quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Programa Eleitoral do PCP – 2

Pode encontrar um desdobramento maior em políticas e medidas na versão integral

Uma política para o desenvolvimento económico

Três objectivos centrais

1º. O pleno emprego, como objectivo primeiro das políticas económicas, com a melhoria da sua qualidade, estabilidade e direitos, reduzindo a precariedade e insegurança, nomeadamente o desemprego estrutural e de longa duração.
2º. O crescimento económico, sustentado e acima da média da União Europeia, com o combate à profunda recessão da economia nacional, depois de anos de estagnação, pelo crescimento significativo do investimento público, ampliação do mercado interno, acréscimo das exportações, aumento da competitividade e produtividade das empresas portuguesas.
3º. A defesa e afirmação do aparelho produtivo nacional motor do crescimento económico, como dinamizador da procura interna e como alimentador de um sector exportador mais diversificado sectorial e geograficamente.

Duas condições indispensáveis

1ª. Um crescimento económico vigoroso, sustentado e equilibrado do País, o que torna necessária e decisiva a intervenção do Estado na efectiva regulação da actividade económica e na concretização de políticas que prossigam opções estratégicas nacionais, indispensáveis à garantia do pleno aproveitamento das capacidades e recursos nacionais e à harmonização das actuações dos sectores público, privado e social, face aos desafios externos e a um objectivo claro de desenvolvimento económico e de progresso social.
2ª. A valorização do trabalho e dos trabalhadores, questão nuclear de uma política alternativa, através de uma significativa melhoria dos salários, da defesa e afirmação dos direitos e do pleno emprego, indispensáveis para o desenvolvimento económico e uma melhor repartição do rendimento entre o trabalho e o capital.

Vectores estratégicos de uma política económica e social

1º. A recuperação pelo Estado do comando político e democrático do processo de desenvolvimento
2º. O planeamento democrático do desenvolvimento
3º. O desenvolvimento e defesa dos sectores produtivos e o combate à financeirização
4º. A dinamização e defesa do mercado interno
5º. O combate decidido à dependência externa e superação dos principais défices estruturais

Seis políticas-chave para um Desenvolvimento independente e auto sustentado

1ª. A consolidação das finanças públicas, identificada como a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos e articulação da gestão orçamental com o crescimento económico e o desenvolvimento social, nomeadamente promotora de um elevado investimento público em infra-estruturas físicas, em educação e formação profissional e em áreas sociais como a saúde e a protecção social.
2ª . A dinamização do investimento, nomeadamente do investimento público e a melhoria da eficácia e eficiência na utilização dos fundos comunitários. A reorientação de todo o investimento, quer público quer privado, com base em critérios adequados às necessidades de desenvolvimento do País.
3ª. Um sector financeiro ao serviço do crescimento económico e do desenvolvimento social.
4ª. Um sector energético orientado para o pleno aproveitamento dos recursos energéticos nacionais.
5ª. Um sector de transportes e comunicações assegurando a boa mobilidade dos portugueses e a competitividade do transporte de mercadorias.
6ª Uma adequada política de ambiente, ordenamento do território e de desenvolvimento regional que assuma a integração de políticas sectoriais indispensáveis a um desenvolvimento sustentado e a uma coesão territorial e combata a mercantilização do ambiente.

Pintura de Tamara de Lempicka


domingo, 16 de agosto de 2009

sábado, 15 de agosto de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


Se vi até um pouco mais longe, foi por me apoiar nos ombros de gigantes.

Isaac Newton
(carta a Robert Hooke, de 5/2/1676)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O nosso vizinho do pinheiro cá de baixo


Há dois dias atrás, saíamos do apartamento onde temos passado estes dias, na Praia da Rocha. Aberta a porta, deparamos com um pequeno pardal que saltitava no vão da escada. Sem dúvida chegara até ali por alguma porta ou varanda e não conseguia sair.
A Isabel procurou apanhá-lo para o libertar da prisão. Saltinho após saltinho fugiu à frente da Isabel para dois pisos acima.
Desistimos. Alguma porta que lhe abrissem lá em cima lhe devolveria a liberdade.
A praia estava boa mas continuamos a pensar nele.
No regresso ao chegarmos à nossa porta aí estava ele, à espera. “Ainda dizem que o cérebro deles é raquítico…”.
Afastou-se, entrámos e deixamos a porta aberta. Aguardamos. Passados uns minutos, ei-lo a entrar pela porta. Aos pulinhos, claro. Abrimos a varanda. Comecei a trocar com ele assobios em pardalês e a Isabel foi-lhe esfarelando pão até à varanda.
Não teve pressa. Comeu, pulou, não terá prestado atenção ao pires com água. Pardalámos mais um pouco. E saiu pela varanda, voando. Primeiro para o parapeito. Depois, quase a pique, para o pinheiro, em baixo no nosso passeio, que funciona como uma espécie de albergaria livre de encargos.
São dezenas, centenas os seus habitantes. Palram em coro harmonioso lá pelas 11 horas e, depois, a partir das 19 h até que se calam quando estamos a acabar de jantar, na varanda. Comparar essa harmonia ondulatória com o cataclismo ruidoso que sai da Katedral e o Striper Club é um interessante ensaio. Os pardais lá sabem.
Meu caro vizinho, gostámos de te conhecer. Para o ano gostaríamos de te voltar a ver e ouvir os vossos trinados.

O desemprego e o PIB


Os últimos dados estatísticos do INE do PIB e do desemprego que seriam conhecidos antes das eleições legislativas foram publicados em dois dias diferentes.
Uma espécie de Vivace seguido dum Adagio molto lento.

