sexta-feira, 15 de maio de 2009

Patxi Andion - do concerto de ontem à recordação de Tonicha e Ary



Já afastado dos palcos, Patxi Andion acedeu à presente série de concertos que o leva a quatro cidades portuguesas: Figueira da Foz, Lisboa, Porto, e Guarda.
Ontem o S. Jorge estava cheio. Muitos espanhóis, é certo. Mas fundamentalmente portugueses da sua geração e um número razoável de jovens. Foi uma noite cheia das suas belas canções de amor, onde em pano de fundo ou intimamente intrincadas com os temas do amor estão as situações sociais e políticas que o identificam como um homem de esquerda, de causas, de combate ao fascismo espanhol, à sua maneira – a de cantar o amor.

Para mim, Patxi Andion era uma voz já conhecida no final dos anos 60, em actos do movimento estudantil mas, curiosamente, o renovar do interesse por ele foi pela voz de Tonicha, a partir do trabalho de Ary dos Santos, e sob a direcção musical do Thilo Krassman, que em 1972 ouvi e voltei ouvir tantas vezes nas “4 canções de Patxi Andion”, disco que só teve o pecado de ter uma capa onde a cantora mal se reconhece e em cuja contra-capa Ary dos Santos deixou escrito

Pax (?) Andion é - e já muitos o têm dito - um "caso" musical.
Mas, quanto a mim, a grandeza maior desse "caso" reside no impacto de uma força profundamente humana que quase se sente e se aprende fisicamente em todas as suas canções. Ao ouvi-las é impossível dissociarmo-nos da imagem do homem novo ibérico que, com os pés assentes na terra e os olhos virados à esperança, canta, sem dó nem piedade, o seu próprio destino.Em boa hora decidiu Tonicha interpretar algumas das suas canções, de cuja versão portuguesa tive o prazer de me ocupar. Também ela à sua maneira, personifica mais do que nenhuma outra, entre nós, o canto da nova mulher portuguesa. Canto de amor do povo e de amor pelo povo. Canto personificado num talento de facto ímpar mas, por força da sinceridade e do poder de comunicação humana, tornado colectivo e geral."


De uma experiência juvenil no rock, tem as suas primeiras experiências políticas e perseguições que o levam a partir à aventura, como marinheiro, para a Terra Nova. Passa fome e vai para Paris em 68, onde convive com os grandes músicos da época, canta em bares e em estações de metro, se envolve no ambiente revolucionário da cidade. A sua voz rouca com surpreendentes modificações de tonalidades, e a pronúncia basca – em cuja língua cantou a solo duas canções, mistura o pop com raízes populares do País Basco, sua terra de origem, traz-nos desde o seu primeiro single proibido “Canto para Jacinta”, que, por isso fez questão de cantar em todos os seus concertos.
Numa entrevista à revista portuguesa “O mundo da canção”, em 1970, numa das primeiras vezes que vem a Portugal, sem ser de forma semi-clandestina, ao falar das suas canções, Patxi diria:

“Creio que são canções de amor diferentes daquelas que até agora foram apresentadas em Espanha. O panorama no capítulo do amor resume-se a denguices e pieguices, não de Amor. O Amor é uma coisa que é muito bonita e é muito feia. Entendamo-nos: é uma coisa como a vida é; e se a vida ora é agradável ora o contrário, também o amor, que é a base dessa vida, oscila da mesma maneira. Há pois que aceitá-lo e vivê-lo como é, sem idealizá-lo, porque então deixa de ser o amor. O amor não pode ser lírico, porque desse modo pode perder a sua essência. Para se saber o que é o amor, é preciso que as pessoas se “manchem”.

