sábado, 11 de julho de 2009

Lírios, também da vida


Obama: entregar o ouro aos bandidos e estimular a criminalidade?

A iniciativa de Obama em propôr uma saída "negociada" para o golpe militar das Honduras pode criar um grave precedente no caminho de uma nova forma de intervencionismo norte-americano.
Intervencionismo contra os países que, na América Latina, decidiram romper com o paradigma de países musculados por exércitos de formação ianqui, aptos a intervir quando a democracia, no ponto em que estiver, impedir a posse e exploração das matérias primas por empresas multinacionais que alienam a capacidade doméstica de redistribuição de terras, de aumentos de produção, de competitividade e de competitividade internacional.

Intervencionismo protector da sobre-exploração, das oligarquias, e das imensas desigualdades sociais que enformaram um modelo de que os povos, manifestamente, se querem libertar.

Obama propôs que a vítima e o criminoso fizessem as "pazes", que ele abençoaria, sem restituição do produto do assalto mas com a desculpabilização do bandido, excepção feita aos golpistas que fervessem na linguagem não contra as vítimas mas contra ele próprio. Ficaria Obama em decúbito careca se um dos golpistas que ilibara continuasse nas funções de ministro dos negócios estrangeiros a chamar-lhe "negrito ignorante".

É sabido que em todos os países da América Latina, em graus diferentes é certo, existem sectores militares, potentados económicos, embaixadas dos EUA e lideranças católicas que já tentaram outros golpes , que foram derrotados pela determinação popular e a firmeza dos dirigentes. Mas foram derrotas provisórias.

Ninguém se terá mostrado muito defraudado com a tímida reacção de Obama contra o golpe. Mais do que noutros pontos do mundo, gerações e gerações conheceram aqui os comportamentos do vizinho do norte e as suas responsabilidades no atraso, nas desigualdades, nos breves períodos de alguma democracia e em genocídios. Naturalmente que a sua eleição criou positivas expectativas. Mas comportamentos como este estão a esfumá-las.

E não venham com aquelas estórias das carochinhas de o golpe ter sido só dos sectores "mais conservadores" do Pentágono, da CIA, de embaixadores que foram longe de mais, de uma cotovelada de Hillary a Obama ou ainda que Obama...não tinha sido informado.
Obama parece estar a optar por entregar o ouro aos bandidos e estimular a criminalidade...
Como dizia ontem Fidel, este é um perigoso precedente. Os povos e as instituições estão atentos. E Obama ainda tem tempo para emendar a mão. Se não, solta os gorilas e tem também o destino traçado.

Beleza adormecida, de Teresa Dias Coelho







sexta-feira, 10 de julho de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


Mais vale acender uma vela do que maldizer a escuridão


provérbio chinês

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sexta feira na Costa Rica encontro entre Zelaya, Oscar Árias e o presidente fantoche saído do golpe militar









Inquestionàvelmente ligada à iniciativa da administração Obama, vai realizar-se na 6ª feira em S. José da Costa Rica um encontro entre entre Zelaya e o presidente fantoche saído do golpe militar.
Não é um encontro com iguais motivações por parte de quem o inspirou e de quem nele vai participar.
Manuel Zelaya tem atrás de si o seu povo, que continua firmemente, na rua a exigir o seu regresso e resoluções inequívocas de organizações regionais e da ONU. Para ele, que não quer defraudar o seu povo, e não irá negociar nada e tão só programar a saída do governo saído do golpe: “A restituição da presidência da República e a democracia não se negociam. Não vou trair os meus principios nem os do povo que está a lutar pela democracia”.
Micheletti não quer isto e procura um entendimento que seria o reconhecimento das motivações e os resultados do golpe.
Oscar Árias é muito sensível à posição dos EUA, é contraditório nas expectativas quanto aos resultados da reunião que, se não levar à recondução de Zelaya, ele o afirma, levará a que a Costa Rica corte relações com as Honduras.
Obama tem sido acusado de ter estado por detrás ou ter permitido pela inacção que o golpe se desse. Os interesses de multinacionais norte-americanas no país, o papel da base militar como linha de comando efectiva dos dirigentes do exército, o estatuto adquirido pelo embaixador norte-americano na vida interna, o conhecimento anterior dos planos do golpe e dos encontros entre o embaixador e os futuros golpistas, não permite conferir credibilidade à condenação do golpe de Estado feito no dia seguinte.
Obama quer um Zelaya diminuído polìticamente e talvez fazer deste caso um exemplo a seguir para a América do Sul, onde nos últimos anos os EUA viram pràticamente o vínculo incondicional por parte desses países. As semelhanças com tentativas de golpes falhados em alguns delesindicia a existência de uma linha comum de intervenção.

