
sexta-feira, 6 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
O narcotráfico, a America Latina e a África Ocidental (2)
A influência económica e política no narcotráfico
No ano que passou, um magistrado francês que escreveu já várias obras sobre a criminalidade financeira, Jean de Maillard, publicou um relatório sobre a criminalidade financeira internacional em que sublinha que o narcotráfico, aliado a outros elementos, representava cerca de 15% do valor do comércio mundial (800 mil milhões de dólares/ano), valor que pode desestabilizar às economias mais sólidas e penetrá-las como nas situações de resgates iniciados no ano passado para acorrer à crise do crédito.
No ano que passou, um magistrado francês que escreveu já várias obras sobre a criminalidade financeira, Jean de Maillard, publicou um relatório sobre a criminalidade financeira internacional em que sublinha que o narcotráfico, aliado a outros elementos, representava cerca de 15% do valor do comércio mundial (800 mil milhões de dólares/ano), valor que pode desestabilizar às economias mais sólidas e penetrá-las como nas situações de resgates iniciados no ano passado para acorrer à crise do crédito.Da cadeia que vai do produtor ao consumidor, este negócio produz lucros da ordem dos 500 mil milhões de dólares/ano, 100 mil dos quais são lavados em bancos em todo o mundo que foram soçobrando face ao afundamemto do imobiliário na área das hipotecas de alto risco.
Os valores movimentados são suficientes para comprar dirigentes de países e de organismos oficiais dedicados ao combate a este tipo de criminalidade, financiar partidos, ONGs e outros organismos que acabam também por serem usados em acções de ingerência interna em vários países.
Não sendo de estranhar que sejam os países mais pobres os mais duplamente afectados: em primeiro lugar, porque a agricultura, definhada pela pauperização resultante do domínio comercial e produtivo das grandes multinacionais do sector, cede à produção da matéria-prima para corresponder à procura da droga pressionada pelos mercados dos países mais ricos e, em segundo lugar, porque o narcotrafico compra consciências e alavancas do poder que acabam por ser mais mediatizadas nestes países do que nos outros onde tudo se faz de maneira "mais elegante".
Responsáveis de diferentes orgasnismos internacionais equiparam no primeiro lugar do ranking de volume de negócios esta actividade com a de venda de armas, o que configura um quadro muito negro das relações internacionais. As paradas que estão em jogo permitem validar a apenas aparente fértil imaginação de muitos autores de ficção que tratam os poderes ocultos dos dias de hoje em que as instâncias que mandam no mundo não resultam da vontade expressa dos cidadãos e a circulação financeira cada vez menos assenta na economia real ao mesmo tempo que determina o seu definhamento progressivo.
Existirão já indícios que vários bancos se salvaram desta forma numa altura em que a suposta necessidade absoluta de tais resgates nem deixava espaço para se colocarem dúvidas sobre a sua origem...
Nas Antilhas Francesas festeja-se a vitória, segue-se a Ilha Reunião
Os habitantes da Ilha Reunião saem hoje à rua para
uma jornada de greve que assume grande importância na sequência dos acordos de ontem em Guadalupe que deram a vitória à greve de 44 dias.
O colectivo COSPAR que conduz a luta dos reunioneses inclui várias organizações sindicais e os partidos de esquerda e apresentou na passada 2ª feira um caderno reivindicativo de 62 medidas imediatas contra a carestia de vida.
A reivindicação central, que acaba de fazer vencimento na luta das Antilhas, é de um aumento de 200 euros líquidos dos salários mais baixos. Outras vão da descida de 25%nos +preços da bilha de gás à proibição dos despedimentos que apresentam lucros, passando pelo congelamento das rendas e bilhetes de transporte gratuitos para os desempregados.
Na ilha 52% dos seus 750 mil habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza quando na metrópole francesa essa taxa é de 18% e os habitantes para uma luta que poderá ser mais prolongada como aconteceu em Guadalupe ou na Martinica.
Os acordos de Guadalupe ontem assinados pelo colectivo LKP, com o Estado e as colectividades
locais, para além do referido aumento de 200 euros para os salários mais baixos, incluíram o congelamento do preço da baguette e abertura de negociações sobre o preço do pão em geral, a descida das tarifas bancárias, da água e da gasolina.
Um dos dirigentes do colectivo comentava “É uma etapa, um compromisso que se firmou”, juntando um provérbio crioulo “Em cada sábado, um porco” (a ser morto). O patronato está a caminho de seguir esse acordo.
Os acordos foram durante a noite e madrugada de hoje assinalados com festa rija. “Nada será como dantes!” era o que mais se ouvia.
uma jornada de greve que assume grande importância na sequência dos acordos de ontem em Guadalupe que deram a vitória à greve de 44 dias.O colectivo COSPAR que conduz a luta dos reunioneses inclui várias organizações sindicais e os partidos de esquerda e apresentou na passada 2ª feira um caderno reivindicativo de 62 medidas imediatas contra a carestia de vida.
A reivindicação central, que acaba de fazer vencimento na luta das Antilhas, é de um aumento de 200 euros líquidos dos salários mais baixos. Outras vão da descida de 25%nos +preços da bilha de gás à proibição dos despedimentos que apresentam lucros, passando pelo congelamento das rendas e bilhetes de transporte gratuitos para os desempregados.Na ilha 52% dos seus 750 mil habitantes vivem abaixo do limiar da pobreza quando na metrópole francesa essa taxa é de 18% e os habitantes para uma luta que poderá ser mais prolongada como aconteceu em Guadalupe ou na Martinica.
