sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dez anos a construir a estação orbital internacional


Veja o faseamento desta operação aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Obama vai ao prego...

"Quantos batalhões me dá pela medalha?", pergunta Obama, com a reclamação de McChrystal na mão... (Courrier International)


O Washington Post revelou que Obama decidiu enviar mais 13 mil soldados para o Afeganistão e que irá decidir nas próximas semanas se aceita ou não, a reclamação de mais 40 mil a 60 mil homens feita pelo comandante americano na região, Stanley McChrystal,

Frase de meio da semana, por Jorge



Uma galinha é apenas a forma de um ovo fazer outro ovo



Samuel Butler, escritor, 1835-1902

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A beleza das fotos microscópicas










Da esquerda para a direita e de cima para baixo:
- Cristal de um floco de neve. Apresentam todos simetria se bem que sejam diferentes entre si
- Parecem mas não são antenas de um insecto mas sim uma planta considerada na América do Norte como erva-daninha
- Flor de agrião de genoma muito simples, que a leva a ser muito utilizada na investigação genética
- Alzheimer num peixe-zebra. A verde os neurónios, a vermelho as proteínas tau e a azul as tau doentes

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bloquear o genoma e levar um...Nobel

A descodificação do código genético dos humanos trouxe à Ciência enormes possibilidades de estudar a origem de doenças graves que afligem a humanidade.

Cuba, detentora de um elevado nível profissional ao nível das ciências médicas tem um Centro Nacional de Genética Médica que procura dar respostas a estas questões.

No entanto, o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos Estados Unidos em 1962, priva este organismo do acesso à tecnologia mais avançada num campo que é tão promissor, limitando significativamente o trabalho de investigação do Centro.


A Dra. Beatriz Marcheco, directora da instituição, revelou ontem ao Granma que, desde 2003, e através dos canais apropriados, têm tentado adquirir um equipamento analisador de genes, essencial para o estudo das suas variações e determinar quais destes pode levar à descoberta de um grupo de doenças que estão entre as principais causas de morte em Cuba ou que aí têm uma incidência elevada. São os casos dos cancros da mama, do cólon e da próstata, da asma, dos diabetes mellitus, de doenças isquémicas do coração e da hipertensão, para citar apenas alguns. Esta jovem cientista referiu que o analisador é fabricado pela empresa norte-americana Applied Biosystems, e classifica-a como a mais avançada tecnologia do mundo para as investigações referidas. A equipe do Centro, segundo ela, trabalha em velocidade muito alta e é capaz de identificar a predisposição genética que as pessoas podem ter de sofrer as doenças mencionadas. Isso fornece uma oportunidade para mudar de vida e tomar outras medidas preventivas destinadas a evitar o seu aparecimento.


Para a Dra. Marcheco o mais absurdo é que depois de cada tentativa para aquisição do equipamento, a resposta das agências governamentais dos EUA sempre foi o silêncio, ou seja, eles não têm argumento para explicar por que se recusam a vender-nos um produto nobre e singular, cuja função é ajudar a preservar a saúde das pessoas.

Nem sequer têm o direito de entrar no site da empresa para obter informações, sendo-lhes negado o acesso ao verem que o requerente é de Cuba, disse.

Já são horas!...



Uma opinião sobre as autárquicas de ontem


As eleições de ontem foram influenciadas pelos recentes resultados das legislativas, apesar de se continuar a registar - é certo que mais nuns partidos do que noutros - uma identidade eleitoral local decisiva em vários casos de avaliação autárquica autónoma que decidem do voto. Penso, porém, que essas especificidades se estão, indesejavelmente, a esbater.

A avaliação dos candidatos pelo que fizeram ou não nos 4 anos anteriores ainda é a chave que descodifica decisões. E neste caso importa registar que, além de bons exemplos, também temos muitos outros em que o trabalho feito pelo governo no apoio preferencial a certas autarquias se tornou a chave de vários sucessos. A consulta sistemática ao que foram os planos de trabalho, as execuções, e os compromissos de todos os ministérios revela a extensão deste comportamento, excepção feita a alguns apoios a maiorias de direita porque o PS também sabe como contar com algumas delas...

Nesse sentido, posso admitir que este ciclo eleitoral, apesar do fracasso do PS nas legislativas, se vai traduzir numa maior governamentalização das relações Administração Central versus Administração Local. Mas não só nisso.
O PS sai com maiorias que lhe permitem ser mais acutilantes na privatização de diversos serviços até agora prestados pelos municípios para os alienar para grupos que se têm constituído nessas áreas, perseguições maiores a trabalhadores municipais incómodos, não só com prateleiras, mas recorrendo ao novo Código de Trabalho e afectando-os nas progressões das respectivas carreiras, vedando-lhes o acesso a funções de chefia e reencharcando os quadros com correlegionários e amigos.

O carácter clientelar de apoiantes, de chefias ou aspirantes a tal, de familiares e de círculos de favores, de apoios empresariais à actividade política, vai acentuar-se. Só quem não conhece a realidade de algumas destas autarquias poderá dizer "Olha, lá está aquele a dizer mal!...".

Neste quadro, é de valorizar os resultados da CDU, resultante do trabalho e da intervenção da CDU e dos seus eleitos, com revezes que não resultaram, em geral, de considerações negativas sobre o trabalho mas mais de deslocações de "voto útil" entre PS e PSD e de acidentes internos com eleitos. A CDU conta com novas maiorias que expressam aspirações a outro tipo de repostas às necessidades das respectivas populações.
É uma força que resiste no interesse das populações.

domingo, 11 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

Prémio Nobel ou...pagamento por conta?


