quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O que acontece quando do impacto de uma pedra na água?


Os investigadores das Universidades de Twente, na Holanda, e de Sevilha, em Espanha, descreveram a formação e comportamento do jacto de água muito rápido que se forma quando um objecto atinge a superfície da água.
Observaram exactamente o que acontecia com uma câmara super-rápida e fizeram uma simulação do processo em computador. Isso mostrou como o jacto é forçado para cima, camada por camada, por meio da pressão da água circundante. A simulação corresponde de perto às observações. Também desenvolveram um modelo teórico baseado nisso que explica a extrema velocidade do jacto de água. Estes resultados não são apenas de importância académica, porque a jactos do impacto de um objecto a cair num líquido são ocorrências frequentes na natureza e na indústria.
Se alguém deitar uma pedra num lago, projecta-se para cima um jacto de água.

Contudo, a dinâmica subjacente a este rico e complexo sistema só foi revelado usando uma câmara de alta velocidade. Esta última mostra como o movimento descendente do objecto se converte no movimento ascendente do jacto. Forma-se uma cavidade atrás do objecto durante o impacto sobre a superfície da água. Esta caixa é então comprimida pela pressão hidrostática, o que leva à formação do jacto.
Nas suas experiências, alguns destes investigadores demonstraram como a parede da cavidade força o jacto para cima, tal como dentífrico que é espremido para fora de um tubo, mas muitas vezes mais rápido, claro.
Ao mesmo também se cria um jacto que é forçado para baixo, que se afunda no líquido, . Este segundo jacto não é visível à superfície. Para analisar a dinâmica do impacto de uma maneira muito controlada, os investigadores desenharam um disco circular na superfície da água utilizando um motor linear com uma velocidade constante. Em seguida utilizaram uma câmara de alta velocidade para tirar fotos com uma velocidade até 30.000 frames por segundo. A formação e a constrição da cavidade e a formação do jacto pôde então ser seguido com detalhe. Uma simulação computorizada do processo - que corresponde muito de perto à experiência - permitiu que os investigadores estudassem o perfil do fluxo. O jacto é forçado para cima, camada por camada, pela implosão da parede. Os investigadores desenvolveram então um modelo teórico para explicar a enorme velocidade do jacto de água com base nessa observação.

A Esquerda e o Poder (2)



A esquerda e o poder? Claro que sim…

As opiniões que avanço sobre as questões colocadas têm, naturalmente, em linha de conta que não há uma esquerda e, quando muito, existirão várias, o que necessariamente implica visões e práticas diferentes.
O exercício do poder e a relação com o ser-se de esquerda ocorre também noutras instâncias que não apenas nos órgãos de poder político. Exerce-se nos partidos, nas associações e noutras situações, por eleição dos membros que os constituem, com mandato outorgado, de forma mais ou menos explícita e por um determinado período. Para já não falar nas empresas e outros organismos públicos. Também nestas circunstâncias não é indiferente ser-se ou não “de esquerda” quer pelo programa de acção adoptado quer pelo estilo do desempenho.
Por isso mesmo, face a práticas concretas, contraditórias com a reclamação “de esquerda”, muitos dirão que “eles são todos iguais” ou, para outros supostamente mais nutridos intelectualmente, “já não há diferenças entre direita e esquerda”, generalizando – até por conveniência auto-justificativa de comportamentos próprios – o que não é generalizável.

Traços distintivos “de esquerda”

