
"A Terra não está a morrer. Está a ser morta, e as pessoas que a matam têm nomes e moradas"
Utah Phillips (sindicalista, anarquista, poeta e cantor popular do Utah, EUA - 1935-2008)
Blogue de António Abreu - Pontos de vista de esquerda,com a preocupação de tornar melhor a vida do ser humano e de contribuir para esse combate, abertos às opiniões de quem nos queira visitar



Estes objectivos e acções não são propaganda dos adversários. Estão claramente definidos em documentos-guia classificados, que foram sendo revelados, com toda a crueza da linguagem.
Na definição desses objectivos destacaram-se, por exemplo:
“The Defense Planning Guidance” (“New World Order”), do sub-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, de 1992, e comentado por Patrick E. Taylor no New York Times de 8 de Março do mesmo ano.
“PNAC, Rebuilding America´s Defenses. Project for a New American Century”, de Setembro de 2000 (ver particularmente as páginas 6, 8, 9, 14 e outras)
“The Grand Chessboard: American Primacy and its Geoestrategic Imperatives”, de Zbigniew Brzezinski, Basic Books, 1997 (ver em particular as páginas 30, 31, ,40, 41, 55, 124, 148, 198 e xiv).
“Joint Vision 2020: Full Spectrum Dominance”, do Pentágono, de 2000.
Comentado, por exemplo, pela economista Ellen Meiksins Wood em “Empire of Capital”, Verso, 2003 (ver especialmente páginas 144, 157 e 160)
Quanto às acções, coerentes com os objectivos estratégicos neles definidos, deram-se e mantêm-se hoje a decorrer.
Naturalmente que encontram oposição e, para o imperialismo, não são o mesmo que passear despreocupadamente na 5ª Avenida.
O longo desmembrar da ex-Jugoslávia, com o cúmulo do reconhecimento da independência do Kosovo nas mãos do UÇK, grupo terrorista de narcotraficantes apoiado na Máfia Albanesa, os
bombardeamentos de Belgrado (a que pude assistir…), o reforço militar e de capacidade de intervenção da NATO, “fora da lógica” para que tinha sido criada, o “novo Pearl Harbour”, que um desses documentos evidenciava como um sacrifício que os EUA teriam que fazer para bem desses objectivos estratégicos, e que se viria a chamar “11 de Setembro” (pese embora os detractores de tal "teoria da conspiração"...), a NATO a, pela primeira vez, invadir um grande país, o Afeganistão, para aí se manter, depois numa segunda guerra ainda a decorrer, a guerra no Iraque e o reacender da política de guerra fria, especialmente contra a Rússia e a China, são muitos acontecimentos trágicos, de enorme gravidade.
Qualquer “pró-ocidental”, de pensamento independente, não se deixará de interrogar sobre a coerência da sua sucessão para uma estratégia de expansão imperial e sobre a invocada razão do terrorismo e fundamentalismo islâmicos invocados, a propósito de tais acções, como defesa contra tais “ameaças”. …
Ao ver este magnifico video sobre a estetização da violência, que também comporta a sua banalização fui buscar este magnifico texto escrito porBenjamin em 1936!
Fiat ars-pereat mundus,(1) diz o fascismo e, como Marinetti reconhece,espera que a guerra forneça a satisfação artística da percepção dos sentidosalterados pela técnica. Isto é, evidentemente, a consumação da l'art pour l'art.
A humanidade que, outrora, com Homero, era objecto de contemplação para os deuses do Olimpo, é agora objecto de autocontemplação. A sua auto-alienação atingiu um grau tal que lhe permite assistir à sua própria destruição, como um prazer estético de primeiro plano. É isto que se passa com a estética da política, praticada pelo fascismo. O comunismo responde-lhe com a politização da arte.
Walter Benjamin, in A obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica
(1) Que a arte se realize, mesmo que o mundo deva perecer
http://video.bugun.com.tr/bugunPlayer.swf?file=dagilfilm.flv
No dia 16 de Outubro passado, Andrew Gavin Marshall, expressou no Global Research a ideia de que do declínio e colapso do império americano aumentou drasticamente o risco de que o seu fim ocorra de forma violenta, com uma nova guerra mundial O autor socorre-se do paralelismo com a decadência das grandes potências europeias que originou as 1ª e 2ª guerras mundiais, com a grande depressão pelo meio, e lembrando que o império norte-americano, que começou a dar os seus primeiros passo quando entrou na 1ª guerra só no seu final e saiu da 2ª como império consolidado e “protector” da Europa parcialmente destruída.