Para no 1º dia o governo poder fazer um número pré-eleitoral a propósito dos +0,3% do PIB no 2º trimestre e não ser confrontado com os números do desemprego que subiram quase 2 pontos percentuais nesse mesmo período em relação ao período homólogo de 2008.
O que se pode concluir no 1º caso não é que o + 0,3 % é o princípio do fim da crise mas que o governo cuidou de que se atingisse, conjunturalmente, esse valor, mesmo que, como poderá acontecer, os resultados seguintes sejam piores.
Não por ter alterado os dados da estrutura de carência da economia mas por ter aproveitado a boleia de algumas exportações que saíram por causa da abertura a novas importações da China e de outros países emergentes que foram chamados a contribuir para atenuar a crise internacional. Outras razões que se possam avançar só poderão ser validadas mais à frente.
Avançar, como o fez o primeiro-ministro, de que se pode estar no princípio do fim da crise e ainda por cima que isso prova a justeza da política do governo é uma habilidade manhosa sem fundamento.
O essencial deste resultado depende de factores favoráveis de exportação que poderão agravar-se no trimestre seguinte tanto mais que a Espanha, nosso principal mercado, não mostra sinais de recuperação do PIB e não estão ainda criadas condições para maior diversificação da nossa dependência em relação a terceiros.
O caso de Angola não está a desenvolver-se apesar do enorme potencial que residirá no disparo do seu crescimento quando voltar a subir o preço do petróleo e das matérias primas, que agirá em Angola, grande fornecedor delas, de modo inverso ao nosso. É estranho que, nestas circunstâncias, e revelando uma vez mais a falta de preocupação com os interesses nacionais os pacóvios círculos anti-angolanos, com largos apoios n comunicação social, tenham, aproveitado para ajudar Hillary Clinton na sua cruzada pelos direitos dos EUA em Angola…

Os dados do desemprego ficaram a cargo de Vieira da Silva que até deu a entender que…não seriam maus de todo!!!
Quando estes resultados é que espelham os resultados da sua política, da crise de que é responsável. Estes números são terríveis para o nosso futuro porque dão conta do estado real da economia. Têm efeito duradouro na sua já débil estrutura ao contrário dos +0,3% do PIB, mais voláteis.
Percorremos o programa eleitoral do PS e até parece que não se querem tirar lições… O PSD diz o contrário do que fez quando esteve no governo. O país e a economia não suportam mais um governo dos partidos do bloco central.

Só rompendo com a sua política o país poderá encarar a saída da sua crise profunda.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

Programa Eleitoral do PCP - 1


Eixos centrais de uma nova política

Na apresentação do programa eleitoral do PCP, Jerónimo de Sousa avançou os aspectos gerais do documento. esteNeste e nos posts seguintes, realçam-se os eixos e propostas fundamentais do programa, adiantadas pelo Secretário-geral do Partido, e publicam-se as 26 medidas urgentes apresentadas, destinadas a «superar e ultrapassar problemas criados com uma inaceitável ofensiva do actual Governo do PS contra direitos essenciais dos trabalhadores e do povo».
O desenvolvimento económico, a criação de emprego, a redistribuição do rendimento e a justiça social, o aprofundamento da democracia e a afirmação da independência e soberania nacionais. São estes os principais objectivos do PCP para o País, patentes no «Programa de Ruptura, Patriótico e de Esquerda» apresentado anteontem em Lisboa.

São eixos centrais do Programa

a valorização do trabalho e dos trabalhadores;
a defesa dos sectores produtivos e da produção nacional, nomeadamente a agricultura, pescas e indústria nacionais;
um papel determinante do Estado nos sectores estratégicos, designadamente na banca e nos seguros, na energia, nas telecomunicações e nos transportes;
uma administração e serviços públicos ao serviço do País e das populações, nomeadamente na saúde, na educação, na segurança social;
a democratização e promoção do acesso à cultura e à defesa do património cultural;
a defesa do meio ambiente, do ordenamento do território e a promoção de um efectivo desenvolvimento regional, assente no aproveitamento racional dos recursos, numa criteriosa política de investimento público;
a defesa do regime democrático de Abril e o cumprimento da Constituição da República, com o aprofundamento dos direitos, liberdades e garantias fundamentais e o reforço da intervenção dos cidadãos na vida política;
a efectiva subordinação do poder económico ao poder político, o combate e punição da corrupção, crime económico e tráfico de influências, o fim dos privilégios no exercício de altos cargos na Administração;
a afirmação de um Portugal livre e soberano e uma Europa de paz e cooperação, com uma nova política que assegure a defesa intransigente dos interesses nacionais e uma política externa baseada na diversificação das relações com outros países.
(continua)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Venezuela: perseguição a órgãos de informação ou reposição da legalidade democrática?


Nas últimas semanas Chávez tem sido acusado de promover o encerramento de 34 estações de rádio e televisão por serem críticas do seu governo.
As multinacionais da comunicação assumiram essa atitude e a organização deles subsidiária, os Repórteres Sem Fronteiras, fez o mesmo. Os nossos media afinaram pelo mesmo diapasão.
O que não disseram foi que em qualquer país do mundo, o mesmo teria sido feito, dadas as circunstâncias que nada têm a ver com tais “razões”.


Muitas rádios ignoraram deliberadamente uma notificação da respectiva entidade reguladora (Conatel) para ser verificado o estado das respectivas concessões e ser feita a sua actualização. A Conatel constatou numerosas irregularidades como concessionários galecidos cuja concessão era utilizada ilegalmente por terceiros, não renovação dos procedimentos administrativos exigidos por lei, ou pura e simplesmente a falta de autorização para emitirem. Que se faria em países civilizados como o nosso? A mesma coisa, só que aqui os Repórteres Sem Fronteiras ou o Human Rights Watch, apenas duas da imensa panóplia de ONGs que passaram a fazer o trabalho da CIA, não se atiraram ao ar contra Guterres, Cavaco ou Sócrates. E a lei venezuelana nesta área é semelhante à nossa e às de muitos outros países. Quem não procede à renovação das concessões perde a frequência que utilizavam e que em todo o lado não é propriedade dos concessionários mas um bem público.
Por tudo isto 34 estações que estavam a emitir ilegalmente perderam as concessões.
Ao contrário do que as calúnias contra a revolução boliviana espalham de que na Venezuela haveria perseguição a opiniões diferentes importa reter alguns números:

- 80% das rádios e televisões são privadas, 9% são públicas e 11% de associações ou comunidades locais;
- O conjunto dos media privados estão concentrados nas mãos de 32 famílias, sendo que a cadeia Globovisión. Participou na tentativa de golpe de estado de 2002, apoiou a sabotagem petrolífera desse ano, apelou ao não pagamento de impostos pelos contribuintes, à insurreição e assassinato do Presidente da República, apoiou o golpe de Estado recente nas Honduras, reconheceu os golpistas e desejou que algo semelhante acontecesse na Venezuela.