Ao contrário do que alguns trinados nos sugerem, existem traços distintivos de direita e esquerda.
Sem pretensões a ser exaustivo, e desde logo, ao nível dos ideais e paradigmas. Da não identificação das utopias com “fantasias de juventude”. Da percepção da realidade de um perspectiva que pressupõe uma adesão aos interesses de uma ou várias classes mas não de todas porque são entre si contraditórios. Do papel primordial que enformam a perspectiva de que o homem e as suas condições de vida ocupam como centro da actividade económica. Das opções relativas ao destino e redistribuição da riqueza produzida e da assimetria de rendimentos. Da garantia do trabalho e da remuneração progressivamente mais justa. Da aceitação ou não de serem o trabalho e a actividade económica e não a financiarização e a actividade especulativa as bases sólidas do desenvolvimento. Da relação não exclusiva entre desenvolvimento e crescimento económico. Da relação entre os direitos da comunidade ou dos trabalhadores com o direito de propriedade e dos limites deste particularmente nos casos de conflito de interesses. Da aceitação ou não que a concentração e centralização do capital afectem, pelas regras que imponham ao mercado, a extensão da malha empresarial e o direito ao trabalho. Da existência de vertentes sociais e culturais da democracia para além das vertentes políticas e económicas. De que a democracia representativa não esgota a democracia política, que inclui também a democracia participativa, de forma permanente, mais ou menos organizada, e a democracia directa, ambas de importância crescente na actualidade quando os mandatos da democracia representativa são, em geral, cada vez mais afastados das promessas, do rigor e da honestidade. De não condicionar a liberdade de criação e fruição artísticas pela “sustentabilidade” imposta pelos interesses privados e não pelo interesse público de garantir direitos culturais. Do não beneficiar do exercício das funções públicas para fins pessoais quer ao nível da incompatibilidade de interesses, quer ao nível remuneratório e de novos direitos e regalias. De encarar a autoridade como algo em relação ao qual se procura a aceitação consentida, pela justeza das medidas e pelo comportamento de quem dirige e não por assumir carácter coercivo. De estar atento e impedir derivas securitárias, abusos de poder, distorces ao equilíbrio e interdependência dos órgãos de poder. De aceitar, como natural, que, sem perda da autoridade, cada um pode contribuir para melhorar o conteúdo de uma decisão ou assumir, com naturalidade, uma capacidade crítica e autocrítica, reconhecer e explicitar os erros e dispor-se a contribuir para os ultrapassar. De recusar o show-off, o teleponto, os olhares de vivacidade anémica, a pose, em benefício da verdade, dos olhos-nos-olhos, da convicção que resulta naturalmente, e sem necessidade de muletas, da opção de falar verdade. Do respeito pelo trabalho colectivo ou do de muitos que estão por detrás dos falsos "desarrincanços" de virtude e origem pessoais. Da aceitação natural que o toque inovador de cada um, em geral, só é útil se prosseguir muita coisa boa que vem de trás e do trabalho dos que nos antecederam. Da apresentação clara e não manipulada de resultados, muitas vezes descontextualizados, sem comparabilidades retrospectivas honestamente fundadas.

Se me estendi neste enunciado, fi-lo com o propósito de evidenciar que o ser de esquerda, mais do que a reclamação de tal estado, é um complexo de respeitos por todas essas referências e mais algumas que se poderiam aqui enunciar. Não por serem secundárias ou para cumprir “assim, assim” mas num permanente esforço de coerência. (continua)

Dívidas aos trabalhadores ultrapassam 191 milhões


Milhares estão a lutar pelo pagamento dos seus créditos, após o encerramento ou a falência das empresas. Chegam a esperar 20 anos pelos créditos em dívida (…) As dívidas aos trabalhadores abrangidos por encerramentos e falências de empresas ascendiam, no final de Dezembro, a mais de 191 milhões de euros, afectando mais de 20 mil trabalhadores e envolvendo 714 empresas (Leonor Matias, no DN de hoje)
Ver artigo completo em
http://www.dn.sapo.pt/2009/02/05/economia/dividas_trabalhadores_ultrapassam_mi.html

Cartoon de Monginho

in Avante!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Tom Jobim e Elis Regina sempre

Pintura de Goya



Ministro Israelita quer matar o Primeiro-Ministro palestiniano

O ministro israelita da Habitação, Zeev Boim, ameaçou publicamente esta quarta-feira assassinar Ismail Haniyeh, primeiro-ministro do movimento de resistência islâmico palestiniano Hamas, no poder em Gaza desde Junho de 2007. «A próxima etapa das nossas operações deve ser a eliminação do terrorista Haniyeh», afirmou Boim à rádio militar israelita... (diário digital, hoje).
Sem comentários...

O homem mais rico de Portugal despede...

Causou impacto na Feira, capital mundial da cortiça, e no país que a Amorim Cork Composites vá despedir 118 trabalhadores e que na mesma rua, as fábricas de rolhas daquele grupo empresarial vão despedir outros 75 trabalhadores. No conjunto são 193 os trabalhadores despedidos. A líder mundial do negócio da cortiça, que pertence ao homem mais rico de Portugal, garante que está a ser afectada pela crise que grassa por esse mundo fora…

Pergunta-se:

Que empresa é que não está a ser afectada? Quem tem de pagar por isso? Quando Amorim se tornou o homem mais rico do país, os trabalhadores que lho permitiram tornaram-se os mais bem pagos do país? Será que o risco do empresário representa mais que o trabalho para a acumulação das mais valias? E que risco é esse que quando os resultados são positivos é Amorim que os colhe e quando são negativos, partilha-os com os trabalhadores? E essa partilha é proporcional quando um fica sem uns milhões que amanhã pode recuperar em bolsa e os outros ficam sem trabalho com as bolsas de trabalho vazias? Qual a alteração dos hábitos alimentares de Amorim comparada com a fome que vai grassar em Mozelos e em Sta. Maria da Feira? Quando um senhor do PSD, de nome Relvas, nos diz na SIC-Notícias, que é inovador que Amorim “só” despeça um membro do casal quando os dois lá trabalham, que deu no homem? E que é ele que faz os investimentos quando sabemos que é ao banco que o vai buscar? Que expectativas têm os senhores Relvas deste país em relação a empresários como Amorim para defenderem aberração tamanha?
Não individualizemos o caso, que só o foi por se tratar do homem mais rico de Portugal. Se tirarmos empresários que sentem o seu trabalho como um investimento económico e socialmente útil - que os há - mas que também estão a ser afectados pela quebra das subcontratações dos grandes grupos, a generalidade dos grandes patrões e de alguns dos outros o que estão a fazer é aproveitar-se da crise para despedimentos ilegais, para aproveitarem o argumento da crise para ainda levarem mais longe a crise social, como ontem denunciou a CGTP.

