quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Frase de meio da semana, por Jorge



Quando alguns burros correm, chega sempre um deles em primeiro lugar



provérbio do Irão



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os tiques do regime


António Vitorino é um exemplo exemplar de transparência no regime PS.

Os trejeitos faciais são elucidativos. Experimente ouvi-lo sem som. Quase adivinharia o que diz ou pelo menos as imagens sobrepostas que nos vêem à memória de Maquiavel, de Eurico Nogueira, de Mussolini, de Marcelo, de Pinto da Costa e de menino Zequinha, quase dispensariam a sua integral tradução em linguagem gestual.

Depois o que diz. Bom...Que governar em minoria é um jogo de xadrez, que se tem que ser rígido, firme com a oposição,...

Ah! E também achou natural meter-se na vida interna do PSD, definido os dois caminhos que este teria pela frente e qual deles o PS preferiria, que o PSD se deveria definir ideològicamente, definindo o que o PS preferiria para não se confundir com ele (não nos esqueçamos que AV é um dos musts da deriva neoliberal do PS).

E até disse...que o PS não deveria falar com os partidos, mas saltar-lhe por cima e ir falar com o povo. Provàvelmente às manifestações de agricultores, de professores, de agentes das forças de segurança, de trabalhadores de empresas encerradas. Sabe-se lá se para apanhar com qualquer coisa que ele pudesse invocar como xeque-mate na operação de vitimização que irá construindo.

Das maleitas da república, nada disse, das mézinhas para as ditas disse nada. Nem nesta terra vive gente com quem gaste o latim.
Enfim, ideólogo, estratega, senador, comentador, redactor-chefe de programas eleitorais. Ó, sim senhor, não será um homem grande mas um grande homem poderá vir a ser.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Bailarinos", pintura de Fernando Botero


Debate nos 100 anos da publicação por Lenine de "Materialismo e Empiriocriticismo"

O contexto da publicação original

Em Outubro de 1908 Lenine, então no exílio, dava por concluída a sua obra "Materialismo e Empiriocriticismo". Notas críticas sobre uma filosofia reaccionária, ia discutir a validade, que alguns filósofos estavam a questionar a validade do conhecimento pelos homens dos fenómenos naturais, armando a burguesia de uma teoria para os seus combates com a classe operária que aspirava à conquista do poder. Lenine nessa conjuntura afirmava que «A tarefa imediata nestes tempos difíceis é criar algo capaz de livrar os homens das “salvações” e dos intelectuais “desalentados”.»

A obra de Lenine «Materialismo e Empiriocriticismo» foi publicada em Maio de 1909, assinalando-se este ano o seu centésimo aniversário.
No final do século XIX e início do século XX, uma série de variantes do positivismo desenvolveu-se por todo o continente europeu, com certas características próprias em cada país (positivismo moderno, positivismo crítico, empirismo crítico, empirismo lógico, etc.). A obra «Materialismo e Empiriocriticismo» centrou a sua crítica nesse movimento na Rússia, nos «machistas» russos - seguidores de Ernest Mach, físico e filósofo austríaco.

No começo do século XX, a Física «moderna», que iniciava então a extraordinária exploração do infinitamente pequeno, abalava a velha noção de «matéria», de natureza.
Os filósofos e «epistemólogos» aproximavam a «matéria» das impressões sensíveis ou sensações móveis, em vez de a supor, como até então, de uma objectividade independente das sensações; atribuíam-lhe qualidades de mobilidade, de relatividade, conferiam-lhe, por assim dizer, uma «existência» apenas fenoménica. A matéria – diziam, com Mach e seus adeptos – não é mais que as sensações que no-la revelam, não tem existência fora de nós. Entre o objecto, a coisa, e o sujeito, o «eu» pensante, há uma terceira ordem, uma terceira forma de existência, em última análise a única real e concreta, dada na e pela impressão sensível enquanto fenómeno, sem que haja alguma coisa a acrescentar-lhe ou a retirar-lhe. Entre o materialismo e o espiritualismo ou idealismo, há uma terceira via…

Este ataque ao materialismo em nome da Física «mais moderna» tinha consequências no campo das ciências sociais e históricas. Era portanto necessário reconsiderar, aprofundar o materialismo em função das recentes grandes descobertas sobre a matéria.

A teoria do conhecimento

Lenine, nesta obra, analisa portanto esta pretensa «crise da ciência» ou «crise da física moderna».
De uma forma aprofundada, Lenine defende, na sua obra, que:

1.º - Há coisas que existem independentemente da nossa consciência, independentemente das nossas sensações, fora de nós.

2.º - Não existe e não pode existir diferença alguma de princípio entre o fenómeno e a coisa em si. A única diferença efectiva é a que existe entre o que é conhecido e o que ainda não é.

