domingo, 4 de outubro de 2009

Para um novo internacionalismo, por Domenico Losurdo


Reflectindo sobre um novo internacionalismo, Domenico Losurdo sublinha, em artigo recentemente publicado na resistir.info, que, mesmo antes de ele ser assimilado pelos partidos e forças de esquerda, foi por eles praticado em termos que reconfiguram, nos dias de hoje, esse conceito.
Losurdo, remata a sua reflexão, concluindo:

“Encontramo-nos hoje numa situação que tem perspectivas positivas e encorajadoras:

1. sob o ímpeto da luta anti-imperialista ressurgem povos e civilizações que estavam a ser destruídas pelo colonialismo: pense-se no papel crescente dos índios na América Latina;

2. o prodigioso desenvolvimento de um país como a China quebra o monopólio tecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamam os historiadores, para quem a dada altura se abriu um abismo entre os países capitalistas avançados e o Terceiro Mundo, esta “great divergence” tende a reduzir-se;

3. A tomada de consciência da crise do capitalismo dá um novo impulso à perspectiva do socialismo para além do Terceiro Mundo, também nos países capitalistas avançados. Por outro lado vemos os países-guia do capitalismo imersos numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditados a nível internacional. Ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito de Deus e a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina de guerra e a estender a sua rede de bases militares a todas as partes do mundo.

Tudo isto não promete nada de bom. É a presença conjunta de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis a tornar urgente a construção, a nível internacional, de um novo bloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Não é uma empresa fácil, porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturais e situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo bloco histórico, que pode dar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá ser construído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistas avançados, por um lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, por outro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.”

sábado, 3 de outubro de 2009

Irlanda: um sim, retirado à força...


A inversão do sentido de voto dos irlandeses no que respeita à aceitação do Tratado de Lisboa ficará marcado, no percurso agitado desta união europeia, como um dos mais lamentáveis condicionamentos da opinião pública.

Com o recurso a descomunais meios de propaganda e pressão, o governo irlandês, algum do grande patronato, a artilharia da burocracia de Bruxelas, e a exploração da crise económica e financeira, que particularmente atingiu a Irlanda, tudo valeu, para recuperar a visão milagreira deste Tratado, profundamente lesivo para os trabalhadores e para a democracia no espaço europeu.

Introduzir uma componente moral na inteligência artificial



Um investigador português e outro indonésio publicaram um paper no final de 2007 em que demonstraram que se pode fazer o desenho computorizado de decisões morais usando programas de lógica prospectiva, que se usam na modelação de dilemas morais na medida em que sejam capazes de um olhar prospectivo, em frente, sobre as consequências de hipotéticos julgamentos morais. Com o conhecimento dessas consequências, as regras morais utilizadas para decidir juízos morais apropriados. O raciocínio moral atinge-se através de constrangimentos a priori e preferências posteriores em modelos abdutivos estáveis, duas questões possíveis de obter numa programação lógica prospectiva.
No trabalho os dois autores modelam diferentes dilemas morais para solucionar o chamado “problema do eléctrico”, introduzido há quase cinquenta anos pelo filósofo inglês Philippa Foot e que envolve um eléctrico deslocando-se de forma descontrolada nas linhas onde estão amarradas cinco pessoas. Mas felizmente, podemos com um interruptor deslocar o eléctrico para outra via a cujas linhas está atada apenas uma pessoa. Você accionaria o interruptor? Para enfrentar este dilema os autores empregaram o princípio do efeito duplo como regra moral, e obtiveram as decisões morais adequadas.
Neste trabalho os autores partiram da constatação que a moralidade nos dias de hoje não é apenas questão de filósofos e que se tem procurado entendê-la num ponto de vista científico incluindo na com unidade da inteligência artificial onde se designa por ética da máquina, moralidade da máquina, moralidade artificial ou moralidade computacional.
Os cientistas do cognitivo, por exemplo, podem beneficiar muito da compreensão da interacção complexa de aspectos cognitivos que suportam a moralidade humana e também para obter os princípios morais que as pessoas aplicam normalmente quando defrontam dilemas. A modelação computorizada do raciocínio moral também pode ser útil em sistemas inteligentes tutorais por exemplo para ensinar a moralidade às crianças. Por outro lado, como cada vez mais se espera que os agentes artificiais sejam mais autónomos e trabalhem para nós, habilitar agentes com a capacidade de computorizar decisões morais é um requisito indispensável e, particularmente verdade quando os agentes operam em domínios onde ocorrem dilemas morais, como nos cuidados de saúde e no campo médico.
Desta forma, trabalha-se para que um dia as máquinas adquiram o sentido da moralidade, questão que não deixa de nos suscitar reflexões ou obras de arte sobre o risco de máquinas demoníacas controlarem um dia o nosso mundo e dominarem a humanidade, como aconteceu nos filmes “2001: odisseia no espaço” ou no “Terminator”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O contrário de uma afirmação correcta é uma afirmação falsa, mas o contrário de uma verdade profunda pode bem ser outra verdade profunda"

Niels Bohr, físico (na foto acima com A. Einstein)

China, nos 60 anos da República Popular, a continuidade magnífica de um grande país, de uma grande cultura e de tantos povos...

Os dragões de fogo de artifício com que encerrou ontem a parada depois da ode "Mãe Pátria", cantada por um coro de dezenas de milhar de cantores.

