domingo, 18 de janeiro de 2009

"Paris 36", um filme de Christophe Barratier


Em 1936, na periferia a Norte de Paris, a que todos chamam simplesmente de Faubourg, a vida dos habitantes locais sofre algumas mudanças. Com a Frente Popular a ganhar as eleições, a vitalidade popular ganha novo dinamismo e os trabalhadores ganham novo fôlego a defrontar o patronato, parte do qual vai apoiando a formação do movimento fascista… O Chansonia, a sala de "music hall" onde trabalham artistas e técnicos, chega ao fim, deixando-os desempregados e ao teatro à beira de, pelo interesse imobiliário, vir a desaparecer.
Parte deles decide ocupar o teatro e dar-lhe vida. A procura de novas soluções sofre acidentes de percurso até se chegar a uma fórmula, bem aceite pelos populares e fundada num outro nível de exigência arstística.
É o tempo dos bailes e dos cartazes com a foice e o martelo, da alegria, da amizade e da camaradagem e da entrega ao trabalho e ao amor. Mas também o tempo da viragem à direita que alguns preparam, para facilitar a expansão do fascismo na Europa a partir de Hitler e da vingança das forças capitalitas.
Eis um musical sem grandes pretensões, de apreensão imediata, servido por um naipe razoável de actores, de onde se destacam o notável German Pégoil (Gérard Jugnot) e a força de Douce (Nora Arnezeder).
Vá ver. Eu cá gostei.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Desbunda total...


O nosso Primeiro anda nervoso. Já o sabíamos. Mas a desbunda de hoje na AR foi total, uma espécie de delirium tremens institucional, incontinência parlamentar de fachada polemista. Os Verdes foram o alvo.

Ele eram melancias, verdes por fora e vermelhas por dentro, atrelamentos ao PCP, embustes, graçolas, etc., etc.
Desbunda extraordinária de tão ordinária que foi.
Heloísa Apolónia respondeu-lhe bem na mouche!

H2O À VENDA...


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ainda se lembram?


Investimento e consumo público diminuem em 2009 o que agravará ainda mais a crise e o desemprego, por Eugénio Rosa


O governo e, nomeadamente, o 1º ministro Sócrates, têm procurado fazer passar a mensagem de que o governo vai aumentar a despesa pública, nomeadamente, o investimento publico em 2009 para assim reduzir os efeitos da crise, nomeadamente no campo do desemprego. Mas isso não corresponde à verdade com mostram os dados oficiais constantes do Parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado de 2007, do Relatório que acompanha o Orçamento do Estado para 2009, e do Boletim Económico do Banco de Portugal de Inverno de 2008.
O Banco de Portugal, no seu Boletim Económico de Inverno de 2008, prevê para 2009 uma forte quebra do crescimento do Consumo Privado (0,4%, que é menos de um terço da taxa registada em 2008), uma variação negativa no investimento total (-1,7%, que é uma quebra dupla da verificada em 2008), e uma diminuição muito acentuada nas exportações portuguesas em 2009 (menos -3,6% do que o valor de 2008). Apesar deste forte decréscimo verificado na despesa privada e nas exportações, o Banco de Portugal prevê uma diminuição no Consumo Público de menos -0,1% relativamente ao verificado em 2008. É evidente, que esta quebra no consumo público, associada à diminuição da taxa de crescimento do consumo privado e à quebra acentuada das exportações, contribuirá para um maior agravamento da crise económica e social. Situação semelhante se verifica no investimento público. E isto porque o investimento previsto no PIDDAC para 2009 é inferior, ao de 2003, em -25,8% em valores nominais, e em -34,9% a preços de 2003, que se obtém deduzindo o efeito do aumento de preços verificado entre 2003 e 2009. O valor de 2009, e é também inferior ao registado em 2007 em cerca de 500 milhões de euros. Mesmo o reduzido aumento que se verifica em 2009, relativamente a 2008, não compensa a quebra continuada registada no investimento público com este governo, devido à obsessão de reduzir o défice orçamental mesmo à custa das infra-estruturas básicas do País.
Por outro lado, e como o Parecer do Tribunal de Contas revela, uma coisa é o investimento previsto e outra coisa, bem diferente, é o investimento realizado. E tem-se verificado, após a tomada de posse do actual governo, a nível do PIDDAC, que é o programa de investimento mais importante do Estado, uma taxa de execução muito baixa. No período 2003-2004, portanto antes da tomada de posse deste governo, ela foi sempre superior a 73%, enquanto no período posterior (2005-2007) ela foi sempre inferior a 67% atingindo, em 2007, apenas 65,8% do previsto. Face a esta diferença significativa que se tem verificado sempre, e mais com este governo, entre o previsto e o realizado, e ao insuficiente investimento público anunciado pelo governo para 2009, é de prever que os seus efeitos no combate à recessão e ao aumento do desemprego sejam extremamente reduzidos, apesar das múltiplas declarações do governo em contrário, que só podem ser interpretadas como a intenção de esconder esse facto.

