segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Presidente do Chile será eleito na 2ª volta. Comunistas regressam à Câmara 36 anos depois...





O candidato conservador, Sebastián Piñera, foi o mais votado na 1ª volta das eleições presidenciais, com 44,0% dos votos, seguido por Eduardo Frei, candidato apresentado pelos partidos da Concertación (apoiantes do actual governo social-democrata de Michelle Bachelet, que terminou o seu segundo mandato com forte apoio popular), com 29,6 %. Seguiram-se o independente ex-apoiante do governo Marco Henriques-Ominami, com 20,1 % e Jorge Arrate, de esquerda, apoiado pelos partidos comunista e socialista, com 6,2%.
Frei e a Concertación dão como adquirida uma vitória na 2ª volta, esperando que as candidaturas independente e comunista apelem ao voto em si. Mas isso não está claro. O Chile arrisca a ter na presidência gente afecta ao antigo ditador Pinochet.
Jorge Arrate introduziu nesta 1ª volta alguns temas relevantes que Frei é chamado a partilhar. São elas a convocação de uma Assembleia para elaborar um nova constituição democrática, o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, a renacionalização da indústria mineira e do cobre, em particular, fim das privatizações, reforma da Educação que contenha o processo da sua privatização e a gratuitidade da Saúde e Educação, incluindo a universitária.
A derrota da Concertación era esperada, e o candidato da direita beneficiou do descontentamento popular. Desde o fim da ditadura de Pinochet os partidos que a integravam, quando no governo, não tomaram medidas para inverter o curso económico e social que tinham herdado nem foram suficientemente firmes contra Washington.

Nesta eleição renovaram-se também 38 lugares do Senado e foi eleita a totalidade da Câmara dos Deputados.
Os comunistas e seus aliados mais próximos tiveram uma importante votação e romperam com o acesso que lhe estava vedado ao Parlamento. Não estavam no Parlamento desde há 36 anos, quando do golpe de Pinochet. O Presidente e o Secretário-Geral do Partido, respectivamente Guillermo Teillier e Lautaro Carmona foram dois dos três novos deputados eleitos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cartoon de Monginho


in Avante!

Sugestões de leitura na net

Luis Carlos Molion – O reduzido papel das emissões de CO2 nas alterações climáticas de um período que é de arrefecimento e não de aquecimento global

Eugénio Rosa - O governo pretende premiar anualmente os patrões que pagam apenas o SMN com 26,6 milhões de euros da Segurança Social

Olga Chetverikova – O aquecimento global catastrófico, lavagem ecológica ao cérebro e governo mundial

R. Warren Anderson and Dan GainorR. Warren Anderson and Dan Gainor - Ao longo de um século os jornalistas previram períodos de arrefecimento e aquecimento global

Francisco Silva - Afinal estamos ou não a sofrer as maldades do dióxido de carbono que produzimos

François Houtart – Os agro-combustíveis são um escândalo nos países do Sul e não são boa solução para o clima

Mahdi Darius Nazemroaya – Planos para redesenhar o Médio Oriente:o projecto de um Novo Médio Oriente


Albano Nunes – A escalada militar no Afeganistão
Denis Netcheporuk - A Ucrânia vinte anos depois

Domenico Losurdo - Um primeiro balanço dos anos Lenine e Estaline

Declaração Final do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, em Dehli, Novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Nós, ainda ontem éramos rapazes, ó velhos!"



Camilo Castelo Branco("Novelas do Minho")

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A justificação da guerra



“A guerra é a continuação da política por outros meios” (Carl von Clausewitz)




"Dizer que a guerra é por vezes necessária não é apelar ao cinismo, é reconhecer as imperfeições do Homem e os limites da razão" (Barack Obama)



Contribuições para uma abordagem marxista da Ética, de Manuel Dias Duarte



Aceitando-se que a Ética é um produto da sociedade de classes, não havendo portanto princípios ou valores éticos eternos, uma questão se impõe: existirá uma ética marxista ou apenas uma abordagem marxista da Ética?


É com esta questão que abre Manuel Dias Duarte um trabalho publicado no site do Sector Intelectual do PCP, para concluir no final:



“Um ano antes de morrer, era muito clara a oposição de Marx a todas as


tentativas utópicas de redigir códigos de conduta futuros válidos para uma qualquer “cidade do sol”. A propósito das normas e valores ideais que necessariamente haveriam de dar forma às relações entre homens e mulheres vindouras, vivendo já em comunismo, escrevia Engels, em 1884, falando por ele e pelo amigo:



“Assim, aquilo que hoje em dia podemos presumir acerca do regime [Ordnung] das relações sexuais após o iminente varrimento da produção capitalista é, sobretudo, de carácter negativo, limitando-se quase só àquilo que vai desaparecer. Mas o que é que haverá de novo? Isso decidir-se-á


quando tiver crescido uma nova geração: uma geração de homens que nunca na sua vida tenham chegado à situação de comprar a entrega de uma mulher por dinheiro ou outros meios sociais de poder, e uma geração de mulheres que nunca tenham chegado à situação nem de se entregar a um homem por quaisquer outras considerações para além de um real amor nem de recusar a entrega ao homem amado por medo das consequências económicas. Quando estas pessoas existirem, não darão a mínima importância àquilo que hoje se acha que elas deveriam fazer; construirão as suas próprias normas de conduta (Praxis) e a opinião pública para julgar a praxis de cada um – ponto final” (Friedrich Engels, A origem da família, da propriedade privada e do estado, Lisboa, Edições Avante!, 2002, pág. 104).