A atribuição do Prémio Nobel a Obama deixou quase toda a gente incrédula...Porquê, pergunta-se em meios de diferentes opiniões valorativas dos... nove (!!!) meses de mandato do novo presidente norte-americano. Ainda por cima a contrariar, dia após dia, as expectativas que o povo americano e o resto do mundo colocaram nele?

Como é que um Comité que se desejaria criterioso na ponderação de méritos pôde tomar tal decisão? Qual a reacção de outros laureados que tiveram vidas ou períodos de investigação e descoberta férteis terão tido perante ela?

É certo que o Nobel tem sido utilizado há anos para proceder ao premiar de agentes políticos de feitos pelo menos duvidosos, mas esta decisão extravasa tudo porque nem de feitos se pode falar. Quando muito de não feitos ou maus feitos.

É para garantir a projecção internacional da imagem de Obama que se tem vindo a empalidecer depois dos múltiplos discursos à América Latina, à África, ao mundo muçulmano, etc, etc.?

Obama precisará, segundo outros em que não acredito, de peso para se desfazer dos poderes que o manietam, para afugentar riscos de homicídio de que muito se tem falado?

Mas, se isso tivesse algum fundamento, porque se não dirige ao país, ao povo que o elegeu, que lhe depositou tantas esperanças, e lhes diz que os poderes fácticos do complexo militar-industrial, da indústria farmacêutica, dos negociantes de armas, dos lobbies anti-cubano e sionista, que tanta força têm nos EUA, não o deixam cumprir as suas promessas e estão a pressionar o caos nos EUA e no resto do mundo?

As maiores críticas a esta decisão vêm do seu próprio país.

Os que admitem algo parecido com a concordância usam a expressão "é um investimento, um estímulo para a acção futura" sobre a qual tem tergiversado.

Uma espécie de pagamento por conta...sem crédito.

Calvin, Hobbes e uma espécie de empresários


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

Frase de fim-de-semana, por Jorge



Porque matamos as pessoas que matam pessoas para lhes mostrar que é errado matar pessoas?


Holly Near

(cantora e activista de causas sociais californiana)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

Parte uma grande cantora latino-americana, uma combatente de esquerda

Depois do seu internamento no mês passado, e à medida que os dias passavam, receou-se o inevitável.
Hoje Mercedes Sosa morreu.
Da sua biografia falarão os jornais. Retenho a importância da sua influencia cultural na nueva canción da América Latina, a sua prisão, o exílio, a sua voz inconfundível.

Suster o retrocesso, votando na CDU


Falando com amigos meus, há dias, a propósito do trabalho do PS na Câmara Municipal de Loures, vi confirmadas as tendências mas também muitos casos particulares que ilustram a inversão negativa ocorrida no concelho após a perda, há anos atrás, pela CDU da maioria depois de, durante muitos anos, aí ter realizado um trabalho notável, que o destacava como um concelho que mais progredira na perspectiva de satisfação das necessidades essenciais da sua população.

Retenho apenas alguns dos episódios ilustrativos.