3.º - Sobre a teoria do conhecimento, como em todos os outros campos da ciência, deve-se raciocinar sempre dialecticamente, isto é, nunca supor invariável e já feito o nosso conhecimento, mas analisar o processo pelo qual o conhecimento nasce da ignorância ou graças ao qual o conhecimento vago e incompleto se torna conhecimento mais adequado.

Embora escrito há mais de cem anos, este texto mantém uma extraordinária actualidade, não obstante os avanços no conhecimento científico no campo da Física terem rectificado alguns dos seus postulados, como seria expectável.
Numa altura em que, novamente, perante as dificuldades de interpretação de novos conhecimentos científicos, proliferam outras concepções obscurantistas, é de todo o interesse debater, com dois especialistas nas áreas da Física e da Filosofia, a validade do conhecimento pelo homem dos fenómenos naturais.

«Quanto a mim, sou também um “procurador” em filosofia. Mais precisamente: nas presentes notas coloquei a mim próprio a tarefa de descobrir onde é que se desencaminharam as pessoas que nos oferecem, sob a aparência de marxismo, algo de incrivelmente embrulhado, confuso e reaccionário»

V. I. Lénine, “Materialismo e Empiriocriticismo”, Prefácio à Primeira Edição, p. 14
- Ed. «Avante!», Lisboa


Debate dia 10 de Novembro na Faculdade de Letras de Lisboa (entrada livre)


A Associação Iúri Gagárin promove no dia 10 de Novembro, entre as 18 e as 20 h, no Anfiteatro 3 da Faculdade de Letras de Lisboa, um debate com os professores José Croca e Eduardo Chitas, respectivamente da Faculdade de Ciências e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sobre a obra de Lenine «Materialismo e Empiriocriticismo», publicada em 1909.


O debate será moderado por José Barata-Moura, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Uma reflexão a propósito da vacinação H1N1


A monja beneditina Teresa Forcades i Vila, médica em Barcelona, emitiu, num artigo que pode encontrar aqui, as suas reflexões e propostas que são também perfilhadas por alguns sindicatos e muitos médicos e enfermeiros, a título individual, em todo o lado e também no nosso país.


Não deixando de estar atento a outros pontos de vista, aconselho vivamente esta sua leitura e refiro esta passagem.


(…) Se o envio de material contaminado fabricado pela Baxter não tivesse sido casualmente descoberto em Janeiro passado, efectivamente, ter-se-ia dado a gravíssima pandemia potencialmente causadora da morte de milhões de pessoas que alguns andam a anunciar. É inexplicável a falta de ressonância política e mediática do que aconteceu em Fevereiro no laboratório checo. Ainda mais inexplicável o grau de irresponsabilidade demonstrado pela OMS, pelos governos, pelas agências de controlo e prevenção de doenças ao declarar uma pandemia e promover um nível de alerta sanitário máximo sem uma base real. É irresponsável e inexplicável até extremos inconcebíveis o bilionário investimento saído do erário público destinado ao fabrico milhões e milhões de doses de vacina contra uma pandemia inexistente, ao mesmo tempo que não há dinheiro suficiente para ajudar milhões de pessoas (mais de 5 milhões só nos EUA) que por causa da crise perderam o seu trabalho e a sua casa.(…)

sábado, 17 de outubro de 2009

Decorre na Bolívia importante cimeira da ALBA


Dirigentes políticos de mais de 13 países iniciaram hoje na cidade boliviana de Cochabamba, Bolivia, a VII Cimeira da ALBA, com o objectivo de fortalecer as suas relações económicas e de integração,
A Cimeira aprovou sanções económicas e comerciais contra o regime golpista das Honduras, assinou o tratado constitutivo da moeda Sucre (sistema comercial de pagamento intraregional),e recomendou ao Conselho Político da ALBA que estude e proponha a criação de um organismo de defesa comum
Participam nesta cimeira os presidentes de Venezuela,Hugo Chávez, do Equador Rafael Correa e o primeiro vice-presidente cubano José Ramón Machado Ventura. Estão também presentes os primeiros-ministros da República Dominicana, Roosevelt Skerrit, de São Vicente e das Granadinas, Ralph Gonsalves e das Antigua e Barbados, Winston Baldwin Spencer, assim como Patricia Rodas, em representação das Honduras.
Assistem delegações do Paraguai, Uruguai, República Dominicana, Granada, Haiti e Rússia, convidadas como observadoras.

Solidariedade com os trabalhadores da Saint-Gobain Glass e da Média Capital Rádios




Num caso, o patronato pretende acabar com a antiga Covina, pondo em risco o emprego de 125 trabalhadores. Noutro caso um grupo dos media com lucros bem elevados quer despedir 11 trabalhadores.


Solidariedade com todos eles é precisa!


