
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Vox populi
A manipulação dos medos

A Time de ontem revela passagens do livro que será editado no próximo dia 1, "The test of our times", de Tom Ridge, antigo Secretário de Estado de G. Bush.
Nestas passagens, o autorr por demitido por Bush por não ter aceite ordens de Dick Cheney, no sentido de elevar o grau de alerta anti-terrorista nas vésperas das presidenciais que Bush venceu sobre John Kerry, fica claro como a chamada luta anti-terrorista tem sido de facto o embrulho para outro tipo de acções políticas menos aceitáveis aos olhos de uma opinião pública que, depois do 11 de Setembro, ficou mais sensível à manipulação dos medos.
sábado, 22 de agosto de 2009
Cáucaso: a guerra que está a ser e a 3ª Guerra Mundial que ainda pode ser...

Para aqueles que estão interessados em tornear os falsos argumentos dos EUA para manterem uma influência directa e indirecta, armada, de atentados, de organização de protestos ao longo do Cáucaso, na sequência do que já tinha sucedido com o desmembrar sangrento da ex-Jugoslávia, aconselhamos esta análise de Rick Rozoff, colaborador habitual da Global Research.
O autor comerça por revisitar declarações de Mathew Bryza que foi um dos principais homens dos EUA no Cáucaso do Sul, bacia do Mar Cáspio e Ásia Central, nos últimos doze anos.
De 1997-1998, foi assessor para a coordenação pelo embaixador americano Richard Morningstar dos esforços para os interesses energéticos dos EUA na região do Cáucaso e na Ásia Central, bem como no sudeste da Europa, nomeadamente na Grécia e Turquia. Morningstar foi nomeado pela administração Clinton como primeiro Conselheiro Especial do Presidente e Secretário de Estado para a Assistência aos Novos Estados Independentes da antiga União Soviética em 1995 e, em seguida, Conselheiro Especial do Presidente e do Secretário de Estado da Bacia do Cáspio para a Diplomacia Energética em 1998 e foi um dos principais arquitectos da estratégia dos EUA, no Trans-Cáspio, executando o plano energético do Mar Cáspio que atravessa o sul do Cáucaso para a Europa.
Um dos projetos em que participou foi o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan [BTC] - "o pipeline mais político de todo o mundo" - que liga o Azerbaijão à Turquia através da Geórgia e do Mar Mediterrâneo. A Estratégia Energética Trans-Cáspio e Trans-Eurasiáticas foi desenhada na década de 1990.Em 1998 Bryza Morningstar foi o responsável dos interesses energéticos do Mar Cáspio, Vice-Conselheiro Especial do Presidente e Secretário de Estado para a diplomacia nergética na Bacia do Cáspio. Permaneceu até março de 2001 nessas funções, e trabalhou no desenvolvimento do que são agora os planos da União Europeia para contornar a Rússia e o Irão e alcançar uma posição dominante sobre a entrega dos fornecimentos de energia à Europa.
Mais tarde, a partir de 1999-2001,Morningstar tornou-se Embaixador dos Estados Unidos junto da União Europeia e neste mês de Abril foi nomeado enviado especial do Secretário de Estado Estados Unidos para Energia Eurasiática, uma posição comparável à que ele havia ocupado onze anos antes. Em 2005, a administração George W. Bush nomeou Bryza Subsecretário adjunto de Estado dos Assuntos Europeus e Eurasiáticos sob a direcção de Condoleezza Rice, um cargo que ocupa até hoje, embora ele possa vir a ser nomeado em breve Embaixador no Azerbaijão, a nação que, de uma forma mais vital, liga os interesses geoestratégicos num arco que começa na região dos Balcãs, atravessa o Cáucaso até ao Mar Cáspio e, em seguida, segue para a Ásia Central e do Sul.
Em Junho passado Bryza fez um discurso apelando, em Washington DC, a maior vigor na parceria estratégica EUA-Turquia, e reflectiu sobre mais de uma década de trabalho no avanço americano na energia, objectivos políticos e militares ao longo do flanco sul da antiga União Soviética. Nesta sua comunicação, fez a primeira referência aos acontecimentos ocorridos na década de 1990:"Os Presidentes Azeri, Heydar Aliyev e cazaque, Nursultan Nazarbayev, congratularam-se com investidores internacionais que ajudariam a desenvolver as reservas de petróleo mamute e de gás da bacia do Cáspio. O então presidente turco Süleyman Demirel trabalhou com estes líderes, e com o presidente georgiano Eduard Shevardnadze, para desenvolver um conceito de Great Silk Road revitalizada, na versão de um corredor de gasodutos Leste-Oeste de petróleo e gás natural . "O nosso objectivo foi o de ajudar os jovens Estados independentes dessas regiões (do Cáucaso e da Ásia Central) a assegurar a sua soberania e liberdade, ligando-os à Europa, aos mercados mundiais, e a instituições euro-atlânticas através do corredor a ser estabelecido pelos gasodutos BTC e SCP (gasodutos de gás natural do Sul do Cáucaso) .... O Cáucaso e a Ásia Central foram agrupados com a Turquia, e a administração desses países vistos como "parceiros cruciais na ligação com os mercados europeus e mundiais, e com instituições de segurança euro-atlântica". A "cooperação energética no final da década de 1990 foi uma pedra angular da parceria estratégica EUA-Turquia, resultando num sucesso" de primeira fase "desenvolvimento do Cáspio ancorado pelo BTC/SCP em relação ao petróleo e ao gás.
A guerra do Iraque foi parte dos anteriores planos geopoliticos.
"Hoje, estamos a concentrar a atenção no próximo passo do desenvolvimento do Cáspio, olhando a bacia do Mar Cáspio e do Iraque para ajudar a reduzir a dependência da Europa de uma única empresa russa, a Gazprom, que fornece 25 por cento de todo o gás consumido na Europa. "A nossa meta é desenvolver um corredor meridional da infra-estrutura energética para o transporte de petróleo e gás do Cáspio e Iraque para a Turquia e Europa.Os gasodutos de gás natural Nabucco Turquia-Grécia-Itália (TGI) são elementos importantes do Corredor Sul. "O potencial de gás do Turquemenistão e do Iraque pode fornecer a volumes adicionais cruciais,para além dos previstos no Azerbaijão,para dar corpo ao Corredor Sul. Washington e Ancara estão a trabalhar em conjunto com Bagdah para ajudar o Iraque a desenvolver as suas próprias grandes reservas de gás natural tanto para consumo interno como para exportação para a Turquia e UE. ".
Este é apenas o enquadramento do autor neste artigo.
Este é apenas o enquadramento do autor neste artigo.
A guerra energética contra a Rússia teve novos desenvolvimentos que passaram por toda a desestabilização da zona, impedindo todos estes países de cooperarem pacìficamente em benefício do controlo pelos EUA de todo este processo, afastando a Rússia do papel que historicamente tem desempenhado nessa cooperação onde entra, naturalmente, com os seus próprios interesses.
A sequência dos atentados dos últimos dias na região comprova dramaticamente estas previsões de uma disputa que não recua perante nenhum meio.
A sequência dos atentados dos últimos dias na região comprova dramaticamente estas previsões de uma disputa que não recua perante nenhum meio.
Como já aqui referimos muitas ONGs, financiadas pelo Congresso dos EUA têm desempenhado um papel subversivo e de sabotagem assinalável como é o caso da Comissão Americana para a Paz na Chechénia que, tem evidentemente o seu âmbito alargado e passou a designar-se por Comité Americano para a paz no Cáucaso. Está claramente definido como seu objectivo"O Comité Americano para a Paz na região do Cáucaso (ACPC), a Freedom House, é dedicada ao controlo da segurança e da situação dos direitos humanos (sempre os tais direitos humanos invocados por quem promove guerras étnicas para desestabilizar...) no Norte do Cáucaso, fornecendo recursos de informação e peritos na sua análise (geralmente designados de forma menos delicada por agentes da CIA....). A ACPC actua na Chechénia, Inguchétia, Daguestão, Ossétia do Norte, Kabardino -Balkaria, Karachayevo-Cherkessia e Adygeya, bem como nas regiões da Abcásia e da Ossétia do Sul, na Geórgia". A Abcásia e Ossétia do Sul são, naturalmente, no sul do Cáucaso, e não na Geórgia, excepto nas mentes das pessoas ansiosas para expulsar a Rússia do Cáucaso, do Norte e do Sul, e que de forma transparente, foram incluídas como alvos para o desenhar de um maior império americano que cerque, enfraqueça e finalmente desmantele a Federação Russa.
A liderança política russa foi reservada se não cúmplice ao longo da década passada, quando os EUA e a NATO atacaram e invadiram o Afeganistão para criar bases militares em toda a Ásia Central e do Sul, invadiram o Iraque em 2003, assistiram à deposição de governos da Jugoslávia, Geórgia, Adjaria , Quirguistão e Ucrânia para pôr a Rússia em desvantagem e impulsionar planos de a afastar do mercado europeu da energia. Moscovo já reagiu obtendo acordos de fornecimento de gás e petróleo com a Turquia nas últimas semanas.
