domingo, 15 de fevereiro de 2009

A colisão de dois satélites no espaço

Apesar da aparente confusão de material artificial em órbita, ainda é muito pouco provável a colisão entre eles. Mas isso já aconteceu.
A recente colisão entre satélites espaciais , um norte-americano, o outro russo, levanta a necessidade de um acordo internacional sobre as actividades no espaço.

Muitos destes satélites são utilizados para fins militares e importa acautelar confrontos premeditados. Por outro lado, particularmente os satélites militares exigem ser alimentados por energia nuclear e a sua colisão ou desintegração provocam a poluição por partículas radioactivas destas zonas orbitais do espaço com uma perigosidade não controlada.

A família Belleli, de Degas




Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen


Filme agradável mas ao nível do fraco para o realizador.
A história cheira a mais uma viagem de americanas à procura de não sei quê na Catalunha e que se alimenta de tantos outros clichés.

Só um personagem convence assim assim, Vicky, interpretada por Rebecca Hall, por sinal a menos mediática dos actores que vestem os quatro personagens de um tetraedro amoroso. De Sacarlett Johansson seria de esperar a sensualidade forte de outros filmes que o realizador não explorou num guião que o aconselharia. Javier Barden é um bom actor mas as contradições do personagem (Juan Antonio)não se entendem. Penélope Cruz não dá consistência à personagem que poderia ser a mais complexa e interessante (Maria Elena).

Enfim, nem a vacuidade da burguesia ali representada justifica tão fraca capacidade de desenvolver os personagens a partir de clichés que se limitam a vegetar.

Depois, como se não bastasse a pouca solidez de um enredo, Woody Allen mete um narrador off a dizer o óbvio, a não introduzir qualquer mais valia.

Se é masquista ou se apenas quer ficar ligeiramente bem disposto e pouco consolado, vá ver.

A crise que nos querem esconder


Dir-se-á que há factos marginais da vida política que são suficientemente importantes para serem motivo de grandes destaques notic iosos. Não duvido que a necessidade de vender audiências e jornais tornadas indispensáveis à viabilidade dos media têm papel relevante.

Mas é bom que não nos escape que isso está a matar a possibilidade de que, na crise profunda que atravessamos, possa existir uma opinião pública com a endurance suficiente para a conhecer e a enfrentar e a dar campo ao medo, a atentados a direitos fundamentais de quem trabalha e à passividade face a medidas que mobilizem uma vasta base social de apoio à defesa dos portugueses e do país.

A economia afunda-se todos os dias e cada vez mais. Muitos milhares de trabalhadores vão para o desemprego todos os meses.

Mas em vez disso, gastam-se rios de tinta com o Freeport, BPN e BPP, a revelação e exploração de comportamentos anti-éticos, mais ou menos escabrosos ou banditescos de boa-parte daquilo a que alguns traficantes de neologismos decidiram em tempo chamar de "classe política". Mas a dança de cadeiras entre o poder político e o económico (que de facto o determina) continua. É necessário o apuramento de factos e responsabilidades por parte dos organismos do Estado a quem isso compete. Todas estas trapalhadas indicam-nos a impossibilidade prática de tal gente poder determinar os caminhos da recuperação e de como conjurar os desastres que temos à porta.

São questões graves mas também têm que deixar espaço para compreender que problemas de fundo o país enfrenta e as questões essenciais que importa mudarem. E não mudar para tudo ficar na mesma, não deixar passar como paradigmas diferentes os diferentes estados de alma, as diferentes estratégias de gabinetes de imagem, a mudança da fatiota.

PS e PSD liquidaram a actividade industrial, agrícola, pesqueira, mineira e de produção de bens de consumo, em nome da modernização que esta integração europeia nos traria.
Promoveram e apoiaram a financiarização do sistema económico, entregaram os fluxos financeiros resultantes das poupanças dos cidadãos em alimento de jogos de casino e de operações de alto risco, que enriqueceram ilegitimamente gestores.
Com destaque particular para o governo de José Sócrates, os últimos anos assistiram ao consolidar de tais atitudes, de alterações fiscais gravosas para reformados e os consumidores em geral e agora promete um "retirar aos ricos para dar aos pobres" para depois das eleições. Como Jerónimo de Sousa salientou ontem, Sócrates nesse afã robinwwoodesco esquece-se do chumbo da proposta do PCP sobre a tribução das grandes fortunas.

Já tudo é campanha eleitoral com Sócrates a vitimizar-se e a sua vida privada a servir de pasto para as revistas de largo consumo popular. À campanha que o próprio designou por "negra" segue-se agora a "cor-de-rosa".
As verdadeiras causas da crise, os seus protagonistas e a mudança real de paradigmas esfumar-se-ia entre as mãos do prestidigitador.

Mas o número talvez termine mal.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

"Dúvida" (Doubt), de John Patrick Shanley

Não é um grande filme. Mas é um bom filme. Bem realizado e servido de duas muito boas interpretações de Philip Seymour Hoffman (Padre Flynn) e Meryl Streep (Irmã Alouise), com um desenrolar dramático simples e não muito denso. Deixará para alguns uma insatisfação nos desfechos mas a obra previne disso logo no nome "Dúvida", adaptação do livro escrito pelo próprio realizador.
O espectador é confrontado com uma situação em que cada personagem tem o seu drama mas não tira conclusões, é tão só levado a reconhecer o campo em que cada personagem se move e as dúvidas que cada um transporta. Saber se o padre no seu amor por uma criança problemática foi longe de mais ou se a dúvida expressa de forma contundente no final pela irmã tem um sentido amplo e já autocrítico é deixado à imaginação de cada um de nós.