O Público e os acontecimentos na China

1. Se quiser ficar desinformado com o que se está a passar na região autónoma de Xinjiang, leia no Público de hoje um pretenso dossier "Perguntas e respostas - o que se está a passar em Xinjiang?"
A própria estrutura deste tipo de dossiers é cozinhada algures para transformar coisas complexas em evidências de glossário. De uma forma concentrada, pode aí encontrar as linhas de desinformação que encontra noutros grandes media no país e no estrangeiro. Sem trabalho próprio, sem recurso a repórteres independentes, sem alusão a visões alternativas, sem identificação das fontes, sem consulta à impresa e TV da R. P. da China. Com um alinhamento condescendente com crimes já praticados e simpatias por actos terroristas, separatistas e fundamentalistas que se casam com as actividades de uma figura apresentada de forma apologética, Rebiya Kadeer, presidente do Congresso Mundial Uighur e da Associação Uighur Americana (!). Com a insinuação de que os 156 mortos resultantes da barbaridade dos "manifestantes pacíficos" de dia 5, instigados pela Sra. Kadeer, foram feitos pelas autoridades (!!!).

O Publico aceita, assim, ser promotor de um péssimo jornalismo, desligado de preocupações deontológicas básicas.

2. No passado dia 28, numa fábrica de uma província do sul da região autónoma de Xinjiang, a acusação posta a circular na net de que duas trabalhadoras tinham sido violadas por trabalhadores uighurs, terá estado na origem de confrontos na fábrica em que foram mortos por outros trabalhadores dois colegas seus desta etnia.

A partir daqui os canais de comunicação orientados pela Sra. Kadeer, admiradora e seguidora do ainda Dalai Lama, sucederam-se os seus apelos incendiários, e no dia 5 deste mês juntou-se nas ruas da capital da região, Urumqi (3,5 milhões de habitantes) uma multidão que varreu parte da cidade matando, queimando e destruindo em termos que observadores locais consideram de uma ferocidade e barbaridade inimagináveis. Várias fotos que apresentamos são ilustrativas disso.

Nem alguns destes factos nem o progresso económico e êxito da política inter-étnica na região autónoma, que as autoridades chinesas invocam, posso subscrever sem mais e mais diversificada informação. Já sobre a história da Sra. Kadeer e a tentativa de cenas idênticas quando dos Jogos Olímpicos, em Pequim, os factos são públicos. A Sra. Kadeer estava entre os dez empresários mais ricos do país e era a mais rica da região autónoma. Desempenhou funções institucionais importantes. Uma vasta fraude fiscal levou-à prisão e em 2005 saiu para os EUA, invocando um segundo casamento, onde passou a ter papel activo nas referidas duas associações que criou no tempo de Bush.
Ontem as autoridades já teriam feito cerca de mil e setecentas prisões.

Se o Público não disponibilizar estes elementos (mas não apenas estes...) aos seus leitores estará a manipular a opinião de terceiros com fins inconfessáveis, e precisamente no dia em que o presidente chinês iniciava a sua visita a Portugal, que acabou por desmarcar devido a estes graves distúrbios.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Site provisório do governo de Honduras no exílio

O governo de Zelaya deposto pelo golpe de estado do passado dia 28 tem um site que poderá consultar para além do noticiário internacional de origens diversas. É o

http://www.guaymuras.net/

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Disparos dos golpistas matam hondurenhos que esperavam Zelaya, que foi impedido de aterrar no aeroporto de Tegucigalpa

Passei uma boa parte do dia a percorrer on-line agências noticiosas ou as emissões de canais de TV por satélite.
Não pude deixar de me emocionar com a gesta heróica das dezenas de milhares de hondurenhos que, de peito aberto, e sem reagirem a provocações, sofreram dois mortos, feridos não contabilizados e cerca de seiscentas prisões.