A postura de Marx e Engels, ao longo de todas as suas obras, aponta sem dúvida


para a conclusão de que, na sua geração, não era possível constituir-se uma ética


marxista, mas apenas proceder a uma crítica permanente e combativa de todas as propostas éticas…sem moral e, em particular, da ética burguesa e capitalista.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Ora então, vamos lá…

O ambiente mediático, informativo e de análise, com que convivemos está a contribuir para uma perda de referências éticas, uma habituação à inevitabilidade de um país sem saída dominada por corruptos, eventualmente ao descrédito quanto à possibilidade de mudanças que, eleição após eleição, têm reconduzido nos órgãos de poder maiorias do “centro” do espectro político, com resultados que se mantêm, agravados – é certo – mais recentemente pelo agravamento da crise interna.

Repartir as responsabilidades nos governos destes 33 anos é importante para que se não perca a memória da política e dos seus protagonistas. Tal como é importante, nesta conjuntura, não isentar, em nome disso, os governos de José Sócrates que assumiram, particulares responsabilidades no desbaratar de esperanças, na pioria da qualidade da vida e do usufruto dos direitos, no embaciamento do que se exige que seja transparente, no show-off e no faz de conta, no autoritarismo sem a autoridade que foi perdendo, no confronto social e incapacidade de perceber e discutir o que dizem os portugueses. Enfim, não estendamos mais o rol sob pena de contribuir para agravar depressões que se sentem em muitos que foram mulheres e homens sérios, que souberam educar, trabalhar com olhos também no país.


O país não vai morrer. E já passamos por sebastianismos bastantes para não ir por aí. Há condições para outras vias se abrirem, no respeito da vontade colectiva e do funcionamento democrático no seio da sociedade. Se soubermos derrubar os muros que nos quiseram criar dentro das nossas cabeças e reinventarmos em cada dia que passa a solidariedade, a camaradagem, o respeito pelos trabalhadores e pela tão necessária riqueza que lhe sai das mãos, o papel central do trabalho na recuperação do país, então estaremos num caminho mais acertado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Síndroma adormecido do queijo limiano



A viabilização do Orçamento rectificativo por Paulo Portas não é uma pirueta inesperada.

Quando ficou claro que este orçamento confirma a fraude e a evasão fical como revelou Eugénio Rosa.


O dirigente do CDS/PP joga em vários carrinhos.


Joga na captação de votos, combatendo com declarações tonitruantes usando os temas políticos que lhe são alheios e que repudiaria se entrasse de novo para o governo como abundantemente ficou provado por anteriores passagens por outros governos.


Joga como partido” responsável” quando, agora uma vez mais, manda o discurso distintivo às urtigas e viabiliza o dito orçamento, sem dúvida à espera de mais lugares à mesa.


Quanto ao PSD, vamos a ver, como diria o cego.


E, como diria o meu avô, isto é gente de apetite…


O Público e Copenhaga: “aposta simples” e exorcização de esqueletos ou mercantilização do ambiente?

No Público de hoje, Rui Tavares desanca quem se recusa a ir na onda do internacional-porreirismo com que a União Europeia e os EUA apresentam a Cimeira de Copenhaga e quem esboça alternativas às soluções dominantes, apadrinhadas pela União Europeia.

Mais do que o blá, blá, blá pseudo-ambiental, da “resposta simples”, importaria que RT se pronunciasse sobre questões como:


- Considera-se cientista suficiente para duvidar da base científica dos muitos milhares de cientistas que contestam a importância relativa dada ao factor humano nas alterações climáticas ?E concorda com o "encerramento" desta discussão que Al Gore quer é, do ponto de vista da Ciência, uma posição avisada?


- Que avaliação faz sobre outros factores que influenciam as alterações climáticas (actividade solar, guerras e radiações nucleares, detritos industriais de alta capacidade de contaminação, etc.) para considerar que o factor humano (obviamente está a falar das emissões industriais de gases que influenciam o efeito de estufa, provocadas pela actividade económica) é decisivo para elas?


- Na sua classificação dos “cépticos” (adaptação não pouco inocente dos “euro-cépticos”) porque não incluiu os que apesar de recusarem a “convergência” delineada pela presidência dinamarquesa - num documento de facto preparada com os Estados Unidos e o Reino Unido - admitem, no entanto, o contributo das emissões gasosas para alterações climáticas, apresentaram soluções diferentes das dos países mais poderosos? Não considera essa sua atitude maniqueísta?

- Acha que estes e outros "cépticos" estão a fazer o jeito às teses anti-aquecimento global de Bush e Cheney?

- Sabe que o negociador dos EUA quando da declaração de Quioto, que os EUA não subscreveram causando toda a inconsequência dessa declaração de há 12 anos, se chamava Al Gore e que concordava com tais orientações de Clinton, então presidente?

- Quando Al Gore se lançou na campanha "contra" o aquecimento global, com um filme que continha trapaças pré-fabricadas, RT soube apontar-lhe quais eram?


- Acha que o Grupo dos 77 mais China ao reagir à declaração dinamarquesa se porta como um bando de arruaceiros e que nada têm para oferecer em alternativa? E que esse documento, depois de rejeitado, afinal não existia, era apenas um documento de trabalho, etc., etc.?


- O RT concorda ou não que os cortes das emissões gasosas têm que ser mais significativos nos países mais desenvolvidos, os maiores responsáveis pelo aquecimento que se terá verificado desde o início da industrialização?


- E que é injusto fazer idênticas exigências a outros países que nos últimos anos estão a fazer um esforço enorme para saírem do subdesenvolvimento, dos abismos das desigualdades e da fome?