No que respeita à segurança, em vez de apostar no aumento dos efectivos policiais – elemento fundamental mas não único para a sua melhoria – Carlos Teixeira tem preferido, para alinhar com a política do governo, optar por “contratos locais”
E “projectos-piloto”, que puderam distrair algumas atenções mas se revelaram um fracasso local bem como a polícia municipal com funções de conferir e afagar o status ao presidente.
Depois das cheias de Sacavém de Fevereiro de 2008, a SIMTEJO, empresa inter-municipal, dirigida por um amigo e correligionário, veio em socorro da incúria do Presidente e lançou-se a construir uma espécie de “auto-estrada” para a água só que o colector para onde drena, que foi construído em 1947, continua o mesmo, com grande dificuldade de manutenção e entupimento rápido que geram ciclicamente o saltar das tampas de esgoto. Construir colectores pode não dar votos por ficarem debaixo da terra mas estas vias para dar nas vistas não resolvem…
Na Bobadela, na outra margem do Trancão, a construção de um aterro ilegal foi embargada mas depois da obra estar feita e que, no tempo de chuva, irá condicionar o caudal do rio que poderão acentuar as cheias na baixa de Sacavém.
Carlos Teixeira tem duas pavimentadoras paradas no estaleiro das oficinas mas as brigadas de operários foram praticamente extintas. Teixeira opta por conceder empreitadas a terceiros. Mas as estradas e ruas do concelho estão cheias de buracos, tendo a Rodoviária cancelado circuitos devido ao estado dos pisos.
Em Loures, depois da inauguração da Escola João Villaret, sem pavilhão escolar, aguarda-se mobiliário definitivo e não mais o alugado para Sócrates a poder inaugurar antes das eleições.
Em, Bucelas, terra de bom vinho, Carlos Teixeira colocou uma nova sinalética sobre a chamada Rota dos Vinhos de Bucelas, Carcavelos e Colares. Mas a tal rota é fictícia, ficou em águas de bacalhau, e os sinais enganam quem passa numa péssima propaganda ao vinho de qualidade…apesar de ter sido referido que a rota é financiada pela CE.
Também o trabalho de prospecção das antigas fortificações napoleónicas da Linha de Torres foi entregue a privados, impedindo os técnicos municipais de o realizarem.
Há quatro anos, pouco antes das anteriores eleições, Carlos Teixeira foi entrevistado pelo extinto Jornal de Loures prometeu que, logo depois dessas eleições, poria o PDM em discussão pública (o anterior, aprovado em 1994 já devia ter sido actualizado em 2004…), o que acabou por acontecer…quatro anos depois.
Ainda na cidade de Sacavém, a recolha do lixo está a ser paga pelos munícipes a dobrar…Os SMAS não a fazem por ser “deficitária” (apesar da população pagar o serviço, incluído nas facturas da água) e a Junta de Freguesia, de maioria PS, em vez de reclamar e inverter esta situação paga a uma empresa para o fazer, não resultando essa despesa no exercício de uma competência própria mas do afectar o destino de receitas da Junta, que os munícipes também pagam, a fins que reduzem o seu uso nas competências próprias. Pois é, para õ PS da Câmara e da Junta não serem penalizados eleitoralmente, põe o munícipe a pagar a dobrar…
Mas a melhor de todas – muitas mais aqui se poderiam contar – é o amor da família de Carlos Teixeira pelo município… A esposa é Directora do Departamento, tendo recentemente renovado o mobiliário do seu gabinete. Por isso os munícipes pagaram a módica quantia de…22 mil euros, 16 mil dos quais para se sentar numa nova secretária!
Com um outro director de departamento, por sinal também filho de vereador do PS Borges Neves.
Falar na rede familiar do presidente existente na Câmara de Loures dá para um outro posta. Mas Teixeira não se importa, defendendo o direito da família a tais prerrogativas…
No seu programa para estas eleições, a CDU refere que nos últimos 8 anos Loures perdeu a imagem de inovação e progresso de que gozava.
Os problemas sociais agravaram-se. Cresceu o desemprego, degradou-se a situação económica das famílias, aumentaram as desigualdades e a pobreza. Avolumou-se a insegurança e assistimos ao encerramento de vários serviços de Saúde sem que se tenha iniciado a construção do Hospital.
O concelho perdeu as posições cimeiras que já ocupou, quando gerido pela CDU, nos índices de bem-estar, conforto e poder de compra.
A CML abandonou a dinâmica de progresso contínuo na construção de equipamentos colectivos capazes de melhorar as condições de vida dos seus munícipes.
O território municipal tornou-se, de novo, um espaço apetecível para a especulação imobiliária, que aqui tem encontrado uma Câmara Municipal sempre pronta a colaborar com o crescimento do betão e pouco atenta à
defesa do interesse colectivo.
Infelizmente, Loures é hoje um concelho de que quando se ouve falar, é quase
sempre pelos piores motivos: insegurança, cheias ou pobreza infantil.

A CDU defende que o estado de coisas que se atingiu no concelho de Loures não é uma fatalidade que não possa ser alterada, sendo urgente inverter o rumo seguido nos últimos anos, é urgente uma VIDA NOVA PARA LOURES.
A CDU quer um concelho mais equilibrado, em que a Câmara Municipal tenha políticas capazes de contribuírem para a coesão social.
O ordenamento e gestão do território, as políticas de acção social, saúde, habitação, mobilidade, segurança pública, ambiente, educação, desporto e cultura, apoio às empresas e à actividade económica podem, e devem, promover a coesão e solidariedade social, capazes de melhorar a qualidade de vida das pessoas, objectivo que deve ser a razão primeira da política.
A CDU quer um concelho em que a opinião dos munícipes conte, um município solidário que invista nas pessoas, desenvolvido e governado para todos, capaz de valorizar o espaço público, de atrair empresas e de criar emprego.
Quer uma Câmara Municipal que tenha uma gestão municipal eficiente e acessível e com a coragem de defender os interesses do concelho em qualquer circunstância.
Para tudo isto a CDU tem propostas e construiu um Programa Eleitoral que lhes dá corpo.
O Programa Eleitoral da CDU estabelece objectivos concretos de actividade que serão, acompanhados na sua execução pelas pessoas.
O Programa que a CDU apresenta aos eleitores constitui, assim, um compromisso capaz de garantir as melhores soluções para os problemas do concelho de Loures e uma gestão democrática e participada das suas autarquias.

Para um novo internacionalismo, por Domenico Losurdo


Reflectindo sobre um novo internacionalismo, Domenico Losurdo sublinha, em artigo recentemente publicado na resistir.info, que, mesmo antes de ele ser assimilado pelos partidos e forças de esquerda, foi por eles praticado em termos que reconfiguram, nos dias de hoje, esse conceito.
Losurdo, remata a sua reflexão, concluindo:

“Encontramo-nos hoje numa situação que tem perspectivas positivas e encorajadoras:

1. sob o ímpeto da luta anti-imperialista ressurgem povos e civilizações que estavam a ser destruídas pelo colonialismo: pense-se no papel crescente dos índios na América Latina;

2. o prodigioso desenvolvimento de um país como a China quebra o monopólio tecnológico detido pelo Imperialismo. A “grande divergência”, como lhe chamam os historiadores, para quem a dada altura se abriu um abismo entre os países capitalistas avançados e o Terceiro Mundo, esta “great divergence” tende a reduzir-se;

3. A tomada de consciência da crise do capitalismo dá um novo impulso à perspectiva do socialismo para além do Terceiro Mundo, também nos países capitalistas avançados. Por outro lado vemos os países-guia do capitalismo imersos numa profunda crise económica e cada vez mais desacreditados a nível internacional. Ao mesmo tempo continuam a agarrar-se à pretensão de ser o povo eleito de Deus e a aumentar febrilmente a sua já monstruosa máquina de guerra e a estender a sua rede de bases militares a todas as partes do mundo.