Para o acto heróico também de Zelaya que, num avião venezuelano, conduzido por pilotos venezuelanos, saído de Washington, depois de inexplicáveis razões que atrasaram, a sua descolagem, acompanhado pelo presidente da AG das Nações Unidas, Miguel d'Escoto e o seu médico, voou para o seu país e sobrevoou várias vezes o aeroporto onde disse que aterraria.

A TelesurTV, que com o jornal espanhol Publico, mais corresponderam ao interesse mundial de a operação ser seguida minuto a minuto, deram todas as notícias. A incrível intervenção da Igreja hierárquica em apoio ao golpe de Estadop e antecipando um "banho de sangue" se Zelaya regressasse. O fim da reunião na embaixada do Equador, em Washington, em que participaram os presidentes das Honduras, da Argentina, do Equador, do Paraguai, o presidente da AG das N. Unidas e o secretário-geral da OEA. A divisão do grupo por dois aviões. Um com Zelaya, como referi, outro da Presidente da Argentina com os demais. O primeiro a rumar para as Honduras. O segundo para Salvador, a menos de 30 minutos das Honduras, onde este grupo acompanhou os acontecimentos.


Micheletti a propôr um diálogo "sério" para ganhar tempo para, logo depois dizer que nunca seria com Zelaya.
A Cubavisión Internacional ia-se referindo às intervenções dos delegados na reunião da OEA de anteontem, em que Zelayo participou. Todas significativas. Foi particularmente importante a de Cristina Kichner, presidente da Argentina.

Depois foi a espera das 4 horas e meia de voo. A multidão, empurrando exército e polícia, sem violência, até ao aeroporto, cercado, onde centenas de militares e dezenas de carros militares se colocaram dentro e fora da pista (foto). Os disparos que mataram 2 jovens (um na foto). A carga do exército sobre os manifestantes. O comandante da polícia a retirar as suas forças, aparentemente, por ter discordado dos disparos. Alguns dos maiores empresários do país, referenciados como financiadores do golpe militar a reunirem na casa dum deles e fazendo chegar alo "presidente" Micheletti, uma proposta de intermediação, aparentemente, contemplando o regresso de Zelaya, que o regime dos gorilas terá de imediato recusado. E de novo a Igreja a dizer que não tinha havido mortes...O avião de Zelaya a sobrevoar várias vezes o aeroporto (ver foto). Os carros militares a ocuparem a pista e a tropa também, deitada, em posição de combate. A torre de controlo a ameaçar intersectar o avião. O comandante do avião e Zelaya a falarem ao telefone com os repórteres da Telesur, que fizeram um excelente trabalho, sempre em directo, acompanhado pelas notícias do Público espanhol on-line...
A decisão era inevitável face a esta atitude dos golpistas. Zelaya dirige palavras aos hondurenhos, ruma a Manágua e depois para Salvador onde conferencia com o grupo para definir os passos seguintes, dentro das deliberações que a OEA definira na véspera, por unanimidade e aclamação.
Um elemento final. A vergonha da CNN claramente com os golpistas. O cerco informativo nas Honduras com os jornais e televiões permitidas a fazerem o mesmo. Um grupo de fascistas desafia o seu total isolamento internacional, com o apoio desta artilharia pesada...
O povo hondurenho, com tantas limitações à sua intervenção, merece a profunda simpatia de todos nós e que o continuemo a apoiar como a Zelaya nos próximos dias. Hoje incluído.

domingo, 5 de julho de 2009

Siga o regresso de Zelaya as Honduras. Noticias em directo na Telesurtv

http://pt.delicast.com/tv/Venezuela/Telesur_TV

A guerra de Obama, ...

...um novo Iraque?

Zelaya regressará hoje às Honduras enquanto os golpistas preparam provocações

O embaixador da Nicarágua na OEA , Denis Moncada, denunciou ontem planos do governo fascista hondurenho para atribuir à responsabilidade de Venezuela, de Cuba e da Nicarágua o suposto fornecimento de armas aos resistentes ao golpe e de uma "invasão" das Honduras a partir da Nicarágua, sua vizinha.
Denis Moncada alertou para que, já em manifestações de protesto de há dias, foram identificados como infiltrados da polícia de Micheletti, provocadores que fizeram disparos em direcção à polícia.
Referiu, por outro lado, que os golpistas estão a preparar e a fornecer provas falsas a diferentes sectores, incluindo à Igreja Católica, para os instrumentalizar e credibilizar esses seus planos.