Quem já esteve na Venezuela não reconhece a vantagem da direita em termos de meios de comunicação?

E porquê contestar a legitimidade das políticas decorrentes de sucessivos actos eleitorais, reconhecidos como livres por todos os observadores internacionais?

Face a isto e às tentativas golpistas fracassadas, quem arrisca a dizer que é um exagero de Chávez dizer que uma nova base militar nas Honduras visa preparar uma invasão à Venezuela e fazer recuar o desejo de autodeterminação de outros países da América Latina?

Gripe A: perigos que encobrem outros perigos

Qual a razão pela qual a ameaça de uma nova gripe está a ficar omnipresente nos media mais ainda do que no caso da gripe das aves?
Que riscos existem para as pessoas com a nova gripe?
É mais perigosa que outras nos seus efeitos sobre o organismo? No número de mortos que pode provocar em pessoas com outras doenças?
É muito mais resistente ao tratamento que as outras gripes?

Os jornalistas e os dirigentes dos média sabem que não é por nada disso.
E se não sabem, a mínima curiosidade jornalística os levará a concluir tal pela consulta de relatórios e estatísticas oficiais, até da Organização Mundial da Saúde que tem contemporizado – para dizer apenas isto – com a campanha de medo que está a ser suscitada pelos interesses da indústria farmacêutica.
Não subestimando a situação nem as medidas preventivas que estão a ser tomadas para encarar a maior propagação no Inverno, em que já estarão disponíveis vacinas específicas, existem outras razões para todo este empolamento.

A gripe A H1N1, está a ser objectiva, e com alta probabilidade subjectivamente, um dos meios de afastar as preocupações mundiais de outras situações que estão a decorrer, de enorme gravidade, algumas sem paralelo na nossa história contemporânea, de abrandar a vigilância da opinião pública com elas, diluindo-as num mar de outros factos e de distrair as atenções.
A gripe A não é a única arma desse arsenal. Outras como o directo planetário durante dias da morte de Michael Jackson, dimensão informativa de acontecimentos com narcotraficantes, atentados sangrentos no Afganistão e Iraque, etc., estão a ser utilizadas como formas de distracção mas também de permitir evoluções que lhe podem ser directamente associadas.


Entre outras situações que têm sido referenciadas, como o crescente risco de guerra e de intervenções da NATO e dos EUA na América do Sul, Cáucaso, Ásia Central e Extremo Oriente, está a questão da militarização dos EUA, prevista para um período onde se prevê uma mais rápida expansão do vírus, que atinge medidas que, a pretexto da extensão e eficácia da vacinação, ensaiam esquemas de controlo da sociedade a serem utilizadas quando da inevitável expressão de descontentamentos resultantes da actual crise gerada no quadro do mundo capitalista. E isso inclui lei marcial, restrições de direitos, combate contra manifestações, campos de concentração e uma parafernália de outras medidas repressivas, como referiu há dias na Global Research Michel Chossudowsky.

Mesmo que essa militarização seja premonitória de utilizações mais graves – é sabido que agências de informação de forças armadas estão a desenvolvê-las em vários países do mundo – ninguém de bom coração será muito adverso a que, em nome da saúde dos concidadãos, a tropa cumpra essa função cívica, que esconda esses outros passos para finalmente se verem os militares não a matar fora do país inocentes mas a ajudar a salvar vidas no próprio país de origem.

A estes movimentos subterrâneos tem correspondido uma tese muito difundida de que não se está a dar a devida importância ao risco de protestos em massa. Conheço quem o diga num sentido positivo de que se devem alterar orientações da política económica para evitar o sofrimento dos concidadãos. Mas outros deixam claramente expresso o receio de que tais revoltas potenciem o efeito criador das massas e suas organizações em movimento para impor tais alterações de políticas, deixando a sugestão subliminar de montar novos esquemas de controlo e repressão social.

No caso da Saúde existe uma motivação acrescida para afastar atenções dos lucros monumentais que tais campanhas de medo viabilizam às multinacionais da indústria farmacêutica. A corrida, não prescrita por médicos, ao Tamiflu e outros antivirais não específicos para esta gripe, pelos riscos que comportam na perda de defesas do organismo humano, é aplaudida pelas multinacionais que, por vias complexas, fazem chegar as suas comissões às empresas de comunicação social. Pelo que se deve ser rigoroso na venda destes fármacos apenas por indicação de um médico que se responsabilizará pela opção atendendo às contra-indicações e efeitos secundários face às possibilidades de cura. Tais limitações até provocam a produção de fármacos, concorrentes destes, noutros países mas exactamente com as mesmas limitações e riscos. Os stocks monumentais que restaram do esvaziamento da bolha da gripe das aves estão a ser despachados. Houve mesmo uma fase em que se pressionavam medidas preventivas e em que se comparavam os países em função das doses de Tamiflu em armazém. Tornear as limitações e riscos dele e criar uma vacina específica já está em curso e, novamente, se discutiu se tal ou tal país se atrasou nas encomendas, que percentagem de doses já está encomendada, em relação ao número de habitantes, etc. E as ditas multinacionais esfregam as mãos.

Continuarei a tratar aqui destas questões – tratamento que já iniciei quando da gripe das aves – e convido os leitores a fazerem os comentários que entenderem.

sábado, 8 de agosto de 2009

Atávamos uma guita à bala, disparávamos e depois puxáva-mos a guita...

Conheci-o numa cervejaria, "A Alga", onde terminavam algumas noitadas da CDE, em 1969, depois de sairmos da sede no Campo Pequeno.
Ali se juntava muito pessoal de esquerda, na cave ou ao balcão. Sentei-me ao lado dele que falava com um amigo comum. Disse-lhe à queima-roupa "Você dá-nos uma contribuição para a CDE?".
Olhou-me, mediu-me, e empurrou uma nota de cem para junto do meu copo. Palavras, nem uma, só um olhar cúmplice euma piscadela de olho.
Solnado era um comediante notável. Nele encontrámos os tipos portugueses de norte a sul mais os lisboetas estilosos. Eis um artista que não desaparece porque faz parte de nós.