Todas as palavras arriscam a ser poucas e banais quando a China, berço de muito da nossa civilização, grande império, depois dividido, invadido e com um tratamento colonialista inqualificável, em 1949 conseguiu, contra a guerra que lhe fizeram dezenas de potências capitalistas e o Japão, hoje dá cartas em todos os tabuleiros e é requisitada para tirar o mundo de uma crise criada pela própria evolução do capitalismo.
O presidente Hu Jintao disse aos seus compatriotas para não deixarem o caminho do socialismo, afirmando que “Sessenta anos de progresso da nova China demonstrou cabalmente que só o socialismo pode salvar a China. Só uma política de reformas e de abertura pode garantir o desenvolvimento da China, do socialismo e do Marxismo”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Onde a grandeza da natureza nos relativiza outras coisas







Considerações breves sobre a crise e a sua evolução, de Carlos Carvalhas

Neste artigo, Carlos Carvalhas, ex-secretário-geral do PCP, revela as responsabilidade de José Sócrates na gravidade da crise e o efeito da propaganda do tipo da economia portuguesa estar robusta e "outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação”.
Transcrevemos a primeira parte e remetemos o eleitor para a leitura completa no diário info.

A crise aí está a mostrar como foram erradas:

- A política do tudo à exportação, com o abandono da política da produção de bens transaccionáveis para a substituição de importações e o definhamento do mercado interno.
- A política de desindustrialização do país, com a crescente e excessiva dependência do investimento estrangeiro aumentando a vulnerabilidade e a incerteza quanto ao futuro, de que a Quimonda – que assegurava ficticiamente o nosso saldo positivo na balança tecnológica – e a Auto-Europa são exemplos.
- A política das privatizações dos empresas básicas e estratégicas e serviços públicos, que não se traduziu em benefícios para o país, antes pelo contrário. No sector financeiro por exemplo, importantes Bancos nacionais caíram em mãos estrangeiras e outros aumentaram a sua dependência. Perdeu o Orçamento de Estado, pois as receitas dos impostos sobre estas empresas diminuíram de imediato. Perdeu a economia nacional como um todo, pois o crédito – bem público – passou a ser gerido segundo os interesses particulares dos accionistas e não segundo o interesse público (1). As trafulhices no BCP, BPN e BPP – que são para já as conhecidas - evidenciam com clareza quais os desígnios da gestão privada e o pedido para a renacionalização da COSEC por parte dos exportadores, proposta já anunciada pelo governo, é a confirmação que aquela empresa nas mãos dos privados guiando-se pelos interesses particulares e de grupo não serve os interesses das exportações nacionais.
- A política de desvalorização e subalternização do investimento público; o combate ao défice com o estrangulamento da actividade económica; a submissão ao Pacto de Estabilidade e as concepções de que o mercado por si só era auto-regulador.
- A política de concentração de riqueza e da diminuição do poder aquisitivo das massas trabalhadoras e das camadas intermédias.
- O atraso com que se começou a reagir à crise, com as soberbas afirmações de que a economia portuguesa estava robusta e outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação. A primeira resposta do governo foi a de ignorar a crise com o Banco de Portugal no seu “rame rame” e em que a política orçamental esteve praticamente ausente.
- A política de gestão das nossas reservas de ouro que foram sendo vendidas nos períodos de baixas cotações com o argumento de que não eram rentáveis – o que era verdade – mas não nos períodos de crise. A displicência com que têm sido geridas as reservas de ouro e as levianas concepções que tem aparecido quanto à sua aplicação mostram por parte do Banco de Portugal e de outros “doutos” economistas do sistema, que para estes tínhamos chegado ao «fim da história » e que já não haveria mais uma crise como a que estamos a viver. Como dizia um clássico, num outro sistema o ouro até pode servir para fazer latrinas, mas no sistema vigente continua a ser um valor refúgio que deve ser gerido não de forma imobilista – boi Ápis – mas para a sua valorização e rentabilidade (2)
(...)

Notas

(1) O governo criou um grupo de contacto entre a banca e associações empresariais para avaliar as queixas dos empresários sobre gestão e concessão do crédito. “Diário Económico” 22/05/09(2) Face à incerteza da evolução do dólar a China tem vindo a comprar importantes quantidades de ouro.

Meditação, de Gerhard Richter




Belém e S. Bento entre ameaças e ligeirezas


Os recentes episódios relacionados com uma desconfiança da Presidência da República em relação a uma eventual "vigilância" sua por parte do governo e as declarações dos respectivos protagonistas, não tendo ajudado a eslarecer já o que terá que ser esclarecido, exigirá rápidamente um esclarecimento mais cabal, sob pena de deixar arrastar penosamente as relações institucionais no cenário de outros arrastões, esticões, violações e carjackings de que a democracia tem estado a ser vítima.

A "inventona" com que Sócrates arruma as suspeitas suscitadas (curiosamente um termo caro às forças reacionárias em 1974 e 1975...) e as ameaças por ele feitas depois da declaração de Cavaco ("espero não ter que voltar a...") e o m omento e a ligeireza com que Cavaco sustenta as suas desconfianças quanto ao carácter reservado das comunicações da Presidência da República, adensam um cenário há muito fragilizado das relações institucionais do Estado, banaliza-o e os portugueses lamentam o que parecem ser guerras de alecrim e manjerona, quando lhes cai em cima os efeitos de uma crise interna e internacional de que não têm responsabilidades.

Instâncias de recurso do mais alto nível descredibilizam-se em prejuízo dos cidadãos mais carentes de sinais e gestos. A nove dias do fim da campanha autárquica, Belém/S. Bento ocupam uma boa parte do espaço mediático e o Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições, parece isolado e múltiplos outros protagonistas lhe caem em cima. Analistas, comentadores, politólogos, PS e BE a ele se atiram como gato a bofe.

