público)

“ Os pais querem para os seus filhos uma escola mais exigente, porque sabem que nos dias de hoje não basta passar de ano e ter boas notas. É preciso saber, é preciso saber muito, é preciso saber pensar, é necessário ser responsável, ter iniciativa e, sobretudo, capacidade para lidar com a mudança.”


Segundo o INE (citado por Ana Cristina Pereira também no Público)

- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.

- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.

- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.

- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.

- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.

- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.

- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).

sábado, 9 de janeiro de 2010

Frase de fim-de-semana, por Jorge



“Todos sabemos coisas que cremos que os outros não sabem”



Oscar Fate (jornalista, personagem de "2666" de Roberto Bolaño)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Militão Ribeiro morreu há 60 anos


Passam 60 anos sobre a morte do dirigente comunista Militão Ribeiro, ocorrida em resultado de torturas desumanas nas prisões fascistas, incluindo na do Tarrafal. O Avante! assinala hoje a data com um texto de Gustavo Carneiro, que cita o testemunho de Dias Coelho e do próprio Militão Ribeiro.

A evocação dos que caíram como Militão Ribeiro é um acto de respeito com a História e com as vicissitudes dos que - homens e mulheres - deram as suas vidas a uma luta que visou sempre a conquista da liberdade e o fim da exploração dos trabalhadores.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Interesses privados põem em cheque credibilidade de organismos internacionais

1. Dois casos recentes, do ano que se passou mas cujos efeitos se prolongam, são elucidativos do que afirmamos, com a característica comum de terem fortes efeitos nos comportamentos dos estados e das populações à escala planetária.

Foram eles os casos da pandemia da gripe A, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) e as estimativas de aquecimento global, por parte do Painel Internacional sobre as Mudanças Climáticas (IPCC).


2. No primeiro caso, na OMS passaram a ter papel decisivo a nível consultivo “musculado” personagens como o virologista holandês Albert Osterhaus, há pouco acusado de corrupção.

A OMS passou a fundamentar as suas posições públicas em relatórios de consultores como o Grupo Estratégico Consultivo de Peritos (SAGE e Grupo de Peritos de Consultoria Estratégica) integrado pelo personagem que, por sua vez, era também presidente do grupo de trabalho europeu sobre a gripe European Scientific Working Group on Influenza (ESWI). Este último é o pivot central entre a OMS em Genebra, o Instituto Robert Koch de Berlim e a Universidade de Connecticut nos EUA e é financiado por fabricantes e distribuidores de vacinas contra o vírus H1N1, como a Baxter Vaccins, a GlaxoSmithKlein, a MedImmune, a Sanofi Pasteur e outros, como a Novartis, que produz a vacina e a Hofmann-La Roche, distribuidora do Tamiflu.


Subfinanciados pelas grandes potências, organismos como a OMS recorreram a parcerias público-privadas para aumentarem os fundos disponíveis, neste caso destinado a bolsas e ajudas financeiras, credibilizando consultores que estão ligados à produção de vacinas e que, depois, impõem declarações favoráveis aos seus interesses como aconteceu em Junho passado quando a directora-geral da OMS, Sra. Margaret Chan, ao declarar a urgência endémica da gripeH1N1 credibilizou prognósticos catastróficos de milhões de mortos que geraram uma corrida dos estados e dos cidadãos a vacinas, gerando elevadíssimos lucros aos seus fabricantes (7,5 a 10 mil milhões de dólares segundo o JP Morgan). E com a agravante da OMS ter alterado para o efeito os critérios que definiam até aí as pandemias.


Importa que se diga, para encurtar um maior desenvolvimento, que este mesmo Albert Osterhaus tem já uma longa carreira nos pânicos criados e que se não traduziram em nada que não fosse mais lucros para a indústria farmacêutica. Foram os anteriores casos do SRAS (sindroma respiratório agudo severo), em 2003 e da gripe das aves (H5N1) em 2005.


3. O outro caso ocorreu nas vésperas da recente cimeira de Copenhaga e a ele nos referimos aqui já em posts dos passados dias 2 e 4 de Dezembro.

Correu mundo a notícia, mas quem se lembra já dela?

A Climatic Research Unit (CRU) da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, falsificou dados fornecidos ao IPCC (International Panel on Climate Change), organismo de escasso valor científico próprio que, por sua vez, toma como boas para as previsões de alterações climáticas as previsões de modelos de escassa credibilidade.