"Pôr-do-sol-campos de trigo perto de Arles", de van Gogh




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Crónica dos mares do sul

Escrevo-vos da Praia da Rocha, refúgio desde a minha meninice com escaldões e romances estivais, bons grupos de amigos e literatura policial.
Resolvida tal consideração preambular, continuemos a escrever o diário de bordo.

Dormi que nem um justo apesar do matraquear dos sons dos bares, em delirantes decibéis contínuos, quais gritos lancinantes de orixás saltitantes no sambódromo, mas com a desvantagem de não serem acompanhados de belas ninfas ondulantes. Lá pelo clarear do dia, o matraquear continuou, desta feita por martelos pneumáticos e seus sons estridentes mas não monótonos pois seringavam diferentes texturas de entulho.
Mas, ia eu dizendo, dormi bem e sem sonhos – que me lembre.

O mata-bicho processou-se informalmente na varanda, pelas oito e picos que teve como resultado uma maior conformidade do espírito com as coisas da vida.
Um duche frio ajudou o despertar e aí ensaiei com a voz umas sevilhanas, carentes de outros instrumentos e de sapateado.
Primeiro café, colombiano, com aquele estalido da Shakira, que bons ventos produziram por aquelas paragens.
Passei ao segundo café, desta feita do Nabeiro.
Desci as escadas, poisei os pertences e fui-me à água com uns calções que nem toda a gente aprecia.
A água estava boa, sem vos querer fazer inveja. Crawl, bruços, costas, alguns mergulhos até à satisfação.
Secando-me ao sol, fui dando conta de que o PSD estava a implodir e o Sócrates continuava a falar para o boneco apoiado nas muletas do teleponto.
Cumpridos os ritos e as ablações solares, chegavam as onze e manda a precaução que me retirasse, em boa ordem, subindo os oitenta degraus mais uns vinte passos que são necessários até ao edifício dos apartamentos. Que tem como uma das lojas um café dum personagem esdrúxulo, o Zé Camarinha.
Novo duche, chatices com um computador que só agora permitiu chegar-me a vós, a vista anti-stressante da praia onde milhares de personagens, se refrescam, torcicolam de tanto mirarem as pequenas, brincam com os putos, com aquele encolher de barriga imposto por um tardio trabalho de ginásio.
E, fui-me ao Ireland’s Eye, meu pouso de eleição a outros vinte passos da casa, onde se tem a melhor brisa da Rocha. Aí pensei nos vossos apetites de jantar e convoquei para o almoço um Big Ireland’s Breakfast. Vinha atraente, com uns feijões bem cozinhados, um bacon como deve ser, bem tostado, duas grandes salsichas, duas rodelas de diferentes enchidos, um ovo estrelado, e uns cogumelos e rodelas fritas de tomate. Apresentou-se-me sem despropositadas pretensões mas enchendo o olho e não o deixei ficar mal. Foi todo, com uma caneca de cidra.
Senti-me um Ochum supremo, ou deixando o sincretismo afro-americano, que nem um abade…
Marchou o terceiro café, Nabeiro reincidente.
Umas vistas aos jornais, um torpor a convidar-me a privada reflexão, que realizei, livre dos matraqueares para vir agora à vossa companhia.
Fiquem em paz. São 18.30 h e eu volto ao mar. Pois então...

Frase de fim-de-semana, por Jorge


Sonho pintar e depois pinto o que sonho


Vincent van Gogh

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Que justificação para Hiroshima, para Nagasaki, para Dresden e outras cidades arrasadas em 1945

















Em 1945, a 6 e 8 de Agosto em Hiroshima e Nagasaki e todo o mês de Fevereiro em dezenas de cidades alemãs, ocorreram dos momentos mais horríveis da história da Humanidade, na sequência do holocausto nazi e dos crimes de guerra dos imperialistas japoneses, que abrangeu judeus, russos, polacos e tantos outros povos europeus e asiáticos, partriculamente na China.

Se os bombardeamentos puderam ser apresentados como forma de apressar o fim da guerra pelas aviações inglesa e norte-americana, o que é certo é que ocorreram quando as potências do Eixo já tinham perdido a guerra e os estudos realizados desde então não provam que o terror que espalharam tenham pressionado os respectivos estados-maiores a renderem-se mais cedo. Destes bombardeamentos resultaram cerca DE UM MILHÃO DE MORTOS!!!

O que levou a esta barbaridade final foram essencialmente duas razões:

- Chegar antes dos soviéticos e das forças nacionais de resistência dos países ocupados (onde os comunistas, não por acaso, tiveram, em geral, papel determinante) ao mais vasto território possível, como medida anticomunista e prevenção de novos governos de esquerda;

- Garantir espaços económicos em substituição dos que iam sendo arrasados pelos bombardeamentos dos EUA. O Plano Marshal na Europa e outros semelhantes a Oriente, a pulverização de bases norte-americanas nessas regiões, confirmariam os EUA como grande potência do mundo capitalista, com expansão npoutros continentes, elevando assim o papel de liderança que já adquirira na 1ª Guerra Mundial.