- Quando Lula diz que "os países mais ricos falam muito mas fazem pouco" (alusão à grandiloquência das declarações de Obama e alguns dirigentes europeus), o RT acha que é ele que não está a ser "minimamente sério" e que o que Obama "nos tem que oferecer é muito"?


- Também está com aqueles opinion-makers dos burocratas de Bruxelas que dizem que a China e os EUA estão com metas “pouco ambiciosas”, admitindo que os ridículos 4% dos EUA podem ser comparados com a "decisão voluntária, baseada nas condições nacionais, mas com vontade de contribuir para o esforço global", da meta de Pequim de reduzir a intensidade das suas emissões até 45%?


- RT só fala nos acordos quanto às emissões de CO2. E as outras coisas que estão em cima da mesa e que terão que fazer parte de um acordo muito complexo?


- Se RT não o referiu, será que está de acordo com a mercantilização do ambiente, questão substancial da declaração da presidência dinamarquesa, que decorre da criação do comércio (mercado) de carbono que transferisse as preocupações universais na redução de gases de efeito de estufa para a gestão bolsista dos activos financeiros (fictícios…) de um novo mercado especulativo e com as consequências daí resultantes? Concorda com a presidência dinamarquesa em entregar essa gestão ao Banco Mundial? Ou acha que isto não é importante? Será também expressão de cepticismo não estar de acordo com isso?


- Outras questões em debate são as relacionadas com a “adaptação” e “mitigação”, em termos gerais, isto é, que inovações introduzir para que a redução de emissões afecte minimamente o desenvolvimento dos países menos desenvolvidos. Nesta matéria RT acha que a “transferência de tecnologia” necessária deve ser feita no respeito dos direitos de patentes ou no dos princípios da ajuda e cooperação, para que não ocorram novas formas de dominação neo-colonial, e em nome da “factura histórica” que os países mais desenvolvidos devem pagar? E acha que são exageradas as verbas pedidas pelos países menos desenvolvidos para proceder a essas adaptações?



A prosa de hoje de Rui Tavares é uma espécie de exorcização beata dos esqueletos do armário. Não contribui para trocas de pontos de vista sérias.

Se querem ver o contrário, vejam, por exemplo, o contributo à discussão que os comunistas ontem apresentaram para a questão e as correspondentes políticas domésticas.

E por aqui me fico…

Ainda, e para terminar, sobre os 20 anos da queda do muro de Berlim


Mantendo-se ainda algum fervor saudosista noutros sobre a queda do Muro de Berlim de há vinte anos, sabemos nós as dimensões, a nível interno de cada país e à escala internacional, das consequências de tais acontecimentos (não apenas na RDA mas no conjunto dos países do leste europeu).
Em nome do necessário rigôr histórico, será importante assumir a seriedade de uma questão que, por ser complexa, não se pode resumir à leviandade como a propaganda anti-comunista a encarou e ainda encara nem ser motivo de caricatura das posições reais dos comunistas portugueses.

Importa revisitar o que, à data, referiram sobre eles.Ou verificar como, vinte anos depois, analisam hoje esse período.

Consulte aqui essas reflexões, enquanto deixamos uma passagem da resolução do XIII Congresso do PCP, realizado meio ano depois desses acontecimentos.

“As mudanças radicais da situação política verificada noutros países socialistas da Europa resultaram de situações de profunda crise gerada por orientações e práticas que se afastaram dos objectivos, métodos e valores do ideal comunista.
Contradições entre os órgãos do poder político centralizado e o povo; entre a organização e a gestão da economia, o desenvolvimento económico e o melhoramento das condições de vida; entre a direcção do partido e o partido e entre o partido e o povo; contradições aprofundadas com o abuso do poder e situações de privilégio e de corrupção - agravaram-se ao longo dos anos e conduziram a inevitáveis rupturas, a extraordinária instabilidade e a processos descontrolados de evolução social e política cuja conclusão é ainda difícil de prever.

Os partidos comunistas no governo em diversos países da Europa de Leste - ainda mais que o PCUS - prolongaram a situação, atrasaram-se no reconhecimento da realidade e nas reformas e viragens indispensáveis na orientação do Estado e do partido, isolaram-se progressivamente, provocaram amplo descontentamento e perderam o crédito e o apoio que justamente anteshaviam alcançado como resultado da sua luta.”

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cinema Paraíso


A RTP-2 trouxe-nos hoje à tarde este belo filme de Giuseppe Tornatore.
É um filme de amizade, de amor, de saudade, que não recorre a efeitos desnecessários para nos encher e fazer-nos saber que o iremos vêr muitas vezes na vida.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Suiça e os minaretes


A impostura global e a deformação da política energética doméstica


Não alinhando na onda generalizada dos mentores do aquecimento global e do crime das emissões de anidrido carbónico (CO2), Jorge Figueiredo dá-nos conta das suas reservas à “farsa hipócrita de Copenhaga” e à política energética do governo em artigo de ontem no resistir.info., donde citamos:


“Isso (a deformação da política energética) é visível em Portugal, onde os governos têm estimulado e subsidiado soluções irracionais do ponto de vista económico e energético com base na falácia do aquecimento global e das malfadadas emissões de CO2. Basta lembrar, por exemplo, a desgraçada política de subsídio aos biocombustíveis líquidos e agora aos veículos eléctricos (quando Portugal é importador líquido de quilowatts-hora); o não apoio às boas soluções possíveis nos transportes (como os veículos a gás natural, que podem utilizar biometano, gás natural comprimido ou gás natural liquefeito); a promoção ruinosa de energias ditas renováveis às custas dos subsídios da perequação tarifária; etc; etc. A ignorância (deliberada?) do Pico Petrolífero e a falácia do Protocolo de Quioto levam a tais aberrações. Estamos numa época em que deveria haver planeamento energético a fim de promover uma "fuga" ao petróleo, tão grande e tão rápida quanto possível. Governos clarividentes como o da Suécia já descobriram isso, o português ainda não. Mas os erros de hoje terão de ser pagos amanhã – e o preço pode ser caro.”

