sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vox populi


O António Mota, presidente da Mota-Engil, disse que os vigaristas não podiam ter vindo todos para Portugal... E eu concordo. Fizeram-se por cá e se foram esmerando na difícil tarefa de conferir novos paradigmas éticos para este país e de garantir as necessárias impunidades nas respectivas empreitadas. Empreendedores, pois então...

É apenas uma certa maneira de cantar, de José Gomes Ferreira


Nunca ouvi um alentejano cantar sozinho

com egoísmo de fonte.

Quando sente voos na garganta,

desce ao caminho,

da solidão do seu monte,

e canta

em coro com a família do vizinho.

Não me parece pois necessária outra razão

- ou desejo de arrancar o sol do chão –

para explicar

a reforma agrária

no Alentejo.


É apenas uma certa maneira de cantar.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Solidariedade com Aminattou Haidar


A activista sahraui pelos direitos humanos, Aminattou Haidar, está em greve de fome no aeroporto de Lanzarote desde o passado dia 15, exigindo o seu regresso à terra-natal, o Sahara Ocidental, para aí viver em paz com os seus filhos, e de onde foi expulsa pelas autoridades marroquinas e levada para Espanha ilegalmente com a cumplicidade de Zapatero.

O seu estado de saúde está a debilitar-se progressivamente, depois das graves consequências físicas resultantes das torturas em prisões secretas marroquinas.

Ainda sobre a queda do muro (o de Berlim, entenda-se…), a propósito de um debate

Tive a oportunidade de há dias participar num debate promovido pelo Le Monde Diplomatique a propósito da edição no seu número de Novembro, Vestígios apagados da Alemanha de Leste”, do jornalista alemão Bernard Umbrecht. Os participantes eram poucos e os oradores três: João Arsénio Nunes, historiador que tem trabalhado sobre o movimento comunista, Vera San Payo de Lemos, professora universitária e dramaturga que teve contactos com os meios culturais da RDA e os mantém hoje e Reinhard Naumann, que representa desde 1996 em Portugal a Fundação Friedrich Ebert, que apoia a UGT, e que, dias antes participara numa conferência da corrente socialista da CGTP-IN, a que já fiz referência neste blog, e que tem, escrito sobre o movimento sindical português.

O artigo de Bernard Umbrecht ilustra a constatação do autor de que depois da queda do muro, se iniciou uma “guerra-fria da memória” ou damnatio memoriae destinada a apagar da história e da memória o que foi a RDA. É uma apreciação objectiva por parte de alguém que não é comunista, como muitos outros fazem (lembro-me de um artigo há dias no Publico de Elísio estanque, por exemplo).

Naumann rejeitou várias afirmações do autor, algumas das quais em termos não verdadeiros, e senti necessidade de intervir sobre alguns pontos. Estive na RDA antes e depois da queda do muro, tenho amigos lá, e somo a minha experiência pessoal à de muitas outras pessoas que a tiveram. Tenho a partir daí e com base em informação de diferentes fontes, uma opinião sustentada do que ali se passou.

Naumann sempre viveu na RFA, não foi à RDA nem antes nem depois, e veio há muitos anos para Portugal. Talvez para compensar este handicap, declarou ter sido esquerdista e militado numa organização pró-soviética (Arsénio Nunes replicou que era comunista mas nunca tinha militado numa coisa dessas…).

Insinuou que 40 anos de socialismo na RDA certamente geraram crescimento dos nazis mais do que nos 13 anos de Nacional-Socialismo. Que os habitantes de Berlim Leste queriam a Coca-Cola, o que em sentido figurado até se pode compreender no quadro de uma atracção por modas de consumo em que a RFA investiu muito na parte ocidental, isto embora se produzisse já nos anos setenta uma bebida parecida com a Pepsi-Cola. Que foi importante destruir o Palácio do Povo perto da Alexander Platz (ver foto) porque este fora construído a partir da demolição de um palácio dos kaiseres (de facto o tal palácio desactivado fora praticamente destruído nos bombardeamentos de 1945, não tinha valor intrínseco enquanto a destruição do Palácio do Povo gerou uma indignação muito forte na ex-RDA). Que o regime socialista estava podre e tinha que desaparecer e não de ser reformado.