Os acordos de Guadalupe ontem assinados pelo colectivo LKP, com o Estado e as colectividades
locais, para além do referido aumento de 200 euros para os salários mais baixos, incluíram o congelamento do preço da baguette e abertura de negociações sobre o preço do pão em geral, a descida das tarifas bancárias, da água e da gasolina.Um dos dirigentes do colectivo comentava “É uma etapa, um compromisso que se firmou”, juntando um provérbio crioulo “Em cada sábado, um porco” (a ser morto). O patronato está a caminho de seguir esse acordo.
Os acordos foram durante a noite e madrugada de hoje assinalados com festa rija. “Nada será como dantes!” era o que mais se ouvia.
A abordagem da crise nos próximos actos eleitorais

No Avante! de hoje, Agostinho Lopes refere que a crise vai estar no centro das eleições que se avizinham, alertando para os falsos argumentos e as pseudo-respostas apontadas pelo PS, PSD e CDS/PP. Seleccionamos o que se segue, remetendo os leitores para
http://www.avante.pt/noticia.asp?id=28120&area=5
“No centro do debate político e ideológico eleitoral vão estar as pretensas, as falsas respostas da política de direita, do PS ao PSD, passando pelo CDS-PP, à crise. E também no esquecimento e desresponsabilização das suas políticas que fragilizaram, vulnerabilizaram a economia nacional na resistência à crise, tornando-a menos produtiva, mais periférica, mais dependente. Pseudo-respostas que vão tentar passar ao lado das reais causas da crise, que vão mesmo passar ao lado dos dogmas do capitalismo neoliberal que sempre defenderam e praticaram, como a não intervenção do Estado na economia, a livre concorrência, a excelência da gestão privada, para salvar o essencial: garantir a manutenção do sistema de exploração, a continuidade das políticas de direita, a sobrevivência política dos partidos que são a expressão dos interesses de classe, do grande capital, dos grupos monopolistas reconstituídos!Pseudo-respostas que vão tentar passar ao contra ataque, instrumentalizando a crise para aprofundar e consolidar opções e orientações de políticas económicas e sociais, que estão na origem dos actuais e dramáticos problemas que enfrentamos.Pseudo-respostas como a necessidade de mais mercado e menor intervenção do Estado, mais privatizações e liberalizações, isto é mais capitalismo, mais exploração.Pseudo-respostas como mais Europa para aprofundar o federalismo, as políticas comuns e justificar o dito Tratado de Lisboa e os seus fundamentos neoliberais. Para o que claramente se aponta já com as ditas entidades de regulação e supervisão de dimensão europeia e mesmo mundial.Pseudo-respostas que sob uma identidade e identificação de fundo, congénita, de estratégias, opções e políticas, se enfeitarão de atributos acessórios e secundários, e até pretensos antagonismos entre PS, PSD e CDS-PP, para efeitos eleitorais. Diferenças que no fundamental se resumem às diferentes clientelas políticas. Diferenças que só existem nos mais ou menos impostos, na maior ou menor referência às pequenas e médias empresas, no maior ou menor levantar da bandeira social, porque uns são Governo e outros não estão no Governo!”
http://www.avante.pt/noticia.asp?id=28120&area=5
“No centro do debate político e ideológico eleitoral vão estar as pretensas, as falsas respostas da política de direita, do PS ao PSD, passando pelo CDS-PP, à crise. E também no esquecimento e desresponsabilização das suas políticas que fragilizaram, vulnerabilizaram a economia nacional na resistência à crise, tornando-a menos produtiva, mais periférica, mais dependente. Pseudo-respostas que vão tentar passar ao lado das reais causas da crise, que vão mesmo passar ao lado dos dogmas do capitalismo neoliberal que sempre defenderam e praticaram, como a não intervenção do Estado na economia, a livre concorrência, a excelência da gestão privada, para salvar o essencial: garantir a manutenção do sistema de exploração, a continuidade das políticas de direita, a sobrevivência política dos partidos que são a expressão dos interesses de classe, do grande capital, dos grupos monopolistas reconstituídos!Pseudo-respostas que vão tentar passar ao contra ataque, instrumentalizando a crise para aprofundar e consolidar opções e orientações de políticas económicas e sociais, que estão na origem dos actuais e dramáticos problemas que enfrentamos.Pseudo-respostas como a necessidade de mais mercado e menor intervenção do Estado, mais privatizações e liberalizações, isto é mais capitalismo, mais exploração.Pseudo-respostas como mais Europa para aprofundar o federalismo, as políticas comuns e justificar o dito Tratado de Lisboa e os seus fundamentos neoliberais. Para o que claramente se aponta já com as ditas entidades de regulação e supervisão de dimensão europeia e mesmo mundial.Pseudo-respostas que sob uma identidade e identificação de fundo, congénita, de estratégias, opções e políticas, se enfeitarão de atributos acessórios e secundários, e até pretensos antagonismos entre PS, PSD e CDS-PP, para efeitos eleitorais. Diferenças que no fundamental se resumem às diferentes clientelas políticas. Diferenças que só existem nos mais ou menos impostos, na maior ou menor referência às pequenas e médias empresas, no maior ou menor levantar da bandeira social, porque uns são Governo e outros não estão no Governo!”
quarta-feira, 4 de março de 2009
O narcotráfico, a América Latina e a África Ocidental (1)
A Guiné-Bissau, na rota da droga
O assassinato de Nino Vieira recentrou alguma atenção pública na questão do narcotráfico que usa a Guiné-Bissau como plataforma de colocação da droga na África Ocidental e nos territórios que se situam a norte dela.