Há que ter em conta que não estamos num jogo de futebol em que dirigentes de clubes, de claques e comentadores desportivos costumam alinhar no "fora o árbitro". E que ainda falta algum tempo para se justificar uma pré-campanha presidencial. E digo isto sem qualquer simpatia pela acção política do actual Presidente da República, que não tenho. Mas, há limites...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ensinar ao patronato como aplicar as malfeitorias de Sócrates

No próximo dia 1 de Outubro, a AERLIS vai realizar uma acção de formação sobre as os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos no Novo Código do Trabalho que são favoráveis a algum patronato e um verdadeiro crime contra os trabalhadores.
Pretende este braço patronal que os patrões rapidamente se familiarizem “com a criação do contrato de trabalho intermitente e de muito curta duração, o banco de horas, os horários concentrados, a adaptabilidade grupal e a simplificação introduzida nos processos de despedimento com a supressão da fase de instrução foram algumas das medidas introduzidas no Novo Código de Trabalho. As mesmas visam permitir uma maior flexibilidade do tempo de trabalho e uma diminuição de custos para as empresas”.

Nesta sessão os participantes serão “esclarecidos” sobre quais os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos pelo Novo Código de Trabalho e como efectuar a implementação destas alterações com recurso aos sistemas de informação.

Relembre-se a propósito que no seu site (http://www.aerlis.pt/), a AERLIS se define como movimento de descentralização iniciado pela AIP, Associação Industrial Portuguesa, que resultou na criação de Associações Empresarias Regionais (AER), das quais a AERLIS representa o distrito de Lisboa com os seus 16 municípios.
Diz-se aí que o objectivo da AERLIS é criar condições para um desenvolvimento sustentado (???)do tecido económico e social (???), em consonância com os interesses das empresas (de quais???), das regiões (???) e dos municípios (???) onde se inserem.
Aí também se consagra que a missão da AERLIS se consubstancia na prestação de serviços de qualidade às Empresas da Região de Lisboa, tornando-as mais competitivas nos mercados onde operam e na representação e defesa dos seus interesses junto das diversas instâncias estatais e privadas (neste caso deve ser o inverso, isto é, a representação da defesa das políticas e decisões do governo junto das diversas instâncias privadas, não???).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Agora as autárquicas!

Versão corrigida

Ontem à noite os meus sentimentos eram contraditórios face aos resultados eleitorais.
Satisfação por o PS ter perdido a maioria absoluta, o que resultou essencialmente por deslocação de votos de esquerda do PS para o Bloco. Satisfação pelo reforço ligeiro da CDU em votos, percentagem e deputados eleitos. Satisfação por a direita se ter mantido em minoria, perdendo margem de manobra que só lhe poderá restar se o PS a isso aceder. Satisfação pela derrota da arrogância, que só renascerá num outro contexto político com motivações provocatórias.
Insatisfação por a deslocação de votos do PS se não ter feito em termos significativos para a CDU, tendo optado por uma plataforma onde a transitoriedade das opções dão mais sentido ao protesto do que à alternativa. Por o PCP, o grande animador e organizador dos grandes movimentos de protesto contra a política do PS, não ter disso beneficiado eleitoralmente, não pelo facto em si mesmo mas pelas interrogações que isso coloca à possibilidade de ser interrompido o caminho de destruição dos dirigentes socialistas.
Quando o PS ontem proclamou vitória, tendo sido ele o único partido que baixou os resultados. Quando Sócrates disse que quem tinha sido escolhido para formar governo fora ele e não os outros, quando os seus porta-vozes insistiram que o rumo político se manteria, é de prever que entrámos numa fase de acordos explícitos com a direita ou que prepara um caminho de provocação e chantagem.
Mas Sócrates foi derrotado e a bipolarização quebrou-se. E disso tem que saber ler os sinais.
Agora, vamos às autárquicas porque estes resultados foram promissores.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


O mundo, se o puder ser, só será salvo pelos insubmissos

André Gide (Diário)

Estrangulamento financeiro da segurança social pelo CDS, PSD e PS e a tentativa de criar um mercado para fundos de pensões privados, por Eugénio Rosa



Os programas eleitorais do CDS e do PSD contêm medidas que, se forem implementadas, criarão problemas graves à Segurança Social, já que poderão pôr em causa a sua sustentabilidade financeira e mesmo o pagamento das pensões no futuro. Infelizmente no debate eleitoral, e mesmo por parte das organizações dos trabalhadores, essas medidas não mereceram qualquer posição ou intervenção, ou então passaram despercebidas.

O CDS apresenta uma proposta que coincide com a que Bagão Félix apresentou em 2004 quando era ministro. E essa proposta consiste em estabelecer um limite ou "plafond" (6 salários mínimos nacionais) acima do qual empresas e trabalhadores deixariam de descontar para a Segurança Social e a parte dos trabalhadores seria aplicada em fundos de pensões privados. Os trabalhadores seriam duplamente prejudicados. Em primeiro lugar, as contribuições acima desse limite que as empresas entregam agora à Segurança Social ficariam para as empresas, o que determinaria que o valor que os trabalhadores receberiam dos fundos de pensões quando se reformassem seria apenas o correspondente aos seus descontos, portanto um valor reduzido. Em segundo lugar, uma parte das poupanças dos trabalhadores seria investida em fundos pensões cujos resultados dependem da especulação bolsista, o que poria em perigo uma parte das pensões dos trabalhadores. E a Segurança Social perderia uma receita de 16.000 milhões de euros num período de 30 anos.