Já outros autores a esta questão se têm referido, ao testemunharem a decadência do novo império que tem dominado o sistema monetário internacional e a economia política à escala global. (a continuar)
De Joshua Schmidt; libretto de Jason Loewith e Joshua Schmidt, baseado na peça Adding Machine de Elmer Rice; tradução Ana Zanatti; encenação de Fernanda Lapa; direcção musical de João Paulo Soares; com Henrique Feist, Luís Madureira, Luísa Brandão, Joana Manuel, Luís Gaspar, Andreia Ventura, Bruno Cochat, Joana Campelo, Sérgio Lucas e os músicos Francisco Cardoso, Daniel Hewson, João Paulo Soares. Sala principal do Teatro da Trindade, Lisboa, de 17 de Outubro a 24 de Novembro.PS - Com o agradecimento a Ana Campos

Foi esta noite no Centro Cívico de Carnaxide (na Isaltinolândia), a propósito dos 60 anos de carreira da Mª João Pires (60 anos!)
Normal o extraordinário da presença de dois outros grandes (mas não tanto):
- António Vitorino de Almeida
- Carlos do Carmo (cada vez mais "Charles of the Charm") 
que fecharam em conjunto com um improviso magnífico do superlativo "Fado do Campo Grande" em dó sustenido menor (Vitorino de Almeida e letra do Ary), o fado dos fados!
A Mª João Pires é um ser de outro mundo, é preciso vê-la. Julgava por uma vez não ter que tocar piano... Tocou apenas 1 minuto, como agradecimento ao Armando Caldas, o organizador. Foi 1 minuto de paraíso...
Apontamento sobre um contraste interessante:
1) na mensagem do Saramago: "Mª João Pires teve o azar de nascer em Portugal, etc."
2) nas últimas palavras do C.Carmo: "Orgulho-me de ter nascido no país onde nasceu Mª João Pires".
Dois pontos de vista tão diferentes, não é?
Qual deles escolhem?
J.
que seja destruído o Muro de Gaza. A campanha chama-se “Vamos para Jerusalém”, com o objectivo de chegar a Jerusalém, a Cidade Santa, que é importante para o povo palestiniano, que está impedido de nela entrar. Iniciamos assim as nossas actividades, que fazemos para expressar que queremos a nossa terra e recusamos este muro de tortura e humilhação."



Passam hoje 92 anos sobre a Revolução de Outubro.Se antes desse conjunto de actos revolucionários, várias revoluções não sucedidas expressaram a
vontade dos trabalhadores e de outras camadas da população de construírem uma nova vida para o ser humano que ultrapassasse a condição a que o capitalismo os tinha votado, e mesmo com um peso numérico mais expressivo do operariado, sem dúvida que a Revolução de Outubro marcou uma época histórica, que em muitos aspectos se mantém, pelo pioneirismo da sua vitória e da
capacidade de construir uma nova sociedade, pelas suas realizações e repercussão universal.
O campo socialista europeu alargou-se depois da 2ª guerra com transformações em países onde as camadas dirigentes tinham sido apoiantes de Hitler mas onde havia também uma forte influência comunista que foi o tronco dos movimentos de resistência. Sob o seu impacto formaram-se partidos comunistas em quase todo o mundo com esse ou outros nomes que assumiram, com o apoio dos seus povos, o poder. Na China, na Coreia, em Cuba, no Vietname, no Laos e Cambodja. 
A presença destes países e do movimento dos não alinhados deu à ONU e aos seus organismos específicos (FAO, UNESCO; UNICEF, OMS, etc.) um peso importante
na regulação de conflitos, na contenção da natureza agressiva do imperialismo, em importantes tratados internacionais, e no acorrer às principais carências dos países do terceiro mundo, em ascensão libertadora, vítimas do colonialismo, da pilhagem de matérias primas, dos garrotes de dívidas e vinculação dos programas do BM e FMI à ingerência política interna nos seus processos nacionais.