Também aludiu à preparação que os golpistas estão a fazer nos meios de comunicação social privados que apoiaram o golpe de estado para criarem uma matriz de opinião favorável a que os autores dos projectos tenebrosos da direita seriam, não ela mas os países que têm isolado o governo fascistad epois do golpe de estado.
Indicou ainda que estes planos estariam a ser preparados para hoje quando da chegada ao país do Presidente Zelaya.
Já hoje o Cardeal André Rodrigues Maradiaga, que parece ter apoiado o golpe, ao mesmo tempo que atacou Zelaya, pediu-lhe , premonitóriamente ameaçador, para não voltar e assim evitar "um banho de sangue". O governo fantoche convocou uma manifestação de apoio a si próprio e a imprensa de direita refere atentados terroristas que teriam sido praticados por cvubanos, venezuelanos e nicaraguenses. Um grupo destes foi mesmo preso e iodentificado com epítetosd racistas...
Os fascistas não estão a querer ceder...
O dia de hoje é um dia delicado, cheio de riscos, mas também de um acto de valentia de Zelaya e de outros presidentes de repúblicas da América latina bem como das dezenas de milhares de hondurenhos que os aguardam em Tegucigalpa.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, informou que voltará hoje ao seu país. Disse que desembarcará no Aeroporto Internacional de Tegucigalpa, acompanhado por vários presidentes e membros da comunidade internacional, entre eles, Rafael Correa (Equador) e Cristina Kirchner (Argentina). Zelaya convocou todos os movimentos sociais e a população em geral para que se mantenham pacificamente nas ruas e o acompanhem em seu regresso.
Advertiu os golpistas de que estão "cercados" por todos os governos do mundo e convidou-os a desistir dessa atitude."Há um repúdio geral, a nível mundial, a essas ações dentro na nação. Esses actos não passarão em vão. Terão que prestar contas nos tribunais internacionais por suprimir liberdades e reprimir o povo", disse o presidente em anúncio transmitido pela emissora Telesur. Zelaya convocou todas as organizações sociais a manterem-se em resistência contra o governo de facto e pediu que o façam sem armas e que deixem a violência para as autoridades que estão no poder. "Peço aos agricultores, donas de casa, amigos, políticos, empresários, que me acompanhem no meu regresso (...). Não podemos perder o nosso direito de escolher. Estou disposto a fazer qualquer sacrifício para obter a liberdade da nação", disse. Zelaya reiterou que está é uma grande oportunidade para demosntrar ao mundo "que somos capazes de ir adiante apesar dos obstáculos desta seita criminosa que hoje pretende apropriar-se dos destinos da nossa nação. Comunicou que este domingo volta a Honduras para "fazer cumprir aquilo que temos defendido nas nossas vidas, que é a vontade de Deus através da vontade do povo.""O destino da minha vida está ligado ao destino do povo hondurenho", disse o chefe de Estado, que lembrou os acontecimentos do último domingo, quando foi sequestrado e levado para fora de seu país pelas Forças Armadas de Honduras, "que hoje estão em conluio com a elite voraz que asfixia o nosso povo". "Estou disposto a fazer qualquer esforço para obter a liberdade que o nosso país precisa", disse ele, que chamou os militares de "golpistas traidores" e pediu-lhes para "rectificar a sua posição no mais curto tempo possível".

A decisão de Zelaya de voltar a seu país acontece menos de 24 horas após as autoridades instaladas após o golpe que o derrubou, no domingo passado, terem rejeitado, o ultimato da Organização dos Estados Americanos para que aceditem o presidente legitimamente eleito. Os golpistas afirmaram que, caso Zelaya voltasse a Honduras, seria preso. Também o aconselhara, a "evitar derramamento de sangue".

sábado, 4 de julho de 2009

Explosões super-energéticas descobertas em direcção ao Grande Buraco Negro

A NGC 4486 ou M87 é uma galáxia elíptica localizada aproximadamente a sessenta milhões de anos-luz (cerca de 18,4 megaparsecs) de distância na direcção da constelação de Virgem localizada no centro do massivo Grupo Galáctico Virgo. Possui pouco mais de cento e vinte cinco mil anos-luz de diâmetro, sendo assim uma das maiores galáxias elípticas conhecidas.
No centro dela encontra-se um dos maiores buracos negros supermassivos de que se tem conhecimento. Essa galáxia emite grande quantidade de ondas de rádio, possui mais de um trilião de estrelas e é a mais brilhante galáxia do aglomerado a que pertence, o Aglomerado de Virgem.