A história do nosso país é fértil neste tipo de comportamentos mas isso permitiu nela identificar melhor os que aqui se enraízam e querem unir esforços para defender o país mas também os que dele vivem. Quer empresários quer os políticos que os representam no aparelho do Estado. E que, na onda das mesmas referências éticas, se envolvem nas mais diversas "trapalhadas" - nome simpático com que são tratados crimes económicos com a corrupção ou o tráfico de influências.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os EUA criticados em Davos

O Fórum de Davos não levou a lado nenhum mas nele foram apontados dedos aos responsáveis pela crise financeira e económica internacional. Não terá sido por acaso que a administração de Obama e os mais altos responsáveis da Wall Street não se fizeram representar.

O Wall Street Journal, na edição de 29 de Janeiro fez ênfase particular em que a Rússia e da China tinham criticado o sistema económico norte-americano, e identificando-o como o responsável pela crise económica.
Implicitamente, mas não nomeando os EUA, o dirigente chinês Wen Jiabao disse que a crise financeira se deveu a políticas macroeconómicas inadequadas de algumas economias e ao modelo insustentável de desenvolvimento caracterizado pela prolongada baixa poupança e alto consumo e excessiva expansão das instituições financeiras em busca cega do lucro.
Putin, em contrapartida, criticou com vivacidade o mundo unipolar, dizendo que é perigoso assentar no dólar, e apelando para o desenvolvimento de múltiplas, moedas de reserva regionais, para além dele. Também ridicularizou os empresários norte-americanos que, no ano passado, referiam que a economia da América estava forte e eram boas as perspectivas futuras. Putin, referiu mesmo que nos bancos de investimento de Wall Street o orgulho praticamente deixou de existir para ainda referir que o sistema de crescimento económico, em que um centro regional imprime dinheiro sem tréguas e consome riqueza material, enquanto outros centros regionais fabricam produtos barato tem sofrido um grande revés.

A esquerda e o poder (1)


Prevenindo
que não contribuo para alguns peditórios …

Há dias fui convidado para colaborar num painel do Le Monde Diplomatique sobre “A Esquerda e o Poder”. Do convite tive o entendimento, que esperava que fosse comum ao dos outros intervenientes, que não se trataria de dar para o peditório que se vai arrastando penosamente das agregações, reorganizações e reconfigurações das várias componentes da esquerda, para se travestirem de “coisas” que permitissem o acesso ao poder…Já não tenho paciência para tais conversas, não por idade mas por experiência política. Não vejo grandes problemas à esquerda do PS a não ser que alguém ande a necessitar de afagar o ego e de se pôr em bicos de pés para engordar ou fazer filhos em casa alheia. Vejo problemas, isso sim, no PS que, em virtude da política que realiza e do comportamento ético de quem senta à sua mesa, terá quem já deve estar a encomendar a alma ao criador, que não estará muito virado para conceder ao seu partido a reencarnação, tanto mais imerecida quanto é certo que, há várias dezenas de anos, nem para convergências quanto mais para entendimentos, se dispôs, antes preferindo, mesmo com maiorias relativas, insistir burocrática, enfadonha e displicentemente, em governar sozinho, subsidiário de um refinado sentido de classe clientelar.
Não me parece ajuizado insistir em convites para uma dança por parecem ser para pisar calos alheios e desculpabilizar o PS, resumindo o bailarico ao papel de “pressão de esquerda” ao PS, como o comprova a obscuridade dos objectivos políticos a curto e médio prazo de alguns. Hão-de convir os leitores que três décadas destes peditórios os tornaram insuportáveis, pedindo tolerância que vos foi creditada nesta quadra festiva que acaba de passar, para me absolverem porque esta crítica à política direita do PS não é litigância de má fé… (continua)

A ascensão da extrema-direita em Israel é preocupante...


““A ascensão da extrema-direita em Israel é preocupante. A maioria já não acredita na paz e o ódio racista está a ser legitimado” (Tom Segev, Publico, 03/02/09)

A AR com o passo trocado

Debate com o Primeiro-Ministro, que respondeu a perguntas formuladas pelos Deputados

"Sr. Presidente,
Talvez dirigindo-me mais a si do que ao Sr. Primeiro-Ministro, ao fim de uma hora de debate fico com uma sensação contraditória, estranha: Portugal é um país a pulsar com uma crise imensa, com dramas sociais, numa situação profundamente inquietante, e a Assembleia da República discute generalidades, olha para o «umbigo», particularmente o Governo. Não quero dizer mais nada do que isto, mas penso que esta Assembleia tem o passo trocado com a realidade nacional (...)".