Ficou muito irritado por eu ter dito que importaria saber as razões que levaram os dirigentes da RDA, em 1961, ter decidido construir o muro, depois da divisão em 1945 da cidade em 4 zonas de administrações americana, russa, inglesa e francesa. Que problemas de fronteira teriam ocorrido, depois da guerra-fria se ter iniciado em 1947, nesses 14 anos. Explodiu “Não posso com estes tipos que ainda querem justificar o muro”, depois de lhe ter dito que eu não concordava com a sua sobrevivência.

Arsénio Nunes fez, de forma breve, uma referência a acontecimentos anteriores para ajudar a compreender algum curso da história mais recente: a falta de uma coesão desde 1871 e a distinção das duas parcelas do território (a RDA era, mais ou menos, a mittledeutschland, território e grande influência comunista e do movimento operário) não se resolveram em três quartos de século e ajuda a compreender que a “reunificação” de 1990, de facto uma anexação, nunca tenha sido sentida até agora; a fundação do SED (partido do poder na RDA) resultou de um entendimento entre sociais-democratas de esquerda e comunistas, depois da sua divisão histórica inicial, semelhante à formação do actual Die Link; formação da RFA, não prevista nos acordos de Potsdam e Ialta, por pressão americana, a que reagiram os dirigentes da zona de administração soviética, impondo aos soviéticos, contra a vontade destes, a constituição da RDA; o apoio soviético às reformas pós-guerra neste território.


Às considerações feitas no artigo do Le Monde Diplomatique voltarei dentro de dias, a propósito do sucesso eleitoral do Die Link nas últimas eleições.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cartão de Boas-Festas de Johnson para Obama

publicado no site da organizção da manifestação contra as guerras dos EUA no próximo dia 12 de Dezembro, em Washington, em frente à Casa Branca

Dão-lhes o benefício de quê?


Vários dos nossos comentadores de serviço ficaram perplexos com a escolha de Herman Van Rompuy e Catherine Ashton para os cargos configurados no Tratado de Lisboa de, respectivamente, Presidente da União e Ministra dos Negócios Estrangeiros da dita.
Porquê? Porque são desconhecidos e isso não projecta a importância da UE no mundo e o Obama, o Hu Jintao, o Lula, o Singh e o Medvedev não sabem a quem telefonar. São burocratas e não políticos, mas, vamos lá a vêr, se todos vivemos disto vamos dar-lhes o benefício da dúvida...
O ideal seriam o Blair e, quem sabe, a Bruni. Talvez tivessemos mais encargos financeiros, mas o "peso" era outro.

Não nos esqueçamos, porém, que ,pelo mesmo critério, o nosso Cherne deu à sola. O Barroso que só seria conhecido pelo desvio dos móveis de nuestros hermanos, quando no PREC lá foi dar uma perninha à provocação do assalto à embaixada de Espanha, não tinha aquele olhar de águia do Filipe Gonzalez, e também para lá foi para ficar caladinho. Que para isso é que lhe pagam...Se não tinham vindo buscar o Figo. E o Sarkozy, o Brown e a Merkel não estão para aí virados. Federalismo, federalismo, Europa, Europa mas quem manda são eles.

Dia 27, jantar de sabores palestinianos


domingo, 22 de novembro de 2009

Museu do dèzaine, por J.


Rua Augusta, antiga sede do BNU, quatro Beatles gigantes à porta (a que propósito?). No interior, totalmente devastado por obras abortadas!, o MUDE - Museu do Design e da Moda. Móveis esquisitos, sofás disparatados, alguma loiça e imensos vestidos. O design industrial quase ausente (uma Vespa, um pequeno expositor com algumas torradeiras, trituradoras, câmaras, rádios..., e é tudo).Pobre demais para tanta pretensão ("o MUDE é um museu para todas as expressões do design").
Aí vão as fotos clandestinas possíveis, à sorrelfa dos curadores e dos decoradores.
J.

A nudez feminina, em Amedeo Modigliani

















O plano inclinado com inclinação a mais...

Como diria o outro, não havia necessidade.