A historia passa-se na Bronx, na época em que os negros acedem a direitos como frequentarem escolas não segregadas. E nela se opõem um padre que deseja a renovação da sua Igreja e uma freira preconceituosa, racista que mantem a disciplina escolar na base do medo. Esta sente a sua autoridade questionada na escola e conflitua com o padre para o afastar da escola e da paróquia, com base numa campanha difamatória sobre a eventual pedofilia do padre.

A não perder.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Sucesso e insucesso são igualmente desastrosos"


Tennessee Williams

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O governo de Sócrates ainda não compreendeu o alcance da crise, por Eugénio Rosa


O governo de Sócrates ainda não compreendeu nem a gravidade, nem a dimensão, nem a provável duração da crise actual. A prová-lo está o compromisso constante do PEC:2008-2011, enviado à Comissão Europeia, de já em 2010 reduzir o défice orçamental em 1.700 milhões de euros; baixar o investimento público em -14,3%; diminuir os subsídios a empresas de serviços públicos em -42,5%, o que provocará aumentos significativos de preços; e de continuar a destruir, já em 2009, emprego na Administração Pública, o que só poderá agravar o desemprego no País.
O aumento de desemprego em Portugal não se pode combater sem aumentar o investimento, pois é ele que cria emprego, e de dinamizar, de uma forma imediata, o mercado interno. De acordo com dados que o INE divulgou já em 30/01/2009, este ano o investimento das empresas deverá baixar em 8,6%, o que significa menos 2.700 milhões de euros do que em 2008. Para compensar esta redução significativa do investimento empresarial o governo, de acordo com a chamada "Iniciativa para o Investimento e Emprego" que justificou a Alteração ao OE2009, tenciona aumentar o investimento público em apenas 300 milhões de euros em 2009 com o objectivo de recuperar 100 escolas (segundo o governo, a recuperação das 100 escolas terá lugar em 2009, em 2010 e 2011). É evidente que com tão reduzido aumento do investimento público não se combate verdadeiramente o aumento do desemprego.

Melhor teria sido para o País e para os portugueses, que o governo, no lugar de apoiar a banca com 24.000 milhões €, e de utilizar 1.800 milhões de euros para anular, através da CGD, os prejuízos do BNP, tivesse reforçado significativamente o investimento público e aumentado o poder de compra dos portugueses com maiores dificuldades para suportar a actual crise (reformados, desempregados e trabalhadores com baixos salários), pois seria um medida que teria efeitos imediatos na dinamização do mercado interno tão necessário às empresas. As medidas anunciadas pelo governo para combater o desemprego, são manifestamente insuficientes. Muitas delas são medidas que já existiam, cujos efeitos no combate ao desemprego tem sido reduzidos, que foram repescadas por Sócrates e dados novos nomes para poderem passar como medidas novas, uma forma de manipulação da opinião pública.

Cartoon de Monginho

in Avante!

Pintura de Nikias Skapinakis

«Nova Carta Estratégica» em Lisboa: estratégia de quem?

Os vereadores e deputados municipais da CDU de Lisboa não participaram, na passada segunda-feira, no acto público sobre uma designadaEste documento, para os eleitos da coligação democrática, deveria ser debatido institucionalmente antes da sua apresentação pública. A CDU tornou público que António Costa assumiu assim mais uma ruptura com os bons princípios levados à prática na década de 90, quando a então coligação (PS/CDU) concretizou o Plano Estratégico», na sequência de debates e estudos.

Nos 200 anos de Darwin


“O homem ainda traz na sua estrutura física
a marca indelével da sua origem primitiva”
(Darwin)

Passam, hoje 200 anos sobre o nascimento de Charles Darwin. Com ele e Lamarck a teoria da evolução ou evolucionismo ganharam progressivamente a comunidade científica e fizeram recuar o obstáculo constituído pelos dogmas da Igreja.
Num processo acidentado de grandes discussões e sofrendo muitos ataques mas onde germinavam condições diversas para vencer o absurdo das teses da Igreja, depois conhecidas por creacionismo.
Homens como ele ou Galileu tiveram um papel histórico no progresso do conhecimento científico. Com eles tombaram mitos como o de o Sol andar à volta da Terra ou o Homem ocupar um papel central e determinante na vida animal.
Dominado por doenças e experiências familiares adversas e trágicas, caberia a um grupo de amidos e discípulos como Huxley e Hooker a participação activa nessas discussões.
Receando as consequências da difusão das suas observações, hipóteses e conclusões, Darwin só viria a publicá-las a partir de 1858 dando à estampa no ano seguinte a que se tornou a sua obra mais conhecida, a Origem das Espécies.

Com uma larga formação teológica e científica, Darwin acompanhou os trabalhos de outros investigadores de vanguarda e aprofundou a sua formação e prática como naturista observando o comportamento de animais e plantas e o próprio ser humano. Teorias como a da hereditariedade de Mendel cederam-lhe bases importantes para a construção do evolucionismo e da evolução das espécies por selecção natural.