Estado e empresas devem assumir responsabilidades sociais acrescidas

“A minha preocupação como cidadão é grande. Em situações de crise as responsabilidades sociais são acrescidas e não é só o Estado, são também as empresas. A justiça e equidade exigem que todos assumam as suas responsabilidades. Para todos há uma exigência redobrada» (Guilherme de Oliveira Martins, hoje, à saída da AR).

Mais de 7 mil despedimentos em Janeiro e CGTP denuncia redução ilegal de postos de trabalho em 97 empresas

Os dados oficiais deram ontem conta de mais de 7 mil despedimentos só no mês de Janeiro.
A CGTP foi mais longe e, pela voz do seu secretário-geral apresentou o seguinte relatório:

“A CGTP acompanhou de perto, no mês de Janeiro, a situação social de 437 empresas do país, muitas delas com despedimento ilegais, aproveitando o argumento da crise. Esta segunda-feira, a CGTP divulga irregularidades detectadas nas empresas.
A CGTP apresenta, esta segunda-feira, os resultados detalhados de uma análise da situação de 437 empresas em Portugal.
A análise esteve na base da declaração de segunda-feira da Central Sindical de que havia aproveitamento do argumento da crise por parte de algumas empresas para fazer despedimentos ilegais.
De acordo com a lista de dados da CGTP, a que a TSF teve acesso, pelo menos 97 empresas reduziram ilegalmente postos de trabalho.
Destaca-se o caso da RTE, uma fábrica de pinturas e montagens industriais, despediu, em Janeiro, 57 trabalhadores, onde 36 eram mulheres das quais 4 estavam grávidas, 12 em licença por maternidade e uma estava a amamentar.
Também a Gestamp Aveiro despediu onze trabalhadores depois de ter recebido 12,9 milhões de euros para a criação de 80 postos de trabalho. Um dos funcionários dispensado é dirigente sindical.
Das 74 empresas que fecharam portas, a Euronadel é o caso mais mediático, mas o destaque vai para o grupo Pestana Pousadas.
O grupo encerrou provisoriamente 16 pousadas a pretexto de fazer obras de manutenção e conservação, mas contactadas pela CGTP, várias Câmaras Municipais garantiram não ter nenhum pedido nem dado qualquer autorização para obras.
Na listagem podem ver-se ainda quatro empresas em deslocalização, entre elas está a Ecco'let, a empresa de calçado de Santa Maria da Feira que despediu 180 trabalhadores depois de ter recebido apoios financeiros do Estado, alguns bem recentes.
Do total de 347 empresas, a CGTP aponta para a suspensão da laboração em 51 empresas e há ainda 95 casos de empresas com salários em atraso, exemplo conhecido da Bordal Pinheiro que depois de ter pago só agora o ordenado de Dezembro ameaça não pagar a retribuição de Janeiro”.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Vista panorâmica em 360º de Macau

Se não conhece, fica com uma ideia. Pálida é certo. Para isso clique em
http://61226.com/self/macau.htm

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O Freeport e as grandes manobras

O unanimismo do tratamento dos grandes media sobre o caso Freeport deixa que pensar.
Não é que não incluam diferentes atitudes do tipo de salientar a gravidade da questão ou de dizer que tudo isto é mais ou menos uma cabala.
Não. O que parece estar a acontecer é quererem todos transformar no alfa e ómega da crise que o país atravessa um caso de corrupção em que mais ou menos alegadamente esteja o Primeiro-Ministro, ou a recomendável família, ou ainda o cão e o gato...Isto é, todos estão a contribuir para a operação de vitimização de Sócrates.
E, concomitantemente, a retirar do debate público as causas de política que estão na origem da crise que, há umas semanas já estava remetida para efeito colateral das coboiadas financeiras da administração Bush em detrimento das malfeitorias permanentes e continuadas da política de direita do PS, os planos de salvação da banca tóxica e o desatar de encerramentos de empresas e de interrupções de laboração com o aumento de despedimentos e desemprego e a perspectiva de fome a atingir mais lares portugueses.

Deixemos as instâncias judiciais funcionar, não ignorando que há fumos mas não inflamando o discurso por razões pouco claras, contendo os donativos para peditórios que passam ao largo de grandes manobras.
O fenómeno da corrupção é uma condição desta política. Necessária para ela se realizar. Mas não suficiente para poder ser combatida isoladamente - com êxitos pontuais contra a malandrice dos nossos maiores que se podem arrastar por muitos e bons anos em tribunal e depois regressarem como vedetas de talk-shows e de consultadorias diversas em empresas públicas - e fechando os olhos à progenitora firmemente ancorada em interesses de grupos económicos que põem os ovos em vários cestos para, estragando-se alguns, não deixarem de ter omoletes.