Ver o estudo em
http://www.resistir.info/e_rosa/09_2_inv_consumo_2009.html

A dança das cadeiras...


Repescado do DN de hoje:

"Mas Blair na presidência da UE faria , porém, parte de uma dança de cadeiras institucional mais vasta: Durão Barroso manter-se-ia como presidente da Comissão Europeia. O holandês Jaap de Hoop Scheffer seria o rosto da Política Externa, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen o secretário-geral da NATO e a presidência do Parlamento Europeu seria partilhada entre o alemão Martin Schulz e o polaco Jerzy Buzek. Os franceses Dominique Strauss-Kahn e Jean-Claude Trichet manter-se-iam, respectivamente, na chefia do FMI e do Banco Central Europeu".


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os Reis Magos de Colónia, por Elsa Pereira



Mais um pouco da história de Colónia... Aprende-se muito... Os três Reis Magos são os padroeiros da cidade de Colónia. Lá se encontram as relíquias dos Reis Magos, relíquias essas que estão na origem da construção da Catedral de Colónia. O dia de Reis é, portanto um dia importante que dá origem a cerimónia na catedral. Eu cheguei atrasada e o pessoal já se estava a retirar. As crianças vestidas de Reis são as crianças que de dia 1 a dia 6 cantam as Janeiras nas ruas e batem porta a porta a pedir para causas ligadas a crianças. Gostei particularmente do ar comprometido do padre com uma garrafa de espumante na mão....

A neve...

A neve é entre nós um elemento de alegria associado à beleza e à grandeza de imagens espectaculares e fora de comum. É uma novidade para a generalidade dos portugueses que a querem ver, sentir e com ela brincar. Para quem vive nas zonas onde aparece regularmente, constitui ora uma forma desejada e consistente de humedecer os solos que beneficiam a agricultura ora factor de incómodo pelo frio de pessoas particularmente expostas no seu trabalho ou pelos acidentes decorrentes das dificuldades acrescidas de arrefecimento dos corpos, de incómodo das casas não aquecidas, dotráfego pedonal e automóvel, de mini-inundações, da concentração de sujidades. Nada porém que se compare às catástrofes resultantes de avalanches e degelos ou ao cancelamento de voos e outras comunicações de outros países.
O uso de diversas camadas de roupa, o aquecimento das casas, de correntes nos pneus de tracção ou o abaixamento do ponto de congelação da água por dissolução no gelo de sal (cloreto de sódio) são formas de obviar a alguns inconvenientes da neve.
Em Portugal a neve ocorre particularmente nos distritos do nordeste e Guarda e nas zonas mais altas das serras da Estrela e do Gerez.
Em Lisboa lembro-me bem do espanto dos meus seis anos, à janela da casa da Rua Augusto Machado. E há dois anos foi a minha neta Beatriz que se espantou, da cama do Hospital da Estefânia onde estava internada, vendo e sentindo alguns flocos que a correr lhe fomos apanhar à entrada do hospital.