Na altura da sua morte, a Igreja fez constar que se teria reconvertido à fé em Deus. Essa era uma derradeira prática fraudulenta com que os dirigentes da Igreja procuravam rematar o prestígio definitivamente inatacável de muitos cientistas. Também no caso de Darwin não o conseguiram.
Desenvolvimentos do Darwinismo para outros campos como o social, com Malthus e Spencer viriam a ser utilizadas, mais parte pelas concepções fascistas sobre a superioridade da raça contrariando atitudes humanistas de Darwin.Essa é uma

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Gás russo: os burocratas de Bruxelas fazem jogo perigoso e põem em risco o abastecimento da população

Durão Barroso no seu papel de tigre de papel, que faz parte do seu genoma tem andado a provocar os russos em nome da importantíssima consigna “A EU não está dependente de Moscovo!”. Pois. E em nome da liberdade de comércio…
A EU fez de conta que não percebeu o papel de chantagem do presidente ucraniano, entretanto já atenuado pelo acordo entre os dois primeiros-ministros.
A Ucrânia tem uma posição que só aparentemente é ambivalente, quando de facto mantendo o projecto de adesão à NATO e fornecedora de outros fretes belicistas, quer o mesmo estatuto de preços que os parceiros da CEI. Não paga e desvia o petróleo para seu consumo que era destinado a outros países europeus.
Como a NATO desconfia que, mais dia, menos dia, a Ucrânia mudará de presidente e adoptará uma posição menos subserviente com outro presidente, não apoia o amigo Iushenko em toda a linha mas fecha os olhos à pirataria.

A Europa tem que se preocupar com o seu consumo de gás. Nos próximos dez anos, segundo a Agência Internacional da Energia, as suas necessidades de gás duplicarão e só a Rússia estará, para já, habilitada para este fornecimento. Só que a Ucrânia pode desviar o gás e vendê-lo, por exemplo, aos…EUA. A preocupação com isso tem levado os europeus a equacionar ter gasodutos próprios. Já há dez anos que dirigentes europeus pensam nisso. Assim o projecto Nabucco começou a esboçar-se mas é muito caro (dez mil milhões de euros) e de duvidoso fornecimento garantido. O gás necessário não pode ser garantido apenas com os recursos do Irão, Casaquistão, Turquemenistão e Azerbeijão. A passagem na Turquia, seria pela região curda e a instabilidade não justificaria o risco.
Na cimeira de há dias em Budapeste, o presidente azeri, Ilkham Aliev, diz que entre estes países a questão está mais que discutida e que os europeus têm que se definir.

Face a um projecto tão instável, a Rússia permite-lhes aceder a dois gasodutos: a de Nord Stream no Mar Báltico e a South Stream no Mar Negro, ambas com capacidade combinada para mais de 86 mil milhões de m3 (nos próximos dez anos as necessidades europeias serão de 105 mil milhões). E são gasodutos sem riscos, cujo abastecimento não será interrompido, é seguro e evita intermediários entre produtores e consumidores. E continuamos confrontados com a farronca do tigre de papel: é que o seu único “defeito” é…fornecer gás russo…
Putin já disse aos europeus que se definissem porque se não o fizerem os russos reorientam as suas exportações de gás para a Ásia e liquefazem o gás para o poder vender em todo o mundo.

"Quem quer ser bilionário?"

“Quem quer ser bilionário” é um filme diferente. Filmado sobre a realidade da Índia mas feito por um inglês que, seguindo modelos estéticos e cinematográficos próprios da Europa e dos EUA, lhe retira a marca de origem no cinema indiano, trata uma história inverosímil: um jovem sem formação oriundo de um bairro de lata de Bombaim entra no concurso “Quem quer ser milionário” e atinge uma grande fortuna no máximo da classificação. Como? Com uma sucessão de perguntas, a que normalmente não daria respostas, mas que são temas que ao longo de uma vida acidentada confrontou em v árias situações, memorizando nomes e factos.
Quando da penúltima pergunta vence uma rasteira do apresentador que o quis fazer perder tudo, é preso pela polícia que o leva sob a suspeita de estar a fazer batota, mas vai relatando as suas experiências ao inspector no interrogatório e o polícia convence-se da verdade das respostas que decorrem do relato da vida e das situações que as justificaram.
É também uma história de amor de três jovens fugidos de uma matança inter-étnica no bairro da lata, uma história de acção com gangs rivais ligados à prostituição, exploração da mendicidade e construção civil. Não consigo avaliar, face às grandes reacções ocorridas na Índia a este filme pela imagem distorcida que transmitiria das suas realidades, se essas reacções têm razão de ser.
Algo nos diz, porém, que estamos perante um êxito meteórico de um filme que talvez o não merecesse. Apesar de o considerar um filme razoável e de entender que é de ir ver.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Refundação da Bolívia


O nu e a natureza


A Esquerda e o Poder (4)

(conclusão)

Uma outra área que me ocorre, com outro tipo de complexidades, mas evitando repetir alguns traços anteriormente referidos, respeita à Reabilitação Urbana dos Bairros Históricos, que sendo um objectivo estratégico da CML, começou por se configurar ainda na gestão do Eng.º Krus Abecasis com a criação de dois gabinetes locais na colina do Castelo, por pressão das populações e com um papel importante de juntas de freguesia, já então de maioria comunista.

