terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Conferência subordinada ao tema O Movimento Comunista no Século XX por Domenico Losurdo




Na próxima quinta-feira 26 de Fevereiro às 17,30 h., no auditório B 104 do ISCTE (edifício novo, entrada pela av. Prof. Aníbal de Bettencourt) o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo, director do Instituto de Ciências Filosóficas e Pedagógicas da Universidade de Urbino, Itália, profere esta conferência.

Nascido em 1941 nos arredores de Bari, é actualmente Professor catedrático da Universidade de Urbino e Presidente da Sociedade Internacional Hegel.
Um dos principais campos de investigação de Domenico Losurdo situa-se na reconstrução da história política da filosofia clássica alemã, de Kant a Marx, tendo ainda dedicado ensaios a Nietzsche e Heidegger.
Mais recentemente dedicou-se a uma leitura crítica da tradição liberal e das origens ideológicas do fascismo e do nazismo, na sua relação com as tradições coloniais e imperialistas.
A mais recente das suas obras, Stalin. Storia e critica di una leggenda nera, suscitou intenso debate e o comentário elogioso, entre outros, de Gianni Vatimo: “Graças aos documentos e citações presentes no livro conseguimos entender como Stalin foi sobrevalorizado por muitíssimos estadistas, como Churchill e De Gasperi e filósofos como B. Croce, que sempre olharam Stalin com respeito, simpatia e mesmo admiração”.

Obras recentes
Il Revisionismo Storico. Problemi e Miti. 1996.
Hegel e la Germania. 1997.
Antonio Gramsci dal Liberalismo al "Comunismo Critico". 1997.
Hegel, Marx e a Tradição Liberal. Liberdade, Igualdade, Estado. Editora Unesp, 1998.
L’Ipocondria dell’Impolitico. La Critica di Hegel Ieri e Oggi. 2001.
Nietzsche, il Rebelle Aristocratico. Torino, 2002.
Democracia e Bonapartismo. Editora UNESP, 2004.
Fuga da História? A Revolução Russa e a Revolução Chinesa Vistas de Hoje. Editora Revan, 2004.
Contra-História do Liberalismo. Aparecida, SP: Idéias & Letras, 2006, Publicado em italiano em 2005 como Controstoria del Liberalismo.Domenico Losurdo

"Tanto Mar", de Xico Buarque

O senhor que se segue...



Fontes próximas do Ministério da Administração Interna confirmam ( "correcto, afirmativo", disse-nos o assessor de comunicação social, que afastou assim o boato de ser brincadeira de Carnaval... ) a retirada da circulação de todos os postais ilustrados de "David", criação de um tal Miguel Angelo, de morada incerta, na sequência de idêntica operação realizada há dias com sucesso a propósito da indecente publicação do "Princípio do mundo" de um designado realista que utilizava o nome de Gustave Courbet.


Os agentes revelaram-se um tanto perplexos com as reacções negativas à sua intervenção porque ela decorre da recente acção de formação de "Manutenção da ordem pública em tempos de previsíveis perturbações de valores", do ciclo do MAI "Preparar a crise no plano da ética e da estética", inspirado em recomendação dos últimos Estados Gerais.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro, por migana




Um novo new deal?

No número de este mês da Monthly Revew, dois professores universitários norte-americanos John Bellamy Foster e Robert W. McChesney respectivamente editor e colaborador desta revista norte-americana, discutem o apelo de sectores académicos para que seja implantado um novo New deal quando a nova administração Obama tem apontado para um amplo programa de estímulo económico de mais de 850 mil milhões de dólares durante dois anos, com o objectivo de resgatar a nação da profunda crise económica.

Remetendo para a tradução publicada hoje pela resistir.com, não deixaremos de aqui citar o início dessa discussão e as medidas que, na opinião destes dois professores, a esquerda poderia propor apoiada num forte movimento de esquerda nos EUA, que, como é sabido, não existe organizado.

”A possibilidade de um novo New Deal deve ser saudada por quem se posiciona à esquerda, na medida em que faz prever algum alívio para a população trabalhadora bastante sacrificada. Porém, há questões importantes que se colocam. Quais são as reais perspectivas actuais de um novo New Deal nos Estados Unidos? Será essa a resposta para a actual crise económica? Qual deve ser a atitude da esquerda? Uma análise profunda destas questões exigiria um grande volume. Aqui, confinamo-nos a alguns pontos que ajudarão a tornar claros os desafios que temos pela frente. O New Deal não foi, inicialmente, uma tentativa de estimular a economia e provocar a recuperação através da despesa pública, uma ideia que pouco estava presente no início da década de 1930. Pelo contrário, consistiu em medidas de salvamento e resgate ad hoc, motivadas sobretudo pela ajuda aos negócios, associada a programas de apoio ao emprego. A parte de leão das despesas do New Deal foi, no início, canalizada para operações de salvamento. Como explicou Alvin Hansen, economista de Harvard e um dos primeiros seguidores de Keynes nos Estados Unidos, no seu "Fiscal Policy and Business Cycles" (Política fiscal e ciclos de negócios).

(…) Com o capitalismo atolado numa crise económica de uma tal severidade que cada vez mais faz lembrar a Grande Depressão dos anos 1930, não deveria surpreender que assistamos a um apelo generalizado por "um novo New Deal".

(…) É da exclusiva responsabilidade da esquerda impulsionar não apenas a organização militante da população mais desfavorecida, mas também os tipos de mudança, indo contra a lógica do sistema e assentando numa expansão da despesa pública que contribua substancialmente para melhorar as condições de vida. Em termos de exigências, um programa deveria incluir, para começar, que:

(1) o governo assuma a responsabilidade de assegurar trabalho útil e com salários decentes a todos os que necessitam, recorrendo às competências existentes;
(2) seja alargado o subsídio de desemprego para lá dos seus inadequados limites actuais;
(3) os que estão em perigo de perder os seus empregos sejam protegidos pela assistência pública;
(4) seja iniciado um programa de habitação de choque a favor dos que não têm casa ou vivem em casas degradadas (incluindo o alívio das hipotecas e o apoio aos arrendatários);
(5) seja estabelecido um sistema fiscal verdadeiramente progressivo, incorporando um imposto sobre a riqueza;
(6) sejam alargados programas alimentares e vales alimentares para os pobres, juntamente com outras provisões de bem-estar, facilitando o acesso;
(7) seja facultado a toda a população acesso nacional a cuidados de saúde (um sistema de pagador único);
(8) seja garantido pelo governo o financiamento das reformas;
(9) seja aumentado o financiamento da Segurança Social e eliminados os impostos regressivos;
(10) sejam eliminadas as leis que restringem a sindicalização;
(11) seja aumentado o salário mínimo federal;
(12) seja introduzida a semana de trabalho das 35 horas;
(13) seja promovido a nível nacional um programa de transportes públicos de massas;
(14) sejam muito alargados os sistemas de comunicações de propriedade ou controlo público e estendidos por toda a nação;
(15) seja bastante aumentado o financiamento público da educação; e
(16) seja bastante aumentada a protecção ambiental, em linha com a revolução ecológica hoje necessária para salvar o planeta.”

Há 22 anos dissemos adeus mas ficaste

Golpe de Estado nos corredores do poder norte-americano em 18 de Dezembro de 2006?

A única expressão visível deste acontecimento foi a troca no Pentágono de Donald Rumsfeld por Robert Gates, republicano e anterior directos da CIA, num estilo de “homem forte do regime”.
A razão de fundo poderia ter sido a política seguida por Bush e Rumsfeld de contratação para o Iraque de mercenários, em vez de militares profissionais de carreira, por isso sair mais barato e fazer reduzir os custos da guerra. Apesar de os mercenários ganharem mais, os seus contratos cessavam quando eram feridos ao contrário dos militares profissionais em que o Estado teria de garantir-lhes apoio e pensões.
Esta “privatização da guerra” colocou a administração contra os militares, que reagiram corporativamente à perspectiva da sua extinção a prazo. A imposição de Gates foi a expressão dessa reacção.
Barack Obama, depois da eleição, assumiu que manteria Gates em funções de Secretário da Defesa. E este foi o único membro do gabinete que não assistiu ao seu juramento.
Bush, com o acordo de Obama, passaram a designá-lo como “administrador”, fórmula que o coloca em terceira posição na linha de sucessão do poder. Isto é se o actual presidente e o seu vice-presidente fossem, assassinados, Gates assumiria o poder.
Esta poderá ser fruto da imaginação do escritor Thierry Meissan? É a questão que nos coloca o jornalista venezuelano Ernesto Villegas que se tem mantido em contacto com ele, desde que este defendeu que o 11 de Setembro fora um logro montado pelos serviços secretos norte-americanos.

Vox populi




sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Escrever o sol", de Júlio Pereira

Campo das Letras tenta sobreviver


As declarações de Jorge Araújo ao Público de hoje confirmam as dificuldades de, no quadro de concentração editorial em curso há alguns anos, de sobrevivência de uma editora com um percurso editorial exemplar fruto da qualidade das pessoas que lhe deram origem, a começar no próprio Jorge Araújo.

Se outras editoras absorvidas neste processo conseguem repercutir num universo editorial mais vasto obras de grande interesse cultural que não se coadunam com a ditadura das vendas e dos géneros mais light, outras editoras como estra, com um palmarés editorial notável, não o podem
fazer e não sobrevivem sem novos investidores por sua vez pouco atraídos por critérios exclusivamente culturais, de procura de novos talentos jovens e de alargamento das opções de leitura.
A Campo de Letras procura um esforço conjunto com outras editoras para sobreviverem. Oxalá o consigam. Até lá um grande abraço de solidariedade e reconhecimento ao Jorge Araújo, ao Emídio Ribeiro, ao José Tavares e a todos os que têm estado neste projecto.

Uma questão de narizes, pelo Rodrigo

Hoje vou à boleia a Torres Vedras para ver se o José Sócrates vai desfilar de nariz comprido ou se a procuradora conseguiu evitar essa cena pornográfica, sim se não os foliões ainda se punham a magicar onde é que ele andava com o apêndice e não há necessidade de assim se invadir a privacidade do nosso primeiro que mais o Dias Loureiro têm direito a ver o nariz crescer já que fizeram por isso, semearam os ventos e não lhes podemos negar as tempestades até porque ao fim e ao cabo estão a amparar-se um ao outro revelando as virtualidades do centrão em que dão todos as costas como fizeram com o cherne de Bruxelas que, coitado, tem que continuar naquela coisa para onde fugiu deixando-nos entregues ao Santana Lopes que, graças a Deus, viabilizou administrações multicolores nas empresas municipais que tanta coisa delas receberam em troca do nada que fizeram para além de dar obras aos amigos, essa canseira, pois então, se não somos para os amigos para quem haveríamos de ser, agora o que já não consigo entender foi aquela do Luís Amado, sim aquele da barba branca e olhos de carneiro mal morto, o positivo das sondagens, que disse que o país precisava de estabilidade governativa, olhó dissidente a querer pôr o Sócrates a andar numa altura em que a instabilidade está a dar tanta pica e em que os narizes readquiriram a dimensão adequada à inalação do cheiro fétido redobrado que as nossas elites, em sinal de que têm a tripa com bom desempenho, produzem depois de deglutirem repastos pagos com cartões de crédito para se rirem dos que dizem que eles já não o têm e agora vou andando porque o patrão não paga horas, inté.

Pôr do sol, por migana

Cais das Colunas

Pour les gosses de mon âge, le voilá: Jean Gabin dans "Je sais"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Quem atira a pedra esquece. Quem é atingido lembra para sempre"


Provérbio angolano

La Traviata, de Verdi

Vox populi




"Feliz foi o Ali Babá: não viveu por cá e só conheceu 40 ladrões..."

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Cá pra mim, pa(c)to só com arroz. E para eles?


O passado diz que sim

O presente diz que não

Em matéria de política

Pacto, PSD e PS

Claro que sim, ora não!

(ao som de um corridinho)

Cartoon de Monginho

in Avante!

As convulsões

Responsáveis deste país dizem umas vezes em público e outras em privado que os preocupam as “convulsões”. Em público mas ainda menos em privado já não se preocupam tanto com as suas causas nem dão o mote ao sofrimento que cresce nos lares - quando os têm - dos portugueses.

As convulsões poderão ser inevitáveis.
Melhorar o nosso viver poderá evitá-las ou reduzir a dimensão da sua expressão. Mas importa observar como os que o não querem se comportam face aos que o exigem.

Como noutros momentos da História, as questões do poder, de quem o exerce e como – em última análise revelando em benefício de quem e contra quem – o exerce, de quem muscula o Estado para resistir às mudanças e prepara o confronto e a provocação, de quem ainda sente força para mandar enquanto outros ainda não a adquiriram para alternarem outras formas de poder, são questões recorrentes, livres de determinismos retóricos mas verdadeiramente assentes em observações dos comportamentos sociais em ciências que, não sendo exactas, são indicativas.

O domínio dos média e o seu uso para a manterem as relações do poder, a ameaça aos magistrados, o regabofe de algum patronato que acaba com perspectivas de vida dos seus semelhantes, são sinal do desembainhar das espadas…que é acompanhado com tretas vazias de significado para alguns das “mudanças de paradigmas” ou as “oportunidades que as crises trazem”…

Dir-me-ão que sou um troglodita, agarrado à lógica da luta de classes…
Mas, me perdoem os bem-pensantes, que se não livraram dos preconceitos. Não encontro outro fundamento científico.
Para a sustentação da exploração, da desigualdade crescente, da fome e da miséria em parte significativa da população mundial, do saque das matérias-primas e dos acordos económicos leoninos para os mais fortes, da retórica do ambiente que é diariamente desmentida, do racismo e da intolerância, da “justificação” de sucessivos genocídios e ingerências, etc.
Que não seja o lucro desmedido e anti-social, a desvalorização do trabalho e da actividade produtiva para a dessocializar as relações económicas, o regresso à barbárie para que muito poucos possam continuar a ser os beneficiários da roleta em que jogam diariamente as mais-valias confiscadas dos outros.

Todos os dias as elites dirigentes revelam os piores princípios éticos de conduta, se atascam na corrupção e no compadrio, esperando talvez que a sociedade venha a aceitar esta mudança de valores no seu código genético para os reconduzirem ciclicamente...
Mas aqui e em muitos pontos do mundo ainda existe a felicidade, o amor, o respeito pelos outros, a importância de estarmos juntos e de gerirmos para o bem comum relações complexas onde todos são diferentes e intervêm com as suas diferentes capacidades, num espírito mais igualitário que não igualitarista, numa época da História em que o desenvolvimento científico e tecnológico seria favorável a passos consistentes na elevação da condição humana.

Se as elites do poder insistirem em que devem continuar os mesmos a fazerem as mesmas coisas com os mesmos resultados catastróficos para todos, não duvidem que o abanão se vai impor.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Reportagem em banda desenhada de Patrick Chappate para o Courrier Internationale







Pintura de Malangatana




A lentidão do processo eleitoral norte-americano, por F. Sousa Marques


Como se sabe as eleições presidenciais realizaram-se em 4 de Novembro passado. Até agora decorreram 104 dias, mais de 3 meses! Esta é a primeira nota. "Alguma coisa está podre no reino da Dinamarca!". Como é possível que na maior potência militar da actualidade e no centro do Império se passe tanto tempo antes de se criarem condições de governabilidade?
Não sei se sabem, ou se o assunto é comentado por aí, mas o Senado ainda não está constituído porque falta eleger um Senador (no Estado de Minnesota)! Houve recontagem da totalidade dos mais de 3 milhões de votos!, muita discussão!, muito trabalho!, e o caso acabou nos tribunais! Parece que hoje terá havido uma decisão (que não sei se poderá ser sujeita a mais um recurso, ou mais uma manobra dilatória) no sentido de reconhecer a vitória do candidato do Partido Democrático (Al Franken), com mais 225 votos do que o seu principal opositor e até agora Senador Coleman, do Partido Republicano. Com esta decisão a composição do Senado será de 59 Senadores do Partido Democrático e 41 do Partido Republicano. O Partido Democrático fica a um voto de conseguir a maioria qualificada de dois terços que lhe permitiria governar sem temer bloqueios por parte da oposição.
O que importa referir, na minha opinião, são as razões que estão por detrás deste longo caso.
Primeira. O processo eleitoral precisa de ser revisto e melhorado. De dois em dois anos há eleições simultâneas para eleger os mais diversos representantes e, até, para fazer referendos. Tudo no mesmo boletim de voto, um enorme "linguado" difícil de preencher. Não quero especular dizendo que isso é feito de propósito para desmotivar a participação cívica nos actos eleitorais. Mas não estarei longe da verdade se afirmar que, de facto, essa é uma razão histórica. Por aqui é hábito haver afluências às urnas de 10 a 20% dos eleitores inscritos, sendo que, como a inscrição nos cadernos eleitorais não é obrigatória, isso significa uma participação popular inferior a 10% dos cidadãos com capacidade eleitoral! A única excepção é a das eleições presidenciais em que a participação tem rondado os 50%! Se no nosso país houvesse uma abstenção de 50% o que não se diria! Justificadamente!
Segunda. O sistema não está preparado, nem para uma participação plural e democrática das inúmeras organizações políticas e partidárias que por aqui pululam, nem para "empates técnicos" como o que se verificou, agora, em Minnesota e, com grande escândalo e repercussão, nas eleições de 2000 na Florida em que Al Gore foi roubado e, depois das quais, foi declarada a vitória fraudulenta de George W. Bush! O primeiro aspecto tem a ver com uma ditadura, não do Partido Único, mas dos dois Partidos Quase Únicos. Ninguém fala dos outros! Até parece que não existem! O segundo aspecto tem a ver com a própria forma de preencher os boletins de voto, de os contar e, eventualmente, recontar. As experiências que têm sido feitas com a utilização do voto electrónico (sem possibilidade de controlo) e os votos por correspondência são um cancro no sistema.
Mas, quando me refiro a lentidão, não estou apenas a referir o caso de Minnesota (em 2008) ou da Florida (em 2000). Quero, sobretudo, salientar o tempo demasiado que decorre entre o dia 4 de Novembro e o dia da tomada de posse do novo Presidente (que aqui tem as funções, também, de Presidente do Governo) em 20 de Janeiro. Depois disso, o imenso tempo que leva a constituir o Governo. Não sei se é surpresa para vós, mas o Governo ainda não está constituído! Falta preencher, entre outros casos menores, a importante pasta do Comércio! O primeiro nome (Governador de New Mexico) indicado por Obama saiu da corrida por haver uma acusação de fraude e corrupção que está em processo de análise e o segundo (membro do Partido Republicano) desistiu do lugar depois de ter andado a desenvolver acções de lobbying para o conseguir! Apresentou como justificação que não poderia ocupar o cargo porque viria a ter muitas divergências e discussões com o Presidente...
Cada membro do Governo e outros nomeados (Presidente da CIA, por exemplo) têm de prestar contas, caso-a-caso, perante o Senado, em processos longuíssimos e em que se analisam as contas bancárias, os escândalos sexuais e outros pormenores de grande importância para o futuro da humanidade.

Olá, sou o Rodrigo...


Olá, dão licença?

Eu fui criado pela Beatriz, a neta do senhor deste blógue e parece que ele lhe pediu para me desenhar, isso é nasci por encomenda, que é maneira como outras de vir ao mundo, mas agora António tens uma grande responsabilidade que é justificar a minha vinda dando-me que fazer pois não gosto de estar aqui encostado mas não aceito limitações ao meu trabalho, quero uma crónica quinzenal em que possa escrever sobre o que me der na gana e não ser antreusmente correcto e quanto a vocês espero que digam qualquer coisa para me manter a trabalhar porque o meu patrão torceu o nariz quando lhe fiz a proposta, que lhe cheirava muito a uma tal Guidinha dum Stau que não cheguei a conhecer, bom vamos lá ver o que isto vai dar e até daqui a uns dias.

A fraude estatística e política dos 150 mil postos de trabalho, por Agostinho Lopes


Aconselho vivamente o leitor a consultar o artigo de Agostinho Lopes, deputado e dirigente do PCP, publicado no Le Monde Diplomatique” deste mês.

Nele poderá confirmar, a propósito da “bandeira” dos 150 mil postos de trabalho

- As indefinições desde o início sobre o que estes queriam significar :se era um saldo líquido e como o iria conseguir com o Pacto de Estabilidade;

-A manipulação estatística inaceitável feita para se atingirem os 150 mil postos de trabalho: comparação de trimestres diferentes sem a necessária “dessazonalização” correctiva, contagem de empregados a trabalharem no estrangeiro, de situações excepcionais e temporárias de formação e aprendizagem, não integrar a componente qualitativa do novo emprego (precariedade, trabalho juvenil, qualificação, etc.); e a consequente não consideração de que sobe o emprego precário e o emprego parcial enquanto desce o emprego permanente ou de que sobe o número de trabalhadores a desempenhar funções pouco ou nada qualificadas e o emprego nos serviços enquanto este baixa na indústria.

Agostinho Lopes refuta a ideia que o Governo quis criar de que se deve considerar um “antes” e um “depois” do 3º trimestre de 2008 e debate do OE para 2009, em que no “depois” se debitam à crise financeira internacional as desgraças que vinham da política do governo.
Assinala que diversos factores vulnerabilizaram e tornaram dependente e impotente a economia face aos impactos da crise internacional: níveis de endividamento dos portugueses, das empresas não financeiras e do país em geral que se agravaram de 2005 a 2008 como consequência das políticas neo-liberais do PS.
Indica ainda quais os elementos centrais desta política: privatizações de empresas de bens e serviços públicos, liberalização dos mercados destes, adesão à UEM e ao euro com a consequente perda de importantes instrumentos de controle da economia, particularmente a gestão orçamental determinada pelo Pacto de Estabilidade, atrasos nos apoios às MPME, extrema dependência de sectores da economia do capital estrangeiro (drenagem de riqueza para o exterior, deslocalizações, estratégias alheias) com as consequências na actividade económica e desemprego.

E conclui que “a solução para os problemas e défices estruturais do país (energético, agro-alimentar, tecnológico e de qualificação)” não se resolvem com a degradação das relações laborais como o caso do recente Código de trabalho mas pela valorização e aproveitamento do trabalho dos portugueses.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ainda o SIM da Venezuela, em resposta a um amigo


Um amigo meu questionou-me sobre o que aqui escrevi hoje sobre a vitória do SIM na Venezuela.

“Bom dia António, hoje questiono-te aqui sobre o que escreves-te no blogue.
E explica-me , gostava de te ouvir!
Achas que é mesmo uma vitória a do povo venezuelano????
Será uma democracia alguém ter a possibilidade de ficar ad eternum no poder?
E os votos do "não" que nas urnas foram anulados automaticamente?
Como se podem elevar regimes ditatoriais? Autocráticos????
Diz-me algo”

Não levará a mal que, sem o identificar, reproduza a minha resposta até porque já tencionava escrever sobre isso.

1. Em democracia os resultados contam-se pelo voto popular. Este referendo permitiu que não só Chaves mas uma plêiade de novos activistas com dez anos de vida política não percam direitos depois de terem dado tudo de si à tarefa gigantesca da revolução.O seu papel carismático não pode ficar sujeito à lei do silêncio que as campanhas dos grandes media tentariam com a mesma força que tentaram por todos os meios sabotar estas eleições (essa é uma questão que tratarei em próximos dias).Quem vota é o povo não são os preconceitos.Quem vota é o beneficiário de uma política que retirou os ganhos do petróleo das mãos das multinacionais e os entregou a programas sociais internos, ao desenvolvimento e à solidariedade continental (Há dias Chávez perguntava a Fidel: Quanto petróleo nosso precisas para vencer os efeitos do embargo americano?...).

2. Quais os requisitos para se ser democracia que a revolução bolivariana, sempre ratificada nas urnas, não cumpriu? Há alguma?Chávez ditador? Porquê? Porque deu voz ao povo?
Há presos políticos na Venezuela? Partidos proibidos? Ausência de liberdade de imprensa? Os ricos não têm direitos? Só os mais pobres?
3. Um observador do PP espanhol, convidado pela oposição, procurou condicionar o voto dos venezuelanos chamando ditador a Chávez nas vésperas do acto eleitoral. Foi posto na fronteira…Imaginas algum partido português a convidar "observadores" que se dessem a esse desplante com o Sócrates? Nem eles nem nós somos repúblicas de bananas e não temos que ter complacências com as saudades neocoloniais de alguns senhoritos.
4. Os observadores internacionais já declararam as eleições justas...mas os media portugueses, ainda não havia resultados e já davam como bom reproduzir e fazer sua uma notícia do jornal Universal, da oposição venezuelana e estandarte secular, ele sim, da autocracia e corrupção do passado recente, sobre uma série de pretensas irregularidades. Pende-lhes para ali o profissionalismo.

5. Acabei de ver o telejornal das 20 h da TVI e a peça sobre as eleições deu-me a volta à tripa… Que lhes fazer? Continuarem a ser livres até para dizer novos disparates, fruto de um solidário despeito com quem historicamente não merece qualquer solidariedade. Mas não livres de se submeterem à denúncia das suas manipulações e mentiras no total desrespeito pelo acesso à informação dos portugueses que aqui e na Venezuela vivem e trabalham.

Saramago emociona-se ao falar com ex-refém das Farc







16 de Fevereiro de 2009, 16:24

O Nobel de Literatura 1998, José Saramago, falou emocionado nesta segunda-feira com o colombiano Sigifredo López, recentemente libertado pela guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), após quase sete anos de cativeiro, e de ter citado o seu caso no romance "Ensaio sobre a Cegueira".
"Espero que, além da alegria de ter recuperado a sua liberdade e de poder continuar a viver com a sua família, possamos conhecer-nos para que eu possa abraçá-lo, apertá-lo nos meus braços", disse Saramago a López por telefone através do canal de televisão RCN de Bogotá.
Em 5 de Fevereiro, depois de recuperar a liberdade, López comparou um dos personagem do livro do escritor à senadora colombiana Piedad Córdoba, que negociou com as FARC a sua libertação e a de cinco outros reféns.
"Quando eu nem pensava que isso pudesse acontecer, ele fez esta referência a”Ensaio sobre a Cegueira”, e isso tocou-me no coração, na alma, em tudo, e a verdade é que não pude fazer mais nada além de desabafar com a minha mulher", lembrou Saramago sobre o momento em que viveu.
O escritor disse que a alusão que Lopez fez à sua obra o reconforta. "Quando isso aconteceu, senti justificada a minha existência como pessoa e como escritor", destacou.
Saramago afirmou que se um dia for à Colômbia ( “e com certeza iremos”), vamos encontrar-nos com Sigifredo e com essa mulher extraordinária que se chama Piedad. "Espero que isto aconteça e, para mim e para a minha mulher, será um prazer enorme", concluiu.

Venezuela: uma vitória de grande alcance para toda a América Latina

Fidel já dissera o que todos sentiamam, de que este resultado eleitoral iria dar fôlego para aprofundar a revolução bolivariana na Venezuela e confirmar perspectivas positivas para todos os processos revolucionários e de esquerda na América Latina.
A correlação de foças a nível regional e os efeitos internacionais desta vitória dão animo a quantos se batem em todo o mundo pela democracia e pela liberdade contra a opresssão, pelos direitos dos trabalhadores e por uma economia ao serviço das mulheres e homens, pela paz, pela cultura, pelo reforço das identidades e independências nacionais, pelo combate às injustiças, ao subdesenvolvimento, à fome e aos atentados contra o ambiente, por relações internacionais e comerciais mais justas, mais equilibradas, com diferentes polos de influência mais identificados com os respectivos povos, fazendo recuar o imperialismo, os sectores mais reaccionários e retrógrados das sociedades.

Sem outras considerações, para já, transcrevemos o take da agência bolpress desta madrugada.

Caracas, 15 Feb. ABN.- "Hoy ha ganado la verdad contra la mentira, ganó la constancia de un pueblo. Hemos hoy abierto de par en par las puertas del futuro", sostuvo este domingo el presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez.

Luego del primer boletín de resultados del referendo aprobatorio de la enmienda constitucional, en el cual el Sí obtuvo una contundente victoria de 54%, Chávez señaló: "Venezuela no volverá al pasado de indignidad". Desde el Balcón del Pueblo, en el Palacio de Miraflores, el Jefe de Estado felicitó a todos los batallones electorales del Comando de Campaña Simón Bolívar, al Partido Socialista Unido de Venezuela, a la alianza patriótica, al Poder Electoral y a todos los venezolanos y venezolanas que hoy dijeron Sí a la enmienda de la Carta Magna.

“Felicitaciones desde mi corazón a todo los venezolano, las misiones, a los comités por el Sí y al comando de Campaña Simón Bolívar, a Jorge Rodríguez, a Alberto Müller Rojas y a todos los partidos que conformaron este comando de la victoria”, expresó.

Asimismo, el presidente Chávez pidió, de forma especial, un reconocimiento a las autoridades del Consejo Nacional Electoral (CNE) por la labor cumplida y la rapidez con que emitieron los resultados de forma inmediata y con gran pulcritud, así como a los efectivos del Plan República. “Al CNE, un aplauso de reconocimiento a sus directivos al igual que a los efectivos del Plan República”, manifestó.

Por último, hizo un llamado a los sectores de oposición para que reconozcan los resultados emitidos por el CNE. “Espero que todos reconozcan con dignidad la victoria del pueblo bolivariano”, instó. Este domingo 54,36% (6.003.594) de venezolanos y venezolanas dijo Sí a la transformación de la Patria y a la enmienda constitucional de los artículos 160, 162, 174, 192 y 230 de la Carta Magna, informó la presidenta del CNE, rectora principal Tibisay Lucena. Durante la transmisión del primer boletín oficial de los resultados del referendo aprobatorio de la enmienda constitucional, Lucena indicó que esta jornada extraordinaria registró una abstención de apenas 32,95%. Este primer boletín lo otorgó el Poder Electoral con 94,2% de las actas escrutadas, y solo faltan 2 mil 251 actas por transmitir. El total de votos nulos fue de 199 mil 41 y de votos escrutados fue de 11 millones 242 mil 717. La opción del No obtuvo 5.040.082 de votos, lo cual representa un 45,63%.

La rectora del Poder Electoral felicitó al pueblo por su comportamiento cívico, democrático y alegre demostrado este domingo por todos los venezolanos. "Fue una jornada extraordinaria, donde todos actuaron de una manera extraordinaria".

La victoria es de América Latina “Esta victoria es de todos los pueblos de América Latina, es de nuestra América. Es una victoria verdaderamente histórica”, ratificó el Presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías. Chávez sostuvo que el pueblo venezolano comenzó a irradiar la luz que lleva por dentro, desde el mismo momento en que comenzó a constituirse a sí mismo, y a adquirir conciencia de su valor y su fuerza.

Al respecto, refirió: “El pueblo venezolano, construyéndose a sí mismo, constituyéndose de nuevo, hoy esta brillando al mundo. El pueblo venezolano hoy está irradiando sus luces y sus virtudes democráticas, humanistas y revolucionaria al mundo entero”. “Que vea el mundo, pues, cómo brilla la luz del pueblo de Simón Bolívar”, sentenció el líder de la Revolución Bolivariana.

Ratificó su consagración íntegra al pueblo y reiteró que obedecerá fielmente a su mandato, a quien dedicó la victoria del proceso consultivo desarrollado este domingo. “Mándeme, pueblo, que yo sabré obedecerle. Soy soldado y ustedes son mis jefes”, expresó Chávez.

El Presidente de la República agradeció a su homólogo de Cuba, Fidel Castro, quien envió un mensaje de felicitación por la victoria popular alcanzada por el pueblo venezolano. El líder de la Revolución cubana pronunció vía telefónica: “Querido Hugo, felicidades para ti y para tu pueblo por una victoria que, por su magnitud, es imposible medirla”.

Venezuela fortalecida "Hoy sale fortalecido el socialismo bolivariano ante el mundo, hoy sale fortalecida la Revolución Bolivariana ante el mundo", dijo Chávez ante una multitud que celebraba en el Balcón del Pueblo el triunfo de la democracia. Señaló que esta es una victoria que quedan escritas para siempre en el libro de la historia. "Nuestra historia nueva, la historia del pueblo nuevo". Agregó: "Quedo consagrado por entero para seguir solucionando los problemas del pueblo y seguir levantando la Patria. Me consagro mucho más por entero a la construcción de la Venezuela nueva.

Me consumiré gustosamente porque el pueblo lo merece. Yo no me pertenezco, mi vida es de ustedes".

El Jefe de Estado indicó que la jornada de este domingo significó un gran esfuerzo. Instó a todos los venezolanos a fortalecer la unidad nacional para que sea cada día más grande el futuro de la Patria.

"¡Qué gran batalla compadre, qué gran victoria comadre! Que Dios los bendiga muchachos, que Dios los bendiga Venezuela", expresó Chávez.


Observadores internacionais e Oposição (do Público)
Os observadores internacionais afirmaram que a votação foi transparente e justa, e os opositores não pretendem contestar os resultados. O que não significa que todos tenham considerado o processo acima de toda a suspeita. O líder da oposição Leopold Lopez afirmara à BBC que a campanha foi tendenciosa: “Em dez anos tivemos 15 eleições, 15. E esta foi a mais desigual, a mais abusiva de todas... Por isso é que vimos mais propaganda para votar sim”.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A colisão de dois satélites no espaço

Apesar da aparente confusão de material artificial em órbita, ainda é muito pouco provável a colisão entre eles. Mas isso já aconteceu.
A recente colisão entre satélites espaciais , um norte-americano, o outro russo, levanta a necessidade de um acordo internacional sobre as actividades no espaço.

Muitos destes satélites são utilizados para fins militares e importa acautelar confrontos premeditados. Por outro lado, particularmente os satélites militares exigem ser alimentados por energia nuclear e a sua colisão ou desintegração provocam a poluição por partículas radioactivas destas zonas orbitais do espaço com uma perigosidade não controlada.

A família Belleli, de Degas




Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen


Filme agradável mas ao nível do fraco para o realizador.
A história cheira a mais uma viagem de americanas à procura de não sei quê na Catalunha e que se alimenta de tantos outros clichés.

Só um personagem convence assim assim, Vicky, interpretada por Rebecca Hall, por sinal a menos mediática dos actores que vestem os quatro personagens de um tetraedro amoroso. De Sacarlett Johansson seria de esperar a sensualidade forte de outros filmes que o realizador não explorou num guião que o aconselharia. Javier Barden é um bom actor mas as contradições do personagem (Juan Antonio)não se entendem. Penélope Cruz não dá consistência à personagem que poderia ser a mais complexa e interessante (Maria Elena).

Enfim, nem a vacuidade da burguesia ali representada justifica tão fraca capacidade de desenvolver os personagens a partir de clichés que se limitam a vegetar.

Depois, como se não bastasse a pouca solidez de um enredo, Woody Allen mete um narrador off a dizer o óbvio, a não introduzir qualquer mais valia.

Se é masquista ou se apenas quer ficar ligeiramente bem disposto e pouco consolado, vá ver.

A crise que nos querem esconder


Dir-se-á que há factos marginais da vida política que são suficientemente importantes para serem motivo de grandes destaques notic iosos. Não duvido que a necessidade de vender audiências e jornais tornadas indispensáveis à viabilidade dos media têm papel relevante.

Mas é bom que não nos escape que isso está a matar a possibilidade de que, na crise profunda que atravessamos, possa existir uma opinião pública com a endurance suficiente para a conhecer e a enfrentar e a dar campo ao medo, a atentados a direitos fundamentais de quem trabalha e à passividade face a medidas que mobilizem uma vasta base social de apoio à defesa dos portugueses e do país.

A economia afunda-se todos os dias e cada vez mais. Muitos milhares de trabalhadores vão para o desemprego todos os meses.

Mas em vez disso, gastam-se rios de tinta com o Freeport, BPN e BPP, a revelação e exploração de comportamentos anti-éticos, mais ou menos escabrosos ou banditescos de boa-parte daquilo a que alguns traficantes de neologismos decidiram em tempo chamar de "classe política". Mas a dança de cadeiras entre o poder político e o económico (que de facto o determina) continua. É necessário o apuramento de factos e responsabilidades por parte dos organismos do Estado a quem isso compete. Todas estas trapalhadas indicam-nos a impossibilidade prática de tal gente poder determinar os caminhos da recuperação e de como conjurar os desastres que temos à porta.

São questões graves mas também têm que deixar espaço para compreender que problemas de fundo o país enfrenta e as questões essenciais que importa mudarem. E não mudar para tudo ficar na mesma, não deixar passar como paradigmas diferentes os diferentes estados de alma, as diferentes estratégias de gabinetes de imagem, a mudança da fatiota.

PS e PSD liquidaram a actividade industrial, agrícola, pesqueira, mineira e de produção de bens de consumo, em nome da modernização que esta integração europeia nos traria.
Promoveram e apoiaram a financiarização do sistema económico, entregaram os fluxos financeiros resultantes das poupanças dos cidadãos em alimento de jogos de casino e de operações de alto risco, que enriqueceram ilegitimamente gestores.
Com destaque particular para o governo de José Sócrates, os últimos anos assistiram ao consolidar de tais atitudes, de alterações fiscais gravosas para reformados e os consumidores em geral e agora promete um "retirar aos ricos para dar aos pobres" para depois das eleições. Como Jerónimo de Sousa salientou ontem, Sócrates nesse afã robinwwoodesco esquece-se do chumbo da proposta do PCP sobre a tribução das grandes fortunas.

Já tudo é campanha eleitoral com Sócrates a vitimizar-se e a sua vida privada a servir de pasto para as revistas de largo consumo popular. À campanha que o próprio designou por "negra" segue-se agora a "cor-de-rosa".
As verdadeiras causas da crise, os seus protagonistas e a mudança real de paradigmas esfumar-se-ia entre as mãos do prestidigitador.

Mas o número talvez termine mal.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Dúvida" (Doubt), de John Patrick Shanley

Não é um grande filme. Mas é um bom filme. Bem realizado e servido de duas muito boas interpretações de Philip Seymour Hoffman (Padre Flynn) e Meryl Streep (Irmã Alouise), com um desenrolar dramático simples e não muito denso. Deixará para alguns uma insatisfação nos desfechos mas a obra previne disso logo no nome "Dúvida", adaptação do livro escrito pelo próprio realizador.
O espectador é confrontado com uma situação em que cada personagem tem o seu drama mas não tira conclusões, é tão só levado a reconhecer o campo em que cada personagem se move e as dúvidas que cada um transporta. Saber se o padre no seu amor por uma criança problemática foi longe de mais ou se a dúvida expressa de forma contundente no final pela irmã tem um sentido amplo e já autocrítico é deixado à imaginação de cada um de nós.

A historia passa-se na Bronx, na época em que os negros acedem a direitos como frequentarem escolas não segregadas. E nela se opõem um padre que deseja a renovação da sua Igreja e uma freira preconceituosa, racista que mantem a disciplina escolar na base do medo. Esta sente a sua autoridade questionada na escola e conflitua com o padre para o afastar da escola e da paróquia, com base numa campanha difamatória sobre a eventual pedofilia do padre.

A não perder.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Sucesso e insucesso são igualmente desastrosos"


Tennessee Williams

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O governo de Sócrates ainda não compreendeu o alcance da crise, por Eugénio Rosa


O governo de Sócrates ainda não compreendeu nem a gravidade, nem a dimensão, nem a provável duração da crise actual. A prová-lo está o compromisso constante do PEC:2008-2011, enviado à Comissão Europeia, de já em 2010 reduzir o défice orçamental em 1.700 milhões de euros; baixar o investimento público em -14,3%; diminuir os subsídios a empresas de serviços públicos em -42,5%, o que provocará aumentos significativos de preços; e de continuar a destruir, já em 2009, emprego na Administração Pública, o que só poderá agravar o desemprego no País.
O aumento de desemprego em Portugal não se pode combater sem aumentar o investimento, pois é ele que cria emprego, e de dinamizar, de uma forma imediata, o mercado interno. De acordo com dados que o INE divulgou já em 30/01/2009, este ano o investimento das empresas deverá baixar em 8,6%, o que significa menos 2.700 milhões de euros do que em 2008. Para compensar esta redução significativa do investimento empresarial o governo, de acordo com a chamada "Iniciativa para o Investimento e Emprego" que justificou a Alteração ao OE2009, tenciona aumentar o investimento público em apenas 300 milhões de euros em 2009 com o objectivo de recuperar 100 escolas (segundo o governo, a recuperação das 100 escolas terá lugar em 2009, em 2010 e 2011). É evidente que com tão reduzido aumento do investimento público não se combate verdadeiramente o aumento do desemprego.

Melhor teria sido para o País e para os portugueses, que o governo, no lugar de apoiar a banca com 24.000 milhões €, e de utilizar 1.800 milhões de euros para anular, através da CGD, os prejuízos do BNP, tivesse reforçado significativamente o investimento público e aumentado o poder de compra dos portugueses com maiores dificuldades para suportar a actual crise (reformados, desempregados e trabalhadores com baixos salários), pois seria um medida que teria efeitos imediatos na dinamização do mercado interno tão necessário às empresas. As medidas anunciadas pelo governo para combater o desemprego, são manifestamente insuficientes. Muitas delas são medidas que já existiam, cujos efeitos no combate ao desemprego tem sido reduzidos, que foram repescadas por Sócrates e dados novos nomes para poderem passar como medidas novas, uma forma de manipulação da opinião pública.

Cartoon de Monginho

in Avante!

Pintura de Nikias Skapinakis

«Nova Carta Estratégica» em Lisboa: estratégia de quem?

Os vereadores e deputados municipais da CDU de Lisboa não participaram, na passada segunda-feira, no acto público sobre uma designadaEste documento, para os eleitos da coligação democrática, deveria ser debatido institucionalmente antes da sua apresentação pública. A CDU tornou público que António Costa assumiu assim mais uma ruptura com os bons princípios levados à prática na década de 90, quando a então coligação (PS/CDU) concretizou o Plano Estratégico», na sequência de debates e estudos.