Mas a intensificação da desestabilização nas suas repúblicas do sul e a sua transformação em novos Kosovos é mais do que Moscovo pode permitir.
Até amanhã, Zé!...
Faleceu hoje, no Instituto Português de Oncologia, onde estava internado o actor Morais e Castro. O seu corpo estará a partir das 20 horas deste sábado no Palácio Galveias, no Campo Pequeno, em Lisboa, realizando-se o funeral no domingo do Palácio Galveias, às 15.30 horas, para o cemitério do Alto de S. João.
José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939. Actor e encenador, Morais e Castro era também licenciado em Direito pela Universidade de Direito de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de advogado.
Foi também militante do Partido Comunista Português durante quase meio século, antes e depois do 25 de Abril. Desde sempre que esteve ligado ao PCP, já que a casa dos seus pais servia de apoio à direcção do partido, então na clandestinidade.Teve múltiplas responsabilidades de natureza executiva e de direcção de colectivos partidários.
Morais e Castro, que era casado com a actriz Linda Silva, irmã da saudosa Linda Silva, estreou-se no palco com o grupo cénico do liceu onde estudava.
A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça A Ilha do Tesouro.
Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando O Rei Veado, de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos.
No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como O fidalgo aprendiz, de Francisco Manuel de Melo, ou Os velhos não devem namorar, de Afonso Castellau.
Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça Margarida da Rua e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo O Borrão, de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi premiado no Festival de Teatro de Lyon.
Em 1962 integrou o elenco do filme Pássaros de Asas Cortadas, de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o teatro Moderno de Lisboa.
Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais O Tinteiro, de Carlos Muñiz, e Humilhados e Ofendidos, de Dostoievski, onde obteve grande sucesso.
Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros.
Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, onde representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian.
Com o Grupo 4 encenou, no Teatro Aberto, É preciso continuar, de Luiz Francisco Rebello.
Foi também militante do Partido Comunista Português durante quase meio século, antes e depois do 25 de Abril. Desde sempre que esteve ligado ao PCP, já que a casa dos seus pais servia de apoio à direcção do partido, então na clandestinidade.Teve múltiplas responsabilidades de natureza executiva e de direcção de colectivos partidários.
Morais e Castro, que era casado com a actriz Linda Silva, irmã da saudosa Linda Silva, estreou-se no palco com o grupo cénico do liceu onde estudava.
A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça A Ilha do Tesouro.
Em 1958 estreou-se na televisão intrepretando O Rei Veado, de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos.
No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como O fidalgo aprendiz, de Francisco Manuel de Melo, ou Os velhos não devem namorar, de Afonso Castellau.

Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça Margarida da Rua e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo O Borrão, de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi premiado no Festival de Teatro de Lyon.
Em 1962 integrou o elenco do filme Pássaros de Asas Cortadas, de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o teatro Moderno de Lisboa.
Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais O Tinteiro, de Carlos Muñiz, e Humilhados e Ofendidos, de Dostoievski, onde obteve grande sucesso.
Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros.
Em 1968, com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes, fundou o Grupo 4, no Teatro Aberto, onde representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian.
Com o Grupo 4 encenou, no Teatro Aberto, É preciso continuar, de Luiz Francisco Rebello.
Após o 25 de Abril, foi presença constante no Teatro Vasco Santana, onde, ao lado de Amália Rodrigues
Em 1985 integra o elenco da comédia Pouco Barulho, com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado.
Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de À Espera de Godot, de Samuel Beckett.
Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou O Fazedor de Teatro, de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa da Crítica nesse ano.
Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão. Ganhou extrema popularidade através da televisão, especialmente no papel de professor na série cómica As Lições do Tonecas (1996-99). Entre outros registos, contam-se participações nas séries Eu Show Nico (1988), Euronico (1990) e nas telenovelas Desencontros (1995), Filhos do Vento (1997) e Amanhecer (2002).
Em 1985 integra o elenco da comédia Pouco Barulho, com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado.
Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de À Espera de Godot, de Samuel Beckett.
Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou O Fazedor de Teatro, de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa da Crítica nesse ano.
Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão. Ganhou extrema popularidade através da televisão, especialmente no papel de professor na série cómica As Lições do Tonecas (1996-99). Entre outros registos, contam-se participações nas séries Eu Show Nico (1988), Euronico (1990) e nas telenovelas Desencontros (1995), Filhos do Vento (1997) e Amanhecer (2002).
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
CDU: o que é que ela tem de diferente para nos merecer confiança?
Esta será sempre a pergunta mais importante numas eleições quando já todos passaram por experiências de belas palavras que o vento levou e por promessas não cumpridas que por aí ficaram.A resposta da CDU a esta pergunta não é nem quer ser de retórica nem povoada de experimentalismos doentios, a que alguns se acham habilitados quando são eleitos.
Há factos, palpáveis, conhecidos, que, relembrados, uma vez mais agora, dão aos lisboetas boas pistas e podem retirá-los da prisão das falsas dicotomias Costa/Santana, da chantagem dos medos fabricados a favor de uma bipolarização inexistente na cidade e nos seus habitantes a troco de boas garantias de uma outra gestão municipal.
A primeira é que o PCP, pela sua história, pelas lutas que aqui travou, pelos movimentos que desenvolveu em prol da democracia e dos direitos dos trabalhadores, conhece bem as pessoas, os grupos sociais, as instituições. E que nas suas fileiras se bateram pela cidade artistas, técnicos e outros profissionais que configuraram no traço e na pintura, na arquitectura dos bairros, na literatura, nas estruturas municipais de planeamento e noutras, operativas , uma Lisboa renovada sem perder referências, irmanados com os movimentos sociais que a ela aspiravam.
A segunda tem a ver com os anos, tantos como os da democracia portuguesa, a assumir responsabilidades nos órgãos autárquicos, nas comissões locais, nas associações e colectividades e na capacidade para assumir o governo da cidade a todos os níveis, sempre lhes dê o povo força e apoio para isso.
A terceira é a quantidade e qualidade da obra realizada nos mais diferentes domínios, para tornar a vida melhor, com particular atenção para os que vivem em piores condições, em estreita ligação com as populações directamente interessadas, outros organismos do Estado, agentes económicos, políticos e sociais.
A quarta é a forma como faz oposição, apresentando propostas e guiando-se pelos interesses da cidade no debate público e no seu sentido de voto em cada caso concreto, e estando permanentemente a fazer valer as leis que regulam uma actividade tão diversa e complexa, a denunciar e combater todas as malfeitorias e faltas de verticalidade.
A quinta é o objectivo central dessa política: melhorar a vida de quem aqui vive e trabalha que muitas vezes não coincide com o objectivo de quem investe e engendra opções municipais em seu favor, por vezes de forma irregular, ilegal e criminosa.
A sexta tem que ver com a forma como as mulheres e homens eleitos nas listas da CDU pelo povo de Lisboa exercem o seu mandato. Começando por estarem prioritariamente interessados na justeza das políticas antes da distribuição das responsabilidades, não invertendo as priopridades. Continuando a exercê-los em estreita ligação com os interessados. Continuando ainda a obter a maior convergência de opções políticas, religiosas, de operadores económicos diversos, naquilo que é feito e que não rompe com os seus princípios programáticos. Para terminar no não aproveitamento dessas funções, resultantes de eleições, para tirar benefícios pessoais relativamente à situação que os eleitos tinham anteriormente.
A sétima é que na CDU não verão grandes exercícios de “grandes ideias para a cidade”, nem o andar a correr atrás de muitas ideias imaginativas para fazer show-off, nem enfim, o encarar o município como estrutura omnipresente, omnipotente ou omnisciente. As cidades são feitas pela iniciativa privada maioritariamente. O município cria as melhores condições infraestruturais para a vida de todos os dias, para a instalação de actividades geradoras de riqueza e de emprego, regulamenta e faz a respectiva gestão da intervenção dos particulares, desejavelmente sem burocracias despropositadas nem descriminações, mas em nome do interesse da cidade que estará claramente definido nas leis, nos programas eleitorais e nas preocupações dos munícipes.
A oitava, e intimamente relacionada com a anterior, é que os candidatos estão prioritariamente motivados para as questões do dia-a-dia. Desde logo reequilibrar as contas do município com outra gestão do necessidades da população, manutenção do espaço publico, eliminação dos buracos nos pavimentos e vias, limpeza, equipamentos em bom estado para apoio à população, jardins de infância e escolas do 1º ciclos melhorados nas instalações, material e apoios aos pais, criação de emprego e sua defesa, políticas sociais de proximidade que não alienem responsabilidades do poder central, urbanismo democrático no seu conteúdo e elaboração e resistindo às fortes pressões especuladoras, reabilitação do parque urbano pelo município e particulares com mais eficientes apoios do Estado, atenção particular aos bairros municipais e sua gestão, prioridade aos peões com maior ordenamenro do tráfego e do parqueamento não especulativo, prática ambiental sustentável, melhoria das respostas dos serviços com intervenções e melhor atendimento dos municípes, , efectiva colaboração com o movimento associativo da cidade, apoio aos jovens e suas iniciativas, prática desportiva e cultural generalizada, investimento nos trabalhadores do município e reestruturação das empresas municipais e participadas.