A mais atraente forma neve é a de cristais de gelo em flocos, de formato hexagonal, parecidos com pequenas estrelas, sendo que nem toda a neve vem na forma dos tradicionais flocos de neve. Mas também se podem apresentar na forma de grãos de neve e de gelo, de granizo e de chuva gelada ou água-neve.
Mas qual a sua relação com os bonitos cristais de neve de que apresentamos acima alguns exemplos?
Os flocos de neve e os cristais de neve são feitos de gelo e nada mais. O cristal de neve, como o nome indica, é um único cristal de gelo. Um floco de neve é um termo mais genérico, que pode significar um só cristal de neve, ou alguns cristais de neve colados entre si, ou grandes aglomerações de cristais de neve que formam bolas que caem, flutuando como nuvens.
As moléculas de água num cristal de gelo que formam uma rede hexagonal em cuja unidade molecular existem dois átomos de hidrogénio para cada de oxigénio, sendo a respectiva fórmula química H2O. A simetria hexagonal dos cristais de neve, em última instância, resulta da simetria hexagonal da rede do cristal de gelo.
Os flocos de neve não são pingos de chuva congelados. Às vezes os pingos de chuva congelam ao cair, mas a isso chamamos gelo. As partículas de gelo não têm qualquer padrão simétrico como o encontrado nos cristais de neve. Os cristais de gelo formam-se quando o vapor de água condensa directamente em gelo, nas nuvens. Os padrões surgem à medida que os cristais crescem.
A maior parte das formas básicas dos cristais de gelo são prismas hexagonais, que se vêem nas imagens. Esta estrutura ocorre porque determinadas superfícies do cristal acumulam o material muito lentamente.
A história de um floco de neve começa com o vapor de água na atmosfera. A evaporação dos oceanos, lagos, rios, assim como a transpiração das plantas, coloca água no ar. Cada vez que expiramos, colocamos vapor de água na atmosfera.
Quando arrefecemos uma porção de ar, o vapor de água que transporta acaba por condensar, como nos vidros interiores dos carros. Quando isso acontece próximo ao solo, a água pode condensar como orvalho sobre a relva. Bem acima do solo, o vapor de água condensa em torno de partículas de poeira do ar. Condensa em inúmeras gotículas, em que cada gota contem pelo menos uma partícula de poeira. Uma nuvem não é nada mais, nada menos do que uma colecção enorme dessas gotículas de água suspensas no ar.
As nuvens ainda são maioritariamente constituídas por gotículas de água líquida, mesmo quando a temperatura está abaixo de zero. Diz-se que a água está sobre arrefecida quando está abaixo do ponto de congelação, como referimos atrás a propósito do espalhar do sal. Nas nuvens, com a queda da temperatura, as gotículas podem começar a congelar. Isso começa acontecer em torno dos -10º C, mas é um processo gradual, e as gotículas não congelam todas de uma vez. Se uma determinada gotícula congela, fica uma pequena partícula de gelo rodeada pelas restantes gotículas de água líquida da nuvem e torna-se num pólo da congelação. O gelo cresce com o vapor de água, que condensa, formando um floco de neve nesse processo.

Enfim, vamos voltar a olhar a neve…

Estranha azáfama esta do PS...

De repente o PS apareceu obcecado com os actos eleitorais. É Sócrates, são dirigentes do PS, são comentadores que costumam fazer o serviço do PS. Elencam prós e contras para todos os cenários. Baseiam-se nas fontes não identificadas de Belém para manter a chama acesa.
Enfim, um frenesim típico dos criadores dos faits divers, dos ilusionistas, dos lançadores de balões que nos querem tirar do tempo real e dos problemas reais.

Penso que o mais acertado será não lhes ligar e abordar estas questões no tempo e nos termos em que elas devem ser tratadas, e não ignorando que é sempre desejável respeitar a especificidade e a natureza de cada um dos actos eleitorais, como, aliás, referia ontem Jorge Cordeiro na ronda que a Lusa fez aos partidos sobre esta estranha azáfama do PS.

domingo, 11 de janeiro de 2009

sábado, 10 de janeiro de 2009

Habitantes de Gaza, cobaias de novas armas americanas

Já em anteriores ataques a Gaza os israelitas utilizaram armas novas, várias das quais proíbidas.
Israel tem sido o principal operador de testes para novas armas fabricadas nos EUA que, uma vez mais, estão a ser testadas agora em Gaza. Este interesse em Israel como executante de tais testes tornaram-se num sólido suporte para as relações entre os dois países, que com os resultados de tais testes valida os catálogos de venda das suas armas noutros pontos do globo.

Só a administração Bush forneceu a Israel “ajudas de segurança” no valor de mais de 21 biliões de dolares nos últimos oito anos, incluindo 19 biliões como oferta.
No ano passado, Israel assinou com os EUA contratos para ofornecimento de 75 jactos F-35, nove aviões de transporte de tropas e quatro navios de guerra.

O senador democrata Dennis Kuchinch dirigiu na semana passada uma carta à Secretária de Estado Condoleeza Rice dizendo que o uso de armas americanas em Gaza poderia constituir uma violação das exigências da lei de controle da exportação de armas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge






"Entre dois caminhos, escolher o terceiro"


Carlos Fiolhais

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Ucrânia joga com gás russo contra a Europa?


A questão da redução dos fornecimentos do gás russo que passa pela Ucrânia a diversos países europeus parece ser uma jogada aventureira de Kiev.
Estando neste momento a questão já a ser objecto de apreciação directa pela União Europeia, não deixam de ser sintomáticas várias coisas.