domingo, 6 de dezembro de 2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

A propósito das alterações climática e da Conferência de Copenhaga

3. Copenhaga: o que vai e o que não vai ser discutido


3.1. Ao longo dos últimos dias a administração norte-americana viu-se forçada, em primeiro lugar, depois de uma indefinição arrastada quanto à presença na conferência de Obama, a representar-se através dele, depois a admitir que ele participaria no início da conferência e hoje que, afinal, participaria no final, quando se tomarem deliberações e ele já vir laureado com o Nobel
A estas mudanças de atitude não foram alheias as sucessivas tomadas de posição dos chamados países emergentes, onde cada um não deixou de querer puxar a brasa ao seu protagonismo, como foi o caso do Brasil, para trazer os EUA a um compromisso que não tinha assinado em Quioto.
A Conferência juntará mais de 15 mil pessoas, com delegações oficiais de 192 países, das grandes multinacionais do petróleo e da energia, e como observadores muitos organismos não governamentais com intervenção nas questões ambientais
É uma conferência, porém limitada a um único dos temas possíveis de serem abordados: a questão das emissões de carbono. Mas deixa de lado a abordagem de outros temas como os efeitos das guerras em curso, a possibilidade de uso de armas nucleares como recursos de “manutenção de paz”, os efeitos das bombas nucleares humanitárias do Pentágono, ou ainda a deliberada manipulação de dados climáticos para fins militares. Relativamente a esta última questão, importa lembrar que Spencer R. Weart, que foi até há poucos meses, e durante 38 anos, director do Centro para a História da Física do Instituto Americano de Física, escreveu em 2008 sobre os estudos que foram feitos depois da 2ª Guerra sobre as formas de modificar o clima, directa e propositadamente, e não apenas como resultado da actividade económica. Quer os EUA quer a URSS, pelo menos desenvolveram projectos e modelos de intervenção de grande envergadura. Para não dispersar o leitor para este desenvolvimento, recomendamos a leitura desse trabalho.
E, como referimos, em posts anteriores não existe, de facto, um consenso na comunidade científica quanto à relação determinante que as emissões de CO2 teriam em alterações climáticas ou que estas estejam a ocorrer de forma dramática, num só sentido, ao contrário do que aconteceu em milhões de anos com evoluções de diferentes sentidos. Em 1996, o Painel intergovernamental sobre Mudanças climáticas (IPCC em inglês) expressou a ideia de que “O balanço dos dados sugere uma influência humana visível do homem no clima global”, que muitos cientistas caracterizaram como uma conclusão abusiva. Abusiva ou não deu o mote para a Conferência de Quioto.
Para Al Gore, para a administração Bush, esta relação estaria mais que demonstrada, chegando a usar o termo “esta discussão está encerrada”. Quando para muitos, pelo contrário, agora é que a questão está a ser aberta porque os cientistas estão mais envolvidos para ultrapassarem um comportamento dos políticos que se tem caracterizado pela desprezo pela ciência, pelo recurso a catástrofes naturais para sustentarem as responsabilidades do factor humano e para substituir a formação de opinião através de recurso a métodos cientificamente validados pela repetição sistemática de slogans e propaganda, não sustentados em conclusões científicas.