Segundo o conhecimento anterior sobre esta matéria, é provável que Nino Vieira tivesse compromissos fortes com narcotraficantes latino-americanos. O Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, que Nino Vieira teria mandado assassinar horas antes de ele próprio ser morto como retaliação, far-lhe-ia frente com outros militares não conformados, como parte significativa dos guineenses, com o entrave ao desenvolvimento a que poderes controlados pelo narcotráfico querem manter alguns países africanos para obter melhores condições para o prosseguir da sua actividade criminosa. Quando o Primeiro-Ministro guineense se referiu às chefias militares como “patriotas” teria certamente esta avaliação presente.
Insisto que o que refiro carece de confirmação. Não me conformo com uma visão simplificada da interpretação dos factos. Mas o que penso conhecer, vai nesse sentido e não de alguma contra-informação que chegou a alguns media portugueses de que a rivalidade entre ambos os personagens desaparecidos se deveria a partilha não resolvida de interesses neste campo ou mesmo a Nino Vieira estar a combater…o narcotráfico que seria protegido pelos militares.
Esta questão traz duas outras que abordarei no dias seguintes, a saber os efeitos do narcotráfico em África, o papel de alguns países latino-americanos e dos seus dirigentes o papel dos EUA e o desvirtuamento e fracasso da sua DEA (Drug Enforcement Administration).
O assassinato de Nino Vieira recentrou alguma atenção pública na questão do narcotráfico que usa a Guiné-Bissau como plataforma de colocação da droga na África Ocidental e nos territórios que se situam a norte dela.
Segundo o conhecimento anterior sobre esta matéria, é provável que Nino Vieira tivesse compromissos fortes com narcotraficantes latino-americanos. O Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, que Nino Vieira teria mandado assassinar horas antes de ele próprio ser morto como retaliação, far-lhe-ia frente com outros militares não conformados, como parte significativa dos guineenses, com o entrave ao desenvolvimento a que poderes controlados pelo narcotráfico querem manter alguns países africanos para obter melhores condições para o prosseguir da sua actividade criminosa. Quando o Primeiro-Ministro guineense se referiu às chefias militares como “patriotas” teria certamente esta avaliação presente.
Insisto que o que refiro carece de confirmação. Não me conformo com uma visão simplificada da interpretação dos factos. Mas o que penso conhecer, vai nesse sentido e não de alguma contra-informação que chegou a alguns media portugueses de que a rivalidade entre ambos os personagens desaparecidos se deveria a partilha não resolvida de interesses neste campo ou mesmo a Nino Vieira estar a combater…o narcotráfico que seria protegido pelos militares.
Esta questão traz duas outras que abordarei no dias seguintes, a saber os efeitos do narcotráfico em África, o papel de alguns países latino-americanos e dos seus dirigentes o papel dos EUA e o desvirtuamento e fracasso da sua DEA (Drug Enforcement Administration).
terça-feira, 3 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Quem com ferro mata...


A morte que Nino Vieira encontrou ontem, numa casa para onde se tinha deslocado depois do assassinato do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné Bissau, Tagme na Waie, ainda não estará esclarecida. Mas importa reter o caminho de conflitos neste país depois da sua chegada ao poder durante mais de vinte anos.
A sua ruptura com o PAIGC, o seu clã que funcionava à margem da legitimidade democrática, com eventual envolvimento no narcotráfico e o uso do poder para servir uma elite enquanto o país passa fome e se mantem um dos mais pobres do mundo, foram acompanhados por uma hostilidade permanente para com o seu antigo partido e para com as forças armadas. Ninguém ignora às ordens de quem em poucos anos foram assassinados três chefes do estado maior destas.
Parece assim evidente que Nino caiu pelos seus próprios métodos.
É positivo, dentro da grande instabilidade que a sociedade guineense continua a viver, que a junta militar ontem constituída se tenha posto à disposição do governo legítimo para contribuir para a solução dos graves problemas do país e declarado respeitar as instituições democráticas.
domingo, 1 de março de 2009
Chavez reage a insultos do Departamento de Estado Norte-Americano

Compreensìvelmente o Presidente Chavez reagiu de forma firme a um recente relatório do Departamento de Estado já da época Obama.Estes relatórios são factores de ingerência interna e visam criar conflitos. Ainda recentemente os EUA tiveram que pedir desculpa à Argentina devido às afirmações caluniosas contidas num deles.
Desta vez a Venezuela é acusada de não dar garantias em matéria de direitos humanos, de ter as forças armadas fortemente atingidas pela corrupção, de dar cobertura ao narcotráfico e de apoiar movimentos de guerrilha e terroristas.
Obama prometeu mudanças mas decididamente a incumbência divina para dirigir o mundo não vai ser uma delas...
Algumas influências do movimento comunista no séc XX

Nos passados dias 26 e 27 deste mês promoveram o ISCTE e a resistir.info duas conferências de Domenico Losurdo, a que já aqui tínhamos feito referência no passado dia 24.