Depois foi uma carreira que nos deixou canções inesquecíveis, depois de Jacinta, como Un, dos y tres, La Samaritana (1971), Veinte aniversario (este composto em 1965 e cuja letra se refere em baixo, publicado em 1971)), Compañera (1971), Padre (1972), o fabuloso El Maestro (1973) ou essa outra que não paro de assobiar desde o concerto de ontem, Nos pasaram la cuenta (também de 1971), e por aí fora…
E foram mais canções suas, o Patxi escritor, professor universitário e até, mais recentemente, director da Escola Espanhola de Caça...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Advogado assassinado na Guatemala deixa documentos a acusar da sua morte o Presidente Alvaro Colom, que reaje negando e falando em armadilha

O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, afirmou que o vídeo em que o advogado Rodrigo Rosemberg Marzano o implica no próprio assassinato ''se trata de uma armadilha de gente covarde e rasteira'' e enfatizou que sequer cogita renunciar ao seu cargo. Colom defendeu que se investigue o caso, que qualificou como uma tentativa de ''desestabilizar'' sua gestão.
Rodrigo Rosenberg andava há aproximadamente um mês a investigar a morte de Khalil Bassila, que fora designado membro da direcção do Banco de Desenvolvimento Rural, lugar em que se terá apercebido de várias irregularidades. O banco seria a capa, entre outras coisas, de lavagens de dinheiro e de desvios de dinheiros públicos, por exemplo para projectos de Sandra Colom. E além disso seria a fonte de financiamento de empresas de papel, de mera fachada, utilizadas pelo narcotráfico.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) também expressou hoje sua ''solidariedade'' ao governo da Guatemala. A entidade garantiu ter ''confiança'' na investigação do crime. ''Acompanhamos com atenção a escalada da violência que afetou recentemente a Guatemala'', assegurou o secretário-geral da organização, José Miguel Insulza. O representante da OEA destacou que ''é necessário atuar de maneira decidida em favor da democracia''. Insulza lembrou que ''o horrível crime não é um fato isolado''. Além disso, elogiou ''a vontade'' do governo da Guatemala de que ''este fato não permaneça na obscuridade''.
Segundo o jornal El Periódico, tudo aponta, disse em editorial, que o assassínio de Rodrigo Rosenberg, tal como o dos seus constituintes Khalil Musa Bassila e a filha, Marjorie, tenha sido obra de “corpos ilegais” ou grupos clandestinos a mando dos serviços de informação que actuam no quadro do chamado Estado Paralelo.
Este está a ser investigado pela Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala, reconhecida pelas Nações Unidas e dirigida pelo espanhol Carlos Castresana, que Colom defende que deve participar nas investigações. O autor chama a essas células gusaneras, que em português significa larvário, denunciadas no passado por políticos como o ex-vice-presidente Eduardo Stein, de estarem na origem do assassínio de muitos outros funcionários da justiça e advogados.



Alguns dos acusados



Transcrição do documento escrito que o advogado morto a tiro no passado dia 10 deixou para o caso de ser assassinado

Se você está a ler esta mensagem é porque eu, Rodrigo Rosemberg Manzano, fui assassinado pelo Secretário Privado da Presidência, Gustavo Alejos, e pelo seu sócio Gregório Valdez com a aprovação do senhor Álvaro Colom e Sandra Colom.
A razão pela qual Gustavo Alejos e Gregório Valdez ordenaram a minha morte e o Presidente da República Álvaro Colom a aprovou, é porque até ao dia em que me mataram fui advogado de dois guatemaltecos incríveis, Don Khalil Musa e a sua filha Marjorie Musa e porque eu sabia exactamente como Álvaro Colom, Sandra Colom, Gustavo Alejos e Gregório Valdez foram os responsáveis pelo seu cobarde assassinato e, por isso, lhes fiz saber isso mesmo e a quem me quis e pôde dar ouvidos (…)

É assim que começa a declaração que também foi feita em gravação pelo próprio com o apoio de um jornalista e ambos os documentos distribuídos a um amigo que entregaram parte das 150 cópias feitas aos media no seu funeral.
Os EUA envisaram hoje um agente do FBI para colaborar com na investigação...