Tudo isto não promete nada de bom. É a presença conjunta de perspectivas prometedoras e de ameaças terríveis a tornar urgente a construção, a nível internacional, de um novo bloco histórico, para usar a linguagem de Gramsci. Não é uma empresa fácil, porque se trata de juntar forças em contextos histórico-culturais e situações políticas e geopolíticas assaz diversas. E este novo bloco histórico, que pode dar um novo impulso ao internacionalismo, apenas poderá ser construído se os partidos comunistas, inclusive aqueles dos países capitalistas avançados, por um lado recuperarem o orgulho na sua própria história e, por outro, reforçarem a sua capacidade de análise concreta da situação concreta.”

sábado, 3 de outubro de 2009

Irlanda: um sim, retirado à força...


A inversão do sentido de voto dos irlandeses no que respeita à aceitação do Tratado de Lisboa ficará marcado, no percurso agitado desta união europeia, como um dos mais lamentáveis condicionamentos da opinião pública.

Com o recurso a descomunais meios de propaganda e pressão, o governo irlandês, algum do grande patronato, a artilharia da burocracia de Bruxelas, e a exploração da crise económica e financeira, que particularmente atingiu a Irlanda, tudo valeu, para recuperar a visão milagreira deste Tratado, profundamente lesivo para os trabalhadores e para a democracia no espaço europeu.

Introduzir uma componente moral na inteligência artificial



Um investigador português e outro indonésio publicaram um paper no final de 2007 em que demonstraram que se pode fazer o desenho computorizado de decisões morais usando programas de lógica prospectiva, que se usam na modelação de dilemas morais na medida em que sejam capazes de um olhar prospectivo, em frente, sobre as consequências de hipotéticos julgamentos morais. Com o conhecimento dessas consequências, as regras morais utilizadas para decidir juízos morais apropriados. O raciocínio moral atinge-se através de constrangimentos a priori e preferências posteriores em modelos abdutivos estáveis, duas questões possíveis de obter numa programação lógica prospectiva.
No trabalho os dois autores modelam diferentes dilemas morais para solucionar o chamado “problema do eléctrico”, introduzido há quase cinquenta anos pelo filósofo inglês Philippa Foot e que envolve um eléctrico deslocando-se de forma descontrolada nas linhas onde estão amarradas cinco pessoas. Mas felizmente, podemos com um interruptor deslocar o eléctrico para outra via a cujas linhas está atada apenas uma pessoa. Você accionaria o interruptor? Para enfrentar este dilema os autores empregaram o princípio do efeito duplo como regra moral, e obtiveram as decisões morais adequadas.
Neste trabalho os autores partiram da constatação que a moralidade nos dias de hoje não é apenas questão de filósofos e que se tem procurado entendê-la num ponto de vista científico incluindo na com unidade da inteligência artificial onde se designa por ética da máquina, moralidade da máquina, moralidade artificial ou moralidade computacional.
Os cientistas do cognitivo, por exemplo, podem beneficiar muito da compreensão da interacção complexa de aspectos cognitivos que suportam a moralidade humana e também para obter os princípios morais que as pessoas aplicam normalmente quando defrontam dilemas. A modelação computorizada do raciocínio moral também pode ser útil em sistemas inteligentes tutorais por exemplo para ensinar a moralidade às crianças. Por outro lado, como cada vez mais se espera que os agentes artificiais sejam mais autónomos e trabalhem para nós, habilitar agentes com a capacidade de computorizar decisões morais é um requisito indispensável e, particularmente verdade quando os agentes operam em domínios onde ocorrem dilemas morais, como nos cuidados de saúde e no campo médico.
Desta forma, trabalha-se para que um dia as máquinas adquiram o sentido da moralidade, questão que não deixa de nos suscitar reflexões ou obras de arte sobre o risco de máquinas demoníacas controlarem um dia o nosso mundo e dominarem a humanidade, como aconteceu nos filmes “2001: odisseia no espaço” ou no “Terminator”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O contrário de uma afirmação correcta é uma afirmação falsa, mas o contrário de uma verdade profunda pode bem ser outra verdade profunda"

Niels Bohr, físico (na foto acima com A. Einstein)

China, nos 60 anos da República Popular, a continuidade magnífica de um grande país, de uma grande cultura e de tantos povos...

Os dragões de fogo de artifício com que encerrou ontem a parada depois da ode "Mãe Pátria", cantada por um coro de dezenas de milhar de cantores.