Estes instrumentos, depois alargados com a coligação de esquerda a outros bairros e reforçados, com uma Direcção Municipal própria, com instrumentos legais específicos de planeamento, com a interdisciplinaridade (engenheiros, arquitectos, fiscais, medidores orçamentistas, historiadores, assistentes sociais, etc.), obtida com a atracção de técnicos de outras unidades orgânicas, critérios técnicos próprios de intervenção em bairros que se queriam preservar bem como aos respectivos residentes, apoios próprios de planeamento e gestão urbanos e de gestão de empreitadas e com um novo estilo de relacionamento com as populações, foram essenciais no desabrochar deste processo de reabilitação urbana.

A eficácia da intervenção dos gabinetes locais e o acompanhamento permanente pelos interessados foram facilitados com a agregação de competências que permitia acompanhar cada processo, da identificação do problema até à realização da obra, própria ou a fiscalização das intervenções dos privados.
Destas e doutras coisas resultou um progresso assinalável na reabilitação do edificado isolado ou em projectos integrados, um novo peso deste investimento no orçamento municipal, nova capacidade para influenciar a criação ou melhoria de programas de apoio como o RECRIA, REHABITA, SOLARH, etc., com o crescente recurso a estes por parte do município e dos particulares, uma nova visibilidade deste tipo de reabilitação e de satisfação das populações, um reforço do papel das Juntas de Freguesia.
Mas também os anos de oposição, sem poder executivo, em que, mantendo tais características, Santana Lopes saiu derrotado, isolado, para agora regressar, apostando no esquecimento de uns e na recusa da memória por outros.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pintura de cerimónias aborígenes (Austrália)


O buraco do tamanho de meio aeroporto...

O Penim Redondo comentou esta notícia do Expresso no seu dotecome_blog com um aviso à navegação que subscrevo.

"O buraco no Banco Português de Negócios já vai em €1800 milhões. Por causa dele, a Caixa Geral de Depósitos será obrigada a aumentar de novo o capital — e apesar do dinheiro que já meteu no BPN, mais de €1400 milhões, este continua em estado de morte clínica.A intervenção do Estado está a ser, pois, muitíssimo onerosa para os contribuintes. Mas muito poucos, entre os quais me incluo, defenderam que, em vez da nacionalização, o Estado deveria ter deixado o banco falir, porque a sua situação deve-se sobretudo a uma gestão fraudulenta e não à crise mundial.Com medo do risco sistémico, o Governo entendeu nacionalizar o banco e garantir a totalidade dos depósitos. Não o deveria ter feito — e, num caso de polícia como este, os depósitos só deveriam ser garantidos até ao limite estipulado de €20 mil) e não pela totalidade.Por isso, não sei se rio se choro quando vejo todos os que aplaudiram a nacionalização virem agora dizer que ela foi feita sem ser conhecida a real dimensão do problema. Acho que choro".
Nicolau Santos, Expresso 07.02.2009

Enquanto o pessoal se entretinha com o Freeport deu-se um conto do vigário do tamanho de meio aeroporto. Com tais distracções é caso para dizer, recorrendo à linguagem aeronáutica, que "voamos baixinho" e "aterramos de papo".
F. Penim Redondo

O Lago dos Cisnes, com uma coreografia diferente...

Com um agradecimento à Gabriela pelo envio do filme.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A Esquerda e o Poder (3)

Uma experiência autárquica

Sem que isso seja encarado como receituário, suponho que interessará ao leitor, mais do que o enunciado de orientações gerais, saber o que colhi de uma experiência, que teve uma dimensão colectiva indissociável.
Importa começar por referir que o projecto autárquico dos comunistas assenta num estilo de gestão pelos eleitos das autarquias locais que é expressão dos objectivos, natureza e concepção democrática e participada de exercício do poder.

Houve garantir, a partir de opções ideológicas e políticas próprias e mesmo em regime de coligação – como foi o caso – uma coerência, que no caso concreto foi garantida quer no programa de candidatura quer na direcção efectiva das respectivas áreas, o que manteve sempre uma tensão interna, com vivas discussões sem expressão pública. Uma pedra de toque foi a questão da diferenciação das respostas privilegiando os sectores mais carenciados no ponto de vista social e urbano das barracas ou abarracados e dos bairros municipais. Outra foi a questão do planeamento e gestão urbanística, grande potencial de aproveitamento ilegítimo de recursos de privados em prejuízo da comunidade ou de operações que favorecem o compadrio, a corrupção, ou o tráfico de influências.

Começando pela área da Educação, a Carta de Equipamentos Educativos da cidade, anexa ao PDM, foi elaborada com consultas muito diversificadas de maneira a garantir um consenso sobre um planeamento democrático que deveria vigorar até 2011, atendendo às necessidades de substituição de escolas inadequadas, de construção de novas escolas em zonas da cidade onde o reordenamento urbano iria ter novos afluxos de população, garantindo terrenos municipais que ficavam comprometidos para este efeito.
Muitas foram as novas escolas e jardins de infância da rede pública foram então construídas.