Pode encontrá-los no Youtube e no site do jornal El Periodico

http://www.elperiodico.com.gt/es/20090511/pais/100336/

É uma história recambolesca e clarificadora da forma mafiosa como funcionam as estruturas do estado paralelo do narcotráfico que tem organizado a desestabilização para favorecer a melhor situação para si próprio.
Aconselho o visionamento e a transcrição integral das declarações bem como do desenvolvimento das notícias.

Assim multiplicavam os Maias

Medvedev reune com comunistas


No quadro dos contactos com a oposição, Medvedev recebeu ontem o presidente do segundo maior partido, o Partido Comunista da Federação Russa, Guenadi Ziuganov, o presidente do seu grupo parlamentar Ivan Melnikov e outros dirigentes comunistas. Medvedev mostrou-se satisfeito com o encontro em, que se falou de muitas questões importantes mas os comunistas, apesar de entenderem o encontro como positivo não previam que isso desse origem a alterações da política que os comunistas contestam. Por exemplo, o programa anti-crise que têm em curso não é compatível com o desempenho do Ministro das Finanças.
Por outro lado, Ziuganov salientou o apoio às medidas tomadas pela Rússia na questão do Cáucaso depois da agressão da Geórgia à Ossétia do Sul iniciada no ano passado. Mas criticou campanhas anti-comunistas levadas a cabo pelos media afectos ao presidente e governo, ao que Medvedev reagiu, anunciando ter assinado uma lei que permite maior acesso da oposição a esses media, incluindo a televisão e os meios estatais.

Os vírus do Magalhães, por Rodrigo


Eu bem me pareceu que o Magalhães me andava a dar cabo da vista, sim que eu agora vou ver à néte o diz-que-disse dos jornais e ando sempre a par das últimas mas ou não entendo ou ando a ficar com a tal de miopia e talvez por isso o Chávez deu de frosques no negócio porque não quer usar óculos, bom mas a questão é a seguinte o nosso primeiro todos os dias vai a um sítio diferente contar coisas bonitas que até saem melhor com os palanques e os panos de fundo e as cábulas electrónicas que a gente não vê para não ficarmos inseguros com a falta de ómenisxência dele, uma coisa que a minha directora de turma disse a gritar ao pai dum colega meu que não tinha por não saber onde ele andava quando gazetava, mas voltando às questões bonitas que ele diz, estou a ficar com um problema porque não as vejo e até esfrego os olhos, juro, mas vejo cada vez menos e isso deve ser da tal de miopia que o computador me anda a fazer até porque tenho lido que andam prá aí umas pandemias e ele se calhar já apanhou o tal de vírus, de maneira que em boa verdade vos digo que não era nada bom ficarmos todos ceguinhos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

VOX POPULI


Então o governo era lá capaz de pressionar os magistrados, lá esse do Eurojust não sei, não conheço…

Reencontros...

No passado fim-de-semana tive dois reencontros de amigos, dos tempos da juventude, e que todos os anos se realizam.
Esses reencontros, que têm motivações comuns, são convívios, desfiar de recordações, pôr a escrita em dia e tam,bém revisitar as escolas.
Já estamos com idades entre os 40 e os setenta e tal. Alguns já nos deixaram. Parte deles reformados, mas mantendo, quase todos, alguma actividade profissional. Ligados à vida real, não vivendo apenas de memórias, muitos tendo tido papel destacado na luta democrática incluindo nas forças armadas, onde integraram o MFA, muitos mantendo hoje uma actividade cívica assinalável, embora seja grande a diversidade das respectivas formações políticas e ideológicas. Mas ligados por amizades que não deixam de ser abaladas pelos conflitos que naturalmente decorrem de nos situarmos em campos diferentes.