Yuri Tanaka, professor e investigador, do Instituto pela Paz de Hiroshima e coordenador do Japan Focus, que escreveu livros como “Os crimes de guerra japoneses na 2ª Guerra Mundial”, diria recentemente

“Na hora de avaliar cada novo caso de bombardeamento indiscriminado devemos recordar a história da justificação da matança em massa de civis e uma praxis que fizemos remontar à primeira guerra mundial. Mostrámos que no decurso da segunda guerra mundial, em diferentes momentos e por motivos estratégicos particulares, tanto britânicos como alemães, japoneses e norte­‑americanos recorreram a bombardeamentos estratégicos com grande quantidade de vítimas civis, pretendendo que isso desmoralizaria o inimigo e aceleraria a sua rendição. Não devemos enredar-nos em discussões do tipo de se o ataque contra Tóquio com bombas incendiárias foi estrategicamente justificado, e se os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki foram ou não estrategicamente justificados. A questão fundamental é saber porque é que estas teorias que justificam matanças em massa persistiram por tanto tempo depois dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. É importante perguntar porque é que se aplicou esta estratégia durante as guerras da Coreia e do Vietname e porque é que até certo ponto se continuam a aplicar variantes dela para justificar os “danos colaterais” e os “bombardeamentos de precisão” em guerras como as do Afeganistão, Kosovo e Iraque. Ao mesmo tempo haveria que procurar caminhos para fazer compreender o facto de que matar civis é um crime contra a humanidade, independentemente das justificações militares que se esgrimam; um crime que deveria ser castigado segundo os princípios de Nuremberga e Genebra. Por fim, é importante recordar que nunca se pôs fim a uma guerra tão só bombardeando indiscriminadamente e matando civis em massa. Na verdade, há abundantes evidências de que semelhantes estratégias tipicamente fortalecem a resistência.”

domingo, 2 de agosto de 2009

O programa já passou, concentremo-nos então no país

1. O PS tem um problema grande com os seus programas de governo.
Só servem para cumprir um ritual. Não são para executar.
Desde ontem que ouço comentadores dizerem que o PS precisou de coragem para o apresentar antes dos outros e assim arricar que seja criticado ou copiado por outros…
Eu diria antes que é preciso coragem, sim, para voltar a escrever uma coisa que, mais uma vez, é um repositório de coisas para não cumprir.
E não estou preocupado com a eventual pureza traída das intenções do que escrevem. Até essas o PS tem modificado para que o amancebamento neo-liberal, que reforçou as suas raízes, nos surja como acto não tão desconforme como isso.
Contra natura será, sim, ainda se chamar socialista, infantilidade semântica que já não aquece orelhas no confronto com políticas que o não são.

2. Então para que fez o PS algum estardalhaço com a sua existência?
Eu cá acho que é para a gente falar deles, discutir bibelots do almanaque, e não confrontar com as questões com que realmente país e portugueses se defrontam: desemprego, falta de saídas profissionais para os licenciados, precariedade de trabalho, de remuneração, de estabilidade familiar que afecta. Desigualdades e corrupção, ostentadas pelos que mais têm, Desintegração paulatina do nosso sistema produtivo nas suas diversas vertentes e transferência da nossa economia da base produtiva para a área financeira, para a actividade especulativa, com mãos largas para banqueiros e executivos e falta de rede para o delapidar de poupanças. Perspectivas escassas de contribuição de formações mais alargadas (12º ano e não só) para a elevação da produtividade e da competitividade (e em que sectores restantes dessa desintegração?). Perspectivas mais claras da competitividade se basear nos baixos salários. Participação em missões no estrangeiro onde somos convocados para que os EUA dominem os recursos energéticos dos outros e a expandir a NATO par dar “músculo” a essa pirataria.

sábado, 1 de agosto de 2009

Importa suster a degradação da Quinta da Subserra

A identidade colectiva, baseada em diversas vertentes (património cultural, material e imaterial), constitui um valor acrescentado à qualidadede vida das populações e deverá representar um pólo de desenvolvimento a nível turístico e económico das localidades.
São João dos Montes está a ser transformado num dormitório suburbano, o que associado à falta de dinamização do património e promoção da nossa identidade colectiva desenraíza as populações e não estimula nada a valorização de tudo o que compõe a Freguesia.
Caso flagrante desta situação é a Quinta Municipal da Subserra, que nos últimos anos
tem vindo a degradar-se e no que respeita à sua dinamização apresenta um saldo muito
negativo.
É urgente defender intransigentemente a recuperação do edificado e criar um programa
de dinamização dos espaços, sem deixar que sejam entregues à gestão de privados,
transformando a Quinta Municipal de Subserra num núcleo de prática de diversas iniciativas.

A classificação do património há muito que devia ter sido feita de modo a impedir que este seja desfigurado com, por exemplo, alterações desadequadas ou alienações.

As propostas da CDU para aquele espaço incluem:
A criação de hortas pedagógicas e acções de formação na área da agricultura biológica,
com o envolvimento das escolas e demais associações/instituições dariam um bom incentivo à práticada agricultura (principal actividade desta freguesia até há poucos anos).
Com a fixação de enólogos e dinamização de acções de formação nesta vertente possibilitará a produção de vinhos de qualidade
A criação e promoção de uma marca para a comercialização dos produtos da exploração e confecção na Quinta de Subserra.
A implantação de uma unidade de restauração que promova a gastronomia regional bem como os produtos da Quinta de Subserra.
A criação de protocolos de cooperação com escolas de conservação e restauro, possibilitem a realização de estágios,promovendo:
1 - O contacto com o património da Quinta com vista a pôr em prática os seus conhecimentos; 2 - A proximidade de contacto diverso com visita do o vasto património da Freguesia e do Concelho.
A recuperação do palácio , adaptado-o a pousada de gestão municipal.
Dotar a quinta de um núcleo de pesquisa para estudo, registo e divulgação do património municipal.
Recuperação do campo desportivo e a sua integração nos circuitos desportivos do concelho.
Criar circuitos de manutenção e condições para desportos radicais.
Encontrar solução para a instalação de piscina.
Criação de circuitos turísticos.