Neste caso, a fraude levou à denúncia pelo New York Times, secundada por muitos investigadores que não beneficiam, directa e indirectamente, das prestações de serviços obtidas junto de organismos públicos por organismos que funcionam a partir de universidades a que vão buscar credibilidade para produzirem os seus “estudos” que depois fundamentam as decisões políticas.


Com isto não quero negar, até porque não tenho competência para isso, a afirmação que a emissão de gases com efeito de estufa não estejam hoje a fazer perigar mais do que aconteceu em situações históricas passadas as condições de vida na Terra. E, pela mesma razão, não me filio em qualquer uma das correntes, uma que diz que sim, que isso está a acontecer e a outra que diz que sempre houve alterações climáticas e que não há dados que provem que a intervenção humana esteja a provocá-la, atribuindo à primeira o carácter de propagandista e provocadora de pânicos que geram comportamentos que beneficiam importantes interesses económicos do “lobbie ambiental”.


4. Estes factores de descrédito de instituições que, no passado, se situavam acima de qualquer suspeita, aumentam a insegurança e é um fenómeno que tem que ser cuidado a todos os níveis.


Para blog, a prosa já está muito longa. Por aqui me fico, então.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A lista negra de Obama e o próximo alvo




A imprensa de hoje revela a lista de países que Obama considera, para efeitos de recepção de passageiros deles oriundos, estes devem ter bagagem e o corpo perscrutado nas fronteiras


Afeganistão, Argélia, Arábia Saudita, Cuba, Iémen (que está na mira para ser o próximo alvo, Irão, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Síria, Somália e Sudão.


Parafraseando um comentário de um leitor no Público “... (a propósito do 11 de Setembro) porque até à data nem sequer nenhum tribunal norte-americano se debruçou sobre o assunto. Aliás, Obama, está há um ano no poder e nem sequer ainda determinou um inquérito independente sobre os acontecimentos desse dia. E lembro que nesse dia todos os voos alegadamente afectados eram voos domésticos. E todos os passageiros que os media culparam eram cidadãos residentes nos USA e todos aprenderam a pilotar em escolas norte-americanas”.

Acrescento eu que Obama ainda não fez tentativas para apagar fundamentadamente a impressão causada em muitos de nós que o 11 de Setembro poderá ter sido uma fuga para a frente para justificar novas guerras de agressão que lhe permitissem ultrapassar as suas próprias fraquezas.

domingo, 3 de janeiro de 2010

50 anos atrás, a fuga de Peniche



Álvaro Cunhal

Carlos Costa

Francisco Martins Rodrigues

Francisco Miguel

Guilherme da Costa Carvalho

Jaime Serra

Joaquim Gomes

José Carlos

Pedro Soares

Rogério de Carvalho

O mistério do íbis-sagrado, por Jorge

1º andamento

Dei com ele inesperadamente na primeira volta de bicicleta do ano, junto à ribeira de Almádena que aqui passa. Não se assustou, foi-se apenas afastando calmamente, de modo que pude ainda apanhá-lo in extremis com o zoom no máximo. Que excitação, uma coisa tão rara!
O que terá acontecido a esta ave, outrora tão considerada e adorada no Egipto, para vir parar a este modesto Barão? e ainda por cima junto à ETAR, local tão pouco apropriado para aves sagradas?

Explicação trágica: no trajecto migratório através do Mediterrâneo oriental, vindo da Europa Central a caminho das zonas quentes de África onde passar o inverno, foi colhida pelos temporais e arrastada pelos ventos até à Península Ibérica, onde exausta e longe do bando aguarda o triste fim que a espera com os frios que se aproximam.

Explicação mais prosaica e desdramatizada: terá fugido do zoo de Barão, lá em cima, a 500m e nem voar sabe...

Mistério? qual mistério, "o único mistério é haver quem pense no mistério" (Alberto Caeiro) :)


2ºandamento


Barão (de S. João) é a aldeia perto de onde tenho a casa. A poucas centenas de metros, fica o chamado "Zoo de Lagos", um parque zoológico "ecológico" sem grades, nem gaiolas, com macacos, patos, cegonhas, tartarugas, etc., construído há cerca de dez anos e muito visitado por escolas e turistas. É daí que talvez possa ter escapado o íbis-sagrado que encontrei a passear. Aves deste tipo são mantidas em cativeiro cortando-se-lhes as penas (remígias?) que lhes permitem voar. Se entretanto crescem um bocadinho, já podem dar para esvoaçar...