A nona, a CDU compreende e toma posição em intervenções estruturais, interligadas entre si, com implicações em toda a Área Metropolitana de Lisboa e do Vale do Tejo e no país como são o arco ribeirinho sul, a situação do Arsenal do Alfeite, as utilizações futuras dos terrenos da Margueira e da Quimigal, as infra-estruturas do Poceirão, o terminal cerealífero da Trafaria, o novo aeroporto, as novas ligações pesadas do TGV e terceira travessia, as intervenções na frente ribeirinha, no terminal de contentores de Alcântara, na rede ferroviária de Lisboa e da questão do nó de Alcântara, entre outras, de grande relevo na vida económica e política contemporânea com implicações nas características, nas identidades, nas realidades urbanísticas, económicas, sociais, e culturais.
E a décima que a CDU irá continuar a bater-se por uma revisão do actual PDM, já condicionada com a aprovação de planos parcelares para algumas zonas, e contra uma dinâmica que não procura a riqueza proveniente do trabalho ou do investimento, da inserção adequada na malha urbana de clusters produtivos mas tão só a exploração da propriedade do solo, a renda resultante da especulação e da construção.
Como justamente salientou ontem Ruben de Carvalho no decurso da apresentação do programa eleitoral da CDU para Lisboa, trabalho colectivo sério e atento a diferentes experiências e situações, cuja leitura atenta aconselhamos vivamente.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Centrãopolitik
José Sócrates já comunicou aos responsáveis pelos três canais televisivos a sua disponibilidade para participar em três debates eleitorais, dois frente-a-frente com a líder do PSD e um outro envolvendo os presidentes dos cinco partidos com representação parlamentar.Perante a divulgação da decisão do PS, o PSD fez saber que mantém a sua "posição de princípio", mostrando-se apenas a disponibilidade da sua líder "para participar em frente-a-frente com os líderes partidários". Quer isto dizer que Manuela Ferreira Leite insiste na posição de apenas participar em debates eleitorais na condição de serem realizados frente-a-frente entre os líderes do PS, PSD, PCP, CDS-PP e BE. "Consideramos pouco democrático fazer dois debates com Sócrates e não haver debates com os outros partidos da oposição", reagiu ontem uma fonte do gabinete da presidente do PSD, citada pela agência Lusa (Publico, 20/08/09)
Rallypolitik
Numa entrevista com Farred Zacharia, na CNN, no passado 9 de Agosto de 2009, a secretária de Estado Hillary Clinton, negou o que os seus serviços tinham negado até então : os Estados Unidos tiveram um papel muito importante na pseudo “revolução verde” no Irão e produziram mensagens falsas de iranianos no Twitter.CNN - A propósito do Irão, como sabe, muitas pessoas dizem que o presidente e a senhora demoraram muito a condenar o que pareciam ser eleições fraudulentas. Demoraram muito a dar apoio às pessoas em protesto porque queriam preservar a opção de negociar com o Irão. Mas poderiam realmente negociar com o Irão nestas condições?
Percebo que, em geral, se negoceie com todo o tipo de regimes, mas na prática, ao manter com Ahmadinejad, entronizado num ambiente de tanto conflito, não o vão legitimar negociando com ele?
HC – Deixe-me responder à primeira parte da sua pergunta sobre a nossa reacção. Havia um outro aspecto muito importante. Não nos queríamos encontrar entre protestos e manifestações legítimas do povo iraniano e o poder. E sabíamos que se interviéssemos muito cedo, com muita força, a atenção poderia desviar-se e poder poderia usar-nos para unificar o país, contra os que protestavam. Era uma decisão difícil de tomar, mas, retrospectivamente, penso que nos saímos bem.. Dito entre comas, “fizemos muito”. Como sabe a juventude…um dos nossos jovens do Departamento do Estado, estimulou no Twitter a continuação dos protestos, apesar de eles terem programado um apagão técnico. Fizemos muito para reforçar os protestos sem nos identificarmos. E continuamos a falar com a oposição e a apoiá-la.
António Costa condenado pelaCNE por remover propaganda da CDU
A Câmara Municipal de Lisboa procedeu, em Julho, à ilegal remoção de propaganda da CDU, imitando o comportamento ilegal e anti-democrático que se vai multiplicando pelo país. Perante a queixa da CDU, a Comissão Nacional de Eleições condenou a atitude da Câmara presidida por António Costa, e instou-a a proceder à
reposição da propaganda ilegalmente removida. Aguardamos agora que a Câmara reponha a propaganda destruída, bem como as devidas desculpas por este comportamento.Vamos vêr se não vem daí uma nova arrogância...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Programa Eleitoral do PCP – 2
Pode encontrar um desdobramento maior em políticas e medidas na versão integral


Uma política para o desenvolvimento económico
Três objectivos centrais
Três objectivos centrais
1º. O pleno emprego, como objectivo primeiro das políticas económicas, com a melhoria da sua qualidade, estabilidade e direitos, reduzindo a precariedade e insegurança, nomeadamente o desemprego estrutural e de longa duração.
2º. O crescimento económico, sustentado e acima da média da União Europeia, com o combate à profunda recessão da economia nacional, depois de anos de estagnação, pelo crescimento significativo do investimento público, ampliação do mercado interno, acréscimo das exportações, aumento da competitividade e produtividade das empresas portuguesas.
3º. A defesa e afirmação do aparelho produtivo nacional motor do crescimento económico, como dinamizador da procura interna e como alimentador de um sector exportador mais diversificado sectorial e geograficamente.
2º. O crescimento económico, sustentado e acima da média da União Europeia, com o combate à profunda recessão da economia nacional, depois de anos de estagnação, pelo crescimento significativo do investimento público, ampliação do mercado interno, acréscimo das exportações, aumento da competitividade e produtividade das empresas portuguesas.
3º. A defesa e afirmação do aparelho produtivo nacional motor do crescimento económico, como dinamizador da procura interna e como alimentador de um sector exportador mais diversificado sectorial e geograficamente.
1ª. Um crescimento económico vigoroso, sustentado e equilibrado do País, o que torna necessária e decisiva a intervenção do Estado na efectiva regulação da actividade económica e na concretização de políticas que prossigam opções estratégicas nacionais, indispensáveis à garantia do pleno aproveitamento das capacidades e recursos nacionais e à harmonização das actuações dos sectores público, privado e social, face aos desafios externos e a um objectivo claro de desenvolvimento económico e de progresso social.
2ª. A valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa, através de uma significativa melhoria dos salários, da defesa e afirmação dos direitos e do pleno emprego, indispensáveis para o desenvolvimento económico e uma melhor repartição do rendimento entre o trabalho e o capital.
2ª. A valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa, através de uma significativa melhoria dos salários, da defesa e afirmação dos direitos e do pleno emprego, indispensáveis para o desenvolvimento económico e uma melhor repartição do rendimento entre o trabalho e o capital.
Vectores estratégicos de uma política económica e social
1º. A recuperação pelo Estado do comando político e democrático do processo de desenvolvimento
2º. O planeamento democrático do desenvolvimento
3º. O desenvolvimento e defesa dos sectores produtivos e o combate à financeirização
4º. A dinamização e defesa do mercado interno
5º. O combate decidido à dependência externa e superação dos principais défices estruturais
Seis políticas-chave para um Desenvolvimento independente e auto sustentado
1ª. A consolidação das finanças públicas, identificada como a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos e articulação da gestão orçamental com o crescimento económico e o desenvolvimento social, nomeadamente promotora de um elevado investimento público em infra-estruturas físicas, em educação e formação profissional e em áreas sociais como a saúde e a protecção social.
2ª . A dinamização do investimento, nomeadamente do investimento público e a melhoria da eficácia e eficiência na utilização dos fundos comunitários. A reorientação de todo o investimento, quer público quer privado, com base em critérios adequados às necessidades de desenvolvimento do País.
3ª. Um sector financeiro ao serviço do crescimento económico e do desenvolvimento social.
4ª. Um sector energético orientado para o pleno aproveitamento dos recursos energéticos nacionais.
5ª. Um sector de transportes e comunicações assegurando a boa mobilidade dos portugueses e a competitividade do transporte de mercadorias.
6ª Uma adequada política de ambiente, ordenamento do território e de desenvolvimento regional que assuma a integração de políticas sectoriais indispensáveis a um desenvolvimento sustentado e a uma coesão territorial e combata a mercantilização do ambiente.