Num caso foi o reencontro anual de antigos dirigentes, colaboradores e trabalhadores da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST) dos últimos vinte anos antes da conquista da liberdade.
O tema do encontro, que se têm realizado na cantina da AEIST, desta vez foi os 40 anos passados sobre a crise estudantil de 1969, onde avultou a luta dos estudantes de Coimbra, num ano de todas as lutas também em Lisboa e no Porto. Por isso convidamos o Pena dos Reis, presidente da Junta de Delegados de então em Coimbra, o Aranda da Silva, à data dirigente da Associação de Estudantes de Farmácia do Porto e o Artur Silva, activista da AEIST que participava por ela nas reuniões da RIA, onde se coordenavam acções do movimento de solidariedade com a Universidade de Coimbra. Não evocaram no fundamental as lutas passadas mas trouxeram-nos reflexões sobre o presente.
Pelo caminho destes encontros, alguns de nós têm estado a fazer a história da AEIST, a recolher documentos e depoimentos e o que se pode dizer é que há imensas coisas que ainda têm que ser registadas, depois do natural confronto de interpretações de acontecimentos e atitudes em período que foi de forte contestação do fascismo e contributo importante para a sua queda mas também de tensões entre nós próprios.

Num outro caso foi o almoço de antigos alunos do Liceu Gil Vicente, no liceu, ali na Rua da Verónica, a meio caminho entre a Graça e o Campo de Santa Clara.
Aqui não havia tema. Connosco estavam o Sr. Pinto, responsável então pelo Laboratório de Química, onde aprendi a gostar desta área, na qual me viria a formar uns anos depois no IST e também o Sr. Vicente, contínuo que nos topava a todos. O liceu tinha durante o período em que o frequentei uma razoável presença de estudantes e professores de esquerda, vários já com ligações ao PCP, uma Mocidade Portuguesa que não atraía ninguém e um Reitor, apoiante do regime fascista mas já ciente de que ele sofria os embates de outras vidas que configuravam um futuro regime democrático. Não me esqueço que me apanhou em 1962 a distribuir propaganda do 1º de Maio no liceu, olhou para mim, e virou-me as costas.
E, como não podia deixar de ser, o repasto terminou com a bola de berlim com creme que nos levava a formar fila à janela da cantina nos intervalos da manhã.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Manobras da NATO desestabilizam ainda mais o Cáucaso


Em declarações ao Pravda na 4ª feira passada, o primeiro-ministro da Ossétia do Sul disse que as manobras da NATO que estão a decorrer na Geórgia são feitas com o propósito de desestabilizar a situação no Cáucaso.

No ano passado, a Geórgia atacou a Ossétia do Sul depois de exercícios militares semelhantes terem tido lugar no país. Uma parte do equipamento militar da NATO usado nas manobras foi deixado na Geórgia. A NATO pretende demonstrar o seu apoio à Geórgia empurrando-a para acções agressivas contra a Rússia. A Geórgia tenta intimidar Abkhasia e a Ossétia do Sul também.

A OTAN não cancelou as manobras na Geórgia para mostrar a todos que ela podia desafiar a Rússia. Sete países, incluindo o Kazaquistão, Arménia, Moldávia e Sérvia, recusaram-se a tomar parte nas manobras depois da Rússia ter reagido negativamente a elas. Isso significa que a opinião da Rússia é muito mais importante para esses países do que a opinião da NATO. Mesmo a Estónia e a Letónia não irão enviar os seus militares para a região.

Para o primeiro-ministro osseta, a expulsão de dois diplomatas soviéticos das instalações da NATO em Bruxelas só serve para ela justificar a sua própria existência. Cada vez mais pessoas nos países membros da NATO se perguntam em que ponto da organização está, por que existe. Porque é que um cidadão alemão paga impostos para manter um exército inteiro de marcha lenta, generais e burocratas? Ninguém vai atacar Alemanha num futuro previsível…”

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Mostra o que tens e uns dirão que é branco enquanto outros dirão que é negro"


Sancho Pança

Com a devida vénia ao Penim Redondo,

aqui transcrevo comentário meu a um post no DoteCome_blog dele





Os bailarinos cor-de-rosa e laranja alternam-se em coupés sem alma e em pas de deux que não deixam saudades.E não é só por as cores serem monótonas.As suas posições oscilam entre as pirouettes e os arabesques, entre os assemblés e os battements glissés, quando muito chegam aos dégagés e só dão passos en derrière, não arriscando os en avant e baralham-se nos entrechats.As suas attitudes terminam em tombés e não arriscam nem os sauts d'ange, nem os changés para já não falar nos grands jetés en avant.
Enfim, aleggro ma non tropo!

