terça-feira, 17 de novembro de 2009

A iminência de uma 3ª guerra mundial - 3/ As "revoluções coloridas, quem as pagou e os riscos de guerra

As “revoluções coloridas” que os EUA desenharam e realizaram na Europa Oriental, exploraram, com intervenções cirúrgicas, baseadas na contra-informação, tácticas de guerrilha e subversão urbanas, e aliciamento de personalidades carismáticas em diversos meios, formação política de quadros para a direcção de grupos, descontentamentos sociais de envergaduras muito diferentes, redução das capacidades de defesa dos partidos no poder por condutas burocráticas, em que a relação partido/povo se foi perdendo em detrimento do partido/estado, deixando a maioria da população com poucas referências e crédito para o regresso a formas de capitalismo puro e duro.

E que, pelas suas consequências, gerou novos descontentamentos, em sentido contrário em que hoje é valorizado o que se perdeu com a perda do socialismo, tal como tem sido referido por diversos estudos de opinião como um recente da Pew Global.

Foi muito importante a acção de apoio, coordenada através da CIA e de embaixadas, de ONGs, bem, como de think tanks, que hoje continuam a existir e a desenvolver actividades semelhantes noutros pontos, das quais alguns clubes nacionais como o Otpor na Sérvia, a coligação para a Democracia e os Direitos Humanos e o Kelkel no Quirguistão, People PowerDemocracy, na Ucrânia, o grupo de Saakashvili, na Geórgia, etc.

O financiamento e outros meios, como a criação de canais de TV, de rádio e jornais e revistas vinham através do National Endowment for Democracy (NED), criada pelo Congresso, a United States Agency for International Development (USAID), Freedom House, o National Democratic Institute do Partido Democrático, o International Republican Institute do Partido Republicano, a Eurasian Foundation ligada ao Departamento de Estado, Rádio Europa Livre e Rádio Liberdade ou por bilionários como Georges Soros, no caso da Geórgia.

As fórmulas seguidas nestes e noutras repúblicas da Ásia Central da antiga União Soviética, foram muito semelhantes. Uma observação atenta dos noticiários dessas alturas revela-o, sem necessidade de grandes estudos.

Estas alterações, todas ocorridas nas fronteiras da Rússia, criaram situações altamente desestabilizadoras propícias à eclosão de provocações com componentes militares. Por um lado, a tentativa de retirar a Rússia do seu comércio de petróleo com o ocidente, a pirataria do gás russo feito pela Ucrânia, por outro as provocações contra repúblicas autónomas por parte de Saaskashvili, da Geórgia que originou um grande massacre a que respondeu uma intervenção russa e a declaração de independência dessas repúblicas, acções terroristas de origem “islâmica” em várias repúblicas da Federação Russa, e ainda a in stalação de bases militares e a campanha contra o carácter “ditatorial das lideranças de Putin e Medvedev, criaram uma zona altamente instável, onde se continuam a verificar movimentos contraditórios, donde pode ser despoletada uma nova guerra.

Contrariar a corrente dominante imposta por alguns media, concertados e com grandes audiências à escala global, será difícil. Admitimos. Mas é seguramente o único que pode evitar o desfigurar da História contemporânea. E o único caminho honroso para quem se reclama da esquerda, seja ele ou não comunista.

Para não alongar este post, remetia os nossos caros leitores para sites onde estas questões estão devidamente fundamentadas. Sites com origem insuspeita de estarem ligados a simpatias de esquerda.


O combate contra Milosevic, no Washington Post de 11/12/2000 e no New York Times de 26/11/2000.

A revolta na Geórgia no Globe and Mail, de 23 e 24/11/2003.

A questão da Ucrânia e do petróleo no Guardian de 26/11/2004.

O golpe de estado “pós moderno” na Ucrânia na mesma edição do Guardian e a sua cobertura televisiva no ocidente na edição do dia seguinte, no mesmo jornal em 13/5/2005.

O apoio financeiro norte-americano e de outras origens nos acontecimentos da Ucrânia, na Associated Press em 11/12/2004, no Guardian de 7/12/2004 e no Globe and Mail de 15/4/2007.

A preparação da revolta no Quirguistão no New York Times de 30/3/2005 e no Wall Street Journal de 25/2/200

Os EUA, a mitologia do “power people” e os movimentos “pró-democracia” no Guardian de 1/4/2005

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ir à ópera em Pequim, com estacionamento da bicicleta em subterrâneo...








Autor Paul Andreu.