1º. A recuperação pelo Estado do comando político e democrático do processo de desenvolvimento
2º. O planeamento democrático do desenvolvimento
3º. O desenvolvimento e defesa dos sectores produtivos e o combate à financeirização
4º. A dinamização e defesa do mercado interno
5º. O combate decidido à dependência externa e superação dos principais défices estruturais
Seis políticas-chave para um Desenvolvimento independente e auto sustentado
1ª. A consolidação das finanças públicas, identificada como a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos e articulação da gestão orçamental com o crescimento económico e o desenvolvimento social, nomeadamente promotora de um elevado investimento público em infra-estruturas físicas, em educação e formação profissional e em áreas sociais como a saúde e a protecção social.
2ª . A dinamização do investimento, nomeadamente do investimento público e a melhoria da eficácia e eficiência na utilização dos fundos comunitários. A reorientação de todo o investimento, quer público quer privado, com base em critérios adequados às necessidades de desenvolvimento do País.
3ª. Um sector financeiro ao serviço do crescimento económico e do desenvolvimento social.
4ª. Um sector energético orientado para o pleno aproveitamento dos recursos energéticos nacionais.
5ª. Um sector de transportes e comunicações assegurando a boa mobilidade dos portugueses e a competitividade do transporte de mercadorias.
6ª Uma adequada política de ambiente, ordenamento do território e de desenvolvimento regional que assuma a integração de políticas sectoriais indispensáveis a um desenvolvimento sustentado e a uma coesão territorial e combata a mercantilização do ambiente.
domingo, 16 de agosto de 2009
sábado, 15 de agosto de 2009
Frase de fim-de-semana, por Jorge
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
O nosso vizinho do pinheiro cá de baixo

Há dois dias atrás, saíamos do apartamento onde temos passado estes dias, na Praia da Rocha.
Aberta a porta, deparamos com um pequeno pardal que saltitava no vão da escada. Sem dúvida chegara até ali por alguma porta ou varanda e não conseguia sair.
A Isabel procurou apanhá-lo para o libertar da prisão. Saltinho após saltinho fugiu à frente da Isabel para dois pisos acima.
Desistimos. Alguma porta que lhe abrissem lá em cima lhe devolveria a liberdade.
A praia estava boa mas continuamos a pensar nele.
No regresso ao chegarmos à nossa porta aí estava ele, à espera. “Ainda dizem que o cérebro deles é raquítico…”.
Afastou-se, entrámos e deixamos a porta aberta. Aguardamos. Passados uns minutos, ei-lo a entrar pela porta. Aos pulinhos, claro. Abrimos a varanda. Comecei a trocar com ele assobios em pardalês e a Isabel foi-lhe esfarelando pão até à varanda.
Não teve pressa. Comeu, pulou, não terá prestado atenção ao pires com água. Pardalámos mais um pouco. E saiu pela varanda, voando. Primeiro para o parapeito. Depois, quase a pique, para o pinheiro, em baixo no nosso passeio, que funciona como uma espécie de albergaria livre de encargos.
São dezenas, centenas os seus habitantes. Palram em coro harmonioso lá pelas 11 horas e, depois, a partir das 19 h até que se calam quando estamos a acabar de jantar, na varanda. Comparar essa harmonia ondulatória com o cataclismo ruidoso que sai da Katedral e o Striper Club é um interessante ensaio. Os pardais lá sabem.
Meu caro vizinho, gostámos de te conhecer. Para o ano gostaríamos de te voltar a ver e ouvir os vossos trinados.
Aberta a porta, deparamos com um pequeno pardal que saltitava no vão da escada. Sem dúvida chegara até ali por alguma porta ou varanda e não conseguia sair.A Isabel procurou apanhá-lo para o libertar da prisão. Saltinho após saltinho fugiu à frente da Isabel para dois pisos acima.
Desistimos. Alguma porta que lhe abrissem lá em cima lhe devolveria a liberdade.
A praia estava boa mas continuamos a pensar nele.
No regresso ao chegarmos à nossa porta aí estava ele, à espera. “Ainda dizem que o cérebro deles é raquítico…”.
Afastou-se, entrámos e deixamos a porta aberta. Aguardamos. Passados uns minutos, ei-lo a entrar pela porta. Aos pulinhos, claro. Abrimos a varanda. Comecei a trocar com ele assobios em pardalês e a Isabel foi-lhe esfarelando pão até à varanda.
Não teve pressa. Comeu, pulou, não terá prestado atenção ao pires com água. Pardalámos mais um pouco. E saiu pela varanda, voando. Primeiro para o parapeito. Depois, quase a pique, para o pinheiro, em baixo no nosso passeio, que funciona como uma espécie de albergaria livre de encargos.
São dezenas, centenas os seus habitantes. Palram em coro harmonioso lá pelas 11 horas e, depois, a partir das 19 h até que se calam quando estamos a acabar de jantar, na varanda. Comparar essa harmonia ondulatória com o cataclismo ruidoso que sai da Katedral e o Striper Club é um interessante ensaio. Os pardais lá sabem.
Meu caro vizinho, gostámos de te conhecer. Para o ano gostaríamos de te voltar a ver e ouvir os vossos trinados.
O desemprego e o PIB

Os últimos dados estatísticos do INE do PIB e do desemprego que seriam conhecidos antes das eleições legislativas foram publicados em dois dias diferentes.
Uma espécie de Vivace seguido dum Adagio molto lento.
Para no 1º dia o governo poder fazer um número pré-eleitoral a propósito dos +0,3% do PIB no 2º trimestre e não ser confrontado com os números do desemprego que subiram quase 2 pontos percentuais nesse mesmo período em relação ao período homólogo de 2008.
O que se pode concluir no 1º caso não é que o + 0,3 % é o princípio do fim da crise mas que o governo cuidou de que se atingisse, conjunturalmente, esse valor, mesmo que, como poderá acontecer, os resultados seguintes sejam piores.
Não por ter alterado os dados da estrutura de carência da economia mas por ter aproveitado a boleia de algumas exportações que saíram por causa da abertura a novas importações da China e de outros países emergentes que foram chamados a contribuir para atenuar a crise internacional. Outras razões que se possam avançar só poderão ser validadas mais à frente.
Avançar, como o fez o primeiro-ministro, de que se pode estar no princípio do fim da crise e ainda por cima que isso prova a justeza da política do governo é uma habilidade manhosa sem fundamento.
O essencial deste resultado depende de factores favoráveis de exportação que poderão agravar-se no trimestre seguinte tanto mais que a Espanha, nosso principal mercado, não mostra sinais de recuperação do PIB e não estão ainda criadas condições para maior diversificação da nossa dependência em relação a terceiros.
O caso de Angola não está a desenvolver-se apesar do enorme potencial que residirá no disparo do seu crescimento quando voltar a subir o preço do petróleo e das matérias primas, que agirá em Angola, grande fornecedor delas, de modo inverso ao nosso. É estranho que, nestas circunstâncias, e revelando uma vez mais a falta de preocupação com os interesses nacionais os pacóvios círculos anti-angolanos, com largos apoios n comunicação social, tenham, aproveitado para ajudar Hillary Clinton na sua cruzada pelos direitos dos EUA em Angola…
Os dados do desemprego ficaram a cargo de Vieira da Silva que até deu a entender que…não seriam maus de todo!!!
Quando estes resultados é que espelham os resultados da sua política, da crise de que é responsável. Estes números são terríveis para o nosso futuro porque dão conta do estado real da economia. Têm efeito duradouro na sua já débil estrutura ao contrário dos +0,3% do PIB, mais voláteis.
Percorremos o programa eleitoral do PS e até parece que não se querem tirar lições… O PSD diz o contrário do que fez quando esteve no governo. O país e a economia não suportam mais um governo dos partidos do bloco central.
Uma espécie de Vivace seguido dum Adagio molto lento.
Para no 1º dia o governo poder fazer um número pré-eleitoral a propósito dos +0,3% do PIB no 2º trimestre e não ser confrontado com os números do desemprego que subiram quase 2 pontos percentuais nesse mesmo período em relação ao período homólogo de 2008.
O que se pode concluir no 1º caso não é que o + 0,3 % é o princípio do fim da crise mas que o governo cuidou de que se atingisse, conjunturalmente, esse valor, mesmo que, como poderá acontecer, os resultados seguintes sejam piores.
Não por ter alterado os dados da estrutura de carência da economia mas por ter aproveitado a boleia de algumas exportações que saíram por causa da abertura a novas importações da China e de outros países emergentes que foram chamados a contribuir para atenuar a crise internacional. Outras razões que se possam avançar só poderão ser validadas mais à frente.
Avançar, como o fez o primeiro-ministro, de que se pode estar no princípio do fim da crise e ainda por cima que isso prova a justeza da política do governo é uma habilidade manhosa sem fundamento.
O essencial deste resultado depende de factores favoráveis de exportação que poderão agravar-se no trimestre seguinte tanto mais que a Espanha, nosso principal mercado, não mostra sinais de recuperação do PIB e não estão ainda criadas condições para maior diversificação da nossa dependência em relação a terceiros.