A partir da antecipação da vida de 2000 feita em 1910, não querem fazer agora o mesmo em relação a 2050?

Interessante esta mostra de imagens, que a migana me sugeriu, de entre outras que existem na Biblioteca Nacional de França, em que algumas pessoas imaginavam em 1910 com o seria a vida no ano 2000.
Imaginemos agora, relativamente às mesmas questões, como antevemos, por exemplo, a vida no ano 2050 e voltamos a falar daqui a 41 anos se algumas bestas que por aí andam não derem cabo disto tudo…

Ora vejamos então como seriam as foto-conferências, os drive-ins aéreos, de dispensavam os trabalhadores da construção civil (sonho de muito empreiteiro...), como se descongestionava o tráfego não prevendo as consequências de maior sinistralidade aérea, os bombeiros substituíriam as magirus, os fracos de perna teriam patins a motor, como os barbeiros poupariam em empregados, as mensagens seriam fonográfias não prevendo os telemóveis, os jornais ouvidos e os pobres dos alunos a lerem de ouvido, ou como se imaginava o pronto-a-vestir...


















quinta-feira, 7 de maio de 2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nepal: demissão do Primeiro-Ministro Prachanda



Na passada segunda-feira, o Primeiro-Ministro Pushpa Kamal Dahal (Prachanda) anunciou a sua demissão do cargo após o presidente Ram Baran Yadav, centrista, ter recusado a decisão do governo de demitir o chefe do exército, Rookmangud Katawal. O governo acusa-o de ter renunciado às disposições do acordo de paz de 2006 que terminou uma década de guerra civil e em que os ex-rebeldes maoístas foram integrados no exército. "Essa decisão é inconstitucional. É um sério golpe contra a democracia, o processo de paz e a recém-criada ordem republicana ", afirmou o líder maoísta. Denunciou também a atitude do ainda designado Partido Comunista do Nepal Unificado marxista-leninista (CPN-MLU) e do Partido do Congresso por acompanharem a decisão do presidente e de se terem retirado da coligação, que governa o país desde que os maoistas tiveram maioria eleitoral. Embora salientando que o seu partido tinha trabalhado para a democracia, os direitos humanos e a liberdade de imprensa, Pushpa Kamal Dahal tem insistido com outras partes para encontrar um espírito de consenso e de cooperação nos próximos dias. "O país deambula num intrincado labirinto, apesar da recente evolução da democracia política. Depois do passado com a marca marca da violência, uma transição convulsiva ameaça um futuro incerto. Para o evitar só existe um caminho: o reforço dos acordos que levaram à paz, não que ele desapareça ", diz o jornal Gara.

Praia das Maçãs, de José Malhoa




terça-feira, 5 de maio de 2009

Tensão cresce na Geórgia com manobras da NATO no país


O batalhão de blindados de Mukhrovani, a cerca de 30 km de Tbilissi, sublevou-se hoje, recusando obedecer à cadeia hierárquica.

Segundo o próprio governo "trata-se de um protesto contra as manobras da NATO" que começam amanhã e demorarão cerca de 1 mês...E insinuou que os comandos deste batalhão estariam ligados aos serviços secretos russos. Estes reagiram, referido-se a esta acusação como delirante por parte de quem está a perder o pé.

Estas manobras poderão estar na origem de acordos com as repúblicas cessionistas da Abkhasia e da Ossétia do Sul que assinaram na 6ª feira acordos bilaterais com a Rússia para esta lhes proteger as fronteiras enquanto não criam os seus próprios corpos de segurança para o efeito.

Estes acordos foram criticados pela NATO e pela presidência checa da União Europeia.

Nos próximos dias estão previstos contactos bilaterais entre governos de países do leste, a NATO e a UE, antes e depois da cimeira da UE nos dias 7 e 8, em Praga, destinada essencialmente à cooperação, e em que Saakashvili iria participar. O ministro russo nos negócios estrangeiros jás disse que não participaria no Conselho NATO/Rússia, agendado para dia 19 em Bruxelaas.