Cobertura de vidro (permite ver o interior pelo transeunte) e titânio (não permite a visão). Dimensões do edifício (pérola barroca na água, segundo o autor. Dimensões 212 x 149 x 46 m. No meio de um lago artificial e com acesso por túnel. 21 níveis, 3 salas (ópera, concertos, teatro) e espaços de exposições. 52 elevadores. Inaugurado em Agosto de 2007, tem capacidade para 6500 pessoas. Tem estacionamento subterrâneo para 1000 carros e 1400 bicicletas.Custo 325 milhões de dólares.Há dias ouvia um entrevistado snob na RTP dizendo que os chineses eram um povo sujo…

domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge




"A Terra não está a morrer. Está a ser morta, e as pessoas que a matam têm nomes e moradas"


Utah Phillips (sindicalista, anarquista, poeta e cantor popular do Utah, EUA - 1935-2008)

Cuidado com as cabeças...


Se você tiver umas massas, experimente visitar a ilha St. Martin (St. Maarten, em holandês), nas Caraíbas ali para os lados de Porto Rico.

Como irá de avião, ao aterrar experimente a sensação de ir acabar com a vida dos banhistas (ou com a sua). Depois, a banhos distraia-se a fazer fotos a aviões que nunca viu sobrevoarem tão perto a sua cabeça...
O aeroporto tem cerca de 1200 metros de cumprimento (ver localização no mapa) e a ilha 87 km2, dividida por uma administração francesa e outra holandesa.

Vox populi


Cinco bancos ganham 5 milhões por dia. O Silva Lopes, que acha que os salários não devem aumentar, recebeu 400 mil do Montepio e já é administrador da EDP Renováveis. O Godinho terá corrompido com 500 mil uns competentes decisores de adjudicações de empreitadas. Eu tive um aumento de 4 euros/mês na pensão. Com toda esta malta a sacar, pode ser que a polícia não se meta comigo se começar a vender uma frutinha nas esquinas...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A iminência de uma 3ª guerra mundial - 2/ O fim da URSS, o desencadear de novas estratégias imperialistas e uma sucessão de guerras e conflitos

Depois do fim da URSS em 2001, os EUA e a NATO definiram e executaram objectivos e acções, de onde se destacam o cerco à Rússia e à China para impedir o surgimento de novas superpotencias que pusessem em risco o domínio imperial dos EUA, nomeadamente no grande continente euro-asiático (Eurásia) que seria garantido pelo domínio hegemónico nos planos militares, políticos e informativos, e que garantiria o domínio financeiro internacional e uma nova ordem mundial.

Estes objectivos e acções não são propaganda dos adversários. Estão claramente definidos em documentos-guia classificados, que foram sendo revelados, com toda a crueza da linguagem.


Na definição desses objectivos destacaram-se, por exemplo:


“The Defense Planning Guidance” (“New World Order”), do sub-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, de 1992, e comentado por Patrick E. Taylor no New York Times de 8 de Março do mesmo ano.

“PNAC, Rebuilding America´s Defenses. Project for a New American Century”, de Setembro de 2000 (ver particularmente as páginas 6, 8, 9, 14 e outras)

“The Grand Chessboard: American Primacy and its Geoestrategic Imperatives”, de Zbigniew Brzezinski, Basic Books, 1997 (ver em particular as páginas 30, 31, ,40, 41, 55, 124, 148, 198 e xiv).

“Joint Vision 2020: Full Spectrum Dominance”, do Pentágono, de 2000.

Comentado, por exemplo, pela economista Ellen Meiksins Wood em Empire of Capital”, Verso, 2003 (ver especialmente páginas 144, 157 e 160)


Quanto às acções, coerentes com os objectivos estratégicos neles definidos, deram-se e mantêm-se hoje a decorrer.

Naturalmente que encontram oposição e, para o imperialismo, não são o mesmo que passear despreocupadamente na 5ª Avenida.


O longo desmembrar da ex-Jugoslávia, com o cúmulo do reconhecimento da independência do Kosovo nas mãos do UÇK, grupo terrorista de narcotraficantes apoiado na Máfia Albanesa, os bombardeamentos de Belgrado (a que pude assistir…), o reforço militar e de capacidade de intervenção da NATO, “fora da lógica” para que tinha sido criada, o “novo Pearl Harbour”, que um desses documentos evidenciava como um sacrifício que os EUA teriam que fazer para bem desses objectivos estratégicos, e que se viria a chamar “11 de Setembro” (pese embora os detractores de tal "teoria da conspiração"...), a NATO a, pela primeira vez, invadir um grande país, o Afeganistão, para aí se manter, depois numa segunda guerra ainda a decorrer, a guerra no Iraque e o reacender da política de guerra fria, especialmente contra a Rússia e a China, são muitos acontecimentos trágicos, de enorme gravidade.