"Aceitaremos um estado ao lado de Israel sem o atacar, mas nunca o poderemos reconhecer"

Na edição de hoje do Público, Alexandra Lucas Coelho, em Gaza, entrevista o deputado e dirigente do HamasIahya Al Abadsa. Recomendo a leitura.


"Abbas é um traidor. Os regimes árabes são ditaduras corruptas. A resistência só acaba se a ocupação acabar. Israel não tem futuro como Estado judaico. É o que pensa o Hamas, nas palavras de um líder"

Os mais conhecidos nomes do Hamas em Gaza estão na sombra desde a guerra. Um dos líderes que falam é o deputado Yahya Al Abadsa. Esteve preso cinco anos nas cadeias israelitas, doutorou--se em Educação e deu aulas na Universidade Islâmica até ser eleito para o parlamento. Aos 51 anos, pai de sete filhos, mora num modesto apartamento em Khan Yunis, Sul de Gaza, onde os pais se refugiaram quando Israel foi criado.


Quinta-feira à tarde não havia bandeiras verde do Hamas na rua, mas viam-se duas vermelhas da PFLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina). Como faltava a electricidade, era preciso subir às escuras uns degraus toscos de cimento. Lá em cima, na sala de visitas, o habitual mapa da Palestina antes da declaração de Israel. Dois dos filhos, um adolescente e uma menina, seguiram a entrevista. A jornalista não estava de cabeça coberta. Abadsa foi sempre cortês.



Ver a entrevista nas páginas 12 e 13 de
http://jornal.publico.clix.pt/

Playtime- a vida moderna, de Jacques Tati

No decurso de uma operação de zapping, condicionada pelo contraste entre o Mezzo e a pobreza de outros canais, fui ter à RTP-2, bem no início do Playtime, a Vida Moderna de Jacques Tati. Foi uma imensa alegria retomar o contacto com a aparente leveza e o humor espantosamente conseguido neste grande filme. Que reflecte a reacção a novos estereótipos da arquitectura, do design e das funcionalidades, ao diletantismo e espavento de uma classe média com estatuto ascensional, a que atribuíamos – também então! – um carácter moderno, com o que isso tem de apelo à alienação ou ao consumismo e às falsas necessidades que geraram as bolhas que rebentariam mais de trinta anos depois.

Mr. Hulot é o alter-ego de Tati, a ponto de confundirmos a personagem com o seu criador que captou como poucos os pequenos momentos e reacções do quotidiano de uma sociedade. Sociedade em transformação de representações e de valores, revelando os confrontos com a simplicidade do ser de uma ganga contra a qual ele nunca se manifestou civicamente, ao ponto de, para alguns, se deixar confundir com um personagem deslocado no tempo e no espaço, um D. Quixote que não investe sobre os moinhos. Porém, ele é, na verdade, um flaneur de Baudelaire dos tempos modernos. Um flaneur que nos desafia a ver coisas que, de banais, não nos chamam a atenção. Atitude, aliás, muito conseguida com o perfil subtil que paira nas situações de uma forma esguia, ela própria rejeitando um estereótipo de elegância que surpreende e onde a gabardina, o cachimbo, o chapéu, o guarda-chuva e as calças curtas se tornaram adereços identitários, como existiram já nas Férias do Sr. Hulot (1953) no Meu tio (1958), e depois dos que nos trouxe, como carteiro, no Carrossel da Esperança (Jour de Fête, 1949), a sua primeira longa-metragem.
Em Hulot, e especialmente neste filme, o humor, os gestos humanos, o desassombramento perante as dificuldades, estimularam uma combatividade esclarecida que não renegou a cultura nesta época. Filmado sem um close-up e com cenas que não se esgotam apenas num tema nem na personagem principal, é uma tarefa complexa da mise-en-scène, e remete Paris eterna para simples imagens nas vidraças, onde os prédios novos indefinidos são palco de circulação de turistas americanos a quem resta captar imagens de uma resistente florista de esquina das avenues que deixaram de ser boulevards.

O restauro deste filme que esteve em risco de se perder pela degradação dos negativos originais, permitiu um reencontro com o público, depois do impacto da sua estreia original, injustamente condicionado, em termos de crítica, pela sua realização cara e acidentada.
Jacques Tati já era um realizador reconhecido e premiado, particularmente depois do Meu tio, no final dos anos cinquenta quando desenvolveu o projecto do Playtime, claramente exorbitante nos recursos, não se tratando de um filme norte-americano. Eram os anos sessenta, a França disputava aos EUA uma influência cultural imbatível em termos de mercado, e o desejo de afirmação francesa era muito forte. Alguns chamaram ao projecto megalómano (a área dos cenários era enorme e ficou conhecida por Tativille) e os incidentes no decurso da produção, em termos de pesados encargos e mesmo atmosféricos, geraram nos meios culturais fortes reacções e antipatias que viriam a refrear entusiasmos quando da sua estreia em 1967. Como alguém disse, Playtime "foi a obra-prima que arruinou o seu autor". Ainda realizou e produziu outro filme, Trafic (1970), que apesar de ter sido um êxito de bilheteira não impediu a ruína que obrigou Tati a vender os seus negativos.
Felizmente, o filme sobreviveu e é um das melhores obras cinematográficas do século passado, que mantém grande actualidade.
Sobre a sua vida e obra consultar
http://www.tativille.com/