Sendo o programa sobre o plano inclinado do país, os intervenientes não tinham necessidade de também se inclinarem e descambarem. Veremos se os próximos programas corrigem a tendência de ontem.

Medina Carreira, continuando a ocupar mais espaço que os restantes, sustentou que se não consumisse tanto ou se produzisse o que se consome para reduzir o que se paga ao exterior. Que a justiça tem que ser mais célere para se atrair investimento, que importa vencer a burocracia e a corrupção. Até aqui, tudo bem. Mas depois lá vem a terapêutica mortífera: reduzir os rendimentos dos portugueses! Mas de que portugueses? E quem consome mais produtos importados? Retomar a indústria, a agricultura e a pesca. Boa e sensata ideia. Mas como? Sim, é possível…mas tem que se ir um pouco mais longe no como fazer, com que medidas de natureza interna e no quadro da EU…se não Medina Carreira fica ao nível dos que tanto critica (justamente) …

Já quanto à presidencialização do regime (“sem ser à força”…), atenção!... O PR pode intervir e ter uma magistratura de influência até porque tem sem dúvida as legitimidade de ter sido eleito directamente pelos portugueses.

Não reproduzindo aqui o que já referi há pouco tempo, convidaria os três participantes, mais o Mário Crespo e os nossos leitores a procederem n uma visitação ao que foi o nosso programa eleitoral.

Nuno Crato defendeu o que é um lugar-comum na boca de todos os que se candidatam a dizer alguma coisa: aumentar a competitividade. Mas como? Reduzindo os salários e direitos dos trabalhadores? Ou seleccionando bem os nichos, dos mercados de exportação? Ou reduzindo a componente fiscal dos custos de produção, ou introduzindo inovação, C&T, não para unidades isoladas, para Sócrates ter palco para mais uma intervenção nos telejornais, mas como efectivas e extensas nas fileiras e clusters adequados? Ou com apoios que se não limitem, aos que maior peso têm mas a todos que apresentem contributo importante para ter produtos competitivos? Ou com gestores que incorporem opções de risco calculado, não se guiando exclusivamente pelo lucro rápido e fácil? Ou com métodos de organização que podem contribuir para ela?

João Duque considerou inevitável que o rendimento disponível (para quem?) diminuirá, reconhecendo que a adesão ao mercado europeu nos conseguiu impor a redução da produção própria financiando o abate dos meios de produção. Importante foi referir que se devem montar redes de distribuição de produtos mas garantindo outros factores para o aumento da produção. Mas lá veio a flexibilização laboral…como se não estivesse já suficientemente flexibilidade e a introduzir graves factores de insegurança nos trabalhadores, com reflexos inegavelmente negativos na produtividade e solidez das empresas. Quanto ao pessimismo que vislumbra na iminente bancarrota, dizer que a UE não nos deixará cair é um voto pífio porque o resultado global tem sido esse e, como os outros dois participantes sublinharam, não é lá muito digno que nos tornemos em pedintes dos países com mais possibilidades…

E, por aqui me fico.

Os que defendem a autonomia da CGTP e do movimento sindical

Como há dias foi noticiado em alguma imprensa, alguns socialistas de sindicatos filiados na CGTP reuniram-se, no dia de finados, para discutirem a sua intervenção no seio da central. Como se verifica pelo pano de fundo a organização chama-se CCS/CGTP-IN, tem a mãozinha decepada , o lettering do PS e a reunião chamou-se "Valorizar o sindicalismo e lutar pela autonomia da CGTP", com intervenções do Secretariado-Geral da UGT e da nova Ministra do Trabalho...
Pronto. Assim a grande central sindical dos trabalhadores portugueses já seria autónoma do PCP para ficar atrelada ao Governo, ao PS e sabe-se lá mais a quê...
Palavras para quê???

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pintura de Werner Tübke




Frase de fim-de-semana, por Jorge



É terrível desperdiçar uma cabeça



Lema da UNCF - United Negro College Fund (organização de apoio a estudantes americanos negros






um livro sobre a deficiente construção da União Europeia


A União Europeia está a tornar-se num estado enorme, de difícil classificação em termos de direito público. Assemelha-se mais a um estado feudal ou à Arábia Saudita do que a uma democracia, no conceito em que a temos em múltiplos países europeus. Hans Peter-Martin (1) refere-se a esta questão na introdução do seu novo livro “Die Europafalle” (A armadilha da Europa).