Eva Golinger e o Smart Power de Obama


Em entrevista ontem à agência de notícias bolivariana, ABN, esta advogada e investigadora venezuelana afirmou que Obama desencadeou uma política externa militarista muito mais intensa do que se oservou durante os 8 anos de Bush.
Explicou que uma amostra disso se pode verificar com o recrudescimento da guerra no Afganistán, as possíveis invasões do Pakistão, Irão e Coreia do Norte, o golpe de Estado nas Honduras, a instalação de bases militares na Colombia e as provocações para iniciar un conflito colombo-venezuelano. A diferença entre ambos os presidentes, esclarece Golinger, é que Obama destina grande parte dos recursos recursos a promover uma estratégia de “guerra irregular”, mais perigosa que a doutrina de guerra tradicional implementada por Bush. Nessse sentido, sustentou que entre ambas as estratégias existem duas diferenças fundamentais, se bem que o Smart Power (Poder Inteligente) de Obama seja mais perigoso. A primeira diferença é que o objectivo do modelo tradicional é a neutralização e destruição das forças armadas inimigas enquanto que a guerra irregular procura neutralizar a populção civil e o Estado. “A táctica tradicional emprega o combate e bombardeio de forças armadas pr´~opias contra as inimigas (...) e a táctica irregular caracteriza-se pelo uso de forças militares combinado com a diplomacia, operações psicológicas e métodos políticos para penetrar na população e proceder a uma guerra que não se assemelhe a um campo de batalha”, garantiu Eva. Por isso assinalou que a política dos Estados Unidos sempre será imperialista, porque mesmo mudando de forma, o seu fundo e objetivo sempre será o mesmo: apoderar-se das riquezas deo mundo. “Desde 2008, Washington começou novamente a interesarse pelo Sul. Com base nisso, se justificou a reactivação da IV Esquadra no Caribe e se considerou a posibilidade de retirar algumas tropas do Iraque para as enviar para o Comando Sul, e assim converter a região sul-americana nuna zona de operações”. Golinger também referiu que quem comprou o conto da mudança pacífica com Obama, se deixou enganar simplesmente pelo efeito mediático internacional. “Os Estados Unidos apenas reorientaram os seus mecanismos de operação porque reconhecem que no terreno, os adversários e a distribuição do poder mudaram na região (...). Esta alteração de táctica evidencia-se na enorme quantidade de dinheiro que estão a investir em actividades de defesa, serviços de informação, desestabilização e contra a revolta na América Latina”, denunciou a investigadora.

O PS partiu para férias com um programa no site e um chumbo no TC



1. Não me lembro de que em outras eleições a difusão dos programas eleitorais fosse dois meses antes das ditas. Um mesito, talvez. Mas o PS fez disso questão de monta para atacar as oposições que só malham, malham e não têm propostas…
Vai-se a ver e do programa disseram que a questão central era o alargamento do ensino obrigatório ao 12º ano (como factor primeiro para sair da crise e sem especificar as condições logísticas, de apoio social escolar, profissionais, etc., que o têm inviabilizado no passado recente) e, em jeito de “caixa” que cada novo bebé teria aberta uma conta com…200 euros, certamente com a intenção de isso ser um estímulo à natalidade, coisa que é negada, por si só, com medidas semelhantes no país e esrangeiro…
Foi o que passou e é de prever que, com a máquina mediática de que o PS dispõe, terá sido isso que quis fazer passar como questões centrais…. Tanto mais que não temos visto dirigentes seus em querer fazer passar outras coisas. Que certamente existem mas aí eles mandam-nos para o site…
E o site que nos diz?
Já que nos mandaram para o site, não os mando para outro lado porque sou educado. Vou lá quando tiver tempo e pachorra…

2. Depois do site nos mostrar este programa que não desceu à terra nem levantou voo, o PS apanhou com o chumbo pelo TC de uma série de disposições contidas no Estatuto dos Açores recém-aprovado.
Começou por dizer que todos o tinham aprovado. Tal não é verdade. Várias foram os votos contra, nomeadamente do PCP, nas votações na especialidade sobre disposições agora declaradas inconstitucionais. Depois, atendendo ao interesse global em dotar o Estatuto dos Açores, houve uma aprovação global. Invocar meias-verdades como arma de arremesso é feio. É mentira.
E isto tudo para esconder que o PS, apesar da objectividade das críticas e das manifestas inconstitucionalidades, obstinou-se, tomou consciência do carácter de guerrilha institucional de tal postura, e fez os Açores passar por uma situação que só lembra a tais cabeças, numa altura em que o país é perpassado por várias crises e aflições.

Vá, vão de férias…

Frase de fim-de-semana, por Jorge


O que se aproxima mais da telepatia é compôr música a dois

Oliver Saks
neurologista

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Alguns aspectos da política norte-americana na Eurásia.

Os acontecimentos da primeira quinzena de Julho na região autónoma de Xinjiang, na China, só aparentemente foram o resultado de um conflito étnico.
De facto foram um dos muitos que os serviços de informação norte-americanos podem desencadear, a partir de situações diversificadas, em diferentes países, apoiadas no exacerbar de naturais diferenças étnicas por grupos que controlam, com base em organizações sedeadas nos EUA.
A organização do actual Dalai-Lama e a da Sra. Rebya Kadeer são disso exemplo. Elas como outras são subsidiadas pelo National Endorsement for Democracy (NED).
Países ou Regiões Autónomas como o Tibete, a Birmânia, vários países da Europa Oriental, Sérvia, Geórgia, Ucrânia, Kazaquistão têm organizações que receberam estes apoios de uma NED que, sendo privada, recebe dinheiro público do Congresso
O que está em causa é a desestabilização de uma rede de relações que nos últimos meses sofreram evoluções muito positivas entre países da Ásia Central e a República Popular da China, no âmbito da Organização de Cooperação das Nações, de Xangai. E nomeadamente na sua última reunião de Iakateriuburgo, onde Rússia e Irão participaram como convidados.
O que assusta a administração norte-americana para estar por detrás de tais tentativas de desestabilização? Por um lado a interdependência energética que estes países procuram e, por outro, a capacidade que revelam em cooperar também na sua própria segurança regional, contrariando as tentativas de expansão da NATO para a região.
O complexo de gasodutos e oleodutos de países produtores para consumidores da região tem como um dos seus pontos sensíveis Xinjiang.
A Rússia tem projectos semelhantes com a China. O gás natural abundante na Sibéria é vital para o desenvolvimento da China.
Os chamados "interesses vitais dos EUA" prevêem criar uma grande área que, sendo extremamente rica, lhe não escape a uma dependência que a expansão militar da NATO consolidaria com a força das armas.
Acontece que os interesses dos povos na região não são coincidentes.