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



O sonho da democracia é fazer ascender o proletário ao nível de estupidez do burguês


Gustave Flaubert (carta a George Sand, 1871)

As “farpas” na altura da formação de novo governo



O ainda ministro da Presidência, Augusto Santos Silva, defende que, pela linguagem que usa, semelhante à do Bloco de Esquerda ou do MRPP, a presidente do PSD mostra ser uma «interlocutora precária, além de fazer lembrar uma «anarquista espanhola».


Em entrevista ao semanário Sol, Santos Silva refere que «habituei-me a ver a posição da líder do PSD mas no BE ou no MRPP, que é a posição do anarquista espanhol que diz “se há um Governo, sou contra”».


Na altura de constituição de um novo governo, não faltam os responsáveis socialistas que atacam Manuela Ferreira Leite e glosam as questões internas do PSD, os “dirigentes a prazo” ostentando alguma euforia com a aparente implosão do PSD. Num estilo arruaceiro nada compaginável com o “espírito dialogante e sem preconceitos” do 1º Ministro indigitado.


Depois da primeira ronda por parte dos partidos com assento parlamentar, e não devendo isso para ele constituir qualquer surpresa, não terá recolhido promissoras perspectivas de garantir a maioria absoluta, que os portugueses lhe negaram, com o recurso à muleta de outros partidos, que já se tinham colocado fora de tal cenário.


No dar conta pública desses resultados em breve comunicação ontem, José Sócrates falou seis (!) vezes na responsabilidade que os outros partidos assumem com essa posição…Quando o que se esperaria era manifestar a disponibilidade de, sem rasgar o programa eleitoral do PS, alterar aspectos mais graves da anterior governação que estão a ter consequências nos planos da estabilidade social económica. O direito de não ser muleta de uma política com que se não concorda é inalienável e o conseguir governar sem maioria absoluta exige algum virtuosismo, que não tem tido muito acolhimento no Largo do Rato.


Voltando às “farpas”, perguntar-me-ão se venho em defesa de MFL. Claro que não. As concepções políticas nada têm a ver com as minhas e não me pronuncio, por princípio, sobre as questões internas dos outros partidos, nem tenho que ter qualquer simpatia com ela ou com qualquer um da meia dúzia de candidatos ao seu lugar, que para isso se têm vindo a perfilar há muitos meses.


Mas não fico eufórico com o desfazer de um partido que teve e tem um papel no sistema político português, independentemente de ser um sério adversário político, que não deixaria de gerar consequências perigosas se desaparecesse da circulação. Essa é uma questão interna do PSD que deve interessar fora dele.

Dez anos a construir a estação orbital internacional


Veja o faseamento desta operação aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Obama vai ao prego...

"Quantos batalhões me dá pela medalha?", pergunta Obama, com a reclamação de McChrystal na mão... (Courrier International)


O Washington Post revelou que Obama decidiu enviar mais 13 mil soldados para o Afeganistão e que irá decidir nas próximas semanas se aceita ou não, a reclamação de mais 40 mil a 60 mil homens feita pelo comandante americano na região, Stanley McChrystal,

Frase de meio da semana, por Jorge



Uma galinha é apenas a forma de um ovo fazer outro ovo



Samuel Butler, escritor, 1835-1902

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A beleza das fotos microscópicas










Da esquerda para a direita e de cima para baixo:
- Cristal de um floco de neve. Apresentam todos simetria se bem que sejam diferentes entre si
- Parecem mas não são antenas de um insecto mas sim uma planta considerada na América do Norte como erva-daninha
- Flor de agrião de genoma muito simples, que a leva a ser muito utilizada na investigação genética
- Alzheimer num peixe-zebra. A verde os neurónios, a vermelho as proteínas tau e a azul as tau doentes

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bloquear o genoma e levar um...Nobel

A descodificação do código genético dos humanos trouxe à Ciência enormes possibilidades de estudar a origem de doenças graves que afligem a humanidade.

Cuba, detentora de um elevado nível profissional ao nível das ciências médicas tem um Centro Nacional de Genética Médica que procura dar respostas a estas questões.

No entanto, o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos em 1962, priva este organismo do acesso à tecnologia mais avançada num campo que é tão promissor, limitando significativamente o trabalho de investigação do Centro.


A Dra. Beatriz Marcheco, directora da instituição, revelou ontem ao Granma que, desde 2003, e através dos canais apropriados, têm tentado adquirir um equipamento analisador de genes, essencial para o estudo das suas variações e determinar quais destes pode levar à descoberta de um grupo de doenças que estão entre as principais causas de morte em Cuba ou que aí têm uma incidência elevada. São os casos dos cancros da mama, do cólon e da próstata, da asma, dos diabetes mellitus, de doenças isquémicas do coração e da hipertensão, para citar apenas alguns. Esta jovem cientista referiu que o analisador é fabricado pela empresa norte-americana Applied Biosystems, e classifica-a como a mais avançada tecnologia do mundo para as investigações referidas. A equipe do Centro, segundo ela, trabalha em velocidade muito alta e é capaz de identificar a predisposição genética que as pessoas podem ter de sofrer as doenças mencionadas. Isso fornece uma oportunidade para mudar de vida e tomar outras medidas preventivas destinadas a evitar o seu aparecimento.