Os planos de actividade resultaram duma permanente auscultação das escolas, pais e juntas de freguesia, feita no decurso de visitas do vereador e técnicos e eram apresentados no início do ano lectivo em plenário de escolas e de outros organismos que connosco cooperavam. Os apoios da Acção Social Escolar foram crescentes mas universais.
A estrutura municipal apetrechou-se de técnicos e recursos para as diferentes valências com o objectivo de agilizar respostas e ter sempre os utentes em diálogo, evitando a submersão dos interlocutores na “máquina municipal”. Os técnicos passaram a ser mais solicitados e a sentir a responsabilidade directa de melhorar as respostas mas também de discutir com os outros parceiros no processo educativo as prioridades, os problemas ou a negociar soluções práticas com a intervenção de todos. E esses parceiros passaram a estar progressivamente dentro das questões, sem “segredos”.
O nível de resposta aumentou, a compreensão geral sobre as necessidades e possibilidades também. E isso aumentou a capacidade reivindicativa dos utentes. Natural e desejavelmente. Só assim não reage quem defronta organismos cegos, surdos e mudos que não dão respostas. Ao que se conquista, na situação particularmente carente do ensino primário, segue-se o desejo de novas conquistas.
Compreender isto e agir em conformidade é uma obrigação da esquerda.

A atitude foi sempre a de encontrar as soluções práticas com os outros parceiros, não os desresponsabilizando de ter um papel activo e procurando que o seu papel próprio se consolidasse e o seu protagonismo se projectasse para fora da própria escola.
Não foi por acaso que, em cooperação com outras autarquias da Área Metropolitana de Lisboa, se tenha formado uma frente comum, independentemente das respectivas maiorias políticas, de reivindicação e proposta face à DREL e ao Ministério da Educação. Assim se criaram as condições para significativo aumento da rede pública do pré-escolar, de contrapartidas para novas intervenções (cantinas, auxiliares de acção educativa, apoio à reabilitação de escolas, etc.) e se projectou a importância da área da Educação quer em cada município como na Associação Nacional dos Municípios Portugueses mas também na opinião pública. Ou que se atenuaram as contradições entre pais e escolas/professores ou entre Câmara e Juntas de Freguesia. Pela boa identificação das responsabilidades que cabe a cada nível do poder, pela não-aceitação de divisões infundadas, nem as “arregimentar” das aspirações de cada um contra as autarquias enquanto as estruturas do Ministério iam sacudindo águas do capote…(continua)

Vox populi





"Ó Santos Silva, malha neles, malha, que depois malho-te eu, ó magano"

Os seguidores de Mr. Lefebvre e o Concílio Vaticano II...

Ouçam esta, hoje mesmo dita pela boca fora do padre Floriano Abrahamowicz, chefe dos lefebvrianos do noroeste de Itália ao Canale Italia:


"O Concílio Vaticano II foi pior que uma heresia, porque pegou em parte da verdade e fê-la absoluta, negando o resto. Nesse contexto, digo que foi uma cloaca"...

Esta declaração mal-cheirosa foi feita por mais um dos membros da seita lefebvriana, de que há dias um bispo negou o holocausto e os crimes das câmaras de gás.

O "apagão" do grande ilusionista...


Convite para uma reflexão e debate


A propósito da Florida e do sonho americano a passar um mau bocado, pelo F. Sousa Marques

Caros amigos,

Recebi um comentário de um dos leitores das minhas Obama News e não resisto a enviar-vos um comentário "amargo" que acabei por desabafar.
É que, para além do frio (mesmo dentro de casa), falta ar puro para respirar.
O ar de que falo é o que alimenta o cérebro e o espírito, o que nos torna mais atentos e vigilantes, o que nos ajuda a despertar consciências e a fazer falar os que, silenciosamente, se limitam a assistir ao andar dos tempos...

Escreveu o meu amigo...
A Florida não conheço, mas imagino que seja uma zona temperada, pouco dada a excessos de invernia...Será?

Ao que respondi...
É verdade!No verão, clima tropical, temperaturas acima dos 30 a 35º C e humidade acima dos 80%. Chuvas tropicais. Furacões.No inverno, clima "primaveril", temperaturas a rondar os 20 a 25º, sol, época alta para quem foge do frio do norte... A época do turismo...

Mas este inverno tem sido "a doer". Principalmente para os sem-abrigo que são enviados ou caminham para sul (Florida, Texas, New Mexico, Arizona). Para os que estão desempregados e não têm dinheiro para se aquecer. Para a população mais idosa que, depois da reforma, se deslocam para aqui (porque a vida é um pouco mais barata e mais cómoda). Para os veteranos das guerras, muitos deles com doenças mentais (tem aumentado, assustadoramente, o número de suicídios nas forças armadas), e que, principalmente no caso dos veteranos da guerra do Vietnam, têm sido abandonados pelos sucessivos desgovernos. Para os restaurantes que fecham "em cadeia", os negócios que vão à falência, as empresas que anunciam preços cada vez mais baixos para produtos que cada vez menos são capazes de vender, os proprietários que abandonam as casas compradas por não conseguirem pagar os empréstimos.