Qualquer “pró-ocidental”, de pensamento independente, não se deixará de interrogar sobre a coerência da sua sucessão para uma estratégia de expansão imperial e sobre a invocada razão do terrorismo e fundamentalismo islâmicos invocados, a propósito de tais acções, como defesa contra tais “ameaças”. …


(a continuar)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma fotografia, comentário de Manuel Augusto Araújo

Ao ver este magnifico video sobre a estetização da violência, que também comporta a sua banalização fui buscar este magnifico texto escrito porBenjamin em 1936!

Fiat ars-pereat mundus,(1) diz o fascismo e, como Marinetti reconhece,espera que a guerra forneça a satisfação artística da percepção dos sentidosalterados pela técnica. Isto é, evidentemente, a consumação da l'art pour l'art.
A humanidade que, outrora, com Homero, era objecto de contemplação para os deuses do Olimpo, é agora objecto de autocontemplação. A sua auto-alienação atingiu um grau tal que lhe permite assistir à sua própria destruição, como um prazer estético de primeiro plano. É isto que se passa com a estética da política, praticada pelo fascismo. O comunismo responde-lhe com a politização da arte.

Walter Benjamin, in A obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica

(1) Que a arte se realize, mesmo que o mundo deva perecer

http://video.bugun.com.tr/bugunPlayer.swf?file=dagilfilm.flv

A iminência de uma 3ª guerra mundial – 1/ Introdução

No dia 16 de Outubro passado, Andrew Gavin Marshall, expressou no Global Research a ideia de que do declínio e colapso do império americano aumentou drasticamente o risco de que o seu fim ocorra de forma violenta, com uma nova guerra mundial

O autor socorre-se do paralelismo com a decadência das grandes potências europeias que originou as 1ª e 2ª guerras mundiais, com a grande depressão pelo meio, e lembrando que o império norte-americano, que começou a dar os seus primeiros passo quando entrou na 1ª guerra só no seu final e saiu da 2ª como império consolidado e “protector” da Europa parcialmente destruída.


Já outros autores a esta questão se têm referido, ao testemunharem a decadência do novo império que tem dominado o sistema monetário internacional e a economia política à escala global. (a continuar)

Frase de meio da semana, por Jorge



"Os cisnes pertencem à mesma família dos patos, mas são cisnes."



provérbio turco

Crítica - Máquina de Somar, de Ana Campos

De Joshua Schmidt; libretto de Jason Loewith e Joshua Schmidt, baseado na peça Adding Machine de Elmer Rice; tradução Ana Zanatti; encenação de Fernanda Lapa; direcção musical de João Paulo Soares; com Henrique Feist, Luís Madureira, Luísa Brandão, Joana Manuel, Luís Gaspar, Andreia Ventura, Bruno Cochat, Joana Campelo, Sérgio Lucas e os músicos Francisco Cardoso, Daniel Hewson, João Paulo Soares. Sala principal do Teatro da Trindade, Lisboa, de 17 de Outubro a 24 de Novembro.

Está a passar estranhamente despercebida este muito surpreendente espectáculo de Fernanda Lapa. Herdeiro do musical, embora como a própria encenadora afirma sobre o espectáculo, tenha com ele apenas breves pontos de contacto, Máquina de Somar é uma transposição para o Portugal dos anos 20...30 do drama imaginado por Elmer Rice na América dos anos 20 de um homem, o Sr. Zero, que, ao fim de 25 anos de trabalho dedicado como contabilista, quando sonha ser promovido, é despedido e substituído por uma máquina de somar. O Sr. Zero não aceita este final para a sua vida e muda o curso da história.
O espectáculo, que consegue momentos de grande beleza plástica graças aos cenários e figurinos de António Lagarto, articula com mestria a transposição das canções para o diálogo. As vozes dos intérpretes impressionam, bem como a inusitada narrativa que consegue momentos verdadeiramente hilariantes, quando o Sr. Zero canta, por exemplo, o seu apreço por ovos com salsichas. A este lado caricatural alia-se uma actual e mais profunda crítica à sociedade contemporânea onde a economia trucida o trabalho de uma vida e defrauda o reconhecimento esperado.