Através da combinação de diferentes telescópios, os astrónomos descobriram que as explosões de energia da galáxia gigante, de raios gama de muito alta energia, se estão a deslocar-se de uma região muito próxima do buraco negro de supermassa para o seu centro. A descoberta forneceu nova informação sobre os trabalhos misteriosos de poderosos engenhos existentes nos centros de inumeráveis galáxias ao longo do universo.
Em cima à esquerda, uma observação bem no centro da galáxia M87 mostra a emissão de jactos de ondas de rádio numa escala de cerca de 200 milhões de anos-luz. Foram feitos zooms posteriores mais perto do centro da galáxia, onde está o buraco negro de supermassa. Na concepção do artista (fundo), o buraco negro do centro terá cerca do dobro do tamanho do Sistema Solar, uma pequena fracção do tamanho da galáxia, mas com algumas seis biliões de vezes da massa do sol.

Missão da OEA falha: chegou ao fim ultimato da OEA aos golpistas das Honduras para regressarem à legalidade constitucional

O secretário-geral da OEA, Insulza, avistou-se ontem em Tegucigalpa com juízes do Supremo Tribunal, com o Cardeal da capital hondurenha e com as organizações que exigem a normalidade institucional e o regresso incondicional de Zelaya, entre as quais se conta a Juventude do Partido Liberal.

Não está marcado qualquer encontro com o presidente fantoche Micheletti, que se auto-isolou da OEA, afirmando "Vão para o inferno. Não precisamos de vocês". O seu "governo" preparta-se para sair, de imediato, da Organizaão dos Estados Americanos.

Ontem nas ruas da capital mantinha-se a pressão popular, com 65 mil pessoas nas ruas, continuando as agressões e prisões.
Treze deputados do Partido Liberal anunciaram a sua condenação do golpe.

Entretanto, hoje a investigadora Eva Golinger (ao lado na foto), dava conta de que a administração Obasma estaria a par das intenções dos golpistas, que apoiava, tendo-se distanciado quando a comunidade internacional caracterizou os factos como golpe de estado e foi isolando os golpistas. Os EUA que têm bases militares no país e interesses económicos relevantes na indústria agro-alimentar e pràticamente formou e equipou o exército hondurenho quando se serviu dele para tentar esmagar a revolução sandinista na vizinha Nicaráguia.Os EUA são o país que ainda mantem relações com os golpistas, estando a dar-lhe força política para tornear a condenação unioversal dos seus actos.

Obama poderá, com esta atitude, pôr em causa o tregresso à normalidade, mas fará ruir a credibilidade que ganhara junto de vários governos da América Latina-

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Preços dos combustíveis em Portugal são superiores aos da UE, diz Eugénio Rosa


Está-se a verificar em Portugal de novo uma escalada dos preços dos combustíveis. A justificação dada pelas petrolíferas, como é habitual, é o aumento do preço do barril do petróleo no mercado internacional. Mas se desagregarmos os aumentos concluímos que essa escalada está a ser determinada muito pela subida dos preços que revertem integralmente para as empresas, ou seja, dos preços sem impostos, que tem sido muito superior aos aumentos médios registados na UE. (...)

O facto de os preços sem impostos dos combustíveis em Portugal serem superiores aos preços médios da União Europeia determina um custo extra para os consumidores portugueses, e um lucro extraordinário para as petrolíferas. Essa diferença (preços sem impostos em Portugal serem superiores ao preços médios da UE), na dimensão referida, deverá custar este ano aos consumidores portugueses mais 210,7 milhões de euros, o que significará um lucro extraordinário de igual montante para as empresas. E a situação actual deverá ser já mais gravosa para os consumidores portugueses de que a revelada pelos dados anteriores da Direcção Geral da Energia, pois a escalada dos preços a nível do consumidor continuou depois de Abril de 2009. Entre Abril de 2009, último mês em que aquela Direcção disponibilizou dados, e Junho de 2009,o preço de venda ao público da gasolina 95 subiu de 1,192€/litro para 1,343€/litro (+12,7%) e do gasóleo aumentou de 0,971 €/litro para 1,06€/litro (+9,2%).