Os temas introduzidos pelo historiador e comunista, de forma coloquial, sintética e despida de academismo na apresentação, apesar do rigôr de fontes históricas em que baseou, são caros ao povo de esquerda, particularmente para os que têm da derrota do socialismo no leste europeu, uma visão de oitenta anos perdidos.
O historiador revelou que o alcance da revolução russa e do movimento comunista se traduziu entre outras coisas na influência assinalável sobre o conteúdo da democracia, dos direitos, liberdades e garantias que nem o liberalisno, nem a social-democracia tinham previsto terem a profundidade que tiveram. E que acabou por se traduzir num conteúdo progressista da Declaração Universal dos Direitos do Homen e noutras resoluções congéneres de carácter mais ou menos universal na segunda metade do século que passou. O próprio keynesianismo, limitado no seu alcance económico e social em contraposição a um liberalismo "mais selvagem", incorporou considerações e valores que sem Marx e Lenine, sem o movimento comunista e os movimentos de libertação nacional, e a grande atracção universal que estes provocaram, não teria tido o alcance de incorporação de novos direitos mesmo que numa perspectiva de resistência ao socialismo.
A idéia central da primeira das conferências a que pude assistir foi precisamente a revelação de como foram superadas (parcialmente, direi eu) três grandes discriminações, a saber a racial, a censitária e a sexual. Num quadro que Losurdo esclareceu ser já portador de uma discriminação de classe.
Questão que se tornou duplamente confirmada quando esses direitos passaram a ser postos mais em causa depois da derrota do "socialismo real" e quando os próprios patriarcas do neo-liberalismo, como Hayek, identificaram em jeito de denúncia, que tais novos direitos foram teorizados e impostos no Ocidente pela influência que considerou "funesta" da revolução russa...
O leitor poderá, certamente, ter acesso a esta conferência em http://www.resistir.info.com/.
"Os Maias", com encenação de Rui Mendes sobre adaptação de António Torrado
Este trabalho faz sobressair do romance de Eça de Queiroz quer o tema do incesto, caro ao seu autor quer o da crítica certeira à burguesia da época que sempre esteve presente na sua obra.A adaptação é arriscada, pelas reazões que António Torrado avança no programa em antecipação à crítica, na medida em que faz perder a densidade de quase todos os temas trazidos por Eça mas o critério da selecão não fere os sentidos de quem leu o romance.
A encenação é equilibrada e a opção da música por Afonso Malão deu outro corpo ao ambiente da época.
Quanto aos personagens, José Fidalgo e Sofia Duarte Silva não valorizaram na relação actor/personagem a centralidade dos papéis de Carlos da Maia e Maria Eduarda, contrapondo José Airosa a força dada a João da Ega.Bem estiveram também Mário Jacques (Guimarães), Luis Alberto (Afonso da Maia) e João Didelet (Rufino).
A equipa técnica esteve equilibrada.
Prevenindo sempre, que estas são opiniões de um amadore de teatro, sem qualificação e conhecimento para ser minimamente confundido com crítico de teatro, sugiro que vão ver. Mas sze puderem, lendo os "Maias" antes ou depois se já os nao têm presentes.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Frase de fim-de-semana, por Jorge
Com os jovens não se brinca…
A criação de um regime jurídico dos Conselhos Municipais de Juventude, matéria interessante mas com o conteúdo detalhado que a lei 8/2009 lhe atribui, parece-me uma regulamentação sem sentido. Mas traz água no bico…A organização de estruturas consultivas de juventude pelos municípios deveria depender de cada situação concreta e ter em cada uma a regulamentação que os jovens e o município entendessem. E que seria, certamente, sempre diferente quer em composição, quer em funcionamento, quer na definição de objectivos e de competências, quer em instalações e apoios institucionais ao seu funcionamento, nos diferentes tipos de municípios.
A rigidez da composição, a discriminação das associações informais, os esquemas de representações cruzadas entre órgãos municipais e nacionais, são tudo o que de mais estranho se possa conceber para jovens…
A democracia participativa é mais um estilo de governar e de intervir na governação do que uma forma rígida e uniformizante de a condicionar. Não é uma fórmula que se auto-isente de riscos de manipulação e de ressonâncias de lobbies estranhos aos jovens, em geral, mesmo que alguns
deles sejam juvenis.Sei do que falo. Como vereador convivi de muito perto com estas situações durante oito anos.
O risco de que um jovem não conhecer da vida o suficiente para se pronunciar sobre esta ou aquela matéria não pode ser impeditivo desse pronunciamento. Devem as associações juvenis densificarem o seu conhecimento de situações, com perspectivas diversas e informação qualificada, para dar mais solidez às opiniões. Mas isso é o processo educativo normal num jovem e o perfeccionismo regulamentar só quer dizer que quem o elaborou de jovem já pouco tem…
Tal como para outros sectores que, desejavelmente, devem assegurar direitos de participação, este tipo de problemas existe.
E isso dá mais força à necessidade de que a força da representação não se esgote nestas instâncias, necessariamente consultivas e para melhor fundamentar as decisões políticas daqueles que têm a competência de decidir.
Que ninguém pense que pode transformar democracia representativa em funil biunívoco das organizações desejavelmente livres, com capacidade de iniciativa e a natural irreverência e vontade de mudar a vida e o mundo que lhe são tão características. E na qual se inclui a capacidade para acabar com perversões de representatividades pelos seus mais directamente interessados.