Ainda ontem a Ossétia do Sul denunciou a descoberta de material explosivo destinado a fazer ir pelos ares a autoestrada transcaucasiana, atribuindo isso a tentativas dos serviços de informação georgianos para desestabilizarem o país antes das eleições parlamentares.

Este conjunto de factos ocorre quando a oposição da Geórgia iniciou ontem mais uma ronda de protestos massiços de rua exigindo ao presidente Saakashvili que se demita em 36 horas, para o povo celebrar no dia 9 (Dia da Vitória contra os nazis) o dia da vitória contra o demónio.

Pero que las hay, las hay

Na noite de dia 30 de Abril,um dia antes da provocação do 1º de Maio, na Avenida da Liberdade uma brigada da UGT removeu pendões da CDU actuais para os substituir por outros da UGT. Houve queixa à polícia, que identificou os autores da proeza, que transportavam um saco com os despojos e que referiram que a Avenida era uma "zona de influência da UGT" (??? só, só, só...UGT???), bem como militantes do PCP que ali acorreram e fotografaram o acontecimento (fotos abaixo).
Os elementos da ocorrência estão na 4ª esquadra da Praça da Alegria. O PCP apresentou queixa-crime.
No dia seguinte, no desfile da Almirante Reis, aconteceu o incidente. Quem tentou espicaçar quem? E apesar do PCP já ter manifestado a discordância com o distúrbio, como é que os impolutos defensores da "liberdade" exigem "desculpas"?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Morreu Vasco Granja


Morreu hoje Vasco Granja, o grande difusor na RTP dos melhores filmes de animação e em diversas circunstâncias e feiras da banda desenhada.
Lisboeta, não completou cursos mas era extremamente culto.
Trabalhou nos antigos Armazéns do Chiado, na Foto Áurea e interessou-se desde a infância pelo cinema.


No decorrer dos anos 50, durante o regime fascista em Portugal, associou-se ao movimento cineclubista. Em Lisboa, participava no aluguer de salas e na projecção de filmes obtidos através das embaixadas, em formato de 16 milímetros. Os filmes tinham sempre que passar pela censura. Apesar disso, conseguiam mostrar filmes do neo-realismo italiano. Em 1952, foi detido pela PIDE, em consequência do dinheiro dos bilhetes para os filmes se destinar a financiar o movimento de resistência ao regime do Estado Novo. Esteve preso durante seis meses, na prisão do Aljube.


Em 1960, esteve presente no festival de animação de Annecy, em França, a representar Portugal. Durante essa viagem, a primeira fora do seu país, ganhou uma nova paixão pela animação. O cineasta canadiano de animação Norman McLaren tornou-se o seu maior ídolo.


Nos anos sessenta foi novamente detido pela PIDE, devido à sua ligação na altura ao Partido Comunista Português, mais concretamente à célula comunista dos cineclubes. Esteve preso durante 16 meses, tendo cumprido parte desse tempo em Peniche. Na prisão, foi submetido a várias torturas físicas e psicológicas, como a tortura do sono.


Em 1974, deu início a um novo programa de televisão, denominado "Cinema de Animação", na RTP, que viria a durar 16 anos, com mais de mil programas transmitidos. Percorreu vários países convidado para muitos festivais e teve participação especializada na Festa do Avante!.


Vasco Granja foi militante do PCP durante mais de meio século.