É um livro que ilustra bem a natureza desta estrutura de poder, muitas vezes escondida atrás de grandes doses de propaganda.

“Confrontados com a estrutura europeia e com os seus Estados membros, todos os pais fundadores da democracia ocidental deviam sentir-se traídos. Em Bruxelas e Estrasburgo o desconforto aumenta. Mas em vez de enfrentar o desafio da construção defeituosa da União Europeia, preferem escondê-lo.

O lema é: a propaganda, em vez de uma reforma fundamental. Esta foi a opção tomada pela sueca Margot Wallström, Comissária responsável pela Comunicação. Nas eleições europeias de Junho de 2009, numa carta pessoal, enviou um aviso a Hans-Gert Pöttering, presidente do Parlamento Europeu: "A legitimidade do parlamento e de toda a União Europeia está em risco. A receita seria: uma ofensiva de mediática como nunca se viu.

E escreveu "Através de nossos contactos, pedimos a rádios e televisões para transmitirem uma programação mais sobre a UE e as questões europeias" (2). As representações na Comissão Europeia dos Estados-Membros devem desenvolver as suas " operações de comunicação em conformidade. " O orçamento para este efeito é de 17 milhões de euros. No final de sua carta, o vice-presidente da Comissão Europeia Presidente tranquiliza: "Como você pode ver, as operações previstas são importantes."
No procedimento do concurso para os programas sobre a EU, é particularmente solicitado que os canais os candidatos revelem não só os nomes mas “as funções e as competências linguísticas dos seus funcionários, em especial dos jornalistas", e também a sua linha editorial e que se comprometam a transmitir os programas europeus regularmente e em horário nobre. " (3). Quando este projecto foi lançado no Outono de 2008, o" Frankfurter Allgemeine Zeitung "publicou nas suas páginas culturais um artigo intitulado" A UE compra cobertura”. O subtítulo era: "Simplesmente incrível: A União Europeia paga para falarem dela favoravelmente (4).
No entanto, não se foi sensível a essas críticas, em Bruxelas. Muito pelo contrário. O Parlamento Europeu votou no seu orçamento oficial, acrescido do montante da proposta Wallström, 11,3 milhões de euros para uma "campanha de informação e comunicação" sobre as eleições de 2009. Mas até o final de 2008 ascendeu a mais que o dobro em 23.3 milhões de euros .(5). A realização dessas operações e o seu financiamento foram da responsabilidade dos Estados-Membros. Da mesma forma, os orçamentos dos grupos parlamentares "para o trabalho de informação sobre eleições para o PE tiveram um aumento de mais de 11% para 56,7 milhões de euros (6).
O truque foi o seguinte: estes aumentos assentaram em transferências orçamentais decididas no Orçamento a pedido do Presidente, e não em sessão plenária. Assim, quase ninguém percebeu. Tudo isso fez parte de uma nova estratégia de propaganda subtil destinada a dotar a UE de uma imagem mais favorável do que estava a ser oferecida pela realidade política. Assim, de acordo com um embaixador já há muito na UE "alguns meios de comunicação, incluindo o Financial Times, passaram a ter acesso privilegiado à Comissão e foram favorecidos no lançamento por antecipação de informações relativas à publicação de relatórios, como é normal em Bruxelas (7)
Obtiveram-se somas consideráveis ao somar todo o dinheiro gasto em propaganda na Europa. Além do custo dos patrocínios de eventos culturais que promovessem o espírito europeu, das inumeráveis cerimónias envolvendo os políticos da UE. Para 2008 acabaram por ser2,4 biliões os euros dos contribuintes gastos para tratar a imagem da União Europeia - mais do que gasta consigo a Coca-Cola em todo mundo! (8)".


(1) Hans Peter-Martin é jornalista austríaco e revelou diversas irregularidades nas estruturas da UE
(2) Carta de Margot Wallström, Hans-Gert Pöttering, 1/12/08.
(3) Focus, 29/9/08.