terça-feira, 28 de julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Zelaya mantem-se na fronteira e espera encontro com chefe militar dos golpistas (actualizado)

Depois de ter levantado a guarda do posto fronteiriço e entrado nas Honduras, Zelaya disse a um coronel da força que o não deixa passar, e que diz não ter nada contra ele, que quer falar com o chefe militar do golpe, Romeo Vásquez. Aí fez declarações para ops órgãos de comunicação social que o acompanhavam (ver foto).
A família (mulher e filhos) foram detidos pela polícia hondurenha numa aldeia perto do posto. Centenas de populares tornearam a barreira militar na fronteira, entraram na Nicarágua e rodeiam agora o seu presidente que se mantem no posto fronteiriço.
O secretário-geral da OEA e Hillary Clinton criticaram Zelaya por ter insistido em entrar no país, talvez porque este não acedeu à táctica de ambos de irem arrastando o processo com pseudo- megociações que só estavam a servir para os golpistas se consolidarem no poder. O ministro do governo constitucional Victor Meza, disse hoje aos jornalistas que esta entrada de Zelaya no território é arriscada mas necessária e que não é possível nas Honduras extradoitar alguém sem razões para isso. Confrontado com a pergunta de quem está por detrás da ordem para Vásquez o matar, o ministro de Zelaya disse que o próprio Vásqwuez o refertiu a Zelaya - um grupo empresarial...

Depois do falhanço das negociações de S. José da Costa Rica, ontem ao fim do dia, e de Oscar Árias ter visto recusada pelos golpistas das Honduras a sua derradeira proposta de acordo, o presidente das Honduras, eleito pelo seu povo, dirigiu-se na Nicarágua para a fronteira para onde estão a afluir os hondurenhos para o receber(ver fotos).

Zelaya foi com a sua mulher e os filhos e também a Ministra dos Negócios Estrangeiros do seu governo. E fez a sua primeira paragem em Estelí. Chegou hoje ao seu país.
Entretanto, o exército está a bloquear as estradas de acesso à fronteira para tentar impedir que os seus compatriotas o recebam (ver foto). Já houve tiros e espancamentos de que só a Telesur está a dar notícias.
Anteontem Zelaya declarou solenemente a todo o mundo que se as suas vidas correrem perigo, isso será da inteira responsabilidade do chefe as forças armadas do "governo" dos gorilas que, há quase um mês, o derrubaram num golpe de estado pela intervenção desse militar.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A frase de fim-de-semana, por Jorge



A ficção revela verdades que a realidade mantem obscuras


Jessamyn West

escritora, autora de The Friendly Persuasion (1945)

Os Hanggai ou o rock mongol à conquista da Europa

Ao telefone com Sines esta manhã, confirmou-se. Foi um êxito.
Este grupo, nascido na baixa de Pequim, e na estrada há uns três anos em diferentes festivais e outros concertos, trouxe-nos um rock que se identifica, universal, mas com uma sonoridade e um suporte temático mongóis genuínos.
Se na China hoje uma crescente assimilação da cultura rock fez esbater diferenças culturais, este grupo não foi por aí, recuperou velhas conções tradicionais mongóis e lidera uma corrente do rock chinês, de diferentes etnias e regiões, que vai nesse sentido.
Aqui ficam eles, só em fotografia . Siga para o Youtube. Vai ver que gosta!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quino e os grandes problemas mundiais...


Cartoon de Monginho

in Avante!

Nova escalada militar no Afganistão

2. A miragem da “guerra boa”

Tariq Ali, académico paquistanês e colaborador regular do The Guardian, na edição da New Left Review de Março-Abril, recordava os últimos anos deste país, martirizado por uma sérieconsecutiva de guerras. Transcrevemos apenas o início e o fim desta reflexão que aconselhamos ser lida integralmente aqui.

Para o autor, raramente se verificou uma convergência internacional como a que ocorreu na invasão do Afeganistão em 2001.O apoio à guerra foi unânime nas chancelarias ocidentais, mesmo antes dos seus objectivos e parâmetros estarem definidos. Os governos da NATO apressaram-se a afirmar “todos por um”. Blair deu a volta ao mundo defendendo a “doutrina da comunidade internacional” e a oportunidade de construir a paz e erguer uma nação no Hindu Kush. Putin saudou as bases americanas instaladas nas fronteiras meridionais da Rússia. Todos os grandes partidos de governo apoiaram a guerra. Todas as grandes redes de comunicação social – com a BBC e a CNN à cabeça – foram os seus megafones. Ara os Verdes alemães, assim como para Laura Bush e Cherie Blair, era uma guerra pela libertação das mulheres do Afeganistão (1). Para a Casa Branca, um combate pela civilização. Para o Irão a derrota pendente do inimigo Wahhabi.

Três anos mais tarde, à medida que o caos se aprofundava, o Afeganistão, em, termos comparativos, tornou-se “a guerra boa”. Tinha sido legitimada pelas Nações Unidas, apesar de a resolução só ter passado depois das bombas da NATO terem caído sobre o país. Se no seio desta e no caso do Iraque se delinearam diferenças tácticas, elas esbateram-se no caso do Afeganistão. Primeiro Zapatero, depois Prodi, depois Rudd compensaram a saída de tropas do Iraque com o seu envio para Kabul (2). A França e a Alemanha puderam fazer a exaltação das suas forças de paz e do seu papel civilizador. À medida que aumentavam no Iraque os suicidas bombistas, o Afeganistão era agora, para que os democratas pudessem afirmar as suas credenciais “de segurança”, a “verdadeira frente” da guerra ao terror, apoiada por todos os candidatos presidenciais americanos à disputa de 2008, com o senador Obama a pressionar a Casa Branca a violar a soberania paquistanesa sempre que isso fosse necessário. Com diferentes graus de firmeza, a ocupação do Afeganistão foi também apoiado pela China, pelo Irão e pela Rússia. Apesar de neste último caso, existir sempre uma forte componente de Schadenfreude. Os veteranos soviéticos espantados em ver os seus eros a serem cometidos agora pelos EUA numa guerra ainda mais desumana que a antecedente, espantaram-se por os EUA ainda estarem a fazer pior que eles.