A Ucrânia, candidata a ser membro da NATO, apoiada pelos EUA e vários países europeus, recusou novos preços do gás fornecido pelos russos, num quadro em que a Gazprom actuou, de forma semelhante, em relação a outros países que deixaram de ter preços bonificados, abaixo dos praticados no mercado. Além disso, exige o pagamento pelos russos de novos preços de passagem do gás nos gasodutos russos que lhe atravessam o território e destinados a parte dos países europeus de que a Rússia é fornecedora. A UE disse para Moscovo e Kiev se entenderem, que não serviriam de intermediários. Mas a Ucrânia não cede e, segundo Moscovo, está a desviar gás que lhe atravessa o território, destinado a outros países, para o seu próprio consumo sem ter concluído novos contratos com a Gazprom.

A pressão dos media tem estado dirigida à Rússia, contra todas as evidências que deveria ser sobre a Ucrânia. Mesmo quando o "desvio" ucraniano parece real, não dirigem a pressão sobre Kiev.
O Diário de Notícias de hoje é exemplar. Da notícia de um correspondente que escreve sobre a questão, centrado na necessidade de esclarecimento de quem é que não está a falar verdade, a manchete, de que certamente o correspondente não é responsável, é "Bruxelas exige que Rússia ponha fim à crise do gás", em completa contradição com o texto. O que evidencia uma campanha de orientação em termos de manchetes, verificável, se o leitor tiver um pouco de paciência, noutros jornais iompressos e on-line do nosso país e de outros países.

Outra questão parece ser sintomática: a recusa de Merkl em acordar com os russos a distribuiçao directa de gás que já tinha merecido anterior apoio do chanceler Schroeder.
Parece haver a intencionalidade de alguns em deixar a torneira na mão de Kiev, manipulável a seu belo prazer para depois atirarem as culpas aos russos...

É um jogo perigoso...

Cartoon de Monginho

in Avante!

Em Israel luta-se contra a agressão israelita - a posição dos comunistas de Israel



A matança em Gaza continua. Centenas de palestinos foram mortos, milhares feridos, os bombardeamentos têm causado enorme devastação e famílias inteiras estão desalojadas. Civis no sul de Israel estão a ser feitos prisioneiros por um governo que lhes mente e abusa deles. A destruição e morte em Gaza não vai garantir o seu futuro, mas sim levar a mais violência e assassinatos.
Amanhã (sábado, 3 de Janeiro de 2009) serão realizadas dois grandes protestos em Israel, por uma coligação de forças de paz e do Partido Comunista de Israel e a sua frente Hadash em Tel-Aviv, e em Sakhnin pelo Alto Comité de árabes-palestinianos cidadãos de Israel, ambos contra a matança em Gaza. Juntos vamos gritar: Parem a matança! Não á ocupação! Sim à vida para ambos os povos! Nestes dias sombrios, vamos manter a nossa mensagem: judeus e árabes recusam-se a ser inimigos! A nossa exigência é: trégua e fim da ocupação de Gaza AGORA!
Israel tem ido bastante longe para garantir que o mundo não conhece a extensão dos seus crimes contra a humanidade dentro da Faixa de Gaza. Em Israel propriamente dito, há protestos contra a guerra a pessoas em cativeiro. Milhares já se reuniram para protestar diariamente em Tel – Aviv, Jerusalém Ocidental, Haifa, Nazaré, Um el-Fahem, Tira, Taybe e noutras cidades. Reservistas mobilizados para um possível ataque à terra Gaza recusaram esse serviço, arriscando prisão.
Nada disto está a ser relatado nos média americanos e europeus, que em grande medida estão a ser uma "claque" do ataque israelita, principalmente por reportagens manobradas sobre os ataques em Gaza e os foguetes lançados pelo Hamas em Israel.
Como Dov Khenin, membro do Hadash no Knesset israelita e um dirigente do Partido Comunista, afirmaram em entrevista com Amy Goodman, na “Democracy Now!”, "Bem, a coisa mais importante para perceber é que existe uma oposição dentro de Israel à guerra e a tudo o que se está a passar com Gaza. Esta posição é a de um judeu árabe. No sábado à noite, tivemos uma manifestação em Tel-Aviv de 2000 jovens, principalmente judeus, e há uma série de manifestações por todo o Israel, de judeus e árabes a oporem-se à guerra política do actual governo. Esta oposição está crescendo de forma constante. É muito importante saber isso e compreender que há outras vozes que na sociedade israelita se opõem à guerra, e crêem que existe uma alternativa melhor para israelitas e palestinianos.
" Ontem, em Tel-Aviv, um grupo de poetas realizou uma vigília com leitura de poemas a protestar contra a operação em Gaza frente das luxuosas Akirov Towers, onde o ministro da Defesa, Ehud Barak (e chefe do Partido Trabalhista), tem um apartamento. Vinte jovens poetas leram obras anti-guerra com um megafone, chamando-lhe "um protesto contra a destruição Ehud Barak dos habitantes do sul, enquanto está a dormir numa cama confortável, no 31º andar”. Ibtisam Marahna, número 12 na lista do Meretz no Knesset, falou durante o protesto, e anunciou sua demissão do Meretz, devido ao seu apoio à guerra.
Dez organizações de direitos humanos apelaram ontem ao ministro da Defesa, Ehud Barak para renovar urgentemente uma oferta ilimitada de combustível para a Faixa de Gaza. Os grupos, incluindo B'Tselem, Gisha e a Associação de Direitos Civis em Israel, escreveram que a enorme destruição das infra-estruturas após a acção israelita vai aumentar a necessidade de combustível para poderem funcionar " equipamentos humanitários como bombas de água, esgotos e sistema de saúde ". O grupo escreveu que Israel tem estado constantemente a reduzir o abastecimento de combustível à Faixa desde Outubro de 2007, e que a sua falta resultará da acção militar.
MK Mohammad Barakeh (Hadash) exigiu ontem do primeiro-ministro Ehud Olmert que o serviço de segurança Shin Bet parasse os interrogatórios políticos a activistas Árabes e de esquerda participantes nos protestos contra a operaçãode Gaza. Barakeh afirmou que "Se a estrutura de defesa se preocupa com a onda de protestos contra os crimes em Gaza, é melhor parar com o crime e não a perseguir os líderes políticos e os activistas no sector árabes ".
Ver mais em www.maki.org.il