Frase de fim-de-semana, por Jorge




Temos todos força bastante para poder com os males dos outros


La Rochefoucauld ("Réfléxions morales," 1665)

Homenagem a um Professor a propósito de um seu livro

Tal como já aqui referira no passado dia 21, realizou-se a apresentação de um livro de meu pai no Instituto Superior Técnico.
O que direi de seguida, é longo, mas devia fazê-lo assim.

Em sessão presidida pelo Professor Matos Ferreira, presidente cessante do Conselho Directivo do IST, meu colega desde o liceu e depois nesta escola, usaram da palavra o Professor Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática e o Professor jubilado JaimeCampos Ferreira, responsável do que viria a ser o departamento de Matemática, e eu próprio, agradecendo em nome da família.

Estiveram presentes o Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago e o Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, João Sentieiro, antigos colegas seus como o Professor Lopes da Silva, ex-Reitor da Universidade Técnica e colaboradores da IST-Press. Camaradas seus do PCP como Carlos Carvalhas e Domingos Abrantes mas também outros e familiares.

Nuno Crato referiu-se, citando o profesor Jorge Buescu, à importância da consulta pelos estudantes de manuais, não se limitando a estudar por apontamentos das aulas que são muitas vezes portadores de imprecisões, resultantes de "ruídos" de circunstâncias e lapsos de alunos e professores. E disse que quem não lê tais manuais corre o risco de um analfabetismo específico. Indicou um conjunto de características que um bom manual deve ter, para além de dever ser mais uma ajuda ao aluno que um exercício de eloquência do professor. E referiu que tal citação não tinha sido feita para esta obra mas até parecia que o tivesse sido por estarmos diante de um bom manual de Matemática.

Campos Ferreira deu conta de três episódios que o marcaram no conhecimento do autor, por quem nutriu admiração pela entrega a um ideal generoso e altruísta que lhe trouxe sacrifícios e lhe impediu a carreira científica.

O primeiro quando o autor se candidatou no início dos anos 60 a assistente da Faculdade de Ciências de Lisboa, sendo o candidato mais classificado, e que apesar de ter passado dois meses a dar aulas viu o seu contrato não ser assinado por imposição da PIDE. Os outros dois assistentes, João Santos Guerreiro e ele, Campos Ferreira ficaram revoltados e informaram António H. S. Abreu do facto, ficando surpreendidos com a atitude dele, que disse já o esperar, para se não preocuparem, como se os estivesse a consolar.
Noutro caso, no final dos anos 60 voltou a candidatar-se agora no Técnico, junto de Campos Ferreira, que então estava lá, e que receou o resultado, apesar de ser o candidato mais bem colocado para o lugar. Como Abreu insistisse para prosseguir com o processo, foi ter com o director do IST, Fraústo da Silva, que, junto do então ministro Veiga Simão, conseguiu a assinatura do contrato sem, aparentemente, isso ter passado pelas mãos da PIDE/DGS.
O último episódio ocorreu na tarde de 25 de Abril de 1974, quando o Conselho Esccolar ia reunir e a sala foi ocupada por estudantes. O professor António Abreu saltou para cima da mesa do Conselho Escolar e do que disse, Campo Ferreira reteve "É preciso manter a cabeça fria". E, de facto, não houve problemas de maior, mas viu na sua cara afogueada que, ele próprio, talvez não conseguisse cumprir o que então recomendava aos estudantes...
Campos Ferreira só na lombada deste livro veio a saber do número de prisões que António Abreu tinha sofrido, de que tinha casado na Cadeia de Caxias e de que não recebera o prémio Mira Fernandes, atribuído ao melhor aluno de Matemática, à escala nacional, por não ser filiado na Mocidade Portuguesa.

Na altura, tive a oportunidade de agradecer, em nome da família, começando por referir que o autor das "Funções de Variável Complexa-Teoria e Aplicações", teve, para além da família e dos amigos, duas grandes paixões: a Matemática e a luta política. Da Matemática interromperam-lhe a docência por razões políticas.