sábado, 31 de janeiro de 2009

Trovoada no vulcão


Depois de ter estado em silêncio cerca de 9 mil anos, no passado dia 3 de Maio o vulcão Chaiten, no Chile, entrou em erupção provocando uma “tempestade suja”, causada pelo choque entre rochas, cinzas e partículas de gelo que produziram descargas de electricidade estática, tal como as partículas de gelo as criam nas trovoadas correntes.
A erupção, que demorou meses, obrigou a evacuar milhares de habitantes e de cabeças de gado deste canto da Patagónia.

Pintura de Júlio Resende



Amanhã novo governo na Islândia


De entre os países que tiveram um impacto mais surpreendente do colapso do sector bancário internacional, destaca-se a Islândia.
País considerado o "último paraíso da Europa pelas suas belezas naturais, com apenas cerca de 300 mil habitantes, que apresentava uma assinalável estabilidade, ocupava até há uns meses lugar de destaque “pelo seu sucesso”. O sucesso, porém, fora obtido através de empréstimos tóxicos em larga escala e a economia apanhada por eles afundou-se. O país está na bancarrota e os islandeses acordaram de um sonho mau, exigindo nas ruas durante quatro meses uma política que rompesse com o neo-liberalismo e as consequências que a desregulamentação acabou por trazer ao país. O governo anterior, do Partido da Independência e da Aliança Social-Democrata, foi forçado à demissão por esta impressionante reacção popular.
O Presidente da República convidou para formar governo Johanna Sigurdardottir, de 66 anos, da Aliança Social-Democrata, que era Ministra dos Assuntos Sociais, que tem estado em conversações com a formação Esquerda-Verdes, cujo presidente é Steingrímur J. Sigfussen, para formar um governo minoritário no Parlamento. A social-democrata declarou hoje que o governo só amanhã estará pronto a ser apresentado. A Aliança Social-Democrata mantém-se também em contacto com o Partido Progressista de quem espera apoio parlamentar.
O Parlamento, de 65 deputados, saído das anteriores eleições é composto por 27 deputados do Partido da Independência, 18 da Aliança Social-Democrata, 9 da Aliança Esquerda-Verdes, 7 do Partido Progressista e 4 do Partido Liberal.
Entre os partidos que apoiarão o governo, estiveram em discussão matérias como a data das eleições antecipadas e o referendo de adesão à UE bem como um programa faseado de medidas de natureza económica e financeira para enfrentar a bancarrota.

Os poderes ocultos

Depois de quase dois dias a pesquisar, aqui vo-los apresento em primeiríssima mão.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Roma antiga a três dimensões

"O mundo tem que saber o que os israelitas fizeram em Gaza", diz um médico argelino

Um médico argelino, Mohamed Khouidmi,que trabalhou no Hospital de Shifa, em Gaza,diz que Israel usou urânio nos seus ataques a Gaza.
Em declarações ao diário argelino "Liberté", Khouidmi, que recentemente regressou à Argélia, após ter assumido o papel de responsável de emergências em Shifa, disse que num certo número de feridos admitidos no seu bloco eram visíveis efeitos causados pelo urânio. «O exército israelita usou um anti-míssil que explodia a cerca de 50 centímetros da superfície, levando à amputação dos membros inferiores de pessoas que estavam no perímetro da explosão", disse o médico.Ele explicou que os feridos pelos mísseis, depois de várias horas de cirurgia no hospital e, após a amputação e fechada a ferida eram admitidos na reanimação. Após duas ou três horas, a ferida abria de novo e hemorragia matava o paciente», afirmou Khouidmi, que explicou que isso aconteceu duas ou três vezes no hospital e que os médicos tinham concluído pela presença de urânio em mísseis israelitas.


O cirurgião argelino, considerado um dos maiores especialistas em medicina de emergência no Norte de África, disse que o que ele viu em Gaza foi «pior» do que aquilo que foi encontrar no Iraque ou no sul do Líbano, onde ele também esteve como cooperante médico. "O que constatei em Gaza era estranho e nada tinha a ver com o que vi nos outros conflitos", disse. Salientou ainda que os corpos que foram examinados na unidade tinham "os intestinos queimados e exalavam cheiro a alho" e por isso não tinha a mínima dúvida de que o exército israelita também utilizou fósforo branco nos ataques.
Khouidmi explicou que ele e outros médicos que trabalhavam na Faixa de Gaza elaboraram um relatório com provas detalhadas e o remeteram para o Comité Internacional da Cruz Vermelha, a quem pediram o envio de uma comissão de inquérito imparcial sobre a utilização de armas proibidas por parte de Israel, "especialmente com urânio".