À primeira vista, custa a acreditar dar numa qualquer curva de um caminho algarvio com uma ave destas tão mítica, toda ela hieroglifos, faraós e cabeças de Tot, cujo habitat é o longínquo Nilo. De facto, tal como se demonstra pelos bandos de papagaios amazónicos que hoje vemos no Parque Eduardo VII, descendentes de algum solto ou fugitivo casal, ou pela quantidade de pássaros exóticos como o bico-de-lacre (americano) ou o bispo-de-coroa-amarela (africano) esvoaçando alegremente pelos campos de Alcochete, o mundo é tão aldeia global para os animais como para os humanos, com os seus moldavos, turquemenos ou uigures surgindo fora do "habitat" por onde menos se espera. Também os íbis-sagrados foram "introduzidos" na Europa central e tão bem se deram que por lá ficaram, esquecendo-se mesmo da chatice da migração, à imagem das neo-portuguesíssimas cegonhas sem as quais já a EDP nem consegue ter postes de alta tensão.

Isto hoje em dia, quando damos nos menús com "costeletas de crocodilo" ou o fado até é acompanhado a castiço contra-baixo, o que é que nos há-de ainda fazer espantar?

3º andamento

Podemos todos estar descansados, afinal o íbis-sagrado é bem algarvio!
Nascido e criado aqui em Barão no "Zoo de Lagos", cresceram-lhe as asas mais do que o previsto e gosta de ir "dar as suas voltas" (ipsis verbis tratador), mas regressa sempre a casa (ai não!...).
Não passa de um íbis-profano... tudo o que consegue enxergar como nilo é a lagoa da etar!
Já é difícil darmos com mistérios dos antigos... o mundo está a ficar tão corriqueiro!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Imagens através da chuva, por migana






Frase de fim-de-semana, por Jorge




"Tiro fotografias para ver como o mundo fica nas fotografias"



Garry Winogrand (fotógrafo nova-iorquino, 1928-1984)


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os meus votos



Quase todos os meios de comunicação social aproveitaram para os seus balanços de 2009.


Em geral, as suas apreciações sobre os acontecimentos esbatem as responsabilidades do que de muito mau aconteceu. Quer no país quer no plano internacional.


O capitalismo revelou uma vez mais as suas taras, a desconsideração pelo ser humano. Em muitos países considerados livres, como o nosso, e que se arrogam em dar lições de democracia aos outros, o conteúdo da democracia vivida esvaziou-se e dela quase só ficou o envólucro e o seu sentido é preocupante no que respeita ao que a humanidade arrisca.
Esquecer 2009? Nem pensar! Porque este ano contem imensas aprendizagens que superam as limitações da leitura dos manuais e também teve esperanças e manifestações de vontade de a superar. Por aí queremos ir. E vamos.

"Um profeta", um grande filme


O último dia do ano para uma estreia em sala não permitiu que ela acontecesse com mais espectadores. Foi pena. Mas um grande filme aí fica para ser visto nas próximas semanas por quem, como eu, não o tivesse visto no Festival do Estoril.


“Um profeta”, de Jacques Audiard, um realizador francês que ainda não conhecia, apresentava credenciais promissoras.

Foi um êxito no encerramento do Festival do Estoril deste ano. Trazia o prémio do Júri do Festival de Cannes deste ano, mais o prémio para melhor filme estrangeiro da associação de críticos norte-americano e está nomeado para o Óscar do melhor filme estrangeiro, mais recentemente recebeu o prémio Louis-Delluc, de melhor filme francês do ano e lidera com seis nomeações os candidatos ao prémio do Melhor filme Europeu


Na minha modesta opinião é um grande filme, a não perder de todo.


É um filme violento mas humano. Um jovem delinquente francês de origem árabe que cumpre pena, tece o seu próprio percurso criminoso através dos contactos que mantém com diferentes grupos organizados da cadeia e das saídas diárias que a lei lhe permite, depois de um percurso dependente como protegido de um chefe criminoso corso, também preso.

Un son para Portinari, de Nicolas Guillén





Para Cándido Portinari
la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneón.

Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son.