O movimento sindical de muitos países bem como outros movimentos sociais beneficiaram do exemplo das conquistas sociais, económicas e culturais nos então países socialistas como factor de pressão e de realismo para com as suas próprias ambicionadas conquistas.
URSS e EUA, mas também outros países de ambos os lados, desenvolveram uma competição pacífica em várias áreas (no espaço, no desporto, na cultura, etc.).
Mas o campo socialista foi-se ex
aurindo devido à corrida aos armamentos (necessária enquanto factor de dissuasão) e a alguns aspectos desta competição, ao apoio a fundo perdido aos movimentos revolucionários e de libertação em todo o mundo, subestimou a concorrência do ocidente capitalista na qualidade, acesso e preços de bens de consumo quer de primeira necessidade quer de outros que conferiam estatutos valorizados aos cidadãos. Para além de, no
plano político, se terem burocratizado, confundindo Partido e Estado, adiando um maior alargamento da democracia poilítica interna, e contribuindo para a degenerescência de quadros que nos anos 90 se tornaram dos mais empenhados capitalistas e contra-revolucionários. Incluindo alguns dos seus mais destacados dirigentes, como Gorbatchev ou Chevardenaze.
Com o campo socialista o mundo deixou de ser unipolar, para bem de cada país e de conjuntos de países poderem ter um aceso menos condicionado ao desenvolvimento.
Propaganda e espionagem existiam obviamente de ambos os lados mas importa distinguir quem apoiou contra-revoluções e massacres contra forças progressistas, quem lançou a
bomba atómica contra o seu semelhante, quem desenvolveu armas convencionais e químicas e preparou agressões na base de vírus e bactérias, quem cobriu o planeta de bases militares, quem ainda no século XX foi o campeão das invasões e tentativas de invasão de tantos países e da
condução de guerras de agressão e pilhagem, quem se aliou com o diabo em tantas circunstâncias em nome do anticomunismo. O que nestes campos se fez, em resposta, no campo socialista, não rivaliza nem de perto nem de longe com a intencionalidade e os níveis atingidos pelos EUA e pela NATO, sua criação do pós-guerra para liquidar a Rússia, operação que hoje se mantém, com outras características.
Os avanços em quase todas as áreas dos países que integraram o campo socialista realizaram-se num tempo histórico bem mais curto que o capitalismo e tiveram uma larga amplitude democratica assumida como questão de princípio. O seu exemplo foi muito importante para os êxitos de trabalhadores nos países capitalistas e ajudou a criar uma relação menos desiquilibrada entre trabalho e capital.
O papel da URSS no curso da 2ª guerra mundial foi não só importante mas, de facto, decisivo.
Hitler foi apoiado desde o início pelo capital alemão para acabar com o comunismo.
Algumas grandes multinacionais americanas apoiaram-no com esse objectivo. Os governos de França e Inglaterra bem como o de vários países que faziam fronteira com a URSS apoiavam este objectivo de Hitler, com um comportamento semelhante ao que tinham tido para impedir a vitória da revolução russa. Os americanos tardaram a entrar na guerra e só o fizeram quando se pronunciava a derrota fascista a leste. Os bombardeamentos selváticos de Hiroshima, Nagasaki, de Dresden e outras cidades alemãs não eram militarmente necessários e foram uma aposta contra a progressão da Rússia na Europa e na Manchúria.
A derrocada do socialismo no leste, a que se costuma associar simplificadamente “a queda do muro”, teve efeitos desastrosos interna e externamente, apesar do apoio ou indiferença com que muitos habitantes destes países enfrentaram esta transformação na ausência de vanguardas políticas respeitadas e mobilizadoras para que eles se libertassem dos erros sem caírem no retrocesso histórico do regresso ao capitalismo que, de forma selvática fez sucumbir direitos adquiridos fundamentais dos cidadãos.
Sobre isso muito se tem escrito e não me alongaria agora nessa matéria.
A Revolução de Outubro foi interrompida mas a sua gesta e as suas realizações, a
sua memória na humanidade e a persdonalidade, vida e obra de Lenine, têm uma força muito importante num mundo que quer romper os efeitos da globalização capitalista, e vai abrindo caminho com novos processos de carácter revolucionário, para emancipações sociais, económicas, políticas e culturais, bem como novas centralidades e equilíbrios (não isentos de contradições).