Atendendo à família, ao PCP não pôde dar tudo quanto gostaria de dar e, também por isso, os seus filhos e família o prolongaram nessa entrega, honrando a sua memória e a da sua mulher.
Ainda eu estava aqui a terminar o meu curso, antes do 25 de Abril, com ele há pouco regressado à escola, quando desempenhou papel interessante em duas grandes lutas que, enquanto estudantes aqui travámos. Em ambos os casos beneficiámos de vitórias conseguidas de uma
inquebrantável unidade dos estudantes mas também do apoio ou simpatia de parte significativa do corpo docente, que ele integrava, e que acabava por ter reflexos no Conselho Escolar.
E foi em nossa casa, não longe daqui, que se concluíram negociações tripartidas entre Directores, em ligação com o MEN, representantes do corpo docente e da AEIST. Negociações que consagraram esses sucessos mesmo quando os directores diziam que só concluíam a negociação se não cantássemos vitória. Mas cantámo-la.

Tal como soubemos, pela primeira vez, o que era assumir compromissos decorrentes de uma
negociação. E o meu pai, com outros docentes, valorizou-os muito para que as situações não revertessem.
Com ele, no Técnico aprendemos Matemática mas também Política e a ética que ela deve conter.
O Técnico, com os seus alunos e professores, alguns dos quais nas forças armadas, contribuíram para a conquista da liberdade, para novas mentalidades onde o papel do ensino, o papel da ciência e da técnica para o desenvolvimento económico e social e a centralidade do trabalho na economia, passaram a ser paradigmas.

No final, a família fez entrega ao IST de um retrato, feito pelo nosso pai, do saudoso Professor Ferreira de Macedo, um dos seus mestres.

Se o meu pai estivesse presente teria gostado desta jornada.

Ai é? Então tomem lá...



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Hondurenhos deslocam-se para a capital para receber o Presidente Zelaya

Apesar do agravamento das restrições às liberdades hoje impostas, de vários pontos do país deslocam-se milhares de hondurenhos para receberem o seu Presidente "Mel" (Manuel Zelaya).
Porém os sectores golpistas contam com a capacidade de manobra dos sectores mais reaccionários do Pentágono para animarem uma contra-reacção ao isolamento internacional a que foram condenados no decurso da semana.

A administração norte-americana procurará soluções de compromisso em que Zenaya regressaria mas para ficar polìticamente inactivo. As próximas horas são de grande tensão e a nossda atenção e solidariedade impõem-se...

Rádio Globo de Honduras denuncia mordaça golpista - Estações de rádio e de TV de Honduras foram fechadas após golpe


As estações de rádio e de TV das Honduras foram fechadas entre domingo e segunda-feira (29), depois do golpe militar do fim-de-semana, que derrubou o presidente Manuel Zelaya. Entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa condenaram a medida.

Pouco depois de militares hondurenhos terem detido o presidente Zelaya e o obrigado a partir para a Costa Rica no domingo, soldados invadiram uma popular estação de rádio e fecharam as redes internacionais de TV CNN em Espanhol e Telesur, emissora venezuelana que tem o patrocínio de governos de esquerda da América Latina.
Um canal pró-governo também foi fechado. As poucas emissoras de rádio e TV a operar colocaram no ar na segunda-feira apenas música, novelas e programas de culinária. Elas quase não se referiram a manifestações ou condenações internacionais ao golpe, apesar de centenas de pessoas protestarem em frente do palácio presidencial, na capital, para exigir o retorno de Zelaya e o fim do black-out imposto à imprensa.

O caso da Radio Globo

O proprietário da Rádio Globo de Honduras, Alejandro Villatoro, colocou ontem no site da emissora na net denúncias sobre a censura à imprensa depois do golpe de estado de domingo passado

