segunda-feira, 13 de abril de 2009

Evocando o 25 de Abril, em 1990, no Restaurante Limo Verde, na Parede


Termas de Vals (Suíça), de Peter Zumthor




Origem histórica dos acontecimentos na Tailândia? (1)


Os últimos dias





É difícil compreender o que se passa na Tailândia (antigo Sião). Importa recorrer à história, aos interesses em jogo e às profundas desigualdades existentes no país.
Uma coisa é evidente: desde que em 2006 um golpe militar derrubou o governo de Thaksin Shinawatra que a situação tem estado instável, com a sucessiva substituição de governos, e hoje na rua muitos milhares de pessoas, também designados por “camisas vermelhas”, a que, claramente se têm juntado muitos militares, reclamam o seu regresso e a demissão do actual primeiro-ministro, Abhisit Vejjagira, um homem considerado de extrema-direita, num país que criou um sistema eleitoral representativo mas onde os titulares das forças armadas, sectores monárquicos de direita e a grande burguesia de Banguecoque têm assegurado as rédeas do poder, decidindo em última análise como distribuir as peças do complexo xadrez político.
Gostariam de ter o apoio do rei, Bhumibol Adulyadej, para consolidar esta situação, argumentando com o alegado desempenho corrupto de Thaksin e a sempre negada vontade deste em pôr fim à monarquia constitucional, depois da sua popularidade ter equilibrado o prestígio do velho rei.
Ontem, o ex-primeiro-ministro, que desde o golpe de 2006 tomou a iniciativa de se exilar na Inglaterra, convocou o povo a derrubar o governo depois de este ter imposto o estado de emergência em Banguecoque, no meio protestos generalizados. Quando fez o apelo, há dois dias que militares armados ocupavam toda a capital tailandesa, depois de os protestos do movimento dos “camisas vermelhas”, oposicionista, terem forçado o cancelamento de uma reunião de cúpula de líderes asiáticos no grande a praia de Pattaya.
A Thaksin estiveram associadas medidas de apoio aos agricultores, a grande massa da população, com a criação de um sistema nacional de saúde de acesso universal, baixas taxas de juro no crédito à produção agrícola, ou outras como a mão pesada contra os narcotraficantes, poderosos e com elevada capacidade de corrupção de civis e militares.
Estando a esquerda há décadas desfeita, e descontando a aparente dependência de um milionáro que inspira os seus correligionários, podemos afirmar sem grande rigôr que a UDD de Thaksin apresenta uma base sociológica e perpectivas que a identificam como um movimento de esquerda.

Recordo a propósito que, quando da investida norte-americana nos anos cinquenta contra a grande influência dos comunistas em vários países do sudeste asiático, estes se aliaram a militares corruptos com o apoio dos narcotraficantes para atingirem esse objectivo, afastando dessas forças armadas militares patriotas e de esquerda, muitos comunistas, que eram um obstáculo poderoso à corrupção do aparelho militar pelos barões da droga. A administração norte-americana tornou-se, por isso, então o principal apoio à enorme expansão do narcotráfico nestes países.

Compreender o que se passa, passa também por conhecer a força política associada aos sectores mais retrógrados que estão a ser postos em causa nas actuais manifestações: o PAD (Aliança do Povo para a Democracia), criado e dirigido pelo grande magnata da comunicação social, Sondhi Limthongkul, principal artífice da queda de Thaksin, e o Partido Democrático do actual Primeiro-Ministro a que nos referiremos no post seguinte.

sábado, 11 de abril de 2009

Tambores de bronze do Vietname







Dancin' the booggie

A Páscoa pelo mar da Ericeira adentro

O tempo não descambou completamente e, como até gosto do vento, por ali andei a vêr o mar e a fazer-lhe mil perguntas e puxar por outras tantas memórias.

Certamente alguns de vós já fez essa pergunta a si próprios. Eu ainda não fiz. Só sei é que neles procuro o descanso e o belo. Digam-me lá que efeitos exerce o mar em vós...

Mas Páscoa é também mesa, e porque só amanhã nos entregamos aos prazeres dessas outras carnes, fomos comer, também na Ericeira, raia no forno com banana, feita com o toque da Maria Amélia, prima da Maria de Lurdes, que até há pouco se produziu na arte de bem nos fazer degustar no Chaparral ali para os lados de Vendas Novas.