O caso de Angola não está a desenvolver-se apesar do enorme potencial que residirá no disparo do seu crescimento quando voltar a subir o preço do petróleo e das matérias primas, que agirá em Angola, grande fornecedor delas, de modo inverso ao nosso. É estranho que, nestas circunstâncias, e revelando uma vez mais a falta de preocupação com os interesses nacionais os pacóvios círculos anti-angolanos, com largos apoios n comunicação social, tenham, aproveitado para ajudar Hillary Clinton na sua cruzada pelos direitos dos EUA em Angola…
Os dados do desemprego ficaram a cargo de Vieira da Silva que até deu a entender que…não seriam maus de todo!!!
Quando estes resultados é que espelham os resultados da sua política, da crise de que é responsável. Estes números são terríveis para o nosso futuro porque dão conta do estado real da economia. Têm efeito duradouro na sua já débil estrutura ao contrário dos +0,3% do PIB, mais voláteis.
Percorremos o programa eleitoral do PS e até parece que não se querem tirar lições… O PSD diz o contrário do que fez quando esteve no governo. O país e a economia não suportam mais um governo dos partidos do bloco central.
Só rompendo com a sua política o país poderá encarar a saída da sua crise profunda.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Programa Eleitoral do PCP - 1

Eixos centrais de uma nova política
Na apresentação do programa eleitoral do PCP, Jerónimo de Sousa avançou os aspectos gerais do documento. esteNeste e nos posts seguintes, realçam-se os eixos e propostas fundamentais do programa, adiantadas pelo Secretário-geral do Partido, e publicam-se as 26 medidas urgentes apresentadas, destinadas a «superar e ultrapassar problemas criados com uma inaceitável ofensiva do actual Governo do PS contra direitos essenciais dos trabalhadores e do povo».
O desenvolvimento económico, a criação de emprego, a redistribuição do rendimento e a justiça social, o aprofundamento da democracia e a afirmação da independência e soberania nacionais. São estes os principais objectivos do PCP para o País, patentes no «Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda» apresentado anteontem em Lisboa.
São eixos centrais do Programa
a valorização do trabalho e dos trabalhadores;
a defesa dos sectores produtivos e da produção nacional, nomeadamente a agricultura, pescas e indústria nacionais;
um papel determinante do Estado nos sectores estratégicos, designadamente na banca e nos seguros, na energia, nas telecomunicações e nos transportes;
uma administração e serviços públicos ao serviço do País e das populações, nomeadamente na saúde, na educação, na segurança social;
a democratização e promoção do acesso à cultura e à defesa do património cultural;
a defesa do meio ambiente, do ordenamento do território e a promoção de um efectivo desenvolvimento regional, assente no aproveitamento racional dos recursos, numa criteriosa política de investimento público;
a defesa do regime democrático de Abril e o cumprimento da Constituição da República, com o aprofundamento dos direitos, liberdades e garantias fundamentais e o reforço da intervenção dos cidadãos na vida política;
a efectiva subordinação do poder económico ao poder político, o combate e punição da corrupção, crime económico e tráfico de influências, o fim dos privilégios no exercício de altos cargos na Administração;
a afirmação de um Portugal livre e soberano e uma Europa de paz e cooperação, com uma nova política que assegure a defesa intransigente dos interesses nacionais e uma política externa baseada na diversificação das relações com outros países.
(continua)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Venezuela: perseguição a órgãos de informação ou reposição da legalidade democrática?

Nas últimas semanas Chávez tem sido acusado de promover o encerramento de 34 estações de rádio e televisão por serem críticas do seu governo.
As multinacionais da comunicação assumiram essa atitude e a organização deles subsidiária, os Repórteres Sem Fronteiras, fez o mesmo. Os nossos media afinaram pelo mesmo diapasão.
O que não disseram foi que em qualquer país do mundo, o mesmo teria sido feito, dadas as circunstâncias que nada têm a ver com tais “razões”.
As multinacionais da comunicação assumiram essa atitude e a organização deles subsidiária, os Repórteres Sem Fronteiras, fez o mesmo. Os nossos media afinaram pelo mesmo diapasão.
O que não disseram foi que em qualquer país do mundo, o mesmo teria sido feito, dadas as circunstâncias que nada têm a ver com tais “razões”.
Muitas rádios ignoraram deliberadamente uma notificação da respectiva entidade reguladora (Conatel) para ser verificado o estado das respectivas concessões e ser feita a sua actualização. A Conatel constatou numerosas irregularidades como concessionários galecidos cuja concessão era utilizada ilegalmente por terceiros, não renovação dos procedimentos administrativos exigidos por lei, ou pura e simplesmente a falta de autorização para emitirem. Que se faria em países civilizados como o nosso? A mesma coisa, só que aqui os Repórteres Sem Fronteiras ou o Human Rights Watch, apenas duas da imensa panóplia de ONGs que passaram a fazer o trabalho da CIA, não se atiraram ao ar contra Guterres, Cavaco ou Sócrates. E a lei venezuelana nesta área é semelhante à nossa e às de muitos outros países. Quem não procede à renovação das concessões perde a frequência que utilizavam e que em todo o lado não é propriedade dos concessionários mas um bem público.
Por tudo isto 34 estações que estavam a emitir ilegalmente perderam as concessões.
Ao contrário do que as calúnias contra a revolução boliviana espalham de que na Venezuela haveria perseguição a opiniões diferentes importa reter alguns números:
- 80% das rádios e televisões são privadas, 9% são públicas e 11% de associações ou comunidades locais;
- O conjunto dos media privados estão concentrados nas mãos de 32 famílias, sendo que a cadeia Globovisión. Participou na tentativa de golpe de estado de 2002, apoiou a sabotagem petrolífera desse ano, apelou ao não pagamento de impostos pelos contribuintes, à insurreição e assassinato do Presidente da República, apoiou o golpe de Estado recente nas Honduras, reconheceu os golpistas e desejou que algo semelhante acontecesse na Venezuela.
Por tudo isto 34 estações que estavam a emitir ilegalmente perderam as concessões.
Ao contrário do que as calúnias contra a revolução boliviana espalham de que na Venezuela haveria perseguição a opiniões diferentes importa reter alguns números:
- 80% das rádios e televisões são privadas, 9% são públicas e 11% de associações ou comunidades locais;
- O conjunto dos media privados estão concentrados nas mãos de 32 famílias, sendo que a cadeia Globovisión. Participou na tentativa de golpe de estado de 2002, apoiou a sabotagem petrolífera desse ano, apelou ao não pagamento de impostos pelos contribuintes, à insurreição e assassinato do Presidente da República, apoiou o golpe de Estado recente nas Honduras, reconheceu os golpistas e desejou que algo semelhante acontecesse na Venezuela.
Quem já esteve na Venezuela não reconhece a vantagem da direita em termos de meios de comunicação?
E porquê contestar a legitimidade das políticas decorrentes de sucessivos actos eleitorais, reconhecidos como livres por todos os observadores internacionais?
Face a isto e às tentativas golpistas fracassadas, quem arrisca a dizer que é um exagero de Chávez dizer que uma nova base militar nas Honduras visa preparar uma invasão à Venezuela e fazer recuar o desejo de autodeterminação de outros países da América Latina?
Gripe A: perigos que encobrem outros perigos
Qual a razão pela qual a ameaça de uma nova gripe está a ficar omnipresente nos media mais ainda do que no caso da gripe das aves?Que riscos existem para as pessoas com a nova gripe?
É mais perigosa que outras nos seus efeitos sobre o organismo? No número de mortos que pode provocar em pessoas com outras doenças?
É muito mais resistente ao tratamento que as outras gripes? 
Os jornalistas e os dirigentes dos média sabem que não é por nada disso.
E se não sabem, a mínima curiosidade jornalística os levará a concluir tal pela consulta de relatórios e estatísticas oficiais, até da Organização Mundial da Saúde que tem contemporizado – para dizer apenas isto – com a campanha de medo que está a ser suscitada pelos interesses da indústria farmacêutica.
Não subestimando a situação nem as medidas preventivas que estão a ser tomadas para encarar a maior propagação no Inverno, em que já estarão disponíveis vacinas específicas, existem outras razões para todo este empolamento.
A gripe A H1N1, está a ser objectiva, e com alta probabilidade subjectivamente, um dos meios de afastar as preocupações mundiais de outras situações que estão a decorrer, de enorme gravidade, algumas sem paralelo na nossa história contemporânea, de abrandar a vigilância da opinião pública com elas, diluindo-as num mar de outros factos e de distrair as atenções.
A gripe A não é a única arma desse arsenal. Outras como o directo planetário durante dias da morte de Michael Jackson, dimensão informativa de acontecimentos com narcotraficantes, atentados sangrentos no Afganistão e Iraque, etc., estão a ser utilizadas como formas de distracção mas também de permitir evoluções que lhe podem ser directamente associadas.