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Grito e choro por Gaza e por Israel, por Fernando Nobre



"Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes ("terroristas") do movimento Hamas.
Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas: (…)"
Ler o post completo no blog de Fernando Nobre, “Contra a indiferença” em
http://www.fernandonobre.blogs.sapo.pt/

Os "tipos"...

Mário Soares definitivamente rendido a Sócrates foi a imagem global resultante da entrevista de ontem na SIC-Notícias.

De novo a "coragem" – como já a tinha invocado em relação a Maria de Lurdes Rodrigues – foi a grande razão da rendição. Mas aquilo a que Mário Soares chama coragem tem outras leituras e traduções semânticas bem diferenciadas. Não voltaremos ao que aqui dissemos quando do cumprimento à Ministra da Educação.
Mas não deixaremos de registar que, a propósito da necessidade de “ ouvir mais”, Soares lá se foi referindo que o governo deve ouvir as opiniões “mesmo que sejam estúpidas” e aos que mais sofrem como “aqueles tipos”… E que os sindicatos dos professores não têm alternativas de avaliação quando se recusam a reuniões (reuniões "faz-de-conta”, digo eu).
E o que o motiva ao diálogo é não deixar crescer as reivindicações sociais, em nome de uma “estabilidade” que possa ser rompida pelos tais tipos…
Pois é, o parecer tem, muita força. Particularmente quando não corresponde ao ser.
Estamos conversados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O lixo do céu...


Foram realizados cerca de 4.600 novos lançamentos desde o lançamento do primeiro satélite da Terra feito pelo homem em 1957 (Sputnik), há cerca de meio século.

Actualmente existem cerca de 6 mil satélites artificiais em órbita do planeta. Cerca de 400 orbitam a Terra para além da sua órbita. Do número total de 5600, só cerca de 800 satélites estão actualmente em funcionamento. A ligação aos restantes satélites perdeu-se. Uma enorme quantidade de fragmentos e detritos - incluindo reservatórios de combustível - estão também em órbita.(Pravda 05/01/09).

Há que os fazer parar!...


domingo, 4 de janeiro de 2009

O plano da criação do ghetto de Gaza e a solução final

Do ghetto de Varsóvia ao ghetto de Gaza


Numa peça publicada hoje no Global Research (*), Michel Chossudovsky refere os grandes objectivos da agenda militar de Israel nesta década. O autor avança com interpretações, que não subscreveremos totalmente mas que são coerentes com a história do conflito que Israel tem conduzido nestes sessenta anos com os palestinianos.
Segundo ele “É importante concentrarmo-nos numa série de acontecimentos-chave que levaram até à actual matança em Gaza resultante da operação “Chumbo endurecido”. E enuncia-os.