Sueña y fulgura.
Un hombre de mano dura,
hecho de sangre y pintura,
grita en la tela.
Sueña y fulgura,
su sangre de mano dura,
sueña y fulgura,
como tallado en candela;
sueña y fulgura,
como una estrella en la altura,
sueña y fulgura,
como una chispa que vuela...
sueña y fulgura.

Así con su mano dura,
hecho de sangre y pintura,
sobre la tela,
sueña y fulgura,
un hombre de mano dura.
Portinari lo desvela
y el roto pecho le cura.

Ay, esta noche se puede, se puede,
ay, esta noche se puede, se puede,
se puede cantar un son!

Para Cándido Portinari
la miel y el ron,
y una guitarra de azúcar
y una canción,
y un corazón.
Para Cándido Portinari
Buenos Aires y un bandoneon
Esta canção, composta por Daniel Viglietti, foi interpretada por cantores comno Inti Illimani e Mercedes Sosa

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"Chorinho", de Cândido Portinari




O Nobel da Paz quer abrir no fim do ano nova frente de guerra, agora no Iémen ?


É tudo esquisito quando os EUA invocam razões para "retaliações" contra actos ou tentativas de actos terrorismo.

A manipulação do "terrorismo" e de extremismos e fanatismos, e o surgimento "oportuno" de actos com base nos quais o império decadente tem procurado justificar a ocupação de novos territórios no quadro de objectivos geo-estratégicos, tem muitos anos. Não vamos aqui desenrolar os factos invocados, as retaliações e as consequências que tiveram para a sobrevivência e justificação do domínio deste e de outros impérios.

Creio que todos, se o quisemos, pudemos aprender com a História.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Paraguai: saúde pública passa a ser gratuita



O governo do Paraguai anunciou no dia de Natal que os serviços médicos de saúde pública passarão a ser completamente gratuitos em todos os centros de saúde do Estado. Mas que os pacientes ainda terão que pagar se precisam de algo que os centros de saúde público não possam ainda fornecer.
Segundo o governo, esta medida permitirá aos paraguaios pouparem mais de 60 milhões de dólares em 2010.

Manuel Guedes nasceu há 100 anos


Comunista firme e convicto, Manuel Guedes, cujo centenário se comemora, foi um dos destacados construtores do PCP. Membro da Organização Revolucionária da Armada, foi um dos protagonistas da reorganização e passou quase duas décadas na prisão. Durante a Guerra de Espanha, foi preso com Pires Jorge em Cáceres, quando os fascistas tomaram a cidade e arriscou o fuzilamento.
Falecido em 1983, o seu exemplo e a firmeza das suas convicções permanecem hoje como um motivo de orgulho para todos os comunistas.

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Natal de quê? De quem? / Daqueles que o não têm?" etc.


Jorge de Sena (in "Exorcismos")

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Com um dos presépios de Grão Vasco, um Feliz Natal para os caminheiros e cantigueiros da net

O amolador

A flauta do amolador era um dos sinais da manhã e o café com leite um outro a entrar-nos nas narinas e a minha mãe “Meninos são horas…” para logo voltar à janela e chamar “Sr. Manuel, já aí vou” e num repente saíam guardas - chuva, tachos, uma tesoura e algumas facas, ficando nós a olhar da janela a mestria do amolador que fazia soltar faíscas mágicas das peças que resistiam a ir para o lixo e que voltavam como novas até que dia perguntei à minha mãe o que era a vizinha ter a língua afiada, antevendo-a debruçada na roda a retocar as formas da referida, ao que ela me sossegou, remetendo a matéria para o foro do carácter, coisa de que o meu pai já nos tinha começado a falar, e assim ficou intacta a nossa consideração por aquele homem que do velho fazia novo, enquanto tocava a flauta, se fazia anunciar e ainda tinha tempo para um piropo às sopeiras alvoraçadas, terminando com o sonoro rematar "Dona Regina, o material está pronto e em condições e são dois mil reis".


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga (conclusão)


5. Copenhaga fracassou.
A Bolívia propõe-se organizar
conferência anterior à do México

O presidente Evo Morales rejeitou hoje a acusação da Inglaterra de que tinham sido a Bolívia, China e a Venezuela a comprometerem os resultados da cimeira de Copenhaga.

Anunciou, por outro lado uma conferência mundial de movimentos sociais para 2010 a realizar na Bolívia no próximo mês de Abril, que de certa maneira substitua o fracasso de Copenhaga na preparação da Conferência que também no ano de 2010 se realizará no México.