Anotação sobre um santo


"Quanto a Nun'Álvares, a sua avidez e ganância são atestadas por numerosos incidentes, conflitos e reclamações.
Assim, por exemplo, quando D. João I lhe doou os direitos de Almada, Nun'Álvares achou pouco e tomou conta, por sua iniciativa e abuso (sancionado depois com uma demanda) dos esteiros de Arrentela e Corroios.
Os seus rendimentos provenientes das doações feitas por D. João I foram avaliados em 16.000 dobras cruzadas. Mais de uma vez, quando resistiam à sua desmedida ganância e à dos seus apaniguados, Nun'Álvares ameaçava... abandonar.
Lutar, lutava. Mas mais bem pago que o rei. Assim Nun'Álvares se torna senhor de Barcelos, Braga e Guimarães, Montalegre e Chaves, Ourém e Porto de Mós, Alter do Chão e Sousel, Borba e Vila Viçosa, Estremoz e Arraiolos, Montemor-o-Novo e Portel e ainda Almada, Évora-Monte, Monsaraz, Loulé e muitos e muitos outros reguengos e muitas e muitas rendas de muitos e muitos lugares.
É de um homem destes que a Igreja Católica fez um santo, erguendo-lhe uma igreja em Lisboa aonde os pobres vão orar-lhe e pedir-lhe a sua intervenção junto de Deus..."

Álvaro Cunhal, "As lutas de classe em Portugal nos fins da Idade Média", Ed. Estampa, 1975.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Um 1º de Maio combativo, à altura da situação e...uma provocação




















Para quem, como eu, percorreu de ponta a ponta o desfile do 1º de Maio promovido pela CGTP fica a sensação de muita combatividade, muita resposta à situação de crise provocada pela governação de direita, muitas boas razões para o governo se sentir preocupado porque ali se confirmou o isolamento do governo do PS.

Foi, como noutras alturas, oportunidade para reencontrar camaradas, amigas e amigos que connosco patilharam muitas lutas, tristezas e alegrias. Ou outros amigos conhecidos de outras lides que vão connosco percorrendo os caminhos da amizade.

Soube no local, apesar de não ter assistido ao que ocorreu, de um incidente com Vital Moreira. Vi depois o telejornal de um dos canais que abriu e fechou com este assunto. Vi como dirigentes sindicais comunistas afastavam algumas pessoas exaltadas, vi o visado dizer que o que acontecera não era da responsabilidade da CGTP mas do PCP por ter sido seu antigo militante, vi um Vitalino Canas a atirar-se ao PCP como gato a bofes, vi Miguel Portas com aquele ar transtornado que por vezes ostenta dizer que aquilo era inaceitável e uma manifestação de sectarismo, li que o PS acusava Carvalho da Silva de desresponabilizar os manifestantes (eu ouvi o Carvalho da Silva !) e ainda ouvi que a manifestação da UGT tinha sofrido uma ameaça de bomba...

Que me desculpem os meus amigos e os meus camaradas que têm a abrigação de interpretar com serenidade este incidente, como o fizeram já quando estava o telejornal a acabar.

Tenho 45 anos de actividade política, já passei por muito e por muitas experiências, adquiri um instinto esclarecido por elas, que se repetem ciclicamente, sei o que é revolta, exaltação e provocação. Conheço o calo de muitos trabalhadores que sofreram a exploração, as tentativas de divisões e as provocações, mas que ganharam esse calo por força dos interesses superiores da luta. E penso conhecer alguns dos personagens queixosos.

Para mim - e não me venham com a etiqueta de sectário ou de outros mimos de diversão! - o que ali se passou foi que um conjunto de personagens, bem conhecedores da revolta que a política que promovem ou apoiam, foram procurar situações de peixeirada em que se pudessem vitimizar, diabolizar um adversário político, e tentarem de forma repetitiva como noutras situações da nossa história contemporânea ganhar votos numa suprema ignomínia!!

Estas situações estão estudadas e repetem-se há séculos, com consequências mais ou menos graves para um ou outro dos polos da provocação.
Isto não significa que não condene insultos e eventuais "agressões" (vi as imagens...) e que não reconheça que haverá sempre pessoas, actuando de forma isolada que não pode responsabilizar os organizadores das manifestações. toldadas por dores pessoais e outras que, objectiva e subjectivamente colaboram nas provocações.

Frase de fim-de-semana, por Jorge


("E o que vê nos olhos das crianças que começam a estudar música clássica?")