Enfim... o "sonho americano", a "american way of life", estão a passar por um mau bocado. Que era previsível para quem acompanhava a evolução da economia global e do beco sem saída em que o ultraliberalismo se meteu e nos meteu a todos. E a "crise" (a verdadeira, mais profunda) ainda está aí para chegar!O que vale é que os media estão entretidos com o mau tempo. A superbowl 2009 foi inesquecível. O Liedson vai continuar no Sporting e vai ajudar o Deco a marcar uns golos na selecção nacional. O caso Freeport é a coisa mais importante que se passa na Europa. Na China impera uma democracia. Israel e Palestina continuam o calvário...

Mas, fundamentalmente, hoje é sexta-feira, está a começar o fim-de-semana...Recorda-se do poema "Porque amanhã é sábado"? Com Vinicius e um copo de whisky a acompanhar.
E a febre de sábado à noite a despertar...

Um abraço,
Fernando

PS: Não leve a mal a minha amargura. Mas o bicho homem está a precisar de uma reciclagem...

Frase de fim-de-semana, por Jorge



“São os que pouco sabem, e não os que sabem muito, que mais categóricos são ao dizerem que este ou aquele problema nunca será resolvido pela ciência”

Charles Darwin

Calvin & Hobbes, publicada há... 15 anos

Hoje com actualidade no que à indùstria automóvel e à banca diz respeito.

122 jornalistas despedidos no DN e JN


O despedimenento de 122 jornalistas do DN e do JN, que inclui boa parte dos melhores jornalistas de ambos os jornais, depois do recrutamento de jovens profissionais menos defendidos para o condicionamento da sua isenção jornalística, é uma pedrada na liberdade de informar.

Tanto mais que tal medida é tomada a pouco tempo de se iniciar mais um ciclo eleitoral neste ano de 2009.

A que está hoje reuzida a liberdade do jornalista?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pintura de Brueghel



O que acontece quando do impacto de uma pedra na água?


Os investigadores das Universidades de Twente, na Holanda, e de Sevilha, em Espanha, descreveram a formação e comportamento do jacto de água muito rápido que se forma quando um objecto atinge a superfície da água.
Observaram exactamente o que acontecia com uma câmara super-rápida e fizeram uma simulação do processo em computador. Isso mostrou como o jacto é forçado para cima, camada por camada, por meio da pressão da água circundante. A simulação corresponde de perto às observações. Também desenvolveram um modelo teórico baseado nisso que explica a extrema velocidade do jacto de água. Estes resultados não são apenas de importância académica, porque a jactos do impacto de um objecto a cair num líquido são ocorrências frequentes na natureza e na indústria.
Se alguém deitar uma pedra num lago, projecta-se para cima um jacto de água.

Contudo, a dinâmica subjacente a este rico e complexo sistema só foi revelado usando uma câmara de alta velocidade. Esta última mostra como o movimento descendente do objecto se converte no movimento ascendente do jacto. Forma-se uma cavidade atrás do objecto durante o impacto sobre a superfície da água. Esta caixa é então comprimida pela pressão hidrostática, o que leva à formação do jacto.
Nas suas experiências, alguns destes investigadores demonstraram como a parede da cavidade força o jacto para cima, tal como dentífrico que é espremido para fora de um tubo, mas muitas vezes mais rápido, claro.
Ao mesmo também se cria um jacto que é forçado para baixo, que se afunda no líquido, . Este segundo jacto não é visível à superfície. Para analisar a dinâmica do impacto de uma maneira muito controlada, os investigadores desenharam um disco circular na superfície da água utilizando um motor linear com uma velocidade constante. Em seguida utilizaram uma câmara de alta velocidade para tirar fotos com uma velocidade até 30.000 frames por segundo. A formação e a constrição da cavidade e a formação do jacto pôde então ser seguido com detalhe. Uma simulação computorizada do processo - que corresponde muito de perto à experiência - permitiu que os investigadores estudassem o perfil do fluxo. O jacto é forçado para cima, camada por camada, pela implosão da parede. Os investigadores desenvolveram então um modelo teórico para explicar a enorme velocidade do jacto de água com base nessa observação.

A Esquerda e o Poder (2)



A esquerda e o poder? Claro que sim…

As opiniões que avanço sobre as questões colocadas têm, naturalmente, em linha de conta que não há uma esquerda e, quando muito, existirão várias, o que necessariamente implica visões e práticas diferentes.
O exercício do poder e a relação com o ser-se de esquerda ocorre também noutras instâncias que não apenas nos órgãos de poder político. Exerce-se nos partidos, nas associações e noutras situações, por eleição dos membros que os constituem, com mandato outorgado, de forma mais ou menos explícita e por um determinado período. Para já não falar nas empresas e outros organismos públicos. Também nestas circunstâncias não é indiferente ser-se ou não “de esquerda” quer pelo programa de acção adoptado quer pelo estilo do desempenho.
Por isso mesmo, face a práticas concretas, contraditórias com a reclamação “de esquerda”, muitos dirão que “eles são todos iguais” ou, para outros supostamente mais nutridos intelectualmente, “já não há diferenças entre direita e esquerda”, generalizando – até por conveniência auto-justificativa de comportamentos próprios – o que não é generalizável.