3.2. Vários peritos em clima têm avançado que a redução das emissões deveria ser de 25-40% em 2020, relativamente às registadas em 1990, e de 80-95% em 2050.
Mesmo aceitando a relação das emissões de CO2 com alterações climáticas, estas são, antes de mais, um problema social resultante de alterações globais do ecossistema e os delegados em Copenhaga vão ter a responsabilidade de que os cortes de emissões de CO2 não vão constituir factor adicional de descriminação de países que precisam, comparativamente mais que os mais desenvolvidos, de se desenvolver o que, para eles, implica sempre uma maior peso das emissões per capita. Se a China é responsável por 21% do total das emissões, em valores absolutos, os EUA por 20%, a União Europeia por 13%, a Índia por 5%, não pode ser esse o único critério a pesar na distribuição das reduções a efectuar. Se fizermos esse cálculo, em termos relativos à população, per capita, os resultados dos principais emissores de CO2 serão EUA 18,7 toneladas, a UE 7,8, seguidos pela Austrália, Canadá, Arábia Saudita e Rússia, só vindo em 6º lugar a China com 4,6 e a Índia com 1,2, ainda mais atrás. …(1). Para já não falar nos restantes países em, vias de desenvolvimento. Os EUA e a UE são os grandes emissores de CO2 e terão que, por isso e pelo grau relativo de desenvolvimento em relação aos outros, que dar o exemplo.
Os EUA querem que os países emergentes que mais pesam nas emissões (China, India e Brasil), assumam nesta conferência compromissos de redução vinculativos e não voluntários mas será difícil impor este ponto de vista aos restantes países. Os EUA não assinaram a plataforma anterior de Quioto, em vigor até 2012, de impor a 37 países ricos reduções até essa data, por não se ter então exigido compromissos aos países do sul.
As reduções em relação ao ocorrido em 2005 para vigorarem a partir de 2020, que vários países têm anunciado estarem dispostos a fazer, unilateralmente, com vista a uma negociação, são EUA 17%, China 45%, Brasil 39% e a Índia ainda não se pronunciou.
O Brasil, a África do Sul, a Índia e a China deverão apresentar um projecto comum alternativo ao da presidência dinamarquesa, que acompanha a posição de Washington de metas obrigatórias.
Os países que menos responsabilidades têm nas emissões irão receber recursos financeiros e tecnológicos dos mais responsáveis por elas para a “adaptação” a alterações do clima, não tanto como cooperação, mas como forma de os compensar pela necessidade dessa adaptação, como, digamos, pagamento de uma dívida ecológica ou climática, termos que têm sido utilizados por diferentes protagonistas. Há valores desta compensação aos países menos contaminantes que têm sido avançados: 100 mil milhões de euros (de 20 a 50% dos fundos serem públicos e os restantes privados) por ano a partir de 2020. Ainda está em aberto a forma como os países mais contaminantes irão dividir este custo entre si. Ou os mecanismos de distribuição (organismo das Nações Unidas, Bancos Regionais, Banco Mundial?). Ou sob que regime de propriedade intelectual serão feitas as transferências de tecnologias porque a compensação se poderia transformar na ocupação dos mercados por tecnologia estrangeira.
Mas a proposta de Obama quanto às reduções contém um elemento preocupante: assentar no esquema absurdo de um “mercado de carbono”, no qual se basearia a possibilidade de solução para o problema do aquecimento global, quando, de facto, esse esquema iria apenas ser movido pelo lucro e especulação de alguns e arriscaria que a concentração de CO2 se não reduzisse (ver primeiro post que refere artigo de Rui Namorado Rosa). O mercado do carbono, mercado de quotas de emissões permitidas, não é um instrumento eficaz para reduzir emissões e estabilizar o peso da concentração de CO2 na atmosfera.
Como disse hoje à SIC o eurodeputado João Ferreira este mercado, já a funcionar na União Europeia, baseado num esquema europeu de transacções (ETS) está a não dar resultados porque a aquisição de licenças de emissão acaba por ser muito mais barata que a introdução de equipamentos que fizessem reduzir as emissões para não afectar muito o crescimento económico. Mas, além disso, a pretensão de gerar neste mercado activos financeiros, como mais um recurso para prolongar a vida do sistema capitalista, gera uma possível nova geração de bolhas que arrastariam a gestão do clima para o desvario.
Para não nos alongarmos, remeteremos os leitores para o segundo filme de Annie Leonard que explica os mecanismos do mercado de carbono e todos os seus inconvenientes (aproveito para vos encaminhar também para seu primeiro filme, que foi um êxito, e que, espero, alguém creditado para isso possa traduzir, atendendo a que são falados em inglês e de forma muito rápida).


(1) Le Monde, 30/11/09

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Vale a pena ter um espírito aberto, mas não tão aberto que faça a razão cair"


Carl Sagan

A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga.

2. A falsificalção de dados científicos revelados em vésperas da conferência


A 3 dias da conferência, o mundo foi confrontado com revelações de falsificação de dados científicos no Climatic Research Unit (CRU), da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
Em Novembro cerca de mil mails da CRU terão sido apanhados por hackers e revelado os dados dessas falsificações que eram tendentes a reforçar a campanha mediática para a elevação do nível das preocupações com o aquecimento global. Com o acréscimo de gravidade de eliminação das verdadeiras leituras, ficando apenas no CRU os modelos, produzidos pelo homem, sempre de configurações e fiabilidades variáveis.
Esta questão está a ser objecto de inquéritos e até agora tinha sido menorizada pelos media que dava a esta informação reduzida credibilidade, atribuindo-a a trocas de galhardetes entre os "cépticos" do aquecimento global e os ambientalistas "conscienciosos".
Isto, depois das denúncias de vídeos forjados que insinuam uma imensa liquefação das gigantescos massas de gelo das zonas polares e de neves perpétuas, e da eliminação de espécies que também iria produzindo, leva a questionar a credibilidade das intervenções de Al Gore e de outros Adivinhos e Grandes Curandeiros, que têm produzido um ruídoso tam-tam pseudo-ambiental.
Não quero com isto dizer que não haja riscos de alterações climáticas de gravidade se não estudarmos os efeitos da actividade económica no clima. Nem que defenda que, ao contrário de um aquecimento global, caminhemos para um arrefecimento global. Quero tão só dizer, e isto tem muito a vêr com Cimeira de Copenhaga, que isto não é matéria em que a opinião e os palpites tenham o primado. Mas sim que temos de ter dados, muitos, fiáveis, livres das pressões de diferentes lobbies, para se poder analisar com outro rigôr os riscos e as medidas adequadas à sua superação.
Esta questão ilustra também os caminhos insondáveis que muitas organizações ambientalistas tiveram até à perda de credibilidade por terem criado chorudas oportunidades de negócio e muitos lugares em unidades governamentais, não apenas para o embelezamento do discurso oficial, mas também de grandes traficância no aoparelho dio Estado. A História se encarregará de ir revelando em que se transformaram em muitas países estruturas oficiais para a defesa do ambiente . Para já não falar da pressão de conceituados ambientalistas sobre os países em vias de desenvolvimento para conterem a sua saída dos atrasos seculares impostos pelas grandes potências que foram durante mais de um século os maiores poluídores da atmosfera e predadores de matérias primas e solos dos mwenos desenvolvidos.

A defesa do ambiente tem de livrar-se de dados científicos falsos, de análises que ignoram as diferenças entre países exploradores e explorados, entre países ricos e pobres, das tentativas de fazer dela uma distração para outros importantes riscos que a Humanidade defronta.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A propósito das alterações climáticas e da Conferência de Copenhaga


1. O "mercado do carbono" arrisca arrastar a economia real para uma crise energética global de saída desconhecida mas eventualmente dramática?