Todas as palavras arriscam a ser poucas e banais quando a China, berço de muito da nossa civilização, grande império, depois dividido, invadido e com um tratamento colonialista inqualificável, em 1949 conseguiu, contra a guerra que lhe fizeram dezenas de potências capitalistas e o Japão, hoje dá cartas em todos os tabuleiros e é requisitada para tirar o mundo de uma crise criada pela própria evolução do capitalismo.
O presidente Hu Jintao disse aos seus compatriotas para não deixarem o caminho do socialismo, afirmando que “Sessenta anos de progresso da nova China demonstrou cabalmente que só o socialismo pode salvar a China. Só uma política de reformas e de abertura pode garantir o desenvolvimento da China, do socialismo e do Marxismo”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Onde a grandeza da natureza nos relativiza outras coisas







Considerações breves sobre a crise e a sua evolução, de Carlos Carvalhas

Neste artigo, Carlos Carvalhas, ex-secretário-geral do PCP, revela as responsabilidade de José Sócrates na gravidade da crise e o efeito da propaganda do tipo da economia portuguesa estar robusta e "outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação”.
Transcrevemos a primeira parte e remetemos o eleitor para a leitura completa no diário info.

A crise aí está a mostrar como foram erradas:

- A política do tudo à exportação, com o abandono da política da produção de bens transaccionáveis para a substituição de importações e o definhamento do mercado interno.
- A política de desindustrialização do país, com a crescente e excessiva dependência do investimento estrangeiro aumentando a vulnerabilidade e a incerteza quanto ao futuro, de que a Quimonda – que assegurava ficticiamente o nosso saldo positivo na balança tecnológica – e a Auto-Europa são exemplos.
- A política das privatizações dos empresas básicas e estratégicas e serviços públicos, que não se traduziu em benefícios para o país, antes pelo contrário. No sector financeiro por exemplo, importantes Bancos nacionais caíram em mãos estrangeiras e outros aumentaram a sua dependência. Perdeu o Orçamento de Estado, pois as receitas dos impostos sobre estas empresas diminuíram de imediato. Perdeu a economia nacional como um todo, pois o crédito – bem público – passou a ser gerido segundo os interesses particulares dos accionistas e não segundo o interesse público (1). As trafulhices no BCP, BPN e BPP – que são para já as conhecidas - evidenciam com clareza quais os desígnios da gestão privada e o pedido para a renacionalização da COSEC por parte dos exportadores, proposta já anunciada pelo governo, é a confirmação que aquela empresa nas mãos dos privados guiando-se pelos interesses particulares e de grupo não serve os interesses das exportações nacionais.
- A política de desvalorização e subalternização do investimento público; o combate ao défice com o estrangulamento da actividade económica; a submissão ao Pacto de Estabilidade e as concepções de que o mercado por si só era auto-regulador.
- A política de concentração de riqueza e da diminuição do poder aquisitivo das massas trabalhadoras e das camadas intermédias.
- O atraso com que se começou a reagir à crise, com as soberbas afirmações de que a economia portuguesa estava robusta e outras balelas do género, que só deixaram agravar a situação. A primeira resposta do governo foi a de ignorar a crise com o Banco de Portugal no seu “rame rame” e em que a política orçamental esteve praticamente ausente.
- A política de gestão das nossas reservas de ouro que foram sendo vendidas nos períodos de baixas cotações com o argumento de que não eram rentáveis – o que era verdade – mas não nos períodos de crise. A displicência com que têm sido geridas as reservas de ouro e as levianas concepções que tem aparecido quanto à sua aplicação mostram por parte do Banco de Portugal e de outros “doutos” economistas do sistema, que para estes tínhamos chegado ao «fim da história » e que já não haveria mais uma crise como a que estamos a viver. Como dizia um clássico, num outro sistema o ouro até pode servir para fazer latrinas, mas no sistema vigente continua a ser um valor refúgio que deve ser gerido não de forma imobilista – boi Ápis – mas para a sua valorização e rentabilidade (2)
(...)

Notas

(1) O governo criou um grupo de contacto entre a banca e associações empresariais para avaliar as queixas dos empresários sobre gestão e concessão do crédito. “Diário Económico” 22/05/09(2) Face à incerteza da evolução do dólar a China tem vindo a comprar importantes quantidades de ouro.

Meditação, de Gerhard Richter




Belém e S. Bento entre ameaças e ligeirezas


Os recentes episódios relacionados com uma desconfiança da Presidência da República em relação a uma eventual "vigilância" sua por parte do governo e as declarações dos respectivos protagonistas, não tendo ajudado a eslarecer já o que terá que ser esclarecido, exigirá rápidamente um esclarecimento mais cabal, sob pena de deixar arrastar penosamente as relações institucionais no cenário de outros arrastões, esticões, violações e carjackings de que a democracia tem estado a ser vítima.

A "inventona" com que Sócrates arruma as suspeitas suscitadas (curiosamente um termo caro às forças reacionárias em 1974 e 1975...) e as ameaças por ele feitas depois da declaração de Cavaco ("espero não ter que voltar a...") e o m omento e a ligeireza com que Cavaco sustenta as suas desconfianças quanto ao carácter reservado das comunicações da Presidência da República, adensam um cenário há muito fragilizado das relações institucionais do Estado, banaliza-o e os portugueses lamentam o que parecem ser guerras de alecrim e manjerona, quando lhes cai em cima os efeitos de uma crise interna e internacional de que não têm responsabilidades.

Instâncias de recurso do mais alto nível descredibilizam-se em prejuízo dos cidadãos mais carentes de sinais e gestos. A nove dias do fim da campanha autárquica, Belém/S. Bento ocupam uma boa parte do espaço mediático e o Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições, parece isolado e múltiplos outros protagonistas lhe caem em cima. Analistas, comentadores, politólogos, PS e BE a ele se atiram como gato a bofe.