Entre outras situações que têm sido referenciadas, como o crescente risco de guerra e de intervenções da NATO e dos EUA na América do Sul, Cáucaso, Ásia Central e Extremo Oriente, está a questão da militarização dos EUA, prevista para um período onde se prevê uma mais rápida expansão do vírus, que atinge medidas que, a pretexto da extensão e eficácia da vacinação, ensaiam esquemas de controlo da sociedade a serem utilizadas quando da inevitável expressão de descontentamentos resultantes da actual crise gerada no quadro do mundo capitalista. E isso inclui lei marcial, restrições de direitos, combate contra manifestações, campos de concentração e uma parafernália de outras medidas repressivas, como referiu há dias na Global Research Michel Chossudowsky.
Mesmo que essa militarização seja premonitória de utilizações mais graves – é sabido que agências de informação de forças armadas estão a desenvolvê-las em vários países do mundo – ninguém de bom coração será muito adverso a que, em nome da saúde dos concidadãos, a tropa cumpra essa função cívica, que esconda esses outros passos para finalmente se verem os militares não a matar fora do país inocentes mas a ajudar a salvar vidas no próprio país de origem.
A estes movimentos subterrâneos tem correspondido uma tese muito difundida de que não se está a dar a devida importância ao risco de protestos em massa. Conheço quem o diga num sentido positivo de que se devem alterar orientações da política económica para evitar o sofrimento dos concidadãos. Mas outros deixam claramente expresso o receio de que tais revoltas potenciem o efeito criador das massas e suas organizações em movimento para impor tais alterações de políticas, deixando a sugestão subliminar de montar novos esquemas de controlo e repressão social.
No caso da Saúde existe uma motivação acrescida para afastar atenções dos lucros monumentais que tais campanhas de medo viabilizam às multinacionais da indústria farmacêutica. A corrida, não prescrita por médicos, ao Tamiflu e outros antivirais não específicos para esta gripe, pelos riscos que comportam na perda de defesas do organismo humano, é aplaudida pelas multinacionais que, por vias complexas, fazem chegar as suas comissões às empresas de comunicação social. Pelo que se deve ser rigoroso na venda destes fármacos apenas por indicação de um médico que se responsabilizará pela opção atendendo às contra-indicações e efeitos secundários face às possibilidades de cura. Tais limitações até provocam a produção de fármacos, concorrentes destes, noutros países mas exactamente com as mesmas limitações e riscos. Os stocks monumentais que restaram do esvaziamento da bolha da gripe das aves estão a ser despachados. Houve mesmo uma fase em que se pressionavam medidas preventivas e em que se comparavam os países em função das doses de Tamiflu em armazém. Tornear as limitações e riscos dele e criar uma vacina específica já está em curso e, novamente, se discutiu se tal ou tal país se atrasou nas encomendas, que percentagem de doses já está encomendada, em relação ao número de habitantes, etc. E as ditas multinacionais esfregam as mãos.
Continuarei a tratar aqui destas questões – tratamento que já iniciei quando da gripe das aves – e convido os leitores a fazerem os comentários que entenderem.
Continuarei a tratar aqui destas questões – tratamento que já iniciei quando da gripe das aves – e convido os leitores a fazerem os comentários que entenderem.
sábado, 8 de agosto de 2009
Atávamos uma guita à bala, disparávamos e depois puxáva-mos a guita...
Conheci-o numa cervejaria, "A Alga", onde terminavam algumas noitadas da CDE, em 1969, depois de sairmos da sede no Campo Pequeno.Ali se juntava muito pessoal de esquerda, na cave ou ao balcão. Sentei-me ao lado dele que falava com um amigo comum. Disse-lhe à queima-roupa "Você dá-nos uma contribuição para a CDE?".
Olhou-me, mediu-me, e empurrou uma nota de cem para junto do meu copo. Palavras, nem uma, só um olhar cúmplice euma piscadela de olho.
Solnado era um comediante notável. Nele encontrámos os tipos portugueses de norte a sul mais os lisboetas estilosos. Eis um artista que não desaparece porque faz parte de nós.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Crónica dos mares do sul
Escrevo-vos da Praia da Rocha, refúgio desde a minha meninice com escaldões e romances estivais, bons grupos de amigos e literatura policial.Resolvida tal consideração preambular, continuemos a escrever o diário de bordo.
Dormi que nem um justo apesar do matraquear dos sons dos bares, em delirantes decibéis contínuos, quais gritos lancinantes de orixás saltitantes no sambódromo, mas com a desvantagem de não serem acompanhados de belas ninfas ondulantes. Lá pelo clarear do dia, o matraquear continuou, desta feita por martelos pneumáticos e seus sons estridentes mas não monótonos pois seringavam diferentes texturas de entulho.
Mas, ia eu dizendo, dormi bem e sem sonhos – que me lembre.
O mata-bicho processou-se informalmente na varanda, pelas oito e picos que teve como resultado uma maior conformidade do espírito com as coisas da vida.
Um duche frio ajudou o despertar e aí ensaiei com a voz umas sevilhanas, carentes de outros instrumentos e de sapateado.
Primeiro café, colombiano, com aquele estalido da Shakira, que bons ventos produziram por aquelas paragens.
Passei ao segundo café, desta feita do Nabeiro.
Desci as escadas, poisei os pertences e fui-me à água com uns calções que nem toda a gente aprecia.
A água estava boa, sem vos querer fazer inveja. Crawl, bruços, costas, alguns mergulhos até à satisfação.
Secando-me ao sol, fui dando conta de que o PSD estava a implodir e o Sócrates continuava a falar para o boneco apoiado nas muletas do teleponto.
Cumpridos os ritos e as ablações solares, chegavam as onze e manda a precaução que me retirasse, em boa ordem, subindo os oitenta degraus mais uns vinte passos que são necessários até ao edifício dos apartamentos. Que tem como uma das lojas um café dum personagem esdrúxulo, o Zé Camarinha.
Novo duche, chatices com um computador que só agora permitiu chegar-me a vós, a vista anti-stressante da praia onde milhares de personagens, se refrescam, torcicolam de tanto mirarem as pequenas, brincam com os putos, com aquele encolher de barriga imposto por um tardio trabalho de ginásio.
E, fui-me ao Ireland’s Eye, meu pouso de eleição a outros vinte passos da casa, onde se tem a melhor brisa da Rocha. Aí pensei nos vossos apetites de jantar e convoquei para o almoço um Big Ireland’s Breakfast. Vinha atraente, com uns feijões bem cozinhados, um bacon como deve ser, bem tostado, duas grandes salsichas, duas rodelas de diferentes enchidos, um ovo estrelado, e uns cogumelos e rodelas fritas de tomate. Apresentou-se-me sem despropositadas pretensões mas enchendo o olho e não o deixei ficar mal. Foi todo, com uma caneca de cidra.
Senti-me um Ochum supremo, ou deixando o sincretismo afro-americano, que nem um abade…
Marchou o terceiro café, Nabeiro reincidente.
Umas vistas aos jornais, um torpor a convidar-me a privada reflexão, que realizei, livre dos matraqueares para vir agora à vossa companhia.
Fiquem em paz. São 18.30 h e eu volto ao mar. Pois então...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Que justificação para Hiroshima, para Nagasaki, para Dresden e outras cidades arrasadas em 1945



Em 1945, a 6 e 8 de Agosto em Hiroshima e Nagasaki e todo o mês de Fevereiro em dezenas de cidades alemãs, ocorreram dos momentos mais horríveis da história da Humanidade, na sequência do holocausto nazi e dos crimes de guerra dos imperialistas japoneses, que abrangeu judeus, russos, polacos e tantos outros povos europeus e asiáticos, partriculamente na China.
Se os bombardeamentos puderam ser apresentados como forma de apressar o fim da guerra pelas aviações inglesa e norte-americana, o que é certo é que ocorreram quando as potências do Eixo já tinham perdido a guerra e os estudos realizados desde então não provam que o terror que espalharam tenham pressionado os respectivos estados-maiores a renderem-se mais cedo. Destes bombardeamentos resultaram cerca DE UM MILHÃO DE MORTOS!!!
O que levou a esta barbaridade final foram essencialmente duas razões:
- Chegar antes dos soviéticos e das forças nacionais de resistência dos países ocupados (onde os comunistas, não por acaso, tiveram, em geral, papel determinante) ao mais vasto território possível, como medida anticomunista e prevenção de novos governos de esquerda;
- Chegar antes dos soviéticos e das forças nacionais de resistência dos países ocupados (onde os comunistas, não por acaso, tiveram, em geral, papel determinante) ao mais vasto território possível, como medida anticomunista e prevenção de novos governos de esquerda;
- Garantir espaços económicos em substituição dos que iam sendo arrasados pelos bombardeamentos dos EUA. O Plano Marshal na Europa e outros semelhantes a Oriente, a pulverização de bases norte-americanas nessas regiões, confirmariam os EUA como grande potência do mundo capitalista, com expansão npoutros continentes, elevando assim o papel de liderança que já adquirira na 1ª Guerra Mundial.