O desenlace da história, contudo, quebra a qualidade mantida até então caindo no ridículo desconcertante e pouco oportuno. Considero, ainda assim, extraordinariamente necessária esta procura de um teatro que alie o espectáculo a uma forte reflexão sobre a sociedade em que vivemos e o curso que lhe estamos a dar.Há qualquer coisa de brechtiano aqui.
Como afirmei no início o espectáculo merece, sem qualquer dúvida, maior visibilidade junto do público e da crítica. Não é todos os dias que se montam produções desta qualidade e envergadura.


PS - Com o agradecimento a Ana Campos, em proponho.blogspot.com

homenagem a uma pequena gigante, por J







Foi esta noite no Centro Cívico de Carnaxide (na Isaltinolândia), a propósito dos 60 anos de carreira da Mª João Pires (60 anos!)

Normal o extraordinário da presença de dois outros grandes (mas não tanto):
- António Vitorino de Almeida
- Carlos do Carmo (cada vez mais "Charles of the Charm")

que fecharam em conjunto com um improviso magnífico do superlativo "Fado do Campo Grande" em dó sustenido menor (Vitorino de Almeida e letra do Ary), o fado dos fados!

A Mª João Pires é um ser de outro mundo, é preciso vê-la. Julgava por uma vez não ter que tocar piano... Tocou apenas 1 minuto, como agradecimento ao Armando Caldas, o organizador. Foi 1 minuto de paraíso...

Apontamento sobre um contraste interessante:
1) na mensagem do Saramago: "Mª João Pires teve o azar de nascer em Portugal, etc."
2) nas últimas palavras do C.Carmo: "Orgulho-me de ter nascido no país onde nasceu Mª João Pires".
Dois pontos de vista tão diferentes, não é?
Qual deles escolhem?

J.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Contra o muro de Gaza

Abdullah Abu Rahma, coordenador do Comité Popular Contra o Muro afirmou ontem:

“Hoje assinalam-se 20 anos sobre a queda do muro de Berlim. Por isso realizamos hoje em toda a Palestina para que seja destruído o Muro de Gaza. A campanha chama-se “Vamos para Jerusalém”, com o objectivo de chegar a Jerusalém, a Cidade Santa, que é importante para o povo palestiniano, que está impedido de nela entrar. Iniciamos assim as nossas actividades, que fazemos para expressar que queremos a nossa terra e recusamos este muro de tortura e humilhação."

O virtuosismo de Sasha

92 anos de uma lição para a história de sufragistas norte-americanas





No próximo dia 15 passam 92 anos sobre a Noite do Terror em frente à Casa Branca. Dias depois de iniciada a revolução russa, onde as mulheres passaram a ter direito de voto.
A sua luta neste dia e nos seguintes foi determinante para três anos depois, o presidente Wilson ser obrigado a reconhecer esse direito nos EUA.
Foram muitas as mulheres que nesse dia se concentraram em frente à Casa Branca, fazendo piquetes e ostentando cartazes onde se exigia o direito de voto (primeira foto).
De entre elas, 33 foram presas (segunda foto), com a acusação falsa de terem impedido a circulação, e ao final desse dia algumas quase tinham perdido a vida. Quarenta guardas armados de bastões espancaram-nas violentamente. Lucy Barns foi presa às grades, com as mãos amarradas acima da cabeça. Dora Lewis (terceira foto)foi empurrada para uma cela onde lhe partiram a cabeça contra uma cama de ferro tendo-a espancado depois ao frio.
Mas todas foram agarradas e arrastadas pelos guardas que as espancaram, asfixiaram, torceram e pontapearam.
Nas semanas seguintes a água para as prisioneiras era entregue em baldes abertos e a alimentação, descorada, estava sempre infestada de vermes...
Quando uma das líderes do moivmento, Alice Paul (quarta foto), começou uma greve da fome, ataram-na a uma cadeira e forçaram-lhe a ingestão de água por um tubo até vomitar. Continuaram a torturá-la com isto durante semanas até que a imprensa denunciou o caso.
Neste ano de 2009 também passam oitenta anos sobre a conquista do direito do voto no Canadá.

sábado, 7 de novembro de 2009

92 anos sobre a Revolução Russa

Passam hoje 92 anos sobre a Revolução de Outubro.