À compita a Isabel compôs os nossos estômagos com um bolo de chocolate acompanhado por um
gelado de amendoa tostada no forno criteriosamente moída. Eu, o Xana e o Jorge dissemos que sim, penitenciamo-nos pela nula ajuda e desfizemo-nos em elogios.

Depois, andar. Muito. E descer à Foz do Lizandro onde numa das esplanadas se lê um bom livro com a sensação de nos termos entregues nos braços de anjos...

Tende tino com as tuálétes, por Rodrigo


Olá eu hoje quero dizer-vos que nesta semana o meu intelecto ficou mais maduro e o cívismo e o puritanismo mais excitados graças basicamente à acção duma agência da modernização administrativa, que é presidida por uma senhora que falou à televisão e que ainda bem não se deve ter posto nunca bonita para o público por coerência com os conselhos pró bom senso na apresentação no atendimento público sim porque isso da calça de ganga não dá o estatuto que a gente precisa e as raparigas não precisam de mostrar o rego das mamas nem as ditas para a seca da espera passar mais depressa só não percebi como é que a gente se entusiasma com a lanjeri preta se não a vemos como eu já vi à minha vizinha que depois de subir o vestido me perguntou se com ela preta ficava mais gira e eu até lhe disse como bom benfiquista que disfarçava melhor os pneus se ela fosse encarnada, não vermelha, não, quisso é côr de agitadores, e até lhe disse para não me acediáre mais mas voltando à apresentação eles até fazem bem em não querer perfumes muito fortes porque quando não se lavam a mistura fica um bocado enjoativa como me disse o João do talho a propósito das lolitas nuestras hermanas quando vinham cá passar a Páscoa nos anos cinquenta mas já torci o nariz no que respeita aos calcantes da nike dos ciganos e aos pirecingues mas pode ser quando estiver na altura de trabalhar a sério se até lá houver matéria para o verbo continuar a ser conjugado, já tenha metido juízo na mona à força de lidar com o meu editor e poder aconselhar às minhas colegas que saiam com folhos até aos pés e a gola ao nível da gargantilha porque, francamente, como diria o diácono Remédios, não há nexexidade e fica tudo no são senão têm que lhes arranjar uma batas que sobraram da Mocidade Portuguesa e do Movimento Nacional Feminino, apesar da Supico Pinto ter feito delas utilizações pouco puritanas quando se bamboleava no meio da tropa bom e agora despeço-me e convido-vos a uma reflexão pascal sobre as vossas tuálétes.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Ceia num Gazebo", de Niko Pirosmani (Geórgia)



Obama e a Europa do leste



Fidel reflectia há dias sobre as atitudes contraditórias de Obama quando da visita à Europa: recolha de apoio popular com um sentido e apoio à NATO de sentido oposto.
O conjunto de acontecimentos nos países do este europeu podem recolher de cada um de nós apreciações pontuais, maiores ou menores simpatias.
É evidente que determinadas acções, pelas debilidades internas que se conhecem desses países, só podem existir com redes de inteligência exteriores a agirem no terreno conferindo recursos enormes para se realizarem.
Traduzem, sem dúvida, que as pretensões do imperialismo quanto a esses países não têm ainda resultado garantido, apesar dos dramas causados pelos desmantelamentos de economias debilitadas e a sua entrada forçada na “economia de mercado”.
No entanto, existem traços comuns preocupantes que se prendem com o reforço do papel da NATO, reorientada nos seus objectivos depois da dissolução do Pacto de Varsóvia. O esforço de integração destes países na NATO, a vontade explícita desta em continuar a instalar bases militares e o chamado escudo anti-míssil (que, como se sabe, não é um instrumento defensivo) junto à fronteira da Rússia e a investida reforçada contra o Afeganistão deixam adivinhar o sentido desastroso com que algumas cabeças estão a procurar saída da crise económica e financeira que criaram.
Não é tempo para as forças da paz desarmarem ou entorpecerem o olhar.

Os olhos do cherne

Há dias Barroso vangloriava-se de ter dito olhos nos olhos a Medvedev que a Rússia tinha que respeitar os direitos humanos. Putin disse-lhe então que não tinha autoridade para tomar essa atitude pela vergonhosa cedência que fizera do território português por Bush e aliados para atacarem o Iraque.
É este peixe de águas turvas ( Polyprion americanus, ao lado) que suscita ao nosso Primeiro-Ministro um compromisso político, certamente “atitude de Estado”, de o manter em funções independentemente dos resultados das eleições europeias.