1. O assassinato em Novembro de 2004 de Yasser Arafat.

Este assassinato tinha sido esboçado em 1996 sob o título “Operação Campos de Espinhos”. De acordo com um documento de Outubro 2000, preparado pelos serviços de segurança, a pedido do então primeiro-ministro Ehud Barak, «Arafat, a pessoa, é uma grave ameaça para a segurança do estado [de Israel], e os danos resultantes do seu desaparecimento é menor que os danos causados pela sua existência” (citado no Ma’ariv de 6 de Julho de 2001).
O assassinato de Yasser Arafat foi decidido em 2003 pelo governo israelita. E isso obteve o acordo dos EUA que vetaram no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução condenando essa decisão do governo israelita. Reagindo aos ataques crescentes dos palestinianos, em Agosto de 2003, o então ministro da defesa israelita Shaul Mofaz declarou “guerra total” aos militantes “marcados para morrer”.

Em meados de Setembro, o governo de Israel aprovou uma lei para se livrar de Arafat. O gabinete de assuntos políticos de segurança de Israel anunciou a decisão de eliminar Arafat por ser um obstáculo à paz. Mofaz ameaçou então “ vamos escolher a maneira adequada e o momento certo para matar Arafat”. O ministro palestiniano Saeb Erekat disse à CNN que pensava que Arafat seria o próximo alvo. A CNN perguntou ao porta-voz de Sharon, Ra’anan Gissan, se a decisão significava a expulsão de Arafat. Gissan esclareceu que não significava isso. E clarificou “O que o governo hoje decidiu foi remover este obstáculo. O tempo, o método, as maneiras pelas quais isso se fará será decidido em separado, e os serviços de segurança vão acompanhar a situação e fazer a proposta sobre a acção adequada” (ver de Trish Shuh, “Roteiro para um Plano de Morte”, www.mehrnews.com, de 9 Novembro 2005).
O assassinato de Arafat fazia parte do Plano Dagan de 2001. Com toda a probabilidade, foi realizado pelos serviços secretos israelitas. Visou destruir a Autoridade Palestiniana, fomentando divisões dentro Fatah, bem como entre a Fatah e o Hamas. Mahmoud Abbas é um traidor palestiniano. Ele foi guindado a líder da Fatah, com a aprovação de Israel e dos EUA, que financiam os paramilitares e as forças de segurança da Autoridade Palestiniana.

2. A remoção, sob as ordens do primeiro-ministro Ariel Sharon, em 2005, de todos os colonatos judaicos na Faixa de Gaza.
A população judaica de mais de 7 mil pessoas foi então deslocada.
“É minha intenção [Sharon] para efectuar uma evacuação – desculpem, uma mudança – de colonatos que nos causam problemas e de lugares que não iremos de qualquer maneira querer numa solução definitiva, como acontece com os colonatos de Gaza.... estou a trabalhar no pressuposto de que no futuro não haverá judeus na Faixa de Gaza”, afirmou Sharon à CBC, em Março 2004). A saída dos colonatos da Faixa de Gaza foi apresentada como parte do “Roteiro para a Paz”, celebrada pelos palestinianos como uma vitória mas esta medida não foi dirigida contra os colonos judaicos. Muito pelo contrário, fazia parte do conjunto da operação, que consistiu em transformar Gaza num campo de concentração. Enquanto os colonos judaicos viviam em Gaza, o objectivo de manter um território-prisão altamente barricado, não era possível realizar. A implementação da presente Operação Chumbo Endurecido exigia que não existissem judeus em Gaza.

3. A construção do infame Muro Apartheid foi decidida no início do governo Sharon. A fase seguinte foi vitória eleitoral do Hamas em Janeiro de 2006. Sem Arafat, os arquitectos dos serviços secretos militares israelita sabiam que com Mahmoud Abbas a Fatah não ganharia as eleições. Isso fazia parte do cenário que havia sido previsto e analisado com bastante antecedência.
Com o Hamas no comando da Autoridade Palestiniana, usando o pretexto de que o Hamas é uma organização terrorista, Israel poderia realizar o processo de acantonamento tal como formulado no âmbito do plano de Dagan. A Fatah de Mahmoud Abbas permaneceria formalmente no comando da Cisjordânia. O Hamas, eleito legitimamente para o governo, ficaria confinado a Faixa de Gaza.