Para a Dra. Marcheco o mais absurdo é que depois de cada tentativa para aquisição do equipamento, a resposta das agências governamentais dos EUA sempre foi o silêncio, ou seja, eles não têm argumento para explicar por que se recusam a vender-nos um produto nobre e singular, cuja função é ajudar a preservar a saúde das pessoas.

Nem sequer têm o direito de entrar no site da empresa para obter informações, sendo-lhes negado o acesso ao verem que o requerente é de Cuba, disse.

Já são horas!...



Uma opinião sobre as autárquicas de ontem


As eleições de ontem foram influenciadas pelos recentes resultados das legislativas, apesar de se continuar a registar - é certo que mais nuns partidos do que noutros - uma identidade eleitoral local decisiva em vários casos de avaliação autárquica autónoma que decidem do voto. Penso, porém, que essas especificidades se estão, indesejavelmente, a esbater.

A avaliação dos candidatos pelo que fizeram ou não nos 4 anos anteriores ainda é a chave que descodifica decisões. E neste caso importa registar que, além de bons exemplos, também temos muitos outros em que o trabalho feito pelo governo no apoio preferencial a certas autarquias se tornou a chave de vários sucessos. A consulta sistemática ao que foram os planos de trabalho, as execuções, e os compromissos de todos os ministérios revela a extensão deste comportamento, excepção feita a alguns apoios a maiorias de direita porque o PS também sabe como contar com algumas delas...

Nesse sentido, posso admitir que este ciclo eleitoral, apesar do fracasso do PS nas legislativas, se vai traduzir numa maior governamentalização das relações Administração Central versus Administração Local. Mas não só nisso.
O PS sai com maiorias que lhe permitem ser mais acutilantes na privatização de diversos serviços até agora prestados pelos municípios para os alienar para grupos que se têm constituído nessas áreas, perseguições maiores a trabalhadores municipais incómodos, não só com prateleiras, mas recorrendo ao novo Código de Trabalho e afectando-os nas progressões das respectivas carreiras, vedando-lhes o acesso a funções de chefia e reencharcando os quadros com correlegionários e amigos.

O carácter clientelar de apoiantes, de chefias ou aspirantes a tal, de familiares e de círculos de favores, de apoios empresariais à actividade política, vai acentuar-se. Só quem não conhece a realidade de algumas destas autarquias poderá dizer "Olha, lá está aquele a dizer mal!...".

Neste quadro, é de valorizar os resultados da CDU, resultante do trabalho e da intervenção da CDU e dos seus eleitos, com revezes que não resultaram, em geral, de considerações negativas sobre o trabalho mas mais de deslocações de "voto útil" entre PS e PSD e de acidentes internos com eleitos. A CDU conta com novas maiorias que expressam aspirações a outro tipo de repostas às necessidades das respectivas populações.
É uma força que resiste no interesse das populações.

sábado, 10 de outubro de 2009

Prémio Nobel ou...pagamento por conta?


A atribuição do Prémio Nobel a Obama deixou quase toda a gente incrédula...Porquê, pergunta-se em meios de diferentes opiniões valorativas dos... nove (!!!) meses de mandato do novo presidente norte-americano. Ainda por cima a contrariar, dia após dia, as expectativas que o povo americano e o resto do mundo colocaram nele?

Como é que um Comité que se desejaria criterioso na ponderação de méritos pôde tomar tal decisão? Qual a reacção de outros laureados que tiveram vidas ou períodos de investigação e descoberta férteis terão tido perante ela?

É certo que o Nobel tem sido utilizado há anos para proceder ao premiar de agentes políticos de feitos pelo menos duvidosos, mas esta decisão extravasa tudo porque nem de feitos se pode falar. Quando muito de não feitos ou maus feitos.

É para garantir a projecção internacional da imagem de Obama que se tem vindo a empalidecer depois dos múltiplos discursos à América Latina, à África, ao mundo muçulmano, etc, etc.?

Obama precisará, segundo outros em que não acredito, de peso para se desfazer dos poderes que o manietam, para afugentar riscos de homicídio de que muito se tem falado?

Mas, se isso tivesse algum fundamento, porque se não dirige ao país, ao povo que o elegeu, que lhe depositou tantas esperanças, e lhes diz que os poderes fácticos do complexo militar-industrial, da indústria farmacêutica, dos negociantes de armas, dos lobbies anti-cubano e sionista, que tanta força têm nos EUA, não o deixam cumprir as suas promessas e estão a pressionar o caos nos EUA e no resto do mundo?

As maiores críticas a esta decisão vêm do seu próprio país.