Num artigo recente publicado no “Avante!”sobre as alterações climáticas e a próxima Conferência de Copenhaga, o professor e investigador Rui Namorado Rosa deu um contributo importante para um melhor esclarecimento sobre questões que têm estado colocadas num patamar de difícil compreensão, mesmo quando são fruto de intervenções de políticos portugueses como aconteceu neste fim de semana com Cavaco Silva.

Ao mesmo tempo que aconselhamos a sua leitura integral, salientamos algumas das questões aí abordadas pelo autor.


1. A Presidência da União Europeia, evocando a autoridade do IPCC (estrutura especializada estabelecida pela ONU), previu que uma elevação de 2.ºC provocada pela elevação do teor de CO2 na atmosfera seja a perturbação máxima tolerável; e que, para que tal perturbação não seja excedida no corrente século, o «mundo industrializado» deva reduzir as respectivas emissões em 25-40 % e os «países em desenvolvimento» em 15-30%, até 2020, relativamente a 1990.

Para Namorado Rosa começa por ser “surpreendente tal grau de precisão a longo prazo em matéria tão susceptível à nossa margem de ignorância sobre o mundo natural e à nossa ainda mais limitada capacidade de previsão na esfera económico-financeira. Recordemos a sucessão de «bolhas» financeiras que têm surpreendido e abalado os mercados de valores à volta do mundo, só nos passados vinte anos, com graves repercussões económico-sociais.


2. A EU foi um dos principais impulsionadores dos compromissos de Quioto que, aliás, não cumpriu bem como os EUA que os não subscrevera.

O autor conclui que será muito pouco razoável esperar que países emergentes que têm vindo a aumentar a sua riqueza e a realizar programas para a elevação geral das condições de vida da população, e que não foram abrangidos pela plataforma de Quioto, como a China ou a Índia, possam aceitar em Copenhaga reduções grandes das emissões de CO2, para as quais não têm contribuído de forma significativa.



3. A EU aponta a constituição e alargamento de mercados de transacção de títulos de emissões de carbono, estimulados por financiamentos públicos, como objectivo fulcral a atingir com capacidade de gerar fundos financeiros e títulos transaccionáveis para operar o mercado de carbono, o que na UE é designado por «esquema europeu de transacções» (ETS), apelando ao compromisso de alocar-lhe uma parte significativa das receitas geradas pelo «esquema europeu de transacções» a um fundo para evitar a desflorestação e degradação das florestas em países em desenvolvimento. A relação entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento parece, assim, ficar assinalada pela «grande preocupação» com a utilização dos solos, quando se fala na necessidade da reflorestação mas…omite-se a sobre-exploração de solos férteis pelos países mais ricos nos países mais pobres na produção de agro-combustíveis e bens agro-alimentares para o mercado global…

Rui Namorado Rosa conclui sobre esta matéria que “o comércio do carbono visa tornar-se num esquema de geração bilionária de activos financeiros fictícios ao serviço da sobrevivência do sistema capitalista. E arrisca arrastar a economia real para uma crise energética mundial de saída desconhecida e incerta, cujas consequências são potencialmente calamitosas.


4. Para alcançar esse desígnio, projecções distantes de alterações climáticas, que não podem ser nem confirmadas nem desmentidas, têm sido frequentemente utilizadas como instrumentos intimidatórios para justificar e fazer prevalecer «metas» e «medidas» igualmente insusceptíveis de justificação bastante.

Namorado Rosa cita o caso da cruzada de Al Gore como exemplificativa dessa pressão sobre a Conferência de Copenhaga, classificando-a como encenação ardilosa que procura formatar opiniões públicas visando lucros fabulosos.


5. Rui Namorado Rosa encerra o seu trabalho salientando que o enfoque colocado no problema das alterações climáticas em termos inacessíveis à análise objectiva e à compreensão das massas é um artifício que pretende desviar as atenções e confundir as questões fundamentais do presente e do futuro da sociedade humana, é pois também um ardil ideológico.


Para já não falar – digo eu - das principais preocupações dos portugueses que em recente sondagem, hoje divulgada em Bruxelas, começam pela pobreza, seguida da falta de alimentos e de água potável, relegando as alterações climáticas para sexto lugar, depois dos conflitos armados.

Não podendo negar as influências antropogénicas sobre o ambiente à superfície da Terra e sobre certos processos que actuam e conformam o clima planetário, nem tão pouco podendo ignorar a progressiva exaustão dos combustíveis fósseis e a escassez de diversos materiais com aplicações económicas especiais, em particular nas tecnologias energéticas, importaria avaliar objectivamente as situações de risco e os factores de constrangimento. E em conformidade orientar o esforço de investigação científica e desenvolvimento tecnológico e de investimento material para a respectiva resolução ou minoração.
Porém a «racionalidade» que nos tem sido proposta e imposta é a da regulação pelo mercado, sob a superintendência política das instituições intergovernamentais ou internacionais e sob a pressão de interesses económicos que visam objectivos próprios; nesse espaço actuam as corporações empresariais elas próprias, suas associações, diversas tipologias de organizações não governamentais, e em última instância os próprios governos. Mas estes já destituídos de plena capacidade diplomática e negocial por não serem de facto os únicos ou sequer os principais agentes de formação da opinião pública e da decisão política.

Daí a relevância da acção que cabe aos partidos políticos na auscultação e na informação das massas, contrariando a maré de alienação do conhecimento e da opinião pública, assim como no debate institucional e na formação da decisão política.

Afeganistão: Nobel da Paz promove escalada na guerra...