As propostas do PSD constantes do seu programa eleitoral são três: (1) Reduzir em dois pontos percentuais a Taxa Social Única suportada pelos empregadores até 2011; (2) Apoiar a contratação de novos trabalhadores com uma redução da Taxa Social Única em 35% e 70% , respectivamente para os trabalhadores a termo e sem termo". E a introdução, à semelhança da proposta do CDS, também de um limite ("plafond") nas contribuições para a Segurança Social. A primeira medida (redução de 2 pontos percentuais na taxa de contribuição das empresas) determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social de cerca de 750 milhões de euros por ano. Como é para vigorar em 2010 e 2011, esta medida significaria uma redução de receitas que se estima em 1.500 milhões de euros. A segunda medida – redução da taxa contributiva das empresas em 35% e em 70%, conforme o contrato for a termo ou sem termo – determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social que não deveria ser inferior a 300 milhões de euros por ano. Finalmente a ultima medida – introdução do plafonamento nas contribuições – não é possível estimar as suas consequências porque o PSD, diferentemente do CDS, não concretiza o limite contributivo.
No entanto, a introdução de qualquer limite determina uma quebra imediata de receita, porque uma parte dos "descontos" das empresas e dos trabalhadores deixariam imediatamente de ir para a Segurança Social.

Sócrates já introduziu na lei a possibilidade de implementar o "plafonamento das contribuições". Assim de acordo com o artº 58 da Lei 4/2007 aprovada pelo PS, "a lei pode ainda prever …. a aplicação de limites superiores aos valores considerados como base de incidência contributiva ou a redução das taxas contributivas dos regimes gerais". Portanto, por simples decreto ou portaria o governo poderá introduzir o chamado "plafonamento horizontal" (acima de determinado limite, por ex. 6 SMN, deixar-se-ia de descontar para a Segurança Social, e o valor dos descontos apenas dos trabalhadores seriam aplicados em fundos de pensões) ou o "plafonamento vertical" (redução da taxa contributiva paga por todos os trabalhadores, seja qual for o seu salário, e o valor assim liberto (apenas os dos trabalhadores) seria aplicado em fundos de pensões, o que determinaria uma quebra imediata das receitas para a Segurança Social, criando dificuldades financeiras a esta.
Não resta duvida que o CDS e o PSD têm assim o caminho consideravelmente facilitado para aplicar as suas propostas. O PS já lhes deu uma importante ajuda. Para além disso, Sócrates também aprovou um conjunto de medidas – redução da taxa contributiva das micro e pequenas empresas em 3 pontos percentuais; premio de 2000€ dado às empresas que contratem trabalhadores até 30 anos, etc. – que determinarão, só em 2009, uma redução de receitas para a Segurança Social em 240 milhões de euros.
No fim de Agosto de 2009, o saldo global da Segurança Social era de 628,1 milhões de euros, quando em idêntico mês de 2008 atingia 1.534 milhões de euros, ou seja, 2,4 vezes mais. Isto mostra que a crise está a ter um forte impacto na Segurança Social e que, embora estando a aguentar as graves consequências dela, o certo é que não poderá continuar a ser utilizada, como tem feito o PS e como pretendem fazer o CDS e PSD, para resolver os problemas das empresas, e mesmo para garantir os lucros de algumas empresas.
Ler este estudo na integra aqui.

CDU: o único voto útil para uma outra política

Ontem no Campo Pequeno eramos mais de 7 mil. O entusiasmo. A convicção. Não eram ainda os votos mas era a imagem daqueles em que se pode confiar para que o voto, que pode ser tão volátil, possa ter utilidade e permanecer, depois de domingo, para os devidos efeitos: uma outra política.
Sendo certo que ninguém é dono dos votos de cada um, é também certo que eles serão utilizados. Incuindo para manter quem nos quiz tourear, alterando alterando as regras da lide e que, agora, apesar de ferido na faena destes quatro anos, diz que a vai continuar a fazer mas com um olhar manso para os eleitores. Em todas as faenas há os que dão o peito mas também há os peões de brega, que nem sempre desdenham sentar-se à mesa.
Os portugueses sabem quem pegou a política pelos ditos e animou a faena. O animal já não estava em boas condições quando o soltaram. Já tinha muitas bandarilhas de esperança. Mas não estava embolado e fez tudo o que pode para se arrastar em mais uma temporada.
O inteligente teve umas entradas em falso para gáudio de algumas ganaderias velhas com uma aficción que não deixou de fazer todas as cambalhotas possíveis para se aggiornare com as regras das novas lides.
Hoje as chocas recolherão o animal e no domingo sentirá que as feridas lhe retiraram potencial de arremesso e começará a piscar os olhos para alguns camarotes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Liberdade, escultura de Jorge Vieira

Lula da Silva pede ao governo fantoche das Honduras que não assalte a embaixada brasileira


A carga policial sobre os hondurenhos concentrados junto à embaixada fez com que Zelaya declarasse recear pela sua vida e com que o presidente brasileiro pedisse há instantes que a embaixada não fosse invadida pela tropa.

O canal 36 viu a energia eléctrica cortada para impedir que continuasse a transmitir. A Radio Globo, a única que transmitiu directamente o regresso de Zelaya, está a ter o sei sinal sucessivamente interrompido.