Os que admitem algo parecido com a concordância usam a expressão "é um investimento, um estímulo para a acção futura" sobre a qual tem tergiversado.

Uma espécie de pagamento por conta...sem crédito.

Calvin, Hobbes e uma espécie de empresários


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

Frase de fim-de-semana, por Jorge



Porque matamos as pessoas que matam pessoas para lhes mostrar que é errado matar pessoas?


Holly Near

(cantora e activista de causas sociais californiana)

domingo, 4 de outubro de 2009

Parte uma grande cantora latino-americana, uma combatente de esquerda

Depois do seu internamento no mês passado, e à medida que os dias passavam, receou-se o inevitável.
Hoje Mercedes Sosa morreu.
Da sua biografia falarão os jornais. Retenho a importância da sua influencia cultural na nueva canción da América Latina, a sua prisão, o exílio, a sua voz inconfundível.

Suster o retrocesso, votando na CDU


Falando com amigos meus, há dias, a propósito do trabalho do PS na Câmara Municipal de Loures, vi confirmadas as tendências mas também muitos casos particulares que ilustram a inversão negativa ocorrida no concelho após a perda, há anos atrás, pela CDU da maioria depois de, durante muitos anos, aí ter realizado um trabalho notável, que o destacava como um concelho que mais progredira na perspectiva de satisfação das necessidades essenciais da sua população.

Retenho apenas alguns dos episódios ilustrativos.

No que respeita à segurança, em vez de apostar no aumento dos efectivos policiais – elemento fundamental mas não único para a sua melhoria – Carlos Teixeira tem preferido, para alinhar com a política do governo, optar por “contratos locais”
E “projectos-piloto”, que puderam distrair algumas atenções mas se revelaram um fracasso local bem como a polícia municipal com funções de conferir e afagar o status ao presidente.
Depois das cheias de Sacavém de Fevereiro de 2008, a SIMTEJO, empresa inter-municipal, dirigida por um amigo e correligionário, veio em socorro da incúria do Presidente e lançou-se a construir uma espécie de “auto-estrada” para a água só que o colector para onde drena, que foi construído em 1947, continua o mesmo, com grande dificuldade de manutenção e entupimento rápido que geram ciclicamente o saltar das tampas de esgoto. Construir colectores pode não dar votos por ficarem debaixo da terra mas estas vias para dar nas vistas não resolvem…
Na Bobadela, na outra margem do Trancão, a construção de um aterro ilegal foi embargada mas depois da obra estar feita e que, no tempo de chuva, irá condicionar o caudal do rio que poderão acentuar as cheias na baixa de Sacavém.
Carlos Teixeira tem duas pavimentadoras paradas no estaleiro das oficinas mas as brigadas de operários foram praticamente extintas. Teixeira opta por conceder empreitadas a terceiros. Mas as estradas e ruas do concelho estão cheias de buracos, tendo a Rodoviária cancelado circuitos devido ao estado dos pisos.
Em Loures, depois da inauguração da Escola João Villaret, sem pavilhão escolar, aguarda-se mobiliário definitivo e não mais o alugado para Sócrates a poder inaugurar antes das eleições.
Em, Bucelas, terra de bom vinho, Carlos Teixeira colocou uma nova sinalética sobre a chamada Rota dos Vinhos de Bucelas, Carcavelos e Colares. Mas a tal rota é fictícia, ficou em águas de bacalhau, e os sinais enganam quem passa numa péssima propaganda ao vinho de qualidade…apesar de ter sido referido que a rota é financiada pela CE.
Também o trabalho de prospecção das antigas fortificações napoleónicas da Linha de Torres foi entregue a privados, impedindo os técnicos municipais de o realizarem.
Há quatro anos, pouco antes das anteriores eleições, Carlos Teixeira foi entrevistado pelo extinto Jornal de Loures prometeu que, logo depois dessas eleições, poria o PDM em discussão pública (o anterior, aprovado em 1994 já devia ter sido actualizado em 2004…), o que acabou por acontecer…quatro anos depois.
Ainda na cidade de Sacavém, a recolha do lixo está a ser paga pelos munícipes a dobrar…Os SMAS não a fazem por ser “deficitária” (apesar da população pagar o serviço, incluído nas facturas da água) e a Junta de Freguesia, de maioria PS, em vez de reclamar e inverter esta situação paga a uma empresa para o fazer, não resultando essa despesa no exercício de uma competência própria mas do afectar o destino de receitas da Junta, que os munícipes também pagam, a fins que reduzem o seu uso nas competências próprias. Pois é, para õ PS da Câmara e da Junta não serem penalizados eleitoralmente, põe o munícipe a pagar a dobrar…
Mas a melhor de todas – muitas mais aqui se poderiam contar – é o amor da família de Carlos Teixeira pelo município… A esposa é Directora do Departamento, tendo recentemente renovado o mobiliário do seu gabinete. Por isso os munícipes pagaram a módica quantia de…22 mil euros, 16 mil dos quais para se sentar numa nova secretária!
Com um outro director de departamento, por sinal também filho de vereador do PS Borges Neves.
Falar na rede familiar do presidente existente na Câmara de Loures dá para um outro posta. Mas Teixeira não se importa, defendendo o direito da família a tais prerrogativas…
No seu programa para estas eleições, a CDU refere que nos últimos 8 anos Loures perdeu a imagem de inovação e progresso de que gozava.
Os problemas sociais agravaram-se. Cresceu o desemprego, degradou-se a situação económica das famílias, aumentaram as desigualdades e a pobreza. Avolumou-se a insegurança e assistimos ao encerramento de vários serviços de Saúde sem que se tenha iniciado a construção do Hospital.
O concelho perdeu as posições cimeiras que já ocupou, quando gerido pela CDU, nos índices de bem-estar, conforto e poder de compra.
A CML abandonou a dinâmica de progresso contínuo na construção de equipamentos colectivos capazes de melhorar as condições de vida dos seus munícipes.
O território municipal tornou-se, de novo, um espaço apetecível para a especulação imobiliária, que aqui tem encontrado uma Câmara Municipal sempre pronta a colaborar com o crescimento do betão e pouco atenta à
defesa do interesse colectivo.
Infelizmente, Loures é hoje um concelho de que quando se ouve falar, é quase
sempre pelos piores motivos: insegurança, cheias ou pobreza infantil.