Contrato de uma professora na Espanha de 1923


História das religiões: 5 mil anos em 90 segundos


Frase de fim-de-semana, por Jorge


“Definição de Criminoso – Pessoa com instintos predatórios que não dispõe do capital suficiente para criar uma empresa”


Howard Scott, engenheiro, fundador da célebre Technocracy Inc.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ilda Figueiredo, candidata ao Parlamento Europeu


A CDU apresentou hoje, no Hotel Altis, em Lisboa, como primeira candidata às eleições do Parlamento Europeu - Ilda Figueiredo. A actual deputada ao PE é economista, membro do Comité Central do PCP, Vereadora na Câmara Municipal de V. N. de Gaia, vice-presidente do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica e vice-presidente da Comissão de Emprego e Assuntos Sociais.

Cartoon de Monginho

in Avante!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Hootenanny, na Culturgest, comissário Ruben de Carvalho

Música/cinema/dança De Segunda 2 a Sábado 7 de Fevereiro de 2009

Pequeno e Grande Auditórios · Preços variáveis
HootenannyComissário: Ruben de Carvalho
Classificação: M/12
Informações e reservas 21 790 51 55mailto:culturgest.bilheteira@cgd.pt
Bilhetes à venda CulturgestFnacBlissLivrarias Bulhosa (Oeiras Parque)lojas AbreuWortenhttp://www.ticketline.sapo.pt/Reservas707 234 234

O termo hootenanny está, como tantas outras coisas da música popular norte-americana, indissoluvelmente ligado à figura de Pete Seeger. Segundo o autor de If I Had a Hammer, a primeira vez que ouviu este termo foi no final da década de 1930, em Seattle, onde fora adoptado por um clube popular ligado ao New Deal rooseveltiano para designar as suas iniciativas mensais de recolha de fundos.Seeger, Woody Guthrie e os seus companheiros dos Almanac Singers viriam igualmente a adoptar a designação para dar nome aos espectáculos que semanalmente passaram a realizar no quadro da cooperativa de artistas e cantores Peoples Song, Inc., fundada em 1948 com a finalidade de apoiar sindicatos, organizações sociais e de esquerda.A génese do termo é polémica, o próprio Pete Seeger admite que possa ter uma sinuosa origem em colonos franceses dos EUA, mas acabaria por se fixar correntemente como referência a festa musical popular mais ou menos informal. Com este sentido viria a ser adoptada pelos Almanac, a designar programas de rádio e televisão surgidos nos anos 60 e a generalizar-se como sinónimo de espectáculo de música folk e old time. Frequentemente se cita a analogia feita por Joan Baez segundo a qual hootenanny está para a folk como jam session para o jazz.O Hootenanny que a Culturgest passará a organizar anualmente pretende apresentar um conjunto de espectáculos de vários géneros, tendo como tema central a música folk norte-americana e a designada old time music, num espectro musical que irá dos blues tradicionais, passando pelo bluegrass, cowboy songs, topical songs, primeiro e segundo folk revivals, até às expressões da country music onde prevalece o elemento popular e a influência tradicional sobre a bem menos interessante presença pop e mainstream.A primeira edição do Hootenanny compreende os eventos constantes das páginas seguintes e um workshop por Richard Greene sobre fiddle, o tradicional violino popular, dirigido a alunos do Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa e da Escola Profissional Metropolitana, ambos da AMEC – Associação Música, Educação e Cultura.

Programa
Segunda 2Cinema: American Patchwork – Appalachian Journey
Terça 3Música: Mike Seeger
Quarta 4Cinema: Dreadful Memories - The Life of Sarah Ogan Gunning
Quinta 5Música/Dança: Appalachian Roots
Sexta 6Cinema: Flatpicking e fingerpicking A guitarra de Doc Watson: uma antologia
Sábado 7Música: Tony Trischka - Double Banjo Bluegrass Spectacular

Parabéns, Jornal de Letras!

No dia em que é publicado o número 1000 do JL, um abraço de parabéns para o José Carlos de Vasconcelos e todos quantos nele trabalham e colabora.

A adoração do Céu na China

Performance ritual, anteontem no Parque Tiantan de Pequim., onde são usados figurinos da corte real da dinastia Qing (1644-1911) em frente ao Templo do Céu no espaço de oração pelas boas colheitas.
O Templo do Céu foi o primeiro a ser construído em 1420 e usado como altar de sacrifícios imperiais durante a dinastia Qing e antes pela dinastia Ming (1368-1644). A adoração do céu faz-se a partir do dia 26 de Janeiro, primeiro dia do Ano Novo Lunar Chinês até ao dia 30.