(4) Frankfurter Allgemeine Zeitung, 30/9/08, p. 42.
(5) Hans-Gert Pöttering, Pedido de transferência de dotações C30 Böge, presidente da Comissão dos Orçamentos, 27/11/08, n º 320.219.
(6) Hans-Gert Pöttering, Pedido de transferência de dotações C31, para Böge, presidente da Comissão dos Orçamentos, 24/11/08.
(7) Gregor Woschnagg, in: Behind the Scene der EU, Viena, 2007, p. 69.
(8) Despacho do CCA da Von Open Europe CCA em 26/12/08.

Como referi, esta é uma passagem do livro "Die Europafalle. Das ende von Demokratie und Wohlstand" (A Armadilha da Europa. Fim da Democracia e da prosperidade). ISBN 978-3-492-04671-8, pgs. 23 e seguintes.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Confissões...de um artigo de Jorge Cadima

Pelo «Gulag» democrático-ocidental passou Khalid Shaikh Mohammed, que vai agora a julgamento nos EUA, acusado de ser o responsável primeiro do 11 de Setembro (mas não era o Bin Laden?). Segundo o New York Times (15.11.09) «foi submetido 183 vezes à técnica de quase afogamento chamada 'waterboarding'». O jornal afirma que ele também se diz responsável «por uma série de conspirações» como «tentativas de assassinato do Presidente Bill Clinton, do Papa João Paulo II e as bombas de 1993 no World Trade Center». Mais um afogamento simulado e confessaria também ser responsável pelo aquecimento global e o sumiço de D.Sebastião em Alcácer-Quibir. Mas atente-se na vida do acusado: paquistanês, criado no Kuwait e diplomado por uma universidade americana viajou, após os estudos «para o Paquistão e o Afeganistão, a fim de se juntar aos combatentes mujahedines que, nessa altura, recebiam milhões de dólares da CIA para lutar contra as tropas soviéticas» (NYT, 15.11.09). Afeganistão hoje ocupado e onde «segundo responsáveis da NATO […] um terço dos polícias afegãos são toxicodependentes» (Sunday Times, 8.11.09). Admirável mundo novo que a «queda do Muro» pariu!


Ler artigo completo aqui.

Frase de meio da semana, por Jorge



"Se quer esquecer todas as outras preocupações, use sapatos apertados"



provérbio inglês



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Plano inclinado: um bom começo...


Acompanhei, como muitos, certamente, as duas primeiras emissões do novo programa da SIC-Notícias, em que Mário Crespo coordena intervenções de um fiscalista, ex-ministro e gestor e de dois professores universitários com experiências diferenciadas mas com capacidade para se exprimirem para além das respectivas especialidades.

Medina Carreira, Nuno Crato e João Duque têm sido claros, didácticos e, mais do que grandes conclusões, apresentam pistas.

O programa Plano Inclinado tem alguns aspectos promissores:

- enquanto oportunidade de esclarecimento sereno e descodificado da baralhação de siglas e frases feitas, parecendo-me ser acessível à generalidade dos portugueses;

- recorrer a dados estatísticos, nus e crus, sobre as questões fundamentais para quem quer esclarecer e não baralhar como fazem alguns manipuladores de estatísticas;

- não resvalar para o nacional-optimismo com que governantes e comentadores afectos disfarçam o plano que, de facto, se inclina;

- desmistificar algumas constatações adquiridas, em jeito de contrabando, como boas;

- abrir o leque de participantes em novas soluções governativas a todos os partidos com solução governamental;

Tem, para já algumas desvantagens:

- um peso excessivo das interessantes e oportunas intervenções de Medina Carreira, a quem reverencialmente se tem permitido o abuso de tempo;

- uma limitação na definição de outros paradigmas para a economia;

- uma única proposta concreta para outra política, a de limpar o aparelho do Estado do pessoal lá metido pelo PS e PSD que revelaram incapacidade em várias vertentes para governarem que, sendo compreensível no seu alcance, carece também de definição de outras políticas, como questão prévia , sendo certo que estas não poderão ser levadas à prática por quem nos tem desgovernado nestes mais de trinta anos.

Vamos acompanhar para poder avaliar melhor e poder contrapropôr ou juntar outros elementos de política alternativa.