A CDU defende que o estado de coisas que se atingiu no concelho de Loures não é uma fatalidade que não possa ser alterada, sendo urgente inverter o rumo seguido nos últimos anos, é urgente uma VIDA NOVA PARA LOURES.
A CDU quer um concelho mais equilibrado, em que a Câmara Municipal tenha políticas capazes de contribuírem para a coesão social.
O ordenamento e gestão do território, as políticas de acção social, saúde, habitação, mobilidade, segurança pública, ambiente, educação, desporto e cultura, apoio às empresas e à actividade económica podem, e devem, promover a coesão e solidariedade social, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas, objectivo que deve ser a razão primeira da política.
A CDU quer um concelho em que a opinião dos munícipes conte, um município solidário que invista nas pessoas, desenvolvido e governado para todos, capaz de valorizar o espaço público, de atrair empresas e de criar emprego.
Quer uma Câmara Municipal que tenha uma gestão municipal eficiente e acessível e com a coragem de defender os interesses do concelho em qualquer circunstância.
Para tudo isto a CDU tem propostas e construiu um Programa Eleitoral que lhes dá corpo.
O Programa Eleitoral da CDU estabelece objectivos concretos de actividade que serão, acompanhados na sua execução pelas pessoas.
O Programa que a CDU apresenta aos eleitores constitui, assim, um compromisso capaz de garantir as melhores soluções para os problemas do concelho de Loures e uma gestão democrática e participada das suas autarquias.

Para um novo internacionalismo, por Domenico Losurdo


Reflectindo sobre um novo internacionalismo, Domenico Losurdo sublinha, em artigo recentemente publicado na resistir.info, que, mesmo antes de ele ser assimilado pelos partidos e forças de esquerda, foi por eles praticado em termos que reconfiguram, nos dias de hoje, esse conceito.
Losurdo, remata a sua reflexão, concluindo:

“Encontramo-nos hoje numa situação que tem perspectivas positivas e encorajadoras:

1. sob o ímpeto da luta anti-imperialista ressurgem povos e civilizações que estavam a ser destruídas pelo colonialismo: pense-se no papel crescente dos índios na América Latina;

2. o prodigioso desenvolvimento de um país como a China quebra o monopólio tecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamam os historiadores, para quem a dada altura se abriu um abismo entre os países capitalistas avançados e o Terceiro Mundo, esta “great divergence” tende a reduzir-se;

3. A tomada de consciência da crise do capitalismo dá um novo impulso à perspectiva do socialismo para além do Terceiro Mundo, também nos países capitalistas avançados. Por outro lado vemos os países-guia do capitalismo imersos numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditados a nível internacional. Ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito de Deus e a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina de guerra e a estender a sua rede de bases militares a todas as partes do mundo.

Tudo isto não promete nada de bom. É a presença conjunta de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis a tornar urgente a construção, a nível internacional, de um novo bloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Não é uma empresa fácil, porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturais e situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo bloco histórico, que pode dar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá ser construído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistas avançados, por um lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, por outro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.”

sábado, 3 de outubro de 2009

Irlanda: um sim, retirado à força...


A inversão do sentido de voto dos irlandeses no que respeita à aceitação do Tratado de Lisboa ficará marcado, no percurso agitado desta união europeia, como um dos mais lamentáveis condicionamentos da opinião pública.