É certo que, com este ou outro presidente, a Comissão que delas sairá não vai deixar de ter essa subserviência em relação a interesses geo-estratégicos de alcance perigosíssimo. Mas regista-se a atitude como ilustrativa da vontade de genuflexão continuada…

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Aquele que é de opinião que o dinheiro faz tudo também é suspeito de tudo fazer por dinheiro"


Benjamin Franklin

Vox populi



Ó Ti Manel aquela moenga dos remédios está brava. Como é que lhe hei-de explicar? Olhe é como os governos de há trinta anos a esta parte. Uns são duma marca e outros são genéricos mas o princípio activo é o mesmo. Pois, mas continua mal, não? Então é melhor mudar de médico e de princípio activo!
Para grandes males, grandes remédios!

Música para quatro mãos, ontem no CCB





Foi um privilégio assistir à Música para Quatro Mãos de Maria João Pires e Ricardo Castro, dueto que a pianista portuguesa e o pianista brasileiro criaram em 2003.
Com a sala quase cheia e dois encores, interpretaram obras Robert Schuman, Edvard Grieg e Franz Schubert.

De Schumann interpretaram os seis improvisos das Imagens do Oriente, verdadeiras imagens musicais poéticas de tons orientais.

De Grieg foram as duas suites das composições que o dramaturgo norueguês Henrik Ibsen pedira para lhe serem feitas para a peça teatral Peer Gynt. O lirismo e a orignalidade das suites de inspiração folclórica que ao longo das nossas vidas permanecem sem perecerem, particularmente A Manhã, a Dança de Anitra, o Rapto da Noiva, a Dança Árabe ou a Canção de Solveig.

De Schubert, cultor do diálogo musical no género de quatro mãos, trouxeram-nos a sua obra-prima Fantasia em Fá Menor, considerado um auto-retrato do autor e os Tormentos da Vida, allegro em Lá Menor.

Foi um bom serão musical este no CCB ontem à noite em que, no intervalo, até uma temperatura amena no balcão contribuiu para duas horas gratificantes.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Manifestantes na Geórgia exigem demissão do presidente Saakashvili


Milhares de georgianos estão a dirigir-se para o parlamento na manifestação que estava para hoje marcada em Tbilissi, talvez a maior de muitas que se têm realizado contra Saakashvili.

Depois do fracasso da agressão contra a Ossétia do Sul, o presidente mantem e pretende reforçar - mas já em perda de popularidade crescente - a sua ligação com a NATO e a União Europeia que, por sua vez observam, com prudência, o seu aliado que agrava a repressão internamente contra todos os que se lhe opõem.

Com prudência porque o estão a vêr cair. Já que desejarão que a Geórgia reforce a sua presença militar no Iraque e se constitua numa base militar contra a Rússia e contra as possibilidades de viragens à esquerda em países que já integraram a URSS, objectivos de que Saakashvili é adepto fervoroso. A estratégia é semelhante à que os leva a vêr com interesse, não apenas platónico, a tentativa de golpe na República da Moldávia depois de os comunistas aí terem ganho as eleições de forma indiscutível.

Já hoje o presidente ainda falava de diálogo com a oposição mas numa atitude que não está a ser levada a sério.

As manifestalções com o mesmo objectivo estão também a realizar-se noutros pontos do país.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Moldova: os comunistas mais uma vez ganharam as eleições mas alguma oposição tentou o golpe depois...

Sobre os acontecimentos em Chisinau
Numa comunicação ao país ontem, o Presidente do Partido dos Comunistas e Presidente da Republica Moldova, Vladimir Voronin, referiu que os protestos e actos de violência realizados por grupos de jovens na 2ª feira visavam criar uma situação de caos e impedir o reconhecimento dos resultados eleitorais que, uma vez mais, pela terceira vez desde 2001, foram expressivos da inclinação do eleitorado.