Recolocar o regime jurídico da CP que o PS alterou para facilitar a privatização



Tal como tinha assumido na campanha eleitoral, o PCP apresentou na Assembleia da República um Projecto-Lei que revoga o Decreto com que o Governo, em Junho de 2009, decidiu aprovar um novo regime jurídico para a empresa que separa para privatização o transporte de mercadorias e abriu a porta à privatização das linhas urbanas ferroviárias. A proposta do PCP recoploca o regime jurídico anteriormente em vigor.


No entanto, o Governo não se limita a dividir a empresa em unidades de negócio, mas vai ao ponto de admitir que as mesmas podem vir a ser subconcessionadas pela CP a empresas privadas. É a mesma orientação que já foi aplicada nos serviços postais e nos CTT ao longo dos últimos anos, com os desastrosos resultados para as populações que se conhece.
A “contratualização” do serviço público de transporte chega a ser prevista na perspectiva da segmentação regional do país, dividindo o território em várias partes – como se pode constatar da alínea c) do número 3 do artigo 6.º – colocando a possibilidade de atribuição “a la carte” do serviço público de transporte. Adianta-se ainda a perspectiva em que o Governo insiste (prosseguindo a de anteriores Governos PS, PSD e CDS-PP) das “parcerias e acordos” com municípios e outras entidades «para a exploração de serviços de transporte ferroviário, designadamente através da criação de entidades jurídicas autónomas» (artigo 8.º).


Estas opções foram levadas à prática na Linha do Tua, também com os resultados que estão à vista.


Os resultados da política de entrega do serviço público aos interesses privados estão à vista, em concreto, no negócio da concessão à Fertagus do transporte ferroviário Lisboa/Setúbal: o Estado está a pagar demais, os utentes estão a pagar demais, e o serviço de transporte que está a ser prestado está muito longe de corresponder às necessidades das populações da Área Metropolitana de Lisboa.


Ao contrário do que o referido decreto-lei impõe, só com uma gestão pública integrada se pode garantir que o sistema ferroviário tenha uma dinâmica consistente, com complementaridades, interfaces adequados e segurança. Só assim o sistema ferroviário poderá desempenhar o seu papel estruturante e estratégico para a economia nacional, para as populações e para o país e contribuir para o desenvolvimento integrado, harmonioso, sustentado e solidário do nosso País, para a correcta gestão dos recursos públicos, para a defesa do emprego e da produção nacional. Com este Decreto-Lei, o Governo faz exactamente o contrário, pelo que entendemos que a Assembleia da República tem o imperativo dever de o revogar.


Verifica-se que o decreto-lei em causa, com todas as implicações que trouxe para o transporte ferroviário enquanto serviço público, e para a CP enquanto operador público nacional do caminho-de-ferro, surgiu num momento que só por si representaria evidentes dificuldades ao nível da sua apreciação e debate.


Conferência sobre a Imprensa Operária e Associativa na Voz do Operário, no próximo sábado

No âmbito das comemorações do 130º aniversário da Voz do Operário, realiza-se nas suas instalações uma conferência sobre a imprensa operária e associativa, que decorre durante todo o dia de sábado.
A importância da Voz do Operário, os temas anunciados serem abordados e os oradores que o farão, que constam no programa são garantia do interesse desta iniciativa. Apareça.

A iminência de uma 3ª guerra mundial - 3/ As "revoluções coloridas, quem as pagou e os riscos de guerra

As “revoluções coloridas” que os EUA desenharam e realizaram na Europa Oriental, exploraram, com intervenções cirúrgicas, baseadas na contra-informação, tácticas de guerrilha e subversão urbanas, e aliciamento de personalidades carismáticas em diversos meios, formação política de quadros para a direcção de grupos, descontentamentos sociais de envergaduras muito diferentes, redução das capacidades de defesa dos partidos no poder por condutas burocráticas, em que a relação partido/povo se foi perdendo em detrimento do partido/estado, deixando a maioria da população com poucas referências e crédito para o regresso a formas de capitalismo puro e duro.

E que, pelas suas consequências, gerou novos descontentamentos, em sentido contrário em que hoje é valorizado o que se perdeu com a perda do socialismo, tal como tem sido referido por diversos estudos de opinião como um recente da Pew Global.