Bei mir bist du schejn


“Quatro minutos deliciosos. A imagem da mulher dos tempos da minha mãe era de uma candura inigualável "- migana

Fórum Social Mundial com a crise económica em pano de fundo


O Fórum deste ano, a decorrer até domingo na cidade brasileira de Belém, vai ter como temas centrais de debate a falência do sistema financeiro e a crise da economia capitalista.
Nele participam representantes de cerca de 4 mil movimentos sociais de 150 países em cerca de mil actividades políticas e culturais.
O Fórum decorre nas universidades federais do Pará e Rural da Amazónia, onde se realizam debates e intercâmbios em que se discutirão também a crise alimentar e os problemas graves do meio ambiente.
Ontem o Fórum foi aberto com uma manifestação de mais de 100 mil pessoas que percorreu as ruas da cidade e que manifestou a oposição comum à globalização neo-liberal bem como a s olidariedade com o povo palestiniano e a condenação dos ataques israelitas contra Gaza.

Participarão no Fórum vários presidentes de Repúblicas da América Latina: Brasil, Venezuela, Chile, Bolívia e Paraguai

Lenine vive


Na semana passada passaram 85 anos sobre a morte de Lenine.
Existem na Rússia hoje algumas pessoas que ainda aspiram a uma guerra fria contra a União Soviética. Para essas pessoas, apesar da URSS ter desaparecido há 18 anos ainda encontram dela inúmeros vestígios como, por exemplo, nos elevadores, nas conservatórias de registo civil, nos armazéns, na estatuária e na toponímia das cidades. A propósito de factos como a prisão de Mikhail Khodorkovsky – grande capitalista preso há poucos anos por uma enorme fraude fiscal -, de vários projectos nacionais, da guerra da Ossétia do Sul e das relações com o Ocidente, manifestam o receio do regresso da URSS…
São pessoas que se enfurecem com datas históricas da nação. Alguns escrevem que Hitler poderia ter salvo os russos da “ditadura de Stalin”, outros tratam Lenine como “tirano sangrento e carniceiro”.
Mas curioso que, apesar de todas essas campanhas, a memória de Lenine e os sentimentos para com ele e a Revolução Russa persistem. Por isso há quem se movimente para destruir simbologias.
Não é possível apagar da história da nação e do estado um período histórico que levou o país feudal, atrasado, ao segundo lugar entre as potências mundiais e ao primeiro lugar nas conquistas sociais, políticas, culturais, científicas, e desportivas, em menos de 40 anos, de ter sido o suporte insubstituível ao êxito dos movimentos de libertação nacional dos anos 50 a 60 de tantos países do mundo, a quem dedicou tanto da sua riqueza e quadros em regime de solidariedade, apesar de nesse período ter sofrido uma guerra civil com intervenção adversa no território de dezenas de exércitos estrangeiros, de ter sofrido a invasão nazi que lhe provocou 20 milhões de mortos que levou de vencida, de ter sofrido os embates de uma guerra fria durante outros 40 anos, que acabaria por contribuir para a sua derrota.
Não é possível encontrar “outra Rússia” neste período que substituísse essa.
Os ódios talvez passem e Lenine retomará, de direito, o lugar na História como um dos seus grandes obreiros. Da mesma forma nem a Rússia nem o mundo pararam e a História continua a ser escrita

PEC 2008-2001: continua a obsessão do deficite, segundo estudo de Eugénio Rosa


“Em 2009, e certamente também em 2010, Portugal continuará mergulhado numa grave crise financeira e económica; Nas últimas projecções, o Banco de Portugal prevê um crescimento económico de apenas 0,2% em 2010 e o seu governador já veio dizer publicamente que se fossem feitas as previsões agora, elas seriam ainda mais negativas: A previsão da Comissão Europeia é de uma contracção de -0,2% em 2010.
Apesar disso, de acordo com a proposta do “Plano de Estabilidade e Crescimento: 2008-2011” (pág. 42) apresentada pelo governo, este tenciona, se ganhar as eleições, reduzir o défice orçamental, entre 2009 e 2010, de -3,9% para apenas -2,9%. E, em 2011, impor nova redução para -2,3%. Isto significa, a preços de 2009, uma redução no deficit orçamental, respectivamente, de cerca de 1.700 milhões de euros em 2010, e de mais 680 milhões de euros em 2011.
É evidente que isto só poderá ser obtido à custa da diminuição do investimento e do consumo público o que, a concretizar-se, só poderá determinar um agravamento maior da crise em que o País ainda estará certamente mergulhado. É evidente que enquanto Portugal não romper com esta politica de obsessão de redução do défice nunca sairá da grave crise em que está mergulhado”.
Ver artigo completo em
http://www.resistir.info/e_rosa/pec_2008_2011.html