Esta iniciativa pode dar a voz a esses movimentos e aos países em desenvolvimento que lhes foi negada em Copenhaga.

O fracasso de Copenhaga era previsível. Os EUA não querem comprometer-se com metas minimamente significativas e procuram comprometer os países em vías de desenvolvimento em acordos que os impedissem de prosseguir essa via. Desde as vésperas da Conferência tentaram atrair países emergentes e com a União Europeia para, com um documento-fantasma que ora aparecia ora desaparecia, imporem aos restantes países esses acordos. Não o conseguiram e, de facto, nessa resistência à manobra, a Bolívia, Venezuela e China destacaram-se.

Foi uma pesada derrota dos que, como Obama, pensam pelas cabeças das principais empresas responsáveis pelas emissões com efeito de estufa. Mas foi também um desfazer de expectativas por parte de muitos países e movimentos. Há que continuar a luta.

"Escrever o sol", de Júlio Pereira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Postal de Natal extragaláctico do J.



Festiva imagem da maior e mais prolífica maternidade estelar da nossa vizinhança galáctica!

O enorme grupo R136 de jovens estrelas acabadinhas de nascer (pouquíssimos milhões de anos de vida) pertence à nebulosa Doradus da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa.

Muitas das estrelas azuis na foto são das maiores estrelas conhecidas e várias delas têm mais de 100 vezes a massa do nosso Sol. Muitas vão desaparecer como supernovas dentro de breves milhões de anos. É a vida...

Felizmente, contudo, estrelas é coisa que não nos vai faltar!

J

domingo, 20 de dezembro de 2009

As alterações climáticas e a Conferência de Copenhaga




4. E as guerras, que contributo dão para o aquecimento global?

Em artigo de 2007, o professor Michael Klare, escrevia que sessenta litros de petróleo é quanto um soldado americano no Iraque e no Afeganistão consome em média diariamente - quer directamente, através do uso de veículos blindados, tanques, camiões e helicópteros, ou indirectamente, nos ataques aéreos. Se multiplicarmos este valor por 162.000 soldados no Iraque, no Afeganistão, 24.000 e 30.000 na região circundante (incluindo marines a bordo dos navios de guerra no Golfo Pérsico) chegamos então a cerca de 12,2 milhões de litros de petróleo, com as correspondentes emissões de dióxido de carbono, que ésãoa factura de petróleo por dia, durante operações de combate dos EUA na zona de guerra no Médio Oriente.


Por outro lado, em 2008, Oil Change International publicou um relatório mostrando que:

  • A guerra é responsável por pelo menos 141 milhões de toneladas de desde Março de 2003. Para colocar isto em perspectiva, o CO2 libertado pela guerra, até à data equivale a emissões de 25 milhões de novos carros que fossem postos a circular este ano nos EUA.

  • Entre Março de 2003 e Outubro de 2007, o militares dos EUA no Iraque compraram mais de 15 mil milhões de litros de combustível a partir da agência responsável pela obtenção e fornecim ento de produtos petrolíferos para o Departamento de Defesa. A queima destes combustível produziu directamente quase 39 milhões de toneladas de CO2.

  • As emissões resultantes da guerra do Iraque até ao momento são quase duas vezes e meia maiores do que as que seriam evitadas entre 2009 e 2016 na Califórnia para implementar as normas de emissão automática propostas pelo estado mas que a Administração Bush recusou.
  • Se a guerra fosse classificada como um país em termos de emissões anuais, iria apresentar valores de emissões de CO2 superiores às de 139 países, correspondentes a 60% do total de países.

O relatório também observou que as emissões associadas com a guerra no Iraque pura e simplesmente não são declaradas. As emissões produzidas pelos militares no exterior não são incluídos nos inventários nacionais de gases com efeito de estufa por todas as nações industrializadas, incluindo os Estados Unidos, no relatório sobre a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. E o seu valor é enorme.


A escalada da guerra no Afeganistão levará, naturalmente, a um grande aumento também nas emissões de gases com efeito de estufa.