O presente ataque terrestre

Em 3 de Janeiro a infantaria e tanques israelitas entraram em Gaza numa ofensiva terrestre de larga escala: a operação terrestre foi precedida por vários ataques de artilharia pesada ao escurecer, que incendiaram o céu no turno. O fogo das armas automáticas brilhante marcou rastos tracejantes iluminados na noite. (AP, 3 de Janeiro).
Fontes israelitas têm apontado para uma longa operação militar. “Ela não vai ser fácil e não será curta”, disse o ministro da Defesa, Ehud Barak, em declarações à televisão. Israel não pretende obrigar o Hamas a colaborar numa solução. O que estamos a assistir é à implementação do Plano Dagan, tal como inicialmente foi formulado em 2001, que previa uma invasão do território palestino, assegurada por cerca 30 mil soldados israelitas, com a missão claramente definida de destruir as infra-estruturas da liderança palestiniana e de recolher armas actualmente na posse das diversas forças palestinianas, e expulsar ou matar a sua liderança militar. (Ellis Shulman, op. cit., com particular enfase).
A questão mais ampla é saber se Israel, em consultas com Washington, tratou da intenção de desencadear uma guerra mais ampla.
A expulsão em massa dos palestinianos poderia ocorrer numa fase posterior à invasão terrestre, com os israelitas a abrir as fronteiras da Gaza para permitir um êxodo da população. A expulsão foi referida por Ariel Sharon como uma solução do género da de 1948. Para Sharon é apenas necessário “encontrar outro estado para os palestinos e a Jordânia é a Palestina” foi a frase que Sharon (Tanya Reinhart, op. cit.).”

(*) http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=11606

Vulcão de Java, mina de enxofre, fotos de Fernando Peres Rodrigues


No vulcão Kawah Ijen, na Ilha de Java, na Indonésia, os trabalhadores carregam, diariamente, cestos com 90 kgs de enxofre já consolidado às costas. Esta é uma das maiores minas de enxofre a céu aberto em todo o mundo.
Fazem-no em duas viagens por dia, num percurso de 6 kms cada, sujeitos aos vapores de enxofre e às lesões que o enxofre - como é sabido - provocam, e ganhando 7 euros por dia. Num trabalho que na região é um dos mais bem pagos.
O fotógrafo é simultâneamente médico num grande hospital público de Lisboa e pode encontrar colecções de fotos das suas viagens em
Como verificarão, são trabalhos de encontro com a natureza e os homens, fora dos normais roteiros turísticos, trabalhos que exigem jogar com o tempo e esperar os momentos em que a natureza se revela mais estimulante para a criatividade artística.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Israel: a mentira da retaliação


Desde o início da ofensiva, em curso há uma semana, 457 palestinianos foram mortos, entre eles 75 crianças e 21 mulheres, e pelo menos 2.350 ficaram feridos, segundo fontes médicas palestinianas.
Do lado israelita morreram até ao momento quatro pessoas, três civis e um soldado, e 15 pessoas ficaram feridas em ataques com 'rockets' lançados a partir da Faixa de Gaza.
(J. Notícias às 18 h)

"Sou barco", de Luís Cília e António Borges Coelho






O poema do historiador António Borges Coelho foi escrito na Cadeia de Peniche quando lá se encontrava preso à data da Fuga de Peniche. É o preso político que descreve as sensações sentidas da janela da cadeia.


Luís Cília fez a música em 1966 e esta canção foi uma das mais cantadas durante a resistência antifascista, enquanto o compositor-intérprete, também autor do "Avante camarada!", vivia emigrado em França.


Esta gravação é de em espectáculo em Outubro de 1993, em Barcelona, no Palau San Jordi. Sim, porque cá...


A fuga de Peniche

Passam hoje 49 anos sobre a histórica fuga de Peniche de vários dirigentes comunistas.
Na imagem acimaMargarida Tengarrinha desenhou o trajecto dos fugitivos.
Um dos seus protagonistas, Joaquim Gomes, contava há uns anos:
"A famosa fuga de Peniche foi uma das mais espectaculares da história do fascismo português, por se tratar de uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo.
No dia 3 de Janeiro de 1960 evadem-se do forte de Peniche: Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues.
No fim da tarde pára na vila de Peniche, em frente ao forte, um carro com o porta-bagagens aberto. Era o sinal de que do exterior estava tudo a postos. Quem deu o sinal foi o actor, já falecido, Rogério Paulo.
Dado e recebido o sinal, no interior do forte dá-se início à acção planeada. O carcereiro foi neutralizado com uma anestesia e com a ajuda de uma sentinela - José Alves - integrado na organização da fuga, os fugitivos passaram, sem serem notados, a parte mais exposta do percurso. Estando no piso superior, descem para o piso de baixo por uma árvore. Daí correm para a muralha exterior para descerem, um a um, através de uma corda feita de lençóis para o fosso exterior do forte. Tiveram ainda que saltar um muro para chegar à vila, onde estavam à espera os automóveis que os haviam de transportar para as casas clandestinas onde deveriam passar a noite. Álvaro Cunhal passou a noite na casa de Pires Jorge, em São João de Estoril, onde ficaria a viver durante algum tempo.
Esta fuga só foi possível graças a um planeamento muito rigoroso e uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão.Do interior a comissão de fuga era composta por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Do exterior, organizaram a fuga Pires Jorge e Dias Lourenço, com a ajuda de Otávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo."
Numa das visitas ao forte, já depois do 25 de Abril, Joaquim Gomes prestou o seguinte depoimento:


José Vitoriano, saudoso camarada, fez também dela um relato que o Militante publicou e que pode encontrar em
http://omilitante.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=23&Itemid=32

Inverno, por anamar

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O que era necessário que o governo esclarecesse sobre a Reforma da Administração Pública, de Eugénio Rosa


O secretário de Estado da Administração Pública anda a percorrer os distritos do País com o objectivo, diz ele, de esclarecer e tranquilizar os trabalhadores sobre a "reforma" governamental da Administração Pública. Esteve no dia 12 de Dezembro de 2008 em Braga, e já anunciou que estará no dia 9 de Janeiro de 2009 em Lisboa, 21 em Viseu, 28 em Setúbal, 6 de Fevereiro no Porto, 18 em Coimbra, 4 de Março em Faro, 13 em Beja, e 3 de Abril em Évora.
Há questões graves que o governo se tem recusado a esclarecer e que era importante que o secretário de Estado o fizesse nessas reuniões e não as transformasse em sessões de propaganda do governo.
Era importante que o secretário de Estado da Administração Pública esclarecesse como se compatibiliza a disposição constante do artº 88º da Lei 12-A/2008, que pretende liquidar o vínculo de nomeação na Administração Pública, com o texto constitucional, pois como escreveram Paulo Veiga e Moura e Cátia Arrimar "esta alteração unilateral de regime de vinculação não é compatível com o texto constitucional, violando frontalmente o principio constitucional da protecção da confiança e o direito fundamental de acesso à função pública".
Era importante que o secretário de Estado esclarecesse que medidas o governo tenciona tomar para que a insegurança e precariedade provocada pelas eventuais alterações anuais nos quadros de pessoal dos serviços previstas no artº 5º da Lei 12-A/2008, não determinem que muitos trabalhadores sejam considerados em excesso e colocados na situação de mobilidade especial ou mesmo despedidos como prevê o artº 6º da mesma lei?
Era igualmente importante que o secretário de Estado esclarecesse que medidas o governo tenciona tomar para que se não verifique também em 2009 o congelamento de facto das carreiras da esmagadora maioria dos trabalhadores da Administração Pública?
E qual a dotação que existe no OE2009 para mudanças de posições remuneratórias e quantos trabalhadores poderão beneficiar de mudanças de posições remuneratórias em 2009 com essa verba, quando o artº 2º da Lei do OE2009 cativa, à partida, 25% das "verbas afectas às alterações facultativas de posicionamento remuneratório"?
E tudo isto porque o nº4 do artº 47º da Lei 12-A/2008 permite aos responsáveis dos serviços não afectar qualquer dotação para alteração de posições remuneratórias dos trabalhadores e, se isso acontecer, mesmo que os trabalhadores tenham as avaliações necessárias para poder mudar de posição remuneratória ela não terá lugar com excepção da situação prevista no nº 6 do mesmo artigo (o trabalhador ter somado 10 pontos). E mais quando o governo criou um novo encargo a ser suportado pelos orçamentos dos serviços – contribuição de 7,5% para a CGA – que vai custar aos serviços 585 milhões de euros em 2009.
Seria também importante que o secretário de Estado esclarecesse que medidas o governo tenciona tomar para que não se criem desigualdade remuneratórias entre os trabalhadores de serviços diferentes e, no interior do mesmo serviço, entre os diferentes trabalhadores o que é permitido pelos nº1 e 2 do artº 46 da Lei 12-A/2008?
Seria igualmente importante que o secretário de Estado esclarecesse que medidas o governo tenciona tomar para que não se criem desigualdades entre os trabalhadores que já estão na Administração Publica e os que entrarem no futuro para Administração Pública permitidas pelo artº 55 da Lei 12-A/2008, já que futuramente as remunerações de entrada serão negociadas individualmente entre o trabalhador e o responsável máximo do serviço ou da unidade orgânica.
Seria importante que o secretário de Estado da Administração Pública nas reuniões distritais que fizesse clarificasse a posição do governo sobre as disposições graves das leis publicadas que criam insegurança e precariedade no emprego, que introduzem o arbítrio das chefias, que procuram instalar a psicologia do medo e do compadrio na Administração Publica, incompatível com um Estado democrático e com uma Administração Pública ao serviço de todos os cidadãos.

A frase de fim-de-semana, por Jorge


"A esperança não cria pó"


Paul Éluard
1946