Com o recurso a descomunais meios de propaganda e pressão, o governo irlandês, algum do grande patronato, a artilharia da burocracia de Bruxelas, e a exploração da crise económica e financeira, que particularmente atingiu a Irlanda, tudo valeu, para recuperar a visão milagreira deste Tratado, profundamente lesivo para os trabalhadores e para a democracia no espaço europeu.

Introduzir uma componente moral na inteligência artificial



Um investigador português e outro indonésio publicaram um paper no final de 2007 em que demonstraram que se pode fazer o desenho computorizado de decisões morais usando programas de lógica prospectiva, que se usam na modelação de dilemas morais na medida em que sejam capazes de um olhar prospectivo, em frente, sobre as consequências de hipotéticos julgamentos morais. Com o conhecimento dessas consequências, as regras morais utilizadas para decidir juízos morais apropriados. O raciocínio moral atinge-se através de constrangimentos a priori e preferências posteriores em modelos abdutivos estáveis, duas questões possíveis de obter numa programação lógica prospectiva.
No trabalho os dois autores modelam diferentes dilemas morais para solucionar o chamado “problema do eléctrico”, introduzido há quase cinquenta anos pelo filósofo inglês Philippa Foot e que envolve um eléctrico deslocando-se de forma descontrolada nas linhas onde estão amarradas cinco pessoas. Mas felizmente, podemos com um interruptor deslocar o eléctrico para outra via a cujas linhas está atada apenas uma pessoa. Você accionaria o interruptor? Para enfrentar este dilema os autores empregaram o princípio do efeito duplo como regra moral, e obtiveram as decisões morais adequadas.
Neste trabalho os autores partiram da constatação que a moralidade nos dias de hoje não é apenas questão de filósofos e que se tem procurado entendê-la num ponto de vista científico incluindo na com unidade da inteligência artificial onde se designa por ética da máquina, moralidade da máquina, moralidade artificial ou moralidade computacional.
Os cientistas do cognitivo, por exemplo, podem beneficiar muito da compreensão da interacção complexa de aspectos cognitivos que suportam a moralidade humana e também para obter os princípios morais que as pessoas aplicam normalmente quando defrontam dilemas. A modelação computorizada do raciocínio moral também pode ser útil em sistemas inteligentes tutorais por exemplo para ensinar a moralidade às crianças. Por outro lado, como cada vez mais se espera que os agentes artificiais sejam mais autónomos e trabalhem para nós, habilitar agentes com a capacidade de computorizar decisões morais é um requisito indispensável e, particularmente verdade quando os agentes operam em domínios onde ocorrem dilemas morais, como nos cuidados de saúde e no campo médico.
Desta forma, trabalha-se para que um dia as máquinas adquiram o sentido da moralidade, questão que não deixa de nos suscitar reflexões ou obras de arte sobre o risco de máquinas demoníacas controlarem um dia o nosso mundo e dominarem a humanidade, como aconteceu nos filmes “2001: odisseia no espaço” ou no “Terminator”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O contrário de uma afirmação correcta é uma afirmação falsa, mas o contrário de uma verdade profunda pode bem ser outra verdade profunda"

Niels Bohr, físico (na foto acima com A. Einstein)

China, nos 60 anos da República Popular, a continuidade magnífica de um grande país, de uma grande cultura e de tantos povos...

Os dragões de fogo de artifício com que encerrou ontem a parada depois da ode "Mãe Pátria", cantada por um coro de dezenas de milhar de cantores.

Todas as palavras arriscam a ser poucas e banais quando a China, berço de muito da nossa civilização, grande império, depois dividido, invadido e com um tratamento colonialista inqualificável, em 1949 conseguiu, contra a guerra que lhe fizeram dezenas de potências capitalistas e o Japão, hoje dá cartas em todos os tabuleiros e é requisitada para tirar o mundo de uma crise criada pela própria evolução do capitalismo.
O presidente Hu Jintao disse aos seus compatriotas para não deixarem o caminho do socialismo, afirmando que “Sessenta anos de progresso da nova China demonstrou cabalmente que só o socialismo pode salvar a China. Só uma política de reformas e de abertura pode garantir o desenvolvimento da China, do socialismo e do Marxismo”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Onde a grandeza da natureza nos relativiza outras coisas







Considerações breves sobre a crise e a sua evolução, de Carlos Carvalhas

Neste artigo, Carlos Carvalhas, ex-secretário-geral do PCP, revela as responsabilidade de José Sócrates na gravidade da crise e o efeito da propaganda do tipo da economia portuguesa estar robusta e "outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação”.
Transcrevemos a primeira parte e remetemos o eleitor para a leitura completa no diário info.