Por tudo isso, uma vez mais e sempre, VIVA A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO!
O presidente do Banco de Portugal considerou que a suspensão de funções pedida por Armando Vara tinha sido um acto importante. De idêntica declaração de João Berardo se poderá dizer o mesmo, apesar de não estar associado à responsabilidade institucional do primeiro. Ou ainda de Faria de Oliveira da CGD...Muita coisa nesta vida é importante…Mas esta declaração tem uma leitura valorativa que a uma pessoa como o Dr. Vítor Constâncio não pode ignorar e, portanto, legitima que pensemos que é um contributo de simpatia para a pessoa de Armando Vara sobre a qual caem sérios indícios de envolvimento num esquema tentacular de vários protagonistas obterem favorecimentos de empresas a partir de pessoas conhecidas que desempenham funções nelas onde adjudicam altos valores de empreitadas, bens e serviços.
Mas, em que reside a importância atribuída? No facto de ter tido a confiança do governo para ser nomeado administrador vice-presidente do BCP e isso ser importante para não estragar ainda mais a imagem de uma instituição já lesada por um perfil de banqueiros que, pelos vistos, está no top de desempenhos? No facto de Armando Vara deixar, assim, de receber o meio milhão de contos que recebia por ano, dando um importante exemplo de desapego por bens materiais?
Para as pessoas em geral o que se está a passar é uma vergonha. É algo que tem que ser atalhado com medidas efectivas e céleres de combate à corrupção. O abrigo da punição, obtido por jogos de influência e disponibilidade de pagamentos de elevados honorários a advogados que permitem enviar para as calendas os resultados destes processos, contraria o que devia ser exemplar. Protege e promove este tipos de comportamentos.
E se a corrupção vale a pena mais imunes e tentados ficam outros seguidores de tais comportamentos, que adquirem laivos de heroicidade, premiando o xico-espertismo e o crime. Porque aos que não têm esses meios de defesa e de protelamento de riscos não falha o rigor da justiça.
Sem violar a presunção da inocência - o preceito de que suspeita e arguição não são a mesma coisa que culpa provada - tais atestados públicos de sinal positivo aos eventuais prevaricadores de colarinho branco estão a modelar perigosos padrões de comportamento que já hoje perpassam a sociedade.
Faleceu com 64 anos, Carlos Grilo, militante e dirigente do PCP.
O seu funeral realizou-se hoje para o Cemitério dos Olivais, onde o seu corpo foi cremado.
Participou activamente na luta antifascista, nomeadamente nas campanhas da Oposição Democrática de 1969 e 1973 através da CDE (Comissão Democrática Eleitoral). Como empregado bancário, integrou o grupo de activistas sindicais que, em 1968, dinamizou o processo de eleições para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, que viria a culminar com a eleição da primeira Direcção representativa dos trabalhadores. Dinamizou e participou activamente em reuniões de associados e integrou Grupos de Trabalho da Contratação e da Informação do Sindicato.
Em 1973, no local de trabalho foi eleito delegado sindical e, em 1974, eleito para a Comissão Sindical na sua empresa.
Aderiu ao Partido Comunista Português no processo da Revolução de Abril, em Maio de 1974 , integrando a célula do Partido no Banco Totta&Açores.
Em 1975 foi chamado ao Organismo de Direcção do Sector dos Bancários.
Carlos Grilo era Funcionário do Partido desde 1977. Foi membro do Comité Local de Lisboa. Desde 1984 integrava a Direcção da Organização Regional de Lisboa e, durante vários anos, os respectivos organismos executivos. Entre outras tarefas, assumiu, com grande dedicação e empenhamento, a responsabilidade pelas organizações dos Sectores dos Seguros, Bancários, Transportes, pelo Sector Sindical e pelo Sector Intelectual, ao qual se mantinha ligado no âmbito das suas tarefas no Secretariado da DORL.
Foi membro do Comité Central entre 1983 e 2008.