Se antes desse conjunto de actos revolucionários, várias revoluções não sucedidas expressaram a vontade dos trabalhadores e de outras camadas da população de construírem uma nova vida para o ser humano que ultrapassasse a condição a que o capitalismo os tinha votado, e mesmo com um peso numérico mais expressivo do operariado, sem dúvida que a Revolução de Outubro marcou uma época histórica, que em muitos aspectos se mantém, pelo pioneirismo da sua vitória e da capacidade de construir uma nova sociedade, pelas suas realizações e repercussão universal.


O campo socialista europeu alargou-se depois da 2ª guerra com transformações em países onde as camadas dirigentes tinham sido apoiantes de Hitler mas onde havia também uma forte influência comunista que foi o tronco dos movimentos de resistência. Sob o seu impacto formaram-se partidos comunistas em quase todo o mundo com esse ou outros nomes que assumiram, com o apoio dos seus povos, o poder. Na China, na Coreia, em Cuba, no Vietname, no Laos e Cambodja.

O seu apoio foi fundamental para o êxito dos movimentos nacionais libertadores em antigas colónias (apoio militar, formação política e científica de quadros, apoio económico) dos anos 50 aos anos 70 de século passado.

A presença destes países e do movimento dos não alinhados deu à ONU e aos seus organismos específicos (FAO, UNESCO; UNICEF, OMS, etc.) um peso importante na regulação de conflitos, na contenção da natureza agressiva do imperialismo, em importantes tratados internacionais, e no acorrer às principais carências dos países do terceiro mundo, em ascensão libertadora, vítimas do colonialismo, da pilhagem de matérias primas, dos garrotes de dívidas e vinculação dos programas do BM e FMI à ingerência política interna nos seus processos nacionais.


O movimento sindical de muitos países bem como outros movimentos sociais beneficiaram do exemplo das conquistas sociais, económicas e culturais nos então países socialistas como factor de pressão e de realismo para com as suas próprias ambicionadas conquistas.


URSS e EUA, mas também outros países de ambos os lados, desenvolveram uma competição pacífica em várias áreas (no espaço, no desporto, na cultura, etc.).


Mas o campo socialista foi-se exaurindo devido à corrida aos armamentos (necessária enquanto factor de dissuasão) e a alguns aspectos desta competição, ao apoio a fundo perdido aos movimentos revolucionários e de libertação em todo o mundo, subestimou a concorrência do ocidente capitalista na qualidade, acesso e preços de bens de consumo quer de primeira necessidade quer de outros que conferiam estatutos valorizados aos cidadãos. Para além de, no plano político, se terem burocratizado, confundindo Partido e Estado, adiando um maior alargamento da democracia poilítica interna, e contribuindo para a degenerescência de quadros que nos anos 90 se tornaram dos mais empenhados capitalistas e contra-revolucionários. Incluindo alguns dos seus mais destacados dirigentes, como Gorbatchev ou Chevardenaze.


Com o campo socialista o mundo deixou de ser unipolar, para bem de cada país e de conjuntos de países poderem ter um aceso menos condicionado ao desenvolvimento.


Propaganda e espionagem existiam obviamente de ambos os lados mas importa distinguir quem apoiou contra-revoluções e massacres contra forças progressistas, quem lançou a

bomba atómica contra o seu semelhante, quem desenvolveu armas convencionais e químicas e preparou agressões na base de vírus e bactérias, quem cobriu o planeta de bases militares, quem ainda no século XX foi o campeão das invasões e tentativas de invasão de tantos países e da condução de guerras de agressão e pilhagem, quem se aliou com o diabo em tantas circunstâncias em nome do anticomunismo. O que nestes campos se fez, em resposta, no campo socialista, não rivaliza nem de perto nem de longe com a intencionalidade e os níveis atingidos pelos EUA e pela NATO, sua criação do pós-guerra para liquidar a Rússia, operação que hoje se mantém, com outras características.

Os avanços em quase todas as áreas dos países que integraram o campo socialista realizaram-se num tempo histórico bem mais curto que o capitalismo e tiveram uma larga amplitude democratica assumida como questão de princípio. O seu exemplo foi muito importante para os êxitos de trabalhadores nos países capitalistas e ajudou a criar uma relação menos desiquilibrada entre trabalho e capital.


O papel da URSS no curso da 2ª guerra mundial foi não só importante mas, de facto, decisivo.