Traços distintivos “de esquerda”

Ao contrário do que alguns trinados nos sugerem, existem traços distintivos de direita e esquerda.
Sem pretensões a ser exaustivo, e desde logo, ao nível dos ideais e paradigmas. Da não identificação das utopias com “fantasias de juventude”. Da percepção da realidade de um perspectiva que pressupõe uma adesão aos interesses de uma ou várias classes mas não de todas porque são entre si contraditórios. Do papel primordial que enformam a perspectiva de que o homem e as suas condições de vida ocupam como centro da actividade económica. Das opções relativas ao destino e redistribuição da riqueza produzida e da assimetria de rendimentos. Da garantia do trabalho e da remuneração progressivamente mais justa. Da aceitação ou não de serem o trabalho e a actividade económica e não a financiarização e a actividade especulativa as bases sólidas do desenvolvimento. Da relação não exclusiva entre desenvolvimento e crescimento económico. Da relação entre os direitos da comunidade ou dos trabalhadores com o direito de propriedade e dos limites deste particularmente nos casos de conflito de interesses. Da aceitação ou não que a concentração e centralização do capital afectem, pelas regras que imponham ao mercado, a extensão da malha empresarial e o direito ao trabalho. Da existência de vertentes sociais e culturais da democracia para além das vertentes políticas e económicas. De que a democracia representativa não esgota a democracia política, que inclui também a democracia participativa, de forma permanente, mais ou menos organizada, e a democracia directa, ambas de importância crescente na actualidade quando os mandatos da democracia representativa são, em geral, cada vez mais afastados das promessas, do rigor e da honestidade. De não condicionar a liberdade de criação e fruição artísticas pela “sustentabilidade” imposta pelos interesses privados e não pelo interesse público de garantir direitos culturais. Do não beneficiar do exercício das funções públicas para fins pessoais quer ao nível da incompatibilidade de interesses, quer ao nível remuneratório e de novos direitos e regalias. De encarar a autoridade como algo em relação ao qual se procura a aceitação consentida, pela justeza das medidas e pelo comportamento de quem dirige e não por assumir carácter coercivo. De estar atento e impedir derivas securitárias, abusos de poder, distorces ao equilíbrio e interdependência dos órgãos de poder. De aceitar, como natural, que, sem perda da autoridade, cada um pode contribuir para melhorar o conteúdo de uma decisão ou assumir, com naturalidade, uma capacidade crítica e autocrítica, reconhecer e explicitar os erros e dispor-se a contribuir para os ultrapassar. De recusar o show-off, o teleponto, os olhares de vivacidade anémica, a pose, em benefício da verdade, dos olhos-nos-olhos, da convicção que resulta naturalmente, e sem necessidade de muletas, da opção de falar verdade. Do respeito pelo trabalho colectivo ou do de muitos que estão por detrás dos falsos "desarrincanços" de virtude e origem pessoais. Da aceitação natural que o toque inovador de cada um, em geral, só é útil se prosseguir muita coisa boa que vem de trás e do trabalho dos que nos antecederam. Da apresentação clara e não manipulada de resultados, muitas vezes descontextualizados, sem comparabilidades retrospectivas honestamente fundadas.

Se me estendi neste enunciado, fi-lo com o propósito de evidenciar que o ser de esquerda, mais do que a reclamação de tal estado, é um complexo de respeitos por todas essas referências e mais algumas que se poderiam aqui enunciar. Não por serem secundárias ou para cumprir “assim, assim” mas num permanente esforço de coerência. (continua)

Dívidas aos trabalhadores ultrapassam 191 milhões


Milhares estão a lutar pelo pagamento dos seus créditos, após o encerramento ou a falência das empresas. Chegam a esperar 20 anos pelos créditos em dívida (…) As dívidas aos trabalhadores abrangidos por encerramentos e falências de empresas ascendiam, no final de Dezembro, a mais de 191 milhões de euros, afectando mais de 20 mil trabalhadores e envolvendo 714 empresas (Leonor Matias, no DN de hoje)
Ver artigo completo em
http://www.dn.sapo.pt/2009/02/05/economia/dividas_trabalhadores_ultrapassam_mi.html

Cartoon de Monginho

in Avante!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tom Jobim e Elis Regina sempre

Pintura de Goya



Ministro Israelita quer matar o Primeiro-Ministro palestiniano

O ministro israelita da Habitação, Zeev Boim, ameaçou publicamente esta quarta-feira assassinar Ismail Haniyeh, primeiro-ministro do movimento de resistência islâmico palestiniano Hamas, no poder em Gaza desde Junho de 2007. «A próxima etapa das nossas operações deve ser a eliminação do terrorista Haniyeh», afirmou Boim à rádio militar israelita... (diário digital, hoje).
Sem comentários...

O homem mais rico de Portugal despede...