Yuri Tanaka, professor e investigador, do Instituto pela Paz de Hiroshima e coordenador do Japan Focus, que escreveu livros como “Os crimes de guerra japoneses na 2ª Guerra Mundial”, diria recentemente
“Na hora de avaliar cada novo caso de bombardeamento indiscriminado devemos recordar a história da justificação da matança em massa de civis e uma praxis que fizemos remontar à primeira guerra mundial. Mostrámos que no decurso da segunda guerra mundial, em diferentes momentos e por motivos estratégicos particulares, tanto britânicos como alemães, japoneses e norte‑americanos recorreram a bombardeamentos estratégicos com grande quantidade de vítimas civis, pretendendo que isso desmoralizaria o inimigo e aceleraria a sua rendição. Não devemos enredar-nos em discussões do tipo de se o ataque contra Tóquio com bombas incendiárias foi estrategicamente justificado, e se os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ou não estrategicamente justificados. A questão fundamental é saber porque é que estas teorias que justificam matanças em massa persistiram por tanto tempo depois dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. É importante perguntar porque é que se aplicou esta estratégia durante as guerras da Coreia e do Vietname e porque é que até certo ponto se continuam a aplicar variantes dela para justificar os “danos colaterais” e os “bombardeamentos de precisão” em guerras como as do Afeganistão, Kosovo e Iraque. Ao mesmo tempo haveria que procurar caminhos para fazer compreender o facto de que matar civis é um crime contra a humanidade, independentemente das justificações militares que se esgrimam; um crime que deveria ser castigado segundo os princípios de Nuremberga e Genebra. Por fim, é importante recordar que nunca se pôs fim a uma guerra tão só bombardeando indiscriminadamente e matando civis em massa. Na verdade, há abundantes evidências de que semelhantes estratégias tipicamente fortalecem a resistência.”
“Na hora de avaliar cada novo caso de bombardeamento indiscriminado devemos recordar a história da justificação da matança em massa de civis e uma praxis que fizemos remontar à primeira guerra mundial. Mostrámos que no decurso da segunda guerra mundial, em diferentes momentos e por motivos estratégicos particulares, tanto britânicos como alemães, japoneses e norte‑americanos recorreram a bombardeamentos estratégicos com grande quantidade de vítimas civis, pretendendo que isso desmoralizaria o inimigo e aceleraria a sua rendição. Não devemos enredar-nos em discussões do tipo de se o ataque contra Tóquio com bombas incendiárias foi estrategicamente justificado, e se os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ou não estrategicamente justificados. A questão fundamental é saber porque é que estas teorias que justificam matanças em massa persistiram por tanto tempo depois dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. É importante perguntar porque é que se aplicou esta estratégia durante as guerras da Coreia e do Vietname e porque é que até certo ponto se continuam a aplicar variantes dela para justificar os “danos colaterais” e os “bombardeamentos de precisão” em guerras como as do Afeganistão, Kosovo e Iraque. Ao mesmo tempo haveria que procurar caminhos para fazer compreender o facto de que matar civis é um crime contra a humanidade, independentemente das justificações militares que se esgrimam; um crime que deveria ser castigado segundo os princípios de Nuremberga e Genebra. Por fim, é importante recordar que nunca se pôs fim a uma guerra tão só bombardeando indiscriminadamente e matando civis em massa. Na verdade, há abundantes evidências de que semelhantes estratégias tipicamente fortalecem a resistência.”
domingo, 2 de agosto de 2009
O programa já passou, concentremo-nos então no país
1. O PS tem um problema grande com os seus programas de governo.Só servem para cumprir um ritual. Não são para executar.
Desde ontem que ouço comentadores dizerem que o PS precisou de coragem para o apresentar antes dos outros e assim arricar que seja criticado ou copiado por outros…
Eu diria antes que é preciso coragem, sim, para voltar a escrever uma coisa que, mais uma vez, é um repositório de coisas para não cumprir.
E não estou preocupado com a eventual pureza traída das intenções do que escrevem. Até essas o PS tem modificado para que o amancebamento neo-liberal, que reforçou as suas raízes, nos surja como acto não tão desconforme como isso.
Contra natura será, sim, ainda se chamar socialista, infantilidade semântica que já não aquece orelhas no confronto com políticas que o não são.
2. Então para que fez o PS algum estardalhaço com a sua existência?
Eu cá acho que é para a gente falar deles, discutir bibelots do almanaque, e não confrontar com as questões com que realmente país e portugueses se defrontam: desemprego, falta de saídas profissionais para os licenciados, precariedade de trabalho, de remuneração, de estabilidade familiar que afecta. Desigualdades e corrupção, ostentadas pelos que mais têm, Desintegração paulatina do nosso sistema produtivo nas suas diversas vertentes e transferência da nossa economia da base produtiva para a área financeira, para a actividade especulativa, com mãos largas para banqueiros e executivos e falta de rede para o delapidar de poupanças. Perspectivas escassas de contribuição de formações mais alargadas (12º ano e não só) para a elevação da produtividade e da competitividade (e em que sectores restantes dessa desintegração?). Perspectivas mais claras da competitividade se basear nos baixos salários. Participação em missões no estrangeiro onde somos convocados para que os EUA dominem os recursos energéticos dos outros e a expandir a NATO par dar “músculo” a essa pirataria.
sábado, 1 de agosto de 2009
Importa suster a degradação da Quinta da Subserra
A identidade colectiva, baseada em diversas vertentes (património cultural, material e imaterial), constitui um valor acrescentado à qualidadede vida das populações e deverá representar um pólo de desenvolvimento a nível turístico e económico das localidades.
São João dos Montes está a ser transformado num dormitório suburbano, o que associado à falta de dinamização do patrimóni
o e promoção da nossa identidade colectiva de
senraíza as populações e não estimula nada a valorização de tudo o que compõe a Freguesia.
Caso flagrante desta situação é a Quinta Municipal da Subserra, que nos últimos anos
tem vindo a degradar-se e no que respeita à sua dinamização apresenta um saldo muito
negativo.
É urgente defender intransigentemente a recuperação do edificado e criar um programa
de dinamização dos espaços, sem deixar que sejam entregues à gestão de privados,
transformando a Quinta Municipal de Subserra num núcleo de prática de diversas iniciativas.
São João dos Montes está a ser transformado num dormitório suburbano, o que associado à falta de dinamização do patrimóni
o e promoção da nossa identidade colectiva de
senraíza as populações e não estimula nada a valorização de tudo o que compõe a Freguesia.Caso flagrante desta situação é a Quinta Municipal da Subserra, que nos últimos anos
tem vindo a degradar-se e no que respeita à sua dinamização apresenta um saldo muito
negativo.

É urgente defender intransigentemente a recuperação do edificado e criar um programa
de dinamização dos espaços, sem deixar que sejam entregues à gestão de privados,
transformando a Quinta Municipal de Subserra num núcleo de prática de diversas iniciativas.
A classificação do património há muito que devia ter sido feita de modo a impedir que este seja desfigurado com, por exemplo, alterações desadequadas ou alienações.
As propostas da CDU para aquele espaço incluem:
A criação de hortas pedagógicas e acções de formação na área da agricultura biológica,
com o envolvimento das escolas e demais associações/instituições dariam um bom incentivo à práticada agricultura (principal actividade desta freguesia até há poucos anos).
com o envolvimento das escolas e demais associações/instituições dariam um bom incentivo à práticada agricultura (principal actividade desta freguesia até há poucos anos).
Com a fixação de enólogos e dinamização de acções de formação nesta vertente possibilitará a produção de vinhos de qualidade
A criação e promoção de uma marca para a comercialização dos produtos da exploração e confecção na Quinta de Subserra.
A implantação de uma unidade de restauração que promova a gastronomia regional bem como os produtos da Quinta de Subserra.
A criação de protocolos de cooperação com escolas de conservação e restauro, possibilitem a realização de estágios,promovendo:
1 - O contacto com o património da Quinta com vista a pôr em prática os seus conhecimentos; 2 - A proximidade de contacto diverso com visita do o vasto património da Freguesia e do Concelho.
A implantação de uma unidade de restauração que promova a gastronomia regional bem como os produtos da Quinta de Subserra.
A criação de protocolos de cooperação com escolas de conservação e restauro, possibilitem a realização de estágios,promovendo:
1 - O contacto com o património da Quinta com vista a pôr em prática os seus conhecimentos; 2 - A proximidade de contacto diverso com visita do o vasto património da Freguesia e do Concelho.
A recuperação do palácio , adaptado-o a pousada de gestão municipal.
Dotar a quinta de um núcleo de pesquisa para estudo, registo e divulgação do património municipal.
Recuperação do campo desportivo e a sua integração nos circuitos desportivos do concelho.