Apesar de os assesssores de imprensa de Obama terem lançado alguns pretensos paliativos para adoçar a intervenção de Obama de ontem à noite, como a "nova atitude", o se ter iniciado o caminho para a saída em três anos e outras novas promessas diferentes das anteriores, Obama vai fazer o que uma crescente opinião norte-americana e mundial vinham advertindo: Obama aposta na guerra e em força...

Se juntarmos as muitas peças do gigantesco puzzle que é a sua visão e planeamento estratégicos, cada vez menos distintos dos de Bush, compreendemos porque Obama consumou ontem a desilusão daqueles que o fizeram Presidente pelo voto da esperança na mudança.

O sentido do "Yes, we can" inverteu-se. Em menos de um ano a administração norte-americana, agora com este presidente, revelou a sua incapacidade de assumir um outro paradigma para os EUA e a sua determinação em reforçar o paradigma do império.

Protecção ao golpe das Honduras, transformar a Colômbia numa base de agressão aos países latino-americanos, o envolvimento da CIA em operações de desestabilização da democracia em vários destes países, manter um colete agressivo em torno da Rússia e da China, a que novos atentados na Rússia vêm criar novos receios, manter a ferro e fogo o seu poder sobre as fontes de petróleo e dos circuitos do narcotráfico, como fonte de financiamento de vastas operações de desestabilização e de tráfico de armas, crítica ao sitema judicial americano por ter prendido e julgado os agentes de uma estação da CIA no seu território pelo rapto e tortura de presos de guerra, o apoio à política repressiva de Israel, etc, etc, etc.

Só um grande esforço de imaginação pode manter o crédito numa mudança com origem no novo presidente.

As decisões ontem anunciadas de reforço assinalável da presença militar dos EUA no Afeganistão e a não redução de forças no Iraque são de uma gravidade extrema. Mas Obama terá a resposta dos que querem a paz, a democracia e o desenvolvimento.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cristina Kirchner e Patrícia Rodas comentam declaração da cimeira do Estoril




A chefe da diplomacia hondurenha agradeceu o comunicado da presidência portuguesa da Cimeira Ibero-americana onde foi condenado o golpe de Estado no seu país. A presidente argentina também se congratulou com esta documento.


A ministra dos Negócios Estrangeiros das Honduras agradeceu, esta terça-feira, o comunicado especial da presidência portuguesa da cimeira ibero-americana que considerou «inaceitáveis as graves violações dos direitos e liberdades fundamentais do povo hondurenho».

Em conferência de imprensa, Patrícia Rodas, que considerou ilegais as eleições realizadas no domingo no país, adiantou que esta é uma «importante declaração» que apoia «o processo de restauração democrática e a restituição da presidência» de Manuel Zelaya.

Patrícia Rodas entende que este acto eleitoral que deu a vitória a Porfírio Lobo levanta um «problema jurídico», dado que «o regime 'de facto' está à margem da lei» algo que faz com que a eleições realizadas estejam fora do «marco constitucional».

A presidenta argentina também se congratulou com os esforços da cimeira para aprovar uma declaração sobre as Honduras, uma vez que se pode falar de «Conhecimento e Inovação, mas se não houver democracia, não se passa de discursos vazios»(numa alusão ao conteúdo que a presidência portuguesa quiz fazer vingar quando a conjuntura impunha a condenação do golpe das Honduras e o não reconhecimento do golpe militar neste país e das eleições-fraude do passado domingo).

«O respeito pela vida democrática é na história da região da América Latina, em particular, uma história de tragédia, por isso, a defesa da democracia deve ser uma defesa sem concessões», afirmou Cristina Kirchner ao aludir à questão das Honduras.

Apesar desta declaração final da presidência da cimeira, e apesar das posição da Espanha, é provável que os aliados mais incondicionais dos EUA quer na Europa (Reino Unido, França e Alemanha) quer na América Latina (Colômbia, Costa Rica e México) venham a aceitar o resultado da eleição-fraude.

A declaração final de José Sócrates é a de um político alinhado com as posições da administração americana. Deixa antever a aceitação dos resultados dessa fraude para poder continuar "o diálogo" da repressão interna nas Honduras e na prática o consumar do golpe de Estado que afastou Zelaya do cargo para que foi eleito pelo seu povo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

No Uruguai, com Mujica, vence a esquerda, nas Honduras, depois do golpe militar o golpe eleitoral promovido por Micheletti e Obama.

Ainda com base nas sondagens à boca das urnas, Mujica recolheu cerca de 51% dos votos e o seu opositor, cerca de 45%. Este já reconheceu a derrota e felicitou Mujica, que tinha sido o candidato mais votado com 48% na 1ª volta.


Mujica era o candidato da Frente Ampla, de esquerda, que passou 13 anos nas prisões da ditadura militar.


Nas Honduras, Zelaya rejeita a afluência às urnas anunciada por Micheletti e avança com uma eventual abstenção da ordem dos 65%. A campanha decorreu sob o signo da violência contra todos os que denunciavam a burla, muitos espancados, alguns deles desaparecidos.



Eleito em uma disputa ilegítima, para governar um país isolado, Lobo, o candidato apoiado pelos golpistas, declarou que as aceitações internacionais do golpe eleitoral estão a chegar. Segundo ele, os Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Japão, Itália, Suíça, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e França "expressaram que vão aceitar o processo".
Mas a Argentina, Brasil, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Guatemala e Uruguai anunciaram formalemente que não reconhecerão as eleições realizadas sob o governo golpista de Roberto Micheletti.