Causou impacto na Feira, capital mundial da cortiça, e no país que a Amorim Cork Composites vá despedir 118 trabalhadores e que na mesma rua, as fábricas de rolhas daquele grupo empresarial vão despedir outros 75 trabalhadores. No conjunto são 193 os trabalhadores despedidos. A líder mundial do negócio da cortiça, que pertence ao homem mais rico de Portugal, garante que está a ser afectada pela crise que grassa por esse mundo fora…

Pergunta-se:

Que empresa é que não está a ser afectada? Quem tem de pagar por isso? Quando Amorim se tornou o homem mais rico do país, os trabalhadores que lho permitiram tornaram-se os mais bem pagos do país? Será que o risco do empresário representa mais que o trabalho para a acumulação das mais valias? E que risco é esse que quando os resultados são positivos é Amorim que os colhe e quando são negativos, partilha-os com os trabalhadores? E essa partilha é proporcional quando um fica sem uns milhões que amanhã pode recuperar em bolsa e os outros ficam sem trabalho com as bolsas de trabalho vazias? Qual a alteração dos hábitos alimentares de Amorim comparada com a fome que vai grassar em Mozelos e em Sta. Maria da Feira? Quando um senhor do PSD, de nome Relvas, nos diz na SIC-Notícias, que é inovador que Amorim “só” despeça um membro do casal quando os dois lá trabalham, que deu no homem? E que é ele que faz os investimentos quando sabemos que é ao banco que o vai buscar? Que expectativas têm os senhores Relvas deste país em relação a empresários como Amorim para defenderem aberração tamanha?
Não individualizemos o caso, que só o foi por se tratar do homem mais rico de Portugal. Se tirarmos empresários que sentem o seu trabalho como um investimento económico e socialmente útil - que os há - mas que também estão a ser afectados pela quebra das subcontratações dos grandes grupos, a generalidade dos grandes patrões e de alguns dos outros o que estão a fazer é aproveitar-se da crise para despedimentos ilegais, para aproveitarem o argumento da crise para ainda levarem mais longe a crise social, como ontem denunciou a CGTP.

A história do nosso país é fértil neste tipo de comportamentos mas isso permitiu nela identificar melhor os que aqui se enraízam e querem unir esforços para defender o país mas também os que dele vivem. Quer empresários quer os políticos que os representam no aparelho do Estado. E que, na onda das mesmas referências éticas, se envolvem nas mais diversas "trapalhadas" - nome simpático com que são tratados crimes económicos com a corrupção ou o tráfico de influências.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os EUA criticados em Davos

O Fórum de Davos não levou a lado nenhum mas nele foram apontados dedos aos responsáveis pela crise financeira e económica internacional. Não terá sido por acaso que a administração de Obama e os mais altos responsáveis da Wall Street não se fizeram representar.

O Wall Street Journal, na edição de 29 de Janeiro fez ênfase particular em que a Rússia e da China tinham criticado o sistema económico norte-americano, e identificando-o como o responsável pela crise económica.
Implicitamente, mas não nomeando os EUA, o dirigente chinês Wen Jiabao disse que a crise financeira se deveu a políticas macroeconómicas inadequadas de algumas economias e ao modelo insustentável de desenvolvimento caracterizado pela prolongada baixa poupança e alto consumo e excessiva expansão das instituições financeiras em busca cega do lucro.
Putin, em contrapartida, criticou com vivacidade o mundo unipolar, dizendo que é perigoso assentar no dólar, e apelando para o desenvolvimento de múltiplas, moedas de reserva regionais, para além dele. Também ridicularizou os empresários norte-americanos que, no ano passado, referiam que a economia da América estava forte e eram boas as perspectivas futuras. Putin, referiu mesmo que nos bancos de investimento de Wall Street o orgulho praticamente deixou de existir para ainda referir que o sistema de crescimento económico, em que um centro regional imprime dinheiro sem tréguas e consome riqueza material, enquanto outros centros regionais fabricam produtos barato tem sofrido um grande revés.

A esquerda e o poder (1)


Prevenindo
que não contribuo para alguns peditórios …

Há dias fui convidado para colaborar num painel do Le Monde Diplomatique sobre “A Esquerda e o Poder”. Do convite tive o entendimento, que esperava que fosse comum ao dos outros intervenientes, que não se trataria de dar para o peditório que se vai arrastando penosamente das agregações, reorganizações e reconfigurações das várias componentes da esquerda, para se travestirem de “coisas” que permitissem o acesso ao poder…Já não tenho paciência para tais conversas, não por idade mas por experiência política. Não vejo grandes problemas à esquerda do PS a não ser que alguém ande a necessitar de afagar o ego e de se pôr em bicos de pés para engordar ou fazer filhos em casa alheia. Vejo problemas, isso sim, no PS que, em virtude da política que realiza e do comportamento ético de quem senta à sua mesa, terá quem já deve estar a encomendar a alma ao criador, que não estará muito virado para conceder ao seu partido a reencarnação, tanto mais imerecida quanto é certo que, há várias dezenas de anos, nem para convergências quanto mais para entendimentos, se dispôs, antes preferindo, mesmo com maiorias relativas, insistir burocrática, enfadonha e displicentemente, em governar sozinho, subsidiário de um refinado sentido de classe clientelar.
Não me parece ajuizado insistir em convites para uma dança por parecem ser para pisar calos alheios e desculpabilizar o PS, resumindo o bailarico ao papel de “pressão de esquerda” ao PS, como o comprova a obscuridade dos objectivos políticos a curto e médio prazo de alguns. Hão-de convir os leitores que três décadas destes peditórios os tornaram insuportáveis, pedindo tolerância que vos foi creditada nesta quadra festiva que acaba de passar, para me absolverem porque esta crítica à política direita do PS não é litigância de má fé… (continua)

A ascensão da extrema-direita em Israel é preocupante...


““A ascensão da extrema-direita em Israel é preocupante. A maioria já não acredita na paz e o ódio racista está a ser legitimado” (Tom Segev, Publico, 03/02/09)