"Uma luz imensa e infinita que os acompanhará até à morte"


Mais uma gripe? Lá vêm, de novo, as campanhas do medo e o negócio das vacinas…


A efectividade do Tamiflu para conter o vírus da gripe de alguns anos atrás foi então questionada apesar de isso não ter podido conter a corrida aos stocks resultante de uma campanha planetária que influenciou uma vasta especulação do mercado.
O fabrico do medicamento, inicialmente produzido pela Gilead Sciences e depois pela Roche, teve como um dos principais promotores accionistas o conhecido Donald Rumsfeld. Este e o ex-Secretário de Estado George Schultz, ambos accionistas da Gilead Sciences, ganharam muitos milhões à custa da operação quando em funções de Estado animaram tal campanha em termos eticamente inaceitáveis.

Na altura contribuímos aqui para denunciar a operação que permitia duas coisas: testar uma reacção de pânico e como dar indicações às forças armadas, , para controlar e dominar fortes movimentações de massas como nas ameaças fictícias de “terrorismo”e vender lotes infindáveis do Tamiflu a preços que subiram especulativamente e que diferentes países, entre os quais Portugal, adquiriram.
À hora em que escrevemos estas linhas, não se sabe quantas mortes de gripes assinaladas em vários países se devem de facto à actual mutação do vírus H1N1, para a qual não há ainda criada uma vacina específica…como não havia há anos atrás para o vírus modificado da gripe das aves.
Na altura as previsões catastróficas de uma “pandemia” - termo a que a generalidade das pessoas, por falhas de informação, identifica com uma catástrofe - não se verificaram.

Uma pandemia é a ocorrência em vários pontos do globo do mesmo vírus, geralmente de expansão limitada e não com a dimensão demencial que a indústria farmacêutica e os média procuram fazer crer para empolar a procura do Tamiflu.
A matança de porcos ordenada pelo Presidente do Egipto é outra dimensão demencial destas atitudes.

Só que o Tamiflu, para além de não ter sido produzido com a especificidade de combater estes vírus modificados, não tem eficácia comprovada… Mas a sua ingestão continuada pode eliminar resistências do organismo e desenvolver a capacidade, noutros casos, de infecções de resistência acrescida, tornando-se então uma ameaça real....Para aliviar os problemas de consciência que tudo isto poderá estar a criar em algumas cabeças, exige-se que as receitas aviadas pelas farmácias sejam autenticadas pelos médicos…Claro que isso deve ser feito, mas o mal já está criado.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

Pare e escute a música...


Um tipo entra numa estação de metro de Nova Iorque vestindo jeans, t-shirt e boné.

Encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que por ali passa a com pressa, pela manhã.
Durante os 45 minutos que tocou o instrumento, foi praticamente ignorado.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, que executava peças consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tocara no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a “bagatela” de 1000 dólares.
A experiência, que poderá encontrar gravada em video,na net, mostra que homens e mulheres de andar rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, ficam indiferentes ao som do violino. Só uma mulher o reconheceu...A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post tinha como intenção lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta com glamour.

Conclusão do jornal: Compramos a forma e o marketing da apresentação e não o conteúdo. Só estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão no contexto convencionado.
E eu acrescentaria: não há uma educação musical, não há capacidade de distinguir sons nem a qualidade ao produzi-los, o show-bizz acantonou o espectáculo em espaços remunerados e a rua foi deixada para uma animação turística de qualidade duvidosa (mas melhor que nada) ou para a publicidade tantas vezes demencial, as pessoas correm com pressa e com as cabeças ocupadas pelos seus problemas e circulam insensíveis ao belo, ao prazer e aos outros a que a rua dá uma outra dimensão porque a fruição pública também contribui para acabar com os nichos estanques de mercado, os gostos únicos que ajudam a rentabilizar os investimentos das editoras de forma inversamente proporcional à cultura musical que é, depois, remetida para os salões a preços absurdos para contribuir para o afastamento dos gostos e a sua consagração como mercadoria de luxo que dê estatuto e como adorno em cuja sensibilidade não quer descobrir a inquietação da existência.