Há que ter em conta que não estamos num jogo de futebol em que dirigentes de clubes, de claques e comentadores desportivos costumam alinhar no "fora o árbitro". E que ainda falta algum tempo para se justificar uma pré-campanha presidencial. E digo isto sem qualquer simpatia pela acção política do actual Presidente da República, que não tenho. Mas, há limites...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ensinar ao patronato como aplicar as malfeitorias de Sócrates

No próximo dia 1 de Outubro, a AERLIS vai realizar uma acção de formação sobre as os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos no Novo Código do Trabalho que são favoráveis a algum patronato e um verdadeiro crime contra os trabalhadores.
Pretende este braço patronal que os patrões rapidamente se familiarizem “com a criação do contrato de trabalho intermitente e de muito curta duração, o banco de horas, os horários concentrados, a adaptabilidade grupal e a simplificação introduzida nos processos de despedimento com a supressão da fase de instrução foram algumas das medidas introduzidas no Novo Código de Trabalho. As mesmas visam permitir uma maior flexibilidade do tempo de trabalho e uma diminuição de custos para as empresas”.

Nesta sessão os participantes serão “esclarecidos” sobre quais os instrumentos de flexibilização do tempo de trabalho introduzidos pelo Novo Código de Trabalho e como efectuar a implementação destas alterações com recurso aos sistemas de informação.

Relembre-se a propósito que no seu site (http://www.aerlis.pt/), a AERLIS se define como movimento de descentralização iniciado pela AIP, Associação Industrial Portuguesa, que resultou na criação de Associações Empresarias Regionais (AER), das quais a AERLIS representa o distrito de Lisboa com os seus 16 municípios.
Diz-se aí que o objectivo da AERLIS é criar condições para um desenvolvimento sustentado (???)do tecido económico e social (???), em consonância com os interesses das empresas (de quais???), das regiões (???) e dos municípios (???) onde se inserem.
Aí também se consagra que a missão da AERLIS se consubstancia na prestação de serviços de qualidade às Empresas da Região de Lisboa, tornando-as mais competitivas nos mercados onde operam e na representação e defesa dos seus interesses junto das diversas instâncias estatais e privadas (neste caso deve ser o inverso, isto é, a representação da defesa das políticas e decisões do governo junto das diversas instâncias privadas, não???).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Agora as autárquicas!

Versão corrigida

Ontem à noite os meus sentimentos eram contraditórios face aos resultados eleitorais.
Satisfação por o PS ter perdido a maioria absoluta, o que resultou essencialmente por deslocação de votos de esquerda do PS para o Bloco. Satisfação pelo reforço ligeiro da CDU em votos, percentagem e deputados eleitos. Satisfação por a direita se ter mantido em minoria, perdendo margem de manobra que só lhe poderá restar se o PS a isso aceder. Satisfação pela derrota da arrogância, que só renascerá num outro contexto político com motivações provocatórias.
Insatisfação por a deslocação de votos do PS se não ter feito em termos significativos para a CDU, tendo optado por uma plataforma onde a transitoriedade das opções dão mais sentido ao protesto do que à alternativa. Por o PCP, o grande animador e organizador dos grandes movimentos de protesto contra a política do PS, não ter disso beneficiado eleitoralmente, não pelo facto em si mesmo mas pelas interrogações que isso coloca à possibilidade de ser interrompido o caminho de destruição dos dirigentes socialistas.
Quando o PS ontem proclamou vitória, tendo sido ele o único partido que baixou os resultados. Quando Sócrates disse que quem tinha sido escolhido para formar governo fora ele e não os outros, quando os seus porta-vozes insistiram que o rumo político se manteria, é de prever que entrámos numa fase de acordos explícitos com a direita ou que prepara um caminho de provocação e chantagem.
Mas Sócrates foi derrotado e a bipolarização quebrou-se. E disso tem que saber ler os sinais.
Agora, vamos às autárquicas porque estes resultados foram promissores.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


O mundo, se o puder ser, só será salvo pelos insubmissos

André Gide (Diário)

Estrangulamento financeiro da segurança social pelo CDS, PSD e PS e a tentativa de criar um mercado para fundos de pensões privados, por Eugénio Rosa



Os programas eleitorais do CDS e do PSD contêm medidas que, se forem implementadas, criarão problemas graves à Segurança Social, já que poderão pôr em causa a sua sustentabilidade financeira e mesmo o pagamento das pensões no futuro. Infelizmente no debate eleitoral, e mesmo por parte das organizações dos trabalhadores, essas medidas não mereceram qualquer posição ou intervenção, ou então passaram despercebidas.

O CDS apresenta uma proposta que coincide com a que Bagão Félix apresentou em 2004 quando era ministro. E essa proposta consiste em estabelecer um limite ou "plafond" (6 salários mínimos nacionais) acima do qual empresas e trabalhadores deixariam de descontar para a Segurança Social e a parte dos trabalhadores seria aplicada em fundos de pensões privados. Os trabalhadores seriam duplamente prejudicados. Em primeiro lugar, as contribuições acima desse limite que as empresas entregam agora à Segurança Social ficariam para as empresas, o que determinaria que o valor que os trabalhadores receberiam dos fundos de pensões quando se reformassem seria apenas o correspondente aos seus descontos, portanto um valor reduzido. Em segundo lugar, uma parte das poupanças dos trabalhadores seria investida em fundos pensões cujos resultados dependem da especulação bolsista, o que poria em perigo uma parte das pensões dos trabalhadores. E a Segurança Social perderia uma receita de 16.000 milhões de euros num período de 30 anos.