Na 5ª feira aparece e no domingo... vota na CDU

Ainda sobre a síntese abiótica de hidrocarbonetos

Recebi com gosto observações de um amigo ao post que, sobre esta matéria, publiquei aqui no passado dia 20, a que respondi nos termos que podereis consultar nos respectivos comments, chamando a atenção para o interesse de que se reveste trabalho anterior do falecido cientista Thomas Gold publicado na resistir.info.
Daí resultaram tentativas de contactos com os três cientistas do trabalho que eu inicialmente tinha citado.
Goncharov, atendeu-me amavelmente e disse-me que o interesse dos três investigadores vinham de experiências e previsões teóricas anteriores (já referidas no trabalho do falecido Thomas Gold atrás referido).

Nessas experiências o metano sujeito a altas pressões e temperaturas dava origem a hidrocarbonetos mais pesados. Mas as moléculas não se podiam identificar, apresentando uma distribuição semelhante. Goncharov afirmou-me terem ultrapassado essa questão com a sua técnica de aquecimento a laser, em que puderam tratar volumes maiores e mais uniformemente, tendo verificado que o metano pode ser produzido a partir do etano e que, portanto, existe uma reversibilidade de reacções.

Retomando a questão que coloquei há dois dias, o petróleo e o gás que abastecem as nossas casas e os carros resultaram de organismos vivos que morreram, foram comprimidos, e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta da Terra. Há anos que os cientistas têm debatido se alguns destes hidrocarbonetos também poderiam ter sido criados em camadas mais profundas da Terra e sem o concurso de matéria orgânica.

Agora, pela primeira vez, os cientistas descobriram que o etano e hidrocarbonetos mais pesados podem ser sintetizados sob a pressão de condições de temperatura do manto superior da camada de terra sob a crosta e no topo do núcleo. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório de Geofísica do Instituto Carnegie, com os colegas da Rússia e da Suécia, e foi publicada, on line, em 26 de Julho passado, nas Letters da Nature Geoscience.
Legenda: Este olhar artístico do interior da Terra mostra os hidrocarbonetos a formarem-se no manto superior e a serem transportados através de falhas profundas para as profundezas da crosta da Terra. A outra imagem inserida mostra um instantâneo da reacção de dissociação do metano estudada neste trabalho.

O Metano (CH4) é o principal componente do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima na indústria petroquímica. Ambos os hidrocarbonetos, bem como outros relacionados com o combustível, se designam por hidrocarbonetos saturados, porque eles têm ligações simples e estão saturados com hidrogénio. Eles usaram uma célula de “bigorna de diamante” e uma fonte de calor laser. Submeteram em primeiro lugar o metano a pressões superiores a 20 mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar e a temperaturas que variam entre 1.300 ° F e mais de 2.240 ° F. Estas condições reproduzem as que poderão ser encontradas a 40-95 quilómetros de profundidade no interior da Terra.
O metano reagiu e formou etano, propano, butano, moléculas de hidrogénio e grafite.
Depois submeteram o etano às mesmas condições e obtiveram metano. Esta reversibilidade de reacções implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não requer matéria orgânica.
Estes cientistas excluíram catalisadores como parte do aparato experimental, mas reconhecem que os catalisadores poderão estar envolvidos no interior da Terra numa mistura de compostos.

Já não consegui obter resposta de Kutcherov que foi quem fez a declaração, não fundamentada, das promissoras perspectivas económicas, que citei no post anterior, mas que não constavam do trabalho propriamente dito, apresentado em Julho pelos três autores, parecendo ser tão só um aparte seu.

Zelaya nas Honduras: pátria, restituição ou morte!


Ontem perto da meia noite, depois de ter sido confirmadas a sua reentrada clandestina em Tegucigalpa, capital das Honduras e a sua presença na embaixada doBrasil nesta cidade, o presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de estado, dirigiu-se ao seu povo, dizendo: "A partir de agora nada nos tirará de aqui, e por isso a nossa posição é patria, restituição ou morte".


“Les habla el comandante general de las Fuerzas Armadas de Honduras que el pueblo eligió para dirigirlos y que les tendió una mano siempre. Les hago pacíficamente un llamado a la cordura, que no vaya a haber violencia en las calles. La gente que está aquí con nosotros está desarmada gritando consignas de alegría porque hoy es un día de fiesta”, afirmou Zelaya aos órgãos de comunicação na embaixada do Brasil, enquanto apelou ao povo para se aproximar da embaixada “que me ha recibido y me ha dado el apoyo en nombre del presidente Lula da Silva”. Afirmou ainda que a sua chegada pacífica às Honduras tem como objectivo iniciar um processo de diálogo nacional e internacional que, com os que participaram no golpe de estado, "hagamos un esfuerzo por Honduras y por nuestro pueblo. Yo estoy dispuesto a hacer el sacrificio que sea necesario”.


Muitos hondurenhos estão à volta da embaixada não acatando o recolher obrigatório que Micheletti voltou a decretar. Ao corte da electricidade imposto, reagiram mantendo acesas velas o os ecrans de telemóveis.

Micheletti exigiu que o Brasil lhe entregue Zelaya para ser julgado ou então lhe dê asilo político...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A ilha da paz, por Tomy, no Granma


Mais de um milhão em concerto pela paz, ontem em Havana

Sob o olhar firme de uma imagem de Che Guevara aplicada em ferro na fachada de um ministério, mais de um milhão de pessoas, a maioria vestida de branco, ocupou, a Praça da Revolução, em Havana, para participar num concerto pela paz.
O acontecimento foi encabeçado pelo artista colombiano Juanes - que, por isso, chegou a ser ameaçado pelos anti-castristas de Miami.
O espectáculo "Paz sem fronteiras" teve como objectivo justamente promover uma aproximação entre os Estados Unidos e Cuba.