Criar circuitos de manutenção e condições para desportos radicais.
Encontrar solução para a instalação de piscina.
Criação de circuitos turísticos.
Eva Golinger e o Smart Power de Obama

Em entrevista ontem à agência de notícias bolivariana, ABN, esta advogada e investigadora venezuelana afirmou que Obama desencadeou uma política externa militarista muito mais intensa do que se oservou durante os 8 anos de Bush.
Explicou que uma amostra disso se pode verificar com o recrudescimento da guerra no Afganistán, as possíveis invasões do Pakistão, Irão e Coreia do Norte, o golpe de Estado nas Honduras, a instalação de bases militares na Colombia e as provocações para iniciar un conflito colombo-venezuelano. A diferença entre ambos os presidentes, esclarece Golinger, é que Obama destina grande parte dos recursos recursos a promover uma estratégia de “guerra irregular”, mais perigosa que a doutrina de guerra tradicional implementada por Bush. Nessse sentido, sustentou que entre ambas as estratégias existem duas diferenças fundamentais, se bem que o Smart Power (Poder Inteligente) de Obama seja mais perigoso. A primeira diferença é que o objectivo do modelo tradicional é a neutralização e destruição das forças armadas inimigas enquanto que a guerra irregular procura neutralizar a populção civil e o Estado. “A táctica tradicional emprega o combate e bombardeio de forças armadas pr´~opias contra as inimigas (...) e a táctica irregular caracteriza-se pelo uso de forças militares combinado com a diplomacia, operações psicológicas e métodos políticos para penetrar na população e proceder a uma guerra que não se assemelhe a um campo de batalha”, garantiu Eva. Por isso assinalou que a política dos Estados Unidos sempre será imperialista, porque mesmo mudando de forma, o seu fundo e objetivo sempre será o mesmo: apoderar-se das riquezas deo mundo. “Desde 2008, Washington começou novamente a interesarse pelo Sul. Com base nisso, se justificou a reactivação da IV Esquadra no Caribe e se considerou a posibilidade de retirar algumas tropas do Iraque para as enviar para o Comando Sul, e assim converter a região sul-americana nuna zona de operações”. Golinger também referiu que quem comprou o conto da mudança pacífica com Obama, se deixou enganar simplesmente pelo efeito mediático internacional. “Os Estados Unidos apenas reorientaram os seus mecanismos de operação porque reconhecem que no terreno, os adversários e a distribuição do poder mudaram na região (...). Esta alteração de táctica evidencia-se na enorme quantidade de dinheiro que estão a investir em actividades de defesa, serviços de informação, desestabilização e contra a revolta na América Latina”, denunciou a investigadora.
Explicou que uma amostra disso se pode verificar com o recrudescimento da guerra no Afganistán, as possíveis invasões do Pakistão, Irão e Coreia do Norte, o golpe de Estado nas Honduras, a instalação de bases militares na Colombia e as provocações para iniciar un conflito colombo-venezuelano. A diferença entre ambos os presidentes, esclarece Golinger, é que Obama destina grande parte dos recursos recursos a promover uma estratégia de “guerra irregular”, mais perigosa que a doutrina de guerra tradicional implementada por Bush. Nessse sentido, sustentou que entre ambas as estratégias existem duas diferenças fundamentais, se bem que o Smart Power (Poder Inteligente) de Obama seja mais perigoso. A primeira diferença é que o objectivo do modelo tradicional é a neutralização e destruição das forças armadas inimigas enquanto que a guerra irregular procura neutralizar a populção civil e o Estado. “A táctica tradicional emprega o combate e bombardeio de forças armadas pr´~opias contra as inimigas (...) e a táctica irregular caracteriza-se pelo uso de forças militares combinado com a diplomacia, operações psicológicas e métodos políticos para penetrar na população e proceder a uma guerra que não se assemelhe a um campo de batalha”, garantiu Eva. Por isso assinalou que a política dos Estados Unidos sempre será imperialista, porque mesmo mudando de forma, o seu fundo e objetivo sempre será o mesmo: apoderar-se das riquezas deo mundo. “Desde 2008, Washington começou novamente a interesarse pelo Sul. Com base nisso, se justificou a reactivação da IV Esquadra no Caribe e se considerou a posibilidade de retirar algumas tropas do Iraque para as enviar para o Comando Sul, e assim converter a região sul-americana nuna zona de operações”. Golinger também referiu que quem comprou o conto da mudança pacífica com Obama, se deixou enganar simplesmente pelo efeito mediático internacional. “Os Estados Unidos apenas reorientaram os seus mecanismos de operação porque reconhecem que no terreno, os adversários e a distribuição do poder mudaram na região (...). Esta alteração de táctica evidencia-se na enorme quantidade de dinheiro que estão a investir em actividades de defesa, serviços de informação, desestabilização e contra a revolta na América Latina”, denunciou a investigadora.
O PS partiu para férias com um programa no site e um chumbo no TC

1. Não me lembro de que em outras eleições a difusão dos programas eleitorais fosse dois meses antes das ditas. Um mesito, talvez. Mas o PS fez disso questão de monta para atacar as oposições que só malham, malham e não têm propostas…
Vai-se a ver e do programa disseram que a questão central era o alargamento do ensino obrigatório ao 12º ano (como factor primeiro para sair da crise e sem especificar as condições logísticas, de apoio social escolar, profissionais, etc., que o têm inviabilizado no passado recente) e, em jeito de “caixa” que cada novo bebé teria aberta uma conta com…200 euros, certamente com a intenção de isso ser um estímulo à natalidade, coisa que é negada, por si só, com medidas semelhantes no país e esrangeiro…
Foi o que passou e é de prever que, com a máquina mediática de que o PS dispõe, terá sido isso que quis fazer passar como questões centrais…. Tanto mais que não temos visto dirigentes seus em querer fazer passar outras coisas. Que certamente existem mas aí eles mandam-nos para o site…
E o site que nos diz?
Já que nos mandaram para o site, não os mando para outro lado porque sou educado. Vou lá quando tiver tempo e pachorra…
2. Depois do site nos mostrar este programa que não desceu à terra nem levantou voo, o PS apanhou com o chumbo pelo TC de uma série de disposições contidas no Estatuto dos Açores recém-aprovado.
Começou por dizer que todos o tinham aprovado. Tal não é verdade. Várias foram os votos contra, nomeadamente do PCP, nas votações na especialidade sobre disposições agora declaradas inconstitucionais. Depois, atendendo ao interesse global em dotar o Estatuto dos Açores, houve uma aprovação global. Invocar meias-verdades como arma de arremesso é feio. É mentira.
E isto tudo para esconder que o PS, apesar da objectividade das críticas e das manifestas inconstitucionalidades, obstinou-se, tomou consciência do carácter de guerrilha institucional de tal postura, e fez os Açores passar por uma situação que só lembra a tais cabeças, numa altura em que o país é perpassado por várias crises e aflições.
Vá, vão de férias…
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Alguns aspectos da política norte-americana na Eurásia.
Os acontecimentos da primeira quinzena de Julho na região autónoma de Xinjiang, na China, só aparentemente foram o resultado de um conflito étnico.De facto foram um dos muitos que os serviços de informação norte-americanos podem desencadear, a partir de situações diversificadas, em diferentes países, apoiadas no exacerbar de naturais diferenças étnicas por grupos que controlam, com base em organizações sedeadas nos EUA.
A organização do actual Dalai-Lama e a da Sra. Rebya Kadeer são disso exemplo. Elas como outras são subsidiadas pelo National Endorsement for Democracy (NED).
Países ou Regiões Autónomas como o Tibete, a Birmânia, vários países da Europa Oriental, Sérvia, Geórgia, Ucrânia, Kazaquistão têm organizações que receberam estes apoios de uma NED que, sendo privada, recebe dinheiro público do Congresso
O que está em causa é a desestabilização de uma rede de relações que nos últimos meses sofreram evoluções muito positivas entre países da Ásia Central e a República Popular da China, no âmbito da Organização de Cooperação das Nações, de Xangai. E nomeadamente na sua última reunião de Iakateriuburgo, onde Rússia e Irão participaram como convidados.
O que assusta a administração norte-americana para estar por detrás de tais tentativas de desestabilização? Por um lado a interdependência energética que estes países procuram e, por outro, a capacidade que revelam em cooperar também na sua própria segurança regional, contrariando as tentativas de expansão da NATO para a região.
O complexo de gasodutos e oleodutos de países produtores para consumidores da região tem como um dos seus pontos sensíveis Xinjiang.
A Rússia tem projectos semelhantes com a China. O gás natural abundante na Sibéria é vital para o desenvolvimento da China.
Os chamados "interesses vitais dos EUA" prevêem criar uma grande área que, sendo extremamente rica, lhe não escape a uma dependência que a expansão militar da NATO consolidaria com a força das armas.
Acontece que os interesses dos povos na região não são coincidentes.
terça-feira, 28 de julho de 2009
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