As propostas do PSD constantes do seu programa eleitoral são três: (1) Reduzir em dois pontos percentuais a Taxa Social Única suportada pelos empregadores até 2011; (2) Apoiar a contratação de novos trabalhadores com uma redução da Taxa Social Única em 35% e 70% , respectivamente para os trabalhadores a termo e sem termo". E a introdução, à semelhança da proposta do CDS, também de um limite ("plafond") nas contribuições para a Segurança Social. A primeira medida (redução de 2 pontos percentuais na taxa de contribuição das empresas) determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social de cerca de 750 milhões de euros por ano. Como é para vigorar em 2010 e 2011, esta medida significaria uma redução de receitas que se estima em 1.500 milhões de euros. A segunda medida – redução da taxa contributiva das empresas em 35% e em 70%, conforme o contrato for a termo ou sem termo – determinaria uma redução de receitas para a Segurança Social que não deveria ser inferior a 300 milhões de euros por ano. Finalmente a ultima medida – introdução do plafonamento nas contribuições – não é possível estimar as suas consequências porque o PSD, diferentemente do CDS, não concretiza o limite contributivo.
No entanto, a introdução de qualquer limite determina uma quebra imediata de receita, porque uma parte dos "descontos" das empresas e dos trabalhadores deixariam imediatamente de ir para a Segurança Social.

Sócrates já introduziu na lei a possibilidade de implementar o "plafonamento das contribuições". Assim de acordo com o artº 58 da Lei 4/2007 aprovada pelo PS, "a lei pode ainda prever …. a aplicação de limites superiores aos valores considerados como base de incidência contributiva ou a redução das taxas contributivas dos regimes gerais". Portanto, por simples decreto ou portaria o governo poderá introduzir o chamado "plafonamento horizontal" (acima de determinado limite, por ex. 6 SMN, deixar-se-ia de descontar para a Segurança Social, e o valor dos descontos apenas dos trabalhadores seriam aplicados em fundos de pensões) ou o "plafonamento vertical" (redução da taxa contributiva paga por todos os trabalhadores, seja qual for o seu salário, e o valor assim liberto (apenas os dos trabalhadores) seria aplicado em fundos de pensões, o que determinaria uma quebra imediata das receitas para a Segurança Social, criando dificuldades financeiras a esta.
Não resta duvida que o CDS e o PSD têm assim o caminho consideravelmente facilitado para aplicar as suas propostas. O PS já lhes deu uma importante ajuda. Para além disso, Sócrates também aprovou um conjunto de medidas – redução da taxa contributiva das micro e pequenas empresas em 3 pontos percentuais; premio de 2000€ dado às empresas que contratem trabalhadores até 30 anos, etc. – que determinarão, só em 2009, uma redução de receitas para a Segurança Social em 240 milhões de euros.
No fim de Agosto de 2009, o saldo global da Segurança Social era de 628,1 milhões de euros, quando em idêntico mês de 2008 atingia 1.534 milhões de euros, ou seja, 2,4 vezes mais. Isto mostra que a crise está a ter um forte impacto na Segurança Social e que, embora estando a aguentar as graves consequências dela, o certo é que não poderá continuar a ser utilizada, como tem feito o PS e como pretendem fazer o CDS e PSD, para resolver os problemas das empresas, e mesmo para garantir os lucros de algumas empresas.
Ler este estudo na integra aqui.

CDU: o único voto útil para uma outra política

Ontem no Campo Pequeno eramos mais de 7 mil. O entusiasmo. A convicção. Não eram ainda os votos mas era a imagem daqueles em que se pode confiar para que o voto, que pode ser tão volátil, possa ter utilidade e permanecer, depois de domingo, para os devidos efeitos: uma outra política.
Sendo certo que ninguém é dono dos votos de cada um, é também certo que eles serão utilizados. Incuindo para manter quem nos quiz tourear, alterando alterando as regras da lide e que, agora, apesar de ferido na faena destes quatro anos, diz que a vai continuar a fazer mas com um olhar manso para os eleitores. Em todas as faenas há os que dão o peito mas também há os peões de brega, que nem sempre desdenham sentar-se à mesa.
Os portugueses sabem quem pegou a política pelos ditos e animou a faena. O animal já não estava em boas condições quando o soltaram. Já tinha muitas bandarilhas de esperança. Mas não estava embolado e fez tudo o que pode para se arrastar em mais uma temporada.
O inteligente teve umas entradas em falso para gáudio de algumas ganaderias velhas com uma aficción que não deixou de fazer todas as cambalhotas possíveis para se aggiornare com as regras das novas lides.
Hoje as chocas recolherão o animal e no domingo sentirá que as feridas lhe retiraram potencial de arremesso e começará a piscar os olhos para alguns camarotes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Liberdade, escultura de Jorge Vieira

Lula da Silva pede ao governo fantoche das Honduras que não assalte a embaixada brasileira


A carga policial sobre os hondurenhos concentrados junto à embaixada fez com que Zelaya declarasse recear pela sua vida e com que o presidente brasileiro pedisse há instantes que a embaixada não fosse invadida pela tropa.