Foi muito importante a acção de apoio, coordenada através da CIA e de embaixadas, de ONGs, bem, como de think tanks, que hoje continuam a existir e a desenvolver actividades semelhantes noutros pontos, das quais alguns clubes nacionais como o Otpor na Sérvia, a coligação para a Democracia e os Direitos Humanos e o Kelkel no Quirguistão, People PowerDemocracy, na Ucrânia, o grupo de Saakashvili, na Geórgia, etc.

O financiamento e outros meios, como a criação de canais de TV, de rádio e jornais e revistas vinham através do National Endowment for Democracy (NED), criada pelo Congresso, a United States Agency for International Development (USAID), Freedom House, o National Democratic Institute do Partido Democrático, o International Republican Institute do Partido Republicano, a Eurasian Foundation ligada ao Departamento de Estado, Rádio Europa Livre e Rádio Liberdade ou por bilionários como Georges Soros, no caso da Geórgia.

As fórmulas seguidas nestes e noutras repúblicas da Ásia Central da antiga União Soviética, foram muito semelhantes. Uma observação atenta dos noticiários dessas alturas revela-o, sem necessidade de grandes estudos.

Estas alterações, todas ocorridas nas fronteiras da Rússia, criaram situações altamente desestabilizadoras propícias à eclosão de provocações com componentes militares. Por um lado, a tentativa de retirar a Rússia do seu comércio de petróleo com o ocidente, a pirataria do gás russo feito pela Ucrânia, por outro as provocações contra repúblicas autónomas por parte de Saaskashvili, da Geórgia que originou um grande massacre a que respondeu uma intervenção russa e a declaração de independência dessas repúblicas, acções terroristas de origem “islâmica” em várias repúblicas da Federação Russa, e ainda a in stalação de bases militares e a campanha contra o carácter “ditatorial das lideranças de Putin e Medvedev, criaram uma zona altamente instável, onde se continuam a verificar movimentos contraditórios, donde pode ser despoletada uma nova guerra.

Contrariar a corrente dominante imposta por alguns media, concertados e com grandes audiências à escala global, será difícil. Admitimos. Mas é seguramente o único que pode evitar o desfigurar da História contemporânea. E o único caminho honroso para quem se reclama da esquerda, seja ele ou não comunista.

Para não alongar este post, remetia os nossos caros leitores para sites onde estas questões estão devidamente fundamentadas. Sites com origem insuspeita de estarem ligados a simpatias de esquerda.


O combate contra Milosevic, no Washington Post de 11/12/2000 e no New York Times de 26/11/2000.

A revolta na Geórgia no Globe and Mail, de 23 e 24/11/2003.

A questão da Ucrânia e do petróleo no Guardian de 26/11/2004.

O golpe de estado “pós moderno” na Ucrânia na mesma edição do Guardian e a sua cobertura televisiva no ocidente na edição do dia seguinte, no mesmo jornal em 13/5/2005.

O apoio financeiro norte-americano e de outras origens nos acontecimentos da Ucrânia, na Associated Press em 11/12/2004, no Guardian de 7/12/2004 e no Globe and Mail de 15/4/2007.

A preparação da revolta no Quirguistão no New York Times de 30/3/2005 e no Wall Street Journal de 25/2/200

Os EUA, a mitologia do “power people” e os movimentos “pró-democracia” no Guardian de 1/4/2005

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ir à ópera em Pequim, com estacionamento da bicicleta em subterrâneo...








Autor Paul Andreu.

Cobertura de vidro (permite ver o interior pelo transeunte) e titânio (não permite a visão). Dimensões do edifício (pérola barroca na água, segundo o autor. Dimensões 212 x 149 x 46 m. No meio de um lago artificial e com acesso por túnel. 21 níveis, 3 salas (ópera, concertos, teatro) e espaços de exposições. 52 elevadores. Inaugurado em Agosto de 2007, tem capacidade para 6500 pessoas. Tem estacionamento subterrâneo para 1000 carros e 1400 bicicletas.Custo 325 milhões de dólares.Há dias ouvia um entrevistado snob na RTP dizendo que os chineses eram um povo sujo…

domingo, 15 de novembro de 2009