Activistas da Frente Nacional contra o Golpe de Estado nas Honduras, estão desde hoje em vigília permanente em frente ao edifício do Congresso para exigir que seja aprovada a recondução do presidente legítimo Manuel Zelaya. Os acordos assinados na 4ª feira entre as duas parte remetem para este órgão legislativo a decisão, com prévia consulta ao Supremo Tribunal de Justiça.
Os acordos são leoninos a favor dos golpistas. A resistência hondurenha está desanimada com eles e há riscos em torno da sua aplicação.
As organizações populares que integram a Frente têm denunciado as práticas dilatórias que os parlamentares estão a usar, invocando sobrecarga de agendas (!!!) para arrastar a deliberação. Zelaya também denunciou poder estar a haver jogo escuro do golpista Micheletti por detrás desses acordos, com o aparecimento ontem de um deputado a falar num acordo secreto das
partes com os EUA, que Zelaya nega existir.
O acordo prevê ainda que se forme até à próxima 5ª feira um governo de unidade e reconciliação nacional.

Realizou-se no passado sábado, na FCSH da U. Nova, um interessante colóquio sobre as “eleições” de 1969, com base em trabalhos de 6 investigadores, cinco do Instituto de História Contemporânea e um outro de Coimbra, bem como de Fernando Rosas, que teve a vantagem, de juntar investigadores jovens que não eram nascidos nesse período e outras pessoas que tinham participado dos acontecimentos, objecto do seu estudo. O colóquio terminou com uma mesa redonda coordenada por António Reis.
Houve debate e muita informação ali trazida por estes, por José Manuel Tengarrinha, Jorge Sampaio, Joana Lopes (todos de diferentes sensibilidades presentes na CDE), Pedro Coelho (CEUD) e Magalhães e Silva (Comissão Eleitoral Monárquica). Outros participantes, como eu próprio e o Vítor Dias (CDE) contribuíram com as suas reflexões e experiências da época.
Retive, sem com isso pretender resumir-lhes o pensamento, algumas considerações:
José Tengarrinha assinalou que o carácter democrático da CDE também se expressou na orientação, imposta, por um crescente desejo de participação dos activistas, de criar uma vasta rede de comissões de freguesia, concelhias e distritais, do seu carácter electivo bem como o das designação dos candidatos e pela forma participada de construir o programa eleitoral. Isto teve reflexos na preparação e documentos saídos do III
Congresso da Oposição Democrática de Abril de 1973 bem como no funcionamento do movimento dos capitães e elaboração do Programa do MFA.
E referiu que os termos da Plataforma de S. Pedro de Moel são um compromisso em várias questões em que não havia convergência entre comunistas e socialistas, como no caso da guerra colonial.
Fernando Rosas defendeu que o marcelismo foi uma efectiva tentativa de liberalização do regime e não pode ser caracterizada como uma fraude. Marcelo rodeia-se de quadros jovens e tecnocratas e apoiou-se em grupos económicos como a CUF para conseguir salvar o regime. Mas, não resultou por causa do papel central da guerra colonial, em que o regime continuou a investir, matando a liberalização.
A abertura do regime contemplou as revisão dos CCTs, a existência de árbitros, a não homologação prévia das direcções dos sindicatos, a extensão da segurança social aos rurais e a ADSE, enquanto mantinha a guerra para ter uma solução política no quadro de uma autonomia
branca, uma descompressão da imprensa.
A esquerda radical não participou nas campanhas da oposição. O próprio Fernando Rosas, então na EDE, fora a uma única reunião da CDE com o Arnaldo Matos mas não me lembro nem como, nem porquê,
Jorge Sampaio avançou que a CDE teve um funcionamento democrático, permitiu o debate ideológico, e na construção de um programa com a participação das bases, traduzindo-se numa experiência de cooperação e de relações criadas que muito contribuíram para o meu envolvimento na criação em 1989 de uma coligação de esquerda para a CML.
Recordou a reunião, em que participou, nesse ano, nos arredores de Paris com Cunhal, comunistas, outros socialistas independentes (autodesignação que ironizou...), católicos progressistas, MAR e FPLN e que consagrou a convergência na CDE.
Referiu que aconteceu em 1969 foi premonitório do que iria acontecer depois de 1974.