Hitler foi apoiado desde o início pelo capital alemão para acabar com o comunismo. Algumas grandes multinacionais americanas apoiaram-no com esse objectivo. Os governos de França e Inglaterra bem como o de vários países que faziam fronteira com a URSS apoiavam este objectivo de Hitler, com um comportamento semelhante ao que tinham tido para impedir a vitória da revolução russa. Os americanos tardaram a entrar na guerra e só o fizeram quando se pronunciava a derrota fascista a leste. Os bombardeamentos selváticos de Hiroshima, Nagasaki, de Dresden e outras cidades alemãs não eram militarmente necessários e foram uma aposta contra a progressão da Rússia na Europa e na Manchúria.


A derrocada do socialismo no leste, a que se costuma associar simplificadamente “a queda do muro”, teve efeitos desastrosos interna e externamente, apesar do apoio ou indiferença com que muitos habitantes destes países enfrentaram esta transformação na ausência de vanguardas políticas respeitadas e mobilizadoras para que eles se libertassem dos erros sem caírem no retrocesso histórico do regresso ao capitalismo que, de forma selvática fez sucumbir direitos adquiridos fundamentais dos cidadãos.


Sobre isso muito se tem escrito e não me alongaria agora nessa matéria.


A Revolução de Outubro foi interrompida mas a sua gesta e as suas realizações, a sua memória na humanidade e a persdonalidade, vida e obra de Lenine, têm uma força muito importante num mundo que quer romper os efeitos da globalização capitalista, e vai abrindo caminho com novos processos de carácter revolucionário, para emancipações sociais, económicas, políticas e culturais, bem como novas centralidades e equilíbrios (não isentos de contradições).

Por tudo isso, uma vez mais e sempre, VIVA A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Omnia quae scripsi mihi videtur ut palea"
"Tudo o que escrevi me parece palha"


Tomás de Aquino (próximo da morte, em 1274)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cartoon de Monjinho

in Avante!

Crónica do Rodrigo - Borregando, borregando, se irão vitimizando


Andava eu ainda embalado pelo luque de diálogo do nosso primeiro, não é que ontem dois destacados socialistas dizem, a propósito destes novos casos de corrupção, que não deviam os deputados, que vocês elegeram há umas semanas, andarem ligeiros e porem-se "à pressão" a aprovar a criminalização do enriquecimento ilícito, grande frase a que prefiro o vais de cana se andaste a roubar, para não se pensar que era para esta cena do Vara, dos Penedos e do Godinho, e eu aí comecei a pensar que, como estão para aparecer outras cenas destas, a gente até alargava o prazo de vigência das oportunidades de negócios de outros craques empreendedores lá para as calendas, sem risco de aprovações à pressão lhes estragarem o planeamento do gamanço, dando saudável continuidade à rejeição pelo ps duma proposta dos comunas na defunta legislatura que andava a torná-los inseguros e a desfocar os seus capitais de risco até porque muitos já sabem que a judite lhes anda morder as canelas e como as nossas reservas de ouro estão em risco era bom continuar com o toque do midas com que a bófia em boa hora tem batizado estas cenas, como a do apito dourado, do outlet que também devia ser dourado, agora as empresas douradas do Godinho que boa falta nos farão se as reservas forem à vida com algum novo borregar como aquele do Lacão ter estalado a laca ou o verniz a propósito da avaliação dos profs que é para ficar como está, ao que o Assis, deputado-bombeiro, acudiu mas já se estava no rescaldo do incêndio, e que a malta da oposição estava era a meter-se numa querela jurídico-constitucional, os nomes que estes tipos arranjam para me atrapalharem a semântica, pondo-os logo de aviso que o governo ia usar todos os truques, que ele chamou de técnica jurídica, para responder às estocadas e proclamar, urbiétórbi, que estavam a querer vitimizá-lo e que até se iam deixar vitimizar uma, duas, muitas vezes até que os ceguinhos dos portugueses se arrependessem de lhes terem tirado a maioria absoluta, que o Zé Miguel Júdice ontem, no TVI24 curruburou, está certo ó edite?, não é que o magano está feito com o nosso primeiro para desgosto do psd, bom, e com esta me vou antes que me vitimizem a mim, e...passem bem pessoal da pesada. Inté!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A vergonha dos muros...Festejar? O quê?

O muro de Berlim deixou de existir há 20 anos






Mas o dos EUA com o México existe há 15





o de Israel com a Cisjordânia passados 7 anos ainda lá está







O de Marrocos com o Sahara Ocidental há 30 anos...





E tantos outros mesmo mais pequenos
(este na aldeia de Ostrovany, na
Eslováquia a isolar um grupo de ciganos)

Frase de meio da semana, por Jorge


"A vida é uma doença mortal transmitida por via sexual"


Distímico anónimo