Nem a excessiva institucionalização e parlamentarização destes Conselhos, nem a rigidez burocrática de quem assegura as participações são desejáveis no interesse de uma efectiva participação.
Governos que tudo têm feito para limitar as perspectivas dos jovens, alimentando o desemprego, o trabalho precário, o acesso com custos elevados à educação, à habitação e a tantas outras condições de vida e de trabalho, tomarem, esta iniciativa é um desvio de atenções. Eles são responsáveis pela falta de interesse e confiança na participação para esta regulamentação cerrada ter sentido positivo. Mas não só de fait-divers vive este diploma.
Ainda mais grave é, tal como está a acontecer noutras áreas da actividade municipal, como, por exemplo a Acção Social, o governo amarrar as estruturas locais de iniciativa local a políticas e estruturas do governo, colocando-as como executoras de orientações governamentais e cerceando actividade autónoma por tal rede de estruturas condicionar o acesso a programas nacionais de apoio, à semelhança do que acontece com a inacessibilidade a incentivos que o Portal 65 introduziu.
Não seria a primeira vez, e continuaria com tais regimes jurídicos a ser no futuro, que um governantezinho em discursos dentro e fora do país, em balanços, livros e anuários, em sites sobre a s associações juvenis, chamasse a si, como se se devessem a uma clarividência e esforço hercúleo dos governos, a iniciativa e a diversidade de milhares de estruturas e actividades juvenis que continuam a existir, apesar das políticas negativas dos governos.
A instrumentalização da iniciativa juvenil é o que tal fúria regulamentar em última análise, pretende.
Deixo ao leitor o convite de conferir o que aqui fica dito com a lei nº. 8/2009, de 18 de Fevereiro, cujo debate parlamentar na altura não acompanhei.
Com um governo como este, tal tipo de leis é uma conversa da treta que é um faz de conta, para mais um show-off que pretende distrair as atenções dos reais problemas da nossa juventude que, ainda por cima, não dependem tanto do poder local mas de políticas nacionais.
Os ministros que brinquem uns com os outros. Com os jovens não se brinca…
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A lei do mais fraco, por Jorge

É verdade.
Ao contrário do que se pensa, descobriu-se que a competição entre espécies pode dar a vitória à mais fraca, a que sobrevive!
Diga-se de passagem que a selecção natural não é ao mais forte que dá a superioridade, mas sim ao mais apto! ("survival of the fittest" disse o Darwin).
Animem-se portanto, desgraçados de todo o mundo! o futuro pode ser vosso! o segredo está em saber escolher os mais fortes com quem competir...
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Brasil solidário com Cuba
O Governo de Lula doou a Cuba 19 mil toneladas de arroz para enfrentar os graves problemas causados pela passagem de três furacões que devastaram a ilha em Outubro passado - o Ike, o Gustav e o Hannah. Uma expressão de solidariedade desta grandeza não pode passar sem merecer reflexões amplas, especialmente num momento em que o mundo regista principalmente é a movimentação de armas. Enquanto Brasil oferece arroz a Cuba, os EUA continuam com o abastecimento de armas para Israel.Como o jornal comunista “O Vermelho” refere na sua edição de hoje:
“Assim, aprendamos todos com esta página de solidariedade que está sendo escrita agora pelo Brasil, coerente com uma política de integração, que precisa ainda desenhar-se, expandir-se, superar os que do lado de lá patrocinam não apenas o jornalismo de desintegração, mas a própria desintegração latino-americana. Com a crise do capitalismo mundial, temos uma avenida.
Militares brasileiros da Aeronautica participaram de operações de salvamento de flagelados quando das devastadoras inundações na Bolívia há alguns meses. Participaram também, recentemente, indicados pelas Farc, mas com a concordância do governo da Colômbia, da operação de resgate humanitário dos reféns coordenada pela Cruz Vermelha nas selvas do país vizinho. São algumas ações apenas, mas apontam um caminho com a criação da Universidade da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu aponta. Mas, esta página tem muitos antecedentes, sobretudo inúmeras páginas nobres que Cuba já escreveu na história da solidariedade internacional dividindo generosamente seus escassos
meios com outros povos mais necessitados.
Assim, o arroz solidário brasileiro vai para quem merece amor, como na canção de Silvio Rodriguez”.
Militares brasileiros da Aeronautica participaram de operações de salvamento de flagelados quando das devastadoras inundações na Bolívia há alguns meses. Participaram também, recentemente, indicados pelas Farc, mas com a concordância do governo da Colômbia, da operação de resgate humanitário dos reféns coordenada pela Cruz Vermelha nas selvas do país vizinho. São algumas ações apenas, mas apontam um caminho com a criação da Universidade da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu aponta. Mas, esta página tem muitos antecedentes, sobretudo inúmeras páginas nobres que Cuba já escreveu na história da solidariedade internacional dividindo generosamente seus escassos
meios com outros povos mais necessitados.Assim, o arroz solidário brasileiro vai para quem merece amor, como na canção de Silvio Rodriguez”.
Como curiosidade também registada neste jornal, refira-se que passam hoje 28 anos sobre a condenação de Lula em tribunal militar, de acordo com a então Lei de Segurança Nacional, por ter sido um dos dirigentes da greve geral de 1980.