O canal 36 viu a energia eléctrica cortada para impedir que continuasse a transmitir. A Radio Globo, a única que transmitiu directamente o regresso de Zelaya, está a ter o sei sinal sucessivamente interrompido.

Na 5ª feira aparece e no domingo... vota na CDU

Ainda sobre a síntese abiótica de hidrocarbonetos

Recebi com gosto observações de um amigo ao post que, sobre esta matéria, publiquei aqui no passado dia 20, a que respondi nos termos que podereis consultar nos respectivos comments, chamando a atenção para o interesse de que se reveste trabalho anterior do falecido cientista Thomas Gold publicado na resistir.info.
Daí resultaram tentativas de contactos com os três cientistas do trabalho que eu inicialmente tinha citado.
Goncharov, atendeu-me amavelmente e disse-me que o interesse dos três investigadores vinham de experiências e previsões teóricas anteriores (já referidas no trabalho do falecido Thomas Gold atrás referido).

Nessas experiências o metano sujeito a altas pressões e temperaturas dava origem a hidrocarbonetos mais pesados. Mas as moléculas não se podiam identificar, apresentando uma distribuição semelhante. Goncharov afirmou-me terem ultrapassado essa questão com a sua técnica de aquecimento a laser, em que puderam tratar volumes maiores e mais uniformemente, tendo verificado que o metano pode ser produzido a partir do etano e que, portanto, existe uma reversibilidade de reacções.

Retomando a questão que coloquei há dois dias, o petróleo e o gás que abastecem as nossas casas e os carros resultaram de organismos vivos que morreram, foram comprimidos, e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta da Terra. Há anos que os cientistas têm debatido se alguns destes hidrocarbonetos também poderiam ter sido criados em camadas mais profundas da Terra e sem o concurso de matéria orgânica.

Agora, pela primeira vez, os cientistas descobriram que o etano e hidrocarbonetos mais pesados podem ser sintetizados sob a pressão de condições de temperatura do manto superior da camada de terra sob a crosta e no topo do núcleo. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Laboratório de Geofísica do Instituto Carnegie, com os colegas da Rússia e da Suécia, e foi publicada, on line, em 26 de Julho passado, nas Letters da Nature Geoscience.
Legenda: Este olhar artístico do interior da Terra mostra os hidrocarbonetos a formarem-se no manto superior e a serem transportados através de falhas profundas para as profundezas da crosta da Terra. A outra imagem inserida mostra um instantâneo da reacção de dissociação do metano estudada neste trabalho.

O Metano (CH4) é o principal componente do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima na indústria petroquímica. Ambos os hidrocarbonetos, bem como outros relacionados com o combustível, se designam por hidrocarbonetos saturados, porque eles têm ligações simples e estão saturados com hidrogénio. Eles usaram uma célula de “bigorna de diamante” e uma fonte de calor laser. Submeteram em primeiro lugar o metano a pressões superiores a 20 mil vezes a pressão atmosférica ao nível do mar e a temperaturas que variam entre 1.300 ° F e mais de 2.240 ° F. Estas condições reproduzem as que poderão ser encontradas a 40-95 quilómetros de profundidade no interior da Terra.
O metano reagiu e formou etano, propano, butano, moléculas de hidrogénio e grafite.
Depois submeteram o etano às mesmas condições e obtiveram metano. Esta reversibilidade de reacções implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não requer matéria orgânica.
Estes cientistas excluíram catalisadores como parte do aparato experimental, mas reconhecem que os catalisadores poderão estar envolvidos no interior da Terra numa mistura de compostos.

Já não consegui obter resposta de Kutcherov que foi quem fez a declaração, não fundamentada, das promissoras perspectivas económicas, que citei no post anterior, mas que não constavam do trabalho propriamente dito, apresentado em Julho pelos três autores, parecendo ser tão só um aparte seu.

Zelaya nas Honduras: pátria, restituição ou morte!


Ontem perto da meia noite, depois de ter sido confirmadas a sua reentrada clandestina em Tegucigalpa, capital das Honduras e a sua presença na embaixada doBrasil nesta cidade, o presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de estado, dirigiu-se ao seu povo, dizendo: "A partir de agora nada nos tirará de aqui, e por isso a nossa posição é patria, restituição ou morte".


“Les habla el comandante general de las Fuerzas Armadas de Honduras que el pueblo eligió para dirigirlos y que les tendió una mano siempre. Les hago pacíficamente un llamado a la cordura, que no vaya a haber violencia en las calles. La gente que está aquí con nosotros está desarmada gritando consignas de alegría porque hoy es un día de fiesta”, afirmou Zelaya aos órgãos de comunicação na embaixada do Brasil, enquanto apelou ao povo para se aproximar da embaixada “que me ha recibido y me ha dado el apoyo en nombre del presidente Lula da Silva”. Afirmou ainda que a sua chegada pacífica às Honduras tem como objectivo iniciar um processo de diálogo nacional e internacional que, com os que participaram no golpe de estado, "hagamos un esfuerzo por Honduras y por nuestro pueblo. Yo estoy dispuesto a hacer el sacrificio que sea necesario”.


Muitos hondurenhos estão à volta da embaixada não acatando o recolher obrigatório que Micheletti voltou a decretar. Ao corte da electricidade imposto, reagiram mantendo acesas velas o os ecrans de telemóveis.

Micheletti exigiu que o Brasil lhe entregue Zelaya para ser julgado ou então lhe dê asilo político...