Senhores do Tribunal Inter americano de Direitos Humanos, esta mensagem leva para além das minhas saudações a seguinte denúncia:
Como gerente da Rádio Globo, denuncio-vos que, após as acções de facto que depuseram o presidente Manuel Zelaya Rosales, iniciou-se uma campanha de intimidação contra os meios de comunicação independentes, entre eles esta emissora, que foi submetida a um atentado.
A partir das seis horas da manhã, quando iniciamos nosso trabalho, a sede da rádio, situada na Avenida Morazan, foi ocupada militarmente. Depois de algumas negociações autorizaram nossa entrada.
Começamos o nosso trabalho informativo, dentro dos parâmetros estabelecidos pelas normas legais e comprometidos com a liberdade de expressão que a nossa consciência nos dita.
Várias tentativas foram feitas pelos militares para entrar no edifício onde transmitíamos para Honduras e para o mundo o que realmente acontecia no país. Às seis da tarde, um comando militar, composto por cerca de sessenta elementos do exército, tomou conta das instalações físicas da rádio e tirou-a do ar. Os companheiros que se encontravam no estabelecimento (Alejandro Villatoro, proprietário, jornalistas Lidieth Diaz, Rony Martinez, operadores Franklin Mejia Villatoro e Orlando) foram objecto de ameaças de morte, espancamentos e intimidações. No caso de Alejandro Villatoro, que é deputado, esta sua condição não foi respeitada.
No caso de David Romero Ellner existia uma ordem de prisão contra ele, que conseguiu escapar lançando-se do terceiro andar do prédio onde funciona a rádio (cerca de 25 metros de altura), fracturando uma clavícula e algumas costelas.Franklin Mejia, operador, que é menor de idade, foi espancado no meio a gritos discriminatórios (“Preto filho de uma... vamos matá-lo, a menos que nos diga de onde estão transmitindo” e outras ofensas à sua condição humana).
Senhores: o objectivo de fundo de todo este ataque foi, e é, calar a única emissora de Honduras que transmitia os eventos tal como ocorreram. Actualmente, após negociações com os militares, a rádio reabriu suas operações, porém sob uma série de condições que limitam a liberdade de expressão no país.
É neste quadro que vos enviamos esta denúncia formal, para que, com a autoridade que têm, procedam imediatamente a uma investigação do caso."

Cartoon de Monginho

in Avante!

Fantoche Micheletti contra tudo e contra todos

O presidente do Congresso Hondurenho, principal responsável político pelo golpe militar nas Honduras, presidente-fantoche saído deste golpe suspendeu várias liberdades constitucionais e mantém a sua intransigência em negociar o regresso do Presidente deposto, Manuel Zelaya, apesar do ultimato de 72 horas lançado pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

O recolher obrigatório vigora nas Honduras desde domingo, quando os militares expulsaram Manuel Zelaya do país, mas o número de restrições impostas aos hondurenhos alargou-se hoje. O Presidente interino, Roberto Micheletti, limitou a liberdade de associação e de reunião e a liberdade de movimentos e de saída do território e alargou o período de detenção sem julgamento, resume a AFP. Um correspondente do “El País” fala num estado de sítio camuflado.
O novo passo no sentido do agravamento da crise segue-se a um apelo à desobediência civil, lançado por Manuel Zelaya, esta madrugada a partir do Panamá.

A polícia tem actuado também à paisana e já foi surpreendida por manifestantes que, num caso, transportava uma arma que não era pròptriamente de defesa pessoal (ver Foto)

O presidente das Honduras regressa hoje ao país afrontando os militares que o destituíram no domingo. Os golpistas não gozam de qualquer apoio internacional, e nas ruas milhares de hondurenhos enfrentam a repressão que se abate sobre quem defende a democracia e exige respeito pela vontade popular.

Novo passo na escalada militar no Afganistão

1. A oposição dos comunistas portugueses ao reforço da presença portuguesa
Milhares de «marines» dos Estados Unidos e centenas de militares afegãos lançaram-se esta madrugada numa ofensiva em grande escala na região sul do Afeganistão, centro de produção de ópio sob controlo dos talibãs.

Talvez premonitória, mas contraditòriamente, uma rádio portuguesa valorizava hoje a ofensiva americana aos níveis da agressão contra o Vietname. Que teve o fim que se conhece.
A ofensiva, com apoio de blindados e helicópteros, corresponde à estratégia anunciada pelo presidente norte-americano de intensificar a guerra «esquecida» do Afeganistão para reassumir o controlo territorial, perante o avanço e implantação das forças talibãs.
Para "relembrar" esta guerra esquecida os EUA fizerem novo apelo ao reforço das forças de outros países.

O PCP, no passado dia 15, sublinhando a realização da reunião do Conselho de Estado no exacto momento em que aguardava promulgação a Lei de Defesa Nacional que retira ao Presidente da República competências sobre «o emprego das Forças Armadas em operações militares no exterior do território nacional», reiterou a sua oposição ao envio de tropas para o Afeganistão e alertou o povo português para o acordo de princípio, dado pelo Governo, ao uso da Base das Lajes para treino de aviões dos EUA.

Relembraremos aqui a questão do Afganistão nos próximos dias recorrendo às palavras e aos factos e não à agressão militar.