Há, pelo menos, duas vias para sair do impasse.

A primeira, e a pior delas, seria a balcanização do país. Este parece ser, de momento, o padrão dominante da hegemonia imperial. Mas, há que ter em conta que, se os Curdos no Iraque e os kosovares e outros na ex-Jugoslávia tinham clientelas nacionalistas, a semelhança com os papéis que Tajiks e Hazaras é aqui muito remota. Alguns responsáveis de serviços secretos norte-americanos discutiram informalmente, há algum tempo, a criação de um estado Pashtun que unisse as tribos e acabasse com a Linha Duran, mas isto desestabilizaria o Afeganistão e o Paquistão a tal ponto que as consequências eram imprevisíveis. Aparentemente a ideia não teve apoiantes em ambos os países.

A via alternativa exigiria a saída de todas as tropas americanas, antecedida ou seguida por um pacto que garantisse a estabilidade do Afeganistão nos dez anos seguintes. O Paquistão, o Irão, a Índia, a Rússia e, possivelmente a China podem garantir e apoiar um governo nacional que funcione, empenhado em garantir a diversidade religiosa no Afeganistão e criar um espaço em que os habitantes possam respirar, pensar e alimentar-se todos os dias. Seria necessário um plano económico-social sério para reconstruir o país e garantir as necessidades básicas à sua população. Isto não seria apenas do interesse do Afeganistão mas seria visto como tal pelo seu povo que está exausto física e moralmente por décadas de guerras e de ocupações.A violência, arbitrária ou deliberada já se prolongaram demasiado. Querem que o pesadelo acabe e que não seja substituído por horrores de outros tipos. Os extremistas religiosos teriam pouco apoio popular se rompessem uma paz negociada e começassem a jihad para recriar o Emirato Taliban do Mullah Omar.
Mas a ocupação norte-americana não facilita este objectivo. Os falhanços que eram de prever deram nova vida aos talibans e, crescentemente, os Pashtuns estão-se a unir por detrás deles. Apesar dos Talibans serem completamente identificados com a al-Qaeda nos meios de comunicação social ocidentais, muitos dos seus apoiantes guiam-se, porém, por preocupações de natureza local. A sua evolução seria mais próxima à dos islamitas integrados no Paquistão se os invasores saíssem.A saída da NATO iria favorecer um processo de paz sério. Também poderia beneficiar o Paquistão, com o abandono pelos seus líderes militares das loucas concepções do “caminho estratégico” e uma visão da Índia, não como um inimigo, mas como um possível parceiro na criação de uma rede regional coesa, onde muitas questões contenciosas se poderiam resolver.

Serão os líderes militares e políticos do Paquistão capazes de deixarem de coçar as suas feridas e de fazerem o seu país andar para a frente? Washington permitir-lhes-ia isso? A solução é política e não militar. E reside na região e não em Washington ou Bruxelas.

1) De facto o único período em que foram garantidos às mulheres os mesmos direitos e a educação foi entre 1979 e 1989, com o governo do PDPA, apoiado por tropas soviéticas. Repressivo a vários níveis, conseguiu, porém, na saúde e na educação reais progressos, tal como no Iraque tinha acontecido com Saddam. Daí a nostalgia por esse passado entre as camadas mais pobres da sociedade em ambos os países.(2) Ao visitar Madrid, depois da vitória eleitoral de Zapatero, em Março de 2008, um alto funcionário do governo disse-me que tinham considerado a saída total do Afeganistão meses antes das eleições mas que os EUA manobraram. Prometeram à Espanha que um seu responsável militar seria nomeado comandante das forças da NATO, mas que a saída de Kabul iria afastar essa possibilidade. A Espanha recuou, para descobrir depois que tinha sido enganada.

Alfeite: um "acordo" impossível

«O Arsenal actual acabará e uma empresa – a AA SA – arrancará em 1 de Setembro, dando continuidade à actividade em curso, mas com regras externas e internas diferentes» - a isto se resume o actual «processo de mudança», nas palavras do administrador do Arsenal, o contra-almirante Victor Gonçalves de Brito, contidas no ameaçador «aviso» com que, dia 17, procurou conter o protesto dos trabalhadores, depois de estes serem confrontados com o texto do «acordo».
No documento, colocado online pelo Jornal do Barreiro, são também sintetizadas as «opções disponíveis para os actuais trabalhadores» do Arsenal do Alfeite: «Adesão às propostas de contratação da AA SA», «interesse em continuar integrado numa organização cem por cento do Estado» ou «passagem voluntária para a mobilidade especial».

O «acordo de cedência de interesse público», proposto aos trabalhadores que a empresa pretende contratar, coloca como subscritores, além do «trabalhador cedido» (cuja identificação não contém qualquer referência ao seu trabalho no actual Arsenal), o ministro da Defesa, o Arsenal do Alfeite e a AA SA.

Ao longo de seis páginas, preconiza, por exemplo:

- o desempenho de «funções afins» à categoria profissional;

- o trabalho «nas instalações da Arsenal SA ou nos clientes desta» e «uma eventual alteração, temporária ou definitiva», do local de trabalho, «para qualquer um dos estabelecimentos em que a AA SA exerça ou venha a exercer a sua actividade»;

- a alteração do horário de trabalho «unilateralmente», incluindo organização de turnos e trabalho nocturno.

Não satisfeitos, Governo e administradores estipulam ainda que «o acordo pode cessar, a todo o tempo, por iniciativa de qualquer das partes, com aviso prévio de 30 dias». Mas o trabalhador perde este «direito» por três anos, no caso de a empresa realizar «despesas avultadas na formação profissional».O Governo e a administração recusaram, até agora, negociar este texto com o sindicato.
(in Avante! de hoje)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Nicarágua celebra os 30 anos da Revolução Sandinista



No passado domingo, mais de cem mil habitantes celebraram a efeméride, na Praça de Santa Fé, que foi dedicada aos progressos sociais e económicos e à solidariedade com as Honduras, que na 5ª e 6ª feiras têm marcada greve geral pelo fim do golpe militar e peloo regresso de Zelaya e da normalidade democrática.