A crise aí está a mostrar como foram erradas:

- A política do tudo à exportação, com o abandono da política da produção de bens transaccionáveis para a substituição de importações e o definhamento do mercado interno.
- A política de desindustrialização do país, com a crescente e excessiva dependência do investimento estrangeiro aumentando a vulnerabilidade e a incerteza quanto ao futuro, de que a Quimonda – que assegurava ficticiamente o nosso saldo positivo na balança tecnológica – e a Auto-Europa são exemplos.
- A política das privatizações dos empresas básicas e estratégicas e serviços públicos, que não se traduziu em benefícios para o país, antes pelo contrário. No sector financeiro por exemplo, importantes Bancos nacionais caíram em mãos estrangeiras e outros aumentaram a sua dependência. Perdeu o Orçamento de Estado, pois as receitas dos impostos sobre estas empresas diminuíram de imediato. Perdeu a economia nacional como um todo, pois o crédito – bem público – passou a ser gerido segundo os interesses particulares dos accionistas e não segundo o interesse público (1). As trafulhices no BCP, BPN e BPP – que são para já as conhecidas - evidenciam com clareza quais os desígnios da gestão privada e o pedido para a renacionalização da COSEC por parte dos exportadores, proposta já anunciada pelo governo, é a confirmação que aquela empresa nas mãos dos privados guiando-se pelos interesses particulares e de grupo não serve os interesses das exportações nacionais.
- A política de desvalorização e subalternização do investimento público; o combate ao défice com o estrangulamento da actividade económica; a submissão ao Pacto de Estabilidade e as concepções de que o mercado por si só era auto-regulador.
- A política de concentração de riqueza e da diminuição do poder aquisitivo das massas trabalhadoras e das camadas intermédias.
- O atraso com que se começou a reagir à crise, com as soberbas afirmações de que a economia portuguesa estava robusta e outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação. A primeira resposta do governo foi a de ignorar a crise com o Banco de Portugal no seu “rame rame” e em que a política orçamental esteve praticamente ausente.
- A política de gestão das nossas reservas de ouro que foram sendo vendidas nos períodos de baixas cotações com o argumento de que não eram rentáveis – o que era verdade – mas não nos períodos de crise. A displicência com que têm sido geridas as reservas de ouro e as levianas concepções que tem aparecido quanto à sua aplicação mostram por parte do Banco de Portugal e de outros “doutos” economistas do sistema, que para estes tínhamos chegado ao «fim da história » e que já não haveria mais uma crise como a que estamos a viver. Como dizia um clássico, num outro sistema o ouro até pode servir para fazer latrinas, mas no sistema vigente continua a ser um valor refúgio que deve ser gerido não de forma imobilista – boi Ápis – mas para a sua valorização e rentabilidade (2)
(...)

Notas

(1) O governo criou um grupo de contacto entre a banca e associações empresariais para avaliar as queixas dos empresários sobre gestão e concessão do crédito. “Diário Económico” 22/05/09(2) Face à incerteza da evolução do dólar a China tem vindo a comprar importantes quantidades de ouro.

Meditação, de Gerhard Richter




Belém e S. Bento entre ameaças e ligeirezas


Os recentes episódios relacionados com uma desconfiança da Presidência da República em relação a uma eventual "vigilância" sua por parte do governo e as declarações dos respectivos protagonistas, não tendo ajudado a eslarecer já o que terá que ser esclarecido, exigirá rápidamente um esclarecimento mais cabal, sob pena de deixar arrastar penosamente as relações institucionais no cenário de outros arrastões, esticões, violações e carjackings de que a democracia tem estado a ser vítima.

A "inventona" com que Sócrates arruma as suspeitas suscitadas (curiosamente um termo caro às forças reacionárias em 1974 e 1975...) e as ameaças por ele feitas depois da declaração de Cavaco ("espero não ter que voltar a...") e o m omento e a ligeireza com que Cavaco sustenta as suas desconfianças quanto ao carácter reservado das comunicações da Presidência da República, adensam um cenário há muito fragilizado das relações institucionais do Estado, banaliza-o e os portugueses lamentam o que parecem ser guerras de alecrim e manjerona, quando lhes cai em cima os efeitos de uma crise interna e internacional de que não têm responsabilidades.

Instâncias de recurso do mais alto nível descredibilizam-se em prejuízo dos cidadãos mais carentes de sinais e gestos. A nove dias do fim da campanha autárquica, Belém/S. Bento ocupam uma boa parte do espaço mediático e o Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições, parece isolado e múltiplos outros protagonistas lhe caem em cima. Analistas, comentadores, politólogos, PS e BE a ele se atiram como gato a bofe.

Há que ter em conta que não estamos num jogo de futebol em que dirigentes de clubes, de claques e comentadores desportivos costumam alinhar no "fora o árbitro". E que ainda falta algum tempo para se justificar uma pré-campanha presidencial. E digo isto sem qualquer simpatia pela acção política do actual Presidente da República, que não tenho. Mas, há limites...