Magalhães e Silva, que integrava a lista de candidatos monárquicos, referiu que a sua lista representava pequena parte dos monárquicos, que, em geral, eram conservadores e apoiantes do regime. Valorizou o papel de Barrilaro Ruas e de Rolão Preto, parecendo sintetizar o seu pensamento com a frase “A monarquia nasceu na História e morreu na História.” O investigador Edmundo Alves corroborou estas afirmações, fazendo um estudo mais desenvolvido da intervenção monárquica ao longo da resistência.
Joana Lopes disse que os católicos progressistas estavam na CDE e também na CEUD. Em 68 duas questões foram a gota de água para a radicalização do movimento dos católicos progressistas: o que aconteceu com o Padre Felicidade Alves e a demissão colectiva da direcção do Seminário dos Olivais com o Padre Abílio Tavares Cardoso.
Participavam nas bases da CDE mas tinham intervenções autónomas. Foram, instrumentos importantes dessa intervenção os documentos gedoc, Direito à Informação e a Cooperativa Pragma (Tengarrinha lembraria o papel de boletins paroquiais, cerca de oitocentos, publicados em todo o país apenas sujeito à censura eclesiástica e não à do regime, particularmente quanto à guerra colonial).
Quando da reunião em casa de Zenha que confirmou a ruptura da CEUD com a CDE, o Tengarrinha e o Cardia fizeram tudo para evitar a ruptura (Pedro Coelho confirmou que os socialistas preferiam autonomizar-se e não diluir-se noutros).
António Abreu afirmou que Mário Soares e Marcelo Caetano precisaram um do outro para dar crédito à liberalização e ajudar a libertar os socialistas da companhia dos comunistas.
Para ele, os esquerdistas facilitaram a operação de liberalização ao dizerem que o fascismo tinha caído e que agora tudo se limitava à luta anti-capitalista, menosprezando a luta contra a repressão e a conquista das liberdades democráticas. Tiveram, por isso, uma intervenção perniciosa e não contaram, nada nem para a democratização interna da estrutura da oposição nem para o seu programa. O carácter pernicioso não foi subscrito pelo investigador Miguel Cardina que tinha desenvolvido, a partir da criação da FAP, uma intervenção da extrema esquerda que criticava o PCP por só intervir nas campanhas eleitorais e defendia o abstencionistas, a luta anti-capitalista e o recurso à violência.
Abreu disse que os sinais de abertura de Marcelo Caetano não foram oferecidos de mão beijada mas resultaram da pressão das lutas dos trabalhadores e de sindicatos com direcções de confiança dos trabalhadores.
Vítor Dias disse que, sem ilusões os comunistas aproveitaram sempre qualquer abertura política a que o fascismo era obrigado, para abrir a porta metendo um dedo, depois a mão e até o corpo todo.
Citando o livro de Lino Carvalho sobre estas “eleições, confirmou que a lista de candidatos e a comissão política da CDE reflectiam a convergência política realizada, a participação das bases nos respectivos processos electivos. Não confundir o conceito gramsciano de hegemonia com o carácter de esmagamento ou hegemonia imposta – que não existia – na CDE.
Sobre a invocada questão da disputa das hegemonias entre comunistas e socialistas se referiu o investigador João Madeira, sublinhando que, além disso, o PCP prevenira em Abril para a eventualidade de, no decurso doas discussões para uma lista unitária, os socialistas anteciparem a apresentação de uma lista. Este investigador fez ainda referência à reunião do CC publicada no Avante de Setembro de 1969.
Manuel Loff, a partir dos resultados eleitorais, distrito a distrito em 1969 e da afluência registada nos votos contados ao longo dos anos, constatou que quanto mais a oposição participava nos actos eleitorais, menor era o número de votos expressos, certamente porque uma maior fiscalização impedia as grandes chapeladas possíveis quando os agentes do regime estavam sozinhos.
Pedro Coelho afirmou que não percebia porque em 69 não houve unidade. A orientação interna da ASP e do PS era para os socialistas se meterem pouco nas coisas unitárias para poderem verificar o que valiam sozinhos. Mas os resultados de 1969 da CEUD foram desastrosos. Também a investigadora Susana Martins desenvolveu esta postura, referindo que, com Mário Soares, o sector político que influenciava sentia a necessidade de ultrapassar a hegemonia de veneráveis republicanos para ter uma organização à escala nacional que potenciasse a sua influência política.