O PS procura o conflito institucional


A declaração de Sérgio Sousa Pinto contra o Presidente da República é uma provocação. Pelos seus termos e pelo seu conteúdo. Na forma aproximou-se de uma birra dum puto malcriado. No conteúdo pretendeu coarctar o PR de emitir uma opinião sobre a prioridade relativa de um tema controverso como prioridade da acção governativa, que eu também questiono (apesar de concordar com a resolução sobre o casamento homossexual) quando defrontamos questões muito mais graves a que o governo não quer responder, apesar de o país esperar medidas para suster a insegurança social e económica. Para poder dizer mais à frente que o não deixam governar.


José Sócrates, ao suspender depois uma reunião semanal com o PR e ao não desautorizar o puto Sérgio manifestamente está a percorrer um caminho perigoso. Sócrates recusa-se a aceitar os resultados eleitorais das legislativas e a derrota sofrida não encaixa na configuração que foi tecendo do seu ideário, de identidade progressivamente perdida para uma "coisa" cuja natureza democrática está apenas muito disfarçada.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Faça as suas compras dia 23. Solidarize-se com os trabalhadores das grandes superfícies, em greve dia 24. Diga não à escravatura moderna!



No passado dia 14 reuniram-se dirigentes, delegados e outros activistas sindicais das empresas da grande distribuição, donde saiu a convocação de uma greve para dia 24

Da resolução que aprovaram, ressalto o seguinte:

“…Na segunda está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na terça vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas em regime de adaptabilidade ou para o banco de horas, conforme opção da empresa, mais 4 horas, até à 1 hora da manhã, e vão 12 horas de trabalho …
Na terça, no final do dia, simplesmente, dizem-lhe que na quarta vens fazer mais 4 horas depois das 21, entras às 12 fazes o teu horário normal até às 21 horas, e trabalhas no regime de adaptabilidade ou para o banco de horas mais 4 até à 1 hora da manhã, e vão mais 12 ....
Na quinta está de descanso, telefonam-lhe a dizer que na sexta vens fazer mais 4 horas antes das 12, entras às 8 e depois fazes o teu horário normal das 12 às 21 horas, e vão mais 12 horas de trabalho ....
Na sexta o chefe diz-lhe: sábado vens fazer mais 2 horas antes das 12, entras às 10, segue-se o teu horário normal das 12 às 21 horas, e a seguir, porque é sábado as vendas aumentam, precisamos muito de ti cá, fazes mais 2 das 21 às 23 horas, e vão mais 12....
No sábado dizem-lhe, simplesmente, amanhã domingo vens às 10 horas e trabalhas até às 23 horas, e vão mais 12 horas de trabalho.
No conjunto trabalhou 60 horas na semana, espectacularmente, foi respeitado o horário fixo, os 2 dias de descanso e os 5 de trabalho e ainda as 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho impostas pela lei.

Este exemplo pode ser aplicado a quaisquer horários, com ligeiras adaptações, semanas e semanas a fio … E assim sucessivamente, semana após semana, até adoecer ou se despedir porque não aguenta mais os problemas familiares, ou então junta-se aos outros colegas e pára o trabalho até o abuso terminar e a empresa respeitar a saúde, a vida, a família e a dignidade de todos os trabalhadores.

Nas lojas com menor amplitude de abertura, em vez de 2 passam a precisar apenas de 1 trabalhador para fazer todo o horário da secção ou sector.
Para evitar esta experiência muito traumática, que alguns já provaram e sabem ser insuportável, recusamos negociar estas desumanas barbaridades, contrárias à saúde, à vida, à família e à dignidade dos trabalhadores, que têm em vista aumentar o imenso poder unilateral das empresas e seus representantes nos locais de trabalho, a obtenção de trabalho gratuito para reduzir custos, diminuir o emprego e aumentar lucros.

Recusamos também aumentar ainda mais a precariedade, com motivos para contratar a termo e em alternativa exigimos a reposição da legalidade, ou seja a passagem a efectivos dos trabalhadores contratados a termo a ocupar postos de trabalho permanentes.

De igual modo exigimos um aumento salarial que actualize os baixos salários praticados na grande distribuição, a maioria ao nível ou próximo do salário mínimo nacional, apesar do desmesurado crescimento e lucros dos grupos e empresas da grande distribuição. “

Algumas das melhores fotos da "Time" em 2009




























Manifestação em Londonderry. Morte de marine no Afganistão. Execução no Iemen. Peregrinação em Meca. Colhida em Espanha. Fesfile nos EUA. Banho numa catarata do Nepal. Prisão com gás paralisante numa manifestação em Paris. Erupção no Etna.