Com mais de um milhão de participantes , o mega-concerto pela paz ontem realizado na Praça da Revolução em Havana foi um espectáculo que fará história. A iniciativa partiu de Juanes, cantor colombiano, residente na Florida, e considerado pelo US People Magazine como “a mais destacada figura do rock latino-americano na última década”. Entre outros prémios, Juanes já ganhou 17 Grammys latinos e 1 anglo-saxónico, que ontem avaliou os presentes em 1 milhão e cento e cinquenta mil, a maioria dos quais jovens.
A iniciativa foi transmitida por várias emissoras de TV dos Estados Unidos, Europa e América Latina. "Aos jovens de Miami e de todo o mundo: podemos ter diferentes pensamentos, mas, aqui, estamos pela paz. Deixemos o ódio de lado", disse Juanes, que manifestou o desejo de promover o mesmo show em Miami. E rematou "Queremos que, com o tempo, as coisas mudem e a família cubana seja apenas uma. E a melhor linguagem para chamar a atenção para isso é a da música e a da paz.”

O número de participantes surpreendeu os organizadores. A multidão - que ultrapassou a da missa ao ar livre de João Paulo II, em 1998 ( 800 mil pessoas) – e suportou desde muito cedo temperaturas de mais de 30º C para assistir ao concerto.O show foi a segunda edição deste acontecimento pela paz. O primeiro foi organizado no ano passado na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.

Ao entrar no palco, Juanes vibrou: "Não posso acreditar no que os meus olhos estão a ver, é o sonho mais bonito de paz e amor que tive depois dos meus filhos".

Desde que anunciou a intenção de promover o concerto em Cuba, Juanes suscitou a ira de muitos exilados cubanos em Miami, feudo do anticastrismo, onde Juanes mora com a sua família. Vítima da intransigência, o cantor recebeu ameaças de morte e viu os seus discos serem quebrados com golpes de martelo.

Ontem, a expectativa para o concerto era tanta que até o presidente dos EUA, Barack Obama se lhe referiu. Elogiou a iniciativa, mas respondeu que não se deveria dar uma dimensão exagerada ao efeito de espectáculos como o de ontem e da diplomacia cultural. com Cuba para a retomada das relações entre os dois países. "Não acredito que esse tipo de evento prejudique as relações Estados Unidos-Cuba", disse Obama. Já o dirigente venezuelano Hugo Chávez não poupou elogios ao evento, que qualificou de "maravilhoso".

Ontem, no Palácio de Cristal com a CDU




domingo, 20 de setembro de 2009

O petróleo e o gás natural só resultam de fósseis animais e vegetais? Há petróleo no Beato?

A origem orgânica do petróleo e gás natural é explicada por múltiplas evidências, das quais a mais aceite hoje , é a de que, tal como no caso do carvão, eles resultariam da transformação prolongada de fósseis animais e vegetais em ambiente anóxico (sem oxigénio) depois de uma deposição inicial na superfície terrestre e no fundo dos mares e lagos, alojando-se em bacias sedimentares e sofrendo transformações suscitadas por bactérias, que, por alterações tectónicas e as falhas que estas produzem, permitissem fazer chegar à superfície diversos hidrocarbonetos
Mas que seja só por esta via que as duas preciosas fontes de energia se originam já divide investigadores.

Não vou inclinar-me para uma dessas atitudes porque não estou habilitado para isso, se bem que seja questão que há muito me suscita interesse. Nem entrar pela especulação de que esta seria uma alternativa de fonte de energia que não limitasse a prospecção a jazidas de origem fóssil. E ainda menos que não teria razão de ser o receio expresso por tantos nas últimas dezenas de anos de que teríamos que encarar o fim do fornecimento do petróleo.

Em Julho deste ano, um livro (1) dava conta de investigações realizadas no Real Instituto de Tecnologia de Estocolmo que demonstravam que os fosseis animais e vegetais não eram obrigatórios nestes processos, conclusão que abriria a hipótese, que referimos atrás, de poder ser muito mais fácil encontrar estas fontes de energia e em todo o globo.

Estas investigações têm envolvido centros russos, suecos e norte-americanos que estão a contribuir para que a teoria da origem orgânica destas fontes de energia coexista com uma outra, a teoria inorgânica ou abiótica sem intervenção de matéria viva) com cada vez maior aceitação nos meios científicos.

Não as desenvolvendo agora aqui, importa reter que esta corrente dispõe também de fortes argumentos para uma não aceitação da teoria orgânica. Ao mesmo tempo que afirma não ter que se aceitar que o ciclo do carbono se restrija à superfície da crosta, sendo mais razoável aceitar que o Carbono é continuamento bombado para a superfície devido às altíssimas pressõe3s do interior da Terra.

A possibilide de sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica deu no passdado muita força à teoria dos combustíveis fósseis.
Mas agora é possível sintetizar etano (C2H6), a partir do metano (CH4) e outros hidrocarbonetos pesados num ambiente sem matéria viva, fóssil.

A utilização de uma cápsula e pressão, conhecida como bigorna de diamante (ver esquema ao lado) e uma fonte de calor a laser, os cientistas submeteram o metano a pressões mais de 20 mil vezes superior à pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1200º C, reproduzindo assim as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilómetros de profundidade.
No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano, demonstrando a reversibilidadfe das duas reacções.
Essas reações demonstram que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria .

A opção por esta teoria, segundo os autores, levaria a um drástico abaixamento dos preços de extracção de petróleo e gás natural e dos preços ao consumidor industrial e doméstico e à generalização a todo o mundo de novos estudos para novas captações em locais até agora não explorados.

O entusiasmo que esta perspectiva pode gerar terá que ser temperado com a necessidade de novas investigações que os autores referem, para além das implicações da reconversão de toda a tecnologia envolvida
Mas seria uma alegria que daríamos ao Raul Solnado sobre a possibilidade da descoberta que fez há uns anos: "Há petróleo no Beato!!"...
(1) "Methane-derived hydrocarbons produced under upper-mantle conditions", Anton .
Kolesnikov, Vladimir G. Kutcherov, Alexander F. Goncharov, Nature Geoscience26 July 2009Vol.: Published onlineDOI: 10.1038/ngeo591

sábado, 19 de setembro de 2009

Trabalhadores de Saragoça contra 1700 despedimentos na Opel


Foram muiitos milhares de trabalhadores que hoje ssaíram à rua em Figueruelas (Saragoça) para impedirdespedimento de 1750 dos 7500 que a empresa tem nesta localidade.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"A dúvida cresce com o conhecimento"


Goethe ("Provérbios em prosa")

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

No adeus a Juan Almeida

Almeida fue uno de los mejores capitanes…, el compañero leal, el compañero amable, el compañero que compartía contigo, el compañero que contigo y por ti… estaba dispuesto a dar su vida.
Fidel


Nas fotos com Camilo Cienfuegos, com Che Guevara, com Fidel e Raul














Cartoon de Monginho

in Avante!

Ó Zé, não foi porreiro, pá?...


Agora, nós...



A uma semana do final da campanha eleitoral importa reconhecer que os dados estão lançados. Era preciso muita peixeirada para Sócrates recuperar, muitos freeports para Ferreira Leite descolar e uma frota inteira de submarinos para retirar Portas da linha de água.
Da crise interna e da vulnerabilidade aos efeitos da crise internacional, os partidos que nos têm desgovernado não tiraram lições. É certo que falam das causas sistémicas, do neo-liberalismo, do sistema financeiro à deriva na democracia. Mas por mero show-off. Onde estão as medidas para que não seja assim? Viste-las...

É à esquerda que os resultados vão ter mais significado para o que depois de dia 27 se vai passar. Louçã mantem indefinições promissoras para outros que não o PCP a quem vai bicando, particularmente na margem sul, como se esquecesse à custa de quem teve ou não teve votos.
O factor mais significativo para ser possível uma vida melhor vai depender da força, também recolhida em votos, por parte da CDU.
Foi deste lado que os atingidos duramente por Barroso, Sócrates e Santana, encontraram a voz amiga, a camaradagem na luta, a consequência entre o que se diz e o que se faz.

Agora nós...Eis a esperança de quem lutou e soube interpretar no bem de todos os factos, as políticas, as revoltas e tecer o trabalho que, por ser delicado, nunca deixa de ser de um compromisso exigente.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O cartel da OPEP viola as leis do mercado ao tentar impedir a concorrência do petróleo da Rússia…

Um jornalista russo, Alexander Gudkov, escreve hoje na “Voz da Rússia” que as críticas à Rússia e a outros produtores independentes de petróleo foram o único resultado da última reunião da OPEP, de 10 de Setembro (ver ao lado mapa dos países da OPEP).

Segundo ele, quando os preços estavam baixos, a OPEP pediu à Rússia para reduzir a produção de petróleo. Agora, a Rússia foi acusada de não dar atenção a esse pedido. O Ministério da Energia russo manifestou a sua perplexidade com estas declarações, dizendo que é melhor é ignorá-las porque são desprovidos de sentido económico. No entanto, as críticas públicas da OPEP à Rússia podem mostrar que já não acredita na vontade deste último em respeitar compromissos tácitos.

A decisão de manter a produção ao nível actual era previsível e a fixação do preço da OPEP em 69,23 dólares por barril, foi a melhor que os exportadores de petróleo poderiam esperar.

No entanto, para este analista, algumas declarações extravasaram esse sentimento. O secretário-geral da OPEP, Abdalla Salem El-Badri, expressou sua preocupação pelo facto da Rússia não parecer estar muito disposta a cooperar com o cartel do petróleo. O ministro da Energia do Catar, Abdullah al-Attiya foi mais crítico, dizendo "Ouvimos muitas palavras, mas gostaríamos de receber apoio real e não apenas verbal”.

A OPEP está a reduzir a produção de petróleo para manter os preços. E entretanto, a Rússia deixou para trás a Arábia Saudita nas exportações de petróleo pela primeira vez desde a desintegração da União Soviética. Segundo o Ministério russo da Energia, no segundo trimestre, as exportações de petróleo e derivados de petróleo da Rússia atingiram 7,4 milhões de barris por dia. Na estimativa da Agência Internacional de Energia (AIE), o maior exportador da OPEP, a Arábia Saudita abastecia o mercado com sete milhões de barris por dia. "O fornecimento de mais petróleo está a minar os esforços da OPEP e conduzirá a uma nova redução dos preços do petróleo no terceiro trimestre", disse Attiya. Não se limitando à crítica à política de preços da Rússia, acusou, sem rodeios, o primeiro-ministro Vladimir Putin, de tentar usar as decisões da OPEP sobre a redução da produção para aproveitar para garantir o abastecimento de segmentos do mercado de petróleo antes garantidos pelo cartel.·
Mas o ministro da Energia russo Sergei Shmatko disse na sexta-feira que é fácil a OPEP fazer comentários quando nem sequer convidou um representante russo a participar na reunião. Os interesses da Rússia e da OPEP não coincidem, mas a política independente de petróleo da Rússia é aceite por muitos países, porque o Ocidente considera que o petróleo da Rússia é uma alternativa para abastecimento a partir de uma região tão instável como o Médio Oriente.