Habitação por conservar: os números e a conversa fiada...
1. Noutro post já aqui falei da reabilitação urbana dos bairros históricos que, por diversas especificidades (técnicas e materiais de construção, peso maior de necessidades de conservação e reabilitação, menor rentabilidade do investimento privado, laços sociais particulares, dimensão e especialização de empresas de construção indicadas, etc.) devem ter um enquadramento legislativo, de planeamento urbano distintos, ter uma estrutura municipal própria, com várias valências integradas e um maior entrosamento com os residentes.2. Mas em todo o resto da cidade, para além do seu casco antigo, as necessidades de conservação e reabilitação existem e, em alguns casos, atingim níveis preocupantes.
Em palavras todos reconhecemos que grande parte do nosso parque habitacional precisa de ser
conservado e/ou reabilitado, tiram-se efeitos especiais destes ou daqueles dados, geralmente com poucos estudos ou estudos e planos sobre aspectos muito parcelaresDepois vamos olhar para o investimento feito e as grandes intenções esboroam-se…
Para só falar daquilo que é responsabilidade directa da CML ou em que esta actua como parceira ou por razões ponderosas, assistimos a um descalabro desde o final da coligação de esquerda dos anos noventa.
De 12 milhões de euros de execução do plano em 2001 passou-se para 1,2 em 2007 (o relatório de gestão de 2008 só será aprovado daqui a umas semanas), e de 74% de taxa de execução para 27%…
Esta tendência atingiu particular gravidade nos bairros municipais que, como se sabe atingiram crescente dimensão. Aqui de 4,5 milhões de euros em 2001 passou-se para 0,3 em 2007 com as taxas de execução a caírem de 70 para 18%.
Os números decrescem e ilustram bem a incúria, o desprezo que contradiz o discurso oficial, as opções de classe na despesa realizada.
3. Em Lisboa, a média de idades dos edifícios em utilização habitacional é de cerca de 50 anos e o número de fogos devolutos ultrapassa os 40 mil.A maior parte dele é particular e os proprietários
não terão recursos para o fazer. Quer sejam eles arrendados quer sejam habitados pelos próprios proprietários.
Também o município tem escassez de recursos, apesar dos programas de co-financiamento de obras pelo Estado a que, contraditoriamente (ou não), quer o município quer os particulares tem recorrido menos…Outros fogos particulares carentes de conservação e reabilitação são deixados degradar para que os seus locatários se vejam forçados a abandoná-los ou a receber “indemnizações” ridículas por isso.
Obviamente não é esse o caso do município. Neste caso os fogos que estão vazios, até por isso se degradam mais depressa e ficam menos disponíveis para corresponderem às necessidades do município em realojamentos.
Mas um programa de reabilitação sistemático recorrendo ao co-financiamento poderia e deveria ser realizado com outra eficácia e uma vontade política mais determinada. Não para serem atribuídos de forma pouco clara mas para acorrer às necessidades sempre existentes de realojamentos temporários ou definitivos.
4. Dos 60 692 mil fogos existentes em 1960 passou-se para 292 065, em 2001.
Mas, conforme os dados municipais revelam, apesar disso, nos últimos 20 anos, e acompanhando uma tendência comum a outros grandes centros urbanos, sujeitos a enquadramentos neo-liberais e aos respectivos movimentos especulativos em vários mercados, a cidade perdeu cerca de um terço da população (em 1981 residiam em Lisboa 796 534 mil pessoas e, em 2001, já só viviam 564 657 mil pessoas).Esta perda de população não está directamente relacionada com o estado do parque habitacional.
Não é possível suster esta perda de população se de forma combinada não se actuar simultaneamente a vários níveis como na maior oferta de postos de trabalho, na redução dos preços leoninos da habitação e das rendas, agindo sobre o mercado, no suster da especulação e no assegurar na habitação nova uma percentagem de fogos para venda a custos controlados e para arrendar a preços suportáveis.
E aqui é outra política que se impõe para não continuarmos a alimentar ilusões.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Conferência subordinada ao tema O Movimento Comunista no Século XX por Domenico Losurdo


Na próxima quinta-feira 26 de Fevereiro às 17,30 h., no auditório B 104 do ISCTE (edifício novo, entrada pela av. Prof. Aníbal de Bettencourt) o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo, director do Instituto de Ciências Filosóficas e Pedagógicas da Universidade de Urbino, Itália, profere esta conferência.
Nascido em 1941 nos arredores de Bari, é actualmente Professor catedrático da Universidade de Urbino e Presidente da Sociedade Internacional Hegel.
Um dos principais campos de investigação de Domenico Losurdo situa-se na reconstrução da história política da filosofia clássica alemã, de Kant a Marx, tendo ainda dedicado ensaios a Nietzsche e Heidegger.
Mais recentemente dedicou-se a uma leitura crítica da tradição liberal e das origens ideológicas do fascismo e do nazismo, na sua relação com as tradições coloniais e imperialistas.
A mais recente das suas obras, Stalin. Storia e critica di una leggenda nera, suscitou intenso debate e o comentário elogioso, entre outros, de Gianni Vatimo: “Graças aos documentos e citações presentes no livro conseguimos entender como Stalin foi sobrevalorizado por muitíssimos estadistas, como Churchill e De Gasperi e filósofos como B. Croce, que sempre olharam Stalin com respeito, simpatia e mesmo admiração”.