Carta-aberta de Michael Moore a Obama






Michael Moore foi um dos mais entusiastas apoiantes de Obama quando candidato a Presidente. Como muitas outras pessoas tem expresso preocupações com o curso da sua política externa, nomeadamente quando aumenta a dimensão da intervenção dos EUA em guerras fora do seu território.



Nesta carta-aberta, a propósito das declarações que amanhã Obama fará sobre esta matéria, diz nomeadamente:


“Apenas com um só discurso, amanhã à noite, você vai transformar em cínicos desiludidos as multidões de jovens que foram a espinha dorsal da sua campanha. Você vai ensinar-lhes aquilo que eles sempre ouviram dizer – que os políticos são todos iguais. Não posso acreditar que você vai fazer aquilo que eles dizem que você fará. Por favor, diga que isso não vai acontecer”.

Mas nem todos os políticos são iguais, de facto... Por exemplo, uma outra candidata democrata, que concorreu pelo Partido Verde, Cynthia McKinney, será um dos oradores da manifestação contra estas guerras que, como já referimos, se realiza no dia 12 de Dezembro, frente à Casa Branca.

domingo, 29 de novembro de 2009

Um coro infantil no coração de um concerto


A Igreja de S. Roque encheu na tarde de domingo para assistir a um concerto que envolveu diferentes componentes: o Coro Infantil da Universidade de Lisboa, o Coro da Universidade de Lisboa, o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa, o Ensemble Instrumental de nove músicos de diferentes instrumentos, e ainda os solistas Ana Paula Russo e Rui Baeta, a directora e o pianista do Coro Infantil, respectivamente Erica Mandillo e João Lucena, todos sob a direcção do Maestro José Robert.

O Coro Infantil interpretou uma série de canções de Benjamin Britten (1913-1976), que este autor viria a agrupar sob a designação Ceremony of Carols, compostas a partir de poemas medievais.

Na segunda parte, todos os coros, solistas e o Ensemble, interpretaram Mass of the Children, conjunto de cinco orações de John Ruttler (1945- ), com a particularidade de dar ao Coro Infantil uma grande centralidade no concerto.

Foi um bom concerto. Veja aqui no blog outros concertos previstos para igrejas da cidade em Dezembro.

sábado, 28 de novembro de 2009

Ne change rien, de Pedro Costa

Entrar na sala sem ter lido ou ouvido algo sobre o filme pode provocar um choque inicial, a sensação de monotonia, transmitir uma vibração repetitiva.

Nem como de género de filme nem como de género de narrativa lhe podemos atribuir uma única identificação. Soube que poderá ter evoluído de um mero teledisco da artista que é a personagem central, a cantora Jeanne Balibar, amiga do realizador, para algo mais complexo, porque contem diferentes registos desde os ensaios prévios, a procura da colocação da voz na música, e depois a gravação de canções, os testes de canto lírico para operetas, a música em bares, também ela de géneros diferentes.

Essencialmente é cinema documental, a que só se poderá chamar musical pelos temas centrais terem a vêr com a música, embora crie a sensação de ficção .

Mas um bom filme, surpreendente, dum realizador já com obra feita.

É um filme a não perder.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Não lhes estraguem os rankings, crónica do Rodrigo

O meu pai anda com a mania que não é menos que os outros e quer dar-me estatuto, vai daí há dois anos, antes da matrícula, foi ver os rankings das escolas e levou-me para um grande colégio de Lisboa dos que está sempre à frente, no pódio, para me aumentar o currículo pelo que, garantidas as boas notas que trazia daquela coisa horrorosa da escola pública, e para não fazer figura de urso a estragar a média que o colégio de nome santificado tem vindo a obter, lá fui, mas comecei a ficar marado com as pressões e perseguições para estudar, obter bons resultados, se não, não me levavam a exame, o que acabou por acontecer por não ter chegado aos 18, tendo sido informado que me devia autopropor ao dito cujo, o que me deixou orgulhoso porque tinham achado que eu até o podia fazer sozinho, só que o meu pai ficou chateado porque tinha gasto um balúrdio mas só porque o colégio receava perder o lugar no ranking mandou-me às urtigas e, à minha conta, lá fiz o exame e tirei um 20 e ri-me nas barbas do padre e fui para outro colégio, também santificado, que tem um contrato com o Estado em que este (nós, segundo o meu pai) lhe paga para também formar malta do público e, como trazia o 20, lá me “aceitaram” com muitas recomendações sobre o desmazelo que lhes poderia afectar a posição no pódio do ranking que tive em boa conta mas, como tive a gripe A, tive apenas 16 nos primeiros testes e já começaram a fazer-me a folha para me porem fora, como imperativo divino para a divindade não cair do pódio, e o meu pai anda fulo porque o novo padre e as irmãs estão a fazer pior que os da “face oculta”, e eu agora entendo melhor porque é que o ensino privado está tão avançado em Portugal, porque assim os filhos dos ricos têm garantido que dos filhos dos remediados e carenciados só lá sentam o cu os que são muito bons para estarem aptos a ascender a ricos, ou alea jacta est como diria o Suetónio para o Júlio da mulher mais ou menos séria, e, se ainda assim não for lá, o meu pai já garantiu a troco de uns milhares de euros um curso faz de conta que fará de mim engenheiro para toda a obra e júris amigos dos maneis godinhos, que andam à sucata e, posto isto, passem bem que se faz tarde e o meu patrão paga o trabalho infantil a 30%.

As mãos de Fatima, por Laila Shawa (Palestina)


Palestina e Israel: a progressiva ocupação


Frase de fim-de-semana, por Jorge




"Acreditem nos que procuram a verdade, duvidem dos que a encontram"



André Gide