Os membros da OPEP não se esqueceram de 2002, quando a Rússia prometeu à OPEP cortar a produção de petróleo em 150.000 barris por dia. Mais tarde, esse número foi reduzido para 50.000 barris, e finalmente, a produção de petróleo aumentou em 150.000 barris por dia. As acusações da Rússia de aproveitar os mercados da OPEP também são infundadas, porque o mercado de petróleo russo é muito limitado. O petróleo russo é fornecido apenas para poucas refinarias na Europa, que está especialmente vocacionada para uma determinada marca.


A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) é hoje composta por 13 países que têm algumas das maiores reservas do mundo, como a Arábia Saudita. Funciona, de facto, como um cartel que pretende controlar a produção do petróleo, incluindo o controlo de preços e dos níveis de produção que funcionem como pressão sobre a livre concorrência no mercado

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que devo mudar, e lucidez para perceber a diferença entre umas e outras."
Reinhold Niebuhr (teólogo protestante, 1892-1971)

A propósito dos oito anos de uma provocação sangrenta


Aproveito um pouco de rede até para que não passe a efeméride.


Passam hoje oito anos sobre o que poderá ter sido a maior provocação da História organizada por organismos do estado de um país para justificar fins inconfessáveis e que vitimaram milhares dos seus próprios cidadãos.


O terrorismo é hoje uma forma de conduzir guerras em termos não convencionais e o terror e comunicação social constituem uma mistura explosiva que cria as condições favoráveis a grandes mudanças na política mundial e na própria realidade, constituindo-se como um verdadeiro sistema de controlo de processos à escala global.
Esta é uma tese do general russo Leonid Ivashov que era o chefe do estado-maior do exército do seu país no dia 11 de Setembro de 2001, quando os EUA tinham para esse dia anunciado manobras militares aéreas.
Segundo este politólogo, o terrorismo não constitui um sujeito em si mesmo mas um meio de instaurar uma única ordem mundial que elimine as fronteiras e garanta o domínio de uma nova elite mundial.
Para ele, da análise destes acontecimentos de há oito anos pode concluir-se que estes atentados modificaram, o curso da história mundial e enterraram a ordem mundial saída dos acordos de Ialta e Potsdam e libertaram as mãos dos EUA, da Grã-Bretanha e de Israel permitindo-lhes conduzir acções contra outros países, violando regras da ONU e acordos internacionais. Mas também estimularam o alargamento do terrorismo internacional, que se apresenta como instrumento radical de resistência, de combate à mundialização, de separatismo e como forma de resolver conflitos entre nações, entre etnias e entre religiões. E protegeram, desestabilizando-as, as zonas de passagem do narcotráfico.
Na generalidade destas situações, os actos terroristas, excepção feita às lutas de libertação nacional, são actos provocatórios que dão cobertura a decisões de alcance geoestratégico por parte das potências ocidentais. É significativo que, no início deste ano o Congresso dos EUA tenha aprovado que é objectivo da politica de Washington “garantir o acesso às regiões-chave do mundo, às comunicações estratégicas e aos recursos mundiais"...

E os EUA garantirão para o efeito substâncias nocivas e armas de destruição maciça, sem escrúpulos nos tipos de armas que “respondam” aos ataques terroristas.
As provocações terroristas vêem da antiguidade e, mais recentemente, também estiveram na origem da 1ª e 2ª guerras mundiais.
As operações “de resposta” são preparadas, paralelamente à montagem das provocações com que se procuram justificar, e servem para os autores de ambas, resolverem simultaneamente algumas das suas necessidades, como aconteceu no 11 de Setembro.
A oligarquia financeira mundial e os EUA obtiveram o “direito” informal de recorrer à força contra qualquer estado. O papel do Conselho de Segurança foi desvalorizado e passou a fazer figura de organismo criminoso cúmplice dos agressores e aliados de uma nova ditadura fascista mundial a sair da “nova ordem” em construção. E os EUA consolidaram o seu monopólio mundial, obtendo acesso a todas as regiões do mundo e aos respectivos recursos.
A crise financeira internacional que gerou no seu bojo, dificultou este processo, reanimou esforços para a multilateralidade de apoio regional, fez renascer a necessidade de uma nova moeda mundial, mas ela própria, é aproveitada pela elite dirigente para aprofundar esses processos.

Hoje, só nos EUA não é significativamente contestada a tese do 11 de Setembro ser uma altíssima provocação para que os EUA abrissem um novo curso da história. Em todo o lado a hipótese da provocação é discutida e entendida nas suas motivações.
A Al-Qaeda não dispunha dos recursos financeiros, operacionais e logísticos, de redes e sistemas de informação. Poderão ter forneci do os executantes mas tão só. Porque para o resto não dispunham de envergadura. Para o resto só a partir do próprio estado norte-americano havia condições, bem mais complexas.
Uma série de factos que têm vindo a ser revelados, as mentiras, imprecisões e interrogações suscitadas pelos relatórios oficiais sobre o atentado a contra o Word Trade Center e o Pentágono, justificam que não estamos perante um melodrama de cordel de uma teoriazinha da conspiração mas face a uma complexa e desumana operação interna contra os seus próprios cidadãos em prol da expansão do império e de uma nova ordem mundial.