Um dos principais campos de investigação de Domenico Losurdo situa-se na reconstrução da história política da filosofia clássica alemã, de Kant a Marx, tendo ainda dedicado ensaios a Nietzsche e Heidegger.
Mais recentemente dedicou-se a uma leitura crítica da tradição liberal e das origens ideológicas do fascismo e do nazismo, na sua relação com as tradições coloniais e imperialistas.
A mais recente das suas obras, Stalin. Storia e critica di una leggenda nera, suscitou intenso debate e o comentário elogioso, entre outros, de Gianni Vatimo: “Graças aos documentos e citações presentes no livro conseguimos entender como Stalin foi sobrevalorizado por muitíssimos estadistas, como Churchill e De Gasperi e filósofos como B. Croce, que sempre olharam Stalin com respeito, simpatia e mesmo admiração”.
Obras recentes
Il Revisionismo Storico. Problemi e Miti. 1996.
Hegel e la Germania. 1997.
Antonio Gramsci dal Liberalismo al "Comunismo Critico". 1997.
Hegel, Marx e a Tradição Liberal. Liberdade, Igualdade, Estado. Editora Unesp, 1998.
L’Ipocondria dell’Impolitico. La Critica di Hegel Ieri e Oggi. 2001.
Nietzsche, il Rebelle Aristocratico. Torino, 2002.
Democracia e Bonapartismo. Editora UNESP, 2004.
Fuga da História? A Revolução Russa e a Revolução Chinesa Vistas de Hoje. Editora Revan, 2004.
Contra-História do Liberalismo. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2006, Publicado em italiano em 2005 como Controstoria del Liberalismo.Domenico Losurdo
Il Revisionismo Storico. Problemi e Miti. 1996.
Hegel e la Germania. 1997.
Antonio Gramsci dal Liberalismo al "Comunismo Critico". 1997.
Hegel, Marx e a Tradição Liberal. Liberdade, Igualdade, Estado. Editora Unesp, 1998.
L’Ipocondria dell’Impolitico. La Critica di Hegel Ieri e Oggi. 2001.
Nietzsche, il Rebelle Aristocratico. Torino, 2002.
Democracia e Bonapartismo. Editora UNESP, 2004.
Fuga da História? A Revolução Russa e a Revolução Chinesa Vistas de Hoje. Editora Revan, 2004.
Contra-História do Liberalismo. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2006, Publicado em italiano em 2005 como Controstoria del Liberalismo.Domenico Losurdo
O senhor que se segue...

Fontes próximas do Ministério da Administração Interna confirmam ( "correcto, afirmativo", disse-nos o assessor de comunicação social, que afastou assim o boato de ser brincadeira de Carnaval... ) a retirada da circulação de todos os postais ilustrados de "David", criação de um tal Miguel Angelo, de morada incerta, na sequência de idêntica operação realizada há dias com sucesso a propósito da indecente publicação do "Princípio do mundo" de um designado realista que utilizava o nome de Gustave Courbet.

Os agentes revelaram-se um tanto perplexos com as reacções negativas à sua intervenção porque ela decorre da recente acção de formação de "Manutenção da ordem pública em tempos de previsíveis perturbações de valores", do ciclo do MAI "Preparar a crise no plano da ética e da estética", inspirado em recomendação dos últimos Estados Gerais.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Um novo new deal?
No número de este mês da Monthly Revew, dois professores universitários norte-americanos John Bellamy Foster e Robert W. McChesney respectivamente editor e colaborador desta revista norte-americana, discutem o apelo de sectores académicos para que seja implantado um novo New deal quando a nova administração Obama tem apontado para um amplo programa de estímulo económico de mais de 850 mil milhões de dólares durante dois anos, com o objectivo de resgatar a nação da profunda crise económica.Remetendo para a tradução publicada hoje pela resistir.com, não deixaremos de aqui citar o
início dessa discussão e as medidas que, na opinião destes dois professores, a esquerda poderia propor apoiada num forte movimento de esquerda nos EUA, que, como é sabido, não existe organizado.
início dessa discussão e as medidas que, na opinião destes dois professores, a esquerda poderia propor apoiada num forte movimento de esquerda nos EUA, que, como é sabido, não existe organizado.”A possibilidade de um novo New Deal deve ser saudada por quem se posiciona à esquerda, na medida em que faz prever algum alívio para a população trabalhadora bastante sacrificada. Porém, há questões importantes que se colocam. Quais são as reais perspectivas actuais de um novo New Deal nos Estados Unidos? Será essa a resposta para a actual crise económica? Qual deve ser a atitude da esquerda? Uma análise profunda destas questões exigiria um grande volume. Aqui, confinamo-nos a alguns pontos que ajudarão a tornar claros os desafios que temos pela frente. O New Deal não foi, inicialmente, uma tentativa de estimular a economia e provocar a recuperação através da despesa pública, uma ideia que pouco estava presente no início da década de 1930. Pelo contrário, consistiu em medidas de salvamento e resgate ad hoc, motivadas sobretudo pela ajuda aos negócios, associada a programas de apoio ao emprego. A parte de leão das despesas do New Deal foi, no início, canalizada para operações de salvamento. Como explicou Alvin Hansen, economista de Harvard e um dos primeiros seguidores de Keynes nos Estados Unidos, no seu "Fiscal Policy and Business Cycles" (Política fiscal e ciclos de negócios).