No final da votação de dia 5, a vitória dos comunistas já se podia concluir estar garantida. A partir de então um grupo circulante de cerca de 5 mil jovens concentrava-se junto à Presidência, promovia incêndios e assaltos a esta e ao Parlamento.
Uma mulher foi morta pelos manifestantes que gritavzam slogans anti-comunistas e de integração da república na Roménia. Entre os manifestantes encontravam-se dirigentes destacados dos Partidos Liberal Democrático e Liberal, que viriam a ter, respectivamente, 12% e 13%, enquanto o Partido dos Comunistas obteve 50% (valores aproximados, arredondados às unidades).
Votaram 1.543.966 eleitores que correspondem a cerca de 60% da população inscrita.

Os observadores da União Europeia reconheceram os resultados. A OSCE também. A UE e os EUA apelaram ao fim da violência e a Rússia entende que ~devem ser aceites os resultados eleitorais e mostra-se preocupada com a situação que poderá agravar as relações da república com o Transdniester, uma região separatista desta apoiada por Moscovo. Mas Javier Solana defende a continuação das manifestações e as autoridades romenas estão caladas mas cúmplices com os distúrbios, apesar de já terem reagido hoje contra a acusação que Vorodin lhes fez de estarem por detrás dos tumultos.
Hoje a Duma russa instou ao apoio internacional ás autoridades da Moldova e as chefias militares russas referiram que as suas forças que integram o contingente de paz no Transdniester com forças moldavas e da região não interferirão nos acontecimentos internos.

Hoje realizou-se uma manifestação contra os tumultos dos dois dias anteriores e numa reunião com organizações sociais, Voronin informou que o embaixador de Bucareste saiu do país por ter sido declarado persona non grata, que tinham sido detidos 118 dos organizadores dos protestos e tinham entretanto saído do país os financiadores endinheirados de tais acções.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Guernica, animação de Joe James sobre o quadro de Picasso

"turning torso", de santiago calatrava, em malmö




Parem de dizer que a Língua Portuguesa é complicada..., por Susana

Para lêr em voz alta

Primeiro para as pessoas como eu ou você

Três bruxas olham para três relógios Swatch.
Qual a bruxa que olha para qual relógio Swatch?

E agora em inglês:

Three witches watch three Swatch watches.Which witch watch which Swatch watch.
Foi fácil?

Então agora para os especialistas.

Três bruxas suecas e transsexuais olham para os botões de três relógios Swatch suíços. Qual a bruxa sueca transsexual que olha para qual botão de qual relógio Swatch suíço?

E agora em inglês:

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches.Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?

Conseguiram?
Não!? Então pronto…Parem de dizer que a Língua Portuguesa é complicada!!!!

Abu Jamal, o preso político condenado à morte nos EUA

A imprensa de hoje dá conta de que o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA rejeitou ontem o pedido do jornalista negro Mumia Abu Jamal para um novo julgamento pelo assassínio de um polícia branco de Filadélfia, em 1981.
O Supremo Tribunal considerou inválidas as alegações de que o Ministério Público tenha excluído de forma deliberada negros do júri do julgamento que condenou Abu Jamal à morte.

Mumia Abu Jamal está no corredor da morte há 27 anos. Este foi o seu terceiro recurso a chegar ao Supremo e a ser rejeitado.

Mumia Abu-Jamal é o pseudónimo adoptado por Wesley Cook, ex-militante do Partido dos Panteras Negras que se tornou jornalista na Filadélfia e ficou popular com o seu programa de rádio "A voz dos sem-voz".

Mumia Abu-Jamal foi condenado a morte por, supostamente, matar um policia que estava a espancar o seu irmão, no início dos anos 80, em Filadélfia.

Em 2008. o Tribunal de Recurso de Filadélfia anulou essa sentença, convertendo-a em prisão perpétua, além de conceder um novo julgamento a Mumia, situação que foi agora revertida por esta deliberação.
Ao longo de 20 anos de uma incessante batalha judicial, com muitos apelos a um julgamento justo por parte de personalidades e milhares de manifestantes, e apesar da constatação de inúmeras irregularidades em seu processo, a data de sua execução foi várias vezes marcada e depois suspensa.

Por mais que as autoridades tentem tratá-lo como um criminoso comum, Jamal é, de facto, o único prisioneiro político dos Estados Unidos condenado à morte.

Paisagem horto-bucólica de uma estrada de Meruge


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dilbert e a redução dos inputs


Jornalismo...

"A Coreia do Norte ignorou os avisos e o Pacífico tremeu. O regime comunista disparou ontem um foguetão para o espaço apesar das ameaças dos EUA e seus aliados que suspeitam que o lançamento foi um teste encapotado..." (no DN de hoje)
Reparem:
1. O Pacífico tremeu
2. O regime comunista disparou
3. Apesar das ameaças
4. Suspeitam
5. Teste encapotado

Volta Augusto de Castro, estás perdoado. Para que fazem falta jornalistas? Com eles na rua está-se mais à vontade...

domingo, 5 de abril de 2009

As mesmas espécies em ambos os mares polares?

Os cientistas estimam que, pelo menos, 235 espécies vivem em ambos os mares polares apesar dos 13.000 km entre as extremidades da Terra.

Na semana passada os investigadores anunciaram estar em curso uma análise de DNA para confirmar se elas são de facto idênticas. É um mistério o como algumas das criaturas se desenvolveram nas partes superior e inferior do planeta. A distância e os diferentes habitats - como a água quente entre as duas regiões - estão entre as coisas que podem separar criaturas e dar origem a novas espécies.

Entre as espécies que procuram ambos os mares polares estão migrantes de maratona como as baleias cinzentas e algumas aves. Mas os investigadores que trabalham no Censo da Vida Marinha, também encontraram vermes bipolares, crustáceos, moluscos e pteropodos como os das fotos. "Os mares polares, longe de serem um deserto biológico, têm uma incrível quantidade e variedade de formas de vida," disse Ian Poiner, presidente do Comité Científico do Censo.

Biólogos de vários países têm, nos últimos dois anos, trabalhado neste recenseamento, desafiando às vezes ondas de 16 metros e condições gélidas.
Poiner disse que"Só através da cooperação de 500 pessoas de mais de 25 países se poderão defrontar e superar os tremendos desafios ambientais e produzir investigação sem precedentes de tal dimensão e importância. E a humanidade só agora está a começar a compreender a natureza destas regiões."

A maior salina do mundo: Uyuna, na Bolívia


Piódão, uma aldeia de xisto


Entrevista de Jerónimo de Sousa


Numa longa entrevista hoje publicada no "Plenitude" (encarte do Público), Jerónimo de Sousa fundamenta a rejeição de alianças com o PS e que "Portugal está pior do que quando Sócrates iniciou o seu mandato", vivendo o país na verdade "uma dupla crise: a nacional e a internacional".

O secretário-geral do PCP afirma que "em termos objectivos eleitorais queremos reforçar votos e mandatos nas três eleições" e apoia a afirmação em que o PCP é "um partido que luta, que age e que intervém. Características que sobressaem - particularmente nestes tempos de crise".

Quanto à situação económica, considera que o ponto a que se chegou é causado pelo "capitalismo e o seu sistema anárquico" em que "a economia real está a ser duramente atingida. Há de facto uma crise de subprodução capitalista". E a economia de casino tem estado virada "para o ganho fácil e rápido e para a concentração do capital " e para, depois de reduzir o poder aquisitivo das pessoas, lhes ter aumentado a posssibilidade de endividamento.

Criticando os apoios ao BPN, referiu que os responsáveis pelo que ali aconteceu deviam comparticipar na resolução do problema. E que não podia na actual crise finanmceira apoiar-se exclusivamente o grande capital nem aceitar-se que a banca esteja a aplicar spreads altíssimos com as pequenas e médias empresas que detêm mais de 90% do emprego no nosso país.

Jerónimo de Sousa entende que o congelamento dos preços de energia, combustíveis, portagens e comunicações contribuiria para aumentar a produtividade. Que os salários e pensões devem ser aumentados para alargar o mercado interno e as nossas empresas venderem. E que os jovens deveriam beneficiar do alargamento dos critérios para atribuição do subsídio de desemprego.

A propósito da intenção do PS viabilizar o casamento civil homossexual, o secretário-geral do PCP, referiu-se à sensibilidade desta questão e à necessidade de uma discussão profunda e desdramatizada, mas classifcica esta atitude como oportunista, pouco sincera e hipócrita que pretende desviar a atenção dos problemas centrais da sociedade portuguesa.
Referindo-se ainda ao caso Freeport e à avaliação que faz do Presidente da República, Jerónimo de Sousa acaba por fazer uma referência de balanço aos 35 anos do 25 de Abril, citando a propósito o poema de Goethe

Quando o homem perde os bens, perde pouco
Quando perde a dignidade, perde muito
Quando perde a coragem, perde tudo

para defender se deve "continuar a acreditar nesse ideal de transformação, de realização de um País melhor, onde o Povo possa viver também melhor".

Eis Abril. De novo. Sempre!

A aproximação dos trinta e cinco anos da Revolução de Abril tem sido - e irá continuar a ser - motivo de reflexão, em termos que o não foram na sociedade portuguesa nem o liberalismo, nem a República, nem o chamado Estado Novo.



E o 25 de Novembro sempre repousará na memória como um momento a esquecer e que terá sido passo significativo no arrefecimento das perspectivas revolucionárias na democracia em modulação.

Também o impacto da adesão à União Europeia não deixou lastro de entusiasmo, foi obra de gabinete imposta para formatar a nossa democracia a um modelo que expurgasse a democracia da superação do capitalismo, tão desejada em Abril por ter sido o capitalismo a matriz económica do fascismo e a expressão dos apoios internacionais de vulto à ditadura e ao colonialismo.


Com 35 anos o 25 de Abril é na rua que se evoca, festejando o que se adquiriu mas associando-lhe as aspirações de hoje. As outras datas, mesmo as posteriores, assinalam-se nos gabinetes e em evocações formais sem sentimento nem expressão popular.
A revolução portuguesa é uma revolução inacabada e os portugueses sabem bem quanto as organizações políticas e sindicais que a ajudaram a fazer foram depois suportes indispensávis a uma luta tenaz, persistente e consequente de defesa de conquistas políticas, sociais, económicas e culturais e de afirmação de de caminhos alternativos, de forma fundamentada e sustentada.
Quando governos PS e de outros partidos insinuaram o “carácter obsoleto” das manifestações na rua esqueceram – ou não – muita coisa que distinguiu o 25 de Abril de outras datas históricas contemporâneas e “bateram com os burrinhos na água”.
O fim de uma ditadura e de uma guerra para os quais procuraram transições “suaves” – tão características do liberalismo e da República que, apesar do sangue que então correu, adiaram no faz de conta as próprias potencialidades de trasformações económicas e sociais experimentadas noutros países capitalistas.
Um regime de liberdades que tinham desejado limitadas, sem a necessária legalização do PCP e o carácter de classe das organizações sindicais. Em que a dignificação do trabalho e a sua centralidade ficassem a meio-gás e desfocados.
Tantas outras coisas fizeram por esquecer…
E, no entanto, eles movem-se…na Avenida e depois no 1º de Maio.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Temos uma economia que nos rouba o futuro vendendo-o no presente com o nome de PIB"


Paul Hawken

empresário e ambientalista

Greve geral paralisa Grécia

Os aviões quase não descolaram nem aterraram, os navios mantiveram-se ancorados nos portos, o metro, os autocarros e eléctricos funcionaram a conta-gotas, as rádios, as televisões e os jornais não deram notícias, os hospitais asseguraram só os serviços mínimos, os professores, banqueiros e funcionários públicos não foram trabalhar.




Era este ontem o cenário na Grécia, país que ficou paralisado por uma greve de 24 horas, convocada pelas duas maiores centrais sindicais do país.
"Esta greve é a resposta da Grécia à cimeira do G-20 em Londres", disse Stathis Anestis, porta-voz da Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, ontem citado pelo jornal New York Times. "Aqueles que criaram a crise estão agora a tentar remediá-la e as soluções que estão a apresentar a governos como o nosso não são dignas de confiança”, acrescentou o sindicalista, referindo-se ao Executivo de centro-direita liderado pelo primeiro-ministro Costas Caramanlis.


Os protestos de ontem foram desencadeados pela decisão governamental de congelar os salários da função pública para quem ganha mais de 1700 euros por mês e de fixar um imposto único para quem tem salários mais altos.
Outra das razões por detrás das manifestações, que reuniram milhares de pessoas nas principais cidades gregas, como Atenas e Salónica, são os despedimentos feitos nos últimos tempos pelo sector privado. A confederação prevê que o número de trabalhadores despedidos chegue aos 150 mil até ao final deste ano, 16% da força laboral do país. Só em Março, houve 4019 despedimentos na Grécia, na sua maior parte no sector têxtil. (citado do DN de hoje, fotos do Rizospastis)