(…) Com o capitalismo atolado numa crise económica de uma tal severidade que cada vez mais faz lembrar a Grande Depressão dos anos 1930, não deveria surpreender que assistamos a um apelo generalizado por "um novo New Deal".
(…) É da exclusiva responsabilidade da esquerda impulsionar não apenas a organização militante da população mais desfavorecida, mas também os tipos de mudança, indo contra a lógica do sistema e assentando numa expansão da despesa pública que contribua substancialmente para melhorar as condições de vida. Em termos de exigências, um programa deveria incluir, para começar, que:
(1) o governo assuma a responsabilidade de assegurar trabalho útil e com salários decentes a todos os que necessitam, recorrendo às competências existentes;
(2) seja alargado o subsídio de desemprego para lá dos seus inadequados limites actuais;
(3) os que estão em perigo de perder os seus empregos sejam protegidos pela assistência pública;
(4) seja iniciado um programa de habitação de choque a favor dos que não têm casa ou vivem em casas degradadas (incluindo o alívio das hipotecas e o apoio aos arrendatários);
(5) seja estabelecido um sistema fiscal verdadeiramente progressivo, incorporando um imposto sobre a riqueza;
(6) sejam alargados programas alimentares e vales alimentares para os pobres, juntamente com outras provisões de bem-estar, facilitando o acesso;
(7) seja facultado a toda a população acesso nacional a cuidados de saúde (um sistema de pagador único);
(8) seja garantido pelo governo o financiamento das reformas;
(9) seja aumentado o financiamento da Segurança Social e eliminados os impostos regressivos;
(10) sejam eliminadas as leis que restringem a sindicalização;
(11) seja aumentado o salário mínimo federal;
(12) seja introduzida a semana de trabalho das 35 horas;
(13) seja promovido a nível nacional um programa de transportes públicos de massas;
(14) sejam muito alargados os sistemas de comunicações de propriedade ou controlo público e estendidos por toda a nação;
(15) seja bastante aumentado o financiamento público da educação; e
(16) seja bastante aumentada a protecção ambiental, em linha com a revolução ecológica hoje necessária para salvar o planeta.”
Ver o artigo completo em http://www.resistir.info/mreview/foster_mcchesney_fev09.html
Golpe de Estado nos corredores do poder norte-americano em 18 de Dezembro de 2006?
A única expressão visível deste acontecimento foi a troca no Pentágono de Donald Rumsfeld por Robert Gates, republicano e anterior directos da CIA, num estilo de “homem forte do regime”.A razão de fundo poderia ter sido a política seguida por Bush e Rumsfeld de contratação para o Iraque de mercenários, em vez de militares profissionais de carreira, por isso sair mais barato e fazer reduzir os custos da guerra. Apesar de os mercenários ganharem mais, os seus contratos cessavam quando eram feridos ao contrário dos militares profissionais em que o Estado teria de garantir-lhes apoio e pensões.
Esta “privatização da guerra” colocou a administração contra os militares, que reagiram corporativamente à perspectiva da sua extinção a prazo. A imposição de Gates foi a expressão dessa reacção.
Barack Obama, depois da eleição, assumiu que manteria Gates em funções de Secretário da Defesa. E este foi o único membro do gabinete que não assistiu ao seu juramento.
Bush, com o acordo de Obama, passaram a designá-lo como “administrador”, fórmula que o coloca em terceira posição na linha de sucessão do poder. Isto é se o actual presidente e o seu vice-presidente fossem, assassinados, Gates assumiria o poder.
Esta poderá ser fruto da imaginação do escritor Thierry Meissan? É a questão que nos coloca o jornalista venezuelano Ernesto Villegas que se tem mantido em contacto com ele, desde que este defendeu que o 11 de Setembro fora um logro montado pelos serviços secretos norte-americanos.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Campo das Letras tenta sobreviver

As declarações de Jorge Araújo ao Público de hoje confirmam as dificuldades de, no quadro de concentração editorial em curso há alguns anos, de sobrevivência de uma editora com um percurso editorial exemplar fruto da qualidade das pessoas que lhe deram origem, a começar no próprio Jorge Araújo.
Se outras editoras absorvidas neste processo conseguem repercutir num universo editorial mais vasto obras de grande interesse cultural que não se coadunam com a ditadura das vendas e dos géneros mais light, outras editoras como estra, com um palmarés editorial notável, não o podem
fazer e não sobrevivem sem novos investidores por sua vez pouco atraídos por critérios exclusivamente culturais, de procura de novos talentos jovens e de alargamento das opções de leitura.
A Campo de Letras procura um esforço conjunto com outras editoras para sobreviverem. Oxalá o consigam. Até lá um grande abraço de solidariedade e reconhecimento ao Jorge Araújo, ao Emídio Ribeiro, ao José Tavares e a todos os que têm estado neste projecto.
fazer e não sobrevivem sem novos investidores por sua vez pouco atraídos por critérios exclusivamente culturais, de procura de novos talentos jovens e de alargamento das opções de leitura.
A Campo de Letras procura um esforço conjunto com outras editoras para sobreviverem. Oxalá o consigam. Até lá um grande abraço de solidariedade e reconhecimento ao Jorge Araújo, ao Emídio Ribeiro, ao José Tavares e